quarta-feira, 1 de março de 2017

1/3 - Altamiro Borges DE 26/2

Altamiro Borges


Posted: 26 Feb 2017 11:56 AM PST
Por Altamiro Borges

Nas marchas golpistas pelo "Fora Dilma", em 2015, uma figura excitou os falsos moralistas que se dizem defensores da família, da moral e dos bons costumes. Na época rotulada de "empresária", Ju Isen desfilou pela Avenida Paulista sempre com poucos trajes ou simplesmente nua. Entusiasmada com a fama, a "musa do impeachment" até sonhou em ser vereadora, o que não deu certo. Frustrada, ela sumiu dos holofotes da mídia privada. Nesta semana, porém, ela voltou a brilhar e, novamente, ajudou a produzir um impeachment: o do superintendente artístico da RedeTV!, Elias Abrão, que pediu demissão da emissora neste sábado (25).

Segundo informa o jornalista Luciano Guaraldo, do site "Notícias da TV", "a sua saída foi motivada pela exibição ao vivo do ânus da modelo Ju Isen durante o programa Bastidores do Carnaval de sexta-feira (24). Após a cúpula da emissora cobrar explicações, Abrão assumiu a responsabilidade. 'Amigos, bom dia. Errei feio com o Hulk [uma referência à pintura corporal verde de Ju Isen]. Já pedi meu desligamento da RedeTV!. Às vezes pesamos a mão, sem pensar ou ponderar. Abraços', escreveu Abrão em seu perfil do Twitter na madrugada deste domingo (26)".

Ainda de acordo com a reportagem, "a aparição explícita de Ju Isen ocorreu durante uma entrevista da musa das manifestações à repórter Léo Aquilla. Léo pediu para Ju Isen mostrar sua pintura, e ela agachou com o bumbum para a câmera. A cena ao vivo causou furor na internet e chocou até os apresentadores Flávia Noronha e Nelson Rubens, que achavam que já tinham visto de tudo no Carnaval da emissora. 'Opa', exclamou Flávia rapidamente enquanto a câmera dava um close ginecológico nas partes íntimas da modelo".

Elias Abrão ocupava a superintendência artística da RedeTV! desde fevereiro do ano passado, depois de dirigir o programa 'A Tarde É Sua", apresentado na emissora por sua irmã, Sonia Abrão. Na época da escolha, ele afirmou que seu objetivo no cargo seria o de aumentar a audiência. Pelo jeito, como reconheceu na sua postagem, ele "pesou a mão, sem pensar ou ponderar". Após exibir o ânus da "musa dos golpistas" em rede nacional de tevê, ele foi defenestrado do cargo.   

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Posted: 26 Feb 2017 11:43 AM PST
Por Altamiro Borges

Reportagem do Estadão deste sábado (25) reforça a tese de que o protesto da PM do Espírito Santo por melhores salários e contra o arrocho fiscal do governador golpista Paulo Hartung foi manipulado por seguidores do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ). O extremista de direita, que já anunciou sua candidatura presidencial para 2018, é famoso por defender torturas e chacinas policiais. No clima de caos na sociedade, ele tenta alavancar suas ambições políticas. O jornal chegou a esta preocupante conclusão após realizar uma pesquisa nas redes sociais. Confira a bombástica reportagem:

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Rede de Bolsonaro na 'teia' do motim

Levantamento mostra que aliados do deputado do PSC participaram ativamente da divulgação do movimento de policiais no Espírito Santo

Por Adriana Fernandes, André Borges e Leonencio Nossa

O Estado de S.Paulo - 25 Fevereiro de 2017

Um grupo político ligado ao deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) esteve na linha de frente da comunicação e da logística do motim que parou a Polícia Militar do Espírito Santo no início deste mês, segundo levantamento do Estado em conjunto com uma equipe de especialistas em redes sociais. Entre os nomes que constam desta rede de apoio estão o ex-deputado federal Capitão Assumção e o deputado federal Carlos Manato (SD-ES), aliados de Bolsonaro no Estado.

A Polícia Federal investiga a origem do movimento, que durou de 4 a 14 de fevereiro, período em que ocorreram 181 homicídios na Grande Vitória e em cidades do interior. Um relatório parcial da PF, de 17 de fevereiro, ao qual a reportagem teve acesso, cita os nomes de Assumção, de Manato e de assessores. O documento alerta para a possibilidade de falta de policiais nas ruas de Vitória durante o carnaval. A paralisação dos militares é considerada ilegal e mais de mil agentes da corporação estão sendo processados.

O Estado identificou uma intensa troca de mensagens entre pessoas ligadas ao grupo, influente na PM capixaba, corporação que agrega 10 mil homens. O levantamento coletou informações produzidas por internautas e rastreou as interações de pessoas e entidades. Para isso, teve a ajuda de uma equipe formada por mestres e doutores nas áreas de Sociologia e Comunicação Digital.

Recorde

Publicações do próprio Bolsonaro atingiram recordes de visualizações nos dez dias de paralisação. Apenas um vídeo divulgado pelo deputado no dia 6 de fevereiro, terceiro dia do motim, foi visualizado por 2 milhões de pessoas. Nele, Bolsonaro critica o governo do Estado, defende a polícia, alerta para a possibilidade de o movimento se espalhar para outros Estados e faz propaganda do nome do Capitão Assumção, que, segundo aliados, almeja voltar à Câmara em 2018.

A movimentação na internet antecede a presença massiva de familiares dos policiais na frente dos batalhões da Polícia Militar, um cenário que ganhou corpo a partir da manhã do sábado, dia 4. No dia anterior, sexta-feira, o ex-deputado Capitão Assumção, braço direito de Bolsonaro no debate de segurança pública na Câmara entre 2009 e 2011, divulgou no Facebook uma lista de reivindicações da categoria e as primeiras imagens de mulheres que faziam protesto na frente de um batalhão no município da Serra.

“Já que os militares não podem se manifestar, os familiares estão fazendo por eles”, escreveu. O post teve quase 300 mil compartilhamentos. O ex-deputado usa foto de Bolsonaro na capa da conta no Facebook. Procurado desde a terça-feira, 21, Assumção não foi localizado.

Na noite da véspera do início do motim, o empresário Walter Matias Lopes, militar desligado da polícia, alertou seus seguidores: “Amanhã a Polícia Militar vai parar. Pior Salário do Brasil”. Em seguida, convocou: “Você, admirador da Polícia Militar, está convidado para participar do movimento amanhã”. Matias é companheiro de Izabella Renata Andrade Costa, funcionária comissionada do gabinete de Carlos Manato, que é pré-candidato ao governo do Espírito Santo com o argumento de que, assim, dará palanque a Bolsonaro.

Além de também incentivar a manifestação, Izabella engrossou as fileiras em frente aos quartéis e ajudou a distribuir alimentos às mulheres, segundo publicou em sua conta no Facebook. Na manhã de sábado, divulgou vídeo de “transmissão ao vivo” do protesto.

Marido de Izabella, Matias Lopes também tem pretensões eleitorais em 2018. Quer tentar uma cadeira na Assembleia Legislativa. Ao Estado, disse que foi apenas um “espectador”. “Não sou líder nem cabeça de movimento. Nem eu nem a Izabella”, afirmou, referindo-se à sua companheira. “Estou servindo apenas de mediador de um conflito.” Logo após a conversa, Matias e Izabella limparam as mensagens publicadas no Facebook.

Questionado sobre as publicações disseminadas pelas redes sociais, o governo do Espírito Santo informou que tem procurado identificar a dimensão do uso político antes, durante e depois do motim e que fez alerta às forças federais.

Ao vivo

A reportagem procurou Bolsonaro desde terça-feira, 21, para comentar as questões relacionadas à crise no Espírito Santo e enviou perguntas ao deputado. O parlamentar, que informou que estava no Rio, não respondeu aos questionamentos e disse que só se manifestaria sobre o assunto ao vivo e desde que a conversa fosse gravada em vídeo.

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A reportagem do Estadão bem que poderia ensejar a abertura de um novo processo contra o deputado na comissão de ética da Câmara Federal. Até hoje, o fascistoide conseguiu a cumplicidade dos seus pares para escapar de inúmeras acusações por falta de decoro parlamentar. Desta forma, os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário vão chocando o ovo da serpente fascista na sociedade. Depois não adianta ficar assustado com o crescimento da popularidade deste psicopata, que ultimamente tem se comparado a Donald Trump dos EUA. O terror é o seu oxigênio político e o silêncio o alimenta!

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Posted: 26 Feb 2017 09:16 AM PST
Por Hildegard Angel, em seu blog:

Jorge Luz, o maior operador da corrupção do país, permanece na ativa desde os militares. Conforme o noticiário, na Petrobras ele age desde 1986, em conluio com o PMDB. Contudo, perto do tamanho de seu próprio enriquecimento, parecem irrisórios os 40 milhões de dólares que ele teria distribuído em propinas ao partido nas negociatas.

