segunda-feira, 6 de março de 2017

6/3 - Altamiro Borges DE HOJE

Altamiro Borges


Posted: 06 Mar 2017 10:49 AM PST
Por Altamiro Borges

A mídia chapa-branca até tentou suavizar o impacto dos primeiros vazamentos das “delações premiadas” dos executivos da Odebrecht. Mas não dá para esconder: eles atingiram em cheio o usurpador Michel Temer. Tanto que o procurador-geral da República, o sempre suspeito Rodrigo Janot, não teve como escapar. Segundo matéria da Folha deste domingo (5), ele decidiu pedir ao Supremo Tribunal Federal a abertura de inquérito para investigar pelo menos dois ministros do covil golpista, “além de senadores do PMDB e do PSDB, todos citados nas delações da Odebrecht... Da equipe de Temer, conforme a Folha apurou, já estão na lista da PGR os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência)”.

Ainda de acordo com a reportagem, “outros ministros podem aparecer. Por exemplo, Gilberto Kassab (Ciência e Tecnologia e Comunicações) – a Procuradoria, por enquanto, estuda esse caso. Da bancada do PMDB no Congresso, a PGR quer investigar o presidente do Senado, Eunício Oliveira (CE), o líder do partido e ex-presidente, Renan Calheiros (AL), e os senadores Edison Lobão (MA) e Romero Jucá (RR). Integram também a lista os tucanos José Serra (SP) e Aécio Neves (MG)”. A Folha golpista até faz um esforço para diluir o estrago no covil golpista, citando também a ex-presidenta Dilma e alguns dos seus ministros. Mas o que pode incendiar o cenário político nas próximas semanas é a citação de ministros e aliados do Judas Michel Temer.

Segundo a reportagem da Folha, “a estratégia de Janot é tentar entregar, na próxima semana, todos os pedidos de uma vez ao relator da Lava Jato no STF, Edson Fachin. O número de solicitações ao ministro do Supremo pode passar de 40. Os detalhes sobre os inquéritos devem ser concluídos até esta segunda-feira (6) em Brasília. O procurador-geral vai sugerir diligências, incluindo depoimentos e quebra de sigilos bancários e fiscal. Cada solicitação vai conter documentos e gravações referentes ao nome a ser investigado – caberá ao ministro Fachin decidir ou pela abertura dos inquéritos e ou pela manutenção de seu sigilo. A PGR pretende preservar o segredo das informações que não podem ser reveladas na fase de investigação”.

Sem maior escarcéu – até poderia virar o título –, a matéria ainda apresenta uma hipótese bombástica. “De acordo com quem tem acesso às delações, Janot e sua equipe estudam a viabilidade jurídica de incluir ou não o nome do presidente Michel Temer como alvo de inquérito. Pela Constituição, o presidente da República não pode ser investigado por atos cometidos fora do período do mandato... As delações da Odebrecht incluem o peemedebista em episódios quando ele era vice-presidente – por exemplo, um jantar no Palácio do Jaburu com Marcelo Odebrecht, em 2014. E quando ainda era deputado e candidato a vice da petista em 2010, ano em que teria participado de uma reunião com a empreiteira para discutir repasse de recursos”.

Caso Rodrigo Janot opte por limpar a barra de Michel Temer, sua conivência com a “suruba” golpista - como registrou um dos chefes do “golpe dos corruptos”, senador Romero Jucá – ficará explícita. Só mesmo os mais tacanhos “midiotas” acreditarão na inocência no Judas e na imparcialidade do procurador-geral da República. Até mesmo o jornalista Clóvis Rossi, membro do Conselho Editorial da Folha e ferrenho inimigo do “populismo petista”, avalia que está hipótese seria desastrosa. Em artigo publicado também no domingo, o jornalista que já nutriu esperanças no covil golpista afirma:

*****

O então presidente do PMDB, um certo Michel Temer, admite publicamente ter pedido contribuição de campanha a Marcelo Odebrecht, presidente de uma empreiteira atolada no maior esquema de corrupção jamais revelado neste país. A empreiteira, como era inevitável, aceitou contribuir, conforme vazou, com abundância de detalhes. Temer defende-se dizendo que a “contribuição” foi legal, devidamente declarada e não parte de um esquema de propina e/ou caixa 2. Dá para acreditar? Claro que não, se se considerar nota oficial da Odebrecht, em que ela “reconhece que participou de práticas impróprias em sua atividade empresarial”.

Mais: a nota afirma também que o sistema partidário-eleitoral do Brasil é "ilegal e ilegítimo". Só mesmo o mais rematado tolo acreditaria que, com todos os outros políticos, a empreiteira cometeu uma agressão à honestidade e à ética, mas não com Temer, certo? No entanto, a maior parte do mundo político e empresarial se finge de tolo rematado, assobia e olha para o lado, em vez de armar o escândalo correspondente à revelação pública de uma inaceitável promiscuidade entre uma autoridade e uma empresa privada que faz negócios com o governo.

(...)

O grande nó da República é que, se a política está podre, a solução sempre estará na política, até que alguém invente algum modelo melhor de intermediação entre Estado e sociedade. O que é inadmissível é o silêncio sobre as ligações do presidente da República e de todo o seu círculo íntimo com escândalos. É de um cinismo intolerável o raciocínio que se ouve em certos círculos no sentido de ‘deixa o Temer pra lá, afinal ele mudou as expectativas e está fazendo ou tentando fazer as reformas’. Por enquanto, aliás, as expectativas que mudaram foram as do tal de mercado, assim como ‘reformas’ é a palavra-muleta à qual se recorre sempre quando há uma crise qualquer.


*****

De fato, só mesmo o mais “rematado tolo” acredita na inocência de Michel Temer – tanto hoje, como antes do impeachment de Dilma. O “golpe dos corruptos” foi executado exatamente para impor uma agenda de “reformas” – que só interessa ao deus-mercado – e para “estancar a sangria” das investigações de corrupção, como confessou o falastrão Romero Jucá. Diante de tantas evidências – como aponta o antipetista Clóvis Rossi – fica a pergunta: Rodrigo Janot vai tomar as providências cabíveis, incriminando ministros, aliados e o próprio Michel Temer, ou ele também aderiu à “suruba” dos golpistas? Até hoje, o procurador-geral nunca demonstrou isenção neste processo. Vai mudar de postura? Duvido, mas não custa conferir!

Em tempo: Enquanto a mídia nativa segue tentando diminuir o impacto dos vazamentos contra o usurpador Michel Temer, a imprensa mundial insiste na gravidade da crise política no país. Na semana passada, a agência de notícias Reuters distribuiu um texto, publicado em mais de 7.570 sites e até pelo influente New York Times, afirmando que presidente ilegítimo joga com o tempo para evitar que a Justiça Eleitoral conclua o julgamento da ação movida pelo PSDB, hoje o principal sócio do covil golpista, e que pode resultar em seu afastamento da Presidência da República.

*****

Leia também:

Janot é o jacaré da derrubada de Dilma

Janot quer investigar Aécio. Puro teatro!

Moro e Janot servem aos interesses dos EUA

Janot, Aécio e a conta em Liechtenstein

O xadrez da bala de prata de Janot

A nova jogada de Janot para o golpe

Janot pede a cabeça de Cunha. Demorou!

Janot e o pau que não bate em tucanos

Janot age como chefe da arbitrariedade

Janot vai investigar Aécio Neves. Será?

Janot investigará Aécio? Duvido!

Janot e os inquéritos contra Aécio

Ameaças de morte e propinas. Cadê Janot?
Posted: 06 Mar 2017 06:12 AM PST
Posted: 06 Mar 2017 06:00 AM PST
Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

A manifestação coxinha marcada para 26 de março será um bom termômetro do que se passa na direita.

Vai emergir o quadro de confusão que impera na direita brasileira.

Embora Lula e o petismo em geral vão ser atirados, sem mais delongas, ao inferno de Moro, enquanto o tucanato e o “temerato” permanecem no purgatório do STF, o fato é que todos os seus nomes-símbolo e a cozinha presidencial flutuarão na lama das delações.

Chega a ser patético ler Aécio Neves, hoje, na Folha, vociferando contra vazamentos, acusações de ordem moral e protestando pelos danos a honra de quem é acusado sem que haja antes a condenação.

Como Serra, saiu do jogo sucessório. Alckmin, em menor escala, sairá salpicado.

A algum tempo já se desenha a modelagem de João Dória Jr como o novo Collor que a direita precisa para fazer frente ao cenário de ruína política que seus personagens centrais se viram metidos.

Marina também não parece ser promissora neste momento quem que a histeria cevada e adubada durante anos se reflete no desejo de um “homem forte” para por ordem na casa.

Por incrível que pareça, este perfil se encaixa nas outras duas candidatura que ganham expressão.

A de Jair Bolsonaro, o selvagem, na base do “prendo, arrebento, segrego, enquadro e xingo”.

Sua plataforma econômica é zero, um pouco menos que a de Dória, que talvez se apresente tentando salvar a economia através de doação: o governo doa o patrimônio público e as empresas doam algum para reformar as pracinhas. E, claro, estas doações serão feitas todas, sempre, com a pureza angelical que seus patronos tucanos estão vendo reveladas pelas delações.

A outra candidatura que, paradoxalmente, surge desta demanda de “homem forte” é a de Lula. Se os argumentos moralistas contra ele são poderosos – embora os processos que i mirem, pessoalmente, sejam quinquilharias amplificadas pela matilha curitibana -, Lula tem algo que nenhum deles pode ostentar: o passado de prosperidade vivido pelo Brasil enquanto ele governou.

