sexta-feira, 7 de abril de 2017

6/4 - Pragmatismo Político DE 5/4

Pragmatismo Político


Posted: 05 Apr 2017 12:11 PM PDT
teor realidade jornais mídia comunicação mentira
Francisco Julio Xavier*, Pragmatismo Político
A situação é de desanimar, embora os jornais e a grande mídia tenha em seu foco aliviar a cara daqueles que estão fazendo do Brasil o país do faz de conta: faz de conta que é lindo, faz de conta que “está tudo bem”, faz de conta que “somos do bem e o bem estamos fazendo”. Eles não falam em língua padrão. Falam embriagados no posicionamento, com muita crueldade com a verdade, essa, que um dia foi posta em teoria como mãe suprema do jornalismo.
Nos encontramos em um ponto crucial da nossa história. Não paramos para analisar que este Brasil é um eterno Déjà vu, onde sempre temos a impressão que já se viu algo parecido acontecer. Quando falamos de hipocrisia, a mídia reina com suas farsas e desmontes já constatados pelos farsantes da ordem e progresso.
Nem ordem, nem progresso, muito menos hora para se falar em algo plausível que essa mídia coronelista e, subsidiada pelos interesses das legendas políticas, tenham feito de útil pela nação. No mais, tem sim feito o contrário, contribuído para as cenas horripilantes de violação e do mau-caratismo, são de vera, protagonistas da falta de ética.
O mídialivrismo tem mostrado o seu viés de bom senso, com aqueles que ousam questionar os desmontes a uma nação, que embora jovem em democracia, parecia estar à beira de dar um salto quântico, ao invés de cair no precipício.
As páginas que falam em: “recuperação da economia”, “da confiança de um povo, que volta a acreditar em um país”, ele está desenganado por todo tipo de “médico”, sã. Essas terras, até pouco tempo, era a nação do futuro, mas viu seu passado volta com força total, ao passo que vê seu amanhã novamente em meio às incertezas.
Incertezas, repito! É devido a algo ou a alguém que não teria – em hipótese alguma – a capacidade de dar a clara convicção de que estaríamos em mãos seguras, nesse navio prestes a naufragar. Quem foi às ruas pedir menos corrupção, não tinha a menor ideia do que nós precisamos de fato, que não seria acabar com a corrupção, mas sim, dar fim ao que temos em maior número: os corruptos e corruptores.
Não é tirando um presidente – como tenta mostrar a mídia – e que teremos uma nova república, muito pelo contrário. Teremos sempre menos democracia e mais especulações de quem vai se aproveitar dessa nova oportunidade: dar cabo do que conquistamos em favor próprio.
Precisamos invadir uma nova consciência em que a política pode ter outros políticos, com novas ideias e sinceras preocupações com essa população que sustenta com braço forte esta flâmula, que só ostenta, em seus gastos supérfluos em banquetes caros, e que, ao mesmo tempo, corta gastos com saúde e educação, e condena os pobres a escravidão, com direito a abolição, somente por meio da “lei dos sexagenários”.
Vivemos na época em que o ladrão é preso. Mas é bem sabido que vivemos ainda em tempos em que existe foro privilegiado e privilégios. Parece redundante, mas não é, eu explico com palavras coloquiais. Privilégio é um estado de posição de destaque, foro privilegiado é um escárnio da nossa sociedade. É um puto de um palavrão e uma tremenda canalhice com o povo de um país.
É preciso ter força. Não falamos de desanimo, retratamos apenas a falta de sinceridade e verdade em um país mergulhado em informações desencontradas, afogada em um mar revoltoso de injustiças e conversa fiada.
Parece que chegamos à estaca zero, no que diz respeito a lucidez. Estamos fechados as mesmas crendices, as mesmas conversas bobas de ninar do jornal da meia noite, que fala mal quando lhe convêm, e faz a nação sonhar com dias lindos, confortando-a com um maravilhoso bom dia ao amanhecer. Eles sabem lhe dizer que é muito bom trabalhar 12 horas de jornada exaustiva. E lhes omite que ainda tem as horas extras de um metrô/ bus lotado e quente, como o inferno que se levanta em suas vidas todo o dia, em todos os dias.
Não temos como prever como o futuro será, mas sem telas manipuladoras e mídias bolhas, o nosso mundo será mais livre e muito possivelmente, cheio de realidade.
*Francisco Julio Xavier é jornalista, atuante em Assessoria de Imprensa e pós-graduando em Comunicação na UnP. Colabora com propagação de ideias políticas e sociais e o Midialivrismo no Brasil e contribuiu com o Pragmatismo Político.
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Posted: 05 Apr 2017 12:07 PM PDT
Victor Chaves esposa indiciado
Cantor Victor Chaves disse, em vídeo no Instagram, que ‘não agrediu ninguém’
A Polícia Civil de Minas Gerais encaminhou á Justiça nesta terça-feira (04) pedido de indiciamento do cantor Victor Chaves, 41, da dupla sertaneja Victor & Léo, por agressão.
O indiciamento tem com base o artigo 21 da Lei 3.688/41, aplicada quando o acusado chega às “vias de fato” contra a vítima. Caso seja condenado, o sertanejo poderá ser preso por prazo entre 15 dias e três meses, além do pagamento de multa.
Em fevereiro, a mulher do sertanejo, Poliana Bagatini Chaves, 29, que está grávida do segundo filho com Victor, prestou queixa em uma delegacia de Belo Horizonte, acusando o marido de tê-la agredido com chutes e socos.
De acordo com a polícia, que informou que não dará maiores detalhes do caso, o laudo pericial que revisou as imagens de segurança do prédio onde teria ocorrido o caso, além do depoimento de Poliana Chaves, foram determinantes para o pedido de indiciamento.
Após ser afastado do “The Voice Kids”, programa da TV Globo em que participava como jurado, Victor negou as agressões e afirmou que estava tentando preservar a família
“A única coisa que eu posso dizer é que minha família é meu bem maior e que toda minha postura sempre foi de preservar a família”, disse na ocasião.