Só mesmo o detentor de imensa fortuna poderia ter adquirido, como ele fez, um dos castelos da duquesa de Alba, em Sevilha, após a morte, em 2014, da mulher mais rica da Espanha e maior colecionadora de títulos de nobreza do mundo – e por isso não precisava se ajoelhar nem para o Papa. Naquela ocasião, Luz interessou-se em obter a cidadania espanhola, empenhando-se para isso junto um amigo português, lobista com bom trânsito na realeza de Espanha.

Como é de costume nas transações envolvendo grandes propriedades europeias, o castelo da duquesa de Alba, joia da arquitetura espanhola, foi vendido “com porteiras fechadas”, isto é, com tudo que há dentro, do mobiliário aos quadros nas paredes até às roupas nos cabides.

Vai depender do teor e do sabor das delações premiadas de Luz saber quando ele poderá voltar a desfrutar de seus luxuosos ambientes palacianos…

Em Curitiba, o decano dos lobistas, Jorge Luz, vai compartilhar muros prisionais com seu Aprendiz, aquele a quem dedica particular admiração e por quem se encantou ao conhecer e perceber nele múltiplos e especiais talentos. Foi Jorge quem, desde sempre, o instruiu e orientou nos primeiros passos, introduzindo-o no mundo do lobismo, das articulações, intermediações, pressões e maquinações. Falo de quem? Pensaram que eu fosse dizer Fernando Baiano? Não, meus amores, Baiano é só aparência, figuração. Falo de Eduardo Cunha, o verdadeiro gênio da raça.


















O Palácio Dueñas, a joia da coroa entre a coleção de castelos da duquesa de Alba, em Sevilha, aquisição de Jorge Luz, um homem sofisticado, que sempre soube o que é bom, sempre manteve o perfil baixo, evitou os holofotes, as fotos, a visibilidade, e assim construiu sua fortuna. Até seu paraíso fiscal não é óbvio: Andorra.
Posted: 26 Feb 2017 06:44 AM PST
Por Rafael Duarte Oliveira Venancio, no site Jornalistas Livres:

Wilson Simonal eternizou de maneira célebre, na música Aqui é o País do Futebol, os versos que pautam, normalmente, as discussões políticas sobre o esporte:

“Brasil está vazio na tarde de domingo, né?

Olha o sambão, aqui é o país do futebol

No fundo desse país

Ao longo das avenidas

Nos campos de terra e grama

Brasil só é futebol

Nesses noventa minutos

De emoção e alegria

Esqueço a casa e o trabalho

A vida fica lá fora

Dinheiro fica lá fora

A cama fica lá fora

Família fica lá fora

A vida fica lá fora

E tudo fica lá fora”


Por mais que as Diretas Já tenham tido influência da Democracia Corinthiana, que o futebol tenha sido uma das principais portas da luta contra o preconceito racial com times como a Ponte Preta e o Vasco da Gama, o futebol é visto como um esporte de manutenção do status quo ou de reacionarismo. Muitas vezes nem é o esporte que faz isso, mas sim pessoas que utilizam a camisa esportiva para motivos extracampo.

Todo esse senso-comum contra o futebol no Brasil teve uma fagulha de oposição neste último domingo, dia 19 de fevereiro de 2017. As equipes do Atlético Paranaense e do Coritiba entravam na Arena da Baixada decididos a fazer história no primeiro clássico do futebol do Paraná pelo campeonato estadual de 2017.

Antes da decisão do certame, Atlético e Coritiba recusaram a proposta da RPC/Globo de venda dos direitos televisivos. Apesar de ambas equipes serem campeãs brasileiras – Atlético Paranaense em 2001 e Coritiba em 1985 –, a proposta foi muito abaixo daquela oferecida para outras equipes do Sudeste. Com a recusa, veio a ideia: a transmissão via Facebook pelas páginas oficiais dos dois clubes. Seria algo inédito no futebol nacional.

Seria, afinal não aconteceu. A Federação Paranaense de Futebol, sem motivo claro – ora foi o não-credenciamento dos profissionais de comunicação, ora foi o posicionamento errado das equipes, mas nenhuma das duas com clareza legal –, proibiu o árbitro Paulo Roberto Alves Junior de iniciar a partida. Em alguns veículos de imprensa, tal como o Zero Hora Online e o UOL, o principal motivo posto foi o contrato da Globo com a Federação Paranaense, que é assinado sem a confirmação da proposta com os clubes.

A resposta vinda dos representantes das equipes no campo foi clara. “Eu queria explicar para as duas torcidas. Atlético-PR e Coritiba não venderam seus direitos por essa esmola que a RPC e a TV Globo quiseram nos pagar. É um direito nosso. E hoje nós queremos fazer a transmissão de forma gratuita pelo Facebook e pelo Youtube. A Federação de forma absurda não quer que o jogo comece. Mas nós não vamos parar. Os dois clubes não venderam os seus direitos. A Federação de forma arbitrária quer que nós tiremos do ar a nossa transmissão, que não é ligada a nenhuma TV, é uma produtora que nós contratamos. Então não vai ter jogo. Peço desculpas às duas torcidas. Os técnicos estão de acordo. Eu já recebi o telefonema do presidente Petraglia e do presidente Bacellar que concordam com essa decisão”, declarou Mauro Holzmann, diretor de marketing do Furacão, ao jornal esportivo Lance!.

O resultado desse imbróglio reside no legado das inúmeras imagens dos dois times saudando as torcidas no meio de campo antes de abandonar o jogo e no importante debate da desmonopolização da comunicação brasileira, especialmente no âmbito esportivo. A busca pela liberdade de informação não pode ser feita pela manutenção de velhos monopólios, sejam eles estatais ou privados.
Os clubes ao decidirem explorar eles mesmos – sob uma forma de comunicação do-it-yourself – a partida de futebol mostram o potencial das redes sociais digitais para uma nova era da transmissão da informação, uma era de liberdade plena de expressão. Liberdade de expressão essa que, muitas vezes, é pregada pelos meios tradicionais de informação em determinados assuntos. Só que, no entanto, quanto tocam em casos onde o monopólio e a restrição de informação os interessa, eles se tornam contrários a essa liberdade vinda das redes sociais digitais.

O mundo do futebol acordou diante das possibilidades da liberdade de expressão. Sair dos monopólios onde uma única empresa (no caso do Brasil) ou mesmo o Estado (no caso da Argentina) tem a totalidade do controle dos direitos de transmissão do esporte se torna a tarefa primeira da comunicação esportiva nesse fim de segunda década do século XXI. Os clubes precisam expandir suas áreas de comunicação – tanto de jornalismo institucional como de marketing, sabendo bem distinguir o nicho de cada um – e dar possibilidade à pluralidade de vozes informacionais.

É chegada a hora de não mais defender uma única mídia esportiva, mas sim as inúmeras vozes que formam o caleidoscópio do futebol. É uma oportunidade única em um país onde é fácil assistir a um jogo do Barcelona, mas difícil de ver na TV aberta um jogo que não seja dos 13 clubes grandes do país. O futebol precisa deixar de ser televisionado para cair de vez na rede digital e, com isso, se tornar grande novamente e ligado com o seu povo e suas demandas. É a chance do Brasil se tornar um país do futebol que não seja alienado tal como a música do Simonal, mas que represente direitos fundamentais, tal como o da liberdade de expressão informacional.
Posted: 26 Feb 2017 06:37 AM PST
Por Helena Borges, no site The Intercept-Brasil:

Em um evento na Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, o juiz Sérgio Moro respondeu a acusações de uso político da Operação Lava Jato e mandou indiretas para seus críticos. A fala de Moro foi atrasada por protestos contra sua presença no evento. Cerca de dez estudantes e professores se manifestaram contra a forma como Moro conduz a Operação Lava Jato, que chamaram de “enviesada”. Manifestantes interromperam a fala do juiz no início do discurso, mas foram vaiados pelos presentes no auditório.

Confira aqui uma lista das falas de Moro e o contexto por trás das bordoadas.
“Não estou fazendo política com a Lava Jato”

Moro é criticado no meio jurídico pela forma como conduz a operação, entidades como a OAB-RJ já se posicionaram contra a “divulgação seletiva” de informações da Lava Jato.

O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes já expressou seu desacordo com a postura do juiz. “E as investigações do vazamento daquelas prisões preventivas, onde estão?”, provocou o ministro.

“Muitas vezes as pessoas acham que é vazamento, mas não é, é uma decisão nossa de tornar a informação pública.”

