sábado, 11 de março de 2017

11/3 - Altamiro Borges DE 10/3

Altamiro Borges


Posted: 10 Mar 2017 11:26 AM PST
Posted: 10 Mar 2017 08:17 AM PST
Do site Vermelho:

Diante da resistência à Reforma da Previdência, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, decidiu adotar a mesma estratégia levada adiante pelo PMDB: o terrorismo. Nesta quarta-feira (8), em tom de ameaça, ele afirmou que o governo pode promover cortes em programas sociais e em investimentos, se o Congresso não aprovar o projeto com mudanças na Previdência.

"Certamente vai ter que ser cortada muita coisa, programa social, investimento [se a reforma da Previdência não for aprovada]", disse o ministro, em evento em Brasília. Meirelles não descartou também o aumento de impostos.

Meirelles insistiu no discurso falacioso do governo de que há um déficit crescente na Previdência. E disse que, sem a reforma, o governo terá que gastar cada vez mais recursos do orçamento para cobrir o alegado rombo do sistema e, consequentemente, restaria menos dinheiro para outras áreas – especialmente após a provação do teto de gastos.

"Se não faz a reforma da Previdência, o que existe de base para outras despesas começa a ser comprimido de uma maneira forte, retirando margem de alocação de despesas para a sociedade", disse Meirelles.

"Hoje, conseguimos, de fato, um alinhamento de interesses de que a reforma da Previdência precisa ser aprovada. Vamos supor que não seja. É insustentável, na medida em que as demais despesas começam a ser contraídas de uma forma insustentável. Eu pessoalmente acredito que será aprovada sim, então não cabe falar em plano B.", completou, apesar de o próprio relator da reforma, Arthur Maia, já ter declarado que o projeto não vai ser aprovado como está e que alterações terão que ser feitas, entre elas nas regras de transição.

O ministro da Fazenda também ameaçou aumentar impostos. De acordo com ele, sem reformas a carga tributária terá que subir algo como 10%. "A longo prazo, por exemplo, se olharmos algumas décadas à frente, apenas para sustentar o aumento do déficit da Previdência seria necessário aumentar os impostos em 10% do PIB [Produto Interno Bruto], o que é claramente inviável."

O discurso de que há déficit na Previdência é rechaçado por diversos especialistas, que apontam desvio dos recursos da Assistência Social para outras áreas. Eles também indicam que o Estado tem deixado de arcar com sua parte nas despesas da Previdência, que deveriam ser cobertas por contribuição de empregados, empregadores e governo.

O PMDB, partido do presidente Michel Temer, divulgou nas redes sociais recentemente uma campanha em que também adota o terrorismo como instrumento para buscar o apoio à proposta de mudança nas aposentadorias. ''Se a reforma da Previdência não sair: Tchau, Bolsa Família; adeus, FIES; Sem Novas Estradas; Acabam os Programas Sociais'', dizia o material.
Posted: 10 Mar 2017 07:53 AM PST
Por Carina Vitral, no site da Frente Brasil Popular:

Gabriela tem 16 anos. É uma entre tantas estudantes brasileiras, negra, moradora da periferia, aluna do ensino médio em uma escola da rede pública em alguma cidade do país. Com Gabriela, o estado brasileiro já está falhando desde o começo da sua vida. O bairro onde nasceu é afastado sem condições básicas de moradia, infraestrutura, saneamento, iluminação. O posto de saúde que atende à sua comunidade nunca teve médicos nem remédios suficientes. O transporte público até a sua casa é caro e de péssima qualidade. A segurança pública por lá não existe. Policiamento só de vez em quando e, por via de regra, para intimidar causar mais medo que segurança.

Vamos supor que, ao completar 16 anos, Gabriela comece a trabalhar. Talvez ela nem deveria estar ali pois, como a educação básica é uma obrigação constitucional do Brasil com ela, deveriam ser garantidas todas as condições para que se mantivesse apenas nos estudos. Porém, como ela precisa sobreviver, passa a encarar uma jornada exaustiva de quase dez horas de trabalho/dia, além do desafio de tentar conciliar os estudos no período da noite. A única parte boa dessa história seria o fato de que, pelo menos, ao começar a contribuir com o INSS mais cedo, ela também poderia se aposentar integralmente mais cedo.

Entretanto, passa pelo caminho de Gabriela e de toda a juventude brasileira, nesse ano de 2017, a proposta de Reforma da Previdência do governo ilegítimo de Michel Temer. Com as mudanças aventadas, quem começa a trabalhar aos 16 anos de idade precisará de absurdos 49 anos de atividade para conseguir 100% da sua aposentadoria já com 65 anos - a nova idade mínima para deixar de trabalhar, combinada com o novo tempo mínimo de contribuição, previsto para 25 anos. Trata-se de colocar para grande parte dos jovens a possibilidade de, mesmo começando cedo, só se aposentar com mais de 70 ou 75 anos. Na prática, os muitos que lidam com o desemprego ou com alguns anos de trabalho na informalidade não conseguirão ter tempo de vida e saúde suficiente para se aposentar integralmente.

Ao contrário do que indica a Constituição de 1988, que coloca o sistema previdenciário no bojo da Seguridade Social, ao lado da Saúde e da Assistência Social, o governo esconde a realidade e usa o falso argumento de que a previdência é deficitária, como se essa conta fosse feita levando em conta apenas a arrecadação das contribuições das trabalhadoras e trabalhadores. Ora, se a população do Brasil está ficando mais velha – e isso já é esperado há anos não apenas aqui, mas em diversos países – é óbvio que as contribuições previdenciárias diminuem. O déficit entre contribuições e gastos atualmente estaria acima de R$ 100 bilhões por ano.

Porém, considerando que o financiamento da previdência, previsto na Constituição, deve ser realizado somando não apenas o que a classe trabalhadora já paga, mas também a Contribuição Social Sobre Lucro Líquido (CSLL) e a Contribuição sobre o Financiamento da Seguridade Social (CSLL) e do PIS-Pasep, o caixa é, ao contrário, superavitário em algumas dezenas de bilhões. De acordo com a ANFIP (Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal), em 2015, foram quase 24 bilhões de sobra, por exemplo. O objetivo do governo, ao maquiar o discurso sobre o rombo da previdência, é não onerar outros setores ricos e poderosos da sociedade e entregar a conta para a jovem Gabriela e todo o resto do povo trabalhador brasileiro.

Michel Temer agora chantageia a juventude do país com uma campanha midiática sensacionalista, dizendo que a única forma de garantir programas sociais como o FIES e as verbas para a educação é aceitar essa reforma. A cara de pau envolvida nessa conversa não elucida que, na verdade, a maior parte do orçamento público brasileiro, quase 50%, não vai para esse tipo de programa e sim para os exorbitantes juros da dívida pública, que empastelam a barriga generosa dos milionários tubarões do sistema financeiro.

Ainda há uma série de contrariedades no texto que o governo quer aprovar no Congresso. Entre elas estão mudanças no sistema de aposentadoria por invalidez, que dificulta o acesso a esse direito pelas pessoas que enfrentam problemas de saúde, e a desvinculação do salário mínimo do valor das pensões dos aposentados, desvalorizando radicalmente o seu benefício e suas condições de vida. Outra maldade da reforma que combina bem com o estilo desse governo é a equiparação das condições de aposentadoria para homens e mulheres, em descaso completo ao fato de que, em um país machista como o Brasil, as mulheres são quem trabalha fora por dois turnos e ainda muitas vezes enfrentam o trabalho pesado em casa por toda uma vida.

É por tudo isso que chamamos as milhões de Gabrielas, Sílvias, Marianas, Pedros, Marcelos, todas e todos os estudantes do país para as ruas, a fim de barrar mais essa arbitrariedade que vai efetuar mudanças tão graves na vida da população. Além de atacar o nosso presente, esse governo quer sabotar o nosso futuro, apostando no nosso silêncio e na nossa conformidade. Porém, terão de lidar com as nossas mais veementes manifestações, que já começam agora no oito de março, quando as jovens mulheres de todo o Brasil denunciarão em alto e bom som os abusos das reformas de Temer.

* Carina Vitral é presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE).
Posted: 10 Mar 2017 07:28 AM PST
Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

Ricardo Noblat coloca em seu blog uma defesa tardia ante a condenação que sofreu por danos morais a Renan Calheiros.

Reinaldo Azevedo, em sua coluna na Folha, faz a constatação tardia de que os ladrões-delatores, “riem, vestidos de branco, livres, leves e soltos, como numa propaganda de absorvente higiênico” e, enquanto esperam o próximo governo, “saboreiam as batatas que Sérgio Moro lhes garantiu”.

Ainda que discorde da forma que Noblat escolheu para criticar Renan, chamando-o, num só artigo, com truques de estilo, de “mentiroso, patife, corrupto, pervertido, depravado, velhaco, pusilânime, covarde”, como regista a sentença da ministra Nancy Andrighi, do STJ, não posso deixar de registar que pagar R$ 142 mil a Renan Calheiros é pena exagerada, ainda mais que sem o obrigar a retirar do ar, como não o fez, a catarata de insultos.

Também discordo de 99,9% do que diz Reinaldo Azevedo, mas não posso deixar de reconhecer que ele está certo ao dizer que se deu o céu aos delatores e o inferno aos delatados, nas nuvens onde impera o armado arcanjo Sérgio Moro, a personificação punitiva de Deus.

Dito isso, o que merece análise no comportamento de ambos?

Noblat, desde o chamado “mensalão”, prestou-se ao papel de “pena da moralidade”, transformando o seu blog num dos recantos inaugurais do ódio, do xingamento, onde se juntavam as primeiras referências, em nome da honestidade, dos grupos (então protofascistas, agora já sem o “proto”) de direita que viriam a desaguar no bolsonarismo político. Merece o reconhecimento do “mérito”, ao lado de alguns outros, ter transformado a violência verbal na única língua do debate político, como 60 anos antes fizera Carlos Lacerda.

