sábado, 8 de abril de 2017

8/4 - Altamiro Borges DE HOJE

Altamiro Borges


Posted: 08 Apr 2017 12:16 PM PDT
Por Cynara Menezes, no blog Socialista Morena:

Lula deu entrevista hoje pela manhã, por telefone, ao jornalista Luiz Viana, da Rádio O Povo/CBN, do Ceará, transmitida ao vivo na página do ex-presidente no facebook. Mais uma vez, Lula exortou o juiz Sergio Moro a apresentar “provas” de que cometeu crimes, e se disse “ansioso” para depor no próximo dia 3 de maio em Curitiba.

“Se tem um cidadão brasileiro, dos 204 milhões, que quer a verdade, a mais pura verdade dos fatos, sou eu. Prova significa documento, coisa escrita, conta bancária. Eles já quebraram minha conta bancária, meu sigilo telefônico, sigilo da conversa da minha mulher com meus filhos, sinceramente não sei qual é o limite deles em invadir a minha vida. Estou ansioso pelo dia 3 porque é a oportunidade que eu tenho de responder.”

O ex-presidente também criticou a postura do Judiciário, sobretudo do Supremo, afirmando que juiz que quer emitir opinião sobre política “deveria deixar de ter um emprego vitalício e disputar eleição”. Alfinetada no ministro Gilmar Mendes? Outra cutucada foi para o prefeito de São Paulo, João Doria Jr., que segundo Lula está querendo usá-lo como escada para se cacifar para 2018. “Aprendi na vida quando um político quer ter 5 minutos de glória. O fato de o prefeito de São Paulo ficar todo dia me criticando no fundo, no fundo, ele quer que eu o transforme em personagem antagônico e eu não vou transformar. Ele foi eleito para governar São Paulo e tem que cumprir com a obrigação dele de governar São Paulo, precisa parar de fazer pirotecnia e governar de verdade.”

O blog transcreveu os principais trechos da entrevista, onde Lula fez questão de condenar o ataque de Trump à Síria. “O mundo não está precisando de governantes arrogantes.”

Transposição do Rio São Francisco

“Não se trata de saber quem é o pai da criança da transposição. A transposição tem pai, mãe, tem tio, tem filho, neto. Muita gente falou nessa obra e ninguém fez, esse é um dado concreto. Essa obra só poderia ser feita por alguém que tinha a experiência de carregar lata d’água na cabeça, e graças a Deus esse presidente com essa experiência fui eu. A seca é um fenômeno da natureza, as pessoas morrerem por conta dela é irresponsabilidade da classe política.”
Doria

“Aprendi na vida quando é que um político quer ter 5 minutos de glória. E o fato de o prefeito de São Paulo ficar todo dia me criticando no fundo, no fundo, ele quer que eu o transforme em personagem antagônico e eu não vou transformar. Ele foi eleito para governar São Paulo e tem que cumprir com a obrigação dele de governar São Paulo. Precisa parar de fazer pirotecnia e governar de verdade. Só isso.”
Pesquisas

“Eu não estou preocupado com pesquisa, tem dois anos pela frente. Neste momento estou preocupado com o que está acontecendo no Brasil, a desesperança do povo, o desemprego, a tentativa de acabar com a aposentadoria prejudicando milhões de pessoas pobres. O que a gente tem é que mostrar pro povo que o país não tem necessariamente passar pelo que está passando. Já tenho 71 anos de idade, tenho pouco tempo pela frente e quero dedicar esse tempo para ajudar o Brasil a voltar ser feliz. Isso depende muito da qualidade do governo, da credibilidade junto à sociedade. Isso só é possível com um presidente eleito democraticamente.”
Ciro Gomes

“Apesar de alguns destemperos verbais de Ciro Gomes, eu tenho carinho e tenho respeito pela lealdade que Ciro teve durante todo o período que trabalhou comigo. Não vai ser uma palavra mal colocada que vai fazer com que eu tenho divergência com Ciro Gomes. O Cid Gomes nós construímos uma parceria extraordinária no governo dele, nos dois mandatos. O Camilo (Santana, governador do Ceará, petista) tem mais de 21 anos de idade e tem liberdade de escolher qual é o candidato dele. Não me preocupei com a declaração do Camilo, respeito a relação que tem com os Gomes, que o apoiaram para ser governador. Eu não conversei com Ciro sobre 2018. Tenho que deixar o tempo passar pra gente ver a política brasileira se arrumar, tá muito complicada a política brasileira. De todos aqueles que estão ligado a partidos políticos quem tem uma performance acima da média sou eu. Temos que esperar um tempo, o PSDB não tá morto, o DEM não tá morto, o PDT não tá morto. Em algum momento, vamos conversar. Só quero que as pessoas tenham clareza que eu levo muito o Ciro em conta, que não vou brigar com ele por qualquer coisa, não. Aprendi a gostar dele. Devo a ele e à coragem dele a feitura do projeto da transposição do São Francisco. Só tenho elogios, não tenho crítica e quero continuar assim, mesmo que a gente seja adversário, porque já fomos duas vezes adversários e o fato de sermos adversários não criou nenhuma rusga entre eu e o Ciro.”
Condenação

“Este é o desejo de alguns adversários, que é preciso fazer alguma coisa para evitar que eu seja candidato. Eu tenho um depoimento para 3 de maio e estou ansioso por este depoimento porque é a primeira oportunidade que vou ter de saber qual é a acusação que tem contra mim, qual é a prova que eles têm contra mim, porque até agora a única coisa que eu ouvi alguém dizer é que não esperem prova, que o que eles tem contra mim é convicção. Um ser humano, para ser condenado, a pessoa tem que mostrar prova para condenar. Eu tenho ficado quieto, só fui um pouco mais explícito quando fui dar o depoimento em Brasília com o juiz federal no caso da obstrução de Justiça, numa delação do Delcídio que era uma mentira. Estou muito tranquilo. Se tem um cidadão brasileiros, dos 204 milhões, que quer a verdade, a mais pura verdade dos fatos sou eu. Prova significa documento, coisa escrita, conta bancária. Eles já quebraram minha conta bancária, meu sigilo telefônico, sigilo da conversa da minha mulher com meus filhos, sinceramente não sei qual é o limite deles em invadir a minha vida. Estou ansioso pelo dia 3 porque é a oportunidade que eu tenho de responder.”
Moro

