sábado, 13 de maio de 2017

13/5 - Altamiro Borges DE HOJE

Altamiro Borges


Posted: 13 May 2017 11:13 AM PDT
Por Altamiro Borges

O sinistro Movimento Brasil Livre (MBL) sempre esbanjou muito dinheiro com caminhões de som, bonecos infláveis e outros apetrechos em suas marchas golpistas pelo impeachment de Dilma – mas nunca prestou contas sobre a origem desta grana. Na campanha eleitoral do ano passado, porém, o grupelho fascista precisou disfarçar para não ser incomodado pela Justiça, sempre tão amiga. Nas redes sociais, o MBL pediu contribuições individuais – já que as empresariais estavam aparentemente proibidas – para seus candidatos. No final da batalha, contabilizou oito vereadores eleitos em vários estados por partidos da direita – como o DEM. Mas pelo jeito os apoios legais não foram tão importantes assim. Tanto que um dirigente do MBL chamou de “imbecil” um doador da campanha do capitão-do-mato Fernando Holiday para a vereança de São Paulo.

Segundo matéria publicada na Folha nesta quinta-feira (11), “Renato Battista, coordenador do MBL, chamou de ‘imbecil’ um doador que destinou R$ 1.500 para a campanha de Fernando Holiday, eleito vereador em São Paulo pelo DEM, no ano passado. A gravação foi obtida pela reportagem da Folha. ‘Acabei de tirar extrato do banco e estou indo para o escritório para terminar a prestação de contas. Aparentemente um imbecil doou mais R$ 1.500 no dia 30. A gente está com quase R$ 12 mil sobrando’, afirma Battista, numa mensagem de WhatsApp. A mensagem foi gravada em 3 de outubro, dia seguinte à eleição, e enviada para o grupo ‘Estratégia Holiday’, formado por seis líderes do comitê de campanha, entre os quais o próprio candidato”.

Ainda de acordo com a matéria, assinada por Rogério Gentile e Rogério Pagnan, “Battista é um dos principais integrantes do MBL, sendo um dos apresentadores do programa exibido no youtube chamado ‘MBL News’. Costuma se referir ao vereador Holiday como um representante da ‘nova política’. Pela gravação é possível inferir que Battista, hoje assessor parlamentar de Holiday, estava contrariado com o fato de que a doação feita no dia 30 de setembro atrapalhava o discurso de que Holiday se elegeu gastando apenas um real por voto obtido”. A própria Folha denunciou em março passado que a campanha do fascistinha contou com recursos não contabilizados, o famoso Caixa-2 – o que poderia resultar na cassação do seu mandato.

A reportagem até tentou ouvir o “outro lado”, mas foi estranhamente rechaçada. “Localizado pela Folha no mês passado no gabinete de Holiday, Battista confirmou ter participado da arrecadação de campanha do vereador e, na sequência, também concordou em conceder entrevista sobre o assunto. A conversa, porém, foi interrompida pelo chefe de gabinete do vereador, Marcelo Aguiar de Castro, que solicitou que as questões fossem enviadas por e-mail... ‘Não [vou deixá-lo responder]. Porque ele é meu funcionário. Ele está cumprindo minhas ordens’, disse Castro à reportagem. O e-mail enviado a Battista, ainda no dia 26 passado, não foi respondido. Procurado, o vereador Holiday não quis falar com a Folha. Manifestou-se apenas por meio de uma nota, na qual classificou o assunto como de menor importância”.

Será que os “imbecis” que financiaram sua candidatura também acham que o assunto não tem “a menor importância”?

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Posted: 13 May 2017 08:40 AM PDT
Por Jeferson Miola

No depoimento do Lula ao juiz-acusador Sérgio Moro em 10 de maio teve de tudo – impedimento de intervenções dos advogados de defesa, perguntas descabidas sobre assuntos estranhos à ação, inquisição torturante por 5 horas e parcialidade nos questionamentos.

Naquela audiência só não apareceu, porém, o essencial: a apresentação de uma única prova, por mais insignificante que fosse, para justificar a mínima razão para a abertura do processo judicial contra o ex-presidente.

O procurador Carlos Fernando Lima lamentou que Lula não tenha produzido provas contra si. Isso deixa claro que a acusação [ao encargo do MP e da PF] não possuía provas e que, na ausência de provas, esperava que o ex-presidente se auto-incriminasse.

A Lava Jato perdeu a batalha de Curitiba. A acusação envolvendo o suposto apartamento triplex expôs as ridículas inconsistências do processo judicial e, em vista disso, fragilizou a hipótese de imputação de crime ao ex-presidente. Apesar disso, contudo, sabe-se de antemão que Moro deverá se pronunciar pela condenação do Lula.

Pouco mais de 24 horas depois do fracasso da força-tarefa, a Lava Jato passou por um rápido recall para consertar a artilharia e aprumar a ofensiva da guerra contra Lula.

O rápido reordenamento tático comprova o padrão sofisticado de inteligência e coordenação estratégica da ditadura Globo-Lava Jato. Imediatamente após a batalha de campo vencida por Lula, reagiram com bombardeio nuclear.

Num passe de mágica, tiraram da cartola do STF os depoimentos do casal de marqueteiros Mônica Moura e João Santana, prestados nas delações sob chantagem psicológica, em troca da redução dos anos de cadeia a que seriam condenados caso não mentissem para incriminar Lula e Dilma.

A tese da Lava Jato exposta no power point infame do procurador Deltan Dallagnol, de que Lula é o comandante supremo de uma organização criminosa, a mesma que os procuradores covardemente não sustentaram na audiência em Curitiba na presença do próprio Lula, foi ressuscitada.

O recall da Lava Jato é o recall do golpe e do regime de exceção. Por ironia da história, o ajuste de rumos da Operação se dá no exato dia do primeiro aniversário do golpe [Dilma foi afastada provisoriamente pelo Senado em 12/5/2016 e, em definitivo, em 31/8/2016].

A mídia hegemônica, sem nenhuma exceção, assumiu uma linha editorial uníssona de condenação do Lula, em que pese a inexistência de qualquer motivo para este enquadramento.

As manchetes de todos os jornais, com pequenas variações de vocabulário, giraram em torno da infâmia do power point: “Lula era o chefe e dava a palavra final”. As emissoras de rádio e televisão dos oligopólios midiáticos, alinhadas editorialmente, massacram exaustivamente com a mesma propaganda caluniosa.

A mídia hegemônica, liderada pela Rede Globo e inundada com milhões e mais milhões de verbas publicitárias que aumentaram exponencialmente no período do ilegítimo governo Temer, assumiu com a Lava Jato o papel de proa na destruição da democracia e do Estado de Direito no Brasil.

Só se consegue vislumbrar saídas não-democráticas no horizonte. São saídas que criam um período prolongado e de profunda ilegitimidade democrática e, portanto, de enorme instabilidade e conflito social: ou [1] condenam Lula para impedi-lo de disputar a eleição presidencial que deveria ser convocada com a máxima urgência, ou [2] suspendem a eleição de 2018, caso não consigam condenar Lula para implodir sua candidatura presidencial.

