quarta-feira, 29 de março de 2017

29/3 - Opinião – Emir Sader: "Filme da Lava Jato..........

FONTE:https://br.sputniknews.com/opiniao/201703288009558-opiniao-emir-sader-filme-lava-jato-lula/



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    Luiz Inácio Lula da Silva

    Opinião  Emir Sader: 'Filme da Lava Jato é forma de atingir Lula'

    AP Photo / Eraldo Peres
    OPINIÃO
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    O cientista político Emir Sader, coordenador do Laboratório de Políticas Públicas da UERJ, analisa a questão surgida com a utilização de imagens supostamente feitas pela Polícia Federal e mostrando a condução coercitiva de Lula para depor na Operação Lava Jato.

    A 24.ª Fase da Operação Lava Jato, realizada em 4 de março de 2016, teve como grande destaque, na mídia nacional e internacional, a condução coercitiva do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva para depor na Polícia Federal de São Paulo, em cumprimento a mandado expedido pelo Juiz Federal Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato.
    Além de toda a celeuma que a condução coercitiva causou – Lula foi acordado pela Polícia Federal em seu apartamento em São Bernardo do Campo e levado para depor numa dependência da instituição do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo –, ela ainda ensejou uma nova polêmica, a denúncia de que cenas daquela ação foram entregues à produtora New Group & Raconto, que está fazendo o filme "Polícia Federal – A Lei É para Todos", em que o personagem Lula é interpretado pelo ator Ary Fontoura, e o Juiz Sérgio Moro, por Marcelo Serrado.
    Para o cientista político Emir Sader, coordenador do Laboratório de Políticas Públicas da UERJ, a repercussão em torno do filme e da alegada inclusão das cenas da condução coercitiva de Lula pela Polícia Federal reflete o caráter arbitrário de toda a situação. Em entrevista à Sputnik Brasil, Emir Sader declara:
    "Um filme que pretende se chamar 'Polícia Federal – A Lei É para Todos' é um conjunto de arbitrariedades. Primeiro porque a invasão da casa de Lula foi absolutamente ilegal; em segundo lugar, a tentativa de levá-lo para depor, coercitivamente, em condições a que ele nunca tinha sido convocado, resultou numa condenação pelo Supremo Tribunal Federal que desqualificou essa operação mas que agora, para espanto de todos, ficamos sabendo que suas filmagens foram entregues para efeitos midiáticos e para produção de um filme que tende a explorar o 'herói' Moro e o 'bandido' Lula. Os advogados do Lula já entraram com uma ação contra a realização desse filme, impugnando inclusive sua exibição se ele incluir essas imagens."
    Sobre a possibilidade de o filme influenciar no ânimo dos eleitores diante de uma possível candidatura de Lula à eleição presidencial de 2018, Emir Sader acentua:
    "O filme tem uma intenção muito óbvia. O próprio título contém essa mensagem muito clara ao proclamar que ‘a lei é para todos’ é do [Juiz Sérgio] Moro, querendo dizer que ninguém está acima da lei, salvo ele, que se refere ao Lula como 'nine' ('nove', em inglês), pelo fato do Lula ter perdido um dedo, como trabalhador, ao operar uma máquina. A inclusão dessas imagens tem a clara intenção de elevar a rejeição contra Lula, abalando suas pretensões presidenciais para 2018."
    Emir Sader também comentou os rumores de que a produção de "Polícia Federal – A Lei É para Todos" teve amplo acesso às imagens da operação conduzida pelos agentes federais:
    "As noticias iniciais eram exatamente essas. E tudo dava a entender que a cessão dessas imagens foi propositalmente feita a interesses privados para a realização do filme, em que pese o Moro ter pedido esclarecimentos à Polícia Federal sobre tais rumores. Vamos ver que resultados essas circunstâncias terão, porque elas causaram constrangimento até mesmo para o Juiz Sérgio Moro."
    Em relação a tais denúncias, Sérgio Moro determinou à Polícia Federal que apresentasse explicações para os fatos. Por meio de ofício, o Delegado Igor Romário de Paula negou que a Polícia Federal tenha cedido quaisquer imagens da operação e ressalvou que todos os procedimentos foram feitos com total discrição, sem uso de uniformes e viaturas ostensivos, "sem que tenha sido divulgada qualquer imagem que atente contra a imagem do investigado". 

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