“Não pretendo dizer nada, pretendo ouvir quais as provas que ele tem contra mim. Eu sinceramente acho que o Moro cumpre um papel importante na história do país. A única coisa que condeno nisso tudo é utilizar a imprensa para condenar as pessoas previamente, sem antes ter as provas. Primeiro o cidadão é jogado no chão, é jogado no limbo, é destruído moralmente e politicamente e depois vai pro julgamento. Deveria ser o contrário: primeiro você prova que a pessoa fez coisa errada, prova que a pessoa pegou dinheiro, prova que a pessoa é corrupta, aí depois você julga, aí você condena. Esse pacto da Força-Tarefa da Lava-Jato com a imprensa é: primeiro você condena pela imprensa, quando o cidadão não tiver mais coragem de levantar a cabeça e sair de casa, aí você julga ele e condena. Acho que cometeram um equívoco em tentar me tratar dessa maneira. Então, vou me defender e com muita tranquilidade esperar para saber quais são as provas que eles têm das mentiras que foram contadas a meu respeito.”

Julgamento do TSE

“Acho que o PSDB tinha que pensar no que está fazendo com o Brasil. A Dilma foi eleita democraticamente, o Temer foi eleito junto com ela, a Justiça Eleitoral convalidou o resultado, a Dilma tomou posse. Agora, você tentar, nessas alturas do campeonato, cassar a Dilma, que já foi cassada? É, no mínimo, uma certa confusão política desnecessária. A desgraça que eles tinham que fazer contra a Dilma eles já fizeram, que foi inventar uma mentira da pedalada que foi fazer com que a Constituição fosse pisoteada para tirar uma presidente legitimamente eleita e colocar um presidente que não foi eleito pelo povo.”
Judiciário

“O Brasil precisa voltar a ter ordem. O poder executivo governar, o poder legislativo legislar. O poder judiciário, sobretudo a Suprema Corte, garantir a Constituição, colocar um pouco de ordem na casa. Eu vejo juiz dando declaração na televisão, fora dos autos do processo, eu vejo juiz todo dia emitindo opinião. Ora, as pessoas que querem emitir opinião sobre política deveriam deixar de ter um emprego vitalício e concorrer a um cargo, entrar num partido político. Vejo delegado dando palpite na política, promotor dando palpite na política. Essa gente que quer fazer política entre num partido e vá ser candidato.”
Ataque à Síria

“É preciso que se apure corretamente se a Síria usou armas químicas mesmo. Você está lembrado que a guerra do Iraque aconteceu porque os americanos afirmaram que Saddam Hussein tinha armas químicas? Invadiram o Iraque e mataram Saddam e até hoje não encontraram armas químicas. Esse presidente americano parece que é meio confuso, eu tenho visto as entrevistas dele, é preciso que o presidente de um país como os EUA tenha equilíbrio. O mundo está precisando de paz, está numa crise econômica desde 2008 que até hoje não conseguiu resolver, o desemprego ainda é grande no mundo inteiro, o comércio no mundo inteiro diminuiu, é preciso que os dirigentes políticos do mundo tivessem tranquilidade para reordenar a economia, fazer a economia voltar a crescer. Já foram investidos mais de 14 trilhões de dólares para tentar resolver a crise financeira de 2008 e até hoje não foi resolvida. Imagina se parte destes 14 trilhões tivesse sido investido para ajudar o desenvolvimento de países pobres, na África, na América latina, na Ásia, como o mundo estaria muito melhor? Foi irresponsabilidade do governo americano bombardear a Síria, o mundo não está precisando de bombardeios, está precisando de dirigentes que dialoguem, se tem algum problema que convoque reunião extraordinária da ONU para que o Conselho de Segurança decida o que vai acontecer na guerra na Síria. Sou contra qualquer ataque, violência gera violência. O mundo não está precisando de governantes arrogantes, está precisando de governos que pensem no futuro da juventude, num mundo melhor, sem guerras, ambientalmente mais qualificado. A paz vale alguns trilhões, a guerra não vale um tostão.”
Posted: 08 Apr 2017 12:08 PM PDT
Por Eduardo Maretti, na Rede Brasil Atual:

O recuo do governo de Michel Temer em alguns pontos da reforma da Previdência demonstra que o presidente da República já sofre os efeitos das manifestações populares e dos cálculos que deputados e senadores já fazem para as eleições de 2018. Os ataques do líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), às reformas governistas e ao próprio Temer indicam que o ocupante do Palácio do Planalto corre grande risco de ser abandonado no meio do caminho, pelo menos na reforma que seria a grande “bandeira” de seu governo.

“Esses recuos se dão em função de pressão popular e da completa impossibilidade de esse texto (da Proposta de Emenda à Constituição-PEC 287) ser absorvido. Não existe negociação com essa reforma”, diz a líder do PCdoB na Câmara, Alice Portugal (BA).

Na opinião deputado Enio Verri (PT-PR), ao contrário do que diz Temer, o anúncio das mudanças é a primeira grande vitória dos movimentos sociais e dos partidos de oposição no Congresso Nacional. O presidente afirmou que a alteração no texto não pode ser considerada um recuo, mas "uma questão de obediência ao que o Congresso Nacional sugere".

