segunda-feira, 20 de março de 2017

20/3 - A estranha classe de alguns professores

FONTE:Castor Filho <castorphoto@gmail.com>


A estranha classe de alguns professores

É comum que artistas, atletas, profissionais de diversas categorias, gostem da falar sobre as suas atividades profissionais ou prediletas. Amigos médicos me contavam as suas experiências em hospitais e consultórios. Advogados falam dos seus casos. Enxadristas e músicos gostam de falar sobre xadrez e música. Engenheiros e arquitetos falam sobre projetos e construções. Todavia, é comum encontrar professores sem nenhum interesse pela educação.

Não faz muito tempo, conversando com uma mulher, que se disse professora de português, perguntei-lhe porque um famoso quadro do pintor espanhol, Francisco de Goya (1746-1828) é referido tanto como “A Maja Desnuda” quanto “A Maja Nua”.

Desnecessário dizer que a soi disant professora de português não conhecia nem o pintor nem o quadro. Nesse ponto algum “idiota da objetividade” (para usar uma expressão do dramaturgo pernambucano, Nelson Rodrigues) poderia dizer que para ser professor de português não é preciso conhecer a obra dos pintores espanhóis. Eu tenho sérias dúvidas quanto a esse tipo de afirmação porque professor sem cultura não pode ter circunlóquio didático, o que limitará muito a sua atuação, podendo até inviabilizá-la. O relevante, nessa história, é que a soi disant professora de português não soube me responder.

O ensino no Brasil está no fundo do poço e ninguém parece saber como tirá-lo de lá. E, no desespero diante dos sucessivos fracassos, recorrem,  os responsáveis, às ideias mais estapafúrdias.  A solução, contudo, é das mais simples, sendo uma condição necessária o restabelecimento dos bons institutos de educação e das boas escolas normais, como haviam na primeira metade do século passado, onde as futuras professoras aprendiam português no livro do Souza da Silveira, com base no latim.

Já que a soi disant professora de português não soube me dar uma resposta, eu mesmo a dei, explicando que uma boa professora dos velhos tempos diria que o português é uma língua latina e que em latim a palavra “nuda” passou para o português como “nua”. Todavia, o “nuda” latino ainda se conserva entre nós, como se pode ver em expressões como “campo de nudismo” e “praia de nudismo”. Sem falar na bela frase “nudez feminina”. Explicado, pois, ficou o “Maja desnuda”.

Vocês acham que a soi disant professora de português me agradeceu pela aula? Não. Muito pelo contrário, fez cara de amuo, dando a entender que o assunto não tinha lhe agradado nem um pouco.  É sabido que, na atual proposta de reforma de ensino feita pelo governo, um dos artigos incluídos na LDB, que autoriza profissionais de outras áreas e especialistas "com notório saber" a darem aulas nas escolas do país, está gerando forte reação por parte de muitos professores. Eu vejo essa reação como uma prova de insegurança, para não dizer de mediocridade.

Atribui-se a Clauzewitz a frase: “A guerra é assunto importante demais para ficar apenas à cargo dos generais”. Parafraseando-o, eu diria que “O ensino é assunto importante demais para ficar apenas à cargo dos chamados profissionais da educação”. O ensino no Brasil degradou-se tanto que a solução dependerá do envolvimento de toda a sociedade consciente e responsável: empresas, Forças Armadas, igrejas, profissionais liberais, pessoas de “notório saber” e bem sucedidos. A educação e o ensino não podem e não devem se constituir em feudos de mediocridades.


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