Tanto é assim que a principal aposta contra ele é proibi-lo de entrar na disputa, o que soa estranho sobre quem se diz ser odiado, desprezado, estar desmoralizado e arruinado perante a opinião pública.

Coxinhas e fascistas vão desfilar seu ódio na paulista no dia 26 e, paradoxalmente, terá de protestar contra quem está fora do poder já há quase um ano.

A perda de foco vai permitir todo tipo de derivação e pregação da selvageria. Seus heróis serão Dória e Bolsonaro.

O primeiro tem a ventagem do dinheiro e da mídia, mas ainda tem um ano para administrar uma cidade e isso o coloca vulnerável a um eventual agravamento da crise econômica.

Bolsonaro, por sua vez, tem a seu favor o medo, a insegurança, o desespero que a crise traz, o que pode expandir sua influência para além dos grupos de mentecaptos do “mito”. Contra si, outsider como é, só tem o cérebro e os sentimentos de democracia e humanidade da população.
Posted: 06 Mar 2017 05:54 AM PST
Por Leonardo Sakamoto, em seu blog:

O PMDB, partido de Michel Temer, divulgou nas redes sociais uma campanha em que adota o terrorismo como instrumento para buscar o apoio popular à sua proposta de tungada nas aposentadorias.

''Se a reforma da Previdência não sair: Tchau, Bolsa Família; adeus, FIES; Sem Novas Estradas; Acabam os Programas Sociais'', diz uma imagem como logo do partido. No fundo, a ilustração de uma cidade em ruínas.

A peça de propaganda vem em um momento em que até a base aliada do governo no Congresso Nacional afirma que a reforma, tal como está, não passa. Até porque esse pessoal pretende se reeleger. E no qual líderes de movimentos que foram às ruas pedir o impeachment de Dilma Rousseff também relatam que a proposta tem sido repudiada por quem não aguenta ver a esquerda nem pintada de amarelo.

Ou seja, a campanha é um sinal de preocupação, porque a classe média começou a sentir a água bater nos glúteos.

Estipular uma idade mínima de 65 anos para aposentadoria (em um país em que trabalhadores braçais de regiões pobres mal tem essa expectativa de vida), com ao menos 25 anos de contribuição (onde a informalidade é grande) e 49 anos para ter pensão integral (considerando que os pobres começam a trabalhar aos 10, 12 anos por necessidade) é reduzir pessoas a estatísticas. Isso sem contar propostas como subir para 65 anos a aposentadoria rural, com 25 anos de contribuição mínima, quando, hoje, basta a comprovação de trabalho no campo para obter a partir de 60 anos (homens) e 55 (mulheres). Ou seja, o sujeito se esfolou em canaviais a vida inteira sem carteira assinada e pode nem ter tempo para desfrutar um descanso.

Não é a primeira vez, contudo, que o PMDB ou Michel Temer usam a chantagem como política de governo.

Em junho do ano passado, Temer afirmou, em entrevista ao jornalista Kennedy Alencar, que ''ou a Previdência Social tem de ser reformulada ou então todos os pensionistas sofrerão.'' Uma declaração do tipo: ''ou liberam o que quero ou consigo um jeito de atrapalhar ainda mais a sua vida''. Temos mais opções para além do maniqueísmo e da dualidade rasos. Sempre. Mas querem nos fazer crer que não.

Claro que o PT utilizou-se do mesmo expediente em campanhas eleitorais, abusando do terrorismo sobre o fim do Bolsa Família em um possível governo adversário, por exemplo. E não só naqueles momentos. Por exemplo, em 2007, o então ministro das Minas e Energia de Lula, Silas Rondeau, disse que ou o licenciamento ambiental das hidrelétricas do rio Madeira (Santo Antônio e Jirau) saía ou o governo começaria a procurar outras fontes de energia sujas como a térmica ou nuclear.

O interessante é que Rondeau não escolheu a energia eólica, a solar ou a proveniente da biomassa como opções, o que mostra o padrão de desenvolvimento predatório que reinava no governo Lula. Mas também mostra como são estruturadas essas chantagem de ''ou isso, ou aquilo'', no qual escolhe-se um futuro sombrio feito uma maldição que irá se concretizar se não aceitarmos a luz entregue pelos iluminados governantes.

O que intriga no governo Temer e seu partido é que eles aprovam uma PEC do Teto de Gastos no Congresso Nacional, criando uma emenda constitucional que limita novos investimentos em educação e saúde públicas, entre outras áreas, pelos próximos 20 anos, fazendo com que os mais pobres paguem pela crise econômica com a redução da qualidade dos serviços básicos e, agora, vem chantagear com o corte a programas sociais e educacionais? É muita cara de pau.

Temer poderia optar por outras formulações de frase:

''Ou a Previdência Social é reformulada ou então teremos que fazer um grande debate nacional sobre o tema, buscando ouvir diferentes pontos de vista para desenhar uma Previdência Social que não mantenha distorções e nem beneficie apenas alguns grupos em detrimento ao restante da população, não seja usada como caixa de emergência do governo (para isso, taxe-se dividendos recebidos de empresas, por exemplo, e crie alíquotas maiores aos mais ricos no Imposto de Renda), seja capaz de combater a sonegação por parte das empresas e possa garantir o futuro dos mais pobres e da classe média.''

Mas Michel, provavelmente, nunca falaria isso porque assistiria à chapa Dilma-Temer ser cassada pelo TSE no dia seguinte.

Como já disse aqui, a Previdência Social deve passar por mudanças, claro. O Brasil está mais velho e isso deve ser levado em consideração para os que, agora, ingressam no mercado de trabalho. Mas aumentar a idade mínima pura e simplesmente, ignorando que há trabalhadores braçais têm uma vida mais desgastante que o povo que trabalha em escritório é delinquência social.

A beleza de uma democracia é que, nela, os caminhos deveriam ser discutidos abertamente e as decisões tomadas coletivamente. E se há um buraco a ser coberto, que ele seja socializado – com os mais vulneráveis pagando menos o pato do que os mais protegidos.

Mais do que isso: um programa de reformas profundas só poderia ser adotado se validado eleitoralmente pela população – o que não foi o caso. Ou ser ratificado posteriormente através de um referendo – coisa que não deve acontecer. Afinal de contas, o que vocês pensam que é isso? Uma democracia? Se fosse, não estariam dando ao povo uma escolha: ou aceita a revisão de seus direitos, diminuindo seu alcance e efetividade, ou ficam sem nada.

O problema é que o ''autoritarismo'' é como uma ''chantagem'': ambos podem ser lustrados com óleo de peroba para perder o jeito opaco, a dureza e a asperez. Mas não perdem sua natureza.
Posted: 06 Mar 2017 05:47 AM PST
Por Aldo Fornazieri, no Jornal GGN:

O juiz Sérgio Moro, como se sabe, marcou a data do depoimento de Lula, na condição de réu, para o dia 3 de maio. Nas últimas semanas Lula voltou a ocupar grande espaço nas mídias de todas as colorações e nas redes sociais, por duas razões: a aproximação do desfecho de sua situação nas denúncias da Lava Jato e as movimentações em torno da sua candidatura. Os dois movimentos terão uma evolução inseparável e, o segundo, embora possa ser temporalmente antecipado, dependerá inextricavelmente do destino do ex-presidente no Judiciário.
É nesse contexto que petistas e progressistas em geral parecem estar embarcando numa nova canoa da ilusão. Não resta a menor dúvida de que Sérgio Moro, pelas suas parcialidades, pelo uso político sistemático de conduções coercitivas, prisões, delações premiadas e vazamentos politicamente orientados fez parte, de forma ostensiva, do golpe que derrubou Dilma. O golpe, com vários interesses agregados, tinha o como objetivo central retomar inteiramente o controle do Estado por parte da elite nativa, aliada ao capital financeiro e transnacional. Para que este controle seja garantido, o golpe se subdividiu em duas etapas, sendo a primeira, a retirada de Dilma do governo e, a segunda, o impedimento da candidatura Lula em 2018.

A ilusão petista-progressista reside exatamente aqui: a crença de que Moro e as demais forças do Judiciário e do Ministério Público, articuladas com o projeto de afastar os segmentos populares e de esquerda do poder, não terão coragem para prender Lula ou de, alguma maneira, impedi-lo de ser candidato a presidente. Ora, essas forças não teriam pago o preço de destruir a democracia, de aprofundar a crise econômica, de achacar os direitos e o mínimo de bem estar dos trabalhadores para deixar o serviço pela metade.

O lançamento prematuro da candidatura Lula parece conter dois elementos de estratégia: 1) constranger sua condenação nos processos em que é réu; 2) defini-lo como a bala de prata do PT em 2018 e no futuro próximo, pois sem Lula o partido não será capaz de se recuperar no médio prazo. É duvidoso que esta estratégia seja a mais correta por que: a) o lançamento de sua candidatura estreita e restringe o movimento de sua defesa, e b) a sua possível candidatura deveria vir no bojo de um processo de reformulação programática e de construção de um leque amplo de forças para sustentá-la, com uma concepção voltada mais para enfrentar os desafios futuros do que olhar para o passado.

Uma estratégia mais sensata e eficaz parece ser a de criar um amplo movimento democrático e progressista de defesa de Lula, denunciando a parcialidade da Lava Jato, a ação persecutória contra o ex-presidente e a inconsistência jurídica das acusações que são lançadas contra ele. Esse movimento deveria se estruturar independentemente das opções de candidaturas para 2018. O lançamento prematuro da candidatura Lula inibe esta opção. Ademais, esse movimento deveria se articular com as lutas populares contra a reforma da Previdência e das demais reformas retrógradas, com a exigência de renúncia de Temer, com a antecipação das eleições gerais e com o combate à corrupção.

