segunda-feira, 20 de março de 2017

20/3 - Folha Diferenciada DE HOJE

Folha Diferenciada


Posted: 20 Mar 2017 06:37 AM PDT


Para coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra

 (MST), modelo anterior baseado na conciliação de classe expirou

por Marco Weissheimer, do Sul 21
GUILHERME SANTOS/SUL21 // Stédile: "Para usar a metáfora citada recentemente pelo nosso 
ministro do Exército, o navio começou a afundar"

Sul 21 – O governo Temer tende a se atolar cada vez mais nos próprios erros e na corrupção. É um governo cada vez mais antipopular e instável. O navio começou a afundar. Se o povo for para a rua, como indicou que está indo nas manifestações contra a reforma da Previdência no dia 15 de março, é possível até uma antecipação das eleições. A avaliação é de João Pedro Stédile, da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que esteve no Rio Grande do Sul na semana passada para participar da 14ª Abertura da Colheita do Arroz Agroecológico, em Nova Santa Rita. Em entrevista ao Sul21, Stédile analisou a conjuntura política nacional, apontou as contradições do governo Temer e defendeu o lançamento da candidatura de Lula à presidência da República.

"Lula é o único líder popular que dialoga com as massas. Então, ele tem que ser o nosso porta-voz, percorrendo o Brasil e fazendo grandes atividades para debater com o povo essa crise e a saída para ela", defende. Para Stédile, esse debate, além de um projeto emergencial para enfrentar a crise, precisa também começar a pensar um novo projeto de país em termos distintos daqueles que presidiram os governos Lula e Dilma:

"Com a derrota da Dilma, foi derrotada também aquela proposta do modelo neodesenvolvimentista e a proposta de um governo baseado na conciliação de classe, onde todos ganhavam. Essas duas estratégias foram derrotadas. Quando falamos, portanto, em construir um novo projeto de país isso significa também construir um novo modelo econômico e um novo formato de governo, mais popular, que encaminhe o Brasil para outro rumo".

A essência do golpe, diz ainda Stédile, é uma tentativa do grande capital, diante da crise, recuperar as taxas de lucros de suas empresas, aumentando a exploração sobre os trabalhadores, promovendo desemprego para diminuir sua folha de pagamento e se apropriando de recursos públicos. Ele cita estimativa feita pelo economista Marcio Pochmann, segundo a qual, somente em 2016, o setor privado se apropriou de R$ 260 bilhões que estavam destinados a políticas públicas.

Mais de seis meses depois da votação do impeachment da presidenta Dilma Rousseff no Senado, como você definiria o momento político e econômico que o Brasil vive hoje?

Estamos vivendo uma conjuntura muito complexa e muito instável. A sociedade brasileira, desde 2010, vive uma situação de grave crise econômica. Desde aquele ano, a nossa economia não cresce. Já são sete anos de estagnação, portanto. Sempre que há crise econômica, em qualquer país do mundo, as classes se desarrumam na política. Para usar a metáfora do navio, citada recentemente pelo nosso ministro do Exército, o navio começou a afundar. E quando o navio começa a fundar, as classes querem pegar o seu barco e se salvar, acabando com qualquer pacto no Titanic…

Vira um deus nos acuda…

Exato. É um deus nos acuda. Foi isso que aconteceu no Brasil. A burguesia, que já tinha controle absoluto da mídia e do Poder Judiciário, investiu seis bilhões de reais na eleição de 2014 para controlar o Congresso Nacional e o Executivo. No caso do Congresso, foram bem-sucedidos e elegeram o parlamento mais conservador da história do Brasil. No Executivo, eles esperavam derrotar a Dilma, mas foram surpreendidos. A partir daí, passaram a conspirar o tempo inteiro para dar o golpe, que acabou sendo consumado graças à conjugação da crise econômica com um erro crasso cometido pelo governo Dilma.

Que erro foi esse?

Colocar como ministro da Fazenda um homem neoliberal que aplicou uma política econômica contra o povo. Isso ajudou a criar as condições políticas para que eles dessem o golpe e não houvesse a defesa do povo em relação ao governo. O povo não foi para a rua defender o governo Dilma. Durante todo o ano de 2016, nós, os setores organizados, ficamos tentando empurrar o povo pra rua, dizendo “vem, que o golpe é contra você”, mas o povo não acreditou, achando que o golpe era só contra a Dilma e contra os corruptos. Temer assumiu a presidência, no entanto, ele não é fruto de um processo de unidade da classe burguesa, o que faz com que tenha um governo instável.

A essência do golpe é uma tentativa da burguesia, diante da crise, recuperar as taxas de lucros de suas empresas, aumentando a exploração sobre os trabalhadores, promovendo desemprego para diminuir sua folha de pagamento e se apropriando de recursos públicos. Segundo estimativa feita pelo economista Marcio Pochmann, somente em 2016, a burguesia brasileira se apropriou de R$ 260 bilhões que estavam destinados a políticas públicas. Outro objetivo do golpe é subordinar a economia brasileira a dos Estados Unidos. Fizeram isso em 1964 e quiseram repetir agora. Só não entenderam que o capitalismo está em crise e não virá para cá para investir, mas somente para aumentar os seus lucros.
GUILHERME SANTOS/SUL21Para líder do MST, governo Temer está aprofundando cada vez mais as políticas antipovo

Hoje nós temos pelo menos quatro polos de poder político que se posicionam na luta de classes no Brasil. O primeiro é o poder econômico, representado pelo Henrique Meirelles no governo. As empresas que integram esse poder estão interessadas em recuperar a sua taxa de lucro. O segundo polo é formado pelos lumpens (degradados) da política que detém o poder político no Congresso, mas, objetivamente, não tem força na sociedade. São figuras como o Eliseu Padilha, o Romero Jucá e o próprio Temer. É o núcleo lumpen da burguesia que age em proveito próprio e não em proveito da classe.

O terceiro polo, o mais perigoso, é o núcleo ideológico, comandando pela Globo, pelo Dallagnol (coordenador da Força Tarefa Lava Jato), pela Procuradoria Geral da República e pelo Poder Judiciário. Esse núcleo está fazendo uma luta ideológica contra nós. Eles sabem que a crise do capitalismo é grave e precisam impedir que as ideias de esquerda avancem. Para isso, ficam repetindo o tempo todo que a esquerda é corrupta. Quem inventou a corrupção foi o Estado burguês. E o quarto núcleo, que não está se manifestando, mas ainda tem poder, é representado pelas Forças Armadas, que estão apavoradas com o que está acontecendo no Brasil.

Esse núcleo representado pelas Forças Armadas vem dando algum sinal mais objetivo dessa insatisfação?

Sim. Um deles foi a entrevista que o comandante do Exército, Eduardo Villas Boas, gaúcho de Cruz Alta, concedeu em fevereiro ao Valor, quando disse que o país está à deriva. A sociedade não entendeu a gravidade do que ele disse e a mídia não se interessou muito em repercutir. O governo golpista está aprofundando cada vez mais as políticas antipovo e, mesmo assim, não consegue tirar a economia da crise. O resultado disso é um governo cada vez mais antipopular e instável, o que pode dar em qualquer coisa.

Eu fiquei muito satisfeito com o balanço do que aconteceu nos dias 8 e 15 de março. Foi um termômetro. A classe trabalhadora começou a se mexer. Quem foi para as manifestações no dia 15 não foi mais a estudantada indignada, mas a classe trabalhadora, que tem uma capacidade de multiplicação muito grande. Ao querer mexer com a aposentadoria, eles avançaram muito na ousadia deles, pois essa questão afeta todas as famílias.

Há quem considere uma possível candidatura de Lula em 2018 como uma chave para a superação da crise atual. Como vê essa questão?

Desde o final do ano passado, estamos em campanha aberta para que Lula assuma o comando. Na atual conjuntura, creio que ele tem dois papeis fundamentais a cumprir. Primeiro, ele é o único líder popular que dialoga com as massas. Então, ele tem que ser o nosso porta-voz, percorrendo o Brasil e fazendo grandes atividades para debater com o povo essa crise e a saída para ela. Ao fazer isso, ele se tornará o candidato natural das esquerdas, podendo eventualmente fazer alianças com outros setores. Lula é o nosso principal representante para disputar as eleições e sua candidatura é fundamental para a correlação de forças. Sobre isso não há dúvida e acho que ele já se convenceu. Lula deve conduzir uma caravana nacional de denúncia do governo Temer.

Ficam ainda pendentes, como parte da conjuntura, dois outros elementos. O governo Temer tende a se atolar cada vez mais nos próprios erros e na corrupção. Se o povo for para a rua, creio que aquele quarto fator representado pelas Forças Armadas pode pressionar o governo para que haja uma renúncia, o que permitiria anteciparmos as eleições. Essa antecipação seria a situação ideal e necessária para devolvermos ao povo o direito de escolher seus representantes, já que os que estão aí não representam ninguém. Mas isso não depende da minha vontade, depende da correlação de forças. Na pior das hipóteses, devemos ter eleições em 2018, com Lula se candidatando.

Outro desafio que está posto nesta mesma conjuntura é que precisamos começar a debater um plano de emergência para tirar o país da crise. Precisamos dizer ao povo que isso que está aí não é resultado do desígnio divino, mas sim de uma armadilha que os capitalistas armaram contra o povo brasileiro, e que é possível sair da crise com políticas econômicas de distribuição de renda, a favor do mercado interno e do povo que é a melhor coisa que o Brasil tem.

Juntamente com esse debate sobre um projeto emergencial, teríamos alguns meses para ir debatendo com as forças organizadas um novo projeto de país. Com a derrota da Dilma, foi derrotada também aquela proposta do modelo neodesenvolvimentista e a proposta de um governo baseado na conciliação de classe, onde todos ganhavam. Essas duas estratégias foram derrotadas. Quando falamos, portanto, em construir um novo projeto de país isso significa também construir um novo modelo econômico e um novo formato de governo, mais popular, que encaminhe o Brasil para outro rumo.

Está em curso também um movimento para tentar impedir a candidatura de Lula em 2018. O tema de uma possível prisão de Lula ainda frequenta o noticiário. Na sua avaliação, essa ainda é uma ameaça real?

Essa era a vontade do time deles. Eles precisavam inviabilizar a candidatura do Lula, mas, como disse antes, eles têm as suas contradições. A situação é diferente daquela vivida no golpe de 64 ou no governo Fernando Henrique, quando a burguesia conseguiu construir uma unidade. Agora, eles estão divididos naqueles quatro polos que citei. Eles perderam muito tempo para inviabilizar a candidatura do Lula. Em março do ano passado, tentaram prendê-lo. Quem salvou Lula em Congonhas? O brigadeiro Rossatto, gaúcho de Caxias do Sul, para quem o ex-presidente da República continua carregando a simbologia de chefe das Forças Armadas. Ele não permitiu que a Polícia Federal levasse Lula para Curitiba. Foi algo civilizatório. O Brasil precisa ter regras e espero que os militares nos ajudem a respeitá-las.