Justificativa

Na tarde desta mesma terça-feira (4), Victor publicou um vídeo em seu perfil do Instagram em que comenta o indiciamento e justifica sua atitude dizendo que “não machucou ninguém”.
O sertanejo inicia o vídeo dizendo que veio a público para “esclarecer uma coisa diante da qual surgiram e surgem incontáveis boatos” e que praticou “um ato de desespero para conter uma pessoa que estava completamente fora de si”.
“Pessoal, eu vim a público para esclarecer uma coisa diante da qual surgiram e surgem incontáveis boatos. Eu fui indiciado legalmente por vias de fato, contravenção, ou seja, eu não machuquei ninguém. O que eu pratiquei foi um ato de desespero para conter uma pessoa que estava completamente fora de si de pegar uma criança de um ano. E pela minha filha o que eu fiz, eu faria de novo. Então, tudo está sendo apurado”, disse o cantor.

Entenda o caso

Grávida de quatro meses, Poliana Bagatini registrou um boletim de ocorrência acusando Victor de jogá-la no chão e chutá-la várias vezes, em fevereiro.
Poliana teria tentado sair de casa, mas foi impedida por um segurança e pelo marido, e só conseguiu deixar o local com a ajuda de uma vizinha, que escutou a discussão e a colocou no elevador. Poliana também relatou que vinha recebendo ameaças por parte da irmã do cantor.
Em entrevista ao “Fantástico”, Victor se pronunciou pela primeira vez sobre o caso e negou as acusações de agressão. “Eu jamais agrediria alguém na minha vida, muito menos a minha esposa, que está grávida do João”, afirmou.
A Delegacia Especializada de Proteção à Mulher de Belo Horizonte abriu inquérito para apurar o caso. O laudo do IML (Instituto Médico Legal) para lesão corporal deu resultado negativo, mas, durante a apuração do caso, a Polícia Civil de Minas Gerais descobriu que parte do desentendimento havia ocorrido em áreas comuns do edifício, onde havia câmeras.
A conclusão do inquérito favorável ao indiciamento do sertanejo tomou como base imagens das câmeras de segurança do prédio, que revelam as agressões.
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Posted: 05 Apr 2017 11:49 AM PDT
direito ganhar menos salário previdência temer
Delmar Bertuol*, Pragmatismo Político
Depois de ser muito criticado pela opinião pública por ter sancionado seu próprio aumento enquanto reclamava das finanças estaduais, o Governador do ex-estado do Rio Grande do Sul resolveu que ele e seu vice devolveriam parte do subsídio ao Tesouro do ex-estado do Rio Grande do Sul.
Em Cachoeirinha, cidade vizinha da capital deste ex-estado, o Prefeito Miki Breier, que recebe o salário mais alto dentre todos os seus colegas gaúchos, inclusive mais alto que o Prefeito de Porto Alegre e mais até mesmo que o Governador, decidiu abrir mão de quinze por cento dos seus proventos. Isso depois de anunciar uma série de cortes de benefícios trabalhistas de servidores que não são os mais bem remunerados do ex-estado. Calcula-se que o prejuízo já a médio prazo desses trabalhadores seja bem maior que quinze por cento.
Em São Paulo, o não-político mais político do que muitos, o milionário João Dória, que mandou pintar de cinza diversas artes-grafites coloridas acusando-as de serem pichações (desinformação ou preconceito?), avisou que doará todos os seus quarenta e oito salários de dezenove mil (até de São Paulo a Prefeitura de Cachoeirinha ganha) a entidades beneficentes.
E, de novo aqui nos pampas, o Deputado Pedro Ruas, por discordar do aumento abusivo dado aos parlamentares gaúchos pelos próprios pares, doa mensalmente a parte do seu subsídio que foi majorado a entidades filantrópicas.
Seja por pressão popular ou por um julgamento do foro íntimo, muitos agentes políticos resolvem doar parte dos seus sempre polpudos subsídios a entidades de cunho assistencialista ou ao próprio tesouro público. Ocorre, no entanto, que os tributos, a previdência e outros descontos legais são calculados com base no salário definido em lei. Ou seja, as doações ou retornos ao erário são em caráter informal e o agente doador deve deduzir da sua doação, se assim desejar, os descontos que pagará no momento do recebimento ou no futuro. Sem falar que se trata de um desconto ou doação feita à revelia do estado.
Eu proponho, a respeito disso, que a Constituição seja alterada – já que a estão modificando frequentemente com suspeitas finalidades – e o subsídio dos agentes políticos possa ser oficialmente reduzido segundo o desejo de quem tem direito a recebê-lo. O valor definido em lei pelo Poder Legislativo poderia ser o valor máximo que o político em cargo comissionado ou eletivo pode receber. Manter-se-ia esse valor parâmetral pra outros efeitos, como o teto de vencimento dos servidores públicos a ele subordinados, por exemplo.
A cada mês, ou num intervalo a definir, o agente público informaria ao departamento pessoal ou ao setor competente o quanto gostaria que fosse seu subsídio-base, sendo ele o parâmetro para as vantagens e descontos devidos.
Aqueles políticos que se consideram recebendo além do justo poderiam adequar seus vencimentos de acordo com a sua consciência – ou discurso – sem a legal desculpa de quem não têm culpa de receberem tanto, uma vez que o valor é definido pelo Legislativo.
