25/1 - FOLHA DIFERENCIADA de HOJE

Folha Diferenciada



Posted: 25 Jan 2014 06:23 AM PST
Empresária Ana Cristina Aquino diz que negociatas para abrir filial de sua empresa no Paraná incluíam pagamento de propina para Pepe Richa, irmão do governador do EstadoIzabelle Torres

Em depoimento registrado em cartório sobre os esquemas dos quais participou, a empresária Ana Cristina Aquino envolve a cúpula do governo do Paraná. Em pelo menos quatro páginas desse registro, Ana descreve um emaranhado de ligações de políticos com empresários em torno do interesse em negócios milionários e suspeitos e diz temer pela própria vida desde que decidiu contar o que sabe. Segundo ela, Pepe Richa, hoje secretário de Logística e irmão do governador do Paraná, o tucano Beto Richa, e Amaury Escudero, atual representante do escritório do governo em Brasília, se tornaram seus parceiros no ambicioso plano: o de abrir uma filial da sua empresa no Estado com a finalidade de fechar um contrato com a montadora Renault do Brasil. Um negócio que poderia render milhões por mês.


MILHÕES EM JOGO
Segundo a empresária, Pepe Richa (abaixo), secretário de Logística
e irmão do governador do Paraná, Beto Richa (acima), queria lucrar com o contrato entre
a AGX Log e a montadora Renault. Acima, cópia da agenda entregue ao MP listando as propinas



De acordo com o depoimento da empresária, a negociação era intermediada pelo advogado João Graça, que é do PDT e chegou a ser cotado para a vaga de suplente da senadora e ex-ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, em 2010. Segundo Ana Aquino, João Graça se aproximou do poder no Paraná depois de comandar a Superintendência Regional do Trabalho, entre 2007 e 2009. No segundo semestre de 2012, disse a empresária, o advogado marcou uma reunião entre ela e Amaury Escudero. O objetivo era arquitetar como agiriam em grupo para viabilizar o negócio com a Renault. No encontro, segundo a empresária, ficou decidido que o secretário Pepe Richa e Escudero pressionariam a montadora para contratar a transportadora de Ana, usando como instrumento de barganha uma série de isenções ficais concedidas pelo governo a montadoras nos últimos anos. O apoio, entretanto, custaria alto. “Eu perguntei ao Amaury (Escudero): ‘O que o senhor ganha com isso? O senhor vai me botar na Renault de graça, do nada?’ Ele então falou que eles ficariam com 20% da empresa. Mas que colocaria em nome do advogado João Graça. Seriam 10% de um e 10% do outro”, afirmou em entrevista à ISTOÉ.

Documento da Junta Comercial referente à empresa AGX Log – criada também por ela – mostra que João Graça se tornou dono de 20% das cotas em julho de 2012. O advogado apresentou duas versões para o fato. Na primeira, disse que nunca foi sócio da Ana Aquino e nem sequer conhecia a empresária. Confrontado com os registros oficiais, admitiu a sociedade. Graça oficializou sua saída em agosto do ano passado, depois de um desentendimento com Ana Cristina. Procurado novamente na quinta-feira 23, disse que não se manifestaria sobre as denúncias até conhecer o teor das escutas. Na sexta-feira 24, Escudero disse à ISTOÉ que as acusações são falsas e que jamais houve as reuniões citadas pela empresária. Ele afirma que os acessos a seu gabinete são todos registrados e que pode comprovar que a empresária está mentindo. “Não posso aceitar ser objeto de um jogo político que nem sei qual é. Essa pessoa não tem credibilidade para me acusar”, afirma Escudero.



