quarta-feira, 17 de maio de 2017

17/5 - Blog " DE CANHOTA" de HOJE

De Canhota


Posted: 17 May 2017 09:00 AM PDT
Publicado originalmente no Clube de Engenharia.


O Clube de Engenharia manifesta sua apreensão em decorrência de sistemáticas propostas e ações do Governo Federal, a seguir listadas, posto que são comprometedoras da soberania nacional:


  • as modificações realizadas na Lei e nos procedimentos que regulam a exploração das reservas de petróleo do Pré-Sal, e em especial, no protagonismo da Petrobrás, agora não mais participante obrigatória de todas as atividades, como operadora única, o que traz imensos prejuízos à cadeia produtiva de óleo e gás e à engenharia nacional;
  • a descaracterização da Petrobras como petroleira integrada, através da venda de ativos importantes e do abandono de investimentos em exploração, em refino de petróleo e em petroquímica, de modo a torná-la mera e cadente produtora de petróleo bruto, o que já tem reflexo devastador na nossa engenharia;
  • a realização, a toque de caixa, de novos leilões de blocos do Pré-Sal, projetando ritmo elevado e desnecessário de exploração das suas reservas, tornando o Brasil mais um exportador de petróleo  bruto, sem agregar valor ao recurso natural explorado e também, além de abandonar a política de incorporação crescente de “conteúdo local”, vigente desde a criação da Petrobrás;
  • o retrocesso na atuação do BNDES, seja no volume dos recursos a ele alocado, seja nas políticas operacionais, especialmente na definição da taxa de juros aplicada aos contratos de financiamento, bem como na orientação atribuída ao Banco de se conduzir prioritariamente como auxiliar dos bancos privados – e do próprio mercado financeiro – em detrimento de seu histórico papel de propulsor do nosso desenvolvimento, com conseqüente repercussão na engenharia nacional;
  • transferência, à iniciativa privada do monitoramento de atividades na Amazônia que, a mais de três décadas vem sendo executado pelo INPE – Instituto Nacional de Pesquisa Espacial;
  • a extinção da RENCA (Reserva Nacional do Cobre), área estratégica preservada nos Estados do Pará e do Amapá, para entregá-la a grupos estrangeiros;
  • transferência, à iniciativa privada, dos canais digitais do primeiro satélite geoestacionário do Brasil, recém lançado ao espaço;
  • a mudança radical na orientação da política externa, de modo a subordinar a atuação geopolítica do Brasil aos interesses dos Estados Unidos da América - em contraposição ao seu alinhamento crescente  com outros polos de poder mundial (BRICS), e com os países dos continentes sul americano (UNASUL) e africano, especialmente com Angola, África do Sul  e Moçambique, o que tornará mais difícil a inserção da engenharia nacional nos mercados externos;
  • o abandono da política de integração com as Forças Armadas dos países sul-americanos, institucionalizada pelo Conselho de Defesa da América do Sul e pela UNASUL, reintroduzindo a presença militar dos EUA em assuntos que dizem respeito apenas aos povos sul-americanos, consubstanciada no inédito convite feito ao Exército dos EUA para participar, em nossa Amazônia, de exercício militar com o Exército Brasileiro e os do Peru e da Colômbia.  


O Brasil pertence a nós brasileiros. Nenhum governo tem mandato para alienar a nossa soberania, pelo que conclamamos as entidades da sociedade civil a se unirem a nós para solicitar ao Congresso Nacional que impeça a consumação de atos tão lesivos ao patrimônio nacional, amealhado com o sacrifício de muitas gerações de brasileiros.


Rio de Janeiro, 15 de maio de 2017

Pedro Celestino
Presidente
Posted: 17 May 2017 07:30 AM PDT

Cento e dez mil servidores públicos demitidos. Carreiras profissionais destruídas, famílias profundamente impactadas. Trabalhadores se suicidaram, outros entraram em depressão. Esta é a história dos demitidos durante o governo Collor de Melo. A luta pela reintegração foi longa e se estende até hoje.

