quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

30/12 - BOAS FESTAS - FELIZ 2015

Amigas e amigos,
desejo-lhes Boas Festas e um Feliz 2015, cheio de surpresas agradáveis, muita saúde e
muita disposição para abrir a nossa JANELA, diariamente.
A nossa JANELA estará fechada nos dias 31 e 1º de janeiro.
Grande abraço de agradecimento pela visita que vocês fazem diariamente, prestigiando
este pequeno blogueiro.
Vamos, em 2015, com mais disposição ainda, defender o governo Dilma e combater
esses golpistas tucanalhas.
ABELHA
sempre mais

30/12 - Glória Maria: “Venina me escolheu”




A Globo enfia o pé na jaca. 
Agora é Glória Maria no Altas Horas tentando salvar a Venina Veneno.
Menos Globo, menos...
 
Glória Maria: “Venina me escolheu”
Postado em 27 de dezembro de 2014 às 11:51 pm


 
 
Do gshow:
No último domingo, as denúncias de corrupção dentro da Petrobras ganharam mais um capítulo importante. A ex-gerente Venina Velosa da Fonseca concedeu uma entrevista exclusiva à jornalista Glória Maria, que foi ao ar no Fantástico. “Ela me escolheu porque achava que eu era uma das repórteres de mais credibilidade, e se sentiria mais à vontade e com mais confiança ao falar comigo”, explica.
Segundo Glória Maria, as negociações para a entrevista foram muito rápidas. “Isso começou no sábado e a gente gravou domingo para o programa. Nós fizemos uma entrevista de, mais ou menos, 1h30 e foi ao ar 30 minutos”, conta ela no Altas Horas que vai ao ar no sábado, 27.
A gente conversou durante uma hora e vi que ela era uma pessoa correta”
A jornalista comenta que não houve nenhum tipo de restrição de pergunta por parte de Venina Fonseca: “Ela não sabia o que seria perguntado, porque eu não seria uma jornalista séria se dissesse as perguntas antes ou se aceitasse qualquer tipo de restrição. Não houve combinação, as perguntas foram feitas na hora e ela respondeu a todas sem hesitar”.
Glória Maria declara também que achou Venina uma pessoa extremamente sincera e correta. “Eu já tenho algum tempinho de jornalismo, então, conheço um pouco as pessoas. Quando ela me escolheu para dar essa entrevista, quis primeiro conhecê-la. A gente conversou durante uma hora e vi que ela era uma pessoa correta, pelo menos me pareceu”, garante a repórter.
Durante o programa, Glória ainda comenta que a ex-gerente da Petrobras lhe pareceu uma mulher sofrida: “Ela viveu muito tempo em Cingapura passando por dificuldades, acabou um casamento, sua família foi destruída, porque parece que ela estava sendo ameaçada o tempo todo”.
 
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GLÓRIA CHANCELA VENINA: “É UMA PESSOA CORRETA”

Glória Maria contou como foi sua entrevista com a ex-gerente da Petrobras Venina Velosa; "Ela me escolheu porque achava que eu era uma das repórteres de mais credibilidade", afirmou; jornalista negou que tivesse combinado perguntas com Venina e disse que foi ao ar apenas um terço da entrevista; na linha de sua colega Leilane Neubarth, da Globonews, Glória Maria achou Venina uma pessoa "extremamente sincera e correta"; "A gente conversou antes durante uma hora e vi que ela era uma pessoa correta", disse; perícia especializada em análise de voz atestou que a ex-gerente mentiu em vários momentos da entrevista
28 DE DEZEMBRO DE 2014 ÀS 09:08
247 - A jornalista Glória Maria contou na noite desse sábado, 27, durante o programa Alta Horas, como foi sua "bombástica" entrevista com a ex-gerente da Petrobras Venina Velosa da Fonseca, que disse entre outras coisas ter alertado pessoalmente a presidente da Petrobras, Graça Foster, sobre irregularidades em contratos da Petrobras.
A entrevista foi ao ar no domingo, 21, no Fantástico, programa que durante nove anos foi apresentado por Glória, e foi repercutida maciçamente nos telejornais da rede Globo durante a semana. No programa de Serginho Goisman, Glória Maria contou que foi escolhida porque Venina confiava nela. "Ela me escolheu porque achava que eu era uma das repórteres de mais credibilidade, e se sentiria mais à vontade e com mais confiança ao falar comigo", explicou.
Glória Maria disse ainda que a entrevista durou ao todo 1 hora 30 minutos, mas apenas 30 minutos foram ao ar. Segundo ela, não houve nenhum tipo de restrição de pergunta por parte de Venina Fonseca: "Ela não sabia o que seria perguntado, porque eu não seria uma jornalista séria se dissesse as perguntas antes ou se aceitasse qualquer tipo de restrição. Não houve combinação, as perguntas foram feitas na hora e ela respondeu a todas sem hesitar".
Glória Maria declara também que achou Venina uma pessoa extremamente sincera e correta. "Eu já tenho algum tempinho de jornalismo, então, conheço um pouco as pessoas. Quando ela me escolheu para dar essa entrevista, quis primeiro conhecê-la. A gente conversou durante uma hora e vi que ela era uma pessoa correta, pelo menos me pareceu", garante a repórter.
Durante o programa, Glória ainda comenta que a ex-gerente da Petrobras lhe pareceu uma mulher sofrida: "Ela viveu muito tempo em Cingapura passando por dificuldades, acabou um casamento, sua família foi destruída, porque parece que ela estava sendo ameaçada o tempo todo".
Perícia atesta: Venina mentiu, e muito
A companhia Truster Brasil, empresa especializada em tecnologia de análise de voz, não teve a mesma confiança de Glória Maria nas declarações de Venina Velosa durante a entrevista ao Fantástico. 
Perícia realizada pela empresa constatou que , em vários momentos da fala de Venina, sentimentos como "tensão extrema", "stress", "tensão alta" e conclusões como "imprecisão" e "alto risco".
O documento ao qual o Brasil 247 teve acesso é assinado pelo "perito em veracidade" Mauro J. Nadvorny, que aponta que a ex-gerente da Petrobras "não está sendo verdadeira quando afirma que vem fazendo denúncias desde 2008" e também "quando afirma que constatou vários tipos de irregularidades". De acordo com o especialista, ela está sendo verdadeira quando diz que todos os e-mails citados já foram publicados, mas não sobre o fato de ter entregue documentação adicional sobre o caso ao Ministério Público.
Outra conclusão é de que Venina Velosa da Fonseca "não está sendo verdadeira quando afirma que informou as irregularidades a vários diretores como Graça Foster e não tem certeza de que informou a todas as pessoas que poderiam fazer alguma coisa para combater aquele processo que estava se instalando na empresa".
O perito conclui que Venina "não foi verdadeira ao tentar envolver algumas pessoas em sua denúncia, o que acaba sendo uma cortina de fumaça para o que realmente seria importante" e "de uma certa forma", para o especialista, Venina "parece estar buscando uma vingança e não fazer justiça em nome dos funcionários da Petrobras".
Leia aqui a íntegra do documento.
 
 

30/12 - GLOBO COMEÇA A TRANSFORMAR MORO EM HERÓI

FONTE:http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/164872/Globo-come%C3%A7a-a-transformar-Moro-em-her%C3%B3i.htm

GLOBO COMEÇA A TRANSFORMAR MORO EM HERÓI

Juiz da Lava Jato passa por processo semelhante ao de Joaquim Barbosa, que, ao longo da Ação Penal 470, ganhou o prêmio 'Faz Diferença' do Globo e virou 'o menino pobre que mudou o Brasil' em Veja; na edição deste domingo, o jornal dos Marinho, na coluna de Ancelmo Gois, dá a ele o título de 'homem do ano'; em sua última edição de 2014, a revista da Editora Abril noticiou que Sérgio Moro foi escolhido como Personalidade do Ano em enquete promovida no Twitter; a revista o chama de "ídolo nacional"; transformação midiática de juízes em heróis faz bem para a democracia e para o próprio Judiciário?
28 DE DEZEMBRO DE 2014 ÀS 11:02
247 – O juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba e responsável pelos processos da investigação Lava Jato, tem sido transformado em herói pelo jornal O Globo, dos irmãos Marinho. O processo é semelhante ao qual passou Joaquim Barbosa, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal. Durante o julgamento da Ação Penal 470, Barbosa ganhou o prêmio 'Faz Diferença' do jornal e virou 'o menino pobre que mudou o Brasil' na capa da revista Veja de outubro de 2012.
Neste domingo 28, a coluna de Ancelmo Gois dá a ele o título de 'homem do ano'. "O juiz paranaense de 42 anos, ao comandar o processo da Lava-Jato, mostrou competência técnica e coragem cívica para meter o dedo numa das mais antigas feridas brasileiras, a corrupção, escancarando desta vez aqueles empresários que participam do jogo sujo e que tradicionalmente saem impunes", diz a nota do colunista.
Ele também foi eleito Personalidade do Ano, segundo enquete da Veja realizada no Twitter. Leia trecho de texto sobre Moro na revista, onde é chamado de "ídolo nacional":
O ano de Moro – Responsável pelas ações resultantes da Lava Jato em primeira instância, Sérgio Moro é hoje o magistrado mais respeitado pelos colegas na Justiça Federal. E também um ídolo nacional. Se a complexidade dos crimes investigados pela operação colocou o juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba diante do maior desafio de sua carreira, representou também sua consagração. Moro venceu a corrida pelo título de Personalidade do Ano com 160.637 votos, ou 47% do total. Ficou à frente de personagens que se destacaram ao longo de 2014 no Brasil e no exterior – e que atuam em áreas tão diversas quanto música, cinema, política, economia, matemática, futebol e tecnologia.
Joaquim Barbosa foi mostrado como exemplo a ser seguido por diversos veículos da imprensa, mas seu comportamento, como magistrado, esteve longe do exemplar. No caso do chamado 'mensalão', o ministro colocou seus próprios interesses, de um possível futuro político, acima da lei. Como relator da AP 470, ele violou uma jurisprudência consagrada em tribunais superiores e agrediu vários colegas quando não predominava sua posição em plenário. A celebração e o culto a Barbosa foi um mau exemplo. E agora, a transformação midiática de Sérgio Moro em herói fará bem à democracia e ao próprio Judiciário?
 