Azevedo, autodefinido como pitbull, de igual forma pode ser apontado como um dos criadores do “anjo vingador” ao qual hoje, condena os arbítrios e autoritarismos que se acercam dos políticos de sua temerária predileção. Quando era contra Lula, Dilma e o PT valia tudo, ou quase tudo, porque a partir de certo momento até ele percebeu que Moro “fazia apostas” ao divulgar áudios captados – uso a palavra dele – de forma irregular e ao dizer que a condução coercitiva de Lula tinha sido uma “trapalhada” que “preferiria que MP e Moro tivesse(m) avançado sobre Lula quando tivesse a pedra para esmagar a cabeça”.

Quando, no futuro, escrever-se a história deste tempo de brutalidade que tomou conta do Brasil, certamente Ricardo Noblat e Reinaldo Azevedo terão lugar nas notas de rodapé como exemplos da fúria palavrosa que marca esta era infeliz.

PS. Veja-se aí porque nós, blogueiros que não frequentamos o Piantella, não recebemos visitas presidenciais e não temos as boas amizades com que ambos posam para fotos e desfilam temos de cuidar das palavras. Só não precisam aqueles que se dedicam a xingar Lula, que não consegue nos tribunais sequer que se reconheça que dois mais dois são quatro. Não haverá, se escorregarmos nas palavras, afirmações do direito de crítica e serão condenações que, com a nossa pobreza atacada de desonesta (mesmo para os que jamais recebemos um tostão em publicidade do governo federal petista), nos serão quase uma sentença de morte.
Posted: 10 Mar 2017 07:18 AM PST
Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania:




Como a mídia não informa corretamente os dados preliminares divulgados pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) da capital paulista, que indicam um aumento de mais de 50% no número de acidentes com vítimas nas marginais Tietê e Pinheiros nos 30 dias após determinação do prefeito João Doria de aumentar o limite de velocidade nas vias, o Blog da Cidadania divulga a informação correta.

A mudança, adotada no dia 25 de janeiro, fixou a velocidade máxima nas pistas expressas em 90 km/h, revertendo a redução para 70 km/h implantada pelo governo anterior.

Segundo o portal G1, foram 102 acidentes desde a mudança até o dia 23 de fevereiro, um aumento de quase 60% na comparação com a média mensal anterior à alteração, de 64 acidentes com vítimas.

O G1 dá asas à enrolação da Prefeitura paulistana dizendo que “os dados não estão consolidados”, etc., etc., mas não há o que consolidar. Subiu drasticamente o número de acidentes.

Agora a aprovação a Doria dispara de vez em São Paulo. Na terra dos “bandeirantes”, se governar direito a aprovação é baixa. Tem que fazer merda pra ser bem aprovado.
Posted: 10 Mar 2017 07:14 AM PST
Por Eduardo Jenisch Barbosa, no blog Socialista Morena:

Conhecido como “o país do samba e futebol”, o Brasil assistiu ambos serem privatizados pela Rede Globo ao longo dos anos. A transmissão do desfile das escolas de samba é exclusivo da TV dos Marinho, que dita todas as normas, desde o horário de início até o tempo de duração do desfile de cada escola. E não é exagero falar que a emissora do Plim-Plim é a dona do futebol brasileiro, mandando mais que a própria Confederação Brasileira de Futebol.

Uma das injustiças impostas pela Globo ao futebol brasileiro é o chamado sistema de cotas pagas aos clubes pelos direitos de transmissão. Esta temporada marca o segundo ano do atual triênio do contrato firmado pelos clubes do Campeonato Brasileiro com a Rede Globo de Televisão. Este vínculo que dura até 2018 causa apreensão nos amantes do futebol. Pelo menos é o caso de quem quer ver o futebol nacional sendo disputado de forma justa e competitiva. E justiça, definitivamente, não está incluída na divisão deste bolo.

Flamengo e Corinthians são os clubes que mais ganharão por ano, R$ 170 milhões, seguidos por São Paulo (R$ 110 milhões), Palmeiras e Vasco (R$ 100 milhões) e Santos (R$ 80 milhões). O grupo, que inclui os mineiros e gaúchos, além de Fluminense e Botafogo, receberá R$ 60 milhões, quantia maior que os integrantes da última faixa, que ficarão com R$ 35 milhões anuais cada.

Pensando na lógica da emissora detentora dos direitos de transmissão, a Globo, em tese, teria que tomar as decisões baseada sempre na valorização de seu produto, como fazem na Premiere League, NFL, NBA, para citar exemplos de esportes diferentes. Nestes casos, os campeonatos são pensados de forma global, focando sempre no fortalecimento dos participantes, que gera a elevação do nível de competitividade de todos, o que reflete no aumento da audiência.

O caminho correto seria pautar a divisão de cotas de maneira justa para que todos os clubes tivessem condições, se não iguais, parecidas, de montar equipes fortes. A política atual de divisão de cotas é um tiro no pé da própria competição. A tendência é que, com a valorização de poucos, o Campeonato Brasileiro vá perdendo a competitividade e veja sua disputa polarizada entre os três, quatro mais privilegiados. A médio e longo prazo, o campeonato vai ficar menos atrativo e a audiência cairá.

Ou seja, da forma que está organizado hoje, o futebol brasileiro segue as regras da nossa sociedade: existem os opressores e os oprimidos. Esta lógica perversa também atinge os Campeonatos Estaduais. Só que este ano, em um ato de muita coragem, Atlético Paranaense e Coritiba podem ter começado uma espécie de revolução contra a ditadura da Globo. Insatisfeitos com a cota oferecida por suas participações no Campeonato Paranaense, ambos decidiram não assinar contrato com a emissora. A oferta foi de apenas R$ 1 milhão para Atlético Paranaense e Coritiba, cada um.

A negociação do contrato ocorreu em janeiro deste ano. A Globo ofereceu um total de R$ 6 milhões pelo Campeonato Paranaense, sendo um terço para os dois grandes clubes. Quando Coritiba e Atlético-PR recusaram, a emissora fechou o restante do Paranaense com os outros dez times por R$ 4 milhões.

”Sei que o Carioca é um campeonato que vale mais do que o Paranaense. Mas, se você for ver, o valor é 1/20 em relação ao valor do Carioca, achamos extremamente injusto”, comentou o presidente do Conselho Deliberativo do Atlético-PR, Mario Celso Petraglia, referindo-se ao valor de R$ 120 milhões pago pela Globo pelo Campeonato Carioca.

Após recusar a mixaria oferecida pela Globo, cujos donos aparecem entre os 10 maiores bilionários do país segundo a revista Forbes, os dois clubes decidiram transmitir o clássico Atletiba através do Youtube e das páginas dos clubes no Facebook. Quem precisa da televisão quando se tem as redes sociais?

Na primeira tentativa, em uma proibição arbitrária da Federação Paranaense de Futebol, amiga da Globo, que neste tipo de caso não suja as mãos e trabalha nos bastidores, o clássico foi impedido de ser transmitido como os clubes queriam. O episódio causou comoção nacional, e, na última quarta-feira, 1 de março, Atlético Paranaense e Coritiba se enfrentaram pelo Campeonato Brasileiro. E, pela primeira vez na história, a partida não passou na todo-poderosa Globo, mas sim no Youtube e nas páginas dos clubes no facebook.

Resultado: a audiência foi espetacular. Se somarmos os canais no Youtube de Atlético e Coritiba, bem como as visualizações em suas respectivas páginas no facebook, o clássico atingiu pelo menos 2,6 milhões de expectadores, uma marca expressiva e que mostra o potencial deste tipo de transmissão. Pode ter sido o começo de uma revolução. Mas para que este tipo de ação surta efeitos contundentes, é preciso haver união entre os clubes brasileiros.

“Essa iniciativa pioneira e ousada vai servir para o resto da vida e dos tempos. Atlético-PR e Coritiba unidos começaram um processo silencioso de dizer não. Temos o direito de dizer não. Fica um alerta para os demais presidentes. Sigam o nosso exemplo. Vamos dizer não. Temos que romper com esses monopólios”, afirmou Luiz Sallim Emed, presidente do Atlético Paranaense.

Os times brasileiros são gigantes e não precisam da CBF, das Federações e nem da Globo para sobreviver. O feito histórico protagonizado pelo Atlético Paranaense e pelo Coritiba mostra um pioneirismo que pode ser utilizado para quebrar o monopólio da Globo, bem como provocar melhorias no futebol brasileiro. Os clubes precisam ter noção do poder que possuem. Se conseguirem se unir, como era no Clube dos 13, aumentarão o poder de negociação diante do sistema cruel e injusto criado pela Globo. Qual o motivo que vocês acham que foi o principal para a Globo ter apoiado o fim do Clube dos 13?

Presidido por Fábio Koff na época, o Clube dos 13 estava inclinado a aceitar a proposta da Record pelos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro, o que representaria uma derrota histórica da Globo. Na época, os clubes negociavam em bloco, o que tornava mais justa a divisão das cotas de televisão e fazia com que a emissora golpista tivesse que abrir cada vez mais o bolso para conseguir as renovações de contrato, porque existia concorrência. Então a emissora começou a negociar individualmente com os clubes, provocando uma rebelião e o fim do Clube dos 13. Nada é por acaso no xadrez praticado pela Globo.

Se não conseguirem se unir, os clubes podem partir simplesmente para a rebeldia como fizeram os clubes do Paraná –o clássico disputado por Atlético Paranaense e Coritiba já provou que o modelo funciona e tem tudo a ver com os tempos que estamos vivendo de abandono da velha mídia, trocada pelas mídias digitais. Pode ser o começo do sonho de uma quebra do monopólio da Globo no que se refere ao futebol brasileiro. Quais serão os próximos clubes a desafiar a emissora dos Marinho?

