quarta-feira, 22 de março de 2017

22/3 - Folha Diferenciada COM VÍDEO, DE HOJE

Folha Diferenciada



Posted: 22 Mar 2017 06:33 AM PDT

No século XIX, velho barbudo já dizia: quem não se opõe a acumulação desenfreada do capitalismo não tem qualquer autoridade para criticar o escândalo das carnes


Por Gustavo Henrique Freire Barbosa
No capítulo de O Capital sobre a jornada de trabalho, Marx trata da adulteração do pão revelada pelo relatório do comitê da Câmara dos Comuns elaborado nos anos de 1855 e 1856 em Londres. Muito embora tenha reconhecido a irregularidade na produção de pães, o comitê, tratando com a “mais terna delicadeza o free trader que compra e vende mercadorias adulteradas to turn an honest penny (para ganhar um centavo honesto)”, concluiu que o livre-comércio abrangeria também o direito de comercializar produtos falsificados, levando o pensador alemão a tecer críticas mais do que pertinentes à incrível condescendência das instituições inglesas: “o inglês, tão apegado à Bíblia, sabia que o homem, quando não se torna capitalista, proprietário rural ou sinecurista pela Graça Divina, é vocacionado a comer seu pão com o suor de seu rosto, mas ele não sabia que esse homem, em seu pão diário, tinha de comer certa quantidade de suor humano, misturada com supurações de abscessos, teias de aranha, baratas mortas e fermento podre alemão, além de alune, arenito e outros agradáveis ingredientes minerais”1.

Ainda no mesmo capítulo, Marx simula um ultimato de um trabalhador que exige um pagamento justo pela sua força de trabalho além de uma jornada de trabalho correspondente com a dignidade humana, queixa que faz ao burguês “sem nenhum apelo a teu coração, pois em assuntos de dinheiro cessa a benevolência”. Denunciando a separação da narrativa do capital com as idiossincrasias de quem o maneja, prossegue: “podes muito bem ser um cidadão exemplar, até mesmo membro da Sociedade para a Abolição dos Maus-Tratos dos Animais, e viver em odor de santidade, mas o que representas diante de mim é algo em cujo peito não bate um coração”2.

A lição possível de extrair destes trechos é de que o capital, em suas mais diversas expressões, é uma força impessoal, vulcânica e alheia à moral particular de quem detém os meios de produção — pessoas que, em sua condição de capitalistas, correspondem apenas ao capital personificado. Sua alma, assim, é a alma do capital, que tem um único impulso vital: o impulso de se autovalorizar, de criar mais-valor e, como um vampiro, viver apenas da sucção do trabalho vivo, vivendo conforme mais trabalho vivo é capaz de sugar3.

Para sobreviver em um ambiente de concorrência, o capitalista é obrigado a se despir de seus valores morais particulares e abraçar a ética do livre-mercado, atuando impulsivamente no sentido de adotar o maior número possível de subterfúgios para diminuir os custos da produção e aumentar seu excedente de lucro sob o risco de ser engolido por seus concorrentes. O fato de tais subterfúgios serem lícitos ou ilícitos é apenas um detalhe.

Assim, não são novidades as notícias recentes envolvendo as duas gigantes nacionais no ramo do comércio de carnes, JBS e BRF, acusadas de adulterar seus produtos e colocá-los no mercado em condições completamente impróprias para o consumo, incluindo a disposição de carne apodrecida com injeções de ácido ascórbico e recheada de papelão.

O escândalo serviu para desmistificar de vez dois pontos defendidos de forma entusiástica pela apologética do livre-mercado: o primeiro, relacionado à livre-iniciativa, consolida-se enquanto quimera diante do fato de que as condutas são atribuídas a duas marcas que formam um oligopólio responsável pela brutal maioria dos produtos dispostos nas prateleiras dos supermercados (a BRF, por exemplo, detém a Sadia e a Perdigão, enquanto a JBS é dona da Friboi, Seara e a da Big Frango, além de uma série de incontáveis mercadorias de diferentes estampas produzidas por estes conglomerados); o segundo ponto, por sua vez, diz respeito à própria liberdade de consumo e da consciência do risco que se corre ao consumir determinados produtos. Por força do Código de Defesa do Consumidor, em boa parte dos casos temos acesso a informações suficientes de que a ingestão de determinados alimentos pode nos causar problemas de saúde, a exemplo dos refrigerantes, transgênicos e demais mercadorias em cujo rótulo constam seus ingredientes, químicos e estabilizantes. No caso em análise, os conglomerados em questão não só sonegaram o risco à saúde que suas mercadorias adulteradas podem causar aos consumidores como elevaram ilícita e exponencialmente este risco, em uma clara relação de causa e efeito em prol unicamente do pináculo do modo de produção capitalista que é a acumulação predatória a qualquer custo.

Assim, para que vendam mais e engordem suas margens de lucro, acabam por demolir de vez os pilares do liberalismo neoclássico que são a livre concorrência e a liberdade de escolha, em mais um exemplo da clássica contradição entre as forças produtivas – também apontada por Marx – por meio da qual se evidencia que o modo de produção capitalista é incapaz de concretizar os próprios princípios nos quais se funda.

Abundam contradições nesse sentido. O fato de produzirmos alimentos suficientes para alimentar a população do planeta ao passo que quase um bilhão de pessoas ainda padecem de fome4 é uma das mais categóricas provas de que, estando a produção alimentícia encarcerada pela dinâmica da acumulação e da propriedade privada, gêneros alimentícios jamais serão produzidos com a principal finalidade de saciar a fome das pessoas, mas sim para contemplar os interesses da meia dúzia de entidades que dominam o mercado mundial de produção de alimentos. O fato de não serem encontrados recursos para resolver problemas como o da fome enquanto trilhões de dólares em recursos públicos foram disponibilizados da noite para o dia para salvar especuladores e agentes do sistema financeiro internacional responsáveis pela crise de 2008 dá a dimensão de que o problema jamais foi a insuficiência de recursos, mas sim as formas de sua canalização e a ausência de maneiras de organização social que permita aos cidadãos e cidadãs a apropriação democrática dos recursos e resultados econômicos.

Nessa perspectiva, quem não está disposto a se posicionar de forma contrária à ética predatória de acumulação desenfreada do capitalismo e sua tendência natural à formação de monopólios e oligopólios não possui qualquer autoridade para criticar o escândalo das carnes. Da mesma maneira, também não possui quaisquer condições de sair em defesa da liberdade promovida pela apologia vulgar do livre-mercado — mesmo a liberdade de consumir nos próprios termos e premissas dos códigos mercantis que costumam condicionar e confundir o exercício da liberdade ao ato de comprar, gerando um exército de consumidores falhos que, segundo Bauman, pagam o preço amargo da confusão entre cidadania e consumo promovida pelo capitalismo pós-moderno.

Enquanto permanecer existindo a contradição das forças produtivas referente à produção e à distribuição de alimentos, gigantes do agronegócio como a BRF e a JBS – conhecidas violadoras de direitos ambientais, trabalhistas e responsáveis por conflitos no campo envolvendo comunidades indígenas e ribeirinhas – continuarão existindo e, sobretudo, produzindo veneno em forma de comida, coroando um sistema plenamente disfuncional e hostil a qualquer prospecção emancipatória da humanidade.




1 O Capital, Livro I. Boitempo Editorial, 2014, páginas 322 e 323.


2 Idem, página 308.


3 Idem, página 307.




4 http://www.ihu.unisinos.br/556450-fome-ainda-afeta-800-milhoes-de-pessoas-no-mundo

Outras Palavras



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Posted: 22 Mar 2017 06:23 AM PDT

Ser mais bondoso consigo mesmo pode garantir a motivação necessária para um bom desempenho na universidade e na vida, mostra pesquisa


Estudantes com níveis elevados de autocompaixão se sentem mais energizados, mais otimistas e mais vivos no primeiro semestre da universidade, relata pesquisa da Universidade de British Columbia, no Canadá. Quanto maior a compaixão por si mesmo, diz o estudo, maior a motivação para os estudos e maior resistência às cobranças da vida universitária.

