quinta-feira, 18 de maio de 2017

18/5 - Altamiro Borges (com vídeos) de HOJE

Altamiro Borges


Posted: 18 May 2017 09:55 AM PDT
Posted: 18 May 2017 09:46 AM PDT
Por Rodrigo Vianna, em seu blog:

Não existem coincidências na Lava-Jato. Ainda mais quando a Globo está envolvida. Foi um jornalista do jornal da família Marinho o escolhido para vazar a delação bombástica da JBS – que deveria fazer Temer sair algemado do Palácio, levando também à cadeia o homem que iniciou o processo golpista: Aécio Neves.

Temer e Aécio aparecem nas gravações usando linguagem de gângster para obstruir investigação. Se a Globo queria prender a Dilma por causa de um e-mail falso, o Aécio merece o quê? Cadeira elétrica?

O vazamento veio do STF; ao ser noticiado pela pena amiga da Globo, emitiu-se um claro sinal ao Palácio: o principal sustentáculo do governo Temer decidiu retirar seu apoio. A família Marinho e seus colunistas/capatazes já movem as peças em outra direção.

Semana passada, eu escrevi aqui que havia sinais claros de que o governo golpista se esgotava, e que a presidenta do STF, Carmen Lúcia, realizava reuniões reservadas com banqueiros, grandes empresários e o diretor-geral da Globo.

Retomo agora o que escrevi naquele dia:

- em 1964, deu-se o golpe em nome da moralidade; e o poder ficou com um general “limpo” – Castelo Branco;

- em 2016, deu-se o golpe também em nome da moralidade; e o poder ficou com Michel Temer e seu garotos podres.

A figura nefasta de Temer cria dissonância; o golpe precisa urgentemente limpar sua imagem.

Por isso, a Globo abandonou o campo da direita política (Aécio, Temer, Serra et caterva). E apostou todas suas fichas na anti-política capitaneada por Moro e Janot.

Chama muita atenção que o diretor-geral da Globo e outros 12 empresários peso-pesados (do Itaú às Lojas Marisa) tenham se reunido em caráter “reservado” com a presidenta do STF, Carmen Lúcia (clique aqui para saber mais).

Quando a reunião com Carmen Lúcia ocorreu, a delação da JBS já havia sido concluída (mas ainda não revelada). Já se sabia que Temer e Aécio estavam mortos. A Globo já costurava uma alternativa.

A saída Carmen Lúcia depende de alguns fatores… Temer caindo, segundo a Constituição, deveriam assumir (pela ordem): Rodrigo Maia (presidente da Câmara), Eunicio de Oliveira (presidente do Senado) ou Carmen Lúcia (presidente do STF).

Os dois primeiros são investigados pela Lava-Jato. O Supremo já construiu entendimento de que réus em processos criminais não podem assumir o poder. Ou seja: se o STF transformar Eunicio e Maia em réus, estaria aberto o caminho para um governo sob o comando de Carmen Lúcia.

De toda forma, qualquer dos 3 que assuma deveria convocar eleições (indiretas, diz a Constituição). Nesse caso, Carmen Lúcia passaria a ser um nome que, já na presidência interina e com apoio da burguesia e da Globo, poderia ser escolhido pelo Congresso para governar até 2018.

Seria o nome dos sonhos da Globo para comandar um governo “técnico”, sob a chancela de Meirelles, sem “políticos”. Um governo “limpo”, que desse apoio pra Lava-Jato concluir sua tarefa: impedir Lula de concorrer na eleição de 2018.

Percebam a força disso: se os tempos são de “limpeza” e de excomungar a política, cairia perfeitamente o nome de uma juíza discreta para comandar o país e terminar de aprovar as reformas ultra-liberais que pretendem destruir direitos trabalhistas e aposentadorias.

Só que falta combinar com os russos.

A bomba da JBS (e cá entre nós: Lula deve estar rindo à toa ao ver os dois “malandros” – Temer e Aécio – gravados e delatados) abre uma avenida pro campo popular virar o jogo.

Nas ruas, os setores organizados têm tudo agora para encurralar a direita, exigir que as “reformas” sejam paralisadas, e que o país vá às urnas ainda em 2017 escolher o novo mandatário.

Contra o projeto Carmen Lúcia, puxado pela Globo, vamos exigir Diretas-Já, obrigando a Globo a tirar o véu e se mostrar inteirinha como golpista e anti-popular.

O argumento dos comentaristas globais é de que as Diretas “não estão na Constituição”. Isso não engana nem uma criança, Merval. Os seus amigos da embaixada americana vão lhe dizer que esse caminho não vai dar certo, Merval…

Afinal, se o Congresso pode votar PEC pra mudar aposentadoria, também pode (e deve) aprovar em regime de urgência uma PEC para Diretas-já.

É hora, portanto, de enfrentar a Globo (operadora do golpismo) nas ruas, nas redes e na tribuna do Congresso.

Diretas-Já!

Fora Temer!

Fora Globo!
Posted: 18 May 2017 09:09 AM PDT
Por Camila Rodrigues da Silva, no jornal Brasil de Fato:

A delação premiada de Joesley Batista e o seu irmão Wesley, donos da JBS, publicada nesta quarta-feira (17) no jornal O Globo, colocou no horizonte uma grande possibilidade de impeachment ou renúncia do presidente golpista Michel Temer (PMDB).

Em uma das gravações divulgadas, Temer ouviu de Joesley que o empresário que estava dando ao ex-deputado Eduardo Cunha e ao operador Lúcio Funaro uma mesada na prisão para ficarem calados. Diante da informação, Temer incentivou: "Tem que manter isso, viu?".

Os deputados federais Paulo Teixeira (PT-SP) e Alessandro Molon (Rede-RJ) foram os primeiros a entrarem com pedidos de impeachment de Temer logo após a denúncia. Um dos textos protocolados diz que "diante da gravidade dos fatos, é imprescindível a instalação de processo de impeachment para apurar o envolvimento direto do Presidente da República para calar uma testemunha".

Se um dos pedidos for aceito, ocorrerá uma tramitação em dois turnos na Câmara e no Senado, como ocorreu com a ex-presidenta eleita Dilma Rousseff (PT).

Mas e quem assume se Temer cair?

Linha sucessória

Segundo a Constituição, se o vice-presidente for deposto, quem o substitui é o presidente da Câmara; em seguida, o do Senado; e, por fim, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF).

O problema é que o atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), tornou-se alvo de inquérito aberto pelo ministro do STF Edson Fachin, após a chamada “delação do fim do mundo”, feita por executivos da empreiteira Odebrecht no âmbito da operação Lava Jato. Segundo despacho do ministro, Maia pediu R$ 350 mil para financiamento de campanha. Ou seja, há um risco iminente de ele se tornar réu, o que o impediria de assumir o cargo.

Caso similar ocorre com o atual presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), que assumiu nesta posição em 1 de fevereiro e que é citado em três delações da operação Lava Jato.

Segundo o advogado e membro da Consulta Popular Ricardo Gebrim, se isso ocorrer, o Supremo pode impedi-los de fazer parte da linha sucessória, assim como fez com o ex-presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), no último 7 de dezembro.

Após denúncia do partido Rede, baseada em jurisprudência do afastamento do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a maioria dos ministros do STF decidiu a favor de manter Renan na presidência do Senado, com a ressalva de que ele fique impedido de substituir Michel Temer.

Assim, a mais provável sucessora ao cargo máximo da República seria Cármen Lúcia, presidenta do Supremo. Ela assumiria interinamente e convocaria eleições indiretas no prazo de 30 dias. Ou seja, quem escolheria o substituto de Temer seria o Congresso Nacional, conforme previsto no artigo 81 da Constituição para casos em que o presidente ou o vice saem do cargo após dois anos de mandato.
Eleições indiretas ou diretas?

Nas eleições indiretas, qualquer partido pode apresentar seu candidato dentro do prazo legal estabelecido, e quem votaria seriam deputados federais e senadores. No entanto, a oposição do Congresso Nacional, composta por parlamentares do PT, do PCdoB, do PSOL, do PDT e do PSB, está com uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que propõe eleições diretas imediatamente.

O problema é que a tramitação de uma PEC é feita em dois turnos em cada uma das Casas do Congresso Nacional. “Isso teria que ser feito em regime de urgência, os parlamentares não teriam recesso em julho e precisariam paralisar a votação da reforma da Previdência”, explica Gebrim.

Cientes das dificuldades, os movimentos populares apostam no crescimento da pauta das “Diretas Já”. “Nós, da Frente Brasil Popular e da Frente Povo Sem Medo, defendemos que se mude a Constituição em caráter de urgência e que não aconteçam eleições indiretas”, afirma Raimundo Bonfim, coordenador geral da Central de Movimentos Populares (CMP).

“Nossa manifestação do dia 24 de maio e a bandeira de ‘Diretas Já’ agora ganha maior relevância”, observa o advogado popular.
Desconfiança

Para Gebrim, a delação desta quarta faz parte de um roteiro suspeito. Ele lembra que Cármen Lúcia se reuniu a portas fechadas, no último dia 9, com um grupo de 13 empresários, três deles são membros do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o chamado Conselhão, formado em novembro do ano passado por Temer. São empresários pertencentes a setores variados da economia, como bancos, telecomunicações, hotéis, companhias aéreas, incorporação imobiliária, papel e celulose. “Essa gravação provavelmente já era de conhecimento da Cármen Lúcia quando ela se reuniu com o PIB brasileiro na semana passada”, indicou.

A professora de Direito Carol Proner, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), também desconfia do apoio da Rede Globo às denúncias e alerta: "A denúncia contra Michel Temer é contundente e, num país sério, é significativa para a derrubada do governo, sim. Porém, da forma como está sendo transmitida e comemorada, unindo a Rede Globo de televisão, o STF, a PGE [Procuradoria Geral do Estado] (…); considerando que o Supremo Tribunal Federal recém organizou uma reunião com empresários para pensar o país, sendo muitos dos empresários formuladores do golpe de 64 além do de 2016, é algo que exige cautela".

