quinta-feira, 13 de abril de 2017

13/4 - Altamiro Borges DE HOJE

Altamiro Borges


Posted: 13 Apr 2017 09:11 AM PDT
Editorial do site Vermelho:

O ataque promovido pelo governo ilegítimo de Michel Temer contra os direitos dos trabalhadores é feito pela articulação de várias iniciativas legislativas, como as reformas trabalhista e previdenciária, e a aprovação da lei que permite a terceirização irrestrita.

São mudanças que atentam contra a dignidade do trabalho e impõem aos trabalhadores a urgência de lutar contra elas, para impedir que deteriorem ainda mais as relações de trabalho no Brasil, levando-as de volta aos tempos anteriores à revolução de 1930 – pior ainda, retrocedendo ao século 19. A reforma trabalhista atende a exigências antigas dos empresários, que nunca aceitaram a legislação que cria barreiras contra a ganância patronal e a superexploração dos trabalhadores.

O Projeto de Lei 6787/16, da reforma trabalhista de Temer, que já era muito ruim, piorou ainda mais com o parecer apresentado nesta quarta-feira (12) pelo relator, o deputado Rogério Marinho (PSDB-RN). Para o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), “o substitutivo se traduz num cardápio de maldades contra os trabalhadores”. Ainda segundo o Diap, “a proposta estabelece que o acordo e/ou convenção se sobreponha aos direitos garantidos em lei e, ainda, que o acordo prevalecerá sobre a negociação coletiva e possibilita o impedimento do acesso à Justiça na forma do acordo extrajudicial irrevogável e arbitragem das relações de trabalho, dentre outras formas, como o termo de quitação anual das obrigações trabalhistas”.

Outras ideias contidas no parecer do parlamentar tucano, em sintonia com Michel Temer, são: a fixação de valores máximos para reparações morais; a possibilidade de as mulheres grávidas ou lactantes trabalharem em ambiente insalubre; acordos individuais que estabeleçam a jornada de trabalho de 12 horas diárias; trabalho intermitente, que permite a contratação por apenas algumas horas por dia ou alguns dias por semana; entre outras.

O parece elimina também a contribuição sindical obrigatória e retira competências dos sindicatos, sufocando financeiramente e debilitando a representatividade das entidades sindicais, o que inviabiliza sua existência.

A reforma trabalhista ameaça também aumentar a rotatividade do trabalho e a previdenciária inviabiliza o acesso dos trabalhadores à aposentadoria. Elas criam um ambiente que favorece a exploração da força de trabalho por empresas brasileiras e estrangeiras que poderão ser atraídas para se beneficiar do agravamento da exploração dos trabalhadores.

Na Câmara dos Deputados, deputados federais se insurgem contra estas tentativas de eliminar direitos duramente conquistados. Para o presidente da Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados, deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), “o relator conseguiu piorar ainda mais o projeto original ao propor alterações em mais de 100 artigos da CLT e tentar enfraquecer os sindicatos, promovendo o maior ataque aos direitos dos trabalhadores de todos os tempos”.

O deputado Assis Melo (PCdoB-RS) denunciou que esta é “a fatura do golpe. Esse golpe foi para retirar direitos e acabar com o dever do Estado. Essa reforma trabalhista junto com a terceirização inviabiliza a Previdência”, alertou. O deputado Daniel Almeida (PCdoB) convocou a mobilização popular contra estas ameaças antidemocráticas. “Precisamos reforçar as mobilizações. No dia 28 de abril, data em que está se chamando a greve geral, é essencial que os trabalhadores vão às ruas para reivindicar seus direitos e impedir o avanço desse acinte”.

Mais do que nunca os trabalhadores precisam fazer sua voz ser ouvida em defesa dos direitos assegurados pela lei e seriamente ameaçados pelo retrocesso que os golpistas querem impor.

Todos à greve no dia 28 de abril!
Posted: 13 Apr 2017 09:03 AM PDT
Por Renata Mielli, no site Mídia Ninja:

Edvaldo Alves, 19 anos, foi ferido por um tiro à queima-roupa durante um protesto no interior de Pernambuco, em 17 de março, contra a violência na cidade de Itambé. A bala de borracha dilacerou a perna de Edvaldo, que não resistiu aos ferimentos e morreu nesta terça-feira, 11 de abril.

A morte de Edvaldo não foi destaque na mídia comercial nacional, nem como nota de rodapé dos jornalões diários ou linha fina na home de seus portais na internet.

O jovem pernambucano não foi vítima de uma bala perdida, nem de um “confronto” com a polícia. Ele não estava mascarado, ele não estava armado, ele não se colocou na linha de tiro. Argumentos que a corporação policial e a mídia usam para justificar as injustificadas ações da polícia militar no Brasil.

As imagens do momento em que o policial atira em Edvaldo estão registradas e não dão qualquer margem para dúvida: Edvaldo foi vítima da repressão aos protestos, ele foi morto por exercer o seu direito à manifestação. Uma morte incômoda demais para virar notícia.

Se a morte de Edvaldo, brasileiro, 19 anos, não coube na mídia brasileira, as mortes de dois venezuelanos ocorridas também nesta terça-feira ganharam manchete: “Mais dois manifestantes morrem durante protesto contra Maduro” (Estadão). Interessante é que ao ler a notícia, não há confirmação de que as mortes estejam, de fato, vinculadas aos protestos. Dois pesos e duas medidas para tratar temas semelhantes que escancaram os interesses da mídia comercial.

A repressão policial a protestos não é um fenômeno recente no Brasil, vide as jornadas de junho de 2013. Mas há um elemento novo na conjuntura política nacional que desencadeou um ambiente de mais permissividade para a ação violenta da polícia: a ausência de um Estado que defenda os direitos humanos, que haja dentro de parâmetros constitucionais de respeito à liberdade de expressão.

A ruptura democrática que o país viveu com o impeachment de Dilma Rousseff abriu as portas para uma avalanche de violações à liberdade de expressão.

O governo instalado no Brasil pós-impeachment tem caráter repressor, autoritário e é conivente com a violência, melhor dizendo, ele é indutor da violência. E deixou isso bastante claro quando indicou para o Ministério da Justiça o ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo, Alexandre de Moraes, famoso pelo uso ostensivo da força, pela postura crítica aos direitos humanos – que várias vezes fez questão de dizer serem um obstáculo para o combate ao crime. Moraes paralisou a política de direitos humanos que era uma marca do Ministério da Justiça e ganhou como prêmio uma promoção para o Supremo Tribunal Federal.

Na política, não há um botão de liga e desliga. Digamos que há um semáforo. Com o golpe, o sinal ficou verde para todo o tipo de intolerância, violência e violações de direitos, praticados com anuência dos meios privados de comunicação.

Por isso, temos que lutar pelo direito do Edu, do Marcelo e tantos outros blogueiros e comunicadores que estão sendo processados e constrangidos a ficarem calados; pelo direito dos professores a terem autonomia pedagógica para discutir qualquer tema na sala de aula; pelo direito dos estudantes ocuparem suas escolas para lutar pela qualidade da educação; dos trabalhadores de fazerem greve porque estão acabando com seus direitos; da população se manifestar em defesa do direito à saúde; dos sem-teto acamparem em protesto pelo fim das políticas para moradia; dos sem-terra de lutar pelo direito à terra.

Lutar pelo direito à liberdade de expressão e denunciar os casos de violação é fundamental.

A morte de Edvaldo não pode ficar impune e nem invisível.

#CalarJamais!

* Renata Mielli é jornalista, coordenadora geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação e secretária geral do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé.
Posted: 13 Apr 2017 08:34 AM PDT
Do site Dilma:

Nota à imprensa:

A propósito das referências ao nome de Dilma Rousseff nas delações firmadas por executivos da Odebrecht, a Assessoria de Imprensa da presidenta eleita esclarece:
1- É fato notório que Dilma Rousseff nunca manteve relação de amizade ou de proximidade com o senhor Marcelo Odebrecht. Muitas vezes os pleitos da empresa não foram atendidos por decisões do governo, em respeito ao interesse público. Essa relação distante, e em certa medida conflituosa, ficou evidenciada em passagens do depoimento prestado pelo senhor Marcelo Odebrecht.
2- É mentira que Dilma Rousseff tivesse conhecimento de quaisquer situações ilegais que pudessem envolver a Odebrecht e seus dirigentes, além dos integrantes do próprio governo ou mesmo daqueles que atuaram na campanha da reeleição. Ele não consegue demonstrar tais insinuações em seu depoimento. E por um simples motivo: isso nunca ocorreu. Ou seja: o senhor Marcelo Odebrecht faltou com a verdade.
3- Também são falsas as acusações de que Dilma Rousseff tenha tomado qualquer decisão para beneficiar diretamente a Odebrecht ou mesmo qualquer outro grupo econômico. Todas as decisões do seu governo foram voltadas ao desenvolvimento do país, buscando o bem estar da população, a partir do programa eleito nas urnas.
4- Após meses de insinuações, suspeitas infundadas e vazamentos seletivos de acusações feitas indevidamente por dirigentes da Odebrecht, finalmente Dilma Rousseff terá acesso a íntegra das declarações. Não conseguirão atingir a sua honra e a sua vida pública, porque tais acusações são mentirosas.

5- A presidenta eleita espera que as investigações transcorram com imparcialidade e transparência, sem acobertamentos políticos ou direcionamentos para favorecer líderes políticos. A verdade dos fatos será demonstrada. Não são insinuações ou mentiras, lançadas por empresários ou executivos de uma construtora, que esconderão ou mesmo distorcerão os fatos. A verdade vai triunfar, apesar dos ataques.