A Lei 8.878, que permitiu o retorno ao trabalho de milhares desses demitidos, completa 23 anos neste mês de maio e o mandato do Deputado Estadual Gilberto Palmares (PT-RJ) lançou na última sexta-feira, dia 12, o vídeo: “Anistiados do Plano Collor: uma história de resistência”, dando voz aos que sofreram na pele com as medidas arbitrárias contra os trabalhadores. O vídeo foi a atração principal do Sarau dos Trabalhadores organizado por Palmares. "O momento está super difícil, vivemos lutando para manter direitos duramente conquistados, por isso é tão importante resgatar nossa história e confraternizar", afirmou Palmares.  

Assista o vídeo: 

Posted: 17 May 2017 06:00 AM PDT

O que há por trás dos resultados de curto-prazo?


A Petrobrás divulgou no último dia 11 de maio o seu balanço do 1º trimestre de 2017. A atual gestão e o mercado destacaram três resultados: 1) o EBITDA ajustado (lucro antes dos juros, impostos, amortizações e depreciações) de R$ 25,55 bilhões, 2% maior do que no trimestre anterior; 2) o lucro líquido de R$ 4,45 bilhões, um montante 77% maior do apresentado no 4º trimestre de 2016; e 3) a redução do endividamento líquido, na comparação com dezembro de 2016, tanto em reais (com queda de 4% alcançando um montante de como R$ 300,9 bilhões) como em dólares (redução de 1% chegando a US$ 94,99 bilhões).

Esses resultados foram saudados, pela companhia e pelo mercado, como resultado da administração curto-prazista da atual diretoria. O que é uma falácia, pois os melhores resultados financeiros ocorreram em virtude: da expansão das receitas, causada por mudanças macroeconômicas que não estão sob governabilidade da empresa, como o aumento do preço do barril de petróleo e a desvalorização cambial; e pela redução das despesas, oriunda da alta qualidade e produtividade do óleo do pré-sal e do sucateamento da empresa, com impearment´s e redução da força de trabalho empregada, além de frutos oriundos da onda anterior de ampliação de investimentos da empresa. Vejamos:

As receitas e a falta de governabilidade sobre os preços do barril e o câmbio


Nos três primeiros meses de 2017, o preço do petróleo foi 9% superior em relação ao trimestre anterior e 59% acima do observado no 1º trimestre de 2016. Com o aumento dos preços e da produção, a Petrobras elevou em 72% suas exportações – destinando cerca de um terço da produção – e atingiu a marca produtiva de 782 mil barris/dias.

Vale destacar que essa produção diária já ultrapassa a de muitos países da OPEP. Com isso, a produção brasileira começa a afetar, marginalmente, o preço mundial do petróleo. O que poderia parecer um acerto empresarial de curto-prazo, o aumento da produção, pode significar um erro setorial e estratégico de longo-prazo, já que a ampliação da oferta brasileira pode contribuir para a desaceleração do aumento internacional do preço do barril.  Portanto, caminhamos na contramão dos esforços geoeconômicos e geopolíticos da Rússia e de alguns países da própria OPEP. 

Além disso, a desvalorização do real em relação ao dólar (3% na comparação com trimestre anterior e 11% no cotejo com 1º trimestre de 2016) afetaram de forma positiva a redução da dívida, uma vez que cerca de 70% dessa dívida está denominado em dólar.

Com o aumento da participação das exportações, os resultados da Petrobras, como nunca em sua trajetória, vão depender das variações na taxa de câmbio e nos preços internacionais do petróleo. Isso amplia a exposição às flutuações internacionais que certamente impactará também nos preços de derivados no mercado doméstico.

