24/2 - Blog do Itárcio DE 23/2

FONTE:http://blogdoitarcio.blogspot.com

Blog do Itárcio



Posted: 23 Feb 2014 05:30 AM PST
 


Dica do amigo e leitor Chico Pena Branca, via Caruarucity
(Revista do Brasil) - O que é a tortura? Como um ser humano pode conceber usar o corpo de outro ser humano, que possui a mesma pele, a mesma boca, os mesmos dentes, os mesmos ossos, os mesmos cabelos, os mesmos bilhões de neurônios, para puni-lo com dor, desespero e medo?

A convenção das Nações Unidas, de 1984, contra a tortura e outros tratamentos ou penas cruéis, desumanas ou degradantes, define a tortura como “qualquer ato pelo qual dores ou sofrimentos agudos, físicos ou mentais, são infligidos intencionalmente a uma pessoa a fim de obter, dela ou de terceira pessoa, informações ou confissões; de castigá-la por ato que ela ou terceira pessoa tenha cometido, ou seja suspeita de ter cometido; de intimidar ou coagir esta pessoa ou outras pessoas; ou por qualquer motivo baseado em discriminação de qualquer natureza; quando tais dores ou sofrimentos são infligidos por um funcionário público ou outra pessoa no exercício de funções públicas, ou por sua instigação”.

São muitos os que buscam atribuir a tortura à natureza humana, como fazem com a guerra e outros crimes. Mas existe um enorme abismo entre quem luta e o torturador. O guerreiro luta por uma causa. Está sujeito a morrer por uma fonte de água, a carcaça de uma presa recém-abatida, por sua mulher e seus filhos.

O combatente atávico que existe em cada um de nós sabe dos riscos que corre, em defesa de suas circunstâncias, de suas ideias, de sua condição. Pode morrer ou ser ferido em batalha.
O torturador se distingue pela ausência de riscos, de coragem. O torturado sempre está desarmado, ou amarrado e indefeso, frente a ele. O torturador brinca com o medo do outro, porque, dentro de si mesmo, não consegue enfrentar e encarar o próprio medo. Ele é covarde por natureza, é movido pelo mal e o sadismo, e por sua fraca e abjeta personalidade. Ele não precisa de uma ideia, de uma razão.

“A finalidade do terror é o terror. O objetivo da opressão, a opressão.
A finalidade da tortura é a tortura. O objetivo da morte é a morte. A finalidade do poder é o poder. Você está começando a me entender?”

Explica, a um prisioneiro, um personagem de George Orwell, no livro 1984.
Os torturadores são, antes de tudo, psicopatas. Dependendo do momento da história, irão torturar em nome de Deus, de uma bandeira, um uniforme, uma ideologia, uma religião. Use a roupa que usar, ocupe seja que cargo, o torturador não passa de criminoso vulgar.

Uma sociedade que abomina assassinos, ladrões, corruptos, estupradores, não pode aceitar conviver, em seu seio, com torturadores.
Até mesmo porque o torturador quase sempre é, também, assassino, ladrão, corrupto e estuprador.

A diferença entre a tortura e a lei é a mesma que existe entre a barbárie e o progresso. Aceitar a tortura como inerente à condição humana é o mesmo que negar que um povo, um Estado, uma nação, a humanidade possam evoluir.
Dostoiévski dizia que a melhor forma de medir o grau de civilização de um país - era conhecer, por dentro, suas prisões. Nesse aspecto, a situação no Brasil é vergonhosa. Não apenas com relação às condições e superlotação de nossas cadeias, mas pela forma como nossa sociedade convive com a tortura e o torturador.
O brasileiro médio é falso, hipócrita e leniente com relação à tortura. As mesmas pessoas que se revoltam com o vídeo feito por uma vizinha, mostrando uma mulher espancando um cachorrinho na área de serviço, se regozijam quando veem um menino ou menina de 7, 8 anos – morador de rua e muitas vezes, já dominado pelo crack – ser agarrado pela orelha, e tomar uma surra de policiais ou seguranças. Param, a caminho do trabalho, para deleitar-se.