Essa foi a resposta de Moro quando confrontado sobre supostos vazamentos de informação que teriam partido de seu gabinete. O caso mais emblemático foi a publicação da conversa telefônica entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula e a então Dilma Rousseff. Moro retirou o sigilo do processo e o grampo se tornou público. É por isso que ele não considera um “vazamento”.

No entanto, em março de 2016 ele precisou pedir desculpas ao STF pela atitude neste caso. Em junho do mesmo ano, o ministro Teori Zavascki anulou o grampo publicado pelo juiz.
“Eu estava em um evento público, ele estava sentado do meu lado. O que posso fazer? Nós conversamos. E ele não está sob minha jurisdição, o Supremo é que está com o caso dele. E você pode ter certeza que nós não falamos sobre o caso.”

A fala é em relação à foto do juiz conversando de forma descontraída com o ex-governador de Minas Gerais e ex-candidato à Presidência Aécio Neves (PSDB). Os dois estavam em uma cerimônia de premiação organizada no fim do ano pela revista Istoé.

Aécio é citado em delações da Odebrecht e da OAS, que estão sob a alçada de Moro. A descontração entre juiz e investigado foi duramente criticada em redes sociais.

“Eu não me sinto nem um pouco culpado pelo impeachment. Eu não tenho nada a ver com isso. Só estava fazendo meu trabalho sobre um caso específico.”

Apesar de dizer não ter nada a ver com o impeachment, é impossível dissociar a imagem de Moro ao processo de afastamento de Dilma, principalmente porque muitos manifestantes usavam máscaras com o rosto do juiz e até mesmo um boneco inflável do “Super Moro” participou dos atos. Na época, Moro se disse “tocado” pelas “homenagens” feitas nas manifestações pró-impeachment.

“Você não pode acreditar nas teorias da conspiração que surgem sobre a Lava Jato, algumas delas soam loucas.”

Foi o que disse quando questionado sobre as acusações de que sua atuação na liderança da operação seria influenciada por empresas norte-americanas interessadas no pré-sal. A acusação partiu da filósofa Marilena Chauí em um vídeo publicado no YouTube.

No dia 24 de janeiro, o ex-presidente Lula deu uma palestra em São Paulo onde reafirmou as acusações de Chauí: “Cada vez mais tenho convicção de que tem dedo estrangeiro nesse negócio da Lava-Jato. Tem interesses, sobretudo no pré-sal, de que esse país não seja protagonista”.
Posted: 26 Feb 2017 06:30 AM PST
Por Mauricio Torres e Sue Branford, no site Outras Palavras:

Em apenas 40 anos, o norte do estado de Mato Grosso sofreu uma transformação profunda: o avanço do agronegócio substituiu o cerrado e a floresta amazônica por extensas monoculturas agrícolas, protagonizadas pela soja.

A soja entrou no estado a uma velocidade assustadora: a área sob cultivo pulou de 1,2 milhões de hectares em 1991 para 6,2 milhões de hectares em 2010 e para 9,4 milhões de hectares em 2016. Segundo o geógrafo Antônio Ioris, professor da Universidade de Cardiff, que pesquisa o avanço do agronegócio em Mato Grosso, um fator-chave neste processo foi a participação do órgão de pesquisa agrícola do governo federal: “As novas tecnologias desenvolvidas pela Embrapa para os solos ácidos e outros problemas permitem que a soja entre após uma crise do setor na década de 1980, dando novo fôlego à fronteira agrícola”. Entretanto, a grande expansão da soja aconteceria no final dos anos 1990, “beneficiada pelo boom das commodities e pela liberalização da economia”, completa Ioris.

O avanço do agronegócio no MT foi acompanhado da narrativa de levar “desenvolvimento para o estado” mas, segundo Andreia Fanzeres, coordenadora do programa de direitos indígenas da Operação Amazônia Nativa (OPAN), ONG que trabalha com povos indígenas na região, tais “benefícios” não alcançaram todos que ali viviam. Como ocorreu em episódios anteriores de colonização na Amazônia, as populações tradicionais que habitavam a região há centenas de anos nunca foram consultadas ou beneficiadas com a indústria da soja: “As comunidades indígenas e agricultores familiares de forma geral sempre estiveram à margem do processo de decisão sobre que tipo de desenvolvimento querem”.

“Há certas regiões, como ali próximo à Brasnorte [município às margens do rio Juruena], por exemplo, onde você pode olhar 360 graus ao redor sem ver uma única árvore”, comenta o antropólogo Rinaldo Arruda, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Chantagem “Moderna”
O cultivo da soja exige grandes extensões de terra para ser lucrativo. Assim, sua expansão no estado levou à concentração fundiária. Com a valorização da commodity e o aumento da produtividade, a economia nacional foi se tornando cada vez mais dependente das divisas oriundas da exportação desse bem primário. O peso da soja na balança comercial brasileira “garante poder político para influenciar a implementação de infraestrutura e logística, como a pavimentação das estradas e até a construção de hidrovias”, explica Ioris, sintetizando: “O agronegócio chantageia o país”.

Em todos os níveis, o agronegócio na região é amplamente promovido por governos e indústria como sinônimo de “modernidade” e “desenvolvimento”.

Se não fosse a soja, Mato Grosso ainda estaria em uma situação de atraso“, diz o atual ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, um dos maiores produtores do grão no país e que governou o estado entre 2003 e 2010. “Hoje, o produtor de soja consegue margem de 30% sobre o capital investido”, afirma Maggi.

Entretanto, o lucro de poucos fazendeiros ao preço da expropriação de um grande contingente de famílias camponesas se revela uma concepção bastante particular de progresso. O esvaziamento populacional do campo, provocado pelas imensas monoculturas, também não parece ser exatamente “moderno”.

Em trabalhos que são referência obrigatória para entender a fronteira, o sociólogo José de Souza Martins apontou o uso de dinâmica similar durante a ditadura. Suas pesquisas mostram que, ao mesmo tempo em que o governo militar discursava a camponeses pobres, acenava a grandes grupos econômicos com fartas ofertas de financiamentos; enquanto propagava a ocupação do “vazio” amazônico, beneficiava com políticas públicas os megaprojetos de pecuária, atividade que justamente expropriou mais gente do que trazia.

Nos campos desnudos de gente e árvores, erguem-se, aqui e ali, um e outro grande terminal graneleiro para estocar a soja. Os silos ostentam marcas de grandes multinacionais em suas fachadas, principalmente Bunge, ADM e Cargill, e da empresa brasileira Amaggi, cujo dono é Blairo Maggi, atual ministro de Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Depois de ter acumulado fortuna com o plantio, processamento e exportação de soja, a Amaggi se juntou aos grandes operadores do comércio internacional. A empresa tem relação particularmente estreita com a Bunge, de quem é sócia nos terminais graneleiros localizados em Miritituba (Itaituba, PA), às margens do baixo rio Tapajós.

Tratorando a reforma agrária

Rumo ao norte, a soja expandiu-se de forma irregular, chegando a lugares como o projeto de assentamento de reforma agrária Wesley Manoel dos Santos, criado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em 1997. Localizado a 70 km ao noroeste do município de Sinop, o assentamento é um claro indicativo dos desafios que a agricultura familiar enfrenta no Brasil, e em especial, na Amazônia. Ali é possível perceber como o abandono e a negligência estatais acabam inviabilizando a vida dos assentados e permitindo que o agronegócio avançasse sobre suas terras.

A área fora comprada pela Mercedes Benz do Brasil no final da década de 1960. Segundo as pesquisas de Odimar João Peripolli, professor da Universidade Estadual de Mato Grosso, para burlar a lei, a Mercedes constituiu dez empresas de sociedade anônima; cada S/A acumulava terras em seu nome, integrando “40, 50, 60… mil hectares, perfazendo um total de mais ou menos 500.000 mil hectares. Formada a propriedade, a grande área, o latifúndio passou a ser chamado/conhecido como Gleba Mercedes.” A criação das empresas também “significava garantia de financiamentos junto à Sudam (a antiga Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia)”. Os empréstimos deveriam ser investidos nas terras mas, segundo depoimentos colhidos por Peripolli, a área “nunca foi, de fato, ocupada pela empresa”. A Mercedes acabou por não quitar o terreno e o vendeu a uma empresa familiar de São Paulo. Em 1997, o Incra comprou a terra e criou um assentamento para instalar 507 famílias.

Implementar a reforma agrária não se limita a entregar a terra; inclui assistência técnica, construção de vias de acesso e um pacote de apoio ao colono. Porém, em uma conjuntura na qual o agronegócio é a prioridade das políticas públicas, as famílias procuraram outros caminhos.

Em um mundo onde terra desmatada vale muito mais do que floresta em pé, é a única forma que o assentado consegue valorizar seu lote.