Os testes das esquerdas e a hora da verdade

A atual conjuntura é marcada pelo seguinte paradoxo: existe uma monumental desmoralização do governo Temer e profunda deslegitimação das instituições em contraste com a clara liderança de Lula nas pesquisas eleitorais e, mesmo assim, as forças populares e progressistas não são capazes de promover manifestações significativas contra o governo e contra as reformas anti-sociais. A desmoralização do governo, do PMDB e do PSDB empurra cada vez mais os movimentos que se mobilizaram pelo impeachment a buscar a construção de uma candidatura de direita e a retomar as mobilizações de rua.

A hora da verdade das esquerdas e dos progressistas chegará, mais uma vez, por razões históricas. Tome-se como referência apenas três fatos históricos Em 1964 garantia-se a Jango que ele dispunha de sustentação sindical, social e militar para resistir ao golpe. Jango foi derrubado sem que houvesse resistência significativa. Na campanha das Diretas Já, milhões de pessoas foram às ruas defendendo esta bandeira. Na hora decisiva, os liberais conservadores fizeram um acordo com parte da direita e desaguaram o movimento no Colégio Eleitoral sem que houvesse uma reação dos setores populares e progressistas para garantir as eleições diretas.

Finalmente, no processo de impeachment de Dilma falou-se em "exército do Stédile", garantiu-se que as forças da CUT "desceriam às trincheiras" para defender a democracia, proclamou-se que "golpistas, fascistas não passarão" etc. No dia 17 de abril de 2016, data efetiva do golpe, quem estava no Vale do Anhangabaú viu algumas milhares de pessoas se retirarem cabisbaixas de desmoralizadas com o acolhimento do impeachment por uma horda de deputados que gerou vergonha e perplexidade no mundo pela sua desqualificação. Não houve nenhuma reação. O próprio comando do governo e do PT errou gravemente de avaliação, pois, dois dias antes da decisão da Câmara, julgava-se que Dilma teria votos suficientes para barrar o impeachment.

As lições da história mostram que os democratas, os progressistas e as esquerdas não foram efetivos na construção de uma consolidada democracia social no Brasil. Nos momentos críticos em que isto poderia proporcionar uma virada, essas forças foram derrotadas até mesmo quanto o elemento militar não interveio no jogo político. A causa principal dessas derrotas está na incompreensão do fator força organizada para promover as mudanças. Negligenciar a organização e o acúmulo de forças políticas e sociais significa perder no jogo institucional quando o país passa por momentos críticos e os avanços conquistados podem sofrer graves retrocessos, a exemplo do que ocorre neste momento.

Se Lula for preso ou impedido de ser candidato o que acontecerá? Esta pergunta não tem uma resposta assertiva. Não basta apenas proclamar que "Lula é meu amigo: mexeu com ele, mexeu comigo". Esta proclamação só será algo efetivo se existir força organizada capaz de barrar a prisão ou a inviabilização da candidatura de Lula nas ruas.

Independentemente de se apoiar ou não uma eventual candidatura Lula em 2018 é preciso perceber que o jogo do seu destino na Justiça está imbricado com o futuro da democracia. Por isso, a tarefa agora não é definir candidaturas, mas ganhar esse jogo. Caso contrário, os trabalhadores e movimentos sociais sofrerão uma devastadora derrota histórica e a destruição do Brasil será de tal magnitude que serão necessárias décadas para se recuperar. Afinal de contas estamos diante de um governo que destrói de forma sistemática e organizada as linhas de força que poderiam imprimir alguma significação positiva ao Brasil no futuro. Estamos diante de um governo que faz da humilhação e da degradação do povo o seu método de governar.

Queira-se ou não, goste-se ou não, o fato é que a realidade impôs uma imbricação entre o destino jurídico de Lula e o destino da democracia, já que a solução desta equação dirá se o golpe sairá inteiramente vitorioso ou parcialmente derrotado. Neste momento parece que a possibilidade da consumação completa do golpe é maior, pois, de um lado, as esquerdas críticas ao PT não conseguem compreender o que está em jogo e o PT prefere jogar com uma única bala de prata.

* Aldo Fornazieri é professor da Escola de Sociologia e Política.
Posted: 06 Mar 2017 05:32 AM PST
Por João Filho, no site The Intercept-Brasil:

Em 2005, Roberto Jefferson (PTB) deu uma entrevista bombástica para Renata Lo Prete revelando um esquema de compra de apoio de deputados pelo governo. Em uma entrevista curta, Jefferson disse a palavra “mensalão” 17 vezes. O escândalo já vinha batizado e atormentaria o governo Lula e o alto escalão do PT por muitos anos. À época, o assunto foi tão explorado e martelado na cabeça dos brasileiros, que muito se duvidou da reeleição de Lula. O ex-senador do PFL (ex-Arena, atual DEM) e filhote da ditadura militar Jorge Bornhausen chegou a decretar a morte do PT com uma frase reveladora da sua alma: “Estou é encantado (com a crise do mensalão), porque estaremos livres dessa raça pelos próximos 30 anos”.

José Yunes, ex-assessor e amigo de mais de cinco décadas de Michel Temer, deu uma declaração igualmente bombástica na semana passada revelando a existência de uma estratégia para eleger parlamentares fiéis a Eduardo Cunha. Yunes ficou sabendo disso pela boca de Lúcio Funaro – doleiro, lobista, operador das propinas de Cunha e que foi preso na época do mensalão – em setembro de 2014, às vésperas das eleições daquele ano. Este honorável cidadão relatou dessa maneira o esquema para Yunes:
“A gente está fazendo uma bancada de 140 deputados, para o Eduardo (Cunha) ser presidente da Câmara”.

O melhor amigo de Temer ouviu essa frase quando o doleiro, a mando de Eliseu Padilha, passou em seu escritório para deixar um “pacote” misterioso que alguém buscaria mais tarde. Segundo delação de ex-executivo da Odebrecht, o tal “documento” na verdade eram R$ 4 milhões em dinheiro vivo, que era parte de uma propina de R$10 milhões repassada para o PMDB. Yunes se viu sendo “mula” de Padilha e resolveu contar tudo para o presidente não eleito, que, à época, era candidato à vice de Dilma.

“Contei tudo ao presidente em 2014. O meu amigo (Temer) sabe que é verdade isso. Ele não foi falar com o Padilha. O meu amigo reagiu com aquela serenidade de sempre (risos).”

É óbvio que Temer não foi reclamar com seu braço direito. As chances de um esquema comandado por Padilha e Cunha ser ignorado por Temer são menores do que a de um tucano ser preso. Portanto, é mais do que provável que, antes mesmo da eleição, Padilha e Temer já tramavam para colocar Cunha na presidência da Câmara. É importante lembrar que Cunha não foi o candidato do governo para a Câmara, era Arlindo Chinaglia (PT), o que significa que a cúpula peemedebista já trabalhava contra os interesses do governo do qual faziam parte. Naquela época, o impeachment já estava no horizonte e seria muita ingenuidade acreditar que esses fatos não estavam relacionados. Cunha foi eleito por uma maioria avassaladora na Câmara. Uma maioria que o acompanharia até a derrubada de Dilma.

Após a eleição de Cunha, O Globo registrou que ele “é considerado inimigo da presidente Dilma Rousseff, com quem sempre teve uma relação difícil”. Ou seja, com base no depoimento de Yunes, é possível concluir que o vice-presidente há muito tempo já trabalhava nos bastidores – e depois abertamente – para eleger um inimigo do governo. Cunha articulou intensamente contra o governo para aprovar a MP dos Portos (com uma emenda cuja única beneficiária foi uma das principais empresas financiadoras de Temer), trabalhou pela derrubada do decreto da presidenta que criava a conselhos populares em órgãos públicos e fez de tudo para travar a votação do Marco Civil da Internet. Agora sabemos que o inimigo mortal da presidenta vinha sendo armado pelo vice-presidente desde antes das eleições presidenciais. Qual o nome disso senão traição, conspiração e/ou golpismo?

Em abril de 2015, poucos meses após Cunha virar presidente da Câmara, Dilma, preocupada com o desgaste da relação com o PMDB, colocou Temer na articulação do governo. A raposa foi alçada à condição de pacificadora do galinheiro depois de ter passado meses tramando o cerco com a raposada. Enquanto isso, Cunha comandou durante todo o resto do ano um boicote sistemático ao governo, trabalhando contra todas as medidas de saída da crise econômica por meio de pautas-bombas, travamento de votações e muita chantagem. Com a maioria dos parlamentares na mão e o apoio do vice-presidente, Cunha ficou cada vez mais à vontade para encaminhar o principal projeto do seu mandato: o impeachment.

“Michel é Eduardo Cunha”, já dizia Jucá no spoiler dos spoilers. Mas a relação não é mais a mesma. Depois de cassado e preso, Cunha vem frequentemente fazendo ameaças veladas a Temer. Insinuou haver digitais de Temer nas irregularidades no Porto Maravilha e o arrolou como testemunha na Lava Jato, quando fez perguntas comprometedoras. Curiosamente, Temer agora coloca Osmar Serraglio (PMDB) no Ministério da Justiça, um homem tão próximo de Cunha que chegou a reivindicar a anistia dos crimes cometidos pelo amigo. As ameaças teriam surtido efeito? Não é possível afirmar categoricamente que sim, mas a chantagem estaria perfeitamente dentro do contexto golpista da atual da política brasileira.

Cunha também fez duas perguntas para Temer sobre seu amigo José Yunes:

“Qual a relação de Vossa Excelência com José Yunes?”