O agente do Estado, no Brasil, formado em uma longa tradição autoritária, que vem desde os capitães do mato, e dos diferentes hiatos ditatoriais de nossa história, acha que tem direito de vida ou morte sobre o suspeito. Isso está fartamente demonstrado não apenas nos milhares de casos de mortes por “auto de resistência”, mas também pelo que ocorre com os presos, muitos sem sequer terem passado por julgamento, no interior de nossas prisões. O mesmo vale para o outro lado da moeda.
Da mesma forma que um policial corrupto espanca, humilha e ameaça matar a mãe ou a filha de um suspeito, para saber – em interesse próprio – onde está escondido o produto de um assalto ou a droga recém-chegada, a violência extrema tem sido praticada, também, pelas novas gerações de marginais, que torturam e matam famílias, crianças e idosos, para tentar saber onde está um punhado de reais. Como controlar essa corrente de estupidez?

Um bom começo, do ponto de vista do Judiciário, seria perder o pudor de usar a lei e condenar alguém pelo crime de tortura. Raramente alguém que comete latrocínio com extrema violência tem a sua pena acrescida por tortura. É como se condenar alguém por esse crime fosse proibido, ou ela não existisse em nosso dicionário.

Nos portais e redes sociais ela nunca é citada por quem a defende. Ninguém, referindo-se a um suspeito, escreve ou afirma “tem de torturar esse cara”. Para que fique tudo mais íntimo e corriqueiro, banalizado, usam-se expressões como “tá precisando é de couro”, “se fosse meu filho, dava uma de criar bicho”, “comida de preso é paulada”, “pendura que ele canta”, “tinha que cortar na borracha” e outras do gênero.

A presidenta Dilma Roussef lançou, no último 12 de dezembro,
o Sistema Nacional de Enfrentamento à Tortura, que prevê a instalação de um mecanismo autônomo que, por meio de peritos, terá autorização prévia para entrar em penitenciárias, instalações militares, delegacias, instituições de longa permanência de idosos, instituições de tratamento de doenças psíquicas ou similares, para constatar a existência de possíveis violações de direitos humanos nesses locais.

Trata-se de importante iniciativa, considerando-se que o Brasil é signatário da Convenção Internacional Contra a Tortura desde 1989,
e que, em 500 anos de história, é a primeira vez que a Nação está encarando, de forma direta, essa abominável questão.

Mas a verdadeira batalha não se dará apenas com a fiscalização do que está ocorrendo nas prisões, que poderia avançar com a instalação de delegacias de direitos humanos em todo o país. Ela será travada nos corações e mentes da população brasileira.
Não podemos nos considerar civilizados enquanto milhares de brasileiros defenderem a execução ilegal e a tortura como método de punição e investigação. Não podemos nos considerar civilizados enquanto juízes estabelecerem jurisprudência atribuindo à vítima de tortura o ônus de provar que foi torturada. Esse paradigma, estabelecido na ideologia escravocrata e repressora de parte considerável de nossa sociedade, só poderá ser alterado a partir do ensino, em todas as escolas, desde o primeiro grau, dos direitos e deveres consubstanciados na Constituição brasileira, atendo-se estritamente ao seu conteúdo, para não dar à direita fascista motivo para combater a iniciativa.

Só quando ensinarmos nossos filhos e netos que o mero ato de um policial espancar um manifestante, em uma situação de protesto – ou manifestantes espancarem um policial desarmado – é ilegal;
que extrair dor de outro homem, mulher, criança, indefeso, humilhando-os, transformando-os, pelo medo, em animais -irracionais, que gritam, sangram e choram, segundo a vontade de seu torturador, é crime abjeto e condenável, poderemos começar a mudar, de fato, a mentalidade a propósito da tortura, sua imagem e paradigmas, em nosso país.
Posted: 23 Feb 2014 05:00 AM PST
 

Recebido por e-mail, do enviado especial Chico Pena Branca, via Caruarucity
Por Newton Lima, via Carta Maior

No dia 03 de fevereiro deste ano, a União Européia divulgou o segundo relatório oficial com informações inéditas sobre a corrupção no bloco. O estudo concluiu que todos os 28 países-membros são afetados pela corrupção e que as economias européias perdem cerca de 120 bilhões de Euros ao ano em contratos governamentais fraudulentos, "caixinhas" para financiamento político, propinas e outras práticas. O valor apurado, segundo Cecilia Malmstrom, coordenadora do estudo, daria para custear o orçamento operacional anual da União Europeia.

