domingo, 14 de maio de 2017

14/5 - Altamiro Borges DE HOJE

Altamiro Borges


Posted: 14 May 2017 08:58 AM PDT
Posted: 14 May 2017 08:52 AM PDT
Do site do Centro de Estudos Barão de Itararé:



Fundado em 2010, o Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé comemora sete anos de vida com festa no dia 30 de maio. O encontro, que reunirá ativistas, jornalistas, blogueiros e simpatizantes da luta desempenhada pela entidade nesse período, também servirá para arrecadar fundos e ajudar o Barão de Itararé a seguir na luta. A confraternização começa a partir das 18h30, no restaurante Feijão do Norte, na Galeria Metrópole (Avenida São Luiz, 187, 2ª sobreloja). Saiba como garantir o seu convite ao fim desta página!

O Barão de Itararé ganhou notoriedade por sua intensa participação na luta pela democratização da comunicação no país, seja nas ruas, em instâncias políticas ou a partir da promoção de diversos debates, seminários, palestras e cursos de formação. Ao longo dos sete anos de vida, a entidade também realizou um encontro mundial e vários encontros nacionais, estaduais e regionais de blogueiros e ativistas digitais.

Com sede própria desde 2012, no centro de São Paulo, o Barão fortaleceu a sua atuação em todo o país a partir da formação de núcleos estaduais. Atualmente, a entidade também ocupa a coordenação do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), organização que aglomera a sociedade civil e o movimento social brasileiro em torno da pauta da comunicação.

Após o golpe midiático, judicial e parlamentar de 2016, as mídias alternativas passaram a sofrer um verdadeiro cerco imposto pelo novo governo: além do rompimento unilateral de contratos de publicidade, que nunca atenderam as necessidades do setor para garantir uma mídia diversa e plural, as mídias independentes também enfrentam a onda de criminalização contra os movimentos sociais brasileiros.

O Barão comemora seu sétimo aniversário com escassez de recursos, mas energia de sobra para seguir em frente. Por isso, a contribuição para a festa de aniversário da entidade é um gesto de solidariedade, com a finalidade de manutenção e ampliação de suas atividades.

O valor de adesão à festa e à causa é de R$ 150 por pessoa, com direito à comida e bebida à vontade no restaurante Feijão do Norte. Confira o cardápio e garanta a sua participação através dos botões de pagamento ao fim da página!

Cardápio

ENTRADA

Dadinho de Tapioca
Bolinho de carne seca com queijo coalho
Torradinha do Jo (carne seca, berinjela e queijo)

PRATO PRINCIPAL

Baião de 2 (Arroz, feijão de corda, carne seca, bacon, calabresa, queijo coalho, mandioca e carne de sol)
Bobó de camarão (camarão refogado com legumes, creme de mandioca e arroz)
Escondidinho de carne seca (carne seca, creme de mandioca com requeijão catupiry, queijo e arroz)

SOBREMESA

Abóbora com coco e queijo coalho
Pudim de leite condensado

BEBIDAS

Água com gás ou sem gás
Refrigerante: Coca-Cola, Fanta Laranja, Fanta uva, Schw Citrus, Soda, H2o limão, H2o limoneto, Água Tônica e Guarana
Cerveja: Brahma e Skol
Caipirinha de limão e morango (cachaça, vodka ou saquê)

DIVERSÃO

Bilhar

***

Garanta a sua participação [aqui].
Posted: 14 May 2017 07:51 AM PDT
Por Dilma Rousseff, em seu site:

O jornalismo de guerra promovido contra mim e o presidente Lula é a prova de que a escalada autoritária contaminou radicalmente os formadores de opinião pública, como Merval Pereira, que hoje sugere, no Globo, a minha prisão.

A cobertura das Organizações Globo, defendendo o justiçamento de adversários políticos, quer substituir o Judiciário – e todas as demais instâncias operadoras do Direito – pelo escândalo midiático. Julgam e condenam.

Buscam se constituir numa espécie de poder judiciário paralelo sem as garantias da Justiça, base do Estado Democrático de Direito. Fazem, assim, verdadeiros linchamentos, tentando destruir a biografia e a imagem de cidadãos e cidadãs. Nesse processo, julgam sem toga e promulgam sentenças sem direito de defesa.

Ferem de morte a liberdade de imprensa pois não respeitam a diversidade de opinião e a Justiça. Selecionam alvos e minimizam malfeitos. Seu único objetivo é o maior controle oligopólico dos meios de comunicação, para impor um pensamento único: o seu.

Em outros tempos, em outros países, tais práticas resultaram na perseguição política e na destruição da democracia levando à escalada da violência e do fascismo.

Não adianta a intimidação. Não vou me curvar diante dessas ameaças e muito menos do jornalismo de guerra praticado pela Globo. Nem a tortura me amedrontou.

Repito o que tenho dito, dentro e fora do país: o Golpe de 2016 não acabou. Está em andamento. Não foi contra o meu governo, apenas. Foi contra o povo brasileiro e o Brasil. Está sendo executado todos os dias pela Globo, pelo governo golpista e todos que tentam desesperadamente consolidar o Estado de Exceção e a destruição de direitos.

Não vão me calar!
Posted: 14 May 2017 07:47 AM PDT
Por Jandira Feghali, no site Vermelho:

No dia 10 de maio, não era apenas o ex-presidente Lula indo encontrar um juiz de Curitiba para depor. Éramos 50 mil pessoas na capital do Paraná em sinergia emocionante. Uma multidão de homens e mulheres, trabalhadores e trabalhadoras, estudantes, professores e muitos cidadãos e cidadãs paranaenses, lideranças políticas e líderes de movimentos sociais estavam junto ao ex-operário na agenda nacional em defesa da democracia. Uma singular e fortíssima demonstração de solidariedade, valor perdido por parte da sociedade brasileira. Não por coincidência, na mesma semana em que o golpe completa um ano no Brasil.

O significado desse momento no nosso país condiz com a ruptura democrática iniciada na deposição da presidenta Dilma em maio de 2016. Um processo seletivo e partidarizado, articulado com uma midiática perseguição à Lula, que sintetiza os sentimentos mais puros e autênticos do povo, é parte deste contexto. O ódio gerado no país contra as esquerdas, a descrença na política, a transformação de líderes das lutas em "bandidos" tem nascedouro também na ação de agentes públicos do MP, polícia federal e poder judiciário.

Um grande ataque à democracia está em curso, desde 85, quando ela foi restabelecida pós-Ditadura. Pariram um monstro chamado intolerância e fascismo, tentando desconstruir o maior campo popular do Brasil. Como se não bastasse o desrespeito ao ex-presidente do Brasil, a mídia manipulou frases do depoimento para desrespeitar Dona Marisa, numa demonstração caótica da indignidade desse jornalismo que nos envergonha!

Desde a aprovação do impeachment de Dilma sem crime de responsabilidade, nosso país vive as trevas de um governo neoliberal e de pautas absolutamente atrasadas. Nos últimos 365 dias, Michel Temer e seus ministros retiraram diversos direitos da população. Acabaram com o Ciências sem Fronteiras, aprovaram a terceirização como precarização generalizada do trabalho e o desmonte da CLT, tentam impor a reforma excludente da Previdência, diminuíram os investimentos em saúde, educação e todas as outras áreas tidas como estratégicas, estão vendendo nossas riquezas a preço de banana, fragilizando a segurança nacional, limitaram o futuro do país com a emenda constitucional do Teto de Gastos, fomentaram a censura nas escolas e a desconstrução do ensino plural, sugeriram pagar trabalhadores do campo com comida e casa, criminalizaram movimentos sociais e faltaram com respeito às mulheres. Mancharam a História.

A crise que atingiu o país engoliu o governo Temer numa bocada só, pois este se mostrou fraco demais para lidar com a tempestade internacional. Não é para menos que, neste momento, o Brasil se ajoelha perante o FMI e o Estados Unidos, depois de mais de uma década de soberania. A saída injusta de Dilma e a perseguição à Lula são parte do golpe. E isso precisa ser explicado de forma constante. Não há saída para nossas dificuldades sem a democracia. Sem eleições diretas.

O Partido Comunista do Brasil tem discutido incansavelmente saídas para a crise e a possibilidade de um futuro melhor para nosso povo, além de lutar minuto a minuto dentro do Parlamento para impedir os retrocessos deste governo. Defender um processo justo ao presidente Lula e barrar as reformas devem ser prioridade de todos que se perfilam na proteção ao Estado democrático de Direito. E nós não nos furtamos de atender este dever.

* Jandira Feghali é médica, deputada federal (PCdoB/RJ) e vice-líder da Oposição.
Posted: 14 May 2017 07:38 AM PDT
Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

Merval Pereira, o jurisconsulto midiático que se pretende tutor da justiça brasileira – que de tão mal que anda, por vezes, aceita tal tutoria – hoje, em O Globo, lança a tese de que Dilma Rousseff pode ser presa a partir de “tantas possibilidades de provas” que foram dadas pelas delações do casal de ex-marqueteiros João Santana e Monica Moura.

Há tantas possibilidades de provas nos depoimentos dos marqueteiros João Santana e Monica Moura que não é exagero dizer que a ex-presidente Dilma corre o risco de ser presa por obstrução da Justiça a qualquer momento, em prisão preventiva decorrente da investigação policial que foi desencadeada a partir dos relatos agora liberados para divulgação.

