sexta-feira, 19 de maio de 2017

19/5 - Altamiro Borges DE HOJE

Altamiro Borges


Posted: 19 May 2017 11:41 AM PDT
Por Felipe Bianchi, no site do Centro de Estudos Barão de Itararé:

Filha de José Genoíno, a pedagoga Miruna Genoíno esteve nesta quarta-feira (17) na sede do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, em São Paulo. Além de lançar seu livro Felicidade fechada (Ed. Cosmos), Miruna debateu o martírio de sua família ao longo do massacre sofrido por seu pai durante o julgamento na Ação Penal 470 (o 'mensalão'). Ela contou com a companhia dos jornalistas Paulo Moreira Leite e Maria Inês Nassif, que foram enfáticos: o linchamento promovido pelos grandes meios de comunicação contra adversários políticos destrói a democracia e a dignidade das pessoas.

Foto: Sérgio Silva

"Como pedagoga, sei lidar muito bem com o poder que a palavra tem", diz Miruna. Liberdade de imprensa, segundo ela, requer cuidado com as palavras. "Procurei o termo 'linchamento' em dois dicionários. Um dizia que significava 'justiçar sumariamente ou sem julgamento'. O outro definia como 'justiça sumária a um criminoso'. A escolha das palavras tem de ser muito bem pensada, como no exemplo dos dicionários".

De acordo com ela, desde a primeira denúncia contra José Genoíno, a mídia já o havia condenado. "O linchamento afeta a família em dois momentos: primeiro, no impacto das denúncias. Depois, nos efeitos após o julgamento", explica. "No início, o susto é grande. Amigos se afastam, a honestidade é colocada em xeque. Minha família foi encontrando formas de sobreviver a esse linchamento, formas de escapar dele".

Apesar de no início do processo o cenário de meios alternativos ainda ser bem pequeno, Miruna exalta o papel do ativismo digital, dos blogs e veículos contra-hegemônicos para combater as condenações sumárias feitas pela mídia dominante. "Essas mídias alternativas fizeram muita falta naquele período [2005]. Não eram, ainda, tão fortes como hoje. São fundamentais para o contraponto", pontua."O momento do julgamento e da prisão é absurdamente difícil, mas, à medida que esse movimento surgia, tivermos apoio muito firme vindo das redes e dessas mídias".

O maior exemplo disso, segundo ela, foi a campanha de arrecadação para o pagamento da multa de R$ 700 mil imposta a José Genoíno e o lançamento de Felicidade fechada, financiado em 11 dias também através de crowdfunding. "A coisa muda bastante com essa rede de resistência e apoio. A defesa contra o linchamento é muito mais contundente", opina. "Apesar do linchamento midiático, vale a pena usar todos os espaços que temos, usar a palavra, fazer valer nossa voz".

Golpe é fruto do linchamento midiático

"Vivemos um período de linchamento de nossa história, de nossas consciências", opina Paulo Moreira Leite. "Miruna diz que, apesar do linchamento, vale a pena acreditar no que somos. É disso que se trata". Segundo ele, o golpe judicial e parlamentar perpetrado contra Dilma Rousseff, em 2016, é fruto direto desse processo de massacre midiático que foi iniciado em 2005.

A postura de Miruna, de acordo com o jornalista, ensina sobre como deve-se posicionar frente às reformas, ao golpe, às batalhas colocadas. "Temos de entender que não somos espectadores, mas atores da história. Temos força pra isso", aposta.

Quanto ao expediente comumente usado pela mídia monopolista para eliminar adversários, Paulo Moreira Leite é tachativo: "O linchamento midiático faz parte de um projeto de destruição de reputações. Esse projeto, que culmina em um Estado de exceção, destrói, sobretudo, a dignidade das pessoas".

A caçada midiática e judicial contra Lula é um exemplo inevitável a ser utilizado, na avaliação do jornalista. "Lula já está condenado. O linchamento incessante sequer permite um desfecho diferente, em minha opinião. Não importa se é culpado ou inocente".

Sanha por condenações ignora lições do passado

Para Maria Inês Nassif, casos clássicos de injustiça e destruição de reputações são sumariamente ignorados por uma mídia sedenta pela condenações dos que se colocam no caminho de seu projeto político. "Parece que ninguém lembra de casos como o da escola base e, na política, o caso do ministro Alceni Guerra", provoca. Em ambos os episódios, os acusados foram submetidos à fúria da opinião pública antes de serem devidamente julgados e, posteriormente, inocentados. O que separa o caso da escola base do caso de Genoíno ou José Dirceu? Segundo a jornalista, a intenção política.

"Nossa Justiça hoje, com o Moro, é um inquérito Policial Militar. Não difere em nada, como na ditadura", opina. Para ela, há uma espécie de aliança entre os interesses dos donos da mídia com o Poder Judiciário. "Com essa Justiça 'de exceção', os opositores vão sendo derrubados um a um".

Quanto ao caso de Genoíno, Maria Inês Nassif opina que, apesar do julgamento e do linchamento, a condenação não apaga a sua história de luta. "O livro de Miruna é importante não só por contar essa história, mas por expor o estrago que esse massacre causa em uma família. O linchamento destrói a democracia, partidos, movimentos sociais, pessoas e, também, destrói famílias".
Posted: 19 May 2017 09:35 AM PDT
Por Lidiane Rezende Vieira, Luna de Oliveira Sassara e João Feres Júnior, no site Manchetômetro:

Menos de uma semana após comemorar seu primeiro ano à frente da Presidência da República, Michel Temer foi surpreendido ontem por informações veiculadas na coluna de Lauro Jardim, na edição online do jornal O Globo. Segundo a reportagem, o dono da JBS, Joesley Batista, gravou uma conversa na qual contou ao peemedebista estar pagando uma mesada ao deputado Eduardo Cunha, que atualmente está preso no Paraná, e ao doleiro Lúcio Funaro para que não fizessem delações premiadas, ao que Temer teria respondido: “Tem que manter isso, viu?” O material faz parte de um acordo de delação premiada assinado pelo empresário junto ao Ministério Público.

A coluna também revelou que Aécio Neves, presidente do PSDB, principal partido da coligação que sustenta o governo de Michel Temer, teria recebido R$ 2 milhões de reais de Batista. Ao acertarem a entrega do dinheiro, Neves teria comentado: “Tem que ser um que a gente mata antes de fazer delação”. A entrega teria sido filmada pela Polícia Federal e o dinheiro teria sido repassado a um assessor do Senador Zezé Perrella (PMDB-MG) – o dono do helicóptero que transportou 445 quilos de pasta base de cocaína apreendidos pela Polícia Federal em novembro de 2013. O delator também afirmou que o ex-ministro Guido Mantega seria o responsável por repassar pagamentos para parlamentares do Partido dos Trabalhadores e agiria como um “operador” junto ao BNDES.

As análises do Manchetômetro têm mostrado consistentemente um viés da grande mídia contrário ao PT. Esse viés favoreceu o PSDB na eleição de 2014 e vinha favorecendo Michel Temer, cujo governo a mídia trata de maneira bem mais benevolente do que tratou o de sua predecessora Dilma Rousseff, como já demonstramos em trabalho anterior. Mas as revelações do dia de ontem colocaram esse padrão de posicionamento da grande mídia em xeque. A Rede Globo, campeã do antipetismo, foi responsável pelo furo que abalou o governo Temer e ameaça lançar Aécio Neves atrás das grades. Como explicar tal mudança brusca?

Neste artigo nos debruçamos sobre a cobertura que a grande mídia dedicou ao mais recente escândalo, logo em seguida a sua eclosão, no esforço de lançar algum sentido aos fatos. Para tal, é preciso antes colocar as coisas em perspectiva.
Cobertura de Temer: um ano de governo

Desde que Michel Temer tomou posse, o governo federal tem recebido tratamento bastante favorável por parte da grande mídia brasileira, especialmente se comparado ao governo de Rousseff. Mas será que podemos dizer o mesmo acerca da cobertura da pessoa de Michel Temer? Vejamos no gráfico abaixo como foi a cobertura do peemedebista desde sua posse até o dia 12 de maio, quando completou um ano de governo. O gráfico mostra o número de notícias publicadas nos três jornais estudados pelo Manchetômetro (Folha de S.Paulo, Estado de S.Paulo, O Globo) e Jornal Nacional, agregadas em períodos de duas semanas [1].