Durante o Congresso do Partido Comunista, o presidente da China, Hu Jintao, fez um duro discurso de advertências em relação à corrupção. Disse que a corrupção pode provocar a derrubada do Partido e do Estado. A China se viu envolvida em vários escândalos político-financeiros, incluindo um membro do bureau político, expulso do partido e agora no aguardo de julgamento.

Essas informações mostram que, independente do regime e do tempo histórico de qualquer país, a corrupção persiste como uma anomalia difícil de ser vencida. O que se pode fazer e que está sendo feito é criar mecanismos de controle que inibem os malfeitos, leis que punam os desvios e que possam reduzir a erosão de recursos públicos por gestores inescrupulosos.

O Brasil, no âmbito da União, ampliou e fortaleceu o sistema institucional de defesa do Estado responsáveis pela prevenção e pelo combate à corrupção. Instituiu leis importantes e articulou os órgãos de fiscalização e controle para que pudessem atuar de forma coordenada e autônoma.

As medidas do governo Lula para enfrentar a corrupção tiveram início em 2003, com aprovação da Lei 10.683/2003, que criou a Controladoria Geral da União (CGU) e, em seguida, em 2004, a criação do Portal da Transparência. Em 2005, foi regulamentado o pregão  eletrônico e em 2008 foi criado o Cadastro de Empresas Inidôneas (CEIS). Ao longo dos últimos dez anos muitas outras leis, decretos, portarias, foram instituídas. Em 2012 foi aprovada a Lei de Acesso à Informação.

Todas essas normas jurídicas consolidam a transparência do exercício da função pública e o controle social da gestão dos recursos públicos e dos atos governamentais. A mais recente lei, que entrou em vigor no final ano passado, define a figura do corruptor e responsabiliza pessoas jurídicas por atos contra a administração pública.

Todos os órgãos tiveram o quadro funcional ampliado com a realização de concursos públicos para seleção de funcionários de alto padrão técnico e preparação para o exercício de suas funções. A Controladoria Geral da União (CGU), o Ministério Público Federal, a Polícia Federal, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), são exemplos de órgãos que tiveram seu corpo funcional ampliado e qualificado com a realização de concursos, capacitação, e dotação de recursos tecnológicos modernos para dar suporte às atividades.

Em setembro de 2011, quando a Presidenta Dilma discursou na abertura dos trabalhos da Assembléia-Geral da ONU, logo depois do discurso teve uma reunião de chefes de Estado, coordenada pelo presidente Barack Obama, para discutir Governo Aberto. Ele iniciou a exposição se referindo ao governo brasileiro como modelo, de transparência e disponibilidade de informações públicas, a ser seguido.

A Lei de Acesso à Informação entrou em vigor em maio de 2012. Com base no que determina a Lei, a CGU  capacitou cerca de 700 servidores designados para atuar nos Serviços de Informação ao Cidadão (SIC), localizados em cada órgão. Além disso, deu treinamento à distância para cerca de 6.000 servidores e, ainda, desenvolveu um sistema eletrônico de registros de entradas e saídas de pedidos de acesso à informação.

Até junho de 2013, mais de 600 municípios e quatro governos estaduais (Acre, Sergipe, Tocantins e Rondônia), além do governo do Distrito Federal), já haviam aderido ao programa. As ações do programa Brasil Transparente já alcançaram, até junho de 2013, por meio de capacitações presenciais, mais de 160 municípios e dois mil servidores estaduais e municipais.

A CGU foi estruturada como típica agência de combate à corrupção. É o órgão central do sistema de controle interno que atua em parceria com o Ministério Público Federal (MPF) e Estaduais, a Advocacia-Geral da União (AGU), a Polícia Federal (PF) o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) em investigações e operações conjuntas.