O onipresente global lamenta que “a prisão em flagrante não cabe neste momento, passado tanto tempo do ocorrido”, embora se esqueça de que o mesmo argumento valha para a sua esdrúxula tese de “obstrução da Justiça”, porque – ainda que o fosse – ela não teria meios e modos para fazê-lo, destituída de poder e transformada em “inimiga” até por quem ela se expôs para levar ao Supremo, como este Luiz Edson Fachin, que se prestou ao papel de fazer coincidir as delações do casal com o triunfo de Lula sobre Moro no seu interrogatório.

Fachin usou o “timing” da novela, que aqui já se apontou, com tanta desfaçatez como transferiu o julgamento do habeas corpus de Antonio Palocci para o pleno do tribunal para evitar um decisão contrária à sua, de mantê-lo preso até confessar em delação. O que, aliás, não fica longe de uma “obstrução da Justiça”.

Merval toma como verdade absoluta as narrativas mirabolantes da delação, que não respondem a uma questão óbvia: se a preocupação em não deixar rastros pessoais era tanta a ponto de criarem-se histórias como estas, porque não fazer tal “aviso” por interpostas pessoas, para, aí sim, ocultar a autoria da informação privilegiada?

Aliás, a esta altura e com tanta avidez por “provas” que continuam sendo “possibilidades” e com os computadores do casal por tanto tempo sob controle da Polícia Federal existem outras “possibilidades” que é melhor nem falar, de tão indignas. Da mesma forma o suposto “telefonema para a República Dominicana”, se houve , quem garante tenha sido para “avisar” da prisão?

Independente de sua competência na marquetagens, quem gostava de negócios e de dinheiro a rodo nesta história era o casal. Mas isso não vem ao caso, eles viraram santos e, quem sabe, agora, façam campanhas para a direita, bem baratinho e só no “caixa 1”.
Posted: 14 May 2017 07:30 AM PDT
Por Mauricio Dias, na revista CartaCapital:

Foi um fiasco, com cinco horas de duração ou pouco mais, o resultado do interrogatório do ex-presidente Lula conduzido pelo juiz Sergio Moro. Apoiado em delações sem provas consistentes, o interrogador facilitou as respostas do interrogado, acusado de ser proprietário do célebre triplex, supostamente doado por uma empreiteira. Moro percebeu que, sem sustentação, a casa cairia.

A voz melosa do magistrado tentou, então, envolver Lula em outras questões, com perguntas tiradas, por exemplo, da delação de Renato Duque sobre contas do ex-diretor da Petrobras no exterior. Ele negou na ocasião. Agora admite.

Havia quase 7 mil manifestantes nas imediações do Tribunal de Justiça. O número deles foi calculado a partir de dezenas de ônibus vindos de várias partes do Brasil para apoiar Lula. Para o que desse e viesse. Faziam barulho. Não vazava para a sala de audiência. Moro sabia que eles estavam por lá quando disse a Lula: “Houve boatos de que poderia ser decretada sua prisão durante este ato. Eu lhe asseguro de pronto que isso não vai acontecer”.

O boato sempre esteve na mídia. Moro nunca desmentiu o que leu, nas várias vezes em que falou publicamente sobre a Lava Jato. Não se sabe se sorria nestes momentos.

O metalúrgico, no limite da serenidade, respondeu a Moro: “Considero o processo ilegítimo e a denúncia uma farsa”. Lula foi sempre enfático nas observações e irônico em algumas respostas ao juiz. Alguns exemplos:

Lula: “O Dallagnol não tá aqui. Eu queria o Dallagnol aqui pra me explicar aquele PowerPoint”, falou olhando para os procuradores da Lava Jato.

Moro: “Tem um documento aqui que fala do triplex”.

Lula: “Está assinado por quem?”

Moro: “A assinatura tá em branco...”

Lula: “Então, o senhor pode guardar, por gentileza”.

Moro: “Esse documento em que a perícia da PF constatou ter sido feita uma rasura. O senhor sabe quem rasurou?”

Lula: “A PF não descobriu quem foi? Não? Então, quando descobrir, o senhor me fala. Eu também quero saber”.

Moro: “Saíram denúncias na Folha de S.Paulo e no jornal O Globo de que...”

Lula: “Doutor não me julgue por notícias, mas por provas”.

Moro: “Senhor ex-presidente, você não sabia que Renato Duque (ex-diretor da empresa, hoje preso) roubava a Petrobras?”

Lula: “Doutor, o filho, quando tira nota vermelha, ele não chega em casa e fala: ‘Pai, tirei nota vermelha’.

Moro: “Os meus filhos falam”.

Lula: “Doutor Moro, o Renato Duque não é seu filho”.


No dia seguinte ao depoimento, houve diversas avaliações da audiência. Alguns tentaram jogar nas costas de Lula a responsabilidade pela politização da Lava Jato. Mentira. Quem estimulou isso foram os procuradores, os policiais federais e certos juízes que ainda militam descaradamente contra Lula, Dilma e o PT.

Além disso, a partidarização da Lava Jato é claramente simpática ao PSDB. Sem disfarce. Há muitos tucanos citados nas delações, mas não há um só tucano na gaiola.
Posted: 14 May 2017 07:20 AM PDT
Por Kiko Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo:

A nova estratégia de demonização de Lula passou a ser acusá-lo de culpar Marisa Letícia por seus crimes.

Na audiência com Moro, Lula afirmou que, enquanto ele havia descartado a compra do triplex no Guarujá, Marisa relutava.

“Eu não ia ficar com o apartamento, mas a dona Marisa ainda tinha dúvida se ia ficar para fazer negócio, ou não”, falou. Moro perguntou se ela decidiu não ficar. “Não discutiu comigo mais”, foi a resposta.

E daí?

E daí nada, mas já que estamos na lama, haverá sempre porcos e uma farta distribuição de lavagem.

Nordestino, nove dedos, bêbado, analfabeto, ladrão, infiel, criador de filhos bandidos, assassino de Celso Daniel…

Faltava o viúvo safado que se aproveita da falecida. Não falta mais.

Essa exploração dá bem a medida do quanto o depoimento de Lula a Moro foi frustrante para quem esperava que o juiz esmagasse o ex-presidente.

Ao longo de cinco extenuantes horas, Moro e sua patota do MPF não apresentaram nem uma mísera prova. Moro ainda fez, à margem da lei, questionamento a respeito de outros inquéritos, mentiu sobre a relação umbilical com a imprensa, abusou porque pode tudo.

Levou um sabão histórico nas considerações finais. Na GloboNews, o time de Camarotti e Catanhêde não tinha como esconder a tristeza. No Jornal Nacional, o clima era de fim de feira.

Restou a uma mídia que não se cansa de apelar para os baixos instintos a miséria de usar Marisa para atingir Lula.

A capa da Veja traz Marisa Letícia num retrato em fundo rosa, a face dela com photoshop na sobrancelha no estilo rainha diaba.

Giancarlo Civita, o herdeiro de Roberto, vai se provando à altura do pai no que este tinha de mais desprezível, uma espécie de Michel Temer dos empresários da imprensa - sem carisma, sem talento, cumpridor de serviço sujo que age na sombra.

O cordão da baixaria foi engrossado por Geraldo Alckmin, o Santo da Odebrecht. “Ter jogado a culpa na esposa falecida é algo inaceitável, inaceitável”, disse o tucano, balançando a calva.

É um golpe baixo, mesmo para os padrões dele, e ajuda a explicar por que o PSDB vive na draga nas sondagens presidenciais. É a mesma lógica oportunista que levou o partido que perdeu nas urnas em 2014 a se aliar à escória do PMDB.

O procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, uma das estrelas do elenco da força tarefa que estava presente ao interrogatório de Lula, também resolveu se aproveitar da onda.

“No geral, eu não vi nenhuma consistência nas alegações. Infelizmente, as afirmações em relação à Dona Marisa a responsabilizando por tudo é um tanto triste de se ver feitas nesse momento até porque, como o ex-presidente disse, ela não está aí para se defender”, disse.

Ora, o sujeito investiga Lula há três anos, não apresenta uma evidência de que o apartamento pertença ao réu - e, instigado pelo Estadão, se defende de sua inépcia atacando Lula com um julgamento moral e uma fofoca.

Marisa não foi absolvida por Sergio Moro depois de morta, como explicou Joaquim de Carvalho no DCM. Os mesmos que a achincalharam quando de seu AVC agora simulam solidariedade e compadecimento.

Vera Magalhães, pitbull da Jovem Pan que foi casada com um assessor de Aécio Neves e que divulgou, entre piadas, vídeos da corja que invadiu a garagem de José Dirceu para linchá-lo, chegou a tirar da manga o termo “sororidade”.

Noves fora o processo kafkiano e o pântano em que estamos metidos, o que a aliança da mídia com a Lava Jato conseguiu produzir, até agora, foi a alavancagem do nome de Lula nas pesquisas para as eleições de 2018.

Ninguém normal gosta de ver uma perseguição abjeta.

Eis a única certeza que existe até agora - além da que essa canalha sempre pode piorar.
Posted: 14 May 2017 07:11 AM PDT
Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania:



Cinco dias após a morte de Dona Marisa Letícia Lula da Silva (em 3 de fevereiro último), o juiz Sergio Moro intimou a falecida a ir depor na ação que a 13ª Vara de Curitiba abriu contra ela em setembro do ano passado.



