quinta-feira, 16 de março de 2017

16/3 - Palavra Livre - Davis Sena Filho DEHOJE

Palavra Livre - Davis Sena Filho


Posted: 16 Mar 2017 11:46 AM PDT

Por Davis Sena Filho — Palavra Livre
 
Trata-se da Justiça burguesa e partidarizada, a dos dois pesos e duas medidas.

"A Justiça tardia nada mais é do que a injustiça institucionalizada". (Rui Barbosa)

A Justiça perdeu realmente a vergonha na cara, a isenção e a imparcialidade, mesmo a usar uma venda nos olhos. Para julgar as pessoas, o juiz jamais poderia se permitir perder a modéstia e a simplicidade, se algum dia a teve, bem como não deveria se mostrar tão distante das realidades do povo, além de jamais ficar à margem dos autos, que deveriam ser tratados como suas "bíblias" ou a luz que ilumina o julgamento de quem tem o ofício de juiz e a responsabilidade de julgar seu semelhante.

Do contrário, seria melhor e mais lógico que retirassem da Justiça a venda de sua cara desavergonhada para dizer o mínimo, de forma que os senhores magistrados ficassem com os olhos bem abertos para que pudessem enfim ver, com nitidez e desvelo, as condutas questionáveis de muitos de seus membros togados, que, inacreditavelmente e lamentavelmente, tornaram-se há muito tempo os capatazes da grande burguesia, que garantem o status quo aos oligarcas, a primazia sobre os inúmeros segmentos e setores da sociedade em forma de benefícios e privilégios. Trata-se da Justiça dos ricos e muito ricos. A Justiça burguesa, envolvida com o establishment até a medula.

"Reizinhos" de capas pretas e togas, a exemplo do personagem tragicômico e antigo de Jô Soares, que mandava por mandar, como se fosse entretenimento e diversão, realidade que levava o prepotente e arrogante "monarca" a fazer o que queria, porque simplesmente se valia do poder para satisfazer seus interesses e desejos, assim como massagear seu gigantesco ego, a despeito de ter estatura moral e política muito pequena.

Juízes que se comportam como príncipes herdeiros de um País de povo pobre e simples, em sua maioria até hoje abandonado pelo estado, como demonstram, sem sombra de dúvidas, os milhares e milhares de bairros das periferias e as favelas, verdadeiros guetos de violência, tráfico de drogas e de armas, que retiram a fórceps a paz de espírito de seus moradores, com sérios reflexos nos bairros de classe média.

A verdade é que há séculos o povo brasileiro é alvo e vítima contumaz e sistemática de um Judiciário que a cada dia fica menor ou minúsculo, pois se transformou em apenas ferramenta e instrumento do status quo. Pobre do País e do povo cujos Ministérios Públicos, Justiça e polícias fazem apenas os papéis de protocoladores dos interesses da alta burocracia e da grande burguesia, que tomaram de assalto o poder juntamente com os partidos de direita derrotados pelo PT de Lula e Dilma Rousseff nas eleições de 2014.

Chega a ser surreal o que ocorre neste País após o golpe terceiro-mundista de 17 de abril de 2016. Trata-se de acinte e provocação, pois os membros do Judiciário (Justiça, PF e MPF) estão a tentar colocar tarjas pretas nos olhos da Nação, a exemplo da proteção ou da blindagem do senador megadelato Aécio Neves (PSDB), acusado de corrupção por receber propinas de inúmeras fontes, como o Banco Rural, o complexo de Furnas, a Andrade Gutierrez, a UTC, a Odebrecht, o Mensalão Tucano, a Cidade Administrativa de Belo Horizonte, os aeroportos em terras de parentes, a publicidade em rádio de sua família etc. e tal.

Só acontecendo para acreditar. Parece história de literatura fantástica de Marion Zimmer Bradley ou o surrealismo de Salvador Dali ou um filme de Quentin Tarantino. E não é, "acredite se quiser", que o juiz do TSE, Herman Benjamin, determinou que os depoimentos do ex-presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, e do ex-executivo do Grupo Odebrecht, Benedicto Júnior, que quaisquer trechos dos depoimentos de delatores ao citar o senador Aécio Neves teriam que ser cobertos por tarjas. Como sempre digo em meus artigos, os políticos do PSDB e do DEM são i-nim-pu-tá-veis!

A blindagem ao político tucano chega a ser um escárnio com a sociedade, um verdadeiro deboche, bem como o magistrado, do alto de sua autoridade digna de um semideus comprova, mais uma vez, que o povo brasileiro é tratado pelos poderosos no poder como idiota. Só que não é. Ponto. A trabalheira para cobrir o nome do "reizinho" mimado das Alterosas e do playboy do eixo Rio-BH foi gigantesca, conforme disseram alguns servidores do almoxarifado do TSE.

"Só nas primeiras páginas impressas já começaram a nos chatear aqui pedindo mais cartuchos, mais cartuchos... Foi um inferno" — afirmou Edna Abdala, funcionária do setor, para logo complementar: "A gente via as páginas impressas e mais parecia um código de barras! O rombo no orçamento foi de 500%" - concluiu. É assim que a banda toca neste País de tradição golpista e escravocrata.

