sexta-feira, 26 de agosto de 2016

26/8 - BOA NOITE com FRANK SINATRA

26/8 - Portal Luis Nassif DE 25/8

Mensagens de blog - Portal Luis Nassif


Posted: 25 Aug 2016 11:33 AM PDT
A imprensa empresarial brasileira, a facção manipuladora e golpista, está acusando, antecipadamente, a presidenta Dilma de estar preparada para “constranger” seus antigos aliados (senadores ex-ministros do seu governo com tendência a votar a favor do golpe do impeachment sem crime), quando de sua defesa pessoal no Senado, na próxima segunda-feira (29).

Há 6 dias (dia 19), o jornal Estado de São Paulo (Estadão), publicou  matéria intitulada Dilma pretende constranger seus ex-ministros”.

No mesmo dia, rebati tal alegação em postagem no Facebook:

“Eu nunca faria parte de um clube que me aceitasse como sócio.”
― Groucho Marx
"Governo que me aceitou como ministro não podia ser confiável, mas, sim, incompetente."
― Poderá dizer um senador golpista justificando o impeachment pelo conjunto da obra.


Quem está constrangendo quem?

A meu ver, a facção golpista da mídia é que está tentando constranger a presidenta Dilma e assessores. Acompanhe, leia quadro, matérias indicadas e nossas opiniões.

Estadão --- 19 Agosto 2016

Dilma pretende constranger seus ex-ministros

Petista quer instigar senadores que participaram do seu governo e hoje defendem o impeachment

Vera Rosa, Ricardo Brito e Isabela Bonfim

BRASÍLIA - Ao fazer sua defesa pessoalmente no processo de impeachment, a presidente afastada Dilma Rousseff citará ex-ministros que hoje são seus julgadores para mostrar que todos eles acompanharam sua gestão no governo. A ideia é constranger ao menos seis senadores, que integravam o primeiro escalão e, na madrugada do dia 10, viraram seus algozes.

Confira e leia mais AQUI: http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,dilma-pretende-constranger-seus-ex-ministros,10000070569 

Nada é nada disso, a presidenta legítima do nosso país pretende apenas fazer os senadores que fizeram parte do seu gabinete ministerial lembrarem-se de o quanto ela agia com lisura, dedicação ao trabalho, boa-fé, e que toda competência de seu governo se deve aos seus auxiliares diretos, aqueles que conviveram com ela e conhecem seu impoluto caráter, como outros senadores reconhecem, são os casos, por exemplo, dos ex-ministros senadores Armando Monteiro e Kátia Abreu.


Por sinal, a senadora Kátia Abreu, participando da Comissão da farsa do impeachment e na Tribuna do Senado, falou contundentemente sobre as responsabilidades e a ingratidão dos traidores, deixando-os realmente constrangidos, e o fez coberta de razão.

Mas a presidenta Dilma não vai citá-los com essa intenção, a do constrangimento, conforme alguns órgãos "eretos" da mídia estão tratando essa questão, informando de maneira a fazer seus incautos leitores acreditarem que isso foi determinado pela presidenta e sua assessoria e que estes até revelaram o tal propósito de gerar constrangimento. Entretanto, eles, sim, são os verdadeiros constrangedores. Tentam constranger a presidenta e seus assessores, o que comprova seus maus caráteres golpistas.

Nessa postagem, cito, em quadro ilustrativo, que o Estadão não indica uma fonte que tenha confirmado a intenção do “constrangimento”, mas, tão somente, faz tal alegação entre outras ilações.

Agora, seis dias depois, o jornal Zero Hora indica uma fonte que teria confirmado a intenção da presidenta Dilma e assessores de realmente gerar constrangimento entre os senadores a favor do golpe.

A ideia é constranger os ex-ministros. A vinda da Dilma será muito importante para isso. Eles viram a coisa de dentro, sabem que é uma trama. Esses caras têm de explicar o que estão fazendo — afirmou Gilberto Carvalho (jornal Zero Hora, hoje, 25/08)

Estranho. O uso do substantivo “vinda”, expressando o ato de vir, indica que Gilberto Carvalho teria feito tal declaração estando em algum ambiente do próprio Senado; não, em momento de “assessoria” à presidenta Dilma no Palácio da Alvorada.

(Estou preparando este artigo e ouvindo, neste exato momento, o senador Lindbergh Farias dizer que alguns senadores já informaram que não vão fazer perguntas à presidenta Dilma. Provavelmente, são os senadores ex-ministros do seu governo, certamente constrangidos, mas não que seja propósito da presidenta Dilma constrangê-los. Sabendo que tal constrangimento seria inevitável, a facção golpista da mídia adiantou-se fazendo tal ilação.)

A matéria do Estadão encerra informando:

“O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), adiou para a manhã desta sexta-feira, 19, um encontro com a presidente afastada para discutir os detalhes da participação dela no julgamento. Renan embarcou na tarde desta quinta-feira para o Rio com o presidente em exercício Michel Temer. Foi a primeira vez que os dois viajaram juntos desde 12 maio, quando Dilma foi afastada do cargo.”

Essa informação me fez lembrar um “esquete” que escrevi, em setembro de 2007, baseado em fatos reais: Seção do Senado para julgamento e possível cassação do mandato do senador Renan Calheiros.

Acompanhe e “aprenda” como é que realmente se constrange senadores.

“Renan tem um boi chamado Dossiê”

O Teatro Senado Apresenta!

"Renan tem um boi chamado Dossiê"

Baseado em obra da Mendes Júnior
Sob o patrocínio da Schincariol

Estrelando: Renan Calheiros, Jefferson Perez, Pedro Simon e Heloísa Helena

Convidado especial: Agripino Maia

(12 de setembro de 2007) Renan Calheiros, ex-ministro da Justiça no governo FHC (cargo apropriado para montar dossiês, uma das poucas “utilidades” do Ministério da Justiça e seu Departamento de Polícia Federal, naqueles idos), acusado de receber propinas e de outras práticas indecorosas no cargo de senador, sobe à tribuna do Senado para se defender das acusações.

Depois de cumprimentar os presentes e dar algumas explicações sobre as suas suspeitas atividades, o senador Renan se dirige ao senador Jefferson Peres (PDT-AM).

Renan Calheiros: - Veja bem, senador Jefferson Perez, eu poderia ter contratado a Mônica [Veloso, ex-amante de Renan] como funcionária do meu gabinete, mas não o fiz.

Jefferson Perez calado estava, calado ficou, pois Perez contratou uma amante como funcionária do seu gabinete.

Renan agora encara o senador Pedro Simon (PMDB-RS).

Renan Calheiros: Senador Pedro Simon, a Mônica Veloso tem uma produtora. Eu poderia ter contratado a produtora dela para fazer um filmete e pendurar a conta na Secretaria de Comunicação do Senado, mas não fiz isso.

Pedro Simon calado estava, calado ficou, pois certa ocasião Simon contratou a produtora da(o) amante para fazer um filme do Senado.

Renan dá uma olhada geral no plenário procurando alguma figura carimbada. Avista a ex-senadora Heloísa Helena (PSOL-AL), que estava participando do julgamento na condição de membro do partido que impetrou as acusações contra Renan.

Renan Calheiros: Senadora Heloísa Helena, a senhora sonegou o pagamento de impostos em Alagoas, onde deve mais de R$ 1 milhão. Tenho um documento aqui que prova isso e nem por isso eu o usei contra a senhora...

Heloísa Helena deu um estremelique (como a gente diz lá no sertão onde ela e eu nascemos), soltou fogo pelas narinas e esperneou, mas não foi nada comparado ao que HH costuma soltar contra Lula.

Renan foi absolvido: 40 votos a seu favor, 35 contra e 6 abstenções.

À saída do teatro, o senador José Agripino (DEM-RN), praticamente dando graças a Deus, falou: "O Senado amarelou. Teve dificuldade de fazer aquilo que o Brasil queria", e correu para o banheiro.

Cai o pano


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Posted: 25 Aug 2016 02:30 AM PDT
Por Thadeu Brandão[i] e Ivenio Hermes[ii]
Com o objetivo de ampliar o estudo sociológico-criminal da violência letal intencional, o OBVIO - Observatório da Violência Letal Intencional do RN apresenta o presente relatório especial do período compreendido entre 1 de janeiro a 23 de agosto de 2016 comparado ao mesmo período dos anos de 2014 e 2015.
A coleta e a consolidação é feita por meio da Metodologia Metadados, que interpola e concatena referências e dados de forma dinâmica e integrada para a devida credibilidade e celeridade dos resultados, destarte usada para construir um banco de dados independente, interligado com diversas fontes (Plataforma Multifonte) disponíveis aos pesquisadores.