 

30/12 - BRICS NO CARIBE

Traçado do canal da Nicarágua. A exemplo do Brasil que investiu no porto de Mariel em Cuba, esse canal será um investimento da China no Caribe. Talvez agora aqueles que não entendem a movimentação das peças no xadrez da geopolítica mundial, consigam compreender a importância estratégica e financeira desses investimentos, desde que não se deixem continuar sendo manipulados pela mídia golpista.
 
 
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260.867 visualizações
Informe del Desarrollo e Inversión del Gran Canal Interoceánico en Nicaragua.
 
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O BNDES, o Porto de Mariel e o Canal da Nicarágua!  
 
por Marcos Doniseti!
 
Recentemente tivemos essa polêmica envolvendo o financiamento do BNDES para a ampliação do Porto de Mariel (US$ 682 milhões) que, depois, será complementado com a construção de uma Zona de Desenvolvimento Econômico (visando o mercado internacional) e que também será financiada pela BNDES (US$ 290 milhões).
Com isso, empresas brasileiras irão desfrutar de vantagens quando se instalarem na ZDE cubana.
Mas o que ninguém comentou é que uma outra obra, feita por uma empresas chinesa, irá beneficiar as empresas brasileiras que passarem a atuar na ZDE cubana.
É o Canal da Nicarágua. Isso mesmo. Depois do Canal do Panamá, haverá um outro Canal na região que irá ligar os Oceanos Atlântico e Pacífico. E essa obra é gigantesca, estando avaliada em US$ 40 bilhões.
As obras estão previstas para começar em Dezembro deste ano e o Canal será construído por uma empresa chinesa (HKND Group), que recebeu a concessão do mesmo por um período de 50 anos, que podem ser renovados por outros 50.
Trecho de matéria do site 'DN Economia' diz que 'Este canal unirá os oceanos Pacífico e Atlântico, terá um oleoduto, uma estrada, dois portos de águas profundas, dois aeroportos e duas zonas francas, segundo as autoridades nicaraguenses.'.
Com todas estas obras, a região da América Central e do Caribe se tornará uma das que irá desfrutar de um dos mais rápidos ritmos de crescimento econômico do mundo nas próximas décadas.
E o Brasil estará lá, se beneficiando deste processo, graças às iniciativas dos governos Lula e Dilma.
E recentemente o governo da China anunciou a sua adesão à Celac (Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos), com a qual ela irá desenvolver projetos conjuntos que sejam benéficos para ambos (leia-se investimentos produtivos nos mais variados setores: energia, infra-estrutura, agricultura, etc).
Como se percebe, não é apenas o Brasil que está investindo fortemente na América Central e no Caribe.
Links:
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Segundo o diretor do departamento de relações internacionais e comércio exterior da Fiesp, Thomaz...
YOUTUBE.COM
 
E tem mais:
 
ENVIADO POR J.ROBERTO MILITÃO SEX, 04/07/2014 - 22:29
 
RUSSIA e CHINA: três vezes maior que o Canal do Panamá, uma revolução nos custos de exportações oceânicas
 
Em notícia divulgada na Gazeta Russa (13.mai), o país governado por Vladimir Putin juntou-se à China em projeto que prevê a construção de um novo canal na América Central, dessa vez na Nicarágua (como já havíamos noticiado aqui anteriormente). Segundo a notícia, a parceria entre Rússia, China e Nicarágua para a construção do Grande Canal Interoceânico poderá desafiar o controle dos Estados Unidos sobre a região: "Esse Canal promete ser a maior rede de transporte do hemisfério Ocidental, e levará os EUA a perderem significativamente o controle que tiveram sobre a região nos últimos cem anos", afirmou Emil Dabaghian, pesquisador do Instituto Latino Americano da Academia de Ciências Russa.
Tal notícia revela o quão acertada foi a decisão do governo brasileiro, através do BNDS, em investir US$ 682 milhões na ampliação do Porto de Mariel, em Cuba,  bem como na construção de uma Zona de Desenvolvimento Econômico (ZDE) na região, com aporte de mais US$ 290 milhões do BNDS. Como é de se imaginar, as empresas brasileiras que estiverem atuando na ZDE cubana seguramente estarão entre as grandes beneficiadas com a construção do canal (e, em consequência, o governo brasileiro). Não restam dúvidas de que, com todas essas obras ocorrendo na América Central e Caribe, a região está entre as que desfrutará de altos índices de crescimento econômico nas próximas décadas e, oportunamente, o governo brasileiro se adiantou em marcar sua posição na região.
Para os que criticaram a decisão do governo brasileiro, questionando quais os reais benefícios em investir quase US$ 1 bilhão de dólares naquela região, está aí uma boa justificativa que leva para bem longe a hipótese aventada pela oposição e por setores da mídia de que a Dilma estaria fazendo as obras por questões ideológicas, em benefício do regime cubano dos irmãos Castro.
 
Abaixo segue a íntegra da notícia tal como publicada no site da Gazeta Russa:
PROJETO CONJUNTO COM A CHINA PREVÊ CONSTRUÇÃO DE CANAL NA NICARÁGUA
por Iúri Paniev | especial para a Gazeta Russa | 13.mai.2014
 
Canal da Nicarágua será o mais profundo, largo e longo do mundo Foto: Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia.
“Depois de prolongadas reflexões, a Rússia finalmente concordou em tomar parte na construção do canal que promete ser a maior rede de transporte do hemisfério Ocidental. Dessa forma, os EUA perderão uma parte significativa do controle sobre esse território, que eles exerceram durante os últimos cem anos, graças ao Canal do Panamá”, disse Emil Dabaghian, pesquisador do Instituto da América Latina da Academia de Ciências Russa, à Gazeta Russa.
A nova hidrovia artificial, que irá se estender por 286 km (contra os atuais 81,5 km do Canal do Panamá), começará a ser construída no final do ano, conforme estipulado pelo acordo tripartido entre as autoridades da Nicarágua, Rússia e China. A entrega da obra concluída está prevista para 2029.
A verba para realização do projeto, estimada em 40 bilhões de dólares, dependerá sobretudo do grupo chinês HKND, que recebeu a concessão por um período de cem anos para a abertura e operação do canal.
A principal vantagem dessa rota é a largura de 83 metros e a profundidade de 27,5 metros, o que irá permitir a passagem de embarcações da classe superpesada, com um deslocamento de água de até 270 mil toneladas. Em comparação com seu análogo no Panamá, o Canal da Nicarágua será mais profundo, largo e longo. Além disso, planeja-se a construção de dois portos, um aeroporto e um oleoduto.
Na opinião do diretor-geral do Instituto Nacional de Energia, Serguêi Pravosudov, a Rússia será beneficiada não só economicamente, mas também no aspecto geopolítico. “A América do Norte controla os pontos básicos através dos quais seguem as rotas marítimas: os Canais do Panamá e de Suez, bem como as principais rotas comerciais que passam por Singapura, Gibraltar etc. Por isso, o surgimento de uma via navegável alternativa é um desafio direto aos EUA", alega Pravosudov.
A ideia de construir um canal na Nicarágua surgiu ainda no século 19. Mas, naquela época, a situação política na América Central não era propícia devido à ocupação da Nicarágua por tropas americanas. Foi somente em setembro de 2013 que o Parlamento da Nicarágua aprovou as contas relativas à construção do canal.
Entre as perspectivas que se abrem, as autoridades nicaraguenses esperam um rápido crescimento do PIB, a expansão do mercado de trabalho, novas oportunidades para os negócios locais e receitas provenientes da exploração do canal.
 