Para ela, os movimentos têm que tomar as ruas, mas "a transição para o Estado Democrático de Direito deve ser feita pelos legítimos prejudicados, que são os trabalhadores e os movimentos sociais. E não por um novo golpe. A população está atenta, está com muita cautela, porque não permitiremos que novamente sejam usurpados os direitos constitucionais por aqueles que pretendem a reforma da Previdência, a reforma trabalhista e o retrocesso de mais de um século das garantias e dos direitos no Brasil".

Segundo o jornal Valor Econômico, “o propósito da ministra, informou uma fonte, era ouvir dos empresários e executivos sugestões de temas que estão paralisados no STF ou que tenham interpretações diferentes das instâncias judiciais, com possibilidade de serem desbloqueados por decisão da Suprema Corte”.

Da área do Conselhão, participaram Chieko Aoki, presidente da rede Blue Tree Hotels; Luiza Trajano, dona da rede Magazine Luiza; e Pedro Wongtschowski, presidente do Instituo de Estudos para Desenvolvimento Industrial (Iedi). Os demais participantes foram Betania Tanure, consultora da BTA; Candido Bracher, presidente do Itaú Unibanco; Carlos Schroder, diretor-geral da Rede Globo; Décio da Silva, presidente do conselho da WEG; Flavio Rocha, dono das lojas Riachuelo; Jefferson de Paula, CEO da ArcelorMittal Aços Longos; Paulo Kakinoff, presidente da Gol; Rubens Menin, fundador e presidente do conselho de administração da MRV Engenharia; Walter Schalka, presidente da Suzano Papel e Celulose; e Wilson Ferreira, presidente da Eletrobras.
Posted: 18 May 2017 08:44 AM PDT
Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:

Escrevendo sobre Donald Trump, o colunista Thomas L Friedman, do New York Times, analisou:

"O grupo moralmente corrupto que atualmente lidera o Partido Republicano consegue se safar não porque tem os melhores argumentos - pesquisas mostram que a maioria discorda deles - mas porque tem o poder e não tem medo de usá-lo, não importando as pesquisas."

Estou convencido de que a mesma análise se aplica ao núcleo político que assumiu o Planalto junto com Michel Temer e tentará conservar seus postos diante das gravações devastadoras de Joesley Batista. A realização de eleições diretas representa a alternativa coerente para o país retornar a democracia e deve ser perseguida por todos os meios, em todas as ocasiões.

Mas é preciso estar preparado para uma luta encarniçada e difícil, possivelmente mais prolongada do que se pode imaginar diante do caráter explosivo da denúncia. O principal benefício da denúncia, que é inutilizar um presidente que se converteu no principal instrumento para execução de uma agenda prejudicial ao futuro do país, pode ser reconhecido e festejado.

A discussão sobre Poder, mesmo quando se encontra esmigalhado, ocorre em outro patamar.

Reações benignas - como uma renúncia voluntária - refletem um otimismo em relação a Temer que deve ser descartado. Essa visão pressupõe um compromisso básico com a Constituição incompatível com as atitudes e decisões que exibiu antes e depois de ser empossado. Não vamos esquecer. O esforço de auto-ilusão é imenso, também.

Nas horas que antecederam a divulgação das fitas, através do colunista Lauro Jardim, do Globo, o Planalto mantinha-se firme no empenho para criar um clima artificial de otimismo, com tanta ajuda da mídia amiga que muita gente podia fingir acreditar que era verdade. Estimulada por engravatados sorridentes do tele-jornalismo, ontem pela manhã a conversa era na linha "o pior já passou."

A experiência de um ano no Planalto mostrou um político calculista e frio como poucos, com reflexos e compromissos diferentes dos meus, dos seus, do seu vizinho e muito provavelmente de seu candidato em 2014 e da maioria do concorrentes que se aprumam para 2018. Quantos países já assistiram à posse de um vice que traiu a titular e conspirou diretamente para assumir seu cargo, sem possuir um único voto?

Um político capaz de dizer que sentia orgulho de sua impopularidade não é do tipo que irá comover-se com discurso no Congresso, com editoriais escandalizados ou com passeatas de protesto no fim de semana. Só deixará o Palácio quando sua saída for a única forma de salvar a própria pele.

Basta lembrar a origem real do processo que levou Temer ao Planalto para entender a insistência exibida por sua grande fiadora - a TV Globo - para reforçar e ampliar as denúncias contra Lula na mesma noite em que as gravações de Joesley explodiram. O esforço era tentar lembrar a todos quem era o verdadeiro alvo.

Está claro: a sobrevivência - ou eliminação política - de Lula é a grande moeda de troca do atual momento político, uma batalha simultânea mas não paralela.

E é justamente para evitar o risco de um retorno do mais popular presidente de nossa história republicana que, no momento em que o sacrifício de Temer já se mostra inevitável, seus aliados trabalham de forma incansável para assegurar uma sucessão por via indireta. Como previsível, o jogo do momento é o mesmo de todas as crises: construir uma saída que deixe o povo de fora.

Versão competente das gravações caseiras que o ex-senador Sergio Machado produziu no início de 2016, as fitas de Joesley mostram o grau de divisão do patamar de cima da pirâmide brasileira, que inclui o grande empresariado e também a cúpula do aparato judicial.

Longe de colocar-se a serviço da Lava Jato, assumindo o papel de delator capaz de sorrir para fingir que não está sendo humilhado - como Emílio Odebrecht - o movimento de Joesley revela uma situação de descontentamento profundo, insustentável do ponto de vista jurídico, político e econômico. Neste ambiente de lances imprevisíveis, só uma eleição direta, livre e democrática poderá dar origem a um governo legítimo, capaz de falar em nome da maioria dos brasileiros.
Posted: 18 May 2017 08:34 AM PDT
Por Jeferson Miola

Diante da implosão do Temer, o Brasil está diante de duas alternativas: ou restauração democrática ou desobediência civil.

A gravação da conversa em que o usurpador Michel Temer compra o silêncio do comparsa de golpe e sócio de corrupção, o presidiário Eduardo Cunha, enterra em definitivo a cleptocracia golpista, e abre uma perturbadora incógnita na conjuntura nacional.

A trajetória do golpe e do regime de exceção sofre um abalo irreversível, com um poder destrutivo devastador.

O acontecimento é uma evidência incontestável da degradação do sistema judiciário brasileiro, que levou o país ao nocaute atacando seletivamente os petistas, ao mesmo tempo em que permitiu o assalto ao Poder por uma bandidagem política.

Os donos da empresa JBS, que gravaram a conversa incriminadora do Temer, também gravaram o pedido de R$ 2 milhões feito por Aécio Neves, o canalha que repetiu em 2014 o papel conspirativo desempenhado por Carlos Lacerda em 1954, que levou ao suicídio de Getúlio Vargas e interrompeu uma rica etapa de desenvolvimento nacional soberano.

No caso do Aécio, o divulgado tem agravantes: a PF filmou o momento em que o dinheiro de corrupção cobrado por Aécio foi entregue a um primo dele e, mais grave: a PF rastreou o dinheiro, e descobriu que o mesmo foi depositado numa empresa do também senador tucano Zezé Perrella, o dono do helicóptero carregado de 450 kg que desapareceu da realidade, dos inquéritos da PF, das investigações do MP e do noticiário da mídia golpista.

Este escândalo, que erode os pilares do golpe – a camarilha de Temer e o PSDB – não somente encerra o governo golpista, mas põe fim à empreitada golpista e ao regime de exceção.

Qualquer decisão que não seja a pronta restauração do Estado de Direito e da democracia no Brasil deverá ser respondida com a desobediência civil aberta, com a radicalização da luta democrática e com o desconhecimento de qualquer saída que não seja a de convocação de eleições diretas imediatamente.

Ou democracia ou desobediência civil! Diretas já ou desobediência civil!
Posted: 18 May 2017 08:17 AM PDT
Por Luis Nassif, no Jornal GGN:

A delação de Joesley Batista, da JBS - divulgada pelo Globo - é a maior bomba política da história.

Joesley entregou gravações com Michel Temer e Aécio Neves, que revelam por completo o que foi a aventura do impeachment e dos vazamentos da Lava Jato na véspera das eleições.

Não se trata mais de corrupção política, captando recursos de caixa 2 para financiamento de campanha. As gravações mostram claramente duas organizações criminosas no topo da política brasileira, uma liderada pelo presidente Michel Temer, outra pelo presidente do PSDB Aécio Neves.

Peça 1 - o caso Temer

Não houve limites para a desfaçatez de Temer. Mal empossado, levou para dentro do governo seus principais operadores pessoais: José Yunes, Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR); mais Eliseu Padilha, Geddel Vieira Lima e Moreira Franco, conhecidos pela enorme capacidade de sobrevivência aos escândalos mais variados.

As gravações mostram ele avalizando a decisão dos Batista, de pagar pelo silêncio de Cunha. E, mais ainda, indicando Loures para uma mega-propina de 20 anos de prazo.

O país ficou literalmente à mercê de uma quadrilha. Sob o comando de Temer e Padilha, montou-se o maior leilão e o maior aparelhamento da história, com parlamentares negociando emendas, colocando apaniguados em órgãos técnicos, negociando projetos de alto interesse estratégico – como o pré-sal, o satélite brasileiro, a nova lei geral de telecomunicações.

Não há salvação para Temer: os crimes ocorreram em plena vigência de seu mandato de presidente. Vai se livrar da prisão devido à idade.

No Mutirão "O caso do primeiro amigo" (https://goo.gl/FlcCEE) juntamos as matérias levantadas a partir dos documentos enviados pelo Anonymous.