No início, criavam gado leiteiro e vendiam leite e queijo em Sinop, o mercado mais próximo, distante mais de três horas de viagem em dias sem chuva. Os problemas não demoraram a surgir. Segundo o colono Jair Marcelo da Silva, conhecido como Capixaba, eles sempre adotaram cuidados com higiene, pois tinham como princípio só vender no mercado produtos que suas próprias famílias consumissem. Entretanto, a prática de seu cotidiano não atendia aos critérios da vigilância sanitária elaborados para laticínios industriais. “Os órgãos sanitários não pensam como a gente”, contou Capixaba. Os colonos foram proibidos de vender seus produtos em Sinop e os sonhos ruíram. “Eu tinha seis vacas dando leite, tirava até 90 litros por dia”, explicou Capixaba. “Fazer o que com esse leite? O que a gente fazia? Dava para os porcos. Imagina só!”

Os assentados tentaram, então, outro caminho – a criação de porcos e galinhas – e, mais uma vez, encontraram barreiras intransponíveis na legislação sanitária e veterinária. Sem renda, alguns colonos fizeram cursos para aprender a operar as máquinas sofisticadas usadas pelos grandes fazendeiros (que tinham, sim, como cumprir com as exigências sanitárias e veterinárias) e outros foram trabalhar como diaristas.

A terra dos colonos que não conseguiram viabilizar economicamente sua ocupação acabaram entregues de mão beijada aos sojeiros. Alguns, sem condições de viver, venderam seus lotes a preços muito baixos enquanto outros colonos acabaram arrendando por preços baixíssimos ou até, cedendo gratuitamente suas terras para que o fazendeiro as “amansasse”. Amansar a terra significa desmatar, destocar (arrancar as raízes das árvores derrubadas) e corrigir a acidez do solo, um processo custoso que leva pelo menos três ou quatro anos.

Ao final, o colono acaba com uma área apta para o capitalizado agronegócio da soja. Em um mundo onde terra desmatada vale muito mais do que floresta em pé, é a única forma que o assentado consegue valorizar seu lote.

Porém, o principal volume de soja no assentamento entrou por outro caminho. Durante nossa visita ao assentamento, notamos uma enorme plantação de soja, grande demais para pertencer a um único colono. Capixaba explicou: parte da reserva legal dos lotes (porção que deve ser mantida como floresta de acordo com o Código Florestal) foi reunida em uma área coletiva, de modo a formar uma grande massa florestal, proposta adequada do ponto de vista ecológico. Segundo os colonos, a área escolhida era coberta por uma “floresta tão densa que o fogo nunca penetrava”.

Pouco a pouco, a soja venceu a floresta. Os sojeiros usaram o corrent?o, técnica em que uma enorme corrente de aço com 100m de comprimento é atada pelas pontas a grandes tratores e arrastada, derrubando tudo que encontra pela frente. A área desmatada cobre hoje 3.500 hectares e está toda plantada com soja. Como aconteceu? Ninguém sabe dizer ao certo. Há relatos que um funcionário corrupto do Incra local vendeu a reserva para fazendeiros. Nada foi provado, mas de acordo com os assentados, hoje, o servidor goza de sua aposentadoria em uma mansão na cidade vizinha.

Corrupção, madrinha do Agronegócio

O avanço criminoso do agronegócio sobre assentamentos de reforma agrária não é peculiaridade da gleba Mercedes. No Tapuráh-Itanhangá, localizado ao oeste de Sinop, a Operação Terra Prometida, deflagrada em novembro de 2004 pela Polícia Federal prendeu mais de 20 pessoas pela apropriação de 1 mil lotes de um total de 1.149 lotes do assentamento. Segundo a Operação, as áreas eram concentradas e utilizadas como campos de soja. Entre os presos, estavam Odair e Milton Geller, irmãos do então ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Neri Geller, que hoje é secretário de Política Agrícola do Ministério.

De acordo com o geógrafo Antonio Ioris, há um caráter sistêmico na associação entre grilagem e agronegócio: “o agronegócio é intrinsecamente corrupto; há a corrupção mais evidente e imediata (como no caso da atuação do Incra e seu controle por fazendeiros e grileiros), mas há também a corrupção de longo-prazo, demonstrada na apropriação violenta e especulação da terra, na agressividade contra posseiros e índios e na destruição socioambiental.”

A Constituição Federal institui que o título que um assentado da reforma agrária recebe é inegociável pelo prazo de 10 anos. Isso torna ilegal a compra de lotes pelo agronegócio no assentamento Tapuráh-Itanhangá, pois, apesar do assentamento ter 20 anos de criação, a grande maioria de seus beneficiários não tinha títulos dos lotes há mais de 10 anos.

O Brasil é o país com maior possibilidade de ampliar sua produção de soja.

Essa regra foi alterada em 23 de dezembro de 2016, quando o governo de Michel Temer editou a Medida Provisória (MP) 759. Festejada por alguns, amedida apresentava caminhos para a situação caótica das ocupações em periferias urbanas.

Por outro lado, a MP acelerou o processo que reconcentra lotes em assentamentos de reforma agrária. Pelo texto da Medida Provisória, o prazo de 10 anos passa a contar logo no início do assentamento, quando as famílias recebem a autorização formal para se instalarem no lote, e não mais a partir do momento que o assentado recebe o título.

Para Cândido Neto da Cunha, “a MP tem a estratégia de jogar as terras da reforma agrária no mercado com a maior rapidez possível e criar meios de tornar ‘legais’ as ocupações ilegais de terras da reforma agrária”. Segundo Cunha, os assentamentos da região não contam com a estrutura necessária e a precariedade torna-se uma forma de pressão para que o assentado não consiga permanecer na terra.

“Isso torna as famílias assentadas mais susceptíveis à pressão que passarão a sofrer para a venda das terras nas áreas de expansão do agronegócio”, completa o perito agrário do Incra.

Futuro que repete o passado

O cenário é de crescente mercado de consumo internacional para a soja, especialmente por parte da China. Prevê-se que até 2024 a demanda chinesa chegue a 180 milhões de toneladas de soja por ano, ou mais do que a soma atual dos três maiores produtores mundiais – Estados Unidos, Brasil e Argentina.

De onde virá essa soja? Os Estados Unidos têm pouca margem para aumentar sua produção e, desde 2010, analistas diziam que a área cultivada com soja na Argentina não pode mais crescer.

O Brasil é o país com maior possibilidade de ampliar sua produção de soja.

Até o início da década passada, o Brasil aumentou o volume de grãos por meio do crescimento em produtividade. Tal opção não existe mais: desde 2000, a produtividade se estabilizou em aproximadamente 3,1 toneladas de soja por hectare. A perspectiva, então, é a expansão da área cultivada e, neste sentido, uma das únicas opções é o avanço da fronteira agrícola sobre a Amazônia.

Esse cenário apavora o antropólogo Rinaldo Arruda: “Cidades inchadas de gente, sem saneamento, muito violentas, com conflitos internos e meio ambiente degradado. Uma Amazônia de periferia. Essa noção que acompanha nossa sociedade, pelo menos desde o século XIX, de uma evolução civilizatória é totalmente enganosa: é uma ficção.”

Ao que tudo indica, o projeto de futuro do agronegócio, que inclui a soja alastrando-se pela floresta amazônica e as comunidades locais expropriadas mudando-se para as grandes cidades, repete um passado de devastação ambiental, grilagem, concentração de terras, pobreza e violações dos direitos de povos indígenas e comunidades rurais.

* Esta matéria é da série exclusiva “Tapajós sob Ataque”, escrita pela jornalista Sue Branford e pelo cientista social Mauricio Torres, que percorrem a bacia Tapajós. A série é produzida em colaboração com Mongabay, portal independente de jornalismo ambiental. Leia a versão em inglês. Acompanhe outras reportagens no The Intercept Brasil ao longo das próximas semanas.
Posted: 26 Feb 2017 06:00 AM PST
Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:



Todos diziam que a revelação das delações da Odebrecht seriam um vendaval sobre o governo.

Ela (ainda) não veio, mas os ventos que a antecedem fizeram estragos evidentes no acampamento golpista, mesmo com a safra de notícias empurrando um “tout va bien, Madame La Marquise” da recuperação econômica, com um superavit das contas públicas visivelmente inflado e um desemprego que infla a cada mês.

O campo da política, porém, vai despencando com acontecimentos que surpreendem, não por incoerentes, mas por formarem um conjunto de “coincidências” , ainda que inesperadas.

O início do mês foi “bem”: a fácil eleição de Rodrigo Maia, a confirmação de Eunício Oliveira no Senado e, sobretudo, a dupla submissão política do Supremo (alguém notou como Cármem Lúcia “desapareceu”?) com a confirmação da investidura de Moreira Franco no foro privilegiado, digo, no Ministério, e a aceitação do jurista de manual (e tacape) Alexandre de Moraes.

