terça-feira, 21 de março de 2017

21/3 - Altamiro Borges DE HOJE

Altamiro Borges


Posted: 21 Mar 2017 12:35 PM PDT
Do site do Centro de Estudos Barão de Itararé:

Blogueiro de larga trajetória no campo das mídias progressistas, o paulistano Eduardo Guimarães foi vítima de mais um abuso da Operação Lava Jato na manhã desta terça-feira (21). Crítico das arbitrariedades do juiz Sergio Moro, o autor do Blog da Cidadania foi levado, por condução coercitiva, de sua casa até o prédio da Polícia Federal, no bairro da Lapa, zona oeste da capital paulista.

Guimarães foi conduzido coercitivamente sem nunca ter se recusado a prestar depoimento. Além disso, computadores e celulares dele e de seus familiares foram apreendidos - incluindo o aparelho de sua esposa, que contém contatos médicos usados no dia-a-dia para tratamento de sua filha, Victoria.

A razão, para mais essa detenção arbitrária e injustificável determinada pelo juiz das camisas negras, seriam investigações da Lava Jato a respeito de um "vazamento" de notícia, por parte de Eduardo Guimarães, a respeito de ações da PF e do juiz Moro contra Lula e o Instituto que leva o nome do ex presidente.

É inacreditável!

O juiz Moro vaza grampos pessoais de Lula e de Dona Marisa, vaza grampos da então presidenta da República, Dilma Rousseff. Da mesma forma, a Globo e outros órgãos de informação conservadores vazam todos os dias dezenas de informação. Nenhum jornalista jamais foi conduzido a depor para explicar tais vazamentos. E é bom que seja assim.

Mas por que a regra vale para a Globo e jornais conservadores, e não vale para o blogueiro?

A condução coercitiva de Eduardo Guimarães, com ares de sequestro, deveria preocupar jornalistas e todos aqueles que trabalham com informação no Brasil.

Depois de atacar a democracia, usando funções públicas com nítida intenção partidária, e de destruir partes importantes da economia brasileira, setores da PF, procuradores e o juiz das camisas negras põem em risco a liberdade de informação no país.

O procedimento, além de caracterizar gritante ataque à liberdade de expressão, por tentar calar o blogueiro através da judicialização e da criminalização, reforça a tese de que vivemos um Estado de exceção no Brasil.

A abordagem foi truculenta: agentes fortemente armados esmurraram a porta de sua casa sem nem ao menos interfonar, vasculharam e apreenderam aparelhos eletrônicos e o conduziram à delegacia.

O Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé se solidariza com Eduardo Guimarães e repudia veementemente a grave violação à liberdade de expressão, direito fundamental e imprescindível para qualquer sociedade democrática. Ao serem suspensos direitos básicos como a liberdade de expressão e o amplo direito à defesa, confirma-se também a suspensão da democracia no país. Algo para o qual a Operação Lava Jato parece decidida a contribuir.
Posted: 21 Mar 2017 05:08 AM PDT
Por Mauro Santayana, em seu blog:

Pode não parecer, mas as causas e conseqüências da Operação Carne Fraca - são, como as de sua "mãe" institucional - a "mãe" de todas as operações, como se diria ao tempo da invasão do Iraque - claramente políticas.

No Brasil, resolveu-se, no bojo da Operação "Tira-Dilma", vender à população uma série de mitos, começando pelo de que se estaria travando uma guerra sem tréguas contra a corrupção, cujo objetivo é "passar a limpo" o país.

Essa estratégia exige que não apenas a principal "operação" fique permanentemente em andamento e evidência, mas também que outras "operações" semelhantes sejam executadas indefinidamente, em ritmo ininterrupto, obedecendo a uma tática não escrita, mas amplamente disseminada, destinada a alimentar certa mídia de factóides, para que ela cumpra o papel de exagerar e replicar essa impostura para a população, já que os resultados dessa "guerra", como demonstram os que foram colhidos até agora pela própria Operação Lava Jato, são mais ilusórios que reais.

Parece não haver outro motivo para que siga o clima de espetacularização das forças em ação, de busca de pelo em cabeça de ovo e de superdimensionamento de problemas relativos, que sempre existiram antes, para valorizar, nesse contexto, o trabalho da polícia, do Judiciário e do próprio Ministério Público.