O resultado dessa atuação coordenada é auspicioso. Segundo relatório da CGU, de agosto de 2002 a Agosto de 2013, foram punidos 4.421 agentes públicos (demissão, destituição ou cassação de aposentadorias). Desse total, 3.670 funcionários demitidos, 293 cassados, 367 destituídos e 91 afastados da função pública. Empresas privadas, punidas por desvios, chega a 3.755.

O Programa de Fiscalização por Sorteios Públicos, que envia equipes para visitas in loco atingiu 2.025 municípios. Os relatórios estão disponíveis no site da CGU.

De 2002 a junho de 2013, a CGU analisou 18.667 processos de Tomadas de Contas Especiais. Desses, 14.434 foram encaminhados ao Tribunal de Contas da União para julgamento. O retorno para o Tesouro Nacional é da ordem de R$ 10 bilhões. O trabalho resultou numa economia efetiva de R$ 297 milhões (valores acumulados até dezembro de 2012).

O enfrentamento da corrupção pelos governos Lula e Dilma contabilizaram entre 2003 e 2013, 129 Operações Especiais, realizadas pela CGU em parceria com a Polícia Federal.

Essas operações foram amplamente divulgadas pela imprensa e, por esse motivo, deixou a impressão em alguns que a corrupção cresceu nos governos do PT. Um mal entendido que precisa ser desfeito. Os casos só apareceram porque os órgãos de fiscalização e controle foram estruturados, ampliados, capacitadas pessoas para realização do trabalho e puderam atuar livremente, sem nenhuma interferência tanto do ex-presidente Lula quanto da Presidenta Dilma.

O mesmo não acontecia em governos anteriores. As denúncias eram feitas e as investigações não eram realizadas. O ex-presidente Fernando Henrique, por exemplo, não permitiu investigações do Ministério Público. Nomeou procuradores que engavetavam as denúncias. Não permitiu também instalação de Comissões Parlamentares de Inquérito, no Congresso Nacional, para apuração de nenhuma das denúncias de casos de corrupção em seu governo,
em especial a que disse respeito à eventual compra de votos para instituir o estatuto da reeleição.
Podemos avançar muito no combate à corrupção se todos os entes da Federação se somarem aos esforços do governo federal, adotando medidas semelhantes, não protegendo as velhas práticas, os velhos esquemas.

O Governo de São Paulo, hoje vivendo uma situação crítica, enredado num escândalo de corrupção de grandes proporções, deveria dar uma excelente contribuição determinando à sua bancada de apoio que promova uma rigorosa investigação numa Comissão Parlamentar de Inquérito na Assembléia Legislativa. Mas parece que não vamos ser contemplados com esse nobre gesto do Governador Geraldo Alkmin.

A diferença dos governos do PT é que a corrupção não é varrida para debaixo do tapete. O fato de os governos Lula e Dilma terem criado as condições necessárias para enfrentar a corrupção e terem garantido autonomia aos órgãos de fiscalização e controle para as ações, resultou em aumento vertiginoso de casos investigados.

Por serem amplamente divulgados pela imprensa dá impressão que houve aumento da corrupção, mas, o que ocorreu foi o aumento das investigações.

Quem realmente tem compromisso com o combate à corrupção deveria divulgar a realidade. Não esconder o que é bom debaixo do tapete e espetacularizar, apenas quando convém. Justiça seja feita para todos.


(*) Newton Lima é Deputado Federal, PT/SP, Doutor em engenharia, ex-reitor da Universidade Federal de São Carlos, ex-Prefeito de São Carlos, e atual Presidente da Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul.

Posted: 23 Feb 2014 04:00 AM PST
 
Foto de Marta Vieira Pereira, Flickr.


