sexta-feira, 14 de abril de 2017

14/4 - Altamiro Borges DE HOJE

Altamiro Borges


Posted: 14 Apr 2017 07:38 AM PDT
Por Altamiro Borges

Em vídeo postado nesta semana na internet, o deputado federal Jair Bolsonaro aparece todo risonho festejando o fato de não ter sido citado na corrosiva "Lista do Fachin", o ministro relator da Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF). No seu estilo fascista, o provocador finge disparar tiros contra os adversários políticos que foram delatados pelos lobistas da Odebrecht. A aparente alegria, porém, pode esconder um baita medo. Afinal, o Partido Social Cristão (PSC), que ajudou a bancar a sua eleição, também está envolvido no milionário esquema de propina da empreiteira. Jair Bolsonaro, um velho oportunista, agora detona a legenda, mas esconde que em maio passado foi "batizado" pelo Pastor Everaldo em pleno Rio Jordão, em Israel. Qual foi o custo do ritual "religioso"?


As denúncias contra o PSC, chefiado pelo falso pastor, são graves. Segundo matéria do Estadão desta quarta-feira (12), "o ex-presidente da Odebrecht Ambiental, Fernando Luiz Ayres da Cunha, e o diretor Renato Amaury de Medeiros afirmaram em depoimento à Lava Jato que houve doação não contabilizada no valor de R$ 6 milhões da empreiteira à campanha de Everaldo Dias Pereira, o Pastor Everaldo (PSC-RJ), para a eleição presidencial em 2014. Conforme aponta a petição enviada pelo relator da Lava-Jato no STF, ministro Edson Fachin, há 'menção à pessoa de Rogério Ognibeni Vargas como operador dos repasses, com o envolvimento do ex-deputado federal Eduardo Cunha'".

Já o site G1, do Grupo Globo, postou nesta quinta-feira (13) mais detalhes sobre as motivações para o pagamento da propina. "O executivo Fernando Reis afirmou em depoimento de delação premiada que a Odebrecht orientou em 2014 o então candidato a presidente Pastor Everaldo a ajudar o candidato do PSDB, Aécio Neves, em um debate entre os presidenciáveis realizado durante a campanha. Reis não informa qual foi o debate nem se Aécio tinha conhecimento do pedido. Segundo ele, o objetivo da empresa com a manobra foi 'dar mais visibilidade' para o candidato tucano durante o debate e ajudá-lo a garantir vaga no segundo turno para disputar com a então presidente Dilma Rousseff".

Tanto o Estadão como o G1 evitaram mencionar o nome de Jair Bolsonaro, que foi eleito com ajuda do PSC. Só para refrescar a memória, vale citar uma matéria do jornal Extra, que também pertence à famiglia Marinho, publicada em 12 de maio de 2016:  

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Enquanto votação do impeachment acontecia, Bolsonaro era batizado em Israel

Enquanto o Senado pegava fogo com a votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC) mergulhava nas águas do Rio Jordão, no nordeste de Israel. Ferrenho opositor da petista, ele foi batizado no local nesta quarta-feira. A assessoria de imprensa do parlamentar confirmou a celebração da cerimônia religiosa. As imagens do batismo de Bolsonaro foram compartilhadas em redes sociais.

No vídeo, que tem pouco mais de 40 segundos de duração, é possível ver Bolsonaro - que é católico, segundo sua assessoria - vestindo uma túnica branca. Ele é chamado pelo pastor Everaldo, presidente do PSC e responsável pela cerimônia e logo tem início o batismo:

- E aí, Bolsonaro, você acredita que Jesus é o filho de Deus?

- Acredito.

- Você crê que Ele morreu na cruz?

- Sim.

- Que Ele ressuscitou?

- Sim.

- Está vivo para todo o sempre?

- Sim

- É o salvador da humanidade?

- Sim.

- Mediante a sua confissão pública, eu te batizo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Depois de mergulhar Bolsonaro nas águas, o pastor faz uma brincadeira.

- Peso pesado (risadas) - diz.

O deputado, então, se afasta agradecendo os aplausos:

- Obrigado, obrigado.

O Rio Jordão foi onde, segundo a Bíblia, Jesus Cristo foi batizado.

Comemoração

Bolsonaro continua em Israel e, de lá, publicou um post comemorando o afastamento de Dilma:

"Afastamento de Dilma:

Do Mar da Galiléia/Israel, Bolsonaro parabeniza a todos os brasileiros que lutaram por esse momento".

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Posted: 14 Apr 2017 06:07 AM PDT
Por Altamiro Borges

Enquanto a mídia brasileira – em especial, a TV Globo – distorce a cobertura sobre a “Lista do Fachin”, dando maiores espaços às acusações contra o ex-presidente Lula, a imprensa internacional já percebeu que as bombásticas delações dos chefões da Odebrecht inviabilizaram de vez o covil golpista de Michel Temer. Nesta quinta-feira (13), os principais veículos estrangeiros registraram que as novas denúncias de corrupção devem paralisar a já capenga economia nativa, dificultar as contrarreformas dos golpistas e abalar ainda mais a já baixa popularidade do usurpador. Alguns deles inclusive já preveem o enterro do Judas.


A Agência Reuters, por exemplo, postou que o escândalo desperta os “temores de caos” no Brasil, provocando a paralisia do Congresso Nacional. “Oito ministros do governo e 12 governadores foram varridos pelas denúncias, bem como dezenas de parlamentares e quatro ex-presidentes”, diz a reportagem, replicada em 6,2 mil veículos de imprensa espalhados pelo planeta, incluindo Washington Post e New York Times. Já o jornal francês Le Monde também abordou os estragos causados no covil golpista. “Um terço do atual governo, mas também dezenas de deputados e senadores, são alvo de investigações relacionadas com o escândalo da Petrobras”, relata a jornalista Jeanne Cavellier.

Na internet, as notícias mais compartilhadas no mundo são: “Governo Temer cambaleia com novas acusações de corrupção”, do jornal ianque New York Times, e “Corrupção no Brasil: oito ministros são citados”, da rede britânica BBC. No Facebook, o destaque é para a matéria publicada no Financial Times: “São 74 políticos, incluindo oito ministros. As investigações podem desestabilizar o governo Temer num momento em que reformas difíceis tramitam no Congresso”. No YouTube, a Hispan TV ironiza: “Alguém do governo Temer está limpo”. Já a estadunidense CNN pergunta se as “delações do fim do mundo” podem também representar “o fim do governo Temer”.

