sexta-feira, 21 de abril de 2017

21/4 - Altamiro Borges DE HOJE

Altamiro Borges


Posted: 21 Apr 2017 08:28 AM PDT
Por Renato Rovai, em seu blog:

Está ficando cada vez mais evidente que o Partido Novo será a nova legenda dos liberais. Ou se preferirem, de boa parte daqueles que se organizavam em partidos como o PSDB, PMDB, DEM e quetais, que estão sendo destruídos pela Lava Jato.

A última notícia a corroborar essa tese é a filiação de Bernardinho, técnico da seleção brasileira de vôlei, a este partido.

Mas há uma outra notícia que ganhou pouco destaque é a ainda mais contundente de quem pode vir a capitanear o Novo.

Ao demitir Soninha Francine da Secretaria de Assistência Social, Doria entregou a pasta para Filipe Sabará, que era o Secretário-Adjunto.

Sabará tem 33 anos, fez Relações Internacionais na FAAP e é um dos fundadores do Partido Novo.

Doria não dá ponto sem nó, como se sabe. E a promoção de Sabará deve ter sido anotada no caderninho de Alckmin.

O prefeito de São Paulo está vendo a barca do PSDB afundar e por isso está acelerando na construção de uma raia própria, desvinculada daquele que lhe garantiu o governo da capital paulista.

Como conhece a história, Doria sabe que nesses momentos de crise político-institucional, como o Brasil também viveu no final da década de 80, é fundamental estar desvinculado do que barco que afunda.

Naquela época, denúncias de corrupção e a hiper inflação afundaram o PMDB e o PFL, partidos que haviam criado a Aliança Democrática.

Havia um enorme receio de que Brizola e Lula acabassem herdando com a crise e um dos dois viesse a ser eleito em 89. Isso tinha até um nome, Efeito Brizula.

Foi quando surgiu Collor, uma figura que também acelerava e parecia ter juventude para enfrentar o sistema e mudar tudo.

O governador de Alagoas falava em caçar marajás, mas no início nem pretendia ser candidato a presidente. Como se ficou sabendo depois, ele queria ser vice de um político mais graduado. Seu objetivo principal era sair numa chapa com Covas.

Mas ao perceber que poderia ser a bola da vez, criou o seu próprio projeto. O Partido da Reconstrução Nacional (PRN), que foi fundado com o nome de Partido da Juventude (PJ), acabou sendo a legenda que o levou a presidência da República.

Doria talvez tivesse acelerado no início do seu mandato pensando em entregar a prefeitura para Bruno Covas e disputar o governo do estado.

Mas isso é passado. E o Partido Novo já sabe que tem um quadro a seu dispor. E começarão, fiquem atentos, a pipocar filiações como a de Bernardinho na nova legenda.

Neste momento, o partido buscará nomes novos. Mas vai chegar uma hora em que políticos que querem sobreviver ao tsunami também começarão a deixar suas siglas em direção ao Novo.

E aí, Alckmin, Aécio e Serra já não terão mais a concorrência de Doria para saber quem será o candidato do PSDB. Doria será candidato do Novo. Com o apoio do mundo empresarial, de todos os movimentos de rua que estiveram no impeachment, como MBL, e com a força da mídia, leia-se Globo à frente.

Luciano Huck também deve ir para o Novo, como Bernardinho. É só uma questão de tempo. Mas a Globo sabe que será muito difícil lançar seu nome à presidência. É Doria que é a bola da vez. Huck e Bernardinho servirão ao projeto Rio, que também está vivendo um imensa crise.

Ou seja, a direita já está em plena reorganização. A esquerda por enquanto só observa.
Posted: 21 Apr 2017 07:22 AM PDT
Por Marcio Pochmann, na Revista do Brasil:

Uma contradição fundamental se processa no golpismo que sustenta o governo Temer desde a sua imposição no ano passado. Quanto mais forte o seu governo maior a exposição de sua fraqueza.

Isso porque a sua fortaleza provem justamente dos responsáveis por sua própria criação. De um lado, a extensa e integrada base parlamentar no poder legislativo federal, que oferta apoio jamais observado ao longo do ciclo político da Nova República, iniciado em 1985.

O centro deste apoio não parece ser ideológico, programático ou grandioso em nome do Brasil melhor. Pelo contrário, pois fundamentado na individual e rasteira lógica da sobrevivência cada vez mais ameaçada pela contaminação proveniente do mar de lama da corrupção.

Desde o surgimento da Operação Lava Jato, sob guarida do governo Dilma, a sua aceitação pelo status quo parecia visível enquanto se mantinha concentrada na investigação seletiva e focada nos políticos petistas, bem como no plano do Executivo federal. Quando transpareceu que não mais seria possível manter as denúncias, investigações e julgamentos estritamente no leito petista, um novo corpo no interior do Legislativo teria se formado a partir da liderança de Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

A expectativa seria a de entregar o governo Dilma como fazem os boiadeiros que, para passar pelo rio perigoso com a boiada entregam um, o "boi de piranha". Dessa forma, o fim do governo liderado pelo PT traria consigo a perspectiva de que seria possível virar a página de todos os males do Brasil.

Com isso, a inédita constituição da unidade entre os poderes Executivo, sob direção de Temer, e Legislativo, conduzido por Cunha, faria sentido e segurança como um dique à contaminação do mar de lama da corrupção. Mesmo na queda de Cunha, a hegemonia parlamentar apresentou contida fissura frente aos sinais de convencimento, animados pelo governo Temer em oferecer resistências ao avanço das diversas operações do estamento público (policial, judicial e ministerial).

De outro lado, a base social e econômica interna e externa defensora do projeto neoliberal no país. Ao perceber que a derrota em 2014, a quarta sucessiva desde 2002, poderia vir acompanhada de não apenas mais quatro anos de Dilma, mas do acréscimo de oito anos com novamente Lula, o que poderia significar 24 anos de governos petistas (2003 – 2026), a oposição se lançou numa verdadeira aventura política sem volta.

