quarta-feira, 29 de março de 2017

29/3 - Blog " DE CANHOTA" de 27/3

De Canhota


Posted: 27 Mar 2017 08:43 AM PDT

1. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra manifesta ao povo brasileiro o seu posicionamento diante das denúncias envolvendo o Agronegócio e o modelo de produção agropecuário movidos apenas pela lógica do lucro máximo e imediato.

A irracional e crescente degradação ambiental, a exploração intensiva de força de trabalho assalariada, a monopolização do território e despovoamento do interior do país, além dos crimes contra os povos indígenas, quilombolas, pescadores e camponeses, caracteriza o modelo de agronegócio, cujo mercado capitalista impulsiona ou desacelera a produção em face da demanda global.

2. A produção agropecuária baseada na monocultura extensiva e no uso intensivo de agrotóxicos, destrói a biodiversidade, contamina os solos e as águas, alteram as condições climáticas e envenenam os alimentos da população brasileira.

Para garantir e ampliar seus privilégios o agronegócio financia as eleições da bancada dos parlamentares mais reacionários, a “ bancada do boi”, responsável pelo retrocesso na legislação dos direitos sociais, trabalhistas e de preservação ambiental.

3. O golpe em curso no país, resultante de um conluio entre a Polícia Federal, Ministério Público, Poder Judiciário e meios de comunicação de massa, liderados pela Globo, atenta brutalmente contra os direitos das trabalhadoras e dos trabalhadores, e dos bens naturais, entregando essa riqueza para o mercado e as empresas transnacionais, num forte ataque à soberania popular.

4. As denúncias da operação da Polícia Federal  denominada Carne Fraca servem como argumento para reafirmar as contradições do Modelo do Agronegócio, principalmente em relação à saúde humana e à destruição ambiental. Defendemos que as empresas envolvidas sejam punidas e responsabilizadas.

5. Denunciamos que mais uma vez a conta está sendo paga pelas trabalhadoras e trabalhadores da agroindústria da carne, expostos à precarização imposta pelas empresas, e que agora com as denúncias sofrem com as demissões em massa.

6. Denunciamos o conluio entre a mídia e o governo golpista para escamotear o processo de corrupção entre as empresas do agronegócio e os fiscais do Ministério da Agricultura (MAPA). Exigimos que que seja investigada a apropriação privada desse Ministério pelo Agronegócio!

7. Reafirmamos nosso projeto de Reforma Agrária Popular, a produção de alimentos saudáveis, o respeito à diversidade dos povos e a defesa dos bens naturais. Combateremos sem tréguas o modelo de produção do agronegócio e seguimos na defesa de um modelo de desenvolvimento para o campo, baseado na cooperação agrícola, agroecologia e na soberania popular.

8. Com a força crescente do apoio popular, seguimos denunciando que o Agronegócio mata, envenena e sequestra o Estado Brasileiro! Nenhum Direito à Menos! Fora Temer! Diretas Já!


Direção Nacional do MST 25 de março de 2017.
Posted: 27 Mar 2017 08:14 AM PDT
Artigo publicado originalmente no Jornal O Dia.


A Constituição define entre os objetivos fundamentais da República a construção de uma sociedade livre, justa e igualitária, assim como a erradicação da pobreza e da marginalização, reduzindo as desigualdades sociais e regionais. Esses fundamentos, portanto, deveriam ser o norte de todas as instâncias de poder, buscando cada vez mais pensar e efetivar medidas de garantias de direitos e melhoria das condições de vida.

No entanto, na contramão disso, o Legislativo resgata projeto de mais de 20 anos para regulamentar e ampliar a terceirização. Entrando em vigor a lei, não só as atividades-meio da empregadora poderão ser terceirizadas, mas também suas atividades-fim. Em outras palavras, as empresas poderão terceirizar todos os seus setores, e não só aquele que não contribua diretamente na parcela principal dos serviços prestados ou produtos fabricados. Em um cenário com mais de 12 milhões de desempregados, a tendência é o aumento da instabilidade, uma vez que muitos não serão mais contratados diretamente pela tomadora de serviços.

Dados do Dieese revelam o cenário de horror por trás da terceirização. Quem empenha esforços como terceirizado trabalha três horas a mais por semana, enquanto recebe 24,7% a menos. A cada dez acidentes de trabalho fatais, oito são sofridos por terceirizados. Como se não bastasse, 90% dos trabalhadores resgatados em situação análoga à escravidão são terceirizados.

Não há dúvidas, portanto, que a terceirização deveria ser combatida e mitigada — quanto mais diante do fenômeno de quarteirização, em que a empresa prestadora de serviço novamente terceiriza a mão de obra, tornando-se também tomadora. Porém, contra a corrente de proteção aos trabalhadores, o projeto amplia irresponsavelmente a possibilidade de terceirização, demonstrando a clara falta de zelo com a classe trabalhadora.

O texto tem ainda mais alguns requintes de crueldade, com destaque para a ampliação do trabalho temporário, que passa a ser permitido por até 180 dias, prorrogável por 90. Nesse caminhar, trabalhadores e suas famílias se veem cada vez mais vulneráveis financeira e, como demonstrado, fisicamente, enquanto empregadores descansam satisfeitos com mais essa transferência do pato para a conta da população pobre.


João Tancredo é advogado.
Posted: 26 Mar 2017 12:30 PM PDT

Encontrei Lenin pela segunda vez em 1906, em Estocolmo, no Congresso do nosso Partido. É sabido que nesse Congresso os bolcheviques ficaram em minoria e sofreram uma derrota.Pela primeira vez vi Lenin no papel de vencido. Não se parecia nada a esses chefes que, depois de uma derrota, choramingam e perdem o ânimo. Ao contrário, a derrota fez com que Lenin centuplicasse suas energias, impulsionando seus partidários a novos combates, até a vitória futura. 
Falo da derrota de Lenin. Mas qual foi sua derrota? Deviam ver os adversários de Lenin, os vencedores do Congresso de Estocolmo, Plekhanov, Axelrod, Martov e os outros: pouco se pareciam com verdadeiros vencedores, pois Lenin, com sua crítica implacável ao menchevismo, não os deixou, como costumamos dizer, nenhum osso são. Me lembro de como nós, delegados bolcheviques, apertávamo-nos a sua volta, olhávamos e pedíamos que nos aconselhasse. Nos discursos de alguns delegados se refletia o cansaço, o desânimo. Lembrou-me de como Lenin, respondendo àqueles discursos, murmurava entre os dentes em tom mordaz: “Não choramingue, camarada, venceremos sem dúvida alguma, pois temos razão”. O ódio aos intelectuais chorões, a fé nas próprias forças, a fé na vitória: era tudo que Lenin nos falava. Advertia que a derrota dos bolcheviques era passageira, que os bolcheviques venceriam em um futuro próximo. “Não choramingar em caso de derrota”. Era precisamente esse aspecto particular da atividade de Lenin que permitiu agrupar a sua volta um exército fiel até o final da causa e encher de fé suas próprias forças. 
Iosif Stalin

Nenhum comentário:

Postar um comentário