sábado, 22 de abril de 2017

22/4 - Altamiro Borges DE HOJE

Altamiro Borges


Posted: 22 Apr 2017 08:26 AM PDT
Por Tereza Cruvinel, em seu blog:

Lavagem de dinheiro e obstrução da Justiça são crimes considerados de “natureza continuada”. Por isso justificam a prisão preventiva de suposto autor, para que ele deixe de cometê-los. Ao dizer em seu depoimento ao juiz Sergio Moro que o ex-presidente Lula o orientou a destruir provas do pagamento de propinas ao PT, o ex-executivo da OAS Léo Pinheiro parece ter entregado à Lava Jato uma encomenda destinada a justificar eventual prisão de Lula. Mas como tal prisão seria um ato insensato de Moro nesta altura dos acontecimentos, a afirmação de Pinheiro continua sendo uma encomenda, mas com outro objetivo: demonstrar aos procuradores, com os quais negocia uma delação premiada, que abdicou de qualquer lealdade ao antigo amigo e tem munição para detoná-lo, acelerando a condenação e a inelegibilidade.

É sabido que a primeira tentativa de delação de Pinheiro foi recusada pelo motivo óbvio mas não declarado de que, sem acusações a Lula, ela não teria o menor interesse para a Lava Jato. É sabido que, durante vários depoimentos, procuradores e policiais federais fizeram gestos para os depoentes mostrando uma mão com um dedo a menos. A mão de Lula, para falassem dele.

Os antecedentes e o contexto em que Pinheiro prestou depoimento nesta quinta-feira reforçam a acusação da defesa de Lula, de que ele foi orientado pelos procuradores com quem negocia sua delação, a apresentar evidências de que tem na bala na agulha contra o ex-presidente, e talvez até mesmo a bala de prata, que viria na delação.

É sintomático, por exemplo, que ele tenha falado em destruição de provas quando ninguém estava lhe perguntando sobre isso. E que o assunto nem fosse pertinente à ação penal que motivava o depoimento. Estava em pauta o tríplex do Guarujá, e não o pagamento de propinas ao PT. Sobre o apartamento, Pinheiro correspondeu às expectativas de Moro, apesar das mais de 70 testemunhas que falaram contra a tese de que o imóvel pertença a Lula, e da ausência de provas que a defesa continua cobrando. Mas este era um tema pertinente, diferentemente do caso da “destruição de provas”. Do nada, Pinheiro saiu-se com a história de que um dia, um tanto irritado, Lula lhe perguntou se fizera pagamentos ao PT no exterior. Se Lula sabia tanto dos negócios com o PT, já devia ter esta informação mas, segundo Pinheiro, fez a pergunte e ouviu a resposta negativa. Então, orientou-o a “destruir tudo”, caso tivesse anotações sobre os pagamentos a Vacari, tesoureiro do PT.

Pinheiro admite que tinha anotações mas não deixa claro se atendeu ou não ao suposto pedido de Lula. Se destruiu ou não suas planilhas. Ou seja, entregou a encomenda mas não se incriminou. Para a Lava Jato, basta a confissão de que Lula mandou destruir provas, e não saber se isso aconteceu ou não.

Embora tenha agora essa arma contra Lula, não parece provável que sobrevenha a prisão, justamente quando o ex-presidente reforça sua condição de favorito na disputa presidencial de 2018. Justamente quando os autores do golpe afundam-se em denúncias de corrupção e Temer confessa a urdidura do próprio golpe. Tudo isso vem sendo percebido pela população e pode tomar a forma de reação a uma prisão de Lula. Moro pode usar a ameaça de prisão, e ainda outros trunfos que tenha guardado, para debilitar a posição a performance do ex-presidente no depoimento do dia 3 de maio, onde já chegaria inseguro e temeroso de não sair. Mas prendê-lo agora, não faz muito sentido.

Os interesses da Lava Jato e os da elite que manda e governa nunca foram divergentes. Tanto é que todos os delatados tucanos e peemedebistas continuam aí soltos, apesar das delações da Odebrecht. Relativamente a Lula, o que importa é tirá-lo da disputa, e não criar um mártir perseguido e preso. Moro tem pressa em exarar sua sentença condenatória para que o recurso de Lula ao TRF-4 seja logo julgado, e assim, condenado em segundo instância, ele se torne logo inelegível para o pleito de 2018.
Posted: 22 Apr 2017 07:38 AM PDT
Por Paulo Henrique Amorim, no blog Conversa Afiada:


Vai pra cima dela, Meirelles... Vai!

A história da sociedade da Globo com a Odebrecht para obter decisões no governo FHC deve ter tráfico de influência.

Será que somente naquela sociedade a Odebrecht teria atuado dentro da legalidade?

"Legalidade" para influenciar decisões...

Decisões importantíssimas - quanto o Emílio estaria disposto a pagar por elas?

E ter a Globo em sua companhia?

O Ataulpho Merval, a Cegonhóloga, o Elio Gaspari dos múltiplos chapéus...

Isso não teria preço!

Muito menos para um Odebrecht!

Se Emílio e Marcelo dizem que tinham que pagar propina para tudo, por que somente naquela sociedade com a Globo não pagaram?

E justamente numa área que envolvia "influenciar decisões governamentais" para privatizar a telefonia (que tem detalhes sórdidos, dantescos) e petróleo (idem) - as jóias máximas da Coroa fernandiana?

Quanto custou a "Petrobrax" aos Odebrecht?

Quanto custou o apoio da Globo a uma estratégia que resultou, enfim, na construção da Braskem, associada à Petrobras - e a Braskem era e é a empresa mais lucrativa da Odebrecht?

Vamos abrir a caixa preta dessa desinteressada relação Globo-Odebrecht.

Como se sabe, não há petroquímica - nem telefone - de graça!

Advogado a serviço da causa "vamos botar os filhos do Roberto Marinho na cadeia", onde receberão a generosa visita do Senador Requião.

Em tempo: não será essa a única prova robusta da roubalheira da Globo Investment Overseas BV.

Basta seguir a trilha do Garotinho, naquela entrevista que durou um minuto na Globo.

Ou o raciocínio do Zanin, quando tratou o Merval de Ataulpho.
Posted: 22 Apr 2017 07:31 AM PDT
Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania:



A cada nova acusação da Lava Jato contra Lula, mais o caso dele se assemelha a O Processo (no original, em alemão, Der Prozess), romance do escritor tcheco Franz Kafka que conta a história de Josef K., que, certa manhã, descobre-se processado e passa a ser submetido a um longo e incompreensível processo por um crime não especificado.

No caso de Lula, porém, o Processo é ainda mais bizarro, surreal. Divulgam recompensas que ele teria recebido por crimes não especificados. Não por acaso, muitos dizem que está sendo condenado por ter recebido um apartamento “tríplex” e um “sítio” como propina.

Ninguém sabe dizer em troca de que essa “propina” lhe foi paga, até porque, à época do alegado recebimento, nem tinha mais cargo público (Presidência do país).

Já estava pronta a capa da revista Veja deste fim de semana quando o ex-diretor da OAS Leo Pinheiro acusou o ex-presidente no Jornal Nacional. Segundo a revista, para Lula, “acabou”.


Essa percepção dos inimigos de Lula se deve ao fato de que o ex-diretor da OAS acusou o ex-presidente do tipo de ação que vem justificando prisões extemporâneas de acusados pela Lava Jato. Ou seja, atrapalhar investigações.

Lula teria mandado Leo Pinheiro destruir provas, segundo Leo Pinheiro.

Ocorre que o ex-executivo da OAS foi condenado a mais de duas décadas de prisão, ou seja, à pena de morte, porque é um sexagenário que morreria na cadeia, se fosse condenado a pena como essa.

Pinheiro inocentara Lula em outras oportunidades, desde que foi preso. Em 1º de junho de 2016, o jornal Folha de São Paulo divulga matéria que dá conta de que:

“As negociações do acordo de delação de Léo Pinheiro (…) travaram por causa do modo como o empreiteiro narrou dois episódios envolvendo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. (…) Segundo Pinheiro, as obras que a OAS fez no apartamento tríplex do Guarujá (SP) e no sítio de Atibaia (SP) foram uma forma de a empresa agradar a Lula, e não contrapartidas a algum benefício que o grupo tenha recebido”.

Cinco meses depois (23/11/2016), a 8.ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF4) condenou o ex-presidente da OAS Léo Pinheiro a 26 anos de prisão por corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa no esquema de propinas instalado na Petrobrás entre 2004 e 2014.

Na última quinta-feira, já com toda imprensa informada, Pinheiro, tentando pela enézima vez ter sua pena anulada ou drasticamente reduzida, depôs ao juiz Sergio Moro e acusou Lula de ser o proprietário do “tríplex” no Guarujá e de ter pedido para que destruísse provas de que a OAS teria “pago propinas ao PT”.

Em tese, pinheiro teria que apresentar provas, assim como qualquer delator que acuse Lula, Aécio Neves, Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Geraldo Alckmin, enfim, seja quem for. Do contrário, a acusação não valeria nada.

Eis que Pinheiro oferece uma “prova” substituta contra Lula: afirma que não tem provas das acusações que fez a Lula porque Lula pediu a ele que destruísse as provas contra o PT. Desse modo, o delator acusa Lula sem provas e o acusa de ter destruído as provas de que destruiu provas…

Está confuso, leitor?

Não entende, afinal, do que Lula é acusado?

As propinas a ele foram pagas por quê?

Qual foi a contrapartida de Lula para ganhar o tríplex?