O noticiário político costuma ser formado majoritariamente por notícias neutras e contrárias. Como fica nítido no gráfico acima, em seus primeiros meses de governo, Michel Temer contou com certa boa vontade por parte da grande mídia – algo que já havíamos identificado na cobertura do governo federal e que a literatura de Ciência Política chama de Lua de Mel. Com exceção de sua segunda semana de governo, até o início de novembro, a cobertura do presidente foi majoritariamente neutra, e o número de notícias favoráveis a seu respeito esteve longe de ser desprezível, chegando a ultrapassar o de notícias contrárias. Ao final do ano de 2016, o número de notícias contrárias ultrapassa o noticiário neutro. Desde então, as duas curvas têm se mantido relativamente próximas, com proeminência mais frequente do noticiário contrário nas últimas semanas. As notícias ambivalentes e favoráveis, porém, continuam em patamar significativo – fato não verificado na cobertura de seus predecessores petistas – apesar dos péssimos índices de popularidade que o peemedebista tem mantido.

O caso revelado ontem pode representar uma alteração significativa do noticiário sobre Temer. Vejamos a seguir como as edições do Jornal Nacional e dos jornais impressos veiculadas após o escândalo repercutiram o vazamento da delação de Joesley Batista.

Jornal Nacional

“O Brasil mais uma vez em choque”: assim começou, na noite da última quarta-feira (17), uma edição histórica do Jornal Nacional. A primeira chamada tinha como personagem principal o Presidente da República, Michel Temer, acusado de envolvimento em esquema de corrupção. A gravação que deu origem à denúncia não foi exibida, diferentemente do que ocorreu no episódio do vazamento de áudios envolvendo o ex-presidente Lula e a então presidenta Dilma Rousseff. A fala de Temer foi lida pelo âncora William Bonner: “Tem que manter isso, viu?”. A notícia possuía potencial embaraçoso até para os âncoras e repórteres, que apresentavam visível insegurança nas falas e erros frequentes, como o Bonner que ao apresentar Temer, chamou-o de “ex presidente”. Sem dúvida, a divulgação recente dos acontecimentos afetou o desempenho dos jornalistas.

Além da pauta explosiva divulgada pouco mais de uma hora antes do início do Jornal Nacional, outra característica desta edição foi sua curta duração. Usualmente, o Jornal Nacional dura em torno de 40 minutos, chegando às vezes até a 1 hora. A edição da noite passada teve apenas 25 minutos e 34 segundos, ou 1.534 segundos, dos quais 802 foram dedicados ao caso de Temer e ao dono da JBS. É importante destacar que mais da metade deste tempo (540 segundos) foi dedicada a fala de correspondentes que entravam no ar diretamente de Brasília, na tentativa mal sucedida de trazer novas informações, seja do Supremo, da Câmara ou do Palácio do Planalto. No final das contas, a “notícia bombástica”, tal como a nomeou o telejornal, se resumiu a apresentações simplórias de trechos da notícia publicada no jornal O Globo, e ocupou um total de 262 segundos na edição.

Outra notícia do pacote da delação de Joesley teve como tema o áudio de Aécio Neves, Senador da República e Presidente do PSDB, pedindo 2 milhões de reais e o vídeo da entrega do dinheiro a seu primo, que foi por ele indicado para receber a propina (123 segundos). Em semelhança à cobertura sobre Temer, o Jornal Nacional se restringiu a apresentar as informações veiculadas pelo jornal O Globo e não mostrar áudios e vídeos. Das conversas transcritas, a que causa maior espanto foi aquela na qual Aécio comenta acerca de Frederico Pacheco de Medeiros, primo do senador, pessoa que receberia o dinheiro: “tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação”. Nenhum dos citados na notícia da delação de Joesley Batista recebeu espaço para o contraditório.

É provável que a ausência de uma cobertura mais elaborada seja justificada no pouco tempo entre a divulgação da notícia e o início do Jornal, porém outro ponto ganha importância na análise desta cobertura: os demais temas tratados nesta edição. Fato que não causará surpresa a um espectador atento do Jornal Nacional é que a única notícia nacional de teor negativo sem relação com Joesley Batista apresentada no programa tinha como objeto central o ex-presidente Lula. A ele foram dedicados especificamente 210 segundos de notícia – mais tempo que aquele dedicado a cobrir a gravação de Aécio Neves. 27 segundos da notícia foram dedicados a anunciar à derrubada da ordem de suspensão das atividades do Instituto Lula. O restante do tempo foi gasto em contrastar documentos do Ministério Público sobre o caso do triplex que apresentam agendamento de reuniões de Lula com os diretores da Petrobras e fragmentos do depoimento de Lula a Moro do dia 10 de maio no qual o ex-presidente afirmou ter tido apenas duas reuniões com tais diretores. Houve espaço para a defesa do ex presidente. Além deste espaço significativo na histórica edição do JN, Lula também foi citado no primeiro minuto do Jornal, durante as chamadas para as notícias mais importantes da edição, mesmo sem possuir ligação direta com a delação de Joesley Batista. Citado na delação, Guido Mantega é identificado pelo âncora como “ex-ministro dos governos Lula e Dilma”. É evidente que esta citação nos primeiros segundos do jornal, que não foi repetida quando da explanação do caso, é uma decisão editorial do Jornal Nacional.
Folha de S.Paulo

Proporcional ao impacto das notícias publicadas na noite de ontem (17), a Folha de S. Paulo teve a maior parte da capa da edição desta quinta-feira (18) ocupada com uma manchete e chamadas a respeito do caso JBS. Interessante foi a desajustada imagem de Michel Temer escolhida para retratar esse momento descrito pelo próprio jornal como “a pior crise” do seu governo. A foto mostra um presidente sorridente, ao lado de estudantes em encontro realizado na tarde de ontem, antes da divulgação da notícia.

Considerando as páginas de opinião do jornal, entre as quatro colunas publicadas na quarta-feira (17), apenas aquela assinada por Bernardo Mello Franco tratava do julgamento no TSE da chapa Dilma-Temer. O autor, seguro de suas análises conjunturais, afirmou que “se Brasília não for atingida por um raio capaz de mudar este roteiro, restará saber de que forma o TSE vai “matar no peito” o julgamento”. Pois bem, na coluna de hoje, o mesmo autor afirma: “o raio acaba de cair sobre Temer”. Franco narra os últimos acontecimentos com tom fatalista, à prejuízo de Temer, e conclui apresentando as opções em alta nas rodas políticas: renúncia, impeachment e cassação via TSE: de fato, o raio caiu.

Os editoriais da Folha, por sua vez, não espelharam a massificação dessas notícias, tratando de outros dois temas, também em alta: Crise política de Trump e a ineficácia da polícia paulista. Ao fim, o humor também transmite seu recado sobre a maior empresa de carne bovina do mundo. Em uma charge intitulada “JBS – abatedouro nacional” o cartunista expõe peças de carnes penduradas com nome dos envolvidos no escândalo simulando o momento pós-abatimento, entre eles Temer, Aécio e Guido Mantega.
O Globo

O jornal carioca também dedicou a maior parte de sua capa à cobertura do novo escândalo. A manchete tem tom fatalista: “O país na incerteza: Temer é gravado ao dar aval a compra de silêncio de Cunha”. O texto relata o caso, e informa que Temer negou, em nota, as acusações. Uma imagem do presidente sozinho, sob um fundo negro, e de mãos espalmadas com a legenda “E agora?” ocupa quase toda a metade superior da página. Lê-se também abaixo da foto que o futuro do peemedebista é incerto na avaliação de políticos aliados e da oposição. Segundo o texto, Aécio disse que sua relação com Joesley era “só pessoal”.