O rompimento democrático logo se apresentou diante da não aceitação do resultado eleitoral, o que significou a instalação de inacreditável terceiro turno através da diversidade de medidas (solicitação da recontagem de votos no TSE, questionamento da prestação de contas, pautas-bomba no Legislativo e impeachment). Vinte meses após o término do segundo turno, o Senado Federal aprovou, em terceiro turno, a vitória da oposição, expressa pela ascensão de Temer, revestido do programa neoliberal para o Brasil, mesmo tendo sido derrotado democraticamente em 2014.

Assim, as medidas impopulares das reformas neoliberais que desconstituem o Estado e o país com mais desemprego e pobreza, enriquecem os já ricos, e entregam o setor produtivo nacional (estatal e privado) às corporações transnacionais vêm sendo aceitas pela base parlamentar e fartamente apoiada pela base social e econômica de oposição aos governos do PT.

Essa verdadeira fortaleza, contudo, traz embutida, a sua própria fraqueza. O dique da base parlamentar do governo Temer não mais parece ser suficiente para impedir o transbordamento do mar de lama da corrupção. Pelo visto, poucos sobreviverão.

Ao mesmo tempo, a base social e econômica encolhe diante das tragédias semeadas pelas reformas neoliberais. O sucessivo anúncio de maldades joga mais "brasas na sardinha alheia", o que tende a tornar cada vez mais imbatível a candidatura oposicionista em 2018.

Cabe, contudo, questionar: haverá eleição presidencial em 2018? E se houver, em que condições? Ou poderá se repetir o que aconteceu em 1965, quando foi negada a expectativa de alguns democratas e candidatos presidenciais que apoiaram o golpe de 1964 na tentativa de eliminar a força do PTB da época e se tornarem viáveis eleitoralmente? A força do conservadorismo autoritário não permitiu que isso viesse a acontecer.
Posted: 21 Apr 2017 07:12 AM PDT
Por Rodrigo Martins, na revista CartaCapital:

A popularidade de Michel Temer não para de despencar. Apenas 5% da população considera o desempenho do presidente ótimo ou bom, ante 14% em outubro do ano passado, revelou uma pesquisa do instituto Vox Populi, encomendada pela Central Única dos Trabalhadores e divulgada em primeira mão por CartaCapital na semana passada.

Na edição que chega às bancas de todo o País nesta sexta-feira 21, a revista apresenta com exclusividade outra dimensão da sondagem: para 78% dos entrevistados, o Tribunal Superior Eleitoral deveria cassar o mandato de Temer pelas supostas irregularidades cometidas pela chapa Dilma-Temer em 2014. Não é tudo: nove em cada dez brasileiros desejam que o novo presidente seja escolhido por eleições diretas, e não pelo Parlamento, como previsto pela Constituição.

Os pesquisadores consultaram 2 mil eleitores com mais de 16 anos, residentes em 118 municípios, de todos os estados e do Distrito Federal, em áreas urbanas e rurais, entre 6 e 10 de abril. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos.

Motivos para apoiar a destituição de Temer não faltam. O peemedebista tem promovido um desmonte dos resquícios do Estado de Bem-Estar Social no Brasil, com o congelamento dos gastos públicos por duas décadas e a dilapidação dos direitos dos trabalhadores, um projeto político que jamais passaria pelo crivo do voto popular.



A rejeição às reformas de Temer beira a unanimidade. O aumento da idade da aposentadoria para 65 anos e do tempo de contribuição (mínimo de 25 anos), base da reforma da Previdência, é rejeitado por 93%, revela a pesquisa CUT/Vox Populi. E e 80% reprova a Lei de Terceirização.

Além disso, o peemedebista figura como anfitrião, em seu escritório político em São Paulo e no Palácio do Jaburu, de negociatas que somam mais de 80 milhões de reais, segundo as delações de executivos da Odebrecht. Blindado pelo cargo, que o protege de responder por atos cometidos antes de sua posse, Temer possui nada menos que oito ministros investigados pela Operação Lava Jato.

O desejo de antecipar as eleições presidenciais esbarra, porém, na má vontade do Legislativo para entregar ao povo o seu destino. Boa parte dos parlamentares, na verdade, parece mais preocupada em salvar a própria pele, e não se descarta a possibilidade de uma autoanistia para crimes eleitorais, como a prática do caixa 2. Apenas a nova lista de inquéritos autorizados pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, atinge 24 senadores e 39 deputados federais.

Animador do impeachment de Dilma Rousseff, o senador Aécio Neves, presidente nacional do PSDB, é recordista de investigações abertas, ao lado de Romero Jucá, do PMDB, cada um deles alvo de cinco apurações. Os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), e do Senado, Eunício Oliveira (PMDB), também figuram nas planilhas de repasses ilegais da Odebrecht, com os apelidos de “Botafogo” e “Índio”, respectivamente.

“Diretas Já” e greve geral
“A crise política só começará a ser debelada com novas eleições, e somente uma intensa mobilização popular, com os movimentos sociais e a população nas ruas, será capaz de antecipá-las”, afirma Vagner Freitas, presidente da CUT, para quem não adianta esperar do Legislativo qualquer solução. “Boa parte dos deputados e senadores que estão aí sabe que não será capaz de se reeleger em 2018, até pelos impactos da Lava Jato. Parecem negociar o fim de suas carreiras políticas.”

As centrais sindicais planejam, para o próximo dia 28, uma greve geral contra as reformas trabalhista e previdenciária. Desde o início do ano, o movimento sindical tem enfrentado dificuldade para garantir a adesão de trabalhadores de setores estratégicos da economia em um cenário de elevado desemprego. Agora Freitas se mostra confiante em uma megamobilização, impulsionada pelo próprio governo.

“Cada vez que Temer se manifesta pelas reformas que retiram direitos dos trabalhadores, ele aumenta as nossas chances de sucesso. A sociedade civil é absolutamente contrária a essas propostas”, observa o presidente da CUT, lembrando as contundentes manifestações de oposição às reformas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil CNBB) e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

“Se insistir nessa agenda, Temer só aumentará a sua impopularidade. Os parlamentares que quiserem morrer abraçados com ele votarão com o governo”, diz Freitas. Embora não abracem a bandeira pelas “Diretas Já”, encampada pelos movimentos e centrais que integram as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, a Força Sindical e a UGT, cujas lideranças chegaram a apoiar a “solução Temer”, decidiram participar da greve geral.

