20/7 - Editora Abril, do brilho dos anos 70 ao esgoto de Veja. Por Luis Nassif

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Editora Abril, do brilho dos anos 70 ao esgoto de Veja. Por Luis Nassif

 
Publicado originalmente no jornal GGN
POR LUIS NASSIF
Roberto Civita. Foto: Divulgação
Em 1998, sabendo que eu tinha boas relações com João Saad, o patriarca da Rede Bandeirantes, Otávio Frias – o dono da Folha – me pediu que fizesse um meio campo entre eles. A Folha e a Abril, de Roberto Civita, pretendiam propor uma participação no capital da Bandeirantes, talvez até uma fusão. Pouco antes, ambos haviam se associado no portal UOL, que absorveu o BOL, da Abril.
Fui o intermediário da sondagem. De concreto, rendeu apenas um almoço na Folha, no qual Frias e Saad me deliciaram com histórias de suas vidas e, principalmente, de Ademar de Barros, ex-governador, sogro de Saad e sócio de Frias em alguns empreendimentos imobiliários.
O caso não avançou. Mas mostrava a pujança dos dois grupos, antes da grande crise cambial de 1999, que resultou em um aumento brutal do endividamento das duas empresas, da Folha devido aos investimentos em uma nova gráfica, da Abril, devido às aventuras na televisão e a uma enorme dispersão de investimentos.
Foi o último momento de brilho de Civita.
O início da decadência ocorreu com o próprio BOL. No início, houve uma disputa entre o modelo UOL e o modelo BOL. A BOL contava com as dezenas de revistas da Abril para fornecer conteúdo. A UOL corria atrás de parcerias de conteúdo.
A UOL foi mais rápida inclusive na montagem da rede de Internet. Enquanto a BOL montava uma verdadeira central telefônica, a UOL saiu atrás de parcerias com os provedores que começavam a se espalhar pelo país.
A fusão foi fatal para a Abril, na medida em que a gestão ficou com Luiz Frias.
Civita não seguiu uma lição da ATT. Sempre que surgia uma tecnologia matadora, a ATT montava uma empresa independente, para que a empresa não fosse sufocada pela reação dos executivos da empresa mãe.
Na Abril, os executivos da era digital foram dizimados pelos velhos executivos do papel.
Pouco tempo depois, Luiz se associou à Portugal Telecom e promoveu um aumento rápido e imprevisto no capital da empresa, diluindo a participação da Abril.
Nos anos seguintes, a UOL empreenderia a mais bem-sucedida aventura tecnológica da Internet brasileira. Aproveitou a liderança na audiência para abrir um sem-número de produtos digitais, de servidores a educação à distância, culminando com o Pag Seguro, que a tornou uma empresa bilionária.
A reação de Civita foi se valer dos recursos mais indecentes do jornalismo empresarial, para tentar recuperar o brilho perdido. Comandou uma campanha de cartelização da mídia que promoveu os momentos mais execráveis da história da imprensa brasileira, um jorrar intermitente de esgoto que tirou grande parte da credibilidade da mídia.
Fez mais que isso. Para tentar sustentar as tabelas de publicidade da Veja, havia indícios de que falsificava a tiragem, através de um expediente custoso: a distribuição indiscriminada da revista, a manutenção de assinaturas vencidas, para iludir o Instituto Verificador de Circulação (IVC) sobre a tiragem paga.
De nada adiantou. As tabelas caíram pela crise e pela competição dos novos veículos que surgiam, basicamente o Google e o Facebook. Quando ostentava ainda a tiragem de 1,2 milhão, o mercado já trabalhava com uma tiragem real de 800 mil.
Ao mesmo tempo, a falta de limites editoriais, o jornalismo baixo praticado no período foi afastando os melhores leitores, derrubando as vendas e aumentando os custos de turbinar a tiragem.
Dali em diante, Roberto Civita mostrou ao país a face mais pestilenta do jornalismo. Criou um macarthismo a brasileira, adotando o estilo de Rupert Murdok. A primeira experiência do jornalismo de ódio foi na campanha do desarmamento. A partir dali, Veja passou a trabalhar um jornalismo de ódio poucas vezes visto na história de qualquer nação civilizada.
E, por trás do estilo, passou a se valer da política para tentar afastar concorrentes do mercado de cursos apostilados e livros didáticos, vender capas ao Banco Opportunity e para a indústria farmacêutica.
Na busca desesperada de alternativas, entrou no mercado de educação, valendo-se da virulência da Veja para ameaçar autoridades e conquistar favores. De José Serra, conseguiu assinaturas de todo tipo, adquiridas pela Secretaria da Educação, da revista Abril a gibis. Enquanto isto, colocava exército de vendedores para abordarem prefeituras e escolas públicas para que adotassem seus cursos e seus livros didáticos.
Quando o Ministério da Educação Tarso Genro decidiu adotar a isonomia na compra de livros didáticos, oferecendo à rede escolar a relação dos livros adquiridos pelo MEC, Civita chegou a ameaça-lo com uma capa de Veja. Não colou.
Nada disso impediu sua decadência.
A Abril de Victor Civita, das coleções de música popular, dos Economistas, dos filósofos, cedeu lugar ao pior jornalismo da história. O corpo de funcionários, antes orgulhosos do profissionalismo com que eram tratados e, principalmente, da imagem da Abril junto à opinião pública, perdeu o brilho. O espaço foi ocupado por blogueiros especializados em disseminar o ódio e os baixos instintos.
Agora, a Abril morre sem deixar saudades.