A decisão que você vê acima intimava Dona Marisa a ir depor no dia exato de sua missa de sétimo dia, em 9 de fevereiro. E Moro a manteve como ré no processo, apesar de ter extinto sua punibilidade por razões mais do que óbvias.

Após a oitiva de Lula por Moro no último dia 10 de maio, porém, seguindo a prática da direita de assassinar moralmente seus adversários, a mídia, os golpistas e a própria Lava Jato trataram de acusar o ex-presidente de ter “empurrado” a própria culpa para a sua falecida esposa…

Ao avaliar o interrogatório conduzido pelo juiz Sergio Moro contra Lula, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse achar “inaceitável” o fato de o petista, segundo ele, “ter jogado a culpa” na ex-primeira-dama Marisa Letícia, morta em fevereiro.

O procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, da Lava Jato, foi outro que aproveitou a onda midiática que explora as falas de Lula para dizer que: “Infelizmente, as afirmações em relação à dona Marisa a responsabilizando por tudo é um tanto triste de se ver feitas nesse momento, até porque, como o ex-presidente disse, ela não está aí para se defender.”

A grande mídia, então, caiu de pau em cima de Lula, acusando-o de usar a própria esposa morta para se safar da cadeia.



O golpe de misericórdia foi a capa da revista Veja desta semana, que usa e abusa do photoshop para conferir um ar diabólico à esposa falecida de Lula e vender a tese de que foi Lula quem acusou aquela que a mídia tanto maltratou em vida quanto em morte.



No vídeo [aqui], a prova de que Sergio Moro mantém dona Marisa como ré até hoje, e, também, flashes da oitiva de Lula que mostram que o juiz e os procuradores da Lava Jato perguntaram Lula incessantemente sobre sua falecida esposa.
Posted: 14 May 2017 07:02 AM PDT
Por Marco Weissheimer, no site Sul-21:

A natureza das crises econômica e política, a confluência das mesmas e a agenda do governo de Michel Temer e seus aliados colocaram o Brasil em uma encruzilhada que aponta basicamente para dois caminhos. O primeiro: as forças de esquerda e do campo democrático conseguem construir uma sólida unidade e manter mobilizações massivas de rua, como ocorreu na greve geral do dia 28 de abril e na jornada de Curitiba, dias 9 e 10 de maio, para derrotar o governo golpista e a agenda de destruição de direitos que este vem implementando no país, via eleições diretas este ano ou em 2018. O segundo: o governo Temer consegue aprovar seu pacote de reformas que provocarão um retrocesso de décadas em termos de direitos, aumentando a repressão contra as forças de esquerda e do campo democrático e promovendo um fechamento político ainda maior que aumentará a radicalização social no país.

Esse foi o cenário apresentado, sexta-feira à noite, em Porto Alegre, pelos dirigentes de dois dos principais movimentos sociais do Brasil. João Pedro Stédile, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), e Guilherme Boulos, do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) participaram de um debate promovido pela Associação Juízes para a Democracia (AJD), em parceria com o coletivo A Cidade que Queremos, no auditório do Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa). Além do debate com Stédile e Boulos, o encontro teve uma mesa que tratou da criminalização de ativistas e movimentos sociais, que contou com a presença do jornalista Matheus Chaparini (Jornal Já), de Isaías Vedovato (MST) e da arquiteta Claudia Favaro (MTST).

Em suas falas, João Pedro Stédile e Guilherme Boulos fizeram uma caracterização sobre a natureza das crises econômicas e política, identificando os seus protagonistas e setores sociais envolvidos. Além disso, desenharam cenários possíveis e hipóteses acerca do desdobramento dessas crises e apontaram os desafios que o campo de esquerda e democrático têm hoje para evitar um gigantesco retrocesso social que pode mergulhar o Brasil em um ambiente de convulsão social e de maior fechamento político que poderá levar décadas para ser revertido.

A natureza da crise

A sociedade brasileira vive uma grave crise econômica que iniciou por volta de 2008 e cujos impactos foram amortecidos, no governo Lula, por políticas públicas financiadas pela Caixa Econômica Federal e pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), disse Stédile. “O Lula deu um tranco na crise em 2008, mas ela voltou com força em 2013, em meio a uma cenário econômico internacional mais adverso. Essa crise é uma crise do modo de produção capitalista internacional. Sempre que o capital entra em crise, ele aumenta a exploração sobre a periferia para recuperar seus prejuízos”. Quando há uma crise econômica dessa natureza, há uma desarrumação da relação entre as classes sociais, acrescentou o dirigente do MST.

O tamanho dessa desarrumação, assinalou Stédile, foi resumido pelo general Eduardo Villas Boas, comandante do Exército, que, em um longo artigo no jornal Valor Econômico, disse que o Brasil estava à deriva e sem comando. “É aí que estamos. O navio está afundando e as classes, como aconteceu no Titanic, estão em um jogo de salve-se quem puder. Cada um quer pegar o seu bote”. Foi neste cenário de desarrumação, apontou, que se deu o golpe contra o governo de Dilma Rousseff. “Eles já tinham o controle do Judiciário e da Mídia, mas ainda não tinham o controle do Congresso. Em 2014, gastaram R$ 6 bilhões para eleger este Congresso que está aí, o mais conservador da história. E quase venceram a eleição para a presidência da República. Quando a Dilma colocou o Joaquim Levy na Fazenda, esta já era uma medida para salvar a burguesia. Em abril de 2015, nós dissemos a ela, em um assentamento do MST aqui no Rio Grande do Sul, que se ela não mudasse esse caminho, o governo ia afundar. E foi o que aconteceu”.

Quando a Rede Globo, “o único partido ideológico da burguesa brasileira”, percebeu que essa política econômica tinha afastado a classe trabalhadora da Dilma, eles deram o golpe, prosseguiu Stédile. O objetivo desse golpe, resumiu, é um só: recuperar a taxa de lucro e de acumulação, por meio do aumento da exploração da classe trabalhadora. “Em um ano de governo Temer, mais de 3 milhões de trabalhadores de carteira assinada perderam o emprego. Isso é deliberado. Outra via para recuperar a taxa de lucro e acumulação é a do assalto aos cofres públicos. Só via DRU (Desvinculação de Receita Orçamentária), Temer deslocou R$ 180 bilhões das áreas de saúde e educação para os cofres do grande capital. A PEC que congelou os investimentos nestas áreas por 20 anos foi outra medida com o mesmo objetivo. Essa estratégia de recuperação do capital inclui ainda a apropriação dos recursos naturais do Brasil, como água e petróleo. Por fim, no plano geopolítico, o objetivo é realinhar o Brasil com os Estados Unidos”.

O esgotamento dos pactos da Nova República

Guilherme Boulos também caracterizou o atual momento histórico como gravíssimo, com retrocessos sociais e democráticos que podem ser ainda maiores que os já provocados. Para ele, a confluência das crises econômica e política é uma crise da Nova República, iniciada no período pós-ditadura. Nos governos Lula e Dilma, afirmou o dirigente do MTST, no mínimo os retrocessos foram freados por políticas implementadas a partir de um acordo de conciliação de classes. Esse período, acrescentou, além de bloquear retrocessos, trouxe ganhos reais para a classe trabalhadora, mas chegou ao fim. “A crise política atual vai além da instabilidade do governo Temer. Ela é uma crise da Nova República, uma crise de representatividade e de legitimidade de todo o sistema político”.

Para Boulos, essa crise se traduz também em uma crise de hegemonia que coloca para a própria burguesia a necessidade de uma transição. “Isso não é, necessariamente uma boa notícia, pois pode levar a um fechamento democrático ainda maior”. A natureza da atual crise econômica, sustentou ainda, reduz muito a possibilidade de uma nova política de conciliação de classes, como a que ocorreu nos governos Lula e Dilma. “Isso foi possível, porque o país estava crescendo a uma média de 4% ao ano. Agora, estamos indo para três anos consecutivos de recessão. No período anterior, era possível fazer política pública para os mais pobres só com ajuste orçamentário. Isso não é mais possível”.

Boulos também chamou a atenção para o fato de que não foi a esquerda que rompeu com essa política de conciliação de classes, mas a própria burguesia. “Saiu a conciliação e entrou a exploração. A política do governo Temer envolve uma profunda repressão social. A PEC do congelamento dos gastos sociais. Nem os governos mais neoliberais que tivemos na América Latina, incluindo o de Pinochet no Chile, chegou a esse atrevimento. Com essa medida, definiu-se a política econômica dos próximos quatro governos. Uma das conseqüências disso é que não basta mais eleger outro governo. É preciso também ter três quintos do Congresso para reverter isso”.

Os atores e os possíveis caminhos do golpe

Stédile e Boulos apresentaram também algumas contradições existentes dentro do bloco que conduziu Temer ao poder e possíveis desdobramentos da situação atual. O dirigente do MST observou que, ao contrario do que ocorreu no golpe de 1964 e no período do governo Fernando Henrique Cardoso, a burguesia não tem hoje uma sólida unidade política. Ele identificou três grandes blocos que articularam o golpe: o bloco do poder econômico (representado por Henrique Meirelles e pelo capital financeiro), o bloco da lumpen-burguesia (representado por figuras como Michel Temer, Romero Jucá, Eliseu Padilha e Renan Calheiros) e o bloco ideológico (representado pela Globo, pelo Ministério Público Federal, liderado procurador Rodrigo Janot, e pelo juiz Sérgio Moro). Esse último bloco, enfatizou, é o mais perigoso de todos.