Um dia antes, na quarta-feira, a Associated Press também havia feito o mesmo indagação. Após afirmar que um “tsunami” atingiu a política brasileira, a AP lembrou que Michel Temer, alvo de processo na corte eleitoral que pode cassar seu mandato, tem apenas “imunidade temporária”. E o site Bloomberg lembrou que as investigações de “aliados mais próximas ameaçam desestabilizar o governo” do usurpador “em um momento-chave” para a sua “impopular agenda de reformas”. Para encerrar, vale citar novamente o “prestigiado” – pela cloaca empresarial – New York Times, que concluiu que as investigações em curso podem representar “outro golpe para o sitiado governo de Temer”.

Pelo jeito, a imprensa internacional está mais sintonizada com a realidade brasileira do que a mídia chapa-branca nativa!

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Posted: 14 Apr 2017 06:01 AM PDT
Por Miguel do Rosário, no blog Cafezinho:

No minuto 12:45, Emílio Odebrecht menciona a organização, pela Odebrecht, de uma “sociedade privada”, com participação da Globo, com objetivo de fazer lobby pela privatização da telefonia pública e pela quebra do monopólio do Estado no setor de petróleo.

É um lobby diretamente ligado ao financiamento político do PSDB e do governo FHC.

A delação de Emílio Odebrecht está muito interessante. O empresário é um contraste chocante com os burocratas do Ministério Público, que não tem a mínima ideia de como funciona a vida real no mundo da política e dos negócios.

Pelo depoimento de Emilio, fica evidente que a Lava Jato começa com Odebrecht e Globo organizando, para o governo, o arcabouço jurídico dos setores de telecomunicação e petróleo, no Brasil, durante os anos seguintes. É o início do “petrolão”.

O famigerado “cartel das empreiteiras” foi idealizado inicialmente por uma sociedade privada formada por Odebrecht e Globo.

Se eu fosse um blogueiro sensacionalista, poderia dizer que se a Odebrecht é o pai, a Globo é a mãe do petrolão.

Lula era um elemento estranho nas grandes negociatas. Um “Amigo” politicamente simpático, porque interessado em ampliar a infra-estrutura do Brasil e financiar a exportação nacional de serviços de engenharia, uma liderança política a quem a Odebrecht tentava agradar com ajudas financeiras às campanhas eleitorais do PT.

No mesmo vídeo, Emilio admite que sua empresa financiou, via caixa 1 e 2, as duas campanhas de Fernando Henrique Cardoso, de quem era muito próximo.

No vídeo, o procurador parece um personagem de Porta dos Fundos, ultranervoso com as citações a FHC, tentando fugir, em vão, de assuntos que possam envolver o PSDB.

Escute com atenção e dê sua opinião [aqui].
Posted: 14 Apr 2017 05:52 AM PDT
Por Kiko Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo:

Em seu depoimento à Lava Jato, Henrique Serrado do Prado Valladares, ex-vice-presidente da Odebrecht, contou que Aécio Neves recebeu R$ 50 milhões em troca de apoio ao consórcio da Odebrecht com a Andrade Gutierrez que disputou o leilão das usinas de Santo Antônio e Jirau, no Rio Madeira.

O dinheiro teria sido depositado numa conta secreta em Cingapura em nome do empresário Alexandre Accioly, dono da academia BodyTech e velho amigo de Aécio - é padrinho de um de seus filhos.

Numa passagem, Valladares fala que encontrou os dois num restaurante no Rio de Janeiro. Estavam em companhia de Diogo Mainardi, um dos donos do blog Antagonista, vazador oficial da Lava Jato.

“Eu tinha ido para aquele restaurante, Gero, com a minha esposa para jantar. E estavam lá Aécio Neves sentado com Accioly, mais o cara que faz o Manhatann Connection… o Diogo Mainardi. Estavam reunidos na mesma mesa”, afirma.

“Na despedida, o governador Aécio Neves disse a mim: ‘Olha, Henrique, o Dimas Toledo [então diretor de Furnas], nosso amigo comum, vai lhe procurar’. Simplesmente isso. E se despediu de mim”.

Continua: “Então, (um dia) o Dimas me traz um papelzinho com o nome do Accioly, eu sabia que era amigo do governador. Eu me recordo que é em Cingapura a conta. Não é Suíça, não é Bahamas, é Cingapura”.

Mainardi alega que é mentira. “Cruzei com os dois no Gero – mais de uma vez – e sempre os cumprimentei”, escreveu.

“É evidente que eu não teria o menor problema em admitir um jantar com Aécio Neves e Alexandre Accioly”.

É amigo deles?

Quem é Accioly?

Em 2012, a extinta revista Alfa, que eu dirigia, fez um perfil de quem Valladares chamou “playboy”, assinado por Marcelo Zorzanelli, hoje um dos membros do Sensacionalista.

Transcrevo alguns trechos:

*****

Ainda garoto, o carioca Alexandre Accioly traçou um objetivo para si próprio: viver bem. “Não queria ficar rico. Eu queria conhecer a Disney”, diz. “Mas nunca tive ninguém me bancando. Fui com o meu dinheiro aos 27 anos.” Aos 49, ele frequenta com a mesma desenvoltura a seção de economia e as colunas sociais.

Empresário desde os 17 anos, fez uma série de bons negócios desde que montou uma agência de figurantes no fim dos anos 1970 – teve um jornal de classificados de carro, outro de esportes, vendeu revistas, montou um centro de telemarketing, uma produtora de shows, uma rede de academias, restaurantes de luxo, uma marina em Angra dos Reis – e ficou amigo de alguns dos homens mais poderosos e influentes do país, que o consideram um “irmão”.

(…)

“Aos 8 anos, agenciei alguns amigos como engraxates. E os ensinei a, de noite, se sujar de graxa para pedir dinheiro. Eu ficava com metade. Até que uma das mães descobriu e acabou com o meu negócio.”

“Minha avó tinha uma boa pensão do exército, que bancava a família toda. Ela havia me ajudado a montar um jornal de classificados de automóveis. Aí veio o Plano Collor e quebrei. Logo depois, ela foi atropelada e morreu. Quando acabou o dinheiro, lembrei que ia com ela todo mês sacar a pensão… [Aciolly interrompe a entrevista e diz: Você publicando isso eu vou ser preso… mas, pode publicar. Acho que já prescreveu]. Depois que ela morreu, fui lá e a máquina começou a cuspir dinheiro. Que alegria! Vivemos mais de um ano com essa pensão, até eu começar a ganhar algum de novo.”

