segunda-feira, 10 de abril de 2017

10/4 - Blog " DE CANHOTA" de HOJE

De Canhota


Posted: 10 Apr 2017 07:30 AM PDT
Artigo publicado originalmente no site da Frente Brasil Popular.


Em 2003, na Itália, num dos congressos do Partido da Refundação Comunista Bertinotti discursava em favor dos movimentos como estratégia política renovadora: o “movimentismo”. Dizia ele que os comunistas levavam “chumbo sobre as asas”. Ao meu lado, um operário maduro comentou com o camarada ao lado: “se ele insiste tanto em movimentos, porque não fala principalmente do movimento dos trabalhadores?” – uma bela ironia.

Isso me veio à lembrança em recente debate na Frente Brasil Popular, quando questionava afinal que resultados provocou na esquerda brasileira o Fórum Social Mundial quando insistia em uma apologia dos movimentos sociais e do movimentismo e mais: opondo-os quase abertamente aos partidos políticos. Deu-se balanço nisso?

Pano rápido, para um fenômeno de natureza assemelhada que cresce entre a esquerda brasileira. Nos atos na Casa de Portugal quando da campanha de Haddad em 2016, com a presença de Lula, não há dúvida de que os momentos de maior aplauso do público ocorriam quando se proclamava o orgulho identitário. Nem CUT ou CTB ou UNE ou MST eram tão aplaudidos, com exceção do próprio Haddad e Lula. “Quero proclamar o orgulho de ser mulher, negra e lésbica”, por exemplo, entre outros, indicando o direito de identidade, de reparação e-ou emancipação. Merecia mesmo aplausos, mas: e a condição de trabalhadora e brasileira? Porque não devia provocar um orgulho pregresso à identidade dos lutadores e lutadoras sociais?

Falo aqui de bandeiras emergentes e que cada vez mais enviesam a perspectiva totalizante de um novo projeto de sociedade ou desequilibram o debate ideológico-cultural necessário à esquerda. Questão política chave não é a valorização ou não dos movimentos pelos direitos difusos, integrantes da luta democrática, mas a estratégia visível ou não, embutida ou pressuposta, para uma transformação real das estruturas que exploram e oprimem. Estaria superada a noção classista dos trabalhadores como classe hegemônica da luta por abrir caminho ao socialismo? Estaria superada a noção de nação autônoma e soberana e a necessidade do desenvolvimento nacional para integrar por completo o povo à nação? Ou um Estado Nacional autônomo, democrático e forte para induzir o desenvolvimento e fazer a inteira defesa do interesse nacional face ao poderio da financeirização, que arrasta povos e nações inteiras ao desmonte nacional, sem alternativas para se afirmar? Numa nação submetida ou neocolonizada, que direitos sociais e de identidade nacional subsistirão?

A questão vai fundo, portanto, não é moda passageira. A base dessa visão é uma ideologia determinada, a do multiculturalismo, constituída para contrastar a hegemonia da esquerda nos movimentos sociais e que, ironicamente, penetrou fundo no seio das esquerdas, alimentando essa amputação do sentido de pertencimento nacional e de classe social. Ou seja, um antimarxismo declarado. Uma ideologia transformada em arma poderosa da consolidação do establishment da globalização neoliberal e, como diria Marx, se transformando em força material quando penetra a consciência de largos setores dos movimentos que se querem de esquerda. Infelizmente.

São conhecidas, na literatura especializada, as ações de infiltração promovida por órgãos de inteligência, por meio de ONGs e Fundações junto aos cursos de ciências sociais, financiando programas e concedendo generosas bolsas de estudo e viagens ao exterior para estimular a expansão de ideias multiculturalistas. Zbigniew Brzezinski, um dos principais estrategistas norte-americanos, em seu livro “Entre duas eras” – cuja edição original é de 1971 – preconiza abertamente estratégias geopolíticas de promoção da fragmentação e divisão em países chaves, no contexto da disputa da guerra fria.

Mesmo para autores de pensamento humanista, como o italiano Mauro Maldonato (Na base do farol não há luz, Edições SESC, 2016, SP), “a pluralidade das diversas nações (e eu acrescento, no interior de cada nação) está a uma enorme distância daquilo que hoje é definido como “multiculturalismo, palavra-chave da discussão cultural, moral e política de nosso tempo”. De origem democrática nos anos 1970, isso se prestou a muitas tensões e mal-entendidos, mas o eixo de seu significado se deslocou desde então, de modo que, segundo o Autor, “as identidades individuais começam a parecer uma representação da relação entre si e o outro; (…) respeitar o indivíduo significa respeitá-lo por aquilo que o define (sua cultura, comunidade, história, língua). Isto é (…) a sociedade contemporânea aparece não tanto como uma comunidade de indivíduos (e eu acrescento, em relações de classes), e sim como uma união de comunidades”.