* Assessoria de imprensa de Dilma Rousseff.
Posted: 13 Apr 2017 06:36 AM PDT
Por Rodrigo Martins e Sergio Lirio, na revista CartaCapital:

Identificado como “Santo” nas planilhas de propinas da Odebrecht e até então alvejado indiretamente por trechos de delações vazados à mídia, o governador paulista, Geraldo Alckmin, foi lançado à correnteza da Lava Jato. Em despacho assinado digitalmente em 4 de abril, mas divulgado em edição extra do Diário da Justiça na noite da terça-feira 11, o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, retirou o sigilo das delações contra o tucano, até então o menos desgastado pré-candidato do PSDB à Presidência da República em 2018.

O caso relaciona-se aos depoimentos de três executivos da construtora, Benedicto Barbosa da Silva Júnior, Carlos Armando Guedes Paschoal e Arnaldo Cumplido de Souza e Silva. Eles relataram que Alckmin recebeu mais de 10 milhões de reais do Grupo Odebrecht em caixa dois para as suas campanhas ao governo paulista. Foram 2 milhões em 2010 e 8,3 milhões em 2014, repasses não registrados pelo candidato na Justiça Eleitoral.

“Referidos repasses seriam implementados por meio do Setor de Operações Estruturadas da companhia, mediante o sistema ‘Drousys’. Menciona-se, inclusive, que Adhemar César Ribeiro, cunhado do governador Geraldo Alckmin, receberia pessoalmente parte desses valores e que, ao lado desses pagamentos, houve também doação oficial de 400 mil reais”, registrou Fachin no despacho, que autoriza a retirada do sigilo das delações, além de remeter o caso ao Superior Tribunal de Justiça, foro adequado para julgar governadores.

Alckmin não aparece sozinho nas delações. Alguns de seus principais colaboradores tornaram-se alvos de novos inquéritos. Secretário de Habitação do governo estadual e deputado federal licenciado, Rodrigo Garcia também é acusado de receber doações de campanha “não contabilizadas” do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht. O repasse foi registrado “no sistema ‘Drousys’ com a identificação do beneficiário com o apelido ‘Suíça’”, observou Fachin em seu despacho.

Presidente da companhia de habitação municipal (Cohab) e ex-secretário da Casa Civil de Alckmin, Edson Aparecido também é alvo de um inquérito. O tucano Fernando Capez, ex-presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, teria recebido 100 mil reais pagos em três parcelas da empreiteira.

O PSDB desguarnecido em 2018
Com a inclusão de Alckmin no turbilhão da Lava Jato, o PSDB vê os seus mais proeminentes quadros desgastados para a corrida eleitoral que se avizinha. Além da irrelevante e constrangera passagem pelo Ministério das Relações Exteriores de Michel Temer, o senador José Serra é acusado de receber 23 milhões de dólares no exterior, além de ter negociado outras doações ilegais em troca de favores prestados a empreiteiras responsáveis por obras do governo paulista, entre elas o trecho sul do Rodoanel.

Aécio Neves, principal animador do impeachment de Dilma Rousseff, é o político com maior número de inquéritos autorizados por Fachin, ao lado do peemedebista Romero Jucá (cada um enfrentará cinco investigações). Um dos pedidos de investigação autorizados por Fachin diz respeito às eleições de 2014, quando o senador tucano teria solicitado à Odebrecht ajuda para sua campanha. Em depoimento ao TSE, Marcelo Odebrecht afirmou que o tucano pediu 15 milhões de reais à empreiteira.

Atingido indiretamente pelos vazamentos da Lava Jato até então, Alckmin era o nome mais bem cotado para assumir a candidatura presidencial tucana em 2018. Agora, terá de enfrentar as acusações de repasses milionários da Odebrecht, inclusive com a intermediação de parentes.

O envolvimento em corrupção de tucanos ilustres que até outro dia jogavam pedra na cruz de Dilma Rousseff e dos petistas não passou despercebido pelos eleitores. Não bastasse, o PSDB sofre o desgaste de ser o principal fiador do impopular governo Temer.

Quase um ano após o primeiro passo para o impeachment da presidenta na Câmara dos Deputados, o humor dos brasileiros mudou radicalmente. Em abril de 2016, Lula, apontavam as pesquisas, seria derrotado por qualquer adversário. Agora, o ex-presidente bate todos os concorrentes. Pior: Serra, Aécio e Alckmin despencaram nas preferências do eleitorado e perderiam até para o deputado federal Jair Bolsonaro, o perfil mais bem acabado do que se poderia chamar de extrema-direita no Brasil.

O fenômeno Doria

O desgaste dos mais proeminentes tucanos alimenta as pretensões eleitorais do prefeito de São Paulo. Alckmin foi o principal fiador político de João Doria, mas o criador preocupa-se com a crescente popularidade da criatura, que tem conquistado uma legião de seguidores na internet com sua estratégia de marketing agressivo e calculado antipetismo.

Um levantamento da Fundação Getúlio Vargas e intitulado “Momento Doria” buscou medir a influência do tucano nas redes sociais. Durante duas semanas, pesquisadores da instituição de ensino monitoraram o Facebook e o Twitter de políticos ligados ao espectro da direita. No período, Doria teve mais de 4 milhões de interações nas redes, 13 vezes mais do que aquelas de Alckmin e 50 vezes maiores que as de Aécio.

Doria também ficou à frente de Bolsonaro e do juiz Sergio Moro. Nada mal para um neófito em disputas eleitorais, que completou 100 dias de gestão na última segunda-feira 10. Em resumo, o alcaide paulistano parece ser o populista que os reacionários encontraram para chamar de seu.

Em visita a Seul, capital da Coreia do Sul, Doria afirmou a um jornalista da Folha de S.Paulo que a lista de Fachin desgasta "a classe política de forma geral”, inclusive do próprio PSDB. O prefeito, que não se cansa de repetir que é gestor, e não político, esboçou uma tímida defesa do seu padrinho político. Afirmou que Alckmin é um homem “honesto”, que saberá formular sua defesa. “Tenho absoluta confiança nas suas respostas”.

Embora tenha negado a pretensão de concorrer à Presidência, Doria não perde uma oportunidade de opinar sobre temas de relevância nacional, além de buscar o confronto aberto com Lula. Nos bastidores, fala-se de um acordo com Alckmin para lançar-se candidato a governador em 2018. Resta saber se a lealdade ao padrinho se manterá caso os ventos comecem a soprar em favor do prefeito paulistano, em franca ascensão.

"A discussão sobre a candidatura presidencial de Doria é a pauta dos desesperados”, avalia o cientista político Marcos Coimbra, diretor do instituto Vox Populi. "Se os candidatos treinados e conhecidos do PSDB não estivessem tão desgastados, ninguém falaria dele."

Desesperados ou não, o fato é que os tucanos não conseguem escapar da armadilha. Há quem se pergunte se o “efeito Doria” provocará no PSDB um cataclismo no PSDB semelhante àquele que Donald Trump causou no Partido Republicano, uma guinada definitiva no perfil da legenda.

Treinado em programas de tevê, dono de uma fortuna avaliada em 180 milhões de reais, sócio de uma empresa, o Lide, alicerçada na intermediação de relações entre políticos e empresários, o prefeito paulistano reúne duas características em alta desde a implosão do sistema político pela Lava Jato e as mudanças nas regras eleitorais: capacidade de comunicação e apoio financeiro.

Em 2016, Doria investiu do próprio bolso 2,93 milhões de reais em sua campanha, mais de um terço do total de despesas. Amealhou, ainda, vultosas doações de empresários. Rubens Ometto, presidente do Grupo Cosan, controlador da Comgás, ofereceu 500 mil reais. A mesma quantia foi oferecida por três integrantes da família Salomone, donos da incorporadora imobiliária Savoy, que administra shoppings na capital.

Entre os dez maiores doadores de Doria, oito concentraram suas contribuições exclusivamente nele, e não repassaram recursos a adversários. Desde que assumiu a prefeitura, o empresário deixou clara a sua afinidade com o mercado. Prometeu privatizar o Estádio do Pacaembu, o Centro de Convenções Anhembi e o Autódromo de Interlagos. Em fevereiro, ao viajar para Abu Dabi, nos Emirados Árabes Unidos, apresentou a investidores um pacote de 55 projetos de “desestatização” do município. Na lista, de cemitérios a parques públicos.

Outro lado
Durante a entrega de obras na rodovia Raposo Tavares, na quarta-feira 12, o governador paulista negou as acusações de delatores e disse que prestará todos os esclarecimentos à Justiça. “Houve uma menção e nós vamos prestar todos os esclarecimentos. Todas as nossas campanhas eleitorais foram modestas e rigorosamente dentro da lei", afirmou na ocasião. Na noite anterior, ele já havia se defendido no Jornal Nacional, da TV Globo: "Jamais recebi um centavo ilícito. Da mesma forma, sempre exigi que minhas campanhas fossem feitas dentro da lei".
Posted: 13 Apr 2017 06:29 AM PDT
Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:
Em meio à enxurrada de depoimentos divulgados por Edson Fachin convém prestar atenção aos 32 minutos gravados por Emílio Odebrecht, manda chuva do grupo nos últimos 30 anos, voz influente nas nomeações dos principais dirigentes, interlocutor de presidentes e personagens decisivos da política brasileira nas últimas décadas.

O governador, senador e ministro Antonio Carlos Magalhães, homem forte dos anos finais da ditadura e do governo José Sarney, era o contato de Emílio Odebrecht com a chamada Nova República. Mais tarde, tinha conversas frequentes com Fernando Henrique Cardoso, numa relação que merece várias referências elogiosas nas memórias de FHC. Também foi o interlocutor de Lula, com quem dialogava antes, durante e depois de seus dois mandatos no Planalto.