Via Esquerda.NET
O Financial Times alerta que as consequências da crise na saúde mental da população grega têm sido descuradas, já que outras questões mais urgentes se impõem, como a fome e a pobreza, contudo, sublinha que o aumento dos diagnósticos de depressão e o aumento exponencial dos suicídios espelham bem esta nova realidade.
"Todos os tipos de transtornos psicológicos têm aumentado - ansiedade, depressão, abusos, comportamento anti-social...", adianta Argyro Voulgari, psicólogo clínico no Centro Helénico para a Saúde Mental e Pesquisa. Neste centro, o número de crianças e adolescentes em acompanhamento subiu 51% entre 2006 e 2011.
A permanente incerteza sobre o futuro, o aumento exponencial do desemprego, tornaram-se nos principais geradores do “stress crónico” entre os helénicos.
A manifestação mais preocupante da pressão psicológica a que está submetida a população grega é o aumento da taxa de suicídio. Entre 2009 e 2011 este indicador disparou 37%, segundo adianta o governo grego, no entanto, a realidade poderá ser bastante mais dramática, já que a estigmatização associada ao suicídio leva à ocultação de muitos casos.
Paralelamente ao acréscimo de transtornos psicológicos, a Grécia assiste ao estrangulamento dos seus serviços de saúde, sujeitos aos cortes orçamentais impostos pela troika, o que se traduz na fragilização dos serviços e cuidados que deveriam ser disponibilizados aos cidadãos.
Crise agrava problemática da saúde mental em Portugal
À semelhança do que se passa na Grécia, os peritos portugueses alertam para o agravamento da problemática da saúde mental em Portugal.
Com a crise, “as depressões estão a subir a pique, as perturbações de ansiedade e de humor são cada vez mais", advertia Joaquim Passos, professor da Escola Superior de Saúde do Vale do Ave, em junho.
No Programa Nacional para a Saúde Mental (PNSM), elaborado pela Direção Geral de Saúde, e divulgado em setembro, é também referido que "a crise financeira que vivemos vai ter seguramente impactos muito significativos na saúde mental das populações", sendo "plausível a ocorrência de um aumento da prevalência de algumas doenças mentais, assim como o aumento da taxa de suicídio em alguns setores da população".
A Associação de Apoio aos Doentes Depressivos e Bipolares também alerta que a crise pode estar a contribuir para o aumento de algumas doenças mentais e tentativas de suicídio, na medida em que muitos doentes deixaram de ter dinheiro para os medicamentos, levando ao agravamento dos respetivos quadros clínicos.
Segundo o Instituto de Medicina Legal (IML), em 2011, registaram-se mais 110 suicídios do que em 2010, num total de 1208. Até julho de 2012 foram, por sua vez, confirmados 490 casos de suicídio, estando este número, contudo, longe de representar a real dimensão deste fenómeno.
Ao contrário do que seria desejável, o aumento do número de casos de transtornos psicológicos não se tem traduzido numa maior oferta no que respeita aos cuidados de saúde nesta área. Na realidade, “a crise financeira pode criar o risco de fragilizar os serviços e cuidados que temos obrigação de disponibilizar a estes doentes”, alertou José Miguel Caldas de Almeida, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa.
Posted: 23 Feb 2014 03:00 AM PST
 

Via Esquerda.NET, publicada em 05.04.12, infelizmente atualíssima.
A ação, convocada através das redes sociais, teve como slogan principal “Isto não é um suicídio. Isto é um crime”. Várias pessoas deixaram mensagens na árvore localizada junto ao local onde ocorreu o suicídio. Numa dessas mensagens podia ler-se uma citação de Ésquilo, dramaturgo da Grécia Antiga: “Nós não enterramos os nossos mortos. Nós colocamo-los na linha da frente”.
Segundo relatam testemunhas presentes no local, perto das 20 horas (18 horas em Portugal continental), alguns manifestantes tentaram aproximar-se um pouco mais do parlamento, ao que a polícia terá respondido com agressões e com o lançamento de gás lacrimogêneo. O The Telegraph divulga um vídeo com algumas imagens desses confrontos, que terão durado cerca de duas horas.
Ainda que a polícia tenha generalizado o uso da força para desmobilizar por completo a concentração, os presentes não se demonstravam dispostos a abandonar a praça Syntagma.