Parece não haver outra razão para que a corrupção, e, por extensão, institucionalmente, como se quer fazer crer, o governo passado, sejam condenados por todos os males nacionais, quando se sabe que a questão dos juros dos títulos públicos e da sonegação, por exemplo, envolvem recursos muito maiores e são muito mais deletérios, a longo prazo, para o país.

No caso da Operação Carne Fraca, no calor da midialogia, vendeu-se, apressada e irresponsavelmente, ao mundo - por meio da montagem de uma verdadeira operação de guerra, já que não se aceita mais investigar ou trabalhar com discrição - a versão de que o sistema de produção de carnes no Brasil - o principal produtor de proteína animal do planeta - seria uma verdadeira Casa da Mãe Joana, totalmente contaminada por corruptores, corruptos e bactérias.

As evidências que levaram à deflagração da "operação", são, na maioria, como ocorre, também, em alguns casos, com a "mãe de todas as operações", ilações frágeis, baseadas mais em interceptações telefônicas - que podem ser interpretadas subjetivamente ao sabor de quem as fez - e em um único depoimento de um fiscal, do que em provas incontestáveis, como o exame científico e sanitário de mercadorias apreendidas oferecidas à população.

Ora, qual é o sujeito que já fez um churrasco, alguma vez na vida, que não sabe distinguir entre carne fresca de qualidade e carne estragada ou deteriorada, bastando para isso dar uma examinada no produto no balcão do supermercado ou do açougue antes de comprar?

Isso é uma simples questão de bom senso.

Mas a percepção que se pretende passar à população é a de que ela está sendo enganada, comprando e comendo, frequentemente, carne contaminada, como se fosse esse o padrão de uma indústria que atende a mais de 150 países e que é considerada uma das mais avançadas e sofisticadas do mercado mundial.

Para isso - como se o papel da Polícia Federal fosse fiscalizar a qualidade da comida vendida no exterior - cita-se, catando fatos pontuais lá fora - a presença de um determinado tipo de salmonela em carne "barrada" na Itália - existem 2.600 subespécies dessa bactéria e muitos delas não fazem mal à saúde - quando o produto estava em conformidade com as regras da União Européia e posteriormente entrou normalmente em território europeu pelo porto holandês de Amsterdã.

Com base na interpretação errônea, e não se sabe se proposital, de um telefonema entre dois funcionários de empresa, deduz-se que se estava misturando papelão em uma carga de carne de frango, versão que todo mundo anda citando agora pelas esquinas - dou um prêmio para alguém que já tenha encontrado essa substância misturada aos miúdos de um frango congelado ou resfriado no Brasil - quando os indivíduos "grampeados" estavam, na verdade, se referindo ao tipo de embalagem que seria utilizado para proteger e transportar o produto.

Não se pode dizer que todos os frigoríficos brasileiros sejam santos ou que só haja "anjos" entre os fiscais do Ministério da Agricultura.

Mas, com certeza, chama a atenção que, em um momento em que cai, devido à sua flagrante seletividade, a simpatia da população pela operação Lava Jato, comecem a explodir - em paralelo aos pedidos de apoio do juiz encarregado - em letras garrafais, na mídia, e com destaque nos telejornais de rádio e televisão, iniciativas com a mesma abordagem "filosófica" e modus operandi, voltadas para assuntos que são de grande e direto interesse para os cidadãos, como a saúde e a alimentação.

Parece que se busca mostrar, a todo instante, que o Judiciário e o Ministério Público estão trabalhando diuturna e abnegadamente - ao contrário dos "políticos", essa raça maldita que chega ao poder pelo voto e não por merecimento ou competência - em defesa da população.

Quando, na verdade, em um total de quase 5.000 estabelecimentos industriais fiscalizados em nosso país, as unidades investigadas nessa última operação não chegam a pouco mais de 20, em sua maioria de embutidos e congelados, e isso, de forma restrita, em umas poucas - e delimitadas - regiões do Brasil, e os funcionários investigados passam de pouco mais desse número, entre os 11.000 servidores do Ministério da Agricultura.

Não custa, também, lembrar que em muitos casos, na carne para exportação, a fiscalização, do abate - e até mesmo antes dele - ao transporte, é feita pelos próprios clientes.

Esse é o caso de Israel e dos países árabes, que para aqui enviam representantes, com o intuito de assegurar não apenas a qualidade dos produtos que estão comprando, mas se as condições de produção obedecem às suas regras religiosas, seguindo preceitos Kosher e Halal, o que ilustra não apenas o cuidado da indústria brasileira nessa área mas também o porquê de o Brasil ter se transformado - não por acaso - em um dos maiores exportadores de carnes do mundo.