“O sr. Yunes recebeu alguma contribuição de campanha para alguma eleição de Vossa Excelência ou do PMDB?”

Perguntas essenciais para compreender o papel de Temer na Lava Jato, mas o juiz-herói Sergio Moro evitou a fadiga de Temer cancelando essas e mais 11 perguntas embaraçosas. Os questionamentos foram considerados “inapropriados” pelo magistrado. Segundo ele, “não há qualquer notícia do envolvimento do Exmo. Sr. Presidente da República nos crimes que constituem objeto desta ação penal”. Parece piada, mas este é o homem conhecido por ser implacável contra a corrupção. Estamos muito bem de heróis, né, Brasil?

Yunes simplesmente revelou que os milhões da Odebrecht serviram para construir uma poderosa bancada de deputados para colocar um criminoso na presidência da Câmara. Com o envolvimento comprovado de Padilha, o braço direito de Temer, e com a “mula” amiga de Temer caguetando tudo, já não é mais possível ignorar as digitais do não eleito em mais esse escândalo. No país em que casos de corrupção são sempre batizados, como Mensalão e Petrolão, por que esse até agora não foi?

É instigante. Só acho que não podemos esperar que o batismo seja feito pela Globo, já que, segundo o Tabapuã Papers e Panamá Papers, Temer é sócio de Yunes, assim como o filho de Yunes é sócio de Roberto Marinho.

A minha sugestão é que chamemos de Golpe.
Posted: 06 Mar 2017 05:25 AM PST
Por Ricardo Kotscho, no blog Balaio do Kotscho:

A blindagem de Aécio Neves e seus tucanos não resistiu ao Carnaval.

Na Quarta-Feira de Cinzas, eles começaram a entrar na roda da Lava Jato e não deu mais para segurar a fantasia de pureza no enredo do reino encantado da corrupção. O carro alegórico da hipocrisia quebrou no meio do desfile.

De nada adiantou Rodrigo Janot decretar sigilo no depoimento do príncipe das empreiteiras, Marcelo Odebrecht, agora autoproclamado "bobo da corte" e "otário do governo", seus novos personagens.

Com tantos advogados de todas as partes no salão, não demorou para que as quatro horas das suas confissões à Justiça começassem a vazar seletivamente por todos os lados, de acordo com os interesses de cada um.

Bem que, no começo, os amigos midiáticos ainda tentaram preservar o presidente Michel Temer e seus aliados tucanos, cada vez mais poderosos no governo, jogando toda lama só para o lado do PT, mas desta vez não deu.

No meio da noite de quinta-feira, quando os telejornais estavam ainda no ar, entrou em cena BJ (como é conhecido Benedito Júnior, ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura), um dos destaques do bloco dos delatores.

Sem muitos rodeios, ele cantou com todas as letras o samba do caixa dois tucano. Segundo ele, a empreiteira baiana entregou R$ 9 milhões "por fora" ao PSDB em 2014, a pedido do próprio Aécio Neves, que negou tudo, claro.

A bolada foi dividida, de acordo com o delator, entre tucanões de alta plumagem, incluindo o senador Antonio Anastasia, que ganhou papel de destaque no ano passado como relator do impeachment.

Em seu depoimento, na véspera, o herdeiro do império Odecrecht já tinha declarado o repasse de R$ 15 milhões a Aécio, mas por vias oficiais.

"Vias oficiais" é a expressão embutida nas notas divulgadas por políticos e partidos sempre que aparecem enrolados na Lava-Jato.

Ninguém nega mais que recebeu generosas doações da Odebrecht, um fantástico esquema de compra e venda suprapartidário e multinacional, que já chegou a 17 países, onde a empreiteira é processada.

O grande desafio agora é provar que foi tudo "por dentro", declarado direitinho à Justiça Eleitoral, como a lei permitia na época.

Esta é a tese que os advogados agora defendem em Brasília: o dinheiro das nossas doações era limpinho, legal e cheiroso; o dos outros, era sujo, ilegal e fedido.

Dizem que querem separar "o joio do trigo", para salvar a cara de quem recebeu por caixa dois, ou seja, todo mundo, de acordo com as delações já vazadas da empreiteira.

Beleza. Como saber, se o dinheiro não tem carimbo? Será que a Odebrecht teve o cuidado de separar a grana limpa e a grana suja na caixa forte do seu departamento de propinas?

Rasgadas as fantasias, descobre-se que, três após anos o início da Operação Lava Jato, não tinha santo nesta suruba político-empresarial-eleitoral, para usar uma expressão do ínclito senador Romero Jucá, do PMDB.

Em Curitiba, no mesmo dia das revelações feitas por BJ sobre o PSDB, o ex-tesoureiro petista Delúbio Soares, da era do mensalão, era condenado pelo juiz Sergio Moro a mais cinco anos de prisão, agora pela Lava Jato. E os outros?

Onde estarão todos no próximo Carnaval? Quem vai sobreviver ao tsunami da megadelação odebrechtiana?

E vida que segue.
Posted: 06 Mar 2017 05:27 AM PST
Por Carlos Drummond, na revista CartaCapital:

Após dois anos de recessão, corte generalizado do gasto público, contenção do crédito e redução das exigências para a venda e a concessão de ativos do Estado, aumentam os indícios de que o governo Temer tornará o Brasil ainda mais frágil para seguir rumo próprio na economia e mais vulnerável no contexto global.

O pacote em preparação para atrair, segundo os jornais, 370 bilhões de reais em investimentos em dez anos não parece obedecer a outra estratégia além de austeridade na proteção social e facilidade na transferência do controle de ativos do Estado para investidores particulares, principalmente estrangeiros.

“A combinação de tudo isso só tem um resultado possível: o esfarelamento de nossa soberania e a elevação sem precedentes da vulnerabilidade do País e do seu atrelamento a interesses que não são nossos, menos ainda da população pobre”, alerta a professora de economia da USP, Leda Paulani.

Faz parte do frenesi privatizante e desnacionalizante o condicionamento da liberação de recursos a estados e municípios em crise à venda de empresas públicas locais. Na segunda-feira 20, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro aprovou o projeto de oferta à iniciativa privada da companhia estadual de saneamento, a Cedae, medida exigida pelo Ministério da Fazenda para aprovar a ajuda federal. No mesmo dia, o governo definiu uma norma geral para casos do tipo.

O estado candidato ao recebimento de recursos deverá antes aprovar lei para autorizar a desestatização de instituições financeiras e empresas de energia e saneamento, as mais atraentes para o mercado mundial, e destinar as receitas ao abatimento de dívidas.

Segundo denúncias de sindicalistas, mudanças estruturais aceleradas preparam o Banco do Estado do Rio Grande do Sul, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal para a privatização. O governo gaúcho foi avisado, só terá dinheiro quando vender o Banrisul, instituição rentável que põe em xeque o dogma neoliberal da ineficiência da gestão estatal.

A interrupção do movimento para vender aos poucos a CEF, no período de Dilma Rousseff, teria irritado ao extremo alguns barões das finanças interessados no filé dos bancos públicos. Do furor atual nem o BNDES estaria a salvo, comenta-se no setor.

Em alguns estados e municípios, nem foi preciso recorrer ao toma lá dá cá. Geraldo Alkmin há muito declarou-se favorável à privatização parcial do Metrô de São Paulo e João Doria Jr. anunciou, em vídeo apresentado primeiro em Dubai, a oferta de 47 empresas e bens públicos da capital, de cemitérios e linhas de ônibus a símbolos da cidade como o Estádio do Pacaembu e o Parque do Ibirapuera.

A ação do governo conta também com a ajuda de parte do Judiciário e do Ministério Público. Não há o menor indício, na Lava Jato, de separação entre o combate à corrupção e a inviabilização das grandes construtoras nacionais integrantes da cadeia produtiva da Petrobras, a mais importante do País.

A indiferenciação é esdrúxula, se a referência for o comportamento da Justiça na Europa e nos Estados Unidos em casos semelhantes, mas encontra complemento perfeito na decisão do presidente da Petrobras, Pedro Parente, de facultar a concorrência de fornecedores de plataformas apenas às competidoras estrangeiras das empreiteiras.

A manobra está longe de garantir imunidade à corrupção, se é que esta era uma preocupação. Figuram entre as candidatas a espanhola Acciona, a inglesa Amec Foster Wheeler e a estadunidense Chicago Bridge & Iron Company, envolvidas em escândalos de corrupção em seus países de origem. 

O Legislativo contracena também com o Executivo no desmonte, viu-se na aprovação da PEC dos gastos, que comprime recursos públicos e escancara a saúde e a educação para investimentos privados, locais e estrangeiros. O governo pressiona agora os parlamentares para a aprovação da reforma da Previdência, outra porteira a se abrir às múltis.

Quatro quintos do investimento esperado no plano do governo proviriam da venda de ativos nacionais, sendo 70 bilhões de reais em terras, segundo projeto revelado em primeira mão por CartaCapital, e 300 bilhões em consequência da provável mudança das exigências de conteúdo local nas plataformas e navios de exploração de petróleo e gás, em discussão entre a Petrobras e as fornecedoras locais.

Na terça-feira 21, a empresa brasileira Brasil Amarras conseguiu barrar na Justiça a contratação, pela Petrobras, da concorrente chinesa Asian Star Anchor Chain, que descumpriu a exigência de conteúdo local mínimo em equipamentos para seis plataformas do pré-sal.

