quinta-feira, 23 de março de 2017

23/3 - Folha Diferenciada DE 14/3

Folha Diferenciada


Posted: 14 Mar 2017 02:31 PM PDT

O ativista considerou "plausível" a denúncia de espionagem de Trump, mas ponderou que o republicano não tem evidências

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

O ex-agente da CIA, Edward Snowden / Praxis Films


O ativista Edward Snowden, exilado na Rússia após delatar um esquema de espionagem pela Agência de Segurança Nacional (NSA, sigla em inglês), voltou a dizer nesta terça-feira (14), que as agências de inteligência dos EUA estão patrocinando o mercado para fazer dispositivos conectados a internet, como celulares, computadores e smart TVs, menos seguros.

Em entrevista ao The Intercept, Snowden reiterou a denúncia já feita peloTwitter, na semana passada, de que o governo dos EUA estaria pagando indústrias para manter o sistema operacional dos aparelhos mais suscetíveis à espionagem da agência de inteligência civil do governo estadunidense, a CIA (Central Intelligence Agency).


If you're writing about the CIA/@Wikileaks story, here's the big deal: first public evidence USG secretly paying to keep US software unsafe.pic.twitter.com/kYi0NC2mOp— Edward Snowden (@Snowden) 7 de março de 2017


No dia 7 de março, o Wikileaks revelou o que foi descrito como o maior vazamento na história da CIA. Os documentos apontam que a agência torna celulares, computadores e smart TVs dispositivos de vigilância improvisados. O material, composto por 8.761 documentos, explicita como, em parceria com outras agências de inteligência dos EUA e estrangeiras, a CIA conseguiu burlar a criptografia em aplicativos de mensagens, como WhatsApp, Telegram e Signal. Snowden afirmou não ter ficado surpreso com a revelação dos documentos, pois esta seria a "rotina" e o "método" destas agências. Ele pontuou ainda que "qualquer dispositivo conectado à internet pode ser hackeado".

Deep state


Na entrevista, Snowden afirmou concordar, mesmo que não seja algo "preto no branco", com a existência de um "deep state". O termo consiste na existência de um estado dentro de um estado, formado por um poderoso grupo de funcionários de alto escalão da inteligência, militares e o governo federal. "É claro que este não é o funcionário que está na mesa hackeando", afirmou.

O ex-agente da CIA também comentou as denúncias do presidente republicano Donald Trump, no início de seu governo, de que teria sido hackeado durante a campanha eleitoral de 2016. Na época, o presidente dos EUA afirmou que acredita "ser a Rússia" a responsável pela espionagem.

Segundo Snowden, a denúncia de Trump é plausível já que a interceptação de dados e comunicação ocorrem por padrão . "Isso pode acontecer com todo mundo, não importa se você é o presidente dos EUA", pontuou.

No entanto, o ativista ponderou que Trump, deve apontar evidências da denúncia para que suas alegações sejam levadas a sério e sejam relevantes. "Se ele está realmente preocupado, ele deveria se questionar, primeiramente, porque isso ocorre. O problema não é com o presidente, mas que todos têm dados que estão sendo coletados neste exato momento", disse.

Segundo ele, através da tática de "alvo invertido", quando as agências interceptam dados de indivíduos por tabela ao investigar serviços e máquinas, a espionagem é legalmente permitida. O ex-agente da CIA finalizou a entrevista com um apelo para que as pessoas pensem e protejam sua privacidade. "A democracia não é uma herança, mas um desafio", disse.

Edição: José Eduardo Bernardes


Brasil de Fato



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Posted: 14 Mar 2017 02:20 PM PDT
por Renan Truffi 

Como o governo Temer ensaia desmantelar um dos maiores bancos de fomento do mundo


Ricardo Moraes/Reuters/Fotoarena // A presidente Maria Silvia Bastos convoca reuniões a portas fechadas, funcionários protestam

Há pelo menos 12 anos, os neoliberais brasileiros retumbam um mantra atraente aos ouvidos do mercado financeiro e de bancos de investimento no País: os empréstimos concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) afetam a política monetária brasileira, ou seja, contribuem para elevar os juros e a inflação.

Essa tese tem como seu principal expoente o economista Pérsio Arida, ex-presidente do próprio BNDES, do Banco Central e um dos pais dos planos Cruzado e Real. O economista publicou um texto sobre o assunto em 2005, conhecido como “Proposta Arida”, que gerou um intenso debate nos meios econômicos e acadêmicos.

Mas o que era uma proposição controversa começa a ganhar contornos reais na gestão de Michel Temer. Sob o comando do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, o BNDES ensaia passar por uma das mudanças mais profundas de sua história, para privá-lo de vez do papel de indutor do desenvolvimento econômico e social no País.

As mudanças vieram a público pela via midiática no fim do ano. Na véspera do Natal, OEstado de S. Paulo noticiou que a equipe econômica estaria estudando alterar a forma de cálculo da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP).

A informação pegou de surpresa até mesmo nomes de expressão do BNDES, como o superintendente de Planejamento da instituição, Fabio Giambiagi, um dos mais ortodoxos neoliberais do banco. Descobriu-se, então, que o tema era tratado por um seleto grupo de diretores sob o comando da presidente Maria Silvia Bastos Marques.


Houve reação interna. No dia 7 de fevereiro, a Associação de Funcionários do BNDES (AFBNDES) reuniu, no Rio de Janeiro, onde o banco está sediado, cerca de 800 empregados, de um total de 2,8 mil, para discutir o assunto em assembleia.


A direção admite as mudanças, encosta-se o passado para acabar com a função tradicional e profícua do banco (Foto: Ricardo Moraes/Reuters/Fotoarena)

Do total presente ao encontro, aproximadamente 600 se posicionaram contra a “forma pouco transparente” com que questões tão importantes estavam sendo tratadas pela direção. Foi a primeira vez que funcionários do banco se mobilizaram por conta de um assunto que não envolvesse questões salariais.