Já vinha chegando o recesso do Carnaval e veio o terremoto: renúncia de José Serra; recusa de Carlos Velloso em assumir a Justiça; a indicação de Omar Serraglio para o posto, um personagem que nem assumiu e está manietado por seu passado “cunhista” e, finalmente, o mirabolante episódio da “Mula do Eliseu”, que atira sobre todos uma história inteiramente inverossímil que trouxe um personagem infame – Lúcio Funaro – que estava restrito a Eduardo Cunha para dentro das belas colunas do Palácio do Planalto.

E, com ele entrando, a licença médica providencial mas aparentemente eterna, do articulador político que restava a Temer, desde que Geddel foi derrubado pelas inconfidências de Antonio Calero.

Até a inefável Eliane Cantanhêde, em sua coluna de hoje no Estadão, reconhece:

De repente, às vésperas do carnaval, altas personalidades da República ficaram doentes ou reclamaram de doenças incapacitantes e foram saindo de fininho tanto do governo quanto de um excesso de exposição nada recomendável numa hora em que o melhor é ficar transparente, perdido no meio da multidão. Durante as campanhas, “olhem para mim!”. Atualmente, “esqueçam de mim!”.

Aqui e ali, nos blocos de carnaval, ressurgiu um “Fora Temer ” que andava sumido. No campo da extrema-direita, há uma “bateção de cabeça” entre os grupos atucanados e o crescente bolsonarismo coxinha, que vai ao ponto de levantar a bandeira alucinada do ex-capitão do “armas para todos”. O ato do dia 26 de março tem menos adesão e mais brigas, cujo símbolo é o “barraco” Reinaldo Azevedo x Joyce ex-Veja Hasselman. O sempre marqueteiro Dória diz que não, mas é mais um que quer subir para os altos poleiros onde os grandes tucanos se bicam.

E a necessidade de “estancar a sangria” da Lava Jato e encontrar uma maneira de soltar Eduardo Cunha, antes que se lhe destrave a língua totalmente reduz as esperanças que se possa levar em frente, sem limites, a perseguição a Lula: afinal, as evidências da seletividade vão ser um mais escandalosas do que já são, inclusive lá fora.

O governo não está liquidado por uma única razão: o poder de controle de Michel Temer sobre o Congresso ainda parece ser suficiente para que entregue a encomenda que dele se espera: a reforma da previdência, o pacote no qual o capital financeiro o quer de mula.

Se faltar-lhe força para entregar, foi-se.
Posted: 26 Feb 2017 06:01 AM PST
Por Cynara Menezes, no blog Socialista Morena:

Filho do mais famoso boxeador de todos os tempos, Muhammad Ali Jr. ficou retido durante horas em um aeroporto na Flórida, nos Estados Unidos, no início de fevereiro, “acusado” de ser muçulmano, apenas por causa da aparência e do nome que carrega. Os policiais interrogaram o rapaz por duas horas perguntando: “Onde você arranjou este nome?” “Você é muçulmano?” A história foi revelada pelo jornal USA Today, na última sexta-feira.

Nascido Cassius Marcellus Clay Jr. em Louisville, Kentucky, o lutador de boxe Muhammad Ali trocou de nome em 1964, ao se converter ao islamismo. Até então, lutava como Cassius Clay. Seu filho Muhammad Ali Jr. nasceu na Filadélfia em 1972, ou seja, como o pai, é cidadão norte-americano. Quando respondeu aos oficiais do aeroporto que sim, é muçulmano, os policiais continuaram perguntando sobre sua religião e onde ele tinha nascido, como se Muhammad Jr. tivesse acabado de chegar do Oriente Médio.

O filho de Muhammad Ali e sua mãe, Khalilah Camacho-Ali, segunda mulher do boxeador, estavam chegando ao aeroporto internacional de Fort Lauderdale no dia 7 de fevereiro, após participarem de um evento do Mês da História Negra na Jamaica, quando foram separados da fila da alfândega em virtude dos sobrenomes árabes, de acordo com o amigo da família e advogado Chris Mancini. Como tinha na bolsa uma foto posando ao lado de Ali, Khalilah mostrou aos policiais e foi liberada. O filho ficou retido. Quando se deu conta, a mãe ficou desesperada.

Nenhum dos dois jamais havia sido parado no aeroporto de nenhum lugar do mundo por conta do sobrenome. “Para a família Ali, ficou claro que isto está diretamente relacionado aos esforços do Sr. Trump de banir os muçulmanos dos Estados Unidos”, disse Mancini, em referência à decisão da ordem assinada pelo presidente em 27 de janeiro de banir cidadãos de sete países muçulmanos. O advogado disse que a família estuda processar as autoridades.

O caso de Muhammad Ali Jr. demonstra que a ditadura de direita em que Donald Trump está transformando os EUA ameaça não só estrangeiros, mas os próprios norte-americanos de religião muçulmana. Vale lembrar que muitas celebridades dos EUA e de outros países também se converteram ao islamismo nas últimas décadas, como o ex-jogador de basquete Shaquille O’Neal, o boxeador Mike Tyson, o rapper Mos Def, o comediante Dave Chapelle, o ex-vocalista do One Direction Zayn Malik e o cantor britânico Cat Stevens, que desde 1977 usa o nome Yusuf Islam.

Se há alguma utilidade em Trump é deixar evidente como a direita governa e que mundo deseja para todos nós.
Posted: 26 Feb 2017 05:45 AM PST
Por Miguel do Rosário, no blog Cafezinho:

O Cafezinho teve acesso a um documento interessante, seguindo a trilha de reportagem iniciada pelo blog do Rovai, que por sua vez se baseou em post e documentos divulgados pelo blog Tabapuã Papers.

É o documento [aqui] oficial de criação da empresa Marau Administração de Bens, que integra um conjunto de documentos divulgados pelo Tabapuã Papers.

Nela, figuram como sócios, entre outros, José Roberto Marinho, um dos donos da Globo, Marcos Yunes – filho do “amigo de Temer” e ex-assessor presidencial, José Yunes -, e a offshore Shadowscape Corporation, que aparece no Panama Papers, um dos maiores vazamentos do mundo de contas em paraísos fiscais.

Nos documentos, ainda constam informações sobre empresas do próprio Michel Temer, em sociedade com José Yunes.

Os negócios de Yunes são familiares, sempre envolvendo seus filhos. A sociedade entre José Roberto Marinho e o filho de José Yunes, portanto, é uma ligação direta entre o dono da Globo e o “amigo de Temer”.

A figura chave do rolo é José Yunes, um importante empresário paulista, que foi chamado para trabalhar no governo Temer, como assessor presidencial, logo após o impeachment. É um antigo amigo de Michel Temer, e, recentemente, produziu enorme rebuliço, ao dar entrevista ao blog de Lauro Jardim, afirmando que havia comentado com o presidente Michel Temer sobre o tal “pacote” que Lucio Funaro, a mando da Odebrecht, havia deixado em seu escritório. O pacote conteria alguns milhões de reais destinado a patrocinar a campanha dos deputados da base de Eduardo Cunha.

Um dos lados mais sujos da história do golpe pode estar por trás desse pacote.

Yunes pediu demissão após delação de Claudio Melo, executivo da Odebrecht, dizendo que este havia intermediado propina de R$ 10 milhões para eleger a bancada de Eduardo Cunha para a Câmara.

A ligação entre Yunes e a família Marinho, por enquanto, é apenas um elemento curioso do escândalo.

A lista de sócios da Marau segue abaixo:

AGNES LEOPARDI GONCALVES
ALBA MARIA JUACABA ESTEVES PINHEIRO
ALBERTO DOMINGUES VON IHERING AZEVEDO
ANDREA CAPELO PINHEIRO
ANTONIO AUGUSTO AMARAL DE CARVALHO FILHO
CHRISTOPHER ANDREW MOURAVIEFF-APOSTOL
CONSTRUTER PARTICIPACOES LTDA.
JEAN-MARC ROBERT NOGUEIRA BAPTISTA ETLIN
JOSE ROBERTO MARINHO
LUCILA CARVALHO LINS
LUIS TEREPINS
MARCOS MARIZ DE OLIVEIRA YUNES
SHADOWSCAPE CORPORATION
YS MARAU PROJETO IMOBILIARIO LTDA.

