quinta-feira, 11 de maio de 2017

11/5 - ALTAMIRO BORGES de HOJE

Altamiro Borges


Posted: 11 May 2017 11:45 AM PDT
Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:



O Paulo Henrique Amorim, no Conversa Afiada, transcreve um trecho do depoimento de Lula e uma “gracinha” de Sérgio Moro:

Lula – Eu queria lhe avisar uma coisa, esses mesmos que me atacam hoje, se tiverem sinais de que eu serei absolvido, prepare-se, porque os ataques ao senhor vão ser muito mais fortes.

Moro – Infelizmente, eu já sou atacado bastante, inclusive por blogs que supostamente (sic) patrocinam o senhor.


Estou pensando em fazer uma notificação extrajudicial ao magistrado, para que esclareça em que sentido e a quais blogs ele se refere, para uma eventual interpelação na Justiça.

Porque patrocinar, no vulgo, em “cognição sumária”, é “bancar”, prover, financiar. No popular, “dar um dinheiro”.

Mas se o Doutor Moro quiser sair pela tangente e disser que “patrocinar” é simplesmente defender, tomar a si a causa alheia, muito bem.

Passaremos a ter, com seus próprios conceitos, o direito de dizer que Sérgio Moro é patrocinado pela Globo – que até lhe dá troféus -, pelo mercado financeiro e seus escroques, que não cansam de elogiar a Lava Jato, pelos neonazistas que o endeusam e por aí vai.

Não sei se o senhor sabe, Doutor, mas aqui não ganhamos nada, senão o que o Google paga para colocar automaticamente anúncios e algumas contribuição espontânea de leitores. Que, felizmente, nos permitem sobreviver e desmontam aquela imundície que foi a acusação de que os blogs viviam da publicidade estatal, feita por jornais que, estes sim, enchem as burras com a propaganda do governo Temer.

Nós não ganhamos auxílio-moradia, auxílio-paletó, algum para pagar a escola dos filhos, plano de saúde e não temos um mês, que dirá dois meses, de férias.

Não temos, portanto, com o que, “patrocinar” Lula.

Nada, a não ser ideias, dignidade, amor ao Brasil e ao povo brasileiro.

Patrocina-se aqui, sim, algo que parece lhe faltar: não acusar sem ter como provar.
Posted: 11 May 2017 09:56 AM PDT
Por Renata Mielli, no site Mídia Ninja:

Durante toda esta quarta-feira, acompanhei a cobertura que a Rede Globo (e seu braço pago, a GloboNews) fez sobre o depoimento do ex-presidente Lula ao juiz Sérgio Moro. Jornalistas e comentaristas animados, esfuziantes até, gargalhavam muitas vezes, fazendo os prognósticos sobre o depoimento. Mas toda essa euforia deu lugar à depressão. Sem tempo de editar os primeiros vídeos disponibilizados pela Justiça Federal – o que ocorreu por volta das 20 horas – e certa de que eles iriam terminar por afundar Lula e consagrar a Lava Jato e Sérgio Moro, a Globo arriscou e levou as imagens ao ar sem edição. Cometeu um grande erro. Lula nocauteou a Globo no 1º round.

No Bom dia Brasil, a emissora se concentrou nos preparativos e acompanhou o “Dia de Lula”. Flashs mostravam Lula e Dilma se deslocando para Curitiba e o esquema de segurança armado ao redor da sede do Tribunal de Justiça.

A GloboNews continuou a cobertura matinal no mesmo rumo, mas com foco maior nos comentários e análises. Nessa primeira etapa do dia, os comentaristas e âncoras especulavam sobre como seria o depoimento. O jornalista Valdo Cruz, mais torcendo do que analisando, chegou a dizer que era importante “prestar atenção no ambiente da sala de interrogação” porque poderia “sair até uma prisão por desacato”.

Outra preocupação da emissora dos Marinho era com os prazos processuais. Cristiana Lobo disse que Moro costuma demorar de 20 a 30 dias para tomar as decisões após os interrogatórios – palavra que a Globo utilizou durante todo dia para salientar que Lula estava em Curitiba como réu, acusado de crimes. Condenado em primeira instância por Moro – já que em nenhum momento se aventou a hipótese de absolvição, aliás Lula está condenado por Moro e pela Globo desde o início da operação – o processo vai para julgamento em segunda instância, o que costuma demorar um ano, de acordo com as previsões de Cristiana Lobo e Valdo Cruz. Ou seja, Lula seria condenado – nunca julgado – entre maio e junho de 2018, o que o tornaria inelegível no período das convenções partidárias para as definições das candidaturas presidenciais.

O discurso martelado ao longo do dia – de que Lula e o PT estão politizando o processo – soou pura demagogia, uma vez que a cobertura fez isso desavergonhadamente, e não só hoje. Aliás, isso foi mais ou menos dito por Anselmo Góis, que assumiu os comentários no período da tarde, sob o comando da sorridente Maria Beltrão, que não conseguiu esconder a empolgação. Qualquer um que ligou a TV na GloboNews nesta quarta-feira, 10, viu um clima no estúdio completamente estranho ao necessário distanciamento de uma cobertura jornalística.

A todo momento, Maria Beltrão lembrava que a defesa de Lula teve negado o pedido para gravar o depoimento e que este pedido não fazia mesmo sentido, porque os trechos do interrogatório seriam enviados para a imprensa divulgar como tem sido feito até agora. A expectativa de todos no período da tarde se concentrou no acesso aos vídeos, como se eles fossem o grande ápice de todo o processo de condenação pública de Lula.

Aos poucos, a GloboNews começou a mostrar imagens das manifestações “pró-Lula” e “pró-Lava Jato”. A diferença numérica era impossível de disfarçar. “Apesar de poucos estão bem animados”, repetiam os jornalistas, se referindo às poucas mais de 20 pessoas que estavam no Centro Cívico de Curitiba. Sobre as milhares de pessoas reunidas em frente à Universidade Federal do Paraná em apoio ao Lula, os comentários maldosos eram “quem será que está pagando”, “de onde saiu o dinheiro para aquela mobilização”.

No final da tarde, ficou nítida a preocupação da equipe de jornalistas da GloboNews com a demora para o encerramento do depoimento. Para a emissora, que transmite conteúdo noticioso em toda a sua programação, isso não é necessariamente um problema. Então, porque a apreensão? Estavam preocupados na verdade com o carro chefe da empresa, o Jornal Nacional. Se o depoimento se alongasse o JN não teria conteúdo para noticiar.

Mas eis que as 19:54 minutos a GloboNews veicula o primeiro vídeo disponibilizado pela equipe de Moro, com trechos do depoimento onde o juiz faz perguntas a Lula sobre o triplex. E para a decepção de todos o que se viu não foi um Lula agressivo – como eles alardearam durante todo o dia – ou um Lula fazendo discurso político, ou um tom beligerante. O primeiro trecho de cerca de 8 minutos do depoimento mostrou o inverso disso. Lula respondendo perguntas pontual e calmamente diante de um Juiz que não apresentou nenhuma prova contra ele. Após a exibição deste primeiro trecho era visível a consternação dos 6 jornalistas que estavam ao vivo, e que tentaram driblar as imagens, dizendo que Lula estava objetivo graças ao preparo de Sérgio Moro.