Nas páginas de opinião do jornal O Globo, contudo, não há palavra sobre o novo escândalo. Um dos editoriais trata da “recuperação econômica”. O texto é inteiramente dedicado a criticar a política econômica implementada por governos petistas, destacar a importância do impeachment para a “reconstrução da economia” e tecer elogios ao governo Temer e sua equipe. O segundo editorial trata da crise política estadunidense. Na mesma página, lê-se na coluna de Carlos Alberto Sardenberg um texto intitulado “Do Lula que mandava ao que não sabia”, que versa ainda sobre o depoimento de Lula a Sérgio Moro realizado no último dia 10. Sardenberg dedica-se, em seu texto, a argumentar que Lula foi responsável por projetos não lucrativos da Petrobrás e do Banco do Brasil.

Na página seguinte, os colunistas Veríssimo e Demétrio Magnoli tratam da morte de Antonio Candido e das relações entre a China e a Eurásia, respectivamente. Já o articulista Chico D’Angelo faz uma defesa da Lei Rouanet e um elogio à CPI que investigou sua aplicação. O segundo articulista convidado, João Luiz Mauad, critica ferrenhamente a política econômica dos governos Lula e Dilma e elogia a Operação Lava Jato.
Estadão

Seguindo a tônica adotada pelos outros jornais impressos, a capa do Estadão também foi tomada por notícias sobre o escândalo. Nas páginas de opinião, os articulistas convidados Roberto Macedo e Fernão Lara Mesquita tratam de criticar a política econômica e os programas sociais implementados por governos petistas. O segundo contém, inclusive, elogios a Michel Temer e sua equipe de economistas. Já em seus editoriais, o Estadão resolveu tratar de possíveis inconsistências no depoimento de Lula a Sergio Moro no que se refere a reuniões com diretores da Petrobrás, do problema da corrupção em presídios brasileiros (elogioso ao governo federal) e dos rumos da política econômica do governo Temer, também favoravelmente. Novamente, não há palavra sobre a polêmica ora envolvendo Temer.
Conclusão

É muito provável que as páginas de opinião dos jornais não tenham tido tempo ainda para reagir aos fatos ocorridos no final da tarde de ontem, e que editores optaram por estampar o assunto nas capas, para não parecerem defasados, mesmo que não tivessem material opinativo para disponibilizar a seus leitores. Mas essa particularidade revela claramente o paradoxo enfrentado pela grande mídia brasileira. Maior responsável pela redução da política à questão da corrupção, aposta na qual embarcou desde pelo menos meados da década passada, com a superexploração do escândalo do “Mensalão”, a grande mídia nacional também é apoiadora ferrenha das reformas neoliberais de Michel Temer, mais do que propriamente de sua figura política. As matérias das páginas de opinião analisadas acima mostram claramente a obsessão de editores e colunistas na defesa dessa agenda: ela dá o tom em todos os jornais impressos. Contudo, agora a mídia precisa resolver o problema da perda total de credibilidade daquele que levaria a cabo essa agenda, pois como os arautos midiáticos da “honestidade” podem defender aquele que é pego em gravação aconselhando uma pessoa sob investigação criminal de corrupção a continuar a cometer seus delitos, entre eles silenciar um ex-presidente da Câmara preso e comprar juízes e promotores?

Enquanto terminamos este artigo o Jornal Nacional reprisava uma cobertura altamente negativa em relação a Temer, mas que ao mesmo tempo mostrava o mandatário tentando uma reação por meio da coletiva que deu essa tarde. Se resolver revisar sua abordagem e voltar a se alinhar com Temer a grande mídia estará arriscando a pouca credibilidade que lhe resta. Temer se tornou radioativo. Aécio, um darling global, que era levemente desprezado pelos jornais paulistas, já é carta fora do baralho. Se Temer, agora lançado ao mar, não conseguir se recuperar, entraremos numa nova fase na crise política atual: a busca pelo salvador da pátria. E isso praticamente um ano e meio antes da próxima eleição. Façam suas apostas!

Nota

[1] Com exceção do último período, que vai de 27/04/2017 a 12/05/2017, tendo portanto 16 dias.
Posted: 19 May 2017 09:05 AM PDT
Por Jeferson Miola

A revelação em detalhes cinematográficos dos crimes do Aécio Neves e Michel Temer deixa os integrantes de Curitiba da força-tarefa da Lava Jato numa situação desconfortável.

Ao longo dos últimos meses, Aécio e Temer foram citados em dezenas de depoimentos de réus, delatores e investigados da Lava Jato. Os dois também apareceram em conversas gravadas pelos operadores dos esquemas de propinas na Petrobrás, Furnas, CEF e em outras estatais.

Apesar disso, o braço curitibano da Lava Jato nunca encontrou motivos para investigá-los.

As gravações do tucano-peemedebista Sérgio Machado, publicadas em maio de 2016, são memoráveis. Nelas, Jucá explicou que o objetivo da camarilha integrada por ele próprio com Temer, Cunha, Padilha, Geddel e Moreira Franco – todos com apelidos nas planilhas de propinas da Odebrecht – era derrubar a Presidente Dilma para estancar a Lava Jato.

O juiz Moro, para justificar a fotografia em que ele e Aécio gargalham como hienas em evento da revista IstoÉ de dezembro de 2016 que reuniu Temer e a nata política e empresarial do golpe [7 meses após as gravações de Sérgio Machado virem a público], disse: “Foi um evento público, e o senador não está sob investigação da Justiça Federal de Curitiba. Foi uma foto infeliz, mas não há nenhum caso envolvendo ele”.

Em entrevista em março passado, o procurador Dallagnol tentou explicar da seguinte maneira os motivos para não investigar os políticos do PSDB: “Não tem como achar na Petrobrás corrupção de um diretor ou presidente [tucano] até porque não existia diretores do PSDB”.

Detalhe: o autor do power point infame contra Lula conhecia, há muito tempo, as denúncias de que US$ 23 milhões roubados por José Serra foram depositados na Suíça, e que Aécio teria recebido R$ 50 milhões de propinas da Odebrecht.

Moro praticou o que poderia ser considerado “camaradagem processual” ao impugnar 21 das 41 perguntas que Eduardo Cunha encaminhou para Temer responder como testemunha. Através das perguntas, que denotavam conhecimento íntimo, por Cunha e Temer, do funcionamento da organização criminosa, Cunha mandava recados e subliminarmente fazia chantagens – como, por exemplo, continuar participando da distribuição do butim abocanhado pela camarilha, mesmo preso [aquilo que, sabe-se agora, Temer confirmou a Joesley Batista: “Temos que manter isso, viu?”].

Moro agiu como advogado de defesa do Temer, não como juiz de direito. No despacho de novembro de 2016, apesar da profusão de delações da Odebrecht e das inúmeras menções ao papel do Temer nos esquemas de corrupção, Moro escreveu que “não há qualquer notícia do envolvimento do Exmo. Sr. Presidente da República nos crimes que constituem objeto desta ação penal”. Em entrevista em fevereiro passado, Moro considerou o roteiro das perguntas elaboradas um “episódio reprovável” de “tentativa de intimidação da Presidência da República”.

Depois do escândalo que levará Temer à renúncia ou ao afastamento, um Moro cara de pau sustenta que “não havia, na época da decisão, qualquer notícia do envolvimento [sic] de Temer nos crimes que constituem o objeto daquela ação penal” [18/5/2017].

Como se observa, na República de exceção do juiz e dos procuradores de Curitiba, os corruptos e criminosos Michel Temer e Aécio Neves eram tratados como anjinhos, como santidades inocentes beneficiárias de uma elástica interpretação do princípio da presunção da inocência.

