sexta-feira, 7 de abril de 2017

6/4 - Pragmatismo Político DE HOJE

Pragmatismo Político


Posted: 06 Apr 2017 05:50 PM PDT
soldado exército trote tortura testículo
Soldado chegou a perder o testículo após sessões de tortura no exército brasileiro
A denúncia de um soldado torturado no 27º Batalhão de Infantaria Paraquedista no Rio de Janeiro revelou o cenário de barbárie e covardia que faz parte da rotina do exército brasileiro.
O caso aconteceu em maio de 2016 mas só agora ganhou publicidade, depois que a ação judicial aberta pelo advogado do soldado deixou de correr em segredo de justiça. As primeiras informações são de Ancelmo Gois, do jornal O Globo.
Torturado diversas vezes nas dependências do exército, o calouro teve lesões tão graves que foi obrigado a remover um testículo em procedimento cirúrgico.
Um grupo de cabos convocou o calouro para passar por um trote. Ele foi levado para o alojamento de seus superiores onde diz ter sido imobilizado, derrubado e, em seguida, agredido. Os momentos de terror foram relatados pelo soldado e, segundo ele, eram diários.
“Teve um dia que eu tentei fugir do trote e me levaram para o alojamento deles. Chegando lá tinha cerca de 15 a 18 cabos. Me amarraram, fecharam as janelas e portas, e quando eu caí no chão começaram as agressões. Eu gritei muito, mas não foi motivo para eles pararem. Eu fui agredido na frente de outro soldado e ele desmaiou (…) Isso já é conhecido por lá. Eles pegam os soldados aos poucos. Todos que se formam sofrem esse trote. Os que se formaram comigo também passaram por isso”, disse a vítima das agressões.
Os agressores usaram pedaços de madeira, fios cortados e cordas.

Pesadelo

Após ser submetido ao procedimento cirúrgico para remover o testículo, o soldado recebeu alta médica. Ele disse que foi obrigado a voltar a prestar seus serviços. A experiência de reencontrar os agressores no Exército causou uma instabilidade psicológica no soldado. Na época, a vítima chegou a ser perseguida e ameaçada pelos superiores.
“Depois que eu recebi alta da cirurgia, eu tive que voltar para lá, eu convivi com os agressores diariamente. Eu sofri pressão psicológica. Eles me perseguiam, ameaçavam. Foi quando eu comecei a ter acompanhamento psiquiátrico. O meu psiquiatra pediu para que eu fosse afastado. Comecei a tomar medicamento controlado (…) Desde a agressão, eles falavam que eu não podia falar com ninguém, falavam que caso alguém visse era pra falar que fui assaltado, falava para usar a farda no corpo inteiro para tampar as marcas”, contou o soldado.