Imediatamente voltei para o Jornal Nacional que acabara de começar. Bonner e Renata Vasconcelos estavam atônitos. Mas seguiram na linha de levar ao ar os vídeos sem edição. Os pouco mais de 15 minutos de trechos do depoimento que foram exibidos durante o JN já foram suficientes para mostrar que “o ambiente na sala de interrogação” foi totalmente inverso do que a Globo esperava: de um lado do ringue um Lula seguro, calmo e objetivo, respondendo a todas as perguntas. Do outro lado um juiz sem provas, com documentos sem assinaturas e de origem desconhecida.

Pior ainda, nas considerações finais de Lula – momento em que o ex-presidente fez sua defesa e que não foi exibida pelo JN – ele denuncia todo o julgamento midiático do qual tem sido vítima e coloca a mídia e a Globo para dentro da sala do interrogatório. “A imprensa é o principal julgador desse processo”.

Ele citou dados que demonstram como a cobertura da mídia foi seletiva. Desde março de 2014, segundo levantamento apresentado pelo ex-presidente, foram 25 capas da Isto É, 19 da Veja e 11 da revista Época todas contra Lula. Nos jornais impressos, foram veiculadas na Folha de São Paulo 298 matérias contra Lula e apenas 40 favoráveis, “tudo com informações vazadas da Polícia Federal e Ministério Público”, disse Lula; no jornal O Globo foram 530 contra Lula e e 8 favoráveis, e no Estadão foram 318 contrárias e 2 favoráveis. Já o Jornal Nacional veiculou 18 horas e quinze minutos contra Lula nos últimos 12 meses. Ele também denuncia os vazamentos privilegiados à Rede Globo e ao Jornal Nacional.

A Globo e o oligopólio midiático perderam feio a aposta de que Moro seria o grande vencedor da luta anunciada para o dia dez de maio. No ringue armado pela mídia semana passada, quem ganhou de nocaute no primeiro assalto foi Lula. Claro que eles vão tentar melar o resultado e terão tempo de assistir as 5 horas de depoimentos para escolher os melhores momentos para veicular sistematicamente e tentar mudar o placar. Mas a luta em do Estado Democrático de Direito e do devido processo legal saiu na frente. Vamos aguardar as próximas rodadas.
Posted: 11 May 2017 09:44 AM PDT
Por João Sicsú, na revista CartaCapital:

Está em curso uma crise econômica mundial que teve início em 2007-8 nos Estados Unidos. Ficou mais nítida quando chegou de forma intensa à Europa em 2011-2012. Hoje, vivemos o seu prolongamento. Ainda estamos dentro da crise iniciada com a quebra do Lheman Brothers (e dos títulos americanos subprime) que se espalhou para a vida real, social e política mundial e que ainda não foi superada.

Desde o fundo do poço da crise, houve uma mudança no padrão mundial de taxas de crescimento. Segundo dados do Banco Mundial, o mundo crescia em média entre 4 e 5% ao ano no período entre 2004 e 2008. Em 2009, encolheu 2%. Hoje, cresce entre 2 e 3% ao ano.

A crise atual guarda fortes semelhanças com a crise de 1929. A crise dos dias de hoje também teve início na maior economia do mundo. Tem se estendido por muitos anos. Houve e há suspiros de aparente superação. Manteve as economias em estado de fragilidade. Transformou, para algumas economias, o desemprego em problema agudo e epidêmico. Tem gerado expectativas voláteis e extremadas. Tem provocado descrédito nas propostas políticas e econômicas de continuidade. Tem enfraquecido governos e estruturas de Estado.

No século passado, os Estados Unidos reagiram à crise de 1929, sob a liderança F.D. Roosevelt, lançando o conhecido New Deal, que era um ousado programa de gastos públicos. Foi relativamente bem-sucedido – não houve uma recuperação linear, existiram ainda solavancos ao longo dos anos 1930. A mesmice do laissez-faire foi abandonada e Roosevelt tomou a iniciativa política com um programa que buscava reduzir o desemprego. A inovação americana foi o keynesianismo.

Durante os anos 1930, a Alemanha ficou paralisada porque estava contaminada pelas ideias do liberalismo econômico. Deixou o caminho aberto para A.Hitler ganhar hegemonia política e cultural, transformar o Estado, encontrar culpados internos e externos e fazer guerra. A Alemanha se tornou nacional-ariana, antiliberal econômica e defensora dos seus despossuídos e desempregados. Perseguiu democratas, comunistas, homossexuais, ciganos, negros e judeus. A inovação alemã foi o nazismo.

Da paralisia política alemã e do crescente desemprego surgiu o nazismo. Da iniciativa política americana e do aumento do desemprego surgiu o keynesianismo. Ambos os movimentos foram bem-sucedidos na busca da elevação do emprego, embora somente com a Segunda Grande Guerra que as principais economias se aqueceram e houve a superação definitiva da crise iniciada em 1929.

Ficaram as lições. O Brasil em 2009 tomou iniciativas para escapar da crise internacional. Foi bem-sucedido. Adotou políticas de gastos públicos e de ampliação da rede de proteção social - dentro do espírito keynesiano. Por exemplo, fez crescer de forma acelerada os investimentos públicos e das Estatais e lançou o programa Minha Casa Minha Vida.

A partir de 2011, o país decidiu voltar a navegar nas ondas da crise mundial. Por exemplo, reduziu drasticamente a taxa de crescimento dos investimentos públicos e das Estatais. E, além disso, deixou de ampliar a rede de proteção social abrindo mão de receitas orçamentárias através de desonerações aos empresários. O desemprego subiu drasticamente. A economia estagnou e depois entrou em recessão.

Diante dessa grave situação, banqueiros, rentistas e o capital internacional, associados a vários outros segmentos políticos e econômicos decidiram tomar a iniciativa política. Deram um golpe na democracia. Afastaram através de uma fraude a presidente eleita Dilma que obteve 54 milhões de votos nas urnas.

Agora, estão aplicando um programa para serem recompensados pelas perdas da crise mundial que está em curso: desnacionalização da economia, privatizações em setores estratégicos, comercialização internacional de recursos naturais e entrega do orçamento público aos interesses rentistas.

Tal programa deixa de fora a quase totalidade da população brasileira, cada vez mais despossuída e sem esperança. Não resolve o problema do desemprego e está desfazendo a precária rede de proteção social existente. Tanto o nazismo alemão quanto keynesianismo americano tiveram outros propósitos, tentavam envolver em suas propostas de solução a maioria da população. O carro-chefe foi o combate ao desemprego.

No Brasil, a mancha de desesperança social se espalha. O campo está aberto. O desemprego aumenta rapidamente pelo terceiro ano consecutivo. Grande parte da classe média e dos micros, pequenos e médios empreendedores já perceberam que estão fora do programa que está sendo aplicado pelo governo de Michel Temer. A degradação social e econômica provoca o descrédito no que existe: judiciário, mídia, polícias, partidos e políticos. Os escândalos midiáticos de corrupção funcionam como aceleradores do descrédito e do desânimo.

O campo está cada vez mais propício para alternativas que guardam semelhança com o nazismo. Já existem alternativas políticas, enraizadas na sociedade, que são racistas, homofóbicas, xenofóbicas, intolerantes, violentas e defensoras de costumes conservadores. E estão crescendo. Falta a elas um programa econômico que tenha uma narrativa de combate ao desemprego.

