quarta-feira, 29 de março de 2017

29/3 - Pragmatismo Político DE 28/3

Pragmatismo Político


Posted: 28 Mar 2017 12:35 PM PDT
blogueira síndrome de down
Blogueira Julia Salgueiro fez comentário depreciativo contra criança portadora de Síndrome de Down
A blogueira de moda Julia Salgueiro pode ser presa a qualquer momento, segundo informações do delegado Paulo Rameh, da Polícia Civil de Pernambuco.
“Independente de qualquer coisa, vou pedir a prisão preventiva dela”, sentenciou Rameh, frisando que a prisão só pode ser solicitada no fim do inquérito, que pode durar até 30 dias.
Julia está sendo processada após publicar comentários depreciativos contra um bebê de 11 meses portador de Síndrome de Down no Facebook.
O delegado Paulo assumiu o caso na última sexta-feira, quando a mãe da criança ofendida prestou queixa da blogueira. Ela apresentou os prints dos comentários deixados por Julia em uma foto postada pela tia do bebê.
Na imagem, Julia comparou a criança até a “um filhote de cachorro” e o delegado considerou essas imagens como provas suficientes para dar andamento ao processo.
Segundo Paulo Rameh, o caso será tratado como “injúria qualificada”, em razão da condição da vítima ser uma criança portadora de deficiência.
“Ela fez um comentário extremamente ofensivo aos portadores de Síndrome de Down”, classificou o delegado.

Arrependida

Em depoimento à Polícia Civil na tarde desta segunda-feira (27), a blogueira afirmou estar arrependida dos comentários preconceituosos.
Segundo o advogado Humberto Cavalcante, responsável pela defesa da blogueira, ela enfrenta uma depressão. “Ela está passando por problemas depressivos, tomando medicação e tudo isso influenciou no que foi dito. Ela está bastante arrependida, tudo isso foi feito sem ter noção do que estava falando”, argumentou o defensor.
O delegado Paulo Rameh ressaltou que o arrependimento de Julia não altera o ocorrido. “No âmbito da Polícia Civil, a questão de ela ter colocado o arrependimento, não modifica o fato que ela praticou o crime. Talvez, dentro do Poder Judiciário, pode ser favorável a ela no momento de um julgamento. Ela alegou que enfrenta problemas particulares e trouxe documentos que mostram que ela está me tratamento psicológico, demonstrou estar bastante abalada, era visível que a situação emocional dela era muito forte”, contou o delegado.
“Ela teve oportunidade de falar, colocar a sua opinião, a sua defesa. Vamos concluir o inquérito nesta semana e encaminhar para o Judiciário. Como a pena do crime que ela praticou chega a 5 anos, vou representar pela prisão preventiva. Não estamos aqui para julgá-la, e sim para encaminhar para o juiz, esse sim vai julgar”, finalizou o delegado.

Entenda o caso

Uma criança de 11 meses teve uma foto publicada nas redes sociais por sua tia na terça-feira (21), Dia Internacional da Síndrome de Down.
Através dos comentários na publicação, a blogueira Julia Salgueiro comparou o bebê da foto a um filhote de cachorro e classificou como “nojento” o sexo entre pessoas com deficiência.
Em um dos comentários, ela afirmou que quem tem Síndrome são “lindos quando são pequenos, mas quando crescem só pensam em…”, referindo-se de forma pejorativa ao ato sexual.
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Posted: 28 Mar 2017 11:10 AM PDT
manifestações fora temer impeachment esquerda
A avenida paulista ficou vazia no último domingo (26). Michel Temer foi poupado e muita gente já toma conhecimento do envolvimento dos grupos pró-impeachment com o atual governo
Responsáveis por convocar as manifestações do último domingo (26) tentaram justificar o fracasso dos atos em todo o Brasil.
Líderes dos movimentos MBL, Vem Pra Rua e Nas Ruas alegaram que o desconhecimento das pautas não motivou o público a sair de casa e ir às ruas.
No entanto, boa parte da população já tem conhecimento sobre o envolvimento destes grupos com o atual governo.
“Eu não confio mais no MBL. Sei que foram comprados pelo governo. Todos eles recebem dinheiro. De certa forma, eles ajudaram Michel Temer a chegar na Presidência. Estou aqui hoje por conta própria”, disse uma manifestante que foi à avenida paulista no domingo.
De acordo com o site Congresso em Foco, o coordenador do MBL em Minas Gerais (MG), Pero Cherulli, destacou que o movimento não critica Michel Temer porque a ação não geraria algum resultado para o Brasil como no caso do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Para Cherulli, gritar “Fora Temer” é seguir um entendimento da “esquerda”.
“Os movimentos não vão falar fora Temer porque esse é um jargão da esquerda e não faz parte da pauta. Se nos utilizarmos para isso, estaríamos sendo fantoches da esquerda e isso não vai acontecer”, enfatizou.
“Os movimentos são inteligentes e não vão fazer algo que não é plausível. Não existe nenhuma acusação formal contra o Temer como havia contra a ex-presidente Dilma, que teve as pedaladas fiscais”, reafirmou.
O representante do MBL não disse nada a respeito das inúmeras denúncias de corrupção que assolam o atual governo e incluem o nome do próprio presidente. Apenas no que se refere à Lava Jato, um em cada três ministros de Temer está na mira da operação.
O depoimento de José Yunes ao Ministério Público também compromete seriamente Michel Temer e o seu homem de confiança, José Padilha, embora a mídia não tenha destacado o caso com a relevância devida.
A líder do movimento Nas Ruas, Carla Zambelli, também defende Temer. “Ele não cometeu nenhum crime e a gente pensa que quando não há crime, não há motivação”.
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Posted: 28 Mar 2017 10:51 AM PDT
comida para bebê marca suspensa
A Anvisa proibiu na última semana a comercialização de todos os produtos da marca ‘Papa no Prato’, vendidos pela internet e, segundo a agência, de fabricante desconhecido.
O que teria motivado a suspensão de todos os lotes seria a ausência de registro perante a vigilância sanitária.
Os produtos Etapapá 1, 2 3 e Frutas, entre outros, foram proibidos de serem fabricados distribuídos, vendidos e divulgados.
Segundo a Anvisa, os alimentos de transição para bebês e crianças de primeira infância são de registro sanitário obrigatório.