*Delmar Bertuol é escritor, professor de história, membro da Academia Montenegrina de Letras e colaborou para Pragmatismo Político
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Posted: 05 Apr 2017 11:27 AM PDT
oscar magrini josé mayer assédio
O ator Oscar Magrini defendeu José Mayer
José Mayer divulgou nesta terça-feira (4) um pedido de desculpas admitindo que errou e assediou a figurinista Susllem Tonani.
No entanto, seus colegas Caio Blat e Oscar Magrini, aparentemente, não concordam com o pedido de desculpas e consideram que a culpa é da mulher.
Em entrevista ao programa de Fátima Bernardes, na TV Globo, Magrini disse que “a mulher também tem que saber se colocar para não instigar o outro”.
O ator foi prontamente rebatido pela apresentadora: “Na verdade, é mais do que instigar, né Magrini? É o outro saber que tem que respeitar independente de como ela (a mulher) estiver”.
Antes de concluir sua linha de raciocínio com a frase polêmica, Fátima havia perguntado a Magrini se ele acha que os homens precisam questionar o próprio comportamento e realizar autocrítica a partir do caso José Mayer. Eis a íntegra da confusa resposta do ator:
Eu acho que não só aqui na Globo, mas em todos os lugares do mundo sempre existiu assédio. Da própria mulher em cima do homem. Mas assim, minha liberdade termina quando começa a sua. Então, deve ter havido muito assédio, sim. Mas essa menina chegou, se pronunciou, tomaram-se medidas, a Globo veio pedir desculpa. O Zé (Mayer), um colega nosso, também, sabe o que aconteceu e se desculpou. E acho que deve ter tido muita coisa, mas ninguém fala nada… Fica aquele medo: ‘Pô, eu vou falar?! A pessoa é quem é’. Estou falando da Globo, estou falando de uma outra empresa grande, um diretor, um presidente, seja quem for. A corda sempre arrebenta do lado mais fraco, sempre é assim. Então foi ouvido o que aconteceu, tem uma posição como o movimento Mexeu com uma, mexeu com todas. As colegas de trabalho vestiram a camisa, fizeram uma voz. Então, quem sabe se toma providências. Gente, estamos em 2017 e não tem essa de assédio, todo mundo tem o direito de se colocar, de se impor. Não tem essa do homem chegar e fazer… O que é isso? É uma sociedade machista, fez-se tanto tempo lá atrás, mas não existe como chegar agora e eu não te respeitar porque você está mais ousada, de minissaia, e eu tenho que abusar, passar a mão ou falar alguma coisa. A mulher também, tem que saber se colocar para não instigar o outro
Depois de Oscar Magrini, quem falou foi o poeta Fabrício Carpinejar, outro convidado do programa. “Acredito que os maiores casos de assédio são essa violência que parece que a pessoa tem a obrigação de gostar de ti. E o homem, ele ainda não está pronto, o homem está sendo educado pelo medo ainda. Falta chegar a outro passo, que é o respeito. Ainda não existe o respeito, ainda tratam a mulher como objeto”, disse.
Na noite desta terça-feira, o também ator Caio Blat chegou a dizer que as atitudes de José Mayer não passavam de uma “brincadeira fora de tom”. Depois da polêmica, até sua esposa foi instigada a se pronunciar (relembre aqui).
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Posted: 05 Apr 2017 10:30 AM PDT
O jovem estudante de psicologia Bruno Borges está desaparecido desde segunda-feira, dia 27 de março. Além da família apreensiva, deixou para trás 14 livros que estão criptografados, em uma linguagem que ele mesmo criou.
“Mas, ele deixou a chave”, diz a mãe, Denise Borges, empresária mineira, radicada no Acre. O estudo das quatro criptografias está acomodado em uma pasta. Decifrar os símbolos é objeto de preocupação dos pais agora.
Segundo a família, Bruno transformou seu quarto em uma espécie de museu. Nele há uma réplica da imagem de Giordano Bruno, filósofo italiano, vítima da inquisição.
“Hoje, eu sei que dentro desses livros deve haver uma riqueza imensa. Todos queremos saber o conteúdo. É complicado, mas é possível”.
Os pais já convidaram filósofos e historiadores para olhar o material. Mas, ainda não sentiram confiança suficiente para que a obra fosse avaliada.
“Há outra criptografia em que ele não deixou (a chave)”, lamenta Athos Borges, pai de Bruno. “Eu sei que na hora certa vai aparecer a pessoa que nos ajude a tocar isso pra frente. Isso não pode ser feito por uma pessoa qualquer”.
Poucos dias após o desaparecimento de Bruno, o pai, Athos Borges, gravou um vídeo em uma rede social onde reavalia a relação com o filho.
Antes, os pais achavam que o filho tinha necessidade de algum tipo de tratamento psiquiátrico. “Hoje, não vejo assim. Até o psicólogo dele disse o seguinte: ‘seu filho é uma pessoa normal com uma grande ideia’”.
Segundo a Rede Amazônica, afiliada da TV Globo, toda a mudança no quarto aconteceu durante uma viagem de férias dos pais que durou 24 dias.
De acordo com a irmã do rapaz, em entrevista à TV Globo, o jovem mantinha a porta trancada e não contava o que estava fazendo.
O primo de Bruno, o oftalmologista Eduardo Veloso afirmou ainda à reportagem da Rede Amazônica que deu a Bruno R$ 20 mil. Ele teria pedido o dinheiro alegando que tinha algo muito importante para investir e que mudaria a vida das pessoas.