Para Verri, com as manifestações de 8, 15 e 31 de março, somadas às últimas votações na Câmara, o quadro vai ficando mas claro. “A cada iniciativa que toma, Temer perde mais base social e ao mesmo tempo perde base de apoio na Câmara.” No dia 29 de março, o governo foi derrotado na votação da PEC 395, que instituía a cobrança de mensalidades em universidades públicas. O texto precisava de 308 votos para ser aprovado, mas obteve 304. Nesta quinta (6), estava prevista votação do projeto da renegociação da dívida dos estados, mas, sem acordo e com quórum baixo, a votação foi adiada.

O líder do PT, Carlos Zarattini (SP), diz que Temer “mexeu em aspectos secundários” da PEC 287, e que o recuo, antes mesmo da “primeira batalha”, na comissão especial da Reforma da Previdência, foi a primeira vitória do movimento social e dos partidos de oposição. “Ainda que a gente não saiba exatamente o que vão propor.” O petista lembra que os “pilares” da PEC 287 (os 65 anos de idade, o mínimo de 25 anos de contribuição e os 49 anos de contribuição para receber benefício integral) estão intocados.

“As mobilizações provocaram uma série de distúrbios internos na base desse governo sem representatividade, sem voto e sem compromisso com os direitos sociais. Nesse sentido, a base iniciou um processo de rebeldia. A gota d’água é a pesquisa que mostra 241 deputados contra a reforma da Previdência como ela está”, lembra Alice Portugal . “Com a continuidade da pressão, quem sabe a gente derrote de vez o mais cruel documento que já apreciamos no Congresso Nacional em relação a direitos previdenciários dos trabalhadores brasileiros”, diz.

Segundo levantamento publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo de quarta-feira (5), a PEC 287 seria hoje rejeitada por 241 deputados, mesmo amenizada.

O governo anunciou que mudará cinco pontos da PEC: a aposentadoria de trabalhadores rurais, os benefícios de prestação continuada (BPC), as pensões, a aposentadoria de professores e policiais e as regras de transição para o novo regime previdenciário. Mas não detalhou as mudanças.

“Não é suficiente”, diz o deputado Júlio Delgado (PSB-MG). Ele também cita a questão da idade no texto da reforma como um ponto fundamental que não foi mudado. Embora o governo esteja prometendo mexer nas regras de transição, “no tempo de contribuição ainda não se falou”. “Com isso tudo, fica a desconfiança por parte do cidadão. Não vejo muito alento para se imaginar que essas alterações anunciadas são suficientes. A dificuldade continua”, acrescenta Delgado.

Para Enio Verri, ao anunciar os pontos de mudança, o governo usa a estratégia de atender a setores mais organizados da sociedade, como professores e policiais, setor organizado da agricultura, em especial a Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares). A ideia do governo, avalia, é usar esses setores que têm grande capacidade de pressão e mobilização para desmobilizá-los e diminuir a pressão social.

Mas, segundo Verri, a tentativa de Temer fracassará. Na terça feira (4), em uma reunião com representantes da CUT, CTB, Contag, Intersindical e Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) já se sabia que Temer retiraria alguns pontos ou tentaria negociar separadamente para desmobilizar. “Fechamos que não importa o que ele ofereça a um setor ou outro, mantemos de pé a greve geral dia 28 de abril e a posição de votar radicalmente contra a reforma de Previdência e trabalhista.”
Renan Calheiros

Para os deputados ouvidos pela RBA, o afastamento de Renan Calheiros do governo é uma decisão calculada e típica da “velha raposa” de Alagoas. “Renan não é burro. Tem uma visão estratégica de longo prazo e uma capacidade de sobrevivência política gigantesca. Está fazendo o que sempre fez: lentamente vai se afastando daquele que está em baixa e aproximando-se do que está crescendo, que é Lula”, diz Enio Verri.

Para Zarattini, Renan “está refletindo” a opinião da população, principalmente a do Nordeste, onde o crescimento de Lula é muito grande. “Ele está acompanhando e seguindo o eleitorado dele, que está completamente contrário ao governo Temer e a favor da volta do Lula.”

Na opinião de Júlio Delgado, o rompimento é um gesto claro de quem tem mais capacidade política. “Lógico que Renan está olhando a eleição de Alagoas, que é um reduto petista, e onde o PT se fortaleceu muito com os equívocos do governo Temer. Acho que o afastamento não tem volta.”

Alice lembra que Renan é pai do governador de Alagoas, Renan Filho, que o senador pretende levar de volta ao Palácio do Governo em Maceió. Com a pressão popular, Renan não demonstra hesitação. “Ele se inclina de maneira bastante rápida em direção ao ex-presidente Lula.”
Posted: 08 Apr 2017 12:04 PM PDT
Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania:



Após a celeuma gerada pelo show de ódio e preconceito de Jair Bolsonaro durante evento no Clube Hebraica do Rio de Janeiro, muitos podem pensar que sabem tudo de ruim que há para ser dito sobre esse indivíduo. Todavia, fatos ocorridos nos últimos dias mostram que esse homem é um problema ainda maior do que parece.

Como todos sabem, Bolsonaro pretende armar a população brasileira até os dentes. Está atuando no Congresso para reduzir de 25 para 21 anos a idade mínima para o cidadão poder adquirir uma arma.

A venda de armas no Brasil ainda é permitida, após a derrota do desarmamento em 2005.

O referendo sobre a proibição da comercialização de armas de fogo e munições, ocorrido no Brasil a 23 de outubro de 2005, porém, não permitiu que o artigo 35 do Estatuto do Desarmamento (Lei 10826 de 22 de dezembro de 2003) entrasse em vigor.

Apesar de a maioria decidir pelo “não”, sendo a favor da comercialização das armas e munições, a restrição continuou como estava desde o fim de 2003. É bom lembrar, porém, que, ainda assim, de acordo com a lei, o porte de arma continua ilegal, salvo algumas raras exceções.

O cidadão comum que deseja ter uma arma (a comercialização e a posse de arma estando permitidas) deverá mantê-la em seu domicílio, além de ter que registrá-la no momento da compra e passar por um processo burocrático que só aprovará o registro caso o cidadão não esteja no grupo considerado “de risco”.