A revelação dos crimes mais recentes que Aécio e Temer continuaram cometendo, de assalto ao Estado, só teve o alcance merecido porque a delação dos irmãos Joesley e Wesley Batista não passou por Curitiba. Por isso, não puderam ser seletivamente escondidos.

Os fatos autorizam pensar que o braço curitibano da Lava Jato Moro protegia Aécio e Temer, que tem o efeito de proteger o golpe e a oligarquia golpista. No mínimo, é testemunho da parcialidade e da seletividade da Lava Jato.
Posted: 19 May 2017 08:58 AM PDT
Da Rede Brasil Atual:



A filha do ex-deputado e ex-presidente do PT José Genoino, Miruna, lançou na noite de ontem (17) o livro Felicidade fechada, após o debate “O linchamento midiático no Brasil”, realizado no Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, em São Paulo. Pedagoga, ela dividiu a mesa com os jornalistas Paulo Moreira Leite e Maria Inês Nassif. Genoino assistiu ao debate na plateia.

Miruna destaca dois aspectos de Felicidade fechada: o livro reconta a história do pai, condenado antecipadamente pela mídia tradicional antes mesmo de ser julgado no âmbito da Ação Penal 470, o chamado “mensalão”, e fala das angústias e sofrimento das pessoas da família de uma pessoa colocada na situação do petista.

Toda a experiência, diz a autora, mostra no contexto de hoje, quando o “linchamento” midiático continua a avançar no país, “que a gente precisa estar atenta para o modo como a mídia julga as pessoas antes que o processo aconteça”.

Ela conta que a realização do livro mostrou a força de outros canais além da “grande imprensa”. A ideia da obra começou a se concretizar a partir de uma simples postagem no facebook. “Os amigos compartilhavam e com isso eu conseguia contar coisas diferentes do que era veiculado.”

Já do lado da mídia comercial, a história de José Genoino é anterior e bem diferente daquela que ela e a família conseguiram disseminar pelas redes sociais. A versão bombardeada por jornais, revistas e televisão, com destaque para a Rede Globo, desencadeou o massacre da reputação e a condenação antecipada, desfecho semelhante a de outros políticos, como José Dirceu.

“Meu pai foi condenado sem provas antes até do julgamento, quando decidiram transmitir o julgamento pela televisão”, disse Miruna à RBA. “Com isso, conseguiram tirá-lo do cenário político. Além de julgá-lo antecipadamente, nenhum respeito foi dado à família. Existe uma família por trás. Todas as pessoas, culpadas ou inocentes, como meu pai, merecem respeito.” Para ela, o ex-presidente do PT “poderia estar fazendo muita coisa hoje”.

Depois de todo o processo, Miruna avalia que Genoino, ao final, e com a publicação do livro, se saiu fortalecido. “Mas teve que sair da política.”

No debate, ela contou que a família passou por dois momentos: o das denúncias e o dos julgamentos. “O momento das denúncias foi muito mais difícil, a gente se sentiu sozinho, os amigos se afastaram, e a mídia alternativa não chegava com a força que chega hoje. A gente não tinha canal. O canal era o e-mail.”

Com a expansão das redes sociais, o apoio cresceu. “As coisas mudaram bastante do ponto de vista do apoio. A gente continuou sofrendo linchamento, mas se fortaleceu e abriram outros espaços para encontrar apoio.”

A conclusão, diz Miruna, é que a luta pela verdade compensa. “Apesar do linchamento midiático da grande mídia, vale a pena cavar espaços para recontar e contar outra história. Conseguimos esse espaço falando a verdade e utilizando a palavra escrita. Fruto da minha veia de educadora”, contou.
Moro e inquérito militar

Para Maria Inês Nassif, o livro faz pensar na responsabilidade sobre a vida das pessoas e o que o jornalismo pode provocar nesse sentido. Por isso, disse, nunca pensou em ser jornalista investigativa. “O que aconteceria com as pessoas se eu estivesse errado?”

Maria Inês citou o famoso caso da Escola Base (1994) como paradigmático da destruição que o jornalismo pode provocar na família das pessoas. A intenção política por trás da atual onda de denúncias mostra que “a gente aprendeu pouco com a história”. Ela lembra que, como hoje, o udenismo e o lacerdismo (referência ao empresário e político Carlos Lacerda) “foram parte da estratégia de negação da política para derrubar um governo”. Para isso, é necessário destruir reputações. “A justiça do (Sérgio) Moro nada mais é do que um inquérito policial militar. Em nada difere. Os opositores vão sendo derrubados um a um.”

Para Paulo Moreira Leite, “hoje estamos vendo uma situação de linchamento de consciências, de direitos e de nossa história”.
Posted: 19 May 2017 08:50 AM PDT
Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:



O senhor Henrique Meirelles, na notícia acima, mostra o quanto é um homem sem qualquer noção de decoro e moralidade.

Ou melhor, um homem com uma única fidelidade: aos donos do dinheiro.

Não lhe passa na cabeça vaidosa que pôde ser bem sucedido como auxiliar (grifo, para que se compreenda bem) no governo de Lula porque este governo tinha propósito e legitimidade populares.

A mídia, sempre generosa com o “mercado”, deixa passar quieto que Meirelles, mais do que ninguém, está metido até o pescoço neste caso da JBS, porque foi nada menos que presidente de seu Conselho de Administração.

Ou será que os irmãos Batista, apresentados como os grandes mutreteiros da carne, que traficam influência e dão mesada a Eduardo Cunha ao tratar com Meirelles eram ascetas dignos de figurar num altar?

Henrique Meirelles faz Armínio Fraga parecer uma “reserva ideológica”. Ao menos assume que está a serviço de um projeto, enquanto aquele quer ser visto como uma espécie de “açougueiro profissional”, disposto a cortar, sem piedade, gastos sociais que são, em última análise, a própria vida de seres humanos.

Sua “obra” está erguida sobre um mar de infelicidades, angústias, sofrimentos, desesperos de quase 15 milhões de homens e mulheres sem trabalho, no sucateamento dos serviços públicos com que, miseravelmente, ainda podem contar e nas portas cerradas ao futuro pelos 20 anos de arrocho que, pelas mãos aduncas de Temer e do lixo parlamentar que o apoiava, com que manietou o orçamento público.

Se a economia é uma guerra, o Sr. Meirelles é apenas um mercenário do capital, a serviço de quem quer que seja que o mantenha como “coronel” da economia.
Posted: 19 May 2017 08:45 AM PDT
Editorial do site Vermelho:

O que sobrava da rota máscara golpista caiu. Justamente no momento em que o governo ilegítimo de Michel Temer e a mídia patronal, que o apóia, se esforçavam em construir uma narrativa de normalidade institucional e força parlamentar. Procuravam passar a imagem de recuperação na economia, com a manipulação de estatísticas.Tentavam construir também um cenário de força no Congresso para aprovar as repudiadas “reformas” trabalhista e da Previdência.

Desde a divulgação de conversas comprometedoras de Temer com o empresário Joesley Batista, da JBS, essa “normalidade” duvidosa acabou e a ilegitimidade do governo cresceu mais ainda. Em pronunciamento na tevê Temer disse que não renuncia, e aprofunda um cenário no qual a crise política pode contaminar outra vez a economia. Ao mesmo tempo, a base parlamentar, que Temer tentava manter à muito custo, parece se esfarelar.

As teias da corrupção se acentuam contra Temer, confirmando suspeitas antigas. E, no rastro das denúncias, o próprio presidente ilegítimo é investigado pelo STF, acusado de obstrução da Justiça.

Mesmo pessoas que inadvertidamente apoiaram o golpe travestido de impeachment e apostavam em seu governo já não crêem mais. E engrossam as fileiras daqueles que querem seu afastamento. Não há mais a menor condição de Michel Temer permanecer à frente da presidência da República.