Mas como a ideia é aparecer ao máximo, buscando não apenas a espetacularização, mas, por meio de parte preponderante da mídia, uma verdadeira escandalização dos fatos, e a regra, no Brasil de hoje, é acusar e "vazar" primeiro, para explicar depois o que está ocorrendo, o que se conseguiu foi apavorar desnecessariamente a população.

Que adora ter, também, convenhamos, alguém pra "desancar" na fila do banco.

Nada disso, no entanto, estaria ocorrendo, se certos métodos, como a escuta telefônica, a prisão preventiva e as conduções coercitivas, não estivessem se transformando, no Brasil, de exceção em regras mais que banais, quase obrigatórias, de investigação.

Coloca-se um determinado setor econômico, um determinado indivíduo, uma determinada autoridade sob escuta, durante meses, até que o "investigado" use uma expressão ambígua em uma conversa ou um provável "crime" ou algo passível de ser interpretado pela opinião pública como "crime" venha a "acontecer", para que se produza um novo escândalo, uma nova "fase", uma nova operação.

Enquanto isso, como está ocorrendo agora no caso das carnes, não interessa se vai cair, dentro do país, o consumo de um produto que é um dos esteios da economia nacional, preejudicando milhares de produtores, empresários e exportadores.

Se irá se arrebentar mais uma vez com a credibilidade das maiores empresas de um determinado setor da economia.

Se irá se armar os adversários externos do agronegócio brasileiro na área de proteína animal, beneficiando concorrentes que subsidiam seus criadores todos os anos com dezenas de bilhões de dólares e de euros, dando-lhes o pretexto de que necessitavam para reforçar seu protecionismo - já extremamente arraigado nessa área - em pleno processo - a nosso ver equivocado - de negociação de um acordo - que tem tudo para ser leonino - entre a União Européia e o Mercosul.

Isso, justamente no momento em que o Brasil, no final do governo passado, voltou obter, a duras penas, autorização para exportação de carne bovina em natura para os EUA.

E quando começamos a quebrar importantes barreiras sanitárias, não apenas com relação aos Estados Unidos, mas também na transformação dos chineses, em apenas oito meses, nos maiores importadores de carne bovina brasileira, com a liberação, por Pequim, no início do mês passado, de licenças de exportação para mais 17 frigoríficos brasileiros - de carne de boi, frango e porco - passarem a exportar para o país, o maior mercado do mundo.

O terrorismo midiático e a irresponsabilidade é tanta, que certos jornais chegaram a afirmar - sem checar a informação - que o ácido ascórbico, supostamente usado pelas empresas para alterar a côr da carne é um produto cancerígeno, quando não se trata de outra coisa além da mais vulgar - e comezinha - vitamina "C".

A engenharia brasileira já foi - sem caixão, faixa ou direito a velório - para o saco, levando com ela a indústria de petróleo e gás - ferida de morte pela sabotagem contra a Lei de Conteúdo Nacional - e a de infra-estrutura.

A indústria naval, em trágico processo de sucateamento, com estaleiros e navios gigantescos, no valor de bilhões de reais, apodrece ao sol de cada dia, assim como vários projetos de defesa, iniciados pelos dois governos anteriores, depois de 2002, que se encontram paralisados por decisão judicial.

Só estão em processo de conclusão e entrega, projetos que já estavam quase prontos quando Dilma saiu do poder, como a Transposição do São Francisco e o SGDC.

O novo Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas, feito para substituir, depois de quase 20 anos, o BRASILSAT - cujo controle foi entregue por FHC aos mexicanos - está previsto para ser lançado amanhã, 21 de março, do Centro Espacial de Kourou, na Guiana Francesa, com a provável presença de Michel Temer.

Produzido pela Thales francesa, com a participação de técnicos e empresas brasileiras, sob especificações da Visiona, joint venture formada, no governo anterior, pela EMBRAER e a TELEBRAS, o novo SGDC irá assegurar, finalmente, canais mais confiáveis para a comunicação do governo e de nossas Forças Armadas, como resposta à espionagem - contra o governo brasileiro e a Petrobras - realizada durante o governo Dilma, e com certeza, ainda hoje, pelos norte-americanos, por meio da NSA.
Qual será o próximo segmento da economia nacional a ser atingido pelo "furor" investigativo em curso, para continuar alimentando e movimentando a "roda da justiça" perante a opinião pública nacional?