Corrupção sistêmica e capilarizada
“As delações da Odebrecht demonstram que a corrupção no Brasil é sistêmica e capilarizada, e não um produto ou privilégio de um único partido ou governo, como alguns tentavam desenhar até poucos meses atrás”, observa o cientista político Claudio Couto, professor da Fundação Getulio Vargas.

Ex-presidente do braço de infraestrutura da empreiteira, Benedicto Júnior, o “BJ”, entregou à força-tarefa da Lava Jato uma planilha com os nomes de 182 políticos que teriam recebido doações ilegais de campanha, via caixa 2, entre 2008 e 2014, em troca de contrapartidas esperadas pela construtora. A lista atinge praticamente todos os partidos, sobretudo os maiores, nas três esferas de poder: União, estados e municípios.

Por essa razão, Couto não estranha o desejo popular de antecipar as eleições, embora considere o prazo exíguo demais para levar o projeto a cabo. “O problema é que as eleições de 2018 não estão muito distantes. A pré-campanha deve começar daqui a um ano. Não temos um sistema parlamentarista, habituado a dissolver o Congresso e organizar novas eleições, como propôs Theresa May no Reino Unido”, observa o professor. “Até pelo grau de desorganização que um escândalo dessa magnitude provoca, talvez seja até melhor dar um tempo para a classe política se reposicionar nesse cenário.”

Movimentos têm pressa
Os movimentos sociais relutam, porém, em aceitar passivamente a manutenção de um governo que consideram ilegítimo. “Ninguém sabe como será esse processo eleitoral de 2018, se ele de fato existirá e sob quais circunstâncias. Além disso, em menos de um ano, essa turma conseguiu promover um gigantesco retrocesso do ponto de vista dos direitos sociais. Se tiver mais um ano e meio pela frente, é capaz de Temer conseguir revogar a Lei Áurea”, diz Guilherme Boulos, coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto.

“Na verdade, muito além de antecipar eleições, inclusive para renovar o Parlamento, precisamos colocar em pauta uma mudança profunda do sistema político, radicalizar a democracia”, emenda Boulos. “É preciso garantir o financiamento público e exclusivo de campanhas eleitorais para acabar com essa captura do Estado pelo interesse privado, ampliar os mecanismos de participação popular, fortalecer os plebiscitos, trazer o povo para decidir sobre as questões fundamentais do País diretamente.”

Ainda que os movimentos sociais consigam mobilizar parcela significativa da sociedade por novas eleições, não há garantia de sucesso para o movimento das Diretas Já, observa Marcos Coimbra, diretor do Vox Populi. “Em um cenário realista, não vejo essa vontade da opinião pública ser traduzida pelo sistema político. A sociedade brasileira deseja a saída de Temer, mas a elite ainda acredita que ele será capaz de tocar essa agenda impopular que atende tão bem aos seus interesses”, diz Coimbra. “O que mais o ameaça neste momento são as dificuldades enfrentadas no Parlamento. A única condição que o mantém no poder é aprovar as reformas prometidas ao mercado. Sem isso, Temer é descartável.”
Posted: 21 Apr 2017 06:51 AM PDT
Do site do Lula:

Leia abaixo a nota da Defesa de Luiz Inácio Lula da Silva a respeito do depoimento do empresário Léo Pinheiro, concedido nesta quinta-feira (20) na 13ª Vara Federal de Curitiba.

"Léo Pinheiro no lugar de se defender em seu interrogatório, hoje, na 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, contou uma versão acordada com o MPF como pressuposto para aceitação de uma delação premiada que poderá tirá-lo da prisão. Ele foi claramente incumbido de criar uma narrativa que sustentasse ser Lula o proprietário do chamado triplex do Guarujá. É a palavra dele contra o depoimento de 73 testemunhas, inclusive funcionários da OAS, negando ser Lula o dono do imóvel.

A versão fabricada de Pinheiro foi a ponto de criar um diálogo - não presenciado por ninguém - no qual Lula teria dado a fantasiosa e absurda orientação de destruição de provas sobre contribuições de campanha, tema que o próprio depoente reconheceu não ser objeto das conversas que mantinha com o ex-Presidente. É uma tese esdrúxula que já foi veiculada até em um e-mail falso encaminhado ao Instituto Lula que, a despeito de ter sido apresentada ao Juízo, não mereceu nenhuma providência.

A afirmação de que o triplex do Guarujá pertenceria a Lula é também incompatível com documentos da empresa, alguns deles assinados por Léo Pinheiro. Em 3/11/2009, houve emissão de debêntures pela OAS, dando em garantia o empreendimento Solaris, incluindo a fração ideal da unidade 164A. Outras operações financeiras foram realizadas dando em garantia essa mesma unidade. Em 2013, o próprio Léo Pinheiro assinou documento para essa finalidade. O que disse o depoente é incompatível com relatórios feitos por diversas empresas de auditoria e com documentos anexados ao processo de recuperação judicial da OAS, que indicam o apartamento como ativo da empresa.

Léo Pinheiro negou ter entregue as chaves do apartamento a Lula ou aos seus familiares. Também reconheceu que o imóvel jamais foi usado pelo ex-Presidente.

Perguntado sobre diversos aspectos dos 3 contratos que foram firmados entre a OAS e a Petrobras e que teriam relação com a suposta entrega do apartamento a Lula, Pinheiro não soube responder. Deixou claro estar ali narrando uma história pré-definida com o MPF e incompatível com a verdade dos fatos.

Cristiano Zanin Martins"
Posted: 21 Apr 2017 06:47 AM PDT
Do site da Federação Nacional dos Jornalista (Fenaj):

Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) foi surpreendida, nesta quinta-feira (20), com a notícia de que o ex-presidente Celso Augusto Schröder, atual diretor de Relações Institucionais da entidade, foi demitido pelo Correio do Povo, jornal do Estado do Rio Grande do Sul onde o jornalista trabalhava há 30 anos.