A ditadura jurídico-midiática intensificou a guerra contra o ex-presidente Lula. Esta guerra, na verdade, é uma guerra contra a democracia para atacar os direitos do povo brasileiro e seguir desnacionalizando a economia e transferindo a riqueza nacional para o estrangeiro às custas da miséria da maioria da população. Nesta guerra, o destemor fascista da tirania jurídico-midiática é assombroso.

O Brasil está se encaminhando para o embrutecimento do regime de exceção. É imperioso pensar-se novas e mais radicais formas de luta para impedir este desfecho perigoso desenhado pelas classes dominantes com o patrocínio de interesses externos.

O povo em resistência está desafiado a construir novas plataformas de luta, muito mais sofisticadas e vigorosas que todas as conhecidas e já experimentadas.
Posted: 13 May 2017 07:05 AM PDT
Posted: 13 May 2017 06:32 AM PDT
Por Luís Fernando Vitagliano, no site Brasil Debate:

Qualquer pessoa mais atenta e que acessou as gravações do depoimento de Lula dia 10 de maio vai perceber que Sergio Moro já deu sinais de quais argumentos vai usar e como procederá para condenar Lula. Quando o juiz justifica por que as perguntas fora dos autos são importantes e quando o advogado observador da OAB-PR, Rene Ariel Dotti, que representa a Petrobras na acusação, se destempera sobre os protestos da defesa que queria delimitar o interrogatório aos limites dos autos, e parte das elites jurídicas reacionárias dentro do direito se veem representadas pela fala de que a análise do caráter do réu é parte fundamental da análise do juiz, dão pistas do que está por vir.

É o argumento de Rene Dotti que vai justificar a condenação a Lula. Dotti é professor de direito penal na UFPR, não por acaso a mesma instituição em que Sérgio Moro é professor.

Pelo depoimento de ontem, baseado nas perguntas do juiz Moro e no destempero de René Dotti, posso antecipar a sentença a Lula? Esse artigo é uma tentativa de leitura do depoimento a partir das perguntas dirigidas ao ex-presidente por parte do juiz Sérgio Moro e se fundamenta em uma tese muito difundida por críticos aos abusos cometidos pela 5ª Vara de Curitiba: Lula nunca foi réu, nunca teve sua defesa garantida, nunca se supôs sua inocência e, quando indiciado, já estava condenado – as investigações são apenas para justificar sua condenação e não para decidir se há provas para isso. Nesse sentido, frágeis ou não, os argumentos para a condenação são apenas pró-forma, estágio necessário para a teatralidade que toda operação que se realiza em torno do ex-presidente se concretize.

Lula obviamente não estava sendo analisado a partir dos seus atos, ou seus atos não dão argumentos para condenação. Então, será preciso ampliar o escopo para argumentar em favor da sentença. E o argumento da condenação obedecerá a mais retrógrada das doutrinas jurídicas: a análise do caráter.

Justifica o juiz: em 2005 o então presidente Lula dizia se sentir traído por membros do governo que cometeram desvios e foram condenados pelo processo do mensalão. Já em 2014, Lula tinha outro discurso, conivente com os condenados e repulsivo à justiça. O eminente juiz dá a entender que há evidente desvio de caráter em Lula, que aquele presidente que era a favor das investigações e das condenações ao longo do seu mandato e fora da presidência tornara-se parte conivente e interessada da corrupção. Nesse argumento, Lula será condenado porque se somam os indícios (não comprováveis) de desvio de função e tráfico de influência com a personalidade destorcida pela mudança do caráter do ex-presidente.

Em claro português: Lula será condenado primordialmente por preconceito de classe, depois por desentendimento do que é política e total incompreensão do que é uma gestão pública e o papel de um presidente da república ou de um político. Para isso, a necessária materialidade do crime se torna desnecessária.

Moro analisou, portanto, o caráter de Lula e tem provas de sua mudança para uma mentalidade criminosa, deduzirá isso do depoimento e das declarações de Lula à imprensa. Condenará sem laudo psicológico ou materialidade, mas a partir da relação entre as evidências: desvio de caráter do réu e indícios de crime apontados pelas testemunhas. Se é possível estabelecer uma relação causal entre as coisas? É como se supor que uma carteira que estava em cima da mesa foi roubada por alguém que estava próximo. Por quê? Você estava perto, é possível e porque seu caráter demonstra que em algum momento da sua vida você proferiu a frase: “achado não é roubado”. Essa é mais ou menos a lógica do criminalista René Dotti ao se contrapor à defesa e dizer que a análise do caráter de Lula orienta o interrogatório de Moro.

O argumento positivista de que o caráter ou a origem inata do criminoso é argumento suficiente para a condenação sumiram do direito contemporâneo por um motivo muito simples: a história mostrou a quantidade de erros e condenação de inocentes, o que desmonta a tese das análises inatas e adquiridas da personalidade. É aquele argumento que leva a supor que judeu tem tendências a desvio de caráter, que negro é propenso à baixa inteligência, que cigano é predisposto à bandidagem. É o argumento que supõe que petista não sabe governar ou que governa desonestamente, mas que governa bem e com mais honestidade que outros? Impossível pelas possibilidades da determinação positivista do direto.

Parece uma ideia estúpida, mas é essa a linha de interrogatório que seguiu Moro. Recortar e colar os discursos de Lula fora de contexto só mostra que o juiz precisava de uma “materialidade” (declarações soltas de Lula à imprensa) de que ele teria mudado de posição quanto à corrupção para dizer que o caráter do ex-presidente é ou tornou-se corrupto e que isso associado à atitude leniente com criminosos do seu partido leva a supor que Lula desviou-se da conduta moral de um réu inocente. O argumento parte do suposto jurídico de que o juiz é capaz de analisar (como um profissional do divã – neste caso, sem laudo técnico) o caráter de um réu.

No melhor estilo positivista lombrosiano, Moro já determinou no seu interrogatório que Lula é uma figura perigosa e de caráter corrupto. Não tem provas, mas suas convicções mostram que um filho de retirante nordestina, que foi engraxate e se tornou torneiro mecânico nas fábricas do ABC não pode ter caráter de presidente, não pode desempenhar essa função corretamente. Por trás disso, existe o preconceito sempre presente nas elites brasileiras de que Lula não pode dar certo e, se deu, é preciso condená-lo e recuperar as rédeas da história.
Posted: 13 May 2017 05:40 AM PDT
Por Julinho Bittencourt, na revista Fórum:



À revista Veja não falta informação. O que falta ao veículo e seus diretores mesmo é caráter. A capa desta semana é mais uma das inúmeras provas (e aqui sim, há provas) desse jornalismo abjeto que não apura fatos, não comprova, não confere informações, apenas faz ilações e emite opiniões como se estivesse num botequim rodeada de amigos bêbados e imbecilizados.

Lula não jogou a culpa da compra do tríplex sobre a Dona Marisa, porque a tal compra não aconteceu, ao menos que o Ministério Público tenha conseguido provar até o momento. A despeito disso, tudo, rigorosamente tudo o que Lula falou sobre Dona Marisa e o tal episódio não a compromete em nada. Ela foi ver o tal apartamento, da mesma maneira que a minha, a sua e a mulher de qualquer um faz quando está interessada na compra de um imóvel. Uma compra que não aconteceu, como todos sabem.