A preocupação dos funcionários é de que as mudanças discutidas pela direção desfigurariam os propósitos e a atuação histórica do BNDES, o que se daria, uma vez alterado o cálculo da taxa de juros cobrada das empresas sobre os empréstimos do BNDES, a TJLP.

Atualmente, a TJLP está em 7,5% ao ano. Esse valor é definido trimestralmente pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), tendo como parâmetros a meta de inflação e um prêmio de risco. A ideia é vincular a TJLP à taxa das NTN-Bs, ou títulos públicos atrelados à inflação. Na prática, isso acabaria com o subsídio porque a TJLP tenderia a seguir a taxa Selic, que hoje está em 12,25%.

Essa diferença entre as duas taxas é o que a União paga com recursos próprios, por meio do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), para incentivar setores estratégicos da economia brasileira, já que não encontrariam outra fonte de financiamento de longo prazo no mercado.

“O BNDES é uma conquista histórica do povo brasileiro. Se democraticamente for compreendido que a instituição deve sair de cena para deixar o setor financeiro privado assumir as funções de promoção de política de desenvolvimento e política industrial, temos de aceitar”, argumenta a AFBNDES em comunicado aos funcionários.

O texto se contorce para não dizer, com todas as letras: se a mudança fosse determinada por um governo democraticamente eleito...“Que se discuta em eleições futuras o que se espera do BNDES, até mesmo a necessidade de sua existência, mas não podemos aceitar que se esvazie uma instituição dessa importância para o Brasil com campanhas de mídia. Temos a convicção de que nenhum candidato a presidente ganhará eleição prometendo desmantelar o BNDES como indutor do desenvolvimento nacional”, conclui o documento.

A repercussão negativa fez com que a presidente Maria Silvia fizesse um aceno aos funcionários, ao colocar dois diretores do BNDES para apresentar as propostas que estavam sendo discutidas a um grupo de empregados selecionados pela AFBNDES. No encontro, os homens de confiança da presidente disseram que as propostas em debate teriam vindo da Fazenda e em termos ainda mais duros, e que a direção do BNDES conseguira amenizá-los em alguns dos pontos.
Claudio Coutinho Mendes vira diretor depois de ter atuado no mercado financeiro

O governo, entretanto, já vinha dando sinais nessa direção quando anunciou, no ano passado, que o BNDES devolveria cerca de 100 bilhões de reais ao Tesouro para “melhorar as contas públicas”. A medida foi malvista internamente e criticada por alguns segmentos empresariais.



Uma das consequências de atrelar a TJLP à Selic é o BNDES poder vender créditos de financiamentos para bancos e instituições financeiras privadas, a chamada securitização. Significa que parte da dívida de empresas com o BNDES, por conta dos financiamentos em curso, seria assumida pelo setor privado, em troca de grana.

Assim, essas instituições financeiras passariam a receber as parcelas restantes desses mesmos financiamentos. A diretoria do BNDES admitiu, inclusive, enxergar no processo de securitização um dos objetivos “positivos” em um e-mail para os funcionários do BNDES.

“As políticas recentemente anunciadas cumprirão um importante papel de garantir uma transição tranquila, nos próximos anos, entre o modelo de atuação do Banco nos últimos anos e o que está sendo proposto para o futuro”, assume a diretoria na mensagem a queCartaCapital teve acesso.

Um dos diretores do BNDES à frente dessas mudanças é Claudio Coutinho Mendes, responsável pelas áreas de crédito, financeira e internacional. Nomeado por Maria Silvia, ele atuava até então em empresas do mercado financeiro.

O conflito de interesses entre os nomeados no governo Temer e suas carreiras de origem é algo já bastante martelado no pouco tempo de gestão do peemedebista. Marcelo Caetano, secretário de Previdência, foi denunciado no Conselho de Ética da Previdência por também fazer parte do conselho de administração da Brasilprev, empresa de previdência privada que poderia ser beneficiada com a mudança na reforma da Previdência.

Outro ponto importante da possível proposta é oferecer aos bancos e instituições financeiras privadas a utilização do FAT. Hoje, 40% dos recursos arrecadados pelo FAT são direcionados ao BNDES e servem como funding para os financiamentos da instituição.
Goldfajn secunda Meirelles na operação desmonte (Foto: Wilson Dias/ABr)

Essa é uma das propostas feitas justamente por Pérsio Arida. Em seu texto de 2005, o economista sugere “leilões em que instituições financeiras privadas competiriam pela aplicação dos recursos do FAT ou do FGTS em setores ou atividades pré-selecionados”, exatamente o que o governo Temer se propõe a colocar em prática.

Há rumores ainda de que essas mudanças poderiam ser apresentadas em formato de projeto de lei ao Congresso. Apesar de essas modificações não precisarem de autorização do Congresso, essa seria uma forma de dificultar que novos presidentes conseguissem reverter os rumos do banco.

A estratégia da equipe peemedebista já estava clara com a aprovação de um limite para os gastos públicos, proposta que passou pelo Congresso com o nome de PEC 55, mas que poderia simplesmente ter sido executada pelo governo.

Ainda que essas novidades agradem ao mercado financeiro, o Palácio do Planalto teve de ouvir reclamações de empresários no último encontro do chamado Conselhão, o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, na última semana. Segundo a Folha de S.Paulo, Temer ouviu críticas sobre o tal do “caixa travado” do BNDES. A argumentação teria sido de que o banco precisa ter papel mais ativo na recuperação econômica.
O homem de todas as estações esmera-se no comando (Foto: Andressa Anholete/AFP)



Pela primeira vez, desde 2005, o BNDES desembolou menos de 100 bilhões em um único ano. Foram apenas 88,3 bilhões de reais para projetos de investimento em 2016, ante 136 bilhões de reais em 2015, quando já se registrava queda no montante oferecido ao mercado por conta da crise econômica. Essa insatisfação procede principalmente do setor industrial. E não foi a primeira vez que veio à tona.