Stédile apontou alguns ruídos que aconteceram recentemente na relação entre esses blocos. “A Operação Carne Fraca foi um tiro no pé, provocando um prejuízo de R$ 300 milhões para a JBS, quando os problemas mais graves se concentravam em três frigoríficos do Paraná ligados ao atual ministro da Justiça, Osmar Serraglio. Se a Polícia Federal fosse séria, ela teria que prender o seu chefe. Estamos diante de um governo ilegítimo e instável que ninguém sabe quanto tempo vai durar. Gilmar Mendes parece que abandonou o bloco ideológico e foi para o bloco do poder econômico. Ele virou o primeiro-ministro do poder econômico no Judiciário”.

“Se conseguirmos manter a classe trabalhadora na rua, algo com que eles não contavam, com uma grande mobilização no próximo dia 24 e uma possível greve geral por tempo indeterminado, poderemos acelerar a renúncia do Temer, conseguindo uma passagem para ele para Miami, que é o refúgio preferido de todos os canalhas do mundo”, disse ainda Stédile, desenhando quatro hipóteses para o futuro próximo:

“Na primeira hipótese, a crise se aprofunda, Temer renuncia e a Carmen Lucia convoca eleições diretas ainda este ano. Essa é a hipótese mais otimista. Na segunda, Temer renuncia e eles formam um governo de transição com o Nelson Jobim, o que só não aconteceu ainda porque os tucanos não aprovam. Na terceira, o governo Temer vai se arrastando até o ano que vem, com um desgaste cada vez maior, e o Lula é eleito no primeiro turno. E na quarta, a pior de todas, o governo Temer se mantém e eles prendem o Lula. Aí se abriria um terreno de completa de radicalidade, onde, nós do MST ao menos, recusaríamos a legitimidade do processo eleitoral”.

Riscos e desafios para a esquerda e o campo democrático

Guilherme Boulos também falou sobre possíveis desdobramentos da crise, apontando para os principais riscos que estão no horizonte. “Uma crise dessa natureza não deixa vácuo. Estamos falando de uma crise do pacto da Nova República potencializada por um processo de desmoralização profunda da classe política. Neste cenário, a Globo já está pensando em como canalizar o discurso da anti-política para a sua agenda. Já fizeram isso nas eleições municipais, elegendo figuras como o Dória em São Paulo e o próprio Marchezan aqui em Porto Alegre que surfaram neste discurso da anti-política”.

Este quadro, acrescentou, abre espaço para um fechamento democrático ainda maior, como alternativa de superação da crise. “A Lava Jato se afirma cada vez mais como um projeto político. Ninguém tenta criar um herói nacional para deixá-lo mofando em um tribunal de primeira instância em Curitiba. Dias atrás, a ministra Carmen Lucia promoveu um café da manhã no STF com o G13 do empresariado. A ordem é acelerar o seu programa. Em apenas um ano, querem desmontar três pactos: o inaugurado pelo governo Lula, o pacto da Constituição de 1988 e o pacto varguista firmado nas décadas de 30 e 40”.

Para Boulos, o que permite o governo Temer bancar essa destruição é justamente a sua ilegitimidade. “Apenas um governo não eleito, com apenas 5% de aprovação, pode implementar um tamanho programa de destruição nacional. Ele não tem nada a perder. A única chance de ele permanecer no governo até 2018 é entregar o pacote inteiro. E parte desse pacote é o aumento da criminalização e da repressão, com o aprofundamento das medidas de exceção. A brecha de crise entre eles, acrescentou, está no fato de que os deputados e senadores que apoiam esse governo têm sim, ao contrario de Temer, algo a perder, já que terão que enfrentar uma eleição para serem reeleitos.”

Considerando esse contexto, o dirigente do MTST apontou três grandes desafios para a esquerda e para o campo democrático como um todo. “Chegamos a um ponto que, quem defende a Constituição, já é de esquerda. E não estamos falando da Constituição bolivariana de Chávez, mas sim da Constituição Cidadã de Ulysses Guimarães”, ironizou Boulos. Esses três desafios são:

(1) “Construir uma ampla unidade de todos os setores que resistem ao golpe e à sua agenda. Não podemos nos dar ao luxo de nos dividirmos. Se isso acontecer, cada um vai ser derrotado no seu canto. Talvez eles consigam executar o programa do golpe mesmo com a gente unido. Mas a nossa única chance de vitória é construir essa unidade. Se o golpe seguir na velocidade atual, a radicalidade nas ruas pode aumentar muito. Nosso papel é canalizar essa radicalização de massa para a derrubada deste governo”.

(2) “Alem da unidade, precisamos começar a pensar em um programa contra-hegemônico da esquerda brasileira. Não dá para pensar só nas eleições de 2018. Precisamos pensar em um programa para as próximas décadas, com a consciência de que não há mais espaço para avançar sem conflito e enfrentamento. Se não for por opção, é por sobrevivência mesmo, uma vez que não há mais espaço para conciliação. Pensar esse programa é uma condição para disputar o próprio discurso da anti-política, como fizeram recentemente Sanders, nos Estados Unidos, Melenchon, na França e o Podemos, na Espanha. A anti-política tem uma base real, a saber, a percepção de que o sistema político não representa o povo, mas sim o poder econômico. Não podemos entregar esse discurso de bandeja para a direita”.

(3) “Não adianta ter um programa, sem capacidade de mobilização social e de capilaridade social da esquerda. Para isso, é preciso retomar aquilo que foi abandonado: o trabalho de base, pisar no barro, ouvir o povo e construir vínculos estruturais mais fortes com ele. Quando tivemos que resistir ao golpe, pagamos o preço por ter abandonado isso. Só quem conseguiu colocar povo na rua foram os movimentos que tinham trabalho de base”.

Por fim, Boulos estabeleceu uma hierarquia entre esses desafios, dando primazia ao primeiro. “As diferenças existentes entre nós em relação `ao programa não podem ameaçar a ampla unidade que precisamos construir”.
Posted: 14 May 2017 06:55 AM PDT
Por Isabela Prado Callegari, no site Outras Palavras:

Há uma semana o país passou pela sua maior greve em 30 anos, a primeira greve geral contra as reformas trabalhista e previdenciária [1]. Em consulta popular feita pelo Senado, mais de 95% dos votantes se mostraram contra a reforma trabalhista [2], bem como 80% reprovam a lei da terceirização plena, 93% são contra o aumento da idade para aposentadoria, e a popularidade de Michel Temer beira os 5% [3]. Não é de se espantar tamanha rejeição, uma vez que as propostas recentes têm sido tão abjetas, que parece que os capitalistas brasileiros esqueceram que a sobrevivência do próprio capitalismo depende dos trabalhadores. 

No entanto, aqueles que insistem em defender as reformas se valem de alguns espantalhos da legislação, de antigas falácias e do discurso de terra arrasada para justificar uma retirada absurda de direitos, cujo único objetivo real é exacerbar a concentração de riqueza no topo da pirâmide. Para alguns economistas, a opinião da população deve ser desconsiderada, sob a alegação de que ela não tem a expertise necessária para entender as reformas. Isto é, os 96,3% [4] das pessoas ocupadas, que não são empresárias, e que terão seus direitos subtraídos e sua vida profundamente alterada, têm sua voz e sua luta ridicularizadas a priori.

Por outro lado, a grande maioria dos economistas renomados, defensores das reformas, nunca teve que se preocupar com coisas menores como subsistência e geralmente detém participações e investimentos polpudos em empresas e fundos, um conflito de interesses que deveria colocar sempre sob suspeita suas opiniões. No entanto, tais economistas têm espaços garantidos na grande mídia para desfilarem seu suposto conhecimento isento em prol da retirada de direitos alheios. Foi o que fez essa semana, para o Globo, o ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco [5], em artigo que termina com uma pérola ditatorial: “nenhuma boquinha terminou no Brasil sem certa dose de esperneio e gás lacrimogêneo. A sexta-feira que passou foi dedicada a isso. Vida que segue”. Apesar de ter sido bastante visceral em sua fala, os economistas ortodoxos, como Franco, em geral são mais afeitos à impessoalidade calculista e à representação matemática da realidade, por poderem usar números que melhor lhes convêm, permanecendo sob o véu da “isenção matemática”. Por isso, gostaria de expor aqui alguns números.

Enquanto Franco nos lembra que a Justiça do Trabalho teve um custo de R$ 9,1 bilhões em 2015, gostaria de lembrar que a mesma Justiça do Trabalho viabilizou aos trabalhadores o pagamento de mais de R$ 33 bilhões no biênio 2014/2015 em créditos trabalhistas [6]. Não houvesse Justiça do Trabalho, os mesmos R$ 33 bilhões permaneceriam sendo lucro do empregador e os trabalhadores jamais veriam esse dinheiro. A mesma Justiça do Trabalho também resgatou R$5 bilhões de reais para os cofres públicos no mesmo biênio, a título de custas e contribuições previdenciárias, cuja sonegação recorrente de grandes empresas é um dos motivos do alegado rombo da previdência. É óbvio que a Justiça do Trabalho, como todo o Judiciário, é oneroso em seus altos escalões e ninguém está dizendo que o tema não deva ser discutido. Acontece que isso não é nem um arremedo de argumento para justificar a extinção do papel da Justiça do Trabalho, muito menos em um país que tem por ano, aproximadamente 700 mil acidentes de trabalho (subnotificados) [7], que nos últimos 20 anos resgatou mais de 50 mil pessoas em condições análogas à escravidão [8] e cujas empresas acumulam R$ 426 bilhões somente em dívidas previdenciárias [9].