A quem interessa que se sabote e desvalorize, aos olhos da população, o setor produtivo, gerando dezenas de bilhões de reais em prejuízo?

Quando há empresas "envolvidas" na Carne Fraca que, em apenas dois dias, já perderam 8% do seu valor de mercado?

O Brasil precisa voltar a caminhar economicamente e o Judiciário e o MP necessitam aprender a fazer o seu trabalho sem motivações políticas e sem inviabilizar, como estão fazendo, o país - voltamos a insistir, é preciso que o discuta, imediatamente, lei proibindo que a justiça interrompa, por motivo de investigação, obras que estiverem em andamento, e que determine prazos máximos, também por lei, para interdição de indústrias em funcionamento - sob pena de que nossas maiores empresas abandonem o território nacional, levando não apenas suas sedes e recursos para o exterior - está aumentando a tributação de subsidiárias fora do país - mas também suas instalações industriais e seus empregos.

Quando, como se está vendo com Trump nos EUA, as maiores nações estão fazendo exatamente o contrário, privilegiando, beneficiando e exigindo que o capital nacional opere dentro de suas fronteiras.

São ingênuos, para não usar outros termos, aqueles que pensam que as empresas estrangeiras são mais honestas ou competentes que as nossas, ou que elas terão algum compromisso com o Brasil, ou com os projetos estratégicos que poderiam, um dia, nos fortalecer no mundo cada vez mais complexo e competitivo do século XXI, em detrimento de sua lealdade com seus países de origem.

Concluindo, de volta à carne, ela é fraca para muitos pecados, e não apenas os da gula, do copo, das drogas ou da luxúria.

Embora não se incluam normalmente entre as "fraquezas" do corpo, o narcisismo, a vaidade, a egolatria e a arrogância, têm se incrustado cada vez mais na mente e nos corações de parte da geração que está chegando ao poder, no bojo da plutocracia nascida do cruzamento do "republicanismo" do PT com a conquista, por meio de concurso, das carreiras de Estado pela direita.

Nos corações e mentes daqueles que se crêem ungidos por Deus para "salvar" a Nação, afastando-a da realidade - que, com todos os seus defeitos, compõe o mundo - levando-a para um universo mítico, maniqueísta e simplista, de bandidos e de mocinhos, de "homens de bem" e "gente do mal".
Até agora, o que a suposta cruzada contra a corrupção em andamento tem conseguido, do ponto de vista prático, fora duas ou três prisões justificáveis, que poderiam ter sido feitas sem esse verdadeiro carnaval, eivado de absurdos e abusos, que já dura, em nosso país, quase quatro anos, é criar partidos proto-fascistas para as eleições de 2018 - um deles não por acaso adotou, sem contestação, o mesmo logotipo da Campanha das 10 Medidas Contra a Corrupção do Ministério Público como símbolo - e destroçar vastos segmentos da vida nacional, na engenharia, na defesa, na infra-estrutura, e. agora, na indústria de alimentos e do agronegócio, sucateando obras e projetos, destruindo e eliminando empregos e investimentos, corroendo e derretendo o crédito e o valor das empresas, quebrando acionistas e fornecedores, e arrebentando, irresponsavelmente - com ajuda de parte da mídia - com a imagem do Brasil no exterior.

Facilitando, decididamente, a vida de nossos concorrentes externos, nos mais variados campos da atividade humana, com permanentes e deletérias conseqüências para o futuro das novas gerações de brasileiros, incluídos os filhos daqueles de quem estamos falando.

Isso, se eles não ingressarem também no serviço público, no futuro, para usufruir, ao contrário dos comuns mortais, das vantagens e salários - muitas vezes acima do limite constitucional - que pertencem ao mundo exclusivo e perfeito - tão afastado, às vezes, da geopolítica, da estratégia e do entendimento da História - em que vivem e atuam os seus pais.
Posted: 21 Mar 2017 04:44 AM PDT
Posted: 21 Mar 2017 04:39 AM PDT
Da revista CartaCapital:

O presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia (DEM-RJ) afirmou nesta segunda-feira 20 que os parlamentares devem aprovar a terceirização total do trabalho até esta quarta-feira, 22.