“Nosso estudo sugere que o estresse psicológico que os alunos podem experimentar durante a transição entre o ensino médio e a universidade pode ser amenizado com autocompaixão”, diz Katie Gunnell, autora principal do estudo, em nota.

Segundo a autora, a universidade no primeiro ano pode ser muito estressante. Estudantes que estão acostumados a notas altas podem ficar abalados se não tiverem o mesmo desempenho na universidade. Muitos deles também passam a viver longe de casa e, com isso, perdem o importante apoio social que tiveram no ensino médio.

Para chegar a esses resultados, Gunnel entrevistou 189 estudantes da Universidade de British Columbia e, com um questionário específico validado, ela encontrou a influência da autocompaixão em vários indicadores de bem-estar.



A autocompaixão melhora três características necessárias ao bem-estar: a autonomia, a percepção de competência e as relações. Foto: CC0 Public Domain

O que explica essa influência?


Segundo o estudo, uma teoria que pode ser usada para entender a relação entre autocompaixão e bem-estar: é a da autodeterminação, descrita pelos pesquisadores Edward Deci e Richard Ryan em artigo de 2000. Segundo a teoria, todos os seres humanos têm necessidades psicológicas inatas que, quando supridas, contribuem para um maior bem-estar.

As três necessidades psicológicas são a competência (ou seja, a percepção de que se pode realizar tarefas pessoalmente desafiadoras), a autonomia (ou seja, a percepção de que se está no controle de seus comportamentos) e afinidades (a sensação de conexão com outras pessoas).

Segundo a pesquisa, a autocompaixão contribui para o desenvolvimento dessas três competências. Para a autonomia, encoraja a busca autônoma por novas habilidades. Em relação à competência, ela aumenta a percepção de que os desafios fazem parte de uma experiência humana – aumentando a percepção sobre a competência. Também a ausência de compaixão eleva pensamentos críticos que podem prejudicar a percepção de competência.

Por fim, a autocompaixão pode facilitar a percepção de afinidades porque permite reconhecer que as próprias necessidades são tão válidas e dignas de atenção quanto as necessidades alheias. A autobondade para consigo aumenta a bondade para com os outros e, por isso, melhora as relações interpessoais.

As descobertas do estudo destacam o potencial das faculdades e universidades para melhorar a autocompaixão dos alunos do primeiro ano por meio do desenvolvimento de oficinas ou campanhas. O incentivo à autocompaixão é uma maneira de garantir a permanência de alunos na universidade, salientam.



Brasileiros



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Posted: 22 Mar 2017 06:16 AM PDT

Leia, primeiro, a nota oficial dos procuradores da Lava Jato sobre o episódio Eduardo Guimarães, blogueiro levado para a Polícia Federal em condução coercitiva, em inquérito que visa levantar os responsáveis pelo vazamento das informações sobre a condução coercitiva de Lula em 2015.

A Nota é muito importante. Sem pretender, os procuradores passaram a receita do que pretendem:

Diz a Nota:


“As providências desta data não tiveram por objetivo identificar quem é a fonte do blogueiro, que já era conhecida, mas sim colher provas adicionais em relação a todos os envolvidos no prévio fornecimento das informações sigilosas aos investigados.

“O Ministério Público Federal reforça seu respeito ao livre exercício da imprensa, essencial à democracia. Reconhece ainda a importância do trabalho de interesse público desenvolvido por blogueiros e pela imprensa independente. Trata-se de atividade extremamente relevante para a população, que inclusive contribui para o controle social e o combate à corrupção”

Quem quiser que compre a versão, em que só faltou beijo na boca.

Mas vamos analisar a nota, ponto por ponto.

Ponto 1 – o objetivo não era identificar a fonte, mas “colher informações provas adicionais em relação a todos os envolvidos no prévio fornecimento das informações sigilosas aos investigados.

Ou seja, não queremos as fontes do Eduardo, mas apenas as pessoas envolvidas no fornecimento de informações ao Eduardo. Em jornalismo, essas pessoas atendem pela alcunha de... fonte.

Ponto 2 – se a Operação já tem todo o trajeto das informações, da moça que vazou ao blogueiro paranaense, do blogueiro ao Eduardo, o que mais precisam? O roteiro das informações depois que chegaram no Eduardo.

A intenção óbvia dos bravos e óbvios procuradores é juntar elementos que permitam caracterizar ação concatenada entre Eduardo e outros blogueiros. De preferência, encontrar algum elo externo que permita enquadrar a ação dos blogueiros em organização criminosa.
Logo após a consumação do golpe, mostramos aqui que a força tarefa da Lava Jato tinha incluído, nas perguntas aos delatores, nomes de blogueiros, visando identificar algum elo.

Aparecendo o nome, obviamente dar-se-ia ampla publicidade, como foi o caso de Breno Altmann, mesmo que as acusações se mostrassem infundadas.

O sequestro dos equipamentos de Eduardo visa estabelecer essas relações entre blogueiros para futura ação da Lava Jato.



GGN



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Posted: 22 Mar 2017 06:06 AM PDT

Toda crise exige soluções políticas na economia, as quais não são neutras ou apartidárias. Cada proposta revela sua devoção religiosa e a dos economistas de mercado é a da sustentação do capitalismo



Os economistas de mercado são pessoas curiosas. Preocupam-se com soluções possíveis desde que essas perpetuem as estruturas sociais dominantes. Como qualquer humano, esses seres têm medos, anseios e desejos, os quais, geralmente, estão representados nas distintas formas de espiritualidade. Concretamente, a religião desses economistas coloca o Mercado como rei dos deuses, cuja ânsia devoradora exige sacrifícios de tempos em tempos. Infelizmente, os sacrificados pouco importam para deus Mercado.

A edição de novembro e dezembro de 2016 da revista Rumos reporta uma síntese do debate entre vários economistas (de mercado) promovido pelo BNDES no intuito de discutir saídas para a atual crise brasileira e caminhos para o desenvolvimento. É bem verdade que nem todos ali se mostram tão comprometidos a deus Mercado, porém mesmo os mais céticos mantêm alguma crença.

Fabio Giambiagi, famoso por seus manuais sobre Economia do Setor Público e Economia Brasileira, ilustra o desfile dos mais devotos. Sua devoção é tamanha que chega ao ponto de ressignificar o conceito de “crise econômica” para “crescimento moderado em todo o mundo”, mesmo que uma série de movimentos populares tenha emergido desde 2008 denunciando exatamente as contradições e limites do capitalismo.

Apenas para pegar o período pós 2008/2009, o qual marca o detonamento da atual crise mundial, grandes protestos antimercado despontaram mundo afora. No Chile, em defesa da educação pública. Os movimentos Occupycontra a desigualdade e a mercantilização da democracia, que se espalharam desde 2011 de Wall Street para todos os continentes. Teve, também, aqueles especificamente contra a austeridade econômica na Grécia, Irlanda, Itália, Portugal, Espanha, Reino Unido e Canadá, para citar alguns exemplos. Isso sem contar as Jornadas de Junho de 2013 no Brasil, as quais certamente não aconteceram em defesa das instituições de mercado. Ou, então, a ascensão de nomes assumidamente socialistas como potenciais vencedores nacionais nas disputas eleitorais dos EUA (Bernie Sanders) e Inglaterra (Jeremy Corbyn). Se essa quantidade de fenômenos sociais antimercado não indica que esse sistema econômico está em crise, o que mais indicaria, caro Fabio?

Outro desses devotos de mercado na reportagem é o economista Sergio Besserman Vianna, o qual sugere, por exemplo, a precificação do meio ambiente como solução para uma retomada da economia brasileira.

Para sustentar seu argumento, ele canta louvores à nossa matriz energética (supostamente) limpa e a capacidade brasileira de produzir alimentos. Seria interessante que o economista Sergio observasse um pouco mais de perto o processo pelo qual nossas hidrelétricas produzem energia, pois é provável que ele veja as coisas de um modo mais manchado de sangue e lágrimas.

Ou, então, o que significaria alavancar nossa capacidade produtora de alimentos sem reestruturarmos as relações de produção e propriedade no campo. Até porque, como mostra o Censo Agropecuário de 2006 do IBGE, quem de fato produz alimentos para consumo interno é majoritariamente a agricultura familiar, a mesma que possui cerca de 25% das terras cultiváveis ocupando por volta de 75% dos trabalhadores do campo.