Variáveis recorrentes

A variação dos CVLIs ao longo do período de 2014 e 2016, contando até o dia 23 de agosto do corrente ano, mostra que o crescimento das mortes violentas no Rio Grande do Norte permanece. 2014 apresentou, até a data, 1213 CVLIs, contra uma pequena queda em 2015 (1068 CVLIs), voltando a crescer em 2016: 17,6% de aumento, chegando a 1256 CVLIs.
Importa mostrar que a região Leste Potiguar, onde se encontra a Região Metropolitana de Natal (RMN) apresentou o maior crescimento, chegando a 25,9% de aumento, seguida pela região Agreste, com 15,8% de aumento e da região Oeste, com 11,9%. Apenas a região Central apresentou queda de 23,3%.

Dinâmica da Mortandade

O ano corrente de 2016 vem apresentando, em todos os aspectos, aumento significativo de CVLIs, inclusive em relação a 2014, considerado o ano mais violento até então. Como mostraremos a seguir, a dinâmica persiste em outras variáveis.
Em Natal, a dinâmica dos CVLIS também apresentou crescimento significativo, perfazendo aumento de 24,4% no período supracitado. Alguns dados, porém, apontam para quebra de modus operandi, até então eficaz de combate à criminalidade homicida. Vejamos.
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A Zona de maior crescimento foi a Zona Sul, com 55,6%. Havia sido até 2015, a área de maior queda nos CVLIs. Seguida pela Zona Leste, com aumento de 26,2%, da Zona Oeste com 224,6% e da Zona Norte com 17,9%. Desta última apresenta-se o único dado “positivo”, já que a variação de 2016 foi menos (por um único CVLI) que a de 2014.
Em termos absolutos, porém, o dado significativo é que a Zona Norte da capital apresenta os maiores índices de mortes violentas, seguida da Zona Oeste. Concentram as áreas periféricas de menor inserção de políticas públicas e de maior concentração da desigualdade econômica e social. Ao mesmo tempo, são os espaços onde a economia ilícita do tráfico de drogas e de outras modalidades atuam em sua distribuição.
Também é significativo a indeterminação de áreas de CVLIs, tanto por fatores burocráticos, como pela própria natureza dos dados coletados: 75% de aumento de CVLIs indeterminados, ou seja, as vítimas foram encontradas em hospitais sem nenhum registro da origem do fato criminoso, e para esses números não serem alocados equivocadamente nos bairros onde se localizam as unidades de saúde, se mantém o registro de local indeterminado. Ainda assim, no montante geral, representam poucos. Mas, um alerta: o fato de que as metodologias de registro dos CVLIs não estarem (aventamos a possibilidade) sendo utilizadas corretamente.
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Em Parnamirim, terceira maior cidade do Rio Grande do Norte e município conurbado com Natal, a dinâmica das CVLIs também apresentou crescimento no período: 20,2% de aumento, com algumas áreas apresentando aumento exponencial, como o Litoral (com 133,3%) e a Zona Leste (69,2%), ao mesmo tempo que a Zona Oeste apresentou leve queda de 7,7%.
O fato de Parnamirim ser uma cidade com características de “cidade dormitório” (em termos geográficos), ao mesmo tempo em que possui uma imensa zona periférica, faz dela, assim como Macaíba, Extremoz e São Gonçalo do Amarante, regiões com alto índice de CVLIs no RN, formando a área da RMN mais violenta (em conjunto).
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Em Mossoró, depois da queda significativa apresentada em 2015, os CVLIs voltaram a crescer, apresentando aumento de 35,8%. As Zonas de maior crescimento de mortes violentas na cidade foram: Zona Sul, com 275%; Zona Leste, com 184% e Zona Norte com 95%. Todas áreas com características similares à Zona Oeste e Norte de Natal, por exemplo: áreas periféricas com alto índice de desigualdade e com pouca presença de políticas públicas efetivas. As Zonas que apresentaram decréscimo foram o Centro, com menos 30% (região de maior controle e tradicionalmente, baixo índice de CVLIs) e a Zona Rural com menos 23,1% (esta sim um decréscimo extremamente significativo e que vem se mantendo segundo mostram os dados).

Ação e instrumentação dos crimes

Quanto ao tipo de ação letal empregado nos CVLIs, importa mostrar que foi o Feminicídio o que mais teve aumento (conforme mostramos em estudo específico): 47,1% de crescimento. O Homicídio, conforme esperado, teve aumento de 20,9%, seguido pelo Latrocínio (com 13,3% de aumento) e da Ação Típica de Estado (com 13% de crescimento). Apenas a Lesão Corporal Seguida de Morte apresentou queda, com menos 15,3%.
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Quanto ao meio ou instrumento empregado, os CVLIs do RN também apresentaram uma “surpresa”: o aumento da taxa de espancamentos, que foi de 75% em relação a 2015. Esta, seguida pelo aumento da asfixia mecânica provocada, com crescimento de 25%, apontam a sua inter-relação com o aumento de feminicídios, onde estes meios são também mais empregados. O crescimento do uso de arma de fogo (usado na maioria absoluta dos CVLIs) de 21,3% mostra que a dinâmica homicida segue os padrões nacionais, majoritariamente praticados com revólveres e pistolas. Apenas o uso de objeto contundente e de armas brancas tiveram queda significativa de 30,4% e de menos 14,4%.
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A variação de CVLIs mensal ao longo do período vem apresentando uma dinâmica extremamente preocupante. Em 2016, com exceção do mês de janeiro, todos os demais, até esta data, apresentam crescimento significativo. Fevereiro inicia o quadro com 42% a mais em relação à 2015; seguido por março com 12,4% de aumento; abril com 23%; maio com 33,3% de crescimento; junho, maior aumento até então, com 56,3%; julho com 9,7% (houve aqui uma queda no crescimento, ligada à crise prisional, discutida por este Observatório em trabalho específico); e agosto com aumento que segue, até agora, de 15,2%.
Slide10Ou seja, 2016 apresenta crescimento contínuo e progressivo, com pouquíssimas variações, não de queda, mas de diminuição no fluxo do aumento. O quadro aponta para um crescimento recorde, ultrapassando o violentíssimo ano de 2014 e deixando para trás o decréscimo conseguido, a duras penas e com uso de inteligência e planejamento, de 2015.

Resumo Final

Como apontado no início desta análise e apresentação dos dados, o RN vem apresentado crescimento significativo de sua dinâmica de CVLIs no ano de 2016, deixando 2015 para trás e ultrapassando, inclusive, 2014, o seu ano mais violento até então.
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A taxa de homicídios por 100 mil habitantes está hoje em 36,5%, a mais alta desde que a série começou a ser calculada no Rio Grande do Norte. Em termos absolutos, já são 1256 CVLIs até a data de ontem. O dia de hoje já traz mais dados a acrescentar a esta letalidade sem freios no pequeno estado elefante. Importa mostrar que o aumento significativo de 21,7% engole a diminuição registrada em 2015 (que foi comemorada com alegria, inclusive pelos membros deste grupo de estudos).
Já são 224 vidas perdidas a mais. Os números aí estão. Auditados e assinados por quem trabalha com isso há quase uma década.

