sábado, 11 de março de 2017

11/3 - Pragmatismo Político DE 9/3

Pragmatismo Político


Posted: 09 Mar 2017 04:33 PM PST
Antonio Waneir Inês camarão Olavo
Imagens: Inês Etienne, na juventude e depois já mais velha. Ao lado, duas fotos do torturador Antonio Waneir. vulgo Camarão
Inspirado em Olavo de Carvalho, um juiz federal rejeitou denúncia contra o ex-militar Antonio Waneir Pinheiro Lima, o Camarão, acusado de tortura e estupro da presa política Inês Etienne Romeu, única sobrevivente da Casa da Morte, centro de tortura clandestino da ditadura em Petrópolis, no Rio.
Na sentença, o juiz Alcir Luiz Lopes Coelho disse que o grupo que investiga crimes cometidos na ditadura militar é “um simulacro de tribunal de exceção”.
“Como escreveu Olavo de Carvalho, ninguém é contra os ‘direitos humanos’, desde que sejam direitos humanos de verdade, compartilhados por todos os membros da sociedade, e não meros pretextos para dar vantagens a minorias selecionadas que servem aos interesses globalistas”, afirmou o juiz Alcir Luiz.
Olavo de Carvalho é considerado o ‘guru’ da nova direita brasileira. Residente nos EUA, ele se autointitula filósofo e professor — embora não tenha formação alguma — e já trabalhou como astrólogo.
Celina Romeu, irmã de Inês Etienne, se disse indignada com a decisão da Justiça. “É o velho machismo de sempre. Eles mataram Inês diversas vezes: seu corpo, sua reputação. Agora é a palavra dela que não vale nada”, afirmou. “Quanto ao juiz, tenho pena por ele ser pessoa tão pequena. Ele não julgou uma ação. Tomou uma posição política.”
Para o procurador Sergio Suiama, a sentença é desprovida de sentido e lógica. “Que vantagem ele vê para minorias numa ação sobre estupro? O direito de não ser estuprada? Ele desconsidera e desqualifica a palavra da vítima. Parte da premissa de que o que ela fala não tem valor. E o mais grave é que, ao dizer que ela é uma terrorista, ele assume o discurso de que ‘merecia ser estuprada’”, disse.

Inês Etienne

Em 1969, Inês Etienne foi sequestrada pela ditadura e ficou 96 dias na Casa da Morte, onde foi torturada e estuprada. Militante de VPR, ela foi libertada quando os seus torturadores imaginaram que estava “convertida”.
Após sair da Casa da Morte, Inês ainda cumpriu 8 anos de prisão. Em seguida, dedicou a sua vida a denunciar as atrocidades da ditadura militar. A partir dos seus relatos, foi possível identificar a Casa da Morte em Petrópolis e militares que participaram das torturas, inclusive o coronel Paulo Malhães, o homem que recrutou Camarão, o torturador de Inês.
Inês Etienne morreu em 2015 após sofrer um enfarte. Um ano antes, Paulo Malhães, comandante da Casa da Morte, foi morto em um assalto.
com informações de AE e ABR
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Posted: 09 Mar 2017 11:44 AM PST
Michel Temer discurso dia da mulher
Michel e Marcela Temer (Foto: Beto Barata/PR)
1.A mulher é, seguramente, a única responsável pela gestão da casa e o futuro das filhas e dos filhos
2.A grande participação da mulher na economia é através da administração do lar
3.A mulher deve ser feliz por poder trabalhar, desde que não abandone os afazeres domésticos
4.Homens e mulheres são igualmente empregados
As quatro frases acima poderiam ter sido pinceladas da boca de um coronel que viveu no início do século XX, mas foram proferidas em 2017 pelo atual presidente do Brasil, Michel Temer, em pleno 8 de março, dia em que as mulheres do mundo inteiro celebram uma data que marca a luta histórica por direitos e igualdade.
A repercussão foi péssima. Na mídia, nas redes sociais, na população em geral. O discurso de Temer foi indefensável até mesmo para os veículos da grande imprensa.
“Dificílimo saber onde Michel Temer estava com a cabeça quando decidiu homenagear as mulheres no Dia Internacional delas com um discurso em que enaltece o papel doméstico das homenageadas”, escreveu Josias de Souza, blogueiro do UOL, concluindo que a fala do presidente representou uma ‘hedionda anti-homenagem’.
Segundo Bernardo Mello Franco, colunista da Folha, aliados do presidente reconheceram, longe das câmeras, o constrangimento causado pelo discurso. “Fora dos microfones, aliados reconheceram a bola fora. Não foi a primeira neste campo”, escreveu Mello.
A secretária de Políticas para as Mulheres, Fátima Pelaes, foi a única representante feminina que saiu em defesa do chefe. Possivelmente pressionada para assegurar o cargo, ela disse que “o presidente Michel é muito mais do que palavras”.

