sexta-feira, 17 de março de 2017

17/3 - Momento dramático na opera de Roma...!!!.

COLABORAÇÃO DE: Julio Pinho <dalpinho02@gmail.com>


    Obra não só musical mas, também, política à  época em que a Itália estava sujeita ao império dos Habsburgos (1840). 

 Sylvio Berlusconi assistia, pessoalmente, à apresentação, que  era dirigida pelo maestro Ricardo Mutti.
 Antes da apresentação o prefeito de Roma, Gianni Alemanno -  ex-ministro do governo Berlusconi,discursou, protestando contra os cortes nas  verbas da cultura, o que contribuiu para politizar o evento.
Como Mutti declararia à TIME, houve, logo de início, uma ovação  incomum, clima que se transformou numa atmosfera de tensão quando se  iniciaram os acordes do coral «Va pensiero» o famoso hino contra a  dominação.
«Há situações que não se podem
descrever, mas apenas sentir;
o  silêncio absoluto do público, na
expectativa do hino;
clima que se  transforma em fervor aos primeiros
acordes do mesmo;
a reação visceral do  público quando o coro entoa -

'Ó minha pátria, tão bela e perdida'».

 Ao terminar o hino os aplausos da platéia interrompem a ópera e  o público manifestou-se com gritos de «bis», « viva Itália», «viva Verdi». 
Das galerias são lançados papéis com mensagens políticas.

 Não sendo usual bisar durante uma ópera, e embora Mutti já o  tenha feito uma vez em 1986, no teatro La Scala de Milão, o maestro hesitou  pois, como ele depois disse:
«não cabia um simples bis; havia de ter um  propósito
particular».



Dado que o público já havia revelado o seu sentimento  patriótico, o maestro voltou-se no púlpito e encarou o público e o próprio  Berlusconi.
Fazendo-se silêncio, pronunciou-se da seguinte forma, e reagindo  a um grito de «longa vida à Itália» disse: 

«........Sim, longa vida à Itália mas ...  [aplausos]. 
Já não tenho 30 anos e já vivi a minha
vida, mas como um italiano  que percorreu o mundo, tenho muita mágoa do que se passa no meu  país.
Portanto aquiesço ao vosso pedido de bis
Isto não se  deve apenas à alegria patriótica que senti em
todos, mas porque nesta  noite, enquanto eu dirigia o coro que cantava 'Ó meu pais, belo e  perdido', eu pensava que, a continuarmos assim, mataremos a cultura sobre a  qual assenta a história da Itália.
Neste caso, a nossa pátria,  será verdadeiramente 'bela e perdida.
(aplausos retumbantes,  incluindo os dos artistas em palco)
Reina aqui um 'clima italiano';
eu, Mutti,  falei para surdos durante longos anos, gostaria agora.... nós deveríamos  dar sentido à este canto; como estamos em nossa casa, o teatro da capital, e  com um coro que cantou magnificamente, e que é magnificamente  acompanhado, se
for de vosso agrado, proponho que todos se juntem a nós para  cantarmos juntos.... "A tempo"...»

Foi assim que Mutti
convidou o público a cantar o Coro dos  Escravos.

O público levantou-se.
Toda a ópera de Roma se levantou...
O  coro também se levantou.
Foi um momento magnífico na ópera!
Vê-se, também, o  pranto dos artistas.



Aquela noite não foi apenas uma apresentação do Nabuco mas,  sobretudo, uma declaração do teatro da capital dirigida aos políticos.

AGORA, NÃO DEIXEM DE VER E OUVIR

PELO LINK ABAIXO:

 

http://www.youtube.com/embed/G_gmtO6JnRs
 


 

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