Atual presidente da Federação dos Jornalistas da América Latina e do Caribe (Fepalc), membro titular do Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional e ex-vice-presidente da Federação Internacional dos Jornalistas (FIJ), Schröder foi convocado por telegrama para receber o comunicado de dispensa pelo diretor de Redação.

Durante a metade das três décadas em que foi funcionário da empresa, o ex-presidente da FENAJ foi impedido de exercer a função de chargista – para a qual fora contratado -, em função dos mandatos sindicais que exerceu ao longo dos últimos quinze anos.

Liberado para representar o movimento sindical dos jornalistas, há dois meses Schröder se apresentou para trabalhar e a direção do Correio do Povo teve de permitir a volta dele à função. Porém, ontem, a empresa anunciou o desligamento unilateral de Celso Schröder, que é também professor do curso de Jornalismo da Famecos – Faculdade de Comunicação da PUCRS.

A demissão de jornalistas é uma prática usual no Grupo Record. Na TV, por exemplo, o processo de afastamento dos profissionais que paralisaram as atividades em função de reivindicações da categoria foi amplamente denunciado pelo Sindicato dos Jornalistas no Estado do Rio Grande do Sul. À época, a equipe foi reduzida ao mínimo.

A dispensa de um dirigente sindical de reconhecida atuação internacional e acadêmica, contudo, confirma o desprezo do Correio do Povo à autonomia sindical e escancara uma forma de violência não só contra Schröder, mas contra todos os jornalistas, cujos dirigentes deveriam ter assegurado o direito de exercer com liberdade a defesa da categoria dentro e fora da empresa.

A agressão às entidades representativas dos jornalistas, a perseguição política e o desrespeito dos veículos de comunicação aos dirigentes sindicais não são fatos isolados. Mais que um novo caso de prática antissindical contra diretores no exercício do mandato, a demissão de Celso Schröder integra um contexto de ataques à democracia, aos direitos e a livre organização da classe trabalhadora, que devem ser denunciados e combatidos com firmeza não só pela categoria, mas por toda a sociedade.

A Fenaj, os 31 sindicatos de jornalistas filiados e as entidades abaixo subscritas repudiam de forma veemente a demissão do ex-presidente e informam que tomarão todas as providências cabíveis para devolver a Celso Augusto Schröder o direito de representar e defender a categoria com liberdade e autonomia, como prevê a legislação desrespeitada pelo jornal Correio do Povo.

Brasília, 20 de abril de 2017

Federação Nacional dos Jornalistas – FENAJ
Federação Internacional dos Jornalistas – FIJ
Federação dos Jornalistas da América Latina e do Caribe – Fepalc
Federação Latinoamericana de Jornalistas – Felap
Central Única dos Trabalhadores – CUT
Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – CTB
União Geral dos Trabalhadores no Pará – UGT/PA
Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação – FNDC
Confederação dos Servidores Públicos Municipais – Confetam
Federação dos Trabalhadores em Rádio e TV – Fitert
Federação dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal no CE – Fetamce
Federação dos Sindicatos dos Servidores Municipais Cutistas do PR – Fessmuc
Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do PA – Fetec/Centro Norte
Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Gráfica do CE – Sintigrace
Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Curitiba – Sismuc
Posted: 21 Apr 2017 06:40 AM PDT
Por Tereza Cruvinel, em seu blog:

O procurador-geral Rodrigo Janot agora vai ter que sair da toca e dizer ao ministro Luiz Fachin, relator da Lava Jato, se na sua opinião, que tem elevadíssimo valor nos processos que correm no STF, Michel Temer pode ou não ser investigado. Quando apresentou sua lista baseada nas delações da Odebrecht, Janot blindou Temer, mas pendurou a conta num antigo entendimento do Supremo, um parecer de 2003 do ex-ministro Sepúlveda Pertence. Acontece que no ano passado o ministro Teori Zavascki disse o contrário sobre a hipótese de investigação, quando foi questionado pelo PPS.

(O artigo 86 da Constituição) “não inviabiliza, se for o caso, a instauração de procedimento meramente investigatório, destinado a formar ou a preservar a base probatória para uma eventual e futura demanda contra o chefe do Poder Executivo”. Na época, Teori recusou o pedido de investigação contra Dilma, apresentado pelo PPS, por falta de elementos consistentes. Mas deixou a porta aberta e é por ela que agora o PSOL quer passar com seu pedido para que Temer seja investigado sobre a denúncia de ter participado de uma reunião para acertar uma propina de US$ 40 milhões em 2010.

Fachin, na primeira hora, acolheu o pedido de Janot e deixou Temer fora de sua lista. Mas com a ação apresentada pelo PSOL, pediu que Janot se manifeste a respeito. Agora Janot terá que dar a opinião dele, e não dizer que o Supremo já decidiu a respeito, baseando-se no parecer de 2003. Foram fortes as ilações de que ele blindou Temer pensando na própria recondução ao cargo para um terceiro mandato. Em tácito agradecimento, Temer poderia aceitar sua indicação, se ele for o mais votado da lista elaborada pelo Ministério Público. Com a jogada de Fachin, Janot vai ter que se expor.

Ainda que Temer não possa ser processado agora, enquanto estiver no cargo, mas possa ser apenas investigado, como disse o próprio Sepúlveda no voto que Janot interpretou como sendo uma vedação à investigação, ou como disse Fachin, isso tem um significado político. Um presidente investigado, é claro, torna-se muito mais vulnerável, seu desgaste aumenta, se isso ainda é possível com Temer. E o resultado das investigações, naturalmente, impactará o julgamento do STF, que a ação que lá transcorre trate da campanha de 2014 e não de ilícitos cometidos antes.
Posted: 21 Apr 2017 06:33 AM PDT
Por Rodrigo Vianna, no blog Escrevinhador:

O bombardeio da Globo contra Lula já era esperado. Na cobertura das delações odebrechtianas, o JN fala fino com os tucanos e berra grosseiramente contra o ex-presidente petista. Um massacre noticioso, que assume ares colossais, segundo o levantamento técnico feito pelo site do jornalista Fernando Rodrigues – clique aqui e confira porque a Globo é nociva para a democracia brasileira.