Além disso, a Globo faz pesquisas semanais sobre a opinião do povo, não só para orientar as suas novelas, mas também para orientar as suas editorias. Nestas pesquisas, eles perguntam lá pelas tantas: e se prenderem o Lula? O povo tem reagido sistematicamente contra isso. Então, eles ficaram com medo. Mesmo o núcleo ideológico, que tem a Globo na mão, recuou e parou de pedir a prisão do Lula. Eles sabem que há uma grande parcela da população, que nem vota no Lula necessariamente, que não deixaria isso acontecer.

Um terceiro fator a ser considerado está relacionado ao tempo judicial. Os nossos advogados dizem que, considerando os ritos judiciais, eles já deveriam ter condenado o Lula já em primeira instância para dar o tempo necessário para o encaminhamento do recurso e do julgamento em segunda instância, de modo a cassar os seus direitos políticos em, digamos, agosto do ano que vem. Esse tempo já foi. A primeira audiência dele na Lava Jato será no dia 3 de maio. Vamos supor que, pela vontade deles, condenem Lula no final do ano, não há mais tempo hábil para uma condenação em segunda instância. Aí a vida deles começa a ficar complicada.

Felizmente, parece que o PT criou juízo e o Lula se convenceu de que é preciso começar a percorrer o país como candidato a presidente. Isso altera também a correlação de forças. Uma coisa é você acusá-lo de ser acionista da Friboi, o que é uma estupidez; outra, é tentar prender um candidato à presidência da República, o que seria outra burrice muito grande. Se houvesse essa tentativa, acho que o Lula deveria manter a candidatura e transformaríamos a campanha eleitoral numa verdadeira disputa de projetos.




Rede Brasil Atual



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Posted: 20 Mar 2017 06:22 AM PDT


A grande celebração, entre Lula e o povo nordestino, da chegada das águas do rio São Francisco ao semi-árido será apontada como um pretexto para o lançamento de sua candidatura a presidente em 2018. Mais do que isso, porém, o ato de Monteiro (PB) foi uma questão de justiça histórica, que Temer tornou necessária com sua mesquinha inauguração oficial da semana passada, em que sequer mencionou o nome de seu principal realizador. O comparecimento maciço a um encontro com quem não mais governa, a força política da manifestação e os claros sinais da saudade de Lula sugerem que a oposição começa a sair da defensiva para tomar a dianteira, depois da derrota imposta pelo golpe de 2016.

A transposição das águas do São Francisco para o semi-árido nordestino é uma daquelas obras que muda a face de um país ou de uma região, produzindo mudanças sociais e econômicas que marcarão época. Na história do mundo e da humanidade, o manejo do rios foi decisivo para o florescimento de grandes civilizações. Assim floresceu a cultura da Mesopotânia, entre o Tibre e o Eufrates, a agricultura do Egito, junto ao Nilo, a civilização da Índia, a partir do rio Indo, e a chinesa, que só avançou a partir das barragens do rio Amarelo. Reis e governantes da antiguidade realizaram grandes projetos destinados a garantir o uso das águas daqueles rios em benefício do povo e do desenvolvimento. Hoje ainda não nos damos conta do significado da transposição do São Francisco mas ela mudará a face do Nordeste brasileiro. Lula, como nordestino e retirante que experimentou a seca e a fome, sabia o que ela significava quando a começou, em 2007. Se vergonha e pudor estivessem entre os atributos dos que nos governam sem nosso voto, Temer e outros faturadores de obra alheira teriam tido um surto de rubor diante da celebração de ontem em Monteiro. Foi com Lula, e não com ele, que o povo celebrou a secularmente esperada chegada das águas ao sertão.

Lula deu-lhe também uma lição ao citar, no discurso de ontem, seu ministro da Integração Regional, Ciro Gomes, reconhecendo seu trabalho e sua coragem ao dar início às obras, em 2007, enfrentando a burocracia ambiental e as críticas de muitos adversários do projeto, inclusive as de alguns governadores e até mesmo a greve de fome de um bispo. Ciro não estava presente mas não foi omitido, como fez Temer na semanada em relação a Dilma e Lula. Saiu-se com aquela de que a obra não tem paternidade, pertencendo ao povo brasileiro que pagou impostos para que pudesse ser realizada. Desde sempre os brasileiros pagaram impostos e os nordestinos sofreram com a seca mas, antes de Lula, não houve imperador ou presidente que a tirasse do papel. Como Temer gosta de dizer lorotas e de subestimar a inteligência do povo!

Num tempo em que a grande maioria dos políticos se posiciona segundo as conveniências, cabe reconhecer a coerência e a honestidade política do governador da Paraíba, Ricardo Coutinho. Ele é do PSB mas resistiu às pressões do partido para apoiar o golpe. No ato com Temer, foi o único a citar Lula e Dilma. E neste domingo, foi o anfitrião e organizador do evento. Não temendo represálias federais, declarou com todas as letras de que lado está: com Lula, pela restauração democrática e a eleição de um novo governo popular em 2018.

As manifestações do dia 15, contra a reforma previdenciária, e o ato de Monteiro, neste domingo, podem se os primeiros sinais de que as forças populares derrotadas pelo golpe começam a ganhar desenvoltura para a ofensiva. O programa dos que derrubaram Dilma segue em sua rota de fracasso econômico e decadência moral, exigindo do povo a aceitação de sacrifícios e a resignação com a perda de direitos. É isso que o governo faz com suas campanhas na televisão em defesa da reforma previdenciária: tenta convencer as pessoas de que elas devem aceitar passivamente regras que vão tornar sua aposentadoria uma quimera. Enquanto isso, cresce exponencialmente o número de membros do governo e integrantes de sua coalizão partidária delatados por suas conexões financeiras com a Odebrecht e outras empresas. Para a população, a ficha cai e a retração inicial começa a passar. Para o PT e toda a oposição, é hora de sair da defensiva.

Brasil 24/7



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Posted: 20 Mar 2017 06:14 AM PDT


A Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, traz uma comprovação básica: o nível de emburrecimento nacional é invencível. O senso comum definitivamente se impôs nas discussões públicas. E não se trata apenas da atoarda que vem do Twitter e das redes sociais. O assustador é que órgãos centrais da República – como o Ministério Público, a Polícia Federal, o Judiciário – tornaram-se reféns do primarismo analítico.

Como é possível que concursos disputadíssimos tenham resultado em corporações tão obtusamente desinformadas, a ponto de não ter a menor sensibilidade para o chamado interesse nacional. Não estou julgando individualmente delegados ou procuradores. Conheço alguns de alto nível. Me refiro ao comportamento dessas forças enquanto corporação.

Tome-se o caso da Operação Carne Fraca.

A denúncia chegou há dois anos na ABIN (Agência Brasileira de Inteligência). O delator informou que a Secretaria de Vigilância Sanitária no Paraná tinha sido loteada para o PMDB. Levantaram-se provas de ilícitos em alguns frigoríficos.

Por outro lado, há uma guerra fitossanitária em nível global, em torno das exportações de alimentos. Se os delegados da Carne Seca não fossem tão obtusos, avaliariam as consequências desse bate-bumbo e tratariam de atuar reservadamente, desmantelando a quadrilha, prendendo os culpados.

Mas, não. O bate-bumbo criou uma enorme vulnerabilidade para toda a carne exportada pelo país. Os anos de esforços gerais para livrar o país da aftosa, conquistar novos mercados, abrir espaço para as exportações ficaram comprometidos pelo exibicionismo irresponsável desse pessoal.

Ou seja, havia duas formas de se atingir os mesmos resultados:

1. Uma investigação rápida, discreta e sigilosa.

2. O bate-bumbo de criar a maior operação da história, afim de satisfazer os jogos de poder interno da PF.

As duas levariam ao mesmo resultado e a primeira impediria o país de ter prejuízos gigantescos, que pudessem afetar a vida de milhares de fornecedores, o emprego de milhares de trabalhadores, a receita fiscal dos impostos que deixarão de ser pagos pela redução das vendas – e que garantem o salário do Brasil improdutivo, de procuradores e delegados.

Qual das duas estratégias seria mais benéfica para o país? A primeira, evidentemente.

No entanto, o pensamento monofásico que acomete o país, não apenas entre palpiteiros de rede social, mas entre delegados de polícia, procuradores da República, jornalistas imbecilizados é resumido na frase-padrão de Twitter: se você está criticando a Carne Fraca, então você é a favor de vender carne podre.

Podre se tornou a inteligência nacional quando perdeu o controle de duas corporações de Estado – MPF e PF – permitindo que fossem subjugadas pelo senso comum mais comezinho. E criou uma geração pusilânime de donos de veículos de mídia, incapazes de trazer um mínimo de racionalidade a essa barafunda, permitindo o desmonte do país pela incapacidade de afrontar o senso comum de seus leitores.

Veja bem, não se está falando de capacidade analítica de entender os jogos internacionais de poder, a geopolítica, o interesse nacional, as sutilezas dos sistemas de apoio às empresas nacionais. A questão em jogo é muito mais simples: é saber discernir entre uma operação discreta e outra que afeta a imagem do Brasil no comércio mundial.

No entanto, essa imbecilidade, de que a destruição das empresas brasileiras contaminadas pela corrupção, permitirá que viceje uma economia mais saudável, é recorrente nesse reino dos imbecis. E se descobre que a estultice da massa é compartilhada até por altos funcionários públicos, regiamente remunerados, que se vangloriam de cursos e mais cursos aqui e no exterior. O sujeito diz asneiras desse naipe com ar de sábio, reflexivo. E é saudado por um zurrar unânime da mídia.

Discuti muito com uma antiga amiga, quando mostrava os impactos dessas ações nos chamados interesses nacionais e via mão externa, e ela rebatia com conhecimento de causa: não são conspiradores, são primários.

Imbecil é o país que se desarma completamente, Judiciário, mídia, organizações que se jactam de ter Escolas de Magistratura, de Ministério Público, de Polícia Federal e o escambau, permitindo mergulhar na mais completa ignorância institucional.

