sábado, 11 de março de 2017

11/3 - Altamiro Borges DE 9/3

Altamiro Borges


Posted: 09 Mar 2017 11:58 AM PST
Por Mariana T. Noviello, no blog Cafezinho:

Michel Temer.

As manifestações vindas de todos os cantos, das redes sociais, dos jornais e até da Rede Globo, já demonstraram o desconforto criado pela a sua fala no Dia Internacional das Mulheres. Portanto, espero não repetir aqui o que já foi dito.

Primeiro, não vou chamar a sua fala de ‘gafe’ porque uma gafe implica em erro. E o seu discurso não foi um ‘erro’. Com certeza você (não vou chamá-lo de Sr. porque você não merece o meu respeito, e na verdade até esse ‘você’ soa muito informal para me direcionar a alguém com quem não quero ter nenhuma intimidade) trabalha com assessores e talvez até tenha sido aconselhado a dizer o que disse, pensando que boa parte da população se identificaria com os seus sentimentos.

Não é possível também aceitar que você ‘vem de outra geração’, como quis a Globo justificar, dizendo que a identificação de ‘mulher’ e ‘do lar’ seria um reflexo de sua idade.

Não, infelizmente isso não é aceitável. O feminismo vem de longe e as mulheres participam de todas as esferas públicas (sócio-política-econômica) há muito tempo. A luta pela igualdade de gênero começou no final do século XIX, junto com as outras lutas por emancipação e direitos.

Na verdade, não há luta em que as mulheres não tenham tomado parte. E o problema é justamente esse: infelizmente ainda há no mundo, e no Brasil, muitas pessoas que pensam como você.

Indivíduos que acreditam que a mulher está aí para tomar conta da casa e ‘formar família’, que os problemas da sociedade recaem sobre os ombros das mulheres desvirtuadas, que não souberam ser boas mães e esposas.

Pessoas que acreditam que os problemas sociais são a culpa do indivíduo e não problemas estruturais.

Que acham que os homens devem cuidar da economia das nações e as mulheres, da economia familiar e que as duas coisas se unem justamente na conta do supermercado. Porque, afinal, o homem provê e a mulher gasta.

A mulher, no final do dia, depois do beijo no marido, da comida na mesa e do filho na cama, conversa em tom convivial com o marido e conta que o feijão está caro demais.

E neste mundo ideal, o marido, dependendo de sua posição hierárquica, fará de tudo para aplacar a tola mente de sua esposa. Se for ‘trabalhador, trabalhará mais para continuar pondo a mesma quantidade de feijão na mesa. Se for político conceituado, poderá trazer as preocupações de sua esposa para a tribuna da câmara ou do senado.

Pois bem Michel, este mundo nunca existiu. Nem mesmo nos anos 50. Poucas foram as famílias na história onde a mulher podia ficar em casa, sendo cuidada pelo marido.

Muitas mulheres sempre tiveram uma dupla jornada. Casa e trabalho, crianças e marido, se marido tinham. As mães escravas da nossa vergonhosa história colonial sequer tinham o direito de ter um amor, um parceiro, ou ficar com seus filhos.

A mulher brasileira sempre foi trabalhadora, batalhadora.

E se a dupla jornada é motivo de orgulho, não é porque a mulher goste de trabalhar em casa, de ser ‘do lar’ e ainda trabalhar fora. Mas porque muitas vezes ela não tem opção. E o orgulho vem da garra, da capacidade de sobreviver que a mulher tem.

Portanto, não, Michel. Eu não estou aqui para analisar preços no supermercado, coisa que nunca gostei de fazer.

Quero falar de economia. Quero falar de política e do social. Quero falar de como a PEC 55, além de ser maldosa, é absurda do ponto de vista puramente econômico.

Quero falar que política não é técnica, e que se existe governo, sua maior prioridade é o povo e não empresários, a mídia, fundos de pensão, mercados ou outras instituições financeiras.

Quero dizer que não preciso de flores, nem beijos, ou parabéns.

Quero falar que o seu discurso reflete o que você aceitou fazer com a nossa democracia: destituir uma mulher inteligente, capaz e batalhadora para tomar o seu lugar. Porque você e os seus comparsas, um bando de homens retrógrados (não quero ofender as pessoas mais idosas) não gostaram do caminho que uma mulher tomava.

Quero dizer que vocês agiram na esfera pública da mesma maneira que milhões de homens agem na espera privada, todos os dias.

Isto é, ignorando, desclassificando e desmerecendo a perspectiva das mulheres e daqueles com quem vocês não concordam.

Vocês falaram por cima, pisaram em cima, e inventaram qualquer desculpa para fazer valer a velha ideia de que “os meios justificam o fim”.

Seja esse fim um projeto econômico que vocês consideram certo, ou ainda para pôr um fim ‘a toda essa sangria’.

Mas fique sabendo, Michel, que os fins não justificam o meio e que mais cedo ou mais tarde haverá consequências para as suas ações. Pode ser que você continue no poder por agora. Pode ser. Eu sei que não vai durar para sempre.

Portanto, continue a falar o que você pensa, a escancarar a sua mentalidade atrasada, como você fez no dia das mulheres.

Continue a soltar fotografias de homem velho beijando moça nova que poderia ser sua filha e tentar dar a impressão que isso é o ideal de ‘família do bem’.

Continue.

Assim só fica mais claro – até mesmo para os seus aliados do momento – que a nossa democracia está sendo vergonhosamente usurpada por muitos homens e as poucas mulheres que ousaram participar de seu desgoverno.
Posted: 09 Mar 2017 09:13 AM PST
Por Ricardo Kotscho, no blog Balaio do Kotscho:

De repente, do nada, forma-se uma onda grande no mar aberto.

A depender dos ventos, pode morrer logo ali na frente ou ganhar força e chegar à praia arrastando tudo o que encontra pela frente.

A imagem marítima me fez lembrar o que aconteceu com a onda Collor em 1989 e pode se repetir agora com Dória.

Em meados de 1988, fui um dos três jornalistas convidados pelo SBT para entrevistar Fernando Collor de Mello, então governador de Alagoas.

Não o conhecia pessoalmente, nem a maioria dos brasileiros fora do seu estado. Confesso que fiquei bastante impressionado com a figura de olhos arregalados e cheia de certezas.

Na saída do estúdio, comentei com Arlindo Silva, homem de confiança de Silvio Santos, que estávamos vendo nascer ali uma candidatura a presidente.

Falei o mesmo sobre Dória aos meus colegas da Record News após a entrevista que fizemos com ele no começo da campanha a prefeito de São Paulo no ano passado, quando ele não tinha mais do que 5% nas pesquisas.

Collor nem aparecia nas pesquisas e, quando comunicou à família e aos amigos que seria candidato a presidente pelo nanico PRN (Partido da Reconstrução Nacional), ninguém o levou muito a sério.

A onda Collor começou a se formar aos poucos, em programas de TV e capas de revista, nos quais ele aparecia como valente "caçador de marajás" (os funcionários do governo de Alagoas que ganhavam altos salários).

Naquela época, como agora, o alto empresariado, o mercado financeiro e a grande mídia procuravam um candidato do campo conservador capaz de defender seus interesses contra a ameaça à esquerda representada por Lula e Brizola.

O ex-governador gaúcho e carioca Leonel Brizola já morreu, mas Lula, que foi para o segundo turno e perdeu para Collor, continua sendo o principal candidato da esquerda para as eleições de 2018.

Não por acaso, Dória não cansa de bater no ex-presidente desde o dia em que foi eleito.

Nenhum naquela penca de candidatos em 1989, a primeira eleição direta para presidente da República após a ditadura - no total, a urna tinha uma lista de 22 nomes - inspirava muita confiança aos donos do poder para derrotar o monstro "Brizula".