Nas telecomunicações, um projeto de lei sustado temporariamente por senadores da oposição permitirá ao governo, a título de modernizar as normas do setor, transferir em definitivo ao menos 20 bilhões de reais em bens dos contribuintes às empresas privadas e perdoar valor igual em multas.

Esse patrimônio público, que, segundo o TCU, vale 100 bilhões de reais, é formado por torres, cabos, redes, instalações, equipamentos, terrenos e até veículos utilizados há duas décadas sem custos pelas teles. Os contratos preveem a devolução dos bens à União em 2025, mas o novo projeto autoriza a sua incorporação definitiva pelas companhias, em troca da promessa de investimentos de 34 bilhões.

No setor de infraestrutura, o governo espera investimentos de 15 bilhões de reais a partir da modificação de regras e oferecerá também a dolarização de receitas e outros instrumentos oneradores dos contribuintes, para proteger o investidor estrangeiro do risco de oscilação do real diante da moeda estadunidense.

Mais 10 bilhões de investimentos adviriam do desvirtuamento do programa popular referencial Minha Casa Minha Vida, criado por Lula. Essa é a expectativa de ingresso de recursos depois do aumento da faixa de renda passível de financiamento para 9 mil reais, acompanhada da elevação do valor máximo do imóvel financiável com uso do FGTS, para 1,5 milhão de reais.

O caminho é o mesmo seguido pelos governos neoliberais entre os anos 1980 e 1990 em vários países, com resultados discutíveis mesmo entre seus mentores. Aqui, a condução de Temer piora o que já era ruim no governo FHC.

“É claro que o conjunto de medidas a serem implementadas num mesmo momento sugere fortemente não se tratar de privatizações ou desnacionalizações provenientes de estudos ou projetos parciais. Ao contrário, fazem parte de uma visão ideológica que conduz as medidas sob um mesmo diagnóstico, independentemente da área”, chama atenção o professor de economia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Pedro Cezar Dutra Fonseca.

Nesse aspecto, diz, até difere do governo FHC. “Por exemplo, para vender a Vale, foram feitos estudos específicos sobre a empresa, pois se tentava justificar a privatização com base no caso em questão. Agora, parece ser de roldão, em um pacote que coloca várias áreas em um mesmo denominador, cabendo simplesmente à ideologia dar o norte geral.”

Outro aspecto grave, segundo Fonseca, “é que as medidas não encontram mais o respaldo internacional de antes. Trata-se de um neoliberalismo tardio, pois extemporâneo. O Brexit e a eleição de Trump acabaram com as propostas liberalizantes do Consenso de Washington.

Os governos da América Latina que sucederam aos da fase mais nacionalista e intervencionista das últimas décadas apostavam num engajamento com a ordem internacional para obter oportunidades.

Mas os mercados se fecharam, acordos como o Nafta e o da região do Pacífico estão chegando ao fim. Portanto, as medidas do governo não vão mais na direção da ordem internacional emergente, deixam o País mais vulnerável ainda num mundo que se fecha”.

O manual seguido pelo governo, destaca Pedro Rossi, professor de Economia da Unicamp, “é a doutrina do choque, de impor ideias radicais na esteira de um grande abalo social. No momento da maior retração de renda da história e em uma situação de calamidade institucional, age-se para transformar rapidamente os princípios e a natureza do Estado brasileiro e da Constituição de 1988. Ao atuar em várias frentes, imprimindo urgência e celeridade às reformas, a reação demora e não é suficiente para deter o processo”.

Haverá, entretanto, impactos estruturais inevitáveis decorrentes da desnacionalização de grandes empresas privadas e de ativos estratégicos como o campo de Carcará, do pré-sal, e do aporte externo para infraestrutura pública.

Afetarão negativamente o balanço de pagamentos, o custo Brasil, o equilíbrio fiscal, a capacidade de planejamento e o encadeamento produtivo e tecnológico, adverte o professor de economia Pedro Paulo Zahluth Bastos, da Unicamp. O processo gera a transferência de lucros e dividendos para o exterior e pressiona as reservas cambiais, que poderiam ter melhor uso.

A revisão anunciada da exigência de conteúdo local mínimo, diz, reduz encadeamentos produtivos e tecnológicos locais e “aproxima o setor de petróleo e gás de um enclave, como ocorre em vários países africanos ricos em petróleo, mas carentes de tecnologias.

Não é o caso do Brasil, que domina tecnologias de classe mundial na exploração de petróleo em águas profundas. A venda de ativos da Petrobras transfere com custo baixo tecnologias cuja aquisição envolveu grande esforço de qualificação tecnológica local, para concorrentes que não contribuíram para financiar esse esforço de qualificação”.

Os prejuízos para o País da cruzada privatizante-desnacionalizante devem durar décadas. A começar pelo aprofundamento do agudo processo de desindustrialização em curso, chama atenção Leda Paulani, “não só pela continuidade da política de austeridade combinada à de arrocho monetário, com juro elevado e sobrevalorização cambial, que já vinham do primeiro ano do último mandato da presidenta Dilma, mas também pelo desmantelamento do pouquíssimo que havia sido construído pelos governos petistas em termos de política industrial (como a exigência de conteúdo local mínimo), além da destruição, pela combinação de elementos de ordem diversa, das poucas indústrias ainda fortes no País, como a construção civil e toda a cadeia de petróleo e gás”.
Posted: 06 Mar 2017 05:03 AM PST
Por Paulo Kliass, no site Carta Maior:

Há décadas que a sociedade brasileira tem convivido com um fenômeno que chama muito a atenção de todos os que pretendemos compreender a economia a partir de uma ótica diferente daquela que a ideologia do financismo impõe como a suposta regra natural da economia de mercado.

Nesse caso refiro-me mais especificamente à trajetória de nossa taxa de juros. Já foi dito e repetido à exaustão que o Brasil tem proporcionado aos agentes econômicos locais e estrangeiros a maior taxa de juros do planeta. Com raras e pontuais exceções de um ou outro mês, ao longo dos últimos anos temos ocupado o primeiro lugar no pódio. Em alguns momentos, chegamos a ser ultrapassados pela Turquia ou pela Rússia. Mas, via de regra, para qualquer investidor capitalista que busque a maior rentabilidade financeira para suas aplicações, a opção Brasil tem despontado como a melhor alternativa isolada.

A principal causa para tal comportamento tem sua explicação na manutenção da política monetária arrochada. Desde a edição do Plano Real, em 1994, que a opção pelo chamado “tripé da política econômica” trouxe consigo o estabelecimento da taxa oficial de juros em um patamar bastante elevado. Assim, naquela época a intenção era justamente a de manter a SELIC na estratosfera, para obter o ingresso de recursos estrangeiros e assegurar alguma folga nas contas externas.

Taxa de juros elevada: outra jabuticaba

Ocorre que o instrumento excepcional - que deveria ser utilizado apenas nas primeiras etapas de consolidação do plano de estabilização da nova moeda - terminou por se acomodar como sendo “a política monetária natural” por excelência. Essa mentalidade exagerada do financismo fincou raízes e conseguiu se impor ao conjunto da sociedade como sendo um custo inescapável da luta contra a inflação e do progresso associado à condição da modernidade. Dessa forma, questionar o absurdo evidente da política monetária tupiniquim teria o sentido de sabotar a estabilidade de preços e não passaria de irresponsabilidade populista.

Todo esse processo de mudança profunda na própria estrutura social e econômica trouxe consigo uma enxurrada de transformações retrógradas. Essa foi com a privatização, a liberalização comercial, a sobrevalorização da taxa de câmbio, o aprofundamento da financeirização e a desindustrialização que o País infelizmente experimentou ao longo das duas últimas décadas. Assim como a sociedade brasileira havia incorporado uma estratégia de convivência com processos hiperinflacionários por meio de mecanismos generalizados de indexação, na sequência houve um movimento de acomodação extensiva a um ambiente perverso de taxas de juros elevadíssimas.

Na verdade, tudo se passa como se o conjunto das forças atuantes por aqui se tivessem tornado dependentes – de natureza quase química - das taxas de retorno muito acima de qualquer patamar minimamente condicionado por algum grau de racionalidade. Por qualquer abordagem que se buscasse enfocar o fenômeno, a taxa de juros em nossas praias revelava-se como campeã absoluta.

Taxa de juros: nominal e real

A avaliação da taxa de juros permite algumas variações. A primeira hipótese refere-se à arbitragem da taxa oficial pura e simples tal como estabelecida pela chamada autoridade monetária. Nesse caso, toma-se como referência a SELIC. Essa taxa serve como indexador da remuneração dos títulos da dívida pública e serve como patamar mínimo para formação das taxas usadas pelos bancos em suas operações de crédito e empréstimo.

Na comparação internacional de alternativas de investimento, sua utilização permite comparar com as ofertas de outros países com suas próprias taxas oficiais de juros. Assim, surgem as planilhas contrastando a nossa com as taxas praticadas pelo FED norte-americano, pelo Banco Central Europeu, pela autoridade monetária japonesa, entre tantas outras. Em geral, na disputa pelos recursos especulativos que transitam pelo mercado internacional, os países em desenvolvimento são obrigados a oferecer melhores oportunidades e maiores ganhos para o investidor. E assim o fazem com taxas oficiais mais elevadas que os países centrais, além de oferecer garantias contra eventuais perdas provocadas por inflação e variação cambial.

A segunda hipótese de análise refere-se ao ganho financeiro “real”. No jargão do economês essa avaliação tem o sentido de retirar a variação da inflação da taxa de juros. Assim temos a taxa “nominal” e a taxa “real” de juros. De fato, faz todo o sentido esse enfoque. Afinal, o ganho efetivo ou real de um rendimento tem que ser subtraído da perda do valor monetário provocado pela inflação. Ocorre que também medida por essa métrica a taxa de juros oferecida pelo Brasil esteve imbatível.