Energético

Na mesma semana, a Anvisa proibiu a fabricação, distribuição e comercialização de todos os lotes da bebida ‘D Dopamina Mindful Drink’, 269 mL.
De acordo com a vigilância sanitária, a bebida energética a base de tirosina, taurina e cafeína, fabricada e envasada sob licença de Cervejaria Cidade Imperial Petropolis Ltda precisava de uma avaliação sanitária.
A agência ainda determinou que a empresa, Newage Indústria de Bebidas Ltda, promova o recolhimento do estoque existente no mercado dos produtos em questão.

Paçocas

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária interditou ainda um lote de paçoca rolha da marca Dicel, produzida em Goiânia (GO).
Os produtos interditados excediam o limite permitido de aflatoxinas, substâncias tóxicas produzidas por fungos que podem causar câncer.
Segundo a resolução, o lote 0027, fabricado em 18 de novembro do ano passado, com validade até 18 de novembro deste ano, estava impróprio para o consumo. O alimento é distribuído pela Indústria e Logística Westhonklauss Constante Ltda.
O laudo do Laboratório de Análise Micotoxicológicas, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, atestou teores de aflatoxinas acima do limite máximo tolerado para amendoim com casca, descascado, cru ou tostado, pasta de amendoim ou manteiga de amendoim.
A interdição vale para todo o território nacional.

Diazepam

Por fim, a Anvisa suspendeu o lote 20101816 do medicamento Diazepam 10mg-2mL, de solução injetável, pertencente à classe 3 na classificação de risco à saúde da agência.
O remédio foi proibido após o resultado insatisfatório de um laudo no quesito rotulagem.
A empresa fabricante do produto, a Santisa Laboratório Farmacêutico S/A, enviou um comunicado de recolhimento voluntário do lote, que não poderá mais ser distribuído ou comercializado em todo o território nacional.
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Posted: 28 Mar 2017 10:38 AM PDT
tomar leite faz bem estudos
Você já fez a experiência de dar leite ao seu cachorro ou gato? E a um golfinho? As perguntas parecem jocosas, mas, para Antonio Herbert Lancha Jr., professor de nutrição da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (USP), esse teste simples acabaria com o papo de que o homem é o único animal que toma leite mesmo depois de virar adulto. “Isso acontece porque ele é o único que tem acesso à bebida”, afirma Lancha Jr., fazendo referência a um dos argumentos preferidos pelos desertores do alimento.
Agora, existem evidências de que mais de 10 mil anos atrás, ainda na última Era do Gelo, de fato o produto da vaca era uma espécie de veneno após a infância. Isso porque, ao contrário das crianças, os mais velhos eram incapazes de produzir lactase, a enzima que quebra a lactose, o açúcar presente na bebida.
Mas, de acordo com um artigo publicado na revista científica Nature, uma das mais respeitadas do planeta, um fenômeno interessante aconteceu quando a agricultura e a criação de animais substituíram a caça: uma mutação genética permitiu que o corpo humano passasse a fabricar lactase. Transmitida de geração em geração, a alteração no DNA se propagou pela Europa. Foi o estopim para a chamada “revolução do leite“. Isto é, com a introdução da bebida na rotina alimentar, um continente inteiro encontrou terreno fértil para evoluir e espalhar descendentes.
Se estivéssemos falando de uma bebida qualquer, sem atributos marcantes, dificilmente a habilidade de tolerá-la modificaria os rumos da humanidade a ponto de falarem em revolução. “A Nutrient Rich Foods (NRF) classifica o leite como alimento de alta densidade nutricional”, destaca a nutricionista Olga Amancio, presidente da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (Sban). Isso significa que ele contém mais nutrientes do que calorias. “Para essa classificação, o preço também é levado em conta”, informa a professora.
Um dos compostos benéficos que abundam no produto da vaca, cujo litro pode ser adquirido por aproximadamente 4 reais, é o cálcio. Em geral, recomenda-se que um adulto consuma, diariamente, mil miligramas do mineral – essencial sobretudo aos ossos. Pois com apenas um mísero copo de leite dá para cobrir um quarto dessa necessidade. Falando assim, parece moleza atingir a cota, certo? Mas não é. Segundo Sebastião Radominski, professor de reumatologia da Universidade Federal do Paraná, todas as regiões do Brasil falham nesse quesito. “Inquéritos alimentares mostram que nossa ingestão média é de 400 miligramas”, conta.
A verdade é que, tirando leite e derivados, as outras fontes do nutriente – como vegetais verdes-escuros– contribuem pouco na soma. Está aí outro ponto polêmico. Afinal, analisando direitinho, dá, sim, para dizer que as folhas exibem níveis bacanas do mineral.
Mas o que interessa para os entendidos é quanto disso o corpo consegue utilizar. “Quando o cálcio vem do leite, 30% dele é absorvido. Se for proveniente de vegetais, a exemplo do brócolis, esse valor cai para 5%”, compara a nutricionista Lígia Martini, professora da Faculdade de Saúde Pública da USP. Vamos aproximar esse dado do seu dia a dia: há estimativas de que, para incorporar a mesma quantidade de cálcio ofertada por um copo de leite, deveríamos comer 4,5 porções de brócolis. Quem prefere espinafre teria que abocanhar 16 porções. É muita coisa.
De olho nisso, talvez passe pela sua cabeça fazer um exame de sangue para verificar como anda a circulação de cálcio no organismo. Um recado: provavelmente estará tudo certo e os lácteos parecerão dispensáveis. Não se engane. Mesmo que o consumo do nutriente seja baixíssimo, uma substância chamada paratormônio nunca deixa ele baixar no sangue, já que isso provocaria uma série de estragos.
Mas, se não vem da alimentação, de onde surge esse cálcio? “Ele é retirado dos ossos”, avisa a endocrinologista Marise Lazaretti Castro, chefe do Setor de Doenças Osteometabólicas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Caso isso não aconteça, temos um caminho de via única: o cálcio cai na circulação, mas não volta para a ossatura. É uma estrada que tende levar à osteoporose, mal que pode acabar em fraturas.