O depoimento da empresária revela outra faceta do negócio. Em troca do apoio para que o grupo AG Log entrasse no Paraná e conseguisse o contrato da Renault, o irmão do governador também teria recebido propina. “O Pepe Richa recebeu R$ 500 mil. Não foi da minha mão, foi da mão da Suzana Leite, uma lobista. O Gabardo (Sergio) me entregou o dinheiro para eu levar ao Paraná. Dei o dinheiro para ela e fiquei dentro do carro esperando”, diz ela. A entrega teria ocorrido na semana anterior à inauguração da sede da AGX Log no Estado, em 11 de abril de 2013. Segundo Ana, Pepe estaria tão envolvido com os negócios da transportadora que emprestou o seu nome para figurar no convite da festa de inauguração, a pretexto de fazer uma palestra, e ainda se encarregou de distribuí-lo aos políticos. “ Como ele estava ganhando, deu essa ajuda porque eu não era conhecida. Não levaria os políticos para o evento”, disse. Suzana Leite afirmou que as acusações não têm fundamento. Já Pepe Richa classificou as declarações de Ana Cristina de “infundadas, caluniosas e irresponsáveis”. Disse ainda que a AG Log não é prestadora de serviços da Renault no Paraná.
Em encontro no segundo semestre de 2012,
ficou decidido que Pepe Richa pressionaria a montadora
para contratar a transportadora de Ana CRISTINA

No documento que registrou em cartório, a empresária confirma que a negociata não deu certo. O contrato não saiu, mas as dívidas da empresa se multiplicaram. Incentivada pelo grupo a buscar dinheiro no mercado para montar a frota exigida pela montadora, Ana Aquino recorreu a agiotas. Para validar os empréstimos, ela diz que apresentava um contrato assinado pelos integrantes do governo e pelo funcionário da Renault Julio Barrinuevo, que também teria recebido propina para facilitar o negócio com a montadora. O contrato não tinha validade jurídica nem veracidade. “Só quem se deu mal fui eu”, disparou.
“O Pepe Richa recebeu R$ 500 mil. Eu saquei esse dinheiro”

As dívidas acumuladas por Ana Cristina Aquino são, em boa parte, originadas no Paraná. Nas conversas com ISTOÉ, ela contou que montou uma frota de caminhões para ganhar um contrato com a Renault e que pagou R$ 500 mil para o irmão do governador. A seguir, trechos da entrevista:

ISTOÉ – A senhora manteve negócios com integrantes da cúpula do governo do Paraná?
Ana Cristina Aquino – O João Graça me chamou e disse que tinha um negócio para mim. Viajei até Londrina e, chegando lá, ouvi que havia um projeto grandioso com a empresa Renault. A proposta era que eu levasse a AG Log para o Paraná. João Graça disse que não tinha problema porque havia muitos políticos envolvidos nesse negócio.

“Para tratar sobre dinheiro, ela (Suzana Leite) falava: o boss (Pepe Richa)
pediu para você conseguir um agrado de tantos mil”

ISTOÉ – Mas quem eram esses políticos?
Ana – Uma semana depois, foi marcado meu encontro em Curitiba com o João Graça e com o Amaury Escudero. Tivemos uma reunião fechada para discutir esse contrato. Amaury se propôs a pressionar a Renault para colocar a AG Log no negócio. Ele disse que cobraria a conta de uma série de benefícios fiscais que o Estado teria dado à empresa, e que, se a montadora se negasse, ele teria como pressioná-los. Eu disse: e o que o senhor ganha comisso? Ele então explicou que teria 20% da empresa, mas que colocaria em nome do João Graça. Mas seriam 10% de um e 10% do outro. Depois dessa conversa houve mais uns três encontros e aí fui entendendo o negócio. Tinha muita gente do governo do Paraná envolvida. Posso dizer que o Pepe Richa (irmão do governador do Paraná) recebeu R$ 500 mil. Eu saquei esse dinheiro.

ISTOÉ – Recebeu da sua mão?
Ana – Não foi da minha mão, foi da mão da Suzana Leite. Ela é uma lobista, uma espécie de Marcos Valério.

ISTOÉ – A senhora tratou sobre esse assunto com o governador Beto Richa?
Ana – Cheguei a encontrar com o governador, mas não tratei nada com ele. Era só com o Pepe mesmo. A Suzana Leite chama o Pepe de “boss”. Para tratar sobre dinheiro, ela falava: “O boss pediu para você conseguir um agrado de tantos mil”.




ISTOÉ


Posted: 25 Jan 2014 05:07 AM PST
(Carta Maior) - O setor de shoppings centers se encontra acuado, nas grandes cidades brasileiras, pelo fenômeno do "rolézinho". A situação chegou a tal ponto, que, contrariando o direito de livre expressão, já há centros comerciais pedindo ao Facebook que retire do ar páginas que envolvam esse tipo de encontro, que convoca, pela internet, centenas de jovens a comparecer, em data e horário específicos, a endereços-alvo previamente determinados.