[i] Thadeu Brandão: Sociólogo, Mestre e Doutor em Ciências Sociais pela UFRN. Professor Adjunto de Sociologia da UFERSA e do Mestrado em "Cognição, Tecnologias e Instituições" (DACS/UFERSA). Líder do grupo de Pesquisa "Observatório da Violência do RN". Coapresentador do Observador Político na TV Mossoró e 93 FM. Colunista do Portal O Potiguar e do Jornal O Mossoroense. Autor de "Atrás das Grades: habitus e interação social no sistema prisional" e co-autor de "Rastros de Pólvora: Metadados 2015".
[ii] Ivenio Hermes –  Escritor e Pesquisador, vencedor do Prêmio Literário Tancredo Neves. Consultor em políticas públicas de segurança e políticas de segurança pública, possuindo em sua bibliografia com 16 livros publicados e atualmente exerce as funções de Coordenador do OBVIO – Observatório da Violência Letal Intencional no Rio Grande do Norte, Departamento de Agrotecnologia e Ciências Sociais da UFERSA (Universidade Federal Rural do Semi-Àrido), Pesquisador do COEDHUCI - Conselho Estadual dos Direitos Humanos e da Cidadania, Consultor de Segurança da UFRN - Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Associado Pleno do FBSP - Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Créditos da foto: Luciano Capistrano
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26/8 - Pragmatismo Político DE 25/8

Pragmatismo Político


Posted: 25 Aug 2016 12:55 PM PDT
ronaldo caiado lindbergh farias senado
No primeiro dia da etapa final do julgamento do processo de impeachment de Dilma Rousseff no Senado Federal, a senadora Gleisi Hoffman disse que os colegas parlamentares não têm moral para julgar a presidente eleita.
“Este Senado não tem moral para julgar a presidente Dilma”, afirmou. Imediatamente, o ruralista Ronaldo Caiado (DEM-GO) respondeu: “Eu não sou ladrão de aposentadoria”, com o dedo em riste e em alusão ao ex-ministro Paulo Bernardo, marido de Gleisi (vídeo abaixo).
Líder da oposição e companheiro de partido da paranaense, Lindbergh Farias (PT-RJ) interveio na discussão chamando Caiado de “canalha” e citando seu ex-aliado, Demóstenes Torres, cassado em 2012.
Ainda mais irritado, Caiado respondeu a Lindbergh: “Tem que fazer antidoping. Fica aqui cheirando, não”, novamente acusando o petista de usar substâncias ilícitas.
“E você é de trabalhador escravo”, rebateu ainda Gleisi Hoffmann no microfone do Plenário em referência a Caiado.
Logo depois a sessão foi suspensa por instantes pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Ricardo Lewandowski, para acalmar os ânimos dos senadores.

Processo

Lindbergh disse que vai processar Caiado, além de representar contra ele no Conselho de Ética do Senado.
“O senador Caiado não tem moral alguma para falar. Vou processar. Quem sabe da vida do Caiado é o senador Demóstenes Torres”, afirmou.