As despesas e a falta de governança estratégica sobre os patrimônios e os ativos


Houve ainda uma expressiva redução de perdas com impairment´s entre o 4º trimestre de 2016 e o 1º trimestre de 2017 (perdas de R$ 3,67 bilhões para apenas R$ 42 milhões) de quase 100%. Com as menores perdas a empresa apresentou resultados contábeis positivos. Cabe observar que, ao longo de 2016, a atual direção da Petrobras adotou os testes de impairment´s não apenas como resultado das mudanças nos parâmetros econômicos, mas sim como uma estratégia de gerenciamento de resultados (earnings management) – quando um administrador adota uma política contábil para atingir determinados fins – voltados à subvalorização do patrimônio e dos ativos da empresa. Com isso, ocorreu uma superestimação proposital das perdas contábeis (que afetaram de forma expressiva os resultados financeiros) criando uma suposta ideia de que a Petrobras estava enfrentando uma crise financeira estrutural. Essa estratégia, na verdade, foi o instrumento contábil que deu legitimidade a desenfreada vendas de ativos como a única alternativa possível para resolver os problemas financeiros. Uma falácia contábil.

Esse desinvestimento deve-se a atual meta financeira – estabelecida pelo Plano de Negócios e Gestão (2017-2021) da Petrobras – de 2,5 da relação dívida líquida/LTM EBITDA para 2018. Essa meta de acelerada desalavancagem somente pode ser alcançada com a venda de ativos para o pagamento do principal e dos juros de sua dívida. Cabe observar que essa meta foi escolhida de forma discricionária pelo atual presidente da Petrobras, que afirmou em entrevista à revista Executivos Valor (maio de 2017): “antecipar a meta de desalavancagem [...] de 2,5 vezes de 2020 para 2018, foi uma coisa [decisão] minha”. Ou seja, a estratégia de vender ativos foi imposta pela decisão do atual presidente da Petrobras.

Não é para menos que a empresa aumentou o pagamento do principal e dos juros de sua dívida, chegando ao montante de R$ 34,25 bilhões somente neste trimestre, 38% acima do que foi gasto no trimestre anterior. O plano excessivamente acelerado de pagamento da dívida tem como objetivos, por um lado, satisfazer a sanha curto-prazista do mercado financeiro e, por outro, abrir espaços para empresas privadas nacionais e, sobretudo, estrangeiras com a venda de ativos. Isso tudo em detrimento do papel central dos investimentos de longo-prazo da Petrobrás para o conjunto do país, implicando numa estratégia deliberada de encolhimento da empresa. 

A Petrobrás pró-mercado, com menos investimentos e menos trabalhadores


Outro elemento importante para os atuais resultados financeiros positivos foi a diminuição das despesas com importações de petróleo e gás natural, reflexo de maior participação do óleo nacional no refino e maior oferta de gás natural. Isso se deveu ao aumento da produção de petróleo e gás natural no Brasil em especial nas reservas do pré-sal. Cabe observar que isso foi fruto dos investimentos realizados anteriormente ao pré-sal, bem como dos avanços tecnológicos conquistados na produção destas áreas, reduzindo imensamente os seus custos de produção.

Portanto, essa redução dos custos é uma consequência positiva dos investimentos realizados no ciclo anterior à atual onda de desinvestimentos, desmonte e privatização do Sistema Petrobrás. A redução dos investimentos foi de 16% entre o 4º trimestre de 2016 e o 1º trimestre de 2017 (montante de R$ 9,9 bilhões). Essa redução é ainda maior na comparação com o mesmo trimestre de 2016 (queda 34%).

Isso fica evidente com a redução nas despesas com vendas gerais e administrativas de 27% no 1º trimestre de 2017, que foram motivadas, principalmente, pela redução do número de trabalhadores (5% em relação ao trimestre anterior e 17% no cotejo com o 1º trimestre de 2016), passando para 65.220 trabalhadores. Isso refletiu os programas de demissão voluntária de 2014 e 2016.

A Petrobrás para os acionistas ou para os brasileiros?