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Canal nicaraguense contribuirá para construção de mundo multipolar
 
Foto: AP/Esteban Felix
A Rússia está reativando negociações com a Nicarágua para participar da construção do canal que irá passar pelo seu território e ligar os oceanos Pacífico e Atlântico. Este tema é um dos principais na reunião da comissão intergovernamental russo-nicaraguense em Moscou em 9 de setembro. As partes esperam resultados práticos das negociações com a participação de ministros e empresários.
A participação da Rússia neste projeto foi promovida pelo presidente Vladimir Putin. Em julho, a caminho de Cuba para Argentina, ele mudou sua turnê e decidiu fazer uma breve visita à Nicarágua. Na reunião com o presidente Daniel Ortega o papel da Rússia neste projeto foi discutido propositadamente.
Segundo fontes diplomáticas, trata-se de apoio militar e político. Em particular, a Rússia irá garantir a segurança da construção e sua proteção contra possíveis provocações. Para isso, a Nicarágua permitiu a navios e aviões de guerra russos patrulhar ao largo da costa do país no Oceano Pacífico e no mar do Caribe. O acordo bilateral sobre o assunto permite começar a efetuar isso já na primeira metade de 2015.
É interessante que Vladimir Putin chegou a Manágua poucos dias depois da apresentação lá da versão final do percurso do canal. Ela foi realizada pelo investidor principal, a empresa de Hong Kong HK Nicaragua Canal Development Investment. Por trás dela está a China que não tem relações diplomáticas com a Nicarágua. O custo do projeto é de 40 bilhões de dólares.
A Rússia deu um forte passo geopolítico, entrando juntamente com a China no projeto alternativo ao canal do Panamá, controlado pelos Estados Unidos, acredita o diretor do Centro de Pesquisas Sociais e Políticas, Vladimir Evseev:
“Este é um passo muito sério. É evidente que a Rússia não seria materialmente capaz de realizar o projeto. O financiamento virá principalmente da China. Se a China não tivesse assumido uma grande parte dos custos, eu penso que a Rússia não teria entrado num projeto tão caro. De qualquer forma, nós complementamo-nos mutuamente como parceiros estratégicos. Temos um interesse objetivo na contenção dos Estados Unidos. Outra questão é que a China não quer criar problemas adicionais, ela é economicamente dependente dos Estados Unidos e isso restringe-a politicamente. A Rússia é mais independente, ela tem uma retaguarda séria na forma da China, e conduz uma política de construção de um mundo multipolar, na construção do qual a China está fortemente interessada”.
Graças ao canal da Nicarágua a Rússia terá uma boa oportunidade para fortalecer suas posições estratégicas na região. Ela poderá bastante rapidamente movimentar sua frota do Atlântico para o Pacífico, acredita Vladimir Evseev:
“Haverá maior mobilidade, especialmente se a Rússia decidir implantar em Cuba uma base militar naval. Para ela, a possibilidade de passagem através do canal será crucial, dada a proximidade com os Estados Unidos. Para os EUA isso iria criar problemas adicionais em termos de reforço da sua própria segurança. Assim, a Rússia pode responder bastante eficazmente ao fortalecimento da presença militar da OTAN perto de suas fronteiras na Europa. O canal permitiria à Rússia aumentar significativamente o comércio com a América Latina. Este é um novo portão que a Rússia poderá usar ativamente”.
Os Estados Unidos têm tradicionalmente controlado os principais pontos através dos quais passam as rotas marítimas. O estreito de Malaca, Singapura, Gibraltar, os canais de Suez e do Panamá. Portanto, o surgimento do canal da Nicarágua é um desafio direto para os Estados Unidos. Não é por nada que eles estão se opondo tão ativamente a este projeto.
A criação deste caminho alternativo do oceano Pacífico para o Atlântico vai mudar a situação política e econômica mundial em favor de quem irá controlá-lo. A empresa de Hong Kong HK Nicaragua Canal Development Investment já recebeu uma concessão para 100 anos de exploração do canal.
Leia mais: 
http://portuguese.ruvr.ru/news/2014_09_09/Canal-nicaraguense-contribuir-para-constru-o-de-mundo-multipolar-0624/
 

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

30/12 - REPROSPECTIVA DA GLOBO

Diz que na retrospectiva da Globo o Aécio vai se eleger...

Descrição: Diz que na retrospectiva da Globo o Aécio vai se eleger...
 

30/12 - Educados para o analfabetismo econômico

http://www.cartamaior.com.br/?%2FEditoria%2FPolitica%2FSomos-educados-para-o-analfabetismo-economico%2F4%2F30597


29/03/2014 - Copyleft

Somos 29/03/2014 - Copyleft

Somos educados para o analfabetismo econômico

Somos treinados a concordar com coisas que não fazem sentido. Por exemplo, pagamos um Mineirão dia, em juros da dívida, e achamos que a Copa é o problema.


Antonio Lassance
Arquivo

Os barões ladrões que rebaixam o Brasil

A agência Standard & Poors, uma das que fazem classificação de risco de países e empresas, alterou a nota do Brasil para pior: de BBB para BBB-.

E se alguém acha que esse é um debate econômico, está redondamente enganado. A economia continua sendo um assunto importante demais para ficar restrito aos economistas.

A elevação ou o rebaixamento da nota de um país são entendidas, mundo afora, como um sinal do quanto um país é rentável e confiável.

Confiável segundo agências de classificação especializadas em dizer aos grandes financistas internacionais onde investir seu dinheiro para obter maiores lucros, com a garantia de que não tomarão um calote.

A Standard & Poors foi criada no século XIX, nos Estados Unidos, por Henry Varnum Poor, em plena época dos chamados barões ladrões.

Os grandes investidores que Henry Poor avaliava e recomendava ganhavam dinheiro com ferrovias, siderúrgicas e empresas de petróleo.

Uma parte significativa dos lucros desses magnatas vinha da apropriação de terras e outros ativos públicos e da arte de usar e roubar o dinheiro de pequenos investidores desavisados, que depositavam suas economias no nascente mercado de ações.

Esses barões ladrões do século XIX não eram tão diferentes dos mais recentes, que causaram a grande crise financeira de 2008 e 2009. Todos bem recomendados pela Standard & Poors.

A avaliação de risco do Brasil basicamente expressa o quanto o país continua sendo um dos paraísos mundiais do rentismo, a mágica de ganhar dinheiro com o trabalho dos outros. Quanto mais a política econômica de um país é ditada pelos interesses dos rentistas, melhor a nota.

Para não ser rebaixado pelas agências, um país precisa rebaixar sua política econômica. Tem que seguir uma receita orientada pelo objetivo de fazer crescer o volume de dinheiro movimentado pelas finanças, e não o de fazer crescer o país.

E ainda tem gente que acha que nosso grande problema é a Copa

Se o Brasil sofreu o rebaixamento de um único pontinho, “o que eu tenho a ver com isso?”, pode e deve perguntar o cidadão. Como diria o velho Brecht, tem a ver com o custo de vida, o preço do feijão, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio. Não deveria ter, mas tem.

Para dizer a verdade, esse rebaixamento tem a ver até com a Copa do Mundo de futebol, pois, enquanto tem gente preocupada, com razão, com o custo dos estádios, esqueceram-se do principal.

Para se ter uma ideia: o País vai gastar cerca de 8 bilhões em estádios. É, de fato, muito dinheiro. Mas o analfabetismo econômico ajuda todo mundo a se esquecer de fazer a conta que importa.

O Brasil gastou, em 2013, R$ 248 bilhões com o pagamento de juros, segundo o Banco Central. Pois bem, dividindo esse valor pelos 365 dias do ano, pagamos mais de R$ 679 milhões por dia.

Vamos comparar com a copa? Dá quase para construir um estádio do Mineirão por dia. Aliás, registre-se que o Mineirão só tem R$11 milhões de dinheiro público envolvido em seu financiamento. O restante será pago pela iniciativa privada. Dois dias de juros da dívida pagam mais de um Maracanã.

E ainda tem gente que acha que a copa é o absurdo dos absurdos do gasto em dinheiro público. É a prova cabal do quanto perdemos a noção das coisas.

Perdemos a noção de grandeza e a de proporção. Com isso, perdemos também o senso crítico em relação a esse buraco negro de nossas finanças públicas. Depois, perdemos o foco das prioridades.

Finalmente, erramos o alvo das manifestações. Tem gente malhando o Judas (a Copa, a Fifa) fingindo que está enfrentando o Império Romano. Se não for piada, é teatro.

Quem sabe, um dia, alguém se lembre de escrever a frase em um cartaz: “Cada 1% de aumento na taxa de juros custa R$20 bilhões aos brasileiros”. É uma mensagem mais consistente e valiosa do que “Não é só pelos 20 centavos”.

Vinte bilhões são duas vezes e meia, por ano, o que iremos investir em estádios, que serão pagos em 15 anos em empréstimos ao BNDES – ou seja, dinheiro que voltará aos cofres públicos.

O rebaixamento do debate econômico nos fez perder a noção das coisas

O verdadeiro rebaixamento que o país sofre não é de hoje e não é só o da Standard & Poors. O mais prejudicial de todos é o rebaixamento do debate sobre os rumos da economia do país.

O Brasil continua sendo um carro em que os mecânicos do mercado puxam o freio de mão e culpam o motorista pela dificuldade de acelerar o crescimento, melhorar a infraestrutura e a qualidade do serviço público.

A primeira mudança para uma tomada de consciência é superar a visão de que os juros são um problema só da macroeconomia e que sua conta é paga pelo governo. Não é.