Com a autoridade de quem partilhou conversas variadas e assumiu funções políticas de alta relevância para os destinos do país, no depoimento Emílio Odebrecht fez questão de ir mais fundo, encarando um ponto central da crise que o país enfrenta - o papel da mídia.

O empresário lembra que a população brasileira está sendo apresentada a fatos sabidos "há 30 anos". Diz que os acertos entre autoridades e grandes empreiteiras não só eram um "negócio institucionalizado", mas vistos como "uma coisa normal" e afirma: "o que me entristece é que a imprensa toda sabia. "

E pergunta: "por que agora estão fazendo isso? Por que não fizeram isso há dez, quinze, trinta anos?" Sem empregar a palavra "hipocrisia", Emílio Odebrecht bate duro: "a imprensa sabia disso e agora fica com essa demagogia".

As relações entre a mídia e o sistema chamado no Ministério Público como "capitalismo de compadrio" estão na essência da ofensiva jurídica-política que colocou o país numa crise histórica, a partir de uma "investigação necessária que se transformou numa operação contra a democracia," conforme sustento no livro A Outra História da Lava Jato. A naturalização de práticas hoje condenadas seria impensável sem o silêncio amistoso de jornais e revistas. O ambiente de intolerância e ruptura institucional, consumado num golpe sem crime de responsabilidade configurado, também seria impossível sem apoio direto dos mesmos jornais e revistas.

Em 2014, a operação ainda estava no início mas foi usada para criar um clima agressivo na reta final da campanha que inflou artificialmente os votos de Aécio Neves nos últimos dias.

No mesmo período, Sérgio Moro foi Homem do Ano pela Isto é, um dos 100 mais influentes da Época, A Personalidade do Ano para O Globo.

Estamos falando de uma situação que ajuda a explicar o silêncio "de 30 anos" de que fala Emílio Odebrecht, quebrado pela primeira vez em 2005, na AP 470, quando Lula e o Partido dos Trabalhadores se tornaram alvos prioritários de uma caçada que se prolonga até hoje.

Como nós sabemos, a matéria prima das denúncias do chamado mensalão, encontrava-se nas agências de publicidade comandadas por Marcos Valério, colocadas no centro das suspeitas em torno de distribuição de recursos clandestinos. Capazes de assegurar um tratamento heroico a Joaquim Barbosa, no mesmo período os grandes meios de comunicação seguiam recebendo a publicidade oficial como sempre, disputando anúncios e campanhas e os marotos "informes publicitários," pagando os célebres "bonus de volume" aos executivos que distribuíam recursos. Jamais foram levados a explicar um ponto fundamental na mecânica da acusação: se a publicidade que vinha das agências do esquema era suspeita, se os gastos de receitas eram forjados para desviar dinheiro, qual o papel do cliente que publicava tudo isso?

Nada. Será mesmo?

Como disse Emílio Odebrecht, estávamos falando de "um negócio institucionalizado", visto como uma "coisa normal."

Tão "normal" como os favores que Antonio Carlos Magalhães gabava-se de prestado a Roberto Marinho, o patrono e fundador do império Globo, a começar pela sabotagem ao esforço de uma bancada de parlamentares progressistas que tentaram democratizar os meios de comunicação na Constituinte.

Ou a atuação de Geraldo Brindeiro, o Procurado Geral da República. Aplicado engavetador de denúncias contra o governo FHC durante oito anos, na reta final da campanha de 2002 Brindeiro levou ao Supremo uma denúncia midiática sobre o caso Celso Daniel, que poderia atingir a campanha de Lula no coração, mas acabou rejeitada por Nelson Jobim como puro "denuncismo."

Em 2014, primeiro ano da Lava Jato, Sérgio Moro foi agraciado com o troféu Homem do Ano pela Istoé, Um dos 100 mais influentes da Época, Personalidade do Ano pelo Globo.

No texto Operação Mani Pulitti, escrito em 2004, e que pode ser lido como uma espécie de roteiro de trabalho da Lava Jato, Moro faz referência a vários autores acadêmicos que se referem ao conceito de "deslegitimação" dos políticos profissionais, como condição para o sucesso de uma operação contra personalidades que são respeitadas pela população. É aí que se refere ao trabalho de jornais e jornalistas.

Moro admite que a punição de determinados agentes públicos é sempre difícil "pela carga de prova exigida para alcançar a condenação em processo criminal." Neste contexto, chega a atribuir a mídia uma função punitiva que deveria ser monopólio da Justiça. Escreve que a postura aliada de jornais e revistas podem servir como um "salutar substitutivo" a punição judicial, pois têm "condições melhores de impor alguma espécie de punição a agentes corruptos, condenando-os ao ostracismo."

Num comentário em que sublinha a importância de se manter boa relações com a mídia, Moro se refere ao papel que os jornalistas podem assumir como instrumento de pressão contra cidadãos mantidos sob o regime de prisão preventiva, que cumpre um papel essencial nas investigações. Fala da importância da "disseminação de informações sobre uma corrente de confissões ocorrendo atrás das portas fechadas dos gabinetes de magistrados."
Posted: 13 Apr 2017 06:24 AM PDT
Por Rute Pina, no jornal Brasil de Fato:

A articulação Rede Mulher e Mídia protocolou, na tarde desta terça-feira (11), uma representação no Ministério Público Federal do Rio de Janeiro (MPF-RJ) contra a Rede Globo de Televisão. O coletivo pede que o órgão investigue a responsabilidade da emissora no caso de agressão de Marcos Harter contra Emilly Araújo, ambos participantes desta edição do programa Big Brother Brasil (BBB).

A Rede Mulher e Mídia reúne dezenas de organizações da sociedade civil, movimentos sociais e centenas de ativistas de todo o país.

Na segunda-feira (10), Marcos foi expulso do programa após uma briga do casal em que Marcos foi verbalmente agressivo com Emilly e a encurralou em um canto da casa, impedindo que ela se movesse. Antes da punição ao médico, a delegada titular da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (DEAM) de Jacarepaguá (RJ), Viviane da Costa, esteve nos estúdios da Globo para pedir as imagens das discussões entre os participantes. A delegacia abriu um inquérito contra Marcos por lesão corporal.

Para as entidades que compõem a rede, no entanto, a punição do candidato não é suficiente. A jornalista Bia Barbosa, do coletivo Intervozes, que integra a articulação da rede, alega que o programa prevê punição apenas em casos de violência física, enquanto a legislação brasileira, com a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/06), amplia as formas de agressão contra a mulher, considerando suas dimensões física, psicológica ou patrimonial.

Segundo Barbosa, a emissora não tomou nenhuma iniciativa para resolver um caso que já se alongava por semanas. "Quem estava acompanhando o programa viu uma escalada significativa das agressões psicológicas que a participante vinha sofrendo", disse. "Apesar de a Globo dizer que alertou o participante em algum momento porque o comportamento dele estava muito agressivo, a emissora permitiu, na verdade, que essas violências continuassem acontecendo por semanas para trazer mais audiência", completou a ativista.

Por volta das 17h, o Brasil de Fato entrou em contato com a assessoria de imprensa da Rede Globo de Televisão por e-mail e telefone para questionar se as regras do programa citam punição para machismo, homofobia e/ou outros casos de discriminação e se a emissora havia alertado o participante sobre seu comportamento antes da intervenção das autoridades policiais. Até a publicação desta reportagem, no entanto, a emissora não havia respondido aos questionamentos.

Antecedentes

Para a psicóloga e coordenadora do Observatório da Mulher, Rachel Moreno, o episódio "simboliza claramente" uma violência psicológica contra a participante Emilly. Moreno pontua, no entanto, que o caso não é isolado.

Em dezembro do ano passado, a Rede Mulher e Mídia acionou o MPF contra Fausto Silva, que apresenta o programa Domingão do Faustão. O apresentador afirmou, ao vivo, que há mulheres que gostam de "homem que dá porrada". "Tem mulher que é doida. 'Ah, vou recuperar [o companheiro]'. Então, vá ser enfermeira", disse Faustão.

"Pedimos o direito de resposta e não conseguimos até agora. Estamos entrando de novo com esse mesmo pedido. A Rede Globo, como uma concessão pública, deveria servir aos interesses da sociedade de modo geral, falar com diversidade e pluralidade", disse a psicóloga.

Em 2012, outro caso dentro do BBB tomou grandes proporções quando uma das participantes foi vítima de estupro presumido enquanto estava embriagada e dormindo. O caso demorou cinco dias para ter uma consequência concreta no programa e o participante Daniel Echaniz ser expulso.

Bia Barbosa pontua que, tanto no episódio de 2012, quanto no caso da expulsão de Marcos nesta segunda-feira, a emissora tomou uma atitude por causa do fortalecimento do movimento de mulheres: "Se não tivesse havido essa forte mobilizações das mulheres, não necessariamente esse participante teria sido expulso do programa", disse.

Para ela, a resposta mais rápida das autoridades policiais e da emissora é um fruto positivo da pressão das mulheres. "Este ano [a pressão] foi muito maior porque, quando a gente segue vendo este tipo de violência sendo legitimada pelos meios de comunicação, o grau de indignação e intolerância cresce na sociedade", disse Barbosa.
Posted: 13 Apr 2017 06:18 AM PDT
Por Fernando Nogueira da Costa, no site Brasil Debate:

Primeira Lei dos Economistas: “para cada um, existe outro igual e contrário”. Segunda Lei dos Economistas: “ambos estão errados”. Essas são leis profissionais, pois estes representam castas de natureza ocupacional que têm conflitos de interesses entre si.