A justiça tem concedido liminares que permitem aos shoppings barrar a entrada desses jovens e impedir que os encontros se realizem em suas dependências.
Movimentos sociais de diferentes tendências, alguns mais tradicionais, e outros surgidos, como os Black Blocks, nas manifestações de junho, tacham as medidas adotadas pelos shoppings de racismo e exclusão e ameaçam convocar "rolezões sociais", já neste fim de semana, para reagir às medidas.

Em junho de 2013, estabeleceu-se, nas ruas e redes sociais improvável aliança entre "rolexzinhos", que gravavam suas mensagens contra o governo e a Copa do Mundo usando como cenário a praça de alimentação de shoppings, e futuros "rolezinhos" da "periferia".

A periferia pode frequentar shopping, desde que seja identificada tão logo entre, e fique permanente sob o olhar de vigias, e em conveniente minoria. E continue gastando como tem gasto a classe C nos últimos anos, responsável pela explosão do faturamento do comércio de móveis, informática e eletrônicos, por exemplo.

O problema é que os "rolézinhos" não estão satisfeitos com isso. Eles querem "zoar", termo que antes estava ligado a ridicularizar, brincar com o outro, e que hoje está sendo substituído, cada vez mais, pelo sentido de "incomodar".

Os "rolézinhos" não querem apenas "dar um rolé", expressão que deu origem ao termo, ou se encontrar, conversar, namorar. Eles querem assustar, pressionar, chocar, o pacato cidadão que frequenta shopping, em busca de sua quota cotidiana ou semanal de lazer, consumo, praça de alimentação e ar condicionado. Querem querem ocupar física e maciçamente todos os espaços, dizer aos frequentadores comuns, e aos rolexzinhos - "olha, nós somos mais fortes, mais numerosos e queremos ter as mesmas coisas, e fazer as mesmas coisas, que vocês".

Há que se ver como alguns auto-designados representantes da "classe média" - que às vezes nem toma conhecimento de sua existência - irão se manifestar, na internet, com relação ao assunto. A direita terá coragem de defender, abertamente, a invasão dos shoppings centers pela periferia? Ou vai torcer, secretamente, para que esses encontros, e a polêmica em torno deles, dê origem a nova onda de protestos?

Já se identifica, entre os "rolézinhos", a infiltração de indivíduos cujo interesse vai além da reivindicação social, coisa fácil de ocorrer, nesse tipo de reuniões, maciça e, às vezes, anonimamente convocadas por meio de redes sociais.

A ABRASCE, que reúne os shoppings centers, precisa começar a entender os "rolézinhos", a partir de outra perspectiva, que não seja a mera repressão, o apelo à polícia e ao judiciário. Se cada shopping tratasse todos os frequentadores da mesma forma, independente de sua cor ou vestimenta, e tivesse uma estrutura de lazer ou de cultura na periferia, para sinalizar às comunidades de menor renda que o setor reconhece sua existência e direito à dignidade, em um contexto social tradicionalmente desigual, talvez se pudesse estabelecer um patamar maior de respeito e de auto-estima para esses cidadãos.

É uma pena, no entanto, que o elemento que detonou todo esse processo tenha sido, primeiramente, o consumo.

Se extrairmos da multidão um ou outro líder, e os "movimentos" sociais "organizados", que, muitas vezes, são apenas grupos de ação, momentaneamente reunidos pela internet, veremos que há muito em comum entre os "rolézinhos" e "rolexzinhos".

Não existe diferença entre a conversa estéril e esnobe dos "rolexzinhos", em volta de seus copos de uísque, na happy hour na Avenida Paulista e as letras de funk ostentação que embalam os "rolézinhos" nos bares e bailes da periferia.

São dois lados da mesma moeda, dois extremos de uma sociedade na qual um par de tênis pode custar mais que dez ou quinze livros novos, marcas de carros são cantadas em prosa e verso, e a maior parte das pessoas desperdiça seu tempo correndo atrás do fugaz e do vulgar, sem conseguir deixar sua marca no mundo, ou ter tido, muitas vezes, a menor consciência política ou espiritual do que representa estar aqui.