Mas se existe desemprego e degradação social, também existe espaço para alternativas relacionadas ao keynesianismo. E elas já existem dentro da sociedade. Defendem genericamente a justiça social e o emprego para todos. A essas faltam elaborar uma estratégia mais completa de país, conseguir superar o cerco midiático e aumentar a sua comunicação com os trabalhadores e despossuídos.

São essas duas as alternativas que mais podem crescer nas condições atuais da crise mundial e brasileira de recessão e desemprego. Do ponto de vista econômico estamos entre variantes do nazismo e o keynesianismo. Do ponto de vista político e ideológico, estamos entre projetos nítidos da ultradireita e da esquerda. A direita neoliberal não tem potencial porque reproduz a mesmice das reformas estruturais e das privatizações sem atacar o problema do desemprego.

Ambas, a esquerda de viés keynesiano e a ultradireita variante do nazismo, são mais do que projetos eleitorais, são alternativas que têm um vasto potencial organizador da sociedade.
Posted: 11 May 2017 09:16 AM PDT
Por João Filho, no site The Intercept-Brasil:

Opositores de Lula e FHC tentaram iniciar processos de impeachments durante seus governos. Apresentando motivos estúpidos, não obtiveram sucesso em suas empreitadas. A sensação que muitos tinham, eu incluso, era que a democracia brasileira havia alcançado um estágio considerável de maturidade. Era praticamente um senso comum. O processo que desembocou no impeachment de Dilma provou que estávamos redondamente enganados. Uma maioria oposicionista formada no Congresso conseguiu, com suporte da grande imprensa, implementar uma política de desestabilização e isolamento do governo, ajudando a criar as condições materiais necessárias para transformar manobras fiscais em motivo razoável para derrubar uma presidenta eleita. Depois de sacramentado o golpe parlamentar, o novo presidente vem a público e admite por duas vezes! – que os motivos que levaram ao impeachment foram outros, e não um crime de responsabilidade.

Enganou-se também quem achou que aquela ruptura institucional se encerraria ali. O que temos visto é uma sequência de graves violações das garantias do Estado democrático de direito que só faz aumentar.

O embate entre Lula e Sérgio Moro tem sido um caso emblemático. A coisa degringolou e atingiu um ponto em que a grande mídia brasileira trata com naturalidade o fato de este ser o duelo do século.


Perceba que nas duas capas Sérgio Moro veste as cores azul e amarelo. Não sei se são as cores do PSDB ou da seleção brasileira, mas o que interessa é a confirmação de que são dois oponentes brigando sendo que o juiz é um deles. Quem deveria estar no centro arbitrando a luta com isenção está defendendo um dos lados.

Há alguma coisa de muito errado em um país democrático que encara com naturalidade a existência de um confronto entre um juiz e um réu. Mas, sejamos realistas, as revistas relatam com fidelidade o que está acontecendo. Sérgio Moro subiu no ringue instalado pelos grandes grupos de mídia e se mostra bastante à vontade para atuar não como um julgador imparcial, mas como promotor do Ministério Público. Em suas atuações na Lava Jato, tanto dentro quanto fora dos tribunais, fica clara a necessidade do juiz em confirmar as hipóteses da acusação, e não em julgar com parcialidade os acontecimentos.

Chegou-se num ponto tão surreal, que o juiz-herói-celebridade não viu problema em gravar um vídeo pedindo para os fãs da Operação Lava Jato não comparecerem ao julgamento de Lula no próximo dia 10. Com o carisma de um lateral-direito reserva do Londrina Esporte Clube, Moro mandou este recado para os torcedores [aqui].

Parece que estamos na final de um campeonato e o ídolo do time está querendo acalmar sua torcida para não comprometer o bom andamento da partida. Quando até Reinaldo Azevedo – um crítico histórico de Lula – acusa Moro de orientar sua torcida, é melhor não duvidar:

“É evidente que não cabe a um juiz passar orientações a manifestantes, ainda que esteja falando aos seus. Se o faz, admite a existência de uma liderança que nada tem a ver com o poder que lhe confere a toga. (…) Juiz não orienta torcida. No máximo, a sua atuação pública, que tem de se pautar pela isenção e pela retidão, tem de inspirar a todos.”

Embriagado pela aura de herói, Moro tem se notabilizado por mandar às favas os ritos jurídicos na Lava Jato, chegando a cometer graves irregularidades em alguns casos. O de maior relevância foi o da autorização da divulgação de conversas telefônicas entre a ex-presidenta da República e Lula, além de outras conversas particulares que não eram de interesse público. Em meio ao processo de impeachment, um juiz de primeira instância cometeu uma ilegalidade e influiu decisivamente no jogo político-partidário. É grave, mas, com raríssimas exceções, a imprensa tratou o caso com a maior naturalidade do mundo. Mas, tudo bem, ele pediu “respeitosas escusas” para o STF e ficou por isso mesmo. Um herói é um herói, não é mesmo?

Recentemente, Moro determinou a condução coercitiva do blogueiro Eduardo Guimarães, que, ao chegar na delegacia, foi incitado pelos policiais a revelar a identidade de uma fonte sua – um claro constrangimento ilegal. Pior que isso: queriam apenas a confirmação, pois já haviam descoberto após quebrarem o seu sigilo telefônico, conforme revelou The Intercept Brasil. O motivo de tudo seria o fato de o blogueiro ter avisado a Lula, após receber um vazamento, sobre a condução coercitiva do ex-presidente. Tudo fica ainda mais ridículo quando lembramos da naturalidade com que representantes do Ministério Público convocaram uma coletiva de imprensa em off para vazar ilegalmente nomes de políticos delatados que seriam investigados pelo STF, mesmo havendo uma lei que determina o sigilo das delações enquanto não houver denúncia.

Advogados de Lula reinvidicaram junto ao STJ o afastamento de Moro do processo da Lava Jato por “total falta de imparcialidade”. É impossível discordar. Mas com o Estado de Direito sendo espancado em praça pública diariamente, quem ousará confrontar o grande herói criado pela imprensa e endeusado por boa parte da população? Para boa parte da opinião pública contaminada pelo ódio, toda e qualquer crítica a Sérgio Moro será sinônimo de defesa da corrupção. Qualquer defesa da democracia, do Estado de Direito, também será confundida com a defesa de Lula. É esse o clima instaurado no país. O juiz sabe disso e trabalha muito bem com esse dado.

Nesse ambiente de vale-tudo, outros juízes já também não fazem nenhuma questão de parecer imparcial. A juíza Diele Dernadin Zydek, da 5ª Vara da Fazenda Pública do Paraná, aceitou pedido do prefeito de Curitiba, Rafael Greca (PMN), e proibiu que caravanas de militantes acampem em qualquer lugar da cidade. Não vamos entrar no mérito da decisão, mas vamos ao Facebook da juíza:







Assim que os prints caíram nas redes, a juíza tirou seu Facebook do ar. Mas Diele não é uma caso isolado. Ela é apenas uma das camadas mais recentes da bola de neve. Lembremos de Catta Preta e diversos outros juízes que ignoraram um princípio sagrado da Justiça: o de não ser apenas imparcial, mas parecer imparcial.