Até entidades como a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, que patrocinaram oimpeachment de Dilma Rousseff com direito a pato inflável na Avenida Paulista, agora estariam insatisfeitas com esse movimento do governo federal.

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) também tem se manifestado de forma crítica à proposta. A instituição estudou o assunto e elaborou uma nota técnica em que afirma que a alteração na TLJP, nos moldes que se propõe, aumentaria o custo produtivo em até 4 pontos porcentuais, com forte prejuízo para a indústria nacional.

“Comparando com o custo de um equipamento importado, considerando as taxas que são cobradas lá fora, você conseguiria trazer uma máquina industrial para o País e substituir toda a produção nacional. Você vai destruir todo um parque industrial da indústria nacional”, afirma Maria Cristina Zanella, do Departamento de Competitividade, Economia e Estatística da Abimaq. “O BNDES perde a sua função.”

CartaCapital



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Posted: 14 Mar 2017 02:05 PM PDT
Veronica Smink
Da BBC Mundo
Carlos, 'O Chacal' está preso na França desde 1994

De volta ao banco dos réus, ele se negou a dizer que seu nome real é Ilich Ramírez Sánchez. Mas isso fez pouca diferença, afinal a alcunha "Carlos, o Chacal" é bem mais ressonante e conhecida mundo afora.


Desde segunda-feira, o homem que chegou a ser o criminoso mais procurado do mundo enfrenta seu terceiro julgamento. Ele ficou famoso nos anos 1970 e 1980 como autor de uma sequência de atentados que causou pânico na França e em outras partes da Europa.

As ações ocorreram em nome da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP), uma organização militar de orientação marxista. E tornaram Ramírez um de seus militantes mais temidos.

Por causa desses ataques, ele cumpre pena de prisão perpétua no presídio de Poissy, na periferia de Paris.

Ele ganhou tanta notoriedade que a imprensa o apelidou com o nome do terrorista fictício do romance O Dia do Chacal (1971), de Frederick Forsyth.
Carlos voltou a comparecer em juízo na última segunda

Mas afinal, como esse venezuelano de 67 anos acabou lutando pela causa palestina e por que ele se proclama "revolucionário profissional"?

Trajeto de Chacal


Ramírez nasceu em 1949 em Caracas, capital venezuelana. Seu pai era um advogado rico que simpatizava com a ideologia marxista e militava no Partido Comunista da Venezuela.

Isso explica a origem de seu nome e o de seus dois irmãos - Lenin e Vladimir, em homenagem a Vladimir Ilich Uliánov, conhecido como Lenin.

Os irmãos Ramírez estudaram em Londres. Em 1968, Lenin e Ilich viajaram para Moscou, onde passaram pela Universidade Patrice Lumumba, conhecida como "joia do ensino" da antiga União Soviética, que atraía jovens comunistas do mundo inteiro.

Lá começou sua simpatia pela causa palestina.
Carlos nasceu em Caracas, em 1949

Em 1970, Ilich foi expulso da universidade e decidiu participar de um treinamento militar na Jordânia, em um acampamento da FPLP.

Pelo que conta em sua biografia, foi ali que o líder do braço armado da FPLP, Wadih Haddad, deu-lhe o nome de guerra "Carlos".

Da Jordânia, voltou à capital inglesa para morar com a mãe e irmãos. Ali, passou a se dedicar a tarefas de inteligência da FPLP.

Seu primeiro ataque


O alvo de seu primeiro ataque foi o empresário britânico Joseph Sieff, uma conhecida figura da comunidade judaica, dono da cadeia de lojas Marks & Spencer e líder da Federação Sionista da Grã-Bretanha.
Carlos é defendido por sua mulher, Isabelle Coutant-Peyre

Em 30 de dezembro de 1973, Ramírez chegou armado à casa de Sieff, localizada em St. John's Wood, bairro rico de Londres. Quando Manuel Perloira, um jovem mordomo português respondeu à campainha, Ramíres apontou a arma e ordenou a ele que o levasse a Sieff.

Após encontrar o empresário no banho, deu um tiro em seu rosto com uma pistola semiautomática soviética Tukarev. E fugiu em seguida, pois a pistola parou de funcionar.

O ataque deixou Sieff inconsciente, mas não o matou.

Em Paris


Em 1974, Ramírez se mudou para Paris - sua família voltou de Londres para a Venezuela no ano seguinte. E foi na França que ele cometeu a maior parte dos atentados que o tornaram um dos fugitivos mais procurados do mundo, e que tornaram conhecido o codinome "O Chacal".

Como líder de uma célula armada da FPLP, ele participou de ataques com carros-bomba contra redações de vários jornais de Paris.

O atentado mais notório veio em 1974: a tomada da Embaixada da França em Haia, na Holanda, em que o embaixador e mais dez pessoas foram mantidos reféns por cinco dias.
Carlos foi preso em 1994 no Sudão

Apesar de a tomada ter sido realizada pelo Exército Vermelho Japonês, um grupo comunista ligado à FPLP, as autoridades francesas consideraram que Carlos fora o autor intelectual do crime.

Após longas negociações envolvendo os governos da Holanda e da França, os reféns foram trocados pela libertação de um membro do Exército Vermelho Japonês que estava preso na França, além de um montante em dinheiro e um voo para fora da Holanda.

A fuga


Poucos meses depois, Ramírez protagonizou uma fuga típica de cinema quando policiais tentaram prendê-lo em sua casa.

O venezuelano, que tinha 26 anos, compartilhava um apartamento com vários estudantes sul-americanos na rua Toulliers, no Quartier Latin, em Paris.

Agentes da Direção de Vigilância do Território (DST, na sigla em francês) chegaram a ele depois de deter e interrogar o libanês Michel Moukharbal, líder do FPLP, que denunciou Ramírez como sendo o verdadeiro chefe do grupo.
O irmão mais novo de Ramírez, Vladimir, segue exigindo sua extradição à Venezuela

Três policiais da DST foram com Moukharbal ao local, onde Ramírez participava de uma festa com amigos. Mas "O Chacal" estava armado, e conseguiu fugir após disparar contra os agentes.