Peça 2 - o caso Aécio Neves

As denúncias contra Aécio Neves, definitivas, porque acompanhadas não apenas de gravações, mas de outras provas colhidas pela PF, como o rastreamento do dinheiro, jogam no centro da notícia o chamado helicoca, e pode abrir caminho para o levantamento das ligações do mundo político com os narcotraficantes.

O dinheiro entregue ao primo não era para o advogado de defesa, conforme alegou Aécio na conversa com Joesley. O dinheiro foi encaminhado para uma das empresas do senador Zezé Perrela (PMDB-MG), justamente o dono do helicóptero encontrado com os 500 quilos de cocaína.

Não foi o primeiro episódio relacionando Aécio com o submundo.

O aeroporto de Cláudio estava na rota do helicóptero (https://goo.gl/OmFYYc) (https://goo.gl/XIoMdd). E seu primo, Tancredo Tolentino (o único que herdou o nome do avô), e responsável pelas chaves do aeroporto de Cláudio, foi denunciado por esquemas armados com desembargador do Tribunal de Justiça de Minas Gerais visando libertar traficantes. Cada habeas corpus saia por R$ 120 mil.

Toda a blindagem montada ao longo dos últimos anos se esboroa com as denúncias dos irmãos Batista.
Peça 3 – o incêndio

Agora, se entra em um vazio complicado.

Os vazamentos da Lava Jato, às vésperas das eleições de 2014, quase entregam o país nas mãos do mais atrevido e inescrupuloso político brasileiro, Aécio Neves. O impeachment e a posse de Michel Temer tiveram como padrinhos a mídia, a Lava Jato, o juiz Sérgio Moro – autorizando a liberação das gravações de Dilma e Lula -, o Procurador Geral da República (PGR) Rodrigo Janot – avalizando o vazamento, provavelmente por fraqueza -, o Ministro Gilmar Mendes – impedindo a posse de Lula -, os demais Ministros do STF, endossando todas as arbitrariedades. Ou seja, todos são pais do bebê de Rosemary.

Ao mesmo tempo, Aécio era blindado de todas as formas por Rodrigo Janot e Gilmar Mendes, desafetos, mas aliados no trabalho de procrastinar as denúncias contra ele.

A delação dos irmãos Batista desmonta todo o castelo erigido em torno do golpe.

Haverá muita especulação sobre as razões de O Globo – e o Jornal Nacional – terem dado tanto destaque à denúncia. Não se pense em teorias conspiratórias. A notícia viria de qualquer maneira à tona. E, se divulgada por outro meio, deixaria em maus lençóis a própria Globo, principal madrinha de Temer e do golpe. Tiveram pouco tempo para decidir, conforme se viu nos improvisos do JN.

Provavelmente o fato das investigações terem sido tocadas a partir de Brasília, impediu a blindagem de Aécio pela PF de Minas e pela força tarefa de Curitiba. Recorde-se que o próprio juiz Sérgio Moro impediu Eduardo Cunha de encaminhar perguntas incômodas a Temer. Foi necessário um juiz de Brasília para encaminhar as perguntas.

Em todo caso, foram as ameaças de Cunha – e provavelmente o escândalo da Carne Fraca – que precipitaram a delação.

Nesse episódio, PF e PGR mostraram como deve ser a verdadeira delação premiada, tornando o delator agente direto no levantamento de provas, na chamada ação controlada. PF e PGR atuaram em conjunto, documentando cada passo, rastreando o dinheiro e, aparentemente, juntando provas definitivas para desmantelar as duas organizações, em vez do rosário de irrelevâncias das delações tatibitates de Curitiba.

O ponto central é que, pela bomba apresentada – gravações com Temer e Aécio – nem as muralhas de Itaipu poderiam conter a enchente.

Peça 4 – e agora?

Não há a menor possibilidade da permanência do governo Temer. Definitivamente acabou, assim como acabaram as tentativas de reformas articuladas no Congresso.

A grande incógnita é o que virá pela frente. A delação pegou a todos de surpresa, não dando tempo de articular uma saída. Até vazar a delação, o que se tinha era um julgamento de cartas marcadas no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) condenando Dilma e livrando Temer.

As alternativas pela frente são:

1. A renúncia de Temer e o presidente da Câmara Rodrigo Maia assumindo interinamente a presidência. Mas haverá resistência do Congresso. E como fica? Aparentemente não haverá resistência no Congresso.

2. Se Temer não renunciar rapidamente, o caminho mais razoável será a inelegibilidade de Temer pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

3. Não há a menor possibilidade de prolongar o interinato de Rodrigo Maia. Maia é a síntese de Temer com seu sogro Moreira Franco e seu pai César Maia.

4. Tentativa de emplacar uma eleição indireta. Nesse caso, o nome de maior aceitação poderia ser o ex-Ministro Nelson Jobim, aliado dos tucanos mas que, nos últimos tempos, buscou aproximação com setores ligados a Lula.

5. Não existe possibilidade da presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Carmen Lúcia assumir a presidência. Não tem estrutura emocional nem traquejo para administrar os terremotos que virão pela frente até a terra se acomodar novamente.

6. A única maneira de recompor a legitimidade do sistema político seriam eleições diretas em todos os níveis. Hoje à noite já começaram as manifestações por eleições diretas. Mas como convencer o sistema a convocar eleições sem inabilitar Lula? Por outro lado, como conseguir um mínimo de pacificação sem se valer do potencial de negociação de Lula? Finalmente, o que é o sistema, depois da implosão política de hoje?

Fosse um país minimamente civilizado, a esta altura as principais lideranças estariam amarrando um pacto em torno de pontos mínimos de consenso, permitindo que os grupos políticos se comportassem como náufragos em um barco salva-vidas, cuidando de não brigarem para o barco não virar.
Posted: 18 May 2017 08:08 AM PDT
Da Rede Brasil Atual:

Em entrevistas à Rádio Brasil Atual, hoje (18), parlamentares afirmam que a saída para o fim da instabilidade política, após as denúncias contra Michel Temer, é a convocação de eleição direta para a presidência da República.

A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) afirma que eleições indiretas não vão diminuir a instabilidade política que se instalou no país. "Não é uma ação da oposição do governo Temer, é uma movimentação de todos aqueles que querem defender a democracia. Será que uma eleição indireta pacificaria o país? De jeito nenhum. Só há uma forma de resolver o problema: chamar a população. A gente pode mudar a Constituição, porque fazer uma eleição direta para a presidência da República é uma necessidade objetiva do Brasil."

O deputado federal Wadih Damous (PT-RJ) afirma que o cenário é muito grave e que não tem precedentes. Ele diz que o Congresso Nacional não pode continuar funcionando normalmente. "A única coisa que deve tramitar aqui é a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) das eleições diretas, que é a solução institucional para sair dessa crise. Não se pode aceitar que um Congresso desmoralizado, com alto índice de banditismo, eleja o sucessor de Michel Temer. Isso só aprofunda a crise."

A PEC é de autoria do deputado federal Miro Teixeira (Rede-RJ). O texto está parado na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) desde o dia 1º de junho de 2016, quando o deputado Esperidião Amin (PP-SC) foi escolhido relator. A proposta determina a realização de eleições diretas até seis meses antes do final do mandato, caso a presidência fique vaga.

Ouça a entrevista de Vanessa Grazziontin e de Wadih Damous [aqui].
Posted: 18 May 2017 08:01 AM PDT
Por Renata Mielli, no site do Mídia Ninja:

“Brasília assustada com as revelações do jornal O Globo”. Essa foi uma das frases de efeito ditas por Willian Bonner durante a edição desta quarta-feira, 17/05, dia em que as Organizações Globo detonaram uma bomba que vai derrubar mais um presidente da República no Brasil – golpista, mas presidente.

A denúncia de que Michel Temer foi gravado pelo executivo da JBS, Joesley Batista, dando aval para comprar o silêncio de Eduardo Cunha colocou um ponto final no mandato do golpista Michel Temer. Partidos da base do governo, parlamentares e muitos expoentes da direita, incluindo articulistas da Rede Globo, afirmam com convicção que não há mais condições de Temer permanecer na Presidência.

Tudo começou por volta das 19:00 hs, com a reportagem do jornalista Lauro Jardim publicada no site do O Globo. Praticamente na mesma hora, entra um Plantão na programação da Globo para dar o furo e chamar a audiência para o Jornal Nacional.

O misto de perplexidade, indignação e comemoração que tomou conta das redes sociais pode ser ilustrado pela frase “A Casa Caiu”.
A gente tira o Temer e depois...

…Depois elege um novo presidente por eleição indireta. Pelo menos este é o desejo da Rede Globo, que já colocou seu exército de lobotomizadores para martelar no rádio, na internet, na TV aberta e fechada que, em caso de vacância da presidência nas condições de hoje, a diretriz constitucional prevista no artigo 81 é a eleição indireta. Falam abertamente que a eleição direta é inconstitucional.
Golpe Jurídico-Midiático

A caracterização de que o Brasil é alvo de um golpe jurídico-midiático se reforça. Temer passou a ser um obstáculo aos objetivos políticos e econômicos dos setores que financiaram o golpe. Passado um ano do impeachment, o país está mergulhado numa grave crise econômica, o desemprego é recorde e o presidente ostenta o índice de 61% de ruim e péssimo, segundo avaliação do Data Folha. Como dar continuidade à agenda das reformas neoliberais, de retirada de direitos neste cenário? Como manter o apoio ao golpe e à Lava Jato com um governo enlameado, citado diretamente nas delações, sem qualquer credibilidade?

A aliança mídia-judiciário se aprofunda e não vacila em fazer o que precisa ser feito, doa a quem doer. Nada disso é em nome da democracia, ou da ética, ou da luta contra a corrupção. É um passo no sentido de aprofundar o golpe.
Diretas Já!