O projeto de lei nº 4.302, que permite a terceirização de todas as atividades da empresa, foi criado em 1998 e aprovado em 2002 pelo Senado. Se passar pela Câmara, como previsto, só dependerá da sanção de Michel Temer (PMDB).

"Acredito que nesta semana a gente tenha condições de aprovar, entre terça e quarta-feira, a terceirização na Câmara dos Deputados. É um passo importante porque milhões e milhões de empregos hoje são gerados por terceirização", disse o presidente da Casa durante evento da Câmara Americana de Comércio em São Paulo.

A reforma trabalhista, por ser um projeto de lei ordinária, depende apenas de maioria simples para ser aprovada (metade dos deputados votantes, com quórum mínimo de 257). Basta o apoio de 129 parlamentares.

Em 2015, a Câmara aprovou outro projeto de terceirização, mas não é este que será votado. Um acordo entre Maia e o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), priorizou o projeto de 1998, cujo relator é o deputado Laercio Oliveira (SD-SE).

O acordo se deu a pedidos do governo, uma vez que este projeto de lei está mais próximo de ser sancionado do que o aprovado em 2015, que ainda precisa passar pelo Senado.

Rodrigo Maia também se diz "confiante" sobre a aprovação das reformas trabalhista e previdenciária apresentadas pelo governo Michel Temer. Elas também devem ser votadas na Câmara, nesta sequência, nos próximos meses.
Posted: 21 Mar 2017 04:11 AM PDT
Posted: 20 Mar 2017 04:12 PM PDT
Posted: 20 Mar 2017 08:29 PM PDT
Foto: Paulo Pinto/Agência PT
Por Raphael Coraccini, no site do Centro de Estudos Barão de Itararé:

O Brasil passa por um momento de guerra jurídica, a chamada Lawfare. Os descalabros jurídicos cometidos por promotores, juízes e policiais apontam para um Estado de exceção já consumado. Essa é a interpretação de Valeska Zanin, advogada do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Valeska afirma ainda que o Lawfare só é possível quando a mídia participa ativamente da guerra, justificando malfeitos e promovendo seus heróis, como é o caso do juiz Sergio Moro.
A advogada afirma que Moro se recusa a se comportar como juiz ao desrespeitar os princípios de imparcialidade e amplo direito de defesa e se coloca muito mais como parte da acusação, auxiliando a promotoria a construir provas já durante a fase de investigação e intimidando a defesa. “O julgamento de Lula não tem juiz. O que temos é um julgamento com advogados de defesa e acusação com o Moro fazendo parte da acusação. Ele cerceia a defesa do Cristiano (Zani, também advogado de Lula no caso e responsável pela maioria das explanações da defesa) e chega até a consertar a fala dos promotores, de auxiliá-los na condução da acusação”, denuncia a advogada.

Valeska e Cristiano Zanin estiveram no Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé na sexta-feira (17) para falar sobre “Mídia e Estado de Exceção”. Também fizeram parte da mesa o deputado federal e ex-presidente da OAB-RJ Wadih Damous, e o jornalista e presidente do Barão de Itararé, Altamiro Borges.

Para Cristiano Zanin, a mídia pratica, especificamente no caso da Lava Jato, o que ele chama de “curandeirismo jurídico”, um exercício de adivinhação e diagnóstico feito por quem não tem qualquer conhecimento técnico sobre o caso. No processo de Lula, a finalidade desse curandeirismo jurídico é condenar o ex-presidente diante da opinião pública para então justificar uma eventual condenação no tribunal. Esse expediente foi fartamente utilizado pela mídia nos últimos anos e teve como primeiro grande experimento o julgamento do mensalão, que foi transmitido ao vivo e cujos acusados já haviam sido condenados pela opinião pública antes de qualquer decisão jurídica.

Cristiano alertou ainda sobre a interferência de países estrangeiros na condução da Lava Jato, que veio à tona depois da divulgação do WikiLeaks sobre as relações de Moro com setores da Justiça americana e do acordo fechado entre o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa, com as mesmas autoridades estadunidenses, interessadas em investigar a estatal brasileira. Zanin conta que houve um mal-estar na sala de interrogatórios quando ele abordou o caso diante de Paulo Roberto Costa e do juiz Sérgio Moro. “Perguntei ao Paulo Roberto Costa se ele estava colaborando com algum país, em especial com os Estados Unidos. Isso causou um grande mal-estar. Ele confirmou e disse que quem estava intermediando as negociações era a própria Lava-Jato”, revelou Zanin.

