sábado, 11 de março de 2017

11/3 - Altamiro Borges DE HOJE

Altamiro Borges


Posted: 11 Mar 2017 10:52 AM PST
Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:



Nada tira do professor Leandro Karnal a qualidade de homem extremamente hábil com as palavras e a arte de pronunciá-las.

Nada, ou ninguém, também lhe tira o direito de encontrar-se com quem quer que seja, quando, se e como desejar.

Inclusive com o Juiz Sérgio Moro, que agora deve estar se sentindo intelectualmente só, depois que escassearam seus encontros com o agora ocupadíssimo João Dória Júnior, que salta a trocar de fantasia todos os dias.

Mas ninguém, igualmente, pode achar que Karnal é um tolinho que não saiba que gestos têm, necessariamente, significados.

Já nem me refiro ao falso “amigo ” como classifica Sérgio Moro – pois se é, deveria ter registrado esta amizade ao tantas vezes ser questionado sobre o clima de perseguição em que o Doutor mergulhou o país. Se é, ou foi desonesto ao amigo, ou foi desonesto com os ouvintes e leitores de suas palestras e textos.

Mas, ainda que fosse colega de longa data do Dr. Moro, fosse uma autoridade pública ali por dever de ofício, fosse um encontro fortuito ou casual, nada se poderia objetar ao cumprimento polido, à troca de palavras protocolares.

É da vida e é da boa educação.

Nem, por acaso, a foto “vazou”: foi assim, como que distraidamente, distribuída pelo Facebook de Karnal.

Não foi, porém, nada disso. Apenas uma cena que convém, pela mesma razão, a ambos: aquilo que consideram ser a promoção de suas imagens.

Porque o professor Karnal há de reconhecer que somos pessoas medianamente inteligentes e entendemos que a liberdade que se alcança com o pensamento é o antípoda de quem encarcera pessoas por “cognição sumária”. Então, ele poderia nos poupar desta história de “possibilidade de projetos futuros” entre ambos.

Karnal foi apenas, carnal, ambicioso: jogou um lance para criar polêmica e, quem sabe, prosseguir carreira em platéias maiores, com ingressos mais caros.

Professor, que dizer do fato de que o senhor, infelizmente, vai ter de fazer o “marketing do perseguido pela esquerda”, algo assim semelhante aos Roger e Lobão, que ao menos tinham a desculpa da decadência para se vestirem de “moristas”.

E o o senhor pensa em auto-ajuda, deveria se mirar no exemplo de Paulo Coelho, que vive de escrever suas idéias, delírios e constatações, goste-se delas ou não, sem vender a si mesmo no “pacote”.

O senhor, com este gesto comercial, ao contrário, vendeu tudo o que disse e escreveu sobre liberdade, tolerância, pluralismo, civilização.

Paulo Coelho, em degraus de dignidade, mostrou que está escadarias à frente do senhor, porque vende livros, não vende o autor ao “marquetismo” barato da sua imagem pessoal.

Afinal, não é de seu amado Shakespeare a frase de que “nada em si é bom ou mau; tudo depende daquilo que pensamos”?

Pois é, professor, os reis, como o “Rei Moro” sempre acabam por divertir-se com um bobo, ao qual dão o direito até de dizer certas inconveniências.
Posted: 11 Mar 2017 10:46 AM PST
Por Clemente Ganz Lúcio, na revista Teoria e Debate:

No Brasil, iniciativas dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário visam à promoção de mudanças nas regras e normas trabalhistas, o que trará grande impacto sobre o sistema de relações de trabalho, as formas de contratação, a jornada de trabalho, a remuneração, as condições de trabalho, os sistemas de negociação coletiva, o direito de greve, a organização e o financiamento sindical. Já está em debate no Congresso o amplo e perverso projeto de reforma da Seguridade e Previdência Social, depois de ter sido aprovada a mudança constitucional e legislativa que congela os gastos públicos em termos reais por vinte anos.

Essas reformas se processam em um ambiente e no contexto de uma das mais profundas crises econômicas que o país já viveu, com severo aumento do desemprego e de grave crise fiscal. As reformas mencionadas são justificadas como necessárias para recuperar a competitividade da economia, reduzir o custo do trabalho, flexibilizar a capacidade de inciativa das empresas, recuperar os empregos, modernizar a legislação e o sistema de relações de trabalho, além de gerar equilíbrio fiscal.

Nesse início de semestre (2017), encontra-se em debate no Congresso Nacional o Projeto de Lei no 6.787, encaminhado pelo Executivo, que altera as regras referentes ao trabalho em tempo parcial; define a representação dos trabalhadores no local de trabalho, eleição e funções; afirma o incentivo à negociação coletiva em vários temas, como férias anuais, jornada de trabalho, participação nos lucros e resultados, horas “in itinere”, intervalo intrajornada, ultratividade, Programa Seguro-Emprego, plano de cargos e salários, regulamento empresarial, banco de horas, trabalho remoto, remuneração por produtividade, registro da jornada de trabalho; e redefine trabalho temporário.

Segundo levantamento realizado pelo relator da reforma trabalhista, deputado Rogério Marinho (PSDB-RN), tramitam no Congresso Nacional cerca de 2.300 projetos que se relacionam com diversas questões do mundo do trabalho e da organização sindical. Nesse momento se destaca a retomada do processo de regulamentação do direito à terceirização – relação entre empresas, que terá repercussão sobre a vida dos trabalhadores e a representação sindical. Na pauta quase imediata também está o direito de negociação e de greve para os servidores públicos, além de inúmeras outras questões tratadas em diversas comissões. De outra parte ainda, o Supremo Tribunal Federal vem editando sentenças com repercussão geral, como no caso da ultratividade, da contribuição sindical, entre outras.

Essas inciativas estão em sintonia com a grande mobilização de reformas trabalhistas implementadas em mais de uma centena de países, desde o início da crise econômica, cujo ápice foi em 2008. A queda do nível de atividade produtiva, a recessão, o desemprego, a crise fiscal, entre outros, são problemas vivenciados por quase todo o mundo, enfrentados por muitos países com planos que incluíram uma agenda de reformas sociais e laborais.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) publicou um estudo1, produzido pelos pesquisadores Dragos Adascalieti e Clemente Pignatti Morano, sobre reformas legislativas laborais e de mercado de trabalho em 110 países, promovidas no período de 2008 a 2014. A pesquisa atualiza investigações anteriores, bem como faz comparações com estudos do Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Mundial e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

O fundamento comum observado nas diversas inciativas de reformas, no contexto da grave crise e da estagnação econômica com desemprego, foi o de aumentar a competitividade das economias ou criar postos de trabalho.

Nos países desenvolvidos predominam iniciativas para reformar a legislação do mercado de trabalho no que se refere aos contratos permanentes. Já nos países em desenvolvimento, observaram ênfase maior em reformas das instituições da negociação coletiva. As duas dimensões estão presentes, com maior ou menor intensidade, na maioria dos projetos de reforma implementados. Outra observação geral indica que a maioria das reformas diminuiu o nível de regulamentação existente e teve caráter definitivo. Foram analisadas 642 mudanças nos sistemas laborais em 110 países. Em 55% dos casos, as reformas visaram reduzir a proteção ao emprego, atingindo toda a população, tinham caráter permanente, produzindo uma mudança de longo prazo na regulamentação do mercado de trabalho no mundo.

As altas e crescentes taxas de desemprego formam o contexto que criou o ambiente para catalisar as iniciativas de reformas e disputar a opinião da sociedade sobre elas. De outro lado, os resultados encontrados no estudo não indicam que as reformas de redução ou aumento da regulação do mercado de trabalho tenham gerado efeitos ou promovido mudanças na situação do desemprego.

Vale prestar muita atenção ao fato de o estudo indicar que mudanças como essas na legislação trabalhista, realizadas em período de crise e que visam reduzir a proteção, aumentam a taxa de desemprego no curto prazo. Ademais, não se observou nenhum efeito estatístico relevante quando essas mudanças foram implementadas em períodos de estabilidade ou expansão da atividade econômica. Mais grave ainda, as reformas “liberalizadoras”, que facilitam o processo de demissão, tenderam a gerar aumento do desemprego no curto prazo. Esses resultados são corroborados por outros estudos produzidos pelo FMI e pela OCDE (2016).

Do total de reformas, destacam-se aquelas que diminuem os níveis de regulação, das quais: 74% trataram de jornada de trabalho, 65% de contratos de trabalho temporário, 62% de demissões coletivas, 59% de contratos permanentes, 46% de negociações coletivas e 28% de outras formas de emprego.

Depois de longo período sem debater, de maneira sistemática, medidas de reformas trabalhistas e sindicais, uma grande agenda de mudanças se impõe por inciativa dos três poderes no Brasil. O sistema de relações de trabalho e organização sindical merece permanente e cuidadoso processo de aprimoramento, o que se pode denominar de reforma, ou seja, mudanças que busquem melhorar e modernizar.