8 indiciados e 10 livres

O Comando Militar do Leste (CML) informou que oito envolvidos no caso foram indiciados em um Inquérito Policial Militar, que foi aberto para apurar as agressões. Além disso, estes oito militares foram licenciados em 28 de fevereiro de 2017. Já o soldado que foi espancado passa por atendimentos médico e psicológico.
Apesar do posicionamento, a vítima das agressões informou que fez denúncia contra 18 cabos que estiveram presentes no trote. No entanto, o Exército só acatou contra oito deles.
“Eu denunciei 18 cabos e eles aceitaram apenas a denúncia contra oito. Não afastaram todos, ainda tem agressores lá no batalhão. Atualmente, eu tenho medo de voltar para lá. Eu não consigo voltar para lá, não consigo entrar em contato com eles”, disse a vítima.
O advogado do soldado, Marcelo Figueira, contou que a vítima teve coragem de enfrentar a situação e, após procurar o escritório, decidiu entrar com uma ação indenizatória contra a União.
“Ele teve a coragem de enfrentar essa situação. Entramos com uma ação indenizatória para reparação dos danos físicos, psicológicos e morais contra a União, através da 27ª Vara. Estamos aguardando a resposta do Exército no processo. Eles foram intimados e estamos aguardando a defesa deles”, disse o advogado.
Ao comentar a decisão do soldado, que prefere não ser identificado, o CML informou que “ao ajuizar ação indenizatória contra a União, o Soldado D. P. V. exerce um direito de cidadão, que será tratado pela Justiça Federal”.
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Posted: 06 Apr 2017 10:15 AM PDT
gigante voltou dormir corrupção manifestações dinheiro público
Lucas Coradini*, Pragmatismo Político
Com uma velocidade fora do comum, medidas políticas de grande impacto, que repercutirão decisivamente no futuro das próximas gerações, são implementadas, uma a uma. Muitas delas controversas, mas nenhum debate com a sociedade tem sido possível na aligeirada agenda que se impõe. E essa talvez seja a palavra: imposição, por tratar-se de um programa jamais submetido às urnas e inimaginável num passado recente. Especialistas, acadêmicos e diversos movimentos sociais têm denunciado os retrocessos que batem à porta, mas, atônita, a população não esboça nenhuma reação à altura da gravidade do que se apresenta.
É importante salientar, primeiramente, que essa perplexidade diante do imobilismo social é sentida apenas por uma parte da sociedade. A maioria das pessoas é incapaz de fazer uma leitura da conjuntura que permita a compreensão do processo político em curso. Alguns, por alienarem-se completamente destas questões, outros, por um entendimento deturpado desse processo. Entre estes, estão os que engrossavam as fileiras das manifestações pró-impeachment e que, já sem o mesmo ímpeto e voluntarismo, são incapazes de mobilizar para a continuidade do “combate à corrupção”, apesar de a constatarmos de forma mais evidente e aguda do que nunca.
Não seria necessário um senso crítico muito apurado para perceber que a corrupção no Brasil tem se instituído, historicamente, de forma suprapartidária. Está enraizada no centro das estruturas, atuando de forma transversal em todos os níveis do poder executivo, legislativo e judiciário, do nível federal ao municipal. Do “caixa dois” dos partidos ao suborno de fiscais sanitários, das obras públicas superfaturadas ao inescrupuloso lobby parlamentar, da venda de sentenças à venda de projetos de leis. Importante frisar, corrupção perpetrada nos setores público e privado, como se demonstra nos casos recentes envolvendo a indústria da carne. Curiosamente, um único partido tem sido criminalizado, em detrimento de todos os outros que seguem agindo no mesmo modus operandi sem que nada lhes aconteça. Como um cordeiro imolado, criminaliza-se tão somente o PT, como se assim pudessem remir os pecados dos demais. E não se trata de defender as práticas comprovadamente perniciosas que levaram à hecatombe no partido dos trabalhadores, mas de aplicar igual tratamento àqueles que tradicionalmente atuam à sombra da lei.
Não é razoável que uma presidente seja afastada pelo crime de “pedalada fiscal” – que não existia antes de Dilma tê-lo praticado, e que deixou definitivamente de existir após seu impeachment – enquanto o seu sucessor naufraga em denúncias de incomparável gravidade, acompanhado de seu ministério e sua base parlamentar. É impossível crer em algum avanço no combate à corrupção nesse contexto.
Mesmo na Lava Jato, para desconhecimento de muitos, o partido mais implicado não é o PT, e sim o PP. Enquanto há pedidos de abertura de inquéritos pela Procuradoria Geral da República ao Supremo Tribunal Federal de 10 políticos do quadro do Partido dos Trabalhadores, esse número é de 33 entre políticos do Partido Progressista. Apesar disso, o Partido Progressista conquistou 494 prefeituras nas últimas eleições, se tornando a quarta força nacional em número de administrações, atrás apenas do PMDB, PSDB e PDS – partidos que, por sua vez, completam o time dos envolvidos na Lava. Se consultarmos então os dados do Tribunal Superior Eleitoral sobre os partidos com mais membros cassados pela Lei da Ficha Suja, identificaremos nas primeiras posições o DEM (69 políticos cassados), o PMDB (66 políticos cassados), o PSDB (58 políticos cassados) e o PP (28 políticos cassados). Os mesmos partidos que compõem o “centrão” e que estão hoje à frente do governo federal. O PT encontra-se na 9º posição, com 10 políticos cassados. Por que então o PT tem sido o grande alvo da mídia e das ruas nas cruzadas contra a corrupção?
A cada dia fica mais nítido que a motivação da articulação parlamentar para o impeachment foi a autopreservação de uma classe política diante das investigações da Lava Jato. Um grande acordo nacional, que colocou Temer na presidência para “estancar a sangria” de uma operação que, caso prosperasse, atingiria a todos os partidos, como afirmou o líder do governo, Romero Jucá. Há quem justifique a seletíssima crítica ao PT e a tolerância às práticas do atual presidente com o argumento de que “eles também eram governo”, ou que “o eleitorado de Dilma é quem levou Temer ao poder”. Quem se referencia por esse argumento desconhece o funcionamento do sistema presidencialista e o fato de que somente através de coalizões é possível alguma governabilidade. Coalizões que, por sua vez, balizam a distribuição de ministérios, estatais, e indicações políticas para os mais diferentes órgãos da administração pública.
Ignorar que todos os partidos que estiveram à frente da presidência da república no período pós-redemocratização tiveram o PMDB como seu aliado é desconhecer a dinâmica da política nacional. Não é pretexto, contudo, para a conivência com o corrompido grupo que hoje se encontra no comando do país. Menos ainda, para não reconhecer que a agenda política e econômica em desenvolvimento nada tem a ver com o programa submetido às urnas pelo governo antecessor, apesar das coligações. É preciso assumir que o poder outorgado ao grupo que hoje lidera o país, composto pelo PMDB, PSDB, DEM, PP, PTB, PPS, PSD, PR e outros mais, emanou daqueles que bradaram pelo impeachment. A maturidade política que a jovem democracia brasileira anseia requer a honestidade e a responsabilidade também dos cidadãos comuns que, com seu apoio, referendaram a mudança política aí colocada. Ainda há tempo para reconhecer o equívoco. Mas, nesse compasso, logo será tarde.
Em dez meses de governo Temer o desemprego se agravou e o PIB despencou, em uma das piores recessões da história brasileira. A taxa de juros bateu em 8,97% e já se aproxima de dois dígitos. O déficit fiscal previsto em 70 bilhões no governo Dilma saltou para 170 bilhões. Nossa indústria civil, naval, bélica e petrolífera é duramente fragilizada, e a produção de carros cai 18,4% no período. Há um claro processo de desnacionalização da indústria, com interrupção da fabricação dos navios-sonda, abertura da exploração do pré-sal ao capital internacional, e concessões em setores estratégicos de infraestrutura, como portos e aeroportos. Em relação ao setor público, aprovou-se uma emenda constitucional que congela os investimentos por vinte anos, o que significará sucateamento e precarização dos serviços. Isso tudo ao mesmo tempo em que o governo acena para o perdão de uma dívida de 100 bilhões às empresas de telecomunicações. O Ministério do Trabalho impõe uma agenda anti trabalhador, que engloba desde a proibição da divulgação da lista de empresas flagradas com uso de mão-de-obra escrava (medida incompreensível), até a aprovação da terceirização irrestrita, abrangendo atividades fim. A reforma da previdência em curso, fundamentada em inverdades sobre as contas públicas, está em vias de acabar com a seguridade social preconizada na constituição federal. Também em trâmite no legislativo, um projeto de lei visa permitir a compra de até 100.000 hectares de território nacional por iniciativa internacional (área superior à de muitos países), ao mesmo tempo em que a pecuária e a indústria da carne, uma das mais importantes do país, perde parcela significativa do seu mercado de exportação. O pacote anticorrupção – proposto por Dilma, o que poucos recordam – é retirado do regime de urgência e seu texto é totalmente desfigurado, e hoje se discute inclusive a anistia ao caixa dois. Para fechar com chave de ouro, o governo nomeia para o STF um indivíduo que há poucos dias integrava sua base ministerial, com o único intuito de mudar a correlação de forças no julgamento dos indiciados com foro privilegiado na lava jato. Seria essa a política requerida pela população que foi às ruas pelo impeachment? O incômodo silêncio diante de tudo isso faz refletir se o gigante de outrora voltou a dormir, ou se jamais soube o que estava fazendo.