“Há dois anos, dei uma longa entrevista para uma revista mensal [a Piauí]. Um belo dia, minha assessora me disse que o diretor de redação [Mario Sergio Conti] queria jantar comigo. A primeira pergunta que ele me fez: `Alexandre, você, com a sua vaidade, sempre coloca seu nome nas suas empresas. Como você se sente no caso do restaurante Fasano? Ficar no segundo plano não te incomoda? Eu me debrucei sobre a mesa e disse: `Cara, eu adoro gozar com o p** dos outros. O que me importa é dinheiro no bolso, meu nêgo.”

“Eu não falo inglês. Por isso, sempre brincava quando começava a namorar: se a mulher não falasse inglês, terminava logo, porque aí não dava para viajar.”

“Eu tomava decisões de risco na minha empresa de telemarketing. Não tinha dinheiro para investir e minha carga tributária era de 40%. Eu ia pagar imposto ou comprar computador e pagar salário? Eu falei: `No c*, imposto!. Só pagava os impostos dos funcionários. E nunca admiti que falassem que eu era sonegador. Fui inadimplente por mais de dois anos. Foi o dinheiro mais caro que eu já peguei emprestado, paguei uma multa gigante.”

“O Unibanco estava procurando uma empresa de call center à qual se associar. Aí nos reunimos com o conselho do banco. Estariam lá o [Jorge] Bornhausen, o [Tomas] Zinner e o Pedro Moreira Salles. O Urquiza, meu sócio, me pediu uma semana inteira para eu não falar palavrão. Na reunião, comecei: `P*** que o pariu! C******! Meu sócio está há uma semana me pedindo para não dizer palavrão. Esse filho da p*** veio até aqui falando na p**** do meu ouvido. Senhores: se formos sócios, vocês vão ouvir muito palavrão. Gargalhadas gerais. No fim, o Pedro Moreira Salles falou: `Tchau, sócio.”

“Tenho dois amigos bem palhaços. Álvaro Garnero, primo da Astrid [Monteiro de Carvalho, com quem Accioly teve um filho após um relacionamento de uma noite], e meu querido Aécio Neves. A única pessoa que sabia que eu tinha tido algo com a Astrid era o Aécio. Abro uma revista de fofoca e vejo a Astrid numa matéria enorme com o Antônio [filho de Accioly que foi criado até 1 ano e três meses pelo então marido de Astrid, o empresário Marcos Campos]. Nesse dia, o Aécio me liga: `Já viu seu filho na revista?’. Eu falei: `Ah, Aécio, vai se f****!’. Um mês depois, primeiro de abril, toca o celular. Era o Álvaro Garnero, que estava em Lisboa. Ele me disse: `Cagada geral. Se tocar o telefone, não atende. A Astrid reuniu a família inteira e disse que o Antônio é seu filho!’. Quando ele falou aquilo, parecia tão verdade… E então ele começou a rir e eu ouvi a risada do Aécio no fundo. Eu não tinha me tocado que ele também estava em Portugal.”

“Fui fazer um jantar para o Boni, que entende tudo de vinho. Eu vou fingir que entendo? Comprei o vinho mais caro, que aí não tinha como errar. Eu aplico isso na vida.”

Posted: 14 Apr 2017 05:39 AM PDT
Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:



Separei e editei um trecho do depoimento do velho Emílio Odebrecht, onde se diz o que não li, com todas as letras, escrito em nenhum dos jornais e revistas, embora seja uma absoluta verdade.

É o que ele fala, e com conhecimento óbvio de causa, sobre os métodos de funcionamento do sistema político brasileiro e o conhecimento geral de todos na mídia e no Judiciário, sobre como ele funciona.

Funciona – no presente, não no passado – e funcionará, porque as mudanças que se tende a fazer são para liberar o dinheiro privado – desde que “legalmente”, o que não tira dele a condição “mágica” de dinheiro – e a destruição do sistema partidário, que há muito vem sendo construída com a proliferação de siglas de conveniência, que custam dinheiro e valem maioria e tempo de televisão.

Ou, com alternativas ainda piores, como as antevistas por Celso Vicenzi, hoje, em seu blog:

Novos tempos, novos assaltos. Velhos coronéis dando lugar a novos ladrões com discursos moralistas. Como se a densa corrupção brasileira que sempre serviu aos donos do poder pudesse ser extirpada por um moralismo igrejeiro e jurisdiquês de Moros, Dallagnols, STF, MP, PF, mídia e tantos outros que sempre foram justamente os beneficiários de todos os privilégios da desigualdade social que mantém a maioria do povo brasileiro na miséria enquanto alguns poucos nadam em regalias.

Escute o que diz o velho Odebrecht [aqui].

Desonestidade não é só material. É também moral e ética.
Posted: 14 Apr 2017 05:32 AM PDT
Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania:



O senador Aécio Neves (MG), quando foi candidato do PSDB à Presidência da República, em 2014, contratou o marqueteiro Paulo Vasconcelos.

Em 2002 e 2006, o tucano fez suas campanhas ao governo de Minas, ambas vitoriosas.

Em 2010, coordenou as campanhas de Aécio ao Senado e Antônio Anastasia ao governo de Minas.

Foi o responsável pela propaganda eleitoral de Márcio Lacerda (PSB), prefeito de Belo Horizonte e parceiro dos tucanos, em 2008.

Paulo Vasconcelos é, também, o dono da Webcitizen, empresa que há vários anos vem mantendo relações com o site O Antagonista, pertencente ao jornalista Diogo Mainardi.

Segundo a imprensa vem divulgando, delações da Odebrecht afirmam que o senador Aécio Neves era pago por meio de repasses a uma das agências de publicidade de Paulo Vasconcelos

Ocorre que Vasconcelos e/ou sua agência, Webcitizen, prestaram vários serviços a Mainardi, como ele mesmo admitiu em seu site.



Ano passado, o Blog da Cidadania recebeu a informação de que a empresa do marqueteiro de Aécio Neves também foi a responsável pela confecção do site Antagonista e, assim, entrou em contato com o Vasconcelos, mas não obteve resposta.



Porém, o Blog da Cidadania também manteve contato com o sócio de Vasconcelos, senhor Fernando Barreto, e obteve respostas às suas perguntas. Confira, abaixo, a troca de e-mails.


