quarta-feira, 17 de maio de 2017

17/5 - Altamiro Borges DE HOJE

Altamiro Borges


Posted: 17 May 2017 05:37 AM PDT
Por Altamiro Borges

O presidente da Câmara Federal, o demo Rodrigo Maia – que mais se parece um jagunço dos patrões e um porta-voz do Judas Michel Temer – anunciou nesta terça-feira (16) que pretende votar a proposta de contrarreforma da Previdência até final de maio. “Não vai demorar muito não... Vou marcar nesta semana. Meu trabalho não é fazer conta. Vou saber como estão as contas e botar para votar. Semana que vem está muito cedo, mas acho que é possível que na semana do dia 29 dê para pautar”, afirmou ao jornal O Globo. A aparente firmeza do capacho, porém, pode ser apenas bravata. O cenário não é dos mais favoráveis para a aprovação do golpe contra a aposentadoria. Se a pressão do eleitorado for mais incisiva, é possível derrotar a "reforma" e até abreviar o mandato ilegítimo do Judas Michel Temer – que perderia a sua serventia para os empresários que financiaram o “golpe dos corruptos”.

Vários partidos da base governista estão conflagrados. O PSB já anunciou que fechará questão contra a destrutiva “reforma” e explicitou que expulsará os deputados que votarem contra os aposentados. Até o Solidariedade, do pragmático Paulinho da Força, sinalizou que pode deixar a base de apoio do covil golpista. Outras siglas ainda mais fisiológicas, como o PRB, também enfrentam resistência para aprovar a maldade. No próprio PMDB, chefiado pelos jagunços de Michel Temer, o clima não é tão tranquilo. Como apontou a excelente reportagem de Renan Truffi, publicada na revista CartaCapital desta semana, muitos peemedebista já ameaçam debandar da legenda temendo o desgaste na eleição de 2018. A maioria dos parlamentares só pensa no seu mandato e se apavora com a fúria das ruas.

Se a pressão nos próximos dias for ainda mais dura e incisiva, muitos deixarão o Judas Michel Temer pendurado na brocha. As ofertas de cargos, a corrupção das emendas parlamentares e os pacotes de bondade não serão suficientes para seduzir os deputados, que tanto temem as urnas e o fim das suas mordomias e prestígio. Agora é a hora de intensificar a pressão. A decisão das centrais sindicais de “ocupar Brasília” na próxima semana é muito importante. Mostra a força da classe trabalhadora unida e altiva. Mas é necessário também infernizar a vida dos deputados nas suas bases eleitorais.

Um telefonema ou um e-mail ameaçador serve para cutucar a “consciência” do parlamentar. Um panfleto, um cartaz ou um outdoor na cidade contra os “traidores do povo” também ajuda. Um escracho no aeroporto ou um protesto em frente à residência do “nobre deputado” faz um baita estrago. Não há tempo a perder. Agora é tudo ou nada na defesa da sua aposentadoria!

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Posted: 16 May 2017 07:47 PM PDT
Por Altamiro Borges

O governador Geraldo Alckmin, o “Santo” da lista de propina da Odebrecht, peitou toda a cúpula do PSDB para impor a candidatura do bilionário João Doria – também chamado de João Dólar – à prefeitura de São Paulo em outubro do ano passado. Ele brigou com FHC, com Serra e com outros tucanos de alta plumagem. Com métodos nada convencionais – distribuição de cargos no governo paulista e compra de votos –, o picolé de chuchu conseguiu emplacar seu filhote nas prévias internas e o falso gestor foi eleito em primeiro turno “prefake” da mais importante cidade do país. Geraldo Alckmin festejou a vitória. Imaginou que, com isso, estaria garantido como candidato do PSDB à Presidência da República em 2018. Pura ilusão! Na prática, o governador criou um monstro, que vai traí-lo sem dó nem piedade.

Nesta semana, em um evento de ricaços em Nova York (EUA), João Doria deixou a fantasia de lado e esfaqueou seu criador. Segundo relato dos enviados da Folha ao convescote, “o prefeito de São Paulo fugiu do tom até então habitual em suas declarações quando questionado sobre a sucessão de 2018, e disse que o candidato de seu partido à Presidência será ‘aquele que a população desejar’. ‘O PSDB não vai fugir dessa missão. Será candidato do PSDB aquele que tiver melhor posição perante a opinião pública. Aquele que representa o interesse popular. Para ser competitivo, para vencer as eleições, vencer o PT, vencer o Lula’, afirmou. Habitualmente, Doria vinha sempre defendendo a candidatura de Geraldo Alckmin, seu padrinho político, fragilizado após delatores da Odebrecht o acusarem de receber caixa 2”.

Ainda de acordo com a reportagem, bastante simpática ao “prefake” paulistano, “num café da manhã promovido pela Fundação Getulio Vargas, Doria evitou protocolarmente afirmar que é candidato ao Planalto. Mas as reações da plateia e de alguns palestrantes, como o ex-presidente do Banco Central Carlos Langoni, não deixaram dúvidas quanto às simpatias pelo nome do prefeito. Aplaudido de pé, ele apresentou-se como um gestor com experiência empresarial e procurou desvincular-se da ‘velha política’. Disse que pretende levar para a administração pública princípios de gestão da iniciativa privada. Langoni elogiou a atitude do tucano em defesa de um Estado ‘minimalista’ e disse estar animado com a ‘renovação política" em curso no país, ‘que nos enche de esperança’”. Os ricaços presentes ficaram excitados!

Geraldo Alckmin, que também participou do tour no paraíso dos capitalistas, ainda tentou resistir à traição do seu filhote. “A competição velada de Doria e Alckmin para conquistar apoios – numa espécie de ‘prévias antecipadas’ – também foi sentida na fala do governador. Em Nova York para apresentar a investidores um programa de privatizações, concessões e parcerias no Estado, ele disse que está ‘preparado’ e tem ‘vontade, agenda, programa, aliança e conhecimento’ para ser candidato à Presidência em 2018. Apesar de declarar-se pronto para concorrer, Alckmin ponderou que ‘esse assunto encurta o governo atual’ e deveria ser evitado no momento, para que as reformas possam ser aprovadas”. Sua retórica, porém, pareceu a de um derrotado. Ou o picolé de chuchu parte para o ataque, com os já famosos métodos tucanos de retaliação, ou será humilhado por seu pupilo.

“João Dólar” é fruto dos ventos conservadores que sopram no mundo e no Brasil. Ele também é fruto da antipolítica imposta pelo consórcio mídia-Judiciário na Operação Lava-Jato. As “delações premiadas” da Odebrecht atingiram em cheio os velhos tucanos. Geraldo Alckmin, o “Santo” da lista de propina da Odebrecht, não resistiu ao bombardeio. Aécio Neves, o "Mineirinho", virou pó. José Serra, o “Careca”, também saiu fustigado. E FHC, o “gagá”, já não tem mais nenhuma influência efetiva no PSDB – é só vaidade. Neste cenário de terra-arrasada, em que os falsos moralistas do tucanato também viraram vítimas, sobrou espaço para o “prefake” paulistano. Ele até já cunhou o seu bordão: “Minha bandeira não é vermelha. É verde e amarela”. Por acaso, é o mesmo bordão usado por outro candidato outsider, Fernando Collor de Mello, nas eleições de 1989. “Vamos dar não definitivo à bandeira vermelha... Vamos dar sim à nossa bandeira”. Depois os brasileiros sentiram as dores do embuste!

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