sábado, 11 de março de 2017

11/3 - Pragmatismo Político DE 7/3

Pragmatismo Político


Posted: 07 Mar 2017 12:05 PM PST
são paulo rejeita programa marcela temer criança feliz
Marcela Temer, embaixadora do Programa Criança Feliz (reprodução)
O Conselho Municipal de Assistência Social de São Paulo (Comas) decidiu não aderir ao programa Criança Feliz , que tem a primeira-dama Marcela Temer como embaixadora.
Em resolução publicada no Diário Oficial da Cidade no dia 24 do mês passado, o conselho alega que o governo federal não forneceu informações suficientes em relação às questões técnicas, operacionais, metodológicas e conceituais da iniciativa encabeçada por Marcela Temer . A informação foi publicada na edição desta terça-feira (7) do jornal Folha de S.Paulo.
Uma das falhas apontadas pelo conselho paulistano diz respeito a lacunas jurídicas no termo de aceite do programa voltado ao apoio e acompanhamento do desenvolvimento infantil na primeira infância (até os três anos de idade). O Comas também questiona a origem dos recursos federais e considera que a ausência dessa informação poderia “onerar ações continuadas da Política de Assistência Social já existentes na cidade de São Paulo“.

Programa

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, responsável pelo programa Criança Feliz, 2.529 municípios aderiram à iniciativa em todo o País.
O MDSA explica que o programa “terá como ponto central a visitação domiciliar“. “Técnicos capacitados irão até as casas das famílias para mostrar aos pais a maneira correta de estimular o desenvolvimento dos filhos nos primeiros mil dias de vida. É neste período que o cérebro se estrutura e que a maior parte das competências fundamentais para o ser humano se desenvolvem. Serão acompanhadas as crianças beneficiárias do Bolsa Família e aquelas que recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC)“, explica o governo em nota.
Lançado em outubro do ano passado, o Criança Feliz recebeu orçamento de R$ 300 milhões do governo federal.
Ao assumir o posto de embaixadora do Criança Feliz, a primeira-dama disse que sua função seria “sensibilizar e mobilizar setores da sociedade em torno de ações que possam garantir a melhoria na vida das pessoas“, acrescentando que seu trabalho seria voluntário.
Cada brasileiro, desde a gestação, importa para o desenvolvimento do Brasil. O que nós mães percebemos instintivamente tem sido comprovado pela ciência: nós influenciamos a crianças nos seus primeiros anos de vida. Cercada de carinho, uma criança terá mais possibilidade de aprendizado quando chegar à escola e será um adolescente mais preparado para a vida“, disse Marcela Temer em seu discurso.
Último Segundo
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Posted: 07 Mar 2017 11:54 AM PST
bebês achados fossa orfanato irlanda católico
Especialistas descobriram a existência de uma fossa comum em um antigo orfanato católico na Irlanda, onde estariam enterrados sem identificação 800 bebês e crianças. O caso gerou repercussão na Europa na última sexta-feira (3).
Testes de DNA apontaram que as crianças enterradas nas 20 câmaras da fossa tinham idade entre 35 semanas e 3 anos.
A investigação foi feita por uma comissão, instituída pelo governo local para apurar a atuação de centros religiosos no auxílio a jovens grávidas, após uma denúncia da historiadora Catherine Corless, que descobrira a certidão de óbito de 800 crianças residentes na instituição, mas nunca os registros de enterro delas.
Localizado na cidade de Tuam, o orfanato “Bon Secours Mother and Baby Home” funcionou entre os anos de 1925 e 1961 como um lar para crianças e mães solteiras jovens.
A comissão afirma que as mulheres e jovens que viveram nas casas católicas e conventos sofreram fome, miséria e tratamentos violentos, o que levou à morte de várias meninas e de seus bebês.
Muitas jovens trabalhavam gratuitamente em troca do auxílio das freiras na gravidez e no parto. Após os bebês nascerem, eles eram colocados em uma ala separada da de suas mães e entregues para adoção.
O Governo calcula que mais de 30.000 mães solteiras passaram por algum dos centros de acolhimento administrados por ordens de religiosas católicas desde a criação do Estado irlandês, em 1922, até os anos sessenta.
Nos anos 30, 40 e 50 do século passado, a mortalidade dos filhos nascidos fora do casamento chegava a ser cinco vezes maior que a das crianças de pais casados, de acordo com dados oficiais. O achado confirma as suspeitas de que as crianças mortas no centro eram enterradas em valas comuns, sem registro.
O arcebispo de Dublin disse em 2014 que “se algo se passou em Tuam, provavelmente terá acontecido também em outros lares de acolhimento de mães e crianças do pais”.
A historiadora local Catherine Corless foi quem chamou a atenção sobre o caso de Tuam, com um estudo que descobriu certificados de óbito de quase 800 crianças, mas registro de enterro de somente duas.