Este cenário já era grave, revelado pela alta rejeição ao governo golpista e seus altos índices de reprovação popular. A face concreta dessa crise é o enorme desemprego, acima de 14 milhões de trabalhadores; é a destruição da economia brasileira e de setores importantes que, durante o governo golpista, foram desmontados; a entrega do pré-sal e da Petrobrás a empresas multinacionais; o desmonte do Estado brasileiro; o enxovalhamento da soberania nacional.

As forças democráticas, populares, patrióticas e progressistas se unem no clamor pelo Fora Temer. Em todo o país, o povo ganha às ruas exigindo a saída do presidente ilegítimo e a convocação de eleições diretas. A ocasião é propícia para o reforço da mais ampla frente, reunindo todos os brasileiros de boa vontade, que querem a volta da democracia, de um novo e avançado projeto nacional de desenvolvimento para fortalecer o Brasil, criar empregos, distribuir renda e ampliar o mercado interno.

Michel Temer precisa sair da presidência da República e levar com ele, para a lata de lixo da história, sua agenda nefasta de destruição do futuro de todos os brasileiros. Precisa, com urgência, ser substituído por um presidente eleito pelo voto popular que devolva legitimidade ao cargo que usurpou. Só a eleição direta será capaz de recuperar a esperança do nosso povo e recolocar o Brasil no rumo democrático do qual foi afastado pelo golpe de 2016. A batalha será decidida no parlamento e nas ruas, com amplitude e a determinação que a situação exige.
Posted: 19 May 2017 08:17 AM PDT
Posted: 19 May 2017 08:11 AM PDT
Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania:

Como todos já devem saber a esta altura, se o presidente Michel Temer renunciar ou mesmo se for cassado pelo Congresso, seu substituto será eleito indiretamente pela Câmara e pelo Senado.

Ao longo da quinta-feira, com o país ainda digerindo o mar de lama em que chafurdam Michel Temer e Aécio Neves, a Globo News passou o dia inserindo em sua programação o nome do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Apesar de a emissora a cabo ter citado sem parar o nome de FHC durante todo dia, um programa de horas de duração passou a tarde citando o nome do ex-presidente tucano uma vez após outra, sem parar.

O programa Estúdio I citou ao menos umas 10 vezes o nome de Fernando Henrique Cardoso.

Tudo que era comentado desembocava no tucano. O programa começou com a citação de mensagem postada pelo ex-presidente em seu perfil no Facebook.

A programação da Globo a cabo no day after da queda da República deixa ver que a toda poderosa já sabe por qual nome pressionará o Poder Legislativo a escolher em caso de vacância da Presidência da República.

Como se sabe, FHC é um defensor da agenda de “reformas” de Temer e seu apreço pelo neoliberalismo e pela privataria é amplamente conhecido.

Todos já sabem, portanto, o que esperar em caso de vacância da Presidência da República. O ex-presidente tucano será encarregado de terminar o serviço sujo de Michel Temer de vender o país, acabar com direitos trabalhistas e com o direito de se aposentar.

Até hoje, Fernando Henrique Cardoso é odiado pelos brasileiros. A mídia amiga evita colocar seu nome nas pesquisas de intenção de voto porque o resultado seria desastroso.

Mas tudo isso tem um lado bom. Se FHC suceder Temer, acabará com qualquer chance de um tucano se eleger no ano que vem, caso não tentem adiar as eleições. Com uma tacada só, o país ficará livre de Alckmin, Doria etc.

Para assistir a lenga-lenga pró FHC da Globo News, clique aqui – são duas horas de programa chato.
Posted: 19 May 2017 08:04 AM PDT
Posted: 19 May 2017 08:00 AM PDT
Por Maria Carolina Trevisan, na revista Brasileiros:

Acuado pela acusação de que concordou com a compra do silêncio de Eduardo Cunha para não ser delatado por corrupção, o presidente Michel Temer rejeitou a renúncia e decidiu se manter no cargo. Condicionou sua decisão ao fato de não ter tido acesso aos documentos que o acusam, agora públicos. No áudio da conversa, que aconteceu no Palácio do Jaburu, além de concordar com a forma de calar Cunha, Temer escuta de Joesley Batista, dono da JBS, que ele conseguiu aliados dentro da força-tarefa, um procurador e dois juízes. Temer optou por sangrar até o limite e salvar temporariamente a própria pele, ainda que isso custe instabilidade ao país.

Mas há um outro componente fundamental nessa atitude: se Temer renunciasse, perderia o foro privilegiado e poderia ser preso. Assim como outros ministros que estão implicados em acusações na Operação Lava Jato. “O foro é uma prerrogativa do cargo. Renunciando ao cargo, perdem-se todas as prerrogativas a ele inerentes”, explica Cristiano Maronna, diretor do Instituto Brasileiro de Políticas Criminais. “Perdendo o foro por prerrogativa, qualquer juiz de primeiro grau poderia prendê-lo.”

A situação do presidente é crítica e atrapalha as reformas trabalhista e da previdência, a que Temer estava se dedicando intensamente. Pelo menos dois ministros – Bruno Araújo (Cidades) e Roberto Freire (Cultura) – anunciaram que deixarão o governo. Também teve sua base de apoio rachada e a oposição entrou com pedido coletivo de impeachment. “Ele não vai conseguir governar o País. Perdeu a maioria parlamentar e também o apoio do capital financeiro. Sua saída é questão de dias”, avalia Guilherme de Almeida, professor da Faculdade de Direito da USP.

Se Temer deixar o cargo, por renúncia ou impeachment, quem ocupar sua cadeira terá que pedir eleições indiretas, de acordo com a Constituição. Mas os presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Eunício Oliveira (PMDB-CE), também estão implicados em denúncias da Lava Jato. A terceira na linha sucessória seria a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia. Mesmo assim, a eleição indireta não seria garantia de estabilidade. “Hoje não há nenhuma condição de uma eleição indireta no Brasil. Qualquer um que fosse eleito não teria a mínima legitimidade de governar. O País só se resolve agora com eleições diretas”, afirma Gilberto Bercovici, professor titular de Direito Econômico da USP.

Bercovici vê com preocupação uma possível posse da ministra Cármen Lúcia. “Seria um governo tão ilegítimo quanto o governo Temer. Ela estaria tapando um buraco. Não tem a mínima condição de fazer essa travessia. E não representa alternativa de poder”, alerta. Carmen Lucia convocou, na segunda-feira, 8, um grupo de empresários para tratar de economia. Seria um sinal de que estaria se preparando para ocupar a Presidência da República. A seu favor, pesa a honestidade por ser ministra do Supremo e não estar ligada a nenhum partido político. “Ela não está acima de questões partidárias. Ela foi indicada pelo Lula, sempre foi próxima do Aécio e tem ótimas relações com o Michel Temer. Ministro do STF é um cargo político também. Não é só técnico. A diferença é que ela não está filiada a partido político nenhum e por isso não representa alternativa de poder.”

Ação controlada

A delação do dono da JBS Joesley Batista, trouxe um componente diferente do que tem sido visto nas investigações contra a corrupção. Sem o juiz Sergio Moro, a Polícia Federal fez, desta vez, uma “ação controlada”, ou seja, negociou com Batista para que pudesse obter provas concretas, como seguir o caminho da propina por meio de um chip nas malas de dinheiro, das atitudes ilícitas das autoridades envolvidas. Além de Michel Temer, Batista informou que o senador Aécio Neves (PSDB-MG), agora ex-presidente da sigla, recebeu propina milionária e ofereceu cargos em empresas estatais.

A colaboração do dono da JBS também se diferencia pelo fato de ele não estar preso. Sendo assim, não está sendo coagido a delatar. “Foi um processo controlado, organizado. Não foi simplesmente para sair na mídia destruindo reputação de alguém, acusando alguém, correta ou incorretamente”, diz Bercovici. O resultado deu muito mais consistência para a acusação. “Moro terá que dar algumas explicações. Precisa dizer por quê vetou as perguntas que Eduardo Cunha queria fazer para Michel Temer, sabendo do envolvimento do presidente”, coloca.