O governo é apenas quem assina o cheque. Quando falamos “o Brasil”, muita gente ainda acha que estamos falando do governo. Perdemos, talvez na ditadura, e ainda não recuperamos a noção de que o Brasil são os brasileiros.

Quem confunde isso com nacionalismo barato e governismo acaba por reproduzir, às avessas, a velha maneira de pensar ensinada pela própria ditadura. Puro analfabetismo cívico.

Quem paga a conta cara dos juros altos são todos os que pagam impostos, principalmente os mais pobres, que, proporcionalmente, pagam mais impostos.

A luta para inverter prioridades precisa convencer milhões de brasileiros de que é preciso virar as finanças públicas de cabeça para baixo.

Hoje, a principal função do Estado brasileiro é pagar juros, os maiores do planeta. O Brasil é um dos três países que mais comprometem recursos públicos com o pagamento de juros, em proporção do PIB, conforme diz até o Fundo Monetário Internacional.

A educação, a saúde, a segurança pública e os investimentos em infraestrutura são pagos com o troco do que sobra do pagamento de juros.

Somos educados para o analfabetismo econômico

O problema que temos em mãos lembra o alerta feito por um professor de Matemática, com cara de cientista maluco, chamado John Allen Paulos, em seu livro “O analfabetismo em Matemática e suas consequências" (publicado originalmente em 1988).

O divertido livro de Paulos relembra casos famosos que denunciam a falta nem tanto de habilidade, mas de uso prático e corriqueiro até das operações matemáticas mais simples.

A principal denúncia de Paulos é ao quanto nos desacostumamos da operação mais essencial de todas, não exclusiva da Matémática: pensar sobre os problemas e raciocinar logicamente sobre eles.

Paulos nos avisa que isso é um perigo. Corremos riscos diários com essa nossa preguiça de pensar logicamente sobre os problemas e com a nossa incapacidade de extrair resultados práticos e numéricos dessas operações.

O que acho mais curioso nesse livro, e muito similar ao que acontece em nosso debate econômico, é que esse tipo de analfabetismo é ensinado diariamente.

É como se fôssemos educados para o analfabetismo. Somos treinados a esquecer a lógica dos argumentos e a concordar com coisas que não fazem o menor sentido.

Paulos usa, dentre tantos exemplos, o livro “Viagens de Gulliver”, de Jonathan Swift (1667-1745). O matemático nos mostra como o autor de Gulliver, ao descrever um gigante em uma terra de pequeninos (Lilliput), lascou o livro de grandezas absurdas, que não fazem o menor sentido.

As histórias de Gulliver são de 1726. Para não parecer tão distante, Paulos escreveu, em 1995, “Como um Matemático lê os Jornais”, publicado no Brasil como “As Notícias e a Matemática” ou “Como um Matemático lê jornal”.

Acertou na mosca. A imprensa é useira e vezeira em nos deseducar a usar não só os números, mas a lógica. É assim também com as notícias cujo título é contraditado pelas próprias matérias, armadilha comum aos que leem jornal com o espírito crítico repimpado e babando no sofá.

Terrorismo fiscal, um atentado ao raciocínio lógico

A notícia sobre o rebaixamento da nota do Brasil foi uma farra nesse sentido de propagar o analfabetismo econômico.

A conclusão enfiada goela abaixo é a de que o País precisa aumentar seu rigor fiscal e seu controle sobre a inflação.

Ou seja, o Brasil precisaria urgentemente cortar gastos e continuar elevando sua taxa de juros. Como assim, se o nosso principal gasto extraordinário é com juros? Não faz sentido, faz? Depende pra quem.

A ideia brilhante para atender às agências de risco é cortar o que o governo faz para pagar mais juros. Faz todo o sentido – para o financismo, não para a maioria dos brasileiros.

Mal começou o ano, os problemas sazonais dos preços dos alimentos, que impactam também os alugueis, são traduzidos na conclusão disparatada e tão absurda quanto os números das “Viagens de Gulliver”.

A lógica é a seguinte: se choveu muito, ou se choveu pouco, a inflação de alimentos elevou-se. Solução: aumentem os juros. Elevando-se os juros, as pessoas vão comer menos alimentos e os agricultores assim plantarão mais alimentos. Com juros mais altos, choverá a quantidade certa, no lugar certo. Entendeu? Nem eu.

O preço do tomate disparou, então o remédio é aumentar os juros. A pessoa irá desistir de levar tomates quando pensar que a taxa Selic está mais alta. Quando a taxa Selic alcança dois dígitos, as pessoas trocam a macarronada a bolonhesa por lasanha ao molho branco.

Os alugueis subiram, então os juros precisam aumentar, pois, em Lilliput, a terra de quem pensa pequeno, quando os juros sobem, ao contrário do que ocorre em qualquer lugar do mundo, mais imóveis são construídos e os alugueis baixam.

Engraçado, pensávamos que seria o contrário; que, com juros mais baixos, mais pessoas poderiam comprar seus próprios imóveis e se livrar dos alugueis. Aumentaria a própria oferta de imóveis e os aluguéis cairiam. Difícil entender os lilliputianos.

Essa falta de parâmetros e de noção do debate econômico causa uma deficiência grave em nossas políticas públicas.

Figuras exemplares que alertam sobre isso, como fazem Paulo Kliass, Ladislaw Dowbor e Amir Khair aqui na Carta Maior, há muito tempo, falam de coisas sobre as quais deveríamos não só prestar mais atenção, mas usar em nosso dia a dia.

Os movimentos sociais precisam se lembrar de explicar essa lógica dos argumentos aos seus militantes.

Precisam fazer as contas de quantos trabalhadores do setor público poderiam ser contratados e pagos com esses valores estratosféricos e escatológicos pagos com juros.

Precisam mostrar para a opinião pública quanto custa o reajuste de salários de suas categorias e compará-los com o que se paga em juros aos banqueiros.

Quem sabe, uma boa ideia seria acampar no gramado em frente ao Banco Central toda vez que ocorre uma reunião do Copom. E por que não fazer pelo menos um dia de luto quando se decreta aumento na taxa de juros.

Imagine todo mundo com a fitinha preta no braço explicando quanto vai nos custar pagar 0,25 ou meio ponto percentual a mais na taxa Selic, e quanto deixará de ser aplicado em prioridades para o país.

Pode até não ajudar a pressionar a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, mas, pelo menos, seria um sinal de quantas pessoas terão se livrado do analfabetismo econômico atroz que nos acomete.

(*) Antonio Lassance é cientista político.
educados para o analfabetismo econômico

Somos treinados a concordar com coisas que não fazem sentido. Por exemplo, pagamos um Mineirão dia, em juros da dívida, e achamos que a Copa é o problema.


Antonio Lassance
Arquivo

Os barões ladrões que rebaixam o Brasil

A agência Standard & Poors, uma das que fazem classificação de risco de países e empresas, alterou a nota do Brasil para pior: de BBB para BBB-.

E se alguém acha que esse é um debate econômico, está redondamente enganado. A economia continua sendo um assunto importante demais para ficar restrito aos economistas.

A elevação ou o rebaixamento da nota de um país são entendidas, mundo afora, como um sinal do quanto um país é rentável e confiável.

Confiável segundo agências de classificação especializadas em dizer aos grandes financistas internacionais onde investir seu dinheiro para obter maiores lucros, com a garantia de que não tomarão um calote.

A Standard & Poors foi criada no século XIX, nos Estados Unidos, por Henry Varnum Poor, em plena época dos chamados barões ladrões.

Os grandes investidores que Henry Poor avaliava e recomendava ganhavam dinheiro com ferrovias, siderúrgicas e empresas de petróleo.

Uma parte significativa dos lucros desses magnatas vinha da apropriação de terras e outros ativos públicos e da arte de usar e roubar o dinheiro de pequenos investidores desavisados, que depositavam suas economias no nascente mercado de ações.

Esses barões ladrões do século XIX não eram tão diferentes dos mais recentes, que causaram a grande crise financeira de 2008 e 2009. Todos bem recomendados pela Standard & Poors.

A avaliação de risco do Brasil basicamente expressa o quanto o país continua sendo um dos paraísos mundiais do rentismo, a mágica de ganhar dinheiro com o trabalho dos outros. Quanto mais a política econômica de um país é ditada pelos interesses dos rentistas, melhor a nota.

Para não ser rebaixado pelas agências, um país precisa rebaixar sua política econômica. Tem que seguir uma receita orientada pelo objetivo de fazer crescer o volume de dinheiro movimentado pelas finanças, e não o de fazer crescer o país.

E ainda tem gente que acha que nosso grande problema é a Copa

Se o Brasil sofreu o rebaixamento de um único pontinho, “o que eu tenho a ver com isso?”, pode e deve perguntar o cidadão. Como diria o velho Brecht, tem a ver com o custo de vida, o preço do feijão, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio. Não deveria ter, mas tem.

Para dizer a verdade, esse rebaixamento tem a ver até com a Copa do Mundo de futebol, pois, enquanto tem gente preocupada, com razão, com o custo dos estádios, esqueceram-se do principal.