Uma terceira maneira de avaliar o nível da taxa de juros praticada por aqui é por meio das taxas praticadas pelas instituições financeiras junto a empresas e indivíduos. Em razão da irresponsabilidade e da condescendência da ação do órgão que deveria regulamentar e fiscalizar o universo das finanças, os chamados “spreads” cobrados pelos bancos são incrivelmente elevados. Tanto que as filiais dos bancos estrangeiros aqui operando têm assegurado os ganhos dos conglomerados em escala internacional principalmente por meio dos resultados obtidos no Brasil.

Austericídio: receita para recessão e desemprego

Cada uma das hipóteses tem uma implicação específica em termos econômicos. Porém, em todas elas sobressai a relevância da alta taxa de juros como inibidora da atividade econômica, de forma geral. Em especial, esse fator desestimula o investimento e prejudica o crescimento sustentável e de longo prazo da economia. E o aspecto mais dramático de todo esse processo é que a atual recessão e o desemprego dela derivado são objetivos de política econômica que foram colocados como metas a serem atingidas. Ou seja, não se trata de “efeitos colaterais indesejados, mas necessários.”

A implementação cuidadosa e meticulosa do austericídio desde 2014 apresentou a dramática fatura nos domínios econômico e social. O retrato é calamitoso: i) crise recessiva prolongada; ii) falências em escala recorde; e iii) destruição de empregos de forma ampla e generalizada. Com a economia cavando impiedosamente o alçapão no fundo do poço, em algum momento a situação “deixaria de piorar”, de acordo com o eufemismo criado pelos comentaristas da turma da finança nos grandes órgãos de comunicação.

Ao que tudo indica, esse é o momento que começamos a viver por agora. A perversidade do quadro social e os riscos de revolta social generalizada parecem contribuir para que o nível de alucinação dos (ir)responsáveis pela política econômica seja um pouco atenuado por gente do próprio campo que apoiou o golpeachment. Assim, até setores do conservadorismo começam a apresentar a sugestão de salpicar pouco mais de pragmatismo no interior do receituário da ortodoxia radical.

Como a recessão deliberadamente provocada pelo governo se encarregou de reduzir a inflação, agora parcela da elite do financismo e formadores de opinião do COPOM podem se dar ao luxo de aceitar uma redução nos níveis da SELIC. Assim foi que a taxa oficial de juros sofreu quatro reduções seguidas ao longo das últimas quatro encontros do colegiado desde outubro do ano passado. Ela saiu de 14,25% para os atuais 12,25% ao ano. Essa mudança é importante e não deve ser combatida. Na verdade, o problema é a sua insuficiência.

Reduzir a taxa real de juros

Isso porque apesar da diminuição da taxa nominal, verificou-se simultaneamente uma redução também dos índices de inflação. Assim, o fato é que a taxa real de juros sofreu um aumento durante esse mesmo período. Esse fenômeno é mais sutil e de difícil percepção para a maioria da população. Mas nada escapa aos olhares atentos dos profissionais do mercado financeiro, que nada mais fazem na vida senão buscar maiores ganhos para valorizar seu patrimônio e de seus clientes.

Por outro lado, o Banco Central continua fazendo cara de paisagem aos abusos praticados pelas instituições financeiras em termos de seus spreads. Assim, o custo financeiro para os tomadores de crédito continuam muito elevados.

Esse é o quadro mais geral desse novo momento da economia, que exige uma outra postura frente à “nova” questão da taxa de juros. Como sempre havíamos lutado e denunciado, mais do que nunca urge uma redução efetiva da SELIC. Mas de forma a promover uma redução significativa da taxa real de juros. Ou seja, ainda há muito espaço para que o COPOM diminua ainda mais sua taxa referencial. Afinal, essa é condição “sine quae non” para reverter a tendência recessiva e se alcance a rota do crescimento da atividade econômica.

* Paulo Kliass é doutor em Economia pela Universidade de Paris 10 e Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, carreira do governo federal.
Posted: 06 Mar 2017 04:56 AM PST
Por Joanne Mota, no site da CTB:

Michel Temer avança mais uma vez contra a classe trabalhadora e pressiona a base governista a votar o projeto de lei 4302/1998, que institui a terceirização/precarização plena no mundo do trabalho. A proposta, que foi encaminhada pelo executivo durante a gestão FHC, é relatada pelo deputado Laércio Oliveira (SD-SE) e só depende de uma votação no plenário da Câmara para ir à sanção.

Ao criticar a manobra da Câmara e do Executivo, que já deu provas suficientes de que para os trabalhadores e trabalhadoras o horizonte é de precarização e escravidão, o presidente da CTB, Adilson Araújo, afirmou que o que se quer com um projeto como esse é “a liquidação total dos direitos”. Para o dirigente nacional, esse projeto é "a senha para regulamentar a escravidão moderna".

Adilson destacou que essa proposta afetará todos os ramos do mundo do trabalho e faz parte de um conjunto de ações (reformas trabalhista e da Previdência e a PEC 55) que podem acabar com uma estrutura que garante o mínimo ao conjunto da classe trabalhadora.

“A terceirização é uma parte da reforma trabalhista que liquida direitos consagrados da classe trabalhadora e blinda os empresários. É bom lembrar que, tanto o PLC 030 como o PL 4302, são demandas dos setores da indústria e do comércio. A classe trabalhadora nunca foi ouvida, basta lembrar a forma como fomos tratados durante a votação na Câmara do PL 4330”, alertou o dirigente nacional ao denunciar o empenho do setor empresarial pela aprovação de propostas dessa natureza.

O presidente da CTB ainda destacou que por trás do discurso da “desburocratização” e da “ampliação do número de postos de trabalho” sugeridas pelo PL se esconde uma proposta que abre espaço para a precarização geral do mundo do trabalho, uma espécie de escravidão moderna.

A oposição promete recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) se o projeto de 1998 para votação. "É um absurdo, uma irresponsabilidade total", diz o senador Paulo Paim (PT-RS), ao comentar a movimentação do Planalto em favor de uma proposta tão retrógrada.

Terceirização plena = escravidão

Em seu parecer, o relator do projeto defendeu a “terceirização plena”. O que isso significa? “Qualquer coisa pode ser terceirizada”, defende Oliveira.

Sem cerimônia o relator tem criticado o projeto de lei da terceirização que está atualmente no Senado. Segundo ele, a proposta [PLC 030] é “muito ruim” já que não atinge todos os setores e desfavorece os objetivos do setor empresarial.

O que se desenha é a defesa de uma proposta ainda pior que o PLC 030, que associada às demais propostas de Temer, enterrará direitos e eliminará qualquer horizonte de retomada de desenvolvimento com geração de emprego decente, inclusão social e distribuição de renda.

Tramitação do PL 4302

O atual relator da proposta que sepulta os direitos da classe trabalhadora é o deputado Laércio Oliveira (SD-SE). Em novembro de 2016, ele apresentou relatório favorável ao substitutivo elaborado no Senado.

A proposta já foi votada pela Câmara dos Deputados, em 2000, e pelo Senado, em 2002. Como passou por mudanças substanciais na 2ª etapa, o texto voltou à Câmara.

Os deputados analisam, agora, se concordam com a nova redação dada no Senado. Em caso positivo, segue para sanção como está. Se for rejeitado, chega ao Planalto da maneira como foi aprovado pela Câmara em 2000.
Posted: 06 Mar 2017 04:49 AM PST
Por Clemente Ganz Lúcio, no site Brasil Debate:

As questões colocadas na agenda dos debates deliberativos do Congresso Nacional e dos encaminhamentos do poder executivo são iniciativas complexas do governo federal e que terão múltiplos impactos sobre a vida das pessoas e as bases do desenvolvimento econômico, social e ambiental do Brasil. Será um longo ano de um tempo curto para as lutas.

O desemprego crescerá porque a economia continuará patinando, o que dramaticamente compromete a vida dos trabalhadores e a perspectiva geral do desenvolvimento do país. Por isso,a centralidade da luta pelo emprego, o que requer uma visão estratégica de como retomar e sustentar o crescimento e o desenvolvimento econômico nacional e soberano.

As escolhas dos caminhos para o desenvolvimento de uma das maiores economias do planeta envolvem múltiplos e poderosos interesses, em um jogo que vale tudo. A democracia é uma construção política para colocar limites ao vale tudo e, com regras, fazer as escolhas a partir do debate público e com participação social. Defendê-la será uma grande tarefa para este ano.

O desenvolvimento nacional soberano é resultado de múltiplas relações que materializam o que somos capazes de criar e produzir neste território, com o nosso povo, e de como cooperamos com os demais países. Nossa soberania depende: da existência real de empresas nacionais capazes de produzir em condições competitivas mundialmente; de um mercado interno de consumo robusto, sustentado por empregos e salários de qualidade, e por uma forte capacidade de investimento.Todas essas frentes estão fragilizadas e precisam ser recuperadas.

Contudo, o governo encaminha a venda do Brasil e da nossa soberania. Os compradores, ávidos pelas riquezas do mundo, já afirmaram: o Brasil está barato! Querem, entretanto, garantias para suas compras. Quais? As clássicas: garantia de propriedade, de contratos com regras vantajosas, de financiamento, de lucro sem impostos etc.

Exigem também quatro grandes reformas: o fim de reservas e limites aos estrangeiros para acesso a minérios (petróleo, inclusive), terras, mercado (aéreo, bancário etc.); limite do gasto do estado, já aprovado no Congresso e em vigor por 20 anos; reforma da previdência e a reforma trabalhista e regulamentação da terceirização (PL 4302), que promova o efetivo controle do custo do trabalho, em pauta no Congresso a partir de hoje para serem votadas neste ano.