Você que lê estas mal traçadas linhas tem toda razão de não estar entendendo nada. Josef K., personagem de Kafka também não sabia qual era seu crime, também se defendeu sem saber do que se defendia. Por conta disso, processos baseados nesse tipo de estratégia condenatória abusiva são chamados de kafkianos.

A delação de Leo Pinheiro não merece absolutamente nenhuma credibilidade. Até porque, contradiz o que ele dizia antes. Pinheiro mudou de ideia após ter sido condenado a mofar na prisão até a morte. Quem de nós se recusaria a confessar qualquer coisa para escapar a tão terrível destino?

O mais bizarro é que não se sabe que crimes Lula cometeu para ter recebido esse tríplex como propina e o que “o PT” fez para a OAS para ter recebido propinas cujas provas Lula teria mandado “destruir”.

O caso de Lula é diferente dos outros acusados. Todos sabem que José Serra e Geraldo Alckmin foram delatados por terem recebido propina por terem facilitado a vida da Odebrecht na construção do metrô de São Paulo e do Rodoanel. Aécio é acusado de ter facilitado a vida da Odebrecht na construção da Cidade Administrativa, sede do governo mineiro…

E Lula, o que fez?

Percebe a diferença, leitor?

É por isso que o processo falsário contra Lula é chamado de kafkiano, porque ele é acusado de um crime que não sabe qual é.

Moro, Globo e os demais golpistas planejam prender Lula com base na acusação absurda e sem credibilidade de Leo Pinheiro, a capa da Veja sinaliza nessa direção, mas se pensam que o povo aceitará essa barbaridade, estão loucos. Podem ousar, mas vão desencadear uma convulsão social que atrairá as atenções dos quatro cantos do mundo.

***

No vídeo [aqui] fica clara a estratégia ridiculamente evidente de torturar um candidato a delator até que ele diga o que os torturadores querem.
Posted: 22 Apr 2017 07:14 AM PDT
Por Bajonas Teixeira, no blog Cafezinho:

A acusação de Léo Pinheiro é tão imbecil, tão incrivelmente idiota que, em resumo, diz que Lula mandou destruir as provas, mas deu também ordens para não vender o triplex. Isso equivaleria a um chefe de quadrilha que ordenasse ao seu bando: “escondam o dinheiro do assalto mas deixem os corpos dos guardas assassinados bem visíveis na minha sala de estar”. Em nenhum planeta desse vasto universo, isso seria crível: deixar-se de eliminar a prova, a única prova, que é uma prova tripla, justamente o triplex do Guarujá. Que outra prova poderia haver? Nenhuma. Mas justamente essa robusta, tripla, materialíssima prova, não teria sido eliminada, isto é, vendida a outro pela OAS.

Como o grande cérebro do maior esquema criminoso da história do Brasil, o comandante em chefe, o intelecto do mal, o mago que faz as provas desaparecerem num passe de mágica, teria ordenado tal sandice? Seria ele um triplexmaníaco?

Sim. Talvez uma criança de cinco anos, ou um adolescente formado pela escola sem partido, pudessem ser ludibriados pela farsa montada pelo ex-presidente da OAS. Mas um adulto com um mínimo de capacidade de reflexão, jamais se deixaria convencer pela construção primária dos fatos e pelas inconsistências dessas denúncias.

Vejamos como tanta imbecilidade pôde ser construída.

É preciso voltar a história recente de Léo Pinheiro para explicar sua afronta ao mais simples bom senso. Na verdade, elas são a tentativa desesperada de um sujeito que, tendo se calado em seu depoimento a Moro no dia 24 de agosto de 2016, foi, como um incentivo ao canto livre, preso novamente no dia 05 de setembro, justamente por ordem de Sérgio Moro.

Ou seja, após se calar no depoimento de agosto, por não ter dito o que Moro queria ouvir, Leo Pinheiro recebeu como punição a volta à prisão apenas 12 dias depois. Pode haver melhor método para ensinar um passarinho a cantar? E mais, um passarinho já bem amaciado que já havia sido preso em 2014 pela Lava Jato e condenado a 16 anos?

Contudo, até aí Léo Pinheiro se manteve firme. Não inventou nada. Veio então sua tentativa de delação premiada que, contudo, segundo o UOL, não foi adiante por faltar elementos que incriminassem Lula:

“Segundo Pinheiro, as obras que a OAS fez no apartamento tríplex do Guarujá (SP) e no sítio de Atibaia (SP) foram uma forma de a empresa agradar a Lula, e não contrapartidas a algum benefício que o grupo tenha recebido. A versão é considerada pouco crível por procuradores. Na visão dos investigadores, Pinheiro busca preservar Lula com a sua narrativa.”

Ou seja, mesmo condenado a 16 anos, Léo Pinheiro se recusou a mentir. Isso aconteceu em junho de 2016. Mas o que veio depois? Logo depois, em segunda instância, a pena do empresário foi aumentada para 23 anos.

Por que a versão foi considerada “pouco crível pelos procuradores”? Por que para eles todo o edifício da Lava Jato, conforme aquele risível PowerPoint de Dallagnol, repousa na colocação de Lula como o comandante em chefe de toda a corrupção. E qual a narrativa?

A Lava Jato diz ter convicção de que, em paga de três contratos com a Petrobras, em que se incluem obras das refinarias REPAR e RNEST, a OAS teria pago a Lula vantagem indevida, ou seja, o mísero triplex do Guarujá.

Ordem para destruir provas

Primeiro, como não existe prova alguma que incrimine Lula, ao invés disso ser o suficiente para inocentá-lo, Lula foi acusado de destruir provas, ou seja, de ser um criminoso duplo (que comete o crime e destrói as provas do crime cometido): deu ordens para destruir as provas. Para tentar tornar verossímil isso, Léo Pinheiro diz que seguia instruções, que era orientado. Então, foi orientado a destruir provas. De toda essa baboseira, não mostra sequer uma única… prova. Ou seja, o argumento é: não tenho provas porque Lula mandou destruir as provas.

E no entanto, Lula mandou não vender o triplex…

“A orientação que foi me passada naquela época foi de que: ‘toque o assunto do mesmo jeito que você vinha conduzindo. O apartamento não pode ser comercializado, continua em nome da OAS, e, depois, a gente vai fazer para fazer a transferência ou o que for’. De acordo com Pinheiro, assim foi feito.”

Mas que imbecil pediria para não vender a prova do crime, e guarda-la para que, mais à frente, pudesse fazer a transferência?? Isso está além da imaginação e do mínimo de verossimilhança. O país inteiro, e a Lava Jato em particular, a mídia de olho, e a ordem que vem é essa: mantenha para mais tarde transferir. É óbvio que isso contradiz inteiramente a versão da destruição de provas. A maior, mais robusta, clara, cristalina, e irrefutável prova, deveria ser mantida.

É um discurso, como já assinalamos, calibrado para egressos da escola sem partido. Como parte do país pode crer nisso? Pela repetição incessante da mídia, pela falta de um discurso contrário, pela entrada do Brasil em uma espiral totalitária. Também na Rússia stalinista, em 1937 e 1938, julgamentos espetáculo foram montados e seus réus culpados e fuzilados. Todos os melhores homens que comandaram a revolução de 1917 foram eliminados. Hoje, num linchamento ainda maior, todas as armas se voltam para um único alvo: Lula.

PS: O leitor Francisco de Assis chama-nos a atenção para um ponto bastante importante. O gênio do Mal, Lula, segundo o depoimento de Léo Pinheiro, teria mandado destruir as provas em “maio ou junho de 2014”. Contudo, o mesmo Léo assegurou em outro depoimento, que os “comparsas” do chefe da organização, Marisa e Fábio, visitaram em sua companhia o imóvel em agosto de 2014. E avisaram que pretendiam tomar posse do triplex no revéillon 2014-2015. Ou seja, Lula iria mudar-se para a prova número 1 dos seus delitos meses depois de ordenar a destruição das provas. É um disparate tão evidente que trai toda a insanidade das denúncias do ex-presidente da OAS.
Posted: 22 Apr 2017 07:08 AM PDT
Por Paulo Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo:

Sorrir é um ato de sabedoria, dizem todas as correntes filosóficas.

É uma atitude de força perante as adversidades, e também uma mensagem de solidariedade e amizade aos demais.

Mas há exceções.

Os sorrisos de Sérgio Moro a pessoas especiais para ele, como Aécio e Temer, são simplesmente indecorosos.

Um juiz não pode rir daquela maneira cúmplice, deslumbrada, quase histérica para pessoas de alto envolvimento numa operação anticorrupção que ele comanda.

É falta de decoro. Mostra que o autor dos risos tem um lado. Não é isento. Um sorriso vale por mil palavras. Os de Moro valem por um milhão. São uma confissão silenciosa de parcialidade.

Circunspecção: esta é a palavra adequada a um juiz.

Os sorrisos de Moro a certas pessoas são um acinte à sociedade, a todos os que acreditam na isenção da Justiça e dos juízes.
Posted: 22 Apr 2017 07:02 AM PDT
Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:



Iluda-se quem quiser.

A operação “Mata Lula”, que é o sobrenome mais adequado à Lava Jato, tem – ao contrário de seus agentes secundários, como o delegado Maurício Moscardi Grillo, que, em entrevista à revista “Veja”, disse que a PF havia “perdido o timing” para prender o ex-presidente – a preparação certa do tempo para seu lance mais ousado.

