sábado, 18 de março de 2017

18/3 - Pragmatismo Político DE 17/3

Pragmatismo Político


Posted: 17 Mar 2017 12:49 PM PDT
televisão escondeu crime ambiental luciano huck ministério público
(Imagem: Pragmatismo Político)
Joaquim de Carvalho, DCM
A disputa que os milionários travam com a comunidade pela privatização do mar na região de Angra dos Reis e Paraty e pela apropriação de outros bens da natureza terá mais um capítulo encerrado nos próximos dias.
Encontra-se na mesa do juiz da Vara Federal de Angra dos Reis o processo que foi movido contra o apresentador da TV Globo Luciano Huck por crime ambiental.
O processo registra que, para não ser condenado à prisão, Huck aceitou se submeter às exigências do Ministério Público Federal: doou R$ 150 mil para o projeto coral-sol, do Instituto Chico Mendes (Estação Ecológica de Tamoios), e participou de três reuniões do projeto, em que foram discutidas as formas de aplicação do dinheiro pago por ele.
A suspensão condicional do processo foi o mesmo expediente utilizado pelo ex-secretário geral do PT, Sílvio Pereira, para não ser condenado no mensalão.
Sílvio Pereira percorria ruas da região do Butantã, em São Paulo, para depois reportar ao subprefeito do bairro as demandas de serviços e obras.
Sílvio cumpriu a exigência com intensa cobertura da imprensa. Já Luciano Huck cumpriu as condições de suspensão do seu processo sem que houvesse um único registro da mídia.
Com receio de danos à imagem do apresentador, os advogados de Luciano Huck tentaram tornar o processo sigiloso, mas não conseguiram. O fato de ser celebridade não é, em tese, condição para manter processo em segredo.
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Desde outubro de 2014, Luciano Huck teve três reuniões com ambientalistas para discutir como combater o coral-sol, uma espécie exótica que tem causado graves danos à natureza.
O coral-sol é conhecido como espécie assassina por atacar os corais nativos. Uma das formas de combate é feita por voluntários, em mutirões, que localizam o coral-sol e o retiram da água.
Não se sabe como o coral-sol veio para o Brasil. Acredita-se que tenha sido trazida, acidentalmente, por petroleiros atracados na Baía da Ilha Grande.
Não deixa de ser irônico.
Luciano Huck tem uma mansão na Ilha das Palmeiras, na mesma baía, e sua iniciativa de fechar o mar, com a simulação de que criava espécies marinhas, também foi considerada nociva a outras espécies que usufruem da natureza –- no caso, a humana, que era impedida de se aproximar do seu imóvel e de se banhar nas águas da ilha.
As exceções eram a família de Luciano Huck e seus convidados.
O juiz Ian Legay Vermelho, a quem caberá dar a sentença, não terá alternativa a não ser considerar extinta a punibilidade de Luciano Huck, já que as exigências foram cumpridas.
O juiz, naturalmente, não dirá isso na sentença, mas a real expectativa dos ambientalistas que denunciaram Huck é que ele tenha aprendido a lição com o combate ao coral-sol: é preciso enfrentar as espécies exóticas para manter a natureza no seu ciclo de vida regular.
Desmatando, construindo além do permitido e fechando o acesso a praias, milionários de Angra dos Reis e Paraty passaram dos limites.
Muitos ainda estão impunes, como os donos do triplex atribuído à família de Roberto Marinho, e a empresa de Carlos Alberto Fernandes Filgueiras, o amigo do ministro Teori Zavascki, que fizeram a mesma coisa – e até pior – do que Luciano Huck.
Estas são espécies de coral-sol muito mais difíceis de combater.
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Posted: 17 Mar 2017 12:22 PM PDT
habibs suja mãos nota morte joão victor drogas
Habib’s suja as mãos em nova nota sobre morte do menino João Victor (Imagem: Pragmatismo Político)
Mauro Donato, DCM
Buscando desvincular a marca de um episódio trágico, a morte do menino João Victor, o Habib’s emitiu uma longa nota de quatro páginas:
Como todo menino de apenas 13 anos, poderia ir à escola, fazer amigos, crescer, trabalhar, apaixonar-se por alguém, formar uma família e bem lá na frente, concluir seus dias rodeado pelos filhos, netos e outros que o amassem. No entanto, caiu vítima do mais trágico conjunto de circunstâncias a que milhares de crianças brasileiras estão vulneráveis nos nossos tempos: falta de assistência social, falta de educação, falta de alimentação, falta de estrutura familiar e a devastadora exposição às drogas”, diz o texto.
E é por este caminho que vai todo o documento. Lamenta a morte do garoto e insiste, via existência de laudo, que a morte ocorreu em decorrência de um mal súbito como consequência do uso de drogas e nenhuma relação com as agressões existentes (algumas delas registradas por câmeras, outras relatadas por testemunhas).
Para piorar um pouco, reforça que as imagens dos seguranças arrastando e atirando o menino no chão como um trapo teriam ganhando mais atenção do que o real problema do caso: a marginalização e desamparo social de João Victor.
Quase como um depoimento frente ao delegado, o texto apresenta um detalhado relato do passo-a-passo no momento da confusão, a ligação para a polícia, a ligação para o SAMU, a ‘solicitação de ajuda e recebendo orientações de como proceder o atendimento até a chegada da ambulância’.
Mas não era um depoimento a um delegado e, pelo visto, o Habib’s não dispunha de um advogado na hora de redigir a nota ou então está muito mal assessorado.
Após todo o lenga-lenga que busca a empatia com o leitor, que lamenta a injustiça social e a condição precária da vida de João Victor, a nota ‘mostra provas’ de que o menino já era um caso perdido e cita a existência de dois boletins de ocorrência que envolviam-no. Não apenas cita, dá os números de registro, datas e históricos. João Victor era menor, não poderia ser exposto dessa forma. B.O.s que envolvem menores são mantidos em sigilo.
O Habib’s infringiu o Estatuto da Criança e do Adolescente, não se pode fazer isso, divulgar o conteúdo do que tratam os atos infracionais, isso é ilegal”, disse ao DCM o advogado Ariel de Castro Alves, coordenador da Comissão da Criança e do Adolescente do Conselho Estadual de Direitos Humanos de São Paulo. Ele acompanha o caso desde os primeiros momentos.
A rede de lanchonetes persistiu na estratégia de incriminar o menino e terminou derrubando a esfiha com o recheio virado pra baixo, de novo. O Ministério Público informou que vai investigar a empresa pela divulgação dos BOs.
O Habib’s, infelizmente, chora muito mais por ver ‘com tristeza a marca e todos os colaboradores injustamente associados à morte de João Victor’ e lamenta o ‘tribunal das redes sociais’, contradizendo-se na pressa: “Mesmo que nos primeiros momentos o silêncio nos prejudicasse, atendemos a esse clamor da forma mais responsável possível. Diante de um fato grave como esse, envolvendo a morte de um menor, era necessária a apuração dos fatos. Aguardamos a manifestação das autoridades envolvidas e do poder público.
Ao se aferrar ao único laudo até agora, que ‘contraria jugamentos precipitados’, o Habib’s exclui veementemente a responsabilidade das agressões na morte do garoto. Pode não ser tão simples. A queixa por estar sendo vítima do pós-verdade não autoriza um comunicado assim, digamos, pré-verdade.
A família fez o pedido de exumação pois há contradições. Há dois testemunhos sobre as agressões e mais o trecho de gravação no qual o menino é jogado no chão. O laudo é uma prova, mas deve ser analisado em conjunto com outras provas. Portanto espero que na próxima semana a delegada acate o pedido de exumação”, afirmou Ariel de Castro Alves, por telefone.