* Gostou da matéria? Contribua com o autor. Todas as doações para este post irão para o repórter Eduardo Jenisch Barbosa. Se você preferir, pode depositar direto na conta dele: Eduardo Jenisch Barbosa, Banco do Brasil, agência 0367-0, c/c 23564-4, CPF 013036820-28 . Obrigada por colaborar com uma nova forma de fazer jornalismo no Brasil, sustentada pelos leitores.
Posted: 10 Mar 2017 07:06 AM PST
Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:

Para a maioria dos brasileiros, a palavra Alston recorda denúncias de contratos superfaturados e licitações marotas promovidas por governadores do PSDB. Na vida dos franceses, o destino da Alston, uma das antigas glórias do capitalismo de Estado erigido no país no pós-Guerra, é sinônimo de uma investigação do Departamento de Justiça do governo dos Estados Unidos, entre 2012 e 2014, que guarda semelhanças impressionantes com a Petrobras, devassada pela Lava Jato e esquartejada em plena luz do dia pelo governo Temer. Em dezembro de 2014, o setor mais lucrativo da Alston, a área de energia, mudou de mãos. Foi adquirido pela General Eletric, gigante norte-americano que, com a transação, consolidou sua posição hegemônica no mercado mundial.

Em entrevista exclusiva ao 247, no café Berkeley, a poucas quadras do palácio do Eliseu, sede do governo francês, o jornalista e escritor Jean-Michel Quatrepoint, autor de “ Alston – Scandale d’Etat” (“Alston, Escândalo do Estado”), obra de referência sobre o assunto, explica a diferença geopolítica entre as duas situações. “Alguns negócios envolvem aquilo que na indústria se chama de investimentos merdiáticos: rendem relativamente pouco, mas todo mundo é obrigado a fazer e acaba ficando de mãos sujas.”

Com seis livros de jornalismo econômico já publicados, Quatrepoint diz ainda que os investimentos no mercado europeu, onde a Alston construiu uma fatia importante nas tecnologias impopulares, mas indispensáveis a vida cotidiana dos franceses, como a nuclear, e ainda energia eólica, hidráulica e outras versões chamadas limpas, têm consequências profundas sobre o destino da quinta economia do planeta e uma respeitável renda per capta. “A cada dia que passa, o aparato industrial de nosso país se enfraquece”, afirma. “Para cada emprego na Alston, há três gerados pelos fornecedores e subcontratados. Quando ocorrem mudanças no controle do capital e troca dos dirigentes de uma empresa, é todo um ambiente que pouco a pouco sofre as consequências”.

Mesmo se tratando de empresas de caráter diferente – a Alston foi privatizada pelo governo Eduard Balladur durante a coabitação com François Mitterrand – vários capítulos passados entre Paris, Nova York e Washington dão a impressão de antecipar aquilo que se se vê entre Brasília e Rio de Janeiro.

Embora o acordo tenha sido anunciado como um pacto entre iguais, na prática o poder do sócio americano sobre os rumos da companhia é determinante, seja pelo direito exclusivo a fazer nomeações estratégicas, seja pelo controle de 80% a 20% nas mais importantes. Mesmo a tesouraria, domínio obviamente fundamental em toda empresa, foi transformada em reserva da GE. Num total anunciado de 12,3 bilhões de euros, o pagamento final envolveu uma soma um terço inferior. Embora a compra envolvesse aquisição de ativos e herança dos passivos, como é padrão em transações do gênero, os novos acionistas não herdaram a multa de US$ 770 milhões a ser paga em função de uma denúncia de corrupção na Indonésia, base da investigação do DoJ norte-americano. Na verdade, a troca no comando da Alston foi um lance recente de um dominó mais antigo.

Após a guerra de George W Bush contra o Iraque, a Alcatel, pioneira francesa de telecomunicações, com um domínio respeitável das tecnologias da área, caiu em desgraça diplomática por sua associação a Sadham Hussein, parceiro de muitas potencias – inclusive dos EUA, em determinados períodos. Em 2005 teve de encarar uma multa de US$ 137 milhões em dois processos de corrupção em Honduras e Costa Rica. No ano seguinte, acabou aceitando matrimonio com a norte-americana Lucent. No mesmo período que investigava a Alston o DoJ aplicou uma multa de US$ de 8,9 bilhões contra o BNP Paribas.

Numa ironia da história, a tragédia que derrubou a Alston teve início como um típico caso “merdiático”, cuja importância os executivos de Paris levaram tempo demais para reconhecer: um contrato suspeito na Indonésia. Olhando de cima para aquelas sociedades julgadas em termos depreciativos, não puderam perceber o risco que representava. O valor da multa imposta pelo DoJ, impressiona por várias razões. Envolvia um investimento muito inferior a aquilo que foi cobrado por práticas ilegais. Tudo se torna ainda mais curioso quando se recorda que sócios japoneses do mesmo empreendimento, de um grupo chamado Marubeni, envolvidos nas mesmas acusações, foram convocados a pagar pouco mais do que um décimo da mesma quantia.

Convencido de que existe uma conexão direta entre as ações do Departamento de Justiça e os interesses das grandes empresas norte-americanas, em artigo publicado na edição de fevereiro do Le Monde Diplomatique (“Em nome da lei americana”), Quatrepoint aponta uma razão para o duplo tratamento: “O Marubeni não preocupava os pesos pesados norte-americanos do setor, enquanto a Alston já era um alvo para a General Eletric”.

Em seu livro, Quatrepoint é capaz de sustentar, com boa argumentação, a visão de que a Alston fez um negócio que não tinha o menor interesse, do ponto de vista econômico. Em nossa entrevista, perguntei:

- Se o acordo era tão ruim, por que ele foi aceito pela Alston?

- Porque o DoJ tinha um dossiê que poderia matar a empresa. Havia diretores presos e, embora nem todos estivessem falando, havia delações. A direção da Alston demorou para enxergar a força que iria enfrentar. Não deu importância ao que estava acontecendo na Indonésia. Quando percebeu, era tarde. Acabou tendo de aceitar tudo para sobreviver.

Em sua visão, que faz muito sentido, ocorreu o seguinte. Com quatro executivos encarcerados no momento em que o negócio foi anunciado, a direção da Alston concordou com o acerto oferecido pela GE, sem fazer nenhuma oposição significativa, movida pelo interesse de salvar o próprio pescoço. De quebra, o alto comando ainda garantiu uma boa recompensada. Depois que o negócio foi fechado, os puderam repartir um bônus no valor de U$S 30 milhões. Só o presidente Patrick Kron recebeu uma fatia de US$ 4 milhões.

Por razões compreensíveis a venda da Alston representou um golpe de misericórdia no governo François Hollande, que deixa o Eliseu como um dos piores da história francesa. Autoridades que tinham o direito de intervir na negociação acabaram sendo informadas do que se passava por um furo espetacular da agência Bloomberg, num vazamento que produziu grandes trapalhadas sem maiores efeitos práticos, pois já era tarde demais. Pelo volume de recursos envolvidos, pelo seu alcance num mercado que é alvo de disputa permanente entre as economias mais ricas do planeta, o negócio teve e terá imensas consequências econômicas, mas também produziu efeitos políticos notáveis, que chegam à campanha presidencial cujo primeiro turno será disputado dentro de 45 dias.

Adversário barulhento da transação, o deputado Arnaud Montebourg, que era Ministro da Economia e do Desenvolvimento Industrial, com uma carreira ligada a setores a esquerda do PS, deixou o governo após brigas múltiplas e pouco eficazes, baseadas no preceito legal de que o Estado francês tinha o direito de impedir um negócio que fosse considerado prejudicial aos interesses do país. Sob sua inspiração, a Alston solicitou a Siemens que fizesse uma contraoferta, o que acabou acontecendo, num ritual que mais serviu para preservar aparências do que para demonstrar que havia uma disputa real.

Montebourg já estava fora do governo quando o acordo final foi assinado. Seu lugar foi assumido por Emmanuel Macron, hoje candidato que, entre vários, disputará a chance de enfrentar Mariane Le Pen num provável segundo turno. Sem raízes populares, com um perfil de tecnocrata abençoado por uma parcela da elite que apoia um projeto de estado mínimo apenas amenizado por programas compensatórios dirigidos aos casos mais graves de exclusão, Macron entrou no debate sobre a Alston sem fazer eufemismos. Chamou a proposta de acordo alternativo com a Siemens de “casamento forçado”. Também pediu ajuda a um velho fantasma político sul-americano - o bolivarianismo - para defender o acordo com os norte-americanos em nome do respeito à propriedade privada. “Só na Venezuela existem empresas privadas às quais se pode impor um acordo.”
Posted: 10 Mar 2017 06:58 AM PST
Por Leonardo Sakamoto, em seu blog:

Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara dos Deputados e codinome ''Botafogo'' na lista de pagamentos da Odebrecht, retirou o resto do tapa-sexo que mantinha uma certa aura de pudor hipócrita no Congresso Nacional e deixou claro que, se depender dele, direitos trabalhistas e o bom funcionamento do mercado de trabalho serão peça de museu.

Quando um político – que, na ausência de Michel Temer, assume a Presidência da República – afirma que ''o excesso de regras no mercado de trabalho gerou 14 milhões de desempregados'' e, pior, que a ''Justiça do Trabalho não deveria nem existir'', pode ter certeza que o apocalipse está próximo.

O sistema judicial trabalhista, mesmo com suas imperfeições, tem sido o responsável por garantir o mínimo de dignidade a milhões de brasileiros e a evitar que o mercado de trabalho funcione (apenas) com base na lei da selva, ou seja, na sobrevivência do mais forte.

Como não pode acabar com a Justiça do Trabalho, Rodrigo Maia, que está à frente de uma das piores legislaturas da Câmara dos Deputados da história, pretende reduzir o número de trabalhadores que podem ter acesso a ela.

Para tanto, vai colocar em votação o projeto de lei 4302/1998, já aprovado pelo Senado Federal, que levará empregados a trocarem os direitos garantidos por sua carteira assinada pela obrigação de abrir uma empresa individual e, mediante a emissão de nota fiscal e sem os mesmos direitos, receber o salário.

O projeto autoriza a terceirização da atividade principal para a qual a empresa foi constituída, dificulta que a companhia tomadora do serviço seja responsabilizada em caso de não pagamento, fraude ou escravidão e anistia os que já foram punidos por conta disso.