Desde que passou o primeiro impacto da geleia geral que se formou com a lista de inquéritos determinados por Luiz Edson Fachin, todo o foco voltou-se para Lula e Dilma, com os videos dos depoimentos. Retomou-se a delação premiada da OAS, bloqueada ano passado, quando não fornecia o 'filé do Guarujá' ansiado pelos rapazes de Curitiba, agora com o script desejado.

Tudo foi preparado para que, pouco antes ou pouco após o depoimento de Lula, marcado para o dia 3, a pantomima atinja seu ápice. E não com uma destas denúncias de dezenas de milhões numa operação assim ou assado, mas em algo capaz de ser entendido e chocar o povão: “Lula ganhou um apartamento”, muito embora só tenha lá estado uma vez.

Há, claro, outros fatores em jogo, a começar pelo resultado das mobilizações contra a reforma da Previdência. As ações da Lava Jato fazem parte da política e será a política quem fará o ajuste fino do “timing” de Moro. Será feito em sintonia com Rodrigo Janot e, possivelmente, com Michel Temer, com quem o juiz de Curitiba tem sido especialmente solícito.

Como disse ao início, iludam-se aqueles que esperam ver nesta decisão alguma questão jurídica. Não é crível falar em obstrução da Justiça por parte de Lula frente a eventuais testemunhas, que poderiam ser influenciadas por ele.

Ora, testemunhas que podem ser influenciadas são aquelas que podem, por simples decisão de Moro, gramar meses de cadeia ou que, por negociação com os promotores podem “abater anos e anos das penas a que estão condenados se disserem exatamente o que querem que seja dito.

A prisão de Lula sempre foi uma possibilidade, desde que Sérgio Moro se tornou o grande juiz da política. Hoje, porém, tornou-se uma probabilidade.

Se será ou não uma realidade, uma aventura arriscada para impedir o que se desenha para 2018, ninguém pode prever, quando se aceita entregar o futuro do país a um juiz de província, movido a vaidade, a sonhos de grandeza cada vez menos ocultos e a, quem sabe, à ideia de uma “juizocracia” como forma autoritária de poder.
Posted: 22 Apr 2017 06:56 AM PDT
Por Bepe Damasco, em seu blog:                                                                                      

É difícil parar de pensar no conteúdo da fala do professor da Unicamp, Márcio Pochmann, ex-presidente do Ipea, durante um seminário recente no Rio de Janeiro. Para Pochmann, a democracia no Brasil não será restaurada apenas pela via institucional e o cenário mais provável para 2018 é a não realização das eleições devido a mais uma ação antidemocrática dos golpistas.

Intelectual respeitado, Pochmann, que está longe de ser considerado um incendiário, põe o dedo na ferida e indaga :"Que prejuízo nós vamos dar a eles ?" Na sua pregação está subjacente a defesa de formas mais radicais de luta, pois somente de passeata em passeata são praticamente nulas as chances dos democratas e da esquerda virarem o jogo. Não existe fórmula mágica para, de uma hora para outra, fazer a luta mudar de patamar. Mas esse debate é urgente.

A greve geral marcada para o dia 28 deste mês é alvissareira, pois dá início ao enfrentamento de classe aos coveiros da democracia. Mas ainda é pouco, especialmente se levarmos em conta que, por mais adesões que conquiste, a paralisação está limitada a 24 horas. São válidos e racionais todos os argumentos apontando as dificuldades para uma ampla mobilização radicalizada do povo, tais como sua decepção com a política e os políticos e a sensação generalizada de desalento com o Brasil.

Contudo, os setores de vanguarda não podem pautar sua atuação pela letargia das massas. É preciso ousar, enfrentar essa discussão com a população e testar novas modalidades de enfrentamento. A zona de conforto da qual desfrutam deputados e senadores golpistas chega a ser um escárnio. Alvejados por toda sorte de acusações de desvio de dinheiro público, um sem número de parlamentares da base do governo insiste em votar sobre pau e pedra as reformas que liquidam direitos e conquistas sociais.

Nenhum deles disse aos seus eleitores que iria para Brasília com o objetivo de acabar com o emprego formal, com as férias, o 13º salário e para obrigar as pessoas a trabalhar até 60 horas por semana. Na hora de pedir o voto, eles não assumiram que se empenhariam pelo fim da aposentadoria dos brasileiros e brasileiras. A questão é clara : esse Congresso não tem legitimidade para impor sacrifícios ao povo.

Como lhes falta o mínimo de vergonha na cara, esses canalhas não estão nem aí para as pesquisas que mostram Michel Fora Temer no fundo do poço da popularidade e uma rejeição visceral às reformas trabalhista e previdenciária. São capazes de tudo para entregar a mercadoria prometida ao mercado e aos banqueiros, de quem são agentes e fantoches.

Só que, infelizmente, é na Câmara dos Deputados e no Senado Federal que tramitam os projetos de Temer para dizimar com o estado social construído ao longo de décadas, primeiro com a CLT de Vargas, depois com a Constituição Cidadã de 1988 e , por fim, com a gigantesca obra de inclusão social da era Lula. O epicentro, portanto, da resistência se localiza diante das cúpulas da Câmara e do Senado. À essa altura atos dispersos pelos estados ajudam pouco.

Nesta quarta-feira, 19 de abril, o delatado presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, imitou Cunha e levou a voto o projeto de urgência da reforma trabalhista que havia sido derrotado no dia anterior. Essa manobra golpista afronta as boas práticas legislativas, envenena a relação entre as bancadas e desmoraliza ainda mais o parlamento como instituição.

Duvido que os deputados passariam o rolo compressor para acelerar a tunga de direitos se o Congresso fosse cercado permanentemente por uma multidão de insatisfeitos com o que se passa ali dentro e com dezenas de milhares de acampados a pressioná-los dia e noite. Não custa aprender com a história. A queda do ditador iraniano Xá Reza Pahlavi, em 1979, é um bom exemplo. Todos os dias um número crescente de homens e mulheres se dirigiam para a frente do Palácio do Governo, de onde não arredavam pé, até que diante da turba indignada exigindo sua saída, o Xá renunciou.
Posted: 22 Apr 2017 06:50 AM PDT
Por Luis Nassif, no Jornal GGN:

Segundo o site “Congresso em Foco”, o Ministro da Justiça Osmar Serraglio decidiu demitir o presidente da ao Funai (Fundação Nacional do Índio), Antônio Fernandes Toninho da Costa, por não ter atendido às demandas do líder do governo no Congresso, deputado André Moura (PSC-CE), nomeando 25 pessoas indicadas por ele (https://goo.gl/KgAZ44) para o órgão.

Segundo a reportagem, a decisão de Serraglio teve aval do presidente da República Michel Temer. Provavelmente visa trocar as indicações por votos para o desmonte da Previdência Social.

São co-responsáveis diretos por essa tragédia os excelentíssimos Ministros do Supremo Tribunal Federal, que se acovardaram em relação a um golpe aplicado em uma presidente, não por seus erros econômicos, mas por não transigir com o loteamento do país. E nada fazem para impedir a continuação da pilhagem.

São igualmente co-responsáveis a Procuradoria Geral da República, a Lava Jato, os procuradores que saíram às ruas em estranhas passeatas destinadas a entregar o poder a uma quadrilha, em nome da moralidade. E continuam sendo responsáveis, assistindo de camarote o desmonte do país, as negociatas a céu aberto, com o ar de “isso não é comigo”.

Esses agentes “civilizatórios”, como se supõe ser o Ministro Luís Roberto Barroso, sempre empenhados em enaltecer o modelo anglo-saxão, fogem das questões centrais que ajudaram a erigir uma civilização relativamente moderna por lá: homens públicos conscientes de sua responsabilidade perante o país e o Estado, vozes que se levantavam contra os abusos, contra as ameaças à nacionalidade, contra os assaltos a céu aberto, contra os esbirros do poder, os fundadores que chamavam a si a responsabilidade pelos destinos da pátria.

O Brasil é o que é não por conta da empregada do amigo de Barroso, que não aceitou registro em carteira para não perder o Bolsa Família. É por conta de Ministros como Barroso, que assistem de camarote a essa pilhagem, os seguidores da máxima “não é comigo”, mais preocupados com os ataques que podem sofrer de blogs de direita arranhando o verniz das suas reputações, do que se valer de seu poder institucional para defender o país.

O Macunaíma não é a marronzinha que serve humildemente em casas de advogados bem-sucedidos. É o espírito que permeia sumidades, como as que habitam o Olimpo do Supremo, e que, tendo os raios de Zeus à disposição, preferem o sossego dos traques sem risco. E dormitar na rede, achando que o incêndio nunca chegará na choupana Brasil.

A razão de terem aceitado a indicação para o Supremo é exclusivamente a vaidade, o status, a liturgia do cargo, não as responsabilidades inerentes, a possibilidade de interferirem positivamente nos destinos do país, o exercício do contraponto em benefício do bem comum. Ou proteger a Nação quando submetida à pilhagem por uma quadrilha sem limites.
Posted: 22 Apr 2017 06:44 AM PDT
Por Hugo Cavalcanti Melo Filho, no site Carta Maior:

O governo ilegítimo de Michel Temer enviou ao Congresso golpista projeto de lei que tomou o número 6787/16. O conteúdo da proposta, embora não tenha surpreendido os que conheciam os propósitos do Golpe de 2016, indignou a todos que têm o mínimo compromisso com o Estado Social de Direito inaugurado pela Constituição de 1988 e, atualmente, em fase de aniquilação.