Recentemente, o Estado de Bem-Estar Social estava sendo construído no Brasil pela aliança entre a casta dos trabalhadores organizados e/ou sindicalizados e a subcasta dos sábios desenvolvimentistas. Apesar de vitoriosa em quatro eleições presidenciais seguidas, foi golpeada por uma aliança entre as castas dos mercadores-industriais-financistas, dos aristocratas oligárquicos regionalistas no Poder Legislativo e dos sábios do Poder Judiciário. Estas contaram com o apoio explícito da subcasta dos sábios neoliberais-midiáticos e da casta dos guerreiros-policiais federais.

Daí, em um viés heurístico de auto atribuição de sucesso (e de fracasso aos outros) ou auto validação ilusória, que leva a erros de avaliação, o debate plural no País foi interditado, na imprensa unilateral, pela crítica contumaz e recorrente ao que se apelidou de “Nova Matriz Macroeconômica”. Esta foi a adoção pela diretoria do Banco Central do Brasil, no início do Governo Dilma, de uma “freada para arrumação” com uma macroeconomia prudencial exigente de maior capitalização dos bancos e menor alavancagem financeira. Depois, com a queda de preços das commodities a partir de setembro de 2011, adotou-se uma depreciação gradual da moeda, que conseguiu manter a taxa de inflação abaixo do teto da meta. Foi forjada com a “cruzada da Dilma” contra juros e spreads bancários disparatados. Tentou-se compensar o aumento do custo unitário do trabalho (CUT) e do custo dos insumos importados com desoneração fiscal e redução do preço da energia elétrica.

A “lua de mel” com a Presidenta, quando a função popularidade das medidas econômicas atingiu a política, levou sua aprovação a cerca de 2/3 do eleitorado. Porém, a “revolta dos vinte centavos” lhe custou muito caro. As jornadas de junho de 2013 foram detonadas um mês e meio após o Banco Central voltar a elevar a taxa de juro. Em nome de que?!

A quebra de oferta, condições climáticas atípicas, observadas em janeiro e fevereiro de 2013 – estiagem que se prolongou até o ano seguinte –, impactaram negativamente a produção de grãos e de produtos pecuários. Além disso, a escassez de chuvas contribuiu para que o ONS determinasse o acionamento de grande parte do parque termoelétrico. Tudo isso se refletiu no IPCA e motivou um falso alarmismo econômico pré-eleitoral que impulsionou a sanha da elevação da taxa de juro. Os investidores desprevenidos que foram pegos com títulos de dívida pública prefixados sofreram perda pelo efeito riqueza, isto é, marcação-a-mercado. O ódio político foi reflexo no coração da dor no bolso…

Oportunisticamente, nas “jornadas de junho”, a direita perdeu a vergonha e saiu do armário” em que se tinha metido desde o estertor da ditadura militar. A campanha eleitoral de 2014 começou um ano antes. Apesar disso, Dilma foi reeleita, pois a recuperação da economia pelo crédito anticíclico direcionado pelos bancos públicos levou à queda do desemprego tanto em 2013 quanto em 2014 para cerca de 6,5% da PEA, os níveis mais baixos de toda série temporal. Quanto a este objetivo principal da casta dos trabalhadores, a “Nova Matriz Macroeconômica” obteve sucesso.

Porém, o novo mandato começou com o discurso de ajuste fiscal e a quebra das promessas do programa social-desenvolvimentista vitorioso na campanha eleitoral. Sob pressão da casta dos mercadores-financistas e aplausos da subcasta dos sábios-midiáticos neoliberais, Joaquim Levy representou a volta da “Velha Matriz Neoliberal” derrotada em quatro eleições (2002, 2006, 2010 e 2014): liberou geral.

O choque nos preços administrados (alta de 18%) foi responsável por 38,4% da taxa de inflação de 10,87% em 2015. O repasse cambial representou mais 14,7% dessa taxa. O corte da capitalização dos bancos públicos pelo Tesouro Nacional e de incentivos creditícios e fiscais para investimentos levou à Grande Depressão. A taxa de desemprego mais do que dobrou, atingindo 13,5% da PEA. O PIB per capita caiu em termos reais de R$ 30.300 a preços de 2014 para R$ 25.700 em 2016. Caiu -4,6% em 2015 e -4,4% em 2016.

Com este “estelionato eleitoral”, a função política atingiu a economia. O locaute empresarial nos investimentos preparou o ambiente político propício ao golpe na democracia eleitoral. O vice-presidente golpista nomeou uma equipe econômica liderada pelo ex-presidente do Bank of Boston e pelo ex-economista-chefe do Itaú-Unibanco que implementam o programa governamental dos derrotados em 2014.

Quando a Segunda Lei dos Economistas estabelece que ambos os lados – “iguais e contrários” – estão errados, temos de considerar a economia como um Sistema Complexo. Sendo assim, o estado inicial da trajetória caótica que levou à atual conjuntura econômica não tem a possibilidade de ser completamente definido. Isto porque decisões ex-ante são registradas ex-post, isto é, a partir do “ponto de chegada” presente. A conjuntura econômica é composta de fatos transcorridos em um processo socioeconômico e político ainda em andamento – sem início preciso!

Há dependência de trajetória caótica quando se afasta progressivamente das condições iniciais. Esta imprecisão dos dados iniciais e os eventos políticos e econômicos interdependentes se refletem na qualidade da previsão que somos capazes de fazer sobre o estado futuro desse Sistema Complexo. Fora os aleatórios “cisnes negros”, na história não há eventos independentes. Por isso, não há condições de cálculo de probabilidades a respeito do futuro incerto. Os cenários são diversos e imprecisos.

Na realidade, não se consegue nem se diferenciar com precisão os pesos dos limites estruturais e a influência dos fatores conjunturais. Entre 2004 e 2016, a Agropecuária sofreu uma queda de 7,2% do PIB para 5,5% do PIB; a Indústria Geral queda de 28,6% para 21,2%; e os Serviços obtiveram elevação de 64,7% para 73,3%. A “desindustrialização” – a Indústria de Transformação passou de 17,8% para 11,7% – foi de tal ordem que foi superada pelo Comércio com sua elevação de 7,7% para 12,5% e ameaça até ser superada por Serviços Financeiros: elevação de 6,5% para 8,3%.

Esta Grande Depressão não tem o ônus social repartido igualmente. Nela, se intensifica o conflito distributivo com a queda das participações na renda das castas produtoras e o crescimento das participações na renda das castas dos mercadores-financistas. Como reagirão as castas dos trabalhadores e dos sábios desenvolvimentistas na eleição do próximo ano? Elas se aliarão, novamente, à subcasta dos mercadores-industriais que apoiaram o golpe de Estado? Terão condições de ganhar a eleição isoladamente? E, no caso de vitória, conseguirão governar com maioria no Congresso?
Posted: 13 Apr 2017 06:09 AM PDT
Da Rede Brasil Atual:

Em assembleia organizada na noite de ontem (11) pelo Sindicato dos Metroviários de São Paulo, os trabalhadores aprovaram adesão à greve geral do dia 28, contra a reforma da Previdência, a reforma trabalhista e a lei que libera a terceirização de todas as funções. A paralisação será de 24 horas, como a realizada na paralisação nacional do dia 15 de março. Além deles, o Sindicato dos Motoristas da capital paulista e os aeroviários dos aeroportos de Guarulhos (SP) e Brasília também já indicaram que vão parar os serviços no mesmo dia, mas as categorias ainda farão assembleias para definir a posição e detalhes da mobilização.

Na última segunda-feira (10), representantes de sindicatos e federações de aeroviários e aeroportuários, rodoviários, portuários, metroviários e agentes de trânsito de várias regiões do país, filiados à Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte e Logística (CNTTL/CUT), participaram de uma plenária para debater e organizar a paralisação do dia 28. As categorias vão reunir suas bases e devem definir suas posições até o final da próxima semana.

Paulo João Eustasia, o Paulinho da CUT, presidente da CNTTL, demonstrou otimismo com a mobilização. “Essa greve geral vai marcar a história do nosso país por conta da unificação de todas as centrais. Temos que estancar essa devastação feita pelo governo golpista contra os trabalhadores. Eu nunca vi antes na história do transporte essa unidade e a determinação para fazer essa mobilização”, afirmou.

Para o presidente da CUT, Vagner Freitas, é fundamental unir todas as categorias contra as propostas do governo de Michel Temer, que vão alterar em profundidade as aposentadorias e a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). “Nós precisamos barrar os retrocessos golpistas, pois o que eles estão nos propondo nos coloca antes do século 19. Eles vão desempregar milhões de trabalhadores, vão jogar fora a democracia e fechar todos os sindicatos. Temos que resistir de vermelho, amarelo, azul, de branco, de preto, todas as cores, resistir unificados para proteger a classe trabalhadora”, afirmou Vagner.

Os trabalhadores também estão se preparando para enfrentar o grande número de liminares judiciais esperadas para impedir as greves antes que elas ocorram. No dia 15 de março, tanto metroviários quanto rodoviários da capital paulista enfrentaram medidas semelhantes. “Isso fere o nosso direito de greve, que é constitucional", destacou o dirigente da CNTTL. A entidade pretende denunciar essa prática à Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Hoje, o deputado Rogério Marinho (PSDB-RN) divulgou seu relatório na comissão especial que discute o Projeto de Lei 6.787, de reforma trabalhista.
Posted: 13 Apr 2017 05:59 AM PDT
Por Joaquim de Carvalho, no blog Diário do Centro do Mundo:


Fernando Henrique e Merval Pereira

Logo depois que o ministro Edson Fachin divulgou a lista com os nomes de autoridades que devem ser investigadas por suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro e uso de caixa 2, a tropa de choque do PSDB na GloboNews entrou em ação.