É paradigmático que, em meio a uma grave crise econômica, a Justiça do Trabalho esteja sendo alvo de críticas disparadas a partir de lideranças do Congresso Nacional, de membro do Supremo Tribunal Federal e de diferentes níveis do Poder Executivo, fazendo coro a diferentes associações empresariais.

De todas as novas ações judiciais movidas no país, a mais frequente são reclamações por ''rescisão do contrato de trabalho e verbas rescisórias''. Esse item representou 11,75% do total ou 4.980.359 novas ações, sendo o assunto mais recorrente de todo o Poder Judiciário brasileiro.

Dentro apenas da Justiça do Trabalho, o tema corresponde à quase metade (49,47%) dos novos casos. Os dados fazem parte do Relatório Justiça em Números 2016 (ano-base 2015), produzido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Esses dados reafirmam a importância da mediação do Estado brasileiro na relação capital e trabalho, principalmente para proteger a parte mais fragilizada neste momento de crise – ou seja, os trabalhadores. Afinal, quando discute-se verbas rescisórias não pagas ou pagas em valor menor do que o estipulado legalmente após uma demissão, trata-se de recursos necessários para a sobrevivência do recém-desempregado e sua família e do pagamento de contas no final do mês.

Com o aprofundamento da crise, os trabalhadores são os primeiros a sofrerem perdas substanciais, com a negação de respeito aos direitos mais básicos. E sem esses direitos, o trabalhador não come, não paga aluguel, não quita a dívida da conta de luz e de água. Direitos não são a causa da crise, são a bóia de salvação em que os mais pobres se agarram para passar a tempestade.

O que não deveria existir é um sistema que permite que a corrupção seja estrutural no país. Mas a última coisa que muito político aceitaria fazer é dar tiro no próprio pé.
Posted: 10 Mar 2017 06:53 AM PST
Por Mauro Donato, no blog Diário do Centro do Mundo:

Em 2014 e 2015 era tudo uma coisa só. Bolsonaro pai subia para discursar em caminhões do MBL (Movimento Brasil Livre) e fazia selfies com adoradores do Revoltados OnLine que por sua vez abraçavam amigos do Vem Pra Rua e eram todos seguidores de Reinaldo Azevedo.

Tudo por um impeachment. O tempo passou, o impeachment também e o caldo entornou para os ‘movimentos’ que iam até Brasília bajular Eduardo Cunha.

Já no primeiro mês de 2016, Kim Kataguiri, power ranger do MBL, passou a criticar Jair Bolsonaro. Levou o troco. Reinaldo Azevedo saiu em defesa do franzino líder e colega de jornal.

“Quem se atém apenas à retórica e ao desempenho circenses do deputado Bolsonaro fica com a falsa impressão de que ele participou de alguma guerra — ou mesmo que combateu o terrorismo de esquerda. Não! Ele nunca deve ter matado uma galinha. Ou venceu, no máximo, uma galinha”, escreveu Azevedo, o que culminou em bate-boca com o ultra-direitista Olavo de Carvalho.

Tudo meio de mentirinha, como luta de telecatch. Com 2018 se aproximando, agora a família Bolsonaro vem a público informar que desconfia que o PSDB esteja por trás dos ataques que o MBL vêm fazendo a Jair Bolsonaro.

No Twitter, o filho de Jair, Flávio Bolsonaro, escreveu: “O MBL está dando chilique. Achava que, com a ruína do PT, o PSDB ocuparia o espaço que ficou aberto. Não contava que a direita ia surgir com um nome de tanto peso como o do Jair Bolsonaro.”

Segundo pesquisas, Jair Bolsonaro tem algo entre 11% (Ibope) e 9%, (Datafolha) nas intenções de voto para presidente da República.

Bom, vamos por partes. Desconfia? Basta uma excursão pela página do MBL no Facebook para constatar que João Doria é o candidato preferido pelo movimento. De dez postagens, oito são elogiosas à gestão Doria em São Paulo.

“Doria cumpre promessa e remove acampamento do MTST na avenida Paulista”; “Doria apresenta programa Doutor Saúde na zona leste de São Paulo”; “População terá banheiros públicos graças a parceria com iniciatica privada”.

É campanha explícita (alô TSE, fique de olho). Qualquer observador mais atento já percebeu. “Bateu o desespero, a quadrilha vai fazer de tudo para tirar seu pai do páreo e abrir caminho para o Doria”, postou um seguidor do filho de Bolsonaro após o tuíte do deputado. Se até um seguidor de Bolsonaro já notou, está fácil.

Já é de conhecimento mundial que os movimentos que protagonizaram as manifestações ‘espontâneas’ eram financiados por Aécio Neves e Ronaldo Caiado, entre outros, como disse em entrevista ao DCM Daniela Schwery, ex-militante tucana. “Essa turma é PSDB”, disse ela em relação aos movimentos que apoiaram o impeachment de Dilma Rousseff.

A endossar Schwery estão os áudios vazados do líder do MBL Renan Santos, admitindo que partidos financiaram o movimento (que se dizia apartidário e coletava dinheiro de cidadão pios.

Tudo isso foi revelado no ano passado e Bolsonaro, claro, soube. Apontar o dedo para os tucanos e o MBL agora é mera estratégia de guerra visando 2018.
Posted: 10 Mar 2017 06:41 AM PST
Por Renato Rovai, em seu blog:

Depois que as investigações da Polícia Federal revelaram que empresas da família de José Yunes repassaram mais de R$ 1 milhão a companhias de fachada do doleiro Adir Assad, o melhor amigo de Michel Temer se apressou em afirmar que não tinha qualquer relação com Assad ou as empresas dele.

Uma reação bem diferente da que vem tendo em relação às notas relativas ao Tabapuã Pappers, que já ensejaram várias matérias neste blogue.

No entanto, os negócios pouco republicanos de Assad parecem estar bem mais próximos de Yunes do que ele admite.

A empresa Pataccas Participações e Consultoria, por exemplo, é um ponta a ser investigada dessa história. Um relatório da Receita Federal revelou que a Pataccas recebeu R$ 56 milhões de companhias ligadas ao grupo Toyo Setal, suspeito de lavagem de dinheiro de propina em contratos com Petrobrás.

A Pataccas é da família de Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, executivo da Toyo Setal que fez negócios com Assad.

O curioso, porém, é que apenas um lance de escadas de um prédio comercial em Santana de Parnaíba, já citado em algumas matérias deste blogue, separa a Pataccas da Stargate, firma que tem entre os sócios uma offshore controlada por José Yunes.

Enquanto a Pattacas está na sala 710, a Stargate está na sala 605. Bem, ao menos no papel.

Na semana passada, o repórter Ivan Longo foi ao endereço dessas empresas e descobriu que onde deveria funcionar a Stargate só existe uma sala de reuniões.

Na sala 701, no mesmo andar da Pattacas, onde deveria estar a Oxitec, de Sandro Mabel, ex-deputado goiano e assessor especial de Temer, também só há uma sala de reuniões.

Ou seja, nos endereços oficiais de empresas controladas por Yunes e Mabel não existe uma secretaria sequer.

Sobre o prédio em Santana do Parnaíba

Pela internet e pelos registros documentais, a Stargate Brasil Estética Produtos e Serviços, empresa que José Yunes, sócio e amigo de Temer, controla como procurador, fica na Avenida Yojiro Takaoka, 3484, sala 605, no Centro de Apoio I em Alphaville, Santana de Parnaíba, São Paulo. É o mesmo local em que, pelos documentos, fica a Oxitec, empresa de Sandro Mabel, outro sócio de Temer. Esta, no entanto, ficaria na sala ou conjunto 701. A região é conhecida por ser onde ficam concentradas sedes de grandes empresas e pelos seus luxuosos condomínios residenciais. Só na avenida de onde seria a Stargate existem uns cinco desses.

O endereço leva a um grande prédio comercial. Na parte térrea há dois cafés, um restaurante, algumas outras lojas e um pequeno espaço com o logo da Fedex.

Ao chegar no local, o repórter Ivan Longo constatou que para ir a qualquer sala ou andar era preciso se identificar na portaria para que o responsável pudesse autorizar a subida do visitante. Na recepção ninguém sabia informar nada sobre a Stargate e a Oxitec. Segundo a funcionária, “talvez essas companhias pudessem ser encontradas na loja do térreo”. A que tinha o logo da Fedex (foto).

A recepcionista da Fedex procurou o nome das empresas de Yunes e Mabel no cadastro e não encontrou qualquer informação sobre elas.

Neste momento, a funcionária informou que e a loja com logo da Fedex é, na verdade, a Virtual Office, companhia que funciona como “hotel” de empresas. Isto é, que aloja as empresas de maneira virtual e oferece infraestrutura para conferências oline, reuniões, etc.

Por que Yunes e Mabel, que tem grandes empresas e muitas salas comercias, hospedam a Stargate e a Oxitex em um prédio onde elas não funcionam efetivamente? Essa pergunta deveria fazer parte de um questionamento por algum parlamentar ao Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, afinal, eles são dois dos homens mais próximos do atual presidente da República, Michel Temer. Um deles, inclusive, foi seu sócio.

* Colaboraram: João Noé e Ivan Longo.
Posted: 10 Mar 2017 06:31 AM PST
Por Luis Nassif, no Jornal GGN:

3,6% de queda do PIB em 2016 não é culpa de Dilma Rousseff. Arriscaria a dizer que nem é culpa de Michel Temer. Quem levou o país à maior recessão desde 1930 é uma subciência econômica, uma submissão atrasada a um pensamento econômico equivocado, raso, que transformou o conhecimento científico em matéria de fé, abolindo princípios básicos de uma economia de mercado.

A culpa de Dilma e Temer foi a da semi-ignorância de uma, da ignorância ampla de outro, deixando a condução do país nas mãos de técnicos e Ministros de pequena estatura, escasso conhecimento geral.

