segunda-feira, 3 de abril de 2017

3/4 - A Vergonhosa Ditadura Que Ninguém é Culpado​

FONTE:http://www.jornaldopais.com.br/alfredo-paulo-e-ex-bispo-da-igreja-universal-e-lidera-um-movimento-que-denuncia-as-irregularidades-da-igreja/


Artigo/Opinião/Depoimento: 
A Vergonhosa Ditadura Que Ninguém é Culpado
​ 

Um Militarismo Incompetente, Corrupto, Decrépito, Violento e Senil que caiu do céu...
 
"Rompem-se as coisas. O centro não mais aguenta
Mera anarquia anda solta sobre o mundo
A maré sangrenta não é contida
​ 
E por toda parte afogada a cerimônia da inocência
​ 
Privados os melhores de qualquer convicção
​ 
E cheios os piores da apaixonada intensidade" 
(William B. Yeats)

Para 
​(​
In Memoriam
​)​
 
Rubens Paiva, 
Vladimir Herzog, 
Zuzu Angel, 
Santos Dias, 
Frei Beto
​, 
Frei Tito, 

Cinquenta anos depois de uma hedionda ditadura militar incompetente, corrupta, violenta e senil no Brasil, depois de uma agregada e maleixa volta a uma democracia ainda engatinhando e não engatilhando, e eis que a mídia de um modo geral, da nefasta e nebulosa vênus platinada à chamada grande imprensa, todos falam do golpe de primeiro de abril de 1964 como se fosse em Genebra, não fosse conosco, não tivéssemos nada a ver, e trazem artigos, ensaios, de todos os tipos, níveis e vieses, entrevistas do Sarney ao ainda impune ex-sociólogo FHC, como se a Canalha – como muito bem rotulou Millôr Fernandes – fosse na lua, e todos fossem inocentes, foi o destino quem quis... foi Deus quem quis. Ou, seja, caros irmãos: uma ditadura imposta por nadas e ninguéns, que acabou como se com uma última descarga, a pátria, a família e as propriedades foram salvas, o Brasil não virou  Cuba e, salve lindo perdão da esperança, todos foram anistiados, ninguém segura a hipocrisia do Brasil, esqueça os culpados, ame ou deixe-o! Como muito bem disse Carlos Drummond de Andrade “Toda história é remorso”. Ditadura de inocentes?
​ 

A Folha de São Paulo que, com a conservadora sociedade da paulistada da época apoiou o golpe, mais a rançosa igreja católica com as mal amadas mulheres frígidas de Santana, mais interesses escusos e de agiotas por trás, hoje se posta de dona da verdade, de jornal falso-democrático, e, tendenciosa e parcial, tem entre seus articulistas ratos do porão da ditadura, além de elementos de fichas sujas ligados à velha rama da podre UDN e, sim, o golpe foi ruim, coisa e tal, mas não foi com ela, não sabe de nada, tá podendo. Já pensou? A Folha falha. 

O Jornal o Estado de São Paulo, então, comprou ignorantemente (e com benefícios próprios, claro) o mote emboaba do chamado medo do comunismo – e o medo do comunismo criou monstros - e, como foi contra tudo que representasse conquistas para a maioria absoluta da população, contra a CLT, contra o décimo terceiro salário, foi também contra João Goulart que é muito melhor do que o clã Mesquita, e, sim, ainda permanece cínico-neoliberal contra as inclusões sociais da Era PT, num tendencioso jornalismo de almanaque fascista, e também publica artigos que disfarçam seu nojento envolvimento, como se o golpe tivesse caído do céu e o jornal fosse apenas um guardião da liberdade. Estadão ou Estragão? 

Quanta gente corrupta, de máfias e quadrilhas, de empresários a latifundiários, correu risco com o medo burguês da reforma agrária – e todas as potências do mundo, de uma forma ou de outra fizeram sua reforma agrária – quanta gente lucrou com o golpe de 64, tráfico de influencias, vantagens ilícitas por fora, a própria corrupção financiando a chamada “Revolução” pra boi dormir. 