No Jornal das 10, Merval Pereira e Cristiana Lôbo minimizaram as suspeitas contra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, levantadas a partir do depoimento do Emílio Odebrecht, no acordo de colaboração do Grupo Odebrecht com a Justiça.

“Era um outro tempo, ainda sem doação de campanha de empresa e não tinha a prestação de contas como é hoje”, disse Cristiana Lôbo.

Merval ecoou: “A legislação era outra”.

Cristiana continuou: “E não tinha essa prestação de contas online, como se tem agora.”

Merval acrescentou: “Houve na ocasião denúncias de dinheiro, caixa 2 na campanha e tal, que foi debatida naquele momento e foi superado. Não houve nenhuma denúncia e nenhuma abertura de inquérito nem nada”.

Merval e Cristiana já eram jornalistas experientes quando a doação eleitoral de empresas foi admitida pela legislação, em 1993, depois do escândalo PC/Collor.

Era uma reação exigida pela opinião pública depois que as investigações sobre a corrupção no governo Collor revelaram o uso intensivo de caixa 2 das empresas para financiar campanhas eleitorais.

Se viveram aquele tempo, como jornalistas, por que Merval e Cristiana Lôbo usaram a televisão para divulgar uma falsidade, ou seja, de que não havia doação de empresas na época?

O interesse de blindar Fernando Henrique Cardoso tem uma explicação.

Fernando Henrique teve com a Globo uma relação que chegou aos segredos de alcova, quando a empresa manteve na Europa, recebendo sem trabalhar, a jornalista Miriam Dutra, que tem um filho que ela dizia ser do então presidente.

No governo de Fernando Henrique, a Globo recebeu financiamentos do BNDES e venceu, juntamente com empresas aliadas, leiloes de concessão de serviços públicos de telefonia.

O fato é que a proximidade do presidente Fernando Henrique Cardoso com o Grupo Odebrecht era conhecida até de empresas estrangeiras.

Em novembro de 1996, diretores do Grupo De Beers, da África do Sul, controlado pela Anglo American, estiveram com Fernando Henrique Cardoso na Cidade do Cabo, África do Sul, para manifestar o desejo de um contato mais sólido com a Odebrecht, certamente com o objetivo de negócios comuns no continente africano.

Essa proximidade entre Fernando Henrique e a Odebrecht por pouco não se transformou num grande escândalo.

Sob o comando de Emílio, o Grupo Odebrecht, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, entrou no ramo petroquímico através de uma subsidiária, a OPP, que mais tarde se chamaria Brasken.

Era 1995, o mesmo ano em que uma emenda constitucional acabou com o monopólio da Petrobras.

Em 1997, o senador Antônio Carlos Magalhães, então presidente do Senado, dizia reservadamente a alguns jornalistas que Fernando Henrique Cardoso estava pressionando o ministro das Minas e Energia, seu afilhado político, a assinar um contrato que beneficiava a Odebrecht.

Era um acordo operacional com as refinarias da Petrobras que daria à Odebrecht, que havia adquirido o controle da maior parte das refinarias recém-privatizadas, o monopólio virtual da indústria petroquímica no Brasil.

A expansão da Odebrecht no ramo petroquímico incomodou os concorrentes, como Carlos Eugênio Gouvêa Vieira, na época controlador do Grupo Ipiranga, e a empreiteira OAS, da qual o senador Antônio Carlos Magalhães era muito próximo.

Na ocasião, a partir das informações de ACM, a revista Veja - onde eu trabalhava como subeditor de Brasil, que cobria política –, publicou uma nota em que destacou a amizade de Fernando Henrique com Emílio Odebrecht e a suspeita de que o presidente pressionou para favorecer a Odebrecht.

Nos seus “Diários da Presidência”, Fernando Henrique registra seus encontros com Emílio Odebrecht, a quem elogia: “Emílio tem sido sempre correto, e há tantos anos”.

“Falei longamente com Emílio Odebrecht sobre a Petrobras. Ele conhece bem. Ele trabalha na petroquímica e tem certa visão do Brasil, não é simplesmente um ganhador de dinheiro”, afirma Fernando Henrique, a respeito de um encontro em março de 1997.

Os encontros continuam, mas o tom elogioso desaparece a partir de setembro de 1997, quando saiu a nota na revista Veja.

No livro, Fernando Henrique trata do episódio, registra que sabe que ACM foi a fonte da revista e admite que Emílio Odebrecht sempre ajudou financeiramente nas suas campanhas, “desde quando eu não tinha o prestígio que tenho hoje; é verdade, ele contribuiu, como todos”.

No depoimento que prestou ao juiz Sérgio Moro, Emílio Odebrecht diz que contribuições por fora sempre foi “o modelo reinante” e “para todos os partidos”.

O juiz pergunta se ele havia conversado com o ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci sobre doações para o Partido dos Trabalhadores.

Emílio diz que não, mas sabia que houve, já que a prática era contemplar a todos.

O juiz reformula a pergunta: quer saber se alguém da empresa lhe relatara se Palocci era um dos beneficiários dos recursos não contabilizados.

“Não, mas com certeza me trouxeram em vários momentos que todos os partidos tiveram”.

Moro encerra o depoimento, sem obter a resposta que insistentemente buscava: que ele entregasse Palocci e o PT.

Como se vê no depoimento de Emílio Odebrecht, a corrupção na empresa — ou prática de doar “recurso não contabilizado” — não nasceu com o governo do PT.

O governo de Fernando Henrique já recebia (e certamente os outros antes dele também).

Mas, para jornalistas como Cristiana Lôbo e Merval Pereira, isso não é notícia.

Posted: 13 Apr 2017 05:51 AM PDT
Por Bajonas Teixeira, no blog Cafezinho:

A primeira coisa que chama atenção na denúncia de Marcelo Odebrecht é que já começa com duas versões, as duas contadas pelo mesmo Marcelo: primeiro diz que destinou a Lula 35 milhões mas, logo depois, sobe esse valor para 40 milhões. E faz isso sem explicação nenhuma. A hipótese mais provável é que essa falta de explicação tenha uma boa explicação: agradar à Lava Jato e angariar os benefícios de uma delação premiada.

Em toda essa denúncia não há sequer uma prova, não há o mínimo indício, não existem comprovantes, nenhuma gravação, nenhum cheque, nenhum local em que os encontros tivessem ocorrido, nada enfim que pudesse gerar a menor expectativa de comprovação.

Vejamos o que ele diz. Primeiro, afirma que o valor destinado a Lula seria de 35 milhões:

“A gente sabia que ia ter demandas de Lula, a questão do instituto, para outras coisas. Então vamos pegar e provisionar uma parte desse saldo, aí botamos R$ 35 milhões no saldo ‘amigo’, que é Lula, para uso que fosse orientação de Lula“.

No entanto, logo a seguir, como se fosse vítima de amnésia, ou fosse um péssimo ator que esqueceu o script e se vê obrigado a improvisar, diz que o valor foi de 40 milhões:

“A gente botou 40 milhões que viriam para atender demandas que viessem de Lula. Eu sei disso… É, veja bem, o Lula nunca me pediu diretamente, essa informação eu combinei via Palocci. Óbvio que ao longo de alguns usos, ficou claro que era pro Lula porque ele teve usos que ficou evidente para mim que era uso.”

É engraçado, não? Um juiz com um detector de mentiras implantado no cérebro, ou com uma sensibilidade medianamente apurada para a mentira, teria parado o depoimento aí e perguntado meio enfezado: “Afinal, o senhor deu 35 ou 40 milhões para o ex-presidente Lula?”. Claro que teria feito isso, justamente porque se trata de uma informação vital. Mas Moro, para o espanto de quem analisa a situação, nada disse, como se não estivesse percebendo o despropósito.

Mas o pior está por vir.

O ridículo ‘saldo’ Amigo

Diz Marcelo Odebrecht que o combinado foi destinar um fundo exclusivo para as desmandas de Lula, para “a questão do instituto, para outras coisas”. Primeiro, não se vê bem o motivo para constituir um “fundo” apenas para supostas despesas de Lula. E, menos ainda, quando se está no momento da sua saída do poder, 2010, já que Dilma assumiria em 01 de janeiro de 2011. Se fosse para constituir tal “provisão”, por que não fizeram antes, quando Lula estava no auge da sua glória e poder? Porque deixaram o suborno para depois de sua saída do poder? Esquisito, não?

A lógica do mundo político sempre foi “rei morto, rei posto”. Saindo Lula do Planalto, que nem podia voltar após dois mandatos e pela idade, qualquer interesse seria imediatamente transferido para Dilma. E ponto final.

O mais curioso é que, depois de ter dito que constituiu uma provisão financeira, um fundo, exclusivo para Lula – e sem que Lula precisasse pedir, já que tudo teria sido combinado com Palocci –, Marcelo Odebrecht diz uma pérola: só depois, através de alguns usos é que “ficou claro”, “que ficou evidente para mim”, que era mesmo para Lula.

Mas como?? Como pode ter dito que combinou com Palocci criar um fundo para atender às demandas de dinheiro de Lula se, em seguida, diz que só depois foi que se convenceu, por “certos usos”, que o dinheiro era pra Lula?? Não faz sentido, é absurdo.

O que há de mais cômico, porém, é que ele conclui sua denúncia com essa baboseira digna de um débil mental:

“As duas únicas comprovações que eu teria de que Lula, de certo modo, tinha conhecimento dessa provisão foi quando veio o pedido para a compra do terreno do instituto IL [Instituto Lula]”.

Isso é uma aberração intelectual: ele começa dizendo que a Odebrecht decidiu criar um fundo para Lula, sem que Lula tenha pedido, para despesas como o Instituto, e, depois, vem nos dizer que foi através de despesas do instituto (compra do terreno) que concluiu que o fundo era para Lula. É pura idiotice.