Para se ter uma ideia: o País vai gastar cerca de 8 bilhões em estádios. É, de fato, muito dinheiro. Mas o analfabetismo econômico ajuda todo mundo a se esquecer de fazer a conta que importa.

O Brasil gastou, em 2013, R$ 248 bilhões com o pagamento de juros, segundo o Banco Central. Pois bem, dividindo esse valor pelos 365 dias do ano, pagamos mais de R$ 679 milhões por dia.

Vamos comparar com a copa? Dá quase para construir um estádio do Mineirão por dia. Aliás, registre-se que o Mineirão só tem R$11 milhões de dinheiro público envolvido em seu financiamento. O restante será pago pela iniciativa privada. Dois dias de juros da dívida pagam mais de um Maracanã.

E ainda tem gente que acha que a copa é o absurdo dos absurdos do gasto em dinheiro público. É a prova cabal do quanto perdemos a noção das coisas.

Perdemos a noção de grandeza e a de proporção. Com isso, perdemos também o senso crítico em relação a esse buraco negro de nossas finanças públicas. Depois, perdemos o foco das prioridades.

Finalmente, erramos o alvo das manifestações. Tem gente malhando o Judas (a Copa, a Fifa) fingindo que está enfrentando o Império Romano. Se não for piada, é teatro.

Quem sabe, um dia, alguém se lembre de escrever a frase em um cartaz: “Cada 1% de aumento na taxa de juros custa R$20 bilhões aos brasileiros”. É uma mensagem mais consistente e valiosa do que “Não é só pelos 20 centavos”.

Vinte bilhões são duas vezes e meia, por ano, o que iremos investir em estádios, que serão pagos em 15 anos em empréstimos ao BNDES – ou seja, dinheiro que voltará aos cofres públicos.

O rebaixamento do debate econômico nos fez perder a noção das coisas

O verdadeiro rebaixamento que o país sofre não é de hoje e não é só o da Standard & Poors. O mais prejudicial de todos é o rebaixamento do debate sobre os rumos da economia do país.

O Brasil continua sendo um carro em que os mecânicos do mercado puxam o freio de mão e culpam o motorista pela dificuldade de acelerar o crescimento, melhorar a infraestrutura e a qualidade do serviço público.

A primeira mudança para uma tomada de consciência é superar a visão de que os juros são um problema só da macroeconomia e que sua conta é paga pelo governo. Não é.

O governo é apenas quem assina o cheque. Quando falamos “o Brasil”, muita gente ainda acha que estamos falando do governo. Perdemos, talvez na ditadura, e ainda não recuperamos a noção de que o Brasil são os brasileiros.

Quem confunde isso com nacionalismo barato e governismo acaba por reproduzir, às avessas, a velha maneira de pensar ensinada pela própria ditadura. Puro analfabetismo cívico.

Quem paga a conta cara dos juros altos são todos os que pagam impostos, principalmente os mais pobres, que, proporcionalmente, pagam mais impostos.

A luta para inverter prioridades precisa convencer milhões de brasileiros de que é preciso virar as finanças públicas de cabeça para baixo.

Hoje, a principal função do Estado brasileiro é pagar juros, os maiores do planeta. O Brasil é um dos três países que mais comprometem recursos públicos com o pagamento de juros, em proporção do PIB, conforme diz até o Fundo Monetário Internacional.

A educação, a saúde, a segurança pública e os investimentos em infraestrutura são pagos com o troco do que sobra do pagamento de juros.

Somos educados para o analfabetismo econômico

O problema que temos em mãos lembra o alerta feito por um professor de Matemática, com cara de cientista maluco, chamado John Allen Paulos, em seu livro “O analfabetismo em Matemática e suas consequências" (publicado originalmente em 1988).

O divertido livro de Paulos relembra casos famosos que denunciam a falta nem tanto de habilidade, mas de uso prático e corriqueiro até das operações matemáticas mais simples.

A principal denúncia de Paulos é ao quanto nos desacostumamos da operação mais essencial de todas, não exclusiva da Matémática: pensar sobre os problemas e raciocinar logicamente sobre eles.

Paulos nos avisa que isso é um perigo. Corremos riscos diários com essa nossa preguiça de pensar logicamente sobre os problemas e com a nossa incapacidade de extrair resultados práticos e numéricos dessas operações.

O que acho mais curioso nesse livro, e muito similar ao que acontece em nosso debate econômico, é que esse tipo de analfabetismo é ensinado diariamente.

É como se fôssemos educados para o analfabetismo. Somos treinados a esquecer a lógica dos argumentos e a concordar com coisas que não fazem o menor sentido.

Paulos usa, dentre tantos exemplos, o livro “Viagens de Gulliver”, de Jonathan Swift (1667-1745). O matemático nos mostra como o autor de Gulliver, ao descrever um gigante em uma terra de pequeninos (Lilliput), lascou o livro de grandezas absurdas, que não fazem o menor sentido.

As histórias de Gulliver são de 1726. Para não parecer tão distante, Paulos escreveu, em 1995, “Como um Matemático lê os Jornais”, publicado no Brasil como “As Notícias e a Matemática” ou “Como um Matemático lê jornal”.

Acertou na mosca. A imprensa é useira e vezeira em nos deseducar a usar não só os números, mas a lógica. É assim também com as notícias cujo título é contraditado pelas próprias matérias, armadilha comum aos que leem jornal com o espírito crítico repimpado e babando no sofá.

Terrorismo fiscal, um atentado ao raciocínio lógico

A notícia sobre o rebaixamento da nota do Brasil foi uma farra nesse sentido de propagar o analfabetismo econômico.

A conclusão enfiada goela abaixo é a de que o País precisa aumentar seu rigor fiscal e seu controle sobre a inflação.

Ou seja, o Brasil precisaria urgentemente cortar gastos e continuar elevando sua taxa de juros. Como assim, se o nosso principal gasto extraordinário é com juros? Não faz sentido, faz? Depende pra quem.

A ideia brilhante para atender às agências de risco é cortar o que o governo faz para pagar mais juros. Faz todo o sentido – para o financismo, não para a maioria dos brasileiros.

Mal começou o ano, os problemas sazonais dos preços dos alimentos, que impactam também os alugueis, são traduzidos na conclusão disparatada e tão absurda quanto os números das “Viagens de Gulliver”.

A lógica é a seguinte: se choveu muito, ou se choveu pouco, a inflação de alimentos elevou-se. Solução: aumentem os juros. Elevando-se os juros, as pessoas vão comer menos alimentos e os agricultores assim plantarão mais alimentos. Com juros mais altos, choverá a quantidade certa, no lugar certo. Entendeu? Nem eu.

O preço do tomate disparou, então o remédio é aumentar os juros. A pessoa irá desistir de levar tomates quando pensar que a taxa Selic está mais alta. Quando a taxa Selic alcança dois dígitos, as pessoas trocam a macarronada a bolonhesa por lasanha ao molho branco.

Os alugueis subiram, então os juros precisam aumentar, pois, em Lilliput, a terra de quem pensa pequeno, quando os juros sobem, ao contrário do que ocorre em qualquer lugar do mundo, mais imóveis são construídos e os alugueis baixam.

Engraçado, pensávamos que seria o contrário; que, com juros mais baixos, mais pessoas poderiam comprar seus próprios imóveis e se livrar dos alugueis. Aumentaria a própria oferta de imóveis e os aluguéis cairiam. Difícil entender os lilliputianos.

Essa falta de parâmetros e de noção do debate econômico causa uma deficiência grave em nossas políticas públicas.

Figuras exemplares que alertam sobre isso, como fazem Paulo Kliass, Ladislaw Dowbor e Amir Khair aqui na Carta Maior, há muito tempo, falam de coisas sobre as quais deveríamos não só prestar mais atenção, mas usar em nosso dia a dia.

Os movimentos sociais precisam se lembrar de explicar essa lógica dos argumentos aos seus militantes.

Precisam fazer as contas de quantos trabalhadores do setor público poderiam ser contratados e pagos com esses valores estratosféricos e escatológicos pagos com juros.

Precisam mostrar para a opinião pública quanto custa o reajuste de salários de suas categorias e compará-los com o que se paga em juros aos banqueiros.

Quem sabe, uma boa ideia seria acampar no gramado em frente ao Banco Central toda vez que ocorre uma reunião do Copom. E por que não fazer pelo menos um dia de luto quando se decreta aumento na taxa de juros.

Imagine todo mundo com a fitinha preta no braço explicando quanto vai nos custar pagar 0,25 ou meio ponto percentual a mais na taxa Selic, e quanto deixará de ser aplicado em prioridades para o país.

Pode até não ajudar a pressionar a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, mas, pelo menos, seria um sinal de quantas pessoas terão se livrado do analfabetismo econômico atroz que nos acomete.

(*) Antonio Lassance é cientista político.

30/12 - “A atração sedutora irresistível do socialismo”




Vila Vudu...
 