Leia a nota na íntegra:

Há mais coisas por trás da tragédia do João Victor do que mostram as notícias e as redes sociais.
João Victor era um menino que possuía o que a vida oferece de mais precioso: o futuro todo pela frente para ser construído.
Como todo menino de apenas 13 anos, poderia ir à escola, fazer amigos, crescer, trabalhar, apaixonar-se por alguém, formar uma família e bem lá na frente, concluir seus dias rodeado pelos filhos, netos e outros que o amassem.
No entanto, caiu vítima do mais trágico conjunto de circunstâncias a que milhares de crianças brasileiras estão vulneráveis nos nossos tempos: falta de assistência social, falta de educação, falta de alimentação, falta de estrutura familiar e a devastadora exposição às drogas.
Algo poderia ter sido feito. Fatos anteriores já sinalizavam seu destino. No dia 07 de agosto de 2014 o B.O. nº 8.362, registrado no 13º DP da Casa Verde, descreveu o primeiro envolvimento de João Victor com a polícia, aos 11 anos de idade, num episódio de roubo e ameaça à vítima. No dia 26 de setembro de 2015 o B.O. nº 10.497, registrado no 20º DP da Água Fria, relata que João Victor foi encontrado sozinho no Terminal Cachoeirinha, encaminhado ao Hospital do Mandaqui e após alta hospitalar foi conduzido pela polícia para a delegacia na qual o Conselho Tutelar lhe providenciou abrigo já que a família não foi localizada.
João Victor fazia parte dos 24 mil meninos e meninas em situação de rua nas 75 principais cidades do país, por motivo de discussão com os pais, violência doméstica e uso de álcool e drogas (dados da Secretaria de Direitos Humanos do Governo Federal). Ele foi mais uma vítima da dependência química e do abandono de instâncias que teriam a obrigação social e moral de lhe estender a mão.
Um garoto de apenas 13 anos, sozinho, não tem como vencer tais obstáculos e a realidade, a triste realidade, acaba se impondo da forma como se impôs.
No dia 26 de fevereiro o Habib’s, como toda a sociedade, assistiu, chocado, à interrupção da curta vida de João Victor
Por tudo o que ocorreu, com tristeza, vimos nossa marca e todos os nossos colaboradores injustamente associados à morte do João Victor.
Sofremos boicotes, funcionários foram ameaçados, clientes foram intimidados e recebemos manifestações nas nossas portas, além de acusações, críticas e imputações injustificadas vindas das mais diversas fontes, até que o laudo oficial do Instituto Médico-Legal revelou a real causa da morte: “… a morte ocorreu de forma súbita e teve origem cardíaca, relacionada ao uso de substâncias entorpecentes/ilícitas.”
Além disso o laudo também confirma que nenhuma agressão foi observada, contrariando os julgamentos precipitados.
Mesmo que nos primeiros momentos o silêncio nos prejudicasse, atendemos a esse clamor da forma mais responsável possível. Diante de um fato grave como esse, envolvendo a morte de um menor, era necessária a apuração dos fatos. Aguardamos a manifestação das autoridades envolvidas e do poder público, colocamo-nos à disposição da família para ajudá-la e afastamos imediatamente os funcionários envolvidos. Enquanto buscávamos entender o que de fato aconteceu, o tribunal das redes sociais e da opinião pública já havia emitido seu veredito. Não é a toa que a palavra do ano, segundo o Dicionário Oxford, é “pós-verdade”.
Diante de tanta polêmica, consideramos importante levar a público as informações derivadas das investigações, dos relatos, dos documentos oficiais, dos laudos e dos fatos que se desenrolaram nos últimos dias:
1. Há registro de telefonema feito pelos funcionários da loja para a Polícia Militar, antes do acontecimento, solicitando ajuda policial e relatando o comportamento de João Victor perante os clientes dentro da loja.
2. As imagens entregues à Polícia Civil mostram João Victor com dois pedaços de pau na mão ameaçando pessoas, funcionários e danificando o carro de um cliente.
3. Após ocorrer o mal súbito há imagens – que reprovamos – envolvendo dois funcionários que foram afastados e prestaram depoimento à Polícia do porquê agiram dessa forma.
4. Há registro de telefonema feito pelos funcionários da loja ao Samu imediatamente após perceberem o mal súbito, solicitando ajuda e recebendo orientações de como proceder o atendimento até a chegada da ambulância.
Nem tudo ainda está 100% claro para nós, assim como não está para a sociedade. O que sabemos é que as cenas chocantes dos funcionários retirando João Victor do meio da rua movimentada — somadas à sua falta de experiência em situações de resgate — tornou-se assunto maior que o problema social existente no país e ainda maior que as causas que originaram sua morte, descritas pelos socorristas, pelos médicos do hospital e pelo médico legista do Instituto Médico-Legal.
Ainda que tudo não esteja claro, há que se apontar alguns fatos relativos ao tema agressão.
5. Em nenhum dos momentos distintos ocorridos os policiais militares, socorristas, médicos e autoridades envolvidos apontam qualquer sinal de agressão a João Victor e isso está claramente indicado nos documentos oficiais.
6. O laudo do Instituto Médico-Legal descreve a ausência de qualquer agressão:
– Couro cabeludo sem lesões … calota craniana sem fratura.
– Internamente ausência de lesões traumáticas.
– Ausência de lesões ou sinais hemorrágicos em região cervical.
– Ausência de lesões traumáticas em parede toráxica.
– Sem outras alterações e/ou lesões de interesse médico-legal.
7. Em sua discussão e conclusão, o laudo ainda relata:
– Alterações cardíacas agudas e crônicas.
– O exame complementar toxicológico nº 3527/2017 evidenciou a presença de cocaína … Isto indica uso crônico de análogos da cocaína.
– Estas substâncias (cocaína e solventes) são miocardiotóxicas e estão associadas a morte súbita de origem cardíaca … cuja causa mortis, baseando-se nos achados, ocorreu em decorrência de cardiopatia precipitada e agravada por uso de substâncias entorpecentes/ilícitas.
Estamos chocados com a morte de João Victor porque não há algo que simbolize tanto a vida como um garoto de 13 anos de idade.
Todas as 18.000 pessoas que fazem o Habib’s estão abaladas, tristes e enlutadas. Como organização e como conjunto de pessoas que também são filhos de alguém e pais de alguém, o Habib’s conhece os riscos a que nossas crianças estão expostas.
Não é de hoje que, não por palavras mas por ações, o Habib’s tem trabalhado para impedir tragédias dessa natureza. O Projeto Ciranda Urbana, fundado há 10 anos e mantido integralmente pela empresa é uma das faces desse trabalho. No coração da comunidade de Vila Andrade, na cidade de São Paulo, 250 crianças são assistidas por esse projeto. Nele recebem educação, alimentação, assistência psicológica e outros recursos. Essa assistência se estende aos seus pais com oficinas para geração de renda e até mesmo apoio financeiro. Tudo isso condicionado à frequência escolar comprovada. É assim que o Habib’s mantém crianças longe das ruas e das suas ameaças, estimula o estudo e promove a união familiar.
