quinta-feira, 16 de março de 2017

16/3 - Blog " DE CANHOTA" de HOJE

De Canhota


Posted: 16 Mar 2017 08:17 AM PDT

O esforço de unidade foi a marca de construção do dia nacional de lutas de 15 de março de 2017. Conseguimos no Rio de Janeiro reunir TODAS as centrais sindicais nessa construção da unidade. Esse foi um imenso esforço por parte de todos os dirigentes dessas centrais, mas sobretudo a demonstração de que a luta da classe trabalhadora está acima de nossas diferenças.

Durante o dia 15 de março, houveram dezenas de atos em diversas cidades do estado do Rio de Janeiro organizados por CUTistas. Uma marcha que reuniu mais de 10 mil pessoas em Campos dos Goytacazes, panfletagens e trancaços de escolas, assembleia na porta da REDUC, paralisação dos bancários e muitos outros. A marca de todas essas atividades foi de que em nenhum desses atos houve qualquer tipo de violência

Ao final do ato unificado das centrais sindicais que reuniu 100 mil pessoas na Avenida Presidente Vargas, no Rio de Janeiro, um grupo de pessoas atacou uma bandeira da CUT e tentou atear fogo ao mesmo tempo que outro grupo jogava bombas e fogos para dentro da sede da guarda municipal em frente a Central do Brasil. Esta ação, que muito nos lembra o avanço fascista sobre a unidade popular que existia no começo de junho de 2013, foi o estopim de uma confusão.

A Central Única dos Trabalhadores, desde sua fundação ainda durante a ditadura, não tem como prática a violência. Também não tem como prática a contratação de seguranças, já que conta com milhões de militantes que se identificam com a Central e compõe nossas fileiras.

Somente durante o ato de ontem, mais de 5 mil pessoas pediram espontaneamente bonés da CUT. Estas pessoas vão de trabalhadores filiados até aqueles que se identificam com o protagonismo da CUT na luta pelo trabalhador neste momento tão difícil para o Brasil. O fato pode ser comprovado pelo extenso número de vendedores ambulantes, sempre abraçados e protegidos durante todos os nossos atos e que por livre e espontânea vontade pedem para usar o tradicional boné vermelho com letras brancas, marca da CUT.

Por não contratar militantes para segurar bandeiras, não contratar seguranças e muito menos pagar ninguém para usar nossos símbolos de luta, é impossível para nós distinguir quem está ou não utilizando estes símbolos para ações que não condizem com o histórico de lutas da Central.

Durante toda a confusão, o Presidente da CUT Rio, Marcelo Rodrigues, estava no carro de som e pedia insistentemente "CALMA" aos militantes e que todas as bandeiras e símbolos CUTistas fossem trazidos de volta ao carro de som para que um ato tão belo, que marcava a unidade da esquerda no Rio não tivesse um fim que não condissesse com todo o resto do ato. Para que nenhum CUTista cedesse a provocação.

Após o encerramento das falas e reunindo todas e todos, antes mesmo da chegada da polícia com suas bombas, a CUT se retirou do ato pela Rua Marechal Floriano.

Infiltrados, que foram ao ato com a única intenção de destruí-lo ganharam palco para suas ações. Queimar bandeiras e símbolos de luta de movimentos sociais é acima de tudo uma atitude fascista. Atacar companheiros de luta, não se afasta deste mesmo tipo de ação, independente de cores, símbolos e bandeiras. Acima de tudo, é inadmissível que ataquem fisicamente militantes de qualquer que seja a organização ou causa. Sindicalistas, militantes da CUT foram agredidos por estes que utilizavam símbolos diversos. Bandeiras vermelhas ou negras, pouco importa para eles.

Não deixaremos que esses poucos, que parecem organizados em desorganizar, usem a CUT como subterfúgio para suas ações fascistas. Aos nossos olhos, vistos de cima, estavam infiltrados dentro de todos os lados daquele fim de ato unicamente para estragar a pluralidade e a beleza de uma manifestação que juntou, em um momento de união pelo bem maior, guerreiras e guerreiros do progressismo em torno de uma bandeira: A salvação do nosso futuro.

A Central Única dos Trabalhadores no Rio de Janeiro, na figura de seu presidente em vídeo gravado durante as ações de infiltrados de ontem falam por si só: "Todas as bandeiras da CUT, todos os membros da CUT, voltem ao carro de som. Não vamos deixar que alguns destruam essa nossa unidade."

Não irão nos dividir. Estamos unidos a todos os progressistas que lutam pelo fim da reforma da previdência e ninguém irá nos distanciar do nosso objetivo. O nosso lado é o da classe trabalhadora.
Mais do que o que nos separa, para além do que nos divide, hoje nós miramos na nossa convergência acima das nossas divergências. Ninguém tem o direito de tirar isso de nós.

Somos fortes, somos CUT!