A denúncia contra Temer abre mais um capítulo de imprevisibilidade na conjuntura política.

Apesar dos objetivos explícitos da Rede Globo, a sociedade brasileira não pode permitir que um parlamento desmoralizado por denúncias de corrupção eleja, em colégio eleitoral, um novo presidente da República. Este é o momento de sair às ruas para exigir que o povo tenha garantido o seu direito ao voto.

E como diz o ditado: as crises abrem janelas de oportunidade. Temos que construir um amplo arco de alianças para enfrentar o arbítrio.
Fora Globo

O papel político que a Globo, acompanhada pelo restante da mídia hegemônica, tem cumprido no país é totalmente incompatível com a democracia.

É urgente ampliar o debate sobre a democratização da comunicação no Brasil. Já passou da hora de este tema ocupar lugar prioritário na agenda do movimento social. Sem enfrentar o monopólio privado dos meios de comunicação não é possível garantir direitos sociais, trabalhistas, a soberania nacional e, principalmente, não é possível construir um país democrático.

Não podemos continuar a ser uma nação que é dominada por uma emissora de televisão. É hora de dizer um basta a este monopólio.

A palavra de ordem #ForaGlobo representa muito mais do que um grito contra a emissora dos Marinho, ela condensa a indignação de quem não suporta mais ser manipulado por um discurso único. Ela representa a luta de quem quer ter voz, ter rosto, ter visibilidade nos meios de comunicação do seu país.

Vamos todos às ruas e às redes disputar os rumos do nosso país e lutar pelas eleições diretas.

*****

Momento propaganda: Aproveito para convidar a todos os que puderem, para ir a Brasília nos dias 26, 27 e 28 de maio para participar do 3º Encontro Nacional pelo Direito à Comunicação (link https://www.doity.com.br/3endc). Esses temas e outros serão discutidos por um time de feras nestes três dias. No dia 26, um ato em defesa da Liberdade de Expressão e da Democracia, abrirá o encontro promovido pelo FNDC. Quem não puder ir, acompanhe pela redes, o ato e as principais conferências serão transmitidos ao vivo, numa parceria com a Mídia Ninja.

#ForaTemer #DiretasJá
Posted: 18 May 2017 07:51 AM PDT
Por Tereza Cruvinel, em seu blog:

Desta vez não foi ato anterior ou estranho ao exercício do mandato, aquela reunião sobre propina de US$ 40 milhões. Nem se trata de mera delação sem prova. O flagrante de Joesley Batista não deixa a Michel Temer outra saída senão a renúncia, para que o Brasil possa finalmente encerrar a aventura do golpe e escolher livremente um novo presidente. Tendo o Planalto negado em nota à noite que Temer tratou com o dono da JBS da compra do silêncio de Eduardo Cunha, o ministro Luiz Fachin deve ao Brasil a rápida divulgação desta gravação. Se Temer aparece dizendo “tem que mandar isso, viu?” (o cala-boca pago mensalmente a Cunha), que lhe resta senão renunciar?

É verdade que a Constituição prevê a eleição indireta quando a vacância ocorre no segundo biênio do mandato. Mas, com a renúncia ou afastamento de Temer por qualquer outra via, quem terá a petulância de defender a escolha do sucessor pelo atual Congresso que deu o golpe e tem tantos investigados ocupando cadeiras nas duas Casas? O povo brasileiro, que já engoliu tantos sapos desde o ano passado, quer votar para presidente. As mesmas pesquisas que, nos últimos meses, apontaram a rejeição de mais de 90% a Temer, dizem que este vasto contingente de brasileiros quer diretas-já. Se Temer renunciar, o Congresso poderá, sim, aprovar uma emenda constitucional antecipando a eleição presidencial de 2018 para este ano. Duração de mandato não é cláusula pétrea. Ou a elite política, aqui entendida como a superestrutura dos três poderes, começa a tomar providências para desatar este nó institucional, ou terá que se haver com as ruas.

Após o estouro das notícias-bomba do jornal O Globo, os plenários da Câmara e do Senado foram esvaziados. Os políticos recolheram-se a seus gabinetes ou apartamentos, em conversas que prometem avançar noite adentro. Os governistas, buscando uma saída que não pode existir para Temer, pelo menos dentro do Estado de Direito, ainda que relativo, como este em que vivemos. A oposição, tratando de não perder a hora que finalmente parece ter chegado.

Alexandre Molon, da Rede protocolou um pedido de impeachment mas esta saída não atende à urgência da situação. Temer foi gravado pelo dono da JBS incentivando a compra do silêncio de Eduardo Cunha. Um crime no exercício do mandato. Um crime de responsabilidade que abre espaço para o impeachment e para uma ação do próprio STF. Seu preposto, deputado Rodrigo Rocha Loures, foi fotografado recebendo propina. O senador Aécio Neves também foi gravado negociando valores com a JBS. Desta vez a Lava Jato deu um passo além das delações. Com as tais ações coordenadas, negociou flagrantes com os delatores.

A mídia que apoiou o golpe e sustenta Temer vive um grande desconforto mas não perde a pose. “O Globo” deu o furo e todos terão agora que seguir na cobertura destes fatos gravíssimos - que terão de resultar no fim do governo ilegítimo e na restauração democrática – como se até ontem não vivessem num claro cambalacho com o governo e com sua coalizão política. Poderiam ir além, cobrando a renúncia que abreviaria o parto e defendendo eleições diretas e não o conchavo entre as oligarquias através da eleição indireta.
Posted: 18 May 2017 06:36 AM PDT
Nota conjunta dos movimentos sociais:

A Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo convocam todos e todas para construir atos e manifestações em todas as capitais do Brasil para exigir a saída do presidente Michel Temer e eleições diretas.

As provas divulgadas hoje de corrupção e suborno para calar o ex-deputado Eduardo Cunha comprovam, o que há mais de um ano afirmamos, que o presidente ilegítimo Michel Temer não tem nenhuma condição de continuar na presidência da República.

Só o voto popular pode resolver essa imensa crise política, resgatar a democracia e credibilidade na principal instituição brasileira. Qualquer outra saída será golpe dentro do próprio golpe.

É por isso, que as Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo convocam todos e todas para ocupar as ruas no próximo domingo, dia 21 de maio, de todas as capitais do país para exigir Fora, Temer e Eleições Diretas, Já!

Frente Brasil Popular

Frente Povo Sem Medo

17 de maio de 2017
Posted: 18 May 2017 06:04 AM PDT
Nota da direção nacional do PCdoB:

O Brasil foi surpreendido nesta tarde pelas gravíssimas denúncias veiculadas pela imprensa contra Michel Temer.

A revolta que já tomava conta da população diante da situação econômica dramática, das reformas feitas para liquidar direitos históricos, da entrega do patrimônio nacional, exige respostas imediatas por parte das forças democráticas e comprometidas com o Brasil.

O governo de Temer, oriundo de um golpe de Estado, não pode continuar. Nem ele e nem a sua pauta de destruição do futuro do povo e da nação. A ilegitimidade do governo, que vem desde o seu nascedouro, atinge com as notícias de hoje níveis que não lhe permitem continuar existindo.

A única forma de recolocar o Brasil nos trilhos do desenvolvimento e de devolver a esperança ao nosso povo é realização de eleições diretas. A palavra precisa ser dada à população para que ela, de forma livre e soberana, aponte os rumos que o Brasil deve tomar.

Para que isso aconteça é necessária uma frente ampla, suprapartidária, que congregue todos os que estão comprometidos com a ideia de que é o povo quem deve se pronunciar.

Convocadas as eleições, será a hora de colocar os programas em disputa. Nesse momento, acima das posições programáticas de cada agremiação ou movimento social, deve estar ideia de promover o gesto patriótico e democrático de dar ao povo a oportunidade de decidir.

O PCdoB lutará por isso, no parlamento e nas ruas, com a coragem a amplitude que nos caracterizam.

Fora Temer!
Diretas Já!

17 de maio de 2017

Direção nacional do PCdoB
Posted: 18 May 2017 05:24 AM PDT
Posted: 17 May 2017 06:48 PM PDT
Posted: 17 May 2017 09:19 PM PDT
Por Renato Rovai, em seu blog:

O governo Temer acabou, mas mais do que isso, Aécio tem que sair do Senado algemado. Há provas contundentes de corrupção denunciadas pelo donos da JBS, os irmãos Joesley e Wesley Batista, realizadas nesta quarta-feira, 17, diretamente ao ministro Luiz Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal.

Os empresários disseram ter gravações de Michel Temer dando aval para a compra do silêncio de Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara e deputado cassado, hoje condenado e preso.

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) também foi gravado, pedindo R$ 2 milhões a Joesley. O dinheiro teria sido entregue a um primo do presidente do PSDB, em cena filmada pela Polícia Federal. A PF rastreou o dinheiro e descobriu que ele foi depositado numa empresa do senador Zezé Perrella (PSDB-MG).

Perrella é o dono do helicoca, o avião que tinha 500 e poucos quilos de cocaína e cujo inquérito não foi para frente.

Segundo reportagem do Globo, “os diálogos e as entregas de malas (ou mochilas) com dinheiro foram filmadas pela PF e as cédulas tinham seus números de série informados aos procuradores. Como se fosse pouco, as malas ou mochilas estavam com chips para que se pudesse rastrear o caminho dos reais. Nessas ações controladas foram distribuídos cerca de R$ 3 milhões em propinas carimbadas durante todo o mês de abril”.

Em duas oportunidades em março, Joesley conversou com o presidente e com o senador tucano levando um gravador escondido. A delação dos irmãos Joesley tem ainda um histórico de propinas pagas a políticos nos últimos dez anos.

É um escândalo sem precedentes na história do Brasil. Muita gente está presa por muito menos. Ou Aécio é levado para Curitiba ou haverá uma desmoralização total da justiça.