*Lucas Coradini é mestre em Sociologia, doutor em Ciência Política pela UFRGS, e Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul e colaborou para Pragmatismo Político.
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Posted: 06 Apr 2017 09:50 AM PDT
crise revolta ideologia golpe temer corrupção
Luís Felipe Machado de Genaro*, Pragmatismo Político
Desferido o golpe parlamentar contra a presidenta Dilma Rousseff, se deu inicio ao projeto “Ponte para o Futuro”, orquestrado por setores à direita no Parlamento e uma classe empresarial contrária à consolidação de direitos sociais importantes para as classes trabalhadoras brasileiras. Da boca do traidor Michel Temer saíram as palavras que esperavam os que ainda não acreditavam em um complô político-econômico-midiático contra Dilma: o impeachment ocorreu por que a senhora presidenta não concordou em levar a cabo a Ponte de Jucá, Gilmar, Aécio, Renan, Cunha e outros.
Não obstante, a análise precisa ser mais profunda – e honesta. O governo Dilma vinha sistematicamente ceifando direitos, principalmente durante a gestão de seu ministro Levy à pasta da Fazenda. Era certo que em alguns pontos o seu governo freava o projeto neoliberal, acatando uma ou outra ordem dos andares de cima, mas nada além. Quando a conciliação petista se rompeu e a onda conservadora saiu às ruas, as forças políticas, financeiras e midiáticas enxergaram o momento-chave para agir. Eles já não toleravam tais obstáculos. Era tempo de abraçar o velho neoliberalismo dos anos 90, reformulado. Isso só seria possível retirando Dilma da presidência pelas vias de um golpe branco.
Com um Congresso Nacional reacionário, afastado de seu eleitorado e da população em geral, foi construído. um novo pacto, dando fim a Nova República. Como um grande rolo compressor, os parcos direitos conquistados seriam sistematicamente suprimidos, esfriados, corroídos. Para o patronato nacional – entreguista, atrasado e truculento – os trabalhadores no Brasil ganham muito e possuem muitos direitos. O que dirão da previdência, da CLT, entre outras coisas, é melhor não sabermos. No entanto, dado os projetos e as antirreformas propostas por Temer e aliados, como a previdenciária e a trabalhista, conseguimos imaginar.
Ao olharmos para o Brasil do tempo presente não devemos analisar a sua conjuntura política na perspectiva palaciana, a respeito das intrigas entre as grandes forças eleitorais e ideológicas que jogam um jogo complexo nos corredores de Brasília, mas na perspectiva dos que podem mover os pêndulos desta mesma conjuntura: as classes trabalhadoras, as massas combativas, associações de bairro e os novos e velhos movimentos sociais.
Com as forças conservadoras arrefecidas e desgastadas, como vimos nas últimas “manifestações” do Movimento Brasil Livre e do Vem pra Rua, no último domingo (26/03), chegou o momento de a esquerda entrar em campo e reconquistar de forma definitiva um espaço que historicamente lhe pertence: as praças e avenidas. Há tempos tais espaços de protesto foram tomados por grupos que muito além de um antipetismo cego, trazem consigo o ovo da serpente – pedem o fim do estatuto do desarmamento, a intervenção militar na política, uma escola “sem partido”, entre outras barbaridades.
A união de movimentos sociais por moradia e terra com as grandes centrais sindicais e sindicatos locais não-pelegos é necessária e urgente. Agrupamentos à esquerda, estudantes e professores, sem contar intelectuais engajados nas principais universidades públicas devem estar à frente dado os próximos passos – dia 31 de Março e 28 de Abril. As frentes que reúnem os inúmeros movimentos citados (Povo Sem Medo e Brasil Popular) precisam conjugar forças contra as antirreformas de Temer, propondo uma agenda estrutural de mudanças progressistas. Sair às ruas sem um projeto de país pode ser perigoso, ainda mais no momento atual. Radicalizar o discurso e as ações perante as forças políticas, policiais, midiáticas e financeiras precisa ser uma realidade.
Afastado dos representados, os representes já não os escutam. A única linguagem que compreendem é a da força e da manipulação rasteira. A greve geral marcada para o dia 28 de abril dá a eles tempo suficiente para as forças de repressão e segurança se organizarem e, caso necessário, montarem estratégias de contenção. É visível que a casta política está em descrédito, até mesmo pela categoria de policiais. No entanto, há quem manda e quem obedece. E nós sabemos que o tentáculo repressivo do Estado sempre obedece.
Se um governo de centro-esquerda debulhou a sua base social logo ao ser eleito, o que dizer de uma gestão que mal possui 10% de aprovação popular, não foi eleito e semanalmente propõe o fim de direitos sociais e trabalhistas, além da extinção de programas habitacionais e educacionais? Na Argentina de Macri as manifestações contra o aumento da pobreza, o ajuste fiscal e casos de corrupção por quem possuía discurso moralista e modernizante, não cessam; no Equador prestes a eleger o seu próximo mandatário, a população está nas ruas ao lado do candidato Lênin Moreno, à esquerda. A América Latina possui histórico de lutas e resistência ao longo de sua História. O Brasil precisa olhar para os irmãos do Sul, abraçando tais exemplos.
A dificuldade reside na quantidade de propostas, linhas ideológicas e fragmentações dentro da esquerda brasileira – divisões históricas. Enquanto o ringue está montado na ala progressista, a direita e a extrema-direita caminham a passos largos, nas redes e nas ruas. Ou não é preocupante, por exemplo, essa onda de empresários “empreendedores” e “bem sucedidos” na esfera eleitoral e no debate político? Vide João Dória e a sua cidade cinza, ordeira e disciplinada, como um grande lojão onde o servidor público não passa de um atendente, e a população, de consumidores.
A questão central, no entanto, não deve ser as eleições de 2018, mas 1) a retomada dos espaços de pertença e identidade da esquerda brasileira, 2) a contundência de discursos e ações quando o enfrentamento for necessário e 3) a construção de um projeto nacional onde as grandes reformas de base – agrária, universitária, tributária, urbana, etc. – se tornem viáveis e ocorram de baixo para cima. Não sob o manto dos palácios, mas das praças.
Não descarto a importância de refletirmos sobre as próximas eleições, visto que personagens macabros como Jair Bolsonaro provavelmente estarão na corrida para o Planalto. Contudo, não apontemos para um ex-presidente e achemos que salvará ele a Pátria em um piscar de olhos. Não cometamos os mesmos erros do passado. Passado que de tão recente, nos afoga.
*Luís Felipe Machado de Genaro é historiador, mestrando pela UFPR e colaborou para Pragmatismo Político
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Posted: 06 Apr 2017 09:48 AM PDT
Bruno Borges Acre Giordano Bruno
Aos poucos, vão surgindo respostas para o caso do desaparecimento do estudante de psicologia, Bruno Borges, no Acre. Mas ainda é cedo para afirmar que o desfecho da história está próximo.
Sumido desde o último dia 27, Bruno deixou em seu quarto, onde se mantinha trancado, 14 livros, escritos a mão, criptografados. Trechos da obra que ele escreveu também estão nas paredes do local, assim como quadros e outros desenhos.
Foi também encontrada uma estátua do teólogo italiano Giordano Bruno (1548-1600), adquirida por cerca de R$ 7 mil.
Nas redes sociais, surgiram diversas teorias do que pode ter acontecido com o jovem de 24 anos.