Philomena

Lançado em 2013, o filme “Philomena” narra um episódio inspirado em fatos reais ocorridos na Irlanda em 1952, com uma mulher que engravidou na adolescência, foi mandada para o convento Roscrea e teve seu filho vendido pelas freiras católicas.
Em 2014, a mulher que inspirou o filme, a irlandensa Philomena Lee, reuniu­-se com o papa Francisco, no Vaticano. Atualmente, ela está à frente do “Philomena Project”, que tenta ajudar outras mães a encontrarem seus filhos e luta para que o governo irlandês promulgue uma lei que permita consultas a registros de crianças adotadas.
com informações de Agência ANSA
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Posted: 07 Mar 2017 11:43 AM PST
Aécio Neves propina delação odebrecht dilma
Aécio Neves da Cunha, senador pelo PSDB/MG (reprodução)
Quando o senador tucano Aécio Neves, escolheu passar o carnaval no condomínio luxuoso Aldeia da Praia, em Guarapari, local de propriedades de famílias endinheiradas do Espírito Santo e de outros estados, não imaginou que continuaria em evidência na imprensa durante os dias de folia, mas de uma forma bastante diferente da que sempre gostou.
A colunista Heloisa Tolipan, do Jornal de Brasil, contou que o senador ficou hospedado na casa dos amigos empreiteiros mineiros Martha e Flamarion Wanderley – herdeiro da Cowan, uma construtora sediada em Belo Horizonte, conhecida pelas grandes obras públicas naquele estado.
Em tempo, a Cowan foi a responsável pela construção do Viaduto Guararapes, que caiu em Belo Horizonte em 2014, pouco antes da Copa do Mundo, matando duas pessoas e ferindo outras 23. Naquele ano, um dos diretores da construtora, José Paulo Toller Motta, admitiu em audiência pública na Assembleia Legislativa mineira que a empresa utilizou concreto com prazo de validade vencido nas obras da estrutura. Porém, segundo ele, o material ainda apresentava boas condições de uso e acabou sendo usado nos pilares de sustentação do viaduto – que ruíram.
No mesmo ano, em uma entrevista para a revista Exame, o dono da Cowan, Walduck Wanderley, fez questão de lembrar que “não existem freiras no mundo das empreiteiras…” Também disse que considerava importante ter “amigos” em postos-chave do governo. Admitiu que ajudou a financiar campanhas eleitorais e que emprestou seus jatinhos a políticos. Michel Temer utilizou justamente um avião da Cowan para a parte que lhe coube na campanha presidencial, como vice de Dilma em 2014. Naquele ano, o PMDB recebeu nada menos do que R$ 1,8 milhão da Construtora, enquanto o PSDB ficou com R$ 500 mil. Para a campanha do candidato Aécio Neves à presidência, a construtora doou R$ 1,2 milhão.
Mas as doações legais e registradas da Cowan para a campanha de Aécio e a hospedagem do senado na mansão de seus proprietários não está exatamente em questão. O que o senador e presidente do PSDB terá de explicar são “doações” recebidas de outras construtoras.
Por exemplo: autor da ação que pede a cassação da chapa Temer/Dilma, Aécio Neves foi citado por Marcelo Odebrecht – que prestou depoimento ao TSE nesta quarta-feira (1º). Segundo o empreiteiro, na campanha eleitoral de 2014 o tucano lhe pediu R$ 5 milhões em uma primeira conversa e, no final do primeiro turno da eleição, com o crescimento da então candidata Marina Silva, Aécio pediu R$ 15 milhões. Odebrecht disse que, num primeiro momento, negou o pedido do senador, mas que diante da insistência acabou cedendo mais adiante. O empresário afimou que se encontrou várias vezes com o senador, e que este sempre pedia mais dinheiro para campanhas, além dos vultosos R$ 15 milhões. De acordo com a assessoria técnica do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Aécio repassou para o PSDB R$ 2 milhões recebidos como doação de campanha da Odebrecht, mas não registrou a transferência na prestação de contas.
A coisa vai além. Um dia depois de Marcelo Odebrecht ter relatado a doação de R$ 15 milhões para Aécio Neves, Benedicto Júnior, ex-presidente da divisão Infra-estrutura da mesma empreiteira, disse que entregou, novamente a pedido do senador, R$ 9 milhões para campanhas tucanas. Tudo no caixa dois. Aécio reconhece que fez o pedido, mas nega que a dinheirama circulou por caixa dois.
Segundo o depoimento de Benedicto Júnior, a Odebrecht repassou R$ 6 milhões ao PSDB para serem divididos entre as campanhas de Pimenta da Veiga (candidato a governador de Minas, derrotado), Antonio Anastasia (senador, eleito) e Dimas Fabiano Toledo Júnior (que foi diretor de Furnas e concorreu a deputado federal, eleito). Ainda de acordo com o executivo, outros R$ 3 milhões foram para o publicitário Paulo Vasconcelos, responsável pela campanha presidencial do próprio Aécio Neves.
Benedicto Júnior só não pôde detalhar a acusação de caixa dois para Aécio porque foi interrompido pelo ministro Herman Benjamin, relator do processo no TSE. Segundo o ministro, os detalhes da doação a pedido do tucano não são pertinentes ao caso, que investiga apenas a chapa Dilma-Temer, apesar de terem, conforme ressalvou, “relevância histórica“. O depoimento foi dado no processo do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra Dilma e Temer movido pelo próprio Aécio, candidato derrotado na eleição presidencial de 2014
Em outro depoimento, no mês passado, Benedicto, também afirmou que se reuniu com o Aécio para negociar um esquema de propina na licitação da obra da Cidade Administrativa – sede do governo mineiro – para favorecer grandes empreiteiras. A reunião, de acordo com Benedicto, ocorreu quando Aécio era governador de Minas Gerais.