Introspectivo e um leitor voraz, o jovem passou a não comer carne e ultimamente era vegano, diz a família. Os pais entendem que a mudança foi uma espécie de preparação para a obra deixada.
“As pessoas me criticam porque estou valorizando muito a obra e não mais o desaparecimento dele. Eu gostaria de encontrar com ele agora e dar um abraço nele. Mas, eu não vou forçar uma barra. Não é um sequestro. Ele saiu por conta própria. Ele sabe o que ele fez. A gente tem umas coisas que ele fez quando sumiu que comprovam que foi muito premeditado. Ele não quer ser encontrado agora e, se eu não estiver ficando louco, eu estou respeitando esse tempo dele”.
O desaparecimento do rapaz já foi informado a todas as forças de Segurança Pública, incluindo Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal.
Agência Estado
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Posted: 05 Apr 2017 10:00 AM PDT
guerra mundo água síria iraque turquia
Aliança RECOs* | Tradução: Vila Vudu, Outras Palavras
A revista Foreign Affairs traz artigo cuja leitura recomendo sobre as guerras pela água entre Turquia, Síria e Iraque: “Rivers of Babylon”. A Turquia construiu muitas barragens por todo o país, para produzir eletricidade, mas também para irrigação.
Quando viajei pelo leste da Turquia nos anos 1990 muitos novos projetos, partes do Southeastern Anatólia Project (GAP, em turco0, eram visíveis; e água recentemente retida em barragens era fornecida às regiões secas do sudeste mediante canais abertos. Muita daquela água era perdida por causa da evaporação, mas também porque as novas plantações usavam espécies que exigem água intensiva, numa região quente e em muitos pontos desértica. A água agora oferecida a fazendeiros turcos antes corria pelo Eufrates e Tigre, para a Síria e Iraque. Três anos secos na Síria, 2006-2009 induziram muitos aricultores a deixar as terras secas e mudar-se para as cidades, onde só poucos deles encontravam trabalho:
À altura de 2011, fracasso de colheitas por causa da seca empurrara cerca de 1,5 milhão de ex-agricultores a emigrar das próprias terras; essa legião de desenraizados virou fonte de recrutas para o Exército Sírio Livre e outros grupos como o Estado Islâmico (também chamado ISIS) e para al-Qaeda. Testemunhos recolhidos por repórteres e ativistas nas zonas de conflito sugerem que a falta de qualquer ajuda do governo durante a seca foi o fator central de motivação para a rebelião antigoverno. Além disso, estudo de 2011 mostram que as hoje fortalezas dos rebeldes em Aleppo, Deir al-Zour, e Raqqa estavam entre as áreas mais duramente atingidas pelo fracasso das colheitas.
A situação no Iraque é similar, se não pior. Grandes regiões perderam a base de sua agricultura e os agricultores pedem soluções e mais apoio.
Em Karbala, Iraque, agricultores estão em desespero e já consideram abandonar suas terras. Em Bagdá, as periferias mais pobres dependem da Cruz Vermelha até para a água de beber. Em algumas ocasiões, a Cruz Vermelha teve de fornecer 150 mil litros por dia. Mais para o sul, as áreas centrais do Irã, as maiores áreas alagadas de todo o Oriente Médio, estão desaparecendo, depois de terem sido reinundadas após a deposição de Saddam Hussein. Em Chibayish, cidade nas áreas alagadas que um dos autores desse artigo visitou recentemente, os búfalos e os peixes estão morrendo. Atualmente, a agricultura ali sustenta no mínimo 60 mil pessoas. Esses e mais centenas de milhares de outros enfrentarão dificuldades muito maiores, se os recursos d’água continuarem a definhar.
A falta de água não é a única razão para as guerras na Síria e Iraque. Mas torna esses países mais propensos a conflitos internos e mais vulneráveis à intromissão de atores externos. Os governos de Síria e Iraque podem fazer pouco para ajudar seus agricultores. Embora haja acordos sobre um fluxo mínimo de água a ser preservado entre Turquia, Síria e Iraque, não há meios pelos quais Síria e Iraque possam realmente pressionar a Turquia para que desimpeça o fluxo de água e preserve o fluxo fixado nos acordos.
Embora acordos vigentes entre Síria e Turquia devam garantir fluxo de 500 metros cúbicos por segundo, 46% dos quais vão para o Iraque, durante o verão os fluxos podem ser muito menores. Segundo Jasim al Asadi, hidrologista da Nature Iraque, quando o Eufrates alcança Nasiriyah no sul do país, é necessário um fluxo mínimo de 90 metros cúbicos por segundo, para uso municipal, industrial e agrícola. Às vezes, o fluxo cai para 18 metros cúbicos por segundo – razão pela qual não surpreende que as áreas alagadas estejam diminuindo rapidamente. Antes da construção da maior barragem nos anos 1970s, o fluxo médio no Eufrates era de 720 metros cúbicos por segundo. Agora, é de cerca de 260 m³/s quando entra no Iraque.
Quase dois terços do fluxo que o Iraque recebia já não chegam. Não há meio para substituí-lo. Além disso, a pouca água que está fluindo agora pode acabar rapidamente:
As barragens na Turquia, que já ultrapassam 140, têm muito maior capacidade de armazenamento que as que ficam a jusante. E quando as novas barragens turcas estiverem completadas em poucos anos, cerca de 1,2 milhão a mais de hectares serão irrigados dentro da Turquia – aumento de oito vezes, em relação ao que há hoje.[1]?…??Dada a relativamente melhor saúde hídrica da Turquia, seria razoável supor que o país pararia de construir barragens que tanto dificultam a sobrevivência dos países vizinhos à jusante dos rios. Mas o país fez exatamente o oposto, e planeja concluir 1.700 novas barragens e açudes dentro de suas fronteiras.
