segunda-feira, 10 de abril de 2017

10/4 - Brasil, novo Congo / Holocausto Invisível

Mensagens de blog - Portal Luis Nassif


Posted: 10 Apr 2017 03:46 AM PDT
Senador Roberto Requião denuncia a intenção de Michel Temer (PMDB) de autorizar e facilitar, por meio de uma Medida Provisória, a venda de terras brasileiras a estrangeiros.

Requião afirma que Temer e o ministro Eliseu Padilha querem transformar o Brasil em um novo Congo; no século XIX, o rei Leopoldo II, da Bélgica, declarou e transformou o país africano em sua propriedade pessoal, sendo o dono do território e perseguindo os negros nativos.

"O que o Padilha, o Temer e essa gente quer fazer com o País? Uma área na mão de estrangeiros, com o Brasil escravizado? O Brasil é dos brasileiros! Vocês não vão estabelecer no País Congos belgas para que estrangeiros num futuro próximo coloquem muros para que os brasileiros não passem", protesta o senador no vídeo. Assista

Quando você mata dez milhões de africanos, você não é chamado de “Hitler”.
Leopoldo II foi Rei da Bélgica de 1865 a 1909, data de sua morte. Ele comandou o Congo de 1885 a 1908, quando cedeu o controle do país ao parlamento belga, após pressões internas e internacionais.
Olhe para essa foto. Você sabe quem é?
A maioria das pessoas não ouviu falar dele.
Mas você deveria. Quando você vê seu rosto ou ouve seu nome, você deveria sentir um enjoo no estômago assim como quando você lê sobre Mussolini ou Hitler, ou vê uma de suas fotos. Sabe, ele matou mais de 10 milhões de pessoas no Congo.
Seu nome é Rei Leopoldo II da Bélgica.
Ele foi “dono” do Congo durante seu reinado como monarca constitucional da Bélgica. Após várias tentativas coloniais frustradas na Ásia e na África, ele se instalou no Congo. Ele o “comprou” e escravizou seu povo, transformando o país inteiro em sua plantação pessoal com escravos. Ele disfarçou suas transacções comerciais como medidas “filantrópicas” e “científicas” sob o nome da Associação Internacional Africana. Ele usou o trabalho escravo para extrair recursos e serviços congoleses. Seu reinado foi mantido através de campos de trabalho, mutilações corporais, torturas, execuções e de seu próprio exército privado.
A maioria de nós não é ensinada sobre ele na escola. Não ouvimos sobre ele na média. Ele não é parte da narrativa de opressão repetida amplamente (que inclui coisas como o Holocausto durante a Segunda Guerra Mundial). Ele é parte da longa história de colonialismo, imperialismo, escravidão e genocídio na África que se chocaria com a construção social da narrativa de supremacia branca em nossas escolas. Isso não se encaixa bem nos currículos escolares em uma sociedade capitalista. Fazer comentários fortemente racistas recebe (geralmente) um olhar de reprovação na sociedade “educada”; mas não falar sobre genocídios na África cometidos por monarcas capitalistas europeus está tudo bem.
Mark Twain escreveu uma sátira sobre Leopoldo chamada “King Leopold’s Soliloquy; A Defense of His Congo Rule” [Solilóquio do Rei Leopoldo; Uma defesa de seu mando no Congo], onde ele ridiculariza a defesa do Rei sobre seu reinado de terror, principalmente através das próprias palavras de Leopoldo. É uma leitura simples de 49 páginas e Mark Twain é um autor popular nas escolas públicas americanas. Mas como acontece com a maioria dos autores politizados, nós geralmente lemos alguns de seus escritos menos políticos ou os lemos sem aprender por que é que o autor os escreveu. A Revolução dos Bichos de Orwell, por exemplo, serve para reforçar a propaganda anti-socialista americana de que sociedades igualitárias estão fadadas a se tornar o seu oposto distópico. Mas Orwell era um revolucionário anti-capitalista de outro tipo – um defensor da democracia operária desde baixo – e isso nunca é lembrado.
Nós podemos ler sobre Huck Finn e Tom Sawyer, mas King Leopold’s Soliloquy não faz parte da lista de leituras. Isso não é por acidente. Listas de leitura são criadas por conselhos de educação para preparar estudantes a seguir ordens e suportar o tédio. Do ponto de vista do Departamento de Educação, os africanos não têm história.