Seguimos investigando.
Posted: 26 Feb 2017 05:40 AM PST
Por Afonso Benites, no site Carta Maior:

A sexta-feira de Carnaval foi um dia atípico no centro do poder brasileiro. Enquanto o Congresso Nacional estava às moscas, auxiliares do presidente Michel Temer (PMDB) praticamente sambavam em busca de explicações sobre o relato que atingiu em cheio o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha (PMDB), e ameaça chegar ao chefe do Executivo. As justificativas iam do formal “por enquanto, nada a declarar” ao “isso não tem nenhuma relação com o presidente”. Só no fim da tarde, apareceu uma nota de defesa.

Na quinta-feira, o advogado José Yunes ex-assessor especial da presidência da República e amigo de três décadas de Temer, afirmou que foi usado pelo ministro Padilha para carregar um pacote com dinheiro ilícito para ele. Antes da publicação das reportagens na revista Veja e no jornal Folha de S. Paulo que detalharam o assunto, Yunes prestou um depoimento voluntário à Procuradoria Geral da República. O relato corrobora uma das delações de ex-executivos da Odebrecht que informaram terem pago caixa dois para Padilha na eleição de 2014.

No mesmo dia, o ministro entregou um atestado médico para se afastar temporariamente do cargo porque terá de passar por uma cirurgia para a retirada de próstata. Nesta sexta-feira, Temer emitiu uma nota para dizer que, enquanto presidiu o PMDB, obteve doações oficiais no valor de 11,3 milhões de reais da Odebrecht ao seu partido em 2014 e não autorizou nenhuma ação ilegal de seus subordinados. “É essa a única e exclusiva participação do presidente no episódio”, diz trecho da nota da Presidência.

A oposição se animou com a revelação de Yunes e pediu a demissão de Padilha. Mas, se levar em conta o que prometeu há poucas semanas, Temer não demitirá tão cedo seu chefe da Casa Civil. Segundo ele próprio anunciou, no âmbito da operação Lava Jato só serão afastados os ministros que forem denunciados pelo Ministério Público Federal e, demitidos, os que tiverem a denúncia aceita, ou seja, se virarem réus.

Crise se avizinha

Oficialmente, dentro do Planalto, os discursos são de que a atual gestão não enfrenta uma crise política, mas alguns movimentos mostram que se ela não foi instalada, isso está próximo de ocorrer. Desde que assumiu a presidência ainda como interino, Temer já perdeu seis ministros por conta de investigações ou escândalos internos. Os mais relevantes foram o seu amigo pessoal Henrique Eduardo Alves (Turismo) e Geddel Vieira Lima (Governo). Ambos foram deputados por vários anos e articularam intensamente o impeachment de Rousseff.

As preocupações que atingem agora o presidente têm a ver não só com a bomba lançada pelo seu amigo Yunes, mas também com duas escolhas de novos auxiliares. Ao nomear o deputado federal Osmar Serraglio (PMDB-PR) para o ministério da Justiça, Temer recebeu uma saraivada de críticas do vice-presidente da Câmara e coordenador da bancada de Minas Gerais, Fábio Ramalho (PMDB-MG), que prometeu romper com a gestão de seu correligionário e diz que tentará convencer outros aliados a seguirem o mesmo rumo. O descontentamento dele é de que o presidente não dá representatividade ao seu Estado em seu primeiro escalão.

Além disso, ao nomear um peemedebista para a vaga da Justiça que era ocupada pelo PSDB com Alexandre de Moraes, o presidente deixou parte dos tucanos descontentes. Essa frustração está tendo de ser contornada com a escolha do substituto de José Serra (PSDB-SP) no Ministério das Relações Exteriores.

A inesperada demissão de Serra, que alegou motivos de saúde para retornar ao Senado, fez com que vários tucanos se movimentassem para substituí-lo. Nomes de dois senadores já foram cotados: Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) e Antonio Anastasia (PSDB-MG). Correm por fora dois funcionários de carreira do Itamaraty, o embaixador Sergio Amaral, que têm as bênçãos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de quem foi porta-voz, e Fred Arruda, atual assessor internacional da presidência.

Nesta sexta-feira, a prisão de dois lobistas suspeitos de operarem a favor do PMDB também trouxe mais uma preocupação para Temer e seu partido. A suspeita da Polícia Federal é que Jorge Luz e seu filho, Bruno Luz, tenham distribuído 40 milhões de reais em propinas para peemedebistas. Ambos foram detidos nos Estados Unidos porque naquele país são suspeitos de irregularidades em seus documentos de migração. Jorge Luz é considerado o decano dos lobistas da Petrobras, atuando no órgão desde o governo de José Sarney, no fim da década de 1980, até a gestão Dilma Rousseff.

* Publicado originalmente no jornal espanhol El País.
Posted: 26 Feb 2017 05:34 AM PST
Do site Vermelho:

Durante apresentação na noite dessa sexta-feira (24), o cantor Russo Passapusso, vocalista da banda Baiana System, decidiu trazer o debate político para o desfile de seu trio na Barra-Ondina.

Arrastando uma multidão em torno do trio elétrico, Russo entoou gritos de ordem como "machistas, fascistas, não passarão", devidamente acompanhados pelo público.

Também nesta sesta, durante show em homenagem aos 50 anos do Tropicalismo, Caetano Veloso encerrou o show com um "Fora, Temer!", acompanhado pela plateia.

Um dos blocos mais tradicionais de Pernambuco, o Eu Acho É Pouco, desfila com camisas com frases como "Fora Temer", "Lutaremos pela democracia sempre", "Por uma mídia democrática sempre", entre outras.

Em Belo Horizonte, o desfile do bloco Mamá na Vaca, neste sábado (25), foi marcado pelo rechaço ao golpe contra a democracia. Uma faixa de mais de 50 metros de comprimento com a palavra de ordem demarcou a passagem do bloco.

Outros seis blocos que desfilam pela capital mineira já estão com adesivos e artes com a palavra de ordem contra o golpe.
Posted: 26 Feb 2017 05:30 AM PST
Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania:



A notícia foi divulgada lá pelo final da noite da última quarta-feira (22): José Serra largara o osso, pedira demissão de cargo que, para ele, a mídia tucana passou a chamar de “chanceler” – para outros, era meramente ministro das Relações Exteriores, mas chanceler é mais pomposo e passou a ser usado para o eterno candidato a presidência dos barões da mídia.

A carta de demissão falava em “problemas de saúde”; a expressão foi repercutida pela mídia sem maiores detalhes, gerando especulações de que o tucano poderia estar sofrendo de algum mal sério, alguns falaram em câncer.




Este blogueiro sentiu-se na obrigação de pregar nas redes sociais que a esquerda não fizesse com Serra o que a direita costuma fazer com adversários políticos doentes, como fez com Lula e Dilma quando tiveram câncer e com a falecida dona Marisa Letícia, ou seja, insultar, desejar a morte, sofrimento etc.

Porém, muita gente desconfiou e, no final da noite, veio a notícia de que não era nada demais ou, quem sabe, simplesmente não fosse nada além de “delírium investigatorium”, causado pelo medo de ter que sair do governo em meio a denúncias.

Confesso que, pensando em não me igualar aos sociopatas que atacam adversários políticos em momentos de fragilidade humana que todos experimentaremos um dia, fui ingênuo. Havia algo de podre naquele anúncio intempestivo de Serra.

As suspeitas são de que ele estaria preferindo se antecipar à divulgação das delações da Odebrecht, onde supõem que irá aparecer em destaque ainda maior que o conferido por denúncia anterior de que recebeu 23 milhões de propina da empreiteira, e, assim, decidiu sair do governo em situação mais amena, já que, por ser senador, mesmo saindo do governo manterá o foro privilegiado.

Faz sentido. Porém, tudo ainda é pura especulação, até o momento. Ainda vamos saber por que Serra saiu tão intempestivamente do cargo de “chanceler” (uma boquinha muita boa). Foi só por conta de um problema absolutamente contornável que, segundo o próprio tucano, estaria resolvido dali a quatro meses?

Hummmm…

Não se sabe se esse tucano tem mesmo problema na coluna vertebral, mas sabe-se que tem um outro problema de coluna, um problema de quinta-coluna, ou seja, de traição que começou a ficar visível lá em 2010, quando, em campanha eleitoral à Presidência, comprometeu-se com a petroleira Chevron a lhe fazer gordas concessões, caso fosse eleito.


O tempo passou e, por fim, Serra conseguiu entregar às petroleiras estrangeiras o que prometera, mesmo sem ter conseguido se eleger presidente.

Em fevereiro do ano passado, o Senado aprovou um projeto que mudaria drasticamente as regras de exploração do pré-sal. O texto legal extinguiu participação obrigatória da Petrobras em todos consórcios formados para aquelas reservas petrolíferas.

O projeto que entregou o pré-sal às petroleiras estrangeiras, obviamente, foi de autoria do senador José Serra (PSDB-SP).