Segundo Zanin, no Brasil, só quem tem autoridade para abrir negociação sobre colaboração estrangeira nas investigações é o Ministério da Justiça, que, por sua vez, disse desconhecer qualquer termo de colaboração entre Paulo Roberto Costa e autoridades americanas sobre investigações com a Petrobrás.

“Tempos excepcionais”

“A literatura jurídica me permite condenar José Dirceu sem provas". Essa foi a fala da ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Rosa Weber, em 2012, durante julgamento do mensalão, que condenou o ex-ministro e deputado petista, entre outras figuras da política nacional. À época, o assessor criminalista convocado para auxiliar a ministra e que a ajudou nessa conclusão foi o juiz da 2ª Vara Criminal de Curitiba, Sérgio Moro.

Alegações como essas, que tentam relativizar o cumprimento da Lei em busca de um suposto bem maior, têm se propagado com preocupante dimensão e velocidade em todos os âmbitos do sistema brasileiro de Justiça. Esse bem maior é, aos olhos e ouvidos da opinião pública, o combate seletivo à corrupção, discurso típico dos Estados de exceção.

Como uma espécie de resposta a esse Estado de exceção, o ex-presidente Lula abriu processo contra o juiz Sergio Moro, que foi rejeitado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), em Porto Alegre. A resposta do TRF deixou ainda mais evidente o atual momento de suspensão da importância das leis no país. Segundo o juiz que rechaçou o processo, os eventuais exageros de Sergio Moro e da Lava Jato são justificados pelo fato de vivermos “tempos excepcionais”. Wadih Damous lembrou que foi exatamente este o termo usado pelo coronel do Exército Brilhante Ustra para justificar as barbaridades que cometia durante o regime militar. “Estou com a sensação de que o TRF se inspirou nas palavras de Ustra”, ironizou o deputado.

Damous alerta ainda sobre o papel da mídia na construção de uma narrativa condenatória, não só em relação a Lula, mas a toda política, e faz críticas aos governos Lula e Dilma sobre a postura que assumiram na questão da democratização da comunicação e do combate ao oligopólio. “Hoje, a Constituição de 88 está suspensa com o apoio e aplauso da mídia. Enquanto a mídia continuar interferindo, execrando e condenando sem nenhum pudor, à revelia de qualquer prova e direito de defesa, não teremos uma democracia”.
Posted: 20 Mar 2017 08:27 PM PDT
Por Luciano Santos, no Blog do Renato:

O Dia de São José é uma data especial e cheia de simbolismo para o povo nordestino. Neste dia a religiosidade popular destina ao santo as orações e pedidos de chuva e por uma boa colheita. É um dia de festa e neste último domingo (19) a festa teve um caráter ainda mais simbólico.

O dia foi escolhido para a inauguração popular da transposição do Rio São Francisco na bacia do Rio Paraíba, em Monteiro; onde estive ao lado dos ex-presidentes Lula e Dilma e de colegas parlamentares e lideranças populares de várias regiões. Essa obra estruturante é um dos principais legados dos governos progressistas no Brasil. Quando estiver pronta, nos dois eixos, a transposição deve beneficiar 12 milhões de pessoas.

Assistimos ontem uma linda manifestação que levou milhares de pessoas ao cariri paraibano. Emocionante ver, já ao longo da estrada, o reconhecimento popular, as manifestações de carinho ao ex-presidente Lula e os depoimentos sobre como essas águas mudarão definitivamente a vida do povo daquela região.

A transposição é um sonho antigo dos sertanejos. É um projeto que data do período colonial e que nunca saiu do papel. A primeira versão desse projeto data de 1847. Desde então muitas vezes as águas do São Francisco foram apontadas como boa solução para o enfrentamento da seca e voltavam a ser esquecidas ao final de cada período de estiagem.

Ainda durante o período da ditadura militar o caráter cíclico das secas já era de conhecimento público e exigia ações mais perenes. No entanto, conforme denunciou Marcia Dementshuk em reportagem para a Agência Pública, a informação foi mantida em segredo e a transposição mais uma vez não saiu do papel. “O fato de as secas nordestinas serem cíclicas já havia sido preconizado em 1977 pelos pesquisadores Carlos Girardi e Luiz Teixeira, do Centro Técnico Aeroespacial (CTA), em São José dos Campos (SP). Mas a informação era mantida em segredo pelo governo militar. Os pesquisadores previram secas com duração de cinco anos a cada 26 anos, e secas de menor intensidade, com duração de três anos, a cada 13 anos”.