Eleições diretas por um novo pacto

“O país tem pressa”, escreveu o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) em sua página no Facebook. Para ele, se comprovada sua culpa, o presidente Michel Temer deveria renunciar como forma de acelerar o fim da crise política. “Pressa para restabelecer a moralidade nas instituições e na conduta dos homens público.”

Para dar legitimidade ao processo político, no entanto, é preciso respeitar as urnas e combinar um pacto no Parlamento em nome de superar a instabilidade. “Não tem como fazer pacto com um Congresso desse, com um governo desse. É o que há de pior na política brasileira”, alerta Bercovici. Para ele, o caminho é o respeito ao voto, que ficou fragilizado depois do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, promovido sob alegação de pedaladas fiscais.
Posted: 19 May 2017 07:48 AM PDT
Por Renato Rovai, em seu blog:

O ex-presidente americano Bill Clinton ao ser perguntado se havia fumado maconha na juventude disse que sim, mas que não havia tragado. Desde ontem o grupo Folha/UOL assumiu a tese, muito provavelmente por interesses comerciais, de que a fita gravada pelo empresário Joesley Batista, da JBS, era inconclusiva.

É uma tese bizarra, criada muito provavelmente a partir da percepção empresarial dos Frias que com o desembarque da Globo da canoa do até então presidente Temer, o grupo Folha/UOL pode abocanhar um pedaço maior das publicidades governamentais.



O áudio da conversa entre empresário e presidente, realizado com autorização judicial e monitorado pelo MP e pela PF, tem sim alguns ruídos. Pode até ter sido editado em algum trecho, o que duvido muito. Mas é límpido em quase toda a sua totalidade e mostra um presidente associado a atividades criminosas.

Alguns desses trechos:

1) Joesley diz que tratava de assuntos nada republicanos com Geddel Vieira Lima e Eliseu Padilha e com a saída de um governo e a doença do outro ficou sem interlocutor. Temer sugeriu que ele passasse a falar com Rodrigo Maia na maioria dos casos, mas que tratasse de assuntos sigilosos pessoalmente com ele.

2) Temer pede que ele agende essas reuniões de forma clandestina. Na calada da noite e na sua casa. Sem que haja qualquer exposição. Da mesma forma que foi realizada a conversa gravada.

3) Temer fala que a derrubada dos juros vai continuar e sugere que será algo em torno de 1%.

4) Joesley fala que acertou tudo que estava sobrando com Eduardo Cunha e que continuava pagando um free mensal. Temer diz que isso precisa continuar. Se você quiser tirar essa parte porque acha que não é bem assim, tudo bem. Vamos continuar com o resto pra ver se você acha que só há crime aqui.

5) Joesley fala que comprou dois juízes e um procurador e Temer só faz escutar e ir concordando. Age como se isso fosse um procedimento natural. Claramente prevarica, porque é um presidente da República no exercício do cargo que está ouvindo isso. E não você no jantar de domingo daquele tio falastrão.

6) Joesley reclama que Henrique Meirelles não está atendendo alguns dos seus pleitos, como a indicação de alguém para o Cade e Temer diz que o empresário pode pressionar o ministro da Fazenda. Chega a sugerir que se ele não atendê-lo pode dizer ao ministro que vai falar com ele, presidente. Ou seja, deixa o ministro da Fazenda sob a guarda de um empresário.

7) Temer diz que indicou Meirelles para o ministério da Fazenda porque ele tinha sido funcionário da JBS. Que era para prestigiar Joesley.

Há ainda outros muitos pontos que poderiam ser listados. Mas esses sete já me parecem bastante conclusivos sobre o conteúdo criminoso da conversa entre Temer e Joesley. Mas além disso ainda há a mala de dinheiro para o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), que era assessor direto de Temer até assumir o mandato na Câmara em substituição ao atual ministro da Justiça, Osmar Serraglio (PMDB-PR).

O “áudio inconclusivo” da Folha se chama grana da Seco. O resto é fumar é não tragar.
Posted: 19 May 2017 07:41 AM PDT
Por Joaquim de Carvalho, no blog Diário do Centro do Mundo:

Os jornalistas Valdo Cruz e Cristiana Lobo, discípulos de Merval Pereira na GloboNews, batem na tecla de que é preciso respeitar a Constituição e, no caso de renúncia de Michel Temer, a eleição deve ser indireta.

“Não podemos embarcar numa aventura, em soluções milagrosas”, diz Valdo.

Traduzindo: se o povo for chamado a escolher quem deve tirá-lo da crise, pode dar Lula e aí será ruim.

Ruim para quem?

O país foi atirado a uma aventura, depois que o Congresso Nacional, setores do Judiciário, veículos de comunicação como a Globo inviabilizaram o governo legitimamente eleito de Dilma Rousseff.

Para estes, Aécio Neves, ao não reconhecer a derrota para Dilma Rousseff, era a liderança perfeita.

Não se pode esquecer que, em dezembro de 2014, a taxa de desemprego era próxima de 4%, a menor da série histórica, um nível de pleno emprego.

Hoje, depois que Dilma ficou sem condições de governar e decorrido um ano de governo de Michel Temer, a taxa é de quase 14%, recorde de desemprego.

Aécio Neves foi o líder perfeito para quem apostava na crise para incinerar 54 milhões de votos, apontado como o estadista preterido pelo povo.

Agora que caiu a máscara de bom moço de Aécio e se descobriu que Temer, na verdade, age como chefe de quadrilha, o discurso foi adaptado:

“Olha, vamos prestar atenção no diz o decano do Supremo Tribunal Federal, Celso de Melo, e também no que está falando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, é preciso respeitar a Constituição”, dizem jornalistas como Valdo.

Dizem isso porque lhes falta sinceridade. O que eles gostariam de dizer é: o povo tem que ficar fora dessa decisão.

Que democracia é esta?

Ora, sem eleições diretas e com um Congresso livre para escolher o presidente, em quem os parlamentares deveriam votar?

Os mesmos de sempre.

Os deputados escolheram Eduardo Cunha, depois Rodrigo Maia, para dirigi-los.

O Senado foi de Renan Calheiros, agora é Eunício de Oliveira.

Estes são os líderes maiores do Congresso.

Mas não será isso que acontecerá.

Nas condições políticas atuais, o Congresso pode e deve eleger um nome da sociedade civil.

E como fariam isso?

Pressionados.

Cármen Lúcia ou qualquer outro iluminado só chegaria ao Palácio do Planalto num grande conluio da plutocracia.

É mais fácil convenc$er a maioria entre os 594 parlamentares do que um eleitorado de 150 milhões de pessoas.

Mais ou menos o seguinte: este é o nome que nós queremos. Votando nele, conte conosco. Não votando, serão atirados aos leões - serão todos presos.

Este Congresso – o pior (ou melhor, dependendo do ponto de vista) que o dinheiro pode comprar – está mergulhado no esgoto da corrupção aberto por delações como a da Odebrecht.

Portanto, quando os jornalistas da Globo News pedem cautela e invocam nomes como Celso de Melo para legitimar o que dizem, não estão pensando na população em geral, mas na segurança de seus patrões.

Ora, eleição direta também pode ser constitucional, porque a própria Constituição admite sua mudança, constitucionalmente.

Sem consultar o povo, só chegará ao Planalto pela via indireta quem tiver o apoio da plutocracia, que faz movimentar um parlamento refém de seus próprios crimes.

A essas forças econômicas, o presidente eleito indiretamente deverá ser cargo.

Não terminará bem.

No curso normal do parlamento, poderia se esperar Renan Calheiros ou alguém do calibre de Eduardo Cunha.

Estes têm eleitores cativos no Congresso.

Na situação atual, se não for alguém como eles, só quem tiver apoio de quem detém o poder econômico.

Em 1984, o argumento era parecido: não podemos fazer eleição direta agora porque dará Leonel Brizola.

Era este o discurso.