Quando aprendemos sobre a África, aprendemos sobre um Egipto caricatural, sobre a epidemia de HIV (mas nunca suas causas), sobre os efeitos superficiais do tráfico de escravos, e talvez sobre o apartheid sul-africano (cujos efeitos, nos ensinam, há muito estão superados). Nós também vemos muitas fotos de crianças famintas nos comerciais dos Missionários Cristãos, nós vemos safaris em programas de animais, e vemos imagens de desertos em filmes. Mas nós não aprendemos sobre a Grande Guerra Africana ou o reinado de terror de Leopoldo durante do Genocídio Congolês. Tampouco aprendemos sobre o que os Estados Unidos fizeram no Iraque e Afeganistão, matando milhões de pessoas através de bombas, sanções, doença e fome. Números de mortos são importantes. Mas o governo dos Estados Unidos não conta as pessoas afegãs, iraquianas ou congolesas.
Embora o Genocídio Congolês não esteja incluído na página “Genocídios da História” na Wikipédia, ela ainda menciona o Congo. O que é hoje chamado de República Democrática do Congo é listado em referência à Segunda Guerra do Congo (também chamada de Guerra Mundial Africana e Grande Guerra da África), onde ambos os lados do conflito regional caçaram o povo Bambenga – um grupo étnico local – e os escravizaram e canibalizaram.
Canibalismo e escravidão são males terríveis que certamente devem entrar para a história, mas eu não pude deixar de pensar sobre que interesses foram atendidos quando a única menção ao Congo na página era em referência a incidentes regionais, onde uma pequena minoria das pessoas na África estava comendo umas às outras (completamente desprovida das condições que criaram o conflito, e das pessoas e instituições que são responsáveis por essas condições). Histórias que sustentam a narrativa de supremacia branca, sobre a inumanidade das pessoas na África, são permitidas a entrar nos registos históricos. O homem branco que transformou o Congo em sua plantação pessoal, campo de concentração e ministério cristão – matando de 10 a 15 milhões de pessoas congolesas no processo – não entra na selecção.
Sabe, quando você mata dez milhões de africanos, você não é chamado de “Hitler”. Isto é, seu nome não passa a simbolizar a encarnação viva do mal. Seu nome e sua imagem não produzem medo, ódio ou remorso. Não se fala sobre suas vítimas e seu nome não é lembrado.
Leopoldo foi apenas uma das milhares de coisas que ajudaram a construir a supremacia branca, tanto como uma narrativa ideológica quanto como uma realidade material.
Eu não pretendo dizer que ele foi a fonte de todo o mal no Congo. Ele teve generais, soldados rasos e gerentes que fizeram sua vontade e reforçaram suas leis. Ele era a cabeça de um sistema.
Mas isso não nega a necessidade de falar sobre os indivíduos que são simbólicos do sistema. Mas nós nem mesmo chegamos a isso. E como isso não é mencionado, o que o capitalismo fez à África e todo o privilégio que as pessoas brancas ricas receberam do genocídio congolês permanecem escondidos. As vítimas do imperialismo, como costuma acontecer, são invizibilizadas. Fonte
O MAPA DO INFERNO

Posted: 09 Apr 2017 07:00 PM PDT

O Boogie-Woogie, um subgênero do jazz, chegou ao Brasil na década de 1940 e, depois de ser encarado como invasor, fez uma parceria divertida com o samba. Denis Brean, jornalista paulista, foi um craque em misturar os dois ritmos e conseguir bons resultados.

Em Baiana no Harlem, gravada em 1950 por Linda Batista, ele inverteu o jogo. Com humor e muito balanço, mostra o samba invadindo os Estados Unidos. (Fonte: IMS - Instituto Moreira Salles).



Linda Batista e Denis Brean


Linda Batista (1919-1988) foi, depois de Carmen Miranda, uma das primeiras estrelas de grande popularidade no nosso Brasil. Ao fim da chamada Época de Ouro era difícil encontrar quem não ouvisse seus programas de rádio. Recebeu inúmeros títulos com Rainha do Rádio, Estrela do Brasil, Nosso Patrimônio Nacional, Sambista nº 1 da Belacap, entre outros. Foi amiga dos Presidentes Vargas, Juscelino e Jango e, admirada por personalidades internacionais como Sablon, Orson Welles, a estilista Schiaparelli, entre outros.


Denis Brean (1917-1969) foi um grande artista brasileiro que bateu um bolão nas áreas da Composição, do Jornalismo e da Radiofonia, deixando um legado imensurável à Cultura Brasileira.
Suas inúmeras composições são um tesouro que ainda precisam de maior divulgação. O certo é que ele deixou uma enorme contribuição na área da composição/gêneros musicais, a exemplo de: marcha, samba, batucada, choro, baião, toada, jonjo, maxixe, samba canção, mambo, chotis, bolero, catira, valsa e rumba.





Baiana no Harlem” (Denis Brean) # Linda Batista. Disco RCA Victor (80-0646-B) / Matriz (S-092646). Gravação (17/03/1950) / Lançamento (junho/1950).



A contemporaneidade da composição - “Baiana no Harlem” -, de Denis Brean, sobrevive até os dias de hoje. O exemplo é a recente gravação feita pela jovem compositora/violonista Antonio Adnet. Confiram abaixo.


Baiana no Harlem” (Denis Brean) # Antonia Adnet e Pedro Miranda. Selo Biscoito Fino. Arranjos/Direção Musical: Mario e Antonia Adnet, 2015.




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Agradecimentos especiais ao jornalista, escritor e pesquisador Miguel NIREZ Azevedo pela liberação do fonograma: “Baiana no Harlem”.
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Fontes:
- Banco de Dados do Acervo Nirez (AQUI).
- Dicionário Cravo Albin da MPB / Verbetes: Linda Batista (AQUI) e Denis Brean (AQUI).
- Fotomontagem: Laura Macedo.
- IMS - Instituto Moreira Salles - Foto capa Partitura “Baiana no Harlem”.
- Site YouTube / Canal: “Biscoito Fino”.
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