Conquistará o futuro quem souber unir rolexzinhos e rolezinhos em um projeto comum de nação, e isso só ocorrerá com a redução da desigualdade e a melhora da educação. Quem sabe, quando contarmos, no Brasil, com um número equivalente de excelentes universidades e centros de pesquisa, ao que temos, agora, de grandes centros comerciais - cerca de 500 - com o mesmo volume de investimentos e a mesma eficiência e garra, na busca e transmissão do conhecimento, com que hoje se persegue o lucro nesses palácios de aço e cristal.

A sociedade brasileira, com seus "rolézinhos" e "rolexzinhos", precisa entender que o Brasil necessita mais de Sapiens Centers, que de Shopping Centers, para poder avançar.




Mauro Santayana


Posted: 25 Jan 2014 04:42 AM PST
Roberto Brilhante



Porto Alegre - Nesta sexta-feira, 24/01, ocorreu como parte do Conexões Globais o diálogo “Soberania Digital e Vigilância na Era da Internet”, que reuniu figuras destacadas do debate sobre os meios digitais como Sérgio Amadeu, professor da Universidade Federal do ABC; Demi Getschko, considerado um dos “pais” da internet brasileira; Antonio Martins, criador do Le Monde Diplomatique Brasil e do site Outras Palavras; e David Miranda, estrategista de marketing que coordena a campanha que pressiona o Brasil a conceder asilo a Edward Snowden, ex-agente da NSA que revelou informações sobre as estratégias de espionagem do governo norte-americano e hoje se encontra exilado na Rússia, onde ainda não pode esclarecer vários aspectos de suas revelações.

David Miranda - detido em agosto de 2013 pela polícia britânica por quase 9 horas quando fazia uma escala no aeroporto de Londres - foi ovacionado pelo público em sua chegada. Reconhecido como um dos grandes nomes da luta contra a espionagem dos Estados aos usuários da internet, David tirou fotos com ativistas que gritavam palavras de ordem favoráveis à concessão de asilo a Edward Snowden por parte do Brasil.

E a tônica do debate foi justamente a necessidade de que as nações reconheçam a importância de oferecer asilo a Snowden. Todos os participantes citavam seu nome ao discutirem os aspectos técnicos e políticos da espionagem digital. Era consenso que, se os estados nacionais têm qualquer pretensão de obter soberania nos terrenos digitais, precisam oferecer proteção a Snowden e a todos os outros whistleblowers que vierem a se arriscar denunciando as mazelas dos grandes impérios e corporações.

Formas de resistência

O debate foi muito bem servido de referências técnicas para os ativistas presentes. Demi Getschko e Sérgio Amadeu ofereceram um leque de explicações sobre o modus operandi das empresas e dos impérios no mundo digital. Mas ao invés de apresentarem um cenário de trevas, mostraram que há muitas alternativas aos usuários e aos estados para que a privacidade na rede seja possível.

Amadeu afirmou que, se antes os EUA espionavam indivíduos suspeitos, hoje usam outra estratégia: “hoje a espionagem é massiva, é data mining, mineração de dados. É um conjunto de palavras de busca, redes sociais, e-mails, que são investigados em toda a internet. A partir disso, certos comportamentos são selecionados e investigados mais a fundo. Então, todos nós somos espionados.” A privacidade na internet é destruída com a justificativa de que isso é necessário para que se descubra quem são as “ameaças”. Mas, ameaças a quem? E o que legitima tamanho poder dos estados?

Outro ponto sob o qual Amadeu e Getschko insistiram é o de que os grandes espiões hoje não são apenas os estados, mas também as grandes corporações. O capitalismo na sua fase atual tem na informação seu grande trunfo: conhecer os desejos dos consumidores é fundamental para construir os produtos e as estratégias de marketing. As redes sociais e sites de busca se tornaram corporações gigantescas graças a coleta de informações que promovem: “se você procurou o preço de uma passagem para Porto Alegre, logo te ofereceram hotéis em todos os anúncios da internet. Coletam suas informações para oferecer o que você deve querer”, exemplificou Amadeu.

Como afirmou Sérgio, uma das formas de protesto que temos é pressionar nossos governos por “tratados internacionais contra vigilância massiva. Vocês dirão ‘nunca vão aprovar isso’, mas essa pressão é uma pedra no sapato, isso coloca os espiões na defensiva. Nós precisamos procurar os líderes dos partidos, colocar na pauta da política nacional essa questão da espionagem.”