Um grande conchavo da elite elegeu Tancredo Neves pela via indireta – suprema ironia, avô de Andrea e Aécio Neves.

Tancredo morreu antes da posse e assumiu José Sarney.

Os gênios da plutocracia não previam isso.

Deu no que deu.

A Constituição diz que a origem do poder está no povo.

Sem ele, é golpe.
Posted: 19 May 2017 07:33 AM PDT
Por Miguel do Rosário, no blog Cafezinho:

Vazamentos divulgados hoje dão um ponto final no governo Temer, no PSDB e desmoralizam totalmente o impeachment, a mídia, a Lava Jato e, em particular, Sergio Moro.

Reproduzo abaixo as duas notícias que mudam completamente a conjuntura política nacional e desmascaram os golpistas: um bando de corruptos que derrubaram uma presidenta honesta.

Quanto ao “interesse” da Globo em dar a informação, é evidente que uma bomba dessas estouraria de qualquer forma, até mesmo na grande mídia estrangeira, e a única maneira da mídia corporativa manter um mínimo de controle da situação é que ela mesmo dê a bomba.

Mas a bomba atinge também a Globo, que tentou até hoje blindar Michel Temer e concentrou toda a sua munição em Lula.

A Globo derrubou Dilma para botar um ladrão em seu lugar!

Não estamos falando aqui de pedalinhos em Atibaia, de acusações surreais sem provas, de emails vazios, de fofocas de delatores.

A própria Lava Jato é desmoralizada, porque os brasileiros irão se perguntar: peraí, a troco de que tanta perseguição a Lula, a Dilma, se os ladrões estão do outro lado, no PSDB e na presidência usurpada?

Por que Sergio Moro negou a delação premiada de Eduardo Cunha, que tentou, várias vezes, denunciar o presidente Michel Temer?

A denúncia acerta, por isso mesmo, em cheio, Sergio Moro, que chegou a ameaçar Eduardo Cunha em despacho judicial, quanto este tentou apontar o dedo para Michel Temer.

Entretanto, os fatos terão como resultado o seguinte. O golpe terá de se livrar de suas marionetes, que são Temer e ministros do PSDB, e mostrar quem realmente assumiu o poder político no país: o judiciário e a Globo.

Por outro lado, o argumento por eleições gerais ganha uma força prodigiosa.

A nova crise instalada cria um novo dilema: judiciário e Globo terão condições de governar o país sem a participação do povo?

Não!

Diretas já!

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Grampo revela que Aécio pediu R$ 2 milhões a dono da JBS

Gravação foi entregue por Joesley Batista à PGR. Entrega de dinheiro a primo do senador foi filmada

por Lauro Jardim / Guilherme Amado, na Globo

17/05/2017 19:30 / Atualizado 17/05/2017 19:39

Joesley Batista entregou à PGR uma gravação que piora de forma descomunal a tempestade que já cai sobre a cabeça de Aécio Neves. No áudio, o presidente do PSDB surge pedindo nada menos que R$ 2 milhões ao empresário, sob a justificativa de que precisava da quantia para pagar despesas com sua defesa na Lava-Jato.

O diálogo gravado durou cerca de 30 minutos. Aécio e Joesley se encontraram no dia 24 de março no Hotel Unique, em São Paulo. Quando Aécio citou o nome de Alberto Toron, como o criminalista que o defenderia, não pegou o dono da JBS de surpresa. A menção ao advogado já havia sido feita pela irmã e braço-direito do senador, Andréa Neves. Foi ela a responsável pela primeira abordagem ao empresário, por telefone e via WhatsApp (as trocas de mensagens estão com os procuradores). As investigações, contudo, mostrariam para a PGR que esse não era o verdadeiro objetivo de Aécio.

O estranho pedido de ajuda foi aceito. O empresário quis saber, então, quem seria o responsável por pegar as malas. Deu-se, então, o seguinte diálogo, chocante pela desfaçatez com que Aécio trata o tema:

- Se for você a pegar em mãos, vou eu mesmo entregar. Mas, se você mandar alguém de sua confiança, mando alguém da minha confiança — propôs Joesley.

- Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação. Vai ser o Fred com um cara seu. Vamos combinar o Fred com um cara seu porque ele sai de lá e vai no cara. E você vai me dar uma ajuda do caralho — respondeu Aécio.

O presidente do PSDB indicou um primo, Frederico Pacheco de Medeiros, para receber o dinheiro. Fred, como é conhecido, foi diretor da Cemig, nomeado por Aécio, e um dos coordenadores de sua campanha a presidente em 2014. Tocava a área de logística.

Quem levou o dinheiro a Fred foi o diretor de Relações Institucionais da JBS, Ricardo Saud, um dos sete delatores. Foram quatro entregas de R$ 500 mil cada uma. A PF filmou uma delas.

No material que chegou às mãos de Fachin na semana passada, a PGR diz ter elementos para afirmar que o dinheiro não foi repassado a advogado algum. As filmagens da PF mostram que, após receber o dinheiro, Fred repassou, ainda em São Paulo, as malas para Mendherson Souza Lima, secretário parlamentar do senador Zeze Perrella (PMDB-MG).

Mendherson levou de carro a propina para Belo Horizonte. Fez três viagens — sempre seguido pela PF. As investigações revelaram que o dinheiro não era para advogado algum. O assessor negociou para que os recursos fosse parar na Tapera Participações Empreendimentos Agropecuários, de Gustavo Perrella, filho de Zeze Perrella.

Não há, portanto, nenhuma indicação de que o dinheiro tenha ido para Toron.


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Dono da JBS grava Temer dando aval para compra de silêncio de Cunha

Joesley Batista e o seu irmão Wesley confirmaram a Fachin o que falaram a PGR

por Lauro Jardim, na Globo

17/05/2017 19:30 / Atualizado 17/05/2017 20:03

RIO — Na tarde de quarta-feira passada, Joesley Batista e o seu irmão Wesley entraram apressados no Supremo Tribunal Federal (STF) e seguiram direto para o gabinete do ministro Edson Fachin. Os donos da JBS, a maior produtora de proteína animal do planeta, estavam acompanhados de mais cinco pessoas, todas da empresa. Foram lá para o ato final de uma bomba atômica que explodirá sobre o país — a delação premiada que fizeram, com poder de destruição igual ou maior que a da Odebrecht. Diante de Fachin, a quem cabe homologar a delação, os sete presentes ao encontro confirmaram: tudo o que contaram à Procuradoria-Geral da República (PGR) em abril foi por livre e espontânea vontade, sem coação.
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É uma delação como jamais foi feita na Lava-Jato: Nela, o presidente Michel Temer foi gravado em um diálogo embaraçoso. Diante de Joesley, Temer indicou o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) para resolver um assunto da J&F (holding que controla a JBS). Posteriormente, Rocha Loures foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil enviados por Joesley. Temer também ouviu do empresário que estava dando a Eduardo Cunha e ao operador Lúcio Funaro uma mesada na prisão para ficarem calados. Diante da informação, Temer incentivou: “Tem que manter isso, viu?”.

Aécio Neves foi gravado pedindo R$ 2 milhões a Joesley. O dinheiro foi entregue a um primo do presidente do PSDB, numa cena devidamente filmada pela Polícia Federal. A PF rastreou o caminho dos reais. Descobriu que eles foram depositados numa empresa do senador Zeze Perrella (PSDB-MG).

Joesley relatou também que Guido Mantega era o seu contato com o PT. Era com o ex-ministro da Fazenda de Lula e Dilma Rousseff que o dinheiro de propina era negociado para ser distribuído aos petistas e aliados. Mantega também operava os interesses da JBS no BNDES.

Joesley revelou também que pagou R$ 5 milhões para Eduardo Cunha após sua prisão, valor referente a um saldo de propina que o peemedebista tinha com ele. Disse ainda que devia R$ 20 milhões pela tramitação de lei sobre a desoneração tributária do setor de frango.