Tem a Andrade Gutierrez

Na quinta feira (2), o TSE determinou que o PSDB e o tucano Aécio Neves expliquem doações recebidas em 2014 para a campanha presidencial do então candidato. A ação aponta substancial diferença entre o valor doado e o declarado pelo partido à Justiça Eleitoral.
Também em um acordo de delação, o ex-presidente da empresa, Otávio Azevedo, disse que a doação à campanha tucana foi de R$ 19 milhões. No entanto, o senador e o PSDB declararam ao TSE, na prestação de contas da campanha, recebimento de R$ 12,6 milhões. Falta dizer onde foram parar nada menos que R$ 6,4 milhões. No despacho, o relator do processo, ministro Napoleão Maia, deu prazo de três dias para o PSDB explicar as declarações de Azevedo, contados a partir da notificação ao partido.
As contas da campanha de Aécio Neves passam por investigações determinadas em agosto do ano passado pela ministra Maria Theresa de Assis Moura, então corregedora do TSE, que listou 15 irregularidades e inconsistências nas declarações candidato do PSDB à presidência.
E só pra lembrar, Aécio ainda deve responder pelo famoso caso da “Lista de Furnas“, uma relação de pagamentos clandestinos feitos por empresas fornecedoras daquela estatal para políticos tucanos e seus aliados, nas eleições de 2002. O Pocurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou na quinta feira (2) um pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) para ouvir o senador e presidente do PSDB. Em depoimento ao Ministério Público o doleiro Alberto Youssef, afirmou ter conhecimento de que o Aécio quando deputado federal, estaria recebendo recursos desviados da estatal mineira, num esquema que envolve sua irmã
Ou seja, a turma está assando o “mineirinho“, apelido que aparece nas planilhas de doações eleitorais da construtora Odebrecht ao senador, aquele que, logo após a derrota para Dilma Rousseff, declarou ter perdido a disputa presidencial para uma “organização criminosa“.
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Posted: 07 Mar 2017 11:10 AM PST
João Victor Habib's laudo médico
Um laudo médico realizado pelo IML e divulgado nesta terça-feira (7) concluiu que João Victor, de 13 anos, teve uma parada cardíaca em razão do uso de drogas.
Segundo o documento, foram encontradas no corpo do garoto substâncias presentes no lança-perfume. Algumas escoriações também foram detectadas, mas sem traumas na cabeça do menino, diz o laudo.
A morte de João Victor na frente do Habib’s em São Paulo foi cercada de mistérios, versões e atitudes suspeitas.
Um gerente da lanchonete afirmou que o garotou saiu correndo, sem que ninguém o perseguisse, e caiu desmaiado. Um outro funcionário disse, por sua vez, que um cliente deu um soco na cabeça de João Victor.
A testemunha Sílvia Helena — que teve a versão ignorada pela PM por ser catadora de recicláveis —, garantiu que o menino foi perseguido por funcionários do Habib’s, e, assim que alcançado, foi agredido pelos mesmos. Essa versão foi confirmada por imagens de uma câmera de segurança.
Apesar do resultado do laudo, policiais informaram que irão avaliar o exame, que deve ser encaminhado para o 28º Distrito Policial, onde o caso é investigado.
Segundo Ariel de Castro Alves, o coordenador da Comissão da Criança e do Adolescente do Condepe (Conselho Estadual de Direitos Humanos de São Paulo), o laudo é “apenas uma das provas”.
Ariel argumenta que o documento precisa ser analisado em conjunto com os depoimentos de testemunhas, que relataram na delegacia terem visto o garoto ser agredido.
“Ainda é necessário se apurar de que forma essas supostas agressões e perseguição de funcionários do Habib’s podem ter contribuído para a morte do menino. O IML também precisa esclarecer se alguma lesão corporal foi constatada no corpo do jovem”, declarou em nota.
“O laudo do IML serve de alerta para que o caso seja tratado com cautela com relação à responsabilidade do gerente e do supervisor da lanchonete, que estariam envolvidos na ocorrência. É fundamental que as investigações prossigam através dos depoimentos de novas testemunhas e também com a análise de outras imagens e com a realização de novas perícias”, acrescentou.