GGN



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Posted: 20 Mar 2017 06:06 AM PDT

Quando em 1897 o irlandês Bram Stoker inventou, com seu romance Drácula, o arquétipo do vampiro, príncipe da escuridão, seja da noite, seja dos desejos inconfessáveis, o tempo estava nervoso: atentados anarquistas, prodígios tecnológicos (início da aviação), agitação operária. Talvez o retorno atual dos vampiros acompanhe distúrbios comparáveis

por: Hubert Prolongeau
Crédito da Imagem: Daniel Kondo

Ninguém imaginava vê-lo novamente, tão categórica se mostrava sua criadora a esse respeito. Mas Anne Rice cedeu. Aos 75 anos, com Prince Lestat1 [Príncipe Lestat] e Prince Lestat et les royaumes d’Atlantide [Príncipe Lestat e os reinos de Atlântida] (que deve ser publicado na França em outubro de 2017), ela volta a dar vida ao vampiro Lestat, talvez o mais famoso portador de caninos afiados depois do Drácula de Bram Stoker. Após um luto terrível (sua filha morreu de leucemia), ela escreveu Entrevista com o vampiro, em que Louis de Ponte du Lac conversa com um jornalista. Lançado em 1978, seu romance é um sucesso mundial. O conjunto de sua obra já vendeu mais de 100 milhões de exemplares.

Em seguida, Anne Rice se concentrou em um personagem secundário de Entrevista…, Lestat de Lioncourt. Torturado, violento, sedutor e bissexual, Lestat tornou-se o herói de uma série que tem hoje catorze volumes. Ele encanta tanto quanto aterroriza. Ao contrário do Drácula de Bram Stoker, descrito por suas vítimas como um “monstro”, Lestat toma ele mesmo a palavra e dá seu ponto de vista. Seus problemas estão no centro do palco: transformado em vampiro em 1789 pelos bons serviços de um veterano na carreira, ele tenta permanentemente conciliar suas necessidades e uma forma de ética, seu respeito pelo homem e seus instintos.

Derivada de um termo servo-croata, a palavra “vampiro” parece ter surgido no idioma alemão em 1721. Ela se refere, como todo mundo sabe, a “um ser imaginário que sairia do túmulo à noite para sugar o sangue dos vivos”. A figura do bebedor de sangue que absorve a energia da vítima aparece em algumas mitologias antigas e foi alimentada pela lenda sombria de personagens bastante reais, como, no século XV, o príncipe da Valáquia, Vlad Dracul, “o Empalador”, ou, no século XVI, a condessa húngara Elizabeth Bathory, suspeita de matar meninas para se revitalizar com seu sangue… Na literatura, seu surgimento data de 1748, quando Heinrich von Ossenfelder escreveu o primeiro poema dedicado a eles, “Der Vampir”. O autor foi sucedido por ninguém menos que Goethe, também com um poema, “A noiva de Corinto”, de 1797, e John William Polidori, em 1819, com a novela O vampiro, que por certo tempo foi atribuída a Lord Byron, de quem Polidori foi brevemente próximo. Em 1872, o escritor irlandês Sheridan Le Fanu audaciosamente feminizou a criatura, em seu romance Carmilla, e inventou o personagem do caçador de vampiros.

Todo o século XIX foi subterraneamente marcado por um romantismo noir, nascido graças à moda “gótica”, que idolatrava os subterrâneos ocultos dos castelos em ruínas e colocava em cena as pulsões condenadas pela moral. Esse é o mundo de Ann Radcliffe (Os mistérios do Castelo de Udolpho, 1794) e Matthew Gregory Lewis (O monge, 1796). Assim, o tempo da modernidade técnica e das revoluções perdidas foi marcado pela aparição de mortos-vivos sensuais, de “A morte amorosa” de Théophile Gautier (1836) à Cidade vampiro do escritor de folhetins Paul Féval (1875), passando por A dama pálida de Alexandre Dumas (1849). E foi o romance do irlandês Bram Stoker, Drácula, publicado em 1897 com um sucesso colossal, que definiu por quase um século as características do herói.

Que era, aliás, maléfico. Puramente mau. Quando o cinema se apropriou dele, não mudou isso, e o Nosferatu de Friedrich Wilhelm Murnau (1922), celebrado pelos surrealistas, é ainda mais inquietante. No bastante estático Drácula de Tod Browning (1931), o ator Bela Lugosi oferece uma visão um tanto grotesca do personagem: pálido, com caninos artificiais e um sotaque rascante, ele se move com uma lentidão notável… A maioria dos autores utiliza esse imaginário à sua maneira. Para alguns, o vampiro não se reflete no espelho; para outros, não suporta a luz do sol ou se encolhe diante da cruz – ou do alho. Mais que uma sedução natural, ele tem uma capacidade meio hipnótica que atrai suas vítimas, cujo sangue ele suga, transformando-as também em vampiros. Por trás dele oculta-se a atração de um mundo diferente, de uma sexualidade desviante que é necessário neutralizar a qualquer custo.

Em uma série de filmes iniciada em 1958, o ator britânico Christopher Lee forjou para sempre a imagem de Drácula. Mas o fim de sua carreira revelou o esgotamento do mito. Em Drácula, pai e filho, de Édouard Molinaro (1976), ele faz uma autoparódia deliberada, mas sofrível. A Hammer, companhia que deu seus melhores filmes ao gênero, pelas mãos do cineasta Terence Fisher, dissolveu o personagem em uma série de subprodutos invadidos pelo erotismo. Alterou-se profundamente a imagem do monstro desprovido de sentimentos que deve ser aniquilado.

Os tempos mudam. Com o fim da Segunda Guerra Mundial e da Guerra Fria, foi desaparecendo o mal absoluto. Como o peso da religião se reduziu, a destruição pela cruz ou pelos diversos símbolos ligados ao poder da fé tornou-se mais rara. Mas, antes de humanizar-se, o vampiro encarnou outros medos. Para alguns autores, sua condição advém de uma doença, e não de uma maldição. Embora perigoso, o monstro também é uma vítima. Em Eu sou a lenda (1954), o herói de Richard Matheson, o único a escapar de um vírus misterioso que transformou todos os outros humanos em vampiros, questiona-se sobre o sentido de sua resistência – permanecer como o único ser “saudável” em um universo povoado por doentes… Em seu Drácula, adaptação extremamente fiel do romance de Stoker, de 1992, Francis Ford Coppola arranha a desumanidade do personagem, fazendo-o viver uma história de amor.

Com Anne Rice, o folclore desaparece, assim como o maniqueísmo. Nasce um herói atormentado e sensual, dividido entre sua natureza humana e suas necessidades mortíferas: Lestat, que Tom Cruise interpretou no cinema em 1994, questiona-se sobre sua identidade. Os vampiros de Rice são ao mesmo tempo senhores de nosso mundo e vítimas de seu poder. Se lutam, é principalmente contra si mesmos. A autora faz da mordida-beijo um dom criador, e da maldição da vítima, uma graça ofertada aos eleitos. Rompendo com os arquétipos, ela cria, ao longo de seus romances,2 toda uma mitologia na qual aparecem os primeiros criadores e coloca a origem dos vampiros no antigo Egito. Os descendentes desses primeiros mestres estão devidamente integrados à vida moderna: é como uma estrela do rock que Lestat revela sua condição ao mundo.

Crepúsculo (2005-2008), a série de quatro romances de Stephenie Meyer, continua essa tendência, fazendo de seu personagem – embora claramente mais assexuado e puritano que os de Rice – o herói de uma história de amor impossível e objeto muito mais de desejo que de repulsão. A mediocridade literária da saga e dos filmes que ela inspirou não impediu seu enorme sucesso. O vampiro já não provoca medo: provoca inveja. O que ele tem de obscuro e mortífero é quase completamente apagado, e a beleza torna-se sua característica principal. Eros venceu Tânatos.

Na década de 1980, surgiu na literatura fantástica um subgênero, a urban fantasy, que injeta mitos maravilhosos em um universo urbano. Com Sunglasses After Dark, Nancy Collins parece ter sido a primeira a integrar o vampiro, em 1989. Seja homem ou mulher, o vampiro sai de seus castelos aristocráticos e passa a exercer todas as profissões, inclusive as mais proletárias: professor, em The Vampire Tapestry, de Suzy McKee Charnas (1990); dançarina, em Rouge flamenco, de Jeanne Faivre d’Arcier (1993); prostituta, em Lot Lizards, de Ray Garton (1991)… Nada parece detê-los. Os vampiros estão em toda parte, circulam em grupos, são feios, bonitos, velhos, pobres… O filme de Joel Schumacher, Os garotos perdidos (1987), adota o mesmo slogan: “Ser vampiro é legal”.

A série norte-americana Buffy, a caça-vampiros (1997-2003) criou o personagem mais popular dessa tendência. Buffy é uma colegial com poderes sobrenaturais que protege o mundo de demônios. Longe de serem monolíticos, seus inimigos – em especial o sulfuroso Angel, que acabou tendo sua própria série – dividem-se entre sua condição e sua atração pela humanidade. A cada temporada, a fantasia vai se tornando uma metáfora da evolução da heroína, uma menina que está se tornando mulher, cuja personalidade será forjada no confronto com “monstros” que nem sempre são tão monstruosos assim.

Buffy abre as portas para os romances cujo personagem principal é geralmente uma mulher e que combinam romantismo e horror, fazendo do vampiro um amante às vezes ideal. Sejam elas mesmas vampiras, ou suas caçadoras, as heroínas enfrentam sedutores perigosos e muitas vezes hesitam entre sua missão e a atração por aqueles que estão caçando. A série de Laurell K. Hamilton, Anita Blake, iniciada em 2002, e a de Charlaine Harris, As Crônicas de Sookie Stackhouse (2005-2014), também procuram suas marcas entre o público feminino e os livros de terror. As Crônicas de Sookie Stackhouse deram origem à exagerada série de televisão de Alan Ball, True Blood (2008-2014), cuja criatividade faz do vampiro, afogado em meio a outras entidades fantásticas (metamorfos e lobisomens), um poderoso símbolo erótico. É o nascimento do bit-lit (literalmente biting literature: literatura que morde). A editora francesa Bragelonne tornou-se uma especialista no gênero e chegou a patenteá-lo.

Ainda na França, Marjane, de Mary Pavlenko, com seus vampiros que desbravam Paris em meio a ondinas (divindades das águas), e L’Héritière, de Jeanne-A Debats, exploram os mesmos terrenos. Nem o mundo das crianças escapou da tendência: no meio do caminho entre a telenovela e o filme de terror, a série colombiana Chica Vampiro fala sobre uma adolescente que luta contra seu desejo para não condenar seu amado. A série deu origem a uma dúzia de romances, um disco, um jogo de tabuleiro e um musical, Vampi Tour, encenado no mundo todo.

Na época de Drácula, a alteridade do vampiro levava-o apenas à destruição. Hoje, ele é considerado um defensor do direito à diferença, e é precisamente sua alteridade que o torna perturbador. Em um mundo em que se coloca cada vez mais a questão da miscigenação, essa transformação de um ícone da cultura pop certamente não é sem sentido.
*Hubert Prolongeau é jornalista.