Bolsonaro promete revogar qualquer dificuldade para o cidadão se armar, caso seja eleito presidente da República no ano que vem.

Tudo bem, é uma visão de mundo e se a sociedade brasileira cair na conversa desse homem, que arque com as consequências. Assim como o aumento da velocidade média dos veículos automotores em São Paulo, determinada pelo prefeito tucano João Doria, está fazendo explodir o número de mortes e mutilações em acidentes de trânsito, a distribuição indiscriminada de armas que Bolsonaro quer fazer acarretaria uma grande chacina nacional, uma tragédia histórica sem precedentes.

Mas cada povo colhe o que planta, como se sabe…

Porém, o discurso de Bolsonaro parece ter menos a ver com ideologia e mais com ambição monetária. Ele e seus filhos parecem ter montado um esquema de vender dificuldades a fabricantes de armas para depois vender facilidades.

Nos últimos anos, a família Bolsonaro desencadeou uma verdadeira guerra contra a empresa gaúcha de armas chamada Forjas Taurus. Sob ação do braço parlamentar da família bolsonariana, o Exército acabou proibindo a empresa de produzir.

Em seguida, parlamentares de extrema-direita como a família Bolsonaro e o Major Olímpio trataram de propor uma CPI contra a Taurus, afirmando que suas armas tinham defeitos, disparavam sozinhas etc.

Contudo, nos últimos dias parece que a guerra chegou ao fim. Após Bolsonaro vender a ideia de que será bom armar o Brasil, ele aparece como garoto-propaganda da mesma Taurus que ele e seus filhos acusavam. Assista ao vídeo [aqui].

Isso se chama criar dificuldades para vender facilidades. É uma prática antiga usada por jornalistas, parlamentares, funcionários públicos, policiais etc. Funciona assim: essas pessoas atacam uma empresa ou pessoa física e os alvos acabam pagando a elas para não serem mais atacados.

Os filhos de Bolsonaro são meros teleguiados pelo pai. Fazem o que ele manda. Em agosto do ano passado, o filho Eduardo – aquele que o pai disse que terminaria “na Papuda” – pediu uma CPI contra a Taurus. Cerca de seis meses depois, o pai, Jair Bolsonaro, aparece como garoto propaganda da empresa.

Isso não é o pior sobre o Bolsonaro. Pior que oportunismo é difundir ódio. O oportunismo causa danos restritos, a difusão do ódio pode gerar tragédias imprevisíveis para uma nação. Mas vale refletir que Bolsonaro não é só um imbecil ou um demente. De louco ele não tem nada. Louco é quem acredita nele ou o subestima.
Posted: 08 Apr 2017 11:56 AM PDT
Posted: 08 Apr 2017 11:55 AM PDT
Por John Wight, no site Outras Palavras:

Descrever o ataque dos Estados Unidos à Síria como uma medida séria é ser incapaz de avaliação.

Sem nenhum respaldo do direito internacional ou na ONU, o governo Trump cometeu um ato de agressão contra mais um Estado soberano do Oriente Médio, o que confirma que os neoconservadores retomaram seu domínio sobre a política externa de Washington. Este ato de agressão acaba com qualquer perspectiva de desanuviamento entre EUA e Rússia no futuro próximo. Ao contrário: aumenta consideravelmente as tensões entre os dois países, não apenas no Oriente Médio como também no Leste Europeu, onde há algum tempo tropas da OTAN vem realizando exercícios militares a uma distância de ataque do território russo.

Na esteira da divulgação das terríveis imagens de Idlib, após o suposto ataque de gás sarin, observou-se no mundo ocidental um crescente clamor por mudança de regime em Damasco, com declarações de políticos e da mídia que apressam o julgamento e responsabilizam o governo sírio pelos ataques. Ninguém sabe com certeza o que aconteceu em Idlib, razão pela qual o que se deveria buscar é um acordo para realizar uma investigação independente em busca da verdade e, com ela, da justiça.

Em todo caso, apenas os mais ingênuos acreditariam que esse ataque dos Estados Unidos contra a Síria tenha sido cometido visando à justiça. Por que seria assim, quando sabemos que recentemente bombas estadunidenses mataram civis, inclusive crianças, em Mosul? E por que seria assim, se considerarmos o indizível sofrimento das crianças do Iêmen em consequência da brutal campanha militar da Arábia Saudita?

Não, este ataque dos Estados Unidos – que segundo relatos oficiais envolveu 59 mísseis Tomahawk, lançados de navios posicionados no leste do Mediterrâneo – foi perpetrado com vistas a uma mudança de regime, e estabelece um precedente que pode ter graves desdobramentos para toda a região.

Sobre o ataque em Idlib, o que pode ser dito com certeza é que, num momento em que as forças pró-governo na Síria estavam em ascensão e em que o governo obtinha progressos significativos na frente diplomática, seria um ato de sabotagem brutal realizar qualquer tipo ataque de armas químicas, ainda mais dessa magnitude.

Isso correponderia a um governo empenhado em provocar seu próprio desmantelo. Deve-se levar em consideração o fato de que a Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ), uma organização apoiada pelos Estados Unidos, confirmou em junho de 2014 que o processo de destruição completa do arsenal de armas químicas da Síria tinha sido concluído. Além disso, as terríveis imagens e testemunhos oculares de Idlib que apareceram logo após o ataque são todos provenientes de fontes oposicionistas. Nenhum jornalista ou equipe de reportagem ocidental ousaria pôr os pés em Idlib, ou mesmo em qualquer outra parte do território sírio tomado pelas forças de oposição, pois sabem que, se assim procedessem, poderiam ser capturados e trucidados.