Para a questão levantada nesta coluna, não interessa se Lula é culpado ou não. O que está em jogo é que tipo de democracia que estamos construindo. Desejamos que nossos adversários políticos sejam julgados com a mesma imparcialidade dos nossos aliados? Vamos aceitar que juízes travem confrontos com os réus mediados pela imprensa? Continuaremos andando para trás no processo civilizatório? Não são os direitos de um político que estão em risco, mas os de todos nós.
Posted: 11 May 2017 09:05 AM PDT
Por Paulo Kliass, no site Carta Maior:

A evolução da tramitação do Projeto da Reforma da Previdência (PEC 287/2016) no interior do Congresso Nacional tem apresentado momentos de avanços e de recuos desde que o Presidente Temer enviou a Mensagem 633 ao poder legislativo, em 5 de dezembro de 2016.

Há mais de cinco meses atrás, a avaliação política do governo era de que tudo seria um céu de brigadeiro para aprovar a medida. Afinal, a fina flor do financismo considerava a proposição como uma verdadeira “pièce de résistance” da equipe que se instalou no poder na sequência do golpeachment de Dilma. No entender dos formadores de opinião nos grandes meios de comunicação, não haveria obstáculo à vista.

Naquele momento, o Planalto vinha comemorando o êxito de uma importante aprovação no Congresso Nacional. Aquela que ficou conhecida como a “PEC do Fim do Mundo” havia sido aceita pela maioria dos integrantes da ampla base aliada. Com isso, a Emenda Constitucional 95, de dezembro de 2016, passou a determinar o congelamento das despesas orçamentárias de natureza primária por longos 20 anos. É importante lembrar que tal medida poderá significar um grave empecilho ao desenvolvimento e implementação das políticas públicas, tal como estabelecidas na própria Constituição Federal.

PEC do Fim do Mundo
Um aspecto significativo nessa mudança que estabeleceu o chamado “Novo Regime Fiscal” foi o tratamento diferenciado conferido às despesas de natureza financeira. Pela primeira vez incorporou-se o conceito de “superávit primário” para dentro do texto constitucional. Uma loucura que precisa urgentemente ser desfeita. Assim, os gastos com pagamento de juros e demais serviços financeiros da dívida pública poderão seguir sendo realizados com total liberdade de crescimento, ao passo que as despesas com saúde, educação, assistência social, saúde, previdência social, pessoal e outras ficarão congeladas pelas próximas duas décadas.

A novidade imposta pela emenda do congelamento encheu o núcleo duro de Temer de esperanças positivas quanto às perspectivas para 2017. De um lado, recheava de otimismo a possibilidade de aprovação de qualquer tipo de proposta no interior do legislativo com a margem obtida naquela votação no final do ano passado. Por outro lado, reforçava o argumento governista pela dose de certo “realismo” nas abordagens junto aos parlamentares ainda indecisos, uma vez que o engessamento provocado pela PEC do Fim do Mundo impunha alguma medida draconiana na esfera previdenciária.

Ocorre que na política não bastam apenas as intenções de determinados grupos ou agentes. Como dizia Garrincha em reposta ao técnico Feola da seleção brasileira na Copa de 1958, “faltou combinar com os russos”. No caso, com a grande maioria da população e com as entidades e movimentos sociais que passaram denunciar em ampla escala os inúmeros equívocos e maldades embutidos na PEC 287. A impopularidade da medida foi crescendo junto com a queda de popularidade do próprio Presidente e de sua equipe. Essa mudança na conjuntura obrigou o governo a buscar apoio em peças publicitárias, cujo questionamento chegou às barras dos tribunais. Além disso, Temer ensaiou mesmo uma medida de mordaça, censurando as entidades de divulgarem seus estudos e pesquisas em que os malefícios da proposta eram denunciados utilizando dados oficiais da própria administração federal.

Austericídio e queda nas receitas

A resistência da dinâmica da atividade econômica em responder às chamadas sedutoras da fadinha das expectativas evidenciou o óbvio. Ao contrário do que pretendiam os gênios do oráculo, as tarefas eram muito mais complexas do que simplesmente aprovar o impedimento de Dilma. Por mais que tenham logrado emplacar dois legítimos representantes do financismo no comando da economia, Meirelles e Goldjajn por si só não conseguiram promover a retomada do crescimento.

Os efeitos dos austericídio continuaram a se fazer sentir até os dias de hoje. Recessão e desemprego seguem sendo a marca fatal de um governo que se orienta apenas pela redução do espaço para o Estado e que se vangloria por promover a privatização e a liberalização por todos os lados. Assim, a disputa pela narrativa obrigou Temer a responsabilizar a oposição pela paralisia de seu governo. Ao tentar operar esse verdadeiro nó de marinheiro na retórica oportunista, a versão divulgada é que a retomada do crescimento ainda não ocorreu por conta das dificuldades políticas na aprovação da reforma previdenciária.

Ora, está mais do que demonstrado que esse argumento não se sustenta. Trata-se de mais uma desculpa esfarrapada do Planalto para tentar se esquivar de uma saia justa em que se viu metido no âmbito de sua própria base de apoio no Congresso Nacional. O nível das maldades implícitas e explícitas constantes na versão primeira da PEC 287 era tal que até mesmo os parlamentares que apoiaram o golpe institucional se veem resistentes a seguir em frente com o desmonte de nossa previdência pública.

Os estudos alternativos à visão oficialista demonstram que não há quadro catastrofista como pretende a manipulação de dados promovida pela equipe econômica. Além disso, não há garantia alguma que a aprovação das medidas impostas por Meirelles promova qualquer redução das despesas previdenciárias em 2018, 2019 ou 2020. Muito pelo contrário, o clima de pânico gerado pela incerteza faz com as pessoas corram às agências do INSS para antecipar suas aposentadorias. E esse movimento é perfeitamente compreensível e racional. Aconteceu em meio às reformas de 1998 e 2003. Na dúvida quanto ao futuro, me resguardo agora.

O grande problema não reside na suposta e inverídica explosão das despesas previdenciárias. A questão refere-se à brutal queda na arrecadação provocada pela recessão. Como as receitas do Regime Geral da Previdência Social (RGPS) dependem basicamente da folha de pagamento, a elevação exponencial do desemprego provoca uma expressiva queda na capacidade arrecadatória. Cai a receita derivada da contribuição patronal, cai a receita oriunda da parte do assalariado, cai a receita em razão do aumento das isenções e desonerações. Não há contabilidade que resista, mas isso nada tem a ver com que o alegado desequilíbrio estrutural do sistema.

Assim, é passada a hora de se pensar mudanças no modelo previdenciário, incluindo a busca de novas fontes de receita para o mesmo. Nesse sentido, foi bastante oportuna a exposição realizada pelo Secretário da Receita Federal à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal ao longo da semana. Ali, pela primeira vez, a autoridade responsável por nosso sistema tributário reconheceu aquilo que os pesquisadores vínhamos apontando há muito tempo. Nosso arcabouço arrecadador é extremo injusto e regressivo. Um dos tributos em que essa desigualdade fica evidente é o Imposto de Renda das Pessoas Físicas. Os dados exibidos pelo próprio titular da Receita demonstram que o grupo composto pelos 0,1% de declarantes mais ricos apresenta uma alíquota efetiva mais baixa do que as faixas de renda mais baixa. Ou ainda que a renda média mensal do referido segmento equivale a quase 200 salários mínimos – R$ 135 mil reais. Quando comparada à renda média do grupo dos 50% declarantes de renda mais baixa, ainda assim os rendimentos da elite chegam a superá-lo em quase 80 vezes. A concentração e a desigualdade são gritantes.