Pensionista grego suicida-se para “não deixar dívidas” aos seus filhos
Dimitris Christoulas, um farmacêutico aposentado de 77 anos, suicidou-se, com um tiro na cabeça, esta quarta-feira, antes das nove da manhã, na Praça Syntagma, mesmo junto à entrada do parlamento grego.
Segundo algumas testemunhas, antes de pôr termo à sua vida, este pensionista terá gritado “para que eu não deixe dívidas aos meus filhos”.
Na sua nota de suicídio, transcrita pelo Athens News, Christoulas compara o atual governo grego com a administração grega durante a Segunda Guerra Mundial, liderada pelo oficial do exército Georgios Tsolakoglou que colaborava com os ocupantes nazis:

O governo de Tsolakoglou acabou com a possibilidade de eu poder sobreviver com uma pensão digna, que paguei sozinho durante 35 anos sem nenhuma ajuda do Estado. E, sendo que a minha idade avançada não me permite reagir de forma dinâmica (embora se um colega grego pegasse uma Kalashnikov, eu estaria bem atrás dele), não vejo outra solução senão pôr, de forma digna, fim à minha vida, para que eu não me veja obrigado a revirar o lixo para assegurar o meu sustento. Eu acredito que os jovens sem futuro um dia vão pegar em armas e pendurar os traidores deste país na praça Syntagma, assim como os italianos fizeram com Mussolini em 1945”.

Grécia enfrenta “escalada dramática da taxa de suicídio"
No mesmo dia em que Dimitris Christoulas se suicidou, registou-se igualmente o suicídio de um polícia numa esquadra de Atenas. Na segunda feira, duas pessoas, um imigrante da Albânia e um trabalhador grego, também decidiram pôr termo à sua vida.

Mediante o impacto social da crise económica e das medidas de austeridade impostas pela troika e pelo governo grego, que se traduzem, entre outros, em cortes de 25% em pensões e prestações sociais, redução salarial e aumento de impostos, a taxa de suicídios na Grécia registou um aumento significativo.
Nos primeiros cinco meses de 2011, o número de cidadãos gregos que optaram por pôr termo à sua vida registrou um aumento de cerca de 40%, em comparação com o mesmo período do ano anterior. A Grécia é, atualmente, o país europeu onde a taxa de suicídios registrou o maior aumento nos últimos anos.
"Nós temos assistido durante todo este tempo à escalada dramática da taxa de suicídio no nosso país, em consequência das políticas financeiras vergonhosas promovidas pela Nova Democracia e pelo Pasok", sublinhou esta quarta feira Litsa Amanatidou-Pashalidou, deputada do Syrisa.

Artigo conexo:

Posted: 22 Feb 2014 04:22 PM PST

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O útero artificial existe, investigadores japoneses desenvolveram uma técnica a que chamaram EUFI – Extrauterine Fetal Incubation (incubação fetal extra-uterina). O que será que vai revolucionar esta técnica? A Humanidade? “Um a um os óvulos foram transferidos dos tubos de ensaio para as vasilhas maiores; habilmente a linha peritoneal foi cortada (…) e a garrafa já passou a abertura para a Sala de Predestinação Social.” Aldous Huxley in “Admirável Mundo Novo”.


No departamento de Tóquio, fetos de cabra percorridos por cateteres pelo cordão umbilical fornecendo sangue oxigenado e nutrientes são mergulhados em grandes incubadoras com líquido amniótico artificial aquecido à temperatura corporal de uma falsa mãe.


Yoshinori Kuwabara, diretor do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Universidade Juntendo, em Tóquio, tem trabalhado em placentas artificiais por mais de uma década. O seu interesse cresceu ao lidar com crianças prematuras afirmando: “será sempre melhor que fetos imaturos possam crescer dentro de um ambiente simulado do organismo maternal.”


Kuwabara e os seus associados têm mantido os fetos de cabra nestes ambientes simulados por cerca de 3 semanas, mas os médicos depararam-se com falhas do sistema circulatório provocado por dificuldades técnicas. Pressionado para especular sobre o futuro Kuwabara cautelosamente prevê que “será possível estender o período de tempo” e eventualmente “será aplicado a humanos.”