Nesta quinta-feira, 13 de abril, espalhou-se a notícia de que o jornalista Diogo Mainardi, responsável pelo site O Antagonista e também comentarista na GloboNews, foi citado pelo ex-vice presidente da Odebrecht Henrique Valladares em delação premiada envolvendo o senador Aécio Neves (PSDB-MG); segundo o executivo, Mainardi foi visto jantando com o tucano no restaurante Gero, no Rio de Janeiro, junto também com o empresário Alexandre Accioly, em um encontro em que teriam sido negociadas propinas da empreiteira; Diogo negou o fato; “Isso é mentira. O jantar nunca ocorreu. Cruzei com os dois no Gero – mais de uma vez – e sempre os cumprimentei. É evidente que eu não teria o menor problema em admitir um jantar com Aécio Neves e Alexandre Accioly”

Confira [aqui] o vídeo da delação em que Mainardi é citado.
Posted: 14 Apr 2017 05:31 AM PDT
Por Cíntia Alves, no Jornal GGN:

A divulgação estrondosa da lista de Fachin, jogando no mesmo balaio todos os políticos citados em delações da Odebrecht que serão investigados com autorização do Supremo Tribunal Federal, misturou tubarão com peixe de aquário e tirou a devida atenção de casos como o de José Serra.

Sete delatores disseram à Lava Jato que o tucano negociou, ao longo dos últimos anos, mais de R$ 30 milhões em propina para abastecer, principalmente, suas campanhas eleitorais. Mas há casos de repasses a afilhados políticos do PSDB.


Só em 2010, quando Serra foi derrotado por Dilma Rousseff na corrida à presidência, a Odebrecht pagou R$ 23 milhões ao tucanato via caixa 2. Em 2008, foram mais R$ 3 milhões. Em 2006, mais R$ 4 milhões. E outros R$ 2 milhões foram repassados em 2004.

A exorbitância dos valores por si só é digna de nota. Em seu acordo de colaboração, Alexandrino Alencar disse que a deputados do PT, entre 2008 e 2010, foram pagos entre R$ 50 mil e R$ 150 mil, valores considerados "bons para a época". Ele citou como exemplos Maria do Rosário e Vicente Cândido, e destacou que a doação irregular nunca teve nenhuma contrapartida por parte dos parlamentares.

No caso de Serra, obras do governo de São Paulo foram usadas para cobrar propina da Odebrecht.

O delator Roberto Cumplido disse que Serra chegou a cobrar propina duas vezes em cima da mesma obra, a do Rodoanel. Primeiro, ele pediu R$ 1,2 milhão. Depois, fez uma renegociação do contrato "que prejudicava o contribuinte e favorecia empreiteiras" e, por conta disso, recebeu mais R$ 2,2 milhões, em mesadas de R$ 200 mil.

O esquema detalhado por Cumplido aconteceu quando Serra era governador. À época, Paulo Preto, à frente da Dersa, conseguiu fazer cada empreiteira beneficiada pela repactuação dos contratos do Rodoanel destinar 0,75% do faturamento ao caixa 2 arquitetado por Serra.

Enquanto o esquema esteve em vigor, a mesada era depositada na off-shore Circle Technical Company INC, que pertence a Amaro Ramos, um operador do PSDB. O delator Luiz Eduardo Soares confirmou essa denúncia de Cumplico.

Em 2009, Serra, em parceria com Sergio Guerra, conseguiu manobrar uma divida que a Odebrecht tinha a receber do governo de São Paulo para conseguir os R$ 23 milhões que foram usados na campanha de 2010. O pagamento foi feito no exterior, com apoio do tesoureiro da campanha presidencial, Márcio Fortes, afirmaram.

"Em outras delações, foi mencionado que Serra recebeu R$ 2 milhões na campanha de 2004 e o dobro do valor, R$ 4 milhões, quando concorreu e ganhou o governo paulista em 2006. Os executivos da Odebrecht também contaram que o senador pediu R$ 3 milhões para financiar a candidatura do PSDB a prefeitura de São Paulo em 2008."

Na planilha da Odebrecht, o delator Fabio Gandolfo disse que Serra era o "vizinho". Isso porque ele morava próximo de Pedro Novis, ex-presidente da Odebrecht. Novis, aliás, teria sido destacado pela cúpula do grupo para atender as demandas de Serra.

O delator ainda afirmou que a propina de 2004 estava relacionada a uma obra do Metrô. Dos contratos da linha 2-Verde, 3% deveriam ser repassados ao caixa de Serra.

Outro lado

Em nota à imprensa, Serra "reitera que não cometeu irregularidades em sua longa vida pública, que sempre foi pautada pela lisura, ética e transparência."

"A abertura do inquérito pelo Supremo Tribunal Federal servirá como oportunidade para demonstrar que as acusações e o conteúdo das delações são fantasiosos e infundados", diz.
Posted: 14 Apr 2017 05:15 AM PDT
Por Paulo Kliass, no site Carta Maior:

A seletividade e a parcialidade com que os grandes meios de comunicação tratam as decisões de política econômica em nossas terras são impressionantes. Apesar de já estarmos habituados a essa forma peculiar de (des)tratar a realidade do dinheiro e dos negócios, a cada nova semana parece que as “famiglie” da grande imprensa tentam se esmerar ainda mais nessa busca incansável pelo absurdo.

No mesmo dia em que enchem as telas e páginas com informações privilegiadamente vazadas de forma criminosa pelo Ministério Público e pelo Judiciário a respeito da delação premiada de Marcelo Odebrecht, os oligopólios dos jornais e televisão se esquecem de noticiar um escândalo de R$ 25 bilhões na esfera do Ministério da Fazenda. No mesmo dia em que, mais uma vez, entulham os leitores com as ameaças lançadas por Meirelles e Temer a respeito de uma suposta catástrofe nacional caso a Reforma Previdência não venha a ser aprovada, as empresas de Marinho, Civita, Frias, Mesquita i altri não mencionam uma peculiar decisão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF).

Você aí ficou brav@ por ter a tua Declaração de Imposto de Renda mais uma vez retida na malha fina pela Receita Federal? O que foi que aconteceu agora? A empresa onde você trabalha não enviou adequadamente o valor total de salários que te pagou no ano passado? Faltou um dígito do CPF no recibo do dentista de teus filhos? Aqueles gastos com dependentes não foram incluídos no formulário adequado? Esquece! O governo deve estar muito ocupado para recuperar as centenas de bilhões de reais da dívida previdenciária causada por um punhado de grandes grupos empresariais. Ou ainda montando um sem número de forças tarefa para irem atrás dos mais de R$ 500 bilhões que são sonegados sistematicamente a cada novo ano fiscal. Não dá mesmo para ficar perdendo tempo e atender esses pequenos contribuintes que não têm como discutir com a máquina da arrecadação.