REPENSAR A POLÍTICA: “A atração sedutora irresistível do socialismo”28/12/2014, The Vineyard of the Saker -- http://goo.gl/X1QObH

Dos “Comentários”, na mesma página
Grieved disse...
Saker, fiquei muito impressionado por você estar pensando em sistemas de organização social. Como capitalista que vive o pleno declínio e fracasso do capitalismo nos EUA, vivo buscando socorro no socialismo, em Marx e nessas teorias que nunca, em tempo algum, foram bem estudadas no ocidente, querendo aprender. Agora, aí está a chance! Obrigado!

_________________________________________

Entreouvido na Vila Vudu:

Muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuita calma, amigo Grieved.

Esse artigo é obra de autor erudito e inteligente, mas liberal anticomunista. Só os liberais eruditos e inteligentes, sempre metidos a ‘éticos’, são suficientemente arrogantes-desavergonhados para insistir em que seriam pró-liberdade e, simultaneamente, falar-escrever como fascistas anticomunistas furiosos.

Pretender que o socialismo seria “ótimo para vencer guerras” é ideia que nos deu saudades de Stálin! Com Stálin vivo e governante, esse papim furado podia ser aproveitado para vencer guerras onde e quando fosse preciso vencê-las para não morrer; e, em tempos de paz, era mandado cantar na Sibéria.

Depois, no fim, aquela linhazinha metida a inteligentíssima: “e se o socialismo for ferramenta contra o imperialismo?” Qu sem-vergonhice!

Mas... Vamos esperar.

Quem sabe o Saker oferece espaço para defesa COMUNISTA do comunismo? Quem sabe?!

Afinal, Lênin aí está, imatável:

“Socialismo é a libertação completa dos trabalhadores, de toda a opressão, política e econômica."

“Socialismo é uma ordem social, na qual não há pobreza entre as massas, nem exploração do homem pelo homem”.

É claaaaaaaaaaaaaaaaaro que socialismo vence guerras capitalistas. É claro. Sempre venceu e sempre vencerá.
Claro, também, que o imperialismo será derrotado (1) pelas contradições dele mesmo, de dentro para fora; e (2) por povos socialistas e comunistas em luta para não se deixarem matar pelo capital, capitalistas, pelos fascistas e pelos liberais.
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De: Saker
Para: Caros amigos,

Estou postando hoje um primeiro artigo do que espero que venha a ser uma série de “Repensar a Política”. Meu projeto é o seguinte: nos disseram e nos dizem que o comunismo morreu. Não sei se morreu, mas talvez tenha morrido. Meu argumento é que o que chamamos de “social-democracia europeia” morreu em 2014, depois de longa e dolorosa agonia. Os EUA só são república ou democracia no nome; na realidade são oligarquia fascista. Chávez na Venezuela falou de “socialismo bolivariano”.  Arundhati Roy na Índia parece pensar que a democracia morreu e que guerrilheiros maoístas podem talvez ter a resposta para muitas perguntas. Uma coisa é certa: Fukuyama errou e a história não se acabou[1] (a menos que algum doido idiota na Casa Branca lance ataque contra a Rússia, quando então, sim, a história acabará).

Nunca esquecerei o dia, em 1992 ou 1993, quando, durante uma conferência sobre Desarmamento na ONU, um embaixador paquistanês disse algo que lembrarei para sempre. Olhou para as delegações ocidentais e disse:

“Vocês acham que o capitalismo de vocês derrotou o comunismo? Se acham, acham errado. O que aconteceu foi que as contradições internas do comunismo desmontaram o comunismo antes que as contradições internas do capitalismo desmontassem o capitalismo”

20 anos depois é praticamente inegável que o homem estava absolutamente correto. E não surpreende que a percepção venha de um muçulmano, antes de todos, porque o Islã hoje oferece claramente pelo menos duas alternativas às ideologias ocidentais: na Arábia Saudita, o pensamento mais profundamente reacionário, medieval; no Irã, pensamento moderno e muito progressista.


Acho que é hora de repensar nossa política, nossas categorias políticas, nossas certezas sobre o que é pior e o que é melhor e todos os nossos pressupostos sobre a história recente. Muitos de nós vivemos no chamado ‘ocidente’ e, se há evidência inegável é que nossa ordem social está morrendo, totalmente desacreditada e desprezada pelo resto do planeta, nossos políticos parecem simplesmente incapazes de articular qualquer coisa remotamente conectada, que seja, à verdade; e o mundo padece de carência grande, imensa, muito severa, de ideias novas.


Com essa série “Repensar a Política”, quero começar por uma tabula rasa sobre a qual possamos re-examinar tudo e tentar ver se, pelo menos, identificamos alguns fatos ou ideias que nos ajudem a pensar fora da ‘caixa’ de ferro que nos é imposta por nossas estúpidas sociedades.[2] O principal não é encontrar respostas certas, mas perguntar melhores perguntas.


Essa série começa hoje com Andreja Vrazalic, que faz algumas perguntas muito básicas e importantes sobre o que é o socialismo (a resposta sempre depende de a quem se pergunte). Estou muito feliz com essa primeira contribuição e agradeço profundamente a Vrazalic por estar lançando o que espero que venha a ser discussão longa e produtiva que envolverá muitas outras contribuições de autores muito diferentes e diferentes pontos de vista. 

[assina] The Saker

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“A atração sedutora irresistível do socialismo”Andreja Vrazalic

Já lá vai um quarto de século, desde que o socialismo foi declarado oficialmente morto. Morto sem choro, senão de uns poucos, como alguns iugoslavos nostálgicos, que podiam viajar ao exterior e eram jovens e portanto recordam o governo de Tito como coisa grandiosa. São pequena minoria – tão poucos, de fato, que um partido comunista transformou o próprio país em capitalista, com excelentes resultados e, recentemente, o mesmo país chegou ao trono de primeira economia do mundo.

O socialismo, ou o comunismo, é ideia hoje completamente desacreditada. Há partidos social-democratas, e falam um pouco mais sobre ‘o trabalhador’, mas é só. Mesmo hoje, em plena crise do mercado ‘livre’ (que é completamente outra história), praticamente já não há quem alimente a ideia de lutar pelo socialismo. Não é de estranhar – o socialismo prometia o paraíso na Terra e, muito frequentemente, a coisa virou inferno. Nem os fãs mais linha-dura de Tito, que tendem a não ver as execuções em massa e as desapropriações de que seu governo foi culpado, conseguem aprovar o genocídio no Cambodia ou o terror stalinista. Além do mais, o socialismo não estabeleceu a igualdade. Longe disso: havia profunda diferença entre um “camarada membro do Partido” e o cidadão comum. E nem tente misturar-se com o seu empregador – e só havia um, o Estado. Quanto ao rápido crescimento econômico, bem, aí também os resultados deixaram a desejar: a União Soviética desmontou-se, em colapso, depois de uma crise econômica.

Há boas razões para esse fracasso, e elas têm a ver com a impossibilidade de o Estado substituir a “mão invisível”, quer dizer, a impossibilidade de uma única autoridade aprovar todas as decisões que milhões de pessoas aprovam todos os dias. Um único ator no mercado implica nenhuma concorrência, etc., etc... Em resumo, o socialismo, como sistema que o mundo conheceu, não satisfez nenhuma das expectativas que gerou.

Nenhuma? É mesmo?!

Acho, francamente, que, por exemplo, os vietnamitas, não concordariam com a ideia de que o socialismo, como sistema que o mundo conheceu, não satisfez nenhuma das expectativas que gerou. Os vietnamitas derrotaram a principal superpotência do mundo, sob a bandeira vermelha dos comunistas. Os russos derrotaram uma das maiores máquinas de guerra que o mundo jamais viu, e passaram a ser a segunda principal superpotência do mundo, também sob a bandeira vermelha dos comunistas.

É preciso lembrar que, quando olhamos para o socialismo, olhamos do ponto de vista da Europa ou da América do Norte ricas. Quando os sérvios olhamos para o socialismo, vemos Tito e as minas que enterrou e que continuam a explodir na nossa cara, sem parar, por 25 anos. O mesmo vale para os países da Europa Oriental, inclusive os russos (fronteiras comunistas, conhecem?). Temos de ser objetivos, ou o mais objetivos que seja possível.

Observador objetivo começa por definir claramente os termos e analisar um pouco as variáveis e alternativas. Os resultados podem ser interessantes.

O que é o socialismo?

Quando falo de socialismo, refiro-me ao sistema econômico e político que muita gente conhece como comunismo. Mas a Iugoslávia e a URSS só foram socialistas no nome. A coisa que hoje se conhece como socialismo não passa de social-democracia, uma ideologia do campo da democracia capitalista, que só guardou alguns mínimos traços de socialismo.

Na prática, o socialismo implica (...) economia controlada pelo Estado. Quanto a isso, pode ser comparado ao seu arqui-inimigo, o sistema ocidental, descrito como democrático e capitalista, ou de livre-mercado. Mas o fato de que, para começar, se faça essa comparação, já é golpe de propaganda tão excepcional, que é caso de comprar ingresso de primeira fila, para admirar.
Não se comparem maçãs e laranjas 
Comparar socialismo com democracia e livre-mercado faz tanto sentido quanto comparar uma coisa real com uma coisa imaginada, quer dizer: não faz sentido algum. O bloco ocidental, quando impôs essa comparação, marcou um tento (de muitos!) de seus muitos golpes de propaganda. Inventou uma imagem fantasiada, polida, brilhante, sem sombras de si mesmo, espécie de definição com Photoshop, pode-se dizer. Inventou e impôs uma narrativa sobre uma luta por liberdade e democracia... como se a democracia ocidental e o livre mercado realmente respeitassem alguma liberdade e alguma democracia.