1 Anne Rice, Princípe Lestat, Rocco, Rio de Janeiro, 2015.
2 O conjunto é dividido em duas séries: Crônicas Vampirescas e Novas Crônicas Vampirescas. No Brasil, Entrevista com o vampiro foi publicado pela Rocco.

Le Monde Diplomatique



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Posted: 20 Mar 2017 05:57 AM PDT

Como as máquinas poderão substituir seres humanos também no setor de serviços. Os enormes riscos de desigualdade e desumanização. As saídas — entre elas, a renda universal independente de trabalho


Por Martin Khor | Tradução: Inês Castilho
No ano passado, a Uber começou a testar carros sem motorista, com seres humanos no interior para fazer correções no caso de alguma coisa dar errado. Se os testes forem bem, a Uber irá, ao que tudo indica, substituir seu exército atual de motoristas por uma frota dos novos carros.

Alguns carros já podem estacionar automaticamente. Será uma questão de tempo até que a Uber, táxis e veículos individuais sejam suficientemente inteligentes para nos levar de A a B sem que tenhamos de fazer nada? E o que acontecerá aos empregos com essa aplicação da “inteligência artificial”, em que máquinas têm funções cognitivas humanas construídas em seu interior? Estima-se que, somente nos EUA, 4 a 5 milhões motoristas de caminhões e táxis poderiam ficar desempregados.

O veículo sem motorista é apenas um exemplo da revolução tecnológica que deverá transformar drasticamente o mundo do trabalho e o modo de vida das populações. É preocupante que a marcha da automação, ligada à tecnologia digital, venha a causar o deslocamento de muitas fábricas e escritórios e, ao fim, provocar desemprego em massa.

Apenas um dia antes de deixar a presidência, o ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama avisou, numa entrevista de despedida, que “os empregos estão acabando por causa da automação, e isso vai se acelerar”, apontando a “Uber sem motorista” e “o deslocamento que ocorrerá nos prédios de escritórios de todo o país”.

Também manifestando preocupação sobre o impacto social da automação, o fundador da Microsoft, Bill Gates, propôs recentemente que os governos imponham um tributo sobre os robôs. Empresas que usassem robôs teriam de pagar taxas sobre as rendas atribuídas ao uso da robótica. Essa proposta causou comoção. Economistas do mainstream como Lawrence Summers, ex-secretário do tesouro dos EUA, acusaram-na de frear o avanço tecnológico. Um crítico sugeriu que a primeira corporação a ser tributada por produzir automação deveria ser a Microsoft.

Contudo, a ideia de tributar robôs é uma resposta aos crescentes temores de que a revolução da automação venha a aumentar a desigualdade, já que muitos perdem seus empregos, enquanto uns poucos colhem os benefícios do aumento da produtividade e da lucratividade.

As novas tecnologias causarão um transtorno incontrolável e se somarão ao descontentamento social e agitação política que alimentou os votos anti-establishment para o Brexit e Donald Trump.

Estudos recentes mostram que o aprofundamento do uso da automação causará transtorno generalizado em muitos setores, e até mesmo em economias inteiras. Pior, estima-se que os países em desenvolvimento são os que mais perderão, e isso irá exacerbar as já enormes desigualdades globais.

O risco da automação para os empregos nos países em desenvolvimento está estimado em 55% a 85%, de acordo com estudo feito em 2016 pela “Martin School and Citi”, da Universidade de Oxford. Grandes economias emergentes estarão sob alto risco, inclusive a China (77%) e a Índia (69%), maior do que o risco médio (57%) dos países desenvolvidos da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

O relatório da Citi-Oxford, “O futuro não é o que costumava ser” [“The Future Is Not What It Used To Be”, disponível na internet] apresenta muitas razões porque a revolução da automação será particularmente perturbadora nos países em desenvolvimento.

Primeiro, porque já está em curso a “desindustrialização prematura”, pois o trabalho na produção industrial está se tornando menos intensivo e muitos países em desenvolvimento chegaram ao máximo de empregos industriais. Os processos de produção industrial estão hoje mais automatizados, inclusive em países em desenvolvimento de baixo e médio rendimento.

Segundo, enquanto as tecnologias do século 20 possibilitaram às empresas mudar a produção no exterior para tirar vantagem do trabalho barato, agora os recentes desenvolvimentos em robótica e fabricação cumulativa capacitam as empresas a posicionar a produção em fábricas automatizadas mais próximas dos mercados domésticos.

Setenta por cento dos clientes pesquisados acreditam que o desenvolvimento da automação e da impressão 3D irão encorajar as empresas a mudar suas fábricas para perto de casa. A China, a Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean, na sigla em inglês) e a América Latina são as que têm mais a perder com essa realocação, enquanto a América do Norte, a Europa e o Japão são os maiores ganhadores.

Terceiro, “o impacto da automação pode ser mais problemático para países em desenvolvimento devido à menor demanda de consumo e redes de segurança social limitadas”, em comparação com os países desenvolvidos, segundo um resumo do relatório da Oxford Martin School.

O relatório alerta que países desenvolvidos podem até ter de repensar seus modelos gerais de desenvolvimento, à medida em que os projetos anteriores, que foram capazes de gerar emprego no passado, não mais funcionarão.

“À luz desses desenvolvimentos tecnológicos, é provável que a industrialização produza bem menos empregos na próxima geração das economias emergentes do que nos países que os precederam. Será portanto cada vez mais difícil para empresas fabris da África e da América do Sul criar os mesmos volumes de empregos criados pelos países asiáticos. Em outras palavras, hoje os países de baixa renda não terão a mesma possibilidade de alcançar crescimento rápido, transferindo trabalhadores do campo para empregos melhor remunerados nas fábricas”.

Ao invés de crescimento industrial voltado às exportações, os países em desenvolvimento terão de buscar novos modelos de crescimento, afirma o relatório. “Crescimento liderado por serviços é uma opção, mas muitos serviços de baixa qualificação estão se tornando igualmente automatizáveis.”

O relatório cita um estudo do Banco Mundial mostrando que os países em desenvolvimento são extremamente suscetíveis ao fato de que sua força de trabalho está sendo cada vez mais afetada pela automação, mesmo se comparados a economias avançadas onde os custos do trabalho são altos.

Além do mais, países com PIB per capita mais baixo têm em geral uma maior parte da força de trabalho “em risco”. “Há pois razões para preocupar-se com o futuro da convergência de renda, uma vez que os países de baixa renda são relativamente vulneráveis à automação”, conclui o relatório.

Outra série de relatórios do Instituto Global McKinsey, “Dominando a Automação para um Futuro Viável” [“Harnessing automation for a Future that Works”, que pode ser baixado aqui], revela que 49% das atividades atuais podem ser automatizadas com tecnologias já aplicadas – e isso significa 15,8 trilhões de dólares em salários, e 1,1 bilhão de empregos globalmente.

Cerca de 60% das ocupações poderiam ter 30% ou mais atividades automatizadas, e 5% dos empregos poderiam ser inteiramente automatizados. Mas James Manyika, um dos autores do relatório, é mais animador ao dizer que essas mudanças demorarão décadas. O modo como a automação afeta o emprego não será decidido simplesmente pelo que é tecnicamente factível. Entre outros fatores estão a economia, os mercados de trabalho, as regulações e os movimentos e atitudes sociais.

Que empregos são mais suscetíveis à automação? Embora a maioria das pessoas pense que são os da indústria, o fato é que muitos empregos no setor de serviços também serão afetados. O estudo da McKinsey considera o setor de hospedagem e alimentação como o mais vulnerável nos EUA, seguido pelo de manufatura e varejo.

No setor de hospedagem e alimentação, podem ser automatizadas 73% das atividades desempenhadas por trabalhadores, inclusive preparar, cozinhar e servir comida; limpar as áreas de preparação da comida, preparar bebidas e recolher pratos sujos.

No ramo de manufatura, 59% das atividades podem ser automatizadas, especialmente atividades físicas ou maquinário de operação em ambiente previsível. As atividades vão desde o empacotamento de produtos até o carregamento de materiais em equipamento de produção e à solda na manutenção de equipamentos.

No varejo, 53% das atividades são automatizáveis. Elas incluem gerenciamento de estoques, embalagem de objetos, manutenção do registro de vendas, contabilidade e coleta de informações de clientes e produtos.

Shelly Palmer, consultora especializada em tecnologia, listou também empregos de colarinho branco ameaçados por “robôs” – que ela chama de tecnologias – tais como algoritmos para aprendizado de máquinas, que funcionam em plataformas de computador voltadas a um determinado objetivo, treinadas para realizar tarefas hoje desempenhadas por seres humanos. Ela avaliou que poderiam ser substituídos os gestores médios, vendedores, repórteres, jornalistas e locutores, contadores e médicos.

Alguns analistas entusiasmam-se com os efeitos positivos da revolução da automação; outros estão alarmados com suas consequências adversas. Essa tendência tecnológica certamente irá aumentar a produtividade por trabalhador que mantiver o emprego, e aumentará a lucratividade das empresas que sobreviverem. Embora no nível micro haja benefícios para as corporações e indivíduos que estão prosperando no novo ambiente, no nível macro há efeitos dramáticos — especialmente corte dos empregos que não serão mais necessários.

O que pode ser feito para retardar a automação, ou ao enfrentar seus efeitos adversos?

A proposta de Bill Gates de tributar robôs é uma das mais radicais. O imposto poderia retardar as mudanças tecnológicas e os fundos gerados por ele poderiam ser usados para mitigar os efeitos sociais.

Outra ideia radical que está gerando muito debate é assegurar uma “renda básica” para todos os seres humanos, independentemente de estarem ou não trabalhando. A alta produtividade irá permitir a todos receber uma renda confortável; portanto, não haveria razão para preocupar-se com o fato da automação acabar com empregos. Os governos também podem assumir a atitude “se não pode derrotá-los, junte-se a eles”. A China, por exemplo, está enxergando grandes oportunidades na adesão à revolução tecnológica e planeja investir em robótica e inteligência artificial.

Objetivos mais convencionais incluem promover a educação de estudantes e trabalhadores para assumir os novos postos de trabalho necessários na administração, ou para trabalhar com o processo automatizado de produção e treinar, com as competências exigidas pelo novo ambiente, trabalhadores que se tornarão desnecessários.

Contudo, é provável que em geral haja uma perda líquida de emprego, ao menos no curto prazo, e portanto um provável descontentamento social.



Quanto aos países em desenvolvimento, será necessária muita reflexão sobre as implicações das novas tecnologias para as perspectivas econômicas imediatas e de longo termo, assim como repensar a economia e as estratégias de desenvolvimento.