O leite ajuda ou não contra a osteoporose?

Embora o leite ostente o mineral, alguns estudos chegaram a contestar a relevância da bebida na prevenção do quebra-quebra ósseo. Um desses trabalhos foi realizado na Universidade de Uppsala, na Suécia, e fez muito barulho na época de sua publicação, em 2014.
Os pesquisadores analisaram os hábitos alimentares de 61 433 mulheres e 45 339 homens por meio de questionários respondidos pelos participantes – as moças preencheram a ficha duas vezes e os rapazes, uma. A análise das informações culminou na seguinte conclusão: o alto consumo de leite (três ou mais copos diários) não só deixou a desejar na proteção dos ossos como até elevou o risco de fraturas.
“Nossa hipótese é de que a culpa recai sobre a galactose”, aponta o epidemiologista Karl Michaëlsson, principal autor da pesquisa sueca. Segundo ele, quando essa substância – formada a partir da quebra da lactose – é injetada em animais, observa-se uma morte prematura em decorrência de reações como a inflamação. “E esses fatores também estão por trás de fraturas por fragilidade óssea em idosos”, relaciona. Mas muita calma antes de derramar o copo na pia…
Os próprios autores pedem cautela na interpretação dos dados. “Definitivamente precisamos de novas pesquisas”, assume Michaëlsson. Para os experts na área, há motivos para ficar com o pé atrás mesmo. O primeiro ponto é que se trata de um estudo de observação e associação. Traduzindo: ele quantificou a ingestão de lácteos e, em paralelo, a ocorrência de fraturas. Não testou, portanto, uma relação de causa e efeito. “Às vezes, as pessoas já têm fragilidade óssea e, por isso, consomem mais leite. Isso poderia dar a falsa ideia de que o alimento causou a fratura”, analisa Marise.
Outro ponto é que não dá para ter certeza de que os voluntários listaram fielmente o que comeram. Não por malandragem, mas por esquecimento. Para embolar, quem disse que o padrão alimentar é igualzinho todo dia, por anos a fio?
Tem mais uma peça estranha na história. Depois que é digerida, a lactose vira galactose e glicose. “Entre essas duas, a primeira é absorvida mais rapidamente no organismo”, ensina Lancha Jr. “Por isso, a probabilidade de esse consumo gerar uma resposta inflamatória é pequena”, explica.
Só quem tem uma doença chamada galactosemia não assimila direito essa molécula – aí ela acaba se acumulando no corpo. “Mas é uma condição bem rara”, esclarece a médica Maria Raquel Carvalho, do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Sem falar que o quadro se manifesta logo nos primeiros dias de vida, quando o bebê recebe o leite materno.
Para a professora, pode até ser que a galactose não seja lá tão inócua para quem não tem a doença. Mas essa é uma suposição que deve ser investigada, até para esclarecer dúvidas básicas, como qual seria a quantidade ameaçadora e para quem. “E o leite é um produto extremamente complexo. Por isso, acho delicado colocar a culpa em uma única molécula”, pondera Maria Raquel. Sem contar que, para ter ossos fortes, não adianta só apostar nos lácteos. Tem que fazer exercício, tomar sol, caprichar nas proteínas…
O fato é que depender da lembrança das pessoas sobre sua dieta é uma das limitações mais citadas entre estudos de nutrição. Não que sejam achados descartáveis. Só é difícil chegar a conclusões fechadas a partir deles – o que sobram, muitas vezes, são suspeitas.
Nesse aspecto, dá para entender por que um trabalho do Instituto de Saúde Carlos III, na Espanha, e de outras instituições chamou a atenção no fim de 2016. Em vez de ficar apenas em questionários, os pesquisadores descobriram biomarcadores no sangue – como se fossem rastros – capazes de denunciar a real ingestão de leite entre certas populações. Não foi só isso. Ao mirar em mais de 7 mil indivíduos, os cientistas não encontraram uma conexão entre a bebida e o maior risco de doenças cardíacas, assunto ventilado por aí.
O receio tem certo fundamento. Sempre aprendemos que a vaca produz um líquido cheio de gordura saturada que, por décadas, ocupou o posto de pior inimiga do coração. Tanto é que, lá na década de 1970, os Estados Unidos publicaram diretrizes para incentivar a restrição desse nutriente.
Um raciocínio que, para o zootecnista Marco Antonio Sundfeld da Gama, da Embrapa Gado de Leite, é simplista demais. “Já foram identificados mais de 400 ácidos graxos no leite“, esclarece, usando o nome técnico de batismo das gorduras. Sim, elas são predominantemente saturadas. Contudo, segundo Gama, não significa que atuam de forma semelhante.
Entre os tipos gordurosos detectados no leite estão o esteárico, palmítico e mirístico. De acordo com a nutricionista Marcia Gowdak, diretora do Departamento de Nutrição da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), o primeiro não tem influência sobre o colesterol. “Já os outros dois até aumentam sua versão ruim, o LDL, mas também elevam a concentração do bom, o HDL”, descreve.
Por essas e outras, vários estudos não incluem a bebida na lista de adversários do peito. A bem da verdade, mesmo depois que as fontes gordurosas foram incriminadas de causar uma epidemia de obesidade e diabete tipo 2 em terras americanas, a prevalência dessas encrencas triplicou por lá. Possivelmente por causa do abuso de açúcar.
Não é que abarrotar o prato de fontes de gorduras está permitido. O perigo mora na troca que as pessoas fazem. “Quem tira leite e derivados dificilmente coloca outras fontes de proteína no lugar”, analisa Marcia.
Nesse cenário, quem reina é o carboidrato. Ora, o iogurte é substituído por torradinhas, o leite dá espaço para os sucos e por aí vai. Hoje há pistas de que exagerar nesse nutriente – especialmente quando vem de itens refinados e com açúcar – aumenta a concentração de moléculas de colesterol LDL pequenas e densas. “E elas são facilmente oxidáveis, ou seja, têm maior capacidade de dar início à formação de placas nas artérias”, expõe Gama.
Embora ache que essa relação entre formatos de colesterol e periculosidade mereça investigação mais minuciosa, o cardiologista Rogério Krakauer, da Socesp, é enfático: “Não devemos vilanizar a gordura saturada. Ela pode, sim, fazer parte de uma dieta balanceada”. Para ter ideia, se o indivíduo nunca passou por um susto cardíaco e investe em carnes magras e vegetais, Marcia avalia até que dá para levar o leite integral pra casa numa boa. “A gordura dá saciedade, o que pode ajudar no controle do peso”, ressalta.
Já existem indícios de que essa versão da bebida, que domina 70% do mercado brasileiro, não só é amiga da cintura como auxilia a afugentar outros males ligados aos quilos a mais. Em experimento da Universidade Tufts, nos Estados Unidos, fãs do leite integral – identificados por biomarcadores sanguíneos – eram menos propensos a encarar o diabete tipo 2.
Para quem já tem a doença, aí vale repensar o teor de gordura. Ainda assim, não há razão para abolir o leite. Segundo Lancha Jr., um trabalho recente mostrou que os diabéticos que tomavam a bebida apresentavam melhor controle glicêmico. “Uma teoria é que ela deixaria a flora intestinal com perfil mais positivo, o que reduziria a inflamação no corpo”, detalha.
Antes de se esbaldar com o leite integral – caso não haja contraindicação -, cabe uma autoavaliação honesta da alimentação. “É que comemos mais carne gorda, excedemos na fritura e, apesar de investirmos no feijão, frequentemente é com calabresa”, reflete a nutricionista Cynthia Antonaccio, da Consultoria Equilibrium, na capital paulista. “Por isso, sou fã do semidesnatado, que tem poucas calorias, teor moderado de gorduras e sabor”, defende. O desnatado, coitado, não é tão popular. “Além de não conter as vitaminas A e D, ele ocasiona um rápido esvaziamento gástrico. Aí a fome surge mais cedo”, argumenta Lancha Jr.
Independentemente do grau de gordura, um papo que tem preocupado bastante gente é que o leite contribuiria para a ocorrência de alguns tipos de câncer. Tudo por causa dos hormônios que passam da vaca para a bebida.
“Em pesquisa recente, cientistas viram que essas substâncias realmente entram no corpo. Porém, não são absorvidas”, tranquiliza Flávia Fontes, veterinária da UFMG e responsável pelo movimento Beba Mais Leite. Para o time de estudiosos detectar vestígios de hormônios na circulação, precisou subir mil vezes a concentração deles no leite.
Tem mais uma prova de que sua barra está limpa. No último relatório do Fundo Mundial de Pesquisa em Câncer, conclui-se que as provas a respeito da conexão desses alimentos com tumores (os de próstata e ovário estão entre os mais citados) são limitadas. “O que temos de dado robusto é que o sobrepeso e a obesidade elevam o risco de desenvolver esses tumores”, diz a nutricionista Maria Eduarda Diógenes Melo, da Coordenação de Prevenção e Vigilância do Instituto Nacional de Câncer. “A população oriental possui alta prevalência de intolerância à lactose e acaba excluindo o leite. Nem por isso ela tem menos câncer”, analisa o cirurgião oncológico Samuel Aguiar Júnior, do A.C.Camargo Cancer Center, em São Paulo.