O que diz a polícia

A Polícia Civil do Acre acredita que Bruno saiu de casa voluntariamente e deve voltar em breve. De acordo com o delegado geral do estado, Carlos Flávio Portela, o jovem levou com ele um celular, um HD e algumas peças de roupas. O celular não está sendo utilizado.
O delegado afirma que dois amigos de Bruno revelaram que ele já havia manifestado a intenção de se isolar durante algum tempo, mas sem contar onde. Além disso, algumas das mensagens deixadas por ele, que a polícia está tentando decifrar, demonstrariam a mesma intenção.
“Não há nenhum indício de crime. Aparentemente, ele planejou. Acreditamos que, em breve, devemos ter uma notícia positiva”, garante Carlos.

Mídia internacional

O jornal britânico “Daily Mirror” destacou que o desaparecimento despertou o interesse mundial porque muitas pessoas estão acreditando que ele foi sequestrado por alienígenas após um vídeo bizarro do interior do quarto do jovem ter sido divulgado online.
Já o “Daily Mail” noticiou o caso como “desaparecimento misterioso” e lembrou que o jovem passou o último mês trabalhando no que está sendo noticiado como “um projeto secreto”.

O que diz a família

A última vez que os parentes viram Bruno foi durante o almoço de família na última segunda (27). No fim da tarde, o pai de Bruno, o empresário Athos Borges, retornou à residência da família na capital acreana e percebeu que o filho não estava. “Entrei no quarto e não vi a cama, não vi nada, só vi aquilo tudo. Naquele momento, percebi que ele tinha ido embora”, contou.
As mudanças no quarto, segundo a mãe, a psicóloga Denise Borges, foram feitas durante 22 dias, período em que ela e o marido estavam viajando de férias. O jovem ficou em casa com o irmão gêmeo Rodrigo Borges e Gabriela, irmã mais velha. Durante o tempo, os irmãos perceberam que a porta do quarto permanecia sempre trancada.
“Ele falava que era o projeto dele e disse que iria me contar o que era em duas semanas. As pessoas falam: ‘por que você não foi lá e abriu aquela porta?’. As pessoas têm que entender que não se tratava de uma criança. Ele é um adulto e tem a privacidade dele. Me incomodava, mas eu não podia arrombar a porta”, disse Gabriela.
Junto com os 14 livros criptografados deixados no quarto, o estudante também deixou as “chaves” que servem como guia para a decodificação. De acordo com a família, os escritos foram feitos com a utilização de pelo menos quatro códigos diferentes.