Com esta intervenção militar unilateral, Trump provou que pode facilmente ser tragado para dentro do conflito. Poucos dias após seu governo confirmar que uma mudança de regime na Síria estava fora de questão e que o seu foco era derrotar o terrorismo, Trump deflagra um ataque aéreo que apenas incitará as mesmas forças terroristas cuja derrota ele havia enfatizado ser o centro de sua política externa.

E agora? Claramente, essa ação militar coloca a Rússia em posição muito difícil. Desde que se envolveu no conflito na Síria, no final de setembro de 2015, por determinação de seu governo, Moscou trabalhou incansavelmente para construir uma saída negociada, uma saída que envolvesse as forças de oposição e as partes consideradas moderadas se comparadas aos fanáticos jihadistas salafistas do ISIS e Al Nusra, entre outros. Trata-se de um processo diplomático que acaba de sofrer um golpe devastador, pois a oposição agora está indubitavelmente convencida de que a mudança de regime virá via Washington e, portanto, se vê estimulada a trabalhar por este fim.

Enquanto isso, os aliados regionais de Washington – Israel, Arábia Saudita, Catar e Turquia (com Erdogan garantindo que se ligará a quem for mais forte…) – provavelmente agora começarão a pedir mais ações militares contra Damasco, vendo o ataque dos EUA como o catalisador de uma temporada de vale-tudo em relação à soberania do país.

Para Trump — que está sob intensa pressão do establishment mediático, político e das agências de espionagem de Washington desde que assumiu o governo –, esta ação garantirá um pouco da tão necessária aprovação e, com isso, uma trégua. Seu governo emitiu sinais ameaçadores durante algum tempo, a começar pela renúncia forçada de Mike Flynn como Conselheiro de Segurança Nacional em fevereiro, seguida pela recente saída de Steve Bannon do Conselho de Segurança Nacional da Presidência. Foi mais uma evidência de que os neoconservadores haviam reassegurado sua dominação sobre a Casa Branca, depois de um curto período de intensa luta pelo poder.

Numa visão mais ampla, a falta de memória de curto prazo em Washington é impressionante. Quatorze anos depois da desastrosa invasão do Iraque, que abriu os portões do inferno para deixar emergir o ISIS e outros grupos jihadistas, e seis anos depois de fazer da Líbia um Estado falido, disparando no processo uma crise de refugiados de proporções bíblicas, temos aqui novamente um ato de agressão contra um Estado soberano no Oriente Médio pelos EUA.

Destruir países para “salvá-los” é, desde sempre, a história de todos os impérios. Mas, como a história revela, todo império carrega dentro de si as sementes de sua própria destruição. Donald Trump caminha agora para ficar na história como um governante que, ao invés de salvar os EUA de si mesmos, pode ter ajudado apenas a acelerar sua queda até a morte final.

Tito Lívio, o grande historiador romano, escreveu certa vez: “Roma cresceu tanto desde seu humilde início que agora está devastada por sua própria grandeza.”

* Tradução de Maurício Ayer e Inês Castilho.
Posted: 08 Apr 2017 11:47 AM PDT
Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:

Espectador interessado no sucesso do Partido dos Trabalhadores para superar a mais grave crise de sua existência, confesso minha decepção diante da pesquisa "Percepções e valores políticos nas periferias de São Paulo", publicada pela Fundação Perseu Abramo. Com todo respeito que o trabalho da Fundação merece, sem a menor intenção de diminuir o esforço dos responsáveis pela pesquisa, minha opinião é que o documento não ajuda a compreender as derrotas recentes sofridas pelo partido nem abre caminho a uma reorientação segura para o futuro.

Fazendo uma rápida síntese. Com base numa pesquisa de caráter qualitativo realizada no final de 2016, a partir de 63 entrevistas com eleitores da periferia de São Paulo, a pesquisa aponta para a existência de um pensamento político conservador junto aos trabalhadores mais pobres do país, que teriam se convertido a um exótico "liberalismo das classes populares." Nesse caminho, a pesquisa sustenta que a "cisão entre classe trabalhadora e burguesia não perpassa pelo imaginário dos entrevistados." Também mostra que "independente da renda e da ocupação, as pessoas tendem a classificar-se como pertencentes à classe média." Diz ainda o levantamento em suas conclusões "para os entrevistados, o principal confronto existente na sociedade não é entre ricos e pobres, entre capital e trabalho, entre corporações e trabalhadores. O grande confronto se dá entre Estado e cidadãos, entre a sociedade e seus governantes".

Nesse contexto, a pesquisa aponta, entre os entrevistados, "um forte desejo por visibilidade e valorização pessoal, querem um 'lugar no mundo.'" Não querem "ser tratados como 'massa amorfa', como 'os pobres." Também demonstram uma noção distorcida sobre o que é "público", numa visão "associada àquilo que pertence a todos, que é gratuito e de má qualidade." Como se pode imaginar, o estudo diz que são pessoas que "supervalorizam o mérito", estão convencidas de que escolas particulares sempre são mais eficientes do que estabelecimentos públicos, "demonstrando, mais uma vez, uma descrença na 'coisa pública.'" Também têm um desprezo aberto pela política, vista como "suja", "cheia de gente mau caráter." Mesmo sublinhando que não encontrou um "neoliberalismo enraizado ou um conservadorismo no sentido estrito," em suas conclusões a pesquisa aponta para a existência de um "liberalismo particular das classes populares." Assim, "trata o mercado como instituição mais crível que o Estado, a esfera privada mais relevante do que a pública e cultiva mais individualismo do que a solidariedade. Tem como valores prioritários o sucesso, a concorrência, o utilitarismo e a mercantilização da vida."