A elite paulistana, gangues, antros, de OAB a FIESP levando vantagem, até que sobrou também para esses agregados de ditadores senis, e a censura caiu de pau, quando abriram os olhos já era tarde demais, mas já tinham servido aos podres poderes, já tinham se servido do sistema amoral, o Brasil recuou na democracia, atrasou décadas com a sórdida repressão, já que um dispositivo legal da ONU propõe que o povo se volte armado contra ditadores. 

Pátria, Família, Liberdade? Bem, isso é historia para incauto, mal formado ou mal informado dormir em berço esplêndido de lucros injustos, riquezas impunes, propriedades roubos. O Brasil não tem, hoje, competência para ser comunista, imagine em 1964, com áreas de escambos e afins. Os EUA bancaram bem o medo da Cubanização da
​S​
ulamérica, reaças e conservadores suspeitos de SP principalmente compraram a ordem unida, e deu nisso, o golpe de primeiro de abril de 196
​4​
, com o militarismo incompetente, corrupto e senil. Hoje se sabe de marechais corrompidos, de agentes externos no modus operandi, e a ditadura que veio para diminuir a divida externa acabou aumentando-a, veio para acabar com corruptos, prendeu alguns, até do próprio meio, derrubou até corruptos posudos que ajudaram a financiar o golpe, mas depois teve seus próprios corruptos muito maiores do que os derrubaram, de Andreazza a Maluf, para não dizer da educação publicada falida com Jarbas Passarinho e outros elementos podres do militarismo, além de projetos faraônicos em que alta grana foi desviada, como a própria Transamazônica, só para dar um exemplo. 

Bem, a TV Excelsior de uma hora pra outra foi suspeitamente preterida, pegou fogo (ou foi incendiada?), e quem nasceu, cresceu e ficou potente de rica com
​ ​
a canalha de 1964? A rede Globo do Clã Marinho, em que seus diretores, marionetes, artistas ignorante
​s​
, rancorosos e gagás, valendo-se do quarto poder da mídia para inflar o tal medo do comunismo, depois o medo do Brizola –que é muito melhor do que todo o clã global dos Marinhos – depois o medo do PT, do Lula, e olha a concessão pública Rede Globo destruindo a família, a moral, sem jornalismo com princípios éticos, tendenciosa e parcial, fomentando regime de exceção, além de ter montado a entrevista do debate do Lula com Collor, vendendo seu sabonete Collor, quando já tinha sido com a Folha e o Estadão contra as Diretas Já, contra a Anistia, e restou-se esse penico global de programas que fazem humor discriminatório e racista contra pobre, negro, favelado, aleijado, excluído social, num capenga jornalismo amoral, tendencioso, por escusos interesses próprios blindando desde a canalha de 64 até a nefasta nova UDN que a tucanalha do PSDB se tornou, e agora, como se não fosse com ela, faz artigos, reportagens, entrevistas, especiais, Globo Repórter, etc. e tal, sobre o duro regime de arbítrio, a era de chumbo, como se ele fosse isenta, não tivesse nada a ver com aquilo, e posta-se de guardiã da moral e bons costumes, quando não tem moral histórica de clã, de base e de meio para isso, e ainda canta de galo fascista querendo fazer a cabeça de incautos que, como cabeças como se penicos, receptáculos do open-doping de sua mídia capenga e suja, inventa um Brasil em crise, em caos, torce contra o Brasil de milhões na inclusão social, mas ganhou alta grana bancando a ditadura e ainda estrangeiro, máfias e quadrilhas, antros e corporativismos, torcendo contra o PROUNI, o Mais Médico, contra a Copa, mas sendo refém de sua própria consciência...

Fica, com isso tudo, a bendita dúvida: então o Golpe Militar de Primeiro de Abril de 1964 (Dia da Mentira) caiu do céu de paraquedas, nossa imprensa ligada à elite burguesa não tem nada a ver com a sujeira toda, é inocente, o culpado é o povão que queria reforma agrária que, muitas décadas depois, um aleijado operário, migrante da seca no nordeste, promoveu inclusões sociais no Brasil desde a Era de Vargas? 

O medo do comunismo criou monstros. O medo do Lula criou amebas. O medo da Dilma criou Coxinhas-Daslu made in samparaguai, o estado máfia, o estado mais conservador e reacionário do Brasil, principal articulador do golpe militar, com suas máfias e quadrilhas que governam os governos, estado suspeitamente modelito cínico-neoliberal falido e com corrupção institucionalizada em todos os níveis, mas blindado pela justiça chapa branca de SP, e por essa mesma mídia tendenciosa, parcial, interesseira. 