Impopularidade e recuo inicial de Temer
Em razão da ampla oposição popular à PEC, o governo foi obrigado a recuar em um conjunto de pontos que antes eram considerados inegociáveis. Sua proposta inicial ficou completamente descaracterizada na forma do Parecer do Relator na Comissão Mista. A obstinação em dar sequência a tal monstrengo só pode ser compreendida sob a lógica de que a reforma se transformou na última carta na manga de sua frágil margem de governabilidade. Saíram os militares, saíram os policiais, saiu a obrigação de Estados e Municípios, saíram as maldades contra os agrícolas, saiu a igualdade de gênero (mulheres agora “só” precisam atingir 62 anos, enquanto homens sobem para65), foram eliminadas as restrições absurdas em relação ao Benefício de Prestação Continuada (BPC) para idosos e deficientes.

Ora, se tudo isso foi mudado e antes eram considerados pontos intocáveis, qual a razão para dar continuidade a uma medida equivocada, impopular e que não vai resolver os alegados problemas fiscais no curto e médio prazos? A única explicação reside mesmo na pressão do sistema financeiro que vê agora uma janela de oportunidade para transformar, de forma definitiva, a previdência social em mercadoria.

O governo deveria reconhecer a situação sensível e recuar em sua proposta. Não há dúvida que a sociedade brasileira precisa promover algumas mudanças no nosso modelo previdenciário. As mudanças na estrutura demográfica e nos sistemas de trabalho devem ser enfrentadas, é claro! Mas essas são alterações intergeracionais e que devem ser buscadas por meio de um amplo debate e com a construção de um consenso nacional. O primeiro passo seria abandonar a ideia de que despesas com previdência social sejam um problema. Pelo contrário, elas são solução para um regime de solidariedade social e de redução das desigualdades. O que se faz necessário é a busca de novas fontes de receita capazes de dar conta da sustentabilidade do modelo de previdência social público e socialmente justo.

O sucesso da greve do dia 28 de abril acendeu os sinais de alerta. Mas Temer insiste em desafiar a vontade da maioria da população. Tanto que orientou a base aliada a não aceitar a sugestão de que a proposta fosse submetida a referendo popular antes de sua eventual promulgação. O cronograma de mobilização prevê uma nova data de manifestações no dia 24 de maio, precedida de ações visando a sensibilizar os parlamentares de foram mais efetiva.
Posted: 11 May 2017 08:59 AM PDT
Por Ricardo Kotscho, em seu blog:

25 de fevereiro de 1981.

Eram outros tempos, é claro, o Brasil submergia sob uma ditadura militar, o mundo ainda vivia a Guerra Fria.

Trabalhava na época como repórter na Folha e fui escalado na véspera para cobrir o julgamento de Lula e outros dez metalúrgicos na Auditoria Militar da rua Brigadeiro Luis Antonio, em São Paulo.

Os sindicalistas haviam sido enquadrados pela Justiça Militar na Lei de Segurança Nacional por "incitação à desobediência coletiva das leis" por conta da greve de 41 dias que haviam comandado, no ano anterior, de dentro da prisão do Dops, onde ficaram um mês.

O que aconteceu naquele dia do primeiro encontro marcado de Lula com a Justiça brasileira, que acabou não acontecendo, como veremos a seguir, eu conto nas páginas 98 e 99 do meu livro Do golpe ao Planalto _ uma vida de repórter (Companhia das Letras, 2006).

*****

Para fazer a cobertura do julgamento dos metalúrgicos na Auditoria Militar marcado para o final de fevereiro de 1981, era preciso providenciar uma credencial especial, distribuída no quartel-general do então II Exército, no Ibirapuera. Cada jornalista foi recebendo a sua, e a minha vez não chegava. Sem maiores explicações, negaram-me a credencial. Fui perguntar ao chefe da 2ª Seção, o serviço secreto do Exército, responsável pelo credenciamento, o que estava acontecendo. Sem prestar muita atenção no que eu lhe dizia, o coronel encarregado encerrou logo a conversa. "Não tenho que lhe dar satisfações". Além de mim, só os correspondentes estrangeiros não foram credenciados.

Com seu jeito pragmático, o chefe de reportagem Adilson Laranjeira, em vez de ficar se lamentando, resolveu pedir credencial para outro repórter e me mandou passar o dia do julgamento em São Bernardo do Campo, para fazer "matéria de clima na cidade". Fui cedo, direto para a casa de Lula, pensando em tomar um café com Marisa. Ao chegar lá, descobri que ninguém tinha ido à Auditoria Militar. Os advogados acharam melhor que eles fossem julgados à revelia. Repórter é como goleiro: tem que ter sorte. Horas depois, quando os outros jornalistas souberam do paradeiro de Lula e dos demais metalúrgicos denunciados pela Justiça Militar, eu já havia colhido um rico material _ e naquele dia acabei vivendo, sem querer, minha primeira experiência como assessor de imprensa.

É que Lula e os advogados não queriam falar com os repórteres aglomerados no portão, e me pediram que conversasse com os colegas. Fiz um breve relato sobre quem se encontrava na casa, o que estavam fazendo e tal, mas deixei a melhor parte para a minha matéria, claro, publicada com o título "Aqui em casa cada um sabe o que fazer".

Durante a madrugada, o telefone não parou de tocar, reclamou Marisa, que só foi dormir depois das duas da manhã. Às sete horas, os dois já estavam de pé e, aos poucos, a casa foi se transformando num cenário paralelo ao da Auditoria Militar, com a chegada de vários dos personagens mais importantes.

Quando a fome bateu, por volta das duas da tarde, resolveram fazer uma "vaquinha" para comprar feijoada num bar próximo [era uma quarta-feira, como hoje] já que Marisa não teve tempo de preparar o almoço. As cinco marmitas desapareceram rapidamente, e Lula, o principal acusado no julgamento, dormiu no chão, apesar de toda a bagunça ao seu redor. Confundiam-se naquela sala a voz do senador italiano Armelino Milani, a do correspondente do Washington Post, a dos repórteres da televisão alemã e a da peãozada de forte sotaque nordestino.


*****

Lula e seus companheiros foram julgados à revelia e condenados a penas de até três anos de prisão.

No dia 16 de abril de 1982, o Superior Tribunal Militar anulou todo o processo.

E a candidatura de Lula ao governo do Estado de São Paulo pode ser lançada pelo PT no dia 21 do mesmo mês. Na sua primeira disputa eleitoral, Lula ficaria em quarto lugar (Franco Montoro, do PMDB, foi eleito governador).

Vida que segue.
Posted: 11 May 2017 08:43 AM PDT
Por Bepe Damasco, em seu blog:                                                                                        

Para os que desde o golpe contra a presidenta Dilma preconizam o fim do Partido dos Trabalhadores, o dia 10 de maio equivale a um balde de água gelada em pleno outono. Claro que a composição da impressionante multidão que invadiu Curitiba, vinda de todos os quadrantes do país, foi muito além da militância do PT. Até porque a mobilização transcendeu a solidariedade a Lula e se transformou em uma gigantesca manifestação pelo resgate da democracia no Brasil.

Marcaram presença também na manifestação militantes do PCdoB, do PCO e de inúmeros movimentos sociais sem vinculação partidária. Mas era inegável o amplo predomínio dos petistas, com suas camisetas, faixas e bonés com a estrela do partido. Que outro partido brasileiro seria capaz de deslocar dezenas de milhares de brasileiros e brasileiras de seus estados de origem em direção a uma das unidades da federação em nome da causa da justiça e da democracia ?