A tragédia brasileira pós-redemocratização é fruto direto da ação deletéria dos economistas brasileiros, alguns com interesses financeiros explícitos – como a geração do Plano Real -, outros com a ignorância fatal dos falsos especialistas, os que confiam cegamente em respostas de manuais, com total incapacidade de enxergar o todo.

A economia sempre foi uma ciência auxiliar das políticas públicas, assim como o financeiro é auxiliar dos projetos de uma empresa. Cabe ao financeiro avaliar os custos, as formas de financiamento, apontar os limites, mas sempre se subordinando à estratégia definida pelo Board da companhia.

Os erros de Dilma em 2014 foram fruto da sua cabeça. Os desastres de 2015 se deveram à pressão suicida do mercado/mídia e a erros trágicos de diagnóstico de Joaquim Levy, que persistiram na gestão Henrique Meirelles.

1o Passo – a crise fiscal

A crise fiscal do governo Dilma Rousseff foi fruto direto de um erro de diagnóstico dos economistas.

Basearam-se em estudos dos anos 90 – que haviam sido revisados pelo FMI em 2012 – segundo os quais subsídios fiscais tinham impacto positivo no PIB. A enxurrada de subsídios se somou à compressão das tarifas de energia, visando conter a inflação. Havia um quadro externo de queda nos preços internacionais de commodities, prenunciando reflexos negativos sobre o país. E a Lava Jato cumprindo sua missão de destruir a economia brasileira.

A pobreza institucional e política do país permitiu que toda a estratégia fosse comandada de forma autocrática por Dilma e Guido Mantega, abrindo mão de qualquer consulta a outras cabeças.

2o Passo – o ajuste fiscal radical

Joaquim Levy encontrou pela frente o seguinte quadro:

1. Crise fiscal, decorrente da queda da atividade econômica e do exagero dos subsídios concedidos na gestão Mantega.

2. Problemas no front externo com a compressão do câmbio.

3. Aceleração da Selic impactando profundamente a dívida pública.

4. Desmonte da cadeia do petróleo e gás pela compressão das tarifas e pelo missão internacional da Lava Jato.

A estratégia desenhada por Levy/mercado consistia em um choque tarifário gigantesco, um profundo arrocho fiscal e uma desvalorização cambial.

A tática consistia em equilibrar rapidamente as contas públicas, através dessa dupla investida, equilibrar a relação dívida/PIB (principal indicador de solidez fiscal). E, com isso, despertar a fé dos empresários na solidez fiscal. Bastaria para trazer de volta os investimentos em um prazo exíguo. Com os investimentos de volta, haveria a volta do crescimento e, consequentemente, da arrecadação fiscal.


3o Passo - A volta da inflação

Não há economia que resista a um choque simultâneo de tarifas e de câmbio. A consequência lógica foi uma explosão da inflação. O desafio do governo consistiria em impedir os efeitos secundários do duplo choque de preços por alguns meses. Depois, em curto prazo, os investidores voltariam a acreditar no país, retomando os investimentos e trazendo de volta o crescimento.

Na prática, o que ocorreu:




1. Mega-reajustes de tarifas e desvalorização cambial produziram uma aceleração da inflação.

2. Para conter a inflação, o governo aumentou o aperto fiscal.

3. Simultaneamente, subiu a Selic e promover uma política de crédito extremamente restritiva, promovendo o chamado efeito-engavetamento: empresas que tinham crescido mais no período de bonança não tiveram tempo de voltar ao patamar anterior, espremida pelas restrições de crédito e juros altos.
4o Passo – o efeito engavetamento

As empresas que mais cresceram no período anterior foram as primeiras a bater no muro da inadimplência: atrás delas, vieram as empresas da cadeia produtiva promovendo um amplo engavetamento, que resultou no aprofundamento inédito da recessão.





O resultado foi trágico. Ajuste fiscal, mais elevação dos juros, mais restrição do crédito resultaram um corte radical na economia. A crise das empresas aumentou o desemprego e afetou a parte fiscal de duas maneiras: na ponta da receita, derrubando a arrecadação devido à crise; na ponta da dívida pública, crescimento devido ao aumento da Selic. Queda do numerador (receita), aumento no denominado (dívida), promoveu um aumento maior da relação dívida/PIB.

No final de 2015, Levy saiu e o novo Ministro da Fazenda Nelson Barbosa ensaiou uma mudança de estratégia: acenaria com o ajuste fiscal no longo prazo em troca de mais fôlego para aumentar os gastos públicos no curto prazo.

O boicote de Eduardo Cunha, mais a ação política combinada com a Lava Jato, impediram qualquer mudança. E a única saída fiscal – a volta da CPMF – foi soterrada pela campanha feita pelo golpe.

Michel Temer assumiu dobrando a aposta no pacote desastroso de Joaquim Levy. O resultado foi o esperado: 3,6% de queda do PIB em cima de uma queda de 4% em 2015. E nenhuma perspectiva de recuperação vigorosa da economia este ano.

5o Passo – o mantra das expectativas

O jogo, de agora em diante, é tão óbvio que chega a ser cansativo. Nas próximas semanas, economistas de mercado e editorias de economia sairão buzinando que os 3,6% foram um sacrifício necessário. Se afrouxar agora, jogará todo o sacrifício no lixo.

Em 1994 escrevi que a maior praga brasileira foi a mística dos pacotes econômicos. Ali, morria a geração dos economistas que sabia pensar o país de forma sistêmica.
Posted: 10 Mar 2017 06:22 AM PST
Por Mário Augusto Jakobskind, no jornal Brasil de Fato:

A reforma da Previdência que está sendo proposta pelos usurpadores sob o comando de Michel Temer se for mesmo aprovada será uma tragédia para o povo brasileiro. Temer chega ao ponto de afirmar que a críticas ao seu trágico projeto são feitas por aqueles que ganham mais do que o salário mínimo. Temer concretamente agride quem comprova que o governo faz o jogo escancarado da previdência privada.

É lamentável que esse golpista usurpador, bem como aposentado com a idade abaixo de 55 anos e recebendo uma alta quantia, ocupando o cargo que jamais ocuparia se fosse submetido ao voto, defenda uma proposta indecorosa como essa. É também lamentável que seus áulicos no Congresso se comportem como estão se comportando, possivelmente atrás de recompensas, as tais boquinhas, levantem a voz para esbravejar que a idade mínima para a aposentadoria, 65 anos, não será alterada. Ou que para receber a aposentadoria integral só depois de 49 anos de trabalho.

Sendo assim, uma brasileira ou um brasileiro que comece a trabalhar, digamos com 22 ou 23 anos, só poderá receber a aposentadoria com 71 ou 72 anos de idade. É isso que os áulicos da boquinha estão a propor de forma indecorosa. E ainda por cima se não sofrer solução de continuidade no trabalho, ou seja, não ficar desempregado nos quase 50 anos.

Os sabujos governamentais ainda ameaçam com chantagens do tipo que se a reforma proposta não for aprovada programas sociais como a Bolsa Família e outros serão detonados. Só mesmo um partido como o PMDB de Temer aceita defender essa tese. E não podem nem ouvir falar da possibilidade da aprovação no Senado, por proposta de Paulo Paim, da abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para confirmar ou não se a Previdência é deficitária.

Temer deveria ser varrido do mapa político, da mesma forma que seus seguidores que estão na prática acabando com o Brasil enquanto nação soberana e com alguma defesa dos trabalhadores.

Como se não bastasse o que foi mencionado, como mais uma prova a que veio este governo ilegítimo é um fato ocorrido nesta semana. A Advocacia Geral da União, atendendo um apelo do usurpador Ronaldo Nogueira, que ocupa o Ministério do Trabalho, conseguiu derrubar a divulgação da chamada “lista suja” com os nomes dos empregadores que praticam o uso de mão de obra análoga à escrava. Ou seja, o governo ilegítimo e golpista de Temer simplesmente fez o possível e o impossível para que a opinião pública não fosse informada sobre empresários que se valem dessa forma de ação. É uma demonstração concreta que a patota de Temer protege quem adota esse tipo de procedimento.

Pode-se concluir que Temer e seu Ministro do Trabalho Ronaldo Nogueira protegem seus apoiadores, empresários que se valem do trabalho escravo. Foi uma batalha judicial, só concluída a favor do governo depois de três sentenças judiciais que determinavam o fim do sigilo. Aí o ministro Ives Gandra Martins Filho, do Tribunal Superior do Trabalho (TST), aceitou o pedido de suspensão apresentado pela Advocacia-Geral. da União (AGU). Ives Gandra, segundo a imprensa, é militante da extremista TFP(Tradição, Família e Propriedade).

Vale assinalar que a divulgação tal "lista suja" é considerada pelas Nações Unidas como uma medida fundamental na repressão a práticas de violação de direitos humanos no setor do emprego. E sem o mínimo pudor, Gandra justificou sua decisão afirmando que não cabe ao Judiciário exercer ingerência sobre a atuação do Ministério do Trabalho.
Posted: 10 Mar 2017 06:17 AM PST
Da revista CartaCapital:

De dentro de sua cela no Complexo Médico-Penal de Pinhais (PR), onde cumpre prisão provisória, o deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-PR) chantageia o governo Michel Temer e consegue emplacar aliados em posições estratégicas. O diagnóstico é de Renan Calheiros (PMDB-AL), líder do governo no Senado e desafeto de Cunha.

“Os últimos sinais emitidos pelo governo com as nomeações mostram que há uma disputa entre o PSDB e o núcleo da Câmara ligado a Eduardo Cunha pelo comando do governo", afirmou Renan na quarta-feira 8, após encontrar Moreira Franco, ministro da Secretaria-Geral do governo.

"Os sinais são, de um lado, o fortalecimento do PSDB, que é legítimo porque faz uma sustentação importante no governo, e o fortalecimento do grupo originário da Câmara ligado a Cunha”, afirmou Renan.

Entre as nomeações obtidas por Cunha estariam a do deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) como novo ministro da Justiça, de André Moura (PSC-SE) como líder do governo no Congresso, e de Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) como líder do governo na Câmara.