Filósofo Giordano Bruno

Muitas pessoas têm demonstrado admiração à inteligência do jovem e ele virou uma espécie de “gênio irreconhecível” para alguns internautas. “Seu irmão é um desses gênios que nunca são compreendidos em seu próprio tempo e apenas passadas muitas gerações é que são respeitados. Espero que ele esteja bem. Coisa certa é que ele sabe muito mais do que nós sobre muitas coisas”, escreveu um usuário do Facebook no perfil da irmã de Bruno, Gabriela.
Um colunista do Estado de S. Paulo já até percebeu semelhanças entre a vida de Bruno Borges e um conto obscuro de Machado de Assis. Mas quem foi, afinal, Giordano Bruno – ídolo e xará do rapaz desaparecido –, e o que seu pensamento tem a ver com o do estudante?
Filósofo, matemático, astrônomo, poeta e teólogo. O frade italiano nascido em 1548 entrou para a história após questionar abertamente crenças fundamentais da Igreja Católica, como a existência de céu e inferno, a danação eterna e a concepção de Cristo por uma mulher virgem.
Giordano Bruno também era uma espécie de herdeiro intelectual do heliocentrismo de Nicolau Copérnico, e não se limitou a concordar que a Terra é que dava voltas em torno do Sol – o que na época, por si só, era o suficiente para morrer na fogueira dos tribunais eclesiásticos.
Observando o céu, foi além e concluiu que as estrelas não eram só pontos de luz, mas outros “sóis” muito distantes.
Na obra A Causa, o Princípio e o Uno, ele diz: “o universo é, então, uno e infinito (…) Não é possível compreendê-lo e ele não tem limites. Nesse sentido, ele é indeterminável, e consequentemente imóvel.”
O filósofo, apesar da perseguição, chegou a lecionar Aristóteles na Universidade de Halle-Wittenberg, uma instituição de ensino alemã luterana – os protestantes, fiéis a seus princípios de livre interpretação da Bíblia, toleraram sua subversão teórica por mais tempo que católicos tradicionais.
Ele foi queimado em 1600, e se tornou um mártir dos iluministas no século 19. Até hoje é símbolo da liberdade de pensamento e expressão, e suas ideias estão na vanguarda da astronomia contemporânea: o telescópio Kepler, lançado pela Nasa em 2009, já identificou mais de 2,3 mil dos mundos distantes que habitavam os sonhos de Giordano Bruno.