Protestos

Internautas têm pedido boicote e protestado na página institucional do Habib’s no Facebook desde que foi divulgado o vídeo que comprova participação de funcionários da lanchonete no falecimento de João Victor.
“Que horror a atitude do Habbib’s. Espancarem uma criança frágil provocando sua morte. Corações de ferro. Não passo mais nem na porta. Boicote!”, postou a jornalista Hildegard Angel.
Desde o último domingo, antes da divulgação do laudo do IML, o Habib’s já sustentava em suas redes sociais a versão de que João Victor “morreu vítima de um mal súbito, e foi socorrido com vida”.
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Posted: 07 Mar 2017 11:10 AM PST
A partir de 2018, quando os gastos federais passarão a ser corrigidos apenas pela inflação, conforme definido pela Emenda Constitucional 95 – anteriormente conhecida como PEC do Teto – os gastos públicos com saúde entrarão em trajetória declinante, o que coloca em risco a sustentação do Sistema Único de Saúde (SUS). O “subfinanciamento“, que já é uma realidade atualmente, deve se agravar, colocando em xeque todo o modelo de saúde pública conhecido até então.
Essa é a avaliação dos especialistas que trataram dos desafios para o setor a partir da gestão Temer, no debate “SUS em desmonte?” realizado na noite do dia 2 e promovido pelo portal Saúde Popular e pela Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares. O evento contou com a participação do economista e consultor da comissão de financiamento e orçamento do Conselho Nacional de Saúde (Cofin-CNS), Francisco Funcia, e da professora Laura Feuerwerker, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP).
Estamos vendo, a passos largos, um processo de perda de direitos. No caso da saúde, a partir de 2018 vamos ter uma volta ao passado. Hoje, estamos aplicando, em valores consolidados, 3,9% do PIB em saúde. Daqui a 20 anos vamos estar na faixa de 3% do PIB“, destaca Funcia.
Segundo o economista, qualquer aumento populacional, ou até mesmo mudanças no perfil demográfico, como, por exemplo, o envelhecimento da população, implicariam na necessidade de incremento das receitas para a saúde, possibilidade vedada pelo congelamento de gastos. Até mesmo a incorporação de avanços tecnológicos, em equipamentos ou medicamentos, fica completamente comprometida, contribuindo para ampliar a defasagem do sistema público de saúde em relação ao atendimento oferecido pela iniciativa privada.
A saúde deveria ter recursos crescentes proporcionais a, no mínimo, o crescimento da receita. Num segundo momento, que se fizesse a receita crescer mediante políticas de tributação que onerassem mais os de cima“, diz Francisco Funcia, criticando o congelamento.
Ele lembra que, ainda durante o governo provisório de Temer, o ministro da Saúde, Ricardo Barros (PP-PR), afirmou que o tamanho do SUS deveria ser revisto, deixando claro que, para o atual governo, “a Constituição não cabe no orçamento“. “Qual é a solução? Aumentar o orçamento ou retirar direitos? A solução deles (do governo) é tirar direitos.”
Segundo Funcia, durante reunião do Conselho Nacional de Saúde, o ministro teria afirmado que não pleitearia por mais recursos enquanto não houvesse melhora na gestão. O economista afirma que, para um país de dimensão continental como o Brasil, até mesmo a gestão acarreta gastos, dando por exemplo municípios do interior, muitos dos quais não contam ainda com infraestrutura de controle de gastos, como computadores e sistemas específicos.
O economista diz ainda que, com um custo per capita de R$ 3 por dia, é legítimo brigar por mais recursos. “Uma condução é mais cara do que isso, e ainda conta com subsídio”, comparou, citando gastos públicos com transporte e mobilidade.
Para a professora Laura Feuerwerker, é preciso disputar o imaginário coletivo em torno do SUS. Segundo ela, a saída para garantir a legitimidade do sistema e, por consequência, fortalecer a luta pelo financiamento, seria tornar o atendimento básico realmente universal.
A gente fez uma atenção básica focalizada nos mais pobres. Isso, do ponto de vista da construção da legitimidade política do sistema, é dramático. Diferentemente do Reino Unido, Cuba ou França, em que todo mundo tem acesso à atenção básica“, diz Laura.
A professora diz que o SUS vai muito além da atenção básica, e lembra que a maior parte dos transplantes de órgãos, e tratamentos de alta complexidade, como quimioterapias, são realizados pelo sistema público. “Mas é naquele hospital especializado, que a pessoa acha que nem é SUS. Para a maioria das pessoas, o SUS é o postinho de saúde.”
Para ela, falta ainda maior participação popular na construção das políticas públicas, que envolvam gestores, trabalhadores e usuários. “Num sistema em que os próprios trabalhadores reivindicam saúde suplementar, temos um problema.”
A professora de Saúde Pública da USP criticou também as isenções fiscais a setores empresariais, que retiram dinheiro da saúde; a falta de cobrança mais incisiva dos ressarcimentos devidos ao SUS pelas operadoras de planos de saúde; e até mesmo as deduções dos gastos com os planos nas declarações de imposto de renda, que, segundo ela, agrava distorções. “Na educação, alguém que paga escola particular pode descontar ínfima parte (no imposto de renda). Na saúde, o desconto é integral. No fundo, a população inteira paga para aqueles que têm planos de saúde.”
Assista o debate SUS em desmonte? na íntegra:
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Posted: 07 Mar 2017 10:38 AM PST
febre amarela região afetada samarco mariana minas gerais tragédia meio ambiente
Municípios localizados na bacia do Rio Doce – região banhada pelo rio e seus afluentes – concentram metade dos casos confirmados de febre amarela em Minas Gerais. Os dados são do boletim sobre a investigação de casos suspeitos da doença, divulgado na tarde de hoje (3), pela Secretaria estadual da Saúde.
Na região de Coronel Fabriciano foram confirmados casos em Bom Jesus do Galho (3), Caratinga (23), Entre Folhas (4), Imbé de Minas (9), Inhapim (4), Piedade de Caratinga (9), Santa Bárbara do Leste (4) e Ubaporanga (6). Na de Governador Valadares, há confirmação em Água Boa (1), Alvarenga (2), Itanhomi (1), Itueta (2), José Raydan (3), Resplendor (1), Santa Maria do Suaçuí (2), Santa Rita do Itueto (5), São José do Jacuri (1) e São Sebastião do Maranhão (8).
Há casos confirmados também na região de Manhumirim: Chalé (2), Conceição de Ipanema (1), Durandé (1), Ipanema (12), Lajinha (7), Manhuaçu (3), Martins Soares (1), Mutum (3), Pocrane (1), Reduto (1), Santana do Manhuaçu (2) e Simonésia (8).