Outras Palavras



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Posted: 20 Mar 2017 05:50 AM PDT

A eleição de 2018 pode ser a derrubada da Bastilha. Mas as sirenes da história impõe requisitos inéditos para isso.

por: Saul Leblon



Limada pelo bisturi conservador, a espantosa violência econômica imposta à população brasileira nesse momento é confinada no calendário dos eventos pré-golpe.

Algo que ‘passou’, martelam autoridades e seus autofalantes de aluguel e fé.

‘Culpa da Dilma’, sintetiza o decano da indignação seletiva da Folha, cuja argúcia econômica foi apurada em Davos.

É assim que o colunismo isento esclarece uma nação afogada em desemprego recorde, cuja indústria retrocedeu ao tamanho de 2009, o investimento foi empurrado ao nível mais baixo em vinte e dois anos e a renda per capital diminuiu 9% em relação a 2014, amarrotando o consumo no patamar de 2011.

‘Culpa da Dilma’... Uma guerra aberta de interesses naquela que talvez seja a transição de ciclo de desenvolvimento mais profunda vivida pelo país, em meio à deriva da ordem neoliberal no mundo, condensada na maior crise do capitalismo depois de 1929, reduzida a isso.

Para consertar ‘ a culpa da Dilma’ é preciso, primeiro, ‘purgar a imundícia’, diz o martelete especializado em divulgar a economia como um sistema hidráulico em equilíbrio, desde que dissociado da carne humana enervada nos esqueletos dos pobres.

A expressão é emprestada do presidente norte-americano Herbert Hoover, que ocupou a Casa Branca nos primeiros quatro anos da quebradeira iniciada em outubro de 1929.

O esfarelamento econômico e social, então, era encarado pelo contemplativo Hoover como uma ação autolimpante dos mercados, da qual o Estado deveria manter distância.

O povo norte-americano foi salvo da faxina suicida por Franklin Roosevelt.

Quatro anos depois de Hoover deixar uma sociedade convulsionada por acampamentos de desemprego que acossavam a Casa Branca e precisavam ser contidos pelo Exército, seu sucessor desativou a engrenagem infernal da autorregulação dos mercados.

Trocou-a por um poderoso programa de obras públicas e controle estatal do mercado de dinheiro, logrando tirar a economia das mãos dos coveiros e os chefes de famílias do cemitério do desemprego.

No caso brasileiro a ordem dos fatores alterou dramaticamente a soma do produto.

Aqui, ‘Herbert’ veio depois de ‘Franklin’.

E veio com a determinação de ‘purgar’ um ciclo de traços rooseveltianos, ainda que imperfeitos, porque borrados de juros altos, liberdade para a conta de capitais, câmbio valorizado e, sobretudo, seu pecado capital: descaso com o papel fiador dos assalariados, do qual o criador do New Deal norte-americano nunca se descuidou.

Mesmo acusado de comunista pelo colunismo isento da época, Roosevelt não abriu mão de promover a sindicalização em massa dos trabalhadores que recuperaram seu emprego no New Deal.

Só assim o líder democrata resistiu a Wall Street e aos viúvos dos mercados desregulados.

No Brasil, todo o aparato público, incluindo-se o judiciário e o legislativo, mas também a mídia e os sindicatos dos patrões, condensam-se no jato de um imenso wap de desinformação, ‘desinfecção’ e des-emancipação, sem o contraponto organizado dos principais alvos do wap regressivo.

É disso que trata a faxina em curso.

Não de recuperar.

Mas de produzir ruínas.

Para soterrar com elas o pacto social desenhado na Carta de 1988.

E impor no seu lugar outro, oposto, sem a devida consulta à sociedade.

Na linha do jato desinfetante encontram-se o pleno emprego, a maior participação dos assalariados no fluxo da renda (mas não no estoque), o espraiamento dos direitos sociais, a multiplicação das oportunidades ascensionais pela educação, as iniciativas de afirmação cidadã e os instrumentos endógenos de comando do desenvolvimento, como o pré-sal, o BNDES, o banco dos Brics e a Unasul.

Enfim, a ‘imundícia’ toda que aguçou um conflito de classes protelado, inicialmente, por um desequilíbrio fiscal e monetário decorrente da elevada taxa de juro paga pelo Estado para tomar emprestado aquilo que deveria ser taxado.

Era uma corrida contra o tempo hipotecada na hipótese de uma recuperação saneadora do comércio internacional, que afinal não veio.

Os efeitos colaterais dessa corrida para frente assumiriam,assim, contornos de novos círculos de ferro cada vez mais estreitos.

Inclua-se aí o custo desindustrializante do real valorizado para atenuar outra expressão da escalada do conflito, a inflação, mitigada com importações.

Mas também a asfixia do investimento público e privado no tríplice garrote do juro alto, dos subsídios inúteis ao investimento produtivo num ambiente rentista e do desequilíbrio progressivo nas contas externas.

Não, senhores colunistas, não estamos diante do cqd ‘da culpa da Dilma’.

O nome disso é luta de classes.

Condicionada, no caso, por uma correlação de forças na qual a desorganização popular, de um lado, e a reengenharia midiática, de outro, engessariam o poder de iniciativa do governo.

A distinção é preciosa.

Não tanto para expor ao sol a toxidade da narrativa conservadora.

Mas, sobretudo, para evidenciar os desafios –graúdos-- no passo seguinte da luta pela construção de uma verdadeira democracia social no país.

‘A culpa da Dilma’, na verdade, camufla dois incômodos com uma só cajadada.

De um lado, releva a força determinante da sabotagem golpista, que semeava a ingovernabilidade já em 2013 para colher frutos nas urnas de 2014 --ou fora delas, se necessário, como foi.

De outro, dribla a fragilidade crucial decorrente da ausência de organização popular compatível com a transição de ciclo de desenvolvimento vivida pelo país.

Mais que isso.

A verdade é que as forças progressistas estão diante de uma realidade histórica com a qual tem evitado se defrontar, mas da qual não poderá mais se esquivar na corrida para 2018.

Não é uma referência nova: 1964 já o havia demonstrado.

Mas se reafirmou agora com virulência dos rebotes históricos, para sacudir a memória adormecida.

Ao primeiro sinal de aguçamento da disputa pela riqueza, a elite brasileira recusa-se terminantemente a discutir soluções coletivas para os gargalos da sociedade e do seu desenvolvimento.

Opta pelo golpe em defesa do interesse unilateral.

Os fatos são autoexplicativos, mas não custa rememorar o abc dos mandatos históricos em nosso tempo.

A verdade é que mesmo aquelas tarefas denominadas genericamente de ‘revolução democrática’, constituídas basicamente da universalização do acesso aos marcos da civilização, não tem mais sujeito histórico nas elites.

A liderança do processo terá que ser assumida por uma frente política solidamente capilarizada em organização popular de base, aliada a blocos de identidades minoritárias, assentada em respostas à emergência climática, à desigualdade alarmante nas esferas da riqueza e da tecnologia, abraçada a novas formas de viver e de produzir e fortemente comprometida em traduzir tudo isso numa desassombrada estratégia de inovação em políticas públicas que, de fato, democratize e valorize o bem comum.

Ou isso, ou a queda da Bastilha nunca ocorrerá por essas bandas.

Partidos progressistas de massa e comitês de base espalhados por todo o país, se existissem de fato, teriam impedido a reengenharia midiática de acuar a nação na encruzilhada da falsa disjuntiva que hoje opõe a purga de direitos ao caos econômico.

Houvesse a organização requerida, a alternativa crível ao desmonte seria a taxação fiscal da riqueza, não a privação adicional cobrada da pobreza.

É a consciência desse fio da navalha que explica a virulência recessiva imposta à sociedade brasileira nesse momento, como um instrumento funcional de desmobilização política e desarticulação ideológica enfeixadas no grito de guerra conservador: ‘Culpa da Dilma’.

Ou seja, um dos mais violentos programas de ‘des-emancipação’ social já registrados em tempos de paz e por um período tão longo de duas décadas seguidas.

‘Significa que toda uma futura geração está condenada, o que é inaceitável’.

É assim que o relator das Nações Unidas para Pobreza Extrema, Philip Alston, qualificou a PEC do Teto, em dezembro do ano passado, antes ainda dos desdobramentos atuais nas esferas da previdência e pensões rurais, do salário mínimo e dos direitos trabalhistas (pela terceirização).

Só uma recessão diluviana poderia escorar um projeto de poder dessa natureza, atado a vinte anos de concordata social, durante os quais os detentores da riqueza –e agora do poder— avocam-se a prerrogativa de desativar todo o aparato de direitos sociais e trabalhistas arduamente acumulados pelo povo brasileiro desde Vargas.

A abrangência e a brutalidade do que está em curso corresponde a uma ruptura do pacto da sociedade --sem consulta-la, repita-se-- o que dificilmente se completará sem atingir o núcleo duro das garantias individuais, as liberdades civis e os direitos políticos.

Os liberais que hoje se oferecem à barganha com o golpe, incluindo-se um pedaço da classe média que supõe assim garantir suas ‘liberdades’ individuais, rapidamente serão afrontados pela violência de uma lógica que tem na ganância do mercado, sobretudo financeiro, o único compromisso sagrado de liberdade a preservar.

De certa forma, o que se assiste hoje no Brasil, já se disse aqui, é a viagem de volta ao cuore liberal reinante no ventre do capitalismo selvagem dos séculos XVIII e XIX.

O termo ‘des-emancipação’, cunhado pelo filósofo marxista italiano, Domenico Losurdo, descreve o moedor de carne humana em ação nesses tempos pioneiros.

Mais que negar novos direitos, o que ressalta do bordão atual das reformas é a mesma determinação de ‘des-emancipar’.

Ou seja, devolver ao absoluto desamparo a parcela majoritária da sociedade, privada dos meios pelos quais se reproduziam as relações de poder e produção no capitalismo.

É disso que se trata no caso das reformas trabalhista e previdenciária anunciadas pelo golpe no Brasil. O mesmo se pode dizer das consequências da PEC 55 no acesso a direitos públicos essenciais --a escola e a saúde, entre outros.

O conjunto requer uma ruptura de ciclo histórico para se instalar. Mais que um golpe parlamentar, o regime da ‘des-emacipação ‘ no século XXI exige a fascistização dos instrumentos de Estado.

A escalada policial de um Ministério Público e de um juiz que assombram a cidadania brasileira ao subordinarem o Estado de Direito a conveniências partidárias ilustra o calibre da espiral em marcha.

Dela não escapará a classe média. Hoje simpática ao regime, amanhã será ela também tragada no arrastão de direitos e escolhas individuais, pela anemia das instituições e a desativação de sistemas regulatórios imiscíveis com a supremacia dos mercados entregues a sua própria lógica.