A capilaridade nacional do PT ainda faz a diferença. E mesmo no olho do furacão de sua mais grave crise em 37 anos de existência, o petismo segue como a maior força entre os ativistas e dirigentes dos movimentos social, sindical e demais organizações da sociedade civil. Para o bem ou para o mal, o PT ainda é a referência de esquerda no imaginário popular. Pouca gente deu a atenção devida aos últimos levantamentos dos grandes institutos de pesquisa mostrando o aumento das indicações do PT como o partido preferido da população, ranking que aliás lidera com folga há mais de 20 anos.

Longe de querer jogar confete e minimizar a derrota contundente imposta pelo golpe ao PT, a quantidade nada desprezível de erros cometidos, dentre eles a burocratização, o afastamento das lutas diárias do povo, a adesão aos métodos escusos de financiamento eleitoral da burguesia, o não investimento na politização dos milhões de beneficiados pelos seus programas sociais e o acovardamento na luta pela regulação da mídia, chamo a atenção de que o debate travado pela esquerda sobre seus rumos se desviará da realidade se não levar em conta a musculatura política que o PT ainda exibe.

Ferido, alquebrado, mas ainda bem vivo. Se será capaz de recuperar a saúde política de outrora, vai depender de uma série de fatores. Lula conseguirá derrotar a feroz perseguição da qual é vítima? O Congresso do partido logrará fazer a autocrítica necessária dos erros, identificar os acertos, que foram muitos, para aperfeiçoá-los, além de operar a correção de rota imposta pelos novos tempos e seguir em frente? Isso só o tempo e as opções táticas e estratégicas do partido dirão.

Reconhecer a encruzilhada que o PT se encontra para tentar superar seus dilemas é uma coisa. Outra bem diferente é trombetear a morte do partido, esfregando as mãos para que seu espólio lhe caia no colo. Para se ter um ideia do afã do PSOL em discutir o "pós-PT" dos seus sonhos, na revista do partido, de dezembro de 2016, há uma seção contendo vários artigos sob o título "O ciclo do PT chega ao fim - E agora?". O problema é que açodamentos e erros graves de avaliação têm preço na política. E se o PSOL for obrigado a pautar para sua publicação outra sequência de artigos envolvendo o PT, mas desta vez com a seguinte chamada: " Um novo ciclo se abre para o PT - E agora?"
Posted: 11 May 2017 08:32 AM PDT
Por Luis Nassif, no Jornal GGN:

Peça 1 – a desconstrução dos heróis midiáticos

Não há armadilha maior do que a ilusória sensação de poder que a mídia proporciona.

Como dona do palco, ela define o roteiro. Quando calha do personagem estar adequado ao roteiro, ela o alça ao Olimpo das celebridades. O que o sujeito fala, repercute. Em um primeiro momento, passa uma sensação única de onipotência. Os mais espertos, entendem o jogo. Os neófitos não se dão conta de que o espaço tem data de validade, não é coisa líquida e certa como um concurso público.

Essa falsa percepção liquidou com o PSDB. Desde a ascensão de Lula, o partido limitou-se a ser caudatário da mídia brasileira. E a mídia brasileira só consegue destruir. De repente, um partido que se orgulhava de seus intelectuais, passou a ter a cara raivosa de um José Serra, Aécio Neves, Aloysio Nunes, José Aníbal, todos vociferantes, raivosos, salivando como cães hidrófobos. E liquidando com a imagem do partido.

Quando a muleta foi recolhida, o partido acabou. Suas esperanças repousam, agora, nos inacreditáveis João Dória Jr e Huck.

Esse mesmo castelo de cartas foi erigido com a Lava Jato. Hoje houve a hora da verdade. E o castelo desmontou.

Cara a cara com Lula, não havia mais a blindagem das edições seletivas. Não havia mais a liberdade para construir teses abstratas, suposições alinhavadas com ilações, sendo oferecidas para um cardápio viciado dos órgãos de imprensa.

Agora, seria ferro contra ferro.

E o que se viu foi um espetáculo constrangedor.

Do lado do juiz Sérgio Moro, pegadinhas, levantamento do que Lula disse em 2005, em 2007, meramente para fornecer leads para o Jornal Nacional – já que não havia nenhuma relação com as denúncias formuladas. Da parte dos procuradores, um apego a detalhes irrelevantes, próprio de quem não tem elementos consistentes.

O mais relevante: durante anos, a opinião pública se viu ante duas posições taxativas. De um lado, a Lava Jato garantindo ter todos os elementos para incriminar Lula. De outro, Lula sustentando que não havia um só elemento sólido.

Fizeram um pacto com o demônio.

Mefistófeles levou os procuradores e o juiz para o alto da montanha e ofereceu a eles a celebridade. Em troca, teriam que entregar a condenação de Lula. Saíram como vendedores de Bíblias do velho oeste, garantindo a condenação sem ter os elementos. E ambos ficaram presos à armadilha: a mídia perante seus espectadores; a Lava Jato perante a mídia.

O deslumbramento de Moro e dos procuradores fê-los apostar tudo em uma partida de poker. Quando abriram as cartas, não dispunham sequer de um par de 4.

E Lula dominou a cena no discurso final, no qual deu dados precisos da campanha intransigente da mídia, controlou as tentativas do juiz de cortar sua palavra e produziu uma denúncia que, nas redes sociais, espalhar-se-á pelo mundo.

Peça 2 – o segundo nascimento de Lula

Moro montou o cenário, mas o espetáculo foi de Lula.

Primeiro, pela impressionante corrente de pessoas que foram a Curitiba apoiá-lo. Depois, pelo depoimento em si. O entusiasmo, a maneira como mobilizou pessoas de todo o país, através das redes sociais, o acompanhamento de perto da mídia internacional e, ao final, um comício consagrador, tudo isso torna Lula mais que nunca o candidato para 2018.

No julgamento, a pessoa que saiu do governo consagrada internacionalmente, por seu trabalho de inclusão social e pela dimensão assumida pelo país no seu governo se apresentava, não como líder popular, nem como o estadista consagrado, mas como uma pessoa que perdeu a esposa, vítima dessa campanha implacável, que teve a casa invadida, sua intimidade estuprada por Sérgio Moro, as casas de seus filhos arrombadas e os netos sendo alvos de bulling na escola.

Nenhum de seus acusadores resistiria a dois dias de campanha de mídia. E, agora, frente a frente com eles, cobrando provas que não apareceram, documentos que nunca existiram

Depois, no comício, apresentou-se como a pessoa que poderia salvar o país, entregue pela Lava Jato e pela mídia às mãos de um presidente corrupto e medíocre e de uma grupo de poder que jamais conseguiu chegar perto de um desenho minimamente viável de país.

Um otimista diria que o evento de hoje, somado ao fastio de parte da mídia com as arbitrariedades da Lava Jato, poderia ser o início de uma tentativa de busca de consensos mínimos, visando impedir que o país caia na barbárie completa.

Um pessimista olharia para a Globo, para a maneira como radicalizou e avançou no mar revolto da subversão institucional, e ponderaria que ainda há uma longa luta pela frente, até que o bom senso se espraia pela nação.
Posted: 11 May 2017 08:17 AM PDT
Por Gilberto Maringoni, em seu blog:

Fiz aqui no FB um comentário, dizendo que em Curitiba hoje se condensa a luta de classes no país. Muitos concordaram e outros tantos discordaram. Alguns, mais grosseiros, vieram com impropérios pesados. É direito de cada um.