Outra maneira de protestar é a criptografia. Amadeu falou aos presentes sobre a possibilidade de que qualquer um de nós utilize chaves criptográficas para suas mensagens. Um usuário que não usa criptografia custa aos espiões cerca de 16 centavos de dólar para que tenha suas mensagens compreendidas, enquanto um que usa criptografia custa cerca de dez mil dólares. O uso de criptografia por muitos usuários tornaria quase impossível a mineração de dados por parte das agências de espionagem.

Por que conceder asilo a Snowden

A privacidade é um dos pilares da democracia. A inviolabilidade dos espaços privados é fundamental para que cada um dos indivíduos possa elaborar suas ideias e se organizar em grupos políticos. Uma sociedade onde não há o universo privado é um lugar onde não há plena liberdade de pensamento e de associação: hoje, os inimigos são os “terroristas”, e amanhã, quem será denominado “terrorista”? Quando o estado detém um poder tão grande, ele deixa de ser legítimo e passa a ter um viés totalitário, que não serve mais aos interesses dos cidadãos, mas sim àqueles dos que detém o poder de sua máquina.

Os participantes do debate de hoje deixaram claro que, se o Brasil quer ser uma referência de desenvolvimento para os povos do mundo, este desenvolvimento não pode ser apenas econômico, mas deve ser também político. E assegurar que as potências como os Estados Unidos, Rússia e China não detenham o controle sobre todas as informações da internet é um passo que precisar ser dado. Conceder asilo a Edward Snowden seria mandar às potências internacionais a mensagem de que o Brasil não aceitará que um poder despótico sobre o mundo digital esteja nas mãos de algumas poucas nações.

E se o governo federal não sinaliza nenhum tipo de apoio a Snowden, o povo tem o feito seu papel. Uma petição online no Avaaz já possui quase um milhão de assinaturas e será em breve levada ao Congresso. O povo reconhece que a espionagem não é um voyeurismo: é uma tática de controle. Trazer Edward Snowden é uma forma de mostrar de que lado do jogo o Brasil quer estar.

Créditos da foto: Roberto Brilhante

Carta Maior

Posted: 25 Jan 2014 04:08 AM PST
Afastamento imediato de Rosalba Ciarlini havia sido determinado por TRE na quinta

FOLHA DE S.PAULO

Governadora do RN recorre ao TSE e é mantida no cargo

Afastamento imediato de Rosalba Ciarlini havia sido determinado por TRE na quinta

O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Marco Aurélio Mello, manteve no cargo a governadora do Rio Grande do Norte, Rosalba Ciarlini (DEM).

O ministro concedeu, ontem, liminar em mandado de segurança contra decisão do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) do RN que determinava o afastamento de Rosalba e a tornava inelegível por oito anos por suposta prática de abuso de poder nas eleições municipais de 2012.

A decisão do TRE-RN se deu em ação contra Rosalba e a prefeita afastada de Mossoró, Cláudia Regina (DEM), por suposto uso “com fins eleitoreiros” de máquinas para perfuração de um poço em uma comunidade carente a poucos dias do pleito de 2012.

Para ministro, houve ‘quase ingratidão’ em protestos de 2013

Interlocutor da presidente da República com os movimentos de esquerda, o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria Geral) disse ontem que, durante as manifestações de junho passado, integrantes do governo federal ficaram “perplexos” e “quase com um sentimento de ingratidão” pelo fato de os protestos terem se voltado contra um governo que considera ter avançado em conquistas sociais.

A declaração foi feita pela manhã no Fórum Social Temático, em Porto Alegre, evento que reúne movimentos sociais, parcela cativa do eleitorado petista nas últimas décadas.

No discurso, o ministro avaliou que a direita “fez a festa” com a repercussão dos protestos. A onda de manifestações começou em capitais tendo como foco a insatisfação com o preço do transporte coletivo, mas se alastrou para outras áreas do serviço público e atingiu a popularidade da presidente Dilma Rousseff e de governadores e prefeitos do país.

“Quando acontecem as manifestações de junho, da nossa parte houve um susto. Nós ficamos perplexos. Quando falo nós, é o governo e também todos os nossos movimentos tradicionais. [Houve] uma certa dor, uma incompreensão e quase um sentimento de ingratidão. [Foi como] dizer: fizemos tanto por essa gente e agora eles se levantam contra nós.”