Grande sonegação e impunidade

Mas em nosso caso concreto, trata-se de um escândalo de R$ 25 bilhões. Um escândalo que deveria ser até mesmo motivo para derrubar qualquer governo ou ministro em um País em que a impunidade aos donos do poder não fosse tão escancarada como por aqui. Estamos diante de um valor enorme, que muito contribuiria para aliviar um pouco a crise fiscal que o governo alardeia com traços de apocalipse. Uma decisão de um órgão vinculado ao Ministério da Fazenda e que atinge diretamente figuras do primeiro escalão do governo Temer.

Em termos gerais, o CARF trata de recursos impetrados por empresas contra decisões do governo em matéria de tributação. Em tese, trata-se de uma instituição importante, pois permitiria espaço para que contribuintes (indivíduos e empresas) pudessem questionar a legalidade dos impostos e similares deles exigidos pelo Estado. Na verdade, os primeiros conselhos do imposto de renda foram criados ainda na década de 20 do século passado. Houve uma longa evolução desse tipo de órgão na administração federal e o atual desenho remonta a uma Medida Provisória de 2008 e que foi convertida na Lei 11.941 de 2009.

Ocorre que o funcionamento do colegiado sempre foi uma verdadeira caixa preta. Apenas os grandes grupos econômicos logram acesso aos seus corredores e instâncias deliberativas. Os conselheiros e os processos se dividem em seções, turmas e câmaras. Ao que tudo indica, sua importância estratégica é quase tão grande quanto a falta de luz e oxigênio em seu cotidiano. Há um sem número de denúncias envolvendo a compra de decisões e pareceres de processos tributários. Em um dos casos mais recentes, a Operação “Quatro Mãos” da Polícia Federal prendeu um conselheiro do CARF, supostamente por cobrar propina para que oferecesse parecer favorável na condição de relator de um processo naquele conselho.

Itaú & CARF: promiscuidade total

Com o afastamento do encarregado pelo parecer, houve uma substituição na tramitação do dossiê. Trata-se de um processo movido por prática de sonegação tributária de R$ 25 bilhões que teria sido patrocinada pelo Banco Itaú. Quando de sua fusão com o Unibanco ocorrida em 2008, os especialistas em “planejamento tributário” ofereceram à direção do grupo a janela do crime contra a tributação e deixaram de recolher tributos devidos de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).

O novo relator do caso Itaú veio a ser o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Pasmem, mas ele atua no colegiado como representante indicado pela Confederação Nacional das Instituições Financeiras. Profissional com larga folha de serviços prestados a diversas instituições do sistema financeiro privado, não chega a espantar a natureza de sua posição. Ele defendeu a ilegalidade da cobrança dos tributos, óbvio. E na reunião do dia 10 de abril último, quando finalmente o relatório foi a voto na sua turma de atuação, sua opinião foi vencedora e a sonegação tributária do banco foi travestida de ares de legalidade. A matéria será objeto de recurso e a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional vai acionar a instância superior para questionar a decisão.

Ora, é amplamente sabido que o Presidente do Banco Central foi nomeado por Temer para o cargo exatamente por ser diretor do Banco Itaú. O governo se vangloriava por ter um legítimo representante da banca privada no comando da economia. O conflito de interesses é mais do que explícito. Um dos tributos bilionários sonegados pela negociata da fusão com o Unibanco vem a ser justamente um dos pilares da receita da seguridade social - orçamento que inclui a previdência social, a saúde e a assistência social. A sonegação bilionária de recursos para a CSLL compromete a receita do sistema que comporta também o Regime Geral da Previdência Social (RGPS). Mas a visão do Ministro da Fazenda Henrique Meirelles talvez seja distinta. Muito provavelmente por ter ocupado durante décadas seu tempo a defender os interesses dos bancos privados, ele também deve estar de acordo com o voto do Relator.

Diante de tamanho escândalo econômico, político, fiscal e financeiro, o governo Temer faz cara de paisagem, desconversa e escapa pela tangente. E segue em sua labuta incansável pelo desmonte do Estado brasileiro. Insiste na tecla que os principais responsáveis pelo “rombo” da previdência são os privilegiados que recebem a fortuna de um salário mínimo todos os meses. Já esses R$ 25 bilhões surrupiados pelo Itaú aos cofres públicos, bem, isso deve ser matéria por demasiado complexa e que só pode ser bem compreendida e debatida pelos especialistas técnicos em tributação. Por fim, os meios de sonegação vêm oferecer sua singela colaboração ao assunto e cumprem seu papel - ora por esquecimento, ora por introduzir ainda mais confusão na cabeça das pessoas comuns.
Posted: 14 Apr 2017 05:07 AM PDT
Por Tereza Cruvinel, em seu blog:

A maior ironia da crise em seu atual grau de fervura, depois da lista de Fachin, está no fato de Michel Temer estar blindado pelo cargo que, com o golpe, tomou de Dilma Rousseff. Apesar das graves denúncias contra ele, com destaque para a participação numa reunião que acertou propina de US$ 40 milhões, que hoje seriam mais de R$ 120 milhões, Temer não pode ser investigado por atos que antecederam seu mandato. “Por ora”, diz textualmente o procurador-geral Rodrigo Janot em sua petição ao Supremo, na qual afirma que Temer “capitaneava” o esquema de propinas para o PMDB. 

Mas o problema do Brasil é agora. Não pode o país ser condenado a manter um governo que se tornou moralmente insustentável. Após citar passagens das delações e outros elementos, Janot afirma serem fortes as indicações de que os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria Geral) sempre foram encarregados da "obtenção de recursos ilícitos para o grupo capitaneado por Michel Temer".

Temer sujeitou-se hoje a gravar e divulgar um vídeo em que tenta se explicar. Quando um presidente chega a este ponto, está sangrando. E no entanto, a gravidade das acusações que pesam contra o ocupante da presidência da República não está sendo colocada no centro do drama político nacional. Se a Constituição não permite que ele seja investigado e, por decorrência, afastado do cargo, e se não tem ele a grandeza de renunciar, a saída constitucional tem que ser encontrada. Passando pela antecipação de eleições gerais, e quem sabe pela eleição de uma Constituinte destinada exclusivamente a remontar o sistema político destroçado. Quando Dilma enfrentava o impeachment, sob a acusação de ter cometido pedaladas fiscais e editado decretos sem autorização legislativa, os brados por “renúncia” ecoaram, vindos da mídia e da oposição. Agora, faz-se um silencioso obsequioso sobre a insustentável situação de Temer.