Abaixo, segue o vídeo com as falas da Secretária de Comunicação da CUT-Rio, Maria Eduarda Quiroga, e do Presidente da CUT-Rio, Marcelo Rodrigues.


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Posted: 15 Mar 2017 06:33 PM PDT

Avenida Paulista, São Paulo.
Sem sombra de dúvidas, o 15 de março de 2017, o Dia Nacional de Lutas e Paralisações contra a Reforma da Previdência entrou para a história das lutas do povo brasileiro, pois cumpriu seu objetivo com a realização de uma robusta jornada de manifestações com mais de 1 milhão de pessoas por todo o país.

Foram manifestações de rua, aulas públicas, panfletagens em locais de trabalho e paralisações onde foi possível. Tudo isso, graças à unidade das trabalhadoras e dos trabalhadores em luta, junto às centrais sindicais CUT, CTB, Intersindical, CSP - Conlutas, UGT e Força Sindical; além, é claro, das frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo.

Candelária, centro do Rio de Janeiro.

A derrota da contrarreforma da previdência pode apontar o início da derrocada do consórcio ilegítimo, sem voto e golpista que se apoderou do Planalto. E as trabalhadoras e os trabalhadores demostraram nesse 15 de março que estão sempre à postos para a luta em defesa dessa Nação.


Viva as trabalhadoras e os trabalhadores!
Viva o povo brasileiro!
Nenhum direito a menos!
Fora, Temer!
Diretas, já!

Abraços, 
Daniel Samam
Posted: 15 Mar 2017 05:00 PM PDT
Artigo publicado originalmente em seu Blog.


No cenário eleitoral de 2018, há dois setores relevantes do campo progressista: os grupos que orbitam ao redor de Lula e aqueles antipáticos à sua proeminência. Ambos os flancos são inconciliáveis, pois têm como diferencial privilegiado a figura do ex-presidente e as posturas antagônicas que ele provoca.

Essas divergências espelham narrativas opostas sobre fenômenos decisivos da política brasileira recente. Uma delas envolve a natureza golpista do impeachment e o papel do PT no processo. Outra, a ideologização do Judiciário e as “excepcionalidades” da Lava Jato, incluindo o justiçamento ideológico de Lula.
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O conflito de versões é inevitável, assim como a cizânia resultante. A esquerda antipetista vê tantas dificuldades em se afastar dos seus apoios velados ao golpe e aos inquisidores judiciais quanto o PT em coadunar com as forças que tentam destruí-lo. Especialmente porque a discórdia está inserida numa dinâmica de responsabilização mútua pela tragédia administrativa e moral que acomete o Poder Executivo.

Mas o problema tem seu lado estratégico. Depois das derrotas municipais e diante da absurda falta de quadros, o PT jamais poderia abrir mão de uma candidatura que as estatísticas apontam como a mais forte da esquerda, senão de todo o espectro partidário. Mesmo não encabeçando a chapa, Lula desfruta de uma popularidade que lhe confere status natural de liderança articuladora no seu círculo de influência.

Já os demais partidos do espectro usam esse antagonista simbólico para resguardar a sua identidade programática, mergulhada em profunda crise representativa. A Rede teve quase o mesmo número de votos, no país todo, que Fernando Haddad na capital paulista. O PSOL nacional perdeu para João Doria. Marcelo Freixo para si mesmo, em 2012. Pouco resta às legendas senão evitar um confronto direto com o antipetismo que dominou os programas conservadores vitoriosos. Ou até adotá-lo.

As pesquisas sobre 2018 sugerem que esse afastamento será fundamental para levar a dissidência progressista ao segundo turno. O desafio exige o enfraquecimento da candidatura associada ao lulismo e a sedução de fatias descontentes do seu eleitorado. O embate interessa também ao PT, que prefere mil vezes polarizar com um adversário abertamente conservador na fase derradeira.

É inútil, portanto, esperar uma aproximação que não agrada a nenhuma das partes envolvidas. E que, sejamos honestos, apenas manteria a esquerda isolada, internamente dispersa em altercações ressentidas e centralizando ataques de todos os outros flancos. A divisão aumentará a diversidade dos questionamentos ao governo Temer, talvez resultando mais danosa à direita do que um bloco frágil e estigmatizado.

Se quiserem mesmo posar de pragmáticas e expeditas, as alas progressistas podem selar um acordo pluripartidário informal, para coordenar estratégias que levem os seus membros ao máximo de cadeiras no Congresso, sem confrontos inúteis, tendo como inimigo comum o pemedebismo fisiológico. Já seria um grande avanço, e talvez o mais urgente na atual conjuntura.


Guilherme Scalzilli é historiador e escritor, mestre em Divulgação Científica e Cultural. Articulista da a revista Caros Amigos por dez anos (2001-2011). Colabora regularmente com o Le Monde Diplomatique, o Observatório da Imprensa e outros veículos.

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