Primeiro dia

Na manhã do primeiro dia do julgamento final de Dilma Rousseff, nenhuma testemunha falou. Os senadores se dedicaram a discussões, muitas delas terminadas em bate-bocas entre defensores de Dilma e de Michel Temer.
Toda as questões de ordem apresentadas foram rejeitadas por Lewandowski.
VÍDEO:
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Posted: 25 Aug 2016 11:31 AM PDT
estratificação dados desigualdade maior declaração receita federal
Róber Iturriet Avila e João Batista Santos Conceição, Brasil Debate
A ampliação da transparência das declarações de imposto de renda à Receita Federal do Brasil facilitou a mensuração das disparidades no rendimento e no patrimônio dos brasileiros. Anteriormente, os dados disponíveis advinham de surveys como a Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio (PNAD) ou a Pesquisa de Orçamento Familiar (POF). Sabidamente, a renda dos mais ricos está subestimada nessas pesquisas, uma vez que esses tendem a omitir sua receita quando questionados.
Já as declarações de imposto de renda são mais precisas. Há que ponderar que, em muitos casos, os bens imóveis declarados possuem defasagem de avaliação. Além disso, uma parcela do patrimônio está contabilizada em pessoas jurídicas. Por fim, a renda e o patrimônio podem não ser plenamente declarados. De todo modo, esses são os melhores dados disponíveis, mesmo que se restrinjam às 27 milhões de pessoas que declaram imposto de renda.
A partir desses dados, foram estabelecidos intervalos decílicos e centílicos. Ou seja, as análises abaixo utilizam o universo dos dados em intervalos de cem partes iguais, fragmentação centílica, ou em dez partes iguais, análise decílica. Isso quer dizer que o 1º centil se refere ao 1% com menores dados e o 8º decil se refere ao intervalo entre os 70% inferiores e os 20% superiores.
Outro esclarecimento metodológico relevante, antes de observar os resultados, se refere às tipificações de renda. Os rendimentos das pessoas físicas recebem tratamentos tributários diferenciados. Os “rendimentos tributáveis” são majoritariamente compostos por rendimentos do trabalho, embora tenha também rendimento de propriedade, como por exemplo, aluguéis.
Já os “rendimentos tributados exclusivamente na fonte” e “rendimentos isentos” são compostos majoritariamente por rendimentos do capital, como aplicações financeiras, lucros, dividendos, embora esteja incluso também rendimento do trabalho, como o 13º salário. A soma desses três tratamentos tributários será chamada de “rendimento total” neste texto.
No gráfico abaixo é possível observar que a média de rendimentos se eleva de maneira expressiva nas últimas faixas, sobretudo a partir do 96º centil, cuja taxa de variação do rendimento médio em relação ao imediatamente anterior é de 11,12%, chegando a 20,69% no 98º centil e 148,87% no último centil, enquanto nas faixas intermediárias a taxa de variação fica em torno de 4%.
rendimento total iprf brasil declarante
Cabe destacar que o último centil se refere aos mais ricos entre os declarantes e não em relação à população total. Como o gráfico está em R$ 1.000,00, a última faixa retrata renda média acima de R$ 1 milhão.
Assim como na segmentação centílica, a repartição decílica do 1% mais rico entre os declarantes passa a elevar de forma mais significativa a partir do 6º decil, com uma taxa de variação de 12,31%, chegando a 30,91% no 9º decil e a 226,63% no último decil, cujo rendimento médio de cada declarante chega a R$ 3.879.300,00.
Embora os declarantes permaneçam anônimos, é possível identificar que o declarante que obteve o maior rendimento em 2014 informou ter recebido R$ 1.071.215.915,10 (um bilhão) entre rendimentos tributáveis, dividendos e rendimento sujeito à tributação exclusiva.
rendimento médio total declarante ir receita
A exposição das declarações de bens e direitos é também importante para um entendimento mais acurado do Brasil. Embora muitos desses bens não sofram atualização na base de dados da Receita Federal, como os imóveis, outros são atualizados anualmente, como as aplicações financeiras, por exemplo. Esses dados podem servir como proxy de riqueza.
Embora não haja apenas um indicador de riqueza, a consideração do acúmulo pregresso de bens móveis e imóveis, dinheiro, companhias, entre outros bens, declarados no imposto de renda pessoa física conformam a estimativa mais exata que existe.
No que concerne aos bens e direitos, é possível observar uma elevação acentuada nos quatro últimos centis. Na repartição decílica do último centil, a variação mais acentuada se dá nos últimos dois: 54,12% e 241,14%, respectivamente.
média patrimonial declarante imposto renda
Antes de 1995, o País tributava os dividendos de forma linear e exclusiva na fonte, com uma alíquota de 15%, independentemente do seu volume. Em 1996, com a aprovação da Lei nº 9.249, os lucros ou dividendos passaram a ser isentos. Na medida em que os dividendos são isentos de impostos, os segmentos mais elevados da sociedade contribuem menos ao erário.
média patrimonial declarante imposto centil
Os rendimentos isentos de 2014 alcançaram R$ 733,6 bilhões, enquanto o imposto devido total de todos os declarantes foi de R$ 128,83 bilhões, ou seja, bastante abaixo do valor dos rendimentos isentos. Cabe destacar que as isenções de dividendos beneficiaram 2,1 milhões de pessoas, dentre elas as 20,9 mil mais ricas do Brasil (0,01%), as quais possuem patrimônio médio de R$ 40 milhões.
Chama atenção também, nas declarações de imposto de renda, o volume de subsídio existente aos gastos privados em saúde e em educação. No mesmo ano em análise, as despesas declaradas chegaram a R$ 76,78 bilhões, 59,6% do imposto devido total, ponderando-se que a dedução não é integral.
Adicionalmente, verifica-se que as alíquotas de imposto brasileiras são relativamente menores, seja na comparação com os países desenvolvidos, seja com os demais países da América Latina, conforme já exposto em textos anteriores.
Os dados acima explicitam que a desigualdade no Brasil é maior do que se imaginava, com uma discrepância grande daqueles declarantes que figuram entre o 1%, o que corresponde a 0,13% mais ricos da população total. Ressalta-se ainda que esses declarantes possuem expressivos rendimentos isentos de impostos, ou seja, lucros e dividendos.
Desde as primeiras sistematizações mais acuradas sobre o funcionamento da economia, ainda no século XVIII, se preconiza que os tributos devem ser proporcionais à renda dos indivíduos. No Brasil há muito a avançar nessa temática.
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Posted: 25 Aug 2016 10:36 AM PDT
loucura atrocidade hospital colônia barbacena minas gerais
Hospital Colônia de Barbacena (reprodução)
Luis Gustavo Reis*
Vários episódios mancharam de vermelho-sangue a história brasileira. Desde que os portugueses aqui aportaram, são reiteradas as iniciativas de desrespeito a um dos direitos mais elementares dos seres humanos: a dignidade.
Foram quase quatro séculos de sistemática exploração da mão de obra escrava. Submetidos a uma rotina exaustiva e ao confinamento nas repugnantes senzalas, os escravizados sangraram no país que, apesar de erigido sobre suas costas, não lhes garantiu credenciais para uma cidadania plena.
Aos povos indígenas, foram imperativos desde sempre a pilhagem e o extermínio, desconsiderando-se suas culturas, tradições e experiências. Em suma, não eram gente, já que não tinham “nem fé, nem lei, nem rei”. O legado da empreitada constitui-se de um poroso rastro de sangue e de uma dívida histórica para com esses povos, mais pesada que nosso planeta.
As iniciativas das autoridades públicas, que em diferentes momentos históricos contaram com a conivência da sociedade civil, construíram um país mórbido. O cimento que amalgamou a chamada “nação brasileira” foi feito às custas do sofrimento de milhões de desclassificados sociais.
Entre os diversos capítulos macabros da nossa história, um ocorreu na fria cidade de Barbacena, Minas Gerais. De 1903 até meados da década de 1980, a cidade abrigou um verdadeiro matadouro humano: o Hospital Colônia de Barbacena.
Conhecido como Colônia, o hospital psiquiátrico recebia centenas de pessoas. Eram alcoólatras, homossexuais, prostitutas, epiléticos, mendigos, mães solteiras, filhas que perderam a virgindade antes do casamento, esposas de maridos que queriam se ver livres delas para se aventurar nos braços de amantes. Em síntese, um lugar onde a sociedade depositava todos que considerava inconvenientes e inadequados para o convívio social.
Não havia nenhum parâmetro para internação no Hospital Colônia. Os indesejados eram enviados a Barbacena no chamado “trem de doidos”, que partia de várias regiões do país. A maneira como os pacientes eram abarrotados nos vagões de carga lembrava os campos de concentração nazistas e os porões dos navios negreiros.
A princípio, o hospital dispunha de 200 leitos, mas chegou a abrigar 5 mil pacientes em 1961, quando ficou nacionalmente conhecido pela forma brutal como tratava seus pacientes.
A maioria das internações era compulsória. Aproximadamente 70% dos internos não tinham diagnóstico de transtornos mentais, mas precisavam ficar confinados, longe das vistas daqueles que os consideravam “loucos”.
Nas frias repartições do Colônia, os pacientes eram submetidos a bestiais procedimentos: lobotomia, eletrochoque, espancamento, afogamento e práticas diversas de tortura. Foram décadas de repetidos crimes de lesa-humanidade sem que ninguém se comovesse. Havia uma omissão coletiva e quem sabia dos atos violentos, ou participava deles, preferia fingir que aquilo não estava acontecendo. A violência foi naturalizada e o sofrimento dos internos, banalizado.
Enjaulados em pequenas celas, crianças, adultos e idosos dormiam no chão, passavam fome, frio, sede e morriam aos montes. Sem acesso à alimentação adequada, comiam ratos, comida estragada, fezes, ou seja, ingeriam tudo o que podiam para saciar a fome e a sede, inclusive urina e água de esgoto.
Em momentos de superlotação do hospital, morriam 16 pessoas por dia. Seus corpos, quando não descartados em cemitérios clandestinos, eram vendidos para diferentes faculdades, entre elas a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), para servirem de objeto de estudo e treinamento aos futuros médicos.
A pergunta, caro leitor, é: Por que esse campo de concentração financiado pelo Estado brasileiro permaneceu ativo durante tanto tempo?
A resposta é complexa, mas é notório que nenhuma instituição violenta se mantém sem a complacência e colaboração da população. Médicos, enfermeiros, policiais, funcionários, vizinhos e uma parcela significativa da sociedade foram coniventes com o morticínio em Colônia.
Saldo da selvageria: 60 mil mortos e um número incalculável de vidas e famílias despedaçadas. Mais de um século após a inauguração daquele que se tornou o mais brutal dos manicômios, poucos brasileiros se recordam dos horrores a que os internos eram submetidos e, até o momento, os responsáveis por esses crimes não foram punidos.
O genocídio de Colônia é uma chaga entranhada definitivamente em nossa história. Representou um crime hediondo não apenas contra aquelas pessoas mas contra toda a humanidade.
Tamanha barbárie jamais deve ser esquecida!
*Luis Gustavo Reis é professor, editor de livros didáticos e colabora para Pragmatismo Político
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Posted: 25 Aug 2016 10:14 AM PDT
preço feijão golpe ruralismo agronegócio mercado
Alan Tygel, Brasil de Fato
No último mês, fomos bombardeados pelas notícias sobre a alta no preço do feijão. O povo, chocado em ver o quilo passando de R$10, ouviu as mais diversas explicações dos analistas: geada e muita chuva no sul, falta de chuva em outras regiões, e até o boato de que uma pequena doação para Cuba feita em outubro de 2015 teria sido a causa da escassez. A solução mágica apresentada pelo ministro interino da agricultura, o Rei da Soja, foi zerar a taxa de importação para facilitar a entrada de feijão estrangeiro.
O que estranhamente não saiu em lugar nenhum foi um elemento muito simples: o agronegócio brasileiro não se preocupa em produzir alimentos para o Brasil. E isso fica muito claro quando olhamos a mudança na utilização das terras no país. Nos últimos 25 anos, houve uma diminuição profunda na área destinada à plantação dos alimentos básicos do nosso cardápio. A área de produção de arroz reduziu 44% (quase metade a menos), e a mandioca recuou 20%.
A área plantada com feijão, o vilão do momento, diminuiu 36% desde 1990, enquanto a população aumentou 41%. Apesar de ter havido um aumento na produtividade, a diminuição da área deixa a colheita mais vulnerável e suscetível a variações como estamos vendo agora.
E o agronegócio?
Os grandes latifundiários do Brasil, aliados aos políticos da bancada ruralista, a multinacionais de agrotóxicos e sementes como Bayer, Monsanto e Basf, e às empresas que dominam a comunicação no país não estão preocupadas com a alimentação da população. Estes atores compõem o chamado agronegócio, que domina a produção agrícola no Brasil e vê o campo apenas como local para aumentar suas riquezas.
Isso significa, na prática, produzir soja e milho para alimentar gado na Europa e na China, enquanto precisamos recorrer à importação de arroz, feijão e até do próprio milho para as festas de São João. Exportamos milho, e agora precisamos importar o milho. Faz sentido?