Nem a ditadura militar, nem mesmo FHC, no auge de sua sanha flexibilizadora, nos anos 1990, ousara propor alterações tão nefastas para o trabalhador brasileiro: ampliação das possibilidades de contratação a tempo parcial, prevalência do negociado sobre o legislado - mesmo quando estabelecidas condições menos favoráveis ao trabalhador do que aquelas previstas na lei -, em temas como jornada de trabalho (até 12 horas diárias) e duração mensal do trabalho (até 220 horas), redução de intervalo intrajornada (para até 30 minutos), fim da remuneração do tempo de percurso, banco de horas, entre outros relevantes aspectos.

Montou-se a farsa da Comissão Especial, com a aprovação de audiências públicas para inglês ver, porque nada do que ali foi dito por professores, magistrados, advogados, membros do Ministério Público (alguns dos quais foram ofendidos por integrantes da desqualificada base do governo) foi levado em consideração pelo Relator, o inacreditável deputado Rogério Marinho. Isso ficou evidente quando este divulgou o seu relatório, propondo alteração em mais de duzentos pontos da CLT, inovando, absolutamente, em relação ao texto original do projeto de lei, portanto sobre aspectos que não foram - e nem poderiam ter sido - discutidos nas referidas audiência públicas.

O substitutivo do relator é destrutivo. Centrado em cinco eixos, pretende a) mitigar a relevância institucional da Justiça do Trabalho, com a adoção de mecanismos alternativos de resolução de conflitos - inclusive a arbitragem de direitos indisponíveis -, de obstáculos ao acesso à jurisdição trabalhista, tabelamento de indenizações por danos morais sofridos pelo trabalhador, imposição de preparo recursal para o trabalhador sucumbente em ação trabalhista, fim do impulso de ofício, pelo juiz, na execução trabalhista, limitação do papel interpretativo do TST; b) ampliação do alcance da terceirização, para além do disposto na Lei 13.429/17, recentemente editada, inclusive na atividade-fim empresarial; c) introdução do contrato de trabalho de jornada intermitente, que permitirá a remuneração exclusivamente das horas efetivamente trabalhadas, independentemente do tempo em que o trabalhador esteve à disposição do empregador; d) eliminação da fonte de custeio das entidades sindicais, com o fim do imposto sindical; e) introdução da figura do trabalhador hipersuficiente, aquele que, tendo formação superior, ganhar salário igual ou maior do que o dobro do teto de benefícios da previdência social (algo, hoje, em torno de R$ 11.000,00), empregado que poderá negociar individualmente com o empregador, sem a necessidade de assistência sindical, presumindo-se, na hipótese equilíbrio que absolutamente não pode existir entre as partes. A estas linhas centrais podem ser acrescidas várias alterações destinadas à, digamos, salvaguarda dos interesses empresariais, verdadeiro princípio norteador da proposta e que ocupará posição mais relevante do que o princípio da proteção ao trabalhador, que sempre presidiu o Direito do Trabalho. Escárnio!

Antes mesmo de o parecer do relator ser votado na Comissão Especial, os prepostos do governo golpista apresentaram à mesa da Câmara pedido de adoção de regime de urgência para o trâmite do PL 6787/17, o qual foi derrotado, ontem. Preocupado com os atos programados para os dias 28 de abril e 1.º de maio, o governo entrou no circuito, cobrando dos deputados da base o apoio ao peido de urgência. Foi assim que hoje o aprendiz de Eduardo Cunha, Rodrigo Maia, presidente da Câmara, em manobra descarada, pôs em votação novo pedido de urgência, dessa feita aprovado com 287 votos favoráveis, 30 a mais do que o necessário, a despeito dos protestos indignados dos parlamentares da oposição. De ontem para hoje, o governo teve quase 60 votos a mais, ao custo sabe-se lá (ou se sabe muito bem) de que. Simplesmente asqueroso. O cinismo dos defensores das alterações na CLT, em seus discursos no início da noite de hoje não encontrou limites. Foi mais um golpe dentro do golpe.

O que justifica o regime de urgência no trâmite de proposta que altera radicalmente a legislação trabalhista? Sequer haverá discussão da matéria na Comissão Especial, criada a este fim. O projeto não passará pelas Comissões da Casa. Anuncia-se que será votado em Plenário, já na próxima semana.

Então será assim? O maior golpe aos direitos dos trabalhadores e aos padrões de civilidade mínima na relação entre capital e trabalho será desferido, sem qualquer constrangimento, pela pior composição parlamentar de todos os tempos, cuja maioria chafurda na lama das delações de corrupção sistêmica? A sociedade assistirá, perplexa e irresoluta, a isso?

Custo a crer que assim será. Não é possível que se admita tanto cinismo e desfaçatez, que se tolere tamanho escárnio. Será nas ruas que tudo isso vai se resolver. O povo brasileiro não pode permitir o abate de seus direitos sem luta!

* Hugo Cavalcanti Melo Filho é Juiz do Trabalho e presidente da Associação Latino-americana de Juízes do Trabalho.
Posted: 21 Apr 2017 08:45 PM PDT
Por Cristiano Zanin Martins, no site A verdade de Lula:

São Paulo, 21 de abril de 2017

Ao
Merval Pereira
Colunista de O Globo
Membro do Conselho Editorial da Globo

Senhor jornalista,

Verdadeiro “segredo de polichinelo”, título de sua coluna de hoje (edição 21/04/2017), é a participação ampla, direta e ilegítima das Organizações Globo na perseguição judicial imposta ao ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o intuito de prejudicar ou inviabilizar sua atuação política. A aliança entre a Globo e os agentes públicos que integram a Lava Jato – hoje alçados à condição de artistas de um filme estarrecedor, que viola os mais elementares direitos fundamentais do investigado – já foi mais discreta. Hoje, a Globo dita as acusações contra Lula e disponibiliza os seus veículos de comunicação para colocá-las em pé.

A história do chamado triplex do Guarujá é um bom exemplo disso. Foi a Globo, em 2010, que iniciou essa farsa de que Lula seria proprietário do apartamento 164-A do Condomínio Solaris. Deu holofote a 3 promotores de Justiça de São Paulo que promoveram um grande espetáculo midiático, transmitido ao vivo pela emissora. Na sequencia, o assunto do Guarujá foi parar em Curitiba, nas mãos de uma nova instituição criada no País à revelia da Constituição Federal 0 a chamada Força Tarefa Lava Jato. E, mais uma vez, o tríplex foi alvo de coletiva transmitida ao vivo pela emissora, com a ajuda de um anedótico PowerPoint.

Mas o que dizem os fatos? Após 24 audiências e o testemunho de 73 depoentes compromissados com a verdade, ruiu a acusação de que Lula teria recebido a propriedade desse apartamento como contrapartida de 3 contratos firmados entre a OAS e a Petrobras. No rol de testemunhas estavam funcionários da OAS que afirmaram não ser Lula o proprietário e que o ex-Presidente visitou o local uma única vez, para verificar se tinha interesse na compra, mas rejeitou.

A Globo e seus aliados não se rendem à verdade. E isso pode ser bem observado ontem. O jornal Valor Econômico – hoje 100% de propriedade do grupo – publicou, 3 horas antes do depoimento de Leo Pinheiro ao Juízo de Curitiba, o script da audiência de ontem. Antecipou a troca dos advogados que iria ocorrer, considerando retomada das negociações em busca de uma delação premiada. E deixou claro que o executivo da OAS iria acusar Lula - sem provas - como condição de ver a sua delação aceita pelo MPF. Foi o que ocorreu. Léo Pinheiro deu aos Procuradores da República a sonhada narrativa contra Lula — na contramão dos 73 depoimentos anteriormente colhidos - e com isso viu crescer a chance de sair da prisão ou obter outros benefícios.

As afirmações de Pinheiro, que é corréu na ação e por isso depôs sem o compromisso de dizer a verdade, foram, no entanto, suficientes para que sua coluna concluísse que “Lula é o verdadeiro dono do tríplex e do sítio de Atibaia”. E o senhor foi além: fez ataques diretos e levianos a mim e ao advogado Roberto Teixeira.

Avalio que o senhor sequer assistiu ao vídeo da audiência. Se tivesse assistido, saberia que Léo Pinheiro respondeu às minhas perguntas dizendo que Lula jamais teve as chaves ou usou o imóvel; jamais manteve qualquer pertence pessoal no local; jamais usou ou teve qualquer título da propriedade do apartamento. Ou seja, Pinheiro ao responder às minhas questões - independentemente da versão que havia combinado para ter sua delação premiada aceita - reconheceu que o ex-Presidente jamais praticou qualquer ato que pudesse indicar posse, uso ou gozo do apartamento, que são os atributos necessários para a configuração da propriedade segundo o artigo 1.228, do Código Civil.

Leo Pinheiro ainda reconheceu que deu o mesmo tríplex que afirmara ser de Lula em garantia para a obtenção de recursos para a OAS, o que torna risível a tese por ele sustentada sobre a propriedade do imóvel. Lula seria o dono e a OAS dá o imóvel em garantia, em sucessivas operações, para captar dinheiro no mercado! A situação, portanto, é bem diversa daquela apresentada aos seus leitores.

Registro igualmente Leo Pinheiro negou quando perguntado se algum recurso utilizado no tal tríplex era proveniente da Petrobras. A Folha de S.Paulo, por exemplo, registrou isso em suas páginas na data de hoje (http://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/04/1877330-leo-pinheiro-diz-que-lula-pediu-para-ele-destruir-provas-de-propina.shtml). Mas o senhor preferiu mentir aos leitores, dizendo que Leo Pinheiro teria afirmado que “o apartamento foi pago com a propina que o PT obteve por obras na Petrobras”.