O fato de a Globo ter dado essa matéria significa que Temer já é passado. Cresce a tendência de a Globo ter assumido seu impeachment e de que Carmem Lúcia acabe assumindo o governo.

A Globo pode estar dando o golpe dentro do golpe, o que alguns já previam, como este blogueiro.
Posted: 17 May 2017 07:31 PM PDT
Por Kiko Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo:

Se Michelzinho pode ter uma babá paga com dinheiro público, por que não o pai dele?

Viralizou nesta semana a série de fotos de Eliane Cantanhêde confraternizando com Michel Temer numa “entrevista”.

A legenda do DCM virou meme (no alto).

A imagem da jornalista do Estadão e da GloboNews com seu entrevistado é um escárnio, um epitáfio jornalístico. A glória da sabujice.

Vêem-se o compadre e a comadre numa boa, num momento de descontração, deixando claro que o que aflorou daquela conversa mole é uma farsa combinada.

Ou seja, está nos padrões do novo normal da mídia nacional. A coisa se chama “O Legado de Temer” (não contém ironia).

O Estadão foi honesto ao publicar as cenas. Deu uma espécie de alerta ao leitor: “ei, otário, dá uma lida nisso, mas fique ciente de que é uma presepada. A gente avisou”.



O site da presidência não deixou por menos e também postou as fotografias da operação casada — assim como o havia feito antes com os flagrantes da festa de 50 anos de carreira de Ricardo Noblat, abrilhantada pela presença do chapa Michel.
É o que um amigo chama de jornalismo de coalizão.

A babá de Michelzinho, lotada num cargo de confiança no Planalto, ganha em torno de 5 mil reais por mês, pagos por você.

Cantanhêde fatura algumas vezes esse valor, mas ela merece: seu bebê dá muito mais trabalho para limpar as cacas.
Posted: 17 May 2017 07:34 PM PDT
Por Miguel do Rosário, no blog Cafezinho:

A manchete do Jornal O Globo de hoje, porta-voz do governo Temer, é sobre a geração de empregos. O próprio governo passou o dia usando suas redes sociais alardeando a geração de 60 mil postos de trabalho.

Num país com mais de 14 milhões de desempregados, é um tanto ridículo comemorara a geração de 60 mil empregos.

Então eu fui conferir os dados do Caged e confirmei o que eu já desconfiava.

Trata-se de uma ilusão de ótica estatística.

Não está havendo, infelizmente, nenhuma mudança no mercado de trabalho.

O que está havendo é que, chegando ao fundo do poço, começa a haver estagnação puramente estatística do mercado.

A tabela do Caged tem três colunas: a de geração de empregos, a de desaparecimento de empregos e o saldo, que é a subtração da primeira pela segunda.

Para sabermos sobre a dinâmica do mercado, não basta olhar o saldo. É preciso olhar a coluna de geração de novos postos de trabalho.

E quando se olha a coluna de geração de postos de trabalho, e se faz um gráfico comparativo com os últimos anos, constata-se rapidamente que o mercado nunca esteve tão deprimido como agora.

O Brasil não está gerando novos postos de trabalho.

A geração de novos postos de trabalho em abril de 2014 nunca foi tão baixa.

Quando pegamos dois setores estratégicos, como Indústria de Transformação e Construção Civil, o cenário é desolador.

A imprensa e o governo estão mentindo na maior cara de pau.




Posted: 17 May 2017 09:18 PM PDT
Por Guilherme Boulos, na revista CartaCapital:

Na última semana completou-se um ano da consumação do golpe parlamentar no Brasil. Foi tempo suficiente para as máscaras caírem. Eduardo Cunha, o comandante da operação, está preso há mais de seis meses em Curitiba. Uma leva de ministros caiu por denúncias de corrupção, a começar por Jucá, o homem que foi gravado explicando o passo a passo das transações que levaram Temer ao poder. Outros oito estão sendo investigados. Temer, que não é réu apenas pela prerrogativa constitucional, amarga uma aprovação inferior a 10%.

Mas um ano foi também tempo suficiente para o golpe mostrar a que veio. O que está em jogo é a aplicação de um programa que não foi eleito pelo povo brasileiro. Mais ainda, que jamais o seria. A única forma de uma agenda regressiva como a de Temer chegar ao poder seria burlando o voto popular. Ela não cabe na democracia. A sustentação do governo não está no voto nem no apoio popular, mas na garantia dos interesses da banca e do grande empresariado.

Ele precisa entregar o pacote. E tem que ser rápido. Foi a isso que o País assistiu no último ano. Pressionado por seus fiadores no mercado e sem nada a perder em relação à opinião pública, Temer promoveu uma incrível inversão do lema de Juscelino Kubitschek: o "avançar 50 anos em 5" foi substituído pelo "regredir 100 anos em 1".

É um período especialmente trágico da história nacional. Vejamos então, num resumido balanço, 12 dos principais retrocessos dos últimos 12 meses.

1) Desmonte de programas sociais. As políticas sociais construídas nos treze anos de governos petistas começaram a ser paulatinamente destruídas. Programas como o Minha Casa Minha Vida tiveram aportes radicalmente reduzidos. Alguns simplesmente acabaram, como o Farmácia Popular e o Ciência sem Fronteiras. É o redirecionamento do orçamento público para longe das demandas da maioria.

2) Congelamento dos investimentos públicos por 20 anos. Em dezembro, Temer conseguiu aprovar no Congresso a PEC 55, que prevê o congelamento dos gastos sociais pelos próximos 20 anos. Foi seguramente o retrocesso mais grave até aqui. Medida inédita no mundo, a previsão constitucional de duas décadas de austeridade liquida a Constituição de 88 e restringe ainda mais a democracia brasileira.

Se aplicada representará o fim dos serviços universais – em especial saúde e educação – fornecidos pelo Estado. Além disso, significa a pré-definição de política econômica para os próximos quatro governos, criando um engessamento incompatível com a soberania do voto popular.

3) Abertura do pré-sal aos estrangeiros. Em outubro, foi aprovado e sancionado o projeto do senador José Serra que pôs fim à obrigatoriedade de participação da Petrobras na exploração do pré-sal. Valendo-se das denúncias de corrupção na empresa, deixaram a porta escancarada para a entrega do petróleo às corporações estrangeiras. O desmonte do setor nacional de óleo e gás segue a todo vapor, por exemplo, com a oferta de sondas de perfuração da Petrobras, em leilão neste ano, por um valor quase vinte vezes menor do que foram adquiridas.

4) Reforma do Ensino Médio. Em fevereiro deste ano, o governo aprovou no Senado a chamada Reforma do Ensino Médio sem qualquer discussão com a sociedade. Com a oposição de estudantes e de muitos professores, o projeto retira, dentre outras medidas, a obrigatoriedade de disciplinas como Filosofia e Sociologia. O retrocesso seguiu quando, em abril, o MEC apagou da Base Nacional Curricular as expressões "identidade de gênero" e "orientação sexual".

5) Porta giratória escancarada. A "porta giratória" representa a entrega de cargos-chave na gestão pública a figuras do setor privado com evidente conflito de interesses. É colocar a raposa para cuidar do galinheiro. Essa não é uma prática nova no Brasil. Lula e Dilma, inclusive, tiveram suas raposas.

Mas com Temer a coisa tornou-se escancarada, numa terceirização sistemática da gestão aos agentes privados. Alguns exemplos: Nelson Silva, consultor sênior da Petrobras, é homem da Shell; Ilan Goldfajn, presidente do BC, saiu direto da função de economista-chefe do Itaú; Ricardo Barros, atual ministro da Saúde, é o homem dos planos privados; e por aí vai.

6) Alexandre de Moraes no STF. De todas as decisões de Temer, talvez a de maior atrevimento foi dar a Alexandre de Moraes a vaga de Teori Zavascki no Supremo. Tucano de carteirinha, então ministro da Justiça e cidadão de duvidosa capivara, Moraes foi indicado para ser o líder do governo no STF. E o pior é que, pelas regras atuais, ficará na corte até 2043.

7) Entreguismo na política externa. Após o golpe, o Brasil voltou aos tempos vergonhosos do falar grosso com a América Latina e fino com os Estados Unidos. Temer construiu um pacote de medidas entreguistas e antinacionais. Destacam-se três iniciativas: o projeto de liberação da venda de terras para estrangeiros, a negociação para que os norte-americanos possam utilizar a base de Alcântara e – a cereja do bolo – o infame convite para que o Exército dos Estados Unidos participe de um exercício militar na Amazônia neste ano.

8) Política de caça aos povos indígenas. Se a defesa dos povos indígenas nunca foi um ponto forte nos governos Lula e Dilma, com Temer a política beira o etnocídio. A Funai foi destroçada, a partir dos comandos de um ruralista no Ministério da Justiça. Ainda com Alexandre de Moraes foi editada portaria alterando os procedimentos para demarcação das terras indígenas. E, neste mês, a base do governo no Congresso aprovou relatório de uma CPI pedindo o indiciamento de 35 indígenas, 15 antropólogos e 16 procuradores da República que defendem os direitos dos índios.

9) Privatizações e desmonte dos bancos públicos. No final do ano passado, Temer e o "gato Angorá" apresentaram um projeto de entrega do patrimônio público voltado para 34 projetos de infraestrutura, incluindo portos, usinas e companhias de saneamento. O programa foi batizado com o nome de "Crescer". Paralelamente, é assustador o desmonte dos bancos públicos. O Banco do Brasil anunciou o fechamento de 402 agências e a demissão de 18 mil funcionários. A Caixa prevê o fechamento de 120 agências e a demissão de 5 mil funcionários apenas em 2017. É o completo esvaziamento dos mecanismos de atuação do interesse público na gestão econômica.