De outro lado, promover a geração de empregos é um dos principais objetivos da política econômica, e a legislação deve criar um marco regulatório que aperfeiçoe a segurança no emprego e favoreça a criação de mais e melhores postos de trabalho.

Para pensar e debater as reformas e as mudanças no sistema de relações de trabalho, que deveriam ser orientadas para o fortalecimento dos sindicatos como instrumento de representação do interesse coletivo, devem ser observadas algumas diretrizes orientadoras, que norteiam a intervenção sindical:

• Incentivar o diálogo e as soluções compartilhadas;
• Valorizar e incentivar a negociação coletiva em todos os níveis (chão da empresa, local, setorial e nacional);
• Fortalecer a representatividade sindical desde o local de trabalho;
• Promover a solução ágil de conflitos;
• Assegurar segurança jurídica aos trabalhadores e empregadores (privados e públicos);
• Orientar a harmonia e complementariedade entre o legislado e o negociado;
• Favorecer aprimoramentos e/ou mudanças de processos, procedimentos e organização com caráter voluntário e incentivo para a adesão das partes.

O sistema de relações do trabalho tem vínculos profundos com as demais políticas e instituições, bem como as reformas que o modernizam podem ser alavancadoras de novo patamar de desenvolvimento. É preciso aproveitar a crise para gerar a mais rápida transição para o crescimento, destravando obstáculos que têm impedido a retomada da economia. Mas mudanças precisam fortalecer a negociação e o diálogo de organizações representativas, em um ambiente institucional que valorize a solução dos conflitos pelas partes e que seja capaz de criar compromissos com o interesse geral da sociedade, elementos que atuam para favorecer e promover o desenvolvimento do país.

* Clemente Ganz Lúcio é diretor técnico do Dieese.

Nota:

1. Drivers and effects of labour market reforms: Evidence from a novel policy compendium (IZA Journal of Labour Policy e no OIT Whats Work, Research Brief 05). Disponível em: http://www.ilo.org/wcmsp5/groups/public/---dgreports/---inst/documents/p...
Posted: 11 Mar 2017 07:19 AM PST
Por Miguel do Rosário, no blog Cafezinho:

O premiado jornalista Gilberto Dimenstein descobriu que umas das fontes mais prolixas de notícias falsas, na internet brasileira, é o MBL, o “movimento social” patrocinado pelo PSDB.

Bom saber.

Faltou talvez Dimenstein admitir que o exemplo foi dado pela grande imprensa, como Folha, onde ele mesmo trabalha, que publicou certa feita uma ficha falsa de Dilma Rousseff. Pega na mentira, a Folha saiu-se com um clássico da pós-verdade (e acho que, na época, ainda nem se usava muito esse termo): “a autenticidade [do documento] não pode ser assegurada, bem como não pode ser descartada”.

Estou dando apenas um exemplo: a tradição de pós-verdade da mídia corporativa, hoje, é uma rotina diária.

Naturalmente, a mídia é muito mais competente, em produção de mentiras, do que o MBL e sites como o “Jornalivre”.

Outra coisa interessante: Dimenstein também parece ter esquecido que a Folha, onde ele trabalha, passou todo o período de construção do golpe tratando o MBL como um movimento social muito importante. O jornalista não quis ligar os pontos: que o mesmo MBL, tão importante para dar ao impeachment um colorido de “movimento de rua”, sempre abusou da mentira para confundir o debate público.

O Fernando Holiday, que Dimenstein descobriu agora ser um mentiroso contumaz, inaugurou diversas ações genuinamente fascistas na Câmara de Vereadores de São Paulo, como invadir reuniões alheias, apenas para provocar, tentando obter alguns segundos de vídeo que lhe permitisse produzir um simulacro de realidade. (simulacro de realidade é também conhecido popularmente como “mentira”).

Ao final do texto, o jornalista ainda comete uma pequena – quase inocente – sabujice, mas que também é típica de nossos tempos de intolerância política: diz que essa “canalhice” acontece à esquerda e à direita. A observação me fez imaginar um jornalista, após descobrir que o monstro da Noruega que assassinou dezenas de jovens era próximo de organizações de extrema-direita, terminasse sua reportagem ressaltando que essa “canalhice acontece à direita e à esquerda”.

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No Comunique-se
Minha descoberta sobre notícias falsas

Por Gilberto Dimenstein

Um dos temas mais importantes – talvez o mais importante – das mídias hoje é a disseminação de notícias falsas pelas redes sociais. Algumas das melhores cabeças do mundo estão buscando soluções. O que se tem de concreto é o seguinte: o jornalismo está em alta justamente por ter como missão (muitas vezes não consegue) buscar um mínimo de precisão.

Quero compartilhar aqui minha investigação – e certamente vai ajudar os mecanismos de combate à falsidade. Dirigentes do MBL (talvez por serem muito jovens e não saberem que eu, como repórter, ganhei os principais prêmios dentro e fora do Brasil por minhas reportagens investigativas) começaram a disseminar contra mim notícias obviamente mentirosas. Deixei correr para descobrir as pistas, sabendo que, por inexperiência, rastros seriam deixados.

Vi, então, que um dos disseminadores das mentiras é o líder do MBL, Fernando Holiday. Numa conversa telefônica (gravada), ele me revelou que o texto não era dele. Mas “concordava”. Perguntei-lhe, então, já que ele tinha tanta certeza, qual era sua fonte de informação. Revelou: Jornalivre.

Bastava ele dizer para mim: “peço desculpas, fui induzido a erro”. Tudo teria acabado aí. Não: com mais ferocidade, ele gravou um vídeo reafirmando todas as acusações. Achei estranho. Como estudante de Direito, ele deveria desconfiar de sua fragilidade numa ação de indenização por danos morais. Essa ferocidade aguçou minhas desconfianças.

Pode-se acusar Holiday de qualquer coisa. Menos de burro. Ele tem, no seu universo, uma trajetória de sucesso: venceu as barreiras criadas por ser pobre, negro e gay. Nesse ponto, admito, eu até o admiro. E, sinceramente, apesar de ele ter ideias muito diferente das minhas, também aprecio quem se dispõe a lançar debates contra a corrente – acho que esse tipo de provocação ajuda uma reflexão coletiva.

Por que ele insistiria em manter falsidades que daria para desmontar em 30 segundos? Ele escreveu, por exemplo, que eu tenho um “boteco” na Vila Madalena. Fiz um desafio nas redes sociais que chamou a atenção de centenas de milhares de pessoas: quem provar que eu tenho esse tal “boteco” pode ficar com o imóvel. Gerou então uma caça à comprovação.

Sabia que, ao fazer o desafio, rastros seriam deixados pelos responsáveis dessa engrenagem de fake news para provar que seria mesmo um “boteco”. Perfis falsos começaram a surgir usando o mesmo estilo de escrita de pessoas que eu já conhecia.

Comecei a investigar o Jornalivre que, recentemente, saiu numa lista de sites falsos. O site não é registrado no Brasil. Até aí, ok. Não tem expediente. Nem contato. Fui mais longe e colhi fortes indícios de que a fonte original é um publicitário de uma grande agência de publicidade brasileira, banido desta página por ser um hater. Descobri comunicação, via redes sociais, entre esse publicitário e dirigentes do MBL. Quando tiver as provas materiais, darei o nome. Vocês vão ficar surpresos em saber que alguém assim ocupa um cargo tão importante numa agência tão importante.

Como um site que não tem expediente – ou seja, um responsável – pode ser fonte confiável? Ainda mais para um homem público? Assim se vê a trilha. Monta-se um site falso, impossível de responsabilizar alguém – e uma rede dissemina.

Aviso: essa canalhice digital ocorre à esquerda e à direita.

***

Gilberto Dimenstein. Jornalista, escritor e empreendedor. Ao longo de sua carreira, foi contemplado com diversas premiações nacionais e internacionais, incluindo troféus no Prêmio Comunique-se. Na imprensa, colaborou com a Folha de S. Paulo por 28 anos, integrou o time de colunistas da CBN e idealizou o site Catraca Livre.
Posted: 11 Mar 2017 07:04 AM PST
Por Leonardo Sakamoto, em seu blog:

Uma das funções das leis trabalhistas e das instituições que zelam pela sua aplicação e equilíbrio, como a Justiça do Trabalho e o Ministério Público do Trabalho, é mediar a relação entre as pessoas que vendem sua mão de obra e as empresas e governos que as compram. O sistema não é perfeito, claro, mas tem contribuído para garantir um mínimo de dignidade nas relações de trabalho.

Se essas leis fossem reduzidas a pó e essas instituições perdessem força, como desejam parte dos parlamentares, o que impediria a superexploração de pessoas pobres até o limite de suas forças sob a eterna chantagem do ''não está feliz, vá embora porque há quem trabalhe só por comida''? E, por outro lado, o que impediria que trabalhadores que acreditam estar sendo superexplorados, ao invés de começarem uma greve, partissem para a justiça com as próprias mãos?