A pergunta é: por que a Globo mostra esse desespero?

A resposta veio hoje, com a pesquisa Vox Populi. Lula lidera em todos os cenários, com trajetória ascendente. E os tucanos derretem, ultrapassados por Bolsonaro e Marina Silva.

Primeiro Turno (abril de 2017)

Lula – 44%

Bolsonaro – 11%

Marina – 10%

Aécio – 9%

Ciro – 4%

Nulos/Brancos – 15%

Não sabe – 7%

A conclusão: os ataques sofridos por Lula ao longo de 2 anos já provocaram o estrago que deveriam provocar. As novas delações atingem aqui e ali o ex-presidente mas são desastrosas mesmo para o PSDB e os amigos de Temer.

O golpismo afunda, e a Globo se desespera. Doria (que governa São Paulo como se estivesse num programa de TV, e humilha secretários com demissões absurdas transmitidas pelo Facebook – como a que vitimou Soninha) se mostra pouco confiável… Aécio, Serra e Alckmin cumprem a trajetória de Lacerdas: deram o golpe e agora se veem acuados pela Lava-Jato que ajudaram a fomentar de maneira irresponsável.

O descalabro do governo Temer e os ataques aos direitos sociais tornam Lula um mito popular. No Nordeste, ele passa dos 70% de intenções de voto. Na média do país, venceria no primeiro turno se a eleição fosse hoje – apesar de todo o bombardeio midiático. Doria, incensado pela mídia paulista, mostra-se um leão desdentado.

Restam agora Moro e a Globo, numa tentativa desesperada de criar condições para que Lula seja derrotado no tapetão, impedido de concorrer.

O dia 3 de maio torna-se central. Lula e Moro estarão cara a cara. As forças que se organizam em torno de Lula prometem levar 50 mil pessoas para a porta do Fórum em Curitiba. A batalha das urnas de 2018 passa pelas ruas da greve geral em 28 de abril e pelo ato de Curitiba em 3 de maio.

Clique aqui para ver os números da pesquisa que tira o sono de Ali Kamel, dos irmãos Marinho e de Sergio Moro – juiz que joga em parceria com a emissora golpista.
Posted: 21 Apr 2017 06:26 AM PDT
Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania:

Pesquisa Ibope recém divulgada pelo Estadão afirma que “Luiz Inácio Lula da Silva voltou a ser o presidenciável com maior potencial de voto entre nove nomes testados pelo instituto”. Segundo o jornal, “pela primeira vez, desde 2015, os eleitores que dizem que votariam nele com certeza (30%) ou que poderiam votar (17%) se equivalem aos que não votariam de jeito nenhum (51%), considerada a margem de erro”.

Outro dado surpreendente revelado pela pesquisa é o de que, “desde o impeachment de Dilma Rousseff, há um ano, a rejeição a Lula caiu 14 pontos”, ou seja, de 64% para 51%, enquanto que as rejeições de todos os outros pré-candidatos dispararam, à exceção de João Doria, prefeito tucano de São Paulo, que, por ser pouco conhecido não é afetado pela crise de impopularidade que está afetando seu partido e os pré-candidatos tucanos após terem sido flagrados em esquemas de corrupção apesar de, até então, serem os maiores acusadores do PT.



A pesquisa foi feita antes de vir a público a lista do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, com as delações de executivos da Odebrecht que acusaram o ex-presidente de corrupção, junto com dezenas de outros políticos. Se a divulgação das denúncias prejudicou a imagem de Lula (e de outros denunciados), não houve tempo de isso ser captado pelo Ibope.

Contudo, o histórico da ascensão de Lula nas pesquisas do início de 2016 para cá mostra que a perseguição midiática, policialesca e judiciária a ele tem surtido efeito inverso ao pretendido. Desde a condução coercitiva do ex-presidente, em 4 de março do ano passado, Lula inverteu a linha descendente de popularidade e ascendente de rejeição que começou a afetá-lo no início de 2015, coincidindo com a queda pronunciada da avaliação da então presidente Dilma Rousseff após a crise econômica começar a se acentuar no início de seu segundo mandato.

Mas a queda da rejeição de Lula, em contrapartida ao aumento da rejeição dos prováveis adversários, integra um processo político-social muito mais amplo, que é a ascensão do ex-presidente na preferência popular para reinaugurar um novo período democrático no país a partir de 1º de janeiro de 2019, quando, espera-se, o Brasil voltará a ter um governo ungido pelo voto popular.

Os três principais nomes do PSDB, por sua vez, viram seu potencial de voto diminuir ao longo do último ano e meio. Desde outubro de 2015, a soma dos que votariam com certeza ou poderiam votar em Aécio Neves despencou de 41% para 22%. O potencial de José Serra caiu de 32% para 25%, e o de Geraldo Alckmin foi de 29% para 22%. Os três tucanos têm aparecem na pesquisa com taxas de rejeição superiores à de Lula: 62%, 58% e 54%, respectivamente.

O Ibope testou pela primeira vez o potencial do prefeito de São Paulo, João Doria, em uma eleição para presidente. Embora seja muito menos conhecido do que seus colegas de PSDB (44% de desconhecimento, contra 24% de Alckmin e 16% de Serra e Aécio), Doria tem 16% de eleitores potenciais (6% votariam com certeza). Sua rejeição é muito menor que a dos concorrentes, 36%. Contudo, se virar candidato, conforme se tornar mais conhecido a tendência será, além de ganhar mais eleitores, ganhar, também, mais rejeição.

O caso de Aécio é o mais impressionante, em termos de derrocada. Ele sofre desgaste até nos segmentos em que foi vitorioso. Desde outubro de 2015, seu potencial de voto no eleitorado de renda mais alta (acima de cinco salários mínimos) caiu de 44% para 26%. Na região Sudeste, um de seus redutos, a taxa caiu de 42% para 23%.

Já Marina Silva sofreu redução de potencial de voto e aumento da rejeição. Agora, um terço dos eleitores a indicam como possível opção – eram 39% em 2015 e há um ano.