10) Terceirização irrestrita. Foi aprovado em março um projeto que estava há praticamente mofando há vinte anos na Câmara dos deputados, que autoriza a terceirização irrestrita do trabalho no Brasil. É um "libera geral", que irá precarizar as relações de trabalho, rebaixar salários e estimular a contratação de trabalhadores como PJ (Pessoa Jurídica), eliminando os direitos garantidos na CLT. Reivindicação antiga do empresariado, o projeto ataca direitos conquistados há mais de 70 anos.

11) Projeto da Reforma Trabalhista. Para completar o serviço, Temer quer aprovar ainda neste semestre a chamada reforma trabalhista, que liquida definitivamente com a proteção ao trabalho no Brasil. Medidas como o negociado sobre o legislado, a autorização do trabalho intermitente e o desmonte da Justiça trabalhista fazem com que, de fato, a CLT perca qualquer efeito de regulação das relações de trabalho.

12) Projeto da Reforma da Previdência. Enfim, a vanguarda do retrocesso do governo Temer é a destruição da previdência pública no país. O projeto da reforma, se aprovado, impedirá o direito à aposentadoria para milhões de trabalhadores brasileiros. O ataque é mais duro contra as mulheres e os trabalhadores rurais, mas afeta a todos, com a imposição de idade mínima de 65 anos e de tempo de contribuição de 40 anos para o benefício integral.

Em um ano, conseguiram impor este nível inédito de regressão social e democrática. Historicamente botaram a perder os três grandes pactos sociais do último século: o pacto lulista, com seus programas sociais; o pacto da Constituição de 1988, com a soberania do voto e a garantia de serviços públicos universais; e o pacto varguista, com sua legislação trabalhista e previdenciária. Se ficarem mais um ano e meio, esta turma destrói o Brasil. Os próximos pactos a serem atacados, sabe-se lá, podem ser a lei Áurea ou a Independência.

Por isso, a única saída para a situação em que o País se encontra é a ampla mobilização popular – se preciso, com legítima desobediência civil – para interromper a agenda de destruição nacional. Isso deve desaguar na defesa da convocação antecipada de eleições gerais. E, neste cenário, deve-se exigir de qualquer projeto comprometido com os interesses populares que tome como ponto de partida a revogação dos retrocessos do golpe.
Posted: 17 May 2017 09:07 PM PDT
Editorial do site Vermelho:

Quando o golpe de Estado que tirou a presidenta Dilma Rousseff do poder estava sendo gestado a maior promessa dos golpistas era a de que o Brasil voltaria a crescer. Alguns incautos caíram na conversa e acreditaram que o mesmo grupo que havia levado o Brasil à lona tantas vezes cumpriria essa promessa.

Passado um ano a situação econômica do Brasil é desoladora. O desemprego bate recordes, cada vez mais famílias habitam as ruas das grandes cidades, a desesperança só cresce. A tentativa patética da grande mídia de achar alguma réstia de recuperação econômica só demostra que o golpe nos levou ao fundo do poço.

É nesse cenário que Armínio Fraga, ex-ministro de Fernando Henrique Cardoso, declara que o problema da economia nacional é a ameaça de que Lula volte a ser presidente da República. Assim, subentende-se, tirar o ex-presidente do caminho é a linha para que o país volte a crescer.

Há na declaração de Fraga dois elementos inseparáveis: o primeiro é uma empulhação, típica do discurso econômico neoliberal, o segundo é uma confissão que só faz com essa desfaçatez quem tem ao seu lado uma mídia amestrada como blindagem.

A empulhação é a ideia de que a haverá crescimento com a política de austeridade e cortes levadas a cabo por este governo. Sem investimento público, sem indução da atividade econômica por parte do Estado, não há possibilidade de retomada do desenvolvimento econômico, como a história não cansa de demonstrar. Uma leitura superficial dos periódicos que tratam de economia com alguma decência é suficiente para verificar que mesmo organismos como o Fundo Monetário Internacional têm sustentado que as políticas de austeridade foram longe demais. No Brasil a turma de Armínio acha é pouco e, mantida no poder, levará o país à liquidação completa.

Outro fato já demonstrado, mas que não interessa a quem está a serviço dos interesses da grande finança, é que sem a retomada do desenvolvimento as contas públicas não serão estabilizadas. Como tem demonstrado a economista Laura Carvalho, o problema fiscal no Brasil não está relacionado aos gastos, mas às receitas. Ou seja, a questão é que a ausência de crescimento econômico derrubou a arrecadação e os cortes realizados pelo governo golpista só agravam a situação, porque deprimem ainda mais a economia.

Esse quadro, já dramático, só se agravará com o corte de direitos em curso, tanto no que respeita à reforma trabalhista, quanto à previdenciária. A diminuição da renda dos trabalhadores provocará mais depressão econômica e, portanto, mais desemprego e miséria.

Entretanto, o que mais chama atenção na declaração de Fraga não é a empulhação da escola econômica de que ele faz parte, com a qual todos já estão acostumados, mas a confissão que sua declaração traz. Ao afirmar que a possibilidade de Lula vencer as eleições assusta o mercado e impede o crescimento, ele revela a incompatibilidade crescente entre a democracia e o capitalismo neoliberal. Se a soberania popular, expressa, neste momento, no amplo apoio ao nome de Lula é contrária à vontade do deus mercado, às favas com ela.

Este processo de incompatibilidade crescente é mundial, assumiu contornos próprios nos diferentes países, mas tem um sentido geral único: o capitalismo em crise já não pode se dar ao luxo de conviver com franquias democráticas como o sufrágio universal, mesmo com todo o poder que o grande capital tem nas eleições. Hoje, qualquer divergência não é funcional a um sistema que precisa, para sobreviver, levar a exploração do trabalho de volta ao século 19.

A entrevista do ex-ministro sinaliza que o mercado já tocou o dobre de finados para a democracia no Brasil. Mostra, ainda, de onde vêm os ventos que sopram de Curitiba.
Posted: 17 May 2017 08:15 PM PDT
Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

O PSDB deveria mudar seu nome para PT, Partido da Traição.

Aécio traiu Serra, que traiu Alckmin – em 2006 e com Gilberto Kassab, na prefeitura, em 2008.

Agora, Alckmin, traído por Doria, diz a Folha, “liberou a cavalaria” contra o sujeito que inventou para a Prefeitura de São Paulo.

A senha foi sua entrevista se dizendo “amadurecido e preparado” para ser candidato e que, na sua avaliação, Lula não tem chances no segundo turno.

Doria reagiu dizendo que “aceita” ser candidato se for escolhido por prévias tucanas.

A cara de pau com que ambos mentem nas entrevistas só é menor do que a cara de pau com que se proclamam amigos.

Ainda que, por enquanto, ainda sejam úteis um ao outro.

É verdade que os pesos pesados do empresariado estão encantados de ter um Bolsonaro chique, chihuahuas em lugar de mastim: as mordidinhas que dá não chegam a doer e faz barulho sem botar medo.

Briga, mesmo, vai começar quando começarem a vazar os bastidores da campanha que o levou à prefeitura de São Paulo.

As sujeiras e fedores de como foi feito um candidato “limpinho e cheiroso”.
Posted: 17 May 2017 09:05 PM PDT
Por Matheus Pichonelli, no site The Intercept-Brasil:

“A imaturidade é de um profissional que deveria estar dedicado ao seu aprimoramento militar, através do adestramento, leitura e estudos, e não aventurar-se em conseguir riquezas.”

A avaliação consta de um documento do Conselho de Justificação do Exército sobre condutas – digamos – heterodoxas do hoje deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) em seu tempo de militar. Resultado de um processo sigiloso obtido pelo repórter Rubens Valente, da Folha de S.Paulo, a análise ajuda a entender a mentalidade de um pré-candidato à Presidência que vem enfileirando fãs e admiradores como quem coleciona curtidas nas redes sociais.


Nas reportagens publicadas ao longo da semana, nas quais o parlamentar é citado em uma série de atos de indisciplina, é possível confirmar o que qualquer análise menos apaixonada já indicava: Bolsonaro é um sujeito marcado pelo “tratamento agressivo dispensado a seus camaradas, pela falta de lógica, racionalidade e equilíbrio na apresentação de seus argumentos”. As palavras não são de um esquerdista disposto a impedir a candidatura do mito, mas do coronel Carlos Alfredo Pellegrino, seu superior à época da ação, nos anos 1980.
Bolsonaro não tem merecido outros adjetivos em seu tempo de deputado, que aprovou apenas em 2015 a primeira proposta de emenda constitucional após 25 anos como parlamentar. A sucessão de mandatos é antes marcada por bravatas, ameaças, loas a torturadores, incitação ao ódio e encrencas no Conselho de Ética, o que pode ser observado na tentativa da reportagem em ouvir sua versão, base elementar do bom jornalismo e do direito de resposta: “Vá catar coquinho. Vocês estão recebendo de quem para fazer matéria? Vocês estão recebendo de quem para me perseguir?”.

Deputado de desempenho medíocre, que a um ano da eleição presidencial não foi capaz de esboçar qualquer ideia minimamente clara sobre economia ou questões estruturais, Bolsonaro tem se beneficiado da rejeição aos chamados partidos tradicionais, atingidos no peito pela Lava Jato, e pelo derretimento de antigos símbolos morais de partidos conservadores, caso do senador tucano Aécio Neves (MG).

Conforme cresce nas pesquisas, é natural que as lupas sobre passado e presente do pré-candidato sejam levantadas, o que não necessariamente indica uma desconstrução do encanto alimentado por ele com uma fatia resiliente do eleitorado. Ao menos a se guiar pelo exemplo de Donald Trump nos EUA.

Na ressaca da eleição do ex-apresentador de TV, entre tantas análises produzidas na época, o escritor americano Dale Beran defendeu que para entender os partidários de Trump seria necessário enxergá-los como “pessoas que nunca apostam no cavalo certo”.