Por outro lado, o latifúndio detém cerca de 75% das terras cultiváveis ocupando meros 25% dos trabalhadores rurais. Seria quase um pleonasmo vicioso dizer que o latifúndio e suas organizações de classe exaltam o deus Mercado, independentemente da destruição de vidas camponesas e da diversidade ambiental implícitas às demandas de Deus Mercado. Basta ver quem é o atual ministro da Agricultura, Pesca e Abastecimento, o senhor Blairo Maggi, um dos maiores latifundiários do Brasil.

Ao contrário do que os economistas de mercado dizem, economia e política não são coisas distintas. Toda crise exige soluções políticas, as quais não são neutras ou apartidárias. Cada proposta revela ao mesmo tempo sua devoção religiosa e a dos economistas de mercado é a da sustentação do capitalismo.

Dito de outra forma, o que tais profissionais sugerem é, para citar as palavras de Eduardo Galeano, a mesma opção que um cozinheiro dá às aves que irá cozinhar. Nesses termos, a única opção possível é escolhermos com qual molho deus Mercado nos comerá. Pessoalmente, eu gostaria de saber por que os clérigos da igreja do deus Mercado insistem em entregar os historicamente marginalizados e oprimidos como oferenda. Até porque, convenhamos, quem decidiu que deus Mercado seria a divindade suprema?

Crédito da foto: Youtube



Brasil Debate



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Posted: 22 Mar 2017 05:58 AM PDT

Marcio Pochmann é professor de economia da Unicamp e ex-presidente do IPEA nos governos Lula e Dilma


Foto: Leandro Taques
por Jornalistas Livres

Por Paula Zarth Padilha, com fotos de Leandro Taques
O economista Marcio Pochmann, professor da Unicamp e presidente do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA) de 2007 a 2012, esteve em Curitiba nos dias 17 e 18 de março e concedeu entrevista ao Terra Sem Males e aos Jornalistas Livres. Ele falou sobre a necessidade de um caminho de convergência necessário para a esquerda diante do cenário atual de retrocessos.

Pochmann alerta para a possibilidade de não ocorrerem eleições em 2018 e questiona: a quem interessa a destruição das empreiteiras, da exploração do petróleo e gás e da indústria de alimentos, que eram redutos brasileiros que ainda não tinham sido ocupados por empresas estrangeiras?

Para ele, Dilma caiu porque promoveu a recessão e porque seu governo foi enfraquecido politicamente por uma sequência de erros, ao mesmo tempo em que a direita se fortaleceu com o resultado apertado das eleições presidenciais de 2014.

Confira:

Historicamente, os economistas defendem que os ciclos de crise do capitalismo levam a caminhos de retomada, e que estaríamos na terceira grande crise do capitalismo mundial. Que caminhos possíveis de retomada existem atualmente na conjuntura brasileira?
Marcio Pochmann: Primeiro reconhecer que há caminhos. Agora, qualquer caminho serve quando você não sabe onde quer ir. Nosso problema é que não conseguimos ter uma maioria que tenha uma direção para onde ir. Então qualquer caminho pode servir, até porque esse retrocesso que estamos vivendo agora poderá ser muito satisfatório para criar uma nova convergência.

O projeto neoliberal foi interrompido a partir de 2003, mas ficou sempre sendo colocado que o Brasil teria dificuldades de se desenvolver sem ter completado o projeto neoliberal. Se a gente não tivesse tido o governo do presidente Lula, possivelmente as reformas (privatistas) estariam sendo já inauguradas. Privatizações como a do Banco do Brasil e da Petrobrás, entre outras, poderiam ter sido consagradas. Então houve uma interrupção e agora nós estamos tendo de uma forma muito contundente a retomada dessas reformas, cujos resultados estão muito evidentes, levando várias pessoas a se posicionarem com postura muito mais crítica com relação a essas reformas.

Vejo como uma possibilidade a gente recuperar o terreno perdido a partir de uma derrota desse projeto neoliberal dado a circunstância que ele coloca que não oferece futuro. A não ser, notícias piores para as pessoas. Se houver essa capacidade de criar essa maioria, essa convergência sob o ponto de vista da esquerda, que inviabilize por muito tempo esse projeto neoliberal. O jogo não terminou, o que está acontecendo no Brasil pode ser uma página virada, depende de nossa capacidade de responder, de não ficarmos no lamento.

Temos posições muito interessantes do que ocorreu na semana passada (manifestações do 15 de março). Essa mobilização nacional que não se deu apenas num estado ou numa cidade, foi algo bastante importante da capacidade que nós temos de reagir. Então eu vejo como um momento que não tem nada definitivo.

O importante é ter um projeto de unidade para a gente seguir executando os próximos passos. A dificuldade é não ter um projeto para onde a gente quer ir. A não ser lembrar que nós éramos melhores anteriormente, mas isso é insuficiente. Porque senão o Brasil pode ser um país que tenha como futuro um grande passado. E temos que ter como futuro o novo que precisa ser construído.

Foto: Leandro Taques

Essa reação popular pode despertar no governo a inviabilização da eleição em 2018?
Marcio Pochmann: O jogo está sendo jogado. É obvio que eles não querer e vão fazer de tudo o possível para evitar qualquer retorno de um governo que seja diferente desse daí. E a força de Temer é ao mesmo tempo sua própria fraqueza. O que dá ao Temer uma pujança em termos de base de apoio no legislativo é justamente porque ele segue oferecendo para grande parte dos parlamentares uma segurança em relação ao avanço das operações da Lava Jato. À medida que a Lava Jato continue prosseguindo, Temer deve perder o apoio. Então ele tem que oferecer a inviabilização da exposição da corrupção que consome parte importante dos parlamentares, tanto no Senado quanto na Câmara.

A mesma coisa está relacionada à base que ele tem do ponto de vista do capital, dos empresários, dos meios de comunicação. Ele tem uma base de apoio enquanto ele oferecer indicação de que tem capacidade de fazer reformas que são de interesse desses setores. Se eles não conseguirem fazer essas reformas, ele perde esse apoio. Temer está lá para fazer as reformas, se ele não fizer, ele cai.

À medida em que a população tem uma reação contundente a essas reformas, torna mais difícil o governo Temer. E uma solução não democrática é uma possibilidade. Mas eu tenho dúvida. Temos que entender que a democracia no Brasil sempre é uma exceção, nunca uma regra, o Brasil acumulou períodos autoritários. Temos 500 anos de história e mal temos 50 de período democrático. E essa experiência que estamos vivendo de 1985 para cá é a mais longeva.

Ao que parece nós acumulamos alguma institucionalidade para evitar mais uma medida drástica, mas ela não é impossível de ocorrer, que nós tenhamos penalidades muito maiores com relação à democracia, até mesmo de não ocorrer as eleições de 2018.

Podemos estar vivendo, guardadas as devidas proporções, algo parecido com o que ocorreu em 1964. Vários democratas apoiaram o golpe. Não foi só a imprensa ou os empresários. Juscelino Kubistchek apoiou o golpe, Ulisses Guimarães apoiou o golpe, entre outros. Porque era de certa maneira oportuno para eles apoiar o golpe. Houve um apoio de democratas ao golpe de 1964, na expectativa de que houvesse um processo pontual e quem em 1966 as eleições voltassem a ser realizadas e aí que daria chance a esses nomes que pleiteavam o governo. Mas em 1966 não teve eleição.

Foto: Leandro Taques

Você acredita que o golpe de 2016 poderia ter sido evitado?
Marcio Pochmann: A tentativa de interromper ou inviabilizar o governo de esquerda no Brasil já ocorre desde 2003. Eu acredito que a razão do golpe se viabilizar foi a perda da base política da presidenta Dilma. E ela perdeu essa base política quando optou pela recessão. O que significa dizer que se não tivéssemos tido recessão, talvez não tivesse tido o golpe.