Dois dos policiais e Moukharbal morreram - crimes que eventualmente levaram Ramírez a receber sua primeira sentença de prisão perpétua anos depois, quando foi preso.

O caso da Opep


Mas antes que isso ocorresse, o "revolucionário profissional" - como ele mesmo se autodenomina - perpetrou uma longa lista de atentados sangrentos.

Um dos mais conhecidos foi a tomada da sede da Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep), em Viena, na Áustria, em 1975.

Um grupo liderado por Ramírez tomou 42 pessoas como reféns, incluindo 11 ministros de Petróleo dos países da Opep. Ele os levou de avião por vários países do norte da África, até finalmente liberá-los na Argélia.
Em 2011, Ramírez casou-se com sua advogada, a francesa Isabelle Coutant-Peyre

Anos depois, já preso na França, Ramírez afirmou que essa operação foi ordenada pelo líder líbio Muammar Khadafi, que queria pressionar a Arábia Saudita e os Estados Unidos, que haviam se aliado em um "jogo sujo" para reduzir o preço do petróleo.

"Taticamente, não acabou como tínhamos planejado, foi um fracasso. Estrategicamente, foi um êxito extraordinário", disse Carlos, por telefone, numa entrevista à agência de notícias Efe em 2015, da prisão.

No final


Nos anos de 1980, ele continuou planejando e executando atentados - e escapando das autoridades, mesmo estando na lista dos mais procurados do mundo.

Com bombas colocadas em carros, trens e estações de trem em Paris e Marselha, esses ataques deixaram 11 mortos e quase 200 feridos entre 1982 e 1983.

Por esses crimes, Carlos recebeu sua segunda sentença de prisão perpétua, em 2011.
Carlos diz que, para prendê-lo, a França contou com ajuda da inteligência dos EUA

Mas ele só foi preso em 1994, vinte anos depois da primeira tentativa frustrada de detê-lo.

Estava no Sudão, onde havia recebido refúgio - desde a queda da União Soviética, no começo dos anos 1990, suas ações estavam concentradas concentrava suas ações no Oriente Médio.

Carlos foi capturado por uma tropa de elite francesa - segundo ele, com a ajuda da inteligência dos Estados Unidos -, que o levou ao país europeu, onde permanece preso desde então.

Bolivariano


Nesta segunda-feira, ele voltou ao banco dos réus para seu terceiro julgamento - desta vez, por causa de um ataque a granada contra um shopping de Paris. Na ocasião, duas pessoas morreram e 34 ficaram feridas.

Como em seu julgamento anterior, Carlos negou na primeira audiência as acusações. E o fez por meio de sua advogada, Isabelle Coutant-Peyre, que desde 2011 também é sua mulher.

Segundo a agência francesa de notícias AFP, ele aproveitou a audiência para criticar a "falta de democracia na França" e elogiar a Venezuela, onde haveria "uma verdadeira democracia participativa".

Sua admiração pelo governo venezuelano é recíproca: em 2009, o então presidente Hugo Chávez criticou sua detenção e disse que ele foi "um combatente revolucionário".

Carlos chegou a pedir sua extradição para a Venezuela, mas, segundo Vladimir, seu irmão mais novo, o país sul-americano nunca fez o pedido.

BBC Brasil



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Posted: 14 Mar 2017 01:42 PM PDT

Nos últimos dois anos, houve um salto de pedidos de reinclusão no programa. Banco Mundial estima que crise econômica pode levar 3,6 milhões de brasileiros para abaixo da linha de pobreza até o fim do ano

Beneficiária do programa Bolsa Família. FOTOS PÚBLICAS

HELOÍSA MENDONÇA
São Paulo



Há meses desempregada, Cristiane Silva, de 38 anos, se viu obrigada, no fim do ano passado, a pedir o reingresso no programa Bolsa Família. Após conseguir um emprego de operadora de telemarketing em 2015, ela parou de atualizar o seu cadastro no programa, mas menos de um ano depois foi demitida. Em seguida, o ex-marido que ajudava a pagar as despesas da filha Tainá, de 4 anos, também entrou na lista de cortes de uma empresa em que trabalhava como motorista. "Não dá para viver só com os cento e poucos reais que recebo do benefício, mas, pelo menos, o dinheiro ajuda a comprar um remédio ou um sapatinho para a Tainá", conta Cristiane.

As duas moram atualmente em um casa de dois cômodos emprestada pelo patrão do irmão de Cristiane, no bairro da Lapa, na região Oeste de São Paulo. Elas terão, no entanto, que deixar o imóvel em breve. Enquanto vai vivendo de favores e ajuda de amigos, Cristiane corre contra o tempo para achar um trabalho que lhe permita novamente ter uma independência financeira. "Todos dia saio a pé distribuindo currículos enquanto a Tainá está na escola. Mas parece que a crise no Brasil está cada dia pior, não tem oferta de emprego e tudo está caríssimo", diz Cristiane na sala de espera do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) do bairro. Ela tenta no local averiguar a possibilidade de receber outro benefício: uma cesta básica.

Cristiane, que nasceu em Teresina, no Piauí, mas veio ainda pequena viver em São Paulo, foi a primeira da família a cursar uma universidade. Há sete anos, depois de conseguir uma bolsa parcial em uma faculdade privada, concluiu o curso de Ciência da Computação. "Na época não foi difícil conseguir um emprego na área. Pagavam bem, e o Brasil vivia um ótimo momento em 2010. Lá no Nordeste, vi muita gente melhorar de vida. Muitas pessoas começaram a ter acesso a eletrodoméstico, carros e mais estudo. Nunca pensei que pioraria tudo outra vez", desabafa preocupada com o alto desemprego no país, que já soma mais de 12 milhões de pessoas sem trabalho.
O BENEFÍCIO

O Bolsa Família é voltado para famílias extremamente pobres (renda per capita mensal de até 85 reais) e pobres (renda per capita mensal entre 85 e 170 reais). O programa tem hoje cerca de 13,6 milhões de famílias beneficiadas e o valor repassado a cada usuário varia de acordo o número de membros da família, idade e renda declarada no Cadastro Único. Ao entrarem no programa, os beneficiários recebem o dinheiro mensalmente e, como contrapartida, cumprem compromissos nas áreas de saúde e educação.