A lavagem ideológica promovida pela reengenharia midiática inocula na sociedade a anestesiante ampola da naturalização de uma ruptura que hoje a imobiliza, amanhã a escravizará.

A receita do Estado mínimo suprime do arsenal público não apenas as regulações que asseguram os diferentes espaços de escolha e liberdade, como a estabilidade da taxa de investimento na economia.

Sem financiamento público, grandes obras e orçamentos sociais, o futuro do mundo do trabalho, inclusive o da classe média, insista-se, será debulhado num angu de terceirizações, precariado e ‘bicos’, que podem até receber denominações em inglês, mas nem por isso serão outra coisa que não o declive social depressivo e aterrador.

Esse é o preço oculto naquilo vendido pela mídia nesse momento como o repto redentor ao lulopopulismo. Ou seja, uma subordinação escravizante do desenvolvimento, da democracia, da política e demais instancias da sociedade –inclusive a subjetividade do nosso tempo, aos impulsos irrefletidos dos mercados ordenados pelo retorno especulativo incompatível com a sobrevivência da economia, da sociedade e da natureza.

A estagnação atual nas economias ricas deveria servir de alerta ao evidenciar a falta que faz tudo aquilo que a democracia e o Estado cederam ao mercado nessas sociedades nos anos de apogeu do neoliberalismo

É nesse deserto do real que o conservadorismo brasileiro se inspira para golpear a democracia e reproduzir aqui receita que estrebucha no planeta.

O que as ressurgências do capitalismo selvagem oferecem à classe média brasileira agora–como o fazem os ideólogos da terceirização e da prevalência do negociado sobre o legislado na CLT-- é a premiação do mérito individual sobre o direito social universal.

A platitude baseia-se na crença de que a construção da sociedade é movida pelo interesse egoísta extrapolado, mecanicamente, na rudimentar ilação de que a luta individual pela felicidade leva ao fastígio coletivo.

Aclamados pensadores liberais, como Adam Smith, condicionavam na verdade a centralidade do interesse próprio à irrepreensível obediência a referências morais e religiosas.

Esse corpo moral percorreria um trilho ético rigoroso, rumo a uma comunidade de laços e valores impecavelmente compartilhados.

Nesse ambiente sacro o papel profano do Estado seria mínimo.

No capitalismo realmente existente as coisas se dão de forma algo diversa.

Não é difícil –aliás é muito fácil— deduzir o resultado da supremacia do interesse egoísta em sociedades nas quais, ao lado da luta desesperada de milhões de indivíduos desvalidos, avultam interesses corporativos desmesurados, sobretudo aqueles cujo produto é o dinheiro, sua reprodução e as suas consequências.

A crise do nosso tempo é obra dessa assimetria leonina, vendida aqui como solução.

A inexcedível capacidade das grandes corporações submeterem indivíduos atomizados deixa pouco espaço à acomodação espontânea dos interesses contrapostos em uma sociedade onde tudo, rigorosamente tudo, passa a ser objeto de compra, venda e lucro.

Não há mais espaços sagrados.

Ou a regulação democrática impõe limites a sede do capital, ou a sociedade toda desidratará em servidão e catatonia.

É sob esse pano de fundo que a ‘des-emancipação’ toca as trombetas do apocalipse social no Brasil, cujo Estado foi assaltado pelos mordomos dos mercados.

A marcha dos acontecimentos não mente.

A estratégia de ‘des-emancipação’ não se satisfará em extorquir uma década de ganhos reais de poder de compra dos salários.

A faxina requerida é tão virulenta que convoca o árduo trabalho do escovão repressivo e do detergente ideológico para dissolver qualquer traço de resistência indevidamente alojado em estruturas de produção, consumo, serviços, meio ambiente e participação política.

As sirenes da história anunciam confrontos intensos no front da liberdade e da economia.

A eleição de 2018 pode ser a derrubada da Bastilha.

Mas para isso as forças progressistas terão que se convencer, de uma vez por todas –e convencer parte da classe média-- que direitos clássicos das revoluções burguesas do século XVIII, hoje, só tem viabilidade amarrados a uma poderosa alavanca de organizações sociais, que subordinem a força criativa dos mercados aos projetos, metas e direitos pactuados pela democracia.

Revolução francesa no Brasil é igual a Lula mais comitês de base.

Ou isso, ou a restauração em curso.

Com a violência neoliberal ungida em Imperador do Brasil.


Carta Maior



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Posted: 20 Mar 2017 05:42 AM PDT

NA DÉCADA DE 70, os pesquisadores Maxwell McCombs e Donald Shaw desenvolveram uma teoria para tentar explicar como a mídia determina os assuntos que serão debatidos pela sociedade. A teoria do Agenda Setting, conhecida em português como Teoria do Agendamento, foi pensada a partir de pesquisas feitas durante duas campanhas presidenciais norte-americanas. O estudo comprovou que os assuntos debatidos entre os consumidores de informação eram os mesmos que os sugeridos pela mídia. Portanto, a opinião pública seria direcionada pelas escolhas dos veículos de comunicação de massa. As principais pautas, os recortes e os ângulos da informação adotados pela mídia influenciariam diretamente a opinião dos receptores. Segundo Donald Shaw, “as pessoas têm tendência para incluir ou excluir de seus próprios conhecimentos aquilo que os mass media incluem ou excluem do seu próprio conteúdo”.

Nesses últimos trágicos anos da política brasileira, é possível perceber o esmero dos meios de comunicação em pautar a sociedade a partir da sua visão dos fatos. No meu artigo de estreia no The Intercept Brasil, comentei brevemente a respeito. Permitam-me a autorreferência:


“(…) ninguém pode acusar a imprensa brasileira de omitir informações. Ela publica tudo. Tudo mesmo, sem ironia. Mas, como se sabe, o diabo mora mesmo é nos detalhes, nas manchetes de capa, nos editoriais e na opinião dos colunistas mais prestigiados pelos patrões. (…) No final das contas, a decisão sobre o que vai brilhar na capa do jornal – ou se esconder num rodapé – sempre estará alinhada à opinião das famílias proprietárias.”

São inúmeros os assuntos de altíssima relevância para o país colocados em segundo plano. Selecionei alguns que, inegavelmente, mereciam ter grande destaque, mas não tiveram. Boa parte deles você já leu nessa coluna, mas acredito que vale a repetição como uma – perdão pela inocência – tentativa de compensar as omissões da imprensa brasileira:

Trecho de delação do Delcídio – em março do ano passado, a delação bombástica de Delcídio do Amaral abalou o país. Nela apareciam Lula, Aécio Neves, Eduardo Cunha, Michel Temer, Romero Jucá e diversos outros políticos como participantes de esquemas de corrupção. À época, Cunha e Dilma vinham travando as últimas batalhas da guerra do impeachment. Um trecho da delação que ajudaria a explicar este duelo e a contextualizar o processo de impeachment foi quase que completamente ignorado pela imprensa.

Resumindo: segundo Delcídio, a treta entre Dilma e Cunha teria começado a partir do momento em que a ex-presidenta fez uma limpeza em Furnas ao demitir diretores ligados a Cunha. O delator ainda diz que Dilma colocou no lugar uma diretoria “absolutamente técnica” – o que seria um espanto para quem tinha certeza que ela aparelhava tudo. O Jornal Nacional, que dedicou muito tempo da sua programação para a delação de Delcídio, preferiu ignorar este trecho que revelava como começou a grande briga política entre os dois presidentes dos principais poderes do país. O incrível é que, no meio do ano anterior, a Época nos informava que Renan, Cunha e Temer evitariam o impeachment de Dilma:



Funcionária fantasma do Serra – A tapioca de Orlando Silva (PCdoB) comprada com cartão corporativo foi martelada durante dias na mídia brasileira. Todo brasileiro conhece a história que acabou entrando pro anedotário político nacional. Já a história da funcionária-fantasma contratada por José Serra (PSDB) pouquíssimos brasileiros conhecem, quase não se ouviu falar. Um senador da República usou dinheiro público para pagar uma funcionária que não comparecia ao trabalho. A fantasma é irmã de Miriam Dutra, ex-namorada de FHC. Uma história que daria pano para manga, mas ninguém se interessou em botar a mão nessa cumbuca. A notícia apareceu e evaporou rapidamente. Não houve desdobramentos, ninguém incomodou Serra com perguntas a respeito, e ele virou ministro das Relações Exteriores sem ninguém lembrar do caso.

Prisão de primo de Aécio Neves – o primo do Mineirinho da Odebrecht foi preso por comandar um esquema que vendia habeas corpus para traficantes no interior de Minas Gerais. O problema não é o parentesco, mas o fato de que um dos participantes do esquema era o desembargador Hélcio Valentim – indicado por Aécio Neves e que também foi preso. O Fantástico chegou a fazer uma reportagem de 12 minutos sobre o assunto que teria sido excelente se não houvesse omitido o parentesco com o tucano. Aécio continuou blindado por muito tempo e pode se candidatar tranquilamente à Presidência da República sem ser incomodado com o assunto. O seu primo também. Depois de solto, concorreu ao cargo de prefeito em Cláudio (MG). Agora feche os olhos e tente imaginar a repercussão na imprensa se ele fosse primo do Lula.

Helicoca – em 2013, um helicóptero do deputado mineiro Gustavo Perrella é flagrado pela polícia com quase meia tonelada de pasta base de cocaína. O piloto era homem de confiança de Perrella e trabalhava como agente de serviço de gabinete na Assembleia Legislativa de Minas Gerais por indicação do deputado. Ou melhor, não trabalhava. Apesar de receber em dia dos cofres públicos mineiros, o piloto de Perrella não comparecia ao trabalho. Essa trama digna de um episódio de Narcos não foi um tema que durou muito tempo na imprensa. Piloto, copiloto e outras duas pessoas que descarregaram a droga foram presas e soltas meses depois. Gustavo Perrella nem foi citado na denúncia, a Polícia Federal não viu nenhum envolvimento dele no caso. A imprensa aceitou docilmente e nunca mais tocou no assunto. O Perrellinha ainda foi premiado por Temer com cargo de secretário no Ministério do Esporte.

Operação Zelotes – é natural que a Lava Jato seja o grande assunto dos últimos anos no país devido ao envolvimento de políticos graúdos de todos os partidos. Mas e a Operação Zelotes? Por que se fala tão pouco nela? O rombo aos cofres públicos é 3 vezes maior que o causado pelos crimes da Lava Jato. Não é possível que se fale tão pouco sobre a operação. Grandes anunciantes da imprensa como Santander, Bradesco, Banco de Boston, Ford, Gerdau, Safra, Mitsubishi participaram do esquema de corrupção que fraudava o fisco. Só a RBS, afiliada da Globo, pagou R$ 11,7 milhões para um conselheiro do CARF zerar suas dívidas com a Receita. De fato, este é um tema espinhoso para os barões da imprensa.