Examinando o depoimento do ex-diretor da Odebrecht Cláudio Melo Filho, Janot volta a destacar o papel de Temer afirmando que "o núcleo organizado do PMDB da Câmara" era formado por Temer, Padilha e Moreira Franco. O do PMDB do Senado, como também foi dito nas delações, era coordenado por Romero Jucá. Referindo-se a Padilha, Janot diz que ele "atuava como verdadeiro preposto de Michel Temer, deixando claro que muitas vezes falava em seu nome e utilizava seu peso político para obter êxito em suas solicitações".

Ao relatar a reunião que tratou da propina de US$ 40 milhões em 15 de julho de 2010, no escritório de Temer, o delator Marcio Faria da Silva. destacou a posição de comando que ele assumiu no encontro. “Michel Temer sentou na cabeceira”. De um lado Eduardo Cunha, de outro Henrique Eduardo Alves. Temer se referia eles como “esses rapazes”, dizendo que cuidariam dos aspectos práticos da propina de 5% sobre um grande contrato. Depois de um desmentido categórico, Temer já admitiu o encontro, negando porém a negociação da propina. Deve confiar na indulgência com que sua situação vem sendo tratada.
Posted: 14 Apr 2017 04:58 AM PDT
Por Paulo Henrique Amorim, no blog Conversa Afiada:

O depoimento de Henrique Valladares, ex-vice-presidente da Odebrecht, no âmbito da Operação Lava Jato, tem uma série de implicações.

Em primeiro lugar, atinge Aécio Neves: de acordo com Valladares, o Mineirinho recebeu R$ 50 milhões da Odebrecht e da Andrade Gutierrez. A grana teria sido embolsada numa conta secreta em Cingapura (porque os tucanos são contra a corrupção no Brasil), em nome do empresário Alexandre Accioly.

Accioly, aliás, é personagem de outro ponto do depoimento. Valladares cita que o empresário participou de um jantar no restaurante Gero, no Rio de Janeiro, com o próprio Aécio Neves e o jornalista (segundo as definições de Sergio Moro) Diogo Mainardi.

O Conversa Afiada transcreve literalmente o que disse Valladares a esse respeito:

"Eu tinha ido para aquele restaurante, Gero, com a minha esposa para jantar. E estava lá (sic) Aécio Neves sentado com Accioly (aquele que era dono da BodyTech), quem mais... o cara... que faz o Manhatann Connection... Diogo Mainardi. Diogo Mainardi. Estavam esses reunidos, na mesma mesa."
Henrique Valladares falou, ainda, sobre uma reunião feita em 2008, quando o Mineirinho era governador (sic) de Minas Gerais.

"Na despedida, o governador Aécio Neves disse a mim: 'Olha, Henrique, o Dimas Toledo, nosso amigo comum, vai lhe procurar'. Simplesmente isso. E se despediu de mim. E eu entrei no carro e o Marcelo disse que tinha acertado com o governador 50 milhões a serem pagos (...) 30 milhões por parte da Odebrecht e 20 milhões por parte da Andrade Gutierrez" (...) (Dimas) trazia para mim um pedaço de papel com indicação de nomes, empresas, com sede no exterior".

Os R$ 30 milhões foram pagos pela Odebrecht, segundo Valladares, em diversos repasses mensais, sempre nessas contas de terceiros indicados por Dimas Toledo.

O Conversa Afiada não pode deixar de lembrar que Dimas Toledo era ninguém menos que o dono da chave do cofre de Furnas que servia para abastecer políticos.

O mesmo Dimas que jurava de pés juntos que a Lista de Furnas era falsa - com o sempre fiel auxílio do detrito sólido de maré baixa -, mas que foi desmascarado pelo lobista Nilton Monteiro.

Em tempo: quem mais levou grana da Lista de Furnas foi o Mineirinho. Lista de Furnas é aquela: o Dr Janot levou mais tempo para chegar a ela do que Moisés levou para atravessar o deserto.

Em tempo-2: Mainardi é aquele que recebe depoimento na Lava Jato do Dr Moro em tempo real!

Em tempo-3: é ou não é a República Federativa da Cloaca?
Posted: 14 Apr 2017 04:52 AM PDT
Por Felipe Bianchi, no site do Centro de Estudos Barão de Itararé:


Diretor-presidente da Agência Nacional do Cinema (Ancine), Manoel Rangel visitou o Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé nesta quarta-feira (12) para discutir o cenário e os desafios colocados para o audiovisual. Segundo ele, desde 2002, as políticas públicas de regulação e fomento ajudaram a estruturar e fortalecer bastante o setor. A fronteira tecnológica ainda não regulada, que diz respeito aos serviços de Vídeo Sob Demanda (VOD), é a bola da vez.

“Até 2002, predominava a ideia de que a política de audiovisual tinha de ser voltada à empresas, produtores e, basicamente, ao mercado. A partir dali, assumimos que a política de audiovisual deve ser voltada à sociedade”, avalia Rangel. Essa concepção resultou em avanços significativos para o setor, em forma de leis e programas que, em última análise, elevaram a outro patamar o mercado audiovisual brasileiro.

“Ao longo dos últimos anos, o Brasil construiu uma política nacional forte para o setor audiovisual e do cinema. Política de Estado, com suporte legal sólido”, coloca. “A Ancine marca a recriação de um órgão de Estado para o audiovisual, que fora abandonado no começo da década de 90. O órgão segue o que tem de melhor e mais avançado no mundo para regulação e fomento no setor”.

A Lei da TV paga, de acordo com Rangel, é um dos principais exemplos do avanço do conceito da regulação no setor. “A lei 12.485 é a primeira grande resposta organizada ao tema da convergência digital, articulando a regulação entre audiovisual e telecomunicações”, explica. “A lei reconhece a necessidade da regulação e estabelece a obrigação de veiculação de conteúdo brasileiro nos canais da TV paga [leia mais sobre a lei]. Isso representou um salto extraordinário na veiculação do conteúdo nacional: em 2002, tínhamos 200 obras nacionais, com conteúdo de produtoras independentes, licenciadas para serem veiculadas na TV paga. Em 2011, 700 obras. Em 2016, chegamos a 5 mil obras licenciadas”.