Na tentativa de agredir minha atuação profissional, o senhor disse que “o advogado de Lula tentou uma última cartada, que acabou comprometendo ainda mais o cliente”. E narra a seguir que eu teria denunciado a Sérgio Moro a prática de um crime praticado por Leo Pinheiro: “Segundo Zanin, se o apartamento é de Lula, a empreiteira cometeu um crime ao dizer-se dona do apartamento”. Todavia, quem efetivamente assistir a gravação da audiência verá que não fiz qualquer afirmação nesse sentido. Por má-fé ou imprudência, o senhor comete até mesmo erros factuais em suas análises, e esse é um deles.

Quem de fato fez tal colocação foi o ilustre advogado José Roberto Batochio, ex-Presidente da OAB Nacional, com o qual tenho a honra de atuar, afirmando - corretamente, ao meu ver - que as colocações mentirosas de Leo Pinheiro poderiam, em tese, configurar o crime previsto no artigo 171, §2º, inciso I, do Código Penal. O senhor, portanto, errou a pessoa e o tema em sua análise.

Ainda na tentativa de desqualificar a mim e a defesa do ex-Presidente Lula, o senhor fez a seguinte afirmação: “O amigo de Lula Roberto Teixeira, sogro do advogado Cristiano Zanin, chamou-o [Alexandrino Alencar] em seu escritório e combinou fazerem notas frias para regularizar despesas”. Essa situação, todavia, jamais existiu e não tem amparo sequer na delação premiada do executivo da Odebrecht, que jamais fez referência a “notas frias”. Isso é criação sua, com evidente intenção de caluniar o advogado Roberto Teixeira, ex-Presidente da OAB/SBC e que tem uma história ilibada de 47 anos de advocacia.

A propósito, se o senhor e a Globo realmente tivessem interesse na delação da Odebrecht, deveriam começar explicando a tal “sociedade secreta” que Emílio Odebrecht afirmou ter mantido com a emissora para influir em decisões de governo na era do ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso, no tocante à privatização da área de telefonia e petróleo. Houve apenas lobby? Tráfico de influência? Por que a Globo até hoje não se manifestou sobre esses graves fatos apontados por Emílio? Prepotência? Falta de uma versão convincente?

Avalio, Merval, que o senhor jamais conseguirá esconder um outro verdadeiro “segredo de polichinelo” — o mal que a Globo faz ao País e à democracia.
Posted: 21 Apr 2017 08:39 PM PDT
Por Katia Guimarães, no blog Socialista Morena:

Não bastasse atingir em cheio os mais pobres, a reforma da Previdência de Temer, como quase tudo que veio do governo dele até agora, é uma proposta machista, que aprofundará ainda mais o fosso entre homens e mulheres no mercado de trabalho. A reforma desconhece por completo a realidade da mulher brasileira, que sofre preconceito de gênero, ganha salários menores que os dos homens, trabalha mais horas do que eles e ainda tem de cumprir dupla ou tripla jornada.

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE, reunidos em um estudo realizado pelo Ipea desde 2004 em parceria com a ONU Mulheres, divulgado no mês passado, comprovam o cenário de desigualdade. As mulheres trabalham, em média, 7,5 horas a mais que os homens por semana. Em 2015, a jornada total média das mulheres era de 53,6 horas, enquanto a dos homens era de 46,1 horas. Em relação às atividades não remuneradas, mais de 90% das mulheres declararam realizar atividades domésticas –proporção que se manteve quase inalterada ao longo de 20 anos, assim como a dos homens (em torno de 50%).

O estudo Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça apontou ainda que os homens brancos têm os melhores rendimentos, seguidos das mulheres brancas, dos homens negros e das mulheres negras. A diferença na taxa de desocupação entre os sexos também merece registro: em 2015, a feminina era de 11,6%, enquanto a dos homens atingiu 7,8%. No caso das mulheres negras, porém, a taxa de desocupação chegou a 13,3% (e 8,5% para homens negros). As casas brasileiras, cada vez mais, estão sendo chefiadas por mulheres –em 1995, eram 23%, vinte anos depois, esse número chegou a 40%.

Os dados corroboram a avaliação da bancada feminina de oposição na Câmara dos Deputados de que a reforma atingirá muito mais as mulheres, empobrecendo-as –sobretudo as negras. Para a deputada Maria do Rosário (PT-RS), “a reforma fortalece e aprofunda a feminização da pobreza”, uma vez que as mulheres acabarão se aposentando com uma renda menor.

Hoje, diante desse cenário, a mulher se aposenta por idade e não por tempo de contribuição. “Estão reconcentrando o dinheiro da Previdência nas mãos dos homens. Eles vão ter mais tempo de contribuição, já que as mulheres ficam mais tempo desempregadas. Elas raramente terão o tempo integral de contribuição e os seus salários são muito mais baixos”, critica Rosário.

O relatório da Previdência apresentado nesta quarta-feira, 19 de abril, na Câmara dos Deputados, expande o tempo de contribuição da mulher para 40 anos e combina com a idade mínima de 62 anos para o recebimento da aposentadoria integral. Para professoras e policiais, a idade sobe de 55 para 60 anos, para as trabalhadoras rurais, de 55 para 57 anos e para as servidoras públicas, vai de 55 para 62 anos. Para receber a aposentaria integral, o vencimento será calculado pela média de todos os meses, desde o início da contribuição.

“Isso é um desconhecimento do mercado de trabalho e da condição de vida das mulheres. Comparado com o texto original, você pode dizer que o relatório reduziu a idade, mas eu não vou comparar com o bode que foi retirado da sala, eu vou comparar com o que é hoje. E é inaceitável, seja do ponto de vista da exclusão, seja do ponto de vista do olhar da mulher”, reagiu a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ).

A deputada Érika Kokay (PT-DF) também condena a perversidade da reforma previdenciária ao atingir justamente a única política pública que ainda reconhece a desigualdade no mundo do trabalho para a mulher. “É como se a sociedade dissesse para a mulher: ‘ocupe o mercado de trabalho, mas garanta que seu filho jamais adoeça, garanta que sua casa esteja sempre limpa, que você esteja sempre disponível para o seu companheiro’. É como se as mulheres fossem submetidas a um nível de ditadura da perfeição que faz com que carreguem muita culpa, o que é um instrumento de dominação”, analisa.

O argumento dos defensores da reforma de que colocar a idade de aposentadoria da mulher próxima ou igual ao dos homens atende à revindicação do movimento feminista, como disse o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), causa indignação na experiente deputada Luiza Erundina (PSOL-SP). “Eles dizem: ‘o movimento feminista não luta por igualdade? Então vamos garantir’. É um deboche, fazem isso descaradamente”, critica.

Na avaliação de Erundina, todas as medidas adotadas desde o golpe e a destituição da presidenta Dilma Rousseff se inserem em uma realidade muito maior e preocupante. “É o desmonte do Estado brasileiro capítulo a capítulo da Constituição de 1988, de forma tão rápida que não dá tempo para a sociedade acompanhar. Qual a legitimidade que esse Congresso tem de votar em nome do povo, comprometendo o presente e o fututo?”, indaga.

Erundina enxerga a reforma da Previdência da mesma forma que as demais ações do governo Temer, que caminham para aumentar a desigualdade entre homens e mulheres, reduzir direitos da comunidade negra e LGBT e aprofundar o fosso entre a maioria excluída e a minoria privilegiada. “É uma visão de classe para favorecer quem controla a economia do país”, observa.

A oposição da Câmara conquistou uma vitória na comissão especial da reforma e conseguiu adiar a votação do relatório em duas semanas. Isso vai dar fôlego para o debate ganhar pressão da sociedade. “Ganhamos a chance de fazer a disputa na sociedade e de deixar aumentar a pressão social. O que nós precisamos é que a sociedade tenha mais espaço de pressão e tensionamento para que a gente derrote a reforma da previdência no plenário”, disse Jandira.

Vale lembrar que, nesse meio tempo, a oposição e os movimentos sociais têm duas datas para fazer mobilização em todo o país: a greve geral marcada para o dia 28 de abril e o 1º de maio, Dia do Trabalhador. A votação na comissão especial deverá ser iniciada no dia 2 de maio.

* Pague a autora: Gostou da matéria? Contribua com a autora. Todas as doações para este post irão para a repórter Katia Guimarães. Se você preferir, pode depositar direto na conta dela: Katia Guimarães, Caixa Econômica Federal, agência 4760, conta 21602-1, CPF 602.735.771-15. Obrigada por colaborar com uma nova forma de fazer jornalismo no Brasil, sustentada pelos leitores.
Posted: 21 Apr 2017 08:35 PM PDT
Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:

Aliado fidelíssimo de François Miterrand, presidente da França entre 1981 e 1995, Loik Le Floch-Prigent foi diretor-presidente de outras três estatais francesas, além da Elf. Aos 38 anos, foi o mais jovem PDG da Rhône-Poulanc, grupo industrial com marcas conhecidas, como a Rhodia. Sua entrevista:

Numa das suas entrevistas que formam o livro Affaire Elf, Affair dÉtat, o presidente François Mitterrand, responsável por sua nomeação como presidente da Elf, aparece como um chefe de Estado silencioso diante de esquemas de corrupção que estavam presentes na empresa muito antes que ele tivesse chegado ao Eliseu. Sabe tudo, inclusive quem paga comissões, quem recebe, por ordem de quem, mas nunca diz nada de forma explícita. Qual foi o papel de Mitterrand neste caso?