Quando ainda não se endeusava o marketing político no Brasil, Collor foi seu próprio marqueteiro e começou a surfar nesta onda em mar aberto, abrindo caminho entre as lideranças tradicionais.

Jovem intrépido, empresário de sucesso, fina estampa, cabelos e colarinhos sempre engomados, bom de discurso e de debate, Collor apresentava-se como o apolítico na luta contra a corrupção dos velhos caciques, embora pertencesse à antiga oligarquia nordestina.

Com perfil bastante semelhante, Dória também surgiu como grande novidade nas eleições municipais do ano passado, anunciando-se como "gestor e não político" e, assim como Collor, foi o principal marqueteiro da sua campanha.

Depois de assumir a prefeitura da maior cidade do país, continuou em campanha, e logo se tornaria um fenômeno de expressão nacional. Ao contrário de Collor e seu PRN, Dória elegeu-se por um grande partido, o PSDB do presidenciável Geraldo Alckmin.

Nesta segunda-feira, ao sentir o cheiro da brilhantina, e vendo a onda Dória crescer no mar tucano, o governador Alckmin correu para um evento promovido pela Lide, a empresa de eventos do prefeito.

Ao ser perguntado pela platéia se pretendia concorrer à Presidência da República, Alckmin foi mais Alckmin do que nunca.

"Se eu disser que não quero, que não pretendo, não é verdade". E emendou: "Mas candidatura a cargo majoritário não é vontade pessoal. Ela é fruto de um desejo coletivo".

Pois é exatamente aí que reside o perigo para as pretensões do eterno governador paulista: nas últimas pesquisas, o nome de Dória já surge à frente dos presidenciáveis tucanos alvejados pela Lava Jato.

E embora tenha jurado duas vezes a Heródoto Barbeiro, em entrevistas gravadas na Record News, que ficará os quatro anos de mandato na prefeitura, João Dória já não respondeu com tanta convicção quando lhe perguntaram ontem na rádio "Jovem Pan" se aceitaria se candidatar à Presidência caso receba um apelo dos tucanos:

"O apelo não foi feito ainda, então não posso responder".

É sempre bom lembrar que José Serra, outro presidenciável do PSDB, registrou até documento em cartório prometendo não deixar a prefeitura antes de concluir o mandato de quatro anos.

Dois anos depois, largou o cargo para se candidatar a governador.

Vida que segue.
Posted: 09 Mar 2017 08:09 AM PST
Por Pedro Paulo Zahluth Bastos, no site Vermelho:

A queda de 3,6% do Produto Interno Bruto de 2016 frustrou mais uma vez as previsões das consultorias e departamentos econômicos de bancos, que não entenderam a natureza da crise brasileira e, desde 2014, consideravam que a transparência e os cortes de gasto prometidos por Joaquim Levy recuperariam a economia brasileira.

No fim de 2014, o boletim Focus, com a previsão das instituições financeiras, apontava para um crescimento de 0,9% em 2015, depois que Levy anunciou seu programa de cortes. Após o tombo de 3,8% em 2015, a previsão para 2016 era um tombo menor que 3%, com recuperação firme a partir de meados do ano.

O problema central de diagnóstico foi a desconsideração do fim de um longo ciclo de endividamento de empresas e consumidores ao longo de 2014. Nestas circunstâncias, o setor privado tenta poupar para pagar (“desalavancar”) dívidas, mas só consegue fazê-lo quando as exportações “bombam” e/ou o governo aumenta seu déficit por meio do aumento do gasto (e não da queda da arrecadação). Se as exportações não auxiliam, o superávit desejado pelo setor privado só é possível com o aumento do déficit do setor público.

Os economistas que esqueceram as identidades da contabilidade nacional e do balanço patrimonial das empresas fizeram propaganda enganosa quanto aos benefícios da austeridade. Chegaram a convencer a maioria dos empresários. Agora só lhes resta a propaganda enganosa de que “não há alternativa”, e que a sociedade deve se acostumar com remédios cada vez mais amargos.

Os dados do PIB de 2016 mostram, mais uma vez, que se frustrou a esperança de o impeachment e a promessa de reformas neoliberais estimularem a expansão do crédito e o investimento das empresas. Os bancos continuam a preferir aplicar em títulos da dívida pública que pagam uma taxa de juros real invejável e rolar o débito de clientes antigos com juros elevadíssimos, mas fogem da incerteza de novos empréstimos. Com isso, as operações de crédito caíram 5,5% em termos reais em 2016.

A demanda de crédito para novos empreendimentos também despencou, pois as empresas estão endividadas e com capacidade ociosa. O investimento caiu 5,4% em 2016, a 11ª queda trimestral consecutiva. Os consumidores, desempregados ou com medo do desemprego também evitam empréstimos para compras de imóveis e automóveis. O saldo de operações de crédito para pessoas físicas teve queda real de 5,1%.

Assim, o consumo das famílias caiu 4,2% em relação a 2015 (quando havia caído 3,9%). O indicador recuou pelo oitavo trimestre seguido e se, em 2015, o consumo caiu menos que o PIB, em 2016 passou a cair mais. Ademais, o último trimestre viu nova aceleração da queda, -0,6% contra -0,3% no terceiro. Dado o aumento do desemprego no trimestre concluído em janeiro deste ano (mais 879 mil desocupados em relação ao trimestre concluído em outubro de 2016) e a perda do seguro-desemprego por um contingente crescente no longo prazo, tornou-se mais provável uma nova queda do consumo em 2017.

O ajuste neoliberal conseguiu amedrontar os trabalhadores a ponto de forçá-los a aceitar cortes salariais e piores condições de trabalho, mas ao mesmo tempo os deixou com medo de consumir além do mínimo. No fim, a queda da demanda contraiu a receita das empresas mais do que seus custos e inviabilizou o pagamento de suas dívidas sem venda de ativos.

Nestas condições de aumento da incerteza e retração do crédito, que os economistas chamam “armadilha da liquidez”, é necessário renegociar e alongar o pagamento das dívidas, mas isso, além da fada da confiança, não vai induzir investimentos. Só a recuperação das receitas privadas pode permitir o pagamento das dívidas e induzir novos investimentos à medida que a capacidade ociosa diminuir.

O setor externo não deve ajudar muito nesta tarefa. É verdade que a recuperação do preço de commodities tem aumentado a receita dos exportadores de bens básicos, mas um novo boom de investimentos no setor ainda depende de perspectivas firmes de sustentação da demanda. Ademais, a apreciação cambial estimulada pelo Banco Central contribuiu para a queda da taxa de inflação e para baratear a dívida externa das empresas, mas expulsa exportadores industriais do mercado internacional, que cresceu muito mais do que o PIB global nas últimas duas décadas, mas tende hoje a crescer menos.

Parece restar apenas o gasto público para salvar empresas e desempregados. Mas o governo federal resolveu se auto-amarrar com a emenda constitucional do teto do gasto, em uma proteção ao neoliberalismo e por considerar que a medida animaria o investimento privado a despeito da falência da demanda agregada. Se Michel Temer e Henrique Meirelles conseguirem forçar os governos estaduais a fazerem o mesmo sob o tacão da renegociação das dívidas estaduais, a recuperação da economia vai atrasar ainda mais e, quando começar, promete ser muito arrastada. O risco de mais um ano perdido aumentou.

Ao longo de 2016, o PIB parecia desacelerar o ritmo de queda trimestre a trimestre até meados do ano: a queda de -1,2% no último trimestre de 2015 desacelerou para uma queda de apenas 0,3% no segundo semestre de 2016. O segundo semestre de 2016, porém, viu nova piora, com queda de 0,7% no terceiro e 0,9% no quarto trimestre. Esta queda torna muito difícil que 2017 tenha um PIB positivo, ao contrário da projeção de crescimento de 0,49% pela pesquisa Focus divulgada na segunda-feira 6.

Como a austeridade deixou de ser um remédio retórico contra a recessão e a perda de confiança, para tornar-se um fim estratégico de quem quer mudar a sociedade brasileira de cabo a rabo, empresários e consumidores perderão dinheiro caso confiem na fada da credibilidade em 2017. O que seria uma recessão “de um trimestre”, como disse o ministro Joaquim Levy em janeiro de 2015, arrisca a transformar-se em um triênio de depressão.

* Pedro Paulo Zahluth Bastos é professor associado do Instituto de Economia da Unicamp.

* Fonte: CartaCapital.
Posted: 09 Mar 2017 08:01 AM PST
Por Mauro Santayana, em seu blog:

Contribuindo, não se sabe se conscientemente ou não, para dar uma "levantada na bola" da operação, e enganar e manipular a população, parte da mídia comemora, no alto de suas páginas, a suposta "recuperação" - que poderá levar cerca de 25 anos, prazo que algumas empreiteiras terão para "pagar" as penalidades - de mais de 11 bilhões de reais, pela Lava-Jato.

Como se bilhões em dinheiro "roubado" dos cofres públicos estivessem voltando, vitoriosamente, para os cofres do erário.

E os prejuízos econômicos causados por essa operação, em empregos, quebra de acionistas e fornecedores e projetos sucateados e interrompidos, não fossem muitíssimo maiores do que a quantia publicada nas manchetes em letras garrafais.

Pura conversa.

Primeiro, porque esse dinheiro não foi "recuperado", já que ainda não foi totalmente pago.

E em segundo lugar, porque não se recupera o que não se tinha antes.

Nem esses recursos foram desviados para contas secretas na Suíça, nem se comprovou, até agora, inequivocamente, com base em provas factuais, que houve desvios ou superfaturamento nesse fantástico montante.

Mais de 90% dessa soma - certa imprensa ainda fez o favor - não se sabe se também propositalmente - de misturar alhos com bugalhos colocando no mesmo saco dinheiro apreendido e recursos derivados de acordos de leniência - será "arrecadado" por meio de multas punitivas, impostas às empresas como parte da estratégia que exige que elas reconheçam publicamente, em amplo e contrito "mea culpa", os seus "erros" e pecados cometidos contra nossos "homens de bem" e nossa nunca hipócrita ou dissoluta sociedade.

Tudo como na época da Santa Inquisição - ou dos processos stalinistas - com os "culpados" tendo que corroborar, nesse meio tempo, a tese do MP que transformou automática e retroativamente doações legais ou de Caixa 2 - tanto faz umas como as outras - realizadas desde 2002, em "propina", além de concordar em pagar também, à vista ou a prazo, bilhões de reais para não ter que fechar, quase que obrigatoriamente, suas portas.

Quem explicou isso muito bem, para quem sabe ler nas entrelinhas, foi o advogado do Sr. Marcelo Odebrecht, Theodomiro Dias Neto, que deu a entender que seu cliente, contra sua vontade, teve que se dobrar às exigências e ao discurso do Ministério Público, sob pena de sua empresa acabar definitivamente:

"Um acordo de colaboração premiada - afirmou o advogado - não é um acordo de pessoas, de partes em posições simétricas. Há uma relação de total assimetria de poder nessa relação. O acordo de colaboração premiada é umacordo de rendição, em que uma parte está se rendendo à outra.

O que é importante, é fundamental e um desafio para você fazer um acordo é que no caso de uma empresa ninguém faz um acordo para morrer(ou você faz o acordo ou "morre", diríamos nós). Você faz um acordo para sobreviver".

Esclarecendo, em entrevista ao UOL - já que para bom entendedor um pingo é letra - as verdadeiras condições em que Marcelo Odebrecht, depois de quase dois anos detido sem flagrante - fechou, "voluntariamente", o "acordo" que ainda deve mantê-lo preso, "exemplarmente", em regime fechado, até o final de 2017, enquanto outros "delatores", especialmente aqueles apanhados com dinheiro de corrupção em suas contas, estão curtindo, há tempos, um uísquinho, nos confortáveis sofás de suas salas.

Resta saber, agora, até onde irão as consequências políticas e a extensão e profundidade da "rendição", ou melhor, da "colaboração", do senhor Marcelo Odebrecht à Lava Jato e ao Ministério Público, tanto no caso de Dilma e do PMDB, como no do PSDB, considerando-se não apenas as afirmações feitas até agora pelo ex-executivo do grupo, mas também a dos numerosos, mais de 70, "delatores" "premiados" da empresa, que acompanharam a "decisão" tomada por seu ex-chefe.
Posted: 09 Mar 2017 07:39 AM PST
Por Paulo Kliass, na revista Caros Amigos:

Nem mesmo a entrada no período da quaresma tem facilitado a vida do ocupante do Palácio do Jaburu. A impressão que se tem é que 2016 insiste em se estender ainda mais a cada dia que passa, resistindo bravamente a ceder o passo para a plenitude de 2017. Foi-se o réveillon e nada. Os mais otimistas argumentavam que tal pressa em cobrar resultados não fazia sentido. Afinal tudo no Brasil só começa, de fato, depois do Carnaval. Pois bem, na sequência veio o desfile do Rei Momo e também nada. Tudo indica que a barra está mesmo bem pesada pelo lado de lá, pois a estadia no Palácio do Alvorada exigiu reforma especial e durou apenas uns poucos dias, além de muitos mil reais.

A retórica toda estabelecida em torno do golpeachment assegurava aos que insistiam e aos que hesitavam em romper a barreira dos limites do respeito aos preceitos democráticos e institucionais que o paraíso estava logo ali na esquina. Seria tudo muito simples. Ainda que confessando a execução de um pequeno pecadilho, a estratégia consistia em retirar Dilma da Presidência. Se não há provas, paciência; tomam-se as convicções como argumento jurídico e tudo se resolve. A partir daí, o amplo arco político reunido nas 2 casas do Congresso Nacional se ocuparia de conferir a aparente legitimidade institucional ao putsch engomado.

A memória fraca por vezes nos engana e a sucessão de eventos atípicos nos causa uma confusão na apreensão do verdadeiro cronograma da história recente. Pouca gente se dá conta de que o início de tudo já vai comemorar um ano no mês que vem. Isso porque em abril de 2016 a Câmara dos Deputados - sob o comando do antigo aliado, então algoz e atual prisioneiro Eduardo Cunha - inaugurava a rota do impedimento escandaloso. Mais à frente, em agosto, o Senado Federal sacramentava a deposição ilegal da Presidenta legitimamente eleita em outubro de 2014.

O golpeachment e a fragilidade de Temer

Não é esse o propósito do artigo e nem o espaço para tanto. Mas não podemos nos furtar à indagação a respeito das razões que não teriam levado o sentimento de indignação da ruptura da ordem democrática às ruas com a força suficiente para impedir o golpe. Uns argumentam com a frustração coletiva derivada do estelionato eleitoral. Outros ponderam quanto ao caráter autoritário do novo governo e as medidas de repressão às manifestações. Todos são unânimes em apontar o papel dos grandes meios de comunicação, em conluio com setores do Ministério Público, da Polícia Federal e do Poder Judiciário. Estavam criadas as condições para buscar a legitimação do ilegítimo.

O Presidente Temer parece ter mesmo escolhido um péssimo dia para realizar uma nova reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), o famoso Conselhão. O colegiado foi criado por Lula e praticamente ignorado por Dilma. O anúncio de tímidas medidas pelo núcleo duro do governo foi completamente abafado pela estrondosa divulgação das informações sobre o PIB de 2016 pelo IBGE. O calendário de atividades do instituto responsável pelas contas nacionais já estava anunciado há muito tempo. Falha da assessoria ou opção equivocada? Só o tempo dirá.

Mas o fato é que não há mesmo espaço para outro assunto quando se vê confirmada oficialmente a dramaticidade da recessão provocada pelo austericídio. Entre 2015 e 2017 o Brasil está vivendo a maior recessão de sua história. Desemprego, falências, miséria social, queda na massa salarial, desindustrialização, redução da oferta de serviços públicos, crise no sistema prisional, etc, etc. A lista é longa.

Somado à impressionante sucessão de escândalos de corrupção envolvendo políticos da cozinha do palácio, o aprofundamento da crise econômica e social acaba por provocar um verdadeiro tsunami na área política e institucional. Justo no momento em que o governo precisa urgentemente de novidades “menos piores” na área da recuperação da atividade, agora se avolumam acusações, delações e números ruins da economia divulgados pelas agências oficiais. A trégua oferecida pelos que apoiaram a aventura golpista parece estar chegando a um limite. A fada das expectativas ainda não deu suas caras e parcela dos empresários parece acusar a sensação de terem embarcado em uma canoa furada.

As pesquisas apontam Lula na frente

Ora, diante de tal situação, alguns institutos resolvem realizar suas pesquisas de intenção de voto. E aí o quadro fica mais complicado para as chamadas classes dominantes. Depois de submetido a um bombardeio sistemático e programado no milímetro ao longo de vários anos, Lula desponta como líder isolado na preferência popular para as presidenciais de 2018. É evidente que estamos ainda muito longe da data do pleito e que pesquisa deve ser sempre encarada como fotografia e blá blá blá. Mas tais informações, somadas à baixíssima popularidade de Temer, estão provocando um enorme reboliço no interior das chamadas “elites”.

Esse clima de incerteza se agrava com a novidade de Bolsonaro surgindo em segundo lugar nas pesquisas, com a consequente queda brusca dos dirigentes políticos mais tradicionais da direita que se aboleteu em torno do golpe. Temer, Serra, Alckmin, Aécio: nenhum deles aparece como alternativa expressiva no imaginário popular. Sobram aqui e ali as opções de Ciro e Marina, ainda pouco vitaminadas. Essa conjuntura recebe o tempero tentador de patrocinar um novo golpe, a partir da inviabilização da candidatura de Lula. Afinal, não parece muito difícil ao establishmentobter uma condenação em primeira instância com Sérgio Moro e depois referendada pelo tribunal de segunda instância em Porto Alegre.

De toda maneira, a complexidade do momento e a urgência em definir estratégias parecem tomar conta dos corações e mentes de quem faz política no Brasil. Como perguntava o dirigente revolucionário Vladimir Ilitch Ulianov, o Lenin, em seu famoso livro: “O que fazer?”. Oh, dúvida cruel! A luta contra o processo de desmonte do Estado brasileiro e de promoção integral desse entreguismo tresloucado e extemporâneo necessita de uma perspectiva orientadora. E aí o horizonte das eleições do ano que vem se coloca como possibilidade de alternativa de poder. Retirar o golpismo ilegítimo e recolocar o país na trilha que foi abandonada em algum momento do passado recente. Para dar cabo de tal empreitada, a candidatura de Lula surge como sedução incontornável.

Mudar a política econômica no pós 2018

Ok. Suponhamos que está combinado que está tudo certo. Mas por que se propõe essa mudança? Parece inquestionável que os 13 anos de legado do PT (aí incluídos os dois mandatos de Lula) proporcionaram avanços efetivos na sociedade brasileira. Estão aí os dados sobre a melhoria na distribuição de renda, a evolução da qualidade de vida das camadas da base da pirâmide, a recuperação dos valores reais do salário mínimo e dos salários em geral, etc. No entanto, as tarefas que se colocam para um eventual mandato 2019-22 dizem respeito ao futuro e não apenas à recuperação das boas iniciativas do passado. Antes de discutir nomes ou candidaturas, considero essencial que se discuta um programa de governo. Afinal, mudar para que?

E mais uma vez o foco deve se concentrar incialmente no debate sobre projeto estratégico de Nação e fundamentos da política econômica. Não nos esqueçamos que o primeiro mandato de Lula manteve o tripé da política econômica, sob a batuta inicial da duplinha dinâmica Palocci e Meirelles. Durante mais de uma década foram drenados mais de R$ 4 trilhões ao sistema financeiro sob o disfarce do superávit primário. Mais recentemente, até anteontem, Lula fazia pressão enorme sobre Dilma para que ela nomeasse o mesmo Meirelles para seu Ministro da Fazenda. O golpe e as traições todas da elite política conservadora deixaram flagrantes o oportunismo e a falta de convicção de seus representantes quanto a qualquer projeto mudancista mais sério. Aturaram e adularam Lula enquanto ele lhes foi útil e agora desejam e conspiram para vê-lo na cadeia.

Mas então, por que mudar? Para redigir uma versão mais atualizada da famigerada “Carta aos Brasileiros”, onde se buscava de forma iludida o convencimento das classes dominantes de que o candidato seria um praticante do bom mocismo liberal e financista? A conjuntura interna e externa não oferecem mais espaço para o jogo do ganha-ganha que Lula recebeu a partir de 2003. À época foi possível a busca do setor exportador do agronegócio como mola propulsora do crescimento da economia e depois o uso generalizado do grosso dos recursos públicos para oferecer saídas interessantes ao grande capital financeiro nacional e internacional. Como havia muita disponibilidade de caixa, as migalhas também eram bem utilizadas para os programas sociais - muito necessários, diga-se de passagem.

Como governar sem a abundância do passado?

Porém, a abundância deixou de ser a marca dos tempos atuais. Governar é cada vez mais fazer opções e definir prioridades. Os recursos estão mais escassos e os responsáveis pela coisa pública são obrigados, cada vez mais, a decidir quem deve perder ou ganhar a cada decisão a ser tomada. O que fazer com os ganhos extraordinários e vergonhosos do sistema financeiro? Como encaminhar medidas de alteração mais estrutural no sistema tributário, de forma a torná-la menos regressivo e fazer com que os detentores de capital e patrimônio contribuam mais para os cofres públicos?

Não basta mudar apenas para tirar Temer e impedir eventual volta dos tucanos ao poder pelo voto. As tarefas são imensas para recuperar políticas pouco implementadas ao longo desses últimos anos quanto a uma reforma agrária efetiva, por exemplo. O que fazer para reverter o processo alucinante de mercantilização de serviços públicos, a exemplo do que veio ocorrendo com a saúde, com a educação básica, com o ensino universitário, com a previdência, com a segurança e tantos outros setores? O que fazer com o Banco Central e com as agências reguladoras dominadas pelas grandes corporações que elas deveriam fiscalizar? O que pensa Lula esse respeito?

Como governar sem uma política clara de regulamentação dos meios de comunicação e de constituição de um núcleo público em condições de oferecer uma narrativa distinta daquela patrocinada pelas poucas “familglie” que dominam nossa imprensa? Talvez tenha sido mais do que suficiente o baque profundo da conspiração golpista para perceber que os agrados e os tubos de dinheiro público destinados à Globo, Folha, SBT, Estadão i tutti quanti não passaram de equívoco, ilusão e mau uso de verbas orçamentárias.