É interessante que o presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia (DEM-RJ) que, em tese, representa o povo e é responsável pela proposição de leis para que nossa sociedade viva da forma mais harmoniosa possível, considerando as contradições inerentes ao capitalismo, queira um cenário com menos regras e sem instituições para vigiar o cumprimento das regras que sobrarem. Isso fica claro tanto por sua desastrosa declaração de que o Judiciário trabalhista nem deveria existir e pelas pesadas críticas à CLT, culpando-a, inclusive, por desemprego em massa.

Será que Maia e amigos gostariam de ver uma luta de classes ao pé da letra com o mais forte levando a melhor? Pois apesar do que acreditam algumas pessoas com graves problemas de interpretação de texto, ''luta de classes'' não é ringue de boxe de pobre e rico, mas uma expressão que explica uma dinâmica social, política, econômica e ideológica entre quem detém os meios de produção e quem neles trabalha.

Duas conjecturas a partir desse questionamento:

– Rodrigo Maia e amigos desejam, saudosos do início do século 20, que as reivindicações trabalhistas voltem a ser tratadas como um caso de polícia. Ou seja, parou de trabalhar e reclamou? O pau vai comer.

– Rodrigo Maia e amigos são revolucionários anarco-sindicalistas e querem derrotar o Estado para que os trabalhadores possam, através da autogestão e da democracia direta, governarem a si mesmos. Ou seja, seremos livres quando o último rei for enforcado nas tripas do último padre.

Desconfio que não é a segunda.

Em 1886, uma greve geral começou no dia Primeiro de Maio em Chicago, nos Estados Unidos, exigindo a redução da jornada de trabalho para oito horas por dia. Isso acabou em tragédia, com manifestantes e policiais mortos e sindicalistas condenados (injustamente) à morte. Nos anos seguintes, a data foi escolhida para ser um dia de luta por condições melhores de trabalho. Menos nos Estados Unidos, em que o Labor Day é na primeira segunda-feira de setembro.

Quem visita a cidade norte-americana, encontra uma frase gravada em um monumento: ''Chegará o dia em que o nosso silêncio será mais poderoso do que as vozes que vocês estrangularam hoje''.

Só o trabalho gera riqueza. E o silêncio de trabalhadores, que se reconhecem como tais, percebem a injustiça que, muitas vezes, recai sobre eles e resolvem cruzar os braços, não apenas aumentou salários ao longo do tempo, mas já ajudou a derrubar regimes, a democratizar países, a mudar o rumo da história.

Um dos mais importantes direitos mediados pela Justiça do Trabalho é o direito à greve – que é visto como heresia por parte do mercado e de seus representantes políticos.

Aliás, em qualquer cidade grande brasileira, temos relatos de trabalhadores em greve que ainda apanham, levam tiros e respiram gás. Manifestações que questionam a desigualdade e a injustiça social tendem a ser reprimidas pela força pública. São vistas como subversivas. As ''ordeiras'', que não mexem com a estrutura econômica e social do país, são aplaudidas pelos governantes de plantão.

A vida já é difícil com alguém mediando o regulamentado direito à greve. Imagine como seria o vácuo disso. Quem decidiria se uma greve é legal ou não? O comandando do Batalhão de Choque da Polícia Militar?

O Brasil está correndo a passos largos para rasgar sua legislação trabalhista. E há políticos e empresários que se esforçam para deslegitimar o sistema do judiciário trabalhista. Se a ampliação da terceirização não significasse redução de direitos, por exemplo, não estariam tentando te convencer tão arduamente de que isso é melhor para você e para o país.

Todos os direitos que temos hoje não foram dados por alguém de forma milagrosa, mas são fruto de lutas brasileiras ou internacionais de gerações. E consequência de muita mediação entre patrões e empregados sob o monitoramento da Justiça e do Ministério Público. É função dos governantes fazer parecer que foram eles que, generosamente, concederam. E função da história dos vencedores registrar isso como fato.

Temos diversas formas de silêncio. O poder não está no silêncio das bocas fechadas que aceitam as coisas como elas são porque acreditam que nada pode mudar e que ficam felizes se ganharam uma TV do sindicato no feriado ou porque tiveram acesso ao próprio FGTS.

Mas dos braços parados que se negam a produzir riqueza quando um diálogo aberto e franco com os empregadores seja estabelecido.

Quem é contra as instituições que possibilitam esse diálogo acredita que o silêncio é libertador. Mas de outra forma, através da repetição incansável do temerário mantra ''não fale em crise, trabalhe''.

Escondem o fato de que, sem leis e sem Justiça, o que temos é a mais completa barbárie.
Posted: 11 Mar 2017 06:40 AM PST
Por Kiko Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo:



A esquerda que tinha Leandro Karnal em alta conta está em convulsão por causa da foto que o professor postou em sua conta no Facebook.

Na legenda: “Dia intenso em Curitiba. Encerro com um jantar com dois bons amigos: juiz Furlan e juiz Sergio Moro. Talvez não faça sentido para alguns. O mundo não é linear . A noite e os vinhos foram ótimos. Amo ouvir gente inteligente. Discutimos possibilidades de projetos em comum.”

Anderson Furlan, o anônimo do grupo, é amigo de juventude de Moro e revisor de seus trabalhos acadêmicos.

Karnal vive seu dia de Chico Alencar, o deputado que beijou a mão de Aécio Neves num jantar de Ricardo Noblat e nunca mais foi o mesmo.

Celebridade do YouTube, colunista do Estadão, comentarista do Jornal da Cultura e palestrante, Karnal faz sucesso dando filosofia mastigada e “pílulas de sabedoria”, na linha inaugurada pelo suíço radicado em Londres Alain de Botton.

Explora um filão formado, basicamente, por gente que tem preguiça de ler. Ponto para ele.

Juntamente com Mário Sergio Cortella e Clóvis de Barros, virou referência para um público progressista. Uma espécie de contrapartida a Olavo de Carvalho, arquirrival do trio. Cultiva com carinho a careca lustrosa, marca registrada.

Na morte de Dona Marisa, escreveu alguns parágrafos amplamente compartilhados. “Quando você não tiver uma palavra de conforto para quem perdeu a mãe ou a esposa, simplesmente, cale a boca. Sinto-me envergonhado por coisas que li na internet”, pontuou.

Sobre a “nova direita brasileira”, citou Brecht para lembrar que “a cadela do fascismo está sempre no cio, sugerindo a intervenção militar, dizendo que a mulher apanhou porque merecia, e estuprada porque foi leviana.” Etc.

Karnal não é bobo e sabe que o cidadão com quem dividiu aquela mesa é deus para os fascistas que ele denuncia. Basta entrar na comunidade da mulher de Moro para ver a galera. Estão todos lá, chamando-o de “comunista”. Podem virar seus fãs daqui em diante.

A sabujice no tratamento a Moro e Furlan é abjeta (“amo ouvir gente inteligente”). A justificativa, tentando antecipar as críticas, é falaciosa (“o mundo não é linear”).

A verdade está na última linha: “possibilidades de projetos em comum”. Leia-se: grana. Karnal sabe ganhar dinheiro. Viu em Moro mais uma fonte de renda. Um livro, talvez? Uma série de conferências? Shows? Vai de acordo com o freguês.

Se você ficou decepcionado, pense no lado bom: ele saiu do armário e não engana mais ninguém.

“O Leandro Karnal é um picareta intelectual que mistura ficção e realidade”, disse Olavo de Carvalho. Desta vez, parece que Olavo tem razão.
Posted: 11 Mar 2017 06:31 AM PST
Da revista Fórum:

Alexandre de Moraes, que acaba de ser nomeado ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), já mostrou que não permitirá críticas a seu respeito e está tentando censurar uma entrevista do ex-ministro Eugênio Aragão. A Justiça acatou um pedido do ex-tucano e determinou que o PT retire de seu site a entrevista em que Aragão faz críticas ao, até então, ministro da Justiça do governo Temer. O jornalista Paulo Henrique Amorim, que reproduziu a mesma entrevista, também teria sido notificado.

Moraes argumentou que a entrevista de Aragão continha “informações falsas e difamatórias” e que aquilo estava lhe causando “prejuízo moral”. A juíza Cristina Inokuti, da 3ª Vara Cível de São Paulo, concordou e escreveu em sua decisão que a entrevista em questão contém “indícios de abuso do direito constitucional de liberdade de expressão e informação”.

Na entrevista que Moraes está tentando tirar do ar, o ex-ministro Eugênio Aragão disse que a pasta da Justiça era “muita areia pra caçambinha dele [Moraes]” e que o ex-tucano tinha um “histórico de arbitrariedades”.