Todos são ligados a Cunha, assim como o subchefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, Gustavo Rocha, cotado para assumir a pasta em substituição a Eliseu Padilha, que está em licença-médica e afundado em denúncias de corrupção. "Eu disse ao Moreira: fala com o Padilha para voltar imediatamente porque senão o Eduardo Cunha senta lá na cadeira dele o Gustavo Rocha", afirmou Renan.

Mas como Cunha tem conseguido a proeza de manobrar o governo de dentro da cadeia? Ao que parece, por meio de chantagens. "Há 20 dias, o juiz Sérgio Moro foi solidário com Temer, dizendo que ele estava sendo chantageado e vetando as perguntas de Cunha ao presidente”, lembrou Renan.

A frase era uma referência às 41 perguntas formuladas pela defesa de Cunha a Temer, em um dos processos da Lava Jato que o deputado cassado responde. Moro barrou 21 dos questionamentos, entre eles os que tratavam de José Yunes, ex-assessor de Temer posteriormente apontado como intermediário de propina que teria sido solicitada por ele à Odebrecht.

No início de fevereiro, ao negar um pedido de liberdade de Cunha, Moro trouxe o episódio à tona e disse que Cunha não abandonou o “modus operandi de extorsão, ameaça e chantagem". “Não se pode permitir que o processo judicial seja utilizado para essa finalidade, para que parte transmita ameaças, recados ou chantagens a autoridades”, escreveu o juiz em seu despacho.

De fato, Cunha não abandonou essa prática. Em um outro processo derivado da Lava Jato, que corre na 10ª Vara Federal de Brasília, o deputado cassado apresentou uma nova leva de 19 perguntas a Temer, novamente arrolado como testemunha. Desta vez, Cunha fez questionamentos citando Moreira Franco, a atuação deste na Caixa Econômica Federal, e as relações de Temer com delatores da Lava Jato, como Benedito Júnior (Odebrecht), Léo Pinheiro (OAS) e Fábio Cleto (Caixa), entre outros.

Na semana passada, o juiz Vallisney de Souza Oliveira, responsável pelo caso, determinou o envio das perguntas a Temer, salientando que o peemedebista poderia não responder a perguntas “impertinentes e autoincriminatórias”.

Na quarta-feira 8, entretanto, Temer recebeu um alívio. A Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) cancelou o envio das perguntas. Foi uma consequência de um pedido feito pelo próprio Cunha, para que o Ministério Público Federal junte aos autos da ação as provas que ainda não tenham sido apresentadas. Com isso, Cunha terá mais tempo para apresentar sua defesa prévia. Nesta ocasião, o deputado cassado poderá reapresentar as perguntas a Temer.
Posted: 10 Mar 2017 06:11 AM PST
Por Deirdre Fulton, no site Carta Maior:

O plano Republicano para revogar e substituir o Ato de Assistência Acessível (ACA) “prejudicará milhões de pessoas, particularmente as pessoas de baixa renda e os idosos”; inclui isenções fiscais para CEOs ricos; e é em geral “uma proposta mais desagradável e contra os consumidores do que até seus seguidores mais próximos poderiam esperar”.

O Ato de Assistência Médica Americano (AHCA), divulgado pelos Republicanos na segunda a noite, desmantela grandes provisões do ACA, ou Obamacare, e põe em prática um sistema de créditos fiscais por idade para os indivíduos comprarem seguros.

Acabaria com “o Medicaid como o conhecemos”, segundo o senador Ron Wyden (Democratas-Oregon), convertendo o programa, em 2020, de um financiamento ilimitado para um sistema per capita cap, no qual os estados receberiam uma quantia do governo federal para cada pessoa elegível para o programa. “No passado, analistas projetavam que os limites impostos como no plano Republicano levariam à uma menor cobertura das pessoas e menos benefícios generosos”, escreveu Dylan Scott no STAT.

A proposta tiraria os fundos do Planejamento Familiar e outros fornecedores da assistência médica às mulheres, como já relatou o Common Dreams, e reverteria a exigência da ACA de que os planos de seguro saúde cubram benefícios “essenciais” como assistência maternidade e serviços de saúde mental.

Além disso, o colunista Michael Hiltzik escreveu no LA Times, “tudo desde a tributação em salões de bronzeamento e aparelhos médicos à sobretaxa de contribuintes de alta renda sumirão. Como já explicamos antes, isso equivale a um grande corte de impostos para os ricos – ao menos $364 bilhões em 10 anos, cada centavo indo para os contribuintes que ganham mais de $200,000 ($250,000 para casais). A proposta aumentaria os limites nas contribuições para as contas bancárias de saúde com taxas vantajosas – um brinde para os ricos”.

Esse prêmio não é somente um tapa na cara dos trabalhadores de classe média, ele também “avança o grande objetivo de Paul Ryan e dos irmãos Koch de abolir o Medicare”, declarou o grupo inspirado em Bernie Sanders, Nossa Revolução, na segunda à noite. De fato, o think tank da Instituição Brookings confirmou: “revogar os impostos da ACA em lares de alta renda e hospitais iria exaurir o fundo fiduciário do Medicare em 2024”.

Enquanto isso, “adultos mais velhos e pobres iriam encarar a pior crise”, reportou o New York Times. “A magnitude da diminuição de seus créditos fiscais, mesmo como provisões separadas na lei permite que os seguradores cobrem preços mais altos para os idosos do que são permitidos no Ato de Assistência Acessível”.

Simples e claro, o jornalista David Dayen escreveu na terça-feira no The Nation: "Nessa lei, é provável que o norte-americano médio fique sem seguro, ou com um seguro com maiores franquias e co-pagamentos, ou “coberto” com um plano que vale o mesmo que o cartão de plástico no qual é emitido".

Quanto aos programas do governo, o fundo fiduciário do Medicare virá quatros anos mais próximo do esgotamento, e o Medicaid perderá milhões de pessoas com o tempo com o limite per capita, o que é tão ruim quanto um subsidio agrupado, um financiamento inflexível que falha em mover-se para cima em tempos de necessidade. Mesmo se você conseguir plano de saúde por um empregador, a lei cria incentivos para as companhias tirarem as pessoas do seguro, restringindo as pessoas ao mercado individual e prejudicial já mencionado.

O Presidente Donald Trump chamou o plano de “maravilhoso” em um tuíte na terça de manhã.

Mas o especialista em assistência médica Andy Slavitt, que comandava o Medicare, Medicaid e o ACA no mandato de Barack Obama, notou como parte de análise geral que o AHCA “viola todos” os compromissos de campanha de Trump, e cobre menos pessoas, tira proteções criticas que eram fornecidas no Obamacare, e aumenta franquias e contribuições.

Uma análise apresentada mês passado por físicos para um Programa Nacional de Assistência Médica argumentou que, na realidade, a única maneira de Trump alcançar suas promessas de campanhas seria decretar um sistema Medicare para todos.

Mesmo com resistência dos constituintes e hesitações dos conservadores de direita, líderes Republicanos esperam avançar logo com sua proposta.

De acordo com o The Hill, “os Republicanos da Câmara planejam avançar com a lei em um ritmo acelerado, com dois comitês – Energia e Comércio e Formas e Meios (Ways and Means) – planejados para realizarem as votações na quarta-feira. Uma votação na Câmara é esperada logo, dentro de semanas”.

Tal votação viria, provavelmente, na ausência continuada de uma “nota” da secretaria de Orçamento Congressional para a proposta, tornando impossível para o público ou os legisladores saberem os custos financeiros e humanos da lei.

“O fato de que os líderes da Câmara planejam avançar com essa lei sem a típica análise da secretaria de Orçamento Congressional sobre os custos e impacto já dá a dica: eles sabem que não podem arcar com a verdade”, escreveu o colunista Isaiah J. Poole na segunda-feira. “O plano irá prejudicar as pessoas que contam com os importantes programas de assistência médica do nosso país enquanto corta impostos dos ricos. Não faz sentido”.
Posted: 10 Mar 2017 05:36 AM PST
Por Tereza Cruvinel, em seu blog:

Sentindo o vento da lista de Janot nas costas, e tentando empreender uma “fuga para a frente”, Temer e seu governo aproveitaram até a notícia de um desastre, a recessão de 2016, para vender a ilusão de que a economia reage. Espetaram a conta em Dilma como se o golpe, com seus erros e incertezas, não tivesse contribuído, a partir de abril, para a grande depressão. E tome discursos terroristas sobre a imprescindibilidade das reformas: Temer fixou prazo para a aprovação da reforma previdenciária, que as mulheres estão hoje nas ruas combatendo, para a votação da trabalhista e agora anunciou mais uma, a tributária. Os líderes prometem fazer tudo que o Planalto mandar mas algumas tábulas da pinguela estão balançando e ameaçam se soltar. A bancada da bala, um dos pilares da base, está refugando a reforma. Outros grupos estão ruminando em silêncio sobre mudanças que o governo diz que não aceita.

A bancada da bala é composta basicamente por PMs e militares que não aceitam a aposentadoria aos 65 anos. Seus 37 deputados querem excluir as referências aos policiais do texto da emenda, mantendo a aposentadoria especial para atividades de risco. A eles somam-se outras ameaças de defecções. Muitos governistas vão defender a manutenção da aposentadoria especial para professoras do ensino básico, uma categoria social que tem peso em seus redutos eleitorais do interior. O partido Solidariedade, de Paulinho da Força Sindical, também já se arrependeu do alinhamento ao golpe e vem fazendo barulho contra.