Muito se falou da chamada “classe trabalhadora branca esquecida”, citada por Beran no artigo, mas o interesse dele está nas gerações mais jovens, conectadas e que nunca tiveram os mesmos empregos dos pais, apenas a mitologia dos empregos. Para eles “a América, e talvez a própria existência, é uma cascata de promessas e anúncios vazios”.

Assim, prossegue o autor, esses partidários de Trump têm uma ideologia diferente de um tipo de eleitorado considerado mais óbvio. “Não um pensamento de ‘quando meu cavalo vai ganhar’, mas um trollador e autodepreciativo ‘sei que meu cavalo nunca vai ganhar’”.

Para Beran, o comportamento incompetente, errático e ridículo de Trump é o pilar em que se apoiam seus partidários mais jovens, e a internet acaba funcionando como um catalisador desses afetos.

Guardadas as devidas proporções, o Brasil se tornou também, de uns anos para cá, um depositário de promessas não cumpridas, ou parcialmente cumpridas, desde que sua decolagem foi anunciada pela Economist.
A crise econômica, antes da crise política, colocou a frustração e o ressentimento como alavanca dos afetos políticos, dos quais o “medo” é sempre um aglutinador de votos e discursos. Funciona em cheio com quem acabou de sair da faculdade, por exemplo, e se frustrou com as possibilidades de emprego, mas não só.

A exemplo dos jovens americanos do artigo de Beran, o brasileiro de 2017 fatalmente terá no círculo das relações pessoais algum primo ou amigo de talento duvidoso convicto de que só não se tornou milionário ou CEO aos 25 anos graças a um sofisticado e bem remunerado complô protagonizado por um balaio de movimentos que comporta de mulheres, gays e negros contemplados pelo sistema de cotas aos defensores do politicamente correto, “essa praga que está acabando com o país”, passando por comunistas da velha guarda à turma dos direitos humanos, assim lembrada como se fosse uma gangue.

O medo dos grupos identificados com Bolsonaro diante do protagonismo exercido por mulheres, e o tato em lidar com algumas delas (vide a forma como deputado conversa com as colegas da Câmara), ou o esforço em minimizar as chagas da escravidão no Brasil, são exemplares deste delírio parcamente racionalizado – e que, no entanto, parece ter um apelo profundo em parte do eleitorado mais rancoroso.

Por trás disso parece haver desejos até hoje mal reprimidos na mente do deputado: aos 28 anos, os superiores de Bolsonaro se preocupavam com sua obstinação em enriquecer garimpando ouro; hoje ele ataca terras demarcadas em áreas que poderiam ser exploradas pela mineração.

Ainda falta muito para 2018, mas Bolsonaro não chegou até aqui nas pesquisas de intenção de voto pela capacidade de articular ideias e saídas inteligentes para os impasses sociais e políticos do Brasil contemporâneo. Chegou até aqui com bravatas que, sem projetar nada no lugar, prometem jogar fora a água suja, o balde e o bebê – sim, falamos da democracia.

Na psicanálise, há quem atribua o mal-estar contemporâneo às agruras de lidar com a própria liberdade e o desejo de restaurar, pela força e a moral, uma autoridade que diga o que fazer, o que é certo, o que é errado. É como se a chinelada causasse menos receio do que o peso das próprias escolhas, os próprios limites, as próprias frustrações – profissionais, mas também afetivas e sociais.

Bolsonaro é um deputado e ex-militar que jamais seria admirado ou reconhecido pelo brilhantismo. É a versão local do cavalo errado em quem ninguém apostaria – e que, quando confrontado, te manda catar coquinho. Como ele existe uma multidão perfeitamente identificada. Uma multidão que berra, como o fortão do fundo da sala, animada em disfarçar a mediocridade com ofensas a tudo o que lhe soa como diferente.

Resta entender o que é força política e o que é delírio entre os que veem nesses berros a promessa de restauração de uma autoridade moral supostamente perdida.
Posted: 17 May 2017 09:02 PM PDT
Por Juliana Nóbrega, no blog Viomundo:

Como não encontrei nenhum espaço adequado para tal tipo de mensagem no site da loja e, por escolha pessoal, não faço parte de nenhuma rede social, busquei outros espaços para deixar presente minha insatisfação com o departamento de marketing da loja “de mulher para mulher”, como diversos outros já se colocaram nestes últimos dias.

Sou (era?) uma cliente, digamos, compromissada, com a loja, já que boa parte de meu guarda-roupas está repleto de peças com seu nome, mas não posso ficar indiferente a infeliz e desprezível campanha deste dia das mães.

Não sei se por malícia, ingenuidade ou ignorância, resolveram mostrar certo posicionamento que não lhes cabe (enquanto loja de departamentos) e multiplicar ainda mais o desrespeito e intolerância presentes no país. Ainda mais envolvendo uma mulher, mãe, avó e… falecida!

Sabedores da pronunciada “polaridade” em que vive o país, o mais inteligente seria não se posicionar sobre qualquer lado político, nem que fosse para não perder clientes de um dos lados.

Mas, além de se posicionar, usou de forma irônica um discurso que fere a integridade não só dos vivos, mas dos falecidos, mostrando total falta de respeito com o humano, e somente o compromisso com a venda, com o lucro, com o marketing, com a imagem, com o espetáculo!

A palavra “espetáculo” deriva do latim spectáre: “olhar, observar atentamente, contemplar”, e tem a mesma raiz de specùlum, “espelho”, derivado do verbo specère, “olhar, observar”.

Então, todo espetáculo, por apresentar-se como reflexo do real, como espelho, é sempre uma imagem invertida do real.

Por mais parecidas que sejam a imagem e a realidade, não são a mesma coisa. São, antes, o inverso ou reverso uma da outra.

Guy Debord (2003), logo no início de sua obra Sociedade do Espetáculo, cita Feuerbach:

“[…] nosso tempo, sem dúvida […] prefere a imagem à coisa, a cópia ao original, a representação à realidade, a aparência ao ser […]. O que é sagrado para ele, não passa de ilusão, pois a verdade está no profano […]”, é então do eidolon (imagem) que se constitui e instaura a espetacularização do eidós (percepção da ideia), com todos os aparatos da sociedade de classes capitalista. O consumo (de mercadorias, de ideias, de valores, etc.) e alienação é que viabilizam a espetacularização. Tal consumo desenvolvido das mercadorias multiplicou na aparência os papéis a desempenhar e os objetos a escolher. Dessa forma, “o espetáculo na sociedade representa concretamente uma fabricação de alienação” (DEBORD, 2003, p. 20).

O espetáculo se confunde com a realidade social, criando as necessidades de consumo e falsos valores e ideias que constituem “a opinião pública”, o que há de maior poder para alienação e controle de consciências. Os meios de comunicação se encarregam da difusão da desinformação, ou da parcialidade na informação, num processo contínuo de construção e manutenção de uma suposta opinião pública, que deixa de ter sentido quando se torna massificação. Isso porque “[…] a tecnologia permite que a escolha e a apresentação da notícia e do comentário a partir de poucos pontos sejam suficientes para tornar homogênea a consciência de inúmeras pessoas (ADORNO, 1986, p. 72).


Os discursos midiáticos, por mais desinteressados que aparentemente possam parecer em um jornal, filme, programa televisivo, revelam comportamentos desejáveis e condicionados, seja pela afirmação ou pela negação.

Quando afirmam a violência, a banalidade, o sensacionalismo, promiscuidade, mesmo o discurso partidário; ou ainda quando negam qualquer discussão mais profunda acerca de temáticas pertinentes a consciência e existir humano; apontam para a anulação da construção do pensamento.

Desta forma, a espetacularização e a profanação do sagrado não é nada de novo a ser explorado pela tal loja, mas algo profícuo as necessidades de manutenção da máquina capitalista.

Todavia, a isenção do discurso político (perder a oportunidade de ficar quieto) seria algo inteligente para o comércio em tempos de crise!

Mas, os próximos passos estão dados, como tudo tem sido em nosso país: “estes aí que estão reclamando são um bando de petistas alienados que recebem bolsa família e pão com mortadela”.

Será? Volto a afirmar que pode ser ignorância do grupo, mas esta ideia generalizada de que posso disseminar minha opinião “comprada” dos telejornais que ela será unanime aos de bem (e os contrários se resumem a “petralhas”), está contaminando todos os espaços públicos, sejam reais ou virtuais, até quando?

Unânime deveria ser o respeito as pessoas, acima dos discursos, das imagens, do espetáculo e do lucro: enquanto os adversários políticos fazem acordos e sentam juntamente para negócios em diferentes contextos, os “adversários” anti-políticos se xingam e zombam da desgraça alheia, que também é sua.

* Juliana Nóbrega é formada em Filosofia, Mestre em educação, doutoranda em Filosofia Política.

Referências:

ADORNO, T. W. A indústria cultural. In: COHN, G. Coleção Grandes Cientistas Sociais. São Paulo: Ática, 1986.

DEBORD, Guy. A Sociedade do Espetáculo. E-book digitalizado por Coletivo Periferia e eBooks Brasil, 2003.
Posted: 17 May 2017 08:58 PM PDT
Por Sheila Jacob, no jornal Brasil de Fato:

Na semana passada, ficamos tristes com a notícia do falecimento do professor Antonio Candido. Sociólogo e crítico literário, suas ricas análises teóricas eram feitas de forma simples e objetiva, já que falar para todos era uma de suas principais preocupações. É o que percebemos em algumas de suas obras fundamentais, como Formação da literatura brasileira e as coletâneas de ensaios Literatura e sociedade e Educação pela noite.

Um de seus textos mais famosos é “O direito à literatura”. Nele, além da saúde, educação, moradia e alimentação, Candido inclui a literatura como um direito humano básico, que deveria ser assegurado a todos. Defendia, assim, o acesso a um bem que, durante séculos, foi visto como privilégio de uma minoria. Para o teórico, a literatura possui uma capacidade de humanização, pois nos permite adquirir conhecimento e colocar-nos no lugar do outro, cultivando a empatia e possibilitando que sonhemos com um mundo diferente.