O golpe é uma tentativa de tirar o PT do governo. Acontece que a direita fez uma operação de alto risco. Eles se deram conta que com a vitória apertada de 2014, depois de Dilma viria o Lula, que ficaria mais oito anos, e eles não teriam mais oportunidade de ser governo e de aplicar as medidas neoliberais. Eles tentaram em todas as eleições o receituário neoliberal e a população não aceitou. Então a única possibilidade deles era o terceiro turno.

Eles mudaram a postura. Não aceitaram o resultado, questionaram o resultado no Tribunal Superior Eleitoral, alegaram que tinha problemas na contagem de votos, mobilizaram as massas. Quem desmobilizou foi quem ganhou a eleição. Achando que o outro lado ia aceitar o resultado e ele não aceitou o resultado. Então o golpe já começou a ser pleiteado a partir do resultado eleitoral.

Vários erros políticos foram feitos pelo governo, como a presidência da Câmara. Então isso culminou (no golpe). Quando (Dilma) enfraqueceu e perdeu base, eles aproveitaram a oportunidade. Ter colocado Michel Temer como ministro de relações institucionais também foi outro erro. Ela fez o presidente do PMDB perceber a fragilidade da base (de apoio ao governo) e ele reorganizou aquela base e ele mesmo assumiu o governo. O problema é que o governo se fragilizou quando eles se fortaleceram. Então, o golpe poderia ter sido evitado. Assim como podemos sair do golpe muito melhores do que entramos.

Foto: Leandro Taques

Qual sua avaliação das operações que afetaram primeiro as empreiteiras e agora os frigoríficos?
Marcio Pochmann: As instituições devem exercer as atividades para a qual foram constituídas e dentro dessas atividades é coibir o mau uso do recurso público então eu acredito que estão na função necessária a elas. O que eu gostaria de ressaltar é que parece que essas instituições não estão sabendo diferenciar o mau uso do recurso público feito por pessoas, por decisões pessoais nas instituições as quais elas fazem parte. E num momento de acirramento da competição das grandes empresas no mundo, é bastante estranho que justamente nos setores que o Brasil teve protagonismo mundial, que são os setores de petróleo e gás, fundamentalmente através da Petrobrás, as grandes empreiteiras brasileiras que têm papel gigantesco na construção da engenharia nacional e na sua presença fora do Brasil, são competidores em obras públicas em outros países, praticamente na América Latina toda essas empresas tinham alguma presença.

E agora a questão dos frigoríficos que é outro setor que o Brasil domina já há algum tempo, então é estranho que esses setores estão sendo objeto de averiguação e constatação de mau uso de recurso público, misturando pessoas com a empresa.

Temos vários casos de situações parecidas ocorridas em outros países, um dos exemplos é a Volkswagen que manipulou regras de produção de automóvel, ela foi autuada, os dirigentes foram penalizados, mas a empresa segue sua tarefa.

O que está ocorrendo no Brasil é que ao se misturar instituição com personalidade, nós estamos na verdade destruindo a engenharia nacional, destruindo o setor de petróleo e gás, e agora vamos averiguar o que vai acontecer com os frigoríficos, isso vai retirando as poucas possibilidades que o Brasil teria de seguir atuando interna e externamente. Obviamente esse vazio deixado pelo petróleo e gás está sendo ocupado hoje por empresas estrangeiras. As empreiteiras nacionais se tornaram inviáveis, estão tendo que se desfazer de seus ativos e até mesmo vender parte do que possuem para empresas estrangeiras. E não sabemos o que vai acontecer com o setor de frigoríficos mas temos que questionar até que ponto esse papel sério de investigar o uso do recurso público deve ser feito dessa maneira que parece equivocada quando não separa pessoas de instituições. O que está ocorrendo no Brasil é uma destruição das empresas nacionais.


Jornalistas Livres



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Posted: 22 Mar 2017 05:45 AM PDT

A proposta de ampliar o grupo BRICS com poderosas economias emergentes poderia tapar a lacuna deixada pelas políticas comerciais protecionistas dos EUA, disse à Sputnik o analista internacional Adrián Zelaia.


Zelaia, presidente da consultora Ekai Center, falou com a Sputnik Mundosobre a proposta chinesa de ampliar o grupo dos países emergentes BRICS que inclui a Rússia, o Brasil, a China, a Índia e a África do Sul. O gigante asiático propôs que o Paquistão, Bangladesh, Irã, Nigéria, Coreia do Sul, México, Indonésia, Turquia, Filipinas e Vietnã também aderissem ao bloco.

O especialista indicou que "é lógico" que os BRICS coloquem opções de ampliação, particularmente no "contexto geopolítico atual". Uma expansão do grupo poderá ser "uma compensação" da "retirada aparente das estratégias [comerciais] hegemônicas" dos EUA usando políticas protecionistas.

"Foi dissolvido o projeto do TPP [o Acordo Transpacífico], que pressupunha uma aposta para assegurar a preservação da posição hegemônica dos EUA relativamente à Ásia. Todos estes movimentos geraram um contexto adequado para que em uma situação de possível lacuna, que provavelmente se vai formar devido â postura nova dos EUA, os BRICS assumam um papel mais importante face a um conjunto de países emergentes", disse Zelaia.

Hoje é um momento "chave", já que os BRICS têm sido até agora "um ponto de referência de contraste em relação ao Ocidente" no sentido simbólico. Esta situação pode transitar para um "poder efetivo" que ponha este conjunto de nações à cabeça da ordem econômica mundial e não somente como um contrapeso.


"Se os BRICS conseguirem ampliar de forma substancial sua base de pertença e o número de países que integram o grupo, e o fizerem de forma estável, isto vai inevitavelmente gerar um [novo grande] poder e uma influência política, econômica e cultural em todo o mundo. Claramente, já não será um contrapeso, mas algo que vai se converter em um bloco dominante do mundo dentro de alguns anos", analisou o cientista político.

Zelais sublinhou que os BRICS são "fundamentalmente a aposta em um modelo de evolução" que vai muito além de um simples bloco comercial. Boa parte dos países mencionados pela China têm um comércio "intenso" entre si, por isso sua adesão "não teria um impacto decisivo nos intercâmbios" comerciais.

"O modelo de desenvolvimento [dos BRICS] não se baseia exclusivamente em comerciar mais, mas na aposta em investimentos estratégicos de futuro. Uma boa parte dos países cuja adesão ao bloco está sendo planejada se encontram no âmbito da chamada Nova Rota da Seda, um projeto de investimentos em infraestruturas e comunicações euroasiáticas", explicou o analista.

Estas infraestruturas seriam "uma avalancha extraordinária" para os esquemas de desenvolvimento em sintonia com a "filosofia habitual da China" que "não implica que um país ganhe aquilo que outro perca, senão que entre todos eles haja intenção de fazer propostas e gerar projetos" que sirvam para um interesse mútuo.

Entretanto, a adesão destes países pode causar tensões entre os cinco países-membros, por isso eles "terão que ter muito cuidado no momento de planejar uma ampliação para não romper os equilíbrios".

A Índia, por exemplo, foi o país que recebeu com mais receio a lista proposta pela China, integrada em sua maioria por nações vizinhas do gigante euroasiático. Em muitos casos, os candidatos "não têm tido uma relação fácil" com Nova Deli.

"Este será um contexto que os BRICS terão que levar em conta e que não será fácil de superar. O poder econômico e a capacidade de criar alianças da China são muito maiores que os de outros países, já que é a maior potência econômica dentro do bloco. A Índia está quase isolada quanto à sua capacidade de buscar novas integrações entre os seus aliados. Então não será fácil gerenciar isto [o processo de ampliação do bloco] de uma forma perfeita para todos", concluiu.

SputnikNews



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Posted: 22 Mar 2017 05:34 AM PDT
Flavia Melhorance
Para a BBC Brasil em Londres
Funcionário de supermercado em Hong Kong recolhe produto brasileiro após restrição

Enquanto o Brasil tenta conter os prejuízos no mercado internacional em meio às suspensões de importação de carne por causa do escândalo de adulteração e corrupção no setor, outros países enxergam o fato como oportunidade.


Grandes produtores de carne, como Estados Unidos e Austrália, estão de olho em mercados em que Brasil tinha força, como a China e a União Europeia.

Também de olho no espaço que será deixado pelo Brasil, mas com menor potencial de exportação, estão Argentina, Irlanda e Nova Zelândia.

Especialistas, ainda assim, dizem acreditar que o Brasil tenha uma vantagem: outros países terão dificuldade de suprir a demanda de um dos maiores exportadores de carne do mundo.
Hong Kong impõe barreira

A indústria da carne brasileira exporta o equivalente a US$ 12 bilhões por ano, de acordo com a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).

Só de carne bovina foram gerados US$ 5,5 bilhões, com as 1,4 milhão de toneladas enviadas a 150 países em 2016, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).

O maior comprador é Hong Kong - região administrativa especial da China -, que importou 330 mil toneladas, gerando US$ 1,1 bilhão para o Brasil.

Na terça-feira, autoridades sanitárias do Japão e de Hong Kong suspenderam a exportação de carne brasileira, na esteira de restrições já impostas por China, Chile, União Europeia e Suíça.

Os Estados Unidos, maior importador de carne processada do Brasil, anunciaram que aumentarão a fiscalização sobre os produtos.

A expectativa é que outros mercados ainda venham a impor barreiras ao Brasil, o que traz oportunidades para competidores.

"Estados Unidos e Austrália geram preocupação", comentou o presidente da AEB, José Augusto de Castro.

"É possível que nesses primeiros meses o Brasil perca mercados, especialmente de frango e carne bovina, para grandes produtores", disse.

Fábrica de carne processada em Lapa, no Paraná, recebe inspeção

A proximidade geográfica com a China - segundo maior importador de carne brasileira - pode dar vantagens à Austrália, enquanto os Estados Unidos miram os países europeus.

A estimativa da AEB é que o Brasil tenha prejuízos de até US$ 2 bilhões este ano no mercado internacional, influenciado tanto pelas restrições como por uma provável queda do preço da carne brasileira.

O preço da carne brasileira já era relativamente baixo, segundo Castro. Os preços de frango, carne bovina e suína tinham recuado, em média, 25% entre 2011 e 2016.

No último ano, os frigoríficos brasileiros vinham conseguindo vender a preços melhores, com aumento de 40% no preço da carne suína, 20% do frango e 10% da carne bovina.

"Espera-se que essa valorização seja toda perdida", lamenta Castro.

O que pode salvar o mercado brasileiro é a dificuldade de outros países de produzir a quantidade que o Brasil hoje exporta.

"O Brasil é o maior produtor de carne de frango e de longe o maior exportador, então acho improvável que alguém consiga substituí-lo", afirmou à BBC Brasil Liz Murphy, CEO da Associação Internacional de Comércio de Carnes (IMTA, na sigla em inglês).

Além disso, países exportadores enfrentam seus próprios desafios para competir internacionalmente.

A Austrália, segundo maior exportador de carne bovina, recupera-se de uma forte seca no último ano, que afetou rebanhos e elevou os preços do seu produto.

Já os Estados Unidos enfrentam um surto de gripe aviária. E, antes da crise, o país era visto, inclusive, como oportunidade para o mercado brasileiro.

Competidores internacionais podem tomar mercados brasileiros
Argentina, Irlanda e NZ

A Argentina também tem expectativas: a Câmara Argentina de Feedlot (pecuária intensiva) afirmou à agência Diarios y Noticias (DyN) que o país vizinho "não teria dificuldade" em colocar seus produtos na Europa e em países asiáticos depois do que ocorreu no Brasil.

E a Câmara da Indústria da Carne (Cicra, na sigla em espanhol) afirmou ao jornalClarín que espera ampliar a exportação ao Chile.

O empecilho, neste caso, é a valorização do produto. A boa fama do bife argentino o torna até 15% mais caro que o brasileiro.

Além do preço, a Argentina não tem excedente suficiente para vender a outros países, segundo José Augusto de Castro e a Confederação Rural Argentina, citada no DyN.

Ao mesmo tempo, o país abriga frigoríficos controlados pela BRF, uma das empresas afetadas pela operação Carne Fraca da Polícia Federal.
Disputa na Europa

Dados da Comissão Europeia mostram que a Europa importou 140 mil toneladas de carne brasileiraem 2016, cerca de 40% do total.

Assim que o escândalo veio à tona, associações irlandesas de produtores de carne cobraram a proibição de importações de carne brasileira pela União Europeia.

A intenção é expandir a atuação no mercado europeu, especialistas afirmaram aoAgriLand, um portal de notícias irlandês especializado em agricultura.

"A Irlanda sempre pressionou por barreiras à produção", acrescentou Castro. "Mas o problema deles é o alto custo dos produtos."

Em ofensiva de comunicação dois dias após operação da PF, presidente Michel Temer levou representantes de importadoras de carne a churrascaria

Do outro lado, quem quiser exportar para a China terá de enfrentar um rígido e longo processo de certificação sanitária.

"Muitos países têm interesse em exportar para eles", diz Liz Murphy, da IMTA, baseada em Londres.

"O Reino Unido, por exemplo, nem sequer conseguiu um acordo para iniciar as negociações (para exportar carne para a China), porque o país não está livre da gripe aviária."

A Nova Zelândia já tem a certificação, e 12% das importações de carne bovina da China vêm de lá.

"Nos últimos anos, a Nova Zelândia tem enfrentado crescente competição do produto brasileiro em seus mercados tradicionais, como a China", explicou Cornelius Williams, economista rural do banco ANZ, da Austrália e Nova Zelândia.

"Se a carne brasileira continuar suspensa, isso pode aumentar o retorno do país", concluiu Williams, ponderando que a situação ainda está nebulosa demais para se prever a movimentação dos mercados.

A Nova Zelândia não tem escala mundial como o Brasil, e grande parte de sua oferta tem foco na distribuição de laticínios. Mas Williams lembrou que há relações já estabelecidas com mercados-chave, como Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul e Europa.
Momento crucial

Isso significa que as consequências da crise vão depender de como o Brasil irá lidar - e comunicar - o combate à corrupção da carne.

Ou seja, os especialistas consultados pela BBC Brasil concordam que as denúncias de propinas a fiscais e de adulteração de carne são gravíssimas e que o escândalo tem um potencial de danos sem precedentes à imagem brasileira nesse mercado internacional.

Mas a forte procura pela carne brasileira e a dificuldade encontrada por outros mercados podem amenizar as consequências econômicas se o país souber responder à crise.

"A situação é bastante fluida no momento. Os países podem mudar de posição e alterar suas políticas à medida que mais fatos sejam conhecidos", diz Murphy.

Carne recolhida em supermercado do Rio de Janeiro

O presidente da AEB menciona o exemplo da Coreia do Sul, que chegou a banir a carne brasileira, mas recuou da medida.

"Quando a operação ocorreu, parecia que era um problema generalizado e houve reações como a da Coreia. Aos poucos, entendeu-se que eram 21 frigoríficos envolvidos nos crimes num universo de 4.400 empresas brasileiras", comenta Castro.


BBC Brasil



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Posted: 22 Mar 2017 05:23 AM PDT

Ele ainda não caiu, pelo menos até o início desta manhã de quarta-feira. Mas é inevitável a queda do ministro da Justiça recém nomeado, Osmar Serraglio. Ele foi atingido em cheio pela operação Carne Fraca da Polícia Federal, realizada na semana passada, mal Serraglio havia assumido o cargo.

A PF que lhe é subordinada flagrou um diálogo de Serraglio com o cabeça do esquema de corrupção, chamando-o de "grande chefe". Até aí, seria problema dele, não houve nada no diálogo grampeado que o comprometesse.

Mas o que a senadora Kátia Abreu veio revelar depois, em pronunciamento no Senado, passou a ser problema de todo o Brasil.

Disse a senadora que quando ela estava à frente do Ministério da Agricultura foi avisada do envolvimento do "grande chefe" do Serraglio em malfeitos e decidiu demiti-lo imediatamente.

No entanto, afirma que foi pressionada por dois deputados do Paraná, que, apesar de alertados por ela dos malfeitos do cabeça do esquema de corrupção, insistiram que ela deveria mantê-lo no cargo de chefe da fiscalização no Paraná. Um desses deputados é exatamente o atual ministro da Justiça.