Yunes revela estratégia para eleger bancada pró-Cunha – um amigo de meio século do presidente não eleito revelou a existência de uma estratégia para construir uma bancada de 140 deputados para eleger Cunha presidente da Câmara. Tudo isso teria sido intermediado por Funaro, o doleiro de Cunha preso no mensalão. Falou-se bastante do caso Yunes, mas quase nada sobre essa curiosa construção de bancada. Deputados foram comprados por Cunha? Temer e Padilha capitaneavam essa estratégia? Qual era o papel do doleiro nisso? São perguntas que não foram feitas e provavelmente nunca serão.

Renan acusa Cunha de comandar governo da cadeia – um senador do PMDB acusa o governo do PMDB de ser comandado por um criminoso do PMDB de dentro da cadeia. Uma acusação clara, direta, feita com todas as letras, mas…esta não foi a grande pauta da semana! A notícia chegou, ficou um pouquinho no ar e tchau! Não houve nenhum aprofundamento, nenhuma grande reportagem, ninguém pressionou o Planalto por uma explicação. Virou passeio, amigo!

Manifestações contra a Reforma da Previdência – na última quarta-feira, uma greve geral foi convocada pelas centrais sindicais levando centenas de milhares de pessoas às ruas para protestar contra a Reforma da Previdência proposta pelo governo Temer. A manifestação ocorreu em 19 capitais. Diferentemente do que acontece com manifestações convocadas pelo MBL e Vem Pra Rua, a cobertura foi tímida e bastante crítica, dando enfoque para os problemas que a greve causou ao trânsito.




A Folha foi o único grande jornal a noticiar as manifestações na manchete de capa. O Globo e Estadão não consideraram o fato suficientemente relevante para ganhar o mesmo destaque. Grandes portais brasileiros como UOL e Globo.com ignoraram solenemente. Nenhuma foto, nenhuma chamada, nada. Esses são os screenshots das capas dos portais ao meio-dia do dia seguinte aos protestos:



Já em outras manifestações, não havia espaço para outro assunto na página principal do UOL:

Esses são alguns casos aleatórios que lembrei, mas há uma infinidade de outros. É inacreditável que notícias dessa relevância tenham passado apenas lateralmente na imprensa brasileira. São fatos fundamentais que não foram destacados e explorados pelo jornalismo brasileiro. Não é razoável admitir que esses temas sejam escanteados no noticiário.

É grave demais para um país democrático que a comunicação esteja concentrada nas mãos de meia dúzia de famílias. São essas pessoas, auxiliadas por funcionários alinhados a elas, que determinam o que passará na rádio, na TV, no jornal. É esse grupelho que decide o que a massa irá discutir essa semana e o que será descartado semana que vem. A internet e as redes sociais, apesar de trazerem um respiro e abrirem novas possibilidades, ainda ecoam e são guiadas pelas pautas da imprensa tradicional.

Uma regularização no setor de comunicação que torne os meios mais democráticos é urgente, apesar de cada vez mais distante numa época em que o governo ilegítimo decide irrigar ainda mais os barões midiáticos com dinheiro público. O modelo concentrador é o mesmo da época ditadura militar. O Brasil precisa se livrar dessa trava ou continuará a reboque dos interesses de um grupelho que se criou nos anos de chumbo e até hoje vem influenciando os rumos da nação.


Oligopólio da The Intercept Brasil





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Posted: 20 Mar 2017 05:32 AM PDT

Ao lado de Dilma Rousseff e do governador da Paraíba, Lula visita o canal da transposição do São Francisco em Monteiro (PB)



Foto: Ricardo Stuckert



O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou neste domingo (19) o canal da transposição do rio São Francisco na cidade de Monteiro, na Paraíba. Ao lado do governador paraibano Ricardo Coutinho e da presidenta legitimamente eleita Dilma Rousseff, ele participou da Inauguração Popular da Transposição, no centro da cidade de Monteiro. Ele e Dilma Rousseff foram agraciados com a medalha Epitácio Pessoa, a mais alta honraria da assembleia paraibana.

"Reconheço muito os esforços da companheira Dilma Rousseff e dos governadores Ricardo Coutinho e Ciro Gomes. Porque hoje todo mundo é a favor, mas aconteceu com a transposição igual ao que aconteceu com o Bolsa Família. Quando começamos, não faltava especialista na Globo pra falar que era melhor usar esse dinheiro fazer estrada, que era melhor gastar com outra coisa. 'Vou fazer estrada no dia em que o povo comer cimento', eu respondia".

A presidenta Dilma Rousseff e o governador Ricardo Coutinho estiveram no palanque e elogiaram a coragem que Lula teve ao tirar esse projeto do papel. "É verdade que D. Pedro II disse que daria a última joia da coroa para quem conseguisse fazer a transposição. Não deu a última, nem a primeira, porque nunca saiu", disse Lula. "Nunca saiu por quê? Porque tem estados doadores e receptores. Tinha presidente que vinha aqui no Cariri e dizia que ia fazer. Só que o mesmo presidente ia na Bahia, onde o então governador ACM era contra, e ele então dizia que também era contra".

Foi preciso muita briga e coragem para tirar a obra do papel. "E eu não topei isso porque sou bonzinho, mas porque com sete anos de idade eu já carregava balde de água na cabeça, andando pra cima e pra baixo com a barriga cheia de esquistossomose". No dia 13 de dezembro de 1952, eu tinha sete anos, minha mãe colocou os filhos debaixo do braço e foi pra São Paulo porque não queria ver filho nenhum morrer de fome ou de sede".



O ex-presidente não escondeu seu orgulho em ter mudado essa realidade. Hoje, existe até uma universidade federal no semi-árido. Além da transposição, Lula e Dilma entregaram mais de 1,2 milhão de cisternas, que já garantiam abastecimento digno para 4,5 milhões de sertanejos. Foi um conjunto de programas que, aliado ao emprego e à alta dos salários, mudaram a face do Nordeste, como lembrou o governador Ricardo Coutinho em sua fala.

Lula lembrou ao governador paraibano que a obra não está terminada: "O Ricardo Coutinho sabe que ele tem que continuar brigando por essa transposição. Porque a água está aqui, agora precisa levar essa água para a adutora, tratá-la e colocar na torneira do povo. Porque não pode deixar que meia dúzia de grandes fazendeiros terminem com a água. A transposição tem compromisso com 290 comunidades e pequenos produtores".

Conselho

Ao lado de Dilma Rousseff, Lula voltou a falar que o golpe parlamentar foi um golpe não contra uma presidenta ou um partido, mas contra o povo, contra os direitos do povo. "Esse governo que está aí não tem noção do que representa a aposentadoria rural para uma família. Se eles quiserem consertar a previdência, que dêem emprego e aumento de salário para o povo que eles fazem o país voltar a crescer. Se eles não sabem fazer, que aceitem um conselho de quem sabe".

Desejo

"Eu sempre tive uma vontade danada de ter um diploma universitário. Eu queria ser economista. Arrumei um vice que também não tinha diploma. E formamos o governo que mais fez universidade e que mais colocou alunos em cursos universidades neste país".

Não ataquem o povo para me atingir
"Eu sou um homem que não tem ressentimento. A gente não tem que guardar ódio. Vocês sabem o que eles querem fazer comigo. Fiquem tranquilos porque aprendi a andar de cabeça erguida. Duvido que achem um real fora do lugar em conta minha. Mas eu tenho um recado: Não prejudiquem o outras pessoas tentando me prejudicar. O povo não merece essa safadeza que está sendo feita".

Para baixar fotos em alta resolução, visite o álbum: https://goo.gl/photos/pTruoNvYj9SSTjgC7



Vídeo da fala de Lula:



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Lula



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Posted: 20 Mar 2017 05:19 AM PDT


Um caso com um desfecho incrível, envolvendo um cãozinho, teve início com o roubo da Taça Jules Rimet, no dia 20 de março de 1966, em Londres. Assim era inicialmente chamado o troféu confeccionado pela Fifa, concedido ao vencedor da Copa do Mundo de Futebol. A taça foi encontrada sete dias após o roubo pelo cachorrinho collie Pickles, em um caso que até a Scotland Yard esteve envolvida.

A Associação de Futebol da Inglaterra havia recebido a taça em janeiro de 1966, pouco antes da realização da Copa do Mundo que ocorreria em seu território, em julho. Em março de 1966, teve início uma exposição pública da taça, juntamente com uma mostra de selos, no Westminster Central Hall, em Londres. No dia 20, bandidos aproveitaram um descuido da segurança e levaram o troféu, em prata dourada, avaliado em três mil libras na época, mas que havia sido assegurado em 30 mil libras.

A Scotland Yard assumiu o caso e entregou a missão para a Flying Squad, uma divisão especializada na investigação de roubos. Rapidamente, o roubo da Taça Jules Rimet tomou conta da imprensa internacional.

No dia seguinte ao roubo, um pedido de resgate da taça foi enviado a um diretor da Associação de Futebol inglesa, resultando, rapidamente, na prisão de um homem. Isso não levou a polícia à taça, pois o homem alegou que era apenas um "intermediário" no negócio e disse não conhecer os ladrões.

O caso ganharia um desfecho inesperado no dia 27 de março graças ao cachorrinho collie chamado Pickles. Ele passeava com o seu dono, David Corbett, quando farejou um embrulho enrolado em folhas de jornal em Beulah Hill, Upper Norwood, no Sul de Londres. Corbett identificou a taça e levou-a para a polícia. Os policiais, de início, suspeitaram que o dono do cão pudesse ter algum envolvimento no roubo, mas Corbett possuía um álibi.

Pickles se tornou uma celebridade, participou de filmes e programas na TV e ganhou um ano grátis de comida canina. Quando a Inglaterra venceu a Copa de 1966, Pickles foi convidado para o jantar de celebração. O cachorro ainda recebeu a medalha de prata da Liga Nacional de Defesa Canina. Corbett juntou quase 5 mil libras como recompensa e usou o dinheiro para comprar uma casa.

Essa não seria a última vez que a Jules Rimet seria roubada. Em 19 de dezembro de 1983, a taça foi levada por ladrões da sede da Confederação Brasileira de Futebol, no Rio de Janeiro, e jamais encontrada.