Diante das resistências crescentes na própria base, o relator, Arthur Maia, já trabalha pela proposição de uma nova regra de transição, pela qual só se enquadrariam na idade mínima de 65 anos para aposentadoria os contribuintes que tenham ingressado no sistema após o ano de 1993. Pela proposta do governo, quem tiver mais de 50 anos idade na data da promulgação da emenda perderá o direito de se aposentar por tempo de contribuição, ainda que já tenha cumprido a exigência atual, de 30/35 anos (mulher/homem) de contribuição. Mas tem dito que se não houver uma “flexibilização”, haverá indigestão.
Posted: 09 Mar 2017 07:48 PM PST
Por Laura Capriglione, no site Jornalistas Livres:

Laudo necroscópico do Instituto de Criminalística (IC), ligado à Polícia Civil de São Paulo, afirma que o menino João Victor Souza de Carvalho, de 13 anos, morreu no dia 26 de fevereiro, no Habib's da Avenida Itaberaba, Vila Nova Cachoeirinha, zona norte da cidade, depois de usar lança-perfume e cocaína.

Família exige Justiça!

Extrema coincidência, o menino teve uma parada cardiorrespiratória menos de um minuto depois de ser perseguido por um gerente e um segurança do Habib’s –a cena foi flagrada por uma câmera de segurança localizada na escola de idiomas Wizard, vizinha do restaurante. Duas testemunhas disseram à polícia que o menino foi agredido com um soco desferido pelos funcionários.

O advogado da família de João Victor, Francisco Carlos da Silva, reagiu indignado à divulgação do laudo:

"É o poder econômico do Habib's massacrando uma criança pobre e sua família"

Segundo ele, a família nunca negou que o menino fosse usuário de drogas. “Ele estava em tratamento no CAPs da Freguesia do Ó ”, disse. Era óbvio que ele teria resquícios de substâncias tóxicas em seu organismo (como o tricloroetileno e clorofórmio, que compõem o lança-perfume, além de traços cocaína). “O que a polícia terá de provar é que foi isso o que causou a morte do menino, e não o soco que ele recebeu dos funcionários do Habib’s.”

No vídeo capturado pela câmera de segurança da escola Wizard, o menino aparece correndo pela rua defronte ao restaurante. Atrás dele, perseguem-no dois homens. Menos de um minuto depois, os dois homens aparecem carregando –como se um saco de lixo fosse– o corpo do menininho, que ainda estrebucha em movimentos involuntários de braços.

Segundo uma catadora de latinhas e um motorista de ônibus, essas duas pessoas estavam com uniforme do Habib’s, e seriam o gerente e o supervisor da lanchonete.

Ao SPTV, sob a condição de se manter anônimo, o motorista do ônibus afirmou: “Eu tava [sic] parado no semáforo, aí daqui a pouco eu vi um menino passando com pedaço de pau na mão, correu na rua, veio o rapaz do Habib’s atrás dele, e veio um outro atrás dele também. Mas só vi ele dando porrada no moleque, mas semáforo abriu e não deu pra eu ver mais nada, né?”.

O SPTV ainda questionou o motorista sobre como ele tem certeza de que eram funcionários do Habib’s. O motorista então disse: “Porque tavam [sic] com camisa branca e com símbolo do Habib’s e calça preta.”

Mesma versão foi dada à polícia pela catadora Silvia Helena Croti. Segundo ela, por volta das 19h de domingo (26/02), o menino João Victor era perseguido na rua por dois funcionários do Habib’s, aos quais conhece porque comumente vende balas na porta do estabelecimento. Um deles, branco e magro, é o gerente da loja. O outro, gordo, estatura mediana e moreno, é o segurança. Segundo Silvia, o segurança conseguiu imobilizar o menino pelo pescoço e desferiu “um violento soco contra a sua cabeça”. Logo depois disso, João Victor começou a espumar pela boca.

Segundo o advogado Ariel de Castro Alves, coordenador da Comissão da Criança e do Adolescente do Condepe (Conselho Estadual de Direitos Humanos de São Paulo), o laudo do Instituto de Criminalística (IC) [o laudo] é apenas uma das provas, “que precisa ser analisado em conjunto com outras provas, como os depoimentos de testemunhas, sendo que pelo menos duas delas até o momento relataram na Delegacia de Polícia a ocorrência de agressões contra o adolescente. Ainda é necessário se apurar de que forma essas supostas agressões e perseguição de funcionários do Habib’s podem ter contribuído para a morte do menino.”

No dia 28 e fevereiro, terça-feira passada, foi produzido o atestado de óbito de João Victor, no qual o médico Danilo Vendrame Vivas diz que o menino era assim:



Atenção!

O monstro a quem o Habib's acusa de "perturbar os clientes" tinha 40 kg.

Era franzino!

Media 1,5 metro!

Tinha os dentes podres!

Barba e bigodes ainda eram ausentes!

A família não acredita no laudo do médico Danilo Vendrame Vivas e vai pedir a exumação do corpo do menino João Victor. Não vamos nos esquecer das centenas de laudos falsos produzidos pelo Instituto Médico Legal de São Paulo na época da Ditadura!

Não vamos nos esquecer de Vladimir Herzog, que foi assassinado em 1975 por torturadores, mas apareceu num laudo assinado pelo legista Harry Shibata como tendo se suicidado!

Por meio de nota, o Habib’s informou neste mês que afastou os funcionários envolvidos no caso até o fim das conclusões da polícia para tomar outras medidas. A lanchonete ainda informou, por meio de sua assessoria, que repudia todo e qualquer ato de violência.

No dia internacional da mulher, nossa maior homenagem a uma mulher que sofre, a mãe de João Victor, 13 anos, Fernanda Cássia de Souza, é exigir Justiça para JOÃO VICTOR!
Posted: 09 Mar 2017 07:36 PM PST
Por Igor Fuser, no site Outras Palavras:

O golpe de estado de 17 de abril de 2016 atropelou as ilusões de quem acreditava nas virtudes infinitas da política de conciliação de classes – a ideia de que seria possível superar o apartheid social e o subdesenvolvimento no Brasil sem confronto com as elites dominantes, mas apenas por meio do crescimento da economia. No pós-golpe, essas mesmas elites demonstram plena convicção de que agiram corretamente, em defesa dos seus interesses.

Tal como ocorreu em tragédias históricas anteriores, como o golpe de 1964, o campo progressista discutirá ainda por muito tempo os fatores e as circunstâncias da derrubada de Dilma Rousseff, a começar pelos motivos da espantosa passividade das camadas mais pobres da população, as mais beneficiadas pelos governos liderados pelo PT.

Outro traço marcante no golpe de 2016 – tema da presente coluna – é o alto grau de coesão que as classes dominantes demonstraram na agressiva ofensiva contra o governo legítimo.

Com a óbvia exceção dos empreiteiros da engenharia pesada, enrolados na Operação Lava Jato (que claramente inclui entre seus objetivos a destruição desse setor estratégico da economia nacional), o que se viu na mobilização golpista foi um verdadeiro quem-é-quem da burguesia brasileira.

Lá estavam, unidos pelo “fora Dilma”, os banqueiros, os barões do agronegócio, os magnatas da mídia, os caciques da indústria brasileira remanescente, a fina flor do “PIB” nacional de mãos dadas com os grupelhos fascistas, os políticos picaretas e os pit bulls do Judiciário. Não faltou nem mesmo a rede de lanchonetes Habib’s, hoje tristemente famosa pela morte de um menino numa de suas lojas, que deu um desconto especial aos clientes que comparecessem aos atos pró-impeachment.

Na vanguarda, para eliminar eventuais dúvidas sobre os interesses de classe em jogo, marchava o patético pato da Fiesp. Justamente a Fiesp, aquela mesma entidade que, tradicionalmente, é vista como principal porta-voz de uma burguesia brasileira, “interna” como dizem alguns teóricos. Por esse termo se costuma designar um segmento da classe dominante supostamente autônomo e portador de interesses próprios, contraditórios (dizem) com as preferências do imperialismo estadunidense e dos seus aliados no país.

De acordo com essa teoria, que não se confunde com a fé ingênua da cúpula ex-governista na conciliação de classes, as gestões presidenciais de Lula e Dilma seriam a expressão política de uma “frente neodesenvolvimentista”, articulada em torno de uma “grande burguesia interna” que estaria gerindo o país em aliança com a classe trabalhadora e em conflito com uma chamada “burguesia associada”, neoliberal e pró-imperialista.

Enquanto o primeiro grupo burguês teria o foco dos seus interesses voltado para o mercado interno e a expansão produtiva, o segundo grupo agiria a serviço dos interesses externos, do bloqueio a qualquer tipo de desenvolvimento autônomo.

A “grande burguesia interna” incluiria os maiores grupos econômicos de capital nacional em todas as áreas, desde o agronegócio até empresas financeiras como o Bradesco e o Itaú, gigantes empresariais como a JBS Friboi, a Votorantim, a Ambev, a Gerdau e a Vale, os grandes grupos de ensino e saúde privados, além, é claro, dos colossos da construção civil – Odebrecht & cia.

Essas e outras empresas, favorecidas com linhas de crédito e todo tipo de apoio oficial, amealharam, de fato, lucros fabulosos no ciclo de governos progressistas. Porém em momento algum mostraram qualquer compromisso ou apoio ativo ao projeto político liderado pelo PT. Aceitaram todas as benesses, pressionaram (em geral, com sucesso) por vantagens setoriais aqui e ali. Mas no campo político se limitaram, nos melhores casos, a tolerar os governos “de esquerda” como uma extravagância temporária numa trajetória histórica de cinco séculos de poder irrestrito da elite dominante.

Houve quem encarasse essa postura pragmática como expressão de uma sólida aliança de classes, o que explicaria a relativa estabilidade política naquele período, apesar da permanente campanha midiática anti-PT e anti-governo.

Quando surgiu a oportunidade, a burguesia agiu em bloco para golpear a democracia. Se alguém ainda tem alguma dúvida, recomendo que leia a bela reportagem da jornalista Aline Maciel, da Agência Pública, sobre o envolvimento ativo das entidades representativas da indústria brasileira, em nível nacional e nos estados mais importantes, para pressionar os parlamentares indecisos nas vésperas da votação na Câmara dos Deputados (25/08/2016).

Muita coisa aconteceu nos onze meses que se passaram depois daquele dia de infâmia. Ministros do desgoverno golpista caíram e foram trocados em meio a denúncias de corrupção. Um deles chegou a comparar o núcleo do poder político em Brasília a uma suruba. A economia mergulhou de vez na recessão. A soberania nacional está sendo desmantelada e a imensa riqueza do pré-sal entregue de bandeja às empresas estrangeiras.