Como o general de Gaulle, ele possuía uma grande ideia da França e compreendia a importância da independência do petróleo e do gás, coisa que seus sucessores ignoraram. Acima de tudo, respeito essa memória.

(Em outra entrevista, o ex-presidente da Elf recorda afirma que "a mulher de um dos melhores amigos de Mitterrand, que trabalhou por mais de vinte anos como sua secretária particular, declarou, no programa 'Enviado Especial', que costumava ir pessoalmente a sede da Elf para recolher envelopes, e isso muito antes de minha chegada." Conforme Loik Le Floc-Pringent, ela ainda acrescentou que em determinados momentos "não eram mais envelopes, mas uma valise").

O senhor nunca se cansou de repetir, ao longo do processo: "Eu sou responsável de haver feito um sistema funcionar, igual a meus antecessores e sucessores." Nunca foi considerado um delator. Mas refere-se a casos, cita pessoas, a partir de fatos de conhecimento público. Deixa claro que outros executivos -- com outras ligações políticas -- sequer foram incomodados. Também diz que o pagamento de comissões acontecia sempre, em toda parte. O senhor lamentou que, durante seu processo, "nenhum homem público tenha se levantado para dizer que aquilo acontece pelo interesse da França." O senhor está dizendo que a corrupção era inevitável?

Um ponto fundamental a ser considerado é este: o mundo do petróleo é um mundo de preços políticos, que não dependem do custo de produção. Isso começou muito cedo, ainda no século XIX. Os países do Golfo Pérsico sempre se aproveitaram desse fato. Não foram os países ocidentais nem as companhias de petróleo que criaram o hábito de pagar os reis, depois os assessores próximos, os intermediários que ajudam a maximizar seus lucros. Assim, forma-se toda uma rede de indivíduos que chega ao próprio príncipe, de pessoas que sempre foram financiados por "comissões". O fundamento econômico permanece: envolve uma riqueza onde não há relação econômica real entre o custo de produção e o preço de venda.

Mas não haveria outra maneira de explorar o petróleo no mundo?

Tem ocorrido uma evolução inegável. Mas veja o caso da Nigéria, país petroleiro onde os norte-americanos são donos do jogo. Embora tenham sido tomadas medidas positivas, a Nigéria continua sendo um dos países mais corruptos do mundo. Alguém poderia me explicar como é possível haver corrupção se não há mais corruptores?

Miterrand poderia ser considerado como o verdadeiro alvo político daquele processo contra o senhor?

Ele não era o alvo. Os processos levaram em conta o fato de que, após a morte de Miterrand ( em 1996) , eu não possuía mais sua proteção. Nesta situação, algumas pessoas acreditavam que eu poderia falar mal dele, o que teria sido conveniente a seus joguinhos políticos. Mas eu não iria alimentar essa mediocridade.

Numa entrevista, o senhor disse que foi condenado porque não havia sido "capaz de provar que não era culpado."

O problema daquele período era a confusão entre a Justiça e a Mídia. Os jornalistas se tornaram juízes e procuradores, numa atitude que se tornaria muito comum nos anos seguintes. No que concerne aos juízes, havia uma questão muito importante de ego e notoriedade. Fui o primeiro a sofrer este ataque combinado. Enquanto os políticos olhavam para o céu, dizendo que não tinham o menor conhecimento do que acontecia, fui colocado sob prisão preventiva porque era preciso fornecer alguém a mídia. Eu era o melhor nome para todos se divertirem, já que os demais possíveis candidatos a prisão eram políticos vistos como pessoas puras, sem manchas, e Mitterrand estava morto. Já minha segunda condenação, em 2003, foi uma surpresa geral. Como nenhuma acusação foi provada contra mim, pois se tratava de um caso no qual eu não tinha o mais leve envolvimento. Até o procurador pediu o relaxamento da prisão.

No livro Alstom, Scandale d'Etat, o jornalista Jean-Michel Quatrepoint descreve a ação da norte-americana General Eletric para tomar posse de 70% da Alston como uma forma de assegurar sua supremacia no mercado mundial de energia. Conforme o relato de Quatrepoint, essa operação foi auxiliada por investigações do Departamento de Justiça do governo dos EUA, que pressionaram executivos da Alston, acusados de corrupção, para ceder a interesses da GE. O senhor acha que uma situação parecida se repetiu na Elf?

No caso Elf, não houve uma interferência direta do Departamento de Justiça dos Estados Unidos. A Kroll se ocupou.

(Uma das principais agências privadas de espionagem do planeta, frequentemente a Kroll é apontada como uma fachada para ações do serviço secreto dos EUA).

Qual a diferença entre a privatização da Elf e a dissolução da Alston?

Está claro que a ofensiva da Justiça americana contra a Alston explica em grande parte a reação dos dirigentes da empresa, que decidiram seu maior patrimônio para a General Elétric. Mas, para mim, foi uma fuga para a frente da direção da Alston, consequência de erros estratégicos, a partir de decisões da própria empresa e seus dirigentes. O caso da Elf foi diferente. A absorção da Elf pela Total (grupo privado frances) foi aceita pelo governo socialista da época, Jospin-DSK.

(A negociação ocorreu durante a coabitação dos conservadores de Jaques Chirac, presidente da França, com um ministério formado pelo PS, quando Lionel Jospin era o primeiro ministro. O ministro da Economia era Dominique Strauss Khan, cuja carreira foi encerrada em 2011 depois de uma denúncia de estupro de uma camareira em Nova York.)

O que aconteceu então?

Sabemos que a política mundial de petróleo é considerada pelos Estados Unidos como sua reserva de caça. Eles não gostam que outras forças se envolvam e muito menos que sejam bem sucedidas. Os Estados Unidos ficaram muito felizes de ver um concorrente desaparecer, em particular pela importância que a Elf vinha adquirindo em mercados no Leste. Eles se mostravam preocupados em função dos bons contatos mantidos com dirigentes ex-soviéticos. Mas naquele momento, era tarde demais para a Elf reagir. O estrago estava feito, com a nomeação de um executivo financeiro para o comando do grupo. Uma empresa de petróleo, e sobretudo Elf, sempre teve necessidade do gosto do risco. As operações de pesquisa de petróleo são sempre delicadas, entre o risco de cada país e a incerteza sobre aquilo que se vai encontrar sob o solo. Quem vai dirigir uma empresa de petróleo com o desejo absoluto de sucesso deve mudar de ramo. Nenhum executivo financeiro puro foi capaz de dar certo a frente de uma empresa de petróleo.

Para a França, quais foram as consequências da absorção da Elf pela Total, grupo francês privado?

A Elf foi criada pelo general Charles de Gaulle com a finalidade de garantir o abastecimento em petróleo e gás da França. Era uma empresa de desbravadores, de lutadores, que imaginou seu futuro na África e no Mar do Norte. A independência da Argélia, em 1962, interrompeu sua expansão mas o choque do petróleo de 1973 lhe deu um novo estímulo, já que soube enfrentar os riscos e desafios da época. Nos anos de minha presidência (1989-1993) nós tentamos a expansão nos países da antiga União Soviética -- Rússia, Cazaquistão, Ouzbequistão, Turkmenistão, na Venezuela -- mantendo, ao mesmo tempo, uma liderança na África e no Mar do Norte. Além de possuir um excepcional conhecimento do subsolo no centro de pesquisas de Pau, a Elf foi pioneira em perfurações horizontais e em águas profundas de Angola. Ela é, tecnicamente, uma das primeiras sociedades mundiais, ainda que tenha ficado atrás em produção e reservas em comparação com a Exxon, Shell e BP. Em 2000, após uma sequencia de erros do presidente da Elf na época, que limitaram suas possibilidades de expansão pelo abandono, em todos os continentes, de novos campos de exploração, para surpresa geral a Total fez uma oferta de compra contra a Elf e absorveu a empresa. A partir daí, outros grupos de petróleo vão assumir as pesquisas iniciadas pela Elf: BP na Russia, ENI no Cazaquistão, Andarko, Chevron. A chamada revolução dos hidrocarbonetos não convencionais acabou utilizando a tecnologia de perfuração horizontal sem seu inventor, Elf.

O que a França perdeu?

O desaparecimento da ELF coincidiu com o enfraquecimento de uma cultura de engenheiros e cientistas que queriam fazer de nosso país um dos melhores do mundo. O petróleo e o gás passaram a ser considerados como substâncias perigosas. O país passou a se refugiar no mito das novas energias, que seriam as únicas aptas a proteger os indivíduos! Um império industrial, diversificado na química e na farmacia, desapareceu. A potência industrial da França decaiu em todas as áreas. Perdemos o gosto do risco. A introdução, na Constituição, do "princípio de precaução," que exige que toda inovação tecnológica seja precedida de uma pesquisa de "precaução" vai neste sentido. (Nota de esclarecimento: produto de um processo geral de questionamentos à atividade industrial, em grande parte motivados por movimentos ambientalistas, o "princípio de precaução" tornou-se matéria constitucional, na França, em 2005).

O que aconteceu, na realidade?

A Elf havia sido construída por de Gaulle para garantir o suprimento de energia do país mas passou a ser encarada como um monstro que era preciso destruir de qualquer maneira. No livro "La Bataille de l'industrie," conto que neste processo fizemos desaparecer um grande número de fortalezas industriais. Tudo era justificado a partir de cálculos sobre de ganhos ou perdas financeiros, a partir de uma visão pouco pertinente contra os hidrocarbonetos.