A matéria da Foreign Affairs nada diz sobre outro projeto turco que desvia ainda mais água para longe de seus vizinhos do sul. Em 1974 a Turquia invadiu e desde então ocupou o norte de Chipre. Os moradores gregos nativos daquelas áreas ocupadas foram dizimados em processo de “limpeza” étnica, e 150 mil turcos foram transferidos da Turquia e implantados naquela terra grega. E a Turquia construiu agora aquedutos para fornecer água do território turco às áreas ocupadas da ilha:
Um aqueduto recentemente concluído, que cruza o fundo do Mediterrâneo, levará 75 milhões de metros cúbicos de água fresca anualmente, da Turquia para o norte, isto é, para a parte turca da dividida ilha de Chipre. A água que chegará pelo aqueduto tornará os turcos cipriotas, que já recebem subsídios de Ancara para sua sobrevivência econômica, ainda mais dependentes da Turquia. Um cenário é, assim, que por estarem mais intimamente ligados ao continente, os cipriotas turcos terão menos liberdade quando negociarem a reunificação com os compatriotas cipriotas gregos, o que tornará difícil alcançar alguma solução.
Outro projeto turco, que vai e vem ao longo dos anos, é construir aquedutos e gasodutos até Israel, numa troca de gás israelense por água turca. Água que, além de outras utilidades, faria terrível falta na Síria e no Iraque. Precisamos de um processo de solução global, com instrumentos para fazer valer os acordos, para regular os fluxos naturais de água através de fronteiras. Do contrário, haverá grave ampliação das guerras entre países que usam água extensivamente em seus próprios territórios, enquanto países localizados à jusante dos rios morrem de sede.
A situação de Turquia, Síria, Iraque não é a única guerra pela água que há hoje no mundo. Paquistão e Índia lutam pela Caxemira ocupada pela Índia, onde estão as nascentes do sistema do rio Indo. O Indo é a água que mantém vivo o Paquistão, e a Índia tem usado o controle que tem sobre a Caxemira para pressionar o Paquistão. A próxima guerra entre Índia e Paquistão pode estar a uma seca de distância; e pode ser guerra nuclear.
Outra guerra pela água está fermentando entre Uzbequistão e Tadjiquistão. A Etiópia está construindo uma megabarragem no Nilo, que ameaça o principal suprimento de água do Egito. Nada garante que o Egito permita que a construção chegue ao fim. Todos esses casos já levaram ou levarão a guerras entre países ou a guerras civis por causa da água (da falta dela). O fluxo de água entre países é uma das questões que carecem de governança global. Um livro de regras e um corpo judicial global que determine que todos os povos ao longo de um curso de água devem beneficiar-se dele. Megaprojetos como o GAP na Turquia teriam de ser julgados por aquele corpo judicial e suas regras teriam de ser apoiadas em poderes coercitivos significativos. É isso ou, se não for isso, haverá muitas guerras, muito intensas, de disputa pelo acesso à água.
[1] “Uma das principais razões para os projetos insanos dessas barragens turcas jamais concluídas, por falar delas, é inundar os vales e privar os curdos turcos de terreno onde se possam esconder e abrigar-se (…). Os curdos turcos sempre se opuseram firmemente àquelas barragens” (Bart, 27/8/2015, 2:05:00 PM | 3, nos Comentários a esse postado) [NTs].
*Redes de Cooperação Comunitária Sem Fronteiras
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Posted: 05 Apr 2017 09:07 AM PDT
Caio Blat José Mayer assédio
O ator Caio Blat
O ator Caio Blat se pronunciou nesta terça-feira (4) sobre a acusação de abuso sexual feita pela figurinista Susllem Tonani contra José Mayer, 67, seu colega de profissão e de Rede Globo.
Segundo Blat, “não houve intimidação” e José Mayer “não representa ameaça a ninguém”.
“Não estou sabendo dessa decisão de afastá-lo, mas não acho certa. José Mayer é uma pessoa que a gente conhece. A declaração que ele deu hoje foi brilhante. A forma como ele se colocou foi perfeita. Ele não representa ameaça a ninguém. Fez uma brincadeira fora de tom, e na presença de outras pessoas. Não houve intimidação”, analisou Caio Blat.
O ator foi questionado em seguida como ele se sentiria, se ao assédio tivesse acontecido com sua mulher.
“A Maria [esposa de Caio] passa por isso diversas vezes; ela me conta. Ainda faz parte da nossa cultura. Ainda mais quando existe uma relação hierárquica. Existe essa tomada de consciência e a mobilização de hoje foi importante. Uma brincadeira que talvez as pessoas estejam acostumadas porque sempre foi assim. A campanha foi muito legal, todo mundo se engajando. Existe essa questão de outras gerações”, completou.
As declarações de Caio Blat repercutiram mal nas redes sociais e entre os seus colegas de profissão. “Caio Blat dormiu o dia todo e não viu o andamento do processo. Que papo torto!”, escreveu o também ator global José de Abreu.
“Caio Blat, se assédio é brincadeira, estupro é profissionalismo? Cala a boca!”, protestou um internauta.