Reencarnação

Ainda é cedo para especular qual foi o tamanho da influência de Giordano Bruno sobre o brasileiro Bruno Borges.
Jorge Rivasplata, escultor de 83 anos a quem o rapaz encomendou a estátua (avaliada em pelo menos R$ 20 mil, o artista diz que acreditou nas ideias de Bruno e, por isso, cobrou R$ 7 mil), declarou à imprensa que deu um desconto especial ao rapaz, e acredita que ele é a própria reencarnação do filósofo – que teria voltado à Terra para terminar sua obra interrompida de forma trágica.
“A maioria não entende, mas eu o conheço há muito tempo. Dá para acreditar que foi reencarnado Giordano Bruno nele. Não posso contar mais, a única coisa que posso dizer é que já terminou os livros que ele [Giordano] deixou inconcluso. Queria falar ao seu pai e mãe que não se preocupem, ele está bem e vem apresentar ao mundo esse projeto lindo, fantástico”, disse o escultor
Uma das últimas pessoas a conversar com o estudante sobre o projeto, o artista afirma que não sabia sobre o plano dele de sair de casa. Ele acredita que os escritos de Bruno são a conclusão das teorias defendidas pelo próprio Giordano.
O conteúdo dos seus livros ainda é um mistério. Um dos volumes, cujo título já foi decifrado, se chama “A teoria da absorção do conhecimento”.
A irmã mais velha do rapaz desaparecido comentou pequenos trechos que já foram decodificados. “Tem um que fala sobre a busca da verdade absoluta. Não temos nenhum texto completo. Acreditamos que vai aparecer alguém em que sintamos essa confiança. Não queremos divulgar imagens para as pessoas tentarem decifrar.”
Alguns detalhes, porém, são reveladores – o principal deles é um autorretrato de Borges ao lado de uma figura genérica de extraterrestre, pendurada sobre o “papel de parede” de inscrições misteriosas. Terá seu interesse por vida alienígena alguma relação com as teorias do Bruno italiano?
“Quem trabalha para si, sua obra não serve para nada, vai para a tumba. Quem trabalha para a humanidade fica perpetuado para toda a vida. A obra dele [de Bruno Borges] é para outros, não é para ele. Tudo foi premeditado para esse projeto, tudo o que está acontecendo já estava escrito. Acredito muito nele. Desde que começamos a conversar sempre acreditei”, conclui Rivasplata.
com informações de revista Super Interessante
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Posted: 06 Apr 2017 09:34 AM PDT
empresas segurança privada são paulo polícia militar civil federal vigia
Cerca de um quarto (23%) das empresas especializadas em segurança privada registradas em São Paulo tem ou já teve policiais em seu quadro societário. Os dados são de um levantamento feito pela Pública com as fichas cadastrais das 476 empresas e cursos de formação da área registrados na Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp) e autorizados pela Polícia Federal (PF). Dos 127 policiais civis, militares e federais ligados às empresas, 73 ainda constam como sócios.
Certamente há muito mais agentes de segurança pública no setor privado de vigilância. O levantamento se refere apenas a nomes que constam como sócios das empresas – não cobre os que ocupam cargos como assessores e diretores. Também há muitos agentes ligados às consultorias especializadas do setor ou em que a sociedade está em nome de parentes, funcionários e representantes.
Não é uma prática ilegal. Segundo a Lei Orgânica das Polícias, os agentes podem ser donos de empresas de segurança desde que não sejam os administradores da sociedade ou trabalhem de fato nelas. Para estudiosos da área, porém, como o professor André Zanetic, do Núcleo de Estudos da Violência da USP (NEV-USP), a questão é “delicada”. “Há riscos como a alocação de policiais nas empresas, às vezes mexendo até com a estrutura do dia a dia da atividade de segurança pública com base na rotina da segurança privada”, analisa. Um exemplo dos riscos apontados pelo professor ocorreu no Rio de Janeiro e foi revelado pelo repórter Antônio Werneck, do jornal O Globo. Policiais cariocas assediaram síndicos e comerciantes de Copacabana, oferecendo os serviços da empresa Santa Clara Vigilância para expulsar do bairro pessoas em situação de rua.
Há, ainda, um grande número de policiais associados ao enorme setor clandestino da segurança privada. Estima-se que para cada vigilante cadastrado haja outros três atuando na clandestinidade, frequentemente policiais, agentes penitenciários e outros servidores ligados à segurança pública.
A proximidade com os agentes é só um dos problemas associados ao setor, que vem crescendo exponencialmente no Brasil desde a sua regulamentação na ditadura militar. Entre 2002 e 2015, o faturamento nominal da área explodiu: passou de R$ 7 bilhões para R$ 50 bilhões segundo o IV Esseg (Estudo do Setor da Segurança Privada) feito pela Federação Nacional de Empresas de Segurança e Transporte de Valores (Fenavist). O número de empresas cresceu em torno de 75% entre 2002 e 2016, passando de 1.386 para 2.438 autorizadas a prestar serviços de segurança.
Quem contrata essas companhias são principalmente as indústrias, os bancos e o governo. Segundo o Portal da Transparência, o governo federal gastou mais de R$ 2 bilhões em contratos com empresas de segurança privada em 2016, representando cerca de um quarto do total dos gastos em serviços da União.
O número de vigilantes também impressiona. De acordo com os dados da PF – que é, por lei, a responsável pela fiscalização das empresas –, há quase 500 mil vigilantes cadastrados no país. Muito próximo do número de policiais civis e militares que atuam em território nacional: 552 mil. Entre 2010 e 2015, a PF emitiu em média 160 mil novas Carteiras Nacionais de Vigilantes (CNVs) por ano. Ainda segundo o órgão, as empresas de segurança privada possuem um arsenal de 248 mil armas e 122 milhões de munições.

À base de “bicos”

Outro ponto preocupante da segurança privada é o emprego de agentes públicos nos chamados “bicos”, principalmente pelas muitas empresas clandestinas do setor.
É muito forte aqui no Brasil essa ideia de que segurança é coisa de polícia”, avalia Viviane Cubas, pesquisadora do NEV-USP e autora da tese “A expansão das empresas de segurança privada em São Paulo”. “O policial, quando vai atuar no serviço de segurança, está levando consigo toda a estrutura que o Estado investiu nele. Ele acaba vendendo um serviço privilegiado de polícia. Muita gente contrata um policial porque sabe que, se tiver um problema, ele vai ter acesso mais fácil à estrutura policial. É isso que o qualifica como um bom vigilante. Isso acaba sendo uma privatização de um serviço de segurança pública”, diz a acadêmica.
Para os policiais, a dupla jornada de trabalho também representa riscos maiores do que na atividade regular, como explica Viviane. “Se você pega os números da Ouvidoria de polícia, um grande número de policiais mortos em folga morre durante esses bicos. Eles estão trabalhando sozinhos, o que é mais raro de acontecer quando eles estão em serviço. Então eles ficam muito mais vulneráveis do que atuando por suas corporações”, diz.
Em 2015, o número de policiais civis e militares mortos em folga foi quase o triplo dos que morreram em serviço (267 mortos fora da corporação ante 91 fardados), segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. E a tendência de alta se mantém, como disse à Pública o ouvidor da Polícia do Estado de São Paulo, Julio Cesar Fernandes Neves: “Nós observamos isso. O número de policiais mortos em folga vem sendo maior ano a ano do que os que morrem em serviço, e um número considerável dessas mortes ocorre durante esses trabalhos paralelos à atividade policial”.
Só tenho a dizer que ele era uma pessoa maravilhosa, nunca deixava faltar nada para o nosso filho. Sempre nos apoiou da melhor maneira. Nunca nos deixou na mão”, diz Verena Dourado, ex-mulher do soldado da PMERJ Jefferson Cruz Pedra, morto aos 37 anos ao reagir a um assalto a uma joalheria no Tijuca Off Shopping, na zona norte do Rio de Janeiro. Jefferson morreu no dia 5 de janeiro deste ano. Ele havia se mudado de Salvador para o Rio após passar no concurso da PMERJ em 2012 e fazia bico nas horas vagas como segurança do shopping, como tantos colegas que tiveram o mesmo fim.