O nosso desenvolvimento soberano exige, sem dúvida, muitas e difíceis reformas e mudanças, inclusive em muitos dos temas acima, mas também em muitos outros. Contudo, as mudanças devem ser no sentido de promover transformações na nossa estrutura produtiva para gerar crescimento dos empregos de qualidade, aumento dos salários, diminuição significativa das desigualdades etc.

As regras e iniciativas devem favorecer para que este objetivo seja construído por uma efetiva e forte capacidade produtiva nacional, integrada e cooperando de forma soberana com o mundo.

Há muita confusão e muita desinformação difundidas propositalmente. Cada tema mobiliza poderosos interesses e envolve inúmeras possibilidades de mudanças que exigirão difíceis escolhas estratégicas. Para que isso seja feito de maneira consciente e compromissada com as dificuldades do presente, com os desafios do futuro e com as nossas reais e potenciais possibilidades, é preciso que o debate e as escolhas estejam lastreados nos legítimos espaços democráticos.

Nosso desafio é percorrer 2017 lutando para que nossa esperança de sermos um país desenvolvido não seja destruída ou vendida. Não será fácil, mas quando a vida foi fácil para os trabalhadores? Nós crescemos na adversidade. É hora de, como sempre, ir à luta. Avante!
Posted: 06 Mar 2017 04:44 AM PST
Por Antonio Martins, no site Outras Palavras:

Você acredita nas “matérias” e comentários cada vez mais frequentes na velha mídia, segundo as quais Putin aliou-se a Trump para influenciar as eleições norte-americanas? Então leia, por favor, um artigo (http://bit.ly/macartismo) publicado há uma semana, em The Nation, por Stephen Cohen, editor associado à revista e professor emérito das universidades de Princeton e Nova York. Abismado com o volume gigantesco de propaganda anti-russa nos jornais e sites norte-americanos (inclusive “alternativos”), Cohen concentra-se em dois pontos.

Primeiro, ele desconstroi, um a um, os seis “argumentos” que supostamente “demonstrariam” a aliança. Trump fez elogios a Putin? Saiba, então, o que Roosevelt falou de Stálin, e o que Bill Clinton disse de Boris Yeltsin — inclusive comparando-o (favoravelmente…) a George Wasgington e Abrahan Lincoln. Hackers russos ligados ao Kremlin invadiram o servidor de emails do Partido Democrata? Fora a lenda, não há evidência alguma a este respeito — e sobram sinais de que as mensagens comprometedoras a Hillary Clinton foram vazadas por gente de seu entorno, ou pelas agências de espionagem dos próprios EUA.

Cohen não pára por aí. Ele busca identificar os três grandes interesses por trás da onda de alegações vazias. 1) A ala de Hillary Clinton no Partido Democrata. Obstinada em conservar o controle sobre o partido, ela quer fugir da responsabilidade pela derrota humilhante, atribuindo-a a um “poder externo”; 2) O complexo industrial-militar e as agências de “informação”, que se opõem, por interesse e ideologia, a qualquer perspectiva de paz com Moscou; 3) O Establishment político em geral, preocupado em manter a “democracia” tutelada por dois partidos que, no essencial, em nada divergem - e assustado pela emergência de ousiders como Trump e Bernie Sanders.

O texto põe o dedo na ferida: a onda de ataques à Rússia é a volta de um velho cacoete norte-americano: o macartismo, tentativa de atribuir os males nacionais à ameaça “comunista”. Não importa que Moscou já não seja vermelha: o fundamental é encontrar um inimigo externo. Cohen termina com um desafio: “quem vai frear o novo macartismo, antes que ele se espalhe em definitivo e atinja a ‘alma da democracia’, tão reverenciada pela esquerda e os liberais”?
Posted: 06 Mar 2017 04:33 AM PST
Por Rodrigo Gomes, na Rede Brasil Atual:

Trabalhadores da Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô), empresa administrada pelo governo de Geraldo Alckmin (PSDB), passam os dias torcendo para que não aconteça uma tragédia. Em um relatório administrativo obtido pela RBA, um operador de trem relata seu desespero ao perceber uma briga dentro do trem e descobrir que só havia seguranças atuando na estação Itaquera da Linha 3-Vermelha. Outros relatam um imenso número de “burlas”, usuários que entram sem pagar no sistema. O Sindicato dos Metroviários está elaborando uma campanha para exigir melhores condições de trabalho e contratações de profissionais para o Metrô.

O relatório data a ocorrência em 26 de fevereiro. Ao sair da estação Carrão, sentido Itaquera, o operador percebeu uma briga entre os passageiros. “Imediatamente chamei o CCO (Centro de Controle Operacional) e o mesmo não me respondeu. Ao chegar em Penha e abrir a porta, jogaram um usuário para fora do trem. O Operador de Trem que estava no comando fechou as portas e seguiu viagem, pois acabara de ouvir uma comunicação do CCO que só havia seguranças na estação Itaquera”, relatou o metroviário. A estação Carrão fica a seis paradas de distância de Itaquera.

O trabalhador desabafa no mesmo documento, ressaltando que não tem condições de trabalhar na situação atual. “Nós funcionários temos que testemunhar um usuário matar outro e não podemos fazer nada. A companhia não oferece segurança”, escreveu. O relatório também destaca que vem sendo cotidiana a falta de retorno do CCO aos pedidos dos operadores. Apesar dos problemas, o Metrô reabriu – até amanhã (4) – as inscrições do Programa de Demissão Voluntária (PDV), que em dezembro já contava com 632 inscrições.

No natal passado, o trabalhador ambulante Luís Carlos Ruas foi espancado até a morte na estação Pedro II da Linha 3-Vermelha. Não havia seguranças na estação.

No feriado de carnaval a situação não foi diferente. Relatos de trabalhadores cumprindo várias funções e nenhum segurança atuando fixo nas estações da Linha 3-Vermelha. Um mesmo metroviário tendo de fechar terminais de ônibus, fiscalizar as catracas e cobrir o CCO. Nos grupos de trabalhadores em redes sociais, os relatos são de revolta e desespero.

“Nestes dias de carnaval e blocos nas ruas no centro o excesso de usuários foi em República e Anhangabaú, principalmente. Poucas duplas nestas estações e uma dupla ou outra ao longo da linha. Em todas as estações o quadro é abaixo do mínimo. Não dá para acreditar no que está acontecendo. Grande risco para os funcionários e usuários porque o nosso sistema não foi projetado para as estações ficarem “em ATO” – gíria dos trabalhadores para locais em que não há nenhum trabalhador para cumprir as funções básicas. Não tem portas de plataforma e o terceiro trilho é ao lado da via. Exige monitoramento constante e seguranças para conter abusos e atitudes de risco”, relatou um trabalhador.

Segundo o diretor do Sindicato dos Metroviários Alex Santana, a situação tem sido recorrente e vem piorando ano após ano. “O que levou a isso foi a falta de investimentos do governo paulista. Não só em segurança. Hoje falta muita peça de trem, equipamentos, sistemas que nunca terminam de ser instalados, um monte de trem parado. Até itens básicos de higiene tem faltado. E o quadro de funcionários é consequência disso. Faz tempo que só vem saindo gente”, afirmou. Os metroviários têm uma assembleia marcada para segunda-feira (6) e uma paralisação indicada para o próximo dia 7.

Embora o Metrô justifique o PDV por redução de gastos, o sindicato estima que as demissões do programa já tenham custado aproximadamente R$ 10 milhões. “Não tem trabalhador suficiente e a companhia quer demitir mais. Isso já deixa várias estações sem cobertura. Em feriados a situação piora muito, porque ninguém suporta as escalas que são feitas e também não quer fazer hora extra depois que o Metrô passou a não remunerar e constituir banco de horas”, explicou Santana. Os metroviários ingressaram com uma ação na justiça para obrigar o Metrô a contratar mais servidores.

O Metrô não se manifestou.
Posted: 06 Mar 2017 10:16 AM PST
Por Jeferson Miola

Exmo. Sr. Juiz João Otávio de Noronha
Corregedor Nacional de Justiça
corregedoria@cnj.jus.br

Senhor Corregedor,

Lê-se na página web da Corregedoria Nacional de Justiça que o objetivo principal da Corregedoria é “alcançar maior efetividade na prestação jurisdicional, atuando com base nos seguintes princípios: legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência (art. 37 da Constituição Federal)”.

Ali também se lê que “Todas as atribuições do Corregedor Nacional de Justiça estão definidas na Constituição Federal, no § 5º do art. 103-B, e regulamentadas no artigo 31 do Regimento Interno do CNJ”. Dentre elas, cabe destacar aquelas atribuições que consubstanciam a presente denúncia do juiz Sérgio Moro:

“- receber as reclamações e denúncias de qualquer interessado, relativas aos magistrados ...”;

- determinar o processamento das reclamações;

- realizar sindicâncias, inspeções e correições, quando houver fatos graves ou relevantes que as justifiquem;

- elaborar e apresentar relatórios referentes ao conteúdo próprio de suas atividades de correição, inspeção e sindicância;

- sugerir ao Plenário do Conselho a expedição de recomendações e atos regulamentares que assegurem a autonomia do Poder Judiciário e o cumprimento do Estatuto da Magistratura”.

Senhor Corregedor, abundam situações fáticas e processuais que sugerem falta de isenção e de imparcialidade do juiz Sérgio Moro na condução dos processos que envolvem o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva.