Mito da flexibilização, modernização e aumento de empregos

É imperativo desmistificar a ideia tão alardeada de que os empregadores passarão a contratar mais trabalhadores se não estiverem obrigados a pagar direitos trabalhistas. Na verdade, o processo não parte da diminuição de custos para chegar ao aumento da produção, e sim o inverso. O empregador precisa de empregados para produzir e responder a determinada demanda; e se esforçará para pagar o mínimo àqueles empregados, dentro das regras do jogo (ou pagando alguns deputados para mudarem as regras do jogo..). Por acaso temos atualmente uma taxa de desemprego sistematicamente maior ou uma produção sistematicamente menor por termos leis mais humanas do que na época da escravidão? É absurdo que tenhamos que fazer esse exercício retórico, mas parece que algumas pessoas ainda acreditam nesse argumento surreal. É óbvio que trabalhadores são contratados de acordo com a necessidade da produção, sendo que a não existência de direitos trabalhistas garante inclusive que o empregador tenha uma margem de manobra maior para aumentar a jornada dos trabalhadores já contratados, sem pagar a mais por isso, antes de pensar em contratar mais gente.

O fato de a mão-de-obra se tornar mais barata para o patrão não vai gerar mais empregos por pelo menos três motivos lógicos, que se respaldam em diversas evidências históricas: 1) Por que seriam contratados mais trabalhadores, mesmo que a um custo menor, se não houvesse para quem vender o aumento de produção? 2) Se os trabalhadores tiverem seus salários diminuídos, e uma rotatividade e insegurança maior em seus empregos, eles diminuirão seu consumo, aumentarão o endividamento e a inadimplência. Isso afeta diretamente a demanda. Ou seja, de imediato, as certezas que se colocam com essa reforma estrutural são: (i) a precarização, instabilidade e destruição de direitos por um longo prazo, (ii) o aumento de horas trabalhadas e de condições degradantes, (iii) o aumento de lucro de 3% da população economicamente ativa, que é empregadora; e (iv) opção pela diminuição de salário real ou, na melhor das hipóteses, a estabilidade do salário real.

Outra falácia comum da ortodoxia é de que a maior flexibilidade, como a implementação do “contrato de zero horas” (no qual o trabalhador é permanentemente contratado como temporário), facilitaria o ajuste ao aumento ou diminuição da produção. Sim, o sonho de todo o empregador é poder mandar um whatsapp para o empregado, para que este se materialize, com sua força de trabalho, sempre que convocado. Ninguém considera nesse cenário a instabilidade brutal a que estarão sujeitos os mais pobres, já precarizados, e a total devoção que os trabalhadores terão de ter daqui para frente para atender aos diversos chamados dessincronizados dos seus múltiplos empregos. Ou melhor, isso foi sim considerado. Para não prejudicar os patrões, o empregado poderá pagar multa caso não consiga comparecer ao trabalho, seja por qual motivo for. Realmente, a confiança dos empresários estará garantida, já a do trabalhador, quem se importa? Sempre há uma fila de precarizados à disposição e o importante é que estaremos deixando o “mercado se auto-ajustar com eficiência”. Nenhum desses mitos é novo e são inúmeros os estudos, inclusive do insuspeito FMI, que demonstram sua incoerência e inveracidade. Movimentações no sentido da flexibilização já foram implementadas no país nos anos 1990, sob a mesma retórica, provocando aumento do desemprego e da desigualdade. A taxa de rotatividade no Brasil é de 46%, uma das mais altas do mundo, e o salário no ano passado registrou patamares menores do que na China, desmistificando também a ideia de que a legislação impede o ajuste do mercado e de que os salários são altos [10].

No âmbito das propostas dos ruralistas à reforma, os absurdos conseguem atingir proporção ainda mais dantesca. O presidente da bancada ruralista, Nilson Leitão (PSDB), propôs na Câmara dos Deputados, sem constrangimento algum, que trabalhadores rurais (14% da população ativa [11]) possam receber moradia e alimento em vez de salários; que possam trabalhar por 12 horas por dia (no campo!), e por 18 dias seguidos, sem folga, dentre outras crueldades. Vamos explicitar a lógica dessas pessoas, que convivem no mesmo espaço-tempo que nós: alegam que as leis são atrasadas, mas almejam modernizá-las para o século XVII; se existe um alto grau de informalidade, em vez de ampliar a formalidade, como vinha sendo feito [12], desejam institucionalizar a falta de direitos para todos; se temos muitos processos trabalhistas, extinguimos a Justiça do Trabalho; se temos todos os anos resgate de pessoas dormindo em tapumes, sem receber salários, submetidas a jornadas exaustivas e pedindo restos de comida [13], a solução é submeter um projeto de lei legalizando o trabalho escravo.

O mito do imposto sindical

Deixo como referência o texto de Jorge Souto Maior [14], juiz do trabalho, para o aprofundamento em detalhe das demais atrocidades da reforma, mas creio que é necessário aqui discutir um último mito, que foi o principal artifício para atacar a greve do dia 28. Trata-se do Imposto ou Contribuição Sindical. Gustavo Franco, em seu artigo já mencionado, ignora ou finge ignorar todos os profundos e reais retrocessos que a reforma impõe aos trabalhadores. Alega que a greve foi articulada para garantir a “boquinha” dos sindicatos e por isso era normal haver “esperneio e gás lacrimogêneo“. 

A desonestidade intelectual fica explícita de cara, uma vez que a greve geral foi convocada em 27 de março, e a proposta de acabar com o imposto sindical só foi incluída no parecer do relator Rogério Marinho em 12 de abril [15]. O argumento é ainda mais risível, uma vez que a CUT e o Ministério Público do Trabalho, participantes ativos da greve geral, são historicamente contra o Imposto Sindical [16]. Mesmo porque as grandes centrais não são dependentes dessa fonte de financiamento, assim como não o são as grandes confederações patronais (FIESP, CNI, CNA, FIRJAN, CNC). E por isso podem defender de peito aberto o fim da contribuição sindical e da contribuição patronal [17]. 

Para a Fiesp, por exemplo, o valor da contribuição patronal representa apenas 10% do seu orçamento, pois na verdade, as confederações sobrevivem de um desvio de recursos públicos muito maior, por meio do “Sistema S” (SESC, SENAI, SENAC, SENAT etc.). Enquanto as contribuições sindicais equivalem a R$ 2,1 bilhões ao ano, as patronais equivalem a R$ 934 milhões, e as receitas do “Sistema S”, a R$16 bilhões [18].

Ainda à luz desses dados, o fim das contribuições, sindical e patronal, gerou mais tensões dentro da base do próprio governo do que na motivação das pessoas que foram às ruas contra as reformas. O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, a princípio colocou contrário a perder esses milhões por ano e solicitou almoço com o relator Rogério Marinho para discutir o tema [19]. Em seguida calculou que seria melhor defender o fim do imposto sindical para difamar a greve e continuar sobrevivendo de recursos do “Sistema S”. Ronaldo Nogueira (PTB), atual ministro do trabalho, também se viu traído pela medida, uma vez que R$ 582 milhões da contribuição vão para o Ministério do Trabalho. 

Por fim, o impacto da extinção desse imposto irá inviabilizar diversas entidades sindicais menores e, caso as reformas passem, não se sabe se o efeito disso será ainda mais catastrófico, em um cenário de prevalência do negociado sobre o legislado. Fato é que a greve não teve de forma alguma como principal reivindicação a permanência do imposto sindical, mas sim a permanência de direitos básicos, que estão sendo retirados noite e dia a canetadas por um governo ilegítimo.

Alguns outros números relevantes

296 é o número de deputados [20] que votaram a favor de uma “reforma” que irá modificar a vida de milhões de trabalhadores. Três é o número de exonerações que Temer promoveu como retaliação aos deputados que votaram contra [21], pois é assim que um patrão negocia. 153 é o número de emendas redigidas por lobistas patronais que foram aceitas na reforma [22]. Zero é o número de emendas escritas por trabalhadores. Centenas de milhares de reais é o que empresas devedoras doaram às campanhas dos deputados para que eles fizessem uma reforma trabalhista. Dois foi o número de vezes que Rodrigo Maia permitiu que votassem o caráter de urgência dessa “reforma”, até que conseguissem. 844 foi o número total de emendas apresentadas, que irão mudar a vida dos mais pobres e que foram votadas sem transparência nem diálogo, em menos de uma semana [23]. 21 é o número de trabalhadores que foram resgatados essa semana em Goiás, trabalhando 14 horas por dia, dormindo no chão, sem água, sem energia, com salários atrasados em mais de dois meses, e pedindo sobras de carne nos açougues e comida para os vizinhos [24]. De cada dez pessoas resgatadas em trabalho escravo, nove são terceirizadas [25]. Ao menos dez pessoas que não eram “sindicalistas defendendo uma boquinha”, foram gravemente feridas exercendo seu direito de manifestação no RJ. Uma bomba de gás foi jogada no rosto de um estudante, que estava saindo da manifestação [26]. Uma bala de borracha acertou o olho do filho de um Policial Militar, que pode perder a visão [27]. 21 pontos no pescoço levou uma bibliotecária atingida por uma bala de raspão [28]. 178 países assinaram convenção internacional que classifica gás lacrimogêneo como arma química, mas ele pode ser usado em manifestações [29]. Com 14 anos começou a trabalhar o estudante, que estava se dispersando da manifestação em Goiás, quando foi atingido com um golpe na cabeça por um capitão da PM.