Por acreditar no poder de transformação da literatura, Antonio Candido dedicou sua vida a ela, sendo um intelectual comprometido com as lutas sociais de seu tempo. Foi um dos criadores do PT, apoiou a Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), do MST, e nunca deixou de se dizer socialista, defendendo a igualdade e criticando sempre a exploração do homem.

Por todos esses motivos, e muitos mais, Antonio Candido continuará sendo nosso eterno mestre.

* Sheila Jacob é jornalista do Núcleo Piratininga de Comunicação e professora de língua portuguesa.
Posted: 17 May 2017 08:40 PM PDT
Do site Opera Mundi:

Jornalistas e profissionais da comunicação realizaram protestos em várias cidades do México nesta terça-feira (16/05) em repúdio à violência contra a categoria no país. As manifestações se dão após os assassinatos de dois jornalistas em menos de 24 horas no país. Javier Valdez, colaborador do jornal nacional La Jornada e fundador da publicação local Riodoce, foi morto a tiros nesta segunda-feira (15/05)em Culiacán, capital do Estado de Sinaloa. Ele dirigia seu carro quando foi interceptado e alvejado, à luz do dia.

Horas antes, Jonathan Rodríguez, de 26 anos, havia sido assassinado em Autlán, no Estado de Jalisco, também num ataque a tiros. Ele era repórter de um semanário que era propriedade de seu pai. A mãe dele, Sonia Córdova, subdiretora do jornal, ficou ferida no ataque e está em estado grave.

Com as mortes de ontem, chega a seis o número de jornalistas assassinados no México em 2017 – dois deles, Valdez e Miroslava Breach, assassinada a tiros na cidade de Chihuahua no dia 23 de março, eram colaboradores do La Jornada. Desde o ano 2000, foram pelo menos 120 profissionais assassinados por fazer o seu trabalho no país, segundo o periódico.

O México é um dos lugares mais perigosos do mundo para jornalistas, devido aos cartéis de narcotráfico e à corrupção das forças de segurança. A maioria dos ataques à imprensa permanece impune.

Em Culiacán, onde Valdez foi assassinado, um protesto reuniu população e jornalistas diante do Palácio de Governo do Estado de Sinaloa com faixas com dizeres como "exigimos justiça, nem um jornalista a menos".

Na Cidade do México, um grupo de jornalistas se reuniu nos arredores do monumento Ángel de La Independencia com fotos dos colegas assassinados recentemente. Outro grupo realizou um ato em frente à Procuradoria-Geral do México para pedir justiça para Javier Valdez e todos os profissionais da categoria que são alvo de violência por fazer seu trabalho.

Também houve protestos em Chilpancingo, no Estado de Guerrero; Colima, capital do Estado de mesmo nome; Mexicali, capital do Estado de Baja California; e Autlán, onde foi assinado jonathan Rodríguez, entre outras localidades.

A Anistia Internacional México afirmou que ser jornalista no país "parece mais uma sentença de morte do que uma profissão". "O México se converteu em uma zona de alto risco para profissionais que, como Javier [Valdez], informam com valentia sobre situações relativas ao crime e à segurança", declarou Tania Reneaum, diretora da organização.

O secretário de Governação do México, Miguel Angel Osorio Chong, afirmou nesta terça-feira (16/05) que o governo do presidente Enrique Peña Nieto "condena e repudia as covardes agressões contra jornalistas, que atentam contra a liberdade de imprensa e são inaceitáveis".

Em conferência com a imprensa em Acapulco, Chong disse que o governo sabe que "palavras não bastam, são necessárias respostas do Estado". Ele afirmou que medidas serão tomadas para garantir o exercício da profissão e que o Estado mexicano já oferece proteção a mais de 500 jornalistas e profissionais de comunicação, o que ele admitiu não ser suficiente.

O secretário anunciou na próxima quinta-feira (18/05) será realizada uma reunião com governadores sobre a questão. "Temos que atuar em todo o território nacional para que as e os jornalistas possam realizar seu trabalho com liberdade", disse Chong.
Posted: 17 May 2017 01:51 PM PDT
Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:

Comecei a trabalhar na 'Veja" como repórter, para uma estadia em duas fases distintas que somaram 17 anos. Fui editor executivo, correspondente internacional em Paris, redator-chefe. Fora da revista desde outubro de 1999, apoio integralmente o ato de repúdio marcado para hoje, em frente a editora Abril, dona da Veja.

A razão é simples. Não se trata de um protesto contra o jornalismo mas a denúncia de uma política perversa, que se vale do jornalismo para comprometer os valores da democracia.

Através da capa "A Morte Dupla", onde acusa Lula de se esconder atrás da ex-mulher falecida em fevereiro para fugir de acusações furadas sobre o triplex do Guarujá, mais uma vez a revista alterou sua atividade principal. Abandonou as prerrogativas do jornalismo para assumir o papel de instrumento da propaganda política, de quem não tem compromissos com os princípios da profissão nem zela pela credibilidade de suas informações. A capa é parte de uma falsificação destinada a atingir a credibilidade de Lula.

Como toda pessoa que acompanha o caso já teve oportunidade de tomar conhecimento, fosse em conversas com amigos da família, fosse com jornalistas interessados em saber o que tinha para dizer, Marisa jamais escondeu uma realidade básica: toda iniciativa para comprar a cota do imóvel foi sua, e não do marido. Pessoas ligadas a família já me confirmaram isso.

Cabe denunciar Veja como ente político, como personagem nocivo do momento que o país atravessa -- pelas mesmas razões pelas quais cabe denunciar os pronunciamentos de Jair Bolsonaro, Marcos Feliciano e outros perigos-públicos para a democracia e o debate político.

É bom recordar que não foi a primeira vez que a Veja age dessa maneira em relação a uma liderança dos trabalhadores nem em relação a Lula. Os exemplos recentes são conhecidos e levam ao "Eles sabiam" da reta final campanha de 2014, ultima esperança do PSDB para virar um pleito apertado até o último voto. Para ficar num caso antigo e exemplar.

Em março de 1981 quando um tribunal militar condenou os líderes do Sindicato dos Metalúrgicas de São Bernardo a três anos e meio de prisão por terem conduzido uma greve considerada ilegal pela Justiça do Trabalho, a revista aproveitou a ocasião para publicar em sua Carta ao Leitor uma crítica bem ao gosto da ditadura. Em linguagem policialesca, fez críticas à "costumeira balbúrdia de grupelhos extremistas, clérigos de esquerda, políticos oportunistas e teóricos diversos tentando influir e mandar no movimento sindical".

A principal notícia do julgamento de 1981 é que, havia ocorrido uma intervenção ilegal dos comandantes militares sobre a Auditoria, para forçar uma pena mais dura contra Lula.

O juiz titular, que nos dias anteriores comentara com colegas que achava que os sindicalistas até mereciam ser punidos, mas por uma pena mais branda, com base na Lei de Greve, acabou tirando férias providenciais. Em função disso, o caso ficou com o substituto, favorável a aplicação das regras mais severas da Lei de Segurança Nacional. A informação sobre a troca de juizes saiu na VEJA, ainda que bem escondida, no 15o. parágrafo.

Já se fora o tempo da censura prévia, é bom recordar. Como notícia, no puro jornalismo, deveria ter sido a manchete. Era um escândalo e não uma fofoca de bastidor. Mas a revista se rendera a uma ditadura que, após medidas de flexibilização da situação política, como a Anistia, ensaiava um caminho para recompor forças e frear os esforços de democratização.

Na mesma edição, saiu um segundo texto, carregado de metáforas, onde era possível entender a questão de fundo. Ali a revista advertia seus leitores e, em, particular, a oposição. Referindo-se a pressões por maiores liberdades e direitos como se fosse uma espécie de confronto, VEJA escreveu que "para cada ataque, estudantil, político, sindical, ou seja lá o que for, haverá uma resposta rápida e, para falar claro, sempre mais violenta." Conforme a bola de cristal da revista, já aderindo a nova ordem, "as leis que valem são" as da força. E será assim "por muitos anos".

Em maio de 2017, Veja também fez o possível para agradar aos poderes de exceção que emanam da Lava Jato. "A morte dupla" nada mais é do que uma reverência à senha midiática lançada pelo procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, um dos mais destacados da força-tarefa.

Numa iniciativa compreensível para tentar desqualificar o competente depoimento de Lula a Sérgio Moro, depois do julgamento o procurador lançou uma crítica em tom de lamento, uma típica lágrima de crocodilo. Referindo-se às "afirmações em relação à Dona Marisa, a responsabilizando por tudo, "Carlos Fernando dos Santos Lima disse: " é um tanto triste de se ver feitas nesse momento até porque, como o ex-presidente disse, ela não está aí para se defender". Ele ainda teve o cuidado de incluir a expressão "infelizmente" numa frase que pretendia ser sentimental, mas era acima de tudo injusta e cruel.

Com "A morte dupla", Veja consolida uma nova regressão notável para sua história -- e prejudicial ao país. Escondida num parágrafo acessível apenas aos leitores mais atentos com paciência para vencer pelo menos 15 parágrafos, sob a ditadura de 1981 a revista trouxe uma informação que interessava ao Brasil e aos brasileiros, ao mostrar a intervenção do comando militar num julgamento de extrema relevância naquele momento. A revista apoiava a repressão absurda a Lula e aos líderes operários -- mas deixava perceber que havia uma farsa em tudo aquilo, uma combinação de acertos entre generais arrogantes e magistrados submissos.

Em 2017, em torno do mesmo personagem de 36 anos atrás, faz pura propaganda para desmoralizar uma liderança que é alvo de uma perseguição que pode marcar a fronteira entre democracia e ditadura.

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