Como se pode(ria) falar de democracia ocidental se se sabe que, no principal país daquela democracia, um presidente pode ser eleito e governar mesmo que perca no número do votos populares na urna; mesmo que não existam referendos; e mesmo que dois partidos e só eles, e sempre os mesmos, se alternam no governo há, no mínimo, 150 anos??? E nas democracias clientes daquela ‘democracia excepcional’ a coisa é ainda pior: diz um velho dito popular que a democracia só é possível nos EUA, porque é o único país do mundo onde não há embaixada dos EUA. E isso sem falar da espionagem generalizada contra os próprios cidadãos – que faria Stálin morder-se de inveja.

Há quem creia que o Sistema Ocidental sair-se-ia melhor na comparação, no quesito livre mercado. O Estado não interfere demais no funcionamento do mercado, e as pessoas mais ou menos fazem livremente suas transações. Mas só no micronível. No macronível, a história da liberdade de mercado faz água por todos os lados. Talvez o Estado nem interfira tanto. Mas o Estado não é o único ator – há corporações-empresas de todos os tipos, as que se veem e as que nem se desconfia que existam. O Federal Reserve System é comandado por banqueiros privados; vez ou outra um bilionário norte-americano faz alguma coisa exatamente alinhada com os interesses nacionais dos EUA. E nem se fale da imprensa-empresa nos EUA – nós, sérvios, conhecemos aquela gente há muito tempo. É gente que mente tanto, que os propagandistas de Milosevic podem ser considerados gente séria, que não fala/escreve sem fatos...

Como se explica que os banqueiros, os magnatas, os jornalistas e comentaristas da imprensa-empresa e o próprio governo dos EUA digam todos, sempre, exatamente a mesma coisa, como se falassem por uma única cabeça? Como é possível o trânsito intenso do Big Business para o Big Governo, ida e volta, sem parar? E o que foi aquele Complexo Militar-Industrial de que Eisenhower falou?

Se olhamos com objetividade o Sistema Ocidental, não será preciso propor muitas perguntas, porque a surpresa é nenhuma. O Sistema Ocidental começou há muito tempo, em Roma. Em Roma havia eleições, assembleia, livre comércio, propriedade privada respeitada (que houvesse pessoas que eram itens da propriedade privada de outros é detalhe). Praticamente uma democracia capitalista. Mas hoje, dois mil anos depois, pode-se examinar objetivamente a República Romana e vê-se que é república oligárquica, na qual todas os cordões do poder e da riqueza são manipulados por poucas famílias representadas no Senado. Além do mais, Roma tinha uma receita interessante: dado que os senadores não podiam envolver-se diretamente em atividades comerciais, eles ‘operavam’ por interpostos terceiros, e o dinheiro dos senadores tornava-se praticamente invisível.

Roma tinha outra característica que se observa hoje também nos EUA: era um império.

O imperialismo

A riqueza, riqueza a sério, vejam vocês é, sim, uma coisa maravilhosa: nenhum problema material de sobrevivência, e as pessoas pensam o melhor de você – que você, porque é rico, é mais inteligente, mais capaz, etc. É possível que invejem você, mas, como já disse alguém, a inveja é uma das formas mais sinceras de adulação.

Em resumo, se você é rico você passa a ser creditado com atributos e poderes que vc talvez não tenha, e você, por que não, passa a servir-se daqueles créditos. Se lhe perguntam sobre seu primeiro milhão, você explica detalhadamente o quanto trabalhou para merecê-lo, escolheu cuidadosamente parceiros e empregados; e você tende a não incluir nas causas do milhão aquele negócio com o político local encarregado de construções. Vale o mesmo para grandes nações: divulgam muita poesia sobre os méritos do livre mercado, da mão invisível e da divisão do trabalho, e raramente incluem nas causas da riqueza que saquearam a Índia, que roubaram terras de populações nativas. Esquecer é humano – sobretudo os itens que o fazem aparecer com cara de assassino e bandido.

Dito em forma resumida, quando se fala de riqueza, é preciso ter em mente que (no plano das nações), a riqueza só pode ser obtida por duas vias: pelo trabalho ou pelo roubo. Além disso, é preciso ter em mente que essas duas vias são muito assemelhadas. Se os indivíduos conseguem enriquecer simultaneamente pelas duas vias, pelo trabalho e pelo crime, as nações também conseguem. De fato, nos dois planos, há um pré-requisito comum: para enriquecer é preciso poder.
Riqueza: pré-requisitos 
Não entremos naquela maratona de discussões sobre se é melhor viver na Noruega ou nos EUA: é relativamente parecido. E ignoremos os casos extremos e nações micro ou muito pequenas, como Suíça ou Cingapura. Concentremo-nos no essencial. Temos de olhar para os continentes e os grandes países e perguntar-nos: onde a riqueza está concentrada?

Logo se vê que a maior riqueza acompanha a maior força. A URSS foi muito mais pobre que os EUA, mas muito mais rica que China, Índia ou África daqueles dias. Pode-se rastrear também essa história: considere-se a riqueza do Império Britânico ou de Roma: a riqueza aumentou por lá, quando começaram a adquirir colônias. Houve saque e roubo, claro, mas a indústria florescia – a Grã-Bretanha é o berço da Revolução Industrial, causa do padrão de vida sem igual de que disfrutamos hoje.

Como Adam Smith ensinou ardilosamente: pré-requisitos da riqueza são paz, impostos baixos e administração suportável da justiça.

E agora especificamente: quem pode garantir que a paz se mantenha, sem força e poder? Não falo de paz como ausência de guerras: santo Deus, não. A Grã-Bretanha vitoriana ou os modernos EUA vivem permanentemente engajados em guerras, campanhas, intervenções, preparações para novos golpes, etc., etc… Quando se diz paz, é paz em casa. E isso, sim, eles tiveram. E aí está o pré-requisito para que as pessoas relaxem, trabalhem, produzam e não se preocupem em tempo integral com sempre ter as malas prontas para fugir.

Destruir a concorrência

Riqueza é muito relativo: as pessoas vivem a discutir se é melhor viver na Noruega ou na Suécia, que nos EUA. Sinceramente, não faço ideia. Nem é importante para o que fazemos aqui: nem a Noruega nem a Suécia são concorrentes dos EUA. A África inteira, ou a América Latina, sim, podem ser. A riqueza dos EUA é muito relativa: os EUA têm mais que qualquer país ou continente X e, portanto, EUA são ricos, e X é pobre. Não há quantidade específica de bens ou dinheiro que os EUA tenham de ter para ser considerados “ricos” – basta que tenham mais que os demais. Se os EUA não têm mais que os outros, os EUA não são “ricos”. Se não são ricos, então, provavelmente não são tampouco a Fonte de Todo o Saber, a Terra Prometida e Governador e Mestre Indiscutíveis de Todo o Planeta. E se não forem, a coisa perde a graça.

Há dois meios pelos quais é possível manter aquele status: pelo avanço econômico; e minando e detonando a concorrência. Os dois meios andam juntos, de certo modo: quando se destrói/detona a concorrência, a economia do detonador/destruidor abre asas. Pode-se destruir a concorrência mediante protecionismo – chutando a concorrência para bem longe do nosso mercado – mas só as grandes potências podem fazer tal coisa, como os EUA ou a Alemanha do século 19. Segundo a teoria do livre mercado, o protecionismo é loucura; de fato, taxar consumidores domésticos leva à ineficiência econômica. Mas é preciso ter em mente que o mercado não é “realmente” livre, e que estados e empresas estrangeiras ocasionalmente se misturam; e que não raras vezes são uma e a mesma coisa. Não vêm ao país da gente, aqui, para melhorá-lo: vieram para fazer lucros – de um modo ou de outro. Mais frequentemente, de outro.

Chutá-los para longe de nosso mercado não é pecado, necessariamente, se se consideram os interesses dos consumidores. Fato é que, que vêm para nos prestar um serviço... por que tanto querem que querem vir e ficar por aqui?

Por que a Áustria-Hungria tanto tenta proibir que os sérvios mantenhamos tarifas de importação sobre produtos, se a exportação dos mesmos bens seria serviço tão inestimavelmente bom para a Sérvia? Por que tanto se fala de “conquistar o mercado”?

Se você fecha seus mercados, não os abre e mantém-nos fechados, sempre resta a velha boa alternativa de ocupar, ocupação.

As colônias

O colonialismo é simplesmente a coisa mais fantástica: você se muda para o país de outro povo, sob qualquer pretexto nebuloso de que lá só vivem selvagens ou coisa que o valha, e que você é obrigado a civilizá-los, fazê-los amar Deus e os ‘noticiários’ da Rede Globo-Brasil, e impedir que se matem uns os outros. E muitas vezes a ideia ‘cola’. De fato, vale tanto para o século 19, quando a imprensa-empresa não estava implantada exatamente no coração da África para noticiar as mentiras, como hoje, quando os EUA estão fazendo exatamente a mesma desgraça no Oriente Médio, sob o pretexto de que estariam democratizando a coisa lá.