Autocrítica é essencial para mudança

Há poucos dias começou a circular um manifesto de apoio à antecipação do lançamento da candidatura do ex-presidente. Curiosamente, o título do documento é “Por que Lula?”. Ocorre que em nenhum momento dos três curtos parágrafos se faz qualquer menção a tais tarefas complexas para um novo mandato. Os autores repousam num saudosismo dos 8 anos do passado e da importância inegável do significado de Lula, mas pouco avançam no sentido dos novos desafios colocados pela própria realidade. O máximo que conseguem sugerir é que sua candidatura seja “fundamental para o futuro do Brasil assegurar a soberania sobre o pré-sal, suas terras, sua água, suas riquezas”. Sim, mas como fazer isso e muito mais? Como governar com um parlamento que ainda terá o conservadorismo político como sua marca?

Para além das dificuldades colocadas para um eventual plano B caso a candidatura seja inviabilizada por meio de artifícios jurídicos patrocinados pelos setores mais conservadores, o fato é que não basta mudar apenas pelo desejo da mudança. O chamamento a um esforço de campanha popular não pode se resumir a efetivar uma boa gestão da ordem vigente, sem incluir mudanças de natureza estrutural. É importante não esquecer que a desconsideração do resultado das urnas patrocinado por Dilma em 2014 deixou marcas profundas.

O que fazer com os níveis absurdos do spread bancário? Como conduzir os atuais processos de privatização por meio de concessão, como foi feito inclusive nos governos do PT? Ficou demonstrado que a inclusão apenas pela via do consumo não consolida as transformações na base da sociedade. Deve ter sido incorporado que a opção pela via dos “campeões nacionais” da maneira como foi feita pouco contribuiu para o conjunto da economia brasileira. O exemplo paradigmático dos equívocos com Eike Batista e com o grupo JBS estão aí para quem quiser ver e discutir. As indagações são inúmeras.

Enfim, as tarefas não são nada fáceis. Mas é essencial que o caminho deva ser iniciado pela busca de respostas para as perguntas do título. Afinal, em termos concretos e objetivos, o que se propõe como projeto de mudança? Se não for para transformar de fato, por que mudar?

* Paulo Kliass é doutor em Economia pela Universidade de Paris 10 e Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, carreira do governo federal.
Posted: 09 Mar 2017 07:31 AM PST
Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

Se alguém precisava de alguma prova de que um verme moral preside a Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia a deu hoje.

Veja o que ele diz no Estadão:

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendeu fortemente a mudança da legislação trabalhista nesta quarta-feira, 8, e, ao reclamar do excesso de regras para a relação entre patrão e empregado, sugeriu que a Justiça do Trabalho “não deveria nem existir”. Contrariado com a proposta de reforma considerada “tímida” produzida pelo governo, Maia disse que a Câmara deve dar “um passo além”

Esta camada de políticos, filhos de políticos, que jamais trabalhou na vida, exceto por indicação paterna quer abolir o único instrumento jurídico que temos contra a escravidão patronal.

Poucos estão se dando conta que o retrocesso na vida brasileira não é de décadas, é de século.

Vamos para a escravidão, em nome de um progresso econômico que nos chantageia.

Já temos um trabalhador que ganha menos que os da “escravidão asiática”

Trabalhador não precisa ter justiça. Estão, coitados, sob o tacão da legislação varguista, fascistoide, inspirada na Carta del Lavoro, como uma legião de idiotas acadêmicos se dedicou a atacar o regime de defesa do trabalho do varguismo.

Tão ruim que o poder econômico faz tudo para abolir.
Posted: 09 Mar 2017 07:20 AM PST
Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania:



Em um ano marcado por turbulências políticas, a economia brasileira encerrou 2016 com queda de 3,6% no PIB (Produto Interno Bruto), de acordo com dados divulgados pelo IBGE na terça-feira (7).

Nesta semana, ficamos sabendo que os brasileiros empobreceram 9,1% (em média) diante da recessão.

Uma pesquisa do Banco Mundial confirma o que se vê todos os dias nas ruas das grandes cidades –aumentou o número de pobres e miseráveis no Brasil.

A recessão e o desemprego provocaram a elevação da taxa de pobreza de 7,4% para 8,7% em 2015.

Foi a primeira alta em mais de dez anos. E as perspectivas não são nada boas. Com a piora do mercado de trabalho no ano passado, a taxa deve se aproximar dos 10% da população (1 de cada 10 brasileiros será pobre).

Sobre 2016, novos estudos fatalmente demonstrarão que o empobrecimento nacional se agravou.

Em abril do ano passado, a poucas semanas do afastamento da presidente Dilma Rousseff do cargo após previsível votação no Senado, o Fundo Monetário Nacional emitiu comunicado afirmando que “Os principais riscos para a economia brasileira” residiam no cenário político turbulento”.

Um dos veículos que divulgou essa informação de forma incrivelmente discreta foi a revista Veja

Nesta semana, após notícias sobre empobrecimento dos brasileiros por obra da recessão em curso, a mídia e os políticos (tucanos e peemedebistas) que protege acusaram os governos do PT de serem responsáveis pelo desastre econômico.

Eles fingem não saber dos vários comunicados que o FMI divulgou para avisar a classe política brasileira de que os esforços para derrubar Dilma e tirar o PT do poder arruinariam a economia do país.

A matéria da Veja supracitada relatou que “a situação [política] complicada em Brasília afetou a capacidade do governo de promover reformas econômicas essenciais, incluindo medidas para melhorar as contas fiscais”.

O FMI, à época, informou que “a culpa dos problemas econômicos” brasileiros era “principalmente de fatores internos, que reduziram o consumo e o investimento privado” e que “vários fatores internos contribuíram para aumentar a incerteza e reduzir a demanda doméstica”.

Entre esses fatores, o relatório do FMI destacou principalmente a “deterioração das contas fiscais em meio às dificuldades de aprovação no Congresso de medidas de ajuste e políticas econômicas inconsistentes”. Ou seja, o Fundo avisava que a recusa da oposição a Dilma, agora majoritária no Congresso, em aprovar medidas para conter a crise quebraria o Brasil.

O Fundo foi bem específico ao afirmar que “A incerteza política” era outro fator que impulsionava a crise econômica por ter contribuído para os baixos níveis de confiança tanto de empresários como de consumidores.

A incerteza de investidores e consumidores por conta do clima político nublado fez com que se retraíssem, o que, para qualquer um que entenda um mínimo de economia, deixa claro que foi a causa da recessão que está empobrecendo os brasileiros.

“No Brasil, uma combinação de fragilidades macroeconômicas e problemas políticos tem dominado o cenário econômico”, ressaltava o relatório. oram repetidamente cortadas.”

A previsão do FMI feita em abril de 2016 acertou na mosca ao afirmar que o Produto Interno Bruto (PIB) do país iria se contrair 3,8%.

Detalhe: em 2017, o FMI afirmou que a expectativa era de que a economia continuasse estagnada.

O FMI também foi bem específico sobre outra questão que desorganizou e depois quebrou a economia brasileira: a operação Lava Jato. Em 2015, o jornal Valor Econômico publicou reportagem dava conta do preço que o país pagaria pela operação da trupe de Sergio Moro voltada exclusivamente para tirar o PT do poder.

A queda prevista do PIB brasileiro de 3% em 2015 se deveu à paralisia dos investimentos de empresas diante da expectativa de saber como iriam terminar as investigações da Operação Lava-Jato, afirmara Otaviano Canuto, então diretor do Fundo Monetário Internacional.

“Estou entre aqueles que acham que a desaceleração do PIB este ano no Brasil não é explicável por questões macroeconômicas stricto sensu. Ela é principalmente explicada por uma paralisia dos investimentos privados para esperar para ver onde vai dar a investigação dos escândalos”, afirmou Canuto durante assembleia do Conselho Empresarial da América Latina.