É importante frisar o seguinte: a luta de classes não é determinada pelo que cada um de nós acha, mas pela consciência e mobilização popular.

Gostemos ou não, Lula tem 40% de popularidade e arrasta multidões. O ódio devotado a ele pela direita também não é determinado por um ou outro individualmente, aqui nesta bolha. Tirar o ex-presidente do páreo é vital não pelo que Lula – pessoa física – é ou pretende, mas pelo que ele representa para milhões de brasileiros e brasileiras que não querem perder seus direitos e que estão indo à luta. Ter Lula no páreo significa acirrar a disputa com a extrema-direita, como a mobilização à capital paranaense mostra.

Não se pode contrapor a luta pelas reformas, a violência policial ou a greve geral à campanha contra a destruição de Lula. Sua convocação a Curitiba e o atentado contra seu instituto estão no mesmo contexto do estado de exceção em andamento.

Descolar coisa de outra em nome de suposto radicalismo antilulista ou pretensamente revolucionário não apenas não ajuda, mas semeia a divisão na conformação de uma frente única contra o retrocesso. E frente se faz com quem pensa diferente.

A greve geral de 28 de abril foi obra de um inédito arco de alianças na sociedade brasileira. Quebrá-lo ajuda objetivamente o outro lado.

Em tempo: não gosto de Lula e nunca tive ilusões a seu respeito. Mas hoje eu o defendo como parte decisiva da luta contra o golpe.
Posted: 11 May 2017 08:09 AM PDT
Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:

A multidão que aguardou por quase dez horas pela aparição de Lula e Dilma no palanque da praça Santos Andrade, no centro de Curitiba, na noite de quarta-feira, testemunhou um momento histórico da resistência dos brasileiros contra o golpe de maio-agosto de 2016.

A mobilização popular em busca da defesa de direitos ameaçados por Temer-Meirelles e pela restauração do Estado Democrático de Direito ainda parece longe do ponto de chegada mas realizou um avanço inegável, como uma caminhada em que se dobra uma esquina em direção ao ponto de chegada. Reunindo uma massa respeitável de mulheres e homens que se apertavam num dos pontos tradicionais da capital do Paraná, o ato sinalizou – justamente na sede da República de Curitiba -- para a ruptura do clima de consenso artificial construído em torno da Lava Jato e da perseguição a Lula, cenário indispensável para toda iniciativa de excluir da cena política o mais popular presidente de nossa história republicana.

Não foi uma ação entre amigos, embora eles tenham marcado presença. Foi uma manifestação popular, que mobilizou os brasileiros e brasileiras de várias camadas, mas uma grande parte daquela parcela mais larga que reside no degrau inferior da pirâmide social, que tanta falta fez aos candidatos do PT nas eleições municipais – e que, aos saltos, pressionada pelo desmanche de empregos e salários, se reaproxima de Lula, como mostram as pesquisas eleitorais para presidente.

Ao longo do dia, viveu-se na praça Santos Andrade um ambiente onde a tensão permanente que sempre acompanha a Lava Jato havia sido reforçada por duas novas medidas intimidatórias. A primeira foi absurdo decreto de suspensão do Instituto Lula sem qualquer razão consistente. A outra foi a proibição de que a defesa pudesse gravar a audiência, pedido que tem base legal. Numa conjuntura em que o próprio juiz Sérgio Moro divulga vídeos pela internet, o veto ao segundo vídeo apenas garantiu que a mídia adversária de Lula fizesse o trabalho de sempre, num espetáculo editado conforme suas escolhas e preferencias, sempre previsíveis.

Lula transmitia muita confiança sobre seu desempenho diante de Moro quando subiu ao palco. Era possível perceber - pelo tom de voz, pelo jeito desembaraço, pela segurança nos comentários improvisados - que sentia-se vitorioso, o que contagiou o publico logo de cara. ]

Ele fez um pronunciamento curto e incisivo, em tom pessoal e compreensivelmente emocionado. Após o discurso de encerramento, da porta voz das ocupações Ana Julia, o ato se dispersou num ambiente de confraternização, onde a sensação de vitória se somou a sensação de dever cumprido.

Veteranos que atravessaram a luta contra a ditadura militar não conseguiam evitar as lágrimas.

Um grupo de professoras que tomou um ônibus em Belo Horizonte passou o dia se divertindo com a palavra de ordem “Lula seu ladrão, roubou meu coração”.

Seis militantes que passaram dois dias numa viagem de 4000 quilômetros de Natal a Curitiba, onde desfilavam com duas bandeiras – do Estado e da capital distante – se aprontavam para o caminho de volta, convencidos de que o esforço tinha valido à pena.

A certeza de que se assistia a um episódio único em suas vidas fez muita gente acompanhar os discursos de celular na mão, seja para fotografar, seja para transmitir som e imagem aos amigos, pelo Facebook. “Não consigo enxergar nada, só celulares ”, protestou, a poucos metros do palanque, um sujeito de terno, acompanhado da namorado. Calou-se quando alguém rebateu: “É pelo interesse público”. Até tarde da noite,

Doze dias depois da greve geral, o ato de ontem foi uma demonstração da capacidade de organização das entidades empenhadas na defesa dos direitos de Lula. Sindicatos e confederações se mobilizaram, em companhia do Partido dos Trabalhadores, do MST e do MTST. Foi uma vitória política e também logística, que envolveu promover uma manifestação de peso num único ponto do país. Num sinal da temperatura aquecida em que o país se encontra, o dia se encerrou com o início dos preparativos para uma concentração em Brasília, 24 de maio, para combater a reforma da Previdência.

A retoma das mobilizações não ocorre no vazio, mas faz parte de uma conjuntura política propícia para o crescimento das manifestações das camadas debaixo, que costumam ganhar fôlego quando se acirram os conflitos nas camadas de cima. Em maio de 2017, as mesmas vozes engravatas que se mostraram eternamente unidas para afastar Dilma e garantir carta branca para Sérgio Moro e a Lava Jato, agora travam uma luta aberta pelos rumos da operação.

O conflito entre o PGR Rodrigo Janot e Gilmar Mendes, até ontem o mais influente ministro do STF, é bastante ilustrativo sobre limites aceitáveis para o estado de exceção. Aquilo que parecia líquido e certo para Janot já não parece garantido Gilmar, num conflito que, mesmo envolvendo denuncias de parte a parte contra familiares respectivos, envolve questões muito além de convicções e compromissos de um ministro do Supremo e o chefe do Ministério Público.

Principal aliado da Lava Jato entre os grupos de mídia, com uma credibilidade particular entre os membros do judiciário, o Estado de S. Paulo publicou um editorial em 10/5/2017 que é uma demonstração contundente de que acabou-se o tempo da unanimidade e do apoio incondicional. Combatendo a mitologia construída em torno da operação em seu cerne, o jornal diz que “é perniciosa a tentativa de transformar a Lava Jato na grande panaceia nacional.” O problema dessa postura “perniciosa”, nas palavras do editorial, é claro: “além de não tirar o país da crise, esse modo (de conduzir a Lava Jato) inviabiliza a saída para a crise.” O Estadão vai além. “Sendo importantes, os atos da Lava Jato não podem substituir a verdadeira prioridade nacional. Há uma profunda crise econômica, social, política e moral, que precisa com urgência ser combatida. Reconhecer essa hierarquia de valores não é um apoio velado a impunidade. É simplesmente não fechar os olhos, por exemplo, aos 14 milhões de desempregados.”

Ninguém tem o direito de aguardar uma postura piedosa em benefício de Lula. Seus adversários, que não se resumem a um único jornal, já patrocinaram vergonhosas tentativas de destruir sua reputação como cidadão e líder popular, num insubstituível trabalho preparatório à Lava Jato. A perseguição não se apoia em nenhum valor moral. Apenas reflete o tratamento que os 1% que mandam no país reservam aos inimigos de classe.

A novidade é que há rachaduras no pacto de dominação que conduziu o país até aqui – e por essa brecha a mobilização popular pode avançar. Nesta situação, o destino de Lula está longe de resolvido e são muitos os perigos a espreita, trabalhando além de qualquer consideração jurídica, como nós sabemos. Mas ele voltou para São Paulo maior do que saiu. Este foi o saldo da jornada na República de Curitiba.
Posted: 11 May 2017 08:00 AM PDT
Por Celso Vicenzi, em seu blog:

Iludem-se aqueles que acreditam – aí incluídos todos que lideraram o golpe contra Dilma Roussef – que terão alcançado êxito ao suspender as atividades do Instituto Lula, ao cassar o registro do PT – como pretendem – e prender ou inviabilizar juridicamente a candidatura de Lula em 2018 ou, sabe-se lá, em que ano, pois não há garantias que teremos “eleições livres” no próximo ano.

Uma ideia justa e solidária não acaba com a morte, a prisão ou cassação de quem a defende. A história mundial está repleta de exemplos. Não adiantou prender Nelson Mandela por 27 anos ou assassinar Martin Luther King. Mahatma Gandhi derrotou o maior império do planeta vestido com um pano rústico branco e uma ideia poderosa de justiça e libertação, que foi acolhida por milhões de indianos.

A ideia de justiça social perdura e se multiplica sem que seus inimigos, por mais poderosos, consigam exterminá-la. É a mais duradoura da história da humanidade, apesar de tudo que já tenha sido feito para justificar a desigualdade social, étnica e de gênero, e destruir o sonho de um mundo justo e igualitário no imaginário popular. Mais fácil a ganância capitalista destruir o planeta do que sepultar a ideia de um futuro em que todos dividam o pão e a alegria de uma convivência fraterna entre os povos.

É só uma questão de tempo e lugar. “Nada é mais poderoso do que uma ideia que chegou no tempo certo”, escreveu, certa vez, Vitor Hugo. Mesmo os exércitos mais fortes e bem armados do planeta sucumbiram diante de ideias que se espalharam e se tornaram dominantes na mente e no coração de milhões de pessoas. Quando esse momento acontece, nada é possível fazer para deter o movimento da história.

O fim do PT, por uma possível cassação ditatorial – como já ocorreu com partidos comunistas no Brasil -, por mais que venha a ser (tra)vestida com a toga de um juiz ou de um tribunal, não deixará de ser um crime contra a democracia. E uma tentativa inútil de inviabilizar uma aspiração que não é exclusiva de um único partido ou liderança política: um país para todos, não para poucos grupos privilegiados.

No caso do PT, o sonho nasceu principalmente da união de sindicalistas, de setores da Igreja Católica ligada à Teologia da Libertação e de intelectuais, sobretudo nas universidades, para ser instrumento de luta por mais justiça e menos desigualdade social no país. Seus líderes podem ter tomado caminhos diversos e equivocados, mas a ideia que o constituiu não vai desaparecer por sentença de nenhum magistrado. Enquanto houver pessoas capazes de se indignar e combater o egoísmo, o racismo, o ódio, a desigualdade e a violência que os mais ricos disseminam pelo país com o apoio ou a omissão de analfabetos políticos, haverá esperança.

O máximo que conseguirão setores dominantes do empresariado, judiciário, ministério público, polícia federal, mídia e parlamentares corruptos, além de vantagens fugazes, será o de serem lembrados como golpistas e traidores da pátria, enquanto aqueles que foram e são perseguidos por defenderem justiça social e soberania nacional, ocuparão lugar de destaque nos livros e, principalmente, na memória do povo brasileiro.

A luta de um povo não se extingue por sentença de um tribunal.
Posted: 11 May 2017 07:55 AM PDT
Posted: 11 May 2017 07:06 AM PDT
Posted: 10 May 2017 06:20 PM PDT
Posted: 10 May 2017 05:18 PM PDT
Curitiba, 10/5/17. Foto: Mídia Ninja
Por Altamiro Borges

Vários internautas ficaram revoltados com a cobertura da GloboNews do depoimento desta quarta-feira (10) do ex-presidente Lula ao "justiceiro" Sergio Moro, em Curitiba. A emissora por assinatura, que pertence à famiglia Marinho, deu detalhes da audiência, sempre tentando satanizar o líder petista. O motivo da indignação é que o próprio "juiz" - se o algoz ainda merece este título - proibiu qualquer imagem da sessão. À defesa do ex-presidente foi negado o pedido para gravar o depoimento. Sergio Moro também ordenou que os celulares fossem retidos e só permitiu o acesso ao local de promotores e advogados. Diante de tanta cautela, como os repórteres da Globo tiveram acesso aos detalhes sobre o depoimento? O falso juiz, com sua obsessão doentia contra Lula, vazou as informações?

O site Nocaute, editado pelo jornalista Fernando Morais, foi um dos primeiros a protestar contra o aparente crime. "O juiz Sérgio Moro, num de seus surtos de fanfarronice, afirmou que proibiria o uso de celulares durante o interrogatório de Lula para evitar vazamentos seletivos. Aí vem a Globo e dá detalhes do que está acontecendo dentro da sala onde se encontram apenas Lula, Moro, os promotores e os advogados de defesa do interrogado. Ora, se os advogados de Lula jamais vazariam o que quer que fosse para a Globo, quem terá passado esses dados para os Marinho? Será que tem alguém substituindo o 'japonês bonzinho, que vende informações para a imprensa'?. Responde, meritíssimo!".

Ao mesmo tempo em que vazou informações, a GloboNews evitou dar qualquer destaque às milhares de pessoas que foram a Curitiba para manifestar a sua solidariedade ao ex-presidente. O jornalista Fernando Brito, do blog Tijolaço, acompanhou a cobertura da emissora global e constatou a descarada manipulação. Vale conferir:

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Assisto, há quase duas horas, a Globonews.

Nem mesmo por um segundo apareceu a imensa manifestação em favor de Lula.

Só polícia, polícia e mais polícia, além de repetições cansativas dos “crimes” de que Lula é acusado.

33 anos depois das Diretas-Já, o império Globo volta a fazer a manipulação da invisibilidade das manifestações.

Um completo contraste com as extintas manifestações “coxinhas”, que ocupavam o dia inteiro nas telinhas.

A Globo é inimiga da realidade, mas a realidade, como se sabe, não é fácil de ser vencida, por ser teimosa e, sobretudo, contagiosa.

Infelizmente, a dignidade profissional no jornalismo é artigo quase extinto e, também nos outros sites, vê-se que qualquer alucinado pró-Moro tem espaços e destaque maior.

Nem mesmo algum esforço para apurar quem paga os caros outdoors de provocação espalhados em Curitiba.

O chicotinho do general Newton Cruz, famoso na votação das diretas, não faria melhor.

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