É deveras maravilhoso que esses países ocidentais tanto se apliquem e esforcem-se por civilizar nativos, de modo tão desprendido, tão altruísta. Sim, auferiram algumas pequenas vantagens, ouro e outros minérios, madeira, terra, escravos, petróleo, etc., mas não mudam o cerne do argumento. O importante é civilizar selvagens. É o peso que pesa sobre as costas do Homem Branco, o “
Fardo do Homem Branco”, como escreveu Rudyard Kipling.

O Homem Branco aplicou-se tão dedicadamente ao negócio de civilizar, que, por exemplo, no Congo, no momento em que o país conseguiu tornar-se independente, depois de vários séculos de ocupação belga, havia exatamente 15 nativos com diploma universitário.
Libertação. Ou: por que o socialismo não é negócio para ricos? 
Os nativos mal-agradecidos decidiram, às tantas, que bastava de tantos cuidados, e trataram de expulsar os colonizadores. Interessante observar que aqueles movimentos anticolonização tiveram sempre alguma forma de ideologia de esquerda. E de algum modo, bastante naturalmente, gravitaram na direção da União Soviética.

Não fazia perfeito sentido com a teoria socialista original, segundo a qual o comunismo deveria acontecer em sociedades como a inglesa ou a alemã, nas quais a burguesia e os trabalhadores da indústria eram maioria, e nas quais, no fim, os trabalhadores venceriam. Diferente disso, o comunismo venceu em países relativamente pobres. Fato é que, se o comunismo fosse total nonsense, se não fizesse algum sentido, com certeza não seria adotado em lugar algum, exceto talvez no Cambodia de Pol Pot. Se o comunismo fosse ideia genial, todos quereriam ser comunistas. É fato, sim, que há elementos do socialismo em todas as sociedades modernas, sob a forma de alguns direitos dos trabalhadores. Mas são elementos, não é a essência.

Os social-democratas apoiam essencialmente o capitalismo – não fosse assim, viveriam a tentar nacionalizar/estatizar fábricas, não a querer privatizar tudo. Por outro lado, temos Cuba, Venezuela, Bolívia onde mesmo hoje persistem as ideias socialistas, até avançam; e há até o Partido Comunista Chinês, que abraçou o capitalismo.

Assim se vê, praticamente como um padrão, que sociedades ricas não desejam o socialismo, e que sociedades pobres tendem a ele.

O que os pobres viram no socialismo, que os ricos nunca viram? Em termos de eficácia econômica, o socialismo não é sistema especialmente eficiente. No socialismo real, o estado comanda a economia e é sabidamente ineficiente (e não entremos na teoria comunista, segundo a qual o dinheiro desapareceria numa sociedade na qual todos fossem iguais, mas que nunca decolou, de fato).

O socialismo estabelece o controle sobre a economia a partir de um ponto único. Esse controle unificado é ineficiente e é injusto, e não gerará sociedade muito superior a uma sociedade “capitalista”. Mas a sociedade socialista pode dirigir suas energias mais facilmente e mais diretamente para um objetivo; e resistirá mais eficazmente contra influência externa. Se você é pobre, o socialismo pode ser a solução perfeita para você.

Nada assegura que a vida será muito melhor, mas os pobres já são mais pobres que os ricos, hoje, e nada muda se a sociedade é capitalista ou socialista. Mas, em mundo socialista, os pobres conseguirão lutar contra os ricos, porque todas as energias dos pobres estarão focadas em buscar mais e mais felicidades, e porque o soft power dos ricos sobre os pobres terá efeito diminuído.

Que outra explicação haveria para o fato de que os rivais na Guerra Fria fossem os EUA – sem dúvida o país mais rico do mundo desde 1919 – e uma Rússia/URSS, uma das potências europeias, sim, mas devastada por duas guerras mundiais e uma revolução, e que, mesmo assim, depauperada, soube pôr em órbita o primeiro homem que viu o espaço sideral in loco?

Como se explica que o pequenino Vietnã tenha derrotado o gigante EUA? Se o Vietnã não fosse socialista, jamais teria podido fazer o que teve de fazer para vencer aquela guerra. O capitalismo é notório pelos magnatas/oligarcas – os EUA subornariam meia dúzia deles por lá, e o Vietnã despencaria como fruto maduro.

No socialismo não há oligarcas. O poder político e econômico está conectado no plano do partido, não no plano individual. E o partido apresenta uma frente unida contra invasores – e a unidade é pré-requisito absoluto para vencer guerras.

Há guerras “quentes” e também as há “frias”, nas quais as potências estrangeiras querem alcançar o domínio econômico sobre determinado país, e convertê-lo em (neo)colônia. O país-alvo tem duas possibilidades: deixar-se conquistar e converter, para todos os fins e objetivos, em colônia; ou lutar pela própria independência.

É escolher entre dois males: colônias são exploradas e castigadas se tentam reconquistar a própria liberdade; e a liberdade é cara, de fato não é nem livre nem barata, porque sempre existirá hierarquia. Será menos rígida: a diferença entre um vietnamita comunista e os vietnamitas comuns não é dura e imutável como rocha. A diferença entre um francês e um vietnamita, sim, é.

Em resumo se pode dizer que o socialismo é sistema perfeito para vencer guerras. Nem todas, mas muitas. Perguntem aos espartanos.
Dois lados da mesma moeda: os crimes 
O socialismo, ou comunismo, tem sido acusado de ser inerentemente criminoso, e já foi até dito “um fascismo”. Os crimes dos comunistas aí estão, não há como duvidar deles. (...)

As vítimas do ocidente são de certo modo sempre esquecidas. Da “Solução Final” ao problema dos nativos, passando pelo Congo Belga, mil e um massacres sangrentos de populações nativas dos quais nunca ouvimos falar, Hiroshima e Dresden, até vitórias recentes da democracia, não se pode dizer que o Sistema Ocidental tenha alma limpa imaculada. Não. É preciso começar a contar as vítimas desse sistema.

Não faz sentido acusar o socialismo ou o comunismo de terem alguma específica natureza criminosa. Comparar a Tchecoslováquia comunista e o Cambodia comunista; a Argentina fascista e a Croácia fascista; a Dinamarca democrática e a Bélgica ou os EUA democráticos mostra claramente que todos os sistemas têm sua cota de criminosos e não criminosos (de menos-criminosos, melhor dizendo).

À guisa de fim

Compreendo que algumas pessoas busquem sociedade mais justa, sociedade na qual todos possam viver em paz e prosperidade. Alguns viram o socialismo como essa sociedade desejada. Estavam errados.

Contudo, como nos ensinam os exemplos de Esparta e do Antigo Egito, o socialismo não é inerentemente novo. É um sistema em que o Estado controla os recursos. Esse sistema sempre existiu desde que o mundo é mundo, e a derrota recente não significa que vá sumir para sempre. Pelo contrário, a história nos conta que as coisas tendem a ir e vir como ondas, e que atual vitória do sistema chamado capitalismo liberal – que não é vitória – não será permanente. O socialismo voltará à moda em algum momento, talvez sob outro nome, mas com a mesma essência.

É importante para nós sabermos o que é o socialismo, o que pode e o que não pode fazer. Por favor, não me falem da mais justa distribuição de bens, que o socialismo trará. Não trará. Socialismo nada tem a ver com isso. A natureza humana é tal, que as pessoas gravitam para ordens hierárquicas, e os de cima sempre se darão mais bem que os de baixo. Seja qual for o sistema. Mas é um pouco pior se os de cima têm pele de cor diferente, ou se são só estrangeiros. A diferença é então maior, a exploração, mais cruel.

Se alguém quiser falar comigo sobre o socialismo como ferramenta contra o imperialismo, ok. Fale. Estou ouvindo. ******


[1]E O MUNDO NÃO SE ACABOU”, samba-choro de Assis Valente, acompanhamento do Conjunto Regional, gravado dia 9/3/1938. Carmen Miranda cantou imortalmente, e também, imortalíssima, a Paulinha Toller [NTs].
[2] Impossível não lembrar passagens da introdução de O discurso do método, de Descartes  (1637): “Meu propósito não é ensinar aqui o método que cada qual deve seguir para bem conduzir sua razão, mas somente mostrar de que modo me esforcei por conduzir a minha.” Essa disposição metodológica talvez se justifique em Descartes, que tinha de driblar a Inquisição. Mas virou muleta liberal e, desde o século 17, sempre aparece como uma espécie de alvará preventivo para, na sequência, expor o pensamento liberal mais tosco, que ‘apaga’ os próprios vícios ideológicos e os reapresenta como ‘normalidade’, como ‘verdade geral para todos’, ou como ‘conclusão lógica’. Vê-se usado como ferramenta de imbecilização do povo, todos os dias, por exemplo, por Dona Miriam Leitão, ou pelo Sr. William Waack [NTs].