E os Civittas, donos da factoide revista Veja, foram expulsos da Argentina ou seriam presos, e onde vieram se dar bem? Em São Paulo da força da grana que destrói coisas belas, como promoveu regimes de exceção como a ditadura da qual estranha e suspeitamente se isenta... 

Se todos os arigós brucutus alimentadores do golpe, entre manés torturadores em seu estado fascista fossem presos, São Paulo seria um enorme Carandiru a céu aberto
​.​
Não iria sobrar ninguém da alta sociedade paulistana, e entre eles hoje encontram-se os new richs das privatizações-roubos, as impunes privatarias do PSDB em seu continuísmo antidemocrático de quase vinte anos no poder falindo os serviços públicos, sucateando a educação, o estado mais rico da nação, o estado mais corrupto da nação, como na ditadura militar, estado cujo capitalhordismo americanalhado é financiado por essa mesma corrupção que bancou a ditadura...

Você lê estranhos artigos inqualificáveis e fica pensando. Sociólogos, pensadores, filósofos, jornalistas, isentos ou não, comprometidos ou não, professores universitários ou curiosos cheios de achismos focando o assunto, sobre diversos vieses, tudo lenga lenga vazio, e parece um bando de inocentes fúteis sem sacar das quadrilhas do inocentes inúteis, dos clubes envolvidos, de empresários que hoje roubam o fisco – só São Paulo rouba (glosa) por ano 80 bilhões do Imposto de renda – que perversos e pervertidos bancaram o golpe, para não dizer dos trouxas paisanos débeis mentais, quase sessenta por cento deles, torturando, matando, barbarizando, violentando, em nome desse “medo” do Brasil deixar de ser capitalista que nunca de pleno direito sócio-inclusivo foi... 

Curto e grosso: os militares que se achavam os donos da pá
​t​
ria não deram o golpe sozinho
s​
ou sem querer. Tinha tudo um acabamento social no entorno, uma ignorância generalizada, agentes norte-americanos nos bastidores, aos quais a sociedade serviu, serve, e agora, quando contam os mortos, quando roemos os ossos, quando apontamos o dedo, quando precisamos fazer como civilizados países vizinhos que julgaram, prenderam e cassaram seus assassinos civis e militares, aqui a mídia foi contra a abertura, a anistia e as diretas já, quando comissões da verdade tentam passar o Brasil a limpo, desvendar neuras e antros de escorpiões, jornalões publicam páginas, cadernos e mirabolantes opiniões jecas como se tudo fosse num outro plano, e como se o golpe tivesse feito bem para o Brasil, tivesse sido necessário, que até hoje tem suas querelas em sequelas sociais graves de então, além das nada inocentes mãos sujas da igreja católica, da amoral sociedade paulista-paulistana, dessa mesma imprensa sem moral que quer passar batida, quer se isentar, quer parecer inocente, como se não tivessem nada a ver com as históricas sujeiras dela com interesses escusos... uma verdadeira espiral do cinismo...
​ 

A ditadura atrasou o Brasil, como deixou toda a América pobre refém da América rica, que bancou golpes, ditaduras, sandices, derrubada de políticos eleitos pelo povo, derrubada de aviões com autoridades, antros de torturas e mortes, fazendo a cabeça vazia de militares sem inteligência e de uma hipócrita sociedade que na manada do golpe agiu como babaquara vaquinha de presépio. 

Anistia para todos? Uma anistia que perdoou a “resistência” contra ela mas não devolveu os mortos, nem viu suas altas patentes presas, cassadas... Vergonha histórica. Um grito parado no ar ainda clama por justiça ainda que tardia... Por quantas décadas carregaremos em nossa democracia as sequelas do golpe, feridas dolorosas, contrastes sociais, os erros disso tudo, como se fôssemos inocentes na pataquada toda? 

Com medo do valor da dívida externa na era Jango trabalhista, deram o golpe. Esse também foi um dos motivos aventados para a sórdida quartelada. No entanto, segundo o site Dinheiro Público, os valores da divida externa
​atualizada ​
deixada pela ditadura atingiria US$ 1,2 trilhões de dólares, quatro vezes a atual divida brasileira.