19/7 - Romário vence eleição no Rio, aponta pesquisa

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Romário Vence Eleição No Rio, Aponta Pesquisa

Romário vence todos os adversários para o governo do Rio de Janeiro.
Segundo o Instituto Paraná, ele tem 24,3% dos votos.
Eduardo Paes,, com 15,1%, e Garotinho, com 13,5%, disputam o segundo lugar.
CLICK POLÍTICA com informações de Antagonista

20/7 - LULA MANDA RECADO PRA JUSTIÇA PARTIDÁRIA

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LULA MANDA RECADO PRA JUSTIÇA PARTIDÁRIA, “Não Tenho Vocação Me Matar E Nem Pra Levar Golpe”

20/7 - Ameaçada de morte por grupos de direita, professora da UnB deixa Brasília

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Redação Pragmatismo
ABORTO20/JUL/2018 ÀS 09:24COMENTÁRIOS

Ameaçada de morte por grupos de direita, professora da UnB deixa Brasília

Professora e pesquisadora da Universidade de Brasília (UnB) Débora Diniz precisou deixar Brasília após ser agredida por extremistas de direita e ameaçada de morte. ONU divulgou nota de repúdio

professora da unb Débora Diniz
A professora Débora Diniz
Professora e pesquisadora da Universidade de Brasília (UnB), Débora Diniz precisou deixar a capital federal após ser agredida por extremistas de direita e ameaçada de morte quando saía de um evento na última quarta-feira (18).
Débora era uma das selecionadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para falar a favor da descriminalização do aborto em audiência pública marcada para os dias 3 e 6 de agosto.
No início de junho, a pesquisadora havia registrado boletim de ocorrência na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), quando foi xingada por perfis e páginas contrários à descriminalização do aborto no Brasil.
A coordenação do Programa de Pós-Graduação em Direito (PPGD) da UnB e a Organização das Nações Unidas (ONU) divulgaram notas de repúdio aos ataques e de apoio a Débora.
A reitoria da UnB afirmou que está acompanhando o caso desde o início das ameaças e que o levará para o Conselho de Direitos Humanos da universidade. “A reitora Márcia Abrahão encaminhou uma carta de apoio à professora Debora Diniz há algumas semanas e segue em contato com a docente”, diz nota encaminhada pela assessoria da instituição.
Na semana passada, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) pediu a inclusão da antropóloga no Programa de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos do governo federal dada a gravidade das ameaças feitas a ela.
Débora Diniz é antropóloga e pesquisadora do Instituto de Bioética (Anis) e professora da Faculdade de Direito da UnB. É membro do Advisory Committee do Global Doctors for Choice, rede internacional de médicos que defendem os direitos reprodutivos e o acesso a cuidados abrangentes de saúde. É também integrante da International Women’s Health Coalition, organização pelos direitos das mulheres. As pesquisas dela são voltadas para bioética, feminismo, direitos humanos e saúde. É ainda vencedora do Prêmio Jabuti 2017 na categoria ciências da saúde para o livro Zika do sertão nordestino à ameaça global.
Leia a íntegra da nota da ONU:
“O Sistema das Nações Unidas no Brasil expressa a sua preocupação e repudia as manifestações de ódio e ameaças direcionadas à pesquisadora e professora da Universidade de Brasília (UnB), Debora Diniz. Ativista de longa data pela saúde pública e universal, é internacionalmente reconhecida por seu trabalho e ativismo em questões relacionadas à saúde e direitos sexuais e reprodutivos das mulheres.
Debora denunciou em junho às autoridades e meios de comunicação os ataques e ameaças de morte que vem sofrendo nos últimos meses por telefone, cartas e redes sociais. Ela também relatou insultos machistas e misóginos proferidos contra ela nesse contexto.
A ONU no Brasil considera inaceitáveis os ataques e ameaças feitas à professora, que ocorrem em um contexto de crescente número de assassinatos de defensoras e defensores de direitos humanos no Brasil.
No marco da celebração dos 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) e dos 20 anos da Declaração sobre os defensores dos direitos humanos (1998), o Sistema das Nações Unidas no Brasil reafirma seu compromisso em apoiar o Estado brasileiro para fortalecer o Programa Nacional de Proteção a Defensoras e Defensores de Direitos Humanos e solicita às autoridades que sejam tomadas as medidas cabíveis para assegurar a proteção e a integridade de Debora Diniz, com a devida punição dos agressores.”
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20/7 - Editora Abril, do brilho dos anos 70 ao esgoto de Veja. Por Luis Nassif

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