sexta-feira, 21 de abril de 2017

21/4 - Palavra Livre - Davis Sena Filho DE HOJE

Palavra Livre - Davis Sena Filho


Posted: 21 Apr 2017 10:20 AM PDT
Por Davis Sena Filho — Palavra Livre

Por enquanto, com a divulgação do relatório do juiz do STF, Edson Fachin, o juiz Sérgio Moro não poderá continuar a fazer política indevida como demonstra a charge. A farra da seletividade e da parcialidade, por ora, acabou.

"Quando a política penetra no recinto dos tribunais, a Justiça se retira por alguma porta". (François Guizot — político e pensador francês)

O juiz-celebridade Sérgio Não Vem Ao Caso Moro, do PSDB do Paraná, não se aguenta, não se segura e não resiste aos flashs midiáticos, porque para ele é irresistível não participar das comezainas, dos regabofes, das papanças e das patuscadas da casa grande — o paraíso tão almejado e sonhado pela classe média self-made man —, a individualista e anti solidária, pois a que diz acreditar devotamente na "meritocracia", conquanto os "méritos" passem de pai para filho, a excluir a maior parte da população da instrução e da educação de boa qualidade, o que denota o círculo fechado da reserva de mercado, no que concerne  a ter acesso aos melhores empregos. Eternamente...

A classe média branca e tradicional, cujos antepassados fizeram curso superior, estudaram nas melhores universidades e ocuparam, no decorrer do tempo, os melhores empregos nos setores público e privado. A classe média que tem tempo para estudar em casa ou pagar os cursinhos caros para fazer concursos públicos e, por sua vez, ingressar nas carreiras "típicas" de estado ao assumir os cargos por ter sida legalmente nomeada, para depois se tornar, hipocritamente e cinicamente, privatista.

A classe média a favor dos interesses da iniciativa privada e a se contrapor, inclusive, aos interesses estratégicos do Brasil em termos internacionais, principalmente quando os servidores com cargos de poder decisório se voltam contra o próprio estado que os sustenta. Surreal, mas tão verdadeiro que não se vê e não se sabe sobre se os procuradores ou promotores estão a lutar contra as privatizações criminosas promovidas pelo governo golpista e entreguista de *mi-shell temer, que é tratado como pária pela comunidade internacional. O Judiciário, vergonhosamente, cruzou os braços e se calou quanto às privatizações criminosas e antinacionais.

Contudo, como não é idiota e, sim, espertalhona, a classe média, evidentemente, jamais irá abrir mão das carreiras, dos cargos, dos alto salários, do status e da estabilidade empregatícia e profissional, no decorrer de toda a vida, e, posteriormente, ter direito a uma aposentadoria tranquila e integral até o dia de sua morte, sendo que muitos de seus filhos, principalmente as filhas, continuam a receber os salários dos pais por direito garantido em lei, o que, sobremaneira, esta realidade se torna um escárnio para o restante da população brasileira, que se vê obrigada a exercer o papel de contribuinte dos impostos que pagam as pensões dos herdeiros da classe média, sem, obviamente, generalizar.

O juiz Moro & Companhia, conscientemente ou não, são os típicos casos desta situação e os exemplos realisticamente retratados, de cabo a rabo, do que é feita a matéria, a alma e o pensamento da classe média brasileira, que não possui o menor sentimento de brasilidade, de nacionalidade e não tem preocupação alguma sobre questões como soberania, democracia, independência, desenvolvimento, cooperação e bem-estar social, porque insofismavelmente colonizada e distante das realidades da maioria dos brasileiros das classes populares.

E por quê? Porque a classe média somente aprendeu a valorizar e a respeitar os valores e os princípios das cortes tupiniquins e estrangeiras, sendo que esta última a aculturou e, com efeito, colonizou a burguesia e a pequena burguesia brasileiras, que são tratadas como subalternas, servis e menores pela estrangeirada imperialista e colonialista. Trata-se, de fato, de los cucarachas que não se dão ao respeito, mas tratam o trabalhador brasileiro com a arrogância e a prepotência dos escravagistas. É aquela coisa do "falar grosso com a Bolívia e fino com os Estados Unidos", como disse certa vez o cantor e compositor Chico Buarque.

A verdade é que o juiz Sérgio Moro não se faz de rogado quando se trata de aparecer, sistematicamente, junto à burguesia que conquistou o poder por intermédio de um golpe de estado na Banânia. Moro é useiro e vezeiro em aparecer ao lado da elite política e empresarial que derrubou uma presidente constitucional e legítima, que não cometeu crimes de responsabilidade e recebeu da maioria do povo brasileiro 54,5 milhões de votos.

Procuração autorizada pelos votos do povo, que foram criminosamente rasgados, como se a cidadania de dezenas de milhões de brasileiros não valesse nada. E a classe média mais uma vez na história foi cúmplice e uma das autoras de tamanha violência, vergonha e baixaria em forma de crime contra a democracia e o Estado de Direito, que dividiu indelevelmente as famílias e o País. A classe média é o juiz Moro; e, tal qual ao magistrado, é autoritária e arbitrária, além de lutar contra a ascensão social dos pobres e o desenvolvimento do Brasil. A classe média, tanto quanto os ricos, não quer dividir e distribuir. Ponto.  

As informações acima sobre o que ocorreu com a presidente deposta mas legítima, Dilma Rousseff, por trapaceiros e ladrões têm de ser obrigatoriamente repetidas, infinitamente e incansavelmente, para que se relembre sempre aos que tiveram seus votos invalidados e aos coxinhas golpistas que este País, onde viceja uma casa grande desastrada e incompetente, com uma elite política corrupta e usurpadora, que historicamente não admite que o Brasil se torne um País desenvolvido e que a democracia se consolide, que existem pessoas, a exemplo do autor deste artigo, que não tergiversam quanto à verdade, não permitem e não toleram que a mentira, a distorção e a hipocrisia por parte dos golpistas reescrevam a história do golpe de estado e de direita de 2016.