E por aí vai a coisa. Tão longe e tão mal endereçada que, fingindo acreditar no que lia, o Estado de S. Paulo publicou editorial onde festejava a pesquisa como a demonstração do "colapso do discurso petista." O velho matutino, um dos cérebros mais atentos a cada movimento que possa gerar benefícios a preservação de uma ordem social em vigor, aliado irredutível do governo Temer e tudo o que ele representa, celebrou: " O estudo é obrigado a reconhecer que o principal confronto existente na sociedade não é entre ricos e pobres, entre capital' e trabalho, entre corporações e trabalhadores', e sim 'entre Estado e cidadãos, entre a sociedade e seus governantes”. Celebrando uma identidade política entre seus pontos de vista históricos, e aquilo que se pode ler no documento, o jornal sublinha que, para os entrevistados, "todos são vítimas do Estado que cobra impostos excessivos, impõe entraves burocráticos, gerencia mal o crescimento econômico e acaba por limitar ou sufocar a atividade das empresas”.

Sem querer ser pedante, nem buscar refúgio seguro no pensamento de autores consagrados, recurso que no passado foi empregado para sufocar tantos debates importantes, creio que é preciso fazer alguns observações. Estamos falando de uma época na qual o PT e outras forças que compreendem o atual momento histórico serão chamadas a preparar uma saída para o retorno à democracia em nosso país. Trata-se de uma luta palmo a palmo, sem campos neutros -- cada centímetro cedido será imediatamente reutilizado pelo adversário.

Nesta situação, cabe lembrar que a discussão sobre consciência, ideologia e luta social é pelo menos tão antiga quanto a história do capitalismo. Já no século XIX, o pensamento voltado para a transformação social intrigava-se com uma questão difícil: como entender que aqueles operários, explorados num padrão muito próximo ao do cativeiro escravo, não se rebelavam contra seus senhores? Como eram capazes de suportar tanto sofrimento, tanta humilhação? Seriam, no fundo, favoráveis a ordem que os oprimia, a economia que os explorava, à cultura que a todos iludia?

Na Ideologia Alemã, o primeiro trabalho que produziram a quatro mãos, Karl Marx e Friedrich Engels deixaram -- em 1846 -- claro que:

“As ideias da classe dominante são, em cada época, as ideias dominantes, isto é, a classe que é a força material dominante da sociedade é, ao mesmo tempo, sua força espiritual. A classe que tem à sua disposição os meios de produção material dispõe, ao mesmo tempo, dos meios de produção espiritual, o que faz com que a ela sejam submetidas, ao mesmo tempo e em média, as ideias daqueles aos quais faltam os meios de produção espiritual."

A questão, 170 anos depois, permanece atual, em minha visão. Os valores, convicções e opiniões não nascem num mundo à parte. São produto da prática social, daquilo que homens e mulheres experimentam, testam, conhecem, discutem em casa, ouvem do vizinho, assistem na TV. As ideias dominantes se alimentam, crescem, se reproduzem e se atualizam através na vida cotidiana, papel em que os meios de comunicação cumprem uma função cada vez mais essencial. Os donos dos "meios de produção espiritual" contam a história vivida a sua maneira, ao sabor de seus interesses e convicções. Batizam as ruas e estradas com o nome de seus heróis, patrocinam filmes, estão nos jornais e são glorificados nos livros de história, com base nas prerrogativas "da classe que tem à disposição meios de produção material e ao mesmo tempo, dos meios de produção espiritual." Neste contexto, a questão não é perguntar por que os trabalhadores não pensam diferente daqueles que são considerados inimigos de classe, mas entender que essa é uma realidade cotidiana da vida sob o capitalismo, que só conhece intervalos importantes em momentos de ruptura política.

Dois anos depois da Ideologia Alemã, que uma leitura apressada poderia produzir uma impressão conformista da luta política, Marx e Engels saudavam a Europa das revoluções de 1848 com o Manifesto Comunista. Diziam que os proletários do mundo "tinham um mundo a conquistar" e "nada tinham a perder além de seus grilhões."

No Brasil de 1973, no curso de Sociologia I da Faculdade de Ciências Sociais da USP, o professor José de Souza Martins enviava os estudantes para estudar a permanência de um dos primeiros mitos do capitalismo paulista -- o Conde Matarazzo -- em bairros operários de São Paulo. Divididos em grupos, os estudantes visitavam ruas que não conheciam, batiam em portas que jamais haviam visitado, para ouvir depoimentos de trabalhadores, especialmente aposentados -- sempre mais disponíveis para jogar conversa fora -- sobre aquele empresário que teria saído pobre da Itália mas construído a maior fortuna do país com "muito esforço e trabalho duro."

Seria fácil apontar, naquelas entrevistas, a presença de uma visão de mundo "individualista " e a "supervalorização do mérito", a "descrença na coisa pública." Com palavras mais claras e diretas, todos esses elementos estavam presentes, por exemplo, no depoimento que colhi na porta de casa de uma trabalhadora aposentada num ponto extremo da Zona Leste de São Paulo. Mãos calosas, pulmões cansados, ela reproduzia a lenda sobre Matarazzo mas não conseguia explicar por que, apesar de tantas marcas de esforço e trabalho pesado no próprio corpo, nem ela nem o marido nenhum pessoa de próxima fora capaz vizinho de estrelar uma ascensão social nem de longe comparável ao conde mitológico. Essas entrevistas -- feitas por calouros de Ciências Sociais -- permitiam captar a visão de algumas pessoas mas não contavam a história inteira.

No mesmo período, em outros lugares da cidade de São Paulo, assim como em outras cidades do país, lideranças de trabalhadores montavam oposições para disputar a liderança de grandes sindicatos. Também davam início a movimentos de resistência nas fábricas, empregando os motivos mais variados -- inclusive chefes autoritários -- na luta por seus direitos.

Antes do final daquela década, os operários-Matarazzo haviam assumido a liderança da luta contra a ditadura, denunciavam o arrocho salarial e encaminhavam a construção da primeira central sindical de verdade no país. Em pouco tempo, já traçavam o caminho para a fundação do PT. Também possuíam a principal liderança popular da história republicana, Luiz Inácio Lula Silva.