A decisão política e reconhecimento do papel dessa obra para o desenvolvimento do país e enfrentamento às desigualdades regionais foram fundamentais para que em agosto de 2007 esse projeto finalmente tivesse início. Ao longo dos Governos Lula e Dilma muitos desafios precisaram ser enfrentados para que, afinal, pudéssemos ver as águas correndo nas terras pernambucanas e paraibanas, irrigando a sede e renovando a esperança do nosso povo.

Ver concluído um trecho de uma obra estruturante como essa aumenta nossa convicção na defesa de um projeto popular e progressista para o país. Materializa o que o golpe que sofremos no ano passado tenta tirar do nosso país. O sorriso, a fé, a alegria que tomou conta desse domingo nos lembra que o nosso povo tem direito à felicidade e que nós temos o dever de combater o golpe, lutar pela nossa democracia e junto com esse nosso povo retomar o caminho do crescimento, do desenvolvimento e da soberania.

* Luciana Santos é deputada federal por Pernambuco e presidenta nacional do PCdoB.
Posted: 20 Mar 2017 08:22 PM PDT
http://ajusticeiradeesquerda.blogspot.com.br/
Por Paulo Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo:

Tudo de ruim que aparece contra Aécio nas delações tem o sabor de justiça poética.

É o caso dos 50 milhões de reais que Marcelo Odebrecht afirmou que Aécio recebeu por conta da construção de uma usina em Rondônia.

Foi em 2007, quando Aécio era governador de Minas. Os 50 milhões de reais, em valores de hoje, são 90.

Foi a Folha que deu o furo. Mas deu de uma forma miserável. Escondeu a notícia na primeira página.

É parte do jornalismo de guerra da Folha e demais veículos da grande imprensa: você dá com estardalhaço coisas negativas sobre seus inimigos. E ou não dá ou dá bem escondidas coisas negativas para os amigos.

Duas vezes, num texto que não é tão longo assim, os autores da matéria fizeram questão de dizer que Marcelo não usara a palavra “propina”, mas repasse.

Mas os repassadores - pausa para rir - deixaram claro que queriam retribuições. Não existe almoço grátis, sabemos todos, e muito menos repasses daquele tamanho. (A Odebrecht entrou com 30 milhões e a Andrade Gutierrez com 20 milhões, segundo a delação.)

Ri sozinho diante da defesa de Aécio. (A alternativa era chorar.) Ele disse, em suma, que era uma tremenda de uma mentira, e que achava um absurdo publicar acusações de tamanha gravidade sem antes comprovar.

Ora, ora, ora.

Aécio, nas incontáveis vezes em que as denúncias eram contra o PT, jamais fez nenhuma restrição à publicação delas.

Ao contrário: sempre as amplificou e ajudou a dar ainda mais repercussão às acusações. Ele estava sempre pronto para atender a jornalistas em busca de comentários sobre delações contra o PT.

Se ele tivesse tido a decência de ponderar então o que fala agora, não estaria na situação de calamidade em que se encontra hoje.

Aécio se comporta como um canalha. E já faz tempo.

Ele foi o golpista número 1. Desde o primeiro momento, conhecidos os resultados da eleição presidencial, se dedicou a boicotar a democracia.

Jamais aceitou a derrota.

Com sua atitude, teve uma contribuição milionária para o golpe.

É uma ironia da história: seu avô Tancredo ajudou a reconstruir a democracia, no início dos anos 1980. Aécio ajudou, três décadas depois, a destruí-la.

Ele sempre teve a certeza de que estaria protegido de desconfortos em delações pela mídia amiga e por seus camaradas na Lava Jato. A imagem disso é a infame foto dele com Moro numa festa pouco tempo atrás, os rostos quase que colados, ambos sorrindo fraternalmente.

Os vazamentos seletivos, no mundo dos sonhos de Aécio, se perpetuariam até o fim da Lava Jato. E ele seria um candidato poderoso para a presidência em 2018.

Não foi isso que aconteceu. Aécio acabou também como vítima de um processo que iniciou.

Robespierre inaugurou a guilhotina e no final foi sua cabeça que rolou rumo ao cesto.

A cabeça de Aécio já está no cesto.

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