Equívoco?

O professor Leonardo Sakamoto considera que a fala de Temer não foi um simples equívoco, mas uma clara representação do que o próprio presidente, e outros milhões de homens, pensam sobre as mulheres.
“Infelizmente, não é só o ocupante do Palácio do Planalto que pensa dessa forma. Ele apenas externou a opinião de milhões de outros homens que, agora, estão se sentindo empoderados pelas porcarias ditas por seu presidente. O desserviço prestado por ele vai custar mais tempo de negação da dignidade para muita gente”, observou Sakamoto.
A maioria dos leitores de Pragmatismo Político que comentaram o discurso de Temer divulgado neste portal também concorda com essa análise.
“Parem de achar que ele fez isso por descuido, por falta de um assessor ou por estar ultrapassado. Temer fez isso para marcar um território, para institucionalizar o machismo. Foi um ataque proposital às conquistas femininas e ao processo civilizatório. É como um líder da Árabia Saudita, do Irã ou do Afeganistão falando: machista, conservador, violento e contra os mais fundamentais princípios da modernidade”, ponderou um leitor.
Houve ainda quem brincasse: “É preciso que se faça datação de carbono 14 nesse homem. Ele é um fóssil”.
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Posted: 09 Mar 2017 09:39 AM PST
Guilherme Boulos Folha coluna
Guilherme Boulos, líder do MTST
Por Guilherme Boulos
ÚLTIMA COLUNA
Recebi nesta quarta-feira (8) uma ligação da direção da Folha dizendo que esta seria minha última coluna. Não estranhei. Estranhei, na verdade, que essa ligação tenha demorado tanto tempo para acontecer. Tenho posições antagônicas às do jornal e, principalmente, uma militância que incomoda a maior parte dos leitores e anunciantes que o mantém.
O argumento dado foi de uma renovação “natural”, uma rotatividade de colunistas. Pode ser. Porém, até pelo momento em que ocorre, me parece impossível não relacionar o gesto ao acampamento do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) na Paulista, com todas as reações de hostilidade que gerou em empresários e associações sediadas naquela avenida.
A gritaria de desqualificação da luta do movimento acaba dando o tom na maioria do leitorado da Folha, cada vez mais conservador. Sucumbir a esta grita é tentador.
Saio pela porta da frente, sem ter recuado em nenhuma de minhas posições nesses mais de dois anos escrevendo para o jornal. Devo dizer também que em nenhum momento houve intervenção no conteúdo do que publiquei.
Quando decidi aceitar esta coluna, numa decisão tomada junto com meus companheiros de militância, foi pelo esforço de dialogar com um público mais amplo do que aquele que está próximo dos movimentos sociais.
Funcionou, para o bem e para o mal. Frequentemente meus textos tornaram-se objeto da ruminação rançosa dos comentadores de internet. É o que sabem fazer. Como disse Criolo, cada um dá o que tem, quem tem ódio dá ódio. Mas os textos também chegaram em gente que lê com espírito aberto e ajudaram a quebrar preconceitos sobre a luta do movimento popular.
Tenho o maior respeito e amizade por vários colunistas da Folha. Gente da qualidade de Gregório Duvivier, Vladimir Safatle, Laura Carvalho, André Singer, Juca Kfouri e tantos outros. Nem tantos, na verdade, alguns…
Não é porque deixo de escrever esta coluna que mudarei minha opinião sobre a importância dos textos desses escritores para o debate público. Tenho também grande respeito pelos profissionais jornalistas que trabalham ali.
Seguirei meu caminho, sem transigir um passo. Continuarei escrevendo textos, em outros lugares. E principalmente continuarei lutando, junto com meus companheiros, por moradia e igualdade social, ocupando e resistindo.
Se isso constrange e incomoda parte dos leitores da Folha e seus anunciantes é apenas mais uma demonstração de que estamos em lados opostos. Até que durou bastante, muito mais do que esperava.
A vida é feita de escolhas. Quando um jornal que pretende ser equilibrado toma a decisão de reduzir seu já restrito grupo de colunistas afinados com o pensamento de esquerda e manter um batalhão de colunistas conservadores e de direita, aprofunda sua opção por um certo tipo de público. Sinal dos tempos.
Aos leitores cativos desta coluna podem continuar acompanhando o que escrevo através de minha página no Facebook e, em breve, em algum novo front.
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