PF não tem registro de mortes praticadas por seguranças

O outro lado da moeda também mostra o descontrole da segurança privada. Quando um vigilante mata em serviço, por exemplo, ele é responsabilizado na esfera penal, e a empresa responde na área cível caso as vítimas procurem a Justiça para pedir indenização. A PF informou à Pública que não possui um levantamento das mortes praticadas por seguranças privados no Brasil. Isso apesar dos notórios casos de mortes provocadas por vigilantes.
Dia 11 de novembro de 2008. Alberto Milfont Júnior, 23 anos, morador do Capão Redondo, zona sul de São Paulo, foi a uma loja da Casas Bahia comprar um colchão para sua nova casa. Dali a pouco ele se mudaria com a futura esposa, Darilene Pereira Ribeiro, com quem já tinha um filho de alguns meses, e precisava mobiliar a nova morada. Ninguém esperava que ele fosse morto no processo. “O Júnior entrou na loja e o segurança começou a desconfiar porque ele estava de chinelo, acho que ele pensou que meu filho estava mal vestido”, relembra emocionada a mãe de Alberto, Francisca Aldeiza da Silva. Segundo o relato dela, Alberto entrou e saiu da loja várias vezes e notou que o segurança passou a acompanhar seus movimentos. Ele já havia comprado seu colchão e foi com a nota fiscal na mão discutir com Genilson Alves de Sousa, que fazia a vigilância naquele dia pela empresa Gocil.
Ele quis confrontar o segurança para entender porque ele estava sendo seguido, mostrou a nota fiscal o tempo todo para ele dizendo que não era ladrão”, diz Francisca. Em dado momento, segundo a versão da família e de sua noiva, Darilene, que o acompanhava naquele dia, ele aumentou o tom. Genilson apontou a arma para Alberto, que questionou: “Vai atirar em mim? Atira. Quero ver se tem coragem”. O segurança retrucou: “Fala ‘duvido’”, desafiou. Alberto disse que duvidava e Genilson o acertou com um tiro no rosto. O jovem caiu morto na hora.
Por mais que possa ter havido excessos, ele morreu defendendo um direito. Ele só queria ser bem atendido”, diz Ana Beatriz Fernandes Nogueira, diretora pedagógica da Casa do Zezinho, ONG que atua com crianças e adolescentes na região do Capão Redondo. A notícia, segundo ela, caiu como uma bomba entre os colegas de Alberto. “Ele era muito querido. Um menino muito alegre, que todo mundo gostava. Eu nunca vi uma igreja tão cheia como o dia que aconteceu a missa pra ele”, relembra Ana Beatriz. O segurança Genilson foi preso e condenado a 22 anos, mas recorreu e ganhou o direito de responder em liberdade.
Um caso mais recente ocorreu há poucos dias, em um posto de gasolina próximo ao aeroporto de Manaus, e indica um possível assassinato. O adolescente Isaque da Silva Correia, de 17 anos, havia saído para comemorar seu aniversário e festejava no posto com os amigos na madrugada do dia 11 para o dia 12 de março deste ano. Segundo as testemunhas, o vigilante Juliano Tanabe de Azevedo, de 25 anos, se aproximou do grupo e pediu que colocassem as mãos na cabeça. Em seguida, Isaque foi baleado com um tiro na nuca e morreu na hora. O segurança foi preso em flagrante e teve a prisão preventiva decretada pela juíza Andrea Jane Silva de Medeiros no último dia 13. A Pública não conseguiu contato com o advogado de Juliano.
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Posted: 06 Apr 2017 09:12 AM PDT
principais mudança nova base curricular educação
As crianças, em todo o país, deverão ter acesso desde cedo a conteúdos de português e matemática. Até o 2º ano do ensino fundamental, geralmente aos 7 anos, os estudantes deverão ser capazes de ler e escrever. Além disso, aprenderão conteúdos de estatística e probabilidade. As definições estão na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), apresentada nesta quinta-feira (6) pelo Ministério da Educação (MEC).
Na educação infantil, que vai até os 5 anos, a BNCC estabelece que seja desenvolvida a “oralidade e a escrita”. O conteúdo começa a ser introduzido aos poucos. Até 1 ano e 6 meses, as creches deverão garantir, por exemplo, que as crianças reconheçam quando são chamadas pelo nome ou demonstrem interesse ao ouvir a leitura de poemas e a apresentação de músicas.
Aos 7 anos, no 2º ano do ensino fundamental, as escolas deverão garantir que os estudantes saibam escrever bilhetes e cartas, em meio impresso e digital – e-mail, mensagem em rede social. Devem também ler, com autonomia e fluência, textos curtos, com nível adequado, silenciosamente e em voz alta.
A matemática também deverá estar presente na formação desde cedo. A partir dos 6 anos, no 1º ano do ensino fundamental, os estudantes terão acesso a conteúdos de probabilidade e estatística. Até o final do segundo ano, saberão, por exemplo, coletar, classificar e representar dados em tabelas simples e em gráficos de colunas, além de classificar eventos cotidianos como pouco ou muito prováveis, improváveis e impossíveis.