Contemplar as imagens destes fetos de cabra lembra assustadoramente a Incubadora Central da imaginação de Aldous Huxley. De fato, nas décadas mais recentes, a medicina tem-se centrado grandemente nas fases iniciais e finais da gravidez e o tempo essencial intra-uterino tem reduzido gradualmente.

O futuro do Homem, no que toca à reprodução, passa seguramente pela evolução de várias tecnologias, nomeadamente a nanotecnologia, a genética, a cirurgia fetal e a fertilização in-vitro ou assistida.

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Entre o Útero e o Ar


A neonatologia moderna possui um história muito curta e recente, mas com avanços excepcionais onde assistimos à ressuscitação de prematuros 16 a 17 semanas antes do tempo de gestação terminado. Devido a uma taxa de sobrevivência de apenas 10% os neonatologistas estão hesitantes em puxar a barreira mais além, mas a investigação caminha cada vez mais nessa direção.


“O líquido preserva a estrutura pulmonar e a sua função,” afirma Thomas Shaffer, professor de fisiologia e pediatria na Escola de Medicina da Universidade Temple. Trabalhou durante mais de 30 anos na ventilação de fluídos, estudo que iniciou para auxiliar mergulhadores de grandes profundidades. A sua tecnologia de prevenção de descompressão e ventilação líquida apareceu retratada no filme “O Abismo” e agora começa a ser utilizada na área de controle de prematuros, já que durante a gestação os pulmões estão preenchidos por um líquido ventilado natural. Pensou então que talvez se ventilasse bebés prematuros com líquido que contenha bastante oxigênio conseguisse oferecer um ambiente mais gentil e seguro para os pulmões imaturos até que estivessem prontos a respirar ar. O Barotrauma, o dano pulmonar quando os pulmões são forçados a receber ar por ventilador, seria drasticamente reduzido.

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“O objectivo não é forçar as barreiras de tempo de gestação,” afirma Shaffer. “Quero, isso sim, eliminar o dano [por respiração forçada]. E acredito que em breve esta tecnologia pode ser estandardizada.”

O feto como paciente


A noção de que se pode fazer uma cirurgia num feto teve como pioneiro Michael Harrison da Universidade da Califórnia. Guiado por tecnologias ultra-som avançadas relatou, em 1981, que através de uma intervenção cirúrgica era possível descongestionar o trato urinário de um feto.

“Fiquei frustrado ao tratar bebés prematuros”, afirmou Scott Adzick, cirurgião chefe do Hospital Pediátrico de Filadélfia. “Como em tudo na medicina ficamos com a sensação que se tivéssemos chegado mais cedo teríamos prevenido o dano. Tem toda a lógica tentar tratar algumas malformações fatais antes do nascimento.”

Mas qual é o objectivo?


Há 18 anos, a fertilização in-vitro era notícia de jornais sensacionalistas: bebés proveta! Hoje em dia é uma terapia corriqueira e comum, os jornais ostentam publicidades a doação de óvulos, fertilização in-vitro e injeções intracitoplasmáticas de esperma como alternativas para o consumidor.

A vontade imensa de engravidar e gerar prole conduz muitas mulheres ou casais a requisitar doadores e passarem por uma maternidade biológica sem ligação genética com o feto… Obviamente muitas escolheriam o muito mais cômodo e seguro útero artificial que estamos a desenvolver. Pode-se inclusive atingir o ponto em que por questões de saúde ou higiene esta tecnologia seja escolhida em detrimento da gravidez natural, num progresso sem precedentes.


Mary Mahowald, professora no Centro de Ética Médica MacLean da Universidade de Chicago, fez correr uma sondagem a mulheres em geral sobre se preferiam estar ligadas a uma criança biologicamente ou geneticamente se não pudessem escolher ambas por alguma razão e uma pequena maioria preferiu passar pelo processo de gravidez, gestação e parto do que possuir ligação genética.


“A gravidez é importante para as mulheres,” afirmou. “Algumas podem preferir não passar por isso, mas acho que o interesse nesta tecnologia será muito limitado.”


Por outro lado, Susan Cooper, psicóloga especializada em situações de infertilidade não concorda com Mahowald já que considera que o desejo de gravidez é mais cultural do que biológico.


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