Só para voltar ao debate sobre valores e percepções. Talvez porque não quisesse ser "massa amorfa" -- quem quer? -- e seguramente não gostasse de ser confundido com "os pobres", num país onde essa expressão reflete imensos preconceitos, Lula chegou a ser duramente criticado por usar terno -- com colete! -- e ter aceito convite para passar uma noite numa boate da moda, Gallery, nos Jardins. Sabemos o fim dessa história. Com contradições, falhas e limites, sob a liderança do operário que usava colete, o país teve um governo único no combate a desigualdade, na distribuição de renda, na ampliação de direitos sociais. Sem nunca contar com apoio dos "meios de produção espiritual", o PT conseguiu quatro vitórias consecutivas -- nas urnas, junto a um eleitorado que, em grande parte, se encaixa perfeitamente na amostra ouvida na pesquisa.

Creio que essa situação ajuda a demonstrar que, na vida política, as pesquisas eleitorais não podem ser vistas como recursos de marketing, serviço típico das agências de publicidade. Um cidadão que dá sua opinião sobre o país e o seu futuro não equivale a pessoa que escolhe uma marca de sabonete. Imagine se é possível imaginar o futuro de um partido de trabalhadores que, após 35 anos de uma história de luta, descobre que sua base agora é adepta de um "liberalismo popular". Qual seu destino?

Da mesma forma, um partido político não é uma empresa ocupava em "vender" seus "produtos", mas uma organização voltado para a transformação de uma sociedade.

Neste caminho, pode ser útil valer-se de todo instrumento disponível para conhecer o terreno onde se pisa. Não se pode esquecer, porém, que o apoio a todo projeto político é inseparável de sua própria intervenção na sociedade, sua capacidade de oferecer respostas adequadas às dificuldades enfrentadas pela maioria, de competência para explorar as contradições permanentes da vida cotidiana, que são a matéria-prima insubstituível das grandes mudanças da luta social. Fora deste universo, permanece a influencia da classe que tem dispõe "dos meios de produção espiritual," que sempre serão as "ideias da classe dominante. "

Iniciada uma semana depois da derrota eleitoral de 2016, a pesquisa foi terminada em janeiro. Nem é preciso lembrar que período foi aquele: o massacre nas urnas, a derrota no impeachment, o pensamento único em torno da Lava Jato, o cerco a Lula. O debate sobre o segundo mandato de Dilma, quando a luta social da campanha de 2014 foi revertida aos trancos e barrancos depois da posse, mal havia começado.

É possível que os historiadores do futuro constatem que nem nos meses posteriores ao golpe de 1964 se assistiu a uma derrota tão ampla e profunda.

Mesmo assim, é possível ter uma certeza. Outra pesquisa, em 15 de março de 2017, quando lideranças revigoradas foram às ruas para denunciar a reforma da Previdência e defender a democracia com um vigor nunca visto, traria outros resultados. Alguém duvida?
Posted: 08 Apr 2017 11:42 AM PDT
Por Pedro Rafael Vilela, no jornal Brasil de Fato:

Fundada em 1663, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), uma das mais antigas do país, vive no governo do presidente golpista, Michel Temer, a pior fase de sua história. A direção da estatal alega um déficit acumulado de mais R$ 4 bilhões nos últimos dois anos para impor uma agenda de reestruturação, que passa pela demissão de milhares de funcionários e o fechamento de mais de mais de 250 unidades próprias em todo o país.

O Plano de Demissão Voluntária (PDV) da estatal, lançado no começo deste ano, obteve a adesão de 5,5 mil empregados; a meta inicial era atingir oito mil. Por causa disso, a direção dos Correios estuda adotar um plano de demissão motivada, que poderia atingir funcionários concursados, mesmo que eles não queiram pedir desligamento da empresa. A medida é polêmica e, se for levada adiante, abrirá precedente para demissão unilateral de funcionários concursados em diversas empresas públicas federais. Os Correios possuem 117 mil empregados e mais de 6.400 agências próprias, além de outras mil conveniadas. A estatal entrega por dia, em média, mais de 30 milhões de correspondências e encomendas em todo o país.

Déficit?

A principal justificativa para o resultado negativo nas contas dos Correios é o aporte para financiar o plano de saúde dos funcionários. Do total de R$ 2,1 bilhões em prejuízos apurados em 2016, cerca de R$ 1,6 bilhão seria apenas referente à alocação de gastos para o plano de saúde. Ocorre que a maior parte desse gasto, na verdade, é uma projeção contábil da empresa para manter o benefício do pós-emprego, ou seja, o plano de saúde dos aposentados.

“A empresa, há cerca de três anos, mudou seu balanço contábil para incluir uma dívida futura com o plano de saúde, com base em estimativas da expectativa de vida dos aposentados. Os Correios não têm que desembolsar esse recurso agora, mas estão usando esse argumento para pedir um sacrifício aos seus trabalhadores, prejudicando o atendimento ao público”, aponta José Rivaldo da Silva, secretário-geral da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect).

O ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, afirmou na semana passada que os Correios terão que fazer “cortes radicais” de gastos para evitar a privatização e que o governo federal não vai aportar nenhum recurso na empresa. Segundo sindicatos e a federação dos trabalhadores dos Correios, no entanto, o governo deve pelo menos R$ 6 bilhões aos Correios por conta de repasses indevidos da estatal ao Tesouro Nacional ao longo dos últimos anos.

A “ameaça” de privatização vem sendo repetida pelo presidente da companhia, Guilherme Campos, que trava uma batalha sem precedentes com os empregados da empresa para cortar gastos e benefícios. Além da mudança no plano de saúde, com elevação da cota paga por cada empregado, o presidente dos Correios suspendeu as férias dos funcionários até abril de 2018.

Poderosos interesses

Apesar de insistir na tese de privatização caso a estatal não equilibre as contas, o próprio presidente dos Correios admite que esse seria o pior momento para a uma operação dessa natureza. “O ativo está muito depreciado e sua avaliação atual está bem abaixo de seu valor real”, declarou Guilherme Campos em recente entrevista.