Com certeza, Gustavo Franco nunca teve que passar por agressões da PM exercendo seu direito de se manifestar. Ele, assim como Temer, Rogério Marinho, Henrique Meirelles, Skaf, e todos esses personagens, sabem muito bem o jogo de forças que sempre esteve posto, e que está se acirrando a cada dia, o jogo dos poderosos, que já nascem com suas boquinhas garantidas e sempre querem ganhar mais, contra os trabalhadores, que sempre tem que lutar pela sobrevivência e para não perder direitos. Não podemos admitir é que os trabalhadores caiam em uma retórica, retrógrada até para os padrões de um século atrás, de que não é possível conciliar direitos e vida digna para os trabalhadores com emprego para todos. Uma retórica tortuosa e desonesta que sempre insinua que garantir a dignidade dos mais vulneráveis e tratar o trabalhador como hipossuficiente perante a lei é trata-lo como “coitadinho“, enquanto permitir que a desigualdade e precariedade assole o país é tratar o trabalhador com dignidade. Nesse contexto, mais alguns números para o debate. Nenhuma classe dominante jamais abriu mão de seus privilégios por vontade própria e nenhum direito trabalhista foi conquistado por abaixo assinado. A sexta-feira que passou foi dedicada a isso. Luta que segue.

Notas

1https://www.cartacapital.com.br/politica/depois-da-greve-geral

2http://www.redebrasilatual.com.br/trabalho/2017/05/consulta-publica-senado-95-por-cento-contestam-%20reforma-trabalhista

3https://www.cartacapital.com.br/politica/rejeicao-as-reformas-de-temer-beira-a-unanimidade-aponta-pesquisa

4http://brasilemsintese.ibge.gov.br/trabalho/posicao-na-ocupacao.html

5https://oglobo.globo.com/economia/reforma-trabalhista-so-comeco-21278054

6http://justificando.cartacapital.com.br/2016/06/20/justica-do-trabalho-e-primeiro-alvo-de-falacias-em-tempos-de-crise-economica/

7http://epocanegocios.globo.com/Brasil/noticia/2017/01/numero-de-acidentes-de-trabalho-cai-mas-especialistas-veem-subnotificacao.html

8https://economia.uol.com.br/empregos-e-carreiras/noticias/redacao/2015/05/13/em-20-anos-49-mil-trabalhadores-foram-resgatados-de-trabalho-escravo.htm

9http://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2017-02/devedores-da-previdencia-devem-quase-tres-vezes-o-deficit-do-setor

10http://brasildebate.com.br/6-mitos-da-reforma-trabalhista/

11http://brasilemsintese.ibge.gov.br/trabalho.html

12https://nacoesunidas.org/numero-de-trabalhadores-sindicalizados-no-brasil-atinge-maior-patamar-desde-2004-segundo-ibgeoit/

13http://www.capitalteresina.com.br/noticias/brasil/trabalhadores-sao-resgatados-em-condicoes-analogas-a-de-escravos-50696.html

14http://www.jorgesoutomaior.com/blog/a-quem-interessa-essa-reforma-trabalhista

15https://charlesbruxel.jusbrasil.com.br/artigos/453563112/mito-ou-realidade-o-fim-do-imposto-sindical-e-o-verdadeiro-motivo-da-greve-geral?ref=topic_feed

16http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/TRABALHO-E-PREVIDENCIA/206140-CUT-E-MINISTERIO-PUBLICO-DO-TRABALHO-DEFENDEM-FIM-DO-IMPOSTO-SINDICAL.html

17http://www.intersindicalcentral.com.br/vitor-hugo-tonin-cara-de-pato/

18http://www.valor.com.br/politica/4950364/o-desmonte-parcial-do-corporativismo

19https://www.cartacapital.com.br/blogs/cartas-da-esplanada/por-pressao-dos-patroes-temer-pode-vetar-fim-da-contribuicao-sindical-1

20https://www.cartacapital.com.br/blogs/parlatorio/reforma-trabalhista-como-votaram-os-deputados

21http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2017/05/1880333-temer-demite-indicados-de-infieis-que-votaram-contra-a-reforma-trabalhista.shtml

22https://theintercept.com/2017/04/26/lobistas-de-bancos-industrias-e-transportes-quem-esta-por-tras-das-emendas-da-reforma-trabalhista/

23http://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2017-04/reforma-trabalhista-recebe-844-emendas-relatorio-deve-ser-apresentado-na

24http://www.capitalteresina.com.br/noticias/brasil/trabalhadores-sao-resgatados-em-condicoes-analogas-a-de-escravos-50696.html

25http://cartacampinas.com.br/2017/03/terceirizacao-de-cada-10-pessoas-resgatadas-do-trabalho-escravo-9-sao-da-terceirizacao/

26http://extra.globo.com/noticias/rio/estudante-passara-por-cirurgia-apos-ser-atingido-por-bomba-de-gas-em-protesto-no-rio-covardia-21280657.html

27http://extra.globo.com/noticias/rio/filho-de-pm-pode-ficar-cego-apos-ser-atingido-por-bala-de-borracha-em-manifestacao-21289705.html?utm_source=Twitter&utm_medium=Social&utm_campaign=Extra

28http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/ferida-por-bala-de-borracha-em-protesto-no-rio-levou-21-pontos-no-pescoco.ghtml

29http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2017/05/1880115-por-que-o-gas-lacrimogeneo-e-usado-em-protestos-mas-proibido-na-guerra.shtml
Posted: 14 May 2017 06:44 AM PDT
Por Tereza Cruvinel, em seu blog:

Não nos iludamos, as coisas vão piorar. Maio trouxe um recrudescimento da ofensiva comandada pela coligação entre entre a Lava Jato, a grande mídia e forças aliadas conservadoras. Este regime sem nome, que não governa mas comanda, tem no governo Temer, originário do golpe de 2016, apenas um subproduto de seu projeto mais ambicioso: arrasar com as forças populares, excluir o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva da sucessão de 2018. através de sua condenação, e criminalizar outros expoentes da esquerda, como a presidente deposta Dilma Rousseff, pavimentando o caminho para uma nova e talvez duradoura hegemonia conservadora. Não nos iludamos, as coisas devem piorar, com o Estado de Exceção se instalando com mais desenvoltura no país.

São claros os sinais de que as forças coligadas à Lava Jato – que ultrapassa a vara federal curitibana, englobando também o comando da PGR e setores do Supremo - estão pisando no acelerador, buscando o ponto crítico da crise para alcançar os objetivos que realmente sempre importaram. Um destes sinais é o aumento da violência midiática, que se manifestou na cobertura e repercussão do depoimento do ex-presidente Lula ao juiz Sergio Moro, e a seguir, na difusão caudalosa dos vídeos e do conteúdo da delação dos marqueteiros João Santana e Monica Moura. Se restava algum prurido, foi posto de lado, numa atuação homogênea e afinada, com profissionais perdendo qualquer pudor de se exibirem como coadjuvantes de uma empreitada política. 

A capa de Veja com Marisa Letícia foi uma síntese desta escalada, mas foi um ponto bem dentro da curva. Os jornais também haviam se empenhado em dizer que Lula tentou culpar Marisa pelo caso do tríplex do Guarujá, embora ele tenha dito a Moro o que já dissera quando ela era viva, e Marisa tenha sido mesmo parte do processo. Foi ela a compradora de uma cota da Bancoop. Tanto é que, com sua morte, a ação contra ela foi extinta. De tudo isso esqueceu-se a mídia. E vai piorar.

Outro sinal de que a ofensiva entra em uma fase mais pesada vem do alinhamento vertical, no Poder Judiciário, com a PGR e a vara de Curitiba. Na véspera do depoimento de Lula, o juiz Ricardo Leite, da 10ª. Vara Federal de Brasília, determinou a suspensão das atividades do Instituto Lula.

Era o Judiciário jogando unido, criando o clima contra Lula no depoimento. A defesa de Lula deixou para enfrentar esta bomba depois, mantendo o foco na agenda do dia seguinte. Mas também no dia 9, o TRF-4 negou o pedido de autorização para gravar o depoimento e o de adiamento da inquirição, em função do aporte de mais de mil páginas de documentos ao processo. Manteve, pois, as decisões anteriores de Moro. A defesa de Lula correu para o STJ mas ali também o ministro relator, Felix Fischer, negou os dois pedidos, bem como o recurso para que Lula seja julgado por outro juiz, em face da indiscutível perda da imparcialidade por Moro. O depoimento viria desnudar o antagonismo político de Moro com Lula, expondo sua parcialidade, sua convicção prévia de culpa, que conflita com o direito ao juiz natural e imparcial. Mas ele ganhou no TRF-4 e no STJ.

Eis que, na quinta-feira, 11, dia seguinte ao depoimento, o relator da Lava Jato no STF, Edson Fachin, levantou o sigilo das delações de Santana e sua mulher, que mantivera trancadas por semanas, apesar dos pedidos da defesa de Dilma. Por que exatamente um dia depois? Para neutralizar os ganhos que Lula teve com o depoimento, se não jurídicos pelo menos políticos? Mesmo em alguns nichos da mídia houve o reconhecimento de que Lula conseguiu arrastar Moro para a arena política, onde arengou como não se espera de um juiz, afora o apoio da multidão que se deslocou para Curitiba.