A intolerância à lactose

Não dá para negar que ela anda na boca e no corpo do povo. Da mesma forma que nossos cabelos começam a nascer brancos, a fabricação da enzima lactase, que quebra esse açúcar, é comprometida com o tempo. Na ausência da substância, a lactose fica dando sopa no organismo – o que causa gases, cólicas e outros desconfortos.
Mesmo assim, normalmente as pessoas toleram algum teor dela. Vale testar. “Também orientamos fracionar a oferta de lácteos durante o dia. Aí dá tempo de o intestino refazer seu estoque da enzima”, sugere Marise, da Unifesp.
E se você não tiver certeza do quadro, melhor aguardar o diagnóstico e as orientações de um especialista. É que, ao excluir de vez a lactose, o corpo naturalmente reduz ou até para de gerar lactase – com isso, cria-se um problema que às vezes nem existia. “E hoje há evidências de que a lactose é importante para promover o equilíbrio da microbiota intestinal”, conta Marcelo Bonnet, engenheiro de alimentos da Embrapa Gado de Leite.
A alergia é outro papo. “Trata-se de uma resposta exagerada do sistema imune contra a proteína do leite“, define Ariana Campos Yang, coordenadora do Ambulatório de Alergia Alimentar do Hospital das Clínicas de São Paulo. Logo, nada a ver com a lactose.
Mas, dependendo do tipo de alergia, alguns sintomas são similares. Então, o que ajuda a nortear o diagnóstico é a idade. “A intolerância dificilmente surge no bebê”, ensina Ariana. Já a alergia se revela no início da vida e, em geral, é transitória – vai até uns 5 anos.
Para proteger o pequeno, muitos pais evitam o leite de vaca após o primeiro aniversário. Mas, se ele não mamar mais no peito, isso não o beneficiaria. Pelo contrário. “Atualmente, sabemos que retardar essa introdução até sobe o risco de alergia, porque se perde a fase em que o corpo da criança está preparado para aprender”, diz a especialista. Se o leite arrebatou seu paladar e sempre fez parte da sua história, não há razão para botá-lo de lado. Até porque, a julgar pelo serviço prestado há tempos à humanidade, dá pra concluir que ele tem crédito nessa história.