Os municípios da Bacia concentram 32 das 99 mortes confirmadas por febre amarela. Alvarenga (1), Conceição de Ipanema (1), Entre Folhas (1), Imbé de Minas (2), Inhapim (2), Ipanema (5), Itueta (1), José Raydan (2), Piedade de Caratinga (6), Pocrane (1), Reduto (1), Santa Rita do Itueto (2), São Sebastião do Maranhão (2), Simonésia (3) e Ubaporanga (2).
O estado é o mais afetado pelo surto da doença, segundo o Ministério da Saúde. As cidades mineiras de Coronel Fabriciano, Governador Valadares, Manhumirim e Teófilo Otoni foram decretadas em situação de emergência pelo Ministério da Integração Nacional, conforme publicado no Diário Oficial da União no último dia 20.
Embora não seja confirmada por autoridades e não haja estudos a respeito, a relação entre o surto de febre amarela e o desequilíbrio ecológico causado pelo rompimento da barragem da Samarco, em Mariana, em novembro de 2015, não é descartado.
Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, no começo de janeiro, a bióloga e coordenadora da Plataforma Institucional de Biodiversidade e Saúde Silvestre da Fiocruz, Márcia Chame, afirmou que desequilíbrios ecológicos têm impacto na saúde dos animais. É o que pode ter acontecido.
A lama contaminada que avançou pelo rio e afluentes, depositando toneladas de partículas tóxicas no leito, matando peixes e outros animais, afetou a dieta dos macacos, tornando-os mais suscetíveis a doenças – inclusive a febre amarela. A bióloga lembrou que a região já enfrentava impacto ambiental importante por causa da mineração. Além de Minas, houve confirmação de mortes de macacos também em Colatina, no Espírito Santo, que também foi afetado pela lama.
A população da Bacia do Rio Doce, estimada em torno de 3,5 milhões de habitantes, está distribuída em 228 municípios, sendo 202 mineiros e 26 capixabas. Mais de 85% desses municípios têm até 20 mil habitantes e cerca de 73% da população total da bacia concentra-se na área urbana, segundo dados de 2007. Nos municípios com até 10 mil habitantes, 47,75% da população vivem na área rural. As bacias do Piranga e do Piracicaba, com o maior Produto Interno Bruto (PIB) industrial, concentram aproximadamente 48% da população total.
De acordo com o governo mineiro, ocorreram surtos de febre amarela em 2001, na região centro-oeste do estado, com 32 casos confirmados e 16 mortes. Em 2003, houve surto no Alto Jequitinhonha, atingindo seis municípios. Foram 64 casos, com 23 mortes. Em 2008 e 2009, foram confirmados dois casos da doença em macacos. De 2010 para cá, não havia registro da febre em humanos.
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Posted: 07 Mar 2017 10:17 AM PST
milhares ruas argentina melhorias educação protestos macri
Milhares de professores argentinos da rede pública de ensino iniciaram nesta segunda-feira (06/03) uma paralisação de 48 horas em todo o país, exigindo um aumento de salário para a categoria em nível nacional que compense a inflação de 40% no ano passado.
Segundo a Frente Nacional Docente, que agrupa os cinco maiores sindicatos de professores do país, a adesão à greve chega a 92%.
Em Buenos Aires, a marcha de professores, apoiados por representantes da ATE (Associação de Trabalhadores do Estado), percorreu as principais ruas da capital argentina e se dirigiu desde o Congresso Nacional até o Ministério da Educação. “Esta marcha com mais de 50 mil professores deve fazer o governo refletir”, declarou a representante sindical Sonia Alesso.
Os professores exigem uma negociação salarial em nível nacional, se opondo à existência de salários diferentes nas 23 províncias e na capital federal, depois da decisão do Executivo nacional de deixar nas mãos das gobernaciones (Estados) o montante do mínimo salarial segundo as possibilidades de cada uma.
A grande maioria dos governos locais propõe 18% a pagar em quatro quotas, atreladas ao índice da inflação, enquanto os professores pedem um reajuste de 35% para compensar a perda pela inflação, que em 2016 se elevou a mais de 40%.
Após várias tentativas frustradas de diálogo com o governo de Mauricio Macri, os professores convocaram a paralisação de 48 horas nos dois primeiros dias do ano letivo de 2017 na Argentina.
Enquanto Macri inaugurava o ano letivo na província de Jujuy junto ao ministro da pasta, Esteban Bullrich, no restante do país, neste primeiro dia de aulas, as salas das escolas públicas permaneceram vazias.
Apenas três províncias, Jujuy, Santiago do Estero e San Luis, começaram as aulas. No resto, em todos os níveis, 12 milhões de alunos ficaram em suas casas.
Os professores apontaram que depois da paralisação de 48 horas e a outra marcha a ser realizada amanhã acompanhando a Confederação Geral do Trabalho, preparam um plano de luta por melhores salários e condições de trabalho.
Paritária nacional ou segue a greve”, declarou Hugo Yasky, da CTA (Confederação de Trabalhadores da Argentina). “Ir contra a escola pública é analfabetismo político, seja na Casa Rosada ou no Ministério da Educação. Não há nada mais nobre para os argentinos do que a escola”, disse o sindicalista.
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Posted: 07 Mar 2017 09:57 AM PST
curiosidades Gabriel José García Márquez literatura livros
Gabriel José García Márquez (reprodução)
Andréa Martinelli, HuffPost Brasil
Quando Gabriel García Márquez aceitou o Prêmio Nobel de Literatura em 1982, ele se referiu a si mesmo como pertencente a uma linhagem de “inventores de fábulas que acreditam em tudo” e que sentem
o direito de acreditar que ainda não é demasiado tarde para nos lançarmos na criação da utopia contrária. Uma nova arrasadora utopia da vida, onde ninguém possa decidir pelos outros até mesmo a forma de morrer, onde de verdade seja certo o amor e seja possível a felicidade, e onde as estirpes condenadas a cem anos de solidão tenham, enfim e para sempre, uma segunda oportunidade sobre a terra.”
Morto em 17 de abril de 2014, aos 87 anos, ele deixou um legado que foi capaz de levar leitores junto com ele e fazê-los acreditar em qualquer coisa — ou naquilo que o chamado realismo mágico pode cria.
O trabalho do autor colombiano baseou-se tanto em sua vivência como jornalista na América Latina, a admiração por William Faulkner e Mark Twain, quanto histórias vividas durante sua infância na casa de seus avós em Aracataca, na Colômbia.
Antes de sua morte, já fazia mais de dez anos que o escritor não publicava nada. Assim como Alice Munro, escritora e sua colega de Prêmio Nobel, García Márquez disse que a escrita o desgastou e que queria mais tempo para aproveitar a vida de outra forma.
E o fez.
Hoje, 6 de março de 2017, Gabo, como era conhecido pelos mais íntimos, completaria 90 anos de idade.
Aqui estão seis curiosidades sobre o escritor que conseguiu falar sobre amor, evocando a solidão (e que certamente vão te inspirar):