Argentina facilita compra de dólar após moeda subir

Os argentinos, que desde julho de 2012 estavam proibidos de comprar dólar como forma de investimento, estão novamente autorizados a usar a moeda com esse fim.

A Casa Rosada também voltou atrás no imposto sobre transação financeira no exterior e compra de passagens e pacotes de viagens, que havia subido para 35% em dezembro e voltará a 20%.

Com essas mudanças, a Casa Rosada busca conter a sangria de suas reservas, que já chegaram a US$ 29 bilhões, e segurar a alta do dólar paralelo, ou “blue”, comercializado de forma clandestina.

O paralelo bateu seu recorde de cotação na quinta, chegando a 13,40 pesos, ante 7,75 pesos do oficial.

As novas medidas, que entram em vigor na segunda-feira, foram anunciadas ontem pelo governo, um dia após o peso ter sofrido sua maior desvalorização desde 2002.

Em Davos, Dilma diz não acreditar que crise tenha consequências para o Brasil

A presidente Dilma Rousseff afirmou não acreditar que a crise na Argentina venha a ter “consequências muito significativas” para o Brasil, mas não deixou de acrescentar: “Estou atenta, bastante atenta”.

O comentário foi feito durante a conversa que a presidente brasileira manteve em Davos com integrantes do International Media Council (IMC), criado pelo Fórum Econômico Mundial para reunir cerca de cem jornalistas que o evento considera influentes global ou regionalmente.

Dilma teve imenso cuidado em não dizer nada que mostrasse excessiva preocupação com “a crise que afeta a Argentina”. Previu até que, com a recuperação da economia mundial e a iminente comercialização da safra argentina de grãos, “vai aumentar o grau de liberdade de gestão da economia argentina”.

Procuradoria denuncia 5 por droga em helicóptero

Família Perrella, dona da aeronave, não tinha relação com cocaína, diz PF. O Ministério Público Federal no Espírito Santo denunciou cinco pessoas sob acusação de envolvimento no transporte de cocaína em helicóptero de empresa do deputado estadual mineiro Gustavo Perrella (SDD), filho do senador Zezé Perrella (PDT).

Os denunciados por tráfico de drogas e associação para o tráfico são o piloto e o copiloto da aeronave, dois responsáveis por descarregar o helicóptero e o dono da fazenda em que ele foi apreendido em novembro de 2013, em Afonso Cláudio (ES).

Sobre a eventual participação de Gustavo Perrella, a Procuradoria informou que, em razão do foro privilegiado do deputado, pediu o envio do inquérito ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região.

SP, 460

Aniversariante, cidade tem nova chance de planejar seu futuro

Preço do crack duplica no 1º pagamento da prefeitura

No primeiro dia de pagamento de 302 moradores da cracolândia inscritos em programa municipal para varrer ruas, o preço da pedra de crack disparou de R$ 10 para R$ 20 na área

Barricadas no gelo

A praça que é centro dos protestos contra o presidente da Ucrânia, em Kiev, está tomada por barricadas, relata o enviado Diogo Bercito

Demétrio Magnoli

Putin se inspira na Síria para lidar com a crise ucraniana

Barcelona admite que pagou R$ 96 mi a mais por Neymar

Neymar custou cerca de R$ 96 milhões a mais do que o Barcelona divulgou, admitiu o clube um dia após a renúncia do presidente Sandro Rosell



CORREIO BRAZILIENSE

Rolezinho fecha shopping, polícia reforça segurança

A mobilização de jovens pela internet teve a primeira consequência em Brasília. O shopping Iguatemi, alvo de um protesto programado para hoje, anunciou que fechará as portas neste sábado. Em nota, o centro comercial disse respeitar iniciativas democráticas e pacíficas, mas não tem condições de receber “qualquer tipo de manifestação”. As forças de segurança do Distrito Federal vão ampliar a vigilância em 13 shopping centers, afim de garantir a tranquilidade de consumidores. “O cidadão deve manter sua programação. Quem planejou ir ao shopping fazer compras ou se entreter, deve fazer com naturalidade. Estamos preparados para garantir a segurança e intervir caso necessário”, disse o coronel da PM José Carlos Neves Ribeiro.