Investidores estimam que os Correios poderiam valer de R$ 3 a R$ 5 bilhões, apesar de sua receita anual ultrapassar os R$ 18 bilhões. Dessa receita total, mais de 54% provêm de serviços exclusivos que só a empresa opera por deter o monopólio do setor no país. A quebra desse monopólio por meio da privatização poderia atrair gigantes de outros países, como as norte-americanas Fedex e DHL.

Além da entrega de cartas, correspondências e encomendas, os Correios conduzem grandes operações logísticas, como a distribuição de livros didáticos e das provas do Enem. Presente em todos os municípios do país, a empresa ainda é responsável pela inclusão bancária de milhões de brasileiros, por meio do Banco Postal, única instituição financeira presente em mais de 1.600 municípios do país. “Nós sabemos que o capital privado não tem interesse nos pequenos municípios, onde o volume de negócios é pequeno. Ficariam com o chamado filé e abandonariam o atendimento nas regiões periféricas”, afirma a deputada Maria do Rosário (PT-RS), em artigo recente. Ela ressalta que a privatização dos serviços de correios não é uma tendência mundial e poucos países permitem isso. “Dos 192 correios do mundo, só oito estão 100% privatizados e outros 11 contam com participação acionária da iniciativa privada”.
Posted: 08 Apr 2017 11:38 AM PDT
Posted: 08 Apr 2017 11:26 AM PDT
Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

O Poder360 noticia que Michel Temer chamou para ser consultor do governo o ex-global José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni.

Sem trocadilho, o repórter Marcelo Barbiéri diz que Boni trabalhará “pró-bono”, sem salário, “movido pelo espírito do ‘bom brasileiro’, interessado em ajudar o Planalto e a imagem do presidente”.

Esqueça-se o fato, constrangedor, de Boni ser agora um concessionário do Governo, desde que ganhou uma emissora do Governo Fernando Henrique, em 2001, na região do Vale do Paraíba.

Aos 81 anos, Boni não é o todo-poderoso homem de comunicação que era há duas décadas, como o manda-chuva da Globo.

Talvez apenas um “recuerdo de Ypacaray”.

O negócio agora não é com o chefe do Boni, mas com o chefe do Bonner, João Roberto Marinho.

Que não está muito interessado num paciente que dá sinais de estar em estado terminal.
Posted: 08 Apr 2017 11:18 AM PDT
Por Bepe Damasco, em seu blog:                                                                                              

Buenos Aires, Córdoba, Rosário e todas as grandes cidades argentinas vivem nesta quinta-feira, 6 de abril, um clima de feriado. A greve geral no país platino é um sucesso. O "paro general", em língua espanhola, se alastrou até mesmo por municípios remotos de todas as províncias.

Não funcionam trens, metrôs, ônibus, escolas e universidades, bancos e os voos comerciais. É grande também a adesão entre servidores públicos de todas as esferas de poder. Acuado, o presidente Maurício Macri apelou para a repressão.

Com gás de pimenta, gás lacrimogênio, jatos d'água e porrada a granel as forças de segurança tentam dissolver os piquetes de trabalhadores que interditam a Rodovia Pan-Americana, uma das principais da capital.

Escrevo ainda na manhã do dia da greve, sem tempo ainda para um balanço mais detalhado do movimento. Contudo, já dá para adiantar que seu êxito é inegável. Os principais dirigentes da CGT e demais centrais sindicais que organizaram o movimento, em entrevista, comemoram a paralisação e já falam dos próximos passos da luta.

Ressalvada a diferença de que Macri chegou à presidência pelo voto direito dos argentinos, vencendo a eleição por estreitíssima margem contra o candidato kirchnerista Daniel Scioli, enquanto Temer se beneficiou de um golpe de estado para roubar a cadeira presidencial, os dois parecem irmãos siameses no que se refere à implantação de um ultraliberalismo tardio, regressivo socialmente ao extremo, entreguista e submisso aos interesses dos EUA.

Lá como cá a pobreza aumenta de forma vertiginosa. Na Argentina já atinge 32% da população. 6,3% dos argentinos são considerados indigentes.

Lá como cá o poder de compra dos salários não para de cair. No Brasil, nos últimos 12 meses, a média salarial sofreu queda de 10%.

Lá como cá a recessão paralisa a economista e fecha postos de trabalho. O PIB brasileiro recuou 3,5% em 2016, e o argentino 2,5%.

Lá como cá o desemprego castiga a classe trabalhadora. Segundo o IBGE, 13 milhões e 500 mil trabalhadores estão desempregados no Brasil. No pais vizinho, o índice atinge 9,3% da população economicamente ativa. O último levantamento feito no governo de Cristina Kirchner situava a taxa de desocupação em 5,9%.

Lá como cá está em curso um processo lesa-pátria de desnacionalização da economia. O presidente da Petrobras, Pedro Parente, promove um feirão de ativos e viola a soberania entregando as riquezas do pré-sal aos estrangeiros. Já o ministro da Fazenda de Macri, Alfonso Prat-Gay, pede desculpas aos capitalistas pelos "últimos anos" e ajoelha no milho para se penitenciar pela estatização da petroleira YFP, em 2012, antes controlada pela espanhola Repsol.

Lá como cá o sistema de justiça persegue ex-presidentes pelo mesmo motivo. A caçada que Lula enfrenta no Brasil está diretamente relacionada à certeza da Casa Grande de que no voto o ex-presidente é imbatível, como demonstram as pesquisas. E bastou saírem as primeiras sondagens sobre a sucessão de Macri apontando o favoritismo de Cristina, para providenciarem um processo por corrupção contra ela.

Que a greve geral argentina sirva de inspiração para os brasileiros. Greve geral nos golpistas! Fora Temer!

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