Conhecidos os vídeos da delação dos marqueteiros, vê-se que a decisão de Fachin mirou além. Apesar de todos os tiques de uma “delação combinada”, as declarações do casal são devastadoras para a presidente deposta e para Lula, novamente apontado como “chefe”. Dilma é acusada de ter-lhes repassado informações sobre o curso da Lava Jato e de ter sugerido “embaraços à Justiça”, com a transferência dos recursos depositados na Suíça para um país mais seguro. Fachin, a pedido do procurador-geral Rodrigo Janot, enviou o conteúdo das delações dos marqueteiros para Moro. E com isso, Dilma passa a correr um risco efetivo de ter a prisão preventiva decretada, sob a alegação de obstrução á Justiça. 

 Tal prisão careceria de fundamento, pois ainda que ela tivesse tentado ajudar o casal a driblar a Lava Jato, hoje não estaria em “continuidade delitiva”, como dizem eles, por não dispor mais de qualquer poder. Mas com a Lava Jato, este seria apenas um detalhe, e o STF não perderia o sono com mais um arranhão no devido processo legal e nas garantias individuais. Quando a democracia começa a ser relativizada, tudo pode acontecer. Hoje, com os implicados na Lava Jato. Amanhã, com você, comigo, com qualquer um.

Então, entre os que contam no reino da Lava Jato, há um completo alinhamento vertical, enquanto a mídia faz jorrar a torrente de informações temporalmente organizadas para criar o clima necessário. Em palestra na véspera do depoimento de Lula, Moro destacou os guardiões com que a Lava Jato conta em cada instância superior.

Sim, o tempo, tudo vem sendo temporalmente administrado. Antes do depoimento de Lula, vieram as confissões de Leo Pinheiro e Renato Duque, nefastos para o ex-presidente, embora não eles não tenham apresentada qualquer prova do que disseram. Agora, imediatamente depois, as delações dos marqueteiros. E vem aí a delação do ex-ministro Pallocci. Depois de ter sido apontado por João Santana e Monica como o homem que lhes garantia os pagamentos por caixa 2, eventualmente consultado o “chefe”, ele perdeu a esperança no pedido de Habeas Corpus que tem no STF e, como disse seu advogado anterior, José Roberto Batochio, “rendeu-se à Guantánamo meridional”.

Enquanto isso, o governo Temer vai cumprindo seu papel nesta marcha orquestrada, que é o golpe maior, o que vai alcançar 2018 e o futuro. Apesar dos tantos ministros e congressistas delatados, nada avançou em relação a seus processos, nem na PGR nem no STF. Nenhum delator de outra empreiteira foi ouvido para complementar as delações da Odebrecht em relação ao financiamento de outros partidos e políticos, através do caixa dois e em conexão com obras federais ou estaduais.

Enquanto isso, Temer celebra seu primeiro ano no governo, apesar dos retrocessos e da impopularidade superior a 90%. As reformas regressivas avançam no Congresso, apesar da greve geral do dia 28 de abril e da rejeição oceânica da sociedade. Temer sabe que seu equilíbrio no cargo é precário. Lá estará enquanto estiver entregando o serviço prometido – as reformas neoliberais, o desmonte de politicas públicas progressistas, a entrega de ativos nacionais ao capital estrangeiro, o ajuste fiscal que interessa ao mercado e daí para a frente. Caso se torne inútil, sabe que poderá ser facilmente descartado através da ação no TSE. O poderoso regime sem nome, entretanto, prefere que o país vá capengando com Temer, enquanto eles preparam o grande expurgo. O expurgo de Lula da disputa sucessória, pela dupla condenação antes de junho do ano que vem, e a liquidação moral do PT e de todas as forças que possam recordar a experiência do governo popular em que os pobres foram incluídos no Orçamento da República, embora Lula não tenha tirado um centavo das elites.

Não nos iludamos, as coisas vão piorar. A Resistência conseguiu avanços, a exemplo da greve geral e da manifestação pró-Lula em Curitiba, mas a situação vai exigir muito mais, em organização da luta democrática e em novas formas de resistência. 
Posted: 14 May 2017 06:34 AM PDT
Por Miguel do Rosário, no blog Cafezinho:

A Globo perdeu, há tempos, qualquer escrúpulo de esconder sua participação no golpe de 2016.

Para isso, ela conta, é verdade, com um trunfo espetacular: a total submissão do aparelho jurídico do Estado às suas diretrizes.

A Lava Jato prendeu os marqueteiros de sua campanha, cujos únicos crimes foram… fazer campanha, no Brasil e em outros países. Mas, principalmente, fazer campanha para Dilma e… ganharem!

Coordenarem duas campanhas vitoriosas de um partido de esquerda, esse foi o maior crime de João Santana e Mônica Moura!

Então ameaçam-nos com prisões perpétuas, o que é o tipo mais diabólico de tortura psicológica. Em seguida, acertam com seus advogados que eles devem participar de um programa de auditório (que é o que se transformaram os depoimentos gravados em vídeo e vazados imediatamente à grande mídia), “confessando”, de boa vontade, espontaneamente, tudo o que os procuradores querem ouvir.

A aparição em vídeo vazado à mídia visa promover um impacto político na opinião pública. Por isso mesmo é um dos pontos que imitam os famigerados “processos de Moscou”, quando revolucionários caídos em desgraça no regime estalinista tinham que “confessar”, igualmente de “bom grado”, o seu papel em conspirações e crimes dos quais nunca haviam participado.

É incrível como a história se repete. Assim como nos processos de Moscou, a “confissão” serve para desmoralizar o indivíduo também junto a seu próprio campo. Dá certo: João Santana e Mônica Moura são imediatamente demonizados junto a toda sociedade. Para os inimigos do PT, são bandidos. Para os amigos do PT, são desprezíveis delatores, além de mentirosos covardes. Ou seja, João e Mônica perdem qualquer resquício de dignidade. São convertidos em monstros, em dejetos morais.

Essa é a pena máxima da Lava Jato: a total humilhação.

É também o preço cobrado, ao delator, em troca de sua liberdade, ou seja, em troca da vida.

Ou a pessoa se submete ao mais terrível processo de degradação moral que eu já testemunhei na minha vida, que é se tornar um delator da Lava Jato, expostos à execração pública, ou permanecerá presa ou perseguida judicialmente por toda a vida.

Os fatos já demonstraram que o Estado fascistizou-se de tal maneira que ele passou a perseguir abertamente indivíduos, e não para até que um determinado objetivo político seja cumprido. Ou seja, se João Santana não delatar, mas obter um habeas corpus para seguir em liberdade, a Lava Jato inventará outra denúncia contra ele, e Sergio Moro ordenará outra prisão cautelar. Não há escapatória.

Não concordo, por isso mesmo, com a demonização dos torturados. Todo o teatro lavajatense, como mostrar Monica Moura à vontade, rindo, num vídeo, não pode ser confundindo com a realidade: João Santana e Monica Moura são presos políticos e foram torturados barbaramente.

Ambos se destacavam como os melhores profissionais de sua área (marketing político) da América Latina e, portanto, estavam entre os melhores do mundo.

Um país democrático, decente, deveria usar seus talentos, para promover o Brasil lá fora e não trancafiá-los, ameaçá-los com prisões perpétuas ou humilhá-los diante de milhões de brasileiros com a exigência de que se tornem delatores de seus próprios clientes.

Claro, é bom repetir: o crime deles foi trabalhar em campanhas políticas para candidatos da esquerda. Se João e Mônica tivessem sido marketeiros de Fernando Henrique Cardoso, jamais teriam qualquer problema com a justiça.

(Atenção: quando eu falo isso, não quero vir aqui defender a prisão dos marketeiros do PSDB. A Lava Jato, para mim, não se redime estendendo seus tentáculos fascistas para outros partidos. O que eu critico é a criminalização da política e de todas as atividades correlacionadas, como o marketing político).

João e Mônica não tem nada a ver com esquemas montados na Petrobrás há mais de 30 anos. Mas eles já entenderam que a Lava Jato segue o mesmo modelo do julgamento do mensalão, em que empresários do setor de publicidade foram condenados a décadas de prisão por terem participado de uma (delirante) “conspiração” política para manter o PT no poder. Houve conspiração, sim, mas não do PT, e sim dos agentes jurídicos, sempre sob a coordenação política da Globo, para criminalizar o PT e qualquer organização vinculada à classe trabalhadora.

João e Mônica foram torturados e falaram o que os procuradores quiseram ouvir: mentiras e/ou verdades “ajustadas” às narrativas da Lava Jato.

Os dois poderiam ser investigados por crimes de evasão fiscal e ocultação de patrimônio no exterior, mas isso não acarretaria prisão e sim um acerto de contas com a Receita. Inclusive poderiam se beneficiar da nova lei de Temer, de anistia a contas no exterior, e terem até mesmo esses crimes perdoados.

O pedido de prisão de Dilma, por sua vez, feito por Merval Pereira, reflete o ódio da emissora pelo fato da presidenta continuar resistindo ao golpe, através de sua militância política. É claro que isso incomoda, e muito, todos os que patrocinaram o impeachment.

O golpe depende da narrativa da Globo para sobreviver. As denúncias de Dilma atrapalham a sustentação dessa narrativa.

