quarta-feira, 22 de março de 2017

22/3 - JUSTIÇA PORTUGUESA APRENDEU COM CURITIBA

FONTE:http://observador.pt/2017/03/23/vara-acusa-investigacao-de-inverter-o-onus-da-prova-na-operacao-marques/



OPERAÇÃO MARQUÊS

Vara acusa investigação de inverter o ónus da prova na Operação Marquês

Fora da sala onde foi inquirido pelos deputados da CPI à Caixa, Armando Vara criticou jornalistas e atacou o Ministério Público por causa da Operação Marquês.
PAULO NOVAIS/LUSA
No final da sua audição na comissão de inquérito parlamentar (CPI) à gestão da Caixa Geral de Depósitos, Armando Vara foi muito crítico do Ministério Público em declarações aos jornalistas sobre a sua acusação na Operação Marquês — um processo em que foi constituído arguido em julho de 2016. O ex-ministro, antigo vice-presidente da Caixa e amigo de José Sócrates, prometeu dar as explicações durante o julgamento. “Com certeza que explicarei. Mas não acha que isso é a inversão do ónus da prova? Então estou ser acusado e eles não têm de aprovar que há uma relação entre uma coisa e outra?”, questionou. “Estou a pensar naqueles juízes que, sendo os juízes das liberdades no nosso sistema jurídico-penal, não agem como tal”, afirmou, mas sem mencionar o nome do juiz Carlos Alexandre.
As críticas de Vara alargaram-se aos jornalistas, por, no seu entender, não terem uma atitude crítica em relação aos investigadores destes casos: “O que me espanta é uma comunicação social tão apta a fazer questões e a sindicar tudo, não sindique o Ministério Público da mesma maneira, numa coisa que tem a ver com a nossa liberdade, com a nossa vida”. Armando Vara, que foi condenado a cinco anos de prisão no caso Face Oculta e teve de pagar 300 mil euros de caução durante a Operação Marquês, disse continuar a acreditar nos juízes: “Acredito nos juízes, vou acreditando, mas confesso que a minha vontade de acreditar no Ministério Público está cada vez pior, está pelas ruas da amargura“. A seguir, esclareceria estar a referir-se “a um sector do Ministério Público”, que, na suas palavras, “parece que tomou conta” da instituição.
Os reparos também visaram a Procuradora-Geral da República, Joana Marques Vidal: “Acho que até a procuradora deu conta disso, finalmente. Veja como ela trata o pedido de mais prazo. Então agora a culpa é dos inspetores de finanças? Como parece que disse o eng. Sócrates, a culpa agora é do mordomo? Estamos a falar de direitos de pessoas, o direito à liberdade” argumentou Vara.

Nenhum comentário:

Postar um comentário