O tipo perfeito para você

O teor de gordura é só um dos aspectos que saltam aos olhos na hora da compra. Hoje, há leites com níveis extras de proteína, vitamina D, ferro, fibras e por aí vai.
“Se a alimentação não suprir a quantidade necessária desses elementos, os produtos enriquecidos podem fazer a diferença”, diz Marcia Gowdak, nutricionista da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo. As fibras, por exemplo, andam em falta no prato dos brasileiros. “Mas o ideal é corrigir esse tipo de situação paralelamente, para não ficar dependente dos leites fortificados”, orienta Marcia.

QUESTÕES COMPLEMENTARES:

1. Integral, semidesnatado ou desnatado? É a diferença na quantidade de gordura que determina essa diferença. O integral tem um teor mínimo de 3%, enquanto o semidesnatado varia de 0,6 a 2,9% e o desnatado tem no máximo 0,5%. O leite desnatado possui menos gordura, mas isso não significa que seja o mais indicado para todos. Quem não possui sobrepeso e não enfrenta problemas como o de colesterol alto, não precisa evitar a gordura do leite. Pelo contrário, a gordura existente no alimento compõe uma alimentação rica. Para Maria Carolina von Atzingen, nutricionista da Faculdade de Saúde Pública da USP, o leite semi-desnatado é o mais indicado para pessoas saudáveis por conter um teor menor de gordura que o integral e contribuir com uma dieta equilibrada. “O desnatado deve ser escolhido por indivíduos que precisam reduzir os níveis do colesterol LDL do sangue, o popularmente conhecido como colesterol ruim, e por quem quer perder peso”, completa a especialista.
2. Qual a diferença entre leite A, B, C, longa-vida e cru? Caso você tenha uma vaca leiteira e siga diversos cuidados de higiene, você até poderia beber o leite, que neste caso é chamado de leite cru, mas seu consumo não é recomendável, e a venda é proibida. No Brasil, só é permitida a comercialização do leite que passa por processo de pasteurização, que garante a eliminação de bactérias danosas. Há uma confusão muito comum, de que o leite tipo A possui menos gordura que os outros. Errado. Todo leite é igual em nutrientes. É o número de bactérias residuais encontradas no leite que determina seu tipo: A, B ou C. O leite de tipo B e C recebe menos cuidados – ordenha pode ser manual para o leite C, leite pode ser armazenado em latões, pode ter até 40 mil bactérias por mililitro. Já o leite A exige ordenha mecânica, resfriamento imediato, instalações mais bem equipadas e máximo de 500 bactérias por mililitro. Há ainda um quarto tipo, o leite longa-vida (ou UHT), que passa por processo mais intenso de eliminação de bactérias, chamado de ultrapasteurização, e recebe a adição de estabilizantes, possuindo período de conservação maior que o dos outros leites. Contudo, a ultrapasteurização pode levar à perda de alguns nutrientes
3. Leite ajuda a dormir? Sim, ele funciona! O leite possui em sua composição proteínas que, quando digeridas, liberam um aminoácido chamado triptofano, que participa da produção de serotonina. Essa substância, encontrada no cérebro, promove sensação de bem-estar em nosso corpo e regula nosso sono. É como se fosse um calmante natural. “Para que o efeito seja melhor, recomenda-se a ingestão de leite com uma fonte de carboidrato, como o mel”, diz Maria Carolina von Atzingen, nutricionista da Faculdade de Saúde Pública da USP. A dica vale para qualquer pessoa saudável que queira um empurrãozinho para embalar o sono.
4. Leite ajuda a curar gastrite e azia? Há uma crença recorrente de que o leite cura a gastrite. A ideia estaria associada à redução da acidez do estômago pelo leite, que é um alimento neutro ou levemente ácido. O suco gástrico, que digere os alimentos no estômago, possui pH ácido. Quando a mucosa estomacal se enfraquece, a substância ácida produzida pelo órgão provoca danos no tecido que o reveste. Ao contrário do que se pensa, tomar leite pode piorar a queimação estomacal. Segundo Adriane Antunes de Moraes, pesquisadora da Unicamp, o consumo do leite leva a um efeito rebote: a acidez gástrica diminui e depois eleva, intensificando a azia.
com informações da Universidade de São Paulo
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Posted: 28 Mar 2017 10:11 AM PDT
Boechat Dallagnol lava jato psdb
Na última semana, o coordenador da força-tarefa da Lava Jato no Ministério Público Federal, procurador Deltan Dallagnol, concedeu entrevista ao jornalista Ricardo Boechat, da Band (vídeo abaixo).
Ao ser questionado por Boechat sobre as críticas que a operação sofre por proteger políticos do PSDB nas investigações, Dallagnol tergiversou e disse que o número de políticos processados do PP é maior do que os processos que envolvem filiados ao PT.
Boeacht insistiu e questionou Dallagnol mais uma vez sobre quando o Ministério Público começará a pedir punições contra políticos tucanos, como o senador José Serra, que é acusado de receber R$ 23 milhões em uma conta secreta na Suíça, ou o senador Aécio Neves, presidente nacional do partido, acusado pela Odebrecht de receber propina de R$ 50 milhões.
O procurador tentou novamente se justificar: “O PSDB não fazia parte da base aliada do governo do PT. Como o PSDB não fazia parte dessa base aliada, não foram indicadas pessoas do PSDB [para cargos] por exemplo como diretores da Petrobras. Não tem como achar na Petrobras corrupção de um diretor ou presidente até porque não existia diretores do PSDB”.
A resposta titubeante de Dallagnol pressupõe que a Petrobras foi criada pelo PT em 2003. Apenas para ficar em um exemplo, Delcidio do Amaral já era homem forte na estatal brasileira na época do governo FHC.
O ex-senador migrou do PSDB para o PT quando este chegou ao poder com o intuito de manter sua força na Petrobras. Integrantes do PP e PMDB já usufruíam dos esquemas coordenados por Delcídio antes que ele ingressasse no PT.
O filho de Fernando Henrique Cardoso foi beneficiado em esquema na Petrobras. Sobre isso o procurador Dallagnol também não disse nada.
Por fim, a prova da inconsistência da resposta de Dallagnol são as propinas milionárias pagas a Aécio Neves, José Serra e outros integrantes da alta cúpula do PSDB.