Por isso é preciso silenciar a presidenta, humilhá-la, prendê-la. Torturá-la novamente.

Entretanto, Dilma é feita de outra cepa.

Dilma não é João Santana. Não é Mônica Moura.

Os marketeiros são profissionais de talento, mas jamais imaginariam que, em pleno 2016, alguém poderia ser martirizado em praça pública. Não resistiram, e eu não os culpo por isso.

Mas também não os felicito. Aos delatores, eu dedico um desprezo suave e compassivo, como deve ser o desprezo que dedicamos aos fracos.

Até porque não sabemos o que nós faríamos na mesma situação: não fomos expostos a esse tipo de martírio.

Dilma, sim. Dilma já passou pelas câmaras de tortura da ditadura militar e resistiu. Por anos a fio.

Dilma, ela não cede às ameaças.

Dilma resiste.

A capacidade de resistência de Dilma Rousseff é um fenômeno que as forças da ditadura, de 1964 e hoje, jamais conseguiram entender.

Dilma não apenas resiste, como avança. Não dá para esconder o avanço da popularidade da presidenta. Onde ela vai, é ovacionada, enquanto Temer, seus ministros ou qualquer político que apoiou o golpe, não conseguem mais dar bom dia da janela.

Dilma permanece vitoriosa na política. Ganhou as eleições presidenciais de 2010. Ganhou as eleições presidenciais de 2014. Em 2017, Dilma segue na resistência, sem derrotismo, sem medo da Globo, sem medo dos meganhas da ditadura judicial.

Prendam Dilma, meganhas! Experimentem!

Vocês a transformarão, imediatamente, em mártir.

Será o fim da Lava Jato.

Esse é o grande dilema da operação. Toda ela caminha para uma grande apoteose midiática, política por fora e fascista por dentro, que seria a prisão de Lula e Dilma.

Ao mesmo tempo, seria a implosão moral da Lava Jato. A narrativa sairia completamente do controle. Por isso, é preciso prender figuras moralmente dúbias, como Palocci, João Santana, etc, porque esses não oferecem muito risco.

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No site da Dilma

“Globo promove justiçamento e incita à prisão”

O jornalismo de guerra promovido contra mim e o presidente Lula é a prova de que a escalada autoritária contaminou radicalmente os formadores de opinião pública, como Merval Pereira, que hoje sugere, no Globo, a minha prisão.

A cobertura das Organizações Globo, defendendo o justiçamento de adversários políticos, quer substituir o Judiciário – e todas as demais instâncias operadoras do Direito – pelo escândalo midiático. Julgam e condenam.

Buscam se constituir numa espécie de poder judiciário paralelo sem as garantias da Justiça, base do Estado Democrático de Direito. Fazem, assim, verdadeiros linchamentos, tentando destruir a biografia e a imagem de cidadãos e cidadãs. Nesse processo, julgam sem toga e promulgam sentenças sem direito de defesa.

Ferem de morte a liberdade de imprensa pois não respeitam a diversidade de opinião e a Justiça. Selecionam alvos e minimizam malfeitos. Seu único objetivo é o maior controle oligopólico dos meios de comunicação, para impor um pensamento único: o seu.

Em outros tempos, em outros países, tais práticas resultaram na perseguição política e na destruição da democracia levando à escalada da violência e do fascismo.

Não adianta a intimidação. Não vou me curvar diante dessas ameaças e muito menos do jornalismo de guerra praticado pela Globo. Nem a tortura me amedrontou.

Repito o que tenho dito, dentro e fora do país: o Golpe de 2016 não acabou. Está em andamento. Não foi contra o meu governo, apenas. Foi contra o povo brasileiro e o Brasil. Está sendo executado todos os dias pela Globo, pelo governo golpista e todos que tentam desesperadamente consolidar o Estado de Exceção e a destruição de direitos.

Não vão me calar!
Posted: 14 May 2017 06:09 AM PDT
Por Altamiro Borges

A revista ‘Veja” usa suas capas como panfleto para fabricar escândalos e atacar seus “adversários” – sejam políticos, artistas e até empresas não anunciantes. Elas ficam expostas nas milhares de bancas espalhadas pelo país e fazem a cabeça dos “midiotas” que nem sequer folheiam seu conteúdo. Quem não se lembra da desumana capa contra o cantor Cazuza – com a legenda “vítima da Aids agoniza em praça pública”; ou da espalhafatosa capa sobre a morte de Elis Regina; ou da sinistra manchete “Já vai tarde”, com a foto de Fidel Castro ao fundo? Mas o recordista de capas escrotas é, sem dúvida, o carismático Lula. Os jagunços da famiglia Civita nutrem um ódio de classe ao líder petista. Nesta semana, porém, a revista do esgoto passou dos limites. Ela dedicou a capa à ex-primeira-dama Marisa Letícia, confirmando que ela não respeita sequer os mortos. A Veja é covarde! É um lixo que atenta contra qualquer ética jornalística.

A edição desta semana gerou uma onda de revolta nas redes sociais. Muitos internautas sugeriram processar o Grupo Abril, que edita este panfleto fascistoide. Outros, mais irritados, propuseram queimar alguns exemplares em praça pública – o que só reforçaria o discurso falacioso sobre a liberdade de imprensa. Teve gente que defendeu a realização de um “escracho” no prédio da redação, na capital paulista. Possivelmente, nada será feito e a revista Veja continuará atacando impunemente a honra das pessoas. No Reino Unido, da “bolivariana” Rainha Elizabeth, a publicação sofreria uma pesada multa e seria forçada a dedicar o mesmo destaque – no caso, a capa – para uma resposta. Já no Brasil, infelizmente, impera a ditadura da mídia com sua liberdade para mentir, caluniar e manipular.

Reproduzo abaixo duas notas de rechaço à capa deste pasquim rastaquera – a primeira, da ex-presidenta Dilma Rousseff; a segunda, do Departamento de Jornalismo da Pontífice Universidade Católica (PUC) de São Paulo.

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‘Veja’ ataca covardemente memória de Marisa

Uma das mais queridas figuras da história recente de nosso País, Marisa Letícia Lula da Silva faleceu em fevereiro, vítima de um persistente e injusto ataque. Feriram a ela, ao seu companheiro de vida, seus filhos, enfim, a toda a família. Uma mulher que amava seu País e tinha profundo compromisso com o povo brasileiro. Agora, mesmo depois de sua morte, continua sendo alvo da mais cruel perseguição pela mídia.

Não foi suficiente a devassa sofrida em seu lar, vasculhado por policiais, na vida privada invadida, na pressão sobre filhos e netos. Não bastaram os grampos injustificados e as acusações sem provas que corroeram sua saúde.

A revista Veja, desta semana, julga ser necessário ferir sua memória, atingindo tudo o que ela mais amou. Essa campanha perversa e sórdida de destruição da imagem do ex-presidente Lula usa do que há de pior no jornalismo para levantar as mais perversas calúnias e falsidades.

O Brasil não merece esse jornalismo desqualificado e grotesco. Se não a respeitaram em vida que a respeitem depois de morta.

Dilma Rousseff – 13 de maio de 2017


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Jornalismo da PUC-SP repudia a revista Veja

O Departamento de Jornalismo da PUC-SP repudia, nos termos mais veementes e inequívocos, a capa da edição 2.530 (17.mai.2017) da revista semanal Veja.

A capa traz a reprodução de uma foto em preto e branco de dona Marisa Letícia, ex-primeira-dama e esposa do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, morta em 3 de fevereiro de 2017, com a manchete “A morte dupla” e uma legenda “explicativa”: “Em seu depoimento ao juiz Moro, Lula atribui as decisões sobre o tríplex no Guarujá à ex-primeira-dama, falecida há três meses”.

O que há de errado em atribuir à própria esposa e companheira uma decisão qualquer que afete a vida da família? Nada, absolutamente nada – a menos, é claro, que a revista parta da premissa de que as supostas “decisões” atribuídas a dona Marisa tenham envolvido ações ilegais, e que Lula tenha se aproveitado do fato de que sua mulher está morta para jogar-lhe o peso da responsabilidade por tais supostas ações.

A revista, portanto, já fez o seu julgamento. Já lavrou a sentença condenatória: Lula adquiriu o tríplex como propina, e para se livrar da cadeia manchou a reputação de dona Marisa. Não contente com se antecipar à Justiça, assumindo o lugar do júri e do carrasco, a revista ainda se arroga o direito de interpretar as motivações mais íntimas de Lula, e expor a sua figura à execração pública da forma mais vil, covarde, inaceitável e desumana.

É a revista Veja, não Lula, que pisoteia sobre o cadáver daquela que, durante oito anos, foi a primeira-dama de nosso país. Ao atacar a memória de dona Marisa, a revista fere o sentimento de dignidade do povo brasileiro. A exposição de sua foto, na capa, cumpre a função de punir exemplarmente, a exemplo dos rituais da Sagrada Inquisição, uma mulher simples, do povo, que cometeu a ousadia de ocupar o Palácio do Planalto. A Casa Grande não perdoa.

Quando todos achavam que nenhuma vileza superaria a capa da própria revista Veja de 26 de abril de 1989, dedicada ao cantor Cazuza – “uma vítima da Aids agoniza em praça pública” -, a revista prova, mais uma vez, que não há limites para a patifaria, para a infâmia e a ignomínia.

São Paulo, 12 de maio de 2017


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