1. A crença no poder duradouro do amor

A dedicatória no livro que conta a história mais romântica de García Márquez, Amor Nos Tempos Do Cólera, diz, simplesmente: “Para Mercedes, é claro“.
Ele refere-se a Mercedes Barcha, com quem se casou em 1958.
Gabriel e Mercedes se apaixonaram no momento em que se viram. Mas não puderam ficar juntos de imediato. E a história dos amantes que se conheceram na juventude, mas, por interferência da família e de outros fatores externos, não puderam ficar juntos durante uma vida toda está retratada no livro O Amor Nos Tempos do Cólera.
A história de duas pessoas cujo amor sobrevive a um longo período de separação é o cerne do livro. Mas, de qualquer maneira, Florentino e Fermina acabam juntos e apaixonados. O cólera pode ser interpretado como algo que julga que a paixão não precisa ser obscurecida pela passagem dos anos – e que sobrevive, justamente, porque o amor é uma parte fundamental da vida.

2. A reinvenção enquanto escritor

Gabo (como era conhecido pelos íntimos), começou sua carreira como colunista de um jornal. Lá, ele escrevia seus contos e ficou reconhecido no meio literário. Depois, chegou a ser repórter e editor de jornais na Colômbia. Ele chegou até a trabalhar em um jornal comunista com sede nos Estados Unidos, mas diante de uma crise política foi obrigado a voltar para seu país de origem.
Garcia Márquez escreveu ficção a maior parte de sua vida, e não publicou seu primeiro romance até completar 40 anos. Na verdade, o que ele sempre quis, foi ser escritor. Segundo ele, esta era “a melhor forma de explorar a verdade dos fatos“.
Porém, a matéria prima de muitos de seus romances e contos era o factual, o palpável, o que acontecia no “mundo real” e, principalmente, durante sua estadia em redações de jornais. Por exemplo, o assassinato no centro de Crônica de uma Morte Anunciada e a inspiração para escrever Do amor e outros demônios.
Transformar essas histórias verdadeiras em ficção permitiu a ele “usar a fantasia para dizer a verdade“, como a firma sua principal tradutora, Edith Grossman. Ela completa: “Isso é o que a literatura faz. Ele diz a verdade através da invenção e do fazer-se acreditar. A magia estpa em encontrar um escritor que transforma tudo o que toca em ouro de uma forma genial”.
Não á toa Cem anos de solidão chegou e até hoje é considerado a grande obra-prima do escritor.

3. Ele lutou para fazer o que gostava

Garcia Marquez foi criado por seus avós, em Aracataca, na Colômbia. E esta influência pode ser sentida em tudo o que ele já escreveu. Embora o escritor não tenha inventado o estilo de ficção conhecido como “realismo mágico”, que combina os detalhes da vida comum com elementos fantásticos da mitologia, ele foi considerado o grande “pai” desse gênero literário após o sucesso de Cem anos de solidão.
Mas se ele é o pai do realismo mágico, sua avó, Dona Tranquilina Iguaran Cotes, é literalmente a avó do gênero. García Marquez creditou suas histórias, que “trataram o extraordinário como algo perfeitamente natural”, ajudando a definir seu estilo, á convivência com ela.
De fato, talvez sejam os avós o maior presente de um romancista, porque Garcia Márquez também disse que seu avô, o coronel Nicolás Ricardo Márquez Mejía, foi um grande contador de histórias e que lhe ensinou sobre a importância da história e da política. E foi a casa de seus avós em Aracataca, que forneceu o cenário mítico para criar a cidadezinha de Macondo, em Cem Anos de Solidão.
Mas nem tudo foi tão fácil assim.
O pai de García Marquez esperava que ele se formasse médico. E ele, com uma inquietação interna, enfrentou as vontades da família para deixar que a sua se sobressaísse. E, mesmo passando por momentos de extrema miséria durante sua jornada, conseguiu se tornar um dos grandes escritores da América Latina.

4. A inspiração em Falkner e Mark Twain

Foi na companhia de outros dois grandes homens da literatura que Gabriel García Marquez cresceu: William Faulkner e Mark Twain.
Em sua biografia Viver para Contar, Gabo é constantemente acompanhando por Luz em Agosto e também pelo clássico As Aventuras de Huckleberry Finn.
Mesmo antes de dar nome ao “realismo mágico“, García Marquez se inspirava nesses dois para criar seus universos internos e extravasá-los no papel. Uma escritora que entrou em contato e admirou muito? Virginia Woolf.
Talvez da inspiração de todos esses tenha nascido o tão aclamado realismo mágico criado em Cem anos de solidão.

5. A rivalidade com Mário Vargas Llosa

Sim. Gabriel García Márquez protagonizou um dos maiores feudos da história recente da literatura. O episódio aconteceu com o seu também colega de Prêmio Nobel e gênio da literatura latino-americana, Mario Vargas Llosa.
Os romancistas, que se conheceram na Venezuela em 1967, protagonizaram uma das rivalidades mais famosas no mundo literário desde que, em 1976, no México, Vargas Llosa deu um soco no rosto de seu então amigo na frente de testemunhas.
Segundo a agência EFE, após a morte de García Márquez, Vargas Llosa falou à emissora de TV peruana Canal N e disse:
Morreu um grande escritor cujas obras deram grande difusão e prestígio à literatura de nossa língua. Seus livros o sobreviverão, continuarão a ganhar leitores. Envio meus pêsames a sua família