VÍDEO:

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Posted: 28 Mar 2017 09:34 AM PDT
João Doria fhc candidato 2018
Uma festa realizada pela socialite Lucília Diniz em sua casa, no Jardim Europa, na última semana, homenageou os exatos primeiros meses de mandato do atual prefeito da cidade de São Paulo, João Doria.
Foram convidados 370 nomes da chamada ‘alta sociedade’ paulistana para reverenciar o prefeito, que chegou ao local acompanhado do governador Geraldo Alckmin.
Ainda que para toda a imprensa o ato tenha sido divulgado como um jantar de homenagem, não se falou de outra coisa no evento a não ser da possibilidade de Doria candidatar-se à Presidência da República em 2018, atropelando, inclusive, o seu padrinho político Geraldo Alckmin.
Doria é também o preferido do MBL e do Vem Pra Rua, principais grupos que apoiaram o impeachment de Dilma Rousseff.
Dentro do partido, porém, caso queira realmente lançar-se como candidato, enfrentará alguma resistência.
Isto ficou claro em entrevistas concedidas ao Estadão e ao Globo pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, maior nome do PSDB.
FHC afirma que Alckmin é hoje o tucano mais bem posicionado para disputar a Presidência no ano que vem e criticou o mote principal de Doria. “Se você for um gestor, não vai inspirar nada. Tem que ser líder”, afirmou.
O ex-presidente disse ainda que Doria “está começando” e que considera “prematuro” pensar no nome dele para 2018, “porque ele tem um mês de governo”. Segundo o ex-presidente, “credibilidade não é igual a popularidade”.
Doria não mediu as palavras ao rebater a fala do ex-presidente e ainda o provocou:
“Respeito muito o ex-presidente, mas eu só lembro que ele previu que eu não seria eleito nas prévias para ser candidato pelo PSDB. Apoiou outro candidato, o que não muda minha admiração. Ele mesmo já confessou que, quando comecei campanha para prefeito de São Paulo, acreditava que eu não seria eleito. Venci as duas. Os dois primeiros prognósticos do FHC ele errou”, disse o prefeito de São Paulo.
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O post João Doria provoca FHC sobre candidatura à Presidência em 2018 apareceu primeiro em Pragmatismo Político.
Posted: 28 Mar 2017 09:08 AM PDT
avenida paulista protesto parar o Brasil
(Imagem: Av. Paulista na manifestação do último 15 de março)
Trabalhadores de diversas categorias, estudantes e movimentos sociais decidiram unir forças e prometem repetir contra Michel Temer um ato ainda maior do que o realizado no último dia 15 de março.
O objetivo do protesto, denominado “Vamos parar o Brasil”, é alertar o governo de que a sociedade e a classe trabalhadora não aceitarão os retrocessos representados pelas reformas da Previdência e trabalhista que Michel Temer pretende aprovar.
“Em nossa opinião, trata-se do desmonte da Previdência Pública e da retirada dos direitos trabalhistas garantidos pela CLT. Por isso, conclamamos todos, neste dia, a demonstrarem o seu descontentamento, ajudando a paralisar o Brasil”, dizem as entidades, em nota conjunta.
Entre elas, estão a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Força Sindical, que têm divergências históricas e muitas vezes polarizam o movimento sindical no país.
A terceirização irrestrita, inclusive para atividade-fim da empresa, passou na Câmara semana passada com menos votos do que previa o governo.
O Senado ensaia votar outra proposta, menos radical, mas esbarra na resistência do Palácio do Planalto. As reformas da Previdência e tributária ainda são discutidas pelos deputados.
Enquanto trabalham para a mobilização de 28 de abril, algumas categorias já preparam manifestações contra as reformas. Trabalhadores do setor de transporte devem se reunir no dia 6, para discutir formas de participação.
De acordo com avaliações de jornalistas e movimentos sociais, as manifestações de 15 de março tiveram uma força muito maior do que o governo previa e já há a possibilidade de que as reformas sejam barradas à medida em que aumente a pressão popular.
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Posted: 28 Mar 2017 08:41 AM PDT
José Dirceu cartas carta moro
O ex-ministro José Dirceu (divulgação)
José Dirceu escreveu uma nova carta para o escritor Fernando de Morais. O conteúdo foi publicado integralmente nesta segunda-feira (27) pelo blog Nocaute.
Na carta, o ex-ministro afirma que o juiz Sergio Moro usa um despacho de prisão para justificar o outro, de forma a impedir que as ordens sejam questionadas.
Dirceu afirma que sua prisão é ilegal e inconstitucional, além de contrariar a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal.
“Não há base legal para a manutenção da minha prisão preventiva”, afirma, no texto.