Déficit recorde acende alerta

O rombo comercial de US$81,3 bilhões nas contas externas deixou o mercado intranquilo e deve afastar ainda mais os investidores estrangeiros do país.

Discurso para acalmar Davos

A fim de atrair investidores e manter o otimismo com a economia brasileira, Dilma defendeu o controle dos gastos e o combate à inflação.

Fuga de dólares causa incertezas na Argentina

Investigação adia benefício para Dirceu

Condenado no processo do mensalão, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu ficará impedido de receber qualquer benefício externo, como a autorização para trabalhar fora da cadeia, por um período de até um mês. O juiz da Vara de Execuções Penais (VEP) do Distrito Federal Mario José de Assis Pegado estabeleceu o prazo para que a Subsecretaria do Sistema Penitenciário (Sesipe) conclua o processo disciplinar contra o petista pelo suposto uso de telefone celular no Complexo Penitenciário da Papuda. A apuração começou na semana passada, mas acabou arquivada na última quarta pela Sesipe, sem o consentimento da Justiça.

Na decisão, divulgada ontem à tarde em primeira mão pelo site do Correio, o juiz determina a reabertura imediata da investigação. A consequência da medida é a interrupção da análise do pedido de autorização para trabalho externo de Dirceu — que cumpre, desde novembro, pena de 7 anos e 11 meses de prisão em regime semiaberto pelo crime de corrupção ativa — até que a apuração disciplinar seja concluída e o inquérito, encaminhado para a VEP. A Sesipe e o Centro de Internamento e Reeducação (CIR) terão 30 dias para realizar a investigação.

“Considerando a informação sobre o suposto envolvimento do sentenciado em falta disciplinar de natureza grave, e a fim de manter o tratamento isonômico dado por este juízo aos internos do sistema carcerário local, suspendo cautelarmente a análise de eventuais benefícios externos do sentenciado, até a conclusão do apuratório disciplinar”, destaca a decisão.

Caixa é investigada pelo MPF

O Ministério Público Federal no Distrito Federal (MPF/DF) vai investigar se houve irregularidade, por parte da Caixa Econômica Federal, no encerramento de 525 mil contas de poupança e no lançamento do saldo delas — de R$ 719 milhões — como lucro no balanço de 2012 da instituição financeira. A averiguação acontece, paralelamente, nos âmbitos civil e criminal.

O inquérito civil tem prazo de um ano, prorrogável por igual período, para ser concluído. Criminalmente, as apurações ocorrem somente no âmbito do Ministério Público, por 90 dias, mas pode haver prolongamento indefinidamente. A assessoria de imprensa do MPF, no entanto, não descarta a possibilidade de o processo se transformar em inquérito policial.

O objetivo da investigação, segundo nota do ministério, é “esclarecer se a Caixa descumpriu regulamentações legais do Conselho Monetário Nacional (CMN) e do Banco Central (BC) e apurar a veracidade das informações prestadas pelo banco ao consumidor”. O MPF deve ainda avaliar a repercursão do resultado contábil repassado ao Tesouro Nacional e na participação de lucros e resultados dos empregados. Como o governo é o acionista controlador da instituição financeira, o Tesouro Nacional embolsa parte do lucro dela e, portanto, fica com uma parcela do dinheiro confiscado.

Uma reforma à moda popular

Um projeto de lei de iniciativa popular sobre a reforma política, que, entre as principais mudanças, propõe o fim da doação de empresas nas campanhas eleitorais, será encaminhado ao Congresso em agosto. A previsão é do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) — idealizador da Lei da Ficha Limpa — que, em pouco mais de quatro meses desde o lançamento da iniciativa, já recolheu 300 mil assinaturas. O cálculo considera apenas as virtuais, sem levar em conta as firmas recolhidas em papel, ainda não contabilizadas. A meta é conseguir o apoio de 1,5 milhão de eleitores, número necessário para a proposta tramitar no legislativo federal.

Apesar do otimismo, a diretora da Secretaria Executiva do MCCE, Jovita José Rosa, observa que é mais difícil conseguir assinaturas para a reforma política do que foi para a Ficha Limpa. “Não é tão fácil convencer as pessoas da necessidade de financiamento público como a de barrar corruptos na eleição. A gente precisa de um tempo maior para explicar a proposta à população”, ressaltou.