Apesar de ter não contar mais com a projeção e a visibilidade inerente ao cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa ainda é considerado um candidato viável à Presidência da República por uma parcela considerável dos eleitores. Na pesquisa Ibope, ele aparece com 24% de potencial de voto (soma das respostas “votaria com certeza” e “poderia votar”).

Barbosa, que se celebrizou ao conduzir o julgamento do Mensalão e que se aposentou do STF em 2014, também não sofre os mesmos níveis de rejeição atribuídos aos políticos. Apenas 32% dizem que não votariam nele de jeito nenhum – uma das taxas mais baixas entre as dos nove nomes testados pelo Ibope. O ex-ministro do STF, porém, não manifestou intenção de se candidatar e nem sequer é filiado a um partido.

Jair Bolsonaro, que tenta se beneficiar da onda de rejeição a políticos – apesar de ser deputado desde o começo dos anos 90 –, aparece com 17% de potencial de voto na pesquisa. Seu possível contingente de eleitores cresceu seis pontos porcentuais desde o ano passado, mas a parcela que o rejeita aumentou ainda mais, de 34% para 42%.

Esse é o fenômeno que deverá afetar Dória caso se torne candidato a presidente.

Entre os dias 7 e 11 de abril, o Ibope realizou 2002 entrevistas face a face, em 143 municípios de todas as regiões do Brasil. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.

Essa disparada de Lula na pesquisa Ibope, após ter sido detectada pouco antes por pesquisa CUT-Vox Populi, segundo o analista do Estadão José Roberto Toledo deve-se a vários fatores. Segundo ele, Lula renasceu eleitoralmente por três motivos: o governo Temer, a memória do bolso do eleitor e, paradoxalmente, a Lava Jato – que respingou em quase todo político relevante.

O analista do Estadão destaca que o favoritismo de Lula pode mudar porque “a pesquisa Ibope foi feita antes de o Jornal Nacional dedicar 33 minutos ao petista na cobertura da Lista de Fachin”, como se fosse novidade o principal noticiário da Globo fazer isso.

Há pouco mais de um ano, em março de 2016, a redenção de Lula teve início justamente após o Jornal Nacional, mancomunado com o juiz Sergio Moro, ter desencadeado uma avalanche de matérias intermináveis contra o ex-presidente. Isso logo após a operação de busca e apreensão na residência e nos escritórios dele ter ocorrido simultaneamente às cenas fabricadas pela Lava Jato para serem exibidas no maior telejornal do país.

Foi justamente após o massacre midiático de Lula ao longo de março de 2016 que ele começou a crescer nas pesquisas e perder rejeição.

As arbitrariedades de Sergio Moro, como a de obrigar um réu a comparecer a uma enormidade de audiências, em claro arrepio à letra da lei, como vingança, o espaço desmesurado para massacre do ex-presidente apesar de as acusações contra si não serem piores do que as que pesam contra tucanos, tudo isso somado à depressão econômica e à supressão de direitos trabalhistas e previdenciários que está sendo levada a cabo pelos golpistas temerários são fatores que deverão eleger Lula para um terceiro mandato presidencial no ano que vem.

Isso porque mesmo o plano B dos golpistas de tentarem impedir o ex-presidente de disputar a eleição do ano que vem condenando-o criminalmente não deve funcionar. Seria necessário conduzir um processo de exceção que chocaria o mundo para atingir tal objetivo. Não há como condenar Lula duas vezes em um ano e três meses – de maio de 2017 a agosto de 2018 (início da campanha eleitoral).

A única chance de impedirem a candidatura de Lula seria prendendo o ex-presidente, mas não existe um único motivo lícito para levarem a cabo semelhante plano. Até agora não puderam prender o ex-presidente devido ao fato de que o MUNDO está de olho nas arbitrariedades que estão sendo levadas a cabo no Brasil. Uma condenação do regime pelas Nações Unidas representaria uma tragédia diplomática e transformaria o Brasil em uma ditadura oficializada.

O Jornal Nacional e seus penduricalhos em outras emissoras também não vão obter êxito. Todos sabem que a tese de que todos são corruptos mas o PT é mais só cola entre antipetistas fanáticos.

Mas caberá a Michel Temer e ao seu governo usurpador a maior responsabilidade pela eleição de Lula no ano que vem. A destruição dos direitos trabalhistas via terceirização e reforma trabalhista vão unir o país em torno do petista. Mais uma vez este Blog faz um prognóstico: o povo sairá à rua exigindo a volta de Lula ao poder. E isso ocorrerá até a campanha eleitoral do ano que vem. O chavão é inevitável: “QUEM VIVER, VERÁ!”
Posted: 21 Apr 2017 06:18 AM PDT
Por Bajonas Teixeira, no blog Cafezinho:



A pergunta pode parecer sem sentido já que, todo mundo sabe que Serra se enfiou num hospital para tratar da coluna, Cunha está em cana, e Mineirinho e Paes estão na moita. O fato, porém, é que entre a cana e a moita, há muito mais do que sonha a nossa vã filosofia. Principalmente porque a capacidade de ganhar ou perder visibilidade depende menos do próprio sujeito do que das conveniências da mídia. Lula, por exemplo, mesmo que quisesse sumir, não conseguiria. A mídia faz questão de mantê-lo 24hs por dia nas telas, homes, televisores, redes e portais.

Paes, por sua vez, que já foi um dos “jovens promissores” da política brasileira, contando com todas as atenções e favores da mídia, tem uma facilidade surpreende de se recolher nos desvãos da realidade, e sumir em qualquer dobra oferecida pela contingência diária dos fatos. É, na verdade, localizado como personagem secundário, semi-distanciado da boca do palco, e que, sendo posto a meio caminho, parece portar apenas uma mea culpa nas costas.

É possível que tudo isso se deva só aos tantos préstimos que Paes, prefeito da cidade que Recebeu a Copa e os Jogos Olímpicos, prestou à Globo e às outras empresas televisivas, que, em troca, o cobrem hoje com o véu da invisibilidade relativa. Claro que às vezes não dá mesmo, as listas aparecem, os dedos são apontados de todos os lados, e, quando isso ocorre, é preciso dar uma satisfação qualquer ao público.