A realidade é que Dona Marisa tinha uma cota de um empreendimento, que foi devolvida à OAS, porque o casal não teve interesse em se tornar proprietário do imóvel.

Diante da absoluta falta de provas, a grande imprensa, em geral, caiu nessa mesma esparrela de que Lula jogava a culpa sobre Dona Marisa. A Veja, no entanto, vai mais longe. Estampa a foto da ex-primeira dama com moldura de retrato de família em fundo rosa e o título: “A Morte Dupla”. Um ataque pessoal desqualificado, caprichosamente desenhado e desprovido de qualquer consistência ou enfoque jornalístico.

Veja repete Collor, na eleição de 1989, quando expôs de maneira abjeta as mentiras e mazelas de família da ex-mulher de Lula, Miriam Cordeiro, mãe de Lurian, a filha mais velha do presidente. Uma atitude decorrente de uma disputa eleitoral virulenta que envergonha a memória do país, desculpada por alguns pela falta de prática democrática, que Veja repete.

Veja não se cansa de repetir o pior da nossa memória, o lixo do lixo da história.

Veja é um lixo.
Posted: 13 May 2017 05:30 AM PDT
Por Leonardo Boff, em seu blog:

O aumento escandaloso dos níveis de pobreza no mundo tem suscitado movimentos pela erradicação desta chaga na humanidade.

No dia 9 de maio realizou-se um ato na Universidade Nacional de Rosário promovido pela Cátedra da Água, um departamento da Faculdade de Ciências Sociais, coordenado pelo Prof. Anibal Faccendi, em forma de uma Declaração sobre a ilegalidade da pobreza. Coube-me participar e fazer a fala de motivação. O sentido é conquistar apoios do congresso nacional, da sociedade e de pessoas de todo o continente para levar esta demanda às instâncias da ONU para conferir-lhe a mais alta validação.

Já antes, no dia 17 de outubro de 1987, havia sido criado por Joseph Wresinski o Movimento Internacional ATD (Atuar Todos para a Dignidade) que incluía o Dia Internacional da Erradicação da Pobreza. Neste ano será celebrado em muitos países que aderiram ao movimento no dia 17 de setembro.

A Declaração de Rosário vem reforçar este movimento pressionando os organismos mundiais da ONU para efetivamente declarar a fome como ilegal. A Declaração não pode quedar-se apenas no seu aspecto declaratório. O sentido dela é poder criar nas várias instituições, nos países, nos municípios, nos bairros, nas ruas das cidades, nas escolas, mobilizações para identificar as pessoas seja na linha da pobreza extrema( viver com menos de dois dólares e sem acesso aos serviços básicos) ou a pobreza simplesmente dos que sobrevivem com um pouco mais de dois dólares e com acesso limitado à infraestrutura, à moradia, à escola e outros serviços mínimos de humanização. E organizar ações solidárias que os tirem desta premência, com a participação deles.

Já em 2002 Kofi Annan, antigo secretário da ONU, declarava duramente:” Não é possível que a comunidade internacional tolere que praticamente a metade da humanidade tenha que subsistir com dois dólares diários ou menos num mundo com uma riqueza sem precedentes.

Efetivamente, os dados são estarrecedores. A OXFAM, que é uma ONG que articula muitas outras em vários países e que se especializou em estudar os níveis de desigualdade no mundo, apresenta todos os anos seus resultados, cada vez mais amedrontadores. Geralmente a OXFAM vai a Davos na Suíça onde se encontram os maiores ricos epulões do mundo. Apresentam os dados que os deixam constrangidos. 

Neste ano em janeiro de 2017 revelaram que 8 pessoas (a maioria está lá em Davos) possuem riqueza equivalente àquela que 3,6 bilhões de pessoas. Quer dizer, cerca de metade da humanidade vive em situações de penúria seja como pobreza extrema, seja como pobreza simplesmente ao lado da mais aviltante riqueza.

Se lermos afetivamente, como deve ser, tais dados, damo-nos conta do oceano de sofrimento, de doenças, de morte de crianças ou de mortes de milhões de adultos, estritamente em consequência da fome. E aí nos perguntamos: onde foi parar a nossa solidariedade mínima? Não somos cruéis e sem misericórdia para com nossos semelhantes, face àqueles que são humanos como nós, que possuem desejos de um mínimo de alimentação saudável como nós? Removem-se-lhes as víceras vendo os filhinhos e filhinhas não podendo dormir por fome e eles mesmos tendo que engolir em seco pedaços de comida, recolhidos nos grandes lixões das cidades, ou recebidos da caridade das pessoas e de algumas instituições (geralmente religiosas) que ainda lhes oferecem algo que lhes permite sobreviver.

A pobreza geradora de fome é assassina, uma das formas mais violentas de humilhar as pessoas, machucar-lhes o corpo e ferir-lhes a alma. A fome pode levar ao delírio, ao desespero e à violência. Aqui cabe recordar a doutrina antiga: a extrema necessidade não conhece lei e o roubo em função da sobrevivência não pode ser considerado crime, porque a vida vale mais que qualquer outro bem material.

Atualmente a fome é sistêmica. Thomas Piketty, famoso por seu estudo sobre o Capitalismo no século XXI, mostrou como está presente e escondida nos USA: são 50 milhões de pobres. Nos últimos 30 anos, afirma Piketty, a renda dos mais pobres permaneceu inalterada, enquanto o 1% mais rico cresceu 300%. E conclui: “Se nada se fizer para superar esta desigualdade, ela poderá desintegrar toda a sociedade. Aumentará a criminalidade e a insegurança. As pessoas viverão com mais medo do que com esperança”.

No Brasil fizemos a abolição da escravatura, mas quando faremos a abolição da fome?
Posted: 13 May 2017 05:23 AM PDT
Da Rede Brasil Atual:

Relatório divulgado nesta quinta-feira (11) pelo Banco do Brasil (BB) mostra que a instituição eliminou 9.900 postos de trabalho em um ano, até o primeiro trimestre, e fechou 551 agências, mais do que a meta anunciada há alguns meses (aproximadamente 400). O corte no número de "colaboradores" supera 13 mil se incluídos os estagiários. O lucro líquido nos três primeiros meses do ano atingiu R$ 2,443 bilhões, crescimento de 3,6% em relação a igual período de 2016.

De acordo com o balanço, o BB fechou o trimestre com 99.964 funcionários, ante 109.864 no ano passado, e reduziu de 4.612 para 1.420 o número de estagiários. No total, os colaboradores passaram de 114.476 para 101.384, redução de 13.092.

O total de agências agora é de 4.877. Eram 5.428 no início de 2016. O fechamento se concentrou neste começo de 2017, já que até o final do ano passado havia 5.440, número até maior que nos primeiros meses.

Em novembro do ano passado, a direção do BB anunciou um plano de reestruturação que incluía fechamento de agências e plano de incentivo à aposentadoria, que teve 9.409 adesões. Em abril deste ano, o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região lançou cartilha em defesa dos bancos públicos, que já estariam passando por uma "privatização disfarçada". Uma campanha lançada em 2016 já denunciava efeitos negativos, para a economia, da ofensiva do governo sobre o setor público.
Petrobras

A Petrobras reduziu em 17% sua força de trabalho, de 78.406 funcionários no primeiro trimestre do ano passado para 65.220 neste início de 2017, um corte de mais de 13 mil vagas, de acordo com balanço divulgado no início da noite desta quinta-feira. Segundo a companhia, essa diminuição se deve a um plano de demissões voluntárias.

O lucro líquido anunciado pela empresa no primeiro trimestre foi de R$ 4,4 bilhões, ante prejuízo de R$ 1,2 bilhão em igual período de 2016.
Posted: 13 May 2017 05:14 AM PDT
Do site do Centro de Estudos Barão de Itararé:



O linchamento midiático destrói reputações e tem se tornado expediente comum na política nativa. Ex-guerrilheiro do Araguaia e ex-presidente do PT, José Genoíno foi vítima desse processo, que teve forte impacto sobre a sua família. A experiência é tema do livro Felicidade fechada, escrito por sua filha, Miruna Genoíno, a ser lançado na quarta-feira (17), no Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, em São Paulo. Na ocasião, a pedagoga participará de debate sobre o tema ao lado dos jornalistas Paulo Moreira Leite e Maria Inês Nassif.

A obra, publicada pela Editora Cosmos, contou com campanha de crowdfunding para garantir o seu financiamento. Como diz a página da campanha, “Felicidade fechada não é um livro sobre política, é um livro sobre a vida de uma família que sempre acompanhou com orgulho a trajetória, os sacrifícios, os desafios, de José Genoino, e que precisou se unir diante das muitas dificuldades: solidão, medo, abandono, tristeza, e que com isso, acabou encontrando amizade, solidariedade, generosidade e força para enfrentar com dignidade a injusta execração pública".

Segundo Miruna, o livro registra os momentos vividos desde as primeiras denúncias até a prisão de seu pai, compartilhando a experiência e o sofrimento que enfrentaram nessa trajetória. A pedagoga também explica o título da publicação: "O título foi dado pela minha filha, Paula, quando contei a ela e a seu irmão Luis Miguel que estava escrevendo um livro sobre o avô Genoino. Quando perguntei o motivo deste título, ela falou: 'Porque o Vôvi é a nossa felicidade, e ele ficou lá preso, fechado, então a nossa felicidade estava fechada. Ainda bem que ele saiu'".

A entrada para o evento é aberta e o livro de Miruna Genoíno estará à venda para os interessados.
Posted: 13 May 2017 05:08 AM PDT
Editorial do site Vermelho:

O dia 12 de maio ficará registrado, na história, como uma data triste para o povo brasileiro. Neste dia, faz um ano, foi dado um passo decisivo no rumo do enorme atentado à democracia e à legalidade que foi a deposição da presidente legítima Dilma Rousseff e sua substituição pelo usurpador Michel Temer.

O golpe aprofundou o cenário de horrores que a direita construía desde a posse da presidenta eleita, em 2015. E a crônica do governo golpista é o relato de enormes e sucessivos ataques contra a democracia, os direitos do povo e dos trabalhadores, o desmonte do Estado e da economia do país, e o abandono da soberania nacional.

O próprio golpe inaugurou os ataques à democracia quando jogou na lata do lixo mais de cem milhões de votos populares, soberanamente exercidos na eleição presidencial anterior.
Os ataques aos direitos políticos, econômicos, sociais e contra a soberania nacional se sucederam neste ano aziago.

O que viria com o golpe ficou claro logo no anúncio do ministério – não havia mulheres nem negros entre eles, apenas homens brancos e ricos figuravam na equipe que se constituiu de costas para o Brasil e o povo.

O governo golpista aprovou a Emenda Constitucional 95 que reduz os investimentos públicos na saúde, educação e outras áreas. Congelou por vinte anos o orçamento da União, para reservar recursos e pagar juros e parcelas da dívida pública aos especuladores financeiros.

Os ataques aos direitos se sucederam a cada dia.. A Previdência Social está sendo alvejada pela reforma que praticamente elimina a chance dos trabalhadores alcançarem a aposentadoria. Outro ataque contra os trabalhadores é a igualmente rejeitada reforma trabalhista que desfigura a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Michel Temer dificultou, e muito, a vida dos mais pobres com as sucessivos investidas contra o Bolsa Família e cortes no Programa Minha Casa Minha Vida.

Na área da Educação, suspendeu e dificultou programas que permitiram a milhões de filhos do povo o acesso ao ensino superior, com fortes cortes de verbas nos programas que atendiam aos estudantes mais pobres.

Atacou a agricultura familiar, cortou verbas e suspendeu programas importantes voltados a ela.
Prejudicou a Saúde também através de cortes no orçamento e de medidas como a extinção da Farmácia Popular.

As privatizações voltaram com força, beneficiando principalmente empresas multinacionais, colocando novamente o país de joelhos ante as potências estrangeiras, sobretudo os EUA. Uma das primeiras medidas do governo ilegítimo foi entregar o pré-sal a empresas petrolíferas multinacionais. A construção de plataformas petroleiras voltou a ser encomendada a empresas estrangeiras, prejudicando severamente as empresas brasileiras de construção naval.

Não há nada a comemorar. As estatísticas mostram as dificuldades criadas pelos golpistas e que atingem todos os setores da economia e que, para o povo, se traduz em cerca de 14 milhões de desempregados.

Estes doze meses de perdas de direitos foram também o tempo do crescimento da resistência popular à imposição do programa ultraliberal de Michel Temer. A popularidade do presidente ilegítimo despenca e o “Fora Temer” virou a palavra de ordem da resistência. A luta do povo cresceu, acentuando-se nos meses de março e abril, principalmente na grande greve geral, a maior já ocorrida em nosso país.

A unidade do povo cresce na resistência, que une os partidos políticos progressistas e democráticos, as centrais sindicais e entidades importantes do movimento social e da sociedade civil e demais organizações vinculadas à luta do povo pela democracia e pela legalidade.

Frente à dimensão da luta em curso, torna-se cada vez mais necessária a constituição de uma Frente Ampla, capaz de unir as forças democráticas, populares, progressistas e patrióticas capaz de fazer frente e derrotar o projeto ultraliberal em curso.
Posted: 13 May 2017 04:57 AM PDT
Do site da Dilma:

A respeito das delações feitas por João Santana e Monica Moura, a Assessoria de Imprensa da ex-presidenta Dilma Rousseff esclarece:

1- Mais uma vez delatores presos, buscando conseguir sua liberdade e a redução de pena, constroem versões falsas e fantasiosas.

2- A presidenta eleita Dilma Rousseff nunca negociou doações eleitorais ou ordenou quaisquer pagamentos ilegais a prestadores de serviços em suas campanhas, ou fora delas. Suas determinações sempre foram claras para que a lei seja sempre rigorosamente respeitada. Todos aqueles que trabalharam, ou conviveram com ela, sabem disso.

3- São mentirosas e descabidas as narrativas dos delatores sobre supostos diálogos acerca dos pagamentos de serviços de marketing. Dilma Rousseff jamais conversou com João Santana ou Monica Moura a respeito de caixa dois ou pagamentos no exterior. Tampouco tratou com quaisquer doadores ou prestadores de serviços de suas campanhas sobre tal assunto.

4- É fantasiosa a versão de que a presidenta eleita informava delatores sobre o andamento da Lava Jato. Essa tese não tem a menor plausibilidade. Dilma Rousseff jamais recebeu de quem quer que seja dados sigilosos sobre investigações. Todas as informações prestadas pelo Ministério da Justiça ocorreram na forma da lei. Tal suspeita é infundada e leviana.

5- Causa ainda mais espanto a versão de que por meio de uma suposta “mensagem enigmática” (estranhamente copiada em um computador pessoal), conforme a fantasia dos delatores, a presidenta tivesse tentado “avisá-los” de uma possível prisão. Tal versão é patética. Naquela ocasião, já era notório, a partir de informações divulgadas pela imprensa, que isso poderia ocorrer a qualquer momento.

6- Mais inverossímil ainda é a afirmação de que Dilma Rousseff teria recomendado que os delatores ficassem no exterior, uma vez que todos sabem que mandados de prisão expedidos no Brasil podem rapidamente ser cumpridos em países estrangeiros.
7- É risível imaginar que a presidenta da República recebeu informações de forma privilegiada e ilegal ao longo da Lava Jato. Isso seria presumir que a Polícia Federal, o Ministério Público ou o próprio Judiciário, por serem os detentores e guardiões dessas informações, teriam descumprido seus deveres legais.

8- O governo Dilma Rousseff sempre foi acusado, por diferentes segmentos políticos, de deixar as investigações prosseguirem de forma autônoma, “descontroladas”, não buscando interferir ou obter previamente informações a respeito. E, espantosamente, as acusações agora vão em sentido contrário. É preciso lembrar as declarações do senador Romero Jucá, de que era preciso tirar a presidenta para “estancar a sangria”, “num amplo acordo com Supremo”, “com tudo”.
9- No TSE, foi possível comprovar, nas alegações finais entregues no início desta semana, que tanto João Santana quanto Monica Moura prestaram falso testemunho perante a Justiça. A defesa já pediu investigação e a suspensão dos efeitos da delação premiada, tendo em vista que ambos faltaram com a verdade. As provas estão contidas nos autos do processo no TSE.

10- Dilma Rousseff acredita que, ao final de mais uma etapa desse processo político, como já provado anteriormente em relação a outras mentiras em delações premiadas, a verdade virá à tona e será restabelecida na Justiça.

* Assessoria de imprensa de Dilma Rousseff.
Posted: 13 May 2017 04:50 AM PDT
Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

Não sei se é verdade que o ex-ministro Antonio Palocci esteja negociando uma delação premiada.

Não sei, porque o noticiário virou um apêndice dos interesses da República de Curitiba, mas o que este noticiário registra é aterrador.

Diz que o Ministério Público exigiu que Antonio Palocci demitisse o advogado José Roberto Batocchio, que o defendia há 12 anos,. por dois negociante de “se eu acusar, vocês me aliviam, né”?

Batocchi declarou apenas que seu cliente não resistiu a Guantánamo subtropical.

Diz ainda a mídia que foi condição que Palocci desistisse do habeas-corpus que impetrou no STF e que o ministro Luís Edson Fachin, para não se ver outra vez derrotado na negativa em concedê-lo na 2a. Turma do Tribunal, empurrou para o plenário.

Nos tempos (antigos) do Direito, obrigar o acusado a abdicar de seu advogado por outro e a transacionar a apresentação de habeas-corpus são manifestamente ilegais.

E se isso se faz para obter algo, condicionando a esta obtenção a devolução da liberdade, o que se tem é extorsão mediante sequestro.

Crime, portanto.

Não importa que Palocci não seja flor que me bem cheire, não é esse um tratamento que um ser humano e um cidadão mereça.

Posso ter o julgamento moral que quiser sobre ele, sobre Marcelo Odebrecht, Léo Pinheiro, João Santana e qualquer um dos envolvidos na Lava Jato.

Posso até ter nojo do que fazem.

O que não posso, e ninguém pode, é praticar a chantagem sobre eles.

Este é o nome que merece o que se tornou a “delação premiada”: chantagem premiada.

Dar a alguém o poder de decidir se alguém ficará preso ou será solto se e como delatar.

A Lei de Delação Premiada, que deveria ser um instrumento de busca da verdade e de responsabilização de quem merece ser responsabilizado, virou instrumento disto, de chantagem.

Tudo o que está em jogo é quanto alguém suporta de cadeia: três, seis, 12 meses ou mais.

E o país, como na Síndrome de Estocolmo, pela melodia da mídia, seu Flautista de Hamelin, vai caminhando para o precipício, rumo ao quinto inferno.
Posted: 13 May 2017 04:41 AM PDT
Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:



Ninguém precisa se impressionar com o sentimentalismo improvisado de quem tenta acusar Lula de esconder-se atrás de Marisa Letícia para fugir das acusações do triplex do Guarujá.

A verdade é que a presença de Marisa nas tratativas para a compra e depois na desistência de uma cota no edifício do Guarujá - o único pretexto material para a Lava Jato tentar atingir Lula numa acusação criminal - é um fato estabelecido de forma concreta. Os documentos - que nunca envolvem Lula - estão nos autos e não precisam ser lembrados aqui. Ela sempre foi a primeira a sustentar essa versão. A fonte original, desde o tempo em que a OAS não havia entrado na história, que era um investimento da Bancoop.

O ponto em debate é outro. Este sim deveria preocupar todo cidadão honestamente incomodada com a memória de Marisa - e de toda pessoa que não tem condições de se defender.

Dois meses depois de sua morte após um AVC, evento médico que não pode ser dissociado de uma prolongada pressão sobre a família, que incluiu uma operação de busca e apreensão de bens na sua residência, sem falar no grampo e divulgação covarde de diálogos entre mãe e filho que não tinham nenhum interesse objetivo, mas apenas ajudavam a destruir a imagem privada dos interlocutores, ela permanece como personagem no julgamento de Lula em função de uma decisão do próprio juiz Sérgio Moro.

Dias depois de sua morte, através de seus advogados Lula entrou com um requerimento solicitando duas providências legais elementares - extinguir a punibilidade de Marisa e decretar sua absolvição sumária. São providências previstas pelo artigo 297, IV do Código de Processo Penal, combinado com o artigo 107, I do Código Penal.

É fácil entender por que isso acontece. Ao extinguir a punibilidade de uma pessoa falecida, a Justiça reconhece o fato óbvio de que ela não pode ser punida. Ao decretar sua absolvição sumária, reconhece que ninguém pode ser considerado culpado sem que possa exercer o amplo direito de defesa, o que inclui o trânsito em julgado de sua sentença.

São artigos mais do que simbólicos. Permitem que os direitos humanos, uma garantia que a humanidade passou a reconhecer na Revolução Francesa de 1789, acompanhem uma pessoa desde o nascimento e mesmo depois de sua morte. É uma situação que engrandece a cultura democrática de uma sociedade.

O fato é que Moro aceitou a primeira solicitação mas recusou a segunda. Em despacho, alegou que "cabe, diante do óbito, somente o reconhecimento da extinção da punibilidade, sem qualquer consideração quanto a culpa ou inocência do acusado em relação a imputação."

Não vou discutir quem faz a interpretação correta desses dois artigos. Não tenho competência. O pedido foi negado e os advogados de Lula entraram com recurso no Tribunal Regional Federal da 4a. Região. O fato é que o pedido dos advogados de Lula encontra apoio em boa jurisprudência.

Mas é possível examinar as consequências práticas da decisão de Moro, que evitou "qualquer consideração quanto a culpa ou inocência" de Marisa.

Sabemos que não há uma única prova contra Lula nas negociações para a compra de uma cota no edifício do Guarujá. Nenhuma. Nem que tenha sido proprietário. Todos os papéis que envolviam o negócio foram assinados por Marisa Letícia que, conforme o próprio Lula, sempre foi a grande interessada naquele imóvel.

Em setembro do ano passado, quando aceitou a denúncia do Ministério Público contra Marisa, acusada de "lavagem de dinheiro", o próprio juiz apontou para a existência de "dúvidas relevantes quanto a seu envolvimento doloso" e reconheceu que poderia fazer uma "melhor reflexão no decorrer do processo."

Sem jamais cogitar que poderia estar diante de um investimento banal de uma trabalhadora, mãe e avó criada em São Bernardo do Campo, com economias para adquirir um imóvel num típico pombal de litoral, Moro tomou a decisão pelo aspecto utilitário de quem necessita de provas para sustentar uma teoria. Partindo da convicção de que estava apurando "acertos de propina no esquema criminoso da Petrobras," escreveu que "sua participação específica e sua contribuição para a aparente ocultação do real proprietário é suficiente " para a aceitação da denúncia. Mesmo assim, em palavras que os advogados de Lula e Marisa definiriam como demonstração de "inegável desfaçatez", Sérgio Moro registrou: "lamenta o Juízo em especial a imputação realizada contra Marisa Letícia da Silva."

A permanência de Marisa no processo, quando não tem como se defender, cumpre essa função. Ajuda a colocar o alvo real da Lava Jato, Lula, sob chantagem. Ou ele fica quieto, e aceita uma denuncia que sempre repudiou como falsa. Ou recorda o papel de Marisa no caso - quando será acusado de desrespeitar a memória da mulher. O pressuposto é que Lula estaria escondendo um crime. Nessa encenação, esconde-se o mais importante: até agora não se demostrou que um crime foi cometido.

Demonstra-se, mais uma vez, que não se assiste a um julgamento de fatos ou provas. O que está em curso é um julgamento de caráter.

Já que não se pode demonstrar mostrar que Lula era o "proprietário oculto" do triplex, tenta-se provar que é um mau marido. Da mesma forma, há duas semanas, com ajuda do arrependido Emílio Odebrecht, tentou-se demonstrar que foi um mau líder dos trabalhadores.

Nada mais necessário para quem, sem provas jurídicas, necessita amortecer uma previsível resistência popular a qualquer decisão injusta no final do julgamento.

Na verdade, estamos numa nova fase de um processo que teve como eixo político sustentar, inicialmente, a noção de que Lula foi um "presidente-ladrão" no país do "capitalismo de compadrio."

Como as pesquisas mostram, essa visão não colou. O espetáculo encontra-se em nova etapa, coerente com uma estratégia destrutiva na qual a "deslegitimação" dos acusados é parte essencial para se condenar personalidades públicas, como o próprio Sérgio Moro escreveu num texto clássico sobre a Operação Mãos Limpas.

Não surpreende, assim, que a mesma mídia que humilhou Marisa com a divulgação de conversas privadas tente comover o público com a hipocrisia típica das lágrimas de crocodilo. Nunca lhe deu o direito de se defender e expor seus argumentos com dignidade. Nunca poupou detalhes sobre possíveis aventuras de Lula fora do casamento, sempre escondidos no caso de Fernando Henrique Cardoso. Jamais teve a decência de lhe pedir desculpas por um comportamento invariavelmente implicante. injusto e preconceituoso.

Deu para entender, né?
Posted: 13 May 2017 04:33 AM PDT
Por João Feres Júnior, na revista CartaCapital:

A prolongada crise política que engolfa o Brasil desde ao menos a eleição passada, em boa medida insuflada pela Operação Lava Jato, teve ontem um dos seus capítulos mais grotescos: a atualização feita pelo Jornal Nacional da edição do debate entre Lula e Collor, ocorrida em 14 de dezembro de 1989, às vésperas do segundo turno da eleição. Tal edição entrou para os anais do jornalismo brasileiro como exemplo máximo de manipulação midiática com fins políticos e projetou uma sombra que iria marcar o comportamento da mídia ao longo de todo período da Nova República até os dias de hoje.

Pois ontem a Rede Globo de televisão repetiu no seu principal programa jornalístico a mesma disposição para a manipulação da notícia com finalidade de produzir um efeito político: a culpabilização de Lula e a transformação de Sergio Moro em um herói nacional da luta contra a corrupção.

A edição foi em tudo excepcional. Durou um total de 53 minutos e 18 segundos, enquanto uma edição normal do JN dura em torno de 30 minutos. Do total, 42 minutos e 32 segundos foram gastos com material sobre Lula, ou seja, 80% do tempo total do jornal. Somente a narrativa do depoimento tomou 60% da edição, um total de 31 minutos e 41 segundos.

A descrição detalhada da edição do Jornal Nacional da noite de 11 de maio precisaria de um livro para ser feita, tamanha a riqueza de detalhes. Aqui vou apresentar um breve sumário. Começamos pelo tom grave da apresentadora Renata Vasconcellos anunciando no início do jornal que iriam cumprir “o compromisso assumido ontem de mostrar detalhadamente o interrogatório do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva”, coisa que não foi possível no dia anterior porque os vídeos foram liberados muito tardiamente para a edição do jornal. Logo em seguida ressaltam que Lula negou todas as acusações em relação à propriedade do tríplex. Aí há um certo tom sutil de deboche, principalmente na expressão facial e vocal de Bonner quando relata as negativas de Lula.

Em seguida à introdução, Bonner começa a narrativa do interrogatório e imediatamente ao fundo aparece a animação de um cano de óleo jorrando notas de cem reais. Tal animação seria mostrada em quase todas as matérias do seguimento sobre Lula, quando Vasconcellos ou Bonner apareciam na tela.

A estrutura narrativa segue o padrão Homer Simpson, lapidarmente definido pelo próprio Bonner ao comentar o estilo do JN. Os âncoras fazem uma narrativa do ocorrido e então imagens e falas são mostradas em vídeo, editadas de modo a repetir quase ipsis literis o que foi dito pelos âncoras. Bonner começa por apresentar Moro dizendo que o juiz não tinha “nada contra Lula” no começo do interrogatório, cujo objetivo era o esclarecimento do caso. Corta para o juiz falando tais coisas. A imagem passada é de compostura e seriedade quanto aos procedimentos legais.

Em seguida o JN mostra as negativas de Lula e depois sua recusa em responder perguntas sobre o sítio em Atibaia, mas já nessa notícia o jornal dá destaque para a repreensão feita por Moro a Cristiano Zanin, advogado de Lula, acusando-o de querer tumultuar a audiência, coisa que o juiz havia feito em outras ocasiões e que os jornais da Globo repetem à exaustão como fato.

Mas a desqualificação da defesa de Lula não é o único elemento importante. Falando enquanto a animação das cédulas nos encanamentos de óleo corria ao fundo, Vasconcellos volta no meio da matéria para dizer que Lula se contradisse ao confessar que recebeu Leo Pinheiro e Paulo Gordilho em sua casa para discutir a reforma da cozinha do sítio que ele insiste não ser dele e para informar aos telespectadores que a acusação diz que a obra foi paga pela OAS. Ou seja, ela editorializa abertamente aquilo que é apresentado como uma narrativa dos fatos.

Lula é então apresentado rapidamente atacando o MP, por induzir testemunhas a acusá-lo sem provas. Na matéria seguinte a âncora começa com uma fórmula adversativa: "apesar das negativas veementes de Lula de que tenha sido um dia dono do tríplex, Moro confrontou o ex- presidente com a afirmação do ex-presidente da OAS, Leo Pinheiro”. Ou seja, a enunciação ao mesmo tempo que desqualifica os argumentos de Lula, apresenta o juiz como corajoso e decidido.

Emendam então o tema das indicações políticas dos diretores da Petrobrás. O tom de Bonner aí é levemente irônico ao narrar a resposta de Lula, sinalizando que ele está mentindo. Após longa enumeração de ilícitos cometidos por Renato Duque, ex-diretor da Petrobrás, e do fato de ele ter acusado Lula de ser o coordenador do esquema de propinas da Petrobrás, a âncora começa a narrar o questionamento de Moro acerca de encontro entre Lula e Duque. Esse seguimento, dominado pela narrativa dos âncoras, é montado de maneira a sugerir ligação inequívoca entre os dois personagens, a despeito das negativas do petista.

No segmento seguinte volta a editorialização, agora na voz de Bonner, que acusa Lula de inconsistência no seu relato sobre a relação entre João Vaccari e Duque. Após uma breve passagem, na qual Vasconcellos introduz trecho no qual Moro questiona Lula sobre a indicação de diretores da Petrobrás envolvidos em práticas ilícitas, entra Bonner narrando o questionamento de Moro acerca da influência de Lula dentro do PT no tocante aos financiamentos de campanha.

A editorialização volta a ser explícita, com o âncora usando uma fórmula adversativa para dizer que apesar de ser “principal líder e fundador do PT”, Lula negou ter influência sobre o partido. O tom dos âncoras sobe com a entrada de Vasconcellos dizendo que Moro apontou para uma contradição nas falas de Lula, contradição essa em seguida explicada por Bonner: uma vez ainda no seu primeiro mandato, Lula condenou o esquema do mensalão, mas depois disse que o julgamento foi 80% político. Corta para cenas do depoimento em que Moro insiste para que Lula se pronuncie sobre sua relação com personagens implicados no mensalão, coisa a qual ele se nega, aconselhado pelos advogados. Enquanto isso a animação das cédulas adorna o fundo da tela.

Repetindo a fórmula do âncora narrando o que o juiz em seguida repete nas imagens, Bonner começa outro segmento dizendo que Lula ameaçou processar delatores, policiais federais e até Moro. O vídeo é editado para fazer parecer que Lula é violento e autoritário.

Vasconcellos então fala sobre as considerações finais, dizendo que Lula defendeu seus mandatos, mas que Moro o advertiu dizendo que aquele não era lugar para propaganda política. Mais uma vez, o juiz é mostrado como compenetrado cumpridor das regras e Lula como irresponsável.

O longo trecho sobre o depoimento de Lula se encerra com comentários sobre as falas finais do petista. Vasconcellos narra que ele se diz massacrado por uma campanha de imprensa. Após tal conteúdo, a imagem corta para Moro dizendo que a imprensa "não tem qualquer papel no julgamento desse processo". Em seguida, o que se vê são as colocações finais do juiz, a quem é dado farto tempo para atacar Lula, dizendo que ele, Moro, é vítima dos blogs que "patrocinam" Lula, e para se proteger dizendo que o processo transcorrerá normalmente.

Na última reportagem sobre o depoimento, o Jornal Nacional deixou de fora os números impressionantes do viés da cobertura midiática contra Lula, divulgados pelo petista ao fim de suas declarações. A astúcia dos jornalistas globais parecia não estar direcionada para captar contradições na fala de Moro, particularmente na defesa que fez da imprensa. Ora, pois o juiz defendeu em texto sobre a operação Mani Pulite a utilidade que vazamentos para a mídia de informações sigilosas têm em manter o interesse público sobre investigações de corrupção e “os líderes partidários na defensiva”. E ele mesmo adotou tal prática ao divulgar conteúdo de grampo ilegal de conversa da então presidente Dilma Rousseff com Lula. Cômodo esquecimento esse dos jornalistas da Globo.

Se não bastasse esse longo trecho sobre o depoimento de Lula, o jornal ainda traz três longas notícias sobre o conteúdo da delação premiada dos publicitários João Santana e Monica Santana. Em duas delas, Lula é acusado de ser chefe do esquema de corrupção da Petrobrás e de caixa 2 dos partidos. A terceira é inteiramente dedicada a acusações de que Dilma sabia tudo acerca do mesmo esquema. Novamente a animação das notas de reais saindo dos canos da Petrobrás é usada, talvez com o intuito de dar unidade temática à narrativa.

Um famoso filósofo alemão escreveu uma vez que os fatos na história acontecem a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa. Vivente do século XIX, não teve a chance de conhecer o jornalismo praticado pela imprensa brasileira, com destaque para o Grupo Globo. Nele a tragédia e a farsa se misturam de modo indissociável. Ademais, não se trata de uma repetição somente. Farsa e tragédia são duas faces da mesma prática jornalística cotidiana. Elas são o modus operandi da cobertura política da mídia brasileira. Antes de o JN preparar essa edição escandalosa do depoimento de Lula, o canal GloboNews reservou horas de sua programação do dia anterior para que seus comentaristas ficassem se revezando no ataque a Lula, unanimemente assumindo sua culpabilidade, a despeito de qualquer argumento que o petista tenha apresentado. O entrincheiramento político da grande mídia brasileira contra Lula e o PT é tamanho que os rituais de neutralidade e equilíbrio jornalístico adquirem tonalidades surreais. Podemos falar em uma hiperfarsa, uma farsa elevada a potência N, exponencial.

Dessa vez, contudo, o contendor de Lula não é um político, mas um juiz. É preciso notar que esse enquadramento do embate entre Lula e Moro estampou as capas de três revistas semanais. A edição do Jornal Nacional é, na verdade, o coroamento de algo que se desenhava como estratégia do oligopólio midiático: representar uma luta de vida ou morte entre o político contra o juiz. Os políticos incensados pela mídia nas últimas décadas falharam fragorosamente frente os candidatos do PT. Agora a estratégia é outra, jogar a política partidária como um todo na vala fétida da corrupção e promover o poder do judiciário, que é comodamente isolado da vontade popular. Nessa jogada para derrotar o PT, o partido da imprensa se autonomizou dos partidos políticos da direita, pondo em risco as instituições básicas da própria democracia brasileira.

Assim a farsa midiática produz diariamente a tragédia de nossa democracia. Com a edição de ontem do Jornal Nacional, voltamos ao ano de 1989. Haverá limite para esse nosso retrocesso coletivo a um passado tenebroso que uma vez imaginamos ter superado? Fica cada vez mais claro que a única solução para atual crise da democracia brasileira é a reforma radical de nosso sistema de mídia. Ele se mostrou incompatível com o experimento democrático da Nova República. Para voltarmos um dia a sonhar com a democracia teremos que nos livrar de seus mais ardorosos inimigos.
Posted: 12 May 2017 11:52 PM PDT
Por Altamiro Borges

Esta turma de “calunistas” da chamada grande imprensa é realmente muito baixo nível. É bem xucra! Na cavalgada golpista para derrubar Dilma, ela esteve unida e excitada. Conclamou os seu fanáticos seguidores a ocuparem às ruas para depor uma presidenta eleita pela maioria dos brasileiros. Atiçou o ódio fascista na sociedade. Porém, passado o “golpe dos corruptos”, que alçou ao poder a quadrilha de Michel Temer, ela agora está dividida. E não faltam baixarias. Dois dos principais mentores da direita nativa – Diogo Mainardi, a anta que obra na GloboNews, e Reinaldo Azevedo, que trabalha na Veja e Folha – estão em guerra e ligaram o ventilador no esgoto.

Diogo Mainardi, que fugiu do Brasil aparentemente para escapar de processos judiciais, está doente. Ele aposta no caos político como forma de viabilizar uma candidatura fascista no país. Deve morrer de amores pelo facínora Jair Bolsonaro, o apologista dos estupros e das torturas. Já Reinaldo Azevedo não esconde sua plumagem tucana. Desde a época da falida revista ‘Primeira Leitura’, ele mantém relações carnais com os caciques do PSDB. Após atiçar as marchas golpistas contra Dilma, ele agora está preocupado com os abusos da midiática Operação Lava-Jato, que ameaçou – apenas ameaçou – atingir alguns tucanos para manter as aparências de imparcialidade.

Nesta semana, a guerra entre os dois egocêntricos atingiu o ápice – ou melhor, o esgoto. Reinaldo Azevedo publicou na Folha uma dura crítica ao “justiceiro” Sergio Moro. De forma certeira – e difícil constatar esta verdade –, ele afirmou que no depoimento de Lula, ocorrido na quarta-feira (10) em Curitiba, o juiz “esmagou o devido processo legal com um desassombro inédito em tempos democráticos”. De imediato, o criador do termo “petralha” foi acusado por seus antigos seguidores de “petralha”, de “traidor” e de outros adjetivos impublicáveis num site bem comportado como este. Diogo Mainardi seguiu as antas fascistas das redes sociais.

Nesta sexta-feira (12), Reinaldo Azevedo provocou seu antigo comparsa da revista do esgoto – atual comentarista do asqueroso Manhattan Connection, da GloboNews, e um dos editores do site fascista O Antagonista. Em postagem na Veja, ele perguntou ao “Oráculo de Veneza”: “Quando é que o Lula vai ser preso amanhã? Vá buscar uma ocupação, meu velho”. A ironia irritou o ricaço que reside em Veneza e tem “preguiça de escrever”. Pelo Twitter, Diogo Mainardi respondeu de forma elegante: “Vai dar a bunda, Reinaldo”. Alto nível dos colunistas da chamada grande imprensa! Um exemplo para o jornalismo mundial. Coisa bem apropriada para os tempos do bordel golpista de Michel Temer.
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Posted: 12 May 2017 11:47 PM PDT
Por Altamiro Borges

A cloaca empresarial - também chamada de "elite" -, apoiadora do golpe dos corruptos que conduziu a quadrilha de Michel Temer ao poder, está cada vez mais atrevida. Nesta sexta-feira (12), a rede de lojas Marisa divulgou nas redes sociais uma propaganda para o Dia das Mães com o seguinte bordão: "Se sua mãe ficar sem presente, a culpa não é da Marisa". A peça publicitária visou reforçar o coro da mídia golpista, que deixou de lado o conteúdo do depoimento do ex-presidente Lula ao "juiz" Sergio Moro, nesta quarta-feira (10), para explorar as citações feitas na ocasião à ex-primeira-dama, Marisa Letícia, falecida em fevereiro passado. O teor da mensagem é tão nojento quanto a repugnante capa da revista "Veja" desta semana - parece até que a maldade foi combinada em algum covil.

Se houvesse de fato Justiça no Brasil, os donos desta rede de lojas já estariam presos. Eles já foram acusados diversas vezes pelo uso de trabalho escravo na confecção de suas roupas. Em 2010, fiscais do trabalho de São Paulo flagraram dezenas de imigrantes trabalhando em condições degradantes nas empresas terceirizadas que fornecem roupas à poderosa empresa - uma das maiores do ramo no país. Na ocasião, a rede recebeu 43 autos de infração, num total de R$ 633,6 mil em multas, dos quais R$ 394 mil se referiam à sonegação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Os auditores fiscais ainda exigiram que a empresa fizesse a rescisão do contrato de 16 bolivianos - incluindo um adolescente - e pagasse os direitos ­correspondentes aos imigrantes selvagemente explorados.

A empresa até tentou disfarçar o seu crime, dizendo que apenas comprava as roupas de terceirizadas. Mas os fiscais concluíram que a Marisa usava "pseudoempresas interpostas" e que elas funcionavam "como verdadeiras células de produção' da poderosa rede, encobrindo as relações de emprego. O que motivou esta dura condenação é que não foi a primeira vez que a empresa foi flagrada explorando trabalho escravo. Em 2007, as Lojas Marisa e outros magazines do setor têxtil já tinham assinado um termo de ajustamento de conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho, comprometendo-se a evitar ligações com oficinas com trabalho ilegal. O acordo, porém, não foi cumprido.

Talvez com o objetivo de evitar novas fiscalizações e multas, esta cloaca empresarial tenha apostado todas suas fichas no impeachment da presidenta Dilma, patrocinando grupelhos fascistas e seduzindo a chamada "classe mérdia". Ela sabe que a quadrilha de Michel Temer, que tomou de assalto o poder, não respeita os direitos dos trabalhadores - como atestam suas "reformas" trabalhista e previdenciária. Isto explica o atrevimento da rede Marisa e sua propaganda escrota para o Dia das Mães. Se houvesse mídia honesta no país, um bordão de contraponto poderia ser: "Marisa tem culpa sim... pelo trabalho escravo no Brasil". Mas a mídia, além de apoiar o golpe dos corruptos, depende da publicidade destas empresas. Além de golpista, ela é mercenária, venal e prostituída - com todo o respeito às prostitutas!

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