Lido concretamente: não uma comunidade como nação e em relações de classes sociais, mas a subordinação dos direitos do indivíduo aos do grupo étnico (ou outro) de pertencimento; amplia-se o fosso que separa os cidadãos e acentua a intolerância mútua. Como ironiza Maldonato (e é boa a referência para o Brasil que promoveu a reforma do ensino médio); vamos abolir o estudo de Shakespeare, Aristóteles, Dante e Goethe nas escolas, por que não?

O curioso – e trágico – no caso do Brasil é que essa força de arrasto ideológica sobre a esquerda a faz prescindir de um dos ativos mais poderosos para a luta transformadora, a saber, ser o Brasil uma nação com um povo uno, amalgamado ao longo de séculos em luta, povo miscigenado falante de uma única língua, com território, população e riqueza entre as cinco maiores do mundo. A unidade étnica dos brasileiros, aliás, é um trunfo estratégico na construção da Nação; países com problemas étnicos acentuados, via de regra, apresentam maiores idiossincrasias na coesão em torno de um caminho e de um projeto nacional.

Isso é o que abre possibilidades de lutar pelo desenvolvimento soberano e democrático do país, a base para o atendimento a qualquer e todas as demandas sociais por igualdade de oportunidade, terreno por excelência onde podem vigorar os direitos civis, humanos e de identidades que são reclamados.

Curioso também que tendências de negação de povo e nação em setores de esquerda cresça no Brasil quando surgem novos impasses da globalização neoliberal e nova escala de ameaças às nações por sua afirmação. O Brexit na Inglaterra, a eleição de Trump nos EUA, o crescimento da direita xenófoba na Europa e da antipolítica no Brasil, deviam servir de alerta. A direita empalma o ressentimento e os anseios nacionais de recusa a certo cosmopolitismo ilustrado que proclama a desconexão entre novos movimentos (identitários) e os movimentos sociais e dos trabalhadores.

Nos EUA isso foi claramente estabelecido. Nancy Fraser, professora da New School for Social Research (Nova Iorque), analisando a derrota de Hillary Clinton, aponta para a derrota do “neoliberalismo progressista, aliança entre, de um lado, correntes majoritárias dos novos movimentos sociais (feminismo, antirracismo, multiculturalismo e direitos LGBT) e, do outro lado, um setor de negócios baseado em serviços com alto poder ‘simbólico’ (Wall Street, Vale do Silício e Hollywood. (…) Embora involuntariamente, o primeiro oferece ao segundo o carisma que lhe falta. Ideias como diversidade e empoderamento, que poderiam em princípio, servir a diferentes fins, hoje dão brilho a políticas que destruíram a indústria e tudo aquilo que antes fazia parte da vida da classe média”. Segundo a autora, isso “se deveu à ausência de uma esquerda genuína”.

Isso nos EUA. Mas fica o alerta: será devastador que as possíveis relações entre a luta identitária e por direitos difusos se desconecte de uma agenda classista e nacional.

No Brasil é diferente? Pela positiva, sim, pois não somos um melting pot (como no EUA); ao contrário, formamos um povo uno, como já se disse. Pela negativa também, dada a falta de consciência de nação de grande parte da elite brasileira e da classe média alta -– algo inimaginável que qualquer outro país do centro do sistema e mesmo na Rússia, China e Índia.

Portanto, o risco é real e pode se impor por “deslizamento”, se forem desatentas as correntes de massas e as forças consequentes da esquerda sobre a penetração ideológica liberal e aquela multicultural fragmentadora da identidade social e nacional.

Não há como escapar da centralidade nesse debate: o Brasil não completou sua construção nacional, malgrado as condições que detém para tanto (diferente, portanto, até de outros países “em desenvolvimento” como China e Rússia entre os BRICS). O centro da questão será, neste marco histórico, um projeto nacional e uma estratégia madura para alcançá-lo. O horizonte imediato da luta transformadora será, ainda uma vez, o de forjar um projeto nacional de desenvolvimento com um Estado nacional capaz de fazer a inteira defesa dos interesses nacionais, populares e democráticos – sob direção progressista –, mediante um projeto de Nação que abra caminho para novos patamares civilizatórios e para alcançar a alternativa socialista. Desse modo, tal projeto deve incorporar e subordinar a si a luta pelos direitos democráticos e cidadania, os direitos de identidade, reparação e emancipação, a um todo coeso. Entre os diferentes fins a que pode servir a luta identitária, só este parece de fato consequente e democrático.

Os impasses da globalização neoliberal significam novos desafios para isso, mas também novas oportunidades para o Brasil. Se a esquerda não empalmar a questão nacional ela será instrumento da direita contra o interesse nacional. De modo que se impõe à esquerda compreender como marca de sua identidade a bandeira do projeto de Nação soberana, democrática e a favor dos interesses do povo, apoiada na mobilização do patriotismo popular.