A pressão teria sido tanta que a ministra Kátia teve que levar o caso à presidenta Dilma, que a apoiou: — Demita.

Portanto, não pode continuar à frente do Ministério um deputado que defendeu a permanência no cargo de uma pessoa sabidamente corrupta.

Agora é esperar para ver se ele vai pedir demissão ou se, com sua agora comprovada cumplicidade com a corrupção, vai ser mais bem recebido na cúpula do governo do golpista Temer, onde quem acumula acusações de corrupção no currículo ganha pontos com o chefe do golpe.

Fico imaginando a cara dos que derrubaram Dilma achando que iriam livrar o Brasil da corrupção melhorar a economia do país.

A economia está um caos e a cúpula do governo é uma quadrilha, que acumula acusações de corrupção, inclusive o golpista Temer, o MT da lista da Odebrecht.



Blog do Mello



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Posted: 22 Mar 2017 05:14 AM PDT


Do Facebook de Simone G de Lima
Eu li o relatório da operação carne fraca todo, as 353 páginas. Disponibilizei aqui porque, realmente, nossa imprensa é muito fraca, ainda mais quando se trata de traduzir tecnicalidades para o público leigo. Me irrito até não poder mais quando leio jornalismo que vai discutir leishmaniose ou zika, por exemplo. Mas então, vamos lá, bem resumidamente, o que me chamou mais atenção:

– Não sei de onde veio a história do papelão e tô com preguiça, agora, de saber. Mas não tem uma menção a papelão nenhum no relatório. Ou seja, parem de falar de papelão, por favor.

– O relatório faz sim referência, erradamente, a ácido ascórbico como se fosse carcinogênico ( na verdade, ele repete uma alegação de uma pessoa a respeito) . Ácido ascórbico é usado legalmente como conservante.
Ah, então quer dizer que foi tudo exagero e tá tudo lindo com a carne?

Não, gente.

Tá tudo bem com carne se ela está no corpo do ser vivo que é dono daquela carne.

Mas mesmo abstraindo do problema de tomar a carne alheia para si, vamos ver o que é preocupante no relatório.

– O relatório mostra um esquema que foi denunciado por UM funcionário do MAPA no Paraná, que abriu a boca após ter sido perseguido por não concordar com o esquema de subornos de fiscais por frigoríficos. Quando a polícia investiga o caso, uma coisa vai levando a outra, e o que começa como uma denúncia bem circunscrita de um pedacinho de um estado, vai ficando claro que é todo um esquema nacional de corrupção de fiscais por diversos frigoríficos , desde bem pequenos até os gigantes globais BRF ( Sadia, Perdigão e diversas subsidiárias) e JBS/ Friboi, maior holding mundial da indústria da carne. (Ou seja, é simplesmente inverídico alegar que todos os frigoríficos foram inspecionados mas só acharam problemas nesses. O que a investigação mostra é que achou MUITO mais problema em mais estados do que quando começou).

– O problema do ácido ascórbico não é ele ser usado como conservante e sim ele ser usado para MASCARAR que um lote de carne estava vencido.

– O problema de uso de cabeça de porco ( as pessoas ficam com nojo, mas esse não é o problema legal) é que não é permitido usar em processados a menos que isso esteja claro. É mais uma questão de fraude do consumidor.

– Há gravações de pessoas falando na maior naturalidade sobre como aproveitar, em embutidos, carne vencida há TRÊS MESES.

– O problema da salmonellose maior não é de que a carne tenha chegado na itália contaminada- ela foi devolvida. O problema são os funcionários gravados discutindo como iriam “reutilizar”, DEPOIS DE CHEGAR DE VOLTA , no porto, aqui. Cogitam usar em ração ou em embutido, daí dias depois dizem que já venderam por ali mesmo.

– São impactantes as gravações mostrando como se afastavam diversos fiscais que faziam o seu trabalho de maneira séria. Tem uma sequência toda de empresários falando de uma médica veterinária que é criteriosa nos exames laboratoriais, a chamando de vaca, puta* , etc, e discutindo tecnicamente o que fazer com os produtos para burlar os exames.
(*valhei-nos Carol Adams)

– A BRF simplesmente mantinha uma funcionária DENTRO DO MAPA com escrivaninha, computador, login e senha do sistema para emitir certificados. Apenas.

– O uso , na produção da carne e subprodutos, de animais que já chegam no abatedouro mortos por conta do transporte. Mesmo se abstraíssemos do que isso revela da crueldade no transporte desses animais, é algo que é proibido por normas sanitárias, porque desde o momento da morte já começa a decomposição, ou seja, o animal está na estrada decompondo e sua carne ainda vai ser usada horas/ dias depois para o processamento e venda.

– Algo grave que NINGUEM parece ter reportado: a alta funcionária do MAPA “ganhou” uma passagem da BRF pra Europa para aprender sobre abate em maiores velocidades do que as permitidas no Brasil. Voltou da viagem, puf, a norma do Brasil sobre velocidade de abate permitiu abate 20% mais rápido. Eu sei que isso é super técnico, mas o que ocorre é que mundialmente tem uma crítica a sistemas que aumentam a velocidade de abate de frangos tanto porque uma parcela vai entrar vivo no banho que escalda ( ou seja, vai ser fervido VIVO) quanto por conta de segurança do trabalhador. No relatório tão lá correndo para não ficar na cara que uma empresa privada influenciou o MAPA a mudar uma norma.

Há outras questões que não tenho tempo de relatar, mas queria compartilhar e dizer ainda que como alguem que é amiga de veterinários e estudantes de veterinária e alguem que estuda acompanha as investigações de irregularidades em matadouros em todo o mundo, nada disso propriamente me supreendeu. Na verdade, a crueldade da indústria da carne é muito mais grave do que tudo isso. Mas é importante saber o que se come, e é importante saber que o grande compromisso dessa indústria é com o seu lucro. Também não é grande novidade. Mas deveria ser nosso direito saber de onde vem a nossa comida. E aí usar essas informações para escolhas do que comer.

PS1 : acho curioso as pessoas terem nojo de papelão mas não de sangue, músculo, tecido.
PS 2: acho curioso o escândalo de acharem que tem substância carcinogênica adicionada a embutidos quando embutidos , por si só, já foram listados oficialmente por autoridades médicas mundiais como carcinógenos. Ou seja, não precisa juntar nada não, gente. Já é carcinogênico.

Edição 1: link do relatório: http://politica.estadao.com.br/…/DECIS%C3%83O-PARTE-1.pdf.c…

Edição2 : como algumas pessoas questionaram a classificação de embutidos como carcinogênicos, compartilho o link: A inclusão foi resultado de estudos pela Associação Internacional de Pesquisa em Câncer – IARC- em 2015.
https://www.iarc.fr/en/media-centre/pr/2015/pdfs/pr240_E.pdf

Edição 3: Pra quem se interessa no tratamento dos animais pela pecuária nacional :
http://reporterbrasil.org.br/…/choques-socos-e-pauladas-a-…/

Pra quem se interessa pelo tratamento dos humanos pela pecuária nacional: https://www.youtube.com/watch?v=imKw_sbfaf0

Carta Campinas



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Posted: 22 Mar 2017 04:53 AM PDT

Em vídeo, a atriz critica as reformas trabalhistas que Temer tenta aprovar no Congresso como a que implanta a terceirização irrestrita. Projeto deve ser votado e aprovado amanhã na Câmara dos Deputados. Assista



A atriz Camila Pitanga divulgou, nesta terça-feira (21), um vídeo em que se posiciona contra as reformas trabalhistas que o presidente Michel Temer tenta aprovar no Congresso. A principal delas, a que prevê a terceirização, deve ser votada e aprovada nesta quarta-feira (22) na Câmara dos Deputados.

“Dizem por aí que a reforma trabalhista gera empregos. Mentira, não gera. O que gera emprego é crescimento econômico. O que os autores da reforma querem é retirar direitos dos trabalhadores”, afirma a atriz, chamando atenção para o fato de que a proposta vai facilitar a contratação apenas de temporários, sem direito a férias e outros benefícios.

Assista a íntegra.



