domingo, 9 de abril de 2017

9/4 - As linhas vermelhas russas foram cruzadas


FONTE:Castor Filho <castorphoto@gmail.com>


As linhas vermelhas russas foram cruzadas na Síria pelos EUA. Como responderá Putin?

Putin tem a cabeça fria e podemos dizer desde agora que a resposta dos russos virá na hora, lugar e forma que eles mesmos escolherem e na intensidade apropriada à gravidade do ataque dos Estados Unidos.

Texto de Gilbert Doctorow, tradução por btpsilveira

Meus dias como apologista de Trump terminaram com reviravolta nas suas promessas de campanha de uma nova direção para a política externa dos Estados Unidos.
Tendo prometido ser uma solução, ele se tornou parte integral do problema. E com o seu ego maior que a própria vida, petulância e teimosia, o Comandante-em-chefe Trump atualmente representa uma ameaça à paz mundial ainda maior que o “fracote” Barak Obama, ao qual substituiu.
Trump ignorou os pedidos russos por uma investigação do alegado ataque com armas químicas na província de Idlib, antes de emitir conclusões de culpabilidade, como aconteceu algumas horas depois do evento.
Ele preferiu aceitar uma narrativa que muito provavelmente é uma falsa bandeira produzida por rebeldes antigovernamentais na Síria e disseminada por ONGs mercenárias pagas pelo Reino Unido e por Washington, como os “Capacetes Brancos”. Ordenou o disparo de 50 ou mais mísseis Tomahawk contra uma base aérea do governo sírio na província de Homs, cruzando dessa maneira todas as “linhas vermelhas” da Rússia na Síria.
Até este momento, o Kremlin havia escolhido não reagir aos sinais provenientes de Washington da determinação de Trump de mudar o curso em relação à Rússia e à falência progressiva da hegemonia mundial dos EUA. A postura de esperar-para-ver é anterior à posse de Trump, tendo acontecido quando Putin resolveu ignorar o protocolo e não responder à provocação final de Obama, que atacou propriedades diplomáticas russas e expulsou diplomatas russos dos EUA.

Os russos também preferiram olhar para o lado quando a nova administração continuou com a retórica neocon na tribuna do Conselho de Segurança das Nações Unidas, durante a visita do vice presidente Pence, do chefão do Pentágono Mattis e do Secretário de Estado Tillerson à Europa.
Acontece que o ataque de mísseis é uma mudança do jogo. A pressão para que Vladimir Vladimirovich Putin responda adequadamente agora é imensa.
Putin tem a cabeça fria e podemos dizer desde agora que a resposta dos russos virá na hora, lugar e forma que eles mesmos escolherem e na intensidade apropriada à gravidade do ataque dos Estados Unidos. Espere alguma coisa lá pelo final deste mês.
Enquanto isso, nós que esperávamos uma mudança de curso, o afastamento do governo dos Neocons e falcões liberais que dirigem o estado profundo deveríamos deixar de lado tudo o que estivermos fazendo, e ajudar a formar uma declaração política das bases que Donald Trump e o establishment político não poderiam ignorar e teriam que ouvir alto e claro. Uma campanha massiva de cartas endereçadas ao Congresso e à Casa Branca? Uma marcha sobre Washington?
De uma maneira ou de outra, a Casa Branca tem que ser informada de que manejar a política externa tendo por base cálculos que levam em conta apenas questões domésticas, como parece ter acontecido ontem, coloca a nação inteira sob risco existencial.

Agir duramente contra a Rússia e seus aliados nada pode ter a ver com a formação de uma coalizão para aprovar uma reforma tributária.
A mesma coisa pode ser dita em relação a uma leitura alternativa para o ataque de mísseis de ontem: que seria uma mensagem endereçada ao presidente Chinês Xi Jinping em visita aos EUA, de que se não houver ação conjunta para restringir as ações da Coreia do Norte, os Estados Unidos podem agir sozinhos e com total desprezo à Lei Internacional.
No final, tudo isso é uma fórmula lógica para o suicídio.

Gilbert Doctorow é um analista politico estabelecido em Bruxelas. Seu último livro, A Rússia tem um futuro? Foi publicado em 2015. Pode ser encontrado em seu blog, aqui.


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