Já Aécio Neves, esse sim, indisfarçavelmente um peixe bem graúdo, situado no topo da cadeia alimentar da política brasileira, é um prodígio na arte de estar não estando. Está, por exemplo, no centro do último escândalo, o da lista do Fachin, mas quase ninguém vê menção alguma a ele nas homes, manchetes, capas de revistas, primeiras páginas dos jornais, etc. Chega a ser um acinte, um crime contra a necessidade de informação da população, que está prevista nas concessões públicas de rádio e TV.

Crime idêntico se verifica em relação a FHC, a Alckmin, a Serra, a Aloysio Nunes, e a tantos e tantos outros nomes. Na verdade, quem observe com atenção a mídia na última semana, percebe claramente que foi combinada uma trégua ao PMDB e a Temer para que votem as reformas. É nítido e indiscutível o sumiço dessa gente das manchetes, ou, seu comparecimento em ternos neutros e sem qualquer menção a processos e denúncias.

Já Lula é o massacre inclemente, cruel, diário e múltiplo. A Globo não deu um minuto de descanso desde o dia 11, e já estamos no dia 20. Diferentemente dos supracitados protegidos da mídia, que, quando não é possível esconder, aparecem por 5 ou 10 minutos nas homes para em seguida mergulhar no abismo da ausência, Lula é exposto durante as 24 horas do dia em cada canal, em manchetes variadas, e em todos as paredes da mídia pendura-se o seu rosto num cartaz de “Procura-se Vivou ou Morto”.

E se ele, numa dessas peças pregadas pela idade, pelo excesso de stress de dois anos de perseguição, e pelo corpo, um campo minado de armadilhas, caísse doente? A mídia inteira gritaria em uníssono, que Lula armou para se esconder num hospital e angariar a comiseração da opinião pública. Serra, no início da semana, contou com toda a grossa cortina de ferro da imprensa para sair de cena, internando no hospital Sírio Libanês. Eis os dois pesos e duas medidas da mídia golpista brasileira.

Agora, se Lula entrasse em cana, no dia seguinte, sumia da mídia para nunca mais voltar. Seria o silêncio eterno jogado como pá de cal sobre a sua cova rasa de indigente. Pois é, como dissemos ao início, entre a moita e a cana há muito mais do que sonha a nossa vã filosofia.
Posted: 21 Apr 2017 06:09 AM PDT
Por Paulo Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo:

Ao falar de Thomas Paine, Bertrand Russell escreveu: “Como todos os homens, ele tinha seus defeitos. Mas foi graças a suas virtudes que foi odiado e vilipendiado”.

O mesmo vale para Lula.

Ele não é um santo. Quem é, aliás? Mas é perseguido ferozmente pelas qualidades que tem.

Acima de tudo, Lula é a figura certa para um país errado. Busca desde sempre reduzir a desigualdade numa em que isso é um anátema. Tivesse ficado ao lado dos plutocratas, levaria uma vida de fausto.

Não estaria agora sob a ameaça constante de prisão por conta de pedalinhos e coisas do gênero.

Veja a vida luxuosa que leva, em oposição, um intelectual de origem de esquerda que aderiu à plutocracia: FHC.

A recompensa de Lula está no amor que lhe dedicam aqueles pelos quais ele tanto se bate: os pobres e os miseráveis, os humilhados e os ofendidos.

É isso que explica por que enquanto o jornalismo de guerra que temos no Brasil se dedica a massacrá-lo Lula se encontra no topo das pesquisas eleitorais.

O Ibope que saiu hoje mostrou-o na frente em todos os cenários. A rejeição a ele cai aceleradamente enquanto a dos mimados tucanos desce ao inferno.

Pela lógica, deveria ser o oposto.

Valeu para Paine, um dos pensadores mais influentes para que a Revolução Americana tivesse sucesso, e vale para Lula, repito. Tem muitos defeitos, mas é graças às virtudes que é odiado e caluniado.
Posted: 21 Apr 2017 06:04 AM PDT
Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

Léo Pinheiro, ex-dirigente da OAS, fez uma depoimento em que retrata um homem à procura de qualquer coisa que faça com que sua pena de vinte anos seja reduzida.

Era tão previsível que, duas horas antes do depoimento, o Valor publicava seu conteúdo.

Ou, na véspera, já se imaginava aqui.

E, esclarecedoramente, mostra que agora o que se faz é o cumprimento de um acordo com o Ministério Público, dizendo que, a partir do depoimento de hoje, só o advogado que trata da delação premiada representará o empresário.

Que, imagino, vá ser processado por perjúrio, porque disse que não tratava de delação premiada senão nos últimos 90 dias, enquanto é público que , em setembro passado, a Procuradoria Geral da República negociava – e suspendeu – uma acordo de delação premiada.

E foi porque, na ocasião, Léo Pinheiro não seguia o script.

Agora, segue.

É obvio que, nem eu nem qualquer jornalista pode afirmar que é verdade ou mentira o que ele diz agora.

Permanece a primeira e maior incongruência de todo este processo: como é que alguém que tinha poder sobre bilhões em contratos, que tinha o poder de induzir dirigente de estatais a fechar negociações sobre centenas de milhões ou até bilhões de dólares vai usar como meio de praticar corrupção um apartamento num pombal no Guarujá, quando qualquer Joaquim Barbosa ou João Dória compra apartamento na praia de Miami?

Escutem o que lhes diz um carquejado sujeito na política: quando algo não faz sentido, provavelmente é mentira.

Está mais que claro que a OAS queria fazer “um agrado”, que Lula consumou com a aceitação.

Pode ser discutível se deveria ter aceitado tratar de um “agrado”, mas a “propriedade” de Lula sobre o imóvel o delator não confirma senão por suas declarações.

Mas, ao que parece, isso basta, na Justiça, hoje.
Posted: 20 Apr 2017 04:59 PM PDT
Por Renata Mielli, no site da Mídia Ninja:

É preciso admitir: a performance da mídia privada nacional é digna de um Oscar.