Será a esquerda no Brasil capaz de formular tal projeto? Esse é o verdadeiro desafio. Ela sempre se confundiu, desnorteou ou dividiu quanto à bandeira nacional. Mas a experiência é rica e acompanha todo o século 20, de luta anti-imperialista e antineocolonial – a Aliança Nacional Libertadora, ou a tática frente à ditadura de 1964, unir o povo contra a crise, da ditadura e da ameaça neocolonial; hoje, na luta por um novo projeto nacional de desenvolvimento como caminho e estratégia para o socialismo.

A experiência de outros povos também é importante: a URSS uniu todo o povo para a grande guerra patriótica; a China e Vietnã também, para se livrar dos grilhões neocoloniais; mesmo em terreno capitalista, assim também foi a experiência da Índia. Foram os comunistas que empalmaram a bandeira anti-imperialista e forjaram uma estratégia de frente ampla de forças, como no Uruguai (o Frente Amplio) e na África do Sul (o CNA) – aliás as duas experiências remanescentes até hoje, embora sem hegemonia dos partidos comunistas.

Sem ilusões, certamente. A sociedade brasileira é complexa, nela ocorrem diversas mutações sociológicas e, sem dúvida, tal projeto de nação encerra contradições em sua formulação e construção por longo tempo. Mas podemos ser capazes de entender que elas não devem se transformar em contradições principais e muito menos antagônicas, mas sim, como diria Mao Zedong, em contradições no seio do povo.

É pela experiência que o povo aprende e forja opiniões próprias. Desde que uma esquerda madura eduque politicamente os largos contingentes sociais, pela persuasão como também “a quente”, na disputa política de ideias, das mentes e corações sem recusar as manifestações espontâneas, mas demarcando com clareza política e ideológica contra ilusões liberais ou influências multiculturalistas na estratégia a seguir. É preciso dar nova escala a esse debate, para não enviesar os eixos da luta.

É preciso unir forças, em torno de um projeto nacional, não fragmentar as perspectivas segundo identidades demarcadas; é preciso respeitar e valorizar a alteridade, não pôr no centro das relações sociais as identidades acima daquelas de brasileiros ligados à missão da luta dos trabalhadores pelo socialismo. Proclamar o orgulho de sermos brasileiros, e, ao lado disso, celebrar a diversidade e plasticidade de nosso povo amalgamada em torno de um projeto universal que se realiza no seio de cada nação.

Os comunistas no Brasil têm isso em seu DNA. Como no hino oficioso deles, do grande gênio brasileiro Jorge Mautner: “A bandeira do meu partido, vai entrelaçada com outra bandeira, a mais bela, a primeira, verde-amarela a bandeira brasileira”.


Walter Sorrentino é médico, membro do comitê central e vice-presidente do Partido Comunista do Brasil (PCdoB).
Posted: 09 Apr 2017 04:00 AM PDT
Artigo publicado originalmente no Outras Palavras.


No final da I Guerra Mundial, os médicos observaram um fenômeno estranho: os feridos dos países que tinham vencido a guerra salvavam-se mais do que os feridos dos exércitos que a tinham perdido. Como se para além dos ferimentos reais houvesse algo mental que determinava a capacidade de lutar pela sobrevivência.

Há uma semana, o El País publicou um texto onde dava conta de um relatório de professores da Universidade de Princeton em que eles alertavam para a subida da mortalidade entre os brancos de média idade e de classe média baixa, setores sociais normalmente ligados àquilo que consideramos a classe operária branca. Segundo este estudo, elaborado por Angus Deaton, vencedor do último Nobel da Economia, e Anne Case, o aumento da mortalidade entre homens e mulheres brancos entre os 45 e os 54 anos, desde 1999 até 2013, “inverte décadas de progresso e é único nos EUA”. Este fenômeno não tem paralelo em nenhum outro grupo social e racial nos EUA, nem em nenhum outro país na história recente.

Já em 2015, estes dois economistas tinham alertado para esse fenômeno: se, em 1999, a taxa de mortalidade entre os brancos sem estudos universitários era 30% mais baixa que a dos negros com as mesmas características, no ano de 2015, ela era 30% mais elevada que a dos afro-americanos. Desde o século passado até hoje, a taxa de mortalidade a nível mundial tem caído 2% a cada ano que passa, em todos os países e em todas as categorias demográficas. Os norte-americanos brancos sem preparação acadêmica são exceção.

Uma das explicações mais comuns para o fenômeno é que o desemprego passou a afetar gravemente este grupo social, devido à crise, à globalização e à automação da produção. Mas estes fenômenos também afetam os afro-americanos e os hispânicos. A diferença é que estas populações têm uma maior esperança de conseguir uma melhoria de vida. Eles nunca tiveram condições de vida dignas para si e para os seus filhos, e o seu futuro só pode ser melhor. Já os brancos de classe média baixa são a primeira geração que chegará à meia-idade com condições sociais em que serão “os primeiros que não viverão melhor que os seus pais”, afirmam os autores do estudo.