O retrocesso testemunhado por Cristiane é cada vez mais comum entre os brasileiros. Em meio à maior recessão econômica das últimas décadas, quase um milhão de famílias tiveram que recorrer novamente ao benefício do Bolsa Família nos últimos dois anos. Segundo o Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, devido ao agravamento da crise, houve um salto de pedidos de reinclusão em 2015: 423.668 famílias que foram beneficiárias do Bolsa Família entre 2003 e 2011 retornaram ao programa. Em 2016, ano em que a economia brasileira encolheu 3,6%, o número foi ainda maior, 519.568 retornos. Somando os dois anos foram 943.236 famílias que voltaram a receber o benefício. Nos anos anteriores ao início da crise, os números de retornos eram bem menores. Em 2014, por exemplo, foram 186.761 reinclusões. Atualmente, 13,6 milhões de famílias são beneficiadas pelo programa e o valor médio do benefício no último mês de fevereiro foi de 179,62 reais

"Não há a menor dúvida que esse número reflete a crise econômica em geral e a dificuldade de achar emprego. A taxa de desemprego mais que dobrou entre 2013 e 2016, passou de 6% para 12%. Essa situação induz as pessoas a voltarem ao benefício", explica o economista João Saboia, professor da UFRJ.

Novos pobres podem chegar a 3,6 milhões


O Banco Mundial alerta, entretanto, que a crise econômica pode levar a um número ainda maior de brasileiros para abaixo da linha de pobreza até o fim do ano. Segundo um estudo da instituição publicado recentemente, o número de pessoas vivendo na pobreza no país aumentará entre 2,5 milhões e 3,6 milhões. Ainda conforme o Banco Mundial, a maior parte dos "novos pobres" virá de áreas urbanas. O estudo considerou abaixo da linha da pobreza as pessoas que vivem com menos de 140 reais ao mês. Nessa categoria, há ainda a extrema pobreza, que contempla os brasileiros que vivem com menos de 70 reais. Nesta última classificação, o Brasil passaria de 6,8 milhões em 2015 para 8,5 milhões em 2017. No leitura geral, a expectativa é que 11,8 milhões de pessoas desçam um ou mais degraus na escala da pobreza, fruto da atual recessão.

Para tentar frear o crescimento da pobreza, o Banco Mundial recomenda a expansão do Bolsa Família. Segundo a instituição, o orçamento do programa, que representa 2,3% da despesa geral da União, deveria crescer acima da inflação para ampliar a cobertura e atender ao número crescente de pobres. "[O Bolsa Família] passaria de um programa redistributivo eficaz para um verdadeiro programa de rede de proteção, flexível o suficiente para expandir a cobertura aos domicílios de 'novos pobres' surgidos da crise", destacou o Banco Mundial no estudo.

No cenário mais otimista, segundo os cálculo da instituição, o valor do programa deveria subir 4,73% acima da inflação acumulada entre 2015 e 2017. Na previsão mais pessimista, a alta deveria ser 6,9% superior à inflação. A estimativa do orçamento necessário em 2017, segundo o Banco Mundial, é de 30,41 bilhões de reais. Este ano, a previsão orçamentária do Bolsa Família, no entanto, é de 29,3 bilhões de reais. Em 2016, o programa teve orçamento de 28,8 bilhões.

O estudo foi criticado pelo ministro do Desenvolvimento Social e Agrário, Osmar Terra, que afirmou, nesta segunda-feira que a expansão do programa será determinada pela demanda. "Quem diz que alguém está precisando do Bolsa Família é o Cadastro Único do município. O Banco Mundial fez uma afirmação baseada em dados de 2015 e 2016. Não considerou o zeramento da fila. Não temos ninguém hoje que precisa fora do Bolsa Família", defendeu em coletiva de imprensa no Rio de Janeiro. O ministro explicou que no ano passado 1,5 milhão de famílias deixaram o programa após o Governo aprimorar os mecanismos de controle dos critérios para participar do Bolsa Família.

Terra informou ainda que o Governo deve lançar um pacote de medidas para incentivar os beneficiários do programa a ingressarem no mercado formal. Entre as novidades está a manutenção do benefício, por até dois anos, para quem conseguir um emprego com carteira assinada. "Se a pessoa consegue um trabalho remunerado e formal, ela tem que ser incentivada, não pode ser punida com a perda do Bolsa Família. Ela tem que ter mais um ou dois anos recebendo o Bolsa Família até ter uma estrutura mais estável de emprego", explicou. Ainda segundo o ministro, o programa é uma "causa importante, senão a maior", da informalidade do mercado de trabalho porque as pessoas "morrem de medo" de perderem o programa.

O economista João Saboia rebate o argumento do ministro e afirma que a informalidade do mercado brasileiro não está relacionada ao Bolsa Família. "O benefício, de menos de 200 reais, é incomparavelmente menor que um salário mínimo [937 reais]. Se uma pessoa tem a possibilidade de ter uma carteira assinada, ela vai optar por isso. Pode ter alguma exceção, mas obviamente essa não é a causa, o problema da informalidade no Brasil nasceu bem antes do programa", defende.