Os dispositivos criados pela lei estressaram a capacidade de produção audiovisual do eixo Rio-SP, pontua Rangel, o que levou essa demanda para outras regiões do Brasil, ampliando o surgimento e a atuação de produtoras em todo o país. O programa Brasil de Todas as Telas, lançado em 2014, também segue essa diretriz: “Passamos a ter, pela primeira vez, uma política do tamanho do Brasil, que colocou em foco a tarefa de implementar a produção audiovisual nos 27 estados do país. Estimulou-se a produção independente em aliança com a TV pública, com as TVs abertas e privadas, para capilarizar essa produção em todo o país”.

Uma das principais marcas do fomento ao setor, destaca o diretor-presidente da Ancine, é o Fundo Setorial do Audiovisual, criado a partir da lei 11.437. Segundo Rangel, trata-se de um quadro completo de ferramentas para financiar as políticas públicas voltadas ao setor. “Retoma-se a ideia de que o Estado tem de ter um instrumento financeiro para atuar sobre os gargalos de desenvolvimento do audiovisual”, diz. “Até aquele momento, os recursos vinham, principalmente, do incentivo fiscal às empresas, que decidiam por si como investir. O fundo setorial muda o patamar de investimentos”.

Ao longo desse processo, Rangel sintetiza que os objetivos do Plano de Diretrizes e Metas da Ancine girou basicamente em torno do seguinte eixo: ampliar o acesso dos brasileiros aos conteúdos audiovisuais como um todo e empreender um esforço para fazer crescer o mercado audiovisual, o que contribui para ampliar a produção de conteúdo nacional e aumentar a capacidade de investimento do próprio Estado. “Nossa questão central sempre foi o estímulo à produção nacional independente e a circulação e acesso a esses conteúdos”, salienta.

Após a consolidação do impeachment, o governo de Michel Temer passou a promover o desmonte do Estado brasileiro. Apesar disso, Rangel aposta na manutenção dos avanços do setor devido à força e resultados de suas leis. “O conjunto de leis aprovadas é muito sólido, pois são leis que estão regulamentadas e funcionam”, diz. Para ele, a tendência é que a troca de governo não afete o papel desempenhado pela Ancine ou reverta os avanços obtidos desde 2002.

Vídeo Por Demanda: Por que regular?

A polêmica em torno da necessidade de regulação de serviços de Vídeo Por Demanda (VOD), cujo exemplo mais popular é o Netflix, não se sustenta, na opinião de Rangel. Não faltam argumentos para defender a regulação deste tipo de serviço, ao contrário do que acreditam até mesmo setores da esquerda brasileira.

“Não regular significa estabelecer que o setor audiovisual como um todo não precisa ser regulado”, aponta. “Quando o Estado não regula, alguém está regulando e, em geral, esse alguém são as grandes corporações econômicas, que ditarão como e de que jeito as práticas se darão nessas operações. Práticas econômicas, culturais, democráticas, a maneira de circular opinião, quem tem acesso e quem não tem”.

Por se tratar de um serviço que opera via banda larga, um território livre, a princípio, as grandes corporações têm tudo para prevalecer. “A chance dos pequenos é minúscula. Como competir, em um ambiente livre, com Netflix, HBO Go, Amazon e tantas outras empresas internacionais que estão surgindo?”, questiona. “Prestadores de serviço tradicionais do audiovisual estão retardando a sua entrada ou desenvolvimento no mercado. Há incertezas”.

Apesar de ter posicionamento claro sobre a questão da regulação, Rangel compreende que o tema é complexo. "Estamos diante de uma nova fronteira. Trata-se de um novo serviço audiovisual com força pra competir com a TV paga, TV aberta e cinema. Não regulá-lo significa colocar o serviço em condição de desigualdade com o resto do setor, abrindo mão de todas as políticas para o audiovisual e os princípios da Comunicação Social contidos na Constituição”, argumenta.

Apesar da convicção, o diretor-presidente da Ancine explica que o órgão preferiu não apressar o processo de implementação de regras pelo fato de o serviço ainda ser muito incipiente. “O Estado pode sufocar o desenvolvimento de uma atividade econômica se ele passa a impor uma série de regras sem nem saber como será a forma daquilo. O serviço precisa surgir, se desenvolver e apresentar suas características e limitações. O Estado tem de atuar a partir daí”, opina. “Desde 2015, temos atuado nesse debate. Abrimos debate público sobre o tema e a Ancine passou a participar de atividades, expondo suas opiniões”.

O debate foi encampado pelo Ministério da Cultura e pelo Conselho Superior de Cinema, relata. Além disso, tem-se colhido opiniões e posições dos agentes do setor, traçando paralelo com as experiências internacionais - em especial, a europeia.

“Os agentes econômicos que prestam serviços de VOD vêm dos mais diversos mundos. Programadoras de TV, cinema, livraria, fabricante de equipamentos… Todos eles têm interfaces que levam a isso. A mesma coisa com as empresas de telefonia”, acrescenta.

Os provedores de VOD, se pudessem, prefeririam um ambiente sem regulação, afirma Rangel. De outro lado, prestadores de serviços audiovisuais tradicionais, questionam a razão de terem de se submeter a um conjunto de obrigações, enquanto outros não. É preciso haver isonomia. “Fixamos a ideia de que é preciso, sim, regular o VOD. A polêmica e o desafio a serem resolvidos é sobre quais as medidas a serem adotadas e em qual dosagem. Para se ter ideia, os provedores desse tipo de serviço, até o momento, não precisam prestar nenhum tipo de informação ao Estado brasileiro".

Conforme Rangel anuncia, a Ancine divulgará em breve o relatório da Consulta Pública sobre o assunto e dará seu parecer. Esse aporte, de acordo com ele, será entregue ao Poder Executivo, ao Poder Legislativo e à sociedade brasileira, de forma a dar continuidade no debate público e, possivelmente, avançar na regulação do serviço.
Posted: 13 Apr 2017 08:39 PM PDT
Por Olímpio Cruz Neto

O país já não se escandaliza nem reage aos desmandos cometidos, aqui e ali, pelos principais atores no centro do palco da política nacional. Caricatos, os homens que comandam a República fingem uma normalidade institucional que vulgariza a política e atropela o bom senso. Tudo em nome dos novos tempos e dos brados de uma redução fiscal que faça do Orçamento uma ponte para o século 19.