Esposa de Caio Blat

Depois das declarações do marido, Maria Ribeiro foi pressionada por internautas a se posicionar sobre o caso. Em reposta, ela publicou que estava “100% ao lado de Su”, em refêrencia à figurinista Susllem Tonani
“Pra todo mundo que está perguntando no Twitter e no Instagram: estou cem por cento ao lado da Su — minha amiga corajosa — e das minas. #chegadeassédio”, escreveu Maria no Twitter.

Atrizes contra o assédio

O relato da figurinista Susllem Tonani repercutiu no meio artístico.
Funcionárias e atrizes do primeiro escalão da emissora vestiram camisas e usaram as redes sociais para condenar o assédio e se posicionar ao lado de Susllem e de mulheres que sofrem com a cultura machista.
Elas apoiaram a hashtag #mexeucomumamexeucomtodas (veja aqui as atrizes que se pronunciaram)

Entenda o caso

O ator José Mayer é acusado de assédio pela figurinista Susllem Tonani. Em um blog da Folha de S.Paulo, ela afirma que Mayer “colocou a mão esquerda na sua genitália” em fevereiro deste ano, “na presença de outras duas mulheres”, sendo que a primeira “brincadeira” do ator havia acontecido oito meses antes, algo que, segundo o texto, continuou acontecendo durante muito tempo.
Em seu depoimento, a figurinista diz que este era seu primeiro trabalho em uma novela, justamente com José Mayer no papel principal, o que a fazia conviver muito com o ator: “Ele era protagonista da primeira novela em que eu trabalhava como figurinista assistente”, conta.
“Trabalhando de segunda a sábado, lidar com José Mayer era rotineiro. E com ele vinham seus ‘elogios’. Do ‘como você se veste bem’, logo eu estava ouvindo: ‘como a sua cintura é fina’, ‘fico olhando a sua bundinha e imaginando seu peitinho’, ‘você nunca vai dar para mim?’.”
Segundo ela, suas negativas não surtiram efeito. “Disse a ele, com palavras exatas e claras, que não queria, que ele não podia me tocar, que se ele me encostasse a mão eu iria ao RH. Foram meses saindo de perto.”
Susllem conta ainda que, depois do episódio, continuou convivendo com o ator, “no mecanismo subserviente”, até sofrer novo assédio: “Nos vimos, ele e eu, num set de filmagem com 30 pessoas. (…) Neste momento, sem medo, ameaçou me tocar novamente se eu continuasse a não falar com ele. E eu não silenciei. ‘VACA’, ele gritou.”
Depois desse episódio, ela afirma que procurou o RH, a ouvidoria e o “departamento que cuida dos atores” da TV Globo: “A empresa reconheceu a gravidade do acontecimento e prometeu tomar as medidas necessárias”, escreveu.
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Posted: 05 Apr 2017 07:45 AM PDT
Bolsonaro Hebraica quilombos indígenas negros
Jair Bolsonaro no clube Hebraica, no Rio de Janeiro
Em discurso para cerca de 300 pessoas no auditório do clube Hebraica, na zona sul do Rio de Janeiro, nesta terça-feira (4), o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) voltou a proferir frases polêmicas e ofensivas.
Segundo o Estadão, o presidenciável prometeu que irá acabar com todas as reservas indígenas e comunidades quilombolas do país caso seja eleito em 2018.
Bolsonaro aproveitou o momento para atacar as comunidades tradicionais:
– Pode ter certeza que se eu chegar lá não vai ter dinheiro pra ONG. Se depender de mim, todo cidadão vai ter uma arma de fogo dentro de casa. Não vai ter um centímetro demarcado para reserva indígena ou para quilombola.
Em fevereiro, na Paraíba, Bolsonaro sugeriu dar um fuzil para os fazendeiros como cartão de visita contra o MST.
O deputado afirmou que as reservas indígenas e quilombolas atrapalham a economia: “Onde tem uma terra indígena, tem uma riqueza embaixo dela. Temos que mudar isso daí”.
Ele disse que foi “a um quilombo”. De lá, voltou com a seguinte percepção: “O afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada. Eu acho que nem para procriador eles servem mais. Mais de R$ 1 bilhão por ano é gasto com eles.”
O presidenciável também não poupou os refugiados. “Não podemos abrir as portas para todo mundo”, disse. Ele não se mostrou, porém, avesso a todos os estrangeiros: “Alguém já viu algum japonês pedindo esmola? É uma raça que tem vergonha na cara!”.
No mesmo discurso, Bolsonaro ainda ironizou as mulheres: “Eu tenho cinco filhos. Foram quatro homens, a quinta eu dei uma fraquejada e veio uma mulher”
Bolsonaro foi convidado para discursar no clube Hebraica do Rio de Janeiro após ter sua palestra boicotada no Hebraica de São Paulo. Mesmo no Rio, 100 pessoas protestaram do lado de fora do clube contra a palestra do deputado.