Claro que o FMI sempre ponderou que esse era um preço a pagar pelo “combate à corrupção”, mas, como sabem os bem informados, esse tipo de operação policial messiânica não combate de verdade a corrupção, combate apenas suposta corrupção de parte dos políticos, a parte que estiver mais fraca, e ainda quebra os países em que é levada a cabo.

Essa não é uma opinião deste blogueiro, mas de juízes italianos que levaram a cabo a operação Mãos Limpas, que inspirou a Lava Jato.

Matéria do site Consultor Jurídico publicada no ano passado relata opinião dos juízes italianos Gherardo Colombo e Piercamillo Davigo de que a Operação Mãos Limpas quebrou a Itália e não diminuiu a corrupção.

O PT governou o Brasil de 1º de janeiro de 2003 a 12 de maio de 2016. Foram mais de 13 anos de governo, sagrados e consagrados em quatro eleições presidenciais sucessivas. Até 2014, ano após ano o país cresceu, distribuiu renda, reduziu a pobreza, a desigualdade e aumentou os salários.

Durante 11 dos 13 anos de governos do PT o Brasil melhorou TODOS os meses, mês após mês. Só parou de melhorar devido ao que afirmou o FMI: por conta de sabotagem do Congresso e da Lava Jato.

Foi simples assim.
Posted: 09 Mar 2017 07:00 AM PST
Por Bepe Damasco, em seu blog: 

Como não há limite para a calhordice no governo do usurpador, a bola da vez agora é o projeto que visa a terceirização irrestrita das relações de trabalho. E, para esconder os objetivos nefastos desse projeto, mais uma vez os golpistas apelam para a mentira mais deslavada.

O governo ilegítimo não pretende "regulamentar a terceirização" coisa nenhuma, como têm repetido seus representantes no Congresso Nacional. O que ele busca é a ampliação radical da precarização e da informalidade, com queda substancial dos salários, corte de direitos estabelecidos pela CLT e a destruição da organização sindical dos trabalhadores.

Vamos tomar como exemplo uma fábrica de autopeças. Para cumprir sua atividade fim, ou atividade principal, que é o processo industrial de fabricação das autopeças, a empresa contrata torneiros mecânicos, eletricistas, ferramenteiros, engenheiros, etc. Mas, a lei atual lhe faculta o direito de tomar serviços de empresas voltadas para atividades de apoio, tais como segurança, faxina, copa e cozinha.

Caso seja aprovada a terceirização também da atividade fim, o empresário se sentirá fortemente inclinado a demitir os metalúrgicos primarizados, cujos sindicatos atuantes conquistaram melhores salários, além de uma série de benefícios, indo ao mercado atrás de empresas que terceirizam mão de obra.

Só que o metalúrgico recém-contratado, na condição de empregado terceirizado, receberá da empresa a qual está vinculado um salário menor e , em nome do emprego, terá que sacrificar direitos como férias e 13º , além de limites civilizados e constitucionais de jornada de trabalho.

Estudos do Dieese mostram que mesmo antes da aprovação da lei os trabalhadores terceirizados brasileiros já ganham bem menos do que os primarizados. Imagina se o liberou geral golpista virar lei ? Não é à toa que a proposta conta com forte apoio no meio empresarial, onde prevalece a tese mesquinha de se aumentar a margem de lucro a qualquer custo, sobre pau e pedra.

Nos países do capitalismo central, os empregadores há muito descobriram que trabalhador mal remunerado e sem direitos produz menos, puxando para baixo os resultados de suas empresas.

Quando caixas de banco deixarem de ser bancários formalmente, não é difícil entender que a organização sindical da categoria será ferida de morte. O tsunami da terceirização sem limites atingirá em cheio um sem número de sindicatos. É de se prever que muitos não sobreviverão.

Não surpreende que em pleno estado de exceção, um governo sem a legitimidade das urnas e fruto da ruptura da ordem democrática queira calar a voz dos trabalhadores. Não por coincidência, a CUT está na linha de frente da resistência ao golpe desde que os inimigos da democracia começaram a afiar as garras.

Quanto mais o governo Temer cai de podre, mais ele se torna perigoso e inconsequente. A camarilha que ocupa o Planalto está convencida de que só se salvará da degola se entregar o quanto antes a mercadoria prometida ao mercado : uma profunda regressão social, com a revogação, na prática, da Constituição cidadã de 1988.

Para ganhar tempo, fugir do debate e tentar empurrar a terceirização irrestrita goela abaixo da sociedade, a manobra rasteira dos deputados golpistas foi ressuscitar um projeto dos tempos de FHC, já aprovado na Câmara e alterado pelo Senado. Pelo regimento, basta apenas que os deputados o aprovem para que o texto siga direto à sanção presidencial.
Posted: 09 Mar 2017 04:06 AM PST
Do site da Fundação Perseu Abramo:

A queda do Produto Interno Bruto de 3,6% em relação a 2015, quando a economia já havia retraído 3,8%, de acordo com dados divulgados hoje pelo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), confirma uma tendência de aprofundamento da recessão.

De acordo com o economista da Unicamp e presidente da Fundação Perseu Abramo, Marcio Pochmann, os dados refutam a hipótese de que uma simples mudança de governo seria suficiente para fazer a credibilidade empresarial voltar ao país e a economia sair da recessão. Instituída a política econômica do atual governo, o que houve, de fato, foi um aprofundamento da recessão.

“A fase mais dura da recessão durante o governo da ex-presidenta Dilma Roussef havia durado até a metade de 2015, depois entramos numa fase de redução das quedas. Contudo, com o golpe, no ano passado, o caminho de saída da recessão que já estava em curso foi interrompido e ela tornou a crescer. Tanto é que no terceiro trimestre de 2016 a economia caiu 0,7%. E agora, o último dado revelado, é uma queda de 0,9%”, afirma.

Pochmann diz ainda que a queda da taxa de juros é um fato novo e segue com um ritmo inferior à queda da inflação, de tal forma que temos uma queda nominal mas não real. “A taxa de juros tem aumentado no Brasil. Do ponto de vista do consumo e do investimento, o determinante não é a evolução nominal da taxa de juro, e sim a evolução real, porque a inflação vem caindo mais rapidamente do que a capacidade do Banco Central de reduzir a taxa Selic”.

Já o economista Igor Rocha avalia que a economia passa por uma retração forte da demanda, e todos os eixos que poderiam possibilitar uma recuperação estão travados, inclusive do ponto de vista externo. “O governo faz uma política pró-cíclica quando deveria fazer política anti-cíclica para atenuar a recessão. Só recentemente houve uma queda da taxa de juros, em uma cadência muito inferior à necessidade para provocar uma recuperação”, conclui.
Posted: 09 Mar 2017 03:56 AM PST
Por Leonardo Sakamoto, em seu blog:

A cada 8 de março, Dia Internacional das Mulheres, nós, homens, deveríamos parar, ler, ouvir e refletir sobre como temos sido, consciente ou inconscientemente, por nossas ações ou nossa omissão, física ou psicologicamente, instrumentos de dor e opressão. É (mais) um dia de luta para elas e deveria ser de silêncio para nós.

Daí, aparece Michel ''Ministério de Homens Brancos'' Temer. E, ignorando isso, resolve escancarar o que pensa das mulheres em homenagem à data:

A mulher é, seguramente, a única responsável pela gestão da casa e o futuro das filhas e dos filhos.

Proferiu Temer: ''Tenho absoluta convicção, até por formação familiar e por estar ao lado da Marcela, do quanto a mulher faz pela casa, pelo lar. Do que faz pelos filhos. E, se a sociedade de alguma maneira vai bem e os filhos crescem, é porque tiveram uma adequada formação em suas casas e, seguramente, isso quem faz não é o homem, é a mulher.''

A grande participação da mulher na economia é através da administração do lar.

Decretou Temer: ''Na economia, também, a mulher tem uma grande participação. Ninguém mais é capaz de indicar os desajustes, por exemplo, de preços em supermercados mais do que a mulher. Ninguém é capaz melhor de identificar eventuais flutuações econômicas do que a mulher, pelo orçamento doméstico maior ou menor.''

A mulher deve ser feliz por poder trabalhar, desde que não abandone os afazeres domésticos. Que, como já explicado acima, são sua responsabilidade.

Declamou Temer: ''Com a recessão indo embora, volta o crescimento, volta o emprego. Hoje, graças a Deus, as mulheres tem possibilidade de empregabilidade que não tinham no ano passado. Com a queda da inflação, dos juros, significa que também, além de cuidar dos afazeres domésticos, terá um caminho cada vez mais longo para o emprego.''

A ONU e o IBGE estão errados. Mulheres ganham o mesmo que os homens pela mesma função no Brasil.

Avaliou Temer: ''Homens e mulheres são igualmente empregados.'' ''Com algumas restrições.'' ''Mas a gente vê o número de mulheres que comandam empresas.''

Uma das funções do Estado e de seus gestores deveria ser a de deixar claro que qualquer violência de nós, homens, contra as mulheres não pode ficar sem resposta e punição.

Ao invés disso, com seu discurso tosco, preconceituoso, recheado de incorreções e totalmente afastado da realidade brasileira, Michel Temer foi vetor de manutenção e de propagação do machismo.

Infelizmente, não é só o ocupante do Palácio do Planalto que pensa dessa forma. Ele apenas externou a opinião de milhões de outros homens que, agora, estão se sentindo empoderados pelas porcarias ditas por seu presidente. O desserviço prestado por ele vai custar mais tempo de negação da dignidade para muita gente.

O medo, aliás, é que nada tenha sido gafe. Temer pode ter pensado e falado isso propositalmente para quem ele acredita ser seu público.

Neste dia e sobre esse assunto, meus caros, se não têm nada de muito bom para falar, simplesmente fiquem calados. Aliás, de preferência, fiquemos calados de qualquer forma.

Michel Temer perdeu (de novo) uma grande chance.
Posted: 09 Mar 2017 03:21 AM PST
Posted: 08 Mar 2017 02:54 PM PST
Por Ricardo Gebrim, no jornal Brasil de Fato:

Parte do grande esforço da propaganda das classes dominantes é aparentar mais força do que elas realmente possuem e nos fazer mais fracos do que realmente somos. As forças golpistas enfrentam uma grave crise política, com um acelerado derretimento que só não se potencializa pela intensa blindagem da grande mídia.

O principal projeto da chamada grande burguesia associada e do capital financeiro - setores que estiveram à frente do conjunto das forças golpistas - era estabelecer um acordo de livre comércio, nos moldes da ALCA (Área de Livre Comércio das Américas). Tão logo assumiram o governo, ao definirem as "novas diretrizes para as relações exteriores" proclamaram que o principal objetivo seria "construir pontes em vez de aprofundar diferenças com a Aliança Para o Pacífico, que envolve três países sul-americanos, Chile, Peru e Colômbia, mais o México."

Todo este plano naufragou com a eleição de Donald Trump, que retirou os EUA do Acordo Transpacífico de Cooperação Econômica (TPP), anuncia a intenção de rever o Tratado Norte-Americano de Livre Comércio com Canadá e México (NAFTA) e deixa claro que não prosseguirá com novas iniciativas neste terreno.

As forças econômicas golpistas ficaram à deriva. Já não conseguem prosseguir com seu plano de inserção internacional subordinada e não lhes resta outro caminho senão tentar retomar exatamente as parcerias construídas ao longo dos 13 anos de governo petista que tanto criticaram. Outra ironia da história.

Incapazes de apresentar qualquer projeto de caminho econômico diante da crise que vá além de repetir o mantra do receituário neoliberal e de atrair a confiança de qualquer setor social, não apresentam nenhuma ideia de futuro, acelerando suas medidas impopulares que elevam as tensões sociais.

Nem toda a imensa proteção midiática consegue reduzir as denúncias que recaem sobre Temer e as principais figuras de seu governo. "Fora, Temer" converte-se numa unanimidade nacional, como gritaram a plenos pulmões a maioria das concentrações carnavalescas. Os parlamentares golpistas começam a perceber que pagarão um preço alto nas urnas caso votem nas "Reforma da Previdência" e "Trabalhista", um imenso risco quando mais necessitam assegurar um "foro privilegiado".

Com o passar dos dias, vão se fechando as portas para saídas do tipo: eleição indireta de um governo de "conciliação nacional" ou "regime parlamentarista". Ao mesmo tempo, apavoram-se com a dificuldade para condenar Lula a tempo de inabilitar sua candidatura para 2018. Além de assistirem seus possíveis candidatos sendo inviabilizados pelo envolvimento nas denúncias da Odebrecht.

Não está fácil para os golpistas…

De nosso lado, para as forças populares, o principal desafio segue sendo retomar a capacidade de mobilização. Superar a sensação de apatia que frustra militantes e ativistas neste momento tão difícil, diante de uma enorme derrota política.

É preciso reforçar nossa convicção ideológica e confiar na história. Prosseguir com nossas construções unitárias, manter e apostar energias nas mobilizações previstas e agendadas. Nada nos permite concluir que retomamos um período de refluxo da capacidade de luta. É certo que neste momento parcelas importantes dos setores organizados da classe trabalhadora não enxergam as organizações como suas representações políticas, mas isso não se manterá por muito tempo. As pressões sociais que se avolumam inevitavelmente irão desembocar em grandes mobilizações.

* Ricardo Gebrim é da direção nacional da Consulta Popular.
Posted: 08 Mar 2017 02:15 PM PST
Por Marcos Coimbra, na revista CartaCapital:

O fato novo recente na política brasileira é um fato velho: a constatação de que Lula está bem nas pesquisas. Que é elevada sua liderança nas intenções de voto para as próximas eleições presidenciais e que ela se amplia.

Trata-se de um fato com certeza relevante, mas sem novidade. Faz tempo que é isso que as pesquisas revelam, como CartaCapital vem mostrando nos últimos meses. A tendência é visível até nos levantamentos encomendados pela mídia corporativa, ainda que os divulgue de maneira enviesada.

As intenções de voto em Lula mudaram no terceiro trimestre de 2016. Elas haviam caído entre abril e maio, depois de permanecerem estáveis ao longo de boa parte de 2015 e no início do ano. De setembro para a frente, subiram e continuam ascendentes.

É isso que indicam as pesquisas feitas por todos os institutos, como a mais recente, de responsabilidade do MDA para a CNT. Conduzida em fevereiro, ela identificou um crescimento de 5 pontos porcentuais para Lula, que o levou de 25%, em dezembro, para 30%.

O mesmo vê-se na série de pesquisas do Vox Populi, que mostra que, entre outubro e dezembro de 2016, Lula subiu de 34% para 37%, e do Datafolha, que aponta que, entre julho e dezembro, o petista foi de 22% para 25%.

As pesquisas concordam que Lula melhorou e na intensidade do processo. Discordam, no entanto, quanto ao tamanho de suas atuais intenções de voto, que variam significativamente entre os institutos. Há um aspecto técnico que, provavelmente, explica as diferenças: o lugar que as perguntas eleitorais ocupam no questionário. Alguns institutos as situam no começo, outros mais adiante.