EL PAÍS Brasil



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Posted: 14 Mar 2017 01:16 PM PDT
Cíntia Alves

"Eu tenho muita coisa na garganta para falar. Eu estou cansado de ouvir procurador dizer que não precisa de provas, que ele tem convicção. Ouvir juiz dizer que não precisa de provas, que vai decidir com fé. Eu quero provas", disse Lula



Jornal GGN - Os relatos de veículos da grande mídia sobre o primeiro depoimento de Lula como réu na Lava Jato não fazem jus ao que, de fato, foi a audiência. Folha retratou Lula como um vitimista, agarrada a sua fala sobre ser alvo de um "massacre" midiático. Veja pintou uma faceta arrogante porque, apesar da "perseguição", Lula garantiu que aparecerá à frente em todas as pesquisas de opinião sobre 2018. No Estadão, uma tentativa de humilhá-lo: "Veja Lula no banco dos réus" era o call-to-action ligado ao vídeo da audiência que o portal exibia com exclusividade, mesmo sem permissão judicial.

Só que Lula não simplesmente sentou no banco dos réus da Lava Jato. Lula desabofou. Fez uma defesa enérgica contra a acusação de ter mandado comprar o silêncio de Nestor Cerveró, diante de um juiz que considera o oposto de Sergio Moro - Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília, a quem chamou de "imparcial" e agradeceu por ter lhe dado "liberdade" para falar. "O momento é do senhor, é sua defesa, o senhor tem todo direito de falar", respondeu o magistrado.

"Todos aqui têm dimensão do que é um cidadão que foi presidente da República, que foi considerado o mais importante presidente da história, que saiu com 87% de boa avaliação, que fez o Brasil ser respeitado no mundo inteiro, de repente ser pego de surpresa por manchetes de jornais e na televisão - todo dia, todo santo dia, no café da manhã, no almoço, na janta - com alguém insinuando vai apresentar a delação que vai pegar o Lula. (...) Eu cansei. Eu esperei pacientemente. Por isso, estou muito orgulhoso de estar aqui para poder, diante de um juiz imparcial, contar as minhas versões dos fatos", disse Lula logo nos primeiros minutos.

Nessa ação penal, o ex-presidente é acusado pelo Ministério Público Federal de ter solicitado ajuda ao senador cassado Delcídio do Amaral para evitar que o ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, fizesse um acordo de delação premiada com a Lava Jato. Disse Delcídio que Lula tinha medo do que Cerveró poderia entregar a respeito de José Carlos Bumlai. A somatória do fatos, porém, não são nada favoráveis a Delcídio.

Preso em flagrante após oferecer dinheiro e uma rota de fuga a Cerveró, Delcídio decidiu implicar Lula no esquema para ter uma moeda de troca a oferecer à Lava Jato. Mas as testemunhas ouvidas no processo, até o momento, desmentem a versão do ex-senador. Tudo indica que ele agiu em interesse próprio e até conseguiu, ao longo de um ano, evitar a delação do ex-colega de Petrobras. Sim, Delcídio tinha cargo na estatal durante o governo FHC e estaria preocupado com o que Cerveró, que também atuava na Petrobras, poderia dizer sobre isso.

Lula declarou que não tinha motivação para tentar evitar a delação de Cerveró, ao contrário de Delcídio. Também disse que teve inúmeras agendas com o ex-líder do governo Dilma no Senado, mas nunca conversaram sobre qualquer coisa que pudesse virar munição para os procuradores da Lava Jato.

Chama atenção a postura do MP nesse primeiro depoimento de Lula. Os procuradores tiveram a chance de confrontar o ex-presidente com qualquer prova de que ele tenha participado de uma "organização criminosa". Mas só fizeram perguntas sobre a delação de Delcídio que, a rigor, não prova nada, além de uma ligação de Bumlai que fez Lula perguntar: "Qual é o crime nisso?"

O GGN separou os principais trechos da audiência, incluindo o teor das perguntas feitas pelo MPF, defesa de Delcídio, Bumlai e pelo juiz Ricardo Leite, e as respostas de Lula. Acompanhe abaixo:

***

SOBRE ACUSAÇÕES FEITAS PELA LAVA JATO


"Você sabe o que é levantar todo dia achando a imprensa na porta de casa porque eu vou ser preso?"

"Eu duvido, antes, durante e depois, entre os que estão preso e os que vão ser preso, que tem algum empresário ou político com coragem de dizer que um dia me deu 3 reais ou que um dia o Lula pediu 5 centavos para ele."

"Eu fiquei oito anos dos meus mandatos, doutor, sem ir em um jantar, um aniversário, um casamento, exatamente para não dar pretexto a quem viesse pedir um favor, ou tirar uma foto e depois explorar essa fotografia."

"Estou chateado pela ilação feita nesse processo contra mim pelo senador Delcídio. Se tem um brasileiro nesse momento que deseja a verdade nesse país, sou eu."

(...)

"Eu tenho muita coisa na garganta para falar. Eu estou cansado de ouvir procurador dizer que não precisa de prova, que ele tem convicção. Ouvir juiz dizer que não precisa de prova, que vai decidir com fé. Eu quero provas. Alguém tem que dizer qual é o crime eu cometi. Chamar o PT de organização criminosa, se dependesse de mim, cada parlamentar do PT e militante deveria abrir um processo para que provassem qual é a quadrilha. Eu estou cansado."

"As instituições que eu ajudei a criar desde a Constituinte estão despretigiadas por comportamento pessoal. Gente que não pode abrir a geladeira e ver uma luz, já começa a dar declaração. Gente que pega o barbeador, começa a falar achando que é microfone do rádio. Eu cansei. Eu sempre valorizei Ministério Público, Polícia Federal. Nunca pedi a eles um favor."

"Quando vejo um jovem procurador ir para a televisão falar uma hora e meia e depois dizer 'não me peçam provas, eu tenho convicção', não tem como levar isso a sério."

"Eu gostaria que meus depoimentos fossem todos numa semana só, para poder desvendar os mistérios todos e acabar com essa hipocrisia de que fulano vai delatar e Lula vai ser citado. Está na hora de chamar o dono da Globo, Band e Record para ver se me delatam."

"Eu aprendi a andar de cabeça erguida, e isso custa muito. Para quem nasceu na elite isso não é nada, mas para quem vem lá debaixo, não deixar colocar cangaia no pescoço não é fácil."