Leia a íntegra da carta abaixo:

Na sentença da minha recente condenação — processo Apolo-Petrobras, na qual me sentenciou, por corrupção e lavagem, a onze anos e três meses de reclusão —, Moro afirma “permanece preso”. Estou preso há vinte meses, embora condenado em Primeira Instância. Logo, com direito a responder em liberdade, até pela decisão do STF de trânsito em julgado em Segunda Instância para execução da pena.
Moro não cita, mas ele renova minha prisão de 27/7/15, executada em 3/8/15, quando da minha condenação em 19/5/16, pelas mesmas razões e motivos, no processo Engevix-Petrobras, em que me condenou a vinte anos e dez meses. Diz que a referida prisão cautelar é instrumental para aquela ação penal!
Apresenta seus argumentos, relata que o pedido de Habeas Corpus foi rejeitado e mantida a prisão na 4ª Região do TRF e no STJ. No STF, diz que o ministro Teori indeferiu o pedido de liminar, mas, como sabemos, não entrou no mérito. Nós agravamos, e o ministro Fachin, substituto de Teori, negou o HC considerando ter havido supressão de instâncias, o que nos levou a agravar na Segunda Turma. Assim, meu pedido de liberdade, no HC, ainda será votado.
Como os ministros Fachin e Toffoli têm rejeitado as razões para as prisões preventivas de réus — como exemplo, os casos de Alexandrino Alencar, Fernando Moura e Paulo Bernardo —, e os ministros Marco Aurélio e Gilmar Mendes também têm se manifestado na mesma direção, Moro se antecipa e, na sentença, apresenta seus argumentos: os mesmos da prisão em 3/8/15 e da condenação em 19/5/16.
É importante frisar — porque essa é a base do meu argumento —, que se trata da mesma prisão. Portanto, meu pedido de HC não suprime instância e não tenho que recomeçar a cada “nova prisão” decretada por Moro. No TRF, porque seria uma “chicana” de autoridade coatora para me manter 20 meses preso sem culpa formada em última instância, uma negação da presunção da inocência.
Para manter minha prisão em 19/5/16, ele alegou: riscos à ordem pública, gravidade dos crimes, prevenir reiteração deletiva. Apresenta como fato, e prova, que durante julgamento da AP 470, que durou de agosto de 2006 a julho de 2014, “persistiu recebendo propina de esquema criminoso da Petrobras”. E finaliza afirmando que nem minha condenação na AP 470 serviu para me impedir de continuar … “recebendo propinas!”.
Ora, minha condenação no processo Engevix-Petrobras não transitou em julgado, logo tenho a presunção da inocência, não a culpabilidade. Ou Moro já a revogou? Mas Moro vai mais longe. Diz que “o produto do crime não foi recuperado, há outras investigações em andamento e ainda não foi determinada a extensão de minhas atividades”!!!
Então Moro já me condena sem sequer ter me investigado? Ousa ainda mais. Diz que tenho papel central nos contratos da Petrobras e era considerado responsável pela nomeação do ex-diretor Renato Duque. Moro não tem uma prova sequer de que eu tinha “papel central” na Petrobras. Não existe nenhum empresário ou diretor da Petrobras à época que o afirme; não há um fato, uma licitação, um gerente, um funcionário, que justifique ou comprove tal disparate.
Mesmo assim, eu não obstruí a instrução penal e estou cumprindo a pena. Logo, não ameaço a execução penal. Estou preso há três anos. Isso mesmo, três anos. Fui preso por Moro estando preso na AP 470, na qual já fui indultado pelo STF.
Para me manter preso, Moro alega ameaça à ordem pública, de forma genérica, e que o produto do crime não foi recuperado, expondo mais uma de suas razões sem base nos fatos. Estou sem renda há três anos e todos os meus bens estão sequestrados e arrestados e — com exceção de dois — confiscados.
A questão central é que não há base legal para a manutenção da minha prisão preventiva, a não ser para comprovar o ditado de que “os fins justificam os meios”, mesmo violando a Constituição. Por saber da fragilidade de suas razões — a única “prova” que Moro tem contra mim é a palavra dos delatores Milton Pascovich e Julio Delgado —, o juiz apela para pré-julgamentos e acusações genéricas de olho na opinião pública, como instrumento de pressão sobre o STF.
Vários ministros da Corte têm decidido que a prisão preventiva é uma exceção, só adotada em último caso, e têm destacado a alternativa do artigo 319 do Código do Processo Penal, a prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica. Esses ministros não têm aceito razões genéricas sobre ameaça à ordem pública e econômica para a instrução e execução penal, sem fatos concretos, como argumento para manter as prisões preventivas. E muito menos o próprio crime e sua gravidade de que é acusado o investigado e/ou réu, razão para a pena e seus agravantes e não para a prisão preventiva. No meu caso, insisto, estou preso há vinte meses!
Todos os votos dos ministros são públicos e sinalizam como o “método Moro” traz um entendimento próprio e casuístico sobre a prisão preventiva. Para não falar inconstitucional. Daí o apelo do juiz “à opinião pública”, seus artigos nos jornais, onde, na prática, ele confessa que as prisões visam as delações e são fundadas em razões, supostamente éticas, acima e fora da lei!
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Posted: 28 Mar 2017 05:55 AM PDT
dia perdemos tudo direitos aposentadoria trabalhista
Uma jovem estudante me perguntou, “Como foi, professor Douglas, que os trabalhadores perderam os direitos que tinham conquistado com tanta luta?”.
Fiquei em silêncio por um instante. Depois disse à ela que os motivos foram muitos. E muito complicados. Que não dava pra explicar em pouco tempo o contexto que havia nos levado àquele dia… e então ela quis saber: “Você se lembra daquele dia? Como foi?