E a partir daí, quando as oligarquias escravocratas, os fascistas tomam o poder sem a autoridade das urnas e não fazem nada para melhorar as condições de vida dos trabalhadores, a não ser arrebentar com o País e a sociedade, começam, então, talvez para disfarçar a safadeza, a realizar pantomimas em forma de cerimônias, festas, eventos e encontros oficiais e não oficiais, sem jamais esquecer, evidentemente, de premiar, promover e elogiar os agraciados da Corte, pois o propósito é fazer com que os condecorados pelas autoridades do Governo e pelas associações de grupos econômicos privados, como a Globo com seus prêmios à moda "Operário Padrão" concedido, por exemplo, ao juiz Moro & Companhia, sejam reconhecidos como os defensores do status quo e os agentes confiáveis do establishment.

A partir do reconhecimento por meio de seus prêmios e homenagens, essas pessoas se tornam entes da mais estrita confiança do sistema de capitais e dos grandes capitalistas, com o direito de ter as portas das grandes empresas e dos salões da burguesia franqueados para o todo e o sempre. É assim que funciona a cooptação de pessoas que interessam ao sistema. As pessoas que não se deixam cooptar, como o Lula, a Dilma, o Brizola, o Jango e o Getúlio, são chamadas, no mínimo, de ladras e incompetentes pela imprensa de negócios privados, realidade que está a acontecer com o Lula, que no dia 3 de maio irá depor em Curitiba, a ter o juiz Moro como seu ouvinte e "julgador".

Ser de classe média e chegar ao "paraíso" da Corte é o que o juiz Sérgio Moro, o procurador Deltan Dallagnol, dentre muitos outros operadores do Direito e do Judiciário querem almejar e desejam conquistar, porque, inequivocadamente, demonstram que valorizam tais relações, já que também sabedores de que a maioria dos juízes do STF, a exemplo de Gilmar Mendes, o principal operador dos interesses da plutocracia no âmbito jurídico nacional, conseguiu abrir as portas do "paraíso" tão sonhado pelos pais e os filhos da classe média tradicional.

Então, conclui-se que o juiz Moro et caterva estão a trilhar o caminho para se chegar ao "nirvana" de serem considerados fiéis ao sistema de capitais que mantém sob controle as riquezas do Brasil, o orçamento da União e as políticas públicas que serão efetivadas, além de garantir a interface com o grande empresariado deste País, que também cooperou para sustentar o golpe bananeiro e terceiro-mundista, porque são membros do consórcio de direita que tomou o Palácio do Planalto de assalto, ressalta-se mais uma vez, como fazem os bandidos nas ruas deste País, que é sempre impedido de se desenvolver.     

Acostumado com os holofotes midiáticos, que elevam sua pessoa a se transformar em celebridade, o juiz Moro não se faz de rogado e, se mesmo o relatório do ministro do Supremo Edson Fachin tenha evidenciado sem dó e piedade que os principais políticos do PSDB estão envolvidos até a medula com todo tipo de corrupção e ilegalidades, Moro dá atenção redobrada ao Lula, pois em conformidade com as Organizações(?) Globo, que dão sustentação às ações e às diatribes do juiz de primeira instância, que se tornou, não o inimigo mortal da corrupção, mas, certamente, o inimigo declarado do PT e do Lula mesmo a ser o juiz que vai julgar, vejam só, o Lula! Moro se empenha, diuturnamente, para que o maior político da história do País não se eleja presidente em 2018.

O relógio do juiz Sérgio Moro está em conformidade com o relógio do impedimento de Lula, cujos ponteiros começam a girar agora, a faltar 13 dias para o depoimento de Lula ao magistrado em Curitiba, a exigir que o ex-presidente esteja presente nas oitivas ou audiências de 87 testemunhas arroladas por sua defesa, o que se trata de um sinal claro de que Moro quer prejudicar o político petista, imobilizá-lo e humilhá-lho, como o fez quando deu ordem à PF para levá-lo coercitivamente para depor em aeroporto de São Paulo, sem antes avisá-lo que deveria depor por meio de uma simples intimação.

Moro não tem condições de julgar o ex-presidente Lula, por se tratar de um político que faz política de guerra por meio de seu ofício de juiz. É o fim da picada, porque em um país sério e com tradição democrática tal juiz seria punido severamente. Moro é partidário, parcial, injusto e prepotente. Porém, deseja alcançar o nirvana e ser mais um coxinha que conseguiu se transformar em burguês e, com efeito, ser considerado e aceito pelo sistema de capitais, o dono do poder político e econômico, para sempre. A resumir: Moro quer ser um membro da casa grande, patrão e proprietário, e não mais seu capataz de confiança.


O juiz de primeira instância, Sérgio Moro, é o office-boy da casa grande e o coxinha que está a lutar para conseguir abrir as portas do "paraíso", mas necessita perseguir o Lula, enquanto posa para as fotos ao lado de Luciano Huck, que é o retrato do "bom moço" da Globo e das famílias de classe média, que desejam e sonham com um cara com o perfil do Huck, como o genro self-made man para casar com suas filhas. Moro é o Huck de toga e sorri, conforme as imagens repercutidas pela imprensa de mercado, para o golpista e usurpador *mi-shell temer, no Palácio do Planalto, lugar onde deveria estar a presidente eleita e legítima, Dilma Rousseff. É isso aí. 

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