"Em nome da liberdade de imprensa, ninguém pode avacalhar a vida dos outros. Tem gente que acha que eu sou contra a Lava Jato. Pelo contrário, eu quero que ela vá fundo para ver se acaba com a corrupção. Eu sou contra tentar criminalizar a pessoa pela imprensa, não nos autos do processo. Eu sou contra execrar, condenar [a pessoa pela mídia]. Sabe quantas horas eu tenho de notícia negativa no Jornal Nacional? Em oito meses, 16 horas! Nenhum político no mundo aguentaria isso. E eu vou matá-los de raiva, porque em toda pesquisa eu vou aparecer na frente, para eles saberem que nem sempre podem brincar com as pessoas."

"O juiz, o promotor ou delegado não tem que ficar fazendo pirotecnia com as pessoas. Investiga, apura e depois condena. Se condenar, põe na cadeia e acabou."

"O senhor está diante de um homem disposto a prestar tantos quantos depoimentos forem necessários. Se tem um brasileiro que quer a verdade sou eu."

"Eu quero defender a minha honra, que é o valor mais importante que tem."

***

INTERVENÇÃO DO JUIZ RICARDO LEITE SOBRE ENCONTRO COM DELCÍDIO EM 8/4/2015 NO INSTITUTO LULA


"Só tem um brasileiro que poderia ter medo de depoimento de Cervero, pela relação que tinha com ele, que era o Delcídio. Eu não tinha relação com Cerveró. Portanto, eu não tive nenhuma preocupação com nenhum empresário ou diretor da Petrobras, porque eu não tinha relação com eles. Delcídio contou uma inverdade nesse processo."

"Devo ter tido muitas reuniões [com Delcídio. Ele era senador e líder do governo, conversamos muitas vezes em SP e Brasília. Várias vezes ele esteve lá [no IL]."

"Eu não tenho nenhuma razão para ter problema com Cerveró. Era problema para Delcídio, que tinha relação com ele desde o governo anterior."

"Doutor, hoje, no Brasil, a gente fala da Lava Jato no café da manhã, no almoço, no jantar e depois da novela. Só passa isso na TV. Mas não se falou em Cerveró, muito menos em Bumlai [em reunião com Delcídio]. É um absurdo. Eu não sei o que Delcídio esperou fazer com isso. Certamente depois de preso alguns dias, a pessoa arruma um jeito de sair da cadeia e resolve jogar a culpa em cima dos outros."

"[Após a prisão de Delcídio] eu tive uma reação que ele gostou. Eu disse que ele era um imbecil, porque nem na morte você citaria se você teve ou não uma conversa com um ministro da Suprema Corte sobre algum processo. Eu fiquei sabendo da boca de alguns advogados que ele ficou muito chateado. Não quis ofendê-lo, apenas quis dizer que a atitude foi equivocada."

PERGUNTAS DO MINISTÉRIO PÚBLICO


- Delcidio comentou que tinha medo de Lula?

"Ele não comentou [que tinha receio de alguma delação de Cerveró], mas era sabido por todo o mundo que acompanha esse processo da relação histórica de Delcídio com Cerveró. Tem até um livro publicado por uma jornalista da Veja que mostra claramente essa relação de Delcídio com Cerveró. Ela é muito antiga. No governo anterior ao meu ele chegou a ser ministro interino de Minas e Energia."

- Acredita que Deldício usou seu nome para fazer a delação?

"Por tudo que vejo todo dia na imprensa, acho que tem alguém instigando a citar meu nome. Eu fico sabendo por notícias, não sei se é verdade, que todo dia ficam falando 'cita o nome do Lula'. Eu canso de ouvir isso. É bem possível. Eu vi entrevista dele na GloboNews que parecia que ele tinha ganhado o Prêmio Nobel da Delação. Ou seja, depois que faz a bobagem que fez, se é que fez, ele tinha que jogar nas costas de alguém. A minha relação com ele era institucional e ele sabe disso."

(...)

- Nomeações na diretoria da Petrobras eram feitas pelos partidos?

"Deixe-me dizer uma coisa, que parece que está virando costumeiro isso em depoimentos, a falta de compreensão sobre o que significa governo de coalizão no mundo. Quando você ganha uma eleição num regime presidencialista de coalizão, você tem que construir a maioria no governo. E você não monta com quem você quer. Obviamente você pode fazer um acordo programático e um acordo de participação no governo. (...) Todas as pessoas indicadas tinham mais de 30 anos na Petrobras. Vocês vão ter que ouvir muita gente para saber se tinha denúncia de corrupção. Porque se tivesse aparecido antes, essas pessoas não seriam indicadas."

- Cerveró saiu da Petrobras e foi para a BR Distribuidora. Ele acha que foi por causa do empréstimo do Schahin ao PT e que teve sua benção.

"(...) Eu não tinha nenhum interesse em tirá-alo ou colocá-lo. Durante todo esse período, não teve nenhuma denúncia contra ele.

- Quem fez a indicação de Cerveró para a BR?

"Não sei se foi o partido ou José Eduardo Dutra, que teve relação com Cerveró porque ele foi presidente da Petrobras e depois foi ser presidente da BR. Eu suponho que foi isso ou algum partido pediu a transferência.

- Qual sua relação com Bumlai?

"Bumlai era meu amigo. Eu conversava com ele. Não sei [com que frequência]. Ultimamente ele andava com doença nos olhos, achava que ia ficar cego, estava passando muito tempo em Miami para se tratar. Depois foi cuidar de um câncer.

- Usava celular o IL para falar com Bumlai?

"Qual o crime do Bumlai ligar para mim? Ele tinha muito respeito e sabia que não era para discutir negócios. Negócios a gente discutia no Palácio."

- Mas acha que ele usava seu nome?

"Doutor, se o senhor soubesse quantas vezes usaram meu nome em vão... Não tenho como saber de tudo isso. Se alguém falou, só se Bumlai provar isso ou Schahin. Eu duvido que algum deles diga que um dia eu chamei eles para conversar qualquer coisa, porque eu tinha noção que não podia permitir promiscuidade com agentes empresariais ou políticos."