Repercussão

Muitos representantes da comunidade judaica no Rio de Janeiro repudiaram a fala racista de Bolsonaro. O médico Nelson Nisenbaum disse que o evento foi uma ofensa ao legado do judaísmo.
“É profundamente amargo verificar que entre nós, judeus, há tantas pessoas que não tem capacidade de perceber, entender e temer os discursos de ódio, discriminação e totalitarismo desse patético ser. Permitir sequer que estas idéias adentrem um ambiente judaico, ainda que não essencialmente religioso ou litúrgico, é um verdadeiro sacrilégio, uma profanação, uma grave ofensa ao legado humanista do judaísmo, tão sagrado e caro a nós”, afirmou.
Em vídeo publicado no Facebook, a cineasta Ieda Rosenfeld criticou o fato de haver “300 judeus cegos” aplaudindo as declarações preconceituosas de Bolsonaro. “Eu estava lá para ver se era verdade tudo que falam dele e ele é um imbecil”, afirmou. “Eu fui criada na Hebraica, é o berço dos meus avós”, completou.
com informações de Olho nos Ruralistas
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Posted: 05 Apr 2017 07:00 AM PDT
intelectuais pondé marco antonio villa comediante celebridades direita
Luiz Felipe Pondé e Marco Antonio Villa (Imagem: Pragmatismo Político)
Fran Alavina, Outras Palavras
Não é de hoje que os intelectuais passaram a exercer uma função midiática para além das antigas aparições públicas, nas quais a fala do acadêmico se apresentava como um diferenciador no âmbito do debate público. Entre a tagarelice das opiniões de pouca solidez, porém repetidas como se certezas fossem, a figura do conhecedor, do estudioso, ou mesmo do especialista surgia como um tipo de freio às vulgarizações e distorções do cotidiano. Não que isso representasse uma alta consideração e respeito da mídia hegemônica em relação ao conhecimento acadêmico, uma vez que a fala do intelectual ao se inserir em um debate cujas regras lhes são alheias facilitava a distorção de suas falas, todavia mantinha-se a diferença explícita entre o conhecimento e a simples informação.
Ademais, a identificação dos intelectuais com certas causas os afastavam do centro do poder e de seus bajuladores: os donos da mídia. Tal representava um entreve por princípio. Era melhor não chamá-los a ocupar um espaço voltado para um público amplo. Entre uma fala e outra surgiria a criticidade que a mídia hegemônica procurava “amansar”. Quando era inevitável ceder-lhes espaço, suas falas nunca poderiam ser identificadas com a informação, nem apresentada na forma da informação. Isto era o signo divisor, como que dizendo: “não liguem muito, é coisa de intelectual (…)”. Nos últimos anos, contudo, essa diferença (entre conhecimento e informação, entre o papel do intelectual e a função midiática) não apenas se esgarçou, como se tornou quase nula. Por isso, hoje estamos diante de um novo tipo de intelectual: o intelectual homologado.
Este tipo de intelectual surge nos espaços da mídia hegemônica como uma espécie de adendo à informação, um plus, pois o saber, representado pela sua presença, que supostamente emprestaria prestigio às notícias é dado sempre na forma da informação, portanto descaracterizando os elementos que constituem qualquer tipo de conhecimento. Ou seja, sobre critérios que fazem do saber um não saber. Dilui-se na torrente informacional midiática o tempo demandado e o esforço necessário exigidos pelo trabalho do pensamento, em favor da rapidez e do simplismo. Porém, tais aspectos, embora importantes, não configuram o fator determinante da homologação.
Estes intelectuais são homologados na medida em que suas falas públicas têm aparente criticidade e profundidade. Em verdade, nunca dizem algo que seja contra os interesses dos meios midiáticos que lhes dão guarida, nunca fazem um crítica profunda que mexa com as estruturas mais acomodadas do seu público, pois este já não é mais uma plateia que dá ouvidos às palavras do homem de saber, mas um grande fã-clube que ele não pode jamais desapontar. A formação deste fã-clube impede a autonomia que caracteriza o sujeito de saber. Desse modo, não se estabelece, de fato, uma relação que enseja conhecimento, mas uma relação de poder, na qual o liame é a dependência entre os ditos e gestos e a obediência na forma do consentimento Tanto é assim que nos raros momentos em que o fã-clube do intelectual homologado se volta contra ele, o objeto da “revolta” não é de cunho teórico, ou seja, não é um debate sobre suas obras ou suas ideias, porém diz respeito a um fato de sua vida privada. Seus fãs exercem uma vigilância policialesca, como os fãs de qualquer astro pop, pois a relação se, por um lado, exige o consentimento, por outro lado, faculta a vigilância aos que consentem. A figura do intelectual homologado traz consigo uma legião de homologados intelectuais. Ora, não foi isto que ocorreu nos últimos dias, com a pantomima em torno de uma foto postada nas redes sociais pelo nosso mais bem acabado exemplo de intelectual homologado?
Como a celebridade pop que depois de flagrada fazendo algo que desagradou aos seus fãs, foi obrigado a redigir um pedido de desculpas. Na “prestação de contas” ao seu fã-clube deixou-se escapar toda a vaidade e o exibicionismo. Ele dividiu o mundo entre aqueles que o amam e aqueles que o odeiam. Crença típica das celebridades midiáticas, segundo a qual uma vez alcançado o posto de famoso, as pessoas ou o invejam, ou lhes prestam deferência. Qualquer coisa fora desse script é visto como algo sem sentido. Em alguns casos são críticos das religiões, mas agem como os pastores que criticam, formando um rebanho não pequeno. O que atesta que se trata de uma relação de poder, e de um poder sedutor, pois travestido de saber.
O grande fã-clube reforça a secular vaidade dos intelectuais, que hoje já não medem mais o êxito de suas carreiras pela qualidade de suas publicações, ou por terem se tornado referência em suas áreas, ou mesmo pelo número de citações de seus trabalhos em outros estudos. O produtivismo do currículo lattes não lhe sacia mais. O êxito e a qualidade são confundidos com o sucesso de público, a qualidade mede-se pela quantidade de curtidas que suas páginas virtuais possuem, pelos vídeos postados que se tornam virais e pelo maior número de palestras pagas que podem amealhar. Embora, na maioria dos casos, suas formações e carreiras sejam devidas ao sistema público e gratuito de ensino superior, ao venderem palestras e workshops pagos e fora das universidades públicas, além de distorcerem a função social do saber, tornam-se um tipo de mercadoria. Por conseguinte, expressam a ideologia neoliberal segundo a qual todo indivíduo é um empreendedor de si mesmo. Como empreendedores, eles se vendem para um público determinado, cujo nicho de mercado descortinaram. Tal é o caráter mercadológico que perpassa a atividade do intelectual homologado.
Em alguns casos, seus discursos públicos e “intervenções” parecem ter uma singular acidez crítica. Porém, se trata de uma semelhança aparente, o intelectual homologado tem um efeito placebo sobre o grande público, sua crítica nunca visa a raiz das coisas, mas alguns aspectos modísticos, oportunistas. Aceitando a homologação, seu papel é entreter, desviando a atenção do público com base no conhecimento e na posição que lograram.