Mas há mais. Patrocinamos eventos como o “Só Fica Fera Quem Não Mexe Com Drogas”, que reúne a Polícia Militar do Estado de São Paulo, o Rotary Club e centenas de crianças, justamente para afastá- las das drogas. Para nós esse é um trabalho sem data para acabar. É um compromisso permanente.
O Habib’s e seus 18.000 funcionários lamentam profundamente os fatos ocorridos e se comprometem a manter e ampliar seus projetos sociais direcionados às crianças, acreditando num futuro melhor para nosso país.
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Posted: 17 Mar 2017 12:14 PM PDT
Gilmar Mendes jantar Serra Temer
Gilmar Mendes ofereceu jantar para Serra, Aécio, Temer, Eunício e outros alvos da Lava Jato
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, recebeu para um jantar, em sua residência, políticos delatados na Operação Lava Jato.
A confraternização oferecida por Gilmar foi para celebrar o aniversário de José Serra (PSDB). Michel Temer, que será julgado pelo próprio Gilmar no TSE em ação que pode cassar o seu mandato, também participou da comilança.
Estavam presentes ainda os presidentes do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), e da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), os senadores Aécio Neves (PSDB-MG) e José Agripino Maia (DEM-RN) – todos alvos da delação da Odebrecht e de pedidos de abertura de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF).
Para a imprensa, interlocutores de Gilmar disseram que o encontro foi marcado para discutir a reforma política e, ao mesmo tempo, comemorar os 75 anos do senador Serra. Essa é a versão oficial e que, notadamente, ficou apenas em teoria. A verdade é que, na festa, tratou-se de tudo.
Segundo reportagem do jornal O Estado de S.Paulo, José Serra levantou uma pauta inusitada durante o jantar: remover o sistema eleitoral da Constituição do Brasil.
Diante das turbulências provocadas pela Lava Jato, o aniversariante da noite revelou aos convidados que irá apresentar na próxima semana uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que retira da Constituição os dispositivos que regulam o sistema eleitoral.
Gilmar Mendes Michel Temer Jantar
Antes do jantar, Gilmar já havia se reunido com Temer, Eunício e Maia no Palácio do Planalto (Imagem: Antonio Cruz/Agência Brasil)
Serra também prega o parlamentarismo e pediu a Eunício, presidente do Senado, que crie um grupo para discutir o sistema de governo. Alguns analistas políticos observam que a proposta de Serra pode ter como objetivo o cancelamento das eleições de 2018.
De acordo com as últimas pesquisas eleitorais, o ex-presidente Lula lidera a disputa pela Presidência da República em primeiro e segundo turnos. Não se sabe, porém, se Lula poderá ser candidato, já que é réu em ações penais e, se condenado, deve ficar inelegível.
Outra pauta preocupante para a democracia brasileira discutida pelos caciques políticos no jantar de Gilmar foi a possibilidade de criação de um modelo de financiamento público de campanhas com uma lista fechada de candidatos para as eleições de 2018.
Além disso, discutiu-se na confraternização a anistia ao caixa 2, proposta que, se aprovada, salvará a pele de metade dos políticos de Brasília.
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Posted: 17 Mar 2017 12:02 PM PDT
eu daniel blake pobre culpa sua meritocracia
Cena do filme: Eu, Daniel Blake (reprodução)
Léa Maria Aarão Reis, Carta Maior
Embora 2017 ainda dê os primeiros passos, Eu, Daniel Blake, o filme de Ken Loach realizado dois anos atrás e premiado pela segunda vez (fato raro) com a Palma de Ouro em Cannes, em 2016, se revela como uma das melhores e mais emocionantes produções cinematográficas do período. É um imenso sucesso de bilheteria no Brasil e na Europa e cotado para ganhar, concorrendo com o nosso Aquarius, o francês Cesar de melhor filme estrangeiro, este ano.
Trata-se de mais um trabalho de Loach, de 80 anos, filme espartano e sem firulas, como é toda a sua vasta obra de cinema documental. Nele, mais uma vez, o diretor assume a defesa dos mais vulneráveis (neste caso, os idosos) no embate inglório com o sistema falido do bem-estar social da Grã Bretanha criado pelos governos progressistas anteriores à sinistra era Thatcher, um dos emblemas e modelo de política social de então, deletado pelo nefasto neoliberalismo da Dama de Ferro.
A história: um trabalhador honrado, marceneiro experiente, artesão de grande competência – como é incomum, nos tempos de hoje -, na casa dos 70 anos, viúvo e sem família, sofre um ataque cardíaco que o condena a um repouso temporário.
Sem renda pessoal, Daniel Blake procura a assistência do Estado – e fazer valer seus direitos – enquanto não pode retornar ao trabalho. Mas vai sendo, aos poucos, sufocado e triturado pela máquina de uma cruel espiral burocrática, puro Kafka neoliberal.
Uma trajetória dramática bem conhecida dos dependentes das políticas de saúde pública no Brasil, um SUS cada vez mais relegado e esvaziado pelo governo golpista.
Este é o ponto central do roteiro do escritor e advogado Paul Laverty, 60 anos, amigo e brilhante colaborador de Loach em oito filmes, desde a época dos contras quando trabalhou para organizações de direitos humanos na América Central.
Laverty usa método semelhante ao do jornalismo investigativo. Durante meses conversa com dezenas de pessoas antes de construir seus personagens. No caso, percorreu bancos de alimentos, centros de empregos e outros cenários desalentadores do Reino Unido atual, onde conheceu muitos daniels.
A dignidade de Blake vai sendo solapada a cada consulta feita ao telefone para tratar da sua situação. É torturado com esperas absurdas, bem familiares de todos nós em algum momento da nossa vida. Ouve gravações de zumbis repetindo “… Continue na linha…”. Fala com atendentes robôs terceirizados e desqualificados. Recebe informações surrealistas: “O senhor só fez 12 pontos em sua demanda; é necessário atingir 15…” Ao que ele retruca: “Mas isto não é um jogo!
‘‘Aqui, tudo é informatizado”, lembram, friamente, os funcionários robôs.
No Departamento do Trabalho, o velho se submete a entrevistas humilhantes com funcionários desprovidos de humanidade, e sua dificuldade é maior porque é analfabeto digital assim como são outros milhões de idosos por toda parte – porque não tiveram tempo para se adaptar ao novo mundo digital ou porque, tensos, não têm paciência nem habilidade necessárias para apreender a nova linguagem.
Blake tenta se atualizar. É orientado a fazer cursos para aprender a trabalhar com computadores. Deste modo poderá preencher um formulário que é capital para o seu caso e está disponível apenas na Internet.
Nessa espiral intimidante, ele conhece Katie, desempregada e mãe solteira de dois filhos, obrigada a se mudar para Newcastle porque o sistema diz que não há lugar para alojá-los, temporariamente, em Londres. Nota: a cidade possui 10.000 moradias pertencentes ao estado, vazias.
As políticas sociais neoliberais retiram de Londres esses necessitados, como a moça e seus filhos, e os enviam para pequenas cidades do interior onde o custo para mantê-los, temporariamente, é menor. Mas onde o indivíduo, como Katie, enfrenta um mundo com códigos da vida cotidiana que não conhece e num universo onde será ainda mais improvável conseguir trabalho no deserto de empregos em que se está tornando não só a Europa, mas o mundo.
Informação pertinente: dados da OIT, a Organização Internacional do Trabalho, anunciou, este mês, que em 2017 um entre cada três novos desempregados, no mundo, será cidadão brasileiro.
Sabem quantas vagas foram abertas, recentemente, por uma empresa que estava contratando? Oito vagas. Sabem quantos candidatos se apresentaram? Mil e trezentos!’’ É o que o professor do cursinho onde Blake se matricula para aprender a montar o seu currículo ensina. Em bom português: ensina que, na verdade, não há mais empregos no mercado.
Blake não consegue o seguro desemprego e luta por um novo trabalho batendo de porta em porta. Faz fila, acompanhando Katie, para receber a cesta básica. A humilhação. Perguntam à sua amiga: “Quer absorventes também?’’
Passa-se nesse centro de distribuição de alimentos gratuitos uma das mais fortes sequências do filme: Katie, disfarçadamente, retira da prateleira do almoxarifado e abre uma lata de conserva. Começa a comer com sofreguidão o conteúdo até parar e começar a chorar, num canto, entre as prateleiras. Quando chegam para socorrê-la, ela diz, soluçando, envergonhada: “Desculpem; eu estava com tanta fome…’’
Para alimentar os filhos Katie comia uma maçã por dia há semanas.
A indignação vai tomando conta de Blake. “Do outro lado estão os rentistas, os velhos broxas educados em Eton preocupados em conseguir as melhores taxas em seus investimentos”, ele comenta, em uma conversa.
Decide, no desespero, pichar o muro do prédio do Departamento do Trabalho. “Eu, Daniel Blake. Não sou um cachorro. Exijo meus direitos.” O episódio se torna caso de polícia, é claro, e o velho vai parar na delegacia.
Kenneth Loach é um dos Grandes Velhos do nosso tempo. Homens de ação; não apenas teóricos. Com pensamento, idéias e posições de esquerda coerentes, e solidários como foram, até a morte recente, Zygmunt Bauman e o cineasta português Manoel de Oliveira. Como é Noam Chomsky, nos Estados Unidos e, em certa medida, o senador americano Bernie Sanders.
Em uma recente entrevista concedida ao jornal El País, por ocasião da Palma de Ouro ganha por I, Daniel Blake, em maio passado, Loach fez observações memoráveis.
Como chegamos à situação que seu filme descreve? perguntou o El País. “É a forma como o capitalismo se desenvolveu,” ele responde. “As grandes corporações dominam a economia e isso cria uma grande leva de pessoas pobres. O Estado deve apoiá-las, mas não quer ou não tem recursos. Então, cria a ilusão de que, se você é pobre, a culpa é sua. Porque você não preencheu seu currículo direito ou chegou tarde a uma entrevista. Montam um sistema burocrático que pune quem é pobre. A humilhação é um elemento-chave na pobreza. Rouba a sua dignidade e a sua autoestima.”
Abandonar os mais desfavorecidos é uma escolha política? Indaga o repórter. Resposta: “Sim. É nascida das demandas do capital. Se os pobres não aceitassem que a pobreza é sua culpa poderia haver um movimento para desafiar o sistema econômico. Os meios de comunicação falam de gente folgada, de viciados, de pessoas que têm muitos filhos, que compram televisores grandes… Sempre encontram histórias para culpar os pobres ou os imigrantes. É uma forma de demonizar a pobreza. ’’
Para ele, é óbvio que o sistema se tornou pior porque o processo capitalista avança. Pergunta: As histórias humanas são seu veículo para articular mensagens políticas? “Todas as histórias humanas são políticas,’’ ele sublinha. “Têm consequências políticas. Nem Katie nem Dan são animais políticos. Não fazem discursos, não participam de reuniões. Mas a situação em que se encontram é determinada pela política. ’’
Você é otimista, Loach? Sou otimista sim. Sanders, Podemos, Syriza… Existe uma sensação de que outro mundo é possível.
E como você gostaria de ser lembrado? “Como alguém que não se rendeu. Não se render é importante porque a luta continua. E as pessoas tendem a se render quando ficam velhas.’’
O recado de Loach e Laverty em I, Daniel Blake é transparente: quando perdemos a dignidade, perdemos tudo. Talvez até já tenhamos perdido nossa essência humana, a compaixão, o sentimento da solidariedade – e a resistência.
Milly, uma inteligente blogueira brasileira, resumiu o perfil do extraordinário personagem de Loach interpretado pelo magnífico ator Dave Johns. “.Blake somos você e eu usados como instrumentos; você e eu sugados de nossa humanidade, de nossa dignidade, de nossos direitos mais básicos por um sistema que devora, mastiga, engole e depois cospe nossos restos.”
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Posted: 17 Mar 2017 11:20 AM PDT
João Victor Habibs morte laudo
Menino João Victor, 13, morreu após ser perseguido por funcionários do Habib’s
Advogado e familiares de João Victor contestaram dois pontos do laudo assinado pelo médico do IML Danilo Vendrame Vivas.
O documento aponta morte súbita do menino de 13 anos, de origem cardíaca, relacionado ao uso de drogas. Mas o advogado da família, Francisco Carlos da Silva, questiona: “Mesmo com substâncias em seu organismo, o menino teria morrido se não tivesse sido agredido?”.
João Victor morreu no dia 26 de fevereiro após uma confusão no Habib’s. Imagens mostram duas pessoas, que a polícia acredita serem o supervisor Guilherme Francisco do Santos, 20, e o gerente do local, Alexandre José da Silva, 32, arrastando o menino até jogá-lo desacordado na rua. Duas testemunhas afirmam que viram João Victor ser espancado.
Uma empresa de perícia contratada pelo advogado da família pede a exumação do corpo, questionando dois pontos do laudo:
1. Não há, segundo o médico legista Levi Miranda, o detalhamento devido sobre como a amostra que foi colhida – se foi de sangue, urina ou vísceras, por exemplo.
2. O laudo mostra que havia alimentos na árvore traqueal, o que pode significar, segundo Miranda, que o adolescente vomitou e aspirou o vômito. Uma das possibilidades de morte, portanto, é de broncoaspiração em função das alegadas agressões.
O jornal Folha de S.Paulo consultou três peritos independentes e nenhum deles se arriscou a responder a pergunta do advogado da família: se João Victor teria morrido caso não tivesse sido agredido.
A advogada Roselle Soglio, especialista em perícias criminais, diz que o documento é “contraditório”. “Não pode ter sido morte súbita. O próprio laudo mostra que houve demora para a morte, então foi agônica [demorada].” Ela também estranha a ausência de registros de lesões externas, sendo que há imagens do menino sendo arrastado.
O laudo “surpreendentemente descreve uma criança com um coração de velho”, diz o patologista Paulo Saldiva, professor da Faculdade de Medicina da USP. O estresse com os seguranças de fato “pode ter aumentado sua adrenalina”.

Exumação do corpo

A Polícia Civil solicitou à Justiça a exumação do corpo de João Victor. A família da criança já havia feito pedido de exumação do corpo à própria polícia.
Segundo o delegado Nicola Romanini, responsável pelo caso, embora o laudo do Instituto Médico-Legal aponte que o garoto morreu por causa do uso de drogas, duas testemunhas disseram em depoimento terem visto João Victor ser agredido por um dos seguranças do Habib’s.
O delegado também vai instaurar outro inquérito policial para apurar a conduta do Habib’s ao divulgar, em comunicado à imprensa, registros policiais envolvendo João Victor. A Promotoria da Infância e Juventude também vai apurar a divulgação dos dados.
Segundo o Ministério Público Estadual, o Habib’s infringiu o Estatuto da Criança e do Adolescente. Em nota, o Habib’s disse que lamenta a morte e está à disposição das autoridades.

Médico suspeito

Danilo Vendrame Vivas, médico responsável por assinar o laudo que indica que João Victor morreu exclusivamente por usar drogas, tem um histórico que inspira suspeitas nas redes sociais.
O médico suspendeu sua conta no Facebook após reportagem revelar que ele militava pela redução da maioridade penal, compartilhava sites de notícias falsas e é fã de Jair Bolsonaro.
Piadas homofóbicas e ataques aos beneficiados do Bolsa Família também constavam no histórico de publicações de Danilo.
Mesmo que todas essas características do médico não signifiquem nada diante de sua decisão, é inegável que pessoas com o mesmo perfil ideológico de Danilo se posicionaram em defesa da lanchonete Habib’s e contra João Victor desde o surgimento do caso.
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Posted: 17 Mar 2017 11:04 AM PDT
discurso despolarização politico corrupção ódio esquerda
Aldo Fornazieri*, Jornal GGN
Pessoas das mais variadas posições políticas, dos mais diferentes calibres intelectuais e das mais diversas posições sociais têm lamentado uma suposta excessiva polarização que estaria ocorrendo no Brasil. Leandro Karnal, após publicar a foto de seu famoso jantar com o juiz Moro e ver-se tolhido por críticas de muitos e ungido pelos elogios de outros, lamenta a polarização, mais uma vez. Na verdade, ou melhor dizendo, a verdade efetiva das coisas mostra que a crítica à polarização no Brasil, em todos os tempos, sempre esteve a serviço da dominação de elites predatórias e sempre se configurou como o exercício da hipocrisia nacional.​
A outra face da crítica à polarização é a ideia paradigmática de que o povo brasileiro “é ordeiro e pacífico“. As exigências de ordem e paz, de harmonia, nasceram no Brasil Colônia, atravessaram o Brasil Império e se instalaram no Brasil República. Em nome dessas ideias, dissidências foram massacradas, opositores foram exilados, críticos foram calados. Em nome dessas ideias, a violência explícita ou dissimulada das elites sempre procurou auferir a áurea de legitimidade, proclamando-se ação necessária para harmonizar os conflitos banindo da cena política e social os elementos “perturbadores“, os “indesejáveis“, os “subversivos“, os “desordeiros“, enfim, um rosário instrumental de adjetivações a serviço do mando violento e excludente.
A crítica à polarização e a falta do combate cívico virtuoso fizeram do Brasil o que ele é: um país sem presente e sem futuro; um país incapaz de dar-se uma comunidade de destino. Foi esta dupla dinâmica que fez com que alguém disse que, com a independência do Brasil, os portugueses não perderam uma colônia, mas ganharam um reino. Esta mesma dinâmica fez com que a proclamação da República fosse feita por um marechal monarquista, adoentado, posto sobre um cavalo para liderar uma marcha militar, fazendo com que a res publica nascesse sem povo, sem-terra e sem o pronunciamento de um tumulto cívico que lhes desse uma origem efetivamente popular. A síntese perversa deste ato foi captada pelas famosas palavras de Aristides Lobo que afirmou que o povo assistia, “bestializado“, aquele acontecimento sem compreender o seu significado.
Exigir, neste momento, a despolarização, o debate polido, as maneiras finas e educadas, significa exigir que o povo permaneça bestializado. No Brasil, o povo sempre foi tratado como serviçal, como escravo, como ignorante, como grosseiro, cujo único atributo seria trabalhar e servir. As elites sempre se reservaram o monopólio do luxo, do dinheiro, dos vícios e da corrupção. Pois bem. Nos momentos críticos, de incerteza acentuada acerca do amanhã, essas elites mal-educadas, incluindo a intelectualidade que as servem, exigem boas maneiras daqueles que nunca foram bem tratados. O povo e os ativistas cívicos, precisam aprender a tratar com grosseria as elites violentas, luxuriosas, vaidosas, corruptas, expropriadoras, sonegadoras, pois esta é a forma polida que merecem ser tratadas por terem construído uma sociedade injusta e brutalmente desigual.

É legítimo cobrar posicionamento dos intelectuais

Chega a ser um acinte que os bem-falantes dos livros e das mídias exijam despolarização, recato e polidez em uma sociedade moralmente dilacerada, materialmente humilhada, culturalmente deserdada. É preciso dizer não a essa exigência de despolarização que criou, cultiva e dissemina o mito da democracia racial, sempre atualizado em cada momento histórico com a manutenção de novas formas de existência de semilibertos dos afrodescendentes e de extermínio dos índios.
Como exigir despolarização no momento em que a democracia foi golpeada, em que os direitos sociais são destruídos, em que a cultura, a educação e a saúde pública sofrem agressões e danos ruinosos? Como exigir polidez quando a juventude está desesperançada e a velhice, temerosa porque não se encontra ao abrigo das misérias e não tem amparo no momento em que mais precisa dos serviços públicos da saúde? Como exigir diálogo com um governo que é a face desnudada da corrupção, do machismo, da falta de recato e da indiferença completa com a sua própria degradação?
Neste momento de desesperança é preciso cobrar dos intelectuais, sim, um posicionamento acerca da situação política do país. Os intelectuais são figuras públicas e, como tais, estão submetidos ao crivo do público e às exigências demandadas pelo processo de formação da opinião pública. É bem verdade que parcelas dos intelectuais se tornaram idiotas da objetividade e se refugiam numa suposta neutralidade que não existe. Também é verdade que parte da mídia conferiu o estatuto intelectual e de juízes da nação a vendedores de consultorias, que são partes interessadas no doloroso ajuste jogado sobre os ombros vergados dos mais pobres.
Mas convém lembrar que os intelectuais de todos os tempos, dentre os mais representativos, a começar por Sócrates, Platão e Aristóteles, chegando ao mundo moderno e contemporâneo, pugnaram pela cidade justa, pela república justa, pela nação justa. Denunciaram as injustiças, combateram as desigualdades, enfrentaram tiranias e ditaduras, sofreram violências, exílios, prisões, quando não a morte.
Um intelectual autêntico não pode ser um acólito do poder, um cortesão oportunista, um frequentador de palácios, um comensal dos poderosos. Os intelectuais autênticos devem ser a voz pública dos reclamos de justiça e, pela simbologia e representatividade que carregam, precisam elevar-se acima dos outros para denunciar as mazelas do poder e dos poderosos, de sua opressão, de suas arbitrariedades e de suas tendências contrárias à liberdade.
Dentre todas as incompletudes humanas, dentre todas as incompletudes do mundo, um poder que não esteja assentado sobre as virtudes do povo e que não esteja a serviço do interesse comum, é a maior das incompletudes. O poder do Estado é o organizador de todas as outras atividades. E se ele não é virtuoso, desestrutura e destrói a nação, a sociedade, a moralidade, o bem-estar, o desenvolvimento, a educação, os direitos, a cultura.
O governo Temer promove, hoje, este tipo de devastação do Brasil. É um governo que precisa ser denunciado e removido. Para isto é necessário o dissenso, a polarização e o conflito. Nas repúblicas democráticas bem constituídas não é o consenso, não é a paz dos cemitérios, não é a passividade que constroem bem-estar e boas leis. Somente as virtudes combativas e o ativismo cívico são forças capazes de imprimir um outro rumo ao Brasil.
*Aldo Fornazieri é professor da Escola de Sociologia e Política
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Posted: 17 Mar 2017 10:39 AM PDT
reforma previdência todos políticos ilegítima
João Pedro Stedile (reprodução)
Vívian Fernandes, Brasil de Fato
Alterar a idade mínima e o tempo de contribuição para a aposentadoria. Esses são alguns dos pontos da reforma da previdência promovida pelo governo de Michel Temer. A medida é polêmica pois mexe com a vida de trabalhadores da cidade e também com a dos trabalhadores rurais, principalmente das trabalhadoras rurais. Dessa forma ela vem sendo muito criticada por movimentos populares e por centrais sindicais.
Para debater e entender melhor esse tema e outros da política nacional, Vívian Fernandes entrevistou João Pedro Stedile, que faz parte da direção nacional do MST, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
Brasil de Fato: O senhor poderia comentar a mudança da idade mínima para a aposentadoria, prevista nessa reforma da previdência? Se hoje existem diferenças na idade entre homens e mulheres e entre trabalhadores rurais e urbanos, com a reforma de Temer, todos teriam idade mínima de 65 anos para se aposentar. Então como essa mudança iria impactar a vida dos trabalhadores do campo?
João Pedro Stedile: Essa reforma do governo Temer é ilegítima. Esse governo não tem moral nenhuma para propor nenhuma reforma da Previdência, que é uma conquista dos trabalhadores brasileiros através da Constituinte de 1988 e espero que essas mudanças não tenham apoio, nem sequer dos deputados e partidos conservadores que apoiaram o golpe, tal a infâmia da sua natureza. Na verdade, ela representa uma crueldade contra todos os trabalhadores, porque tira o direito do sujeito se aposentar.
A lei atual foi uma conquista de muitos anos de luta e garante a aposentadoria para as mulheres aos 55 anos no campo pois tanto anto as mulheres como os homens na roça começam a trabalhar com oito ou dez anos, mas mesmo se começassem aos 14 anos. Aos 55 anos, a pessoa já trabalhou 40 anos.
Em segundo lugar, o trabalho na agricultura é o segundo trabalho da história da humanidade que exige mais exercício, mais sacrifício humano. Só perde para a mineração, que a pessoa trabalha embaixo dos túneis e pega sol, chuva, está à mercê de todas as temperaturas. Isso desgasta muito a vida das pessoas e por isso que nós vamos continuar lutando para que todos se aposentem, as mulheres com 55 e os homens com 60.
É uma besteira comparar todo mundo daqui pra frente, para se aposentar com 65 anos, tanto na cidade como no campo, o que exigiria as pessoas trabalharem 50 anos na agricultura, o que é uma vergonha. O que é mais ridículo, é que a maioria desses ministros e senadores do governo já se aposentaram com 48, 53 anos, e com aposentadorias acima de 10 mil reais. Se essa proposta de reforma da Previdência fosse justa, o primeiro artigo deveria ser assim: “Todos os políticos, daqui por diante, seguirão essas mesmas regras“.
Quais outras mudanças que essa reforma da previdência traria e que afetariam a vida de todos os trabalhadores, ou seja, porque que as pessoas deveriam ser contra a reforma da Previdência?
O segundo motivo grave é porque a reforma desvincula os benefícios da previdência do salário mínimo. Nos governos Lula e Dilma, o salário mínimo praticamente triplicou. Então, hoje, uma pessoa que está aposentada, ou que recebe auxílio-maternidade, recebe 990 reais. Com a reforma da Previdência, eles estão dizendo: o salário mínimo não é mais referência pros benefícios, tipo auxílio maternidade, auxílio doença e nem para a aposentadoria.
E quem vai fixar esses benefícios vai ser o ministro da Fazenda, um burocrata que ninguém elegeu, e que, sentado em sua cadeira, faz as contas e diz: “Este ano o auxílio da Previdência vai ser R$ 500“. Então, nós não podemos aceitar a desvinculação do salário mínimo porque, de fato, o salário mínimo, como está na lei desde o tempo de Getúlio Vargas e como está no seu conceito, é aquele mínimo que uma pessoa deveria receber para ter as mínimas condições de sobrevivência na nossa sociedade.
E é por isso que nós dizemos que essa reforma da Previdência vai atingir justamente os mais pobres, aquele desvalido, que recebe por idade depois dos 70 anos, a mãe lá da roça que ganhou nenê e não pode mais ir pra roça, o cadeirante, que recebia uma ajuda e agora eles vão cortar tudo isso.
Mas esse dinheiro é do povo brasileiro. E nós, que de comum acordo lá na Constituinte dissemos: em primeiro lugar nós temos que preservar para que os idosos, os cadeirantes, as pessoas que têm alguma deficiência, as mães tenham uma garantia de um benefício para garantir uma vida honesta, que dê pelo menos o mínimo de segurança que essas pessoas possam ficar tranquilas, para que não passem fome. Então é por isso que somos contra. Nós vamos nos mexer para derrubar a reforma da Previdência e se der, derrubar esse governo junto.
Outro tema da política nacional é Reforma Agrária, que é a principal bandeira do MST. Você poderia explicar a situação da Reforma Agrária no atual governo e o que o MST propõe como Reforma Agrária?
Desde que os golpistas chegaram ao governo eles simplesmente acabaram com o Ministério da Reforma Agrária. Segundo não houve nenhuma desapropriação de terra conforme manda a lei, que no Brasil diz o seguinte: “Devem ser desapropriadas todas as grandes propriedades improdutivas“; portanto, que sejam mal utilizadas e acima de 1500 hectares.
Então, nenhum fazendeiro que tenha menos de 1500 hectares vai ser atingido e nenhum deles pode dizer que não vai ficar rico se ele trabalhar na terra com mil hectares, com 1,2 mil hectares. Nossa lei de Reforma Agrária é muito generosa para os fazendeiros. Mas nem isso eles aplicam.
O governo acabou com outras políticas públicas que ajudavam o camponês na época do Lula e da Dilma, como por exemplo o Programa de Assistência Técnica, que pagava os agrônomos para levar assistência técnica; o programa de compra de alimentos, que depois era transferido para as escolas, para os quartéis, hospitais, que é o chamado PAA.
Hoje, os camponeses, seja com terra ou sem-terra, praticamente estão à deriva porque o governo golpista dominado pelos fazendeiros simplesmente os abandonou. E agora estão ameaçando com uma situação ainda pior: o governo vai mandar uma Medida Provisória nos próximos dias para o Congresso autorizando a venda das nossas terras para o capital estrangeiro, que hoje está proibido.
Pela Constituição, um capitalista estrangeiro só pode comprar até 1500 hectares e tem que passar pelo Congresso e pelo Incra [Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária]. E o governo diz que colocar limites, que (o estrangeiro) “só vai poder comprar até 200 mil hectares“. Ora, a cidade de São Paulo tem 100 mil hectares! É como se uma multinacional viesse aqui e pudesse comprar toda a cidade de São Paulo só pra você ter uma ilustração do tamanho.
Essa proposta de vender terra para o capital estrangeiro é tão absurda que até as Forças Armadas, através do Ministério do Exército, já se manifestaram contra porque uma das funções constitucionais do Exército é proteger a soberania nacional do nosso território.
O que os movimentos populares e o MST vêm organizando de ações e lutas e como as pessoas que não fazem parte de movimentos podem participar destas manifestações?
Se o povo não se mobilizar, não se manifestar, não protestar, não defender seus direitos, esse governo não vai nos respeitar.
Então o MST, assim como outros movimentos do campo, participa de uma coalizão que reúne mais de 80 movimentos populares do Brasil, pastorais das igrejas católica, luterana, metodista, chamada Frente Brasil Popular. Uma vez por mês nos sentamos para decidir o que vamos fazer para defender os nossos direitos.
No nosso calendário de lutas, no dia 15 de março os professores e professoras marcaram o início de uma greve geral em defesa da educação e contra a reforma da previdência.
O caso dos professores é ainda mais grave. Imagine uma senhora professora com 65 anos de idade, dando aula numa sala de aula, aguentando os nossos filhos? Isso é uma agressão! Ou seja, em todos os países o professor precisa ser valorizado, porque é ele quem educa os nossos filhos. Então com 25 anos em sala de aula já está bom.
Daqui pra frente vamos para as ruas, vamos apoiar os professores nas greves, vamos ocupar prefeituras, as escolas de ensino médio para protestar contra esse governo. E não podemos mais parar enquanto não derrubarmos esse governo. O Temer não foi eleito por ninguém e eles derrubaram a Dilma, que não cometeu nenhum crime. Vamos à luta companheiros, porque só não ganha quem não luta!
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Posted: 17 Mar 2017 10:34 AM PDT
Rodrigo Janot PGR Lula 2018
Rodrigo Janot, Procurador Geral da República
O que poderia ser celebrado como sinal de normalidade institucional – os pedidos do Rodrigo Janot ao STF para abrir inquéritos das delações da Odebrecht – na realidade é apenas um truque do procurador-geral para [i] proteger o bloco golpista, em especial o PSDB; mas, sobretudo, para [ii] viabilizar a condenação rápida do Lula e, desse modo, impedir a candidatura do ex-presidente em 2018, isso se a eleição não for cancelada pelos golpistas.
Janot seguiu fielmente Maquiavel: “aos amigos, os favores; aos inimigos, a lei”. Os golpistas, cujos indícios de crimes são contundentes, com provas de contas no exterior, jantares no Palácio Jaburu, códigos secretos para recebimento de dinheiro da corrupção e “mulas” para carregar propinas, serão embalados no berço afável do STF.
Lula, sobre quem não existe absolutamente nenhuma prova de crime, foi denunciado por Janot e será julgado por Sérgio Moro, um juiz parcial, que age como advogado de acusação. Ele é movido por um ódio genuíno e dominado por uma obsessão patológica de condenar Lula com base em convicções [sic]. Janot entregou a este leão faminto e raivoso a presa tão ansiada.
Os fatores que permitem prospectar esta hipótese da sacanagem do Janot são:
1. as listas parciais divulgadas em 14 e 15/03/2017 implodiriam qualquer governo, quanto mais o apodrecido e ilegítimo governo Temer – implodiriam, mas não implodirão, porque estamos num regime de exceção;
2. foram denunciados nada menos que: seis ministros [Padilha, Moreira Franco, Aloysio Nunes, Bruno Araújo, Kassab e Marcos Pereira] + os dois sucessores naturais do presidente em caso de afastamento do usurpador [Rodrigo Maia e Eunício Oliveira] + o idealizador da “solução Michel” para estancar a Lava Jato, atual presidente do PMDB [Romero Jucá] + o presidente do PSDB [Aécio “tarja-preta”] + quatro senadores da base do governo + cinco governadores + três deputados que apóiam Temer + três senadores da oposição + dois deputados de oposição;
3. uma pessoa iludida poderia concluir: “é uma decisão corajosa e imparcial do Janot”; afinal, ele investiga personagens poderosos e, aleluia, inclusive o PSDB. Ilusão: esta é, exatamente, a manobra diversionista do Janot;
4. os denunciados do governo golpista, todos eles, inclusive os sempre protegidos tucanos, têm foro privilegiado, e por isso serão investigados pelo STF, e não nas instâncias inferiores do judiciário [com minúsculo]. É verdade que Janot denunciou também golpistas sem foro privilegiado. Esses, porém, são as “genis” Eduardo Cunha e Sérgio Cabral, já presos; e Geddel Vieira Lima, que já está no corredor do cárcere;
5. o supremo [com minúsculo], demonstram estudos da FGV, é a instância mais lenta, mais politizada [eventualmente mais partidarizada, para não dizer tucana] e mais inoperante do judiciário. A primeira lista do Janot, por exemplo, entrou no sumidouro do STF há dois anos [em março/2015], e lá dormita até hoje, sem nenhuma conseqüência na vida dos políticos denunciados por corrupção;
6. a composição ideológica do STF é aquela mesma que, agindo como o Pôncio Pilatos da democracia brasileira, lavou as mãos no processo do impeachmentfraudulento, e assim converteu o supremo em instância garantidora do golpe de Estado que estuprou a Constituição para derrubar uma Presidente eleita com 54.501.118 votos;
7. é fácil deduzir, portanto, qual será a tendência do STF na condução dos processos dos golpistas. Se esses julgamentos iniciarem antes de 2021, será um fato inédito.
A lista do Janot é um instrumento ardiloso da Lava Jato e da mídia para a caçada do Lula. Janot faz como o quero-quero, pássaro que grita longe do ninho para distrair os intrusos, afastando-os dos seus filhotes.
As instituições do país estão dominadas pelo regime de exceção que violenta a Constituição para permitir um processo agressivo e continuado de destruição dos direitos do povo, das riquezas do país e da soberania nacional.
O anúncio imediato da candidatura presidencial do Lula, abrindo uma etapa de mobilizações permanentes e gigantescas do povo, é a urgência do momento. É a garantia de proteção popular do Lula contra os arbítrios fascistas do regime de exceção e, ao mesmo tempo, fator que pode modificar a correlação de forças na sociedade.
O êxito dos protestos deste 15 de março, que levaram milhões de trabalhadores às ruas em todo o país, é um sinal positivo da retomada da resistência democrática e da luta contra o golpe e os retrocessos.
A democracia e o Estado de Direito somente serão restaurados no Brasil com a mobilização popular intensa e radical, e a candidatura do Lula é um motor para esta restauração.
*Jeferson Miola é integrante do Instituto de Debates, Estudos e Alternativas de Porto Alegre (Idea)
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Posted: 17 Mar 2017 10:18 AM PDT
operação carne fraca carnes estragadas
Operação Carne Fraca deflagrada nesta sexta-feira revelou que o Agronegócio brasileiro é uma vergonha, além de uma grande máfia
A Operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal nesta sexta-feira (17), executa 38 mandados de prisão e 77 de condução coercitiva, além de 194 de busca e apreensão em São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Distrito Federal, Rio Grande do Sul, Goiás e Santa Catarina – na maior operação policial já realizada no país.
O esquema era liderado por fiscais agropecuários federais e empresários do agronegócio. Executivos do frigorífico JBS e do grupo BRF foram presos. A Justiça Federal do Paraná determinou o bloqueio de cerca de R$ 1 bilhão das empresas envolvidas.
Além da corrupção de agentes públicos ligados ao Ministério da Agricultura e de empresários do agronegócio, a “Operação Carne Fraca” também verificou irregularidades feitas por empresas para adulterar alimentos. Entre elas, estava a utilização de carnes estragadas na composição de salsichas e linguiças.
Entre as empresas investigadas estão as gigantes JBS (maior processadora de carne bovina do mundo), a BRF Foods (que surgiu da fusão da Sadia com a Perdigão) e a Seara.
Segundo as investigações, a Peccin Agro Industrial, por exemplo, “maquiava” os produtos com ácido ascórbico, substância popularmente conhecida como vitamina C, mas que pode ser cancerígena quando consumida em excesso.
Ainda segundo a OMS, doses excessivas da vitamina C são consideradas tóxicas e podem resultar distúrbios gastrointestinais, cálculos renais, problemas na absorção de ferro, entre outras complicações.
O delegado da Polícia Federal Maurício Moscardi Grillo disse que algumas das empresas investigadas usavam ácido e outros elementos químicos muito acima do permitido por lei para maquiar o aspecto físico de alimento vencidos e estragados. “Alguns são cancerígenos e usados para poder maquiar a característica física”, afirmou.
Além disso, a Peccin utilizava notas fiscais falsas de produtos com SIF (Serviço de Inspeção Federal) para a compra de carne estragada. Um laboratório responsável por analisar as amostras de produtos alimentícios também estaria envolvido na fraude.
Outra empresa que teria vendido carne estragada é o frigorífico Larissa. De acordo com as investigações, a companhia também seria responsável por emitir notas fiscais falsas e transportar produtos fora da temperatura adequada.
Para o delegado Grillo, as irregularidades “causavam revolta”. “Usar cabeça de porco, animal morto de tempos, carne estragada… Tudo para fazer esse tipo de produto, principalmente, salsicha, linguiça”, disse durante entrevista coletiva.