Significativamente, estes setores da população dos EUA foram aqueles que deram a vitória a Donald Trump: 60% votaram nele.

A multiplicação de candidaturas extremista xenófobas é um claro sinal, não só de uma reação de setores da população que se sentem desesperados, como a tentativa da sua destruição como sujeitos políticos ativos com um projeto para transformar a sociedade. Essas alternativas extremistas têm uma dupla vantagem para quem manda: não só constroem uma política em que o inimigo não é quem fica com 99% dos rendimentos da economia, mas o imigrante, o negro, o muçulmano; como dividem o campo daqueles que poderiam lutar por uma mudança entre a cor da pele e as várias religiões.

A destruição de projetos políticos alicerçados em setores populares e trabalhadores é precedida da sua destruição como grupo com consciência do seu valor e dos seus interesses comuns. Para sermos capazes de mudar uma sociedade não basta sentirmos que as coisas estão mal, é necessário percebermo-nos detentores de uma força coletiva e também da percepção de que há um caminho possível que pode ser traçado. Durante décadas assistimos a uma operação ideológica que atomizou as pessoas, tornou-as pasto apenas para redes sociais, deixando de constituir uma possível comunidade de vontade, de sonho e de ação. Esse processo foi acompanhado da destruição do valor social dos trabalhadores. A ideologia do “empreendedorismo” é um processo ideológico que legitima a apropriação da riqueza criada por todos para os bolsos de alguns.

Num livro muito interessante de Owen Jones, Chavs – The demonization of the working class, faz-se a resenha desta operação social de destruição da capacidade política dos trabalhadores a partir da sua destruição como comunidade de ação, através não só da maior apropriação da riqueza que eles criavam, mas sobretudo da destruição dos seus valores. Nesse processo é bem visível o papel que os órgãos de comunicação social britânicos tiveram na estigmatização do movimento operário e das classes populares no Reino Unido durante o governo de Margaret Thatcher. Owen Jones faz análises comparativas das notícias produzidas pelos vários órgãos de comunicação social em casos em que estão envolvidas pessoas das classes baixas em relação a quando estão envolvidos outros segmentos da população. Compara a cobertura do desaparecimento de Maddie [Madeleine McCann] na Aldeia da Luz com o alegado desaparecimento de uma criança dos subúrbios na Grã-Bretanha. Denuncia a invenção de fatos por parte dos jornais “populares” em relação à tragédia de Hillborough, em 1989, durante um jogo de futebol entre o Liverpool e o Nottingham Forest, em que a mídia transformou sucessivos erros na atuação da polícia, perante um estádio cheio, na consequência de uma luta entre claques violentas. A polícia divulgou, com a cumplicidade objetiva da mídia, informação falsa sobre o sucedido para escamotear a sua gestão incompetente numa tragédia que custou quase 100 mortos. Tudo isto revela a total falta de “independência” do jornalismo a este respeito, que é como quem diz a total ausência de vozes que procurem a verdade dos fatos e defendam parte da população. “O problema não é só a escassez de gente da classe trabalhadora no jornalismo. A maioria dos jornais desfizeram-se dos jornalistas que antigamente cobriam as relações laborais à medida que o poder dos sindicatos diminuía vertiginosamente”, escreve Owen Jones, acrescentando que a classe operária deixou de existir por completo no que respeita aos órgãos de comunicação, cultura popular e políticos.

A única coisa que lhes importa é a mítica classe média, que por momentos parecia, como por milagre, o destino de toda a sociedade, o alfa e ômega a que todos devemos aspirar. De fora ficam apenas alguns elementos residuais compostos por marginais, racistas e sem ambições, uma espécie de escória da sociedade. O ódio aos chavs (palavra de calão para descrever elementos de uma alegada escória social) justifica a manutenção da ordem estabelecida e das suas desigualdades inerentes, baseada na ideia de que ela traduz a justa diferença de valor das pessoas. A imprensa, segundo Owen, martela a ideia das fraudes com os benefícios da Previdência Social dos mais pobres, esquecendo-se de que no Reino Unido elas são mais de 70 vezes inferiores aos valores imputados à fraude fiscal dos mais ricos. Esta criminalização midiática das classes mais baixas e a afirmação das virtudes de uma classe média virtuosa não significam, de fato, a liquidação total das classes: “Thatcher não tinha a menor intenção de acabar com as classes sociais, simplesmente não queria que nos apercebêssemos de que fazíamos parte de uma, como confirma um documento do Partido Conservador. ‘Não é a existência de classes que ameaça a unidade da nação, é apenas a existência de consciência de classe."