Implementação

A Base Nacional Comum Curricular deverá ser aplicada nas escolas públicas e particulares de todo o país. No setor público, deverá servir de base para a elaboração dos currículos estaduais, municipais e federal, que deverão definir como as habilidades serão implementadas em sala de aula.
Atualmente, nas escolas públicas, principalmente pelo Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (Pnaic), o letramento em português e matemática deve ocorrer até o 3º ano do ensino fundamental, até os 8 anos. O Pnaic oferece, entre outros subsídios, material didático e formação aos professores. Agora, a intenção é que os conteúdos sejam antecipados.
Estamos alinhando o Brasil a outros países e ao próprio setor privado do país. Não queremos que a criança da escola pública não tenha o mesmo direito hoje da criança de escola privada”, diz a secretária executiva do Ministério da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro, que presidiu, nos últimos meses, o comitê responsável pela finalização da base.
Para a superintendente do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), Anna Helena Altenfelder, na versão final da BNCC, a alfabetização ganhou clareza na especificação dos objetivos e na progressão. “É preciso pensar na realidade concreta do país, onde muitas crianças não vêm de famílias letradas, não têm familiaridade [com a leitura e escrita]. A escola efetivamente precisa desempenhar um papel importante. Todos os resultados mostram que não estamos conseguindo alfabetizar nossas crianças”, diz. Anna integra também o Movimento pela Base Nacional Comum, grupo não governamental de profissionais da educação.
Em matemática, a decisão foi ampliar o conteúdo ensinado além das quatro operações básicas – soma, subtração, divisão e multiplicação. “Consideramos que é fundamental que o aluno desenvolva determinadas atitudes e competências na resolução de problemas, é importante que se sinta valorizado no que faz. Fundamental que compreenda o que faz e que se sinta seguro na capacidade de aprender matemática”, explica o redator de matemática da BNCC, Ruy César Pietropaolo.
Segundo ele, embora ensinar probabilidade e estatística mais cedo seja uma tendência já presente em alguns livros didáticos, em alguns estados o currículo prevê que esses conteúdos sejam trabalhados apenas no ensino médio. A BNCC deve, então, antecipar essa aprendizagem.

Próximos passos

A expectativa do MEC é que a Base Nacional Comum Curricular chegue às salas de aula efetivamente a partir de 2019. Isso porque é necessário um longo caminho para a implementação, que envolve a formação dos professores, aquisição de livros didáticos e mudanças nas avaliações nacionais feitas pelo própria pasta.
Hoje (5), o MEC entrega a versão final da BNCC ao Conselho Nacional de Educação (CNE). Esse é um dos últimos passos para que a base passe a vigorar no país. Após análise, o CNE vai elaborar um parecer e um projeto de resolução e a BNCC volta para o MEC para homologação. Só depois passa a vigorar oficialmente. A partir da BNCC, estados e municípios devem elaborar os próprios currículos.
A base apresentada nesta quinta-feira refere-se ao ensino infantil e ao ensino fundamental. A parte relativa ao ensino médio ainda está em elaboração e deverá ser apresentada nos próximos meses.
principais mudança nova base curricular educação
Agência Brasil
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Posted: 06 Apr 2017 08:57 AM PDT
Marianna Lively exército brasileiro
(Imagem: Marianna Lively)
Gustavo Miranda, A Tribuna
A Justiça Federal condenou o Exército Brasileiro a pagar R$ 60 mil de indenização para a estudante Marianna Lively, de 19 anos.
Em 2015, a jovem, que é mulher transexual, sofreu perseguição, recebendo ligações e até mesmo visitas de estranhos em casa, após passar pelo Serviço de Alistamento Militar em Osasco, na Grande São Paulo (relembre o caso aqui)
É a primeira vez que uma força armada nacional é condenada nesse tipo de ação. A decisão saiu nesta quarta-feira (6), 1 ano e 8 meses após ela ter sido fotografada por militares dentro do quartel e ter tido sua imagem espalhada pelas redes sociais. Também foram divulgados a ficha de inscrição, com nome de registro, e o certificado de alistamento — apenas militares tinham acesso aos documentos.
O caso teve repercussão nacional e, logo, as advogadas Patrícia Gorisch e Ana Carolina Borges, de Santos, assumiram a causa. Segundo a decisão, da 1ª Vara da Justiça Federal de Barueri, onde a jovem morava, ficou comprovado que o Exército é responsável pelos danos materiais e morais causados pelos agentes da corporação.
A decisão judicial afirma ter ficado claro que a dignidade da estudante foi violada. “É sabido que as transexuais são uma das minorias mais marginalizadas e estigmatizadas da sociedade. (…) Ao haver a divulgação indevida das fotos e do Certificado de Alistamento Militar, a autora passou a receber telefonemas de estranhos em sua residência, bem como ficou exposta a todo tipo de ofensas pessoais e humilhações de forma pública”, frisa a juíza Gabriela Azevedo Campos Sales.

Extremismo

Para a magistrada, como a exposição aconteceu na internet, as consequências foram ampliadas. “Observo que além da foto, o certificado de alistamento possuía todos os dados da autora, inclusive endereço e telefone, o que a tornou sujeita até aos atos de grupos preconceituosos extremistas”, cita.
Pela primeira vez, o Exército veio a público falar sobre homofobia e discriminação. Em uma nota, a corporação admitiu a divulgação, sem autorização, das informações da jovem, durante o processo do Serviço Militar Obrigatório.

Decisão inovadora

Por causa dos constrangimentos, a jovem abandonou Barueri, mudou-se para a Capital e, depois, para Londres. Segundo a advogada Patrícia Gorisch, que também é presidente da Comissão de Direito Homoafetivo do Instituto Brasileiro de Direito da Família (Ibdfam), a sentença é um marco na luta contra o preconceito. “Nunca o Exército foi responsabilizado por condutas transfóbicas e homofóbicas por parte de seus agentes”, diz.
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