No mesmo período em que a área plantada de arroz e feijão caiu 44% e 36%, respectivamente, a área de soja aumentou 161%, enquanto o milho aumentou 31% e a cana, 142%. Somados os três produtos, temos 72% da área agricultável do Brasil com apenas três culturas. São 57 milhões de hectares que ignoram a cultura alimentar e a diversidade nutricional do nosso país em favor de um modelo de monocultura, que só funciona com muito fertilizante químico, semente modificada e veneno, muito veneno.
No caso da cana e da soja, é fácil entender que não são alimentos, e sim mercadorias ou (commodities) que vão ser comercializadas nas bolsas de valores pelo mundo. No caso do milho, basta ver que em 2015 foram exportados 30 milhões de toneladas de milho, em relação direta com a alta do dólar. Com o preço da moeda americana em alta, vale mais a pena exportar do que vender aqui. Assim, o que sobra no Brasil não é suficiente para o nosso consumo, e por isso temos que importar, o que também irá pressionar o preço. Hoje é o feijão, logo será o milho que vai explodir de preço.
Outro aspecto importante é analisar que quem bota o feijão na mesa do povo é a agricultura familiar. Os dados ainda de 2006 mostram que 80% da área plantada de feijão (e 70% da produção) são da agricultura familiar. E esta agricultura não tem espaço no reino do agronegócio.
O agronegócio ameaça a soberania alimentar no Brasil. Ao deixar de plantar comida para plantar mercadorias, ficamos extremamente dependentes do mercado externo, e vulneráveis às mudanças climáticas.
O primeiro passo: reforma agrária para dar terra a quem quer plantar comida. Com a terra na mão, precisamos de incentivo à agroecologia, para produzir alimentos saudáveis. Finalmente, essa produção deve ser regulada pelo Estado, via Conab, para garantir o abastecimento interno antes de embarcar tudo para fora.
O governo interino já admite privatizar a Conab, e pode em breve aprovar leis que facilitam ainda mais o uso de agrotóxicos e o uso de pulverização aérea nas cidades.
É, de fato, também um golpe ruralista.
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Posted: 25 Aug 2016 10:05 AM PDT
brasileira revela como estudar exterior
Susana Byun
Há pouco mais de dois meses, retornei ao Brasil de uma das experiências mais incríveis da minha vida. No final de 2014, fiz minhas malas e viajei ao Reino Unido para estudar um mestrado em Marketing Communications na Universidade de Westminster, no coração de Londres. Naquele ano, fui uma das cinco pessoas que receberam o full-fee scholarship oferecido pela universidade – uma das maiores conquistas que já consegui.
Durante um ano e meio, aprendi coisas novas da minha área, conheci gente do mundo inteiro, trabalhei, viajei, fiz amigos e passei um tempo precioso com familiares que moram lá. Ah, e claro, pude explorar Londres, que por si só é uma cidade apaixonante.
Como muitos amigos e conhecidos, estudar no exterior sempre foi um grande sonho meu e a motivação para passar um tempo fora do Brasil. Tendo passado minha vida inteira em São Paulo, ansiava por uma experiência diferente desde a época de graduação, anos atrás. No entanto, por razões pessoais, profissionais e financeiras, acabava deixando-o cada vez mais distante.
Foi só em 2014 que resolvi tomar coragem e tirar esse projeto do papel. Após passar por uma grande perda e uma mudança radical na minha vida, decidi me focar e ir a fundo, só que dessa vez sem desistir de primeira, nem me desanimar com as dificuldades que surgissem pela frente.
Em dois meses, corri com a minha aplicação para a pós de Marketing Communications e, posteriormente, ao processo seletivo de bolsas da própria universidade. Diferentemente do programa Chevening, me inscrevi diretamente no programa de scholarships da Universidade de Westminster, que fornece várias categorias de bolsas, desde o integral (full scholarship), que dá ajuda de custo completa, ao parcial (part-fee scholarship).
Durante este processo extremamente intenso e corrido, aprendi lições importantes e fui descobrindo, em mim, uma força de vontade e determinação que foram fundamentais para que eu conseguisse o meu objetivo.
Se eu pudesse resumir em três palavras o que realmente fez a diferença ao longo desta experiência, eu diria: planejamento, pesquisa e confiança. Pode parecer meio óbvio, mas foram essas as peças-chave que tornaram realidade o meu sonho de estudar fora. E eu explico como.
Planejamento
Morar fora exige sempre um bom planejamento, seja por seis meses, um ano ou mais. Os custos são altos, especialmente se for para um país com uma moeda valorizada como a Inglaterra. Além dos gastos fixos como moradia, alimentação e transporte, é preciso ter flexibilidade para arcar com despesas extras e emergenciais que acabem surgindo.
Mas calma, não se desespere. Separe um tempo para estudar como está sua situação financeira. Se faltar dinheiro, você pode compensar trabalhando no país de destino (se permitido) – atualmente, estudantes internacionais podem trabalhar 20 horas semanais durante o curso superior no Reino Unido. Não dá para fazer fortuna, mas pode dar uma boa aliviada nas contas.
Faça estimativas e simule gastos. Em Londres especificamente, aluguel e transporte são os itens mais caros do orçamento. Por exemplo, quanto mais perto a sua acomodação for da zona 1-2 (centro de Londres), mais custoso será o aluguel, mas em compensação o valor semanal/mensal que você paga no OysterCard (cartão de transporte público integrado) será menor.
Em relação à bolsa de estudos, o planejamento financeiro é extremamente importante para entender que tipo de apoio você realmente precisa. Se você tiver um dinheiro guardado que te ajude a se manter, pode ser que uma bolsa full-fee ou part-fee seja o suficiente (muitas universidades britânicas oferecem bolsas parciais e programas de financiamento) .
É bom lembrar que as bolsas integrais, que cobrem tudo e também dão ajuda de custo, são extremamente competitivas em nível global e em menor quantidade. Portanto, a chance de consegui-la é bem mais difícil do que uma bolsa que cubra só o valor do curso, por exemplo.
Pesquisa
Junto ao planejamento, pesquise bem e bastante, mas também converse, troque ideias, pergunte. Deixe de lado a preguiça e a vergonha e use todas as ferramentas necessárias que você tem à disposição.
No meu caso, se não fosse pela minha irmã me contar da Universidade de Westminster, eu teria tentado só o Chevening, que provavelmente demoraria mais de um ano para finalizar. Pela Westminster, foram menos de cinco meses desde a aplicação até a retirada do visto – passou voando.
Além disso, procure muito bem por universidades e cursos que estejam alinhados com o que você quer para sua carreira. Afinal, é um investimento bastante significativo. Não se atenha só ao ranking das melhores instituições ou informações que você achar na internet. Se quiser, contate ex-alunos e esclareça suas dúvidas diretamente com as universidades. Você não faz ideia de como tem gente bacana que pode te ajudar com dicas e conselhos.
Confiança
Quando eu digo confiança, não falo apenas confiar em si mesmo, mas confiar que vai dar certo, que há uma possibilidade sim. Claro, sentir incerteza e ansiedade é completamente normal, e eu passei por isso desde quando era uma estudante universitária nos meus quase vinte anos.
Por muito tempo, inculquei na minha cabeça que seria impossível conseguir uma bolsa de estudos. Assim como muitos amigos e conhecidos que sonham em estudar fora, eu me paralisava assim que eu via a lista de procedimentos e documentos exigidos e a concorrência internacional.
Pois bem, não pense nisso. Apenas tente, e persista até o final. Sim, há gastos envolvidos (documentações, traduções, IELTS) e é preciso muita dedicação e esforço, mas não deixe que isso te desanime ou te bloqueie. No instante em que parei de me preocupar em como não poderia dar certo, dirigi meu foco para o que realmente importava, e foi isso o que me ajudou a conseguir.
Concluindo, se você me perguntar se vale a pena mesmo estudar no exterior, digo a mesma coisa que eu falo aos meus amigos: sim, super recomendo a experiência de morar fora, seja o motivo e o tempo que for! É uma oportunidade única de abrir a mente e aprender com as vitórias, perrengues e tudo o que estiver no meio, além de ser uma bela experiência de vida.
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Posted: 25 Aug 2016 09:52 AM PDT
nobel física aprender Richard Feynman
Richard Feynman (divulgação)
Na escola, na faculdade e até mesmo no dia a dia, é comum nos depararmos com assuntos que não conseguimos compreender.
Mas Richard Feynman (1918-1988), ganhador do Prêmio Nobel de Física em 1965, garantia que existe uma tática simples que ajuda a entender qualquer tema.
O próprio Feynman sempre foi reconhecido por essa característica entre os colegas: ele tinha muito talento para transformar explicações de coisas muito complexas em algo simples e fácil de entender.
E seu entusiasmo para explicar os conceitos mais difíceis costumava contagiar quem estava por perto.
O que Feynman defende em sua técnica é que existem dois tipos de sabedoria: a que é focada em saber apenas o nome de algo e a que é focada em de fato saber algo.
A receita para a real aprendizagem, segundo ele, é a última – e pode ser aplicada observando os quatro passos a seguir:
1) Escolha um conceito
Qualquer um que preferir. Pode ser um de macroeconomia, economia doméstica ou qualquer coisa que vier a cabeça.
Seja química ou culinária, ou primeiro uma e depois a outra. E anote o conceito – o mais importante aí é desenvolver o raciocínio.
2) Escreva-o como se estivesse ensinando uma criança
Redija, então, tudo o sabe sobre esse conceito.
Mas atenção: você precisa fazer isso da maneira mais simples possível. Escreva como se estivesse explicando para uma criança – ainda que isso pareça absurdo e desnecessário, é um passo muito importante.
Assegure-se de que, do início ao fim, você esteja usando uma linguagem bem simples. Além disso, evite jargões e expressões prontas que partam do pressuposto de que você já sabe o conceito delas.
Explique cada detalhe de tudo e não caia na tentação de omitir algo que, na sua visão, está subentendido.
3) Volte no tema e pesquise sobre ele
No passo anterior, provavelmente você encontrou lacunas no seu conhecimento. Coisas que você esqueceu e que não conseguiu explicar.
E esse é o momento em que você começa realmente a aprender. Volte à fonte de informações sobre esse tema e pesquise o que ainda falta entender.
E, quando você achar que cada subtema está claro, tente escrever no papel a explicação para ele de uma maneira que até uma criança entenderia.
Quando você se sentir satisfeito e estiver compreendendo tudo o que antes estava confuso, volte à redação original e continue escrevendo as explicações nela.
4) Revise e simplifique ainda mais
Depois de passar por todas essas etapas, revise o que escreveu e simplifique. Certifique-se novamente de que não usou nenhum jargão associado com o tema que está te intrigando.
Leia tudo em voz alta. Preste atenção para perceber se está tudo exposto da maneira mais clara possível.
Se a explicação não for simples ou se soar confusa, interprete isso como um sinal de que você não está entendendo algo.
Crie analogias para explicar o conceito, porque isso ajuda a esclarecer tudo na sua cabeça e é a prova de que você está realmente dominando aquele tema.
BBC
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Posted: 25 Aug 2016 08:15 AM PDT
terremoto tragédia itália
O saldo de mortos do terremoto que atingiu a Itália na madrugada de terça-feira subiu para pelo menos 247, enquanto equipes de resgate lutam para encontrar sobreviventes.
As buscas continuaram por toda a noite, quando foi registrado um novo terremoto secundário, danificando ainda mais os prédios já avariados.
Dezenas de pessoas ainda estariam presas em meio aos escombros nas cidades de Amatrice, Accumoli e Pescara del Tronto na região central do país.
Mais de 4,3 mil pessoas trabalham na operação de resgate usando escavadeiras e as próprias mãos.
Muitas das vítimas eram crianças, informou a ministra da saúde italiana, Beatrice Lorenzin. Segundo ela, o saldo de mortos pode aumentar ainda mais.
O terremoto de magnitude 6.2 ocorreu às 3h36 de quarta-feira (22h36 de terça-feira no Brasil) a 100 km a nordeste da capital Roma.
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O último saldo de mortos foi divulgado na manhã de quinta-feira – 190 mortes na província de Rieti e 57 na vizinha Ascoli Piceno.
Equipes de resgate dizem que retiraram cinco corpos das ruínas do Hotel Roma, na cidade histórica de Amatrice. Pelo menos 70 turistas estavam hospedados no local quando o terremoto ocorreu. Muitos ainda estariam presos em meio aos escombros, embora alguns já tenham sido retirados com vida e recebido cuidados médicos.
Na tarde de quarta-feira, uma multidão comemorou no vilarejo de Pescara del Tronto quando uma menina foi retirada com vida dos destroços depois de ter ficado presa por 17 horas. Quase todas as casas desmoronaram, segundo o prefeito.
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O terremoto atingiu pequenas cidades e vilarejos onde as regiões de Umbria, Lazio e Le Marche se cruzam.
Moradores passaram a noite fora de casa ou em tendas fornecidas pelos serviços de emergência.
Entre os mortos, está uma bebê de 18 meses, Marisol Piermarini, cuja mãe Martina Turco sobreviveuy ao terremoto mortal de 2009 em L’Aquila. Ela decidiu se mudar da cidade após a tragédia, informou a agência de notícias italiana Ansa.
A mulher está hospitalizada após ser retirada dos escombros no vilarejo de Arquata del Tronto, acrescentou a Ansa.

Abalos secundários

Após o terremoto principal, houve tremores secundários, incluindo um de 4.7 de magnitude cujo epicentro foi a 7 km a leste de Norcia, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos.
O prefeito de Amatrice, Sergio Pirozzi, disse que três quartos da cidade foram destruídos e nenhuma casa era considerada segura para morar.
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Muitos dos afetados estavam de férias na região. Alguns haviam ido a Amatrice para um festival que celebra uma especialidade local – o bacon amatriciano e o molho de tomate.
A Itália é um dos países mais suscetíveis à ocorrência de fortes terremotos, especialmente para quem vive ao longo da cordilheira dos Apeninos.
Segundo dados disponibilizados pela agência governamental americana que monitora desastres naturais, desde 2000 a Itália registrou 12 terremotos de grande intensidade.
A atividade sísmica na região mediterrânea é resultado do grande atrito entre as placas tectônicas da África e da Eurásia. Mas há mais detalhes a serem levados em conta no terremoto da madrugada desta terça-feira.
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O Mar Tirreno, no oeste da Itália, entre o continente e as ilhas da Sardenha/Córsega, está se abrindo aos poucos, cerca de 2 cm por ano.
Cientistas dizem que isso vem contribuindo para o “racha” ao longo dos Apeninos. Segundo alguns especialistas, essa pressão é agravada pelo movimento da crosta terrestre no leste, no Mar Adriático, que estaria se movendo para debaixo da Itália.
O resultado é um grande sistema de falhas que percorre toda a extensão da cadeia montanhosa, com uma série de falhas menores aos lados.
Agora, imagens de satélites que serão tiradas da região dos Apeninos nos próximos dias ajudarão a mapear a área do terremoto. Essas fotos serão comparadas a imagens espaciais anteriores ao tremor de terça, para que se possa avaliar qual foi o movimento das rochas.
Isso ajudará os cientistas a entender precisamente onde e como foi o atrito das placas tectônicas, informação que pode ajudar os especialistas a entender se todo o estresse do choque foi liberado ou se foi acumulado em placas próximas.

Histórico

Apesar de ser mais suscetível a terremotos, a Itália não sofria um tremor de grande intensidade havia quatro anos.
Em maio de 2012, dois abalos ─ de 5.8 e 6.1 de magnitude ─ atingiram o norte do país.
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Mas o pior tremor a atingir a Itália recentemente aconteceu em Áquila, em 2009.
Naquele ano, um terremoto de 6.3 de magnitude arrasou a cidade, deixando mais de 300 mortos e outros 1,5 mil feridos. Outras 65 mil pessoas ficaram desabrigadas.
O de maior intensidade de que se tem registro no país ocorreu no início do século passado, em 1905, segundo o monitoramento americano. Foi quando 557 pessoas morreram após um tremor de 7.9 de magnitude atingir as comunas de Monteleone, Tropea e Nonte Poro.
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Mas houve tremores ainda muito mais fatais. Um deles foi registrado em Nápoles, em 1980, com um saldo de 4.689 mortes.
ANSA e BBC
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Posted: 25 Aug 2016 07:54 AM PDT
Cláudia Cruz Sergio Moro passaporte
Cláudia Cruz recebeu seu passaporte de volta. Decisão foi do juiz Sergio Moro, responsável por comandar a Lava Jato.
O juiz federal Sergio Moro, responsável pelas ações da Lava Jato, autorizou na quarta (24) a devolução do passaporte de Cláudia Cruz, esposa do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB).
Apesar do Ministério Público Federal ter se posicionado contra a devolução, Moro afirmou que “não foi decretado por este Juízo medida cautelar de proibição para que Cláudia Cordeiro Cruz deixe o país”.
O juiz destacou que foi iniciativa da defesa de Cláudia a entrega do documento e que considera que a esposa de Cunha tem “papel subsidiário no suposto esquema criminoso”.
Moro, no entanto, decretou que quando fosse viajar, ela comunicasse o juízo.
Cláudia responde pelos crimes de lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas devido ao uso de recursos depositados em contas em seu nome na Suíça que teriam origem em propinas pagas ao marido dela, Eduardo Cunha, por contratos da Petrobras.

R$ 34 milhões

No último mês de junho, O Ministério Público Federal pediu que Cláudia Cruz devolvesse R$ 34 milhões aos cofres públicos. Segundo o Ministério Público, a conta de Cláudia Cruz lavou US$ 1,079 milhão apenas na compra de serviços e artigos de luxo, entre 2008 e 2015.
“Entre 20/01/2008 e 2/04/2015, por inúmeras vezes, dentre outros locais em lojas de artigos de luxo localizadas nas cidades de Nova Iorque, Miami, Orlando, Barcelona, Zurique, Paris, Roma, Lisboa e Dubai, a denunciada Cláudia Cordeiro Cruz, dolosamente, utilizando-se de valores de propina recebidos na conta suíça Kopek (em que a denunciada Cláudia Cruz era beneficiária final), converteu em ativos de aparência lícita consistentes em bens e serviços, incluindo artigos de grife como ternos, bolsas, sapatos e roupas femininas”, afirma a denúncia.
Só em uma diária no hotel sete estrelas Burj Al Arab, em Dubai, Cláudia gastou US$ 5.927. A conta não foi declarada pela jornalista à Receita Federal, segundo o Ministério Público Federal, porque ela sabia que se tratava de “estratagema utilizado para o recebimento de propina pelo seu companheiro”.
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Posted: 25 Aug 2016 07:45 AM PDT
fascismo ódio direita brasil idiota
Imagem: Pragmatismo Político
Douglas Rodrigues Barros*, Negro Belchior
Quando Adorno escreveu Educação após Auschwitz, ele tinha como objetivo prevenir a catástrofe fascista. O crítico chamava a atenção para a importância da análise sociológica como aquela que informaria “sobre o jogo de forças localizado por trás da superfície das formas políticas”. Com efeito, um sintoma de proto-fascismo se evidencia quando a sociologia é posta em dúvida, ou é alvo de piadas em alguns centros de risadas forçadas e irreflexivas.
Não é à toa que o que se oculta no interior do programa Escola sem Partido é, na verdade, aquele incomodo sexagenário gerado pelo retorno da filosofia e da sociologia à “grade” curricular. Os defensores de tais programas revelam assim seus inconfessáveis desejos de ver a velha Educação Moral e Cívica que, subserviente a interesses escusos, – esta sim – doutrinava e excluía de si toda a dúvida. O que estes temem de fato é a potencialidade crítica da dúvida que essas matérias promovem no interior da sala de aula, gerando inclusive o inconformismo dos estudantes ante a total desagregação da educação pública no país. Mas isso será tema de um próximo artigo.
Por enquanto falemos da gravidade da situação política que se espalha não só pelo Brasil, mas pelo mundo como um todo. O fascismo sem dúvida é uma idiotice. No entanto, é uma idiotice que não se pode, em hipótese nenhuma, ser subestimada. Quando um aloprado deputado, que cospe reacionarismo, se joga, tal como um rockstar, da carroceria de um caminhão e se estabaca no chão sobre o aplauso e histeria de centenas de seguidores, apesar da grotesca cena e da babaquice em questão, é um sintoma para ser levado a sério.
Uma das questões mais importantes que o fascismo nos legou é que, apesar das formas grotescas de sua expressão, ele deve ser objeto de denuncia constante. Afinal, na Alemanha pré-nazista ninguém levava a sério um baixinho de bigode raspado, com estandartes ridículos que esbravejava impropérios contra a civilização, querendo romanticamente uma sociedade na qual o super-homem nietzschiano – obviamente integrado e desvirtuado pela ideologia nazista – teria espaço.
Nesse sentido, o que apresento aqui é uma síntese cabível neste espaço sobre como o fascismo é produzido na oficina da história pela crise e falta de perspectiva. Aqueles que se interessarem pelo tema e quiserem se aprofundar podem pesquisar não apenas Adorno e os escritos da, vulgarmente chamada, Escola de Frankfurt, como também, um dos livros mais sagazes e profundos sobre o fascismo: Labirintos do Fascismo de João Bernardo.
Vamos às cinco características:
1 – O fascismo é uma revolta dentro da ordem
Ele aparece como uma potencialidade de transformação, mas esbarra nos limites de uma mudança feita para nada mudar. Isso porque seus adeptos geralmente esbarram em questões que pairam na superficialidade dos problemas. Numa moralização unilateral que evidencia somente os aspectos mais pragmáticos e, por isso, propagandísticos nas crises políticas e econômicas. Por exemplo:o principal motor da xenofobia em 1930 e na presente fascitização europeia e paulista é enxergar o problema do desemprego no imigrante e não na crise estrutural pelo qual passa a economia. Do mesmo modo, a propaganda contra a corrupção se torna unilateral. Ela não denuncia que a própria engrenagem político-econômica fomenta a corrupção como algo necessário para sua própria manutenção.
2 – O fascismo é fenômeno de crise e falta de perspectiva de mudanças profundas
O fascismo nasce de alguns desastres históricos. Não apenas de uma profunda crise econômica, mas de uma crise político-social que lá atrás arrastou a Europa para a Grande Guerra. E o horizonte hoje com o começo da dissolução da zona do euro e ressentimentos de toda ordem não se apresenta tão diferente. Do mesmo modo, a crise estrutural no Brasil fomenta atividades e ressentimentos de classe e posições altamente conservadoras e reacionárias. Separatismo e paixões provincianas, além do nacionalismo tacanho, marcam também algumas de suas características fundadas na falta de perspectivas reais de melhorias.
3 – As instituições democráticas são irrelevantes para o fascista
Já em 1921 Benito Mussolini discursava marcando algumas características que permeariam a noção do ser fascista: “Estaremos com o Estado e a favor do Estado sempre que ele se mostrar um guarda intransigente” dizia o idealizador fascista, “mobilizar-nos-emos contra o Estado se ele vier a cair nas mãos de quem ameaça a vida do país e atenta contra ela”. Com certeza, uns cem números de leitores dessa revista devem ter gostado e simpatizados com a fala do líder, Mussolini, que muito tem em comum com aquele outro que deu de cara no chão.De um lado, o respeito pelas instituições democráticas só é feito tendo em vista a participação dos próprios fascistas na partilha do poder. Por outro lado, o fascismo pretende substituir o poder estatal quando a democracia não compartilhar de suas crenças.
4 – O fascismo avança quando os progressistas retrocedem
A partir dos duros golpes sofridos e no retrocesso da tentativa de superar a desigualdade histórica; a ideia de uma revolução dentro da ordem, para salvaguardar a sociedade do comunista comedor de criancinhas, se consolida e ganha aos poucos as mentes e os corações.A assim chamada “revolta dentro da ordem” como uma das características centrais do fascismo assume muitos dos aspectos tradicionais da luta dos trabalhadores, mas para colocá-lo na perspectiva da ordem da economia imperante. Assim, quando uma massa amorfa de verde-amarelo sai as ruas e utiliza palavras de ordem e formas de luta tradicionalmente de esquerda (como por exemplo a ocupação da Paulista) ela não está sendo original, esse caminho já é conhecido.
5 – O ser fascista detém a capacidade de maquinar, remodelar e recriar fatos históricos e corriqueiros
Nenhuma outra corrente política recorreu tanto a estetização da política como forma de impor seu pensamento, em termos mais simples, nenhuma outra corrente recorreu tanto a possibilidade de ludibriar, mentir e persuadir aqueles que querem. Como nos mostra João Bernardo (2015): a versatilidade das palavras, a possibilidade de moldá-las a seu favor e unir isso a uma propaganda massiva foi um dos grandes atributos do fascismo, assim como; escrachar figuras públicas, criar factoides e manipular dados.
Qualquer semelhança com nossa época atual não será mera coincidência.Os números oficiais indicam que todos os dias morrem duas pessoas por erros policiais. A cada dez minutos uma pessoa é assassinada no Brasil, o Anuário de segurança pública revela ainda que, por dia, seis pessoas foram assassinadas por policiais no Estado de São Paulo em 2013. Acaba de sair uma matéria no New York Times indicando que o Brasil é o país mais perigoso do mundo para os homossexuais. De tal maneira, qualquer estudo mínimo sobre as estatísticas da guerra particular no Brasil revela os horrores instaurados e provenientes de uma ditadura não encerrada.
Não faz muito tempo, entretanto, que tal violência, pelo menos no nível do discurso, era combatida, mesmo pelos meios hegemônicos de comunicação de massa.Atualmente, porém, parece que algo se alterou no quadro de interesses da elite sempre conservadora do país. Agora a carnificina diária apreciada e difundida pelos programas policialescos instaura um sentimento de terror que se orienta na criação de um inimigo comum. Aonde isso vai dar, eis a questão, se é fascismo ou não, é um problema a se pensar. Talvez seja algo ainda pior, posto que não identificado, mas, já amplamente naturalizado.
*Douglas Rodrigues Barros é escritor, mestre em filosofia e doutorando em ética e filosofia política pela Universidade Federal de São Paulo.
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Posted: 25 Aug 2016 07:35 AM PDT
hitler golpe brasil 1933 2016
Golpe encabeçado por Hitler na Alemanha em 1933 se assemelha muito ao processo que ocorre no Brasil em 2016
Muito se tem escrito, contra e a favor, sobre semelhanças e diferenças entre o golpe nazista de 1933 e o que hoje está em curso no Brasil.
Bom, vamos começar por alguns personagens principais. Ninguém de bom senso vai comparar o tacanho e tragicômico Michel Temer com o trágico e sinistro Adolf Hitler. Nem um nem outro merecem tanto. Aquele, “do lar”, este, bem, também era “do lar”, abstêmio, vegetariano, fiel pelo que se sabe, mas, de qualquer modo e por exemplo, os penteados eram completamente diferentes. Além disto, Hitler ficou no poder durante doze anos, de 33 a 45, digamos. Temer não ficará tanto. No Inferno de Dante Hitler estaria na boca de Lúcifer, mascado com os grandes traidores da história. Onde estará Temer? Provavelmente na porta do Inferno. Nem lá ele será admitido. Na porta, sem direito nem a meia-entrada, estão os que carecem até mesmo de um forte caráter pecador. Para alegria dos pós-modernos, estão no não-lugar universal e eterno.
Também ninguém vai comparar o grotesco Cunha ao também grotesco Göring, que foi quem presidiu a sessão do Reichstag que começou o golpe de estado nazista em 23 de março de 1933. Se estivessem num romance de Dostoyevski, ambos seriam qualificados como psicopatas. Mas não esteve um, nem está o outro. Vamos aguardar para ver como a história qualificará o mais recente deles. Boa coisa não será.
Agora, se olharmos os métodos, como se parecem!
Em primeiro lugar, Hitler deu aquilo que a revista alemã qualificou, em relação ao Brasil, um “kalter Putsch”, um “golpe frio”, ou “branco”, na nossa tradição. Foi um golpe inteiramente “legal”, através de uma votação no Bundestag, o Parlamento, depois confirmado pelo Bundesrat, que equivaleria ao nosso Senado (como deve acontecer), assinado pelo presidente von Hindenburg, e largamente deixado correr ou apoiado pelo Judiciário.
O golpe ganhou o nome histórico de “Ermächtigungsgesetz”, que poderia ser traduzido por “Lei de Empoderamento”. Era muito breve, como o nosso Ato 5: tinha um preâmbulo de algumas linhas e cinco artigos. Em essência, dizia que o Gabinete Executivo – presidido por Hitler – tinha poderes para decretar leis sem aprova-las no Parlamento, e que estas leis estariam acima da Constituição, que não poderia ser invocada para contestá-las. Dizia que a exceção se referia ao Bundestag e ao Bundesrat, coisa que, evidentemente, foi desrespeitada depois. Ou seja, como hoje no Brasil, rasgava-se a Constituição “legalmente”, e abria-se o período de exceção, diante de uma pequena burguesia (hoje diríamos alta classe média) gessificada pelo medo da ascenção dos “debaixo”. Mas tanto lá como hoje, nesta classe média isto não era unânime, diga-se de passagem. Por isto a repressão que se seguiu foi generalizada. E hoje, não será?
Mas houve também o processo de votação. Como o nosso presidente da Câmara, Göring se dedicou a criar regras próprias para a votação. Depois do incêndio do Reichstag, no final de fevereiro de 1933, Hitler desejou que na nova votação que haveria no começo de março ele tivesse assegurada uma maioria absoluta no Bundestag. Isto não aconteceu. O Partido Nacional-Socialista precisava ainda do apoio de partidos de coalizão (basicamente o Partido do Centro, católico – parecido com os evangélicos de hoje – e o Partido Nacional do Povo Alemão, coligado com os nazistas. Por isto os nazis decidiram adotar o caminho da Lei do Empoderamento, para prescindirem deste apoio futuramente. E os outros morderam a isca.
Mas houve mais. A Constituição alemã previa que para uma votação destas, que a modificava, era necessária a presença de dois terços dos deputados, ou seja, 432 dos 584 membros. Para vencer esta dificuldade, Göring inventou uma nova conta. Como os comunistas tinham sido acusados pelo recente incêndio do prédio do Reichstag (o Parlmento se reunia num teatro, a Casa da Ópera Kroll), os deputados do KDP (Kommunist Deutsche Partei) tinham sido presos, banidos, ou estavam foragidos. Assim Góring simplesmente descontou os 81 que eles eram da soma geral, e o quorum ficou reduzido a 378. Boa matemática, não?
Além disto, Göring abriu as portas do Parlamento aos Nazisturmabtellung, os SA, Camisas-Pardas (que depois seriam sacrificados para ratificar o poder dos SS). Hoje, no Brasil, não há SA, mas há as tratativas entre a presidência da Câmara e a Rede Globo, fazendo a votação no domingo, com esta mudando horários de jogos… enfim, cada momento tem a SA que pode e merece.
O processo de votação foi uma farsa. Estaremos falando de 1933 ou de 2016? Tanto faz. Aquele não foi transmitido pela TV, porque TV não havia, pelo menos na escala de hoje. O de hoje foi, para vergonha dos deputados perante o mundo inteiro. Vários deputados do SPD tinham sido presos, ou já haviam fugido para o exterior. Mas o inventivo Göring criou uma nova cláusula, ad hoc: deputados que não comparecessem, mas que não tivessem apresentado uma justificativa por escrito, deviam ser contados como presentes, para para garantir o quorum. (Lembram da alegação de um um deputado pró-impeachment que os deputados ausentes teriam de apresentar atestado médico?).
Bom, na sessão, apenas o líder do que restava do SPD, Otto Wels, que terminaria morrendo exilado na França antes da ocupação, falou contra a nova Lei. Os outros discursos foram acachapantemente ridículos (alguma coincidência será mera semelhança?). Bom, ninguém invocou a mãezinha ou o vizinho, mas saíram coisas como a Pátria e a Ordem. Resultado: 444 a favor da nova lei, 94 contra, todos estes do SPD.
Um detalhe muito interessante: Hitler negociara com Ludwig Kaas, o líder católico, que respeitaria o direito da Igreja e os funcionários católicos nos cargos de Estado, além das escolas. No dia seguinte ao da votação, que foi logo aprovada no Bundesrat e assinada por Hindenburg, Ludwig Kaas foi despachado para o Vaticano para explicar a nova situação ao então Cardeal Pacelli, futuro Papa Pio XII, de triste memória (alguma semelhança com a viagem do ex-companheiro Mateus, hoje senador Aloysio Nunes Ferreira, despachado aos States logo depois da votação na Câmara?) Ele cumpriu a missão religiosamente, como o Mateus. Porém, Hitler lhe prometera (a Kaas) uma carta com as garantias. Ela nunca foi entregue.