“A comprovação da convivência da imprensa hegemônica com a ditadura desmonta a ideia de que toda a imprensa viveu sob censura prévia e de que ela sempre lutou contra a censura. Quando a grande mídia conta a história da ditadura, resultante do golpe militar de 1964, que ela articulou conscientemente e do qual participou decisivamente, muitas vezes exclui sua cota-parte na implantação daquele regime de terror e morte”. http://www.teoriaedebate.org.br/ - In, O Silêncio dos Inocentes, Emiliano José.

“A Corrupção na Ditadura Militar.  - Depois de muitas pesquisas, procura de arquivos, eis que nos deparamos com farto material que mostra a corrupção escancarada na Ditadura Militar que tem em seu círculo até hoje defensores falso
​s​
moralistas elitizados que falam em nome de minorias, vamos então abordar o tema. Moralismo capenga
​.​
 

O combate à corrupção foi palavra de ordem durante a ditadura. Nos porões do regime, porém, a ilegalidade prevaleceu. Combater a corrupção e derrotar o comunismo: esses eram os principais objetivos que fermentavam os discursos nos quartéis, às vésperas do golpe que derrubou o governo João Goulart, em março de 1964. A noção de corrupção dos militares sempre esteve identificada com uma desonestidade específica: o mau trato do dinheiro público. Reduzia-se a furto. Na perspectiva da caserna, corrupção era resultado dos vícios produzidos por uma vida política de baixa qualidade moral e vinha associada, às vésperas do golpe, ao comportamento viciado dos políticos diretamente vinculados ao regime nacional-desenvolvimentista. Animado por essa lógica, tão logo iniciou seu governo, o marechal Castello Branco (1964-1967) prometeu dar ampla divulgação às provas de corrupção do regime anterior por meio de um livro branco da corrupção – promessa nunca cumprida, certamente porque seria preciso admitir o envolvimento de militares nos episódios relatados (...) Por conta disso, nas ditaduras, a corrupção tem funcionalidade: serve para garantir a dissipação da vida pública. 

Nas democracias – e diante da República – seu efeito é outro: serve para dissolver os princípios políticos que sustentam as condições para o exercício da virtude do cidadão. O regime militar brasileiro fracassou no combate à corrupção por uma razão simples – só há um remédio contra a corrupção: mais democracia”. Heloisa Maria Murgel Starling

“O que deixa meu coração partido, aos 50 anos do golpe, é nunca ter tido, até os anos 1980, nem um professor sequer que se rebelasse contra aquele esquema (a ditadura militar), que sugerisse ser aquilo tudo uma encenação, que estavam nos usando como atores-mirins de um grande cenário de “felicidade” enquanto, nos porões, penduravam seres humanos no pau-de-arara e lhes davam choques elétricos. Pra frente, Brasil. Cynara Menezes, repórter de CartaCapital.

Para encerrar, um poema de Frei Tito que se matou no exilio, como uma das sequelas do militarismo incompetente, corrupto, violento e senil, no próprio processo histórico brasileiro:

"Quando secar o rio da minha infância
​ 
Secará toda dor.
 Quando os regatos límpidos de meu ser secarem
Minh’alma perderá sua força.
 Buscarei, então, pastagens distantes - lá onde o ódio não tem teto para repousar.
 Ali erguerei uma tenda junto aos bosques.
 Todas as tardes me deitarei na relva e nos dias silenciosos
​ 
Farei minha oração.
 Meu eterno canto de amor: expressão pura da minha mais profunda angústia.
Nos dias primaveris, colherei flores para meu jardim da saudade.
 Assim, externarei a lembrança de um passado sombrio".  
Frei Tito de Alencar


 -0-


Silas Correa Leite – E-mail: poesilas@terra.com.br
Especialista e Teórico da Educação, Jornalista Comunitário, escritor e blogueiro premiado membro da UBE-União Brasileira de Escritores, autor de GOTO – A Lenda do Barqueiro Noturno do Rio Itararé, site: www.clubedeautores.com.br
Site premiado do UOL: www.portas-lapsos.zip.net

Texto da Série: “O Brasil Que Despe o Brasil”, Livro Inédito em Construção do Autor

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário