sexta-feira, 12 de maio de 2017

12/5 - ALTAMIRO BORGES de HOJE

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Altamiro Borges


Posted: 12 May 2017 07:17 AM PDT
Por Altamiro Borges

Faleceu na manhã desta sexta-feira (12), aos 98 anos, o critico literário, sociólogo e militante político Antonio Candido. Tive o prazer de assistir algumas de suas palestras e sempre me impressionou a sua energia, seu amor pelo povo brasileiro, suas convicções socialistas e humanistas. Professor emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP), ele cativou milhares de jovens e esbanjou conhecimento e cultura. Em tempos de retrocesso político no país e de um perigosa onda conservadora e fascistizante no mundo, Antonio Candido fará muita falta. Os seus ensinamentos, porém, estão cravados na alma brasileira. 

Reproduzo abaixo uma bela entrevista do mestre ao jornal Brasil de Fato, concedida em agosto de 2011:

*****

“O socialismo é uma doutrina triunfante”
Por Joana Tavares

Crítico literário, professor, sociólogo, militante. Um adjetivo sozinho não consegue definir a importância de Antonio Candido para o Brasil. Considerado um dos principais intelectuais do país, ele mantém a postura socialista, a cordialidade, a elegância, o senso de humor, o otimismo. Antes de começar nossa entrevista, ele diz que viveu praticamente todo o conturbado século 20. E participou ativamente dele, escrevendo, debatendo, indo a manifestações, ajudando a dar lucidez, clareza e humanidade a toda uma geração de alunos, militantes sociais, leitores e escritores.

Tão bom de prosa como de escrita, ele fala sobre seu método de análise literária, dos livros de que gosta, da sua infância, do começo da sua militância, da televisão, do MST, da sua crença profunda no socialismo como uma doutrina triunfante. “O que se pensa que é a face humana do capitalismo é o que o socialismo arrancou dele”, afirma.

Nos seus textos é perceptível a intenção de ser entendido. Apesar de muito erudito, sua escrita é simples. Por que esse esforço de ser sempre claro?

Acho que a clareza é um respeito pelo próximo, um respeito pelo leitor. Sempre achei, eu e alguns colegas, que, quando se trata de ciências humanas, apesar de serem chamadas de ciências, são ligadas à nossa humanidade, de maneira que não deve haver jargão científico. Posso dizer o que tenho para dizer nas humanidades com a linguagem comum. Já no estudo das ciências humanas eu preconizava isso. Qualquer atividade que não seja estritamente técnica, acho que a clareza é necessária inclusive para pode divulgar a mensagem, a mensagem deixar de ser um privilégio e se tornar um bem comum.

O seu método de análise da literatura parte da cultura para a realidade social e volta para a cultura e para o texto. Como o senhor explicaria esse método?

Uma coisa que sempre me preocupou muito é que os teóricos da literatura dizem: é preciso fazer isso, mas não fazem. Tenho muita influência marxista – não me considero marxista – mas tenho muita influência marxista na minha formação e também muita influência da chamada escola sociológica francesa, que geralmente era formada por socialistas. Parti do seguinte princípio: quero aproveitar meu conhecimento sociológico para ver como isso poderia contribuir para conhecer o íntimo de uma obra literária. No começo eu era um pouco sectário, politizava um pouco demais minha atividade.

Depois entrei em contato com um movimento literário norte-americano, a nova crítica, conhecido como new criticism. E aí foi um ovo de colombo: a obra de arte pode depender do que for, da personalidade do autor, da classe social dele, da situação econômica, do momento histórico, mas quando ela é realizada, ela é ela. Ela tem sua própria individualidade. Então a primeira coisa que é preciso fazer é estudar a própria obra. Isso ficou na minha cabeça. Mas eu também não queria abrir mão, dada a minha formação, do social. Importante então é o seguinte: reconhecer que a obra é autônoma, mas que foi formada por coisas que vieram de fora dela, por influências da sociedade, da ideologia do tempo, do autor. Não é dizer: a sociedade é assim, portanto a obra é assim. O importante é: quais são os elementos da realidade social que se transformaram em estrutura estética. Me dediquei muito a isso, tenho um livro chamado “Literatura e sociedade” que analisa isso. 

Fiz um esforço grande para respeitar a realidade estética da obra e sua ligação com a realidade. Há certas obras em que não faz sentido pesquisar o vínculo social porque ela é pura estrutura verbal. Há outras em que o social é tão presente – como “O cortiço” [de Aluísio Azevedo] – que é impossível analisar a obra sem a carga social. Depois de mais maduro minha conclusão foi muito óbvia: o crítico tem que proceder conforme a natureza de cada obra que ele analisa. Há obras que pedem um método psicológico, eu uso; outras pedem estudo do vocabulário, a classe social do autor; uso. Talvez eu seja aquilo que os marxistas xingam muito que é ser eclético. Talvez eu seja um pouco eclético, confesso. Isso me permite tratar de um número muito variado de obras.

Teria um tipo de abordagem estética que seria melhor?

Não privilegio. Já privilegiei. Primeiro o social, cheguei a privilegiar mesmo o político. Quando eu era um jovem crítico eu queria que meus artigos demonstrassem que era um socialista escrevendo com posição crítica frente à sociedade. Depois vi que havia poemas, por exemplo, em que não podia fazer isso. Então passei a outra fase em que passei a priorizar a autonomia da obra, os valores estéticos. Depois vi que depende da obra. Mas tenho muito interesse pelo estudo das obras que permitem uma abordagem ao mesmo tempo interna e externa. A minha fórmula é a seguinte: estou interessado em saber como o externo se transformou em interno, como aquilo que é carne de vaca vira croquete. O croquete não é vaca, mas sem a vaca o croquete não existe. Mas o croquete não tem nada a ver com a vaca, só a carne. Mas o externo se transformou em algo que é interno. Aí tenho que estudar o croquete, dizer de onde ele veio.

O que é mais importante ler na literatura brasileira?

Machado de Assis. Ele é um escritor completo.

É o que senhor mais gosta?

Não, mas acho que é o que mais se aproveita.

E de qual o senhor mais gosta?

Gosto muito do Eça de Queiroz, muitos estrangeiros. De brasileiros, gosto muito de Graciliano Ramos… Acho que já li “São Bernardo” umas 20 vezes, com mentira e tudo. Leio o Graciliano muito, sempre. Mas Machado de Assis é um autor extraordinário. Comecei a ler com 9 anos livros de adulto. E ninguém sabia quem era Machado de Assis, só o Brasil e, mesmo assim, nem todo mundo. Mas hoje ele está ficando um autor universal. Ele tinha a prova do grande escritor. Quando se escreve um livro, ele é traduzido, e uma crítica fala que a tradução estragou a obra, é porque não era uma grande obra. Machado de Assis, mesmo mal traduzido, continua grande. A prova de um bom escritor é que mesmo mal traduzido ele é grande. Se dizem: “a tradução matou a obra”, então a obra era boa, mas não era grande.

Como levar a grande literatura para quem não está habituado com a leitura?

É perfeitamente possível, sobretudo Machado de Assis. A Maria Vitória Benevides me contou de uma pesquisa que foi feita na Itália há uns 30 anos. Aqueles magnatas italianos, com uma visão já avançada do capitalismo, decidiram diminuir as horas de trabalho para que os trabalhadores pudessem ter cursos, se dedicar à cultura. Então perguntaram: cursos de que vocês querem? Pensaram que iam pedir cursos técnicos, e eles pediram curso de italiano para poder ler bem os clássicos. 

“A divina comédia” é um livro com 100 cantos, cada canto com dezenas de estrofes. Na Itália, não sou capaz de repetir direito, mas algo como 200 mil pessoas sabem a primeira parte inteira, 50 mil sabem a segunda, e de 3 a 4 mil pessoas sabem o livro inteiro de cor. Quer dizer, o povo tem direito à literatura e entende a literatura. O doutor Agostinho da Silva, um escritor português anarquista que ficou muito tempo no Brasil, explicava para os operários os diálogos de Platão, e eles adoravam. Tem que saber explicar, usar a linguagem normal.

O senhor acha que o brasileiro gosta de ler?

Não sei. O Brasil pra mim é um mistério. Tem editora para toda parte, tem livro para todo lado. Vi uma reportagem que dizia que a cidade de Buenos Aires tem mais livrarias que em todo o Brasil. Lê-se muito pouco no Brasil. Parece que o povo que lê mais é o finlandês, que lê 30 volumes por ano. Agora dizem que o livro vai acabar, né?

O senhor acha que vai?

Não sei. Eu não tenho nem computador… as pessoas me perguntam: qual é o seu… como chama?

E-mail?

Isso! Olha, eu parei no telefone e máquina de escrever. Não entendo dessas coisas… Estou afastado de todas as novidades há cerca de 30 anos. Não me interesso por literatura atual. Sou um velho caturra. Já doei quase toda minha biblioteca, 14 ou 15 mil volumes. O que tem aqui é livro para visita ver. Mas pretendo dar tudo. Não vendo livro, eu dou. Sempre fiz escola pública, inclusive universidade pública, então é o que posso dar para devolver um pouco. Tenho impressão que a literatura brasileira está fraca, mas isso todo velho acha. Meus antigos alunos que me visitam muito dizem que está fraca no Brasil, na Inglaterra, na França, na Rússia, nos Estados Unidos… que a literatura está por baixo hoje em dia. Mas eu não me interesso por novidades.

E o que o senhor lê hoje em dia?

Eu releio. História, um pouco de política… mesmo meus livros de socialismo eu dei tudo. Agora estou querendo reler alguns mestres socialistas, sobretudo Eduard Bernstein, aquele que os comunistas tinham ódio. Ele era marxista, mas dizia que o marxismo tem um defeito, achar que a gente pode chegar no paraíso terrestre. Então ele partiu da ideia do filósofo Immanuel Kant da finalidade sem fim. O socialismo é uma finalidade sem fim. Você tem que agir todos os dias como se fosse possível chegar no paraíso, mas você não chegará. Mas se não fizer essa luta, você cai no inferno.

O senhor é socialista?

Ah, claro, inteiramente. Aliás, eu acho que o socialismo é uma doutrina totalmente triunfante no mundo. E não é paradoxo. O que é o socialismo? É o irmão-gêmeo do capitalismo, nasceram juntos, na revolução industrial. É indescritível o que era a indústria no começo. Os operários ingleses dormiam debaixo da máquina e eram acordados de madrugada com o chicote do contramestre. Isso era a indústria. Aí começou a aparecer o socialismo. Chamo de socialismo todas as tendências que dizem que o homem tem que caminhar para a igualdade e ele é o criador de riquezas e não pode ser explorado. Comunismo, socialismo democrático, anarquismo, solidarismo, cristianismo social, cooperativismo… tudo isso. 

Esse pessoal começou a lutar, para o operário não ser mais chicoteado, depois para não trabalhar mais que doze horas, depois para não trabalhar mais que dez, oito; para a mulher grávida não ter que trabalhar, para os trabalhadores terem férias, para ter escola para as crianças. Coisas que hoje são banais. Conversando com um antigo aluno meu, que é um rapaz rico, industrial, ele disse: “o senhor não pode negar que o capitalismo tem uma face humana”. O capitalismo não tem face humana nenhuma. O capitalismo é baseado na mais-valia e no exército de reserva, como Marx definiu. É preciso ter sempre miseráveis para tirar o excesso que o capital precisar. E a mais-valia não tem limite. Marx diz na “Ideologia Alemã”: as necessidades humanas são cumulativas e irreversíveis. Quando você anda descalço, você anda descalço. Quando você descobre a sandália, não quer mais andar descalço. Quando descobre o sapato, não quer mais a sandália. Quando descobre a meia, quer sapato com meia e por aí não tem mais fim. E o capitalismo está baseado nisso. O que se pensa que é face humana do capitalismo é o que o socialismo arrancou dele com suor, lágrimas e sangue. Hoje é normal o operário trabalhar oito horas, ter férias… tudo é conquista do socialismo. O socialismo só não deu certo na Rússia.

Por quê?

Virou capitalismo. A revolução russa serviu para formar o capitalismo. O socialismo deu certo onde não foi ao poder. O socialismo hoje está infiltrado em todo lugar.

O socialismo como luta dos trabalhadores?

O socialismo como caminho para a igualdade. Não é a luta, é por causa da luta. O grau de igualdade de hoje foi obtido pelas lutas do socialismo. Portanto ele é uma doutrina triunfante. Os países que passaram pela etapa das revoluções burguesas têm o nível de vida do trabalhador que o socialismo lutou para ter, o que quer. Não vou dizer que países como França e Alemanha são socialistas, mas têm um nível de vida melhor para o trabalhador.

Para o senhor é possível o socialismo existir triunfando sobre o capitalismo?

Estou pensando mais na técnica de esponja. Se daqui a 50 anos no Brasil não houver diferença maior que dez do maior ao menor salário, se todos tiverem escola… não importa que seja com a monarquia, pode ser o regime com o nome que for, não precisa ser o socialismo! Digo que o socialismo é uma doutrina triunfante porque suas reivindicações estão sendo cada vez mais adotadas. Não tenho cabeça teórica, não sei como resolver essa questão: o socialismo foi extraordinário para pensar a distribuição econômica, mas não foi tão eficiente para efetivamente fazer a produção. O capitalismo foi mais eficiente, porque tem o lucro. Quando se suprime o lucro, a coisa fica mais complicada. 

É preciso conciliar a ambição econômica – que o homem civilizado tem, assim como tem ambição de sexo, de alimentação, tem ambição de possuir bens materiais – com a igualdade. Quem pode resolver melhor essa equação é o socialismo, disso não tenho a menor dúvida. Acho que o mundo marcha para o socialismo. Não o socialismo acadêmico típico, a gente não sabe o que vai ser… o que é o socialismo? É o máximo de igualdade econômica. Por exemplo, sou um professor aposentado da Universidade de São Paulo e ganho muito bem, ganho provavelmente 50, 100 vezes mais que um trabalhador rural. Isso não pode. No dia em que, no Brasil, o trabalhador de enxada ganhar apenas 10 ou 15 vezes menos que o banqueiro, está bom, é o socialismo.

O que o socialismo conseguiu no mundo de avanços?

O socialismo é o cavalo de Troia dentro do capitalismo. Se você tira os rótulos e vê as realidades, vê como o socialismo humanizou o mundo. Em Cuba eu vi o socialismo mais próximo do socialismo. Cuba é uma coisa formidável, o mais próximo da justiça social. Não a Rússia, a China, o Camboja. No comunismo tem muito fanatismo, enquanto o socialismo democrático é moderado, é humano. E não há verdade final fora da moderação, isso Aristóteles já dizia, a verdade está no meio. Quando eu era militante do PT – deixei de ser militante em 2002, quando o Lula foi eleito – era da ala do Lula, da Articulação, mas só votava nos candidatos da extrema esquerda, para cutucar o centro. É preciso ter esquerda e direita para formar a média. 

Estou convencido disso: o socialismo é a grande visão do homem, que não foi ainda superada, de tratar o homem realmente como ser humano. Podem dizer: a religião faz isso. Mas faz isso para o que são adeptos dela, o socialismo faz isso para todos. O socialismo funciona como esponja: hoje o capitalismo está embebido de socialismo. No tempo que meu irmão Roberto – que era católico de esquerda – começou a trabalhar, eu era moço, ele era tido como comunista, por dizer que no Brasil tinha miséria. Dizer isso era ser comunista, não estou falando em metáforas. Hoje, a Federação das Indústrias, Paulo Maluf, eles dizem que a miséria é intolerável. O socialismo está andando… não com o nome, mas aquilo que o socialismo quer, a igualdade, está andando. Não aquela igualdade que alguns socialistas e os anarquistas pregavam, igualdade absoluta é impossível. Os homens são muito diferentes, há uma certa justiça em remunerar mais aquele que serve mais à comunidade. Mas a desigualdade tem que ser mínima, não máxima. Sou muito otimista. (pausa). 

O Brasil é um país pobre, mas há uma certa tendência igualitária no brasileiro – apesar da escravidão - e isso é bom. Tive uma sorte muito grande, fui criado numa cidade pequena, em Minas Gerais, não tinha nem 5 mil habitantes quando eu morava lá. Numa cidade assim, todo mundo é parente. Meu bisavô era proprietário de terras, mas a terra foi sendo dividida entre os filhos… então na minha cidade o barbeiro era meu parente, o chofer de praça era meu parente, até uma prostituta, que foi uma moça deflorada expulsa de casa, era minha prima. Então me acostumei a ser igual a todo mundo. Fui criado com os antigos escravos do meu avô. Quando eu tinha 10 anos de idade, toda pessoa com mais de 40 anos tinha sido escrava. Conheci inclusive uma escrava, tia Vitória, que liderou uma rebelião contra o senhor. Não tenho senso de desigualdade social. Digo sempre, tenho temperamento conservador. Tenho temperamento conservador, atitudes liberais e ideias socialistas. Minha grande sorte foi não ter nascido em família nem importante nem rica, senão ia ser um reacionário. (risos).

A Teresina, que inspirou um livro com seu nome, o senhor conheceu depois?

Conheci em Poços de Caldas… essa era uma mulher extraordinária, uma anarquista, maior amiga da minha mãe. Tenho um livrinho sobre ela. Uma mulher formidável. Mas eu me politizei muito tarde, com 23, 24 anos de idade com o Paulo Emílio. Ele dizia: “é melhor ser fascista do que não ter ideologia”. Ele que me levou para a militância. Ele dizia com razão: cada geração tem o seu dever. O nosso dever era político.

E o dever da atual geração?

Ter saudade. Vocês pegaram um rabo de foguete danado.

No seu livro “Os parceiros do Rio Bonito” o senhor diz que é importante defender a reforma agrária não apenas por motivos econômicos, mas culturalmente. O que o senhor acha disso hoje?

Isso é uma coisa muito bonita do MST. No movimento das Ligas Camponesas não havia essa preocupação cultural, era mais econômica. Acho bonito isso que o MST faz: formar em curso superior quem trabalha na enxada. Essa preocupação cultural do MST já é um avanço extraordinário no caminho do socialismo. É preciso cultura. Não é só o livro, é conhecimento, informação, notícia… Minha tese de doutorado em ciências sociais foi sobre o camponês pobre de São Paulo – aquele que precisa arrendar terra, o parceiro. Em 1948, estava fazendo minha pesquisa num bairro rural de Bofete e tinha um informante muito bom, Nhô Samuel Antônio de Camargos. Ele dizia que tinha mais de 90 anos, mas não sabia quantos. Um dia ele me perguntou: “ô seu Antonio, o imperador vai indo bem? Não é mais aquele de barba branca, né?”. Eu disse pra ele: “não, agora é outro chamado Eurico Gaspar Dutra”. Quer dizer, ele está fora da cultura, para ele o imperador existe. Ele não sabe ler, não sabe escrever, não lê jornal. 

A humanização moderna depende da comunicação em grande parte. No dia em que o trabalhador tem o rádio em casa ele é outra pessoa. O problema é que os meios modernos de comunicação são muito venenosos. A televisão é uma praga. Eu adoro, hein? Moro sozinho, sozinho, sou viúvo e assisto televisão. Mas é uma praga. A coisa mais pérfida do capitalismo – por causa da necessidade cumulativa irreversível – é a sociedade de consumo. Marx não conheceu, não sei como ele veria. A televisão faz um inculcamento sublimar de dez em dez minutos, na cabeça de todos – na sua, na minha, do Sílvio Santos, do dono do Bradesco, do pobre diabo que não tem o que comer – imagens de whisky, automóvel, casa, roupa, viagem à Europa – cria necessidades. E claro que não dá condições para concretizá-las. 

A sociedade de consumo está criando necessidades artificiais e está levando os que não têm ao desespero, à droga, miséria… Esse desejo da coisa nova é uma coisa poderosa. O capitalismo descobriu isso graças ao Henry Ford. O Ford tirou o automóvel da granfinagem e fez carro popular, vendia a 500 dólares. Estados Unidos inteiro começou a comprar automóvel, e o Ford foi ficando milionário. De repente o carro não vendia mais. Ele ficou desesperado, chamou os economistas, que estudaram e disseram: “mas é claro que não vende, o carro não acaba”. O produto industrial não pode ser eterno. O produto artesanal é feito para durar, mas o industrial não, ele tem que ser feito para acabar, essa é coisa mais diabólica do capitalismo. E o Ford entendeu isso, passou a mudar o modelo do carro a cada ano. Em um regime que fosse mais socialista seria preciso encontrar uma maneira de não falir as empresas, mas tornar os produtos duráveis, acabar com essa loucura da renovação. Hoje um automóvel é feito para acabar, a moda é feita para mudar. Essa ideia tem como miragem o lucro infinito. Enquanto a verdadeira miragem não é a do lucro infinito, é do bem-estar infinito.

***

Quem é:

Antonio Candido de Mello e Souza nasceu no Rio de Janeiro em 24 de julho de 1918, concluiu seus estudos secundários em Poços de Caldas (MG) e ingressou na recém-fundada Universidade de São Paulo em 1937, no curso de Ciências Sociais. Com os amigos Paulo Emílio Salles Gomes, Décio de Almeida Prado e outros fundou a revista Clima. Com Gilda de Mello e Souza, colega de revista e do intenso ambiente de debates sobre a cultura, foi casado por 60 anos. Defendeu sua tese de doutorado, publicada depois como o livro “Os Parceiros do Rio Bonito”, em 1954. De 1958 a 1960 foi professor de literatura na Faculdade de Filosofia de Assis. Em 1961, passou a dar aulas de teoria literária e literatura comparada na USP, onde foi professor e orientou trabalhos até se aposentar, em 1992. Na década de 1940, militou no Partido Socialista Brasileiro, fazendo oposição à ditadura Vargas. Em 1980, foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores. Colaborou nos jornais Folha da Manhã e Diário de São Paulo, resenhando obras literárias. É autor de inúmeros livros, atualmente reeditados pela editora Ouro sobre Azul, coordenada por sua filha, Ana Luisa Escorel.
Posted: 12 May 2017 05:59 AM PDT
Posted: 12 May 2017 05:56 AM PDT
Por Patrícia Faermann, no Jornal GGN:

Com a reação nitidamente perplexo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ouvia do juiz Sergio Moro o que ele considerava como justificativa para dirigir perguntas no caso do triplex do Guarujá sobre a AP 470, conhecida como mensalão, julgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

"Eu tenho umas perguntas para o senhor para entender a sua relação com os seus subordinados e assessores. O senhor ex-presidente afirma que jamais compactou com algum dos criminosos, que não tinha conhecimento dos crimes praticados no âmbito da Petrobras no seu governo. Eu entendo aqui que perguntas a respeito de atitudes em relação a crimes praticados por subordinados, assessores ou pessoas que trabalharam na Petrobras durante o seu governo têm relevância para a formação da minha convicção judicial. Nesse aspecto, senhor ex-presidente, eu gostaria de fazer algumas perguntas sobre a sua opinião sobre o caso nominado de 'Mensalão', que foi julgado pelo STF", disse Moro.

Lula não precisou responder à inconformidade daquela pergunta no atual julgamento da primeira instância, antes que os advogados entrassem com os argumentos para destacar a incoerência. Mas não bastou: "é o juízo que vai julgar, é o juízo que entende que isso é relevante", dizia, de forma ríspida, Sergio Moro.

"Vossa Excelência, opinião sobre um julgado do Supremo Tribunal Federal? Vossa Excelência está pedindo para que o ex-presidente opine sobre um julgado, ele não é da área jurídica", insistiu o advogado de Lula, Cristiano Zanin Martins. "Senhor advogado, já foi registrada a sua posição, eu vou seguir adiante, se o seu cliente entender que não deve responder, não tem condições, ele não responde", disse Moro, obtendo risos do próprio Lula, inconformado com o pedido do juiz.

"Opinião se pode discutir na Academia o julgado do Supremo Tribunal Federal, mas não num interrogatório, vossa Excelência pedir opinião de um julgamento a quem não é da área jurídica", falou Zanin.

"Essa posição da vossa Excelência de colher a opinião do interrogado acerca de um outro fato supostamente criminoso, que já foi objeto de cognição e julgamento pelo Supremo Tribunal Federal, seria mais adequado numa palestra, numa conferência, a que se convidasse o ilustre interrogando para proferir. Mas num interrogatório, eminente magistrado, isto aberra do que está disposto no artigo 187 do Código de Processo Penal, e como nós todos devemos submissão integral à lei, não é? Nós somos meres operadores do Direito, ninguém aqui tem poder soberano ou é o dono do processo ou é o legislador da hora, da ocasião, é importante que sigamos os ditames do que está escrito no exato artigo 187: indagação ao interrogando sobre os fatos delimitados que se encontram dentro do perímetro traçado pela denúncia, vossa Excelência", acrescentou Roberto Batochio.

De forma completamente exaltada, o advogado Rene Dotti, representante da Petrobras, repreendeu Zanin, e chegou a gritar: "O que que ele acha do mensalão?"

"Deve o colega com a experiência que tem saber que, na eventualidade da condenação do réu, o juízo deve fazer indagações sobre a sua personalidade. (...) Qual a opinião sobre aqueles crimes que houve e que [gaguejou] tiveram julgamento do Supremo. O julgamento é uma referência apenas, a pergunta é sobre o fato criminoso. E quer saber a opinião do fato criminoso! A opinião do mensalão! O que que ele acha do mensalão?", disse Dotti.

"Não acha nada! Ele não tem que achar nada!", respondeu Batochio. "Como não? Ele tem que dizer!", afirmou Dotti, quase obrigando Lula a responder. "Mas ele tem que dizer, ele tem que dizer, tem que dizer sim ou não", insistiu o advogado da Petrobras, gritando.

Assista, a partir dos 24:50 [aqui].

Após a discussão, o juiz federal defendeu a sua autoridade para perguntar "o que entende relevante" para a sua decisão de julgador contra Luiz Inácio Lula da Silva. Em seguida, Roberto Batochio recomendou como defesa técnica que Lula não respondesse a perguntas feitas fora do 'thema probandum', fora do que está na denuncia. "Eu vou seguir a orientação dos advogados", afirmou o ex-presidente.

Moro, contudo, continuou com uma sequência de questionamentos envolvendo o mensalão, entrevistas concedidas por Lula à época dos julgamentos, e até "se o Partido dos Trabalhadores pediu desculpas ou apurou eventual responsabilidade de seus membros", seguindo uma linha, ainda que sem sustentação, nitidamente de estratégia acusatória.

"Vossa Excelência não está aqui julgando o Partido dos Trabalhadores e nem fazendo um julgamento político do governo do ex-presidente Lula. Essas perguntas me parecem pertinentes a quem quer julgar um partido, o que é competência do Tribunal Superior Eleitoral ou de quem quer fazer um julgamento político. Se continuar a mesma linha, a orientação de defesa vai ser a mesma. Qualquer outro julgamento que fosse Excelência queira fazer será um julgamento fora da lei e de natureza política", disse Zanin.

"Eu já fui julgado 3 vezes. Pelo povo brasileiro. Você lembra como que foi a campanha de 2006? A campanha de 2006 eu era triturado a cada debate da televisão sobre a corrupção. Eu fui eleito com 62% dos votos. Quando terminou o meu mandato, em outubro de 2010, quando a gente elegeu a presidenta Dilma, foi a outra aprovação minha. Mas em setembro, doutor Moro, eu alcancei 87% de bom e ótimo nas pesquisas. Então eu já fui julgado muitas vezes. Eu não posso ser julgado pelo Código de Processo Penal, numa coisa que eu fui julgado, 10 anos, 12 anos, ficar respondendo uma coisa que foi transitado em julgado. É uma decisão, não da primeira instância, de uma segunda, que vale tanto, mas da Suprema Corte, depois de 12 anos, demorou 7 anos para ser julgado. E isso foi julgado, doutor, no meio da eleição de 2012. E nós ganhamos a eleição em São Paulo. Então eu acho que eu já fui julgado tanto por isso", disse Lula, tentando, sem sucesso, findar as perguntas políticas de Moro.

"Mas a pergunta não é sobre pleitos eleitorais", rebateu o juiz. "Não, mas é sobre julgamento". "O senhor ex-presidente nem foi acusado por esses fatos", continuou Moro. "Doutor, doutor, doutor, eu não to sendo julgado pela minha relação com qualquer condenado. A relação é de cada um. A sua relação com o seu pessoal é sua, a de um advogado é dele, a minha é minha. Quando um político comete um erro, ele é julgado pelo povo. Não é julgado pelo Código de Processo Penal, ele é julgado pelo povo".

Mas o magistrado da primeira instância seguiu com as perguntas relativas a eventos políticos ou manifestações de Lula como político. A defesa do ex-presidente mais uma vez reclamou o intento do juiz. E foi Moro quem criticou as manifestações dos advogados como "cansativa". "Cansativo são as perguntas de vossa Excelência", respondeu Cristiano Zanin, informando que se Sérgio Moro seguisse com estas questões e o julgamento seguisse, ele entraria com um processo de impugnação.

Já ao final das perguntas, Moro questiona algumas manifestações públicas do ex-presidente e ações na própria Justiça, muitas delas ainda tramitando, ou seja, sem sequer obterem um resultado, interpretando-as como tentativa de intimidação de Lula contra a Lava Jato. Em uma das perguntas, Moro afirmou que delegados que realizaram a condução coercitiva do ex-presidente mencionaram que Lula disse que "seria eleito em 2018 e que se lembraria de todos eles".

O ex-presidente negou, disse não se recordar as falas no dia da coerção, mas ressaltou a improbabilidade de ter dito sequer que seria eleito em 2018, porque não estava em condições, à época do mandato, em março de 2016. "Não lembro, mas eu posso dizer agora, eu estava encerrando a minha carreira política, até porque se eu quisesse ser candidato eu seria em 2014. Mas agora, depois de tudo o que está acontecendo, eu vou dizer em alto e bom som que vou querer ser candidato a Presidente da República em 2018".

Fiscalizando todas as participações de Lula em eventos públicos partidários, Moro mencionou outro caso que interpretou como ameaça, quando o ex-presidente teria afirmado: "Se eles não me prenderem logo, eu mando prendê-los pelas mentiras que eles contam". Após explicar que se tratava de força de expressão, afirmou: "o que eu quis dizer foi o seguinte: que a História não para com esse processo. A História um dia vai julgar se houve abuso ou não de autoridade nesse caso do comportamento da Polícia Federal com o Ministério Público no meu caso", disse Lula.

"E o senhor pretende mandar prender os agentes públicos", seguiu o magistrado, na provocação.
Posted: 12 May 2017 05:31 AM PDT
Por Miguel do Rosário, no blog Cafezinho:

A cada dia que passa, a morte de Teori Zavaschi nos parece mais oportuna para os golpistas, pois o comportamento de seu “herdeiro”, Luiz Edson Fachin, revela-se cada vez mais afinado com a agenda criminosa do partido midiático-judicial que assumiu o poder político no país.

No dia seguinte à surra épica que Lula aplicou em seus algozes, não apenas através de seu depoimento, mas sobretudo pela capacidade incrível de mobilização de seus apoiadores, o partido judicial levanta o sigilo dos depoimentos de João Santana e sua esposa.

O casal Santana faz parte do rol de torturados pela nova Inquisição: eles só encontraram jeito de fugir às bastilhas perpétuas anuindo em participar do jogo sujo dos procuradores, ou seja, legitimando as teses pré-escritas da acusação, que podem ser todas resumidas em duas frases: delenda PT e longa vida ao golpe.

A defesa de Dilma está chocada. Após ter implorado, em vão, pelo acesso à íntegra das delações de João Santana e esposa, para que pudesse formular uma defesa no TSE com base em documentos de conhecimento apenas de seus acusadores, a justiça só os libera agora, passado o prazo estipulado pelo TSE para entrega da defesa.

Os vazamentos seletivos das delações do casal Santana, naturalmente, nunca pararam.

O ministro Fachin derruba, só agora, o sigilo das “delações” de João Santana e esposa. Como de praxe, os documentos são entregues, em primeiro lugar, à Globo, e só depois liberados publicamente para a defesa da presidenta Dilma.

Isso é bem coerente com o momento atual vivido pela justiça brasileira, convertida num puxadinho jurídico da família Marinho.

O roteiro é previsível. Qualquer vitória política do campo popular é abafada no dia seguinte por algum tipo de ação espetacular da Lava Jato. E não apenas da Lava Jato. O comportamento de Curitiba contaminou todo o sistema judiciário, transformando-o numa grande Lava Jato, vide o caso do juiz que mandou fechar o Instituto Lula com base num “pedido” do Ministério Público que era apenas uma fantasia criminosa que ele mesmo inventou.

Em 2016, quando a população ia às ruas para lutar contra o golpe, a Lava Jato desencadeava operações espetaculares exatamente no dia seguinte, de modo a abafar, na mídia, qualquer repercussão que as grandes manifestações contra o impeachment pudessem provocar na opinião pública.

A Lava Jato e ações similares transformaram-se num grotesco teatro, voltado a desviar a atenção dos problemas econômicos, cada dia mais terríveis, e das reformas antissociais que essa organização criminosa que a imprensa agora chama de governo quer aprovar a toque de caixa, sem debate público, sem exposição ao contraditório, sem discussão com a sociedade civil organizada, no congresso nacional.
Posted: 12 May 2017 05:25 AM PDT
Por Joaquim de Carvalho, no blog Diário do Centro do Mundo:

Miriam e Moro: na mídia brasileira, esta cena é normal

Depois do depoimento de Lula a Sérgio Moro, a Rede Globo subiu um patamar na escalada do massacre midiático.

Agregou à estratégia da meia verdade a divulgação de mentiras completas.

A meia verdade pode ser também uma meia mentira, mas, em geral, ela tem um formato que faz parecer coisa séria.

E dá uma porta de saída ao jornalista mentiroso: ele pode dizer que o que disse ou escreve é fato.

Só não disse tudo, mas o que relatou é um fato.

Por exemplo: o caso do tríplex, o centro da acusação que levou o ex-presidente da República a depor em Curitiba.

É fato que a OAS tentou entregar o imóvel para Marisa Letícia Lula da Silva e Lula.

Este é o fato que se vê todos os dias na televisão.

Faz sentido à tese de que o tríplex era propina.

Mas há outros fatos, e estes não são divulgados, porque enfraquecem a tese da propina.

Marisa tinha iniciado o processo de aquisição do imóvel em abril de 2005, com o pagamento de entrada e parcelas, referentes à cota-parte.

Ela pagou à Bancoop um valor que, corrigido, ultrapassa os 300 mil reais.

Isso está declarado no imposto de renda do casal Lula e Marisa.

O imóvel só passou a pertencer à OAS quando a Bancoop quebrou, em 2009.

Também é fato que a OAS, quando entrou em dificuldade e abriu um processo de recuperação judicial, relacionou o tríplex do Guarujá como propriedade dela, para a garantia dos credores.

Como a empresa relacionaria o tríplex se ele não lhe pertencesse?

Isso não se divulga, porque enfraquece a tese do tríplex como propina.

A notícia que é martelada todos os dias é: Lula recebeu como propina um imóvel da OAS.

É uma mentira, mas há um fato que a esconde: o empenho da OAS para vender o imóvel a Lula e Marisa.

Por isso, no conjunto, o que se divulga é meia verdade.

Hoje, o Bom Dia Brasil passou para a mentira integral.

Ao chamar Miriam Leitão para comentar o depoimento de Lula – ela não fala mais apenas sobre economia, mas também sobre assuntos jurídicos –, a apresentadora Ana Paula deu o tom, ao dizer que o ex-presidente, “com um discurso político, tentou ESCAPAR das acusações”.

Escapar é verbo que já condena Lula. Mas o que disse Miriam é pior:

- A negativa de Lula no caso central, a compra do tríplex, não responde a vários pontos que ficaram nebulosos e permanecem nebulosos. O mais importante é: por que ele não desistiu ou a família não desistiu quando a OAS abriu essa possibilidade, para todos os compradores em 2011? E se desistiu, por que é que não pediu de volta os 209 mil reais que a família pagou?

Se Miriam Leitão, que fez fama como comentarista de economia tivesse se prendido à sua área, ela mesma daria a resposta: Marisa comprou uma cota-parte – não o imóvel – e, portanto, era um investimento, que, como tal, se valoriza.

Qualquer pessoa pode deixar sua cota parte lá e, quando lhe for conveniente, resgatar.

Miriam errou ao dizer que a OAS ofereceu a possibilidade de desistência em 2011.

Não foi em 2011, foi em 2009, erros assim acontecem.

Mas mentiu ao dizer que a família não pediu o dinheiro de volta.

Existe uma ação em São Paulo na qual Marisa cobra da Bancoop e da OAS o valor investido.

Era 209 mil reais em 2009. Hoje é R$ 300,8 mil. O processo está na 34ª Vara Cível.

Para revelar a farsa da acusação do tríplex como propina, Miriam Leitão também poderia se valer de seus conhecimentos sobre economia.

O tríplex, além de ser oferecido como garantia no processo de recuperação judicial da OAS, também foi relacionado pela empresa para garantir uma operação de emissão de debêntures – através dessa operação, a construtora captou recursos no mercado.

A OAS ofereceria o tríplex como garantia da dívida se ele pertencesse a Lula e Marisa?

Que tipo de propina é essa?

Se Miriam dissesse isso na Globo, explicando o que é debênture e o processo de recuperação judicial, ela desmontaria o teatro do Lula ladrão, mas, nesse caso, já não seria chamada nem para comentar sobre culinária no programa de Ana Maria Braga.

Na GloboNews, o Festival de Besteiras que Assola o País nunca desliga.

Gerson Camarotti, para sustentar o comentário de que Lula orientou o ex-diretor da Petrobras a destruir provas, diz que, depois da conversa de Lula com Duque, este transferiu o dinheiro da Suíça para Mônaco.

Ora, Duque disse no depoimento a Moro que transferiu o dinheiro porque foi obrigado, não por Lula, mas pelo banco na Suíça - possivelmente em razão do fato de que seu nome já estava relacionado ao escândalo de corrupção.

Camarotti pode ter errado porque não viu na íntegra o depoimento de Renato Duque a Moro, mas não corre risco de perder o emprego por essa mentira.

Afinal, o erro foi contra o Lula. Se fosse a favor, pobre Camarotti.

O que a Globo faz hoje é jornalismo de guerra e isso pode ser tudo, menos jornalismo.

Mas ele segue adiante e, para que atinja seus fins, precisa de assassinos de reputação.

É nítido que o prestígio de Camarotti na GloboNews tem aumentado, mas, nesse papel, ninguém supera a mãe de um dos biógrafos de Sérgio Moro.
Posted: 12 May 2017 05:16 AM PDT
Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania:

Se tivesse que resumir o que creio que decorreu do 10 de maio de 2017 – data a ser imortalizada –, diria que foi o dia da inflexão política brasileira após um processo acelerado de degradação institucional do país.

A iniciativa de trazer o ex-presidente Lula a Curitiba e dar a essa iniciativa uma publicidade imensa, foi (exclusivamente) do juiz Sergio Moro. Ele poderia ter feito outras opções. Por exemplo, poderia ter mantido sigilo sobre a oitiva ou fazê-la por teleconferência.

Por que? Em benefício do Erário, entre outros fatores.

Escrevo de Curitiba, já na madrugada de quinta-feira 11 de maio. Na noite anterior, jantei com advogados e juristas curitibanos que avaliaram que a operação em torno do depoimento do ex-presidente pode facilmente ter custado acima de milhão de reais (!)

Quantas casas populares ou escolas poderiam ter sido feitas com esse dinheiro?

Por que se optou por trazer Lula a Curitiba e dar grande publicidade ao fato só para, depois, o juiz Moro gravar vídeo manifestando preocupação com o resultado do que ele mesmo armou?

É simples: Moro esperava dar o golpe de misericórdia em Lula em sua oitiva em Curitiba. O ex-presidente chegaria atemorizado, seria humilhado por uma horda de camisas-amarelas furiosos e, se desse, sairia preso da audiência.

O vídeo [aqui] mostra que não foi bem isso o que ocorreu.

Mas o que você acaba de assistir é só parte da história. Nos primeiros dias após a convocação de Lula por Moro, a direita jurídico-midiática pareceu fazer pouco caso da iniciativa do PT de levar militantes a Curitiba para proteger Lula das milícias moristas que certamente estariam esperando o ex-presidente à porta do prédio da Justiça Federal naquela cidade.

Conforme o tempo foi passando, e a mobilização aumentando, Moro começou a se dar conta de que seu plano não iria sair como pensava. As milícias fascistas não fariam frente à maré vermelha que engolfaria Curitiba, do ponto de vista numérico, e, mesmo se fizessem, produzir-se-ia um confronto de proporções e resultados imprevisíveis.

E Moro, que optou pela oitiva destrambelhada de Lula, seria o responsável.

O resultado desse plano infalível da republiqueta fascista de Curitiba – que faliu miseravelmente porque a esperteza, quando é muita, engole o dono – você confere no vídeo [aqui].
Posted: 12 May 2017 05:12 AM PDT
Por Tereza Cruvinel, em seu blog:

Quantos anos ou décadas o Brasil terá retrocedido sob Temer só saberemos quando ele se for. Mas neste primeiro ano de seu governo, é indiscutível a involução em muitas áreas onde o pais havia saltado para a frente, especialmente na construção de um sociedade mais próxima do bem-estar social coletivo. O que Temer vai celebrar hoje, com uma solenidade no Planalto, é o retumbante êxito de seu programa de retrocessos, que podem ser também conferidos na página especial criada para a data (Brasil.gov.br/Brasilagora).

O aviso mais claro sobre a natureza do governo que estava se instalando com a vitória do golpe parlamentar que afastou a presidente eleita Dilma Rousseff foi dado naquela tarde, há um ano atrás, pelo pouco ritual posse de Temer. Numa solenidade de protocolo duvidoso, Temer deu posse a um ministério composto só de homens, de brancos e de ricos. Alguns deles estavam encalacrados na Lava Jato e alguns dias depois caiu o primeiro, Romero Jucá, do Planejamento. Depois mais dois mas hoje o fato de ser investigado deixou contar. Um terço do ministério está na lista de Fachin.

Imediatamente, Temer alterou a estrutura de governo. suprimindo ou distorcendo a finalidade de órgãos cuja criação representara avanços sociais e culturais, como o próprio Ministério da Cultura (decisão de que foi forçado a recuar pela resistência dos funcionários). A poda foi grande, atingindo as secretarias temáticas de mulheres, direitos humanos e igualdade racial, os ministérios do Desenvolvimento Social, da Reforma Agrária e da Ciência e Tecnologia e dezenas de autarquias.

Na segunda semana, com uma intervenção troglodita na EBC, Temer explicitou seu autoritarismo e sua disposição para calar toda e qualquer divergência que pudesse encontrar espaço a programação comprometida com a pluralidade e a diversidade. A lei não permitia a demissão do presidente Ricardo Melo, que tendo mandato, foi reconduzido pelo STF. Mas Temer deu um jeito, baixou um MP que mudou a regra e conseguiu fazer da EBC um aparelho chapa branca do governo.

A relação com o Congresso que lhe deu o mandato foi azeitada pela farta distribuição de cargos, precedida de demissões aos borbotões e da caçada a petistas e outras bruxas. O fisiologismo encontrou seu grau de perfeição. E então teve início o desmonte de políticas públicas anteriores, com um ímpeto destrutivo sem precedentes.

O retrocesso atingiu políticas sociais, ambientais, indígenas, culturais, habitacionais, educacionais e tudo o mais. Temer logo mexeu no marco civil da Internet e na política de demarcação de terras indígenas. O programa Minha Casa, Minha Vida sofreu um primeiro e grande corte nas metas programadas.

No Itamaraty, o então chanceler José Serra trocou chumbo com países vizinhos e africanos que criticaram o golpe. O ministro da Saúde defendeu a redução do SUS e depois recuou, mas o setor continua sofrendo. O FIES e o Pronatec perderam vagas.

Temer e seu ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, tomaram posse prometendo um ajuste fiscal vigoroso. Em junho, o governo enviou ao Congresso a PEC 241, mãe de todos os retrocessos, aprovada apesar da forte resistência da sociedade civil. A emenda congela – e inclui esta medida temporal na Constituição - o gasto público por 20 anos, medida que promete afetar drasticamente a qualidade de serviços públicos essenciais como educação e saúde. Depois vieram a lei da terceirização irrestrita de mão-de-obra e as reformas trabalhistas e previdenciária, que atentam contra direitos e conquistas garantidos pela Constituição de 1988 e por políticas públicas de governos posteriores da fase democrática.

Enquanto isso, na Petrobrás, Pedro Parente dava curso à venda de ativos da empresa na bacia das almas, criava facilidades para o capital estrangeiro e iniciativa o programa de desinvestimento da empresa.

Mas vejamos o que Temer pretende celebrar hoje, acompanhando as abas da nova página e os êxitos destacados em cada uma.

1) Economia. “Indicadores econômicos avançam e Brasil volta a crescer em 2017”, diz o título. Mas cadê o crescimento se o país segue em recessão? Quando tomou posse, Temer disse que seu maior desafio era "estancar o processo de queda livre da atividade econômica e melhorar significativamente o ambiente de negócios do setor privado, para produzir mais e gerar mais emprego e renda". Como nada disso aconteceu, Temer já fracassou na promessa fundamental. O que a página sobre êxitos econômicos destaca é uma medida cosmética que não encobre as rugas da crise e do desemprego, a liberação de recursos de contas inativas do FGTS.

2) Cidadania. Nesta segunda aba da página de balanço de Temer são destacadas três medidas. Primeira, realmente exitosa, o uso das Forças Armadas para transporte obrigatório de órgãos humanos para transplante. A seguir, o governo tem a coragem de dizer que “reformas e mais investimentos marcam melhorias na educação”. Uma das reformas é a do ensino médio, muito criticada, e que mostrará seus resultados dentro de dois ou três anos. A outra, veio do governo anterior, é a conclusão do debate e a implantação da base nacional curricular. O Enem 2016 foi o que se viu. O texto fala em aumento de vagas para o FIES mas não diz que o numero de alunos habilitados diminuiu. Efeito da crise. Sem emprego e renda, muitos pais não puderam contratar o financiamento educacional. No item “segurança pública e desenvolvimento social” os destaques são para o programa da Marcela Temer, o Criança Feliz, que ninguém sabe exatamente de que políticas públicas é feito, e para a fiscalização ocorrida no cadastro do Bolsa Família, que excluiu 1,5 milhão de famílias.

3) Na página 3, algo incrível. O chamado “pente fino” nos benefícios do INSS é destacado como medida que gerou economia. E sabemos como: cortando o auxílio-saude e a pensão por invalidez de milhares de doentes e idosos.

4) PPI. Este não poderia faltar, o programa de concessões de obras públicas, que vem repassando à iniciativa a exploração de privada portos, aeroportos, rodovias e ferrovias. Mas não no ritmo desejável por uma economia em recessão, pois a chamada segurança jurídica continua baixa. Na mesma página, Temer fatura dois feitos de governos anteriores. O lançamento do satélite geo-estacionário contratado por Dilma e a transposição das águas do Rio São Francisco, iniciada por Lula.

Por fim, diz o balanço que o governo fortaleceu a política externa. Mas em que sentido? Voltando as costas para os vizinhos e buscando relações carnais com os Estados Unidos, ao ponto de o governo convidar o exército americano para um exercício conjunto na Amazônia, coisa que nenhum pais faria, em se tratando de riqueza nacional tão cobiçada.

É isso que Temer celebrará hoje. O êxito de seu programa de retrocessos.
Posted: 12 May 2017 05:04 AM PDT
Por Júlia Dolce, no jornal Brasil de Fato:

O depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao juiz Sérgio Moro no âmbito da Operação Lava Jato foi amplamente divulgado pela mídia brasileira nesta quarta-feira.

Entretanto, a cobertura jornalística realizada pela grande imprensa pareceu ignorar os milhares de manifestantes em apoio ao ex-presidente que viajaram de todas as partes do país para ocupar a cidade de Curitiba, onde ocorria o interrogatório. Além disso, a narrativa de batalha entre Moro e Lula, criada por grandes veículos de comunicação, pode ser considerada prejudicial para a população.

É o que avalia Ana Claudia Mielke, coordenadora do Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social, que pesquisa sobre a democratização da comunicação no país, e conversou com a Radioagência Brasil de Fato.

Confira a entrevista na íntegra:

Vimos nas capas das maiores revistas ilustrações de um ringue em que Lula lutava contra Moro, qual a sua opinião sobre essa imagem construída e divulgada pela grande mídia?

A imprensa construiu essa narrativa de confronto entre o juiz Sérgio Moro e o ex-presidente Lula, isso veio estampado na capa das duas principais revistas semanais, a Veja e a Istoé desta semana. O problema dessa narrativa é que o Moro é o juiz, então se ele está de um dos lados do combate vale a gente perguntar quem é que está julgando de fato.

O juiz deveria estar ali para julgar, ele não é sequer o autor da denúncia, quem faz é o ministério público federal, então se houvesse um lado o outro lado deveria ser o MPF, e não o juiz destacado para julgar. Então essa narrativa de duelo espetaculariza a informação com o intuito de construir ou consolidar o Moro como herói, que é algo que já vem se fortalecendo nos meios de comunicação há um tempo.

Na verdade desde o início da operação Lava Jato. Então você faz o duelo, coloca um contra o outro, para desses dois destacar quem vai ser o herói. Além disso, essa narrativa de confronto gera desinformação, porque as pessoas não compreendem qual o papel da justiça no país, então contribui ainda mais para a gente ter uma informação equivocada sobre qual o papel da justiça, do juiz, da defesa, da acusação, que nesse caso é o MP, então é bastante complicado que a imprensa brasileira tenha colocado a questão do interrogatório do Lula como um confronto entre dois personagens da operação Lava Jato.

Na sua opinião, como foi construída a cobertura específica do depoimento de Lula na grande mídia?

Acho que a cobertura dos telejornais, até pelo tempo em que foi feita a edição e o tempo em que o vídeo foi disponibilizado para que os telejornais pudessem mostrar os trechos, acabou não dando muita margem para que eles construíssem uma narrativa específica sobre o interrogatório. Então eu achei que de alguma forma a apresentação dos poucos trechos se deu de forma bastante objetiva.

Agora o que me impressionou nos telejornais ao longo do dia de ontem é justamente a tentativa de invisibilizar a presença de manifestantes apoiadores de Lula em Curitiba. O tempo todo os jornais mostravam um enorme aparato policial montado lá no Fórum onde o Lula prestou o depoimento, mas em momento algum explicavam porque o aparato havia sido montado. E ele foi montado justamente porque havia o indicativo de um grande contingente de pessoas se deslocando de vários locais do Brasil para prestar apoio ao ex-presidente.

E nesse ponto vale citar um caso do jornal das 22 horas, da Globonews, embora não seja uma emissora aberta, em que o apresentador Dony De Nuccio tenta explicar com suas próprias palavras porque tinha bem mais gente na manifestação de apoio ao Lula do que nas imagens que mostravam alguns gato pingados defensores da Lava Jato. Então foi um dos episódios mais vergonhosos da cobertura de ontem.
Posted: 12 May 2017 05:00 AM PDT
Por Pietro Borsari, no site Brasil Debate:

A reforma trabalhista (PL 6787/2016), quanto à jornada de trabalho, opera no sentido da flexibilização do uso da força de trabalho. Este artigo buscará, além de resumir as alterações, elucidar os motivos pelos quais a flexibilização é tão adequada para o empregador e tão prejudicial ao trabalhador.

Hoje, a CLT estabelece a jornada normal de trabalho de 8 horas diárias e 44 horas semanais, podendo haver até 4 horas extras na semana, sendo que não mais de 2 horas extras por dia. Mas a reforma trabalhista altera aspectos da jornada de forma a possibilitar maior flexibilidade para compensação das horas extras do banco de horas (Art. 59A), extensão da jornada diária para até 12 horas (turnos 12×36, Art. 59B) e implementação do contrato de trabalho intermitente. Além disso, propõe o fim do comunicado prévio de necessidade imperiosa de jornada de trabalho acima dos limites legais. Todas essas propostas vão no sentido de tornar a jornada de trabalho mais flexível, facilitando a compensação das horas extras sem custos adicionais e, no limite, permitindo a contratação sem garantia de jornada e remuneração (trabalho intermitente).

Motivações para a flexibilização da jornada

O empregador, quando compra a força de trabalho, está comprando o direito de fazer uso do tempo de trabalho do trabalhador. Não é de se surpreender que o empregador queira utilizar esse direito da maneira mais proveitosa.

Ainda, no embate das relações de trabalho, os detentores de capital têm melhores condições de estabelecer seus interesses sobre os trabalhadores. Assim, se as relações de trabalho fossem deixadas ao livre mercado, os empregadores estenderiam tanto quanto possível a jornada de trabalho contratada para obter máximo retorno. Esse movimento pode ser aprofundado até certos limites físicos e sociais. O primeiro seria aquele que o trabalhador conseguiria suportar até não “morrer de trabalhar” e o segundo é limite socialmente aceitável pela classe trabalhadora, na qual a jornada de 8 horas representa um marco histórico, estabelecida pela OIT em sua primeira convenção em 1919.

Mas o regime de acumulação flexível, característica do capitalismo contemporâneo, passou a explorar todas as formas de flexibilização da produção, seja em termos financeiros, territoriais ou do trabalho. E a jornada de trabalho é uma das variáveis de ajuste mais importantes da produção de bens e serviços, para que os empregadores possam se adequar às flutuações da demanda, repassando parcialmente as incertezas e os riscos do empreendimento para o trabalhador. Diga-se de passagem, isso vai em total desencontro, segundo a teoria econômica convencional, com o “ser empreendedor” e o “ser contratado”, quanto à aversão ao risco.

Essa sedutora possibilidade de ajuste se dá na medida em que, por exemplo, por conta de uma queda da demanda, o empregador percebe que não precisaria de tantos trabalhadores, pois ou uma parte ficaria ociosa ou geraria estoques indesejáveis. O cenário ideal para ele seria empregar o montante de hora-trabalho estritamente necessário correspondente à sua perspectiva de venda.

Podendo flexibilizar a jornada, a parte “excedente” de hora-trabalho contratada poderia simplesmente não ser empregada, e ser utilizada outro momento (aumento inesperado de demanda). Assim, o tempo da força de trabalho total seria empregado o mais perto possível da maneira ótima para o capital, acompanhando as flutuações das vendas.

Mas e o trabalhador?

A flexibilização da jornada defendida pelo Projeto de Lei implica o trabalhador estar excessivamente disponível para o empregador. Acompanhando as oscilações da necessidade de produção, o trabalhador encontra sua jornada sendo reduzida ou estendida, sem ter controle do seu tempo de trabalho. As consequências para o trabalhador não são poucas: desorganização da vida social e familiar, perda de perspectiva de crescimento profissional, aumento do número de acidentes e cansaço acentuado. Em suma, consequências de ordem social, psicológica e da saúde.

A intensificação ocorre pela diminuição dos intervalos entre uma atividade e outra. Com o tempo da força de trabalho sendo continuamente utilizado, as porosidades do trabalho são minimizadas, ou seja, cada ínfimo momento em que o trabalhador consegue “respirar” e se recompor dentro da jornada de trabalho é esvaziado, pois sua mão de obra está sendo intensamente absorvida com a flexibilização da jornada.

A possibilidade de jornadas maiores e a certeza da intensificação do ritmo de trabalho levam ao aumento do número de acidentes do trabalho e adoecimentos ocupacionais. Essas consequências da flexibilização da jornada são diretas e facilmente perceptíveis. O que não se tem em conta, muitas vezes, é que não se trata somente da saúde do ponto de vista individual. É uma questão de saúde pública, e, portanto, deve fazer parte de um amplo debate da sociedade, pois construir uma sociedade mais doente não só é indesejável do ponto de vista de humanidade, como também do ponto de vista do orçamento público.

Além dos impactos físicos, a incerteza da jornada de trabalho desemboca no descontrole da própria rotina de trabalho do trabalhador. Isso gera imediato impacto na organização da vida social do trabalhador, assim como na própria vida profissional, pelo trabalho excessivo e com jornada imprevisível, dificultando a possibilidade de capacitação via cursos de aperfeiçoamento, treinamentos e acúmulo de novos conhecimentos. Tudo isso pode desencadear doenças psíquicas e perda de interesse em demais aspectos da vida. De novo uma questão de saúde pública.

Portanto, a reforma trabalhista atua no sentido de flexibilizar a jornada de trabalho, o que é extremamente favorável para o empregador extrair maiores ganhos do tempo de trabalho contratado, reduzindo custos e, assim, transferir parte do risco do negócio para o trabalhador. Por outro lado, o trabalhador é prejudicado pela intensificação do trabalho, desorganização da vida social, perda de perspectiva de capacitação e aumento do número de acidentes.
Posted: 12 May 2017 04:47 AM PDT
Por Olímpio Cruz, no site PT no Senado:

Noventa por cento da cobertura global sobre o Brasil nesta quinta-feira, 11 de maio, está restrita ao depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva perante a Justiça Federal. A mídia global mostra o impacto da sua ida a Curitiba para se explicar perante o juiz Sérgio Moro, pintado no material noticioso como um magistrado que luta contra a corrupção. Mas, diferentemente do que saiu na mídia brasileira, o material produzido por correspondentes e agências internacionais de notícias é mais favorável a Lula, que se apresentou como vítima de uma perseguição

O britânico The Guadian destaca em manchete que Lula condenou a perseguição a que está sendo submetido ao enfrentar no tribunal as acusações de corrupção. O repórter Dom Philipps relata que o presidente mais popular da história brasileira foi questionado por Sérgio Moro, “um herói nacional por encarcerar os ricos e poderosos”. O correspondente conta como foi o dia, o forte esquema de segurança em Curitiba, a presença de milhares de simpatizantes, e sobre o comício que Lula fez com a sucessora Dilma Rousseff, após prestar depoimento.

O francês Le Monde reportou que Lula apareceu no tribunal para encarar as acusações de suborno e protagonizou um show ante a Justiça. A correspondente Claire Gatinois diz que Lula, “combativo”, apareceu zombando, dizendo ser vítima de uma “caçada judicial”, mas também vergonha por ter de responder por sua mulher, que morreu em fevereiro. “Você me mostra o documento [prova] que o apartamento é meu. Porque precisa ter prova. O resto é blá, blá”, disse Lula, em destaque no texto.

Reuters informa que o ex-presidente apareceu perante o tribunal para enfrentar as denúncias de corrupção. O despacho relata que o juiz ao ser indagado por Moro, anunciando a necessidade de fazer “perguntas difíceis”, ex-presidente não titubeou: “Não há perguntas difíceis, senhor. Quando se fala a verdade, não há perguntas difíceis”. O material foi reproduzido pelo New York Times e outros 4,9 mil sites noticiosos.

Associated Press manchetou que Lula desafiou Moro durante o depoimento. “Depois de dois anos de massacre, eu estava esperando para ver um documento mostrando que eu comprei o apartamento”, disse Lula. “Mas não havia nada, absolutamente nada”. O material da AP foi replicado pelo NYTimes, Washington Post e outros 3,8 mil veículos de imprensa no exterior. Na Bloomberg, reportagem mostra Lula condenando “caça às bruxas” e sinalizando que será candidato a presidente.

Na BBC, reportagem ressaltou que Lula chamou o julgamento de “farsa”. Na Russia Today, a reportagem fala que o ex-petista se apresenta à Justiça para falar do caso de corrupção da Lava Jato. A agência russa Sputnik reportou que Lula, “o presidente mais popular do Brasil”, depôs durante cinco horas. A alemã Deutsche Welle destacou que Lula negou ser dono do triplex e informa que ele quer ser presidente novamente.

Al Jazeera noticia que Lula chamou as acusações de corrupção de “farsa”. A Radio France Internationale apontou que Lula foi interrogado durante cinco horas e que, mesmo sob o risco de ser preso, anunciou que é candidato à Presidência. Na Telesur, reportagem repete as declarações de Lula da caça às bruxas e destaca que a defesa do ex-presidente denuncia que a mídia brasileira quer fabricar uma condenação sem evidências.

O francês Le Monde também trouxe outro texto, a partir de despacho da AFP, em que abre com a declaração do ex-presidente: “Este julgamento é ilegítimo, é uma farsa”. E descreve o petista usando uma gravata com as cores do Brasil e que, aos 71 anos, estava no comando para defender-se das acusações de que recebeu um apartamento triplex em um resort.

“Eu não quero ser julgado em interpretações, mas em evidências”, disse, depois da audiência. “Eles não apresentaram qualquer documento comprovando que o apartamento pertence a mim”. O despacho da AFP também foi distribuído em espanhol, inglês e português, sendo reproduzido em mais de 2,3 mil veículos de mídia ao redor do planeta.

O diário francês Le Figaro deu no título da reportagem que Lula enfrentou o seu juiz, apresentando Moro como um “magistrado inflexível” e um “workaholic de vida quase monástica”. Liberation também destacou que Lula enfrentou o juiz, usando como base o texto da France Press, assim como o Le Point, que descreveu o alto nível de tensão dentro e fora do tribunal. Le Parisien relatou que foram cinco horas de interrogatório, em que o ex-presidente denunciou ser vítima de “acusações mascaradas”, assim como o diário La Depéche. O material também foi reproduzido pelo canal France 24.

O espanhol El País veiculou reportagem em que mostra Lula transformando seu depoimento em uma exibição de poder político. “O ex-presidente, que pretende ser um candidato nas eleições presidenciais de 2018, reúne milhares de seguidores perante o tribunal”, informa no subtítulo o jornal. Outro diário espanhol que abordou o depoimento foi o El Mundo, que destacou a frase de Lula ante o juiz: “sou vítima de uma caça”.

A mídia argentina também deu amplo espaço ao depoimento de Lula. O jornal Clarín destacou que Lula se declarou inocente contra as acusações de corrupção na Petrobras e afirmou sofrer um “assédio judicial”. La Nación traz dois textos: o primeiro aponta que Lula converteu seu interrogatório em um trampolim para as eleições de 2018 e, em outra reportagem, o diário informa que o PT pintou de vermelho as ruas de Curitiba.

No Chile, o jornal La Tercera destaca que o petista está vivo e abre título para sua declaração: “Estou me preparando para ser candidato à Presidência”. No México, La Jornada informa que o ex-presidente denunciou a farsa judicial, relata a presença de milhares de apoiadores e coloca no título a afirmação de Lula: “Não há uma prova contra mim”.

Na América do Norte, a Rádio Canadá informou que Lula compareceu diante da Justiça para negar as acusações e pedir que sejam apresentadas provas de que ele é o dono do triplex. Segundo a rádio, apesar das acusações, Lula ainda goza de forte apoio popular no país. Nos Estados Unidos, Voice of America noticiou que Lula enfrentou o juiz, reproduzindo material da AP.

Um ano de Temer

Em outra reportagem em destaque na imprensa estrangeira, nesta quinta, Associated Press relembra que Michel Temer assumiu o governo há um ano prometendo reunificar o país e tirar a economia da recessão com uma palavra: confiança. O repórter Maurício Savarese relata que muitas das promessas estão suspensas ou perdidas.

“Os brasileiros não confiam em Temer, de acordo com numerosas pesquisas”, escreve o jornalista. “Na mais recente, do Datafolha, apenas 9% aprovam seu desempenho no cargo por ano, quatro pontos abaixo de Dilma Rousseff no momento em que ela foi suspensa”. A reportagem aponta que 71% dos entrevistados rejeitam as reformas que ele está propondo. O material foi reproduzido pelo NYTimes, Washington Post e mais 3 mil jornais e veículos noticiosos em todo o mundo.
Posted: 12 May 2017 04:42 AM PDT
Por Jeferson Miola

Do ponto de vista processual, a grande maioria das ações judiciais da Lava Jato deverá ter seguimento nos próximos anos.

O julgamento do ex-presidente Lula, todavia, além da simbologia de alcançar o maior líder popular da história do Brasil, marca o ingresso da Operação no capítulo final que de fato interessa à ditadura Globo-Lava Jato para influenciar o tabuleiro político.

Moro, Janot e os operadores implicados no golpe programaram o timing deste julgamento de olho no calendário de 2018. O objetivo é excluir Lula da cédula eleitoral mediante uma condenação arranjada, sem provas e sem fundamentos legais.

Os inquisidores invertem o princípio de presunção da inocência e, como não possuem elementos probatórios, transferem a Lula a obrigação de demonstrar que ele não cometeu nenhum crime. Como não possuem uma única prova, querem que Lula prove que não existe a prova que não existe!

As últimas e arbitrárias decisões do judiciário rechaçando recursos da defesa do ex-presidente para acessar documentos da acusação – negados desde a primeira instância com Moro em Curitiba, passando pelo Tribunal Federal da 4ª Região sediado em Porto Alegre e culminando com a negativa pelo Superior Tribunal de Justiça em Brasília – evidenciam o endurecimento do regime de exceção com a contaminação vertical do judiciário, que está de alto a baixo condicionado pela pressão midiática no menosprezo aos princípios do Estado de Direito e à Constituição.

Esta subtração do direito do Lula a um julgamento justo e imparcial contaminou irremediavelmente os processos fabricados contra ele pela Lava Jato. O arbítrio e as medidas de exceção interditaram o exercício do pleno direito de defesa do Lula e causarão, no futuro, a nulidade desta grotesca farsa.

Se o arbítrio não tem freios e agride inclusive um ex-presidente da república extremamente popular, reconhecido mundialmente e líder das pesquisas eleitorais, é certo que todo cidadão brasileiro estará desprotegido e ameaçado pela tirania jurídica institucionalizada com o golpe.

Seguindo a trilha desta escalada autoritária, o usurpador Michel Temer, embora rejeitado por 96% da população, acelerou a tramitação da reforma previdenciária no Congresso. Apesar da gigantesca greve geral de 28 de abril, Temer também decidiu endurecer o jogo, porque a destruição dos direitos sociais e a entrega da soberania nacional é a moeda de troca para a sobrevivência da cleptocracia golpista no poder.

A resistência democrática e popular está conseguindo recompor forças e acumular energias. A greve geral, extremamente exitosa, é uma clara demonstração de que a luta e a solidariedade de classe sempre crescem na luta e na resistência vigorosa.

A realidade evidencia, porém, que é necessário avançar muito mais a luta e radicalizar o enfrentamento à oligarquia golpista para interromper a continuidade do golpe e para, sobretudo, afastar o risco – cada vez mais real – de guinada totalitária no país e de consolidação de uma ditadura ainda mais agressiva e devastadora que a ditadura já vigente, da Globo-Lava Jato.

O aprofundamento das medidas antipopulares e antinacionais levado ao extremo por um bloco de poder totalmente ilegítimo só será possível num contexto de violência política e institucional. É crucial, por isso, elevar o patamar da luta e da resistência diante do endurecimento do regime de exceção.
Posted: 12 May 2017 04:37 AM PDT
Do site da Federação Única dos Petroleiros (FUP):

Confirmando o que havia dito semanas atrás, a Petrobrás emitiu um comunicado ao mercado falando sobre uma nova lista de desinvestimentos da companhia. Mas, vejam só: a lista não foi divulgada! Segundo a nova metodologia, a Petrobrás submeterá à Diretoria Executiva individualmente cada projeto de investimento e, se aprovado, serão divulgados ao mercado maiores informações dos projetos, como: atores envolvidos, modelo de negócio entre outros. No entanto, na mesma nota, a empresa informa que já está aprovada uma “carteira de intenções” de desinvestimentos: “Petrobras (...) informa que sua Diretoria Executiva aprovou a recomposição da sua carteira de projetos de parcerias e desinvestimentos. (...) a carteira aprovada é uma carteira de intenções, a partir da qual o início de divulgação de cada projeto se dará individualmente e oportunamente”.

Em outras palavras, ao invés de ampliar a transparência do processo de desinvestimento, como solicitada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), a gestão Pedro Parente se utiliza de um instrumento para não divulgar amplamente para a sociedade quais os ativos da “carteira de intenções” que estão dispostos a ser vendidos. Agora, os trabalhadores e a sociedade em geral somente terão acesso aos projetos a serem vendidos quando aprovado pela Diretoria e estiverem prontos para serem vendidos ao mercado. Embora já se saiba de antemão quais ativos devem compor a carteira de desinvestimentos, a Petrobrás se nega a informa-los.

No comunicado, a empresa apenas menciona que pretende se desfazer de Pasadena e dos ativos comprados na África. É mais uma prova da visão míope e de curto prazo dos gestores, que seguem jogando no lixo as oportunidades de ganho da companhia no longo prazo.

Em primeiro lugar, a refinaria de Pasadena continua apresentando grandes oportunidades de ganho para a Petrobrás – em 2014, por exemplo, o lucro foi superior a US$ 100 milhões. Recentemente, a produção de óleo não convencional no campo de Eagle Ford – que fica no Texas e próximo à refinaria – permitiu ampliar, a um custo relativamente baixo, sua capacidade produtiva. Segundo dados da Petrobrás e da Agência de Energia Americana, em 2016, o custo de produção dos derivados estava em torno US$ 43,5 o barril – considerando o custo do refino mais o do óleo cru – enquanto que o preço de venda no varejo era de US$ 48,2 o barril. Ou seja, para cada barril, a margem bruta da refinaria era de aproximadamente cinco dólares. Levando-se em conta que Pasadena tem uma capacidade de refinar cerca de 100 mil barris/dia, a margem diária seria algo em torno de US$ 500 mil.

Em segundo lugar, os ativos da África, atualmente, respondem por cerca de 40% das reservas que a Petrobrás tem no exterior. De acordo com dados da companhia, são de 32,5 milhões de barris. Seguindo a linha do que a companhia já tem feito dentro o Brasil, a nova ordem da gestão Parente é diminuir o volume de reservas provadas líquidas. Não é por acaso que em 2016, o volume de reservas provadas da Petrobrás se reduziu ao ponto de ser inferior ao volume de 2004.

Quantas empresas têm a oportunidade de ter uma margem bruta de US$ 500 mil? Quantas operadoras se desfazem de reservas de petróleo num ritmo assustador como o da Petrobrás?

Evidente que essas ações não têm relação apenas com a lógica financeira ou estratégia da Petrobrás, mas sim com a marca da atual gestão. Para dilapidar o patrimônio brasileiro e vender o mais rápido possível os ativos da empresa, atendendo aos interesses do governo e das operadoras estrangeiras, tudo é permitido por Pedro Parente: pouca transparência, abrir mão de oportunidades futuras para a empresa e até destruir aquilo que é o mais importante para uma petroleira, que são as reservas de petróleo.

Quando assumiu a Petrobrás, ele disse que não privatizaria a empresa. Nem seria preciso, pois o plano é vender pelas beiradas, reduzindo a companhia até que não reste mais nada para privatizar.
Posted: 11 May 2017 07:30 PM PDT
Por Felipe Bianchi, no site do Centro de Estudos Barão de Itararé:

Todos os holofotes do país se voltaram para Curitiba na quarta-feira (10), dia e local onde ocorreu o depoimento de cinco horas de duração do ex-presidente Lula ao juiz Sergio Moro, sobre o famigerado caso do triplex no Guarujá. O espetáculo midiático promovido em torno do acontecimento, também responsável por turbinar a figura de Moro e alavancar a Operação Lava Jato, foi objeto de duras críticas de Lula, em especial durante suas considerações finais.

"A imprensa é o principal julgador disso tudo", afirmou o ex-presidente. "Sei que você dará a decisão final, como juiz, mas nenhum cidadão brasileiro aguentaria o que eu estou aguentando. É só ligar em qualquer jornal". Para justificar a tese de que sofre um massacre por parte da imprensa hegemônica, Lula apresentou números contundentes. "Só nos últimos 12 meses, foram 18 horas e 15 minutos de matérias negativas no Jornal Nacional. São 12 partidas de futebol", calcula. "Estou citando o Jornal Nacional porque é o mais importante, mas podia pegar o 'Bom Dia Café', 'Bom Dia Almoço', 'Bom Dia Janta', Jornal das 10, em todos os canais de televisão", ironiza.

O ex-presidente seguiu a contabilidade do calvário diário produzido contra ele pelos grandes meios de comunicação: "De março de 2014 pra cá, foram 25 capas na IstoÉ, 19 na Veja e 11 na Época, todas me demonizando. Na Folha de S. Paulo, foram 298 matérias contra mim e só 40 favoráveis. No jornal O Globo, 'que é meu amigo', foram 530 matérias negativas e apenas oito favoráveis. Já no Estadão, 'que é mais amigo ainda', foram 318 matérias contrárias e duas favoráveis".

Interrompido por Moro em diversas ocasiões, que chamava a sua atenção sobre suas considerações finais fugirem do tema da investigação, Lula discordou: "Não foge do tema, doutor. Esse é o problema. (...) Adotou-se uma política de, primeiro, a imprensa criminalizar a pessoa. Ninguém acusado na Lava Jato é atacado nem 10% do que eu sou", desabafou. "Só quero que parem com ilações e digam qual o crime que cometi, com provas. Não basta levantarem uma tese e massacrarem a pessoa nos meios de comunicação".

Moro tentou minimizar o papel da mídia na Lava Jato e no julgamento de Lula, argumentando que o processo seria regido apenas de acordo com as leis e as provas. Lula foi à carga "O fato é que muitos ficam sabendo de tudo o que está acontecendo três dias antes. Eu poderia citar o Fausto [Macedo], do Estadão, poderia citar a Veja e até um tal blog que fica nos Estados Unidos e o cidadão sabe três dias antes o que vai acontecer", dispara. "Enquanto isso, meu advogado precisa implorar pra saber. Há um interesse de vazar, pois esse julgamento é midiático".

Para Lula, mais que o prejuízo político, o linchamento na imprensa tem sérias consequências também para os familiares da vítima. "Que a imprensa desse essas matérias depois de o cidadão ser julgado e condenado", diz. "Meu problema não são os meus adversários, são meus netos, de quatro e cinco anos, que sofrem bullying todo dia e me perguntam".

"Como isso vai acabar se o Lula for inocente, se não cometeu o crime que tanto dissemos que ele cometeu? O que diremos ao nosso espectador?", indaga o ex-presidente. "As pessoas, meus acusadores, nunca tiveram 10% do respeito que tenho por eles". O objetivo dessa cruzada midiática, de acordo com ele, é massacrá-lo. "É como se o Lula estivesse sendo procurado vivo ou morto. (...) Parece que tenho que pagar pelo pecado de existir, de provar que esse país pode dar certo".

Assista ao trecho do depoimento em que estão praticamente todas as informações desta matéria [aqui].
Posted: 11 May 2017 04:18 PM PDT
Posted: 11 May 2017 03:26 PM PDT

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