Dessa maneira, suas falas podem ser confundidas com apresentações de stand-up comedy. Sabem animar auditórios como poucos. O intelectual homologado, com efeito, é o produto mais recente da indústria cultural. Tal figura, típica do farsesco debate público contemporâneo, contudo não surgiu do nada. Embora seja uma figura recente, o intelectual homologado é precedido por uma história própria da intelectualidade e suas determinações de classe. Ainda que, muitas vezes, ele queira se apresentar como alguém que fala de fora e acima do corpo social, assim observa sem sujar as mãos, supondo uma posição privilegiada e imparcial, quase sempre tende a repetir, sob o manto do discurso abalizado, a visão parcial de sua classe social.
O intelectual homologado é precedido pela figura do intelectual orgânico que outrora se comprometia com um projeto nacional-popular; este, um pouco depois, deu lugar ao intelectual engajado. Já nos anos 1990, verificou-se o silêncio dos intelectuais após o fim das utopias e a derrota histórica das formas alternativas de organização social até então constituídas. Esta derrota histórica e este silêncio, que apareciam como um gesto de mea culpa, formaram um interdito que reduziu os objetos do discurso público do intelectual, objetos que à medida que diminuíam de dimensão propiciaram a identificação do intelectual com o especialista. Tal se configurou, primordialmente, na figura do economista. Todavia, depois da crise mais recente do capital, a fala pública do economista perdeu crédito, surgindo em seu lugar o intelectual homologado que na maioria dos casos são homens saídos das ciências humanas, mais particularmente da filosofia, da história e da educação. Por enquanto, os geógrafos, antropólogos, e parte dos cientistas sociais, parecem resistir à homologação, ainda que ela seja extremamente sedutora.
Pasolini, em seus textos corsários e luteranos, que tinham como objeto a Itália dos anos 1970, já diagnosticava a figura do intelectual homologado como um produto que perduraria por longo tempo no espaço público, pois sua vitalidade se alimenta justamente de um crescente anti-intelectualismo. Enquanto a postura do intelectual requer algo contrário do que aí se apresenta, aceita-se o simulacro como se fosse a própria coisa. A tagarelice do intelectual homologado, que discursa sobre tudo por medo de ser esquecido, não é o fim do silêncio dos intelectuais, mas sua confirmação. Quanto mais falam, mais se mostra sobre o que silenciam.
Entre nós, não faltam casos ilustrativos. Como vivem da imagem midiática que construíram, os intelectuais homologados apresentam-se com certo aspecto caricatural, como o personagem que se identifica pelo bordão. O historiador da UFSCar, por exemplo, quase sempre se apresenta em tom elevado, dedo em riste, e no auge de suas “intervenções” mais acaloradas não fica com um fio de cabelo fora do lugar. Bate-boca e indisposição com políticos de esquerda, como se isto fosse sinal do bom debate, é o diferencial de seu produto. Já o filósofo do politicamente incorreto ressuscitou o cachimbo como secular excentricidade do intelectual. Perfazendo uma imagem que beira o kitsch, com frequência posta vídeos em que aparece fumando (talvez seja este o signo do politicamente incorreto?!) e cercado de livros que lhe emprestam a áurea de sabichão.
Seria apenas cômico, se não configurassem a expressão trágica do pensamento fácil. O intelectual homologado é o último estágio da miséria dos intelectuais. Indica a perda de dignidade do pensamento crítico, na verdadeira acepção do termo, e, talvez, o vislumbre de sua derrota.
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Posted: 05 Apr 2017 06:26 AM PDT
fernando holiday invade escolas
O vereador Fernando Holiday (DEM), representante do Movimento Brasil Livre (MBL), está visitando ilegalmente escolas municipais para “fiscalizar” os conteúdos desenvolvidos em sala de aula, sob o pretexto de estar investigando “doutrinação ideológica”. O vereador foi às EMEFs Laerte Ramos e Constelação do Índio, ambas localizadas na zona sul.
De acordo com o deputado estadual Carlos Giannazi (Psol), membro titular da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa, o mandato de vereador não dá a Holiday prerrogativa para entrar em escolas e fazer inspeção dos conteúdos lecionados.
“A atitude dele é ilegal. Ele não tem essa prerrogativa, como vereador, para fiscalizar a metodologia dos professores. Isso é abuso de autoridade, além de assediar e constranger os funcionários das escolas”, diz o parlamentar.
Foram protocoladas representações no Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e na Corregedoria da Câmara Municipal contra o vereador do MBL.
“Ele não é supervisor de ensino, ele não tem formação para isso. O máximo que ele pode fazer é fiscalizar a estrutura física (da escola). Ele deveria se ocupar em denunciar o desmantelamento das salas de informática e brinquedotecas que o Doria está fechando. A atitude dele é grave. Ele utiliza o cargo para um comportamento ilícito, é quebra de decoro e pode perder o mandato”, completou Giannazi.
Para o deputado estadual, Holiday busca por em prática o projeto Escola sem Partido. “Ele tenta colocar em prática, sem nenhuma legalidade, o Escola sem Partido e amordaçar os professores. Nem o próprio projeto autoriza o vereador a fazer essa fiscalização. Ele está sendo até mais realista que o projeto.”
Inúmeros professores já denunciaram o vereador por tentar entrar à força em salas de aula.
“Estranho. Totalmente sem agendamento com a direção da escola, nem com a supervisão de ensino. Ocorreu por volta das 13:00. O vereador foi atendido pelo diretor e pelo assistente de direção da EMEF e exigiu ver os planos de aulas dos professores para saber o que anda sendo ensinado, bem como rondou as dependências da escola com seus assessores, fotografando os trabalhos realizados pelos alunos. Todos os professores e a gestão da escola acharam extremamente estranho. Suspeitamos de patrulhamento ideológico visto que nossa unidade tem projetos voltados à discussão de gênero e direitos humanos, além de ser uma escola abertamente de luta contra as pautas político-trabalhistas dos governos federal, estadual e municipal”, disse um professor da EMEF Constelação do Índio.
A vereadora Sâmia Bonfim (Psol) também se posicionou:
Em nota, o Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo (Sinpeem) afirma que Fernando Holiday assediou moralmente os docentes e cometeu crime de abuso de poder e autoridade.
“O vereador sabe, ou pelo menos deveria saber, que não possui prerrogativas para exercer o papel de polícia política. Não cabe a ele também investigar o desenvolvimento de conteúdos curriculares e metodologias utilizados pelos educadores”, diz o texto.
O Sinpeem também indicou às escolas municipais para que “não se submetam ao arbítrio deste ou de qualquer outro vereador, fazendo valer e defendendo os direitos dos educadores”.

Secretário de Doria critica Holiday

O secretário de Educação da Gestão de João Doria (PSDB), Alexandre Schneider, acusou o vereador Fernando Holiday de ter intimidado professores durante visitas a escolas públicas de São Paulo para fiscalizar supostos casos de “doutrinação ideológica”.
Em nota publicada no Facebook nesta terça-feira, dia 4, Schneider defendeu que o integrante do MBL usou seu mandato para intimidar os professores. “Evidentemente o vereador exacerbou suas funções e não pode usar de seu mandato para intimidar professores”, disse o secretário.
“A escola, como qualquer organização social, pública ou privada, não é nem nunca será um espaço neutro. A escola pública, laica, plural, não deve ser espaço de proselitismo de qualquer espécie”, completou.
VÍDEO:
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