6. A paixão por borboletas amarelas

Aparentemente pura e simplesmente porque gostava muito delas.
Tanto que são elas que ilustram e seguem o personagem sedutor e misterioso Maurício Babilônia em Cem anos de solidão:
O cabelo-de-fogo norte-americano, que realmente começava a lhe interessar, pareceu-lhe um bebê de fraldas. Foi então que entendeu as borboletas amarelas que precediam as aparições de Mauricio Babilonia. Vira-as antes, sobretudo na oficina mecânica, e pensara que estavam fascinadas pelo cheiro da pintura. Alguma vez tê-las-ia sentido voejar sobre a sua cabeça na penumbra do cinema. Mas quando Mauricio Babilonia começou a persegui-la como um espectro que só ela identificava na multidão, compreendeu quea s borboletas amarelas tinham alguma coisa que ver com ele. Mauricio Babilonia estava sempre na plateia dos concertos, no cinema, na missa, e ela não necessitava vê-lo para descobri-lo, porque o indicavam as borboletas.
Para lembrá-lo em seu primeiro aniversário de morte, Bogotá fez uma série de homenagens: inaugurou um grande mural com a imagem do escritor, as bibliotecas estão promovendo leituras no dia de hoje, e a Biblioteca Nacional da Colômbia abriu exposição dedicada a escritor mais famoso do país. E muitas, muitas, muitas borboletas amarelas voltaram a voar pelo País.
Nascido em 6 de março de 1927, em Aracataca, Gabo foi a figura mais popular da literatura hispânica desde Miguel de Cervantes. Só no Brasil, segundo a editora Record, que publica suas obras no Brasil, seus livros venderam, ao todo, 2,3 milhões de exemplares. O título que os brasileiros mais compraram foi “Cem Anos de Solidão”, com mais de 390 mil exemplares vendidos.
Á época, a procura pelos livros de Gabriel García Márquez aumentou com o anúncio de sua morte e a editora correu para imprimir novas tiragens dos títulos de ficção do autor. Gabo deixou um inédito, “En Agosto Nos Vemos”, mas de acordo com a Record, a família não quer publicá-lo, para a tristeza dos fãs.
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Posted: 07 Mar 2017 09:43 AM PST
Chuck Feeney  doou bilhões fortuna caridade secredo eua mundo
Charles Francis ou “Chuck” Feeney (reprodução)
A fortuna estimada em US$ 8 bilhões (R$ 25 bilhões) que transformou Charles Feeney em um dos homens mais ricos dos Estados Unidos não pertence mais a ele.
O magnata doou o montante em segredo, e em vida, para instituições ao redor do mundo.
Não o fiz para provar coisa alguma, exceto que, com sorte, o mundo agora é um lugar melhor porque peguei o meu dinheiro e o dividi entre muitas pessoas“, afirmou Feeney, em entrevista à BBC.
Quando questionado sobre a decisão de fazer as doações secretamente, afirmou que “não precisa explicar para todo mundo o que está fazendo“.
Entre as instituições agraciadas estão algumas na área de saúde pública e outras que fazem campanha pela paz.
Além disso, cerca de U$S1 milhão foi usado em custos operacionais da empresa Atlantic Philantropies, um grupo de entidades criado pelo próprio Feeney, em 1982, para canalizar as doações.
O valor mais recente foi uma doação de U$ 7 milhões (R$ 22 milhões), no fim do ano passado, para ajudar estudantes da Universidade de Cornell (EUA) envolvidos em trabalhos comunitários.

Apartamento alugado

Dessa forma, Feeney, hoje com 85 anos, terminou de distribuir a riqueza que acumulou como fundador de uma empresa pioneira de duty-free (ou free shop) – lojas especializadas em vender, sem encargos fiscais tradicionais, desde perfumes até bebidas alcoólicas e cigarros em aeroportos.
Segundo Oechsli, depois das doações, o agora ex-magnata ficou com apenas uma pequena parcela do que ganhou: aluga um apartamento modesto em São Francisco, na Califórnia. Não tem mais imóveis ou bens luxuosos.
Tudo o que guardou seriam “alguns poucos milhões” – menos de U$ 10 milhões (R$ 33 milhões) – para cobrir os custos de vida e cuidados médicos que ele e sua mulher, Helga, terão até a morte.
E, apesar da mudança no padrão de vida e de consumo, Feeney, apontado como uma espécie de antítese do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está longe de demonstrar arrependimentos.
Viver e desfrutar da vida da maneira que eu fiz até agora já está bom. Estou feliz com isso, e minha esposa também“, afirmou.

‘James Bond da filantropia’

Feeney é o filantropo americano que doou mais dinheiro ainda vivo.
Segundo a revista Forbes, ele encabeçou uma lista de percentual de doações em relação à fortuna, que inclui o megainvestidor George Soros – Soros que teria doado em vida cerca de 49% de sua riqueza atual – e o casal Bill e Melinda Gates (40%).
A mesma publicação o chamou de “James Bond da filantropia” pela forma como ele viajou o mundo por mais de três décadas com a missão de distribuir clandestinamente sua fortuna.
Feeney confessa que a decisão de se desfazer da riqueza acumulada não foi consequência de um episódio em particular, mas de um processo pessoal, que incluiu leituras sobre filantropia e algumas reflexões.
Considerei as alternativas que tinha na minha vida e pensei que o melhor que poderia fazer era estender a mão e buscar as pessoas menos afortunadas“, disse.