- A informação era que o senhor estava abençoando o negócio da Schahin com a Petrobras?

"Nem abençoando nem amaldiçoando, porque eu não sabia."

PERGUNTAS DA DEFESA DE DELCÍDIO


- Bumlai tinha receio de Cerveró?

"Nunca mencionou. Bumlai nunca falou comigo do Cerveró. Quem falava comigo do Cerveró era Delcídio, que era amigo do Cerveró e amigo do filho do Cerveró.

- A delação de Cerveró foi usada na condenação de Bumlai?

"Não tenho conhecimento."

PERGUNTAS DA DEFESA DE BUMLAI


- Qual a relação entre Bumlai e Delcidio?

"A impressão que tenho era que a relação era pequena, que Bumlai não tinha muita relação com Delcidio."

- Bumlai ligou para Marisa

"A relação de Marisa com Bumlai era a mesma que ele tinha comigo."

"Eu fiquei sabendo da ligação. Era o mínimo que eu esperava, que ele ligasse para dar os parabéns [pelo aniversário dela]."

PERGUNTAS DO JUIZ





Juiz Ricardo Leite pergunta qual a finalidade do IL e se Paulo Okamoto participou de reuniões entre Lula e Delcídio. O ex-presidente respondeu que o IL existe para promover as políticas sociais de combate à pobreza e inclusão desenvolvidas em seu governo, e diz não recordar se Paulo Okamoto participou de encontros com o ex-senador. Ele observou, porém, que nunca teve reunião "sigilosa" com Delcídio na sede do IL, ao contrário do que alega o réu-delator.

GGN



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Posted: 14 Mar 2017 01:04 PM PDT

A mídia se apresenta como instrumento a serviço da sociedade sem lembrar que é também um poder em si, voltado aos seus próprios interesses.


Laurindo Lalo Leal Filho - Publicado na Revista do Brasil, edição de março de 2017




Faz pouco mais de cem anos. Em 1910, o sociólogo alemão Max Weber propôs ao 1º Congresso da Associação Alemã de Sociologia uma nova pesquisa.

Ele queria saber se “o crescente capital fixo da imprensa significaria também um aumento do poder que permite moldar a opinião pública arbitrariamente”.

No início do século 20, nos primórdios do cinema, antes do rádio e da TV e muito distante da internet, apenas os jornais serviam como meio de comunicação de amplo espectro.

Ainda assim já eram percebidos por Weber como fortes instrumentos de poder, na medida em que acumulavam capital e dominavam áreas maiores do mercado.

No entanto, na mesma época e pelas décadas seguintes esse poder seguiu camuflado pela ideia de que a imprensa seria um quarto poder, capaz de acompanhar criticamente as ações dos poderes institucionais.

Até que em alguns momentos ela exerceu esse papel mas a medida em que as empresas de comunicação cresciam, incorporavam novas tecnologias, agregavam sob uma mesma direção novos veículos, o rumo editorial mudava gradualmente de direção.

O acúmulo de capital necessário para constituir e manter uma empresa de comunicação coloca os seus proprietários numa faixa da sociedade cujos interesses são alheios aos da maioria da população.

Comandam empresas que, na sua lógica comercial, em nada diferem de qualquer outra corporação similar, seja ela uma rede de supermercados ou uma fábrica de sabonetes.

Mas há uma diferença crucial: o tipo do produto colocado à venda.

A cerveja ou o sabonete têm a sua realização, como mercadoria, esgotada no próprio ato da compra.

Comprou, consumiu e acabou.

No caso da mercadoria oferecida pela mídia isso não ocorre.

Ela direciona correntes de pensamento, modos de vida, posições políticas, decisões econômicas.

Os efeitos de uma notícia de jornal ou de uma série de TV permanecem nas mentes e corações dos consumidores durante muito tempo, posterior ao consumo, às vezes pela vida toda.

Quem na idade madura não se lembra de desenhos animados ou de programas infantis vistos nos anos iniciais da vida?

São mercadorias que reúnem nelas mesmas dois tipos de poder: o econômico e o político.

Propiciam lucro comercial aos seus produtores e dão a eles possibilidade de interferir nas mais diversas questões públicas, tendo acesso as altas esferas do poder só possível graças a característica especial da mercadoria que produzem.

Lembro de um dono de empresa de comunicação que tinha como interesse comercial preponderante a criação de gado. Apenas como fazendeiro seu acesso ao presidente da República, por exemplo, não seria fácil.

No entanto ao combinar essa atividade com a jornalística as portas dos palácios tornavam-se bem mais acessíveis.

É assim que funciona a mídia industrial.

Como uma máquina de produzir riquezas bem azeitada sustentada por grande poder político.

Embora não seja essa a aparência pública da mídia.

Ela teima em se apresentar como instrumento a serviço da sociedade diante dos poderes constituídos sem lembrar que é também um poder em si, voltado aos seus próprios interesses.

Com isso consegue criar uma aura de superioridade aparentando pairar acima das divisões e conflitos existentes na sociedade.

O pior é que muita gente acredita nisso e se ajoelha diante dela.

Até políticos ditos de esquerda, cujos partidos são alvo de constantes ataques dessa mídia, ao serem convidados para entrevistas não titubeiam e correm para aparecer em suas páginas, nas suas telas ou falar por alguns instantes em suas emissoras de rádio.

Contribuem dessa forma para manter uma aura de superioridade desses meios reforçando a falsa ideia da isenção midiática que, obviamente, não existe.

O espaço, geralmente mínimo, dado à vozes dissonantes serve apenas para reforçar a aparência que esconde a essência do poder real defendido pela mídia.

Se no início do século 20, Weber já percebia o aumento do poder da imprensa que permitia moldar a opinião pública arbitrariamente, o que dizer desse papel nos dias de hoje.


Créditos da foto: reprodução


Carta Maior



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