terça-feira, 16 de maio de 2017

16/5 - Famosos Que Partiram 1

Famosos Que Partiram


Posted: 15 May 2017 08:02 PM PDT
ARNON AFONSO DE FARIAS MELLO
(72 anos)
Jornalista, Advogado, Político e Empresário

☼ Rio Largo, AL (19/09/1911)
┼ Maceió, AL (29/09/1983)

Arnon Afonso de Farias Mello foi um jornalista, advogado, político e empresário brasileiro, nascido em Rio Largo, AL, no dia 19/09/1911, pai de Fernando Collor de Mello, ex-presidente do Brasil, e de Pedro Collor de Mello.

Era filho do senhor de engenho Manuel Afonso de Mello e de Lúcia de Farias Mello. Estudou em Maceió até mudar-se para o Rio de Janeiro em 1930 onde trabalhou como jornalista em A Vanguarda, jornal fechado pela Revolução de 1930.

Advogado formado pela Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1933, trabalhou no Diário de Notícias, nos Diários Associados antes da graduação e, após esta, trabalhou na Associação Comercial do Rio de Janeiro, no Diário Carioca e em O Jornal.

Em 1936 assumiu a direção da Gazeta de Alagoas e foi membro do conselho diretor da Associação Brasileira de Imprensa.

Carreira Política

Após o fim do Estado Novo ingressou na União Democrática Nacional (UDN) e foi eleito suplente de deputado federal em 1945, e exerceu o mandato mediante convocação. Por esta mesma legenda foi eleito simultaneamente deputado federal e governador de Alagoas em 1950, optando por este último cargo onde cumpriu um mandato de 5 anos.

Retornou à vida política pelo Partido Democrata Cristão (PDC) sendo eleito senador em 1962, ingressando na Aliança Renovadora Nacional (ARENA) após a decretação do bipartidarismo pelo Regime Militar de 1964.

Reeleito pelo voto direto em 1970, foi reconduzido ao mandato como senador biônico em 1978.

Assassinato no Congresso

Em 04/12/1963, o senador Arnon de Mello (PDC-AL), atirou contra Silvestre Péricles (PTB-AL). O segundo disparo acertou o abdome do senador José Kairala (PSD-AC), um comerciante de Brasiléia, que morreria horas depois no Hospital Distrital de Brasília com os intestinos e a veia ilíaca trespassados.

Tudo foi causado por uma acirrada rixa regional. Silvestre Péricles, que andava armado, prometeu matar Arnon de Mello, que pôs um Smith Wesson 38 na cintura e marcou discurso para desafiá-lo.

Silvestre Péricles conversava com o senador Arthur Virgílio Filho (PTB-AM). Arnon de Mello provocou e Silvestre Péricles partiu para cima, gritando "Crápula!"Arnon de Mello não deixou o rival se aproximar: sacou o revólver, mas antes que atirasse, Silvestre Péricles, mais rápido, apesar dos 67 anos, jogou-se ao chão, enquanto sacava sua arma. O senador João Agripino (UDN-PB), atracou-se com Silvestre Péricles para tirar-lhe a arma. José Kairala tentou ajudar, mas foi atingido pelo segundo disparo de Arnon de Mello.
Os senadores Arnon de Melo (de costas) e Silvestre Péricles, ambos de Alagoas, trocam ofensas no Senado em 05/12/1963. Ao lado direito de pé (o mais baixo), o suplente José Kairala, poucos segundos antes de ser atingido.
Os dois contendores foram presos; em dias, o Senado Federal deu licença para que fossem processados. Ambos acabaram absolvidos.

José Kairala, de 39 anos, tinha três filhos, entre 2 e 6 anos, e deixou a mulher grávida. Era um suplente, assumira 6 meses antes e devolveria o mandato ao titular, José Guiomard, no dia seguinte. No Senado, teve tempo de fazer 13 discursos e apresentar dois projetos. Levava a mesma inicial carismática, JK, consagrada por seu colega de bancada Juscelino Kubitschek.

Apesar do assassinato, e ainda que tenha sido dentro do Senado Federal, na presença de inúmeras autoridades, Arnon de Mello não teve seu mandato cassado nem qualquer punição imposta pela Mesa.

Logo após o tiroteio ambos senadores foram presos em flagrante, porém, mesmo com o homicídio e as testemunhas, ficaram presos pouco tempo.

Silvestre Péricles foi enviado para o quartel da Aeronáutica em Brasília, onde ficou pouco mais de um mês. Em janeiro de 1964, ele foi para o Hospital do Exército no Rio de Janeiro, onde passou por algumas cirurgias. Em 16/04/1964 foi inocentando e solto. De licença médica voltou ao Senado em 07/06/1964.

A prisão de Arnon de Mello foi mais longa, quase 7 meses. Logo após o crime ele foi levado ao quartel do Exército e depois transferido para a Base Aérea de Brasília, onde ficou até ser inocentado pelo assassinato de José Kairala, em 30/07/1964. O Senado abriu processo para cassação dos senadores, mas ela foi rejeitada. Arnon de Mello retornou ao Senado no dia seguinte à sua absolvição.
Arnon de Mello foi casado com Leda Collor de Mello e tiveram cinco filhos: Fernando Collor de Mello, Pedro Collor de Mello, Leopoldo Collor, Leda Maria Collor de Mello e Ana Luiza Collor de Mello.

Arnon Afonso de Farias Mello faleceu em Maceió, AL, no dia 29/09/1983, aos 72 anos. Ao falecer estava filiado ao Partido Democrático Social (PDS), no qual ingressou em 1980. Após sua morte a cadeira foi ocupada por Carlos Lyra.

Obras
  • 1931 - Os Sem Trabalho da Política
  • 1933 - São Paulo Venceu
  • 1940 - África - Viagem às Colônias Portuguesas e à África Inglesa
  • 1958 - Uma Experiência de Governo


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