Como era a atuação da Elf, além do petróleo?

Ela atuava nas principais atividades industriais do país. Deu apoio a Technip, no ramo para-petroleiro, à companhia Générale de Géophysique (CGG), l'IFP, mas também a química (Atochem) e a farmácia, com a Sanofi. Possuía uma carteira muito diversificada de atividades industriais e servia de braço armado nacional para apoiar o risco industrial, sempre presente, nos principais setores. O desaparecimento inviabilizou um conjunto inteiro de atividades, sem que ninguém pareça estar preocupado. Nada menos que a metade de nosso parque industrial desapareceu nos últimos 25 anos. Uma grande parte era sustentada pela Elf.

A Elf teve uma presença marcante em países africanos, região que acumula imensas reservas de petróleo mas se mantém como a grande concentração de pobreza do planeta. Como o senhor avalia a atuação da Elf nestes países?

A empresa foi o braço político da França na Africa. Ela procurou assegurar um ambiente de estabilidade naqueles países onde os golpes de Estado eram frequentes. Também não se limitava a procurar petróleo, mas tentava estimular o refino junto aos países produtores. A valorização da agricultura desses países também foi favorecida por um desenvolvimento econômico criado em torno do petróleo. Se em muitos casos a estabilidade acabou produzindo presidentes com mandatos vitalícios, não é uma falha da Elf, mas de toda diplomacia ocidental, em particular depois de 1995. Não tenho vergonha do trabalho de meus antecessores nem do meu desempenho mas lamento pela forma que as coisas se passaram nos últimos anos.

O senhor conhece o Brasil, que visitou com frequência na década de 1980, quando era presidente da Rhône-Poulenc e tem acompanhado, mesmo de longe, o que aconteceu com a Petrobras. Acha que a Petrobras corre o risco de desaparecer, como a ELF?

A Petrobras é uma grande empresa de petróleo, com engenheiros que souberam correr riscos nas pesquisas de águas profundas e que tiveram sucessos exemplares. Mas nós sabemos que os Estados Unidos não gostam da concorrência de talentos externos. Também acredito que o endividamento da Petrobras coloca a empresa em perigo. Qual é o lugar das empresas estrangeiras dentro do grande movimento de concentração operado pelos Estados Unidos? Poderão se manter se permanecem nacionais por seu capital. Se puderem ser negociadas na Bolsa, serão compradas um dia, quando a política norte-americana julgar necessário.
Posted: 21 Apr 2017 08:28 PM PDT
Por Pedro Rafael Vilela, no jornal Brasil de Fato:

Esta semana, o país relembra um ano da votação que deu início ao processo de impeachment de Dilma Rousseff. No dia 17 de abril de 2016, um domingo, uma sessão extraordinária da Câmara dos Deputados, que durou quase 10 horas, parou o Brasil neste que já é considerado o acontecimento mais trágico da história recente do país. O Observatório Político da América Latina e do Caribe (OPALC), ligado ao Instituto de Estudos Políticos de Paris (Sciences Po), em seu relatório anual publicado em janeiro, classificou o afastamento de Dilma como “uma grave deterioração da democracia brasileira”.

A percepção de que houve um golpe parlamentar para tirar do poder uma presidenta democraticamente eleita foi majoritária na mídia internacional e até entre governos – que mantiveram distanciamento do agora presidente golpista, Michel Temer, desde então. Uma conclusão marcante foi a do linguista e ensaísta norte-americano Noam Chomsky, professor do Massaschussets Institute of Technology (MIT). Em uma entrevista de televisão concedida ainda no ano passado, ele cravou: “Uma líder política que não roubou para enriquecer a si mesma sendo acusada por uma gangue de corruptos, que fizeram isso (roubaram para enriquecer) é uma espécie de golpe brando”.
Dia da vergonha

Chomsky se referia ao perfil dos algozes de Dilma no Congresso. No dia 17 de abril do ano passado, dos 367 deputados que votaram a favor do prosseguimento do impeachment, 119 respondem por crimes na Justiça comum ou eleitoral ou estão envolvidos em suspeitas. Pela primeira vez, no entanto, aquela sessão de votação permitiu à maioria da população brasileira, que assistia pela televisão aberta, conhecer o nível dos seus parlamentares. Quase nenhum, ao justificar seu voto pelo impeachment, citou o suposto crime de responsabilidade cometido por Dilma. A maioria resolveu homenagear filhos, esposas, maridos, Deus e até figuras da ditadura militar.

Um dos casos mais constrangedores foi a declaração de voto da deputada federal Raquel Muniz (PSD-MG). Ela dedicou em seu voto o marido e ex-prefeito de Montes Claros (MG), Ruy Muniz (PSB). Ele foi preso algumas horas depois da votação, em Brasília (DF), em uma operação da Polícia Federal, acusado de ter deixado de investir verbas federais para saúde e ter reduzido o número de leitos no SUS para favorecer hospital privado de propriedade da família. Ele acabou sendo afastado de forma definitiva da Prefeitura. “Foi um patético episódio ter deputados votando ‘contra a corrupção’ e, passado um tempo, o governo atual está atolado em processos, ministros caíram e alguns dos parlamentares hoje estão presos”, lamenta Raimundo Bonfim, um dos coordenadores da Frente Brasil Popular (FBP).

Outro deputado, Eduardo da Fonte (PP-PE), quis que o filho, que o acompanhava na tribuna, fizesse a declaração de voto. Teve que ser repelido pelo presidente da Câmara na época, Eduardo Cunha (PMDB). Cunha que, meses depois do impeachment, acabou tendo o mandato cassado e sendo preso pela operação Lava Jato. Atualmente, está condenado a mais de 19 anos de prisão e ainda responde a vários outros processos judiciais. Cunha foi o grande responsável e articulador do impeachment, ao aceitar o pedido de afastamento de Dilma baseado nas chamadas pedaladas fiscais, manobras contábeis de orçamento, praticadas por todos os governos anteriores, mas que serviu de justificativa para tirar a primeira mulher eleita presidente do Brasil.

O deputado Beto Mansur (PRB-SP), que também votou contra Dilma, era, em 2016, o campeão em número de processos judiciais: 47. Entre as acusações a que responde até hoje na Justiça, está a de manter trabalhadores em condições análogas à escravidão em uma de suas fazendas. Já o deputado Wladimir Costa (SD-PA), que estourou confetes quando disse sim ao impeachment, teve o mandato cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Pará e foi o deputado que mais faltou às sessões obrigatórias da Câmara no primeiro semestre do ano passado: 19 de 54, sem justificativa.

O deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) também ficou marcado na votação do impeachment ao homenagear o torturador e coronel do Exército brasileiro Carlos Alberto Brilhante Ustra, que coordenou um dos órgãos de repressão da ditadura militar e foi responsável pela tortura e morte de centenas de militantes políticos contrários ao regime autoritário que governou o Brasil por 21 anos. Bolsonaro também já respondeu a processo por incitação ao estupro, após proferir ofensas contra a deputada Maria do Rosário (PT-RS).
Crise sem fim

Vendido como a tábua de salvação do Brasil, o impeachment de Dilma, que na época tinha apenas 10% de aprovação popular, não tirou o Brasil da crise econômica. Além disso, esse processo tumultuou ainda mais o ambiente político, contaminado pelas delações premiadas de empreiteiras como a Odebrecht e o surgimento de denúncias graves envolvendo políticos da base do governo Temer.

O próprio Michel Temer, que assumiu o governo sem ser eleito para o cargo de presidente, ostenta níveis de aprovação ainda piores do que o de Dilma. Segundo a recente pesquisa Vox Populi/CUT, apenas 5% da população apoia o governo; esse índice era de 8% há cerca de três meses.

A delação de executivos na Odebrecht também colocou a mira sob nove ministros de Temer. Isso porque, no ano passado, outros seis ministros já haviam pedido demissão por conta de escândalos de corrupção. Entre os 29 senadores e 42 deputados federais citados pela Odebrecht, a maioria pertence à base do governo, principalmente políticos do PMDB e do PSDB.

Os números da economia pioraram em um ano. A taxa de desemprego atinge 13,2% da população, segundo dados de fevereiro divulgados pelo IBGE. Esse percentual representa 13,5 milhões de pessoas que não conseguiram trabalho. O total de desempregados é 1,4 milhão maior que o verificado no trimestre anterior e 3,2 milhões superior ao mesmo trimestre de 2016. O crescimento da economia também foi descartado e as contas públicas fecharão em déficit por pelo menos mais dois anos.
Direitos ameaçados

Em meio às crises política e econômica, o governo Temer tenta impor uma reforma da Previdência que cria regras extremamente rígidas para a aposentadoria da maioria da população, com o estabelecimento de idades mínimas de 65 e 62 anos para homens e mulheres, respectivamente, combinada com uma exigência de tempo de contribuição que pode chegar aos 49 anos. Enquanto isso, a sonegação de impostos no setor previdenciário ultrapassa os R$ 400 bilhões, recursos que o governo não tem feito esforço para sobrar dos devedores.

Outra tentativa de mudança em andamento é a reforma trabalhista. A medida mexe em direitos básicos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e pretende flexibilizar salários, jornada diária e férias dos trabalhadores, ao dar prioridade ao negociado entre patrão e empregado do que as regras previstas em lei.
Posted: 21 Apr 2017 08:23 PM PDT
Editorial do site Vermelho:

O esforço pela unidade das forças democráticas, progressistas e populares para encontrar a saída para a grave crise que o Brasil vive, agravada pelo golpe de 2016, deu um passo importante nesta quinta-feira (20), no encontro que reuniu lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), Consulta Popular, Via Campesina, Fundação Maurício Grabois e PCdoB.