Confira a seguir um diálogo entre o dono do frigorífico, Paulo Rogério Sposito, e um funcionário:

Funcionário: “(…) Nós temos uma carga de barriga, mas aquela uma lá que tem que trocar a etiqueta. Cê lembra?”
Paulo: “Ah, mas e daí? Troca ué”.
Funcionário: “Sim, mas daí eu tenho que trocar ela no final de semana né… que o rapazinho não tá aqui. porque ela tá vencida”.
Paulo: “Então…mas ela tá onde?”
Funcionário: “Eu acho que tá lá no armazém lá de baixo”
Funcionário: “Seu Paulo?”
Paulo: “Oi”.
Funcionário: “Achamos umas paletas 127, que estão vencidas desde fevereiro. Manda embora ou deixa na produção pra eles usar?”
Paulo: “Deixa na produção pra eles usar (…)”
Referindo-se ao grupo criminoso composto por proprietários e representantes de frigoríficos, “incluindo grandes da indústria de alimentos, como Seara e BRF”, o juiz federal Marcos Josegrei da Silva, 14ª Vara da Justiça Federal de Curitiba, afirmou que todos eles “têm como modus operandi a prática de irregularidades nas empresas nas quais trabalham”.
“Algumas que foram observadas ao longo do tempo de investigação, com certas variações entre os envolvidos (nem todos cometem todas as irregularidades adiante): reembalagem de produtos vencidos; injetar água nas carnes; uso de produtos químicos para maquiar o cheiro de podre; inobservância da temperatura adequada das câmaras frigoríficas; assinaturas de certificados para exportação fora da sede da empresa e do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), sem checagem in loco; venda de carne imprópria para o consumo humano; uso de produtos cancerígenos em doses altas para ocultar as características que impediriam o consumo pelo consumidor”, resumiu.

Propina para PP e PMDB

Parte do dinheiro da propina paga pelas empresas envolvidas na Operação Carne Fraca era destinado à campanha eleitorais de partidos políticos, notadamente o PP e o PMDB. A informação foi divulgada pelo delegado da Polícia Federal, Maurício Grillo, em entrevista coletiva concedida em Curitiba.
“Está bem claro que uma parte do dinheiro da propina era revertido para partido político. Era destinado para campanha política”, afirmou o delegado. Questionado sobre os partidos que seriam beneficiados, respondeu: “No caso de dois partidos, PP e PMDB, era muito claro”. Grillo afirmou que não é ainda possível afirmar quanto foi repassado aos partidos nem quanto tempo durou esse esquema. “Nos dois anos da investigação era muito claro, mas não sabemos se havia antes.”
com informações da Polícia Federal e da Agência Estado
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Posted: 17 Mar 2017 09:34 AM PDT
Nestor Cerveró paga milhões moro apartamento ipanema
Nestor Cerveró e Sérgio Moro (Imagem: Pragmatismo Político)
Condenado por Sergio Moro a cinco anos de prisão por lavagem de dinheiro, o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró conseguiu reaver com o juiz de Curitiba um apartamento em Ipanema que havia sido sequestrado durante a operação da Lava Jato.
A coluna Radar publicou nesta quarta (8) que, em troca do apartamento, Cerveró teve de depositar em uma conta judicial o valor de R$ 6 milhões. O pagamento foi imposição do Ministério Público Federal.
A coluna observou que, pelo visto “as finanças da figura não minguaram no pós Lava Jato“. A sentença contrasta com a polêmica em torno da suposta compra de silêncio de Cerveró pelo senador cassado Delcídio do Amaral. O episódio rendeu a Lula um processo por obstrução de Justiça, em Brasília.
Delcídio, que fez delação premiada para sair da cadeia, disse à Lava Jato que foi Lula quem ordenou a compra do silêncio de Cerveró, para evitar que ele fizesse acordo de colaboração com os procuradores. Porém, depoimentos colhidos pelas testemunhas do caso indicam que Delcídio, na verdade, estava preocupado com a possibilidade de Cerveró revelar as transações realizadas por ambos na Petrobras durante a gestão FHC.
Durante o processo, Cerveró alegou que passava por crise financeira porque perdera o emprego na Petrobras e a estatal também havia suspendido os pagamentos a seu advogado.
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