Então me lembrei de 2017.
Era 18h55 de uma quarta-feira, 22 de Março, dia útil, horário de pico. Em Brasília, capital federal do país, 513 deputados votavam (e aprovavam horas depois) um projeto de lei ressuscitado de 1998, que autorizou a terceirização irrestrita no regime do trabalho formal no Brasil.
Eu estava num ônibus lotado de trabalhadores, voltando pra casa depois de um duro dia de trabalho. Os trens estavam lotados, o metrô estava lotado e, em desespero, outros cerca de 12 milhões aguardavam o dia seguinte para sair cedo de casa em busca de um emprego.
As feições cansadas não pareciam estar preocupadas com o que os canalhas estavam a fazer em Brasília. Os mais jovens, belos e sorridentes, não pareciam ter ideia da importância de um emprego com carteira assinada e benefícios. Tampouco aposentadoria. A maioria nessa fase da vida ainda acredita que ficarão ricos e que não precisarão “dessa miséria” do estado.
Desejei ter sido mais um corpo, dentre milhares de corpos, em fúria, ocupando as ruas e invadindo o congresso em meio àquela votação. Mas não houve grandes mobilizações naquele dia. E o meu era só um corpo cansado, dentre outros corpos cansados e apertados dentro daquele busão lotado, desejando chuveiro e cama.
Imaginei, naquele momento, quebrar a vidraça de um banco ou botar fogo num ônibus. Eu admirava a turma que fazia isso. Mas minha pegada era a da “nobreza” da política. Violência, eu pensava, era pra quem não tinha argumentos. Como era idiota!
Imaginei amarrar uma bomba no corpo e explodir o plenário lotado da câmara federal naquele instante. Mas não teria essa coragem. Não entendia como esse tipo de ação radical acontecia em tantos países muitas vezes menos pobres que o nosso… e aqui nada.
Ali, naquele ônibus e naquele instante, eu fui um popular apenas. Fui mais povo do que nunca. Minha consciência política não me diferenciava dos demais passageiros ali. Éramos todas e todos, naquele exato momento, a massa alienada tanto da riqueza que produzíamos, quanto incapazes de incidir na realidade que nos oprimia.
Resolvi aprofundar o tema com a curiosa estudante, que parecia tão interessada em saber. Falei do Golpe de 2016, do parlamento mais conservador da história do Brasil, do caráter entreguista do governo golpista do falecido Temer, dos super poderes dos meios de comunicação e do judiciário, em especial do STF e de um Juíz de primeira instância em Coritiba, chamado Sergio Moro. Expliquei à ela como estes atores, PMDB, PSDB, STF, Globo, FIESP, Sergio Moro e EUA, faziam sexo explícito sem camisinha em plena praça pública, tudo sob as bençãos de setores conservadores de católicos e evangélicos. Um escárnio absoluto! Falei à ela da violência do estado, do genocídio negro e da repressão à classe média progressista.
Bom… mas tive que dizer também de nossos erros, da irresponsabilidade e dos equívocos conciliadores da única experiência de chegada ao poder pelas forças de esquerda e de sua incompreensível opção em não enfrentar o oligopólio da grande mídia, umas principais responsáveis pela nossa derrota. Falei das divisões da classe, da estupidez da esquerda em não reconhecer o potencial revolucionário das lutas negras, periféricas, feministas e Lgbt’s, do corporativismo e do peleguismo dos sindicatos, da leniência das igrejas e da mesquinhez, da covardia e da hipocrisia dos grupos que se auto-flagelavam em disputas internas nos partidos, sindicatos e movimentos. Minhas costas doíam. E a consciência também. Encerrei a conversa.
Hoje, disse à ela buscando dar fim ao papo, tantos anos depois, velho, cansado e obrigado a trabalhar para comer – afinal, não tenho direito a aposentadoria – sinto vergonha de ler essa passagem nos livros de história.
Mas não culpo meu povo. Não mesmo.
E lá no fundo, ainda acredito em nós.
Acredito em você minha filha.
Bora recomeçar a luta!
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Posted: 28 Mar 2017 05:45 AM PDT
Titi Müller apresentadora dj borgore Lollapalooza
Titi Müller, blogueira, apresentadora, repórter e atriz brasileira (reprodução)
A apresentadora Titi Müller, escalada para cobrir as transmissões do Lollapalooza 2017 pelo canal pago BIS neste domingo, 26, chamou a atenção nas redes sociais ao criticar, ao vivo, o show que estava prestes a ocorrer no festival, do DJ israelense Borgore.
Müller iniciou a apresentação do show falando um pouco sobre a trajetória do produtor e revelando o conteúdo, considerado por ela, machista presente em algumas das suas músicas.
Na medida que ele foi ganhando visibilidade, as letras compostas por ele, extremamente machistas, misóginas… babacas mesmo, foram ganhando visibilidade.” Segundo a apresentadora, as canções de Borgore são machistas por letras como “aja como uma vadia, mas antes lave a louça”. Pelo fim do sexismo: Para 75% dos brasileiros igualdade de gênero é pauta urgente
Os comentários de Titi sobraram até para outra atração do festival, a dupla de Djs australianas NERVO. “Teve muita gente que foi em defesa dele (Borgore), a própria NERVO – que vai tocar aqui hoje e não autorizou a nossa transmissão.”
Ao final do seu discurso, a apresentadora criticou a própria transmissão do show do israelense. “Eu gostaria de dizer que machistas não passaram neste canal, mas vai passar agora, pelo menos no palco Perry”, disse. “É isso aí, Borgore, vai que é tua, querido”, ironizou.
Após um tempo de transmissão da apresentação de Borgore, Titi voltou ao vivo para anunciar que o show não iria mais ser transmitido pelo BIS – poderia ser visto apenas online pelo site do canal pago Multishow. “Lá está o palco Perry na íntegra, sendo machista ou não.”
Agência Estado
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