Satisfeitas e satisfeitos? É, mas tem mais…

Porque ainda resta o triste papel do Judiciário. Em primeiro lugar, juízes alemães legalizaram a perseguição aos comunistas porque eram “traidores” incendiários do Reichstag. Depois, fizeram vista grossa para as demais perseguições que vieram. Quando não apoiaram. Deve-se lembrar que quem inaugurou a queima de livros em 10 de maio de 1933, na hoje Bebelplatz, foi o diretor da Faculdade de Direito, ao lado, trazendo uma braçada de livros “degenerados” da sua biblioteca.
Hitler acusou um comunista holandês, Marinus Van der Lubbe, e mais quatro outros militantes búlgaros pelo incêndio, que ocorreu em fevereiro de 1933, alguns dias antes da eleição de março. Eles foram levados a julgamento no segundo semestre de 1933. Lubbe foi réu confesso – sabe-se lá como sua confissão foi obtida, mas pode-se julgar pela declaração em juízo de um dos outros acusados, Georgi Dimitrov, de que passara sete meses acorrentado em sua cela, dia e noite. Bem, a gente pode pensar numa justificativa: naquela época não havia delação premiada… Era pancadaria mesmo. Os outros quatro foram absolvidos por falta de provas, mas Lubbe foi condenado à morte e executado no começo de 1934.

Farsa? Sim, mas o pior vem depois.

Em 1967 um juiz da Alemanha Ocidental, na reabertura do processo promovida pelo irmão do condenado, Jan, “comutou” a pena de van der Lubbe de condenação à morte para 8 anos de prisão (!), quando o réu já estava, bem, digamos, no outro mundo. Em 1980, novo julgamento anulou a decisão de 1933 e de 1967. Mas em 1983 nova decisão anulou a de 1980, a pedido do… Ministério Público (!). O caso só foi resolvido definitivamente em 06 de dezembro de 2007 (!), 71 anos depois da decisão original, quando o equivalente ao nosso Promotor Geral da República proclamou “o perdão” de van der Lubbe, com base em uma lei de 1998 que declarara todas os julgamentos da época do nazismo juridicamente nulos.
Até hoje as alegações de que o incêndio foi provocado pelos próprios nazistas para começar sua série interminável de desmandos nunca foi oficialmente investigada. É um bom exemplo para quem acha que o caso das omissões e vagarosidade do Judiciário brasileiro é algo único na história.
Depois deste exercício de história comparada, que as leitoras e os leitores tirem suas próprias conclusões.
PASSO A PASSO DO GOLPE DE HITLER:
— A classe média e a alta burguesia
— A plutocracia
— Maioria parlamentar
— Desunião das esquerdas
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