Como dizia Sócrates aquele que, a cada vez, apresenta versões diferentes sobre as mesmas coisas é um mentiroso. E, não há dúvida possível, Marcelo Odebrecht está contando mentiras grosseiras e ridículas. Mas que farão sucesso, porque são justamente as mentiras que a Lava Jato queria ouvir. E quer ouvir porque Sérgio Moro tem pressa em sentenciar Lula e, se possível, prendê-lo.
Posted: 13 Apr 2017 05:41 AM PDT
Por Cynara Menezes, no blog Socialista Morena:

Não suporto Rachel Sheherazade. Ideologicamente, estamos em campos opostos. Para mim, ela é uma das mais legítimas representantes da direita que mais desprezo: a que vocifera, baba de raiva, principalmente contra minorias, contra feministas e a esquerda em geral. Mas não posso me calar diante do que o apresentador Silvio Santos fez com ela no domingo, diante de milhões de espectadores do seu Troféu Imprensa. Mexeu com uma, mexeu com todas, mesmo. Não só com quem a gente gosta.

O apresentador, que à medida que fica mais velho tem assumido livremente seus preconceitos, como se a idade fosse lhe conceder salvo-conduto, humilhou Rachel para o Brasil inteiro ver. O “patrão”, como muita gente o trata no SBT, ordenou que ela não volte a fazer comentários políticos em sua emissora. “Mas quando você me chamou foi para dar a minha opinião”, disse uma constrangida Rachel, ao que o patrão retrucou com a mais machista das frases: “Não, eu te chamei para você continuar com sua beleza, com sua voz, para ler as notícias, e não dar sua opinião”.O apresentador ainda falou do noivo de Sheherazade: “Ele deixa você trabalhar na televisão? Você merece (o prêmio), e merece ficar quietinha. É melhor pensar no seu novo casamento”.

Não satisfeito, e aproveitando-se do fato de estar acima dela em termos hierárquicos, Silvio apelou para o assédio moral descarado: “Se quiser falar sobre política, compre uma estação de TV e faça por sua própria conta”. Ou seja, claramente ameaçou a moça de colocá-la no olho da rua se não se comportar como ele manda. Rachel, com medo de perder o emprego (o que também é compreensível, todo mundo tem filhos para sustentar), baixou a cabeça. Já a “bronca” no também boquirroto e reacionário Danilo Gentili foi muito mais suave: “Você não deve falar sobre política porque me complica”.

A imprensa comercial noticiou o caso brandamente, como se fosse apenas mais um acontecimento pitoresco na lista de anedotas do lendário apresentador: “Rachel leva bronca de Silvio”, “Silvio enquadra Rachel”, “Sheherazade leva chamada de Silvio”. Não foi. Pode ser que nem a jornalista tenha se dado conta, mas foi vítima do machismo de um apresentador que tem protagonizado cenas lamentáveis nos últimos tempos, como agarrar por trás mulheres da plateia de seu programa, fazer piada com o cabelo de uma criança negra ou chamar o filho do cantor Leonardo de “bichinha”. Quer dizer: ele pode, os empregados, não. E todo mundo passa a mão na cabeça de Silvio Santos por ser quem é, o apresentador-mito.

Rachel estava coberta de razão ao dizer que foi contratada para opinar. Em 2011, ela foi “descoberta” por Silvio Santos quando, numa afiliada da emissora na Paraíba, um vídeo seu criticando o carnaval bombou no youtube, com mais de um milhão de acessos. O próprio apresentador contou a Sheherazade que estava em Los Angeles quando viu o vídeo e imediatamente pediu para que ela fosse contratada. Em suma: Rachel foi mesmo contratada para dar opiniões como aquela, e estreou no SBT como âncora E comentarista.

Seus problemas começaram quando, em 2014, aplaudiu um grupo de justiceiros no Rio que tinham acorrentado um menor infrator a um poste. A rejeição à opinião de Rachel foi enorme, ao ponto de ela fazer um segundo comentário “esclarecendo” seu ponto de vista. O patrão, que sempre foi amigo dos governos, qualquer um, mostrou que não tinha a coragem para bancar o verbo da jornalista que aparentou ao contratá-la. Arregou. Desde então, Sheherazade virou uma leitora de notícias. Silvio a amordaçou. No Troféu Imprensa, o apresentador foi além e colocou-a “no seu devido lugar”: a moça paraibana cheia de opiniões foi reduzida por ele a apenas “uma moça bonita”.

Me parece absurdamente contraditório que gente de esquerda aplauda o que aconteceu ali por representar um “revide” pelos tantos ataques que sofremos dela. Está errado. Uma pessoa de esquerda nunca pode aplaudir que uma mulher seja “colocada em seu lugar” e julgada pelas aparências, nenhuma mulher. Uma pessoa de esquerda nunca pode aplaudir que uma trabalhadora seja alvo de assédio moral do patrão, nenhuma trabalhadora. Mesmo que Rachel Sheherazade não a queira, tem aqui a minha solidariedade.
Posted: 13 Apr 2017 05:33 AM PDT
Por Antonio Martins, no site Outras Palavras:

Há um elefante sob o tapete da política institucional brasileira, desde ontem. Ao reconhecer que há sinais de verdade nas delações dos executivos da Odebrecht e pedir investigação sobre os expoentes máximos dos principais partidos do país, o ministro Edson Fachin, do STF, criou um fato político extraordinário. Se interpretado corretamente e se – mais importante – houver coragem para tirar dele todas as suas dolorosas consequências, ele poderá reverter a maré de retrocessos que varre o país. Porque seus três sentidos principais são claros.

Primeiro. Enfraqueceu-se dramaticamente, porque tornou-se inverossímil, o discurso que associava corrupção a esquerda. Este discurso marca o cenário político e o debate de ideias no Brasil há doze anos, desde o “Mensalão”. Levou ao golpe parlamentar de 2016. E manteve eficácia depois. No governo Temer, cada ataque aos direitos sociais, cada nova concessão às elites, é justificado como uma suposta correção de rumos, como um ato para por fim à “lambança” que a mídia associa – até agora com sucesso – aos governos Lula e Dilma.

A lista de Fachin desmonta esta história da carochinha, esta conversa para brasileiro dormir. Ela escancara que a corrupção está no DNA do sistema político. As eleições são caríssimas. Ninguém se elege sem dinheiro das maiores empresas. Todas elas exigem, como contrapartida, que os governantes executem seus projetos; que os senadores, deputados e vereadores votem leis que as favorecem. A representação popular está sequestrada. Na lista de Fachin estão todos os ministros importantes de Temer; todos os tucanos emplumados – Aécio, Serra, Alckmin; todos os ministros importantes do governo Temer; todos os cardeais do Congresso que comandam a aprovação das leis antissociais. O álibi acabou, o discurso esvaziou-se, o rei está nu. Nenhum desses retrocessos poderá ser adotado a pretexto de “limpar” o país. Faz enorme diferença.

O segundo sentido da lista de Fachin é ainda mais crucial – porém, doloroso também para a esquerda histórica. Ao chegar aos governos, ela foi capturada pelas lógicas de conluio entre o poder econômico e o politico. Lula e Dilma não tocaram nos direitos dos humildes – nem nos privilégios da Casa Grande. Nos seus governos, as empreiteiras, os bancos, as grandes empresas multinacionais e as “campeãs nacionais” continuaram dando as cartas.

Águas passadas não movem moinhos. Mas haverá disposição de agir diferente, no futuro? Lula é candidatíssimo em 2018. Chico Alencar também. Mas o que o PT, o PSOL ou o PCdoB, por exemplo, têm a dizer sobre a Reforma Política? Se chegarem ao governo, continuarão reféns de um Congresso eleito com dinheiro do poder econômico e subordinado aos seus lobbies?

O terceiro sentido da lista da Odebrecht pode ser encarado como uma provocação que não é dirigida nem ao sistema representativo, nem à esquerda histórica – mas aos movimentos e às pessoas que querem Outra Política. Não é o momento de assumirmos a responsabilidade de fazer, nós mesmos, aquilo que cobramos — em vão — dos que sabemos que não nos representam? Intuímos, com muito realismo, que a Reforma Política não virá dos partidos. Mas é cômodo criticá-los.

Se a falsidade do sistema politico está exposta; e se já sabemos que a esquerda deste sistema acomodou-se a ele, por que não assumir o protagonismo? Uma Reforma Política profunda pode ser, também, popular. Pode começar, por exemplo, com uma proposta muito concreta: submeter a referendo revogatório, todas as principais medidas adotadas no governo Temer. A terceirização. A entrega do Pré-Sal. O congelamento dos gastos sociais. Os obstáculos à demarcação de terras indígenas e dos povos originários. A contra-reforma da Previdência, caso o Congresso ouse aprová-la.

Uma Reforma Política autêntica não deve ser feita para aperfeiçoar o sistema de representação – mas para questioná-lo, colocá-lo em xeque e, em especial, criar mecanismos de democracia direta e participativa. Ela pode incluir, por exemplo, facilitar os plebiscitos e referendos sobre temas cruciais; permitir candidaturas autônomas, independentes de partidos, a todos os postos eletivos; limitar os salários dos representantes; eliminar privilégios como o custeio da educação e saúde privadas; instituir o Orçamento Participativo, inclusive por meios eletrônicos, em todos os níveis de governo; submeter os mandatos a consultas revogatórias; prever mecanismos para que os próprios cidadãos intervenham na redação de leis complexas, que exigem saberes específicos.