Portal Fórum



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Posted: 22 Mar 2017 04:39 AM PDT

Washington já manifestava planos de arrendar o território; até hoje Cuba considera ilegal a presença norte-americana


Em 22 de março de 1903, os Estados Unidos instalam base militar em Guantánamo, Cuba. As relações entre Cuba e os Estados Unidos já eram conflituosas antes ainda das lutas pela independência. Planos para aquisição da ilha foram manifestadas por Washington em varias ocasiões. Enquanto diminuía a influência espanhola no Caribe, os Estados Unidos ganharam aos poucos uma posição de domínio político e econômico sobre a ilha.

As relações entre o continente norte-americano e a colônia espanhola de Cuba começaram já no século 18. À medida que o comércio legal e ilegal se incrementava, Cuba se converteu em importante centro de produção de tabaco e açúcar, o que levou ao crescimento do fluxo mercantil de Cuba aos portos dos Estados Unidos.

WikiCommons // Vista aérea de parte da base naval norte-americana na baía de Guantánamo, em Cuba, nos dias de hoje

A independência da 13 Colônias norte-americanas em 1776 aumentou as posibilidades de intercâmbio comercial entre Washington e Havana. Após a abertura da ilha ao comércio mundial em 1818, os acordos cubano-estadunidenses substituiram as conexões comerciais com a Espanha. Em 1820, Thomas Jefferson afirmou que Cuba era “o acréscimo mais interesante que se podía fazer ao nosso sistema de estados” e disse ao Secetário de Guerra, John Calhoun, que devia “na primeira oportunidade tomar Cuba”. Quincy Adams, Secretário de Estado, comparou Cuba com uma maçã que, ao separar-se da Espanha, gravitaria em direção aos Estados Unidos.

Em 1854, uma proposta secreta conhecida como o Manifesto de Ostend foi idealizada pelos diplomatas de Washington para adquirir Cuba da Espanha por US$ 130 milhões. Já em 1877, os Estados Unidos açambarcavam 82% das exportações de Cuba, podendo com isso controlar preços e produção diretamente. Cada vez mais cidadãos estadunidenses passaram a residir na ilha e alguns bairros à beira-mar tinham mais características de cidade norte-americana do que espanhola. Entre 1878 e 1898, investidores norte-americanos aproveitaram as condições econômicas cubanas, deterioradas devido à Guerra dos Dez Anos, e compraram propriedades a preços muito baixos.

O Secretário de Estado James Blaine escreveu em 1881 sobre Cuba: “A rica ilha, chave de entrada no Golfo do México, e via para estender nosso comércio pelo hemisfério ocidental, é, ainda que em mãos de Espanha, uma parte do sistema comercial americano. Se deixasse de ser espanhola, Cuba deve necessariamente tornar-se americana.”

Em 1897, o presidente William McKinley ofereceu comprar Cuba por US$ 300 milhões. A oferta foi rechaçada e a estranha explosão que afundou o couraçado USS Maine no porto de Havana provocaria a Guerra Hispano-Americana.

Independência condicionada


Em 10 de dezembro de 1898, Espanha e Estados Unidos firmaram o Tratado de Paris, ocasião em que o país europeu abriu mão de todos os seus direitos sobre Cuba. O tratado, do qual a Espanha pediu que os cubanos não participassem, poria fim ao Império Espanhol na América e marcava o principio da expansão e do domínio político dos Estados Unidos na região. O controle militar sobre a ilha durou até 1902, quando finalmente foi concedida a independencia formal a Cuba.

WikiCommons // Após os atentados de 11/9, os EUA instalaram na base militar uma prisão, muito questionada por violar direitos humanos

Uma das condições estabelecidas entre Cuba e Estados Unidos para assegurar a retirada das tropas estadunidenses da ilha era a adoção por Cuba da Emenda Platt. Esta medida estipulava que Washington poderia exercer o direito de intervenção em assuntos políticos, econômicos e militares cubanos em caso de necessidade. Outra consequência da emenda supunha o uso prolongado por parte dos Estados Unidos da porção meridional da Baía de Guantânamo, onde uma base naval havia sido estabelecida em 1898. O arrendamento da baía foi confirmado pelo Tratado Cubano-Americano.

Apesar da passagem de Cuba a uma república independente, os Estados Unidos assumiram o controle militar após uma rebelião dirigida por José Miguel Gomez. Em 1912, forças norte-americanas voltaram novamente a Cuba para acalmar protestos de afro-cubanos contra a discriminação racial.

Em 1926, as companhias dos Estados Unidos detinham mais de 60% da indústria açucareira cubana e importavam 95% do total da colheita cubana. Washington apoiou os sucessivos governos cubanos, mas o confronto interno entre o governo Gerardo Machado e seus opositores políticos levaram a um derrocamento militar dos rebeldes cubanos em 1933. O embaixador Sumner Welles solicitou a intervenção de marines ao presidente Roosevelt. Foram enviados 29 navios de guerra fortemente armados.

O sucessor de Machado, Ramón Grau, assumiu a presidência e anulou imediatamente a Emenda Platt. Em represália, Washington negou reconhecimento ao governo Grau, o qual era descrito pelo embaixador Welles “comunista” e “irresponsável”.

Os Estados Unidos continuaram a ter posse da base naval de Guantánamo. Foi definitivamente arrendada aos Estados Unidos e somente um acordo mútuo ou o abandono dos Estados Unidos da área poderia encerrar o arrendamento.

Anualmente, os EUA pagam pelo arrendamento mas Havana não aceita o pagamento. A presença do país em Guantánamo permanece contra a vontade do governo cubano que a considera uma ocupação ilegal e violatória de sua soberania.



Opera Mundi



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Posted: 22 Mar 2017 04:23 AM PDT


O Globo





Manchete: Governo recua e altera reforma da Previdência


Para facilitar aprovação, projeto excluirá servidores estaduais e municipais

Governadores terão de aprovar suas próprias leis para reduzir gastos com aposentadorias

Para reduzir as resistências de sua base parlamentar, o presidente Michel Temer recuou pela primeira vez na reforma da Previdência. O projeto não mais mudará as regras de aposentadoria de servidores estaduais e municipais, inclusive professores e policiais civis. Com isso, apenas servidores federais e trabalhadores do setor privado serão abrangidos pela reforma. A expectativa, agora, é aprovar o texto na Câmara em maio. (Pág. 23)

Planalto deve cortar R$ 40 bi do Orçamento e aumentar impostos (Pág. 24)


Embargo à carne deve ser limitado


Mais três países — México, Suíça e Japão — e Hong Kong aplicaram barreiras parciais à importação de carne brasileira. Mas, para analistas, esses embargos tendem a ter curta duração, pois está ficando mais claro que as investigações da PF têm um escopo menor no aspecto sanitário e porque o Brasil tem grande peso no comércio: responde por 20% das exportações mundiais de carne e 40% das de frango. Ontem, após reunião no Ministério da Agricultura, a PF divulgou nota afirmando que o foco é investigar corrupção e que o sistema de vigilância sanitária garante produtos de qualidade. (Págs. 26 e 27, Elio Gaspari, Míriam Leitão, Maria Ribeiro e Zuenir Ventura)


Kátia Abreu e o ‘bandido’


A ex-ministra Kátia Abreu (Agricultura) diz que nomeou um “bandido” para cargo no Paraná por pressão do PMDB, seu partido. (Pág. 26)


Senado reage a juízes e promotores


O Senado, focando o Judiciário e o Ministério Público, voltou a discutir projetos polêmicos, como o que endurece a punição de crimes de abuso de autoridade. Uma das propostas que desfiguram o projeto do fim do foro privilegiado cria vara especial para o julgamento de autoridades. (Pág. 3)


Quatro senadores viram alvo da PF


Operação decorrente da delação da Odebrecht mirou em Eunício Oliveira, Renan Calheiros, Valdir Raupp e Humberto Costa. (Pág. 4)


Relator propõe fundo misto para eleição


Vicente Cândido, relator da reforma política, quer campanhas com 70% de verbas públicas e 30% privadas. (Pág. 8)


Queda na renda, IDH estagnado


Pela 1ª vez desde 2004, o IDH, indicador do bem-estar social, ficou estagnado no país em 2015, devido à queda na renda causada pela crise. O quadro deve piorar no relatório de 2016. (Pág. 28)