Nuno Ramos de Almeida é jornalista português, editor-executivo do Jornal I.
Posted: 08 Apr 2017 03:30 PM PDT
Artigo publicado originalmente na Carta Maior.


O Banco Central (BC) acaba de divulgar seu Relatório Mensal sobre a Política Fiscal do governo brasileiro. Dentre as inúmeras informações relativas ao desempenho da equipe econômica no campo da administração da questão fiscal, vale a pena destacar os números que retratam o comportamento das despesas financeiras da administração pública federal.

De acordo com o levantamento apresentado pelo BC, ao longo do mês de fevereiro, o valor referente ao total de juros pagos pelo governo atingiu o montante de R$ 30,7 bilhões. Isso significa que, no acumulado dos últimos 12 meses, a União transferiu ao setor financeiro um volume de R$ 388 bi, em razão dos compromissos assumidos com cada uma das muitas modalidades do extenso cardápio que compõe o estoque de títulos de nossa dívida pública.

É bem verdade que tais números foram reduzidos em comparação ao ocorrido em 2015 e 2016, quando as despesas financeiras chegaram a atingir o total de R$ 502 bi e R$ 408 bi, respectivamente. O problema, no entanto, refere-se ao fato de a economia brasileira estar imersa em uma recessão profunda, a maior e mais grave de nossa História. Assim, o levantamento histórico evidencia que a única variável que se manteve constante ao longo das últimas duas décadas na condução da política econômica foi o saldo positivo de transferência de recursos orçamentários para o cumprimento das obrigações financeiras do governo federal.

Um dos aspectos mais paradoxais desse fenômeno reside no tratamento absolutamente desigual que o comando da economia confere aos diferentes tipos de gasto público. O ministro da Fazenda e seus subordinados enchem a boca com muito orgulho para exibir as informações de um suposto “sucesso” obtido nos cortes de verbas e nos contingenciamentos das rubricas do Orçamento nas áreas sociais e nos investimentos a serem realizados pelo Estado. Esse tem sido um dos principais fundamentos da política macroeconômica desde a edição Plano Real em 1994. A garantia do compromisso assumido junto ao mercado financeiro é sempre considerada como variável “imexível” do modelo.

A tentativa de conferir ares de normalidade a tamanha excrescência em termos de implementação de políticas públicas recebeu o nome pomposo de “superávit primário”. Esse foi o artifício jurídico e conceitual utilizado pelos defensores dos interesses do sistema financeiro para justificar perante a sociedade o tratamento escandalosamente regressivo e injusto que passou a ser dado aos gastos de natureza financeira frente aos demais gastos do setor público. Assim, tal determinação passou mesmo a ser objeto de obrigação legal, segundo as regras da Lei de Responsabilidade Fiscal, a Lei Complementar nº 101/2000.

Ocorre que todo esse rigor e a consequente austeridade que passam a ser exigidos – até mesmo em termos de compromisso formal na condução da política fiscal – não se aplicam às despesas financeiras, aquelas derivadas do pagamento de juros da dívida pública. Ao se jactar do esforço hercúleo para assegurar a geração de um saldo superavitário nas contas primárias do governo, os responsáveis pela economia apenas se esquecem de confirmar ao restante da sociedade que nada mais patrocinam senão a transferência serena e tranquila de recursos públicos diretamente para os cofres do sistema financeiro. Pode até parecer estranho ou exagerado, mas é simples assim.

Essa abordagem ganhou tinturas de santidade, a ponto de ser qualificada como heresia qualquer tentativa de sequer cogitar a respeito de alguma condução heterodoxa ou alternativa nesse domínio. A consolidação de tal hegemonia chegou a obter ares de unanimidade a partir de 2002, quando o então candidato Lula anunciou a famosa “Carta ao povo brasileiro” durante a sua campanha às eleições presidenciais. A partir da leitura do documento, é possível confirmar a opção pela manutenção do “status quo” em termos da política econômica comandada pelo financismo:

(…) “Premissa dessa transição será naturalmente o respeito aos contratos e obrigações do país.” (…)

(…) “Vamos preservar o superávit primário o quanto for necessário para impedir que a dívida interna aumente e destrua a confiança na capacidade do governo de honrar os seus compromissos.’ (…) [grifo nosso]

A preservação intocável desse regime é um dos principais fatores que ajudam a explicar a hipertrofia do financismo em nossa sociedade. Não por acaso, os bancos fazem parte do seleto grupo de empresas que não foram afetadas pela crise que o Brasil atravessa há mais de dos anos. O setor real da economia vem experimentando o drama social e econômico da recessão, do desemprego e das falências, ao passo que a banca continua a exibir seus balanços periódicos com lucros bilionários de forma sequencial e ininterrupta. O atual governo pós-golpeachment avançou ainda mais, introduzindo a obrigação de se respeitar o dogma do superávit primário na própria Constituição, a partir da Emenda Constitucional n° 95/2016.

