segunda-feira, 17 de abril de 2017

17/4 - “Nós temos as chaves do futuro!”

FONTE:Castor Filho <castorfilho@yahoo.com>


“Nós temos as chaves do futuro!”Jean-Luc Mélenchon, 22/4/2012, Praça Stalingrad, Paris, (trad. em redecastorphoto)

Homenagem da Vila Vudu à campanha e a luta de Jean-Luc Mélenchon, candidato do Parti de Gauche às eleições francesas, e que a Vila Vudu orgulha-se de acompanhar há exatos cinco anos.
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Temos em mãos as chaves do futuro. Quanta gente! Somos muitos!

Meus amigos,

se estiverem corretos, os primeiros números que nos apresentaram permitem que se extraiam algumas lições.

A primeira lição, já bem clara, é que os franceses parecem decididos a virar a página dos “anos Sarkozy”. O total de votos das direitas, em todos os seus diferentes grupos, diminuíram, em relação a 2007.

De muito grave, sim, é que a extrema direita aparece com grande número de votos: fizemos muito bem, portanto, em concentrar nossa campanha na análise e na crítica radical das propostas da extrema direita. Acertamos. E se não tivéssemos acertado, o mais provável é que os resultados dessa noite fossem ainda mais alarmantes. Porque, sim, o resultado de hoje é alarmante.

E é hora, agora, de dizer o quanto nos sentimos sós, em vários momentos, nessa campanha: de um lado, um nos imitava; de outro, o outro nos ignorava.

A verdade é que fizemos, nós sozinhos, a parte mais difícil da luta. Vergonha para os que preferiram atirar contra nós, e não nos ajudaram.

Lembrem, para sempre, os nomes dos que fugiram da luta real ou, pior, os que preferiram repetir argumentos anticomunistas de extrema direita, contra nós.

Hoje, somos nós, a Frente de Esquerda, que temos em mãos a chave do resultado final dessas eleições.

São vocês, portanto – não eu, é claro – que têm em mãos essa decisão, porque, de verdade, podemos ser a força política nova, que abriu caminho e nasceu nessas eleições. E somos nós, portanto, que temos as chaves dessa eleição.

Convoco todos a assumirem, de plena consciência, essa responsabilidade, sem dar ouvidos aos comentários, às ‘análises’, às opiniões impressionistas, aos joguinhos de previsões, aos quais recomendo que ninguém se renda.

O que digo agora, e bem claramente, é que, em plena consciência, nada há, absolutamente, que nós possamos negociar.

Nosso compromisso não precisa da autorização de ninguém, nem de adulação, para desdobrar-se com plena energia.

Convoco todos a mobilizar-se nos encontros já marcados. Dia 1º de maio, nos nossos sindicatos, com os trabalhadores em suas lutas, que é o nosso campo, nossa família política: o mundo do trabalho e suas reivindicações.

Convoco todos para que nos reunamos dia 6 de maio – e sem nada pedir em troca de nosso voto – para derrotar Sarkozy!

Convoco todos a não arredarem pé, a não cederem um palmo de terreno, convoco todos a se mobilizarem, como se se tratasse de me eleger à presidência.

E nada peçam em troca do voto de vocês.

Votem contra Sarkozy, em ato de plena consciência.

Por quê? Porque a nossa luta não é luta nacional, que só se dispute na França, nesse momento.

Trata-se, nessas eleições, de virar a mesa, de inverter a tendência que, em toda a Europa mantém todos os povos sob o jugo do eixo Sarkozy-Merkel. Esse eixo tem de ser quebrado aqui, na França. E vamos quebrá-lo.

Quando o tivermos quebrado, ficará então bem claro, sem bravatas, que nós, doravante, tomaremos as decisões. Nós, a nossa frente de esquerda, em toda a França e em toda a Europa. Cabe-nos agora corresponder ao poder que conquistamos pela nossa união. 

Continuemos a andar tranquilamente, pelo nosso caminho. Inelutavelmente, a história caminha ao nosso encontro e nós ao encontro dela. Inevitavelmente, as ideias e soluções que nós defendemos – sobretudo a ideia da redistribuição da riqueza, não há dúvida de que ela estará na ordem do dia, nos choques que se anunciam.

Seja quem for o próximo presidente da França, a finança, desde sempre e já, prepara-se para amordaçar o povo francês.

Então, tratar-se-á de curvar-se ou de resistir. E, para resistir, a França só conta com uma força, a nossa! [Resistência! Resistência!].

Tenham no coração, o sentimento do trabalho bem feito. Não esqueçam jamais as imagens da força da união de vocês todos. Não se deixem dividir, dispersar.

Dessa vez, nos fizemos ouvir e chegamos no pelotão da frente. Da próxima, será a vez de chegar ao poder, pelas urnas e pelas vias democráticas.

Viva a República! Viva a classe operária! Viva a França!*****

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