Ao mesmo tempo, a entidade conta com o respaldo popular, uma vez que a reforma política foi uma das reivindicações das ruas nos protestos de junho do ano passado. “As manifestações que o povo brasileiro, em particular a juventude, vem realizando são uma demonstração cabal da aspiração em liquidar com a corrupção e aprofundar o processo democrático no país”, diz o MCCE em manifesto.

Congresso em Foco

Posted: 25 Jan 2014 03:58 AM PST
Al Capone, o gangster norte-americano de origem italiana que reinou como chefe inconteste do "Sindicato do Crime" em Chicago durante todo o período da Lei Seca (1919-1932), teve vida curta, mesmo considerando que a longevidade era menor na época. Corroído por uma sífilis mal tratada e sofrendo de paralisia, morreu aos 48 anos, no dia 25 de janeiro de 1947.

Chama-se Alphonse Gabriel Caponi e começou sua “carreira” no Brooklyn, em Nova York, onde nasceu, antes de se mudar para Chicago e converter-se na figura do crime mais importante da cidade. No final dos anos 1920, já estava na lista dos mais procurados pelo FBI, a polícia federal norte-americana. Sua queda se deu nos anos 1930, quando foi preso por sonegação de impostos.

Wikicommons

Fotografia do Departamento de Justiça dos EUA mostra Al Capone em junho de 1931

A família Caponi emigrou da Itália para Nova York em 1894, fixando residência no sul do Brooklyn. Al Capone abandonou os estudos aos 14 anos, para trabalhar em diferentes lugares e atividades. Nessa época conheceu o gangster Johnny Torrio, que virou seu mentor. Torrio introduziu o jovem Capone na senda do crime, integrando-o em distintos bandos juvenis, o mais famoso deles a Gangue Cinco Pontos (Five Points Gang), a mais perigosa daqueles tempos.

Pouco tempo depois se converteria em guarda-costas do mafioso Frankie Yale, que encomendava a Capone tarefas como extorquir comerciantes em troca de proteção. Certa noite, no clube noturno de seu chefe, o Yale’s, Capone se embebedou e insultou uma das moças que ali trabalhava. O irmão da moça, Frank Gallucio, tomou as dores e em meio à briga sacou uma navalha e rasgou por três vezes a cara de Capone. As cicatrizes lhe renderiam outro apelido, Scarface.

Al Capone ainda trabalhava para Frankie Yale quando, acusado de dois assassinatos, foi enviado a Chicago em 1919, passando a agir sob as ordens de James “Big Jim” Colosimo, rei do tráfico de então. Não tardou muito e Torrio passou a comandar o bando graças à eliminação de “Big Jim”, cujo autor teria sido Capone ou Yale. Torrio entregou a Capone, já nos anos 1920, a chefia do bando dedicado à exploração do lenocínio (cafetinagem), do jogo ilegal e do tráfico de bebidas.

Fortuna

Capone dominou o mundo do crime de Chicago depois de  eliminar todos os seus rivais numa série de violentas disputas, criou o "Sindicato do Crime" e acumulou uma fortuna que no final da década de 1920 chegava a mais de 100 milhões de dólares, que representaria um valor bem maior nos dias de hoje.

Apesar de levar a cabo seus negócios por intermédio de testas-de-ferro e não havendo registros que o relacionassem com os lucros, novas leis promulgadas permitiram que o governo norte-americano o processasse e condenasse por sonegação de impostos. Perseguido por Elliot Ness e seus agentes incorruptíveis, “Os Intocáveis”, e levado às barras do tribunal, Al Capone foi considerado culpado em 5 de 23 acusações e sentenciado a 11 anos de prisão. Levado a um cárcere de Atlanta em 1932, não deixou de controlar seus negócios da prisão. Diante disso, foi removido para a prisão de Alcatraz em 1934, sendo vigiado estritamente e privado de qualquer contato com o mundo exterior.

Mostrando sinais de demência, provavelmente em virtude de uma sífilis mal tratada, passou grande parte de seus últimos dias de reclusão no ambulatório. Foi finalmente libertado em 16 de novembro de 1939 e morreu pouco mais de sete anos depois.


Opera Mundi

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