Por esses dias iniciais de março, inclusive, se anota o primeiro aniversário de uma grave arbitrariedade do juiz: a condução coercitiva do ex-presidente para supostamente prestar depoimento no aeroporto de Guarulhos; decisão que foi vivamente criticada por juristas renomados do país e de todo o mundo.

Importantes vozes jurídicas consideraram, na época, que o recurso da condução coercitiva foi um simulacro de ocasião para esconder o espetáculo fracassado que consistia em levar o ex-presidente às masmorras de Curitiba. O plano original seria prender o ex-presidente, porém foi abortado por motivos que a história ainda haverá de esclarecer.

Por coincidência [e não sem grande estranhamento], naquele mesmo dia, o deputado federal carioca Jair Bolsonaro já aguardava com foguetório no aeroporto da capital paranaense o avião da PF que supostamente transportaria o “presidiário” Lula.

Deve-se recordar, igualmente, a gravação ilegal e a divulgação criminosa de conversas telefônicas da Presidente Dilma com o ex-presidente Lula, episódio que igualmente aniversaria neste mês de março e que, tivesse ocorrido por exemplo nos EUA, o juiz responsável por tal desatino seria demitido e condenado criminalmente.

A trajetória do juiz Sérgio Moro, infelizmente, poderá ter o efeito contraditório de comprometer o êxito da Lava Jato, porque sua atuação partidária – parcial, faccional, engajada – interdita a investigação plena e profunda da corrupção no sistema político, que tem origens antigas e que se sofisticou nos períodos de governo do PSDB, partido com o qual este juiz mantém indisfarçável intimidade, como evidencia a fotografia auto-explicativa – e muito difundida na internet – do magistrado em saborosas gargalhadas com Aécio Neves, o presidente nacional do PSDB que é multi-citado nas delações que passam pelas mãos e pelo crivo dele mesmo.

Poderiam ser arrolados muito outros episódios em que Moro atua não como juiz, mas como promotor de acusação. Por exemplo: [1] na negação de perícias nas provas solicitada pela defesa do ex-presidente; [2] nos bate-bocas com os advogados do Lula; [3] na postura de acusador nas audiências com as testemunhas de defesa do Lula, [4] na insensibilidade em manter audiência ordinária de processo do ex-presidente no mesmo dia da missa de sétimo dia da ex-primeira-dama, quando juiz de outra jurisdição agiu com distinta humanidade etc.

Poderia, ainda, ser evocada a parcialidade e o cuidado do Moro em proteger o governo de fato do país nos processos judiciais em que ele atua não como juiz, mas como advogado de defesa de Michel Temer, como por exemplo na anulação das perguntas incriminadoras dirigidas por Eduardo Cunha a Temer sobre o empresário José Yunes – outra vez uma decisão distinta de juiz de outra jurisdição, que não impugnou questionamentos do Cunha ao seu correligionário Temer.

Esses comentários preliminares, todavia, servem apenas para ilustrar o que parece ser a norma de conduta e o condicionamento de má-vontade do juiz Sérgio Moro em relação ao ex-presidente Lula, à sua família e ao seu círculo político.

O aspecto objetivo da presente denúncia, entretanto, diz respeito à recusa do juiz Moro em “absolver sumariamente”; em declarar a inocência da ex-primeira dama Marisa Letícia Lula da Silva, nos termos requeridos pela defesa da mesma.

No despacho [pode ser visto aqui], Moro diz: “observo que, pela lei e pela praxe [sic], cabe, diante do óbito, somente o reconhecimento da extinção da punibilidade, sem qualquer consideração quanto à culpa ou inocência do acusado falecido em relação à imputação”. Ele omite, porém, a vinculação objetiva da extinção da punibilidade com o reconhecimento da inocência.

O artigo 397 do Código de Processo Legal – “a lei e a praxe” que o juiz Moro parece não querer considerar – determina, de maneira enfática, que “o juiz deverá absolver sumariamente o acusado” quando “extinta a punibilidade”.

Em vista disso, solicito a Vossa Senhoria que analise se a decisão do juiz Sérgio Moro não teria afrontado o artigo 397 do Código de Processo Legal.

Seria Sérgio Moro uma classe de juiz que, quando julga, deixa de aplicar os preceitos da Lei se não concorda com seu mérito ou se, de outro modo, Sérgio Moro aplica a Lei de maneira enviesada, de acordo com a pessoa que está sendo julgada – se amiga ou inimiga – e, portanto, seria ele uma classe de juiz que segue o princípio discriminatório de “aos amigos, tudo; aos inimigos, a Lei”? Neste caso específico da declaração de inocência da ex-primeira dama, aparentemente Moro não quis conceder nem o benefício da Lei.

É cada vez mais notória a carga subjetiva e o ranço ideológico, de classe, que preside as decisões, despachos e posturas do juiz Sérgio Moro naqueles processos que envolvem o ex-presidente Lula. Sobra subjetivismo e falta isenção e neutralidade.

Ninguém, menos ainda um juiz de direito, deve se considerar acima da Lei, da Constituição e do Estado de Direito. Quando isso acontece, a democracia é abastardada e a sociedade fica escrava das tiranias e dos regimes de exceção.

Confiando na sua manifestação sobre a presente denúncia, subscrevo-me com cordiais saudações.

Jeferson Miola
Posted: 06 Mar 2017 03:55 AM PST
Posted: 05 Mar 2017 07:06 PM PST
Por Altamiro Borges

O cinismo dos golpistas não tem mais limites. Blindados pela mídia chapa-branca e protegidos por setores do Judiciário, eles abusam da paciência dos brasileiros – inclusive dos “coxinhas” que serviram de massa de manobra para o impeachment de Dilma. Na semana passada, o Ministério Público Federal revelou que encontrou US$ 833 mil – o equivalente a 2,5 milhões de reais – em uma conta na Suíça em nome de Henrique Alves, um dos líderes do golpe dos corruptos que alçou Michel Temer ao poder. Diante da descoberta, o velhaco afirmou apenas que “desconhecia” o volumoso depósito e que “terceiros” movimentaram o dinheiro sem o seu conhecimento. Ou ele é muito sortudo ou é um autêntico vigarista!

Segundo nota do Jornal do Brasil, postada na quinta-feira (2), “o ex-ministro do Turismo e ex-presidente da Câmara Federal, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), afirmou em defesa apresentada à Justiça Federal de Brasília que desconhece os US$ US$ 832.975,98 depositados em uma conta bancária na Suíça. Segundo Alves, terceiros depositaram e movimentaram o dinheiro sem o conhecimento dele. Contudo, ele admitiu ser o ‘beneficiário’ da conta. Segundo o Ministério Público, isso significa que o ex-ministro é o titular da conta. Investigação da Lava-Jato aponta que o dinheiro foi depositado em três datas, entre outubro e dezembro de 2011. Alves disse que utilizou um escritório de advocacia do Uruguai para abrir a conta na Suíça em 2008”.

O escândalo não mereceu manchetes nos jornalões e nem comentários ácidos nas emissoras de rádio e televisão. O juiz Sergio Moro, chefão da Lava-Jato, também não se manifestou. Na prática, a mídia golpista e vários aparatos do Estado – como o Ministério Público, a Polícia Federal e o próprio Supremo Tribunal Federal – não estão muito preocupados com a ética. O objetivo maior da midiática Lava-Jato sempre foi o de derrubar a presidenta eleita e inviabilizar uma nova candidatura de Lula. Sergio Moro hoje mais se parece com um advogado de defesa de Michel Temer. A quadrilha que assaltou o poder segue impune, o que explica o cinismo de Eduardo Alves. O triste é que muitos “midiotas” ainda acreditam nesta falsa cruzada ética.

Aliado de Cunha e compadre de Temer

Para quem já esqueceu, o “sortudo” da conta na Suíça foi o terceiro homem de confiança de Michel Temer a ser defecado do covil golpista – depois de Romero Jucá (Planejamento) e Fabiano Silveira (Transparência). Em junho do ano passado, após o vazamento de delações que evidenciaram a sua participação nos esquemas de propinas da Petrobras, Henrique Alves pediu demissão do Ministério do Turismo. Na sua carta de despedida, ele afirmou, na maior caradura, que deixava o covil como “um gesto pessoal em prol do bem maior” e agradeceu ao compadre Michel Temer pela “lealdade, amizade e compromisso de uma longa vida partidária”. E concluiu: “A sua, a minha, a nossa luta continuam” – inclusive com depósitos bancários na Suíça.

Em sua delação premiada, o lobista Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, garantiu que repassou ao ministro R$ 1,5 milhão em propina entre 2008 e 2014. Na ocasião, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, encaminhou a denúncia ao STF e disse que parte desta grana abasteceu a campanha de Henrique Alves ao governo potiguar em 2014, quando ele foi derrotado. A negociata teria envolvido diretamente o correntista suíço Eduardo Cunha – seu fiel aliado em negócios suspeitos – e o ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro. O conluio beneficiou as empreiteiras no parlamento, tendo como contrapartida as doações ilegais. O escândalo, porém, logo caiu no esquecimento – para a alegria do sortudo da conta milionária na Suíça.

*****

Leia também:

Henrique Alves, mais um defunto golpista!

Golpistas com contas na Suíça. Quem mais?

Cai mais um ministro do golpe

Cunha faz 41 perguntas que incriminam Temer

Temer sabe, de fato, lidar com bandidos

Da realeza fisiológica à queda solitária

Complô contra Dilma envolveu políticos e STF

Próxima vítima: Alves, Padilha ou Geddel?

Nenhum comentário:

Postar um comentário