O discurso oficial que alardeia o catastrofismo fiscal está na base de medidas como a referida emenda, que congelou as despesas sociais pelo prazo de vinte anos. Essa mesma narrativa do suposto estágio do pré-caos chantageia a sociedade e exige ainda mais sacrifícios da maioria do povo com a contra-reforma previdenciária e a contra-reforma trabalhista. A postura dramática oficial chega a números de um contingenciamento de várias dezenas de bilhões de reais contas do orçamento federal e impõe ainda mais cortes em áreas onde as despesas seriam parte da solução para a crise atual.

O único setor que não é chamado a colaborar para superar o momento difícil que o País atravessa é justamente o financismo. Afinal, a permanência longeva da ditadura do superávit primário manteve intocáveis os privilégios desse ramo da economia. De acordo com informações da própria Secretaria do Tesouro Nacional, ao longo das últimas duas décadas, o total de despesas com pagamento de juros promoveu a drenagem de R$ 4,3 trilhões a valores atuais dos cofres da União para o coração do sistema financeiro. Se o ponto de corte for o início de 2003, o total ainda assim é impressionante: foram R$ 3,5 tri ao longo do período. Mas esse tipo de recurso não é objeto de contingenciamento. Pelo contrário, todas as outras áreas são chamadas a cortar na própria carne para que sobrem recursos para o superávit primário.


Paulo Kliass é doutor em Economia pela Universidade de Paris 10 e Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, carreira do governo federal.
Posted: 08 Apr 2017 11:30 AM PDT

Em comparação com os últimos cinquenta anos, o Brasil teve, nos governos Lula e Dilma, uma experiência inédita na transformação de sua estrutura social. As políticas de elevação real do salário mínimo, de expansão da oferta de crédito e de ampliação dos programas de transferência de renda, entre outras, estimularam o crescimento do PIB com base no avanço do mercado interno e originaram um tripé socioeconômico virtuoso caracterizado pelo aumento do mercado formal de trabalho, pela redução da pobreza e pela melhora na distribuição de renda. Entretanto, a retração do ciclo econômico e a crise política provocaram a interrupção do processo de inclusão social, de distribuição de renda e de mobilidade social.

Se, por um lado, tal fenômeno desperta o medo ou o ressentimento pelo declínio social, por outro lado, a crise reabre uma janela de oportunidades fazendo com que parte da população perceba a importância, nas suas trajetórias individuais, das políticas públicas implementadas pelo chamado período do lulismo. Essa combinação de fatores tem como uma de suas principais consequências a formatação de uma nova subjetividade entre as camadas populares das grandes cidades do país.

Trata-se de um grupo social cujos valores e votos permanecem em disputa, defendem o empreendedorismo, mas apoiam intervenções do Estado e comungam relações de comunidade e vizinhança; defendem a moralidade tradicional, mas rechaçam a repressão extrema e aceitam novas configurações familiares; defendem o livre-funcionamento do mercado, mas reclamam maiores investimentos governamentais em serviços e equipamentos públicos.

Para compreender essas mudanças em sua inteireza, é preciso empreender uma análise que ultrapasse as leituras baseadas nas informações de renda e rendimentos, é preciso incorporar outras variáveis como estrutura ocupacional, acesso a mercadorias privadas e a serviços públicos, padrões de consumo, entre outros. Esse são os elementos que nos permitem uma aproximação, ainda que muito preliminar, sobre as preferências desse novo grupo social.

Sob essa perspectiva o que se evidencia é que o mais adequado é denominar o estrato que ascendeu socialmente e economicamente nos últimos anos de nova classe trabalhadora urbana. Do ponto de vista ocupacional, trata-se de vendedores, balconistas, motoristas, motoboys, profissionais de telemarketing, Os diversos tipos de auxiliares que atuam em empresas e comércios, recepcionistas, cabeleireiros, garçons e uma heterogeneidade de trabalhadores qualificados.

Do ponto de vista da educação, seus integrantes na maioria são aqueles que utilizam as escolas públicas ou escolas particulares com mensalidades mais baixas; e, do ponto de vista da saúde, são aqueles que necessitam dos hospitais públicos ou de planos de saúde mais baratos. Esse balanceio instável entre os serviços públicos e as possibilidades privadas mais “em conta” se reproduz em outras esferas: habitação, transporte, segurança, alimentação, cultura, lazer, entretenimento etc.

Por esses motivos, ao contrário da classe média estabelecida que se queixa dos impostos inadvertidamente, a nova classe trabalhadora percebe com contrariedade o aumento de impostos, taxas e tarifas pois sua elevação lhe afeta mais diretamente o poder de compra, mas ela também reconhece a importância e a necessidade dos serviços públicos pois depende deles mais frequentemente. Essa nova classe trabalhadora, em grande medida, trabalha de dez a catorze a catorze horas por dia, tem dois ou mais empregos, trabalha de dia enquanto estuda a noite, e, nas grandes cidades, enfrenta horas de transporte público enquanto se desloca entre a casa e o trabalho.