O objetivo foi debater pontos de convergência na resistência contra o governo golpista e ilegítimo e a resistência contra as ameaças aos direitos sociais e dos trabalhadores.

Foi um diálogo franco e produtivo, havendo forte consenso sobre a urgência na construção da unidade para resistir ao golpe e suas consequências sobre o Brasil e o nosso povo.

Nesse sentido a reunião mostrou grande afinidade ideológica, na perspectiva da construção de uma visão estratégica comum. Houve grande concordância sobre a necessidade de definição de um Projeto Nacional de Desenvolvimento para o país.

Segundo Renato Rabelo, presidente da Fundação Maurício Grabois, o problema não é apenas responder à situação atual, mas também apresentar perspectivas, uma visão ampla que reúna muitas forças políticas e sociais. Esta, disse, é a grande questão da atualidade: a alternativa.

O dirigente do MST, João Pedro Stedile, presente à reunião, falou do “apodrecimento do atual regime que não representa mais ninguém”.

Nesse contexto, surgiu a ideia importante da convocação, nos próximos meses, de um Congresso do Povo Brasileiro, que reúna todas as forças sociais que defendem a mudança e a democracia - os movimentos sociais, intelectuais, economistas, sindicalistas, parlamentares progressistas, setores progressistas do Poder Judiciário, as igrejas (católica, pentecostais e as religiões de matriz africana).

Um congresso representativo do povo para deliberar sobre os dilemas da sociedade e traçar rumos para a ação comum. A ideia foi acolhida com entusiamo por Walter Sorretino, vice-presidente nacional do PCdoB. “A perspectiva nesse momento não é de um partido ou de outro, mas de uma ampla unidade de forças, e, oxalá, adquira esse caráter de um Grande Congresso do Povo para formular um projeto para o país", afirmou.

Houve concordância sobre a necessidade de acelerar a apresentação para o povo de um plano nacional de emergência que mostre a necessidade e possibilidade de se encontrar uma saída avançada para a grave crise que o país e o povo enfrentam.

Sobre a conjuntura imediata, todos concordaram em reforçar a implementação da greve geral do dia 28 de abril, contra a reforma da Previdência e a reforma trabalhista. E contra o governo golpista de Michel Temer.
Posted: 21 Apr 2017 06:31 PM PDT
Do site da Federação dos Bancários do Centro-Norte (Fetec-CN):

Está cada vez mais claro para a população, até mesmo para setores que apoiaram o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, que a verdadeira razão do golpe foi a implementação da agenda do capital e dos neoliberais, visando acabar com os programas sociais, retirar direitos dos trabalhadores e entregar os recursos nacionais às empresas multinacionais. Por isso é importante que tenhamos a capacidade de buscar o apoio desses segmentos, estreitar a unidade dos movimentos sindical e sociais e ampliar a mobilização para o confronto com o governo ilegítimo de Michel Temer e suas reformas. O que necessariamente passa por uma grande greve geral no dia 28 de abril.

Essas foram, em síntese, as opiniões dos palestrantes que participaram da análise de conjuntura que abriu nesta segunda-feira 17 o 10º Congresso da Federação dos Bancários do Centro Norte (Confetec-CUT/CN), que está sendo realizado em Cuiabá e termina na quarta 19.

A mesa foi composta por Altamiro Borges, coordenador do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão Itararé, por Gilmar Soares Ferreira, professor e secretário de Assuntos Educacionais da Confederação Nacional da Trabalhadores em Educação (CNTE), e pelo deputado federal Ságuas Moraes (PT-MT), com participações dos presidentes das CUTs de Mato Grosso (João Dourado) e Itamar Ferreira (Rondônia) – ambos bancários.

“Vivemos hoje no mundo, na América Latina e no Brasil um quadro de muitas incertezas, que é dinâmico e imprevisível, porque não há uma hegemonia consolidada”, avalia o jornalista Altamiro Borges, editor do Blog do Miro. Ao contrário de períodos recentes, em que houve hegemonia clara neoliberal seguida de uma onda progressista, em sua opinião “hoje há de um lado uma briga entre as correntes mais ultraliberais e conservadores, até de caráter fascista, e setores que resistem a esse avanço e estão à procura de uma alternativa. Essa batalha não está decidida”.

Parodiando o pensador marxista italiano Antonio Gramsci, Altamiro disse que “o velho está velho mas ainda não morreu e o novo dá sinais de que surge, mas ainda não nasceu. É um sinal da crise capitalista. E nessa brecha vêm as aberrações, que podem ser muito perigosas, como as ações de Trump na Síria e no Afeganistão”.

População começa entender razões do golpe

Altamiro avalia que a população começa a entender as verdadeiras razões do golpe contra a presidenta Dilma, mesmo em setores que foram às ruas apoiar sua destituição, “organizada por corruptos” que prometeram o rápido retorno do crescimento econômico.

“E qual o resultado do golpe?”, indaga o jornalista. “Até os midiotas começam a perceber que deram um tiro no pé”, ao se darem conta de que a crise econômica se agrava e o governo ilegítimo corta programas sociais e direitos dos trabalhadores, como a pretendida reforma da previdência.

Altamiro acredita que o movimento sindical e os movimentos sociais precisam mudar a estratégia e o discurso, para atrair o apoio desses setores que se sentem enganados pelos golpistas. “Precisamos trazê-los pro nosso lado”, defende.

O jornalista enxerga muitas fragilidades no bloco de governo golpista, a começar pelo acirramento da crise e pelas divisões internas que surgem “em toda organização mafiosa”. Ele defende da tese de que, mais importante que discutir candidaturas para 2018, “a questão central hoje é a elaboração de um projeto que desperte novamente a esperança do povo brasileiro”.

Mulheres estão na vanguarda

Altamiro também acredita que é apostar na unidade do campo progressista e na mobilização e “saber aproveitar os rachas do inimigo, além de muita luta”.

“O povo começou a acordar e ir pra rua, inclusive de gente que até ontem apoiou o golpe. O Carnaval foi um exemplo espontâneo disso. O 8 de março foi também um marco importante. As mulheres mostraram que estão na vanguarda. Só sei que precisa ter pressão. Unidade e pressão. Temos de combinar a ação geral das centrais, o que dá o caráter de classe, com a ação localizada contra os parlamentares nas suas bases, inclusive com escrachos nas suas cidades”, conclui Altamiro.

Congresso vulnerável

Na mesma linha de raciocínio, o deputado federal Ságuas Moraes (PT-MT) considera que o Congresso Nacional, apesar de até agora ter dado apoio às medidas antipopulares do governo, “é altamente vulnerável” e que “Temer ajudou a unir as centrais sindicais, unidade que é importante para a resistência dos ataques contra os trabalhadores”.

O parlamentar mato-grossense também defende que os movimentos sociais estendam a mão e façam gestos de aproximação com os segmentos da classe média que apoiaram o golpe e já perceberam que cometeram um erro. “Temos de ter essa capacidade de dar um abraço e trazer essas pessoas”, afirma.

O deputado Ságuas Moraes centrou fogo nas iniciativas do governo que retiram direitos dos trabalhadores, especialmente na PEC 287 da aposentadoria. “Não se trata de uma reforma, mas do desmonte da Previdência”, denuncia.

“Com essa medida, as pessoas precisarão começar a trabalhar aos 16 anos para se aposentar com 65 anos e aprofunda as desigualdades entre homens e mulheres”, destaca.

Ele conclui: “O povo vai fazer o enfrentamento para defender a aposentadoria e por isso precisamos aumentar a mobilização e agregar trabalhadores que não estão organizados ainda. O dia 28 será importante para o povo brasileiro dizer que não quer esse governo que está aí, nem as reformas e que queremos novas eleições”.

‘Pobres mais pobres e perdoando crimes dos ricos’

Secretário de Assuntos Educacionais da CNTE, Gilmar Soares Ferreira disse que, “no varejo da política, estamos assistindo a uma novela cujos capítulos, além de criar as condições para um pobre mais pobre, perdoam os crimes dos ricos”.

Ele deu destaque para os interesses estrangeiros no golpe contra Dilma. “Os tucanos não são a força principal do golpe, que tem sobrenome: Marinho. E os plutocratas instalados nos tribunais e no MPF. Mas não podemos menosprezar a dimensão importante que foi a participação do imperialismo no impeachment”, lembra.

“O golpe foi armado num momento em que o Brasil alçava voo para ser uma potência mundial, com agropecuária desenvolvida, grandes empresas de infra-estrutura atuando a nível global, descoberta e produção pré-sal, com a garantia de investir 30% de seus recursos na saúde e na educação, o que era uma revolução. Fazemos parte de um grupo de países que detêm energia estratégica, junto com Rússia e Irã. Isso foi percebido pela direita internacional, que foi um dos autores do golpe”, denuncia Gilmar.

O professor e dirigente da CNTE acredita que “nós do movimento sindical temos um papel muito importante a desempenhar nas eleições de 2018 e temos o desafio de buscar a unidade na diversidade. É preciso convencer os trabalhadores de que não estamos fadados ao fracasso.

Para ele, “o desafio dos setores progressistas é um só: unificar discursos e estratégias em torno de propostas concretas que se configurem como alternativa real ao projeto de país que queremos”.

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