Na sentença, a juíza deu um prazo de cinco dias para que o PT retire a entrevista do site, sob pena de multa de R$1000 ao dia.

O PT, por sua vez, informou que vai recorrer da decisão. O secretário nacional de comunicação do partido, Alberto Cantalice, disse por meio de nota que “a censura sofrida pelo página do PT na internet, a partir de uma ação judicial movida pelo ex-ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, é mais um atentado à democracia perpetrado por integrante do ilegítimo governo golpista que hoje ocupa o poder no Brasil”.
Posted: 11 Mar 2017 06:24 AM PST
Por Luis Nassif, no Jornal GGN:

Peça 1 – o desmonte global

A entrevista do filósofo francês Bernard Henri-Lévy ao Globo (https://goo.gl/nd52T8) reflete com algumas diferenças o que ocorre no Brasil de hoje.

Sua previsão é a de que os Estados democráticos rumam para o populismo e o niilismo, um clima similar ao da véspera da Primeira Guerra Mundial – não coincidentemente, período que testemunhou o fracasso da financeirização da economia global.

Em 1914, esse clima foi descrito como o “apocalipse alegre”, uma espécie de sonambulismo, a forma como as grandes democracias caminharam para sua destruição.

​Hoje em dia, a esquerda francesa destruiu seus dois candidatos mais consistentes (Françoise Hollande e Manuel Valls”. A direita destruiu sucessivamente seus três candidatos: Nicolas Sarkozy, Alain Juppé e François Fillon.

Deixaram o campo aberto para a extrema direita.

A lógica política, segundo Lévy é que a esquerda sustenta o muro de valores, mas o que segura o fascismo é a direita democrática. E esse bastião liberal está prestes a ruir na França.

Não se pode colocar toda a esquerda no mesmo baú, diz ele. Na América Latina, há uma esquerda respeitável, representada por Lula, e um tipo populista, “adulando os baixos instintos”, como Hugo Chávez. Na França, diz ele, o mérito de François Miterrand, François Hollande e Manuel Valls foi começar a operar essa quebra na frente das esquerdas, entre a esquerda democrática e a totalitária.

Já o populismo de direita, segundo ele, decorre de uma fadiga de democracia, de um ódio das elites. O populismo é o fim do populus e o triunfo da turba, diz ele.

Lévy atribui a vitória de Donald Trump a um movimento de caráter mundial, a revolução das ideias simples, dos que buscam bodes expiatórios, dos racistas, das pessoas que desprezam a democracia. Menciona a pós-verdade, os chamados “fatos alternativos”. Há uma situação filosófica nova, da mentira e a verdade terem o mesmo status. E total desconfiança em relação aos sábios, aos atores políticos, aos partidos. “Estamos em uma época em que repudiar as elites pode se tornar mais desejável para um povo do que assegurar sua prosperidade”, diz ele.

Percebe ele um forte crescimento do antissemitismo, inclusive dentre os seguidores de Trump. O slogan de Trump, “Estados Unidos primeiro”, foi tirado do movimento fascista nos EUA de 1940, liderado pelo aviador Charles Lindenberg.

O mesmo sentimento de desmonte, que vivemos no Brasil, vive-se na Europa. Lévy vê a Europa se desfazendo e todas as figuras decentes da política europeia sendo demolidas. O grande erro dos europeus, diz ele, foi o de pensar que a Europa era irreversível, aliás, sentimento similar aos que jamais imaginaram que o Brasil poderia regredir tanto em tão pouco tempo.
Peça 2 – o fator Doria

Nesse cenário globalmente confuso, a pré-estreia da lista da Odebrecht já promoveu um corte definitivo na política brasileira: o fim do revezamento tucano em torno de três lideranças, José Serra, Geraldo Alckmin e Aécio Neves.

A blindagem do Procurador Geral da República (PGR) Rodrigo Janot poderá livrar os três caciques do PSDB dos processos criminais. Politicamente, esta semana marcou o seu fim e o nascimento precoce da candidatura de João Dória Jr para a presidência.

Dória é um enorme upgrade no jeito tucano de fazer política. Talvez seja o representante máximo desse espírito yuppie que tomou conta das novas gerações empresariais, do Ministério Público Federal, de parte das corporações públicas e do Judiciário. É só conferir o deslumbramento com que o juiz Sérgio Moro acolhia seus convites.

Ele tem várias vantagens sobre os caciques históricos do PSDB.
Tomar a parte pelo todo

A estratégia anti-Estado do PSDB pós-Mário Covas abriu mão de qualquer forma de massificação de direitos sociais. Como conquistar eleitores?

1- Vendendo a ideia de que menos Estado significa mais eficiência.

2- Criando factoides, alguns projetos pilotos e batendo bumbo, como se a fração representasse o todo.

A realidade das grandes metrópoles e, especialmente, do Estado nacional, é muito complexa para poder ser entendida pelo cidadão médio. A maneira de medir desempenho são os grandes indicadores sociais e econômicos. Mas o Homer Simpsons não se fixa em indicadores, em estatísticas, em metas de desempenho.

Essa ignorância ampla facilita bastante o trabalho de indução da mídia: para construir reputações basta bater bumbo em cima de uma série de projetos restritos, irrelevantes para o resultado final do setor, mas muito mais palpável do que os indicadores sociais. Para destruir, difundir as exceções negativas como se fossem a regra.

Esse recurso foi exaustivamente explorado pela mídia. Serra era um campeão nesses factoides até assumir o governo de São Paulo e, com os holofotes sobre ele, demonstrar sua inapetência para a gestão.

Para destruir, basta lembrar o início das ciclovias em São Paulo. As notícias nas rádios e jornais eram exclusivamente sobre acidentes isolados com ciclistas ou então com trechos com algumas imperfeições.

Ou então o trabalho de organização da Copa do Mundo. Foi um trabalho exemplar, elogiado globalmente. Havia inúmeros serviços a serem divulgados, os planos de segurança, de saúde, de trânsito, articulados nacionalmente pelas secretarias metropolitanas, as obras dos aeroportos e estádios. Com esse manancial enorme, nada foi feito pelo então Ministro dos Esportes Aldo Rabelo ou pela presidência da República. Os jornais ganharam a batalha da desinformação com pouco esforço: colocando em dúvida a entrega das obras, realçando o que não foi feito (a enorme gama de projetos de infraestrutura que, sabe-se lá porque, Dilma incluiu no pacote da Copa), a falta de sabonete no banheiro do estádio recém-inaugurado e outras insignificâncias.

Eficiente na desconstrução da imagem dos adversários, a mídia jamais conseguiu se valer desse princípio na construção de imagens de seus aliados pela absoluta falta de imaginação de Serra, Alckmin e Aécio.

É nesse sentido que Dória representa um upgrade.

Dória faz esse jogo melhor do que ninguém, com uma grande habilidade para se valer das redes sociais – algo que nem Dilma, nem Haddad souberam fazer, apesar do custo quase irrelevante. Divulgar uma reunião do prefeito com seu secretariado, uma ordem para acordarem cedo, ou uma recomendação besta qualquer, vale mais – para a opinião pública média – do que os avanços de um Plano Diretor ou de uma visão humanizada de cidade. É a era da desmoralização de todo saber técnico, alerta Lévy.

Há dúvidas sobre a intensidade do uso desses factoides por Doria. A velocidade imprimida não é a de quem pretende ficar quatro anos no cargo. Em quatro anos, os factoides cansariam. Depois de algum tempo, a opinião pública se daria conta de que os factoides não melhoraram o trânsito, há sinais de um colapso na limpeza pública, as promessas de campanha não serão cumpridas.

Para prazos menores, pode dar certo. O horizonte de Dória é 2017, véspera de 2018.
Puro-sangue da modernidade

Serra, Alckmin e Aécio jamais conseguiram desempenhar o papel de político sofisticado, que Fernando Henrique conseguia, mesmo com seu discurso raso, bem de acordo com esses tempos de superficialidade.

Na campanha à presidência, Serra chegou a desempenhar o papel do Beato Salú, com suas citações da Bíblia e discursos contra o aborto. Alckmin jamais conseguiu se livrar da imagem provinciana de prefeito do interior. Enquanto Aécio perdeu totalmente a imagem do jovem líder moderno, para ceder lugar ao do play-boy hipócrita.

Doria não, é o almofadinha em estado puro, não mais representante das grandes estirpes empresariais paulistas – das quais Serra sempre foi o porta-voz -, mas do reino dos CEOs e um empreendedor bem sucedido.

Não se subestime o espaço que conquistou nessa área. Sua empresa, a LIDE, multiplicou-se em uma infinidade de LIDEs setoriais e regionais, cooptando grandes lideranças de todos os setores, do industrial ao agronegócio. Com grande competência, Dória montou uma espécie de franquia da LIDE, inclusive com filiais em vários países da América Latina, cada qual com um conselho presidido por uma liderança representativa. E, inicialmente, explorando apenas o ego do seu público, o status que o executivo ganhava frequentando o clube das estrelas.

A liderança sobre os CEOs facilita o uso do poder de fogo publicitário das empresas para os veículos aliados. É só conferir a maneira como o iG mudou sua linha editorial logo após firmar acordo com Dória.

Além disso, lhe dá condições de uma linha direta com CEOs de vários setores e de vocalizar as demandas e interesses setoriais. Se alguém se escandaliza com o mercadismo dos novos cristãos – Temer e companhia – não viu nada ainda.
Insensibilidade social

Nesses tempos de desmoralização da política, Dória consegue casar a imagem almofadinha com a do executivo durão, que age sobre moradores de rua, não dá trégua a pichadores, corta programas sociais, educação, brandindo um duvidoso discurso da meritocracia, ineficaz para resolver problemas nacionais, mas eficaz junto ao Homer Simpsons.
Peça 3 – projeto de país ou marketing?

Nos próximos meses, se verá movimentos simultâneos:

1. Do lado direito, uma corrida de tucanos e aliados para se aboletarem no barco de Dória.

2. Do lado esquerdo, a tentativa de recuperar a autoestima nacional em torno de Lula e a lembrança dos bons tempos.

Não é pouca coisa que está em jogo. Dória não tem a menor noção sobre a construção de países, sobre os reflexos de suas políticas anti-sociais na criminalidade, na insegurança social, sobre a relevância do Estado no financiamento da inovação, da educação, saúde. É um Luís Roberto Barroso sem índice remissivo e notas de rodapé.

Com a convicção dos puros-sangues, trará um discurso muito mais radical do que aquele ousado pelos três caciques depenados do tucanato. De seu sucesso ou fracasso sairá o grande adversário da dupla Lula-Ciro: se Dória ou Bolsonaro.
Posted: 11 Mar 2017 06:16 AM PST
Do jornal Brasil de Fato:

Mais de 4,8 milhões trabalhadores com contas inativas do FGTS que nasceram em janeiro e fevereiro podem sacar o dinheiro a partir desta sexta-feira (10). Mas nem todos terão a mesma sorte.

A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional informa que mais de 7 milhões de trabalhadores e trabalhadoras não receberam os depósitos que teriam direito em contas do FGTS, ativas ou inativas.

Ao todo, o valor não pago pelas empresas chega a mais de R$ 24 bilhões – isso representa mais da metade do que será sacado pelos trabalhadores com a nova medida do governo, somando mais de R$ 43 bilhões de reais.

Para evitar a surpresa de descobrir tarde que o empregador não deposita dinheiro do FGTS, o Ministério do Trabalho recomenda que o empregado acompanhe todo mês o depósito, através do extrato da conta disponível na Caixa Econômica Federal, inclusive por meio do aplicativo FGTS, disponível para celular e tablet.

O chefe da fiscalização do FGTS do Ministério do Trabalho, Joel Darcie, diz que é alto o número de denúncias de recursos não depositados. “A gente recebe bastante denúncia de trabalhador. Às vezes, é denúncia de um sindicato, consta para nós como uma denúncia, mas refere-se a uma empresa enorme, que tem mil ou 2 mil funcionários e consta aqui como uma denúncia simplesmente”, relata.

O fiscal do trabalho informou que somente este ano já foram registradas 3.081 denúncias no ministério. Em 2016, foram 68.289 denúncias e, em 2015, o número chegou a 86.541.

A recomendação do Ministério do Trabalho é que o empregado, ao perceber que o recurso não está sendo depositado, denuncie ao sindicato, em uma das superintendências regionais do Ministério do Trabalho ou na Justiça do trabalho.

É preciso apresentar um comprovante de vínculo empregatício, como Carteira de Trabalho ou contrato, e o extrato da conta do FGTS.

A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional diz que os 24,5 bilhões inscritos em dívida ativa referem-se a créditos dos trabalhadores e do fundo que foram objeto de fiscalização, apuração e constituição por parte dos auditores fiscais do ministério.

Após a notificação fiscal e a abertura de processo administrativo, com direito do empregador a defesa e recurso, e persistindo o débito, os créditos são encaminhados pelo Ministério do Trabalho à PGFN para controle de legalidade, inscrição em dívida ativa e cobrança administrativa e/ou judicial.
Posted: 11 Mar 2017 06:11 AM PST
Por André Barrocal, na revista CartaCapital:

Às vésperas do Carnaval, o líder do governo Michel Temer no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), soltou a língua ao comentar a ideia de os políticos perderem o direito de serem julgados apenas no Supremo Tribunal Federal (STF). Para ele, se o foro privilegiado acabar, juízes e procuradores deveriam ficar sem também. Motivo: “Suruba é suruba”.

Suruba é a palavra perfeita para descrever Brasília atualmente. Os poderosos perderam o pudor, o ambiente é de alegre promiscuidade. Dizem o que pensam e defendem para o País, sem vergonha de parecerem machistas, elitistas, hipócritas, espertalhões. E ainda mergulham em conchavos para salvar a pele de todos e dos amigos contra a Operação Lava Jato.

A última semana foi uma apoteose desta suruba.

No Dia Internacional da Mulher, 8 de março, Temer realizou um evento comemorativo no Palácio do Planalto. Em discurso, disse “com a maior tranquilidade, porque eu tenho absoluta convicção, até por formação familiar e por estar ao lado da [primeira dama] Marcela, o quanto a mulher faz pela casa, o quanto faz pelo lar, o que faz pelos filhos”.

Não parou aí. “Ninguém mais é capaz de indicar os desajustes, por exemplo, de preços em supermercados do que a mulher.

Ao optar por ressaltar o protagonismo doméstico das mulheres, o presidente expôs sua convicção íntima sobre o papel delas na vida. Não que se encarregar dos filhos, do lar e das compras seja indigno, mas por que enfatizar esse aspecto, e logo com um minuto e trinta segundos do discurso de 11 minutos?

Está mais do que explicado por que o peemedebista, 76 anos, montou seu ministério em maio de 2016 apenas com homens (e brancos).

Longe dali, na mesma quarta-feira, 8, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), era pura sinceridade. Ao comentar com jornalistas a reforma trabalhista proposta por Temer, chutou a Justiça do Trabalho: “Não deveria nem existir”. Fez igual com a CLT: “Esse processo de proteção gerou desemprego”

O que Maia quis dizer é que os empresários não conseguem pagar pouco a seus funcionários, pois a Justiça e a legislação trabalhistas impedem, daí que “a proteção gerou desemprego”.

O salário mínimo no Brasil é de 937 reais. A renda per capita, de 1,2 mil reais mensais. O rendimento médio de um trabalhador do setor privado, 1,7 mil reais. Imagine-se quais seriam esses valores se não houvesse Justiça do Trabalho e CLT. Ou como seria a jornada semanal.

Detalhe: como deputado, Maia ganha 33,7 mil reais mensais pagos com dinheiro público, fora verbas indenizatórias etc. Vinte vezes o recebido em média por um trabalhador, que ele acha protegido demais.

Na véspera do Dia da Mulher, a Advocacia Geral da União (AGU), órgão sob a batuta de Temer, conseguiu uma decisão judicial que é outra prova do pouco caso de Brasília com os trabalhadores. O governo segue desobrigado de divulgar a “lista suja” do trabalho escravo.

A lista contém o nome de empresas flagradas com empregados em situação análoga à da escravidão e multadas por isso. É tida pelas Nações Unidas como exemplo. A vitória judicial da AGU foi uma vitória dos escravocratas do século XXI.

Os fazendeiros, bancada forte no Congresso e aliada de Temer, odeiam a lista. Sequer aceitam o conceito de “situação análoga à de escravidão”.

Os ruralistas ganharam um reforço na equipe de Temer com a posse do deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) no Ministério da Justiça na terça-feira 7 e ele logo exibiu sua franqueza. Por exemplo: índio não precisa de terra. “Terra enche a barriga de alguém?”, disse na Folha da quinta-feira 9.

Afirmou ainda que “existem bandidos e bandidos” e que um deles “você olha nos olhos e quer passar longe, é um potencial assaltante, criminoso”.

Se “bandido” a gente reconhece pelos “olhos”, uma opinião incrível por si só, será que Serraglio não notou nada no olhar maligno do deputado cassado Eduardo Cunha, réu por corrupção e preso à espera de julgamento? No dia em que a Câmara aprovou o impeachment de Dilma Rousseff, inclusive defendeu “anistia” para Cunha, ou seja, nada de cassar o mandato dele.

A vitória da AGU contra a “lista suja” do trabalho escravo foi no Tribunal Superior do Trabalho (TST), em decisão do presidente da corte, Ives Gandra Martins Filho. O magistrado tem visão similar à de Rodrigo Maia sobre os trabalhadores e a CLT. E também acha que Justiça do Trabalho só serve para atrapalhar empresários.

Suas opiniões sobre as mulheres são dignas de um discurso de Temer em data festiva. “O princípio da autoridade na família está ordenado de tal forma que os filhos obedeçam aos pais e a mulher ao marido”, escreveu em um artigo de 2012.

Gandra Filho chegou ao TST em 1999 graças às maquinações de Gilmar Mendes, na época chefe da AGU do governo Fernando Henrique Cardoso. Hoje ministro do STF e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Mendes tem se comportado como verdadeiro advogado de Temer e reúne-se com ele aos sábados e domingos e em jatinhos da FAB. Tudo à luz do dia.

Enquanto Temer exaltava o papel doméstico das mulheres, Mendes dizia à Reuters que se a chapa Dilma-Temer eleita em 2014 for cassada no TSE, não há problema. Temer poderia seguir no cargo candidatando-se de novo, só Dilma ficaria inelegível. Por quê? “Evidente que o vice participa da campanha. Mas quem sustenta a chapa é o presidente, o cabeça de chapa.”

Se Temer não tem responsabilidade financeira com a chapa, por que então um jantar dele no Palácio do Jaburu, em maio de 2014, com gente da Odebrecht, tornou-se um drama para o peemedebista, a ponto de várias pessoas terem prestado depoimento a respeito no TSE desde o fim do Carnaval?

Uma delação a tratar do jantar veio a público em dezembro e complicou um assessor especial de Temer na ocasião, José Yunes, amigão de longa data do presidente. Yunes logo pediu demissão, a esbravejar que a delação era “fantasiosa”, “abjeta” e que seu nome tinha sido jogado “no lamaçal”.

Dias antes do Carnaval, no entanto, o próprio Yunes, um rico advogado e empresário, rasgou a fantasia. Confessou publicamente em entrevistas que tinha, sim, ligação com o jantar, o qual servira para Temer captar 10 milhões de reais da Odebrecht. Mas na condição de “mula” de outro amigo de Temer, Eliseu Padilha, chefe da Casa Civil.

A tese defendida por Gilmar Mendes sobre Temer ser capaz de sobreviver política e eleitoralmente mesmo que a chapa de Dilma seja cassada no TSE tem sido discutida no PMDB. Seria essa a forma de contornar uma eventual derrota na corte.

Em entrevista ao SBT na segunda-feira 6, quem falou abertamente sobre isso, sem enrubescer, foi o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), aliadíssimo de Temer, de quem foi tesoureiro por muitos anos no partido de ambos. “A única regra clara que se coloca é que o presidente Michel Temer pode ser, inclusive, candidato novamente. Não se sabe se uma eleição direta, não se sabe se uma eleição indireta.”

Na noite seguinte à entrevista de Eunício, o aniversário de um jornalista reuniu alguns figurões da República em um tradicional restaurante de Brasília, o Piantella, que fechara as portas mas acaba de reabri-las. Entre os comensais, o senador mineiro Aécio Neves, presidente do PSDB.

Após aliar-se à Lava Jato para derrubar Dilma, o tucano parece outra pessoa. “É preciso salvar a política”, disse ele no jantar, perante jornalistas. “Não podemos deixar que tudo se misture”, é preciso separar dinheiro de propina de um lado, e dinheiro de campanha de outro.

Claro. Agora que Aécio e tucanos ilustres estão para ser tragados pela delação da Odebrecht, “é preciso salvar a política”. A suruba em Brasília está aí para isso.
Posted: 11 Mar 2017 06:05 AM PST
Por Nika Knight, no site Carta Maior:

O WikiLeaks, na terça-feira, divulgou uma coleção de documentos da CIA chamados pela expert em segurança, Jessalyn Radack, como “na mesma categoria, os maiores vazamentos de informações confidenciais pelos denunciantes Chelsea Manning e Edward Snowden”.

De fato, o próprio Snowden descreveu o vazamento como “realmente, uma grande preocupação” no Twitter. “Parece autêntico” adicionou o denunciante da Agência de Segurança Nacional (NSA). O New York Times também descreveu a autenticidade dos documentos como “provável”.

O Times ainda descreveu as revelações bombásticas incluídas nos documentos vazados:

Dentre outras revelações que, se confirmadas, abalariam o mundo da tecnologia, o vazamento do Wikileaks disse que a CIA e serviços de inteligência aliados conseguiram ultrapassar as criptografias em serviços de mensagens populares como o Signal e WhatsApp, e o Telegram. De acordo com a declaração do Wikileaks, hackers do governo podem invadir Androids e coletar “áudio e tráfego de mensagens antes da criptografia ser aplicada”.

A divulgação de terça-feira dos documentos é a primeira parte de uma série, escreveu o WikiLeaks em declaração à imprensa. Essa primeira parcela, entitulada “Ano Zero”, contém “8,761 documentos e arquivos de uma rede isolada de alta segurança situada dentro do Centro da CIA de Cyber Inteligência em Langley, Virgínia”, de acordo com o WikiLeaks.

“O arquivo parece ter circulado entre hackers do antigo governo dos EUA e empreiteiros de maneira não autorizada, tendo um deles fornecido porções do arquivo ao WikiLeaks”, escreve a organização de transparência, notando que isso significa que o arsenal cibernético da CIA já foi possivelmente compartilhado amplamente e de forma insegura.

O WikiLeaks explica que “o ‘Ano Zero’ introduz o escopo e a direção do programa global de espionagem da CIA, seu arsenal de malware e dezenas de façanhas dia-zero armadas contra uma gama de produtos de companhias dos EUA e da Europa como os iPhones da Apple, Androids da Google e Windowns da Microsoft e até as TVs da Samsung, que podem ser transformadas em microfones escondidos”.

De fato, os documentos parecem confirmar os alertas de experts de segurança e defensores da privacidade sobre os perigos das chamadas tecnologias “smart”.

E Snowden nota que os documentos demonstram que o governo dos EUA parece estar pagando companhias de tecnologia para assegurar que seus produtos permaneçam inseguros. “Uma imprudência indescritível”, ele tuitou:

“Os relatos da CIA mostram a USG desenvolvendo vulnerabilidades em produtos norte-americanos, e depois, intencionalmente, mantendo esses buracos abertos. De uma imprudência indescritível.”

Ao descrever o escopo do arquivo, o WikiLeaks detalha os poderes de invasão da CIA – poderes que a própria CIA parece não ter mais controle, de acordo com o vazamento:

Desde 2001, a CIA ganhou proeminência política e orçamentária na NSA. A CIA se encontrou construindo não somente sua famosa frota de drones, mas também um tipo diferente de força secreta, global – sua própria frota de hackers. A divisão de hackers da agência a liberou de ter que revelar suas operações controversas à NSA (sua principal rival burocrática) de modo a tirar vantagem das capacidade de hacking da NSA.

No final de 2016, a divisão de hackers da CIA, que está sob o comando do Centro de Cyber Inteligência (CCI), tinha mais de 5000 usuários registrados e havia produzido mais de mil sistemas de invasão, vírus, trojans e outros malwares “armados”. Tal é a escala do empreendimento da CIA que, em 2016, seus hackers utilizavam mais códigos do que os necessários para rodar o Facebook. A CIA havia criado sua “própria NSA” com menos responsabilidades e sem responder publicamente à questão sobre se seria justificável esse gasto orçamentário massivo para duplicar as capacidades da agência rival.

“Em uma declaração para o WikiLeaks”, a organização adiciona, “a fonte detalha questões políticas que, segundo eles, precisam urgentemente ser debatidas em público, incluindo se as habilidades de invasão da CIA excedem seus poderes e o problema do esquecimento do público em relação à agência. A fonte deseja iniciar um debate público sobre a segurança, criação, uso, proliferação e controle democrático das armas cibernéticas”.

“Uma vez que uma única ‘arma’ cibernética é ‘solta’, pode se espalhar ao redor do mundo em segundos, para ser usada por estados rivais, pela máfia cibernética e hackers adolescentes”, nota o WikiLeaks.
Posted: 11 Mar 2017 06:00 AM PST
Por Tereza Cruvinel, em seu blog:

Depois de jantar com Michel Temer, o líder do PMDB na casa, Renan Calheiros, segue insatisfeito com o governo e aprofundou suas críticas às reformas em conversa com o 247. Já tendo criticado o “exagero” da reforma previdenciária, ele atacou também a reforma trabalhista: “Vamos aprovar as reformas mas vamos qualificá-las. Na trabalhista, a CLT não pode ser culpada pela falta de produtividade da economia brasileira, que tem muitas outras causas. Não podemos precarizar as relações trabalhistas a um ponto tal, permitindo que o mercado passe o trator sobre os direitos e garantias erigidos com uma grande contribuição do PMDB. Uma coisa é o governo, outra coisa é o PMDB”, disse Renan.

A disputa entre o PMDB do Senado e o da Câmara são o pano de fundo das críticas recentes de Renan e foram servidas pelo ex-presidente do Senado a Temer no jantar. Ele diz ter repetido para o presidente sua avaliação de que o ex-deputado Eduardo Cunha, de sua prisão em Curitiba, vem exercendo influência crescente sobre o governo, a exemplo da recentes indicações, por Temer, de seus aliados para postos de comando no Congresso.

- É tudo muito óbvio e eu apenas apontei os sinais e os significados daquela movimentação que foi feita enquanto o Congresso estava desmobilizado pela pausa do carnaval. Cunha chamou o Marun a Curitiba e logo tivemos os resultados. Serraglio no Ministério da Justiça, Marun como presidente da comissão da reforma previdenciária, Athur Lyra como relator, Agnaldo Ribeiro na liderança do governo na Câmara e o inacreditável André Moura como líder no Congresso. Cunha tomou conta de tudo. Fiz estas avaliações para o presidente”.

E como Temer respondeu à grave acusação de que Cunha, da cadeia, vem exercendo influência no governo? Neste ponto Renan é evasivo: “Ele ouviu e fez algumas ponderações”.

Na tarde desta quinta-feira, em entrevistas ao programa "Moreno no Radio", na CBN, Temer negou a influência de Cunha e minimizou o conflito com Renan, dizendo: "Não, absolutamente não existe (influência de Cunha). E com o senador Renan eu tenho dialogado permanentemente, tenho certeza de que nós vamos continuar dialogando. Ele vai continuar nos ajudando, preocupado que é com o país, e sabe a importância das reformas. Portanto eu tenho absoluta convicção de que ele vai nos ajudar. Evidentemente, essas afirmações não têm sustentação, não é? Imagine se o Eduardo Cunha, que está, enfim, distante, não é, pode influenciar alguma coisa aqui. Não há influência nenhuma".

Sem relatar o que ouviu de Temer, Renan volta ao conflito interno no PMDB:

- Estão rebaixando o PMDB. Agora vieram com esta carta pedindo que Eunício, Jucá e Moreira Franco sejam afastados do comando partidário porque são investigados na Lava Jato. Como eu já disse, querem controlar o governo e também o partido. Mas o PMDB não é o governo e verão isso.

Voltando às reformas, Renan reitera a avaliação de que a previdenciária exagera em algumas medidas, como o tempo mínimo de contribuição de 25 anos e a transição abrupta para a aposentadoria aos 65 anos para homens e mulheres. “Quem conhece o Brasil profundo, e sobretudo o Nordeste, sabe que é não razoável exigir 49 anos de contribuição para a aposentadoria integral”. A reforma previdenciária, diz ele, “não pode ser feita para resolver problema de caixa mas sim para tornar o sistema mais sustentável”.

Críticas à reforma trabalhista ele ainda não havia feito são novidade. “Da forma como está proposta, acabamos com a CLT, fazendo com que os acordos prevaleçam sobre tudo que já foi legislado em matéria trabalhista. A legislação trabalhista precisa ser atualizada para reduzir a insegurança, com alguns ajustes, com a regularização das terceirizações e outras medidas. Mas não rasgando a CLT , que como tenho dito, não pode ser culpada pela baixa produtividade da economia brasileira, que é derivada também de outros fatores, como o sistema tributário irracional, os juros altos, a ausência de política industrial e tantos outros. ”

Se o PMDB do Senado compartilha de suas avaliações, então as reformas não passarão por lá tal como estão propostas, contraponho. Ele recorda que o PMDB tem 22 dos 81 senadores, ou 28% dos votos na Casa, antecipando como se comportará.

- Eu me esforçarei para traduzir o pensamento médio da bancada mas tenho o direito de expressar minhas próprias opiniões. O Governo já sabe que as reformas terão ajustadas pelo Congresso, o relator da reforma previdenciária já admitiu isso. Elas serão aprovadas, mas nós vamos qualificá-las.

Diante disso, se Temer e Meirelles também sabem “ler sinais” na política, como recomenda Renan, deviam parar de dizer que se elas não forem aprovadas na íntegra o pais ficará insolvente como o Rio. Pois quebrado, já está. O mercado sabe ler sinais e já entendeu: as reformas serão aprovadas mas não como foram apresentadas. Para ficar na minha metáfora de ontem, tem muita tábua solta na pinguela Temer.
Posted: 11 Mar 2017 05:53 AM PST
Editorial do site Jornalistas Livres:

A “Folha de S.Paulo” demitiu hoje o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), Guilherme Boulos, que há dois anos mantinha uma coluna semanal no site do jornal.

A data da demissão coincide com a estrondosa vitória do MTST, que manteve sob sol e chuva, por 22 dias, um incrível acampamento no endereço mais valioso da cidade, a avenida Paulista. Pressionada, a Presidência da República concedeu a retomada as contratações do programa Minha Casa Minha Vida na faixa 1, para famílias com renda até R$ 1,8 mil, e comprometeu-se com a construção de 35.000 novas moradias populares.

Boulos esteve todo o tempo à frente da mobilização que reuniu artistas, intelectuais, militantes de inúmeras forças políticas e o povo pobre, despossuído de tudo.

Juntos e misturados, esses atores sociais almoçaram e jantaram as iguarias populares preparadas na cozinha coletiva e solidária do acampamento, assistiram a shows incríveis (como os da Liga do Funk, Izzy Gordon, Emicida e Criolo, entre outros), debateram os rumos do país e os riscos colocados pelo governo golpista.

Não faltaram os incomodados de sempre. Gente que considera “Cidade Linda” aquela sem as cores, a diversidade, os múltiplos sotaques, as trocas enriquecedoras. Até abaixo-assinado exigindo das autoridades que desalojassem o acampamento foi patrocinado por uma pretensiosa e ridícula associação de comerciantes e moradores da avenida Paulista, chamada “Paulista Viva”.

(Para que se tenha uma ideia do tipo de “vida” que a Associação Paulista Viva defende, basta dizer que, em momento de glória, durante as gestões dos prefeitos Marta, Serra e Kassab), ela pendurou baldes com flores artificiais nos postes de luz da avenida. Como ensinavam os Titãs: “As Flores de plástico não morrem.” Também não vivem.)

É lógico que esse tipo de gente careta e covarde, apavorada com a diferença tenha se incomodado com Boulos e seus amigos.

Não precisava a “Folha de S.Paulo”, porém, ser de tal modo servil aos reclamos higienistas da turma da Paulista morta.

Vamos repetir o nome do que a “Folha” fez com Boulos hoje, ao comunicá-lo de sua demissão do quadro de colunistas do jornal:

É censura… Censura… Censura…

Sim, porque a “Folha”, que já foi comparada à Roma antiga, com suas “colunas e ruínas”, tantas são as colunas e tão ruinosa sua atuação em relação à boa reportagem, orgulha-se de contar com 170 colunistas e blogueiros como prova de seu jornalismo “pluralista, apartidário e independente”. Me engana, vai!

Boulos foi demais para a Roma Antiga (embora Kim Kataguiri continue por lá, fazendo suas molekagens).

Intelectual que julga inseparáveis a teoria e a prática, o coordenador do MTST não por acaso é hoje uma das principais lideranças jovens da esquerda. Bebe a realidade das vivências sofridas dos trabalhadores sem-teto e, junto aos seus camaradas de movimento, elabora a compreensão política, econômica e filosófica voltada para a ação transformadora.

Perigosíssimo!

Com essa demissão, a “Folha” reafirma seu caráter excludente, classista e partidarizado.

Como bem notou Guilherme Boulos, a demissão até demorou…

É hora de construir com mais energia e força a mídia independente e popular.

É hora de jogar na lata do lixo da história esse jornalismo elitista, que só fala dos pobres (e com eles) na hora de criminalizá-los (e manipulá-los).

Estamos juntos, Boulos!
Posted: 11 Mar 2017 05:46 AM PST
Por Jefferson Morley, no site Outras Palavras:

A última bomba do Wikileaks, apelidada Vault 7, é relevante por várias razões. A coleção de 8.761 documentos e arquivos não se limita a mostrar aos cidadãos como a agência faz para espioná-los, capturando seus telefones móveis e aparelhos de TV, driblando dispositivos de antivirus e de criptografia. Ela também chama atenção para os inesperados perigos que a guerra cibernética da CIA representa par os cidadãos - inclusive norte-americanos.

Os documentos revelam a complexa organização e o amplo escopo dos esforços de hackeamento da agência - um primeiro passo crucial para fiscalizá-la e torná-la responsável por seus atos. O verdadeiro resultado é uma grande conquista para as pessoas que querem entender o funcionamento de agências governamentais secretas e uma grande vitória do Wikileaks.

No passado, a organização dirigida por Julian Assange perdeu alguns de seus apoiadores por revelar informações pessoais e por ter sido acusada de alinhamento com o governo russo durante as eleições de 2016. Mas as revelações desta semana foram editadas de modo a omitir informações pessoais e o próprio código para as armas cibernéticas. O vazamento não prova que a CIA espionou o presidente Trump, como algumas pessoas estão dizendo no Twitter, mas mostra que a agência pode transformar quase qualquer pessoa em alvo, vigiando e manipulando sem que isso seja detectado.

O vazamento sinaliza o crescimento do Wikileaks como uma organização de denúncia de irregularidades. As denúncias colocam os norte-americanos sob maior risco? Elas provavelmente poderiam ajudar pessoas que planejam ataques a civis, ao estimulá-las a se livrar de seus smartphones e televisores Samsung. Mas o sigilo continuado sobre a proliferação de armas cibernéticas também multiplica perigos, observa o editor do Wikileaks, Julian Assange.

“Há um risco extremo de proliferação no desenvolvimento de armas ‘cibernéticas’” – escreveu Assange em declaração à imprensa. “A proliferação descontrolada dessas ‘armas’, com consequências combinadas da incapacidade de contê-las e seu alto valor de mercado, podem ser comparadas ao comércio global de armamentos”. O Wikileaks disse que a fonte dos documentos, aparentemente um ex-hacker ou empresa contratada, espera “iniciar um debate público sobre segurança, criação, uso, proliferação e controle democrático de armas cibernéticas.”

Consequências

A divulgação do Wikileaks aponta um problema antes desconhecido. Para a organização, os documentos divulgados mostram que a CIA está ignorando o que é conhecido como processo de ações de vulnerabilidade. Criado pelo governo Obama, o processo pede que o governo divulgue continuamente quaisquer vulnerabilidades graves, bugs ou “zero days” para a Apple, Google, Microsoft e outras empresas norte-americanas do setor.

O suposto fracasso da agência em cumprir essa exigência deixa os norte-americanos – e até mesmo o presidente Trump – tão vulneráveis quanto os alvos estrangeiros da agência, afirma o Wikileaks. Um único vírus da CIA “é capaz de penetrar, infestar e controlar o software tanto do telefone Android quanto do iPhone, que executa ou executou as contas do Twitter presidencial. (…) Ao ocultar esses lapsos de segurança de fabricantes como a Apple e o Google, a CIA assegura sua própria capacidade de hackear todo mundo – o que torna haceáveis todos os cidadãos.” A CIA pode também ter aberto caminho, inadvertidamente, para que hackers estrangeiros com acesso aos mesmos códigos assumam, por exemplo, o controle da conta de Twitter do presidente dos Estados Unidos, num momento de crise.

Proliferação

É impressionante o escopo das atividades de hackeamento da CIA por meio do cruzamento de plataformas. A Direção de Inovação Digital (DDI, na sigla em inglês) é agora a correspondente organizacional das direções de inteligência, operações e ciência e tecnologia, que existem há mais de 50 anos. Um órgão do DDI, o Centro de Inteligência Cibernética (CCI, na sigla em inglês) teve mais de 5 mil usuários registrados no ano passado. Os hackers da agência, diz o Wikileaks, “utilizaram mais códigos do que os usados no Facebook.”

Embora o iPhone seja um alvo, as tecnologias não-Apple também são hackeadas. No ano passado, “a CIA tinha 24 Androids ‘zero days’ que ela própria desenvolveu ou obteve da inteligência britânica, da Agência de Segurança Nacional (National Security Agency) e de empresas contratadas privadas, de acordo com o Wikileaks. (“Dia zero” é uma gíria hacker para uma brecha na segurança não detectada e, portanto, explorável.).

O problema é que, ao contrário das armas convencionais e nucleares, a proliferação de armas cibernéticas não tem nenhum custo, é indetectável e exige muito pouco tempo. “Se uma única ‘arma’ cibernética for ‘perdida’, ela pode espalhar-se pelo mundo em segundos, para ser usada por outros Estados, pelas máfias cibernéticas e por hackers adolescentes”, observa o Wikileaks. Se as capacidades cibernéticas da CIA, maciças e secretas, não são seguras – e claramente não são – a agência pode estar tanto gerando ameaças quanto tornando-as irreversíveis. much as it is preempting them.

Implicações

As revelações do Wikileaks ressaltam uma verdade contraintuitiva sobre o mundo em rede. Uma política de código aberto para uma guerra cibernética pode oferecer mais proteção ao cidadão médio do que uma política secreta, tanto em termos da privacidade individual quanto do risco de terrorismo.

Alex Rice, diretor de tecnologia da Hacker One, uma empresa embrionária que mobiliza hackers para informar organizações e empreas sobre brechas de segurança, disse ao Washington Post: “Argumentar de que há algum terrorista usando uma TV Samsung em algum lugar – como razão para não divulgar essa vulnerabilidade, quando ela coloca em risco milhares de pessoas… discordo fundamentalmente disso.”

Em outras palavras, divulgar e compartilhar vulnerabilidades tecnológicas – ao invés de escondê-las – é o que manterá seguros os cidadãos do mundo. Essa é a última mensagem do Wikileaks – e ela não poderia ser mais oportuna.

* Tradução de Inês Castilho.
Posted: 11 Mar 2017 05:40 AM PST
Por Jeferson Miola

O PSDB iniciou um movimento sincronizado para legalizar o caixa 2. A estratégia começou com o comunicado oficial de 3/3/2017, escrito e publicado por FHC para defender Aécio Neves da acusação de ter pedido – e recebido – R$ 9 milhões em caixa 2 da Odebrecht na eleição de 2014.

Desdizendo aquilo que dizia no passado, que “caixa 2 é um crime grave”, agora FHC passou a dizer que caixa 2 é apenas um “erro que precisa ser reconhecido, reparado ou punido”.

Para FHC, as denúncias de pagamento de propinas ao Aécio não passam de “verdades alternativas” usadas para a “desmoralização de pessoas” – sabe-se lá o que esta falácia significa.

Aécio Neves, encorajado pelo oráculo senil da Avenida Paulista, esbravejou: “abriremos espaço para um salvador da pátria? Não, é preciso salvar a política!” [sic]. Atrevido, desafiou o bom senso: “Um cara que ganhou dinheiro na Petrobras não pode ser considerado a mesma coisa que aquele que ganhou cem pratas para se eleger” – ora, as cifras conhecidas de cada uma das delações abafadas sobre Aécio ultrapassam as dezenas de milhões; ou seja, milhares de vezes mais as “cem pratas” ainda assim aceitas, porque um “pequenino crimezinho”.

Gilmar Mendes, o curimbaba do PSDB no STF e no TSE, em seguida seguiu o rastro do presidente de honra do seu PSDB para também socorrer Aécio.

Gilmar, que se pavoneia aos holofotes da mídia para acusar o PT do “crime hediondo de caixa 2”, agora entende que “o caixa 2 tem de ser desmistificado” [sic]. É compreensível: afinal, finalmente saíram algumas das denúncias que comprometem Aécio e toda a cleptocracia que tomou de assalto o Palácio do Planalto com o golpe de Estado.

Gilmar é radical, e quer mais. Além de “desmistificar o caixa 2”, ele quer modificar a lei eleitoral para permitir o retorno das doações privadas, feitas por empresas [o poder econômico] a campanhas, candidatos e partidos políticos – que é justamente o fator cancerígeno do sistema político brasileiro.

Isso será um passo gigantesco para a institucionalização da corrupção e para a captura definitiva do sistema político, do Estado de Direito e da democracia, pelo poder econômico.

O caixa 2 não é apenas um “erro que precisa ser reconhecido” ou algo a “ser desmistificado”, mas é o acobertamento, no mínimo, de crimes de sonegação fiscal e tributária, de corrupção e de lavagem de dinheiro das empresas capitalistas contra a economia popular.

Quando aceita pelos partidos políticos, o caixa 2 pode ser um disfarce para camuflar o crime do poder econômico sobre a consciência popular, que atinge o coração da democracia.

O financiamento público dos partidos, que no orçamento de 2017 corresponde a cerca de R$ 900 milhões no fundo partidário, é suficiente para o financiamento equilibrado das eleições de dois em dois anos que acontecem no país.

Os partidos não são sucursais de empresas. Para sustentarem seu funcionamento ordinário, devem instituir mecanismos próprios de financiamento junto aos seus filiados e simpatizantes, e não viverem da “ajuda” de empresas, das pessoas ricas ou do Estado.

No regime de exceção vivido no Brasil, as “verdades alternativas” de FHC e Gilmar Mendes têm chances consideráveis de converterem em “nova jurisprudência”.

É preciso, com urgência, pôr fim ao golpe e ao regime de exceção, sob pena do Brasil ter seu futuro comprometido pelos próximos 80 anos, que é a dimensão do abismo do retrocesso que a oligarquia golpista impôs ao país.
Posted: 11 Mar 2017 05:03 AM PST
Posted: 10 Mar 2017 07:18 PM PST

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