Existe um consenso entre os especialistas de que elas devem estar no início quando a eleição se avizinha, para evitar que as respostas dos entrevistados sejam afetadas por perguntas potencialmente indutivas. Quando, porém, a eleição está distante, o inverso é recomendável.

Abordar uma pessoa na rua e forçá-la a dizer de chofre em quem votaria “se a eleição fosse hoje”, quando faltam mais de 20 meses para a hora da escolha, parece despropositado. O que isso faz é levar a maioria a responder “não sei”.

Por essa razão, o Vox Populi, na distância em que estamos da eleição presidencial, opta por começar o questionário com perguntas de contextualização: como o entrevistado percebe a situação do País, que expectativa tem a respeito de questões como inflação e desemprego, qual sua avaliação do governo federal, além de uma pergunta “aberta”, sem menção a qualquer nome, sobre “o melhor presidente que o Brasil já teve”.

Essa metodologia não afeta os resultados fundamentais, como se vê na semelhança entre os institutos. O que ela provoca é a redução da indecisão induzida presente em outras pesquisas, que decorre da intempestiva sujeição dos entrevistados a perguntas descontextualizadas.

Adotá-la não modifica o desempenho dos demais candidatos, mas faz com que Lula tenda a aparecer melhor. O que quer dizer que somente ele cresce quando a entrevista é contextualizada, ou seja, que, quando os entrevistados pensam um pouco mais na eleição, quem avança é Lula.

Em dezembro, em lista com Aécio Neves, ele tinha 37% no Vox Populi, 12 pontos a mais que no Datafolha, enquanto o tucano estava do mesmo tamanho nas duas pesquisas (11% e 13%, respectivamente).

Como se percebe pela linha do tempo, independentemente do tamanho que têm, as intenções de voto no ex-presidente aumentaram depois da derrubada de Dilma Rousseff. A deposição beneficiou-o, pois libertou sua imagem (e a de seu governo) da crise vivida por ela. Sem Dilma no poder, ele cresceu.

É claro que o fracasso administrativo e moral de Michel Temer o ajudou, assim como o desgaste dos adversários. As qualidades que a população enxerga em Lula, somadas aos defeitos dos outros, é que explicam seu favoritismo.

Não se pense que decorre da ignorância do cidadão comum a respeito das acusações que contra ele fazem os inimigos. Nessa mesma pesquisa em que alcança 37% quando enfrenta Aécio, 38% quando o nome é Alckmin e na qual obtém 43% e 45% no segundo turno contra eles (que têm idênticos 20%), o conhecimento de que foi indiciado pelos procuradores da Lava Jato chega a 96%.

É patético que o Brasil esteja a discutir se uma liderança como Lula poderá ou não ser candidato, a depender da decisão monocrática de um juiz. Seus superiores não ousam contrariá-lo, mas ele tudo faz para contrariar o desejo de dezenas de milhões de cidadãos. Fomos longe na subversão da democracia.
Posted: 08 Mar 2017 01:52 PM PST
Por Esther Dweck, no site Carta Maior:

O governo Temer tem se aproveitado de diversas medidas dos governos Lula e Dilma. A transposição do Rio São Francisco é talvez o exemplo mais emblemático. Outro exemplo é o “Conselhão”, criado por Lula em 2003, para dialogar com a Sociedade Brasileira, com academia, trabalhadores e empresários, foi reconfigurado pelo governo Temer.

Ontem, houve uma apresentação do Ministro Meirelles para o “Conselhão”. A apresentação poderia se chamar como destruir um projeto de desenvolvimento inclusivo, mas segundo ele é a pauta para retomada do crescimento. Os pontos apresentados por ele deixariam os ideólogos do Consenso de Washington com inveja: como não pensaram em tanta maldade junta.

O neoliberalismo começou em 1973, com um golpe de Estado no Chile. No Brasil, ele entrou por via eleitoral e, justamente por isso, foi mais tímido do que em outros países. A memória do regime militar e toda a agenda defendida na Constituição Cidadã ainda estavam muito frescos durante os Governos Collor e FHC para que fossem destruídos os pilares básicos da Constituição. Não faltaram tentativas, mas os instrumentos não foram destruídos.

Com a vitória de um projeto inclusivo nas urnas, em 2002, os instrumentos foram utilizados para promover, pela primeira vez na história do Brasil, um projeto de crescimento inclusivo. Podem existir várias críticas e muitos podem achar que faltou aprofundar em algumas áreas chave. Mas é difícil não reconhecer todos os avanços dos 13 anos que terminaram com mais um golpe.

Ontem, foi apresentada a destruição desses mecanismos pelo Sr. Meirelles.

Em primeiro lugar, ele propõe o ajuste fiscal permanente como condição necessária para retomada do crescimento, tendo como os elementos centrais dois pontos. A EC95/2016 (teto declinante dos gastos), que promoveu uma redução dos mínimos constitucionais de saúde e educação e irá impor diversos cortes nas despesas sociais. E o segundo ponto é a Reforma da previdência, uma reforma que irá excluir diversos brasileiros do sistema e que destrói o sistema como o pilar de distribuição de renda e da proteção social no Brasil.

Eu não sei em que mundo eles vivem, mas há um movimento mundial para demonstrar que ajuste fiscal só aprofunda a crise econômica.

Na apresentação, ele chegou a afirmar que o crescimento está sendo retomado. Eu não sei em qual País, porque os últimos números divulgados pelo IBGE mostram que, na margem, nos últimos dois trimestres de 2016, a economia voltou a piorar. O carryover para o crescimento de 2017, que é o crescimento da economia se esta ficar onde está, é de -1,1%. Ou seja, se nada acontecer, teríamos uma terceira queda do PIB. Algo visto apenas em países com grandes catástrofes.

Depois, ele apresentou a tal Agenda de Produtividade e Crescimento no Longo Prazo. O início é uma agenda de desburocratização, sem impactos concretos e com alguma penalidade aos consumidores. O mais interessante é que apresentou reformas relacionadas ao crédito, sem fazer o básico, que era aumentar o crédito dos bancos públicos. O BNDES tem acumulado caixa ao invés de contribuir para retomada do crescimento. Os números são de mais de R$100 bilhões em caixa, fora a devolução antecipada de R$ 100 bilhões ao Tesouro.

Em seguida, vem o receituário de abertura comercial, com destaque para a liberação da venda terra para estrangeiros. Consolidam assim a agenda entreguista imposta desde maio de 2016.

Mas a cereja do bolo é o slide onde apresenta as “Várias Reformas Liberalizantes”, como se as anteriores não fossem ingredientes típicos das agendas mais fundamentalistas do liberalismo econômico.

Os pontos principais dessas reformas liberalizantes são três. O primeiro é a destruição da legislação trabalhista, com terceirização geral e irrestrita, a prevalência do negociado versus o legislado e a flexibilização da jornada. O mais interessante é que o Brasil tinha, em 2014, a menor taxa de desemprego da história, sem que tivessem sido necessárias quaisquer dessas mudanças.

As outras duas medidas demonstram a falta total de compromisso com o desenvolvimento do País. A proposta é a reversão de medidas essenciais para garantir que recursos públicos ou recursos naturais do País sejam utilizados para gerar desenvolvimento tecnológico e emprego industrial no Brasil. Fim da margem de preferência nas compras governamentais e a “reforma” do conteúdo nacional do setor de Óleo e Gás, com a proposta de “horizontalização” e globalização dos requisitos de conteúdo nacional, que na prática elimina a exigência.

Mesmo que por uma questão estatística e pelos atuais estabilizadores automáticos a economia pare de cair e até encontre um crescimento positivo, se todas as propostas forem efetivamente implementadas, será o fim de um modelo de crescimento inclusivo e para todos.

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