Enquanto isso, Lula mais uma vez foi depor na terça-feira, agora no Distrito Federal, com direito a ouvir perguntas caprichosas, repetitivas, cansativas e muitas delas levianas e com tons provocativos por parte de juiz de primeira instância e promotores ignorantes sobre o processo político brasileiro. Um juiz que está careca de saber que o Lula não é ladrão e não roubou o dinheiro público, como comprovam os três anos que o político trabalhista é duramente e desrespeitosamente investigado no âmbito da Lava Jato, além dos quarenta anos que o fundador do PT e da CUT é investigado e atacado, desde quando surgiu no cenário sindical e político no fim da década de 1970, em plena ditadura civil-militar.

O ex-executivo da Odebrecht, Benedicto Júnior, asseverou que repassou R$ 9 milhões à campanha eleitoral de 2014 para os políticos do PSDB e do PP. O problema para o juiz e relator do processo que pede a cassação da chapa Dilma-Temer é que não tem como separar o joio do trigo. O juiz Herman finge não entender que as empreiteiras que financiaram as campanhas do PT e de seus aliados são as mesmas que financiaram as campanhas eleitorais do PSDB, do PMDB, do DEM, do PPS, do PP, do SD, do PSB e de todos os partidos, seja pelo caixa 1 ou pelo caixa 2. Ponto. 

O que existe de fato é que não tem como separar o joio do trigo, porque a verdade é que não tem como separar o joio do joio. Simples assim. O nome que se dá a esse processo pode também ser chamado de "sinuca de bico". Lula, seus inimigos querendo ou não, está a caminho de sua absolvição e remição, mesmo a contrariar o sistema político, midiático e estatal jurídico que o persegue.

Percebe-se, nitidamente, que até este momento nada foi comprovado contra o ex-presidente de esquerda, tanto na esfera da Lava Jato quanto em questões mesquinhas e visivelmente de conotações persecutórias, a exemplo do triplex, do aluguel de apartamento, do prédio do Instituto Lula, do sítio, do acervo presidencial e de outras acusações perversas, levianas e mentirosas, que têm por propósito fundamental desconstruir e desqualificar sua imagem, assim como destruir sua moral e condição humana. Demonizam o Lula para que ele não seja candidato e não vença as eleições presidenciais de 2018.

Quem tem que se preocupar com a polícia, com o MP e o STF são os canalhas que estão aboletados iguais a lobos em covis. A matilha hidrófoba que tomou de assalto o Palácio do Planalto e pensa que tudo vai ficar numa boa. Só que não. A verdade pode demorar a aparecer, como tentaram também colocar tarjas pretas em cima do nome do senador tucano e até agora o inimputável José Serra — o ex-ministro golpista esvaziado politicamente e incompetente do Itamaraty, que foi blindado pela Polícia Federal do Paraná, em relatório chamado de "Código Odebrecht".

O relatório da PF identificava ligações telefônicas e mensagens entre Marcelo Odebrecht e José Serra, o Careca, bem como também participavam dessa farra golpista e ilegal o deplorável e na época vice-presidente da República, *mi-shell temer, o MT, além do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin — o Santo. Contudo, os delegados aecistas da PF determinaram que o nome do Careca, que é o José Serra, deveria receber tarja preta.

O azar desses varões de Plutarco e defensores das causas nobres e das famílias batedoras de panelas é que o "Estadão", jornal que está em regime de falência e que recentemente fechou a rádio Estadão, apesar da "competência" da iniciativa privada de pendores patrimonialistas, vazou o "Código Odebrecht" e o nome de José Serra apareceu com uma tarja preta igualzinha às que são usadas em menores de idade que cometem crimes.

Então é assim: tarjas pretas para os tucanos e linchamento em praça pública para os petistas, mesmo aos que não cometeram malfeitos, como Dilma e Lula. Os juízes e o Judiciário em geral perderam o caminho de volta. Se meteram em um campo cheio de cactos ou minado de explosivos. Efetivaram, a seus bel-prazeres, a justiça dos dois pesos e duas medidas e perderam o respeito e a credibilidade que já era pouca há muito tempo.

Os togados optaram por fazer política e a expor ideologia, diga-se de passagem à direita do espectro ideológico, bem como cooperaram para o golpe de terceiro mundo da "Banânia das Oligarquias", o outro nome do "Brasil da Casa Grande". Quem faz e se intromete na política, mesmo a ser juiz, policial e procurador (promotor), tem de aceitar a luta política, o embate, o contraditório, os questionamentos e as palavras duras.


Querer mandar no País sem ter votos e a autoridade das urnas por parte do povo é inaceitável. Então é melhor que se assuma que o Brasil vive em uma ditadura. A ditadura do Judiciário. A Justiça tarja preta é muito menor do que o Brasil e o povo brasileiro. A política é a derrocada dos togados. É isso aí.

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