Também por esses motivos, ao contrário da classe média tradicional, que tudo atribui ao mérito individual, a nova classe trabalhadora percebe sua ascensão como fruto do esforço individual e de privações, mas sabe que precisa contar frequentemente com alguma rede de solidariedade e laços fraternos entre os amigos, os vizinhos e a igreja. Mais do que outros estratos, esse grupo se beneficiou da expansão do crédito ao consumidor e está satisfeito com a possibilidade de adquirir novos bens considerados indispensáveis para o conforto doméstico e para a melhora na qualidade de vida na cidade. Também por esses motivos, ao contrário da classe média estabelecida, esse grupo queixa-se menos das taxas de juros abusivas e está mais disposto a encontrar sua sociabilidade pelos caminhos do consumo, o que não equivale ao consumismo, pois trata-se ainda do consumo de bens duráveis como eletrodomésticos e eletroeletrônicos.

Esse conjunto de ambiguidades leva a crer que a cultura política da nova classe segue sendo uma questão em disputa. Para compreender a relação entre as preferências econômicas e políticas dessa nova classe trabalhadora é fundamental considerar que o aumento do poder de compra possibilitou o acesso a novos canais de formação e informação, mais do que isso: tais canais têm sido ocupados, sobretudo, por um número significativo de jovens, e é a partir desse grupo que se irradiam certas opiniões políticas e eleitorais.

A progressiva ampliação do acesso à educação e à internet tem promovido uma importante mudança em suas exigências e interesses políticos. No atual contexto, o eixo da formação da opinião familiar ou comunitária passa a ter um peso mais decisivo dos jovens. A propósito, a maior parte desses jovens tem níveis de escolaridade mais elevados do que os dos pais, estão conquistando uma melhor inserção profissional e seguem atentos para as mudanças tecnológicas, por isso eles são ouvidos com maior atenção dentro das suas famílias e comunidades, atuando como referências importantes para a formação de opinião, concorrendo com a própria televisão.

Do ponto de vista religioso, o avanço do neopentecostalismo não significa necessariamente uma adesão imediata à chamada teologia da prosperidade, a igreja é mais importante do que a teologia, ou seja: o espaço de convívio e acolhimento acaba cumprindo a função de criação de laços e de prestação de serviços. Essa disposição para a mudança, entretanto, passa por marcos ambivalentes: essas pessoas acreditam na política, mas não crêem em partidos; reconhecem a importância da coletividade, mas almejam crescer individualmente; buscam transformações, mas são pouco afeitos a rupturas; anseiam por novas idéias, mas são também pragmáticos.

Em suma, esse novo caldo cultural exigirá renovações tanto na forma como se realiza a política partidária quanto no conteúdo das políticas públicas que se implementam. A mistura entre valores do individualismo, da ascensão pelo trabalho e do sucesso pelo mérito, com valores mais solidários e coletivistas relacionadas à atuação do Estado, à universalização de direitos, à ampliação da inclusão social, permeiam a visão de mundo e o imaginário dessa nova classe trabalhadora das periferias de São Paulo. Sendo assim, qualquer tipo de explicação dualista: progressistas vs. conservadores, esquerda vs. direita, liberais vs. estatistas incorre numa simplificação grosseira, feita ou por desconhecimento e ingenuidade ou por má fé e oportunismo.

Confira a pesquisa realizada pela Fundação Perseu Abramo clicando aqui.

William Nozaki é cientista político, economista, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, coordenador do mestrado Estado, governo e políticas públicas FPA/FLACSO.
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Posted: 08 Apr 2017 10:30 AM PDT

“...Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças
Entre eles, considero a enorme realidade
O presente é tão grande, não nos afastemos
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas...”
(Carlos Drummond de Andrade)

Companheiros e companheiras petistas de todo o país,

O povo brasileiro começa a perceber os motivos reais do impechament da Presidenta Dilma. O governo golpista de Temer representa os interesses mais escusos da elite mais conservadora, egoísta e retrógrada. O que está ocorrendo é um verdadeiro desmonte das políticas sociais que garantiram a inclusão àqueles e àquelas que foram historicamente privados de direitos no Brasil. A economia está estagnada, o desemprego cresce, há queda de salário, inflação, a crise nos estados aumenta. A saída de Temer para a crise econômica, invariavelmente, pune os mais pobres e protege os ricos, como na Reforma da Previdência.