“Esse projeto acaba com a política de controle nacional. A Petrobras deixar de ser a operadora única do pré-sal é um desastre. Nós estamos entregando a preço de banana, US$ 30 o preço do barril. Nós descobrimos o pré-sal e vamos entregar de bandeja?”, protestou, inutilmente, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ).

O mais incrível é que a proposta de Serra era muito pior para os interesses do que a que foi aprovada.

O texto inicial do senador tucano não previa a prioridade da Petrobras na escolha dos blocos de exploração do pré-sal. De acordo com a redação orginal formulada por Serra, a ANP determinaria as áreas a serem leiloadas e seria aberta uma licitação para que Petrobras e demais empresas disputassem o bloco a ser explorado.

Da maneira que estava, o texto desagradava até os parlamentares mais conservadores porque retirava o protagonismo da Petrobrás na exploração do pré-sal. Diante disso, para que houvesse um entendimento entre governo e senadores favoráveis ao projeto, ficou estabelecido que a Petrobras teria preferência nas áreas cuja exploração considerasse estratégica.

Menos mal, porém não graças a Serra. Ele queria entregar tudo, dedos e anéis. Seu problema não é de coluna vertebral, é de quinta-coluna, ou seja, um grande problema de Serra, entre tantos outros, é ser um traidor capaz de entregar a nação aos tubarões internacionais em troca, obviamente, de muito mais do que aplausos…
Posted: 26 Feb 2017 05:21 AM PST
Por Luis Nassif, no Jornal GGN:

O dossiê distribuído pelo Anonymous, com informações sobre supostos negócios entre o presidente Michel Temer e o primeiro amigo José Yunes é composto por 30 documentos, entre PDFs e Words, basicamente registros na Junta Comercial e em paraísos fiscais.

Versam sobre uma infinidade de holdings e off-shores, algumas delas com os mesmos sócios, outras entrelaçando-se nas relações societárias, algumas soltas sem que, de cara, se possa montar alguma ligação maior.

Como é um quebra-cabeça extremamente complexo, vamos desbastando pelas bordas para ver onde chega. Pode não chegar a nenhum lugar, mas pode chegar a paragens interessantes.

As holdings que surgem da papelada são as seguintes:



Greystone, Shadowscape e Yuni Co são offshores instaladas em paraísos fiscais.

A holding principal é a Marau Administração de Bens e Participaçoes Ltda que contém sócios do clube dos bilionários brasileiros.

O objeto da sociedade é amplo: aquisição e alienação de bens imóveis, realização de estudos, planejamento, incorporações e participação em empreendimentos imobiliários em geral , administração de bens, participação em outras sociedades, com objeto relacionado a empreendimentos imobiliários ou empreendimentos em geral, na condição de cotista, acionista, consorciada ou de qualquer outra forma, bem como a realização de quaisquer outras operações que se relacionem, direta ou indiretamente, com seu objeto social. E ainda terá por objeto a exploração de atividade agrícola ou extrativa.

Entre os sócios participam (ou participaram as seguintes pessoas físicas e jurídicas:



Vamos a um perfil rápido deles:

Alba Maria Juaçaba Esteve Pinheiro e Andrea Capelo Pinheiro – pertencem à família cearense que controlou o banco BMC – que teve relativo sucesso no início dos anos 90.

Alberto Dominguez Von Ihering Azevedo – é um dos três sócios da fábrica de roupas esportivas Track & Field e mais uma dezena de empreendimentos industriais e imobiliários.

Jean-Marc Roberto Nogueira Baptista Etlin – presidente da CVC Partners e vice-presidente do Itaú- BBA.

Antônio Augusto Amaral de Carvalho Filho – o Tuta, dono da Jovem Pan.

José Roberto Marinho – um dos herdeiros das Organizações Globo.

Construter Participações Ltda – de Rodrigo e Michel Terpins, herdeiros das Lojas Mariza.

Christopher Andrew Mouravieff-Apostol – irmão do banqueiro Roger Wright, tragicamente falecido perto de Troncoso – caiu o seu avião matando 14 membros da sua família, todos os filhos e netos. Sua parte foi assumida pela mãe, que morava na Suiça. Depois de sua morte, pelo irmão Christopher. Roger participou do Banco Garantia, do Credit Suisse e, no final, tinha a Arsenal, de investimentos.

Agnes Leopardi Gonçalves – sócia de Lg Office Manager Servicos Administrativos Ltda – ME e da Sao Sebastiao Vii Az Administracao de Bens e Participacoes Ltda., empresa da família Yunes.

Lúcia de Carvalho Lins – não consegui maiores informações.

Marcos Mariz de Oliveira Yunes – filho de José Yunes e executivo de um sem-número de empresas. Pelo sobrenome, é parente do criminalista Antônio Mariz de Oliveira, também na lista dos amigos pessoais de Temer.

Luiz Terepins – ex-presidente da Eternit, tem empresas do setor têxtil e de construções e presidiu a Bienal de São Paulo.

YS Marau Projeto Imobiliário Ltda – Do Grupo José Yunes.

Shadowscape Corporation – aí começa a entrar na zona cinza. Praticamente todos os sócios da Maraú são também sócios da Shadowscape. Por seu lado, entre as empresas controladas pela Shadowscape estão a própria Marau e a São Sebastião V Administração de Bens. Era registrada nas Ilhas Virgens, paraiso fiscal, pela Greystoke Trus Co, escritório especializado em montar offshores. Na documentação, aparece como controlada pela Greystone First Nominees Limited (https://goo.gl/LVXG7Z) que, por sua vez, aparece como controladora de fundos de investimento em várias partes do mundo, em uma teia típica de processos de lavagem de dinheiro.



Por hoje, ficamos por aqui.

É possível que os investidores da Maraú tenham se reunido em torno de um investimento imobiliário específico. Ou não. Vamos ver como as demais investigações prosseguem.
Posted: 26 Feb 2017 05:12 AM PST
Por Maurício Dias, na revista CartaCapital:

Embora seja cedo demais para afirmações irrevogáveis, principalmente quanto às apostas eleitorais, talvez não seja inteiramente descartável, pela distância do tempo, acreditar nos números apresentados pelas pesquisas sobre a disputa presidencial no próximo ano.

O crescimento da intenção de voto espontânea em Lula, à esquerda, pulou de 11,4%, em outubro de 2016, para 16,6% agora. Magnífico para ele. Este salto não se previa. Mais surpreendente, no entanto, foi o avanço, à direita, de Jair Bolsonaro, deputado federal com domicílio eleitoral no Rio de Janeiro. Dobrou a intenção de voto nele. De 3,3% escalou para 6,5%. Bolsonaro será mesmo a “zebra” em 2018?

Na medida em que a direita radicaliza, ela também se desfaz. Derrete como neve ao sol, o que se comprova pela queda de voto espontâneo, mais sólido do que a votação estimulada com o nome dos prováveis candidatos, na comparação entre outubro do ano passado e fevereiro de 2017.

A radicalização, neste caso, está na tendência das reformas, preparadas para anular direitos e sufocar a população mais pobre. Como, aliás, já vem ocorrendo.

A reação dos movimentos sociais contra o programa do governo, a exemplo das reformas da Previdência e Trabalhista, é implacável. Ao atirar para baixo, o governo e aliados acertam o próprio pé. A pesquisa CNT/MDA também aponta as dificuldades dos candidatos da direita.

Aécio Neves caiu de 3,1% para 2,2%; Michel Temer desceu de 3,0% para 1,1%; e Geraldo Alckmin, de 1,9% para 0,7%. E a indefinida ambientalista Marina Silva? Tinha 2,4% e caiu para 1,8%. Esfumou-se.

Os resultados de agora podem refletir apenas um passeio radical do eleitor conservador. Ou seja, o voto vai e depois volta.

Somente Bolsonaro está fortalecido. Ele passa a ser a expressão da direita com a qual, no entanto, tem divergências. Uma delas é sobre a venda da Petrobras. É a boa herança da caserna. Em contrapartida, tem posições insuportáveis à luz da democracia.

Apoia a tortura como meio para obter informações. Além disso, cultiva intolerável preconceito contra as mulheres. As feministas devem provocar urticárias no machão. Um misógino ultrapassado. A pesquisa comprova: ele tem baixo porcentual de voto entre as mulheres, e elas têm 52% do total de votos no País.

Confronto simulado, entre o metalúrgico e o capitão, aponta resultados curiosos. Vamos a eles: no item “escolaridade” Lula (16,8%) perde para Bolsonaro (20,7%) entre os eleitores com curso superior; há empate numérico entre os dois (20,4%) no grupo de eleitores com renda acima de 5 salários mínimos; no Sudeste, os 14,4% de intenção de voto em Bolsonaro aproximam-se dos 17,5% de Lula; no Sul, Lula mantém o mesmo porcentual e amplia a diferença para 5,1%.