Subitamente, o caráter corrupto e primitivo do sistema político brasileiro está exposto. Tudo indica, também, que a disposição de reformá-lo não partirá de seu interior. A questão é: nós, que sabemos de seus limites e misérias, estamos dispostos lutar pela transformação? Ou transferiremos, nós também, esta responsabilidade?
Posted: 13 Apr 2017 05:04 AM PDT
Posted: 12 Apr 2017 04:52 PM PDT
Posted: 12 Apr 2017 05:43 PM PDT
Por Luis Nassif, no Jornal GGN:

Peça 1 – o vazamento da lista da Janot

A divulgação da lista de inquéritos autorizados pelo Ministro Luiz Fachin não significa que, enfim, a Lava Jato resolveu tratar as investigações com isonomia, que o pau que dá em Chico dá em Francisco.

O Procurador Geral da República (PGR) Rodrigo Janot continua dono absoluto do calendário. Através do controle do ritmo das investigações, ele decide monocraticamente quem vai e quem não vai ser condenado.

Durante três anos, toda a carga foi em cima do PT e, especialmente, de Lula. Em três anos de investigações, há cinco ações em andamento contra Lula, uma perseguição impiedosa que culminou com o vazamento, ontem, da suposta delação de Marcelo Odebrecht, sob as barbas do juiz Sérgio Moro e ele alegando a impossibilidade de identificar o vazador. Some-se a informação do procurador Deltan Dallagnol de que o único vazamento efetivo de informações foi para o blogueiro Eduardo Guimarães. O que significa que todas os demais vazamentos ocorreram sob controle estrito da Lava Jato.
Os 83 inquéritos misturam de tudo, de problemas formais de prestação de contas a suspeitas de manipulação de licitações. Independentemente da maior ou menor gravidade das acusações, todos passam à condição de suspeitos e/ou corruptos. Trata-se de uma tática tranquila, que criminaliza as pequenas infrações e dilui as grandes acusações.

Peça 2 – as circunstâncias em jogo

A caçada a Lula tem três pontos frágeis:

1. Até agora, ausência de uma prova palpável sequer contra ele.

2. A perseguição implacável contra Lula.

3. A seletividade das investigações, não investindo contra nenhum aliado do sistema.

Com a divulgação dos inquéritos, há duas intenções óbvias:

1. O sistema (não a Lava Jato) responde à acusação de seletividade, às vésperas do julgamento do alvo preferencial, Lula.

2. Ao mesmo tempo, mantém o governo Michel Temer refém.

A suposição de que a lista irá paralisar o mundo político provavelmente não será confirmada. Nas próximas semanas se verá uma aceleração dos trabalhos legislativos, visando aprovar o maior número de medidas antissociais, para garantir o pescoço.

Peça 3 – as consequências da lista

Com a lista de Janot, tenta-se resgatar a credibilidade perdida do sistema judicial, com a parcialidade e a seletividade gritantes da Lava Jato.

Levaram três anos para iniciar uma investigação contra Aécio, que era mencionado na primeira delação de Alberto Yousseff. Até hoje não iniciaram as investigações contra José Serra, apesar de um relatório sobre Paulo Preto estar na PGR desde março de 2015.

Com o estardalhaço de 83 inquéritos, passado o carnaval inicial, a PGR permanecerá dona do tempo. Acertará contas com Renan Calheiros e Fernando Collor, adiará indefinidamente os inquéritos contra seus aliados e terá às mãos a metralhadora, para apontar contra quem ousar enfrentar seus supremos poderes.

Os objetivos são óbvios:

1. Tentativa de inabilitar de Lula para 2018, agora sob o manto da isenção.

2. Vida tranquila para José Serra e Aécio Neves, que terão morte política natural, desde que deixaram a condição de grandes campeões brancos contra a ameaça Lula.

3. Congresso sob a mira dos inquéritos, deixando de lado qualquer veleidade de coibir abusos do MPF.
Posted: 12 Apr 2017 05:41 PM PDT
Luiz Carlos Bresser-Pereira
Enviado por Eleonora de Lucena

Liderados pelo ex-ministro Luiz Carlos Bresser-Pereira, economistas, professores, físicos, engenheiros, sociólogos, músicos, arquitetos, cineastas, escritores, intelectuais, políticos, advogados estão lançando o Manifesto do Projeto Brasil Nação.

O texto afirma que o Brasil passa por um desmonte, com o esquartejamento da Petrobrás, a destruição da indústria, a demolição de direitos sociais. Esse processo levará o país “à dependência colonial e ao empobrecimento dos cidadãos, minando qualquer projeto de desenvolvimento. Privatizar e desnacionalizar monopólios serve apenas para aumentar os ganhos de rentistas nacionais e estrangeiros e endividar o país”.

De acordo com o documento, “o governo reacionário e carente de legitimidade não tem um projeto para o Brasil. Nem pode tê-lo, porque a ideia de construção nacional é inexistente no liberalismo econômico e na financeirização planetária. Cabe a nós repensarmos o Brasil para projetar o seu futuro – hoje bloqueado, fadado à extinção do empresariado privado industrial e à miséria dos cidadãos”.

Para o grupo, o crescimento do país, com inclusão e independência, exige a definição de um projeto nacional, “baseado nas nossas necessidades, potencialidades e no que queremos ser no futuro”.

O manifesto apresenta cinco pontos econômicos, instrumentos “que mostram que há uma alternativa viável e responsável para o Brasil”.

Em poucos dias, o texto já obteve mais de 150 adesões. Entre elas, estão:

- Luiz Carlos Bresser-Pereira, economista

- Eleonora de Lucena, jornalista

- Celso Amorim, embaixador

- Raduan Nassar, escritor

- Chico Buarque de Hollanda

- Mario Bernardini, engenheiro

- Roberto Schwarz, crítico literário

- Pedro Celestino, engenheiro

- Fábio Konder Comparato, jurista

- Kleber Mendonça Filho, cineasta

- Laerte, cartunista

- João Pedro Stedile, ativista social

- Wagner Moura, ator e cineasta

- Vagner Freitas, sindicalista

- Margaria Genevois, ativista de direitos humanos

- Rogério Cezar de Cerqueira Leite, físico

- Fernando Haddad, professor universitário

- Marcelo Rubens Paiva, escritor

- Maria Victoria Benevides, socióloga

- Luiz Costa Lima, crítico literário

- Paul Singer, economista

- Ciro Gomes, político

- Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo, economista

- Alfredo Bosi, crítico e historiador

- Eclea Bosi, psicóloga

- Manuela Carneiro da Cunha, antropóloga

- Fernando Morais, jornalista

- Leda Paulani, economista

- André Singer, cientista político

- Mino Carta, jornalista

- Luiz Carlos Barreto, cineasta

- Paulo Sérgio Pinheiro, sociólogo

- Maria Rita Kehl, psicanalista

- Paulo Henrique Amorim, jornalista

- Tata Amaral, cineasta

- Eric Nepomuceno, jornalista

- Carina Vitral, estudante

- Luiz Felipe de Alencastro, historiador

- Altamiro Borges, jornalista

- Roberto Saturnino Braga, engenheiro e político

- Roberto Amaral, cientista político

- Eugenio Aragão, subprocurador geral da República

- Ermínia Maricato, arquiteta

- Marcia Tiburi, filósofa

- Frei Betto, escritor e religioso

*****

Leia a íntegra do documento:

Manifesto do Projeto Brasil Nação 

O Brasil vive uma crise sem precedentes. O desemprego atinge níveis assustadores. Endividadas, empresas cortam investimentos e vagas. A indústria definha, esmagada pelos juros reais mais altos do mundo e pelo câmbio sobreapreciado. Patrimônios construídos ao longo de décadas são desnacionalizados. 

Mudanças nas regras de conteúdo local atingem a produção nacional. A indústria naval, que havia renascido, decai. Na infraestrutura e na construção civil, o quadro é de recuo. Ciência, cultura, educação e tecnologia sofrem cortes. 

Programas e direitos sociais estão ameaçados. Na saúde e na Previdência, os mais pobres, os mais velhos, os mais vulneráveis são alvo de abandono. 

A desigualdade volta a aumentar, após um período de ascensão dos mais pobres. A sociedade se divide e se radicaliza, abrindo espaço para o ódio e o preconceito. 

No conjunto, são as ideias de nação e da solidariedade nacional que estão em jogo. Todo esse retrocesso tem apoio de uma coalizão de classes financeiro-rentista que estimula o país a incorrer em deficits em conta corrente, facilitando assim, de um lado, a apreciação cambial de longo prazo e a perda de competitividade de nossas empresas, e, de outro, a ocupação de nosso mercado interno pelas multinacionais, os financiamentos externos e o comércio desigual. 

Esse ataque foi desfechado num momento em que o Brasil se projetava como nação, se unindo a países fora da órbita exclusiva de Washington. Buscava alianças com países em desenvolvimento e com seus vizinhos do continente, realizando uma política externa de autonomia e cooperação. O país construía projetos com autonomia no campo do petróleo, da defesa, das relações internacionais, realizava políticas de ascensão social, reduzia desigualdades, em que pesem os efeitos danosos da manutenção dos juros altos e do câmbio apreciado. 

Para o governo, a causa da grande recessão atual é a irresponsabilidade fiscal; para nós, o que ocorre é uma armadilha de juros altos e de câmbio apreciado que inviabiliza o investimento privado. A política macroeconômica que o governo impõe à nação apenas agravou a recessão. Quanto aos juros altíssimos, alega que são “naturais”, decorrendo dos déficits fiscais, quando, na verdade, permaneceram muito altos mesmo no período em que o país atingiu suas metas de superávit primário (1999-2012).

Buscando reduzir o Estado a qualquer custo, o governo corta gastos e investimentos públicos, esvazia o BNDES, esquarteja a Petrobrás, desnacionaliza serviços públicos, oferece grandes obras públicas apenas a empresas estrangeiras, abandona a política de conteúdo nacional, enfraquece a indústria nacional e os programas de defesa do país, e liberaliza a venda de terras a estrangeiros, inclusive em áreas sensíveis ao interesse nacional. 