Nesse último período tive a oportunidade de visitar vários estados, de todas as regiões do nosso país e pude ver que cada dia aumenta a insatisfação popular com o governo Temer e cresce a percepção de que o golpe não foi contra o PT ou contra a Dilma, mas contra o povo trabalhador brasileiro. Vi também a força popular da candidatura de Luís Inácio Lula da Silva. As pessoas tem memória, querem Lula de volta para mudar o Brasil. Lula cresce a cada pesquisa mesmo com todo tempo dedicado pela mídia e pelo judiciário para atacá-lo. Não podemos aceitar a possibilidade de que Lula não seja candidato. Lula tem que ser nosso plano A, B e C, porque impedir sua candidatura é a ruptura de qualquer resquício democrático que ainda exista no país.

Sou candidato à Presidência do PT porque acredito que o nosso partido precisa de firmeza e combatividade para estar à altura dos desafios que estão colocados. Só um partido forte, enraizado e militante é capaz de enfrentar todo o cerco do conservadorismo e eleger Lula Presidente da República.

Acredito que o PT precisa, no seu 6º Congresso, fazer um profundo balanço da sua atuação e autocrítica dos erros cometidos para ser capaz de transformar-se em um instrumento de mobilização popular, de formulação política e de encantamento da juventude.

Minha candidatura representa um desejo coletivo de mudar o partido, de petistas que acreditam ser necessário voltar às bases, aos núcleos de militantes, fortalecer os debates setoriais, democratizar as decisões sobre as finanças do partido, empoderar as mulheres, os negros e os jovens e criar um canal de comunicação criativo e de massas.

Não quero um PT acomodado, burocratizado. Acredito no poder de mobilização e luta do nosso partido. Defendo um PT firme contra o golpe. Quero construir coletivamente um partido de luta, nas ruas e com os movimentos sociais. Um partido que cumpra o papel de disputar consciências e organizar o povo.

Quero ser o Presidente que vai ouvir a militância, como no caso das eleições da Mesa da Câmara e do Senado. O levante dos petistas contra o acordo com golpistas foi pedagógico para a direção partidária, que não pode ser anacrônica com o sentimento da nossa base. Apoiar um golpista no Congresso Nacional seria compactuar com a pauta entreguista que está colocada.

O PT é o maior partido de esquerda do Brasil. Os governos do PT mudaram esse país e é inadmissível que um partido do nosso tamanho permaneça na inércia interna. Quero ajudar a construir um PT que dialogue com a sociedade, que encante mentes e corações, que enfrente o neoliberalismo nas ruas e que seja forte para organizar a luta pelo Fora Temer, por Diretas Já e para derrotar a direita em 2018.

Domingo, dia 09 de abril, é um dia muito importante para o nosso partido: é dia de eleger as Direções Municipais do PT e os delegados e delegadas às etapas estaduais do 6º Congresso do partido. Vamos participar desse processo com o máximo de consciência da importância de uma Direção forte, militante e mobilizadora. Uma Direção que compreenda a vivacidade da luta de classes no nosso país. Uma Direção capaz de construir, junto com Lula, uma candidatura à Presidência da República com nitidez programática, que fale de sonhos, que não tenha medo de enfrentar debates que precisam ser feitos como os da cidadania LGBT, da saúde reprodutiva das mulheres, da necessidade de uma nova política de drogas, da desmilitarização das polícias e da democratização dos meios de comunicação.

É no 6º Congresso Nacional do PT que devemos atualizar o Programa do PT para eleger Lula. Acredito que o modelo econômico seja um dos principais debates que devemos realizar. A política econômica adotada pelo Levy foi um dos nossos mais graves erros, porque puniu justamente aqueles e aquelas para quem devemos governar. O ajuste fiscal gerou recessão e desemprego, corroeu a base de apoio do nosso governo e abriu o flanco para o golpe das elites, que radicalizou a política de austeridade e soterrou os benefícios que haviam melhorado a qualidade de vida do povo mais pobre. 

O Programa da candidatura de Lula, portanto, tem que ser nítido e à esquerda, recuperando a dimensão da luta de classes e apresentando uma plataforma de mudanças que vá além do ciclo de “mudanças sem conflito”. Precisamos enfrentar o neoliberalismo e o sistema financeiro com distribuição de renda, mas isso somente acontecerá com uma política econômica ousada e anticíclica, que eleve a demanda interna para impulsionar o crescimento, retome a política de conteúdo nacional, taxe as grandes fortunas, que tribute lucros e dividendos e que reveja o Sistema da Dívida Pública. Precisamos de um partido forte para defendermos uma agenda de Reformas que não fomos capazes de fazer: Reforma Política, regulamentação da mídia, Reforma do Judiciário, Reforma Agrária e Urbana.

Precisamos construir juntos um partido com formação política qualificada para a nossa militância, aberto para seus filiados e filiadas, transparente com as finanças, popular e de luta! Um partido militante, democrático e socialista!

Convido a todos e a todas para participar desse levante, dessa vontade de incendiar o PT para mudar o Brasil.


Lindbergh Farias é Senador da República e candidato a Presidente Nacional do PT.

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