Crédito: Quien es quien : Campeonato Mundial de Fútbol = Who´s who World Football Championship. Santiago: El Diario Ilustrado, 1962. xii, 297 p. [Public domain], via Wikimedia Commons



History



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Posted: 20 Mar 2017 05:10 AM PDT


O Globo





Manchete: Governo promete apertar fiscalização a frigoríficos


Lista de países que receberam lotes suspeitos será divulgada hoje

Ministro critica ‘narrativa’ da Polícia Federal e diz que acreditar em papelão na carne é ‘idiotice’

O governo montou uma ofensiva para conter os efeitos do escândalo da carne e anunciou que vai apertar a fiscalização em 21 frigoríficos suspeitos. O presidente Temer disse que, das 4.837 unidades frigoríficas existentes no país, houve “poucos desvios de conduta em pouquíssimas empresas”. O Ministério da Agricultura divulgará hoje a lista de países que receberam lotes suspeitos de carne brasileira. O ministro Blairo Maggi criticou a “narrativa” da Polícia Federal sobre a Operação Carne Fraca. Segundo ele, achar que houve mistura de papelão na carne “é idiotice”. (Pág. 17)

China pede explicação mas mantém compra

Destino de US$ 2 bilhões em vendas de carnes do Brasil, a China cobrou esclarecimentos, mas, por enquanto, não há sinais de que possa suspender as importações. O Brasil é o maior fornecedor de carne e frango da China. (Pág. 18)

Carne ‘em putrefação’ e carcaça em embutido

Ao “Fantástico”, o fiscal Daniel Gouvêa Teixeira, que denunciou o esquema, disse que frigorífico usava carne estragada “em putrefação mesmo” e sobras da carcaça de frango em embutidos. (Pág. 17)


Fisgando os compradores pelo estômago


O presidente Temer levou embaixadores de países que importam carne do Brasil a uma churrascaria de Brasília. O restaurante também vende carne importada, mas o Planalto garantiu que só foi consumido produto brasileiro. (Pág. 17)


Rio começa campanha no sábado


A prefeitura do Rio anunciou que a campanha de vacinação contra a febre amarela começa sábado. A partir de hoje, no entanto, alguns postos já vão receber mais doses para atender a quem vai viajar. O ministro da Saúde, Ricardo Barros, diz que não falta vacina, mas que há problemas de logística para armazenar o produto. (Pág. 8)


União venderá imóveis com foro


A partir do segundo semestre, a União quer permitir que proprietários de imóveis com foro comprem a fatia do governo e, assim, deixem de pagar as taxas. (Pág. 21)


Mulheres presas, mesmo com filhos


Na contramão do benefício dado a Adriana Ancelmo, a prisão de mulheres com filhos até 12 anos é regra no país, apesar da lei que autoriza prisão domiciliar. (Pág. 3)


Empreiteiras livres de punição


O TCU e a força-tarefa da Lava-Jato costuram acordo para que empreiteiras que firmaram acordo de leniência voltem a ter autorização para contratos com o poder público. (Pág. 3)


Menos conteúdo


Só 45% de professores do 9º ano dão conteúdo previsto. (Pág. 22)


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O Estado de S. Paulo





Manchete: Blairo critica PF e diz que operação da carne vai mudar


Ministro vê ‘fantasias’ e ‘idiotice’ em conclusões sobre carne e afirma que ‘investigação tomará outro rumo’

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, afirmou ontem que a fala da Polícia Federal a respeito da Operação Carne Fraca cria “fantasias” sobre o assunto e que é “idiotice” achar que fabricantes colocariam papelão em embutidos, como foi apontado pelas investigações. “Em função da narrativa (da PF) é que se criou grande parte dos problemas que temos hoje”, disse. O ministro afirmou que a pasta fornecerá informações técnicas à Polícia Federal e as investigações tomarão outro rumo. O presidente Michel Temer fez ofensiva para tentar preservar a imagem do produto nacional e anunciou que o governo fará auditoria no setor. A estratégia do Planalto foi recebida com cautela por importadores. Para os embaixadores da União Europeia (UE) e da China, isso não é suficiente. Ambos disseram que aguardam “explicação técnica” e “detalhada” do governo. A UE não descarta a possibilidade da suspensão de compra de carne. À noite, Temer jantou em churrascaria com embaixadores de países importadores do produto brasileiro. (ECONOMIA / PÁG. B4)

‘PF foi irresponsável’, diz SRB

Para o pecuarista e vice-presidente da Sociedade Rural Brasileira, Pedro de Camargo Neto, problema é menor do que o apresentado e há dano ao setor. (PÁG. B4)


Frigorífico usaria senha de servidor


Áudios interceptados pela PF dão conta de que funcionário da BRF acessava, no Ministério da Agricultura, sistemas de emissão de certificados de qualidade de produtos. (PÁG. B6)


Governo deve cortar até R$ 65 bilhões do Orçamento


Por exigência do Tribunal de Contas da União, o governo deverá ser obrigado a anunciar um supercorte inicial do Orçamento e calibrar o valor ao longo do ano de acordo com cronograma de medidas de aumento de receita. Os números preliminares apontam que a tesourada pode ficar entre R$ 60 bilhões e R$ 65 bilhões, informa Adriana Fernandes. O contingenciamento deve estar vinculado a receitas previstas, mas ainda incertas, que incluem aumento de alíquota de tributos, privatizações e venda de ativos. Conforme o dinheiro for entrando, o corte deve diminuir. (ECONOMIA / PÁG. B1)


Ações no TSE indicam voto pró-cassação


Uma pesquisa na jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral, obtida pelo Estado, mostra os casos concretos em que o ministro Herman Benjamin vai balizar o seu relatório-voto no processo que pede a cassação da chapa Dilma- Temer, reeleita em 2014. Entre esses casos, estão os processos em que o TSE cassou os mandatos de quatro governadores, com seus respectivos vices, por prática de ilícitos eleitorais, relata Luiz Maklouf Carvalho. (POLÍTICA / PÁG. A4)


União tem 18 mil imóveis sem uso


Entre 2011 e 2016, a União desembolsou R$ 7,397 bilhões com aluguéis de prédios para abrigar serviços públicos. Ao mesmo tempo, tem 91 prédios comerciais desocupados espalhados pelo País e dois no exterior. Se o cálculo incluir residências, galpões e terrenos, o número de imóveis sem uso salta para 18.091. (POLÍTICA / PÁG. A6)


Escola pública ‘deve’ conteúdo de disciplinas


Dados da Prova Brasil de 2015, a mais recente realizada, mostram que apenas 45% dos docentes da rede pública conseguiram desenvolver ao menos 80% das matérias de um ano escolar. A prova mede a qualidade do ensino no País. Professores apontam defasagem de aprendizado de novos alunos, falta de infraestrutura da escola e indisciplina dos estudantes como principais desafios para completar o conteúdo. (METRÓPOLE / PÁG. A15)


Ato da transposição vira comício de Lula (Política / Pág. A7)





Febre amarela ameaça mico-leão-dourado (Metrópole/ Pág. A12)





Cida Damasco


Risco de não se chegar a bom termo na reforma da Previdência é ditado pelo extremismo dos debates. (ECONOMIA / PÁG. B6)


Notas & Informações


Os inimigos da reforma da Previdência

Muitos parlamentares ainda não entenderam a necessidade nem a finalidade da PEC 287/2016, optando por avaliá-la tão somente pelo viés de categorias pré-concebidas. (PÁG. A3)

Caixa 2 é crime

A prática do caixa 2 não requer “regulação”. Trata-se, a priori, de crime de falsidade ideológica. (PÁG. A3)


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Folha de S. Paulo





Manchete : Governo minimiza problema na carne apontado pela PF


Temer se reúne com embaixadores dos 33 países mais importantes para o setor e anuncia reforço na fiscalização

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, criticou a Polícia Federal por “erros técnicos” na Operação Carne Fraca, que levou o presidente Michel Temer a convocar reunião de emergência no Palácio do Planalto. Foram contestados os usos de ácido cancerígeno, de papelão em frango e de carne de cabeça de porco. “Está claro no áudio que estão falando de embalagens e não de misturar papelão na carne”, disse o ministro. “Senão é uma idiotice.” Maggi afirmou que “está escrito no regulamento” que a carne de cabeça de porco pode ser utilizada. O governo criou força-tarefa para fiscalizar os 21 frigoríficos investigados. O anúncio foi feito em encontro com os embaixadores dos 33 países que mais importam carnes do Brasil. No final, eles foram convidados por Temer a jantar em churrascaria de Brasília. Temer disse que as falhas são pontuais. (Mercado A15)

Em 2 anos de “Carne Fraca”, PF fez perícia em alimentos de frigoríficos em só uma ocasião. (Mercado A18)


Entrevista da 2a. - Francisco S. Turra : Exagero dá a impressão de que carne é toda fraudada


Ex-ministro da Agricultura e presidente da associação que reúne produtores e exportadores de carne suína e de frango, Francisco Sérgio Turra afirma que a repercussão da Operação Carne Fraca foi exagerada, dando a impressão de que a carne brasileira é toda fraudada. “Foi muito forte esse discurso irresponsável, fruto de levantamento ainda incompleto da própria operação [da PF]”, diz. “Temos 99,5% do setor absolutamente em dia, oferecendo produtos saudáveis.” (A14)


Após três anos, brechas que levaram à Lava Jato persistem


Três anos após desencadeada a Operação Lava Jato, brechas legais e falta de transparência que estão na origem do escândalo continuam inalteradas. Uma das questões que não foram repensadas ê a relação de parlamentares com lobistas, que ocorre sem controle. Além disso, a Petrobras ainda mantêm práticas como sigilo de dados e descumprimento da lei de licitações, que regula contratos da administração pública em todo o país. (Poder A8)


‘Eles que peçam a Deus para eu não ser candidato’, diz Lula no Nordeste (Poder A4)





Apuração sobre acidente de Teori não tem prazo para conclusão (Poder A7)





ANS vai regular plano que divide gasto com cliente


A ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) prepara normas para planos de saúde com coparticipação e franquias, em que o usuário paga parte do procedimento ou arca com despesas. Cerca de 50% dos segurados usam essas modalidades. Audiência pública hoje no Rio discute propostas como isentar exames preventivos da cobrança. (Cotidiano B1)


Mercado Aberto


BNDES quer elevar debêntures de R$ 4 bi para R$ 10 bi (Mercado A16)



Painel


Caixa municipal está em baixa, diz secretário de Doria

Secretário da Fazenda da Prefeitura de São Paulo, Caio Megale expôs aos colegas um diagnóstico a respeito das contas do município e pediu um aperto no cinto. Segundo ele, faltam R$ 7,5 bilhões no caixa para cobrir os custos previstos no Orçamento. As despesas foram subdimensionadas. (Poder A4)


Editoriais


Leia “Casuísmo reformista”, sobre proposta de voto em lista fechada, e ’’Alento global”, acerca de bom momento da economia mundial. (Opinião A2)


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Mídia



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