Privatizar e desnacionalizar monopólios serve apenas para aumentar os ganhos de rentistas nacionais e estrangeiros e endividar o país. 

O governo antinacional e antipopular conta com o fim da recessão para se declarar vitorioso. A recuperação econômica virá em algum momento, mas não significará a retomada do desenvolvimento, com ascensão das famílias e avanço das empresas. Ao contrário, o desmonte do país só levará à dependência colonial e ao empobrecimento dos cidadãos, minando qualquer projeto de desenvolvimento. 

Para voltar a crescer de forma consistente, com inclusão e independência, temos que nos unir, reconstruir nossa nação e definir um projeto nacional. Um projeto que esteja baseado nas nossas necessidades, potencialidades e no que queremos ser no futuro. Um projeto que seja fruto de um amplo debate. 

É isto que propomos neste manifesto: o resgate do Brasil, a construção nacional. 

Temos todas as condições para isso. Temos milhões de cidadãos criativos, que compõem uma sociedade rica e diversificada. Temos música, poesia, ciência, cinema, literatura, arte, esporte – vitais para a construção de nossa identidade. Temos riquezas naturais, um parque produtivo amplo e sofisticado, dimensão continental, a maior biodiversidade do mundo. Temos posição e peso estratégicos no planeta. Temos histórico de cooperação multilateral, em defesa da autodeterminação dos povos e da não intervenção. 

O governo reacionário e carente de legitimidade não tem um projeto para o Brasil. Nem pode tê-lo, porque a ideia de construção nacional é inexistente no liberalismo econômico e na financeirização planetária. 

Cabe a nós repensarmos o Brasil para projetar o seu futuro – hoje bloqueado, fadado à extinção do empresariado privado industrial e à miséria dos cidadãos. 

Nossos pilares são: autonomia nacional, democracia, liberdade individual, desenvolvimento econômico, diminuição da desigualdade, segurança e proteção do ambiente – os pilares de um regime desenvolvimentista e social. 

Para termos autonomia nacional, precisamos de uma política externa independente, que valorize um maior entendimento entre os países em desenvolvimento e um mundo multipolar. 

Para termos democracia, precisamos recuperar a credibilidade e a transparência dos poderes da República. Precisamos garantir diversidade e pluralidade nos meios de comunicação. Precisamos reduzir o custo das campanhas eleitorais, e diminuir a influência do poder econômico no processo político, para evitar que as instituições sejam cooptadas pelos interesses dos mais ricos. 

Para termos Justiça precisamos de um Poder Judiciário que atue nos limites da Constituição e seja eficaz no exercício de seu papel. Para termos segurança, precisamos de uma polícia capacitada, agindo de acordo com os direitos humanos. 

Para termos liberdade, precisamos que cada cidadão se julgue responsável pelo interesse público. 

Precisamos estimular a cultura, dimensão fundamental para o desenvolvimento humano pleno, protegendo e incentivando as manifestações que incorporem a diversidade dos brasileiros. 

Para termos desenvolvimento econômico, precisamos de investimentos públicos (financiados por poupança pública) e principalmente investimentos privados. E para os termos precisamos de uma política fiscal, cambial socialmente responsáveis; precisamos juros baixos e taxa de câmbio competitiva; e precisamos ciência e tecnologia. 

Para termos diminuição da desigualdade, precisamos de impostos progressivos e de um Estado de bem-estar social amplo, que garanta de forma universal educação, saúde e renda básica. E precisamos garantir às mulheres, aos negros, aos indígenas e aos LGBT direitos iguais aos dos homens brancos e ricos. 

Para termos proteção do ambiente, precisamos cuidar de nossas florestas, economizar energia, desenvolver fontes renováveis e participar do esforço para evitar o aquecimento global. 

Neste manifesto inaugural estamos nos limitando a definir as políticas públicas de caráter econômico. Apresentamos, assim, os cinco pontos econômicos do Projeto Brasil Nação. 

1- Regra fiscal que permita a atuação contracíclica do gasto público, e assegure prioridade à educação e à saúde 

2- Taxa básica de juros em nível mais baixo, compatível com o praticado por economias de estatura e grau de desenvolvimento semelhantes aos do Brasil 

3- Superávit na conta corrente do balanço de pagamentos que é necessário para que a taxa de câmbio seja competitiva 

4- Retomada do investimento público em nível capaz de estimular a economia e garantir investimento rentável para empresários e salários que reflitam uma política de redução da desigualdade 

5- Reforma tributária que torne os impostos progressivos 

Esses cinco pontos são metas intermediárias, são políticas que levam ao desenvolvimento econômico com estabilidade de preços, estabilidade financeira e diminuição da desigualdade. São políticas que atendem a todas as classes exceto a dos rentistas. 

A missão do Projeto Brasil Nação é pensar o Brasil, é ajudar a refundar a nação brasileira, é unir os brasileiros em torno das ideias de nação e desenvolvimento – não apenas do ponto de vista econômico, mas de forma integral: desenvolvimento político, social, cultural, ambiental; em síntese, desenvolvimento humano. Os cinco pontos econômicos do Projeto Brasil são seus instrumentos – não os únicos instrumentos, mas aqueles que mostram que há uma alternativa viável e responsável para o Brasil. 

Estamos hoje, os abaixo assinados, lançando o Projeto Brasil Nação e solicitando que você também seja um dos seus subscritores e defensores.
Posted: 12 Apr 2017 05:37 PM PDT
Por Wadih Damous

Não faz muito tempo o Rio de Janeiro era o centro das atenções mundiais. À expectativa pela realização da Copa do Mundo e à confirmação da cidade maravilhosa como sede dos Jogos Olímpicos, somava-se o fato de o estado liderar o ranking, entre todas unidades da federação, dos investimentos dos governos de Lula e Dilma, na forma de obras, convênios e parcerias.

Na esteira das altas sucessivas na cotação internacional do barril do petróleo, a economia fluminense parecia voar em céu de brigadeiro com o recebimento dos royalties e participações especiais do petróleo extraído nas profundezas da Bacia de Campos. Essa onda de euforia levou o governador Sérgio Cabral e o prefeito do Rio, Eduardo Paes, a se reelegerem no primeiro turno.

Já nessa época de bonança tinha início, praticamente à margem do conhecimento da sociedade, a política de desonerações de empresas “amigas” dos caciques do PMDB no estado, que mais tarde viria a se revelar trágica para os cofres do Executivo estadual. Eram tempos de lua de mel com os grupos de mídia, os quais, amortecidos por vultosas verbas publicitárias, fingiam não ver a corrupção sistêmica que explodiria anos depois.

Em 2014, o primeiro sinal de que os maiores beneficiários da dinheirama que o governo federal investira na capital e no estado ensaiavam uma traição coletiva foi emitido pelo apoio do presidente da Alerj e do PMDB, Jorge Picciani, ao candidato oposicionista Aécio Neves, bem como pela postura dúbia e errática de Sérgio Cabral naquela eleição.

Às vésperas da consumação do golpe de estado contra a presidenta Dilma, que avançou sob a batuta de outro expoente do PMDB no estado, o notório bandido Eduardo Cunha, o que fazem Cabral e Paes? Mandam seus pupilos, Marco Antônio Cabral (filho do ex-governador) e Pedro Paulo reassumirem seus mandatos na Câmara dos Deputados exclusivamente para apunhalarem a presidenta Dilma, votando a favor da quebra da ordem constitucional.

Um ano depois o Rio está no fundo do poço, mergulhado no mais absoluto caos financeiro e moral, a ponto de o governo golpista de Temer decretar estado de calamidade e só não cogitar uma intervenção porque a lei proíbe alterações constitucionais sempre que uma unidade da federação estiver sob intervenção. E como se sabe o governo ilegítimo tem como prioridade a retirada dos direitos da classe trabalhadora e do povo através das reformas trabalhista e previdenciária.

O ex-governador Sérgio Cabral está preso, acusado da prática de um sem numero de crimes contra o erário, enquanto Picciani, o capo di tutti capi peemedebista, é alvo de investigações por conta de sua suposta participação na máfia do Tribunal de Contas do Estado. E não cessam de vir à tona escabrosos casos de roubalheira envolvendo autoridades do estado.

Na bacia das almas, o governador Pezão conseguiu aprovar na Alerj a venda da única empresa pública do estado que resistira à sanha privatizante neoliberal dos anos 90, a Cedae, se rendendo à chantagem de Temer e afrontando o interesse público. Pezão, já cassado pelo TRE, não paga os salários dos servidores. Sem manutenção de equipamentos e falta crônica de insumos, vários serviços públicos a cargo do governo estadual entraram em colapso.

É o caso da UERJ, universidade na qual tive a honra de cursar Direito nos anos 70. Outrora respeitada pelos seus cursos de excelência, a universidade estadual não funciona há meses devido a dívidas milionárias com fornecedores e prestadores de serviço fundamentais para a infraestrutura e a logística da instituição.

Com professores e funcionários sem receber e a universidade em ruínas, Pezão, combinando cinismo e desfaçatez, propôs a redução dos salários dos professores da UERJ em 30%, uma vez que eles se encontram em “greve”.

Não, governador, os professores não estão em greve, mas são impedidos de exercer seu ofício porque o senhor e seu governo são incapazes de prover as condições mínimas necessárias ao funcionamento da universidade. Tragada pelo furacão de incompetência e corrupção que varre o Rio, a nossa UERJ agoniza a céu aberto.

* Wadih Damous é deputado federal (PT-RJ) e ex-presidente da OAB-RJ.

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