Os números podem transformar Jair Bolsonaro em ícone da classe média brasileira.
Posted: 26 Feb 2017 05:07 AM PST
Por Kiko Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo:

Depois do gari, do jardineiro, do cadeirante e do camelô, João Doria inaugurou o que promete ser sua fantasia definitiva: o populista bobo vaiado.

Chegou ao limite a paciência do paulistano com a marquetolagem irrefreável do prefeito de São Paulo, uma attention whore sem limite.

No Sambódromo, quando foi assistir os desfiles do primeiro dia das escolas do Grupo Especial, Doria fingiu que sambava - o que ele não finge fazer? - e pegou, para variar, uma vassoura para executar seu número preferido, que é varrer o chão que já está limpo.

Da arquibancada, ouviu o grito imortal: “Ei, Doria, vai tomar no cu”.

Seus assessores o retiraram de cena em alta velocidade. Um deles, parte do time de gênios que tratam o “gestor” como um ex-BBB, declarou que os responsáveis pelas vaias eram “maloqueiros”.

Esse é o nível da patota. Quem não aplaude um político idiota tentando faturar numa festa popular, fazendo selfies loucamente, é “maloqueiro”. Então tá.

Acompanhado de sua entourage, JD vendeu um tal “carnaval da austeridade” no camarote da prefeitura. Segundo ele, a festa custou, ano passado, 14 milhões de reais aos cofres públicos, sendo que esta saiu por R$ 2 milhões.

Ora, o sujeito gastou em janeiro o dobro dos recursos previstos no orçamento para a compensação tarifária dos ônibus da cidade. Foram R$ 305 milhões com os subsídios.

Doria tem um traço em comum com Eduardo Cunha: a psicopatia. Mesmo hostilizado, mantém o semblante de vendedor de desodorante, com um sorriso invencível.

Com esse ricto facial, ameaçou, no dia seguinte, sair na porrada com um rapaz que o xingou em Pinheiros. Doria o chamou de “Lula” (mas que fixação estranha, rapaz!) e fez que ia para cima do sujeito, sendo contido por seus estafetas.

O palhaço vai desfilar na avenida o ano inteiro. Quem se encheu foi a plateia.
Posted: 26 Feb 2017 04:13 AM PST
Posted: 25 Feb 2017 08:08 PM PST
Belo Horizonte. Foto: Jornalistas Livres
Por Altamiro Borges

O Jornal Nacional deste sábado (25) fez uma ampla cobertura sobre o carnaval de rua em todo o país e conseguiu esconder os inúmeros protestos contra o covil golpista. Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Recife e Salvador foram destaques em três blocos do telejornal de maior audiência da tevê brasileira. Mas a TV Globo simplesmente omitiu o "Fora Temer" gritado por centenas de milhares de foliões. Na Praça Campo Grande, por exemplo, a banda System puxou um gigantesco coro contra o usurpador diante do camarote do prefeito de Salvador, o demo ACM Neto. Não saiu nada no JN. Já no tradicional Pelourinho, o cantor Caetano Veloso apareceu de surpresa, cantou a música "Alegria, alegria" e foi acompanhado de um alegre refrão contra o Judas. Também nada no JN.

A mesma cena se repetiu nas outras capitais. A TV Globo simplesmente censurou os protestos. A irreverência dos carnavalescos só não se perdeu graças à internet, que viralizou dezenas de vídeos das manifestações, e à cobertura da mídia alternativa. O jornal Brasil de Fato tem postado várias matérias sobre as manifestações de rebeldia. Segundo relata o jornalista Wallace Oliveira, o "Fora Temer" está incendiando o carnaval em Belo Horizonte. "Me beija que eu não sou golpista”. Com esse lema, o protesto contra o governo não eleito de Michel Temer (PMDB) tomou as ruas da capital mineira, unindo a alegria do carnaval à consciência política".

"A história começou há alguns meses. Em abril de 2016, no auge do processo de impeachment contra a presidenta eleita Dilma Rousseff, um grupo de fiscais da receita estadual se uniu para lutar contra o golpe e a fragilização da democracia. De lá para cá, ele produziu milhares de materiais de agitação, como cartazes, faixas, camisas e adesivos, espalhando o 'Fora, Temer' por todo canto da cidade. Para o carnaval, o grupo produziu mais de 260 mil adesivos e está entregando kits 'Fora, Temer' para 30 blocos. Cada kit contém 1.000 adesivos com a logo do bloco e mais mil adesivos genéricos, além de outros materiais. O grupo financia seu trabalho vendendo camisetas, abadás e panos de chão".

Irreverência e protestos nas capitais

Já a jornalista Fania Rodrigues dá detalhes sobre vários blocos de rua do Rio de Janeiro. "A política também caiu no samba e os blocos de esquerda estão na boca do povo... Sem dúvida o mais esperado pelos foliões é o Bloco Fora Temer. No evento do Facebook mais de 20 mil pessoas demonstraram interesse e confirmaram presença na atividade na Cinelândia. O Bloco Fora Temer marca a abertura do Carnaval carioca, nessa sexta-feira (24), em grande estilo. Na verdade, esse é um evento de união de vários blocos já consagrados, entre eles estão os Boêmios da Lapa, Bloco dos Bancários, Meu Bem, Volto Já, entre outros. Nas redes sociais, os organizadores assim definem o perfil desse bloco dos blocos. 'Somos bem alegres e irreverentes, contra o golpe de 2016 e o atual governo entreguista que quer retirar direitos do povo brasileiro com retrocessos trabalhistas e previdenciários'".

Também no jornal Brasil de Fato, a repórter Elen Carvalho descreve a folia em Pernambuco - com a "embriaguez dos diversos frevos, o batuque dos maracatus, as marchinhas e cores dos blocos líricos, a imensidão dos bonecos gigantes, o calor de sol e de gente no Galo da Madrugada". Entre os maiores blocos, ela cita o "Eu acho é pouco", fundado em 1976, "que no espírito da defesa da democracia tem estampado na camisa deste ano o 'Fora Temer'". Segundo o professor e designer gráfico Rafael Efrem, "o bloco Eu Acho é Pouco sempre se declarou de esquerda. Ele tem essa característica de unir as pessoas de esquerda de Pernambuco desde seu surgimento. Então, acho extremamente necessário, mesmo um bloco de carnaval, que a priori estaria aí para a folia tão plena e loucamente, demonstrar publicamente essa tomada de posição. O Fora Temer precisa estar presente também no Carnaval".

Há ainda o relato da repórter Nadine Nascimento sobre os mais de 70 blocos que decidiram protestar na capital paulista. "Se os blocos de carnaval de rua de São Paulo assumiram um papel importante nos últimos anos, ocupando o espaço público e revertendo a visão que se tinha sobre a festa na cidade, neste ano eles marcam posição também no âmbito político. Blocos populares e tradicionais como Vai Quem Qué, Bloco da Abolição, Jegue Elétrico e Ilú Obá de Min, articulados através do Arrastão dos Blocos, protestam juntos contra possíveis mudanças no carnaval de rua da cidade. O Arrastão reúne mais de 70 blocos de carnaval da capital paulista. A articulação se iniciou pela primeira vez em abril de 2016 para defender a democracia e protestar contra o impeachment de Dilma Rousseff (PT). Em 2017, voltam às ruas utilizando a música para defender a própria festa".

Doria foi varrido do sambódromo

Como se observa, o protesto político - em especial, o "Fora Temer" - já é uma marca do carnaval de rua de 2017. A TV Globo, porém, preferiu esconder este fato dos seus alienados telespectadores. Até na reportagem do JN deste sábado sobre a abertura do desfile das escolas de samba de São Paulo, a emissora escondeu o protesto contra o prefeito "cinzento" João Doria. Os âncoras do telejornal até parece que não leram uma notinha publicada no próprio jornal O Globo, da mesma famiglia Marinho:

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"Passava pouco das 23 horas quando o prefeito de São Paulo, João Doria, chegou ao Anhembi para acompanhar os desfiles da primeira noite das escolas de samba do Grupo Especial. A princípio, disse que sambar seria um “risco muito alto” a tomar. Mas, assediado continuamente, o prefeito se soltou, arriscou soquinhos no ar ao lado de uma ala da agremiação Tom Maior e, depois da passagem da escola, pegou uma vassoura e deu varridas na passarela do samba. Ensaiou passos de samba, levantou a vassoura pro ar ao lado de garis até que o coro da arquibancada tomou forma:

- Ei, Doria, vai tomar no c…

O tucano foi rapidamente retirado de cena pelos assessores e seguranças.

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Nem este singelo protesto foi citado pelo âncora Heraldo Pereira. Haja manipulação!

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Posted: 25 Feb 2017 01:34 PM PST

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