E não se verifica no seio da burguesia brasileira o menor sinal de arrependimento, a menor intenção de alterar o rumo do retrocesso em curso. Alguém ousaria, nesse cenário, profetizar a reconstituição da “frente neodesenvolvimentista”? Difícil.

De concreto, o que se vê nos meios empresariais, além do entusiasmo pela destruição de direitos trabalhistas, pelo desmonte da previdência pública e pelo congelamento dos investimentos sociais, são, no máximo, queixas pontuais, sem maior relevância no cenário político.

A mesma Fiesp que liderou as multidões de verde-amarelo na Avenida Paulista agora reclama do desmonte das políticas de “conteúdo local” na exploração do pré-sal. Mas sua insatisfação fica por aí mesmo, sem qualquer desdobramento prático, sem ao menos a intenção de inserir esse assunto na agenda política geral (quem quiser conferir, olhe o site da entidade).

A burguesia, como classe, vê os seus interesses essenciais contemplados pelo retrocesso histórico que o governo golpista tenta impor à sociedade brasileira. Nunca teve interesse genuíno no projeto (neo) desenvolvimentista defendido pelo PT, por setores da burocracia estatal e sindical e por alguns intelectuais independentes, como Luiz Carlos Bresser-Pereira.

Desde sua ascensão à classe dirigente, na primeira metade do século 20, a burguesia brasileira tem clara consciência de que seu futuro está associado à dominação imperialista e à inserção numa ordem mundial capitalista sob hegemonia dos EUA.

Os burgueses brasileiros – isto está no seu DNA – desconfiam dos projetos de desenvolvimento nacional porque sentem que esse caminho os levaria a se marginalizar do sistema imperialista ao qual associam sua existência e seu futuro. Odeiam os trabalhadores, desprezam os pobres e têm dificuldade até mesmo em assumir plenamente uma identidade nacional brasileira.

“Queremos o nosso país de volta”, gritavam, nas ruas. Agora o têm, espero que não por muito tempo. Dessa gente, nada de bom se pode esperar.
Posted: 09 Mar 2017 07:33 PM PST
Por Sam Biddle, no site The Intercept-Brasil:

É difícil comprar uma TV nova que não venha com um software “smart” (geralmente medíocre) oferecendo ao seu home theater as funções normalmente encontradas em telefones e tablets. Mas trazer esses recursos adicionais para sua sala significa trazer também um microfone — o que está sendo explorado pela CIA, segundo novo conjunto de documentos publicados hoje pela WikiLeaks.

De acordo com os documentos, o programa da CIA chamado “Weeping Angel” (Anjo Choroso) deu aos hackers da agência acesso às TVs Samsung Smart, permitindo que o microfone embutido do controle por voz fosse manipulado remotamente enquanto a TV aparentemente permanecia desligada. O recurso é conhecido como “Fake-Off mode” ou “Modo Desligado Falso”. 

Embora a tela esteja desligada e os LEDs indicadores desativados, o hardware interno da televisão continua a operar sem o conhecimento do dono. O método, que foi desenvolvido em parceria com a inteligência britânica, conta com a implantação de um malware em uma determinada TV — não está claro se o ataque pode ser executado remotamente, mas a documentação faz referência à infecção através de uma unidade USB contaminada. Uma vez que o malware esteja dentro da TV, ele pode transmitir dados de áudio gravados para terceiros (supostamente um servidor controlado pela CIA) por meio da conexão de rede da TV.

A WikiLeaks disse que o arquivo inclui mais de 8 mil documentos da CIA e foi obtido através de uma fonte, não identificada pela organização, que estava preocupada com os “recursos de hackeamento da agência terem excedido seus poderes mandatados” e que queria “iniciar um debate público” sobre a proliferação de armas cibernéticas. A WikiLeaks acrescentou que os documentos também demonstram um grande número de hackeamentos de smartphones, incluindo os iPhones da Apple; uma biblioteca considerável de ataques a computadores supostamente graves que não foram comunicados às empresas do setor tecnológico, como Apple, Google e Microsoft; malwares de grupos hackers e outros estados-nação, incluindo a Rússia, segundo a WikiLeaks, que poderiam ser usados para ocultar o envolvimento da agência em ataques cibernéticos; e o crescimento substancial de uma divisão de hackers dentro da CIA, conhecida como Centro de Inteligência Cibernética, inserindo ainda mais a agência no tipo de guerra cibernética tradicionalmente praticada pela agência rival, a NSA.

A invasão de smart TVs é apenas o exemplo mais recente de um problema de segurança oriundo da chamada “Internet das Coisas”, um catálogo cada vez mais extenso de produtos que incluem (ou precisam) de uma conexão de internet para usar funcionalidades “smart”. No ano passado, o jornal britânico The Guardian revelou que o diretor de Inteligência Nacional dos EUA, James Clapper, disse ao Senado que a invasão de dispositivos “smart” era uma das prioridades de espiões americanos. “No futuro, os serviços de inteligência deverão usar a [internet das coisas] para identificar, vigiar, monitorar, localizar e recrutar informantes, ou ganhar acesso a redes e credenciais de usuário.”

O pesquisador de segurança e criptografia Kenneth White disse ao The Intercept que as smart TVs são “historicamente um alvo fácil” e “uma bela plataforma para ser atacada”, já que TVs costumam estar em salas e quartos”. White acrescentou que “a chance de a [CIA ter] comprometido apenas a Samsung é zero. É muito fácil modificar outros sistemas operacionais” encontrados em smart TVs vendidas por outros fabricantes.

O novo vazamento da WikiLeaks não contém informações aparentes sobre quem foi atacado pelo Weeping Angel ou quando os ataques ocorreram. Também não ficou claro quantos modelos de TV da Samsung estão vulneráveis ao Weeping Angel — os documentos da CIA publicados pela WikiLeaks mencionam apenas um modelo, o F8000 (ainda que seja um modelo muito popular e com boas resenhas, descrito pelo site Engadget como “o melhor sistema de smart TV que você vai encontrar por aí”). Depois de algumas dúvidas quanto ao reconhecimento de voz das TVs Samsung terem se espalhado em 2015, a empresa divulgou um documento com Perguntas Frequentes visando acalmar os clientes apreensivos. Na pergunta “como sei se estou sendo ouvido?”, a Samsung garante a usuários que “se o recurso de reconhecimento de voz da TV estiver ativado para receber comandos, será exibido um ícone de microfone na tela”, mas, “se não houver um ícone na tela, o recurso de voz está desativado”.

Essa afirmação sobre ícones exibidos na tela, é claro, não serve de nada se a CIA tiver invadido a TV. O que a Samsung parece ter tomado como certo foi que a empresa e seus clientes teriam controle absoluto sobre a operação de seus televisores. Como comprova a exploração do “Modo Desligado Falso”, as garantias da empresa de que os controles de reconhecimento de voz da TV operariam de forma transparente não são reais quando espiões (e outros hackers em potencial) estão envolvidos.

A Samsung não respondeu aos pedidos de comentário imediatamente. Um porta-voz da CIA respondeu que “nós não comentamos a autenticidade ou conteúdo de supostos documentos de inteligência.”
Posted: 09 Mar 2017 07:30 PM PST
Por Vitor Nuzzi, na Rede Brasil Atual:

Ex-presidente das associações paulista, brasileira e latino-americana de advogados trabalhistas, Luís Carlos Moro considerou "panfletária, agressiva e preconceituosa" a declaração feita ontem pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), contra a existência da Justiça do Trabalho. "Não é uma declaração de um presidente de casa legislativa da importância da Câmara. É absolutamente inarrazoada, do ponto de vista político e institucional. Ele fez uma agressão institucional, não emitiu uma opinião política. É um agressor da ordem jurídica", afirmou Moro.

Para o advogado, Maia tem o direito de ter a opinião que quiser, "de ser de direita, de ter ideias 'esquisitas'", mas se perde ao atacar genericamente uma suposta "irresponsabilidade" do Judiciário trabalhista em suas decisões, o que já compromete a condução do próprio projeto de reforma trabalhista – que o deputado, por sinal, considerou tímido. "Qualquer juiz haveria de se pronunciar no sentido de se declarar suspeito", comparou. "O presidente da Câmara atuou não como parlamentar, mas como preposto do capital."

Moro também criticou o Projeto de Lei 6.787, que altera a legislação trabalhista. E rechaçou a tese de que a chamada flexibilização facilitaria a criação de empregos, como argumentam seus defensores. "Não só não existe (essa relação), como não há um único exemplo no planeta", afirmou, dando como exemplo a Espanha, que adotou um sistema de contrários temporários de trabalho, o que teria afetado o crédito e o consumo. "Houve uma depressão econômica em decorrência disso que seria supostamente benéfico para a sociedade." O que está em jogo nesse processo, avalia o advogado, é a transferência de riqueza – no caso, da classe trabalhadora para a empresarial.

Sobre a crítica ao grande número de ações trabalhistas no país, o advogado argumenta que isso acontece "porque há uma indústria do não cumprimento (da lei)" por parte dos empregadores. "Essa proposta é um patchwork malfeito", diz, referindo-se ao projeto, que carregaria "entulhos de legislaturas anteriores".
Porta-voz do governo

O presidente da seção de Sergipe da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Henri Clay Andrade, também reagiu às afirmações de Rodrigo Maia. "Acabar com as normas de proteção ao trabalhador e debilitar a Justiça do Trabalho estão implícitas na essência do projeto do governo. A declaração traduz, cinicamente, o que de fato representa a reforma trabalhista: o retrocesso ao coronelismo tacanho da Velha República", afirmou.

"Na verdade, o presidente da Câmara diz o que o governo pretende, mas não teve a audácia de expressar. Lamentavelmente, o deputado faz o papel de eloquente porta-voz do governo Temer."

Nenhum comentário:

Postar um comentário