Petrobras teve perda de R$ 14,8 bi


A Petrobras fechou 2016, pelo terceiro ano consecutivo, com prejuízo. Mas dívida da estatal recuou de R$ 493 bilhões para R$ 385 bilhões. (Pág. 29)


Rio confirma mais um caso


A Secretaria de Saúde confirmou o terceiro caso de febre amarela no Estado do Rio. Como os outros, o paciente é de Casimiro de Abreu. (Págs. 10 e 11)


O impacto da nova lei


Produtores avaliam mudanças no principal mecanismo de incentivo à cultura no país. (Segundo Caderno)


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O Estado de S. Paulo





Manchete: Gilmar acusa PGR de crime e defende anulação de delações


Ministro do Supremo fez crítica a vazamentos de depoimentos sigilosos, como os de envolvidos na Lava Jato

O ministro do STF Gilmar Mendes acusou a Procuradoria-Geral da República de divulgar de forma indevida informações de processos sigilosos, como da Lava Jato. Gilmar defendeu a anulação de depoimentos de delação premiada divulgados pela imprensa. Disse também ver “crime de responsabilidade” e criticou a “espetacularização”, ao citar a forma de divulgação da Polícia Federal na Operação Carne Fraca, que investiga esquema de pagamento de propina a fiscais. “Quando praticado por funcionário público, vazamento é eufemismo para um crime que os procuradores certamente não desconhecem. A violação do sigilo está no Artigo 325 do Código Penal. Mais grave é que a notícia dá conta dessa prática dentro da estrutura da PGR. Isso é constrangedor”, afirmou. E completou: “As investigações devem ter por objetivo produzir provas, não entreter a opinião pública ou demonstrar autoridade. Quem quiser cavalgar escândalo porque está investido do poder de investigação está abusando do seu poder e isso precisa ser dito em bom tom”. O ministro Dias Toffoli, que também integra a Segunda Turma do STF, endossou as críticas. (POLÍTICA / PÁG. A4)

Vera Magalhães

Envolvidos na Lava Jato fazem coro à fala de Gilmar e ensaiam fazer o que se fez com a Castelo de Areia. Não será possível. As provas são mais robustas e a sociedade está vigilante. (PÁG. A6)


Operação mira pessoas ligadas a Eunício e Renan


Nova fase da Lava Jato foi deflagrada com foco em nomes ligados ao presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), a Renan Calheiros (PMDB-AL) e a outros dois senadores. A operação cumpriu 14 mandados de busca e apreensão em Brasília, Maceió, Recife, Rio e Salvador. Foi a primeira operação da Lava Jato realizada com base nas delações da Odebrecht, homologadas em janeiro. (POLÍTICA / PÁG. A6)


Temer faz concessão na reforma da Previdência


Pressionado por lideranças políticas, o presidente Michel Temer anunciou que a proposta de reforma da Previdência não incluirá revisão das regras para servidores estaduais e municipais. “Vários Estados já providenciaram sua reformulação”, afirmou. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que a medida facilita aprovação da matéria. (ECONOMIA / PÁG. B1)


Indicação política domina fiscalização de rebanhos


Das 27 superintendências estaduais de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, responsáveis pela fiscalização de rebanhos, pelo menos 19 estão nas mãos de indicados por partidos políticos. O PMDB controla 10 escritórios, seguido do PP (4) e PR e PSDB (2 cada). O ministro Blairo Maggi admitiu que setor é alvo de disputa política. (ECONOMIA / PÁG. B4)


Antonio Cabrera


O papelão da história

Se o governo está realmente interessado no bem-estar da população, por que não permitir certificadoras privadas concorrendo no livre mercado? Isso possibilitaria uma regulação genuinamente concorrencial. (PÁG. B10)


Mais países vetam compra de carne sob suspeita


Japão, Hong Kong e Suíça suspenderam as importações de produtos originários dos 21 frigoríficos brasileiros colocados sob suspeita pela Polícia Federal. A Jamaica, além de suspender as compras, pediu à população que não coma carne brasileira. Argentina e Uruguai manifestaram apoio ao Brasil. (PÁG. B5)


Brasil não avança no IDH e desigualdade aumenta


O Brasil ficou estagnado no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e se mantém na 79.ª posição de 2015, segundo a ONU. Se a desigualdade social fosse levada em consideração, o País cairia 19 postos no ranking. (METRÓPOLE / PÁG. A14)


Petrobrás registra perda de R$ 14,8 bi em 2016 (Economia/ Pág. B14)





Notas & Informações


Mais confiança, com cautela

Consumidores e empresários demonstram menor pessimismo. Essa disposição é um dos ativos mais importantes do governo de Michel Temer. (PÁG. A3)

Competência maleável

Nota da Procuradoria sobre reforma da Previdência usurpa prerrogativa do Legislativo. (PÁG. A3)


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Folha de S. Paulo





Manchete: Temer tira servidor municipal e estadual da nova Previdência


Decisão do governo busca enfraquecer oposição à reforma no Congresso

Para reduzir a pressão contra a reforma da Previdência, o presidente Michel Temer decidiu excluir servidores públicos estaduais e municipais da proposta do governo. A retirada foi anunciada em pronunciamento surpresa nesta terça (21). A decisão foi tomada com o objetivo de enfraquecer o poder de mobilização contra a iniciativa federal. Professores públicos e policiais civis, categorias numerosas, têm manifestado oposição ao texto enviado pelo governo ao Congresso. Serão excluídos da reforma os funcionários públicos estaduais e os de municípios que têm regimes próprios de Previdência —cerca de 2.000. De acordo com Temer, caberá agora aos governos estaduais e municipais elaborar as suas próprias reformas. Interlocutores do Planalto dizem que a mudança acaba com o risco de judicialização do tema, pois preserva a autonomia dos Estados. A medida não agrada a governadores, que enfrentarão resistência na véspera de um ano eleitoral. (Mercado A13)


Gilmar acusa Procuradoria de vazamento na Lava Jato


O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), acusou a Procuradoria- Geral da República e a Polícia Federal de terem vazado à imprensa informações das operações Lava Jato e Carne Fraca. Segundo Gilmar, a divulgação de dados sob sigilo é uma “forma de chantagem”. “É uma desmoralização da autoridade pública”, disse. Ele citou coluna da Ombudsman da Folha no último domingo (19), que criticou a forma como jornalistas têm obtido informações sob sigilo na Lava Jato. A assessoria de imprensa da PGR afirmou que o órgão não vai se manifestar. (Poder A4)


Após críticas, PF faz defesa da carne que o país produz


Criticada pelo governo por sua atuação na Operação Carne Fraca, a Polícia Federal divulgou nota conjunta com o Ministério da Agricultura na qual defende a qualidade da carne brasileira. A PF apontou esquema de corrupção nos frigoríficos, com indícios de que alimentos estragados foram colocados à venda. (Mercado A17)


Para apurar quebra de sigilo, Moro leva blogueiro a depor (Poder A6)





Relator da reforma política quer anistia a alvos da operação (Poder A8)





Petrobras tem perda bilionária pelo terceiro ano consecutivo


Afetada pelo adiamento de projetos e pelo risco-país, a Petrobras encerrou 2016 com prejuízo de R$ 14,8 bilhões. Foi o terceiro ano seguido de perdas bilionárias. Houve melhora na dívida líquida, que caiu de R$ 392 bilhões para R$ 314,1 bilhões. A empresa também conseguiu registrar lucro no 4º trimestre, ajudada pelas exportações de petróleo e pela redução de despesas. (Mercado A16)


Elio Gaspari


Para agronegócio, Maggi é o homem certo no lugar certo

O ministro da Agricultura chamou de “idiotice” a acusação de que um frigorífico estivesse usando papelão nas suas salsichas. Faz sentido. Maggi é bilionário do agronegócio, representa como ninguém sua importância para a economia. (Poder A8)


Editoriais


Leia “Excessos da carne”, sobre erros da PF em anúncio de operação, e “Menos governo, lá e cá”, acerca de cortes de gastos nos EUA e no Brasil. (Opinião A2)


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