É verdade que o roteiro não é nada original, mas a construção midiática da narrativa martelada cotidianamente por Globo, Folha, Estadão & cia – de que uma quadrilha de corruptos tomou de assalto o governo, como se nunca antes neste país houvesse qualquer tipo de corrupção – convenceu muita gente.

Escandalizados, os porta-vozes desses veículos de comunicação iniciaram uma verdadeira pregação em defesa da ética e da moral. Se colocaram como defensores de uma depuração, de uma cruzada para dizimar os políticos corruptos.

Neste processo, alçaram à condição de heróis da nação os “caçadores de corruptos”: o Juiz Sérgio Moro virou capa de revista semanal algumas vezes. “Ele salvou o ano”, “O Juiz vê mais longe”...



Cada delação é tratada com estardalhaço. Na verdade, algumas cenas entram para o “filme”, outras ficam de fora, numa operação de edição cirurgicamente construída para dar sustentação à narrativa de que Lula, Dilma e o PT criaram o maior esquema de corrupção da história do Brasil.

Mas eis que no meio do caminho surge o patriarca da família Odebrecht, Emílio.

Intimado a depor sobre os esquemas de corrupção envolvendo a construtora e os governos Lula/Dilma, reitera que a corrupção não começou nos últimos cinco ou dez anos.

Esse “esquema” já existe há pelo menos 30 anos. E pior, a mídia sempre soube de tudo e só resolveu falar sobre o assunto agora.

Emílio Odebrecht: “O que me surpreende é quando vejo todos esses poderes, até a imprensa, todos agindo realmente como se fosse uma surpresa. Me incomoda isso. Não exime em nada nossa responsabilidade. Não exime em nada nossa benevolência. Não exime em nada que nós praticamente passamos a olhar isso com normalidade. Porque em 30 anos, é difícil não ver isso como normalidade. (…) A imprensa toda sabia que efetivamente o que acontecia era isso. Por que agora estão fazendo tudo isso? Por que não fizeram há 10 ou 15 anos atrás? (…) A própria imprensa… Essa imprensa sabia de tudo e agora fica nessa demagogia. Eu acho que todos deveriam fazer uma lavagem de roupa nas suas casas”.
Eu sei o que vocês fizeram no verão passado

Não se trata aqui de defender a corrupção, muito menos os corruptos, mas de refletir sobre o papel que a mídia privada tem neste processo.

Eles sabiam de tudo e não disseram nada. Não abriram o bico antes, porque resolveram falar agora? Pior, porque adotaram a postura de indignados, de escandalizados como se fosse uma terrível descoberta?

Essas perguntas podem ser respondidas de várias maneiras.

Começo lembrando como surgiram parte destes conglomerados midiáticos no país, dos compromissos históricos dos proprietários dos grandes meios de comunicação com a elite econômica, com um projeto político de redução de direitos sociais e trabalhistas, de privatização do Estado, de negação do protagonismo internacional do Brasil. É um bom caminho para começar a entender as posturas da mídia.

Porque será que pós-impeachment a crise econômica praticamente sumiu dos jornais?

Ficou famoso no segundo semestre de 2016 os memes nas redes do Apesar da crise. “O país voltou a crescer. Não fale em crise, trabalhe!”

Os milhões de reais que já eram injetados na mídia privada, mesmo nos anos de Lula e Dilma, cresceram assustadoramente pós-impeachment, apesar da crise. Afinal, aprovou-se o congelamento dos gastos públicos com Educação e Saúde por 20 anos, mas nos meses de maio a agosto de 2016:
Aumentou-se em 78% os pagamentos federais à Folha/UOL, comparando com o que foi gasto no mesmo período de 2015.

As empresas da Globo receberam R$ 15,8 milhões de repasses federais (sem contar as estatais!), 24% a mais que no mesmo período do ano anterior.

E a Abril que recebeu apenas R$ 52 mil nos quatro meses de 2015, contou com uma verba de R$ 380,77 mil nos quatro meses de 2016, um crescimento de 624%.

Todos esses dados estão na tabela abaixo, com os números oficiais da Secretaria de Comunicação Social do governo:



E não parou por aí, não.

No meio de um discurso de austeridade com os gastos públicos, de que é preciso reduzir direitos constitucionais que não cabem no orçamento, e percebendo que o terreno para a aprovação das Reformas da Previdência e Trabalhista é hostil, o governo Temer deu seguimento à sua “benevolência com a mídia”.

No final de março desse ano, o governo anunciou o fim da desoneração sobre a folha de pagamento de 50 setores da economia.

Apenas três segmentos mantiveram o benefício: a construção civil, transporte rodoviário de passageiros e transporte ferroviário/metroviário de passageiros e…. a comunicação.

Para os dois primeiros pode-se argumentar que são áreas sensíveis da economia – uma para a geração de emprego e a outra para evitar um efeito cascata de reajustes impactando no combate à inflação.

Mas e a Comunicação, qual a explicação para que este setor mantenha a desoneração da folha?

A mídia privada continua recebendo uma enxurrada de dinheiro. O cheque polpudo mais recente foi para veicular a campanha de Temer em defesa da Reforma da Previdência. Acontece que a campanha é um verdadeiro abuso de poder e subverte o que determina a legislação de campanhas de interesse público, uma vez que a peça nem explica o conteúdo do projeto, só tenta convencer a população de algo.

Me pergunto o escândalo que seria se Lula ou Dilma tivessem feito “campanha de interesse público” para defender a aprovação de alguma proposta do seu governo.

Tudo isso só mostra que a postura de donzela enganada e escandalizada com a corrupção é bem encenada. Afinal, como pode estar indignado, revoltado e na caça dos corruptos; como pode criminalizar cotidianamente o diálogo entre empresas e governo federal e mesmo assim continuar recebendo somas estratosféricas do governo federal e de governos que estão nos top 5 das delações da Lava Jato?

Como disse no início, esse pessoal, ó, merece um Oscar.
Posted: 20 Apr 2017 04:51 PM PDT

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