No Congresso, enfia-se goela abaixo do povo uma sucessão de reformas que destroem o futuro e fulmina as esperanças da construção de um país mais justo. No Judiciário, os principais agentes públicos – juízes e procuradores – trocam insultos e ofensas, sem ficarem ruborizados com as desfeitas cometidas em nome da Justiça, enquanto fingem não ver desfeitas e ilícitos confessados.

No governo central, Michel Temer e seus ministros se confraternizam em convescotes com a elite econômica, tramando a retirada de direitos e a destruição do Estado brasileiro e da já bulímica política de bem estar social. Tudo em nome dos agrados ao mercado, que se ufana da queda da inflação e proclama novos cortes, enquanto a recessão campeia e já provoca o desemprego de 13,5 milhões de brasileiros.

Nas ruas, o povo parece descrente. Nem a classe média brasileira, que foi às ruas nos últimos dois anos para pedir o impeachment de Dilma e vestiu Lula de presidiário, sabe bem o que quer. Basta ver o fiasco das últimas manifestações nas principais cidades brasileiras. Paira no ar a descrença. Ainda mais com a chamada Lista de Fachin, que fulmina a imagem de conservadores que tanto arrotaram o pomposo discurso de que o mal do Brasil foi o lulopetismo.

Aécio Neves, Geraldo Alckmin, José Serra, Aloizio Nunes Ferreira... Os próceres do tucanato escondem o bico sujo de propinas, enquanto espalham as penas e fingem que continuam acima da moral. No PMDB, Michel Temer, Romero Jucá, Renan Calheiros, Moreira Franco e Eliseu Padilha surgem inteiros nos detalhes de reuniões nebulosas, marcadas por um pedágio de US$ 40 milhões.

Os descrentes olham para Dilma, mas resistem a ver o óbvio. A presidenta eleita por 54,5 milhões de votos foi deposta para franquear a máquina do Estado para as tenebrosas transações dos velhacos que se esgueiram para dividir o botim e vender o país. E Lula, o timoneiro que veio do povo, mesmo arranhado pelas denúncias requentadas em torno de pedalinhos, um sítio e um apartamento no Guarujá, ainda segue na lembrança do povo como o maior presidente do Brasil. Alvo de uma campanha difamatória sem precedentes, que ofende sistematicamente sua história, Lula ainda lidera a corrida presidencial.
Há chances de que o establishment se desfaça do hospedeiro no Planalto, privando Michel Temer do mandato, e definindo por via indireta um nome para comandar o país. Pelo menos um aventureiro se inclina e mostra-se à disposição das elites e da velha plutocracia brasileira: Gilmar Mendes. Ele quer e deseja ocupar o poder sem intermediários.

Chegou a hora de tirar o povo da letargia e reacender a esperança. O risco da descrença na política é o país repetir como tragédia a farsa que vivenciou no passado, quando a ilusão do salvador da pátria levou ao Palácio do Planalto um outsider. Não é possível correr novamente tal risco. É hora de ganhar as ruas e pressionar pela antecipação das eleições diretas.
Posted: 13 Apr 2017 08:35 PM PDT
Por Jeferson Miola

A abertura do sigilo das investigações da Lava Jato tem o efeito bombástico de implodir o sistema político. Num sistema derrocado, nada fica em pé, nem mesmo a candidatura Lula.

Esta medida extremada não parece ser o desfecho original idealizado para a Lava Jato, mas pode significar a alternativa restante para evitar o retorno do Lula à presidência do Brasil.

É cada vez mais claro que Lula e o PT sempre foram os alvos estratégicos da Lava Jato. Os estrategistas da Operação apostavam que o golpe causaria a derrocada do PT e a destruição simbólica do ex-presidente Lula no imaginário popular. Não foi, porém, o que aconteceu.

Com o aprofundamento do golpe, Lula se consolidou como o único personagem, de dentro do sistema político, com viabilidade eleitoral e, sobretudo, com autoridade moral e política para pacificar o país e comandar a reconstrução econômico-social e a restauração democrática do Brasil.

Afora Lula, só restam opções por fora do sistema político tradicional; restam os outsiders, os aventureiros, os demagogos populistas; um Sílvio Berlusconi da Lava Jato – alguém, por exemplo, como o prefeito paulistano João Dória.

A abrangência e o caráter sistêmico da corrupção que abastece o sistema político exige uma reforma política radical, que tenha como pontos de partida [1] o fim do financiamento empresarial da política, das eleições e dos partidos e [2] a eliminação da esquizofrenia em que um presidente eleito com 60% dos votos tenha menos de 15% de representação no Congresso.

A força-tarefa da Lava Jato, todavia, descarta a reforma política necessária, porque entende que o sistema deve ser totalmente implodido para dar lugar ao nascimento de novas estruturas, de novas instituições e de políticos puros, limpos, honestos e probos como eles, os juízes, procuradores, os “gestores”, os “não-políticos”, os pregadores, os “joãos trabalhadores” ...

A divulgação da vasta corrupção dos partidos do bloco golpista, em especial do PMDB, PP e PSDB, causa a falsa aparência de imparcialidade da Lava Jato, porque finalmente teria deixado de ser seletiva nos vazamentos e nas denúncias. Esta falsa aparência é requintada com a citação de todos ex-presidentes da República.

Mas na realidade, é apenas um simulacro de justiça e isenção; é uma falácia para seduzir o senso comum e, ao mesmo tempo, servir de álibi para o arbítrio preparado contra o ex-presidente Lula.

Os expoentes políticos da direita, numerosos, foram todos protegidos com o foro privilegiado e, por isso, dificilmente serão julgados antes de 2022. Os principais candidatos golpistas à eleição presidencial [Alckmin, Aécio e Serra], que já exibiam desempenho ridículo nas pesquisas, ficaram definitivamente inviabilizados com a revelação da roubalheira em que estão envolvidos.

Por outro lado, os ex-ministros dos governos petistas, e, notavelmente, o ex-presidente Lula – a jóia da coroa da Operação – serão julgados ainda em 2017 com celeridade e arbítrio por um juiz faccioso, dominado por sentimentos odiosos e fascistas.

O derrocamento do sistema político pode representar a estratégia da força-tarefa para impedir o regresso do Lula à presidência do Brasil, ao preço do estilhaçamento do país no precipício.
Posted: 13 Apr 2017 02:19 PM PDT

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