Noutras palavras, a ampliação de investimentos feita pela Petrobrás no período anterior foi tão acertada que seus frutos podem ser colhidos ainda hoje, daí a importância do fortalecimento da natureza pública e estratégica da empresa contra as defesas do Estado mínimo e da empresa enxuta, como vem sendo feito pela grande imprensa, o editorial do jornal Estadão em 14/05/2017, por exemplo, não se constrangeu em defender que o objetivo da Petrobrás deve ser estritamente o de gerir ganhos para os seus acionistas e não o de protagonizar políticas de desenvolvimento industrial, setorial e tecnológicas. Para as aves de rapina de plantão, com visão torpe, programas de investimento devem sempre ser substituídos por privatizações.

A diretriz da atual gestão, a propósito, caminha no sentido do desinvestimento e do desmonte do Sistema Petrobrás, tal escolha compromete o futuro da empresa e sua capacidade de desbravar novas fronteiras de produção e tecnologia. Se Pedro Parente fosse presidente da Petrobrás em décadas anteriores certamente a companhia não teria descoberto o pré-sal, dado sua timidez nas frentes de inovação e sua obsessão pela austeridade.

Em suma, as mudanças positivas nas variáveis que estão fora da governabilidade da empresa (preço do barril e flutuação do câmbio) tem favorecido financeiramente a companhia (aumento do EBITDA e dos lucros operacionais). Diante disso, os desafios financeiros de curto prazo estão se arrefecendo, o que permite ajustar financeiramente a empresa sem precisar colocar à venda mais ativos. No entanto, a atual gestão não tem levado isso em conta preferindo acelerar o pagamento da dívida, por meio da venda de ativos, ao invés de priorizar um projeto de investimentos bem planejado e estruturado.

Nesse sentido, a empresa está apresentando resultados positivos à custa de opções curto-prazistas, da redução do número de trabalhadores e do enxugamento dos investimentos, o que significa, por um lado, perder fluxo de caixa futuro no médio e longo prazo com a venda de ativos operacionais lucrativos (refinaria, distribuidora, participação no pré-sal etc.); e, por outro, diminuir o papel da Petrobrás no projeto de desenvolvimento econômico e industrial do país, tratando a empresa não como patrimônio nacional, mas apenas como ativo para seus acionistas.


William Nozaki é Professor de Economia e Ciência Política da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), coordenador da Cátedra Celso Furtado na mesma instituição, membro do Grupo de Estudos Estratégicos e Propostas para o Setor de Petróleo e Energia da Federação Única dos Petroleiros (GEEP-FUP). O presente texto contou com a contribuição inestimável dos demais integrantes do GEEP-FUP a quem agradeço: Cloviomar Cararine Pereira, Eduardo Costa Pinto, José Sérgio Gabrielli e Rodrigo Leão
Posted: 16 May 2017 04:00 PM PDT
Publicado originalmente no Outras Palavras.


Precisamos retomar um debate programático, para além a polarização. Um primeiro passo é pensar as transformações do mundo do trabalho. Em tempos de automação e robotização, as mudanças são irreversíveis, como vemos pela força do discurso sobre o empreendedorismo e pelas estratégias designadas como “uberização”. Nossa dificuldade para iniciar uma discussão profunda sobre o tema impede que sejamos propositivos, deixando todo o campo progressista numa posição puramente defensiva, que chega a ser conservadora.

Vamos apenas defender que tudo fique como estava?

Um bom exemplo são as reformas trabalhista e da previdência. Obviamente, Temer e este Congresso não possuem legitimidade alguma para fazer reformas nos direitos sociais; estão propondo medidas para atender às demandas dos empresários e do mercado, que precisam ser combatidas. Mas não queremos nenhuma reforma? Precisamos ser capazes de uma contra-ofensiva: propor alternativas às reformas que estão na mesa. As candidaturas francesas apresentaram projetos interessantes – como a redução da jornada, a taxação dos robôs ou a renda universal, todas relacionadas a reflexões sobre a natureza do trabalho no mundo contemporâneo. A meu ver, seria necessário partir daí.


Tatiana Roque é Professora da Pós-graduação em Filosofia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, presidente do sindicato dos docentes dessa mesma universidade.

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