Trajetória

Feeney não herdou sua riqueza, mas a ganhou ao longo da vida. Ele nasceu e cresceu em uma região humilde de Nova Jersey, filho de mãe enfermeira e pai corretor de seguros.
Aos 10 anos, vendia cartões de Natal de porta em porta e ainda adolescente se alistou na Força Aérea dos Estados Unidos – serviu no setor de inteligência de sinais na Guerra da Coreia (1950-53).
Ele foi o primeiro membro da família a cursar o ensino superior, através de um programa governamental para veteranos de guerra – estudou justamente em Cornell.
A ideia de fundar a gigante Duty Free Shoppers (DFS) ao lado de Robert Miller, em 1960, foi baseada na experiência de negócios que Feeney tinha recebido vendendo mercadorias a tropas dos Estados Unidos em outros países.
A fortuna começou a se multiplicar até ele chegar à conclusão de que ele e os filhos tinham mais do que precisavam.

Vida simples

Muito antes de doar todo o dinheiro, Feeney era conhecido pelo estilo de vida mais simples, diferente da aura luxuosa que a empresa dele transmitia.
Preferia comer em bares populares do que em restaurantes caros de Nova York e não viajava de avião na primeira classe. Usava um relógio que custava cerca de US$ 15 e carregava uma sacola plástica com os jornais que lia frequentemente.
Por isso, nega que sinta falta dos tempos em que tinha uma imensa fortuna.
Não sinto falta, porque nunca fui apegado à riqueza material“, disse.
Questionado sobre o que lhe dá prazer depois de cumprir o grande objetivo de se livrar do dinheiro, ele responde.
Viver exatamente do modo que eu vivo, sabendo que através do trabalho da fundação fiz o bem a quem não esperava“.
Isso foi uma espécie de recompensa“, disse.

O destino das recompensas

As doações de Feeney ajudaram pacientes com Aids a terem acesso a tratamento retroviral na África do Sul, a reformar o sistema de saúde pública no Vietnã e a buscar a paz na Irlanda do Norte, onde ele se reuniu com paramilitares nos anos 90 para pedir que abandonassem as armas – sua família é de origem irlandesa.
Apesar de a Atlantic não ter negócios na América Latina, ele investiu na melhoria da saúde pública em Cuba e em ações que contribuíram para normalizar as relações entre a ilha e os EUA recentemente.
No mês passado, um artigo no jornal americano The New York Times comparou Feeney com Trump, mas como modelos opostos.
Durante anos, Trump fez muita pressão para entrar na lista dos mais ricos da Forbes, por exemplo; Feeney articulou para estar de fora dela. A doação da Atlantic vinha inteiramente do dinheiro de Feeney, enquanto grande parte do dinheiro que entrou na Fundação Trump recentemente era de outras pessoas“, afirmou o jornal.
Questionado sobre o contraste, ele evitou comentar.
Nunca tive a intenção de comparar a minha vida com a de ninguém.”
Apesar disso, assessores afirmam que o ex-magnata está muito preocupado com a situação atual dos Estados Unidos e com a polarização política no país.
Agora que sua fortuna já foi inteiramente repartida, a Atlantic está com os dias contados: vai se dissolver em 2020, depois de finalizar a entrega das doações prometidas e de desenvolver os programas previstos.
Gerardo Lissardy, BBC Mundo
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Posted: 07 Mar 2017 09:24 AM PST
PSDB odebrecht aécio neves prpina delatado dinheiro
O ex-presidente da Odebrecht Infraestruturada Benedicto Junior afirmou que repassou R$ 6 milhões em 2014, por meio de caixa dois, para as campanhas eleitorais de Pimenta da Veiga (PSDB) ao governo mineiro, Antonio Anastasia (PSDB) ao Senado e Dimas Fabiano (PP) a deputado federal – a pedido do senador Aécio Neves (PSDB). Mas o montante declarado pelo PSDB mineiro e por esses candidatos como doações recebidas da empreiteira foi de R$ 1,5 milhão, ou seja, apenas 25% do valor informado pelo delator. A diferença nas cifras é revelada na edição deste sábado (4) do jornal O Globo.
Candidato derrotado ao governo de Minas Gerais, Pimenta declarou ter recebido apenas R$ 200 mil de forma direta da construtora e outros R$ 780 mil pelo diretório estadual tucano. A campanha do senador Anastasia registra apenas R$ 50 mil em doação direta da empreiteira, além de R$ 112 mil vindos do caixa de Pimenta. No caso de Dimas, não há registro do recebimento de qualquer doação.
De acordo com a reportagem, o diretório do PSDB de Minas Gerais, fonte da maior parte dos recursos recebidos, declarou ter recebido R$ 730 mil de forma direta e outros R$ 560 mil de forma indireta, por meio do diretório nacional tucano.
Em depoimento ao Tribunal Superior Eleitoral, Benedicto Júnior contou que repassou outros R$ 3 milhões de caixa dois para o pagamento de um marqueteiro da campanha do senador Aécio Neves à Presidência da República. Nos registros do TSE, a empreiteira aparece como doadora de R$ 4 milhões ao candidato e de R$ 12,6 milhões ao diretório nacional tucano.
Todas as doações recebidas nas campanhas do partido em 2014 foram devidamente registradas na Justiça Eleitoral, conforme determina a Lei”, respondeu por nota o PSDB. “As prestações de contas do Partido e dos candidatos Pimenta da Veiga e Antonio Anastasia foram aprovadas pelo Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG)”, acrescentou.
Anastasia disse que “nunca tratou, no curso de toda sua trajetória pessoal ou política, com qualquer pessoa ou empresa sobre qualquer assunto ilícito”. Em vídeo divulgado na internet, Aécio afirmou que todos os recursos doados à sua campanha em 2014 foram recebidos de forma legal e rebateu as acusações de que o partido recebeu recursos de caixa dois ou propina. Segundo o tucano, o depoimento de Marcelo Odebrecht confirma que não houve repasses ilícitos para sua campanha.
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