Pela primeira vez na Lava-Jato foram feitas “ações controladas”, num total de sete. Ou seja, um meio de obtenção de prova em flagrante, mas em que a ação da polícia é adiada para o momento mais oportuno para a investigação. Significa que os diálogos e as entregas de malas (ou mochilas) com dinheiro foram filmadas pela PF. As cédulas tinham seus números de série informados aos procuradores. Como se fosse pouco, as malas ou mochilas estavam com chips para que se pudesse rastrear o caminho dos reais. Nessas ações controladas foram distribuídos cerca de R$ 3 milhões em propinas carimbadas durante todo o mês de abril.

Se a delação da Odebrecht foi negociada durante dez meses e a da OAS se arrasta por mais de um ano, a da JBS foi feita em tempo recorde. No final de março, se iniciaram as conversas. Os depoimentos começaram em abril e na primeira semana de maio já haviam terminado. As tratativas foram feitas pelo diretor jurídico da JBS, Francisco Assis e Silva. Num caso único, aliás, Assis e Silva acabou virando também delator. Nunca antes na história das colaborações um negociador virara delator.

A velocidade supersônica para que a PGR tenha topado a delação tem uma explicação cristalina. O que a turma da JBS (Joesley sobretudo) tinha nas mãos era algo nunca visto pelos procuradores: conversas comprometedoras gravadas pelo próprio Joesley com Temer e Aécio — além de todo um histórico de propinas distribuídas a políticos nos últimos dez anos. Em duas oportunidades em março, o dono da JBS conversou com o presidente e com o senador tucano levando um gravador escondido — arma que já se revelara certeira sob o bolso do paletó de Sérgio Machado, delator que inaugurou a leva de áudios comprometedores. Ressalte-se que essas conversas, delicadas em qualquer época, ocorreram no período mais agudo da Lava-Jato. Nem que fosse por medo, é de se perguntar: como alguém ainda tinha coragem de tratar desses assuntos de forma tão descarada?

Para que as conversas não vazassem, a PGR adotou um procedimento incomum. Joesley, por exemplo, entrava na garagem da sede da procuradoria dirigindo o próprio carro e subia para a sala de depoimentos sem ser identificado. Assim como os outros delatores.

Ao mesmo tempo em que delatava no Brasil, a JBS contratou o escritório de advocacia Trench, Rossi e Watanabe para tentar um acordo de leniência com o Departamento de Justiça dos EUA (DoJ). Fechá-lo é fundamental para o futuro do grupo dos irmãos Batista. A JBS tem 56 fábricas nos EUA, onde lidera o mercado de suínos, frangos e o de bovinos. Precisa também fazer um IPO (abertura de capital) da JBS Foods na Bolsa de Nova York.

Pelo que foi homologado por Fachin, os sete delatores não serão presos e nem usarão tornozeleiras eletrônicas. Será paga uma multa de R$ 225 milhões para livrá-los das operações Greenfield e Lava-Jato que investigam a JBS há dois anos. Essa conta pode aumentar quando (e se) a leniência com o DoJ for assinada.

(Colaborou Guilherme Amado)
Posted: 19 May 2017 07:25 AM PDT
Da revista CartaCapital:

O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), tinha um plano para tentar barrar a Operação Lava Jato. A ideia do líder tucano era que o presidente Michel Temer substituísse o ministro da Justiça, Osmar Serraglio, por uma figura que interferisse na Polícia Federal e selecionasse delegados responsáveis pelos inquéritos contra os políticos investigados.

A revelação do plano de Aécio está nas gravações feitas por Joesley Batista, um dos donos da gigante JBS, que se tornou delator da Lava Jato. Detalhes dos diálogos foram revelados na tarde desta quinta-feira, 18, pelo site Buzzfeed.

Na conversa, Aécio chama Serraglio de "um bosta de um caralho" e o governo de "bunda mole". E reclama com Joesley que o Planalto não "têm" uma pessoa dentro da PF que seria responsável por distribuir os inquéritos para determinados delegados. Aparentemente, Aécio imagina que os delegados selecionados poderiam encaminhar as ações da maneira desejada.

Joesley - Esse é bom?

Aécio - Tá na cadeira (...). O ministro é um bosta de um caralho, que não dá um alô, peba, está passando mal de saúde pede pra sair. Michel tá doido. Veio só eu e ele ontem de São Paulo, mandou um cara lá no Osmar Serraglio, porque ele errou de novo de nomear essa porra desse (...). Porque aí mexia na PF. O que que vai acontecer agora? Vai vim um inquérito de uma porrada de gente, caralho, eles são tão bunda mole que eles não (têm) o cara que vai distribuir os inquéritos para o delegado. Você tem lá cem, sei lá, 2.000 delegados da Polícia Federal. Você tem que escolher dez caras, né?, do Moreira, que interessa a ele vai pro João.

Joesley - Pro João.

Aécio - É. O Aécio vai pro Zé (...)

[Vozes intercaladas]

Aécio - Tem que tirar esse cara.

Joesley - É, pô. Esse cara já era. Tá doido.

Aécio - E o motivo igual a esse?

Joesley - Claro. Criou o clima.

Aécio - É ele próprio já estava até preparado para sair.

Joesley - Claro. Criou o clima.


Os diálogos estão transcritos, diz o site, na decisão do ministro Luiz Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, que autorizou as investigações contra Aécio.

Ainda segundo o Buzzfeed, Fachin escreveu em sua decisão que Aécio representa um risco "à ordem pública", mas não ordenou sua prisão por considerar que não houve flagrante – única condição em que um parlamentar pode ser preso no Brasil. "Percebe-se, a partir dos elementos probatórios, que o senador Aécio demonstra, em tese, muita preocupação e empenho na adoção de medidas que de alguma forma possam interromper ou embaraçar a investigação", escreveu Fachin segundo o site.

Na manhã desta quinta, as residências do senador em Brasília, no Rio de Janeiro, em Minas Gerais, além de seu gabinete no Congresso foram alvo de mandados de busca e apreensão autorizados por Fachin. A irmã do senador, Andréa Neves, e um de seus primos, Frederico Pacheco de Medeiros, foram presos pela Polícia Federal. Também foi preso na ação Mendherson Souza Lima, assessor do senador Zezé Perrella (PMDB-MG).

A situação de Aécio dentro de seu partido é grave. Secretário-geral do PSDB, o deputado federal Silvio Torres (PSDB-SP) disse que o senador mineiro não terá condições de permanecer na presidência do partido. "Acho que ele próprio vai tomar essa decisão [de sair]. Não há outra alternativa. É inviável [a permanência de Aécio Neves no cargo de presidente], correndo risco de ser preso. Ele está bem consciente."

Fora do partido a situação de Aécio também é grave. "O Aécio sempre foi uma figura que aparentava ter algumas convicções sociais-democratas, liberais e até compromissos de transparência com a ordem democrática", disse o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ). "Agora isso se revelou, de maneira definitiva, como um grande embuste", afirmou.

Operação

Além de Aécio, também foram alvo desta operação os gabinetes de Perrela e do deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR). Este teria sido escolhido pelo presidente Michel Temer para intermediar uma negociação com a JBS, conglomerado pertencente aos irmãos Joesley e Wesley Batista.

Na quarta-feira 17, o jornal O Globo divulgou detalhes da delação de Joesley, que colocam a República em polvorosa. Nas gravações, Aécio aparece pedindo 2 milhões de reais ao empresário dizendo que que precisava do dinheiro para pagar despesas com sua defesa na Lava-Jato.

Segundo informações de O Globo, o diálogo gravado durou cerca de 30 minutos. O encontro entre Aécio e Joesley foi no 24 de março no Hotel Unique, em São Paulo e Aécio citou o nome de Alberto Toron como o criminalista que o defenderia. A menção ao advogado já havia sido feita pela irmã e braço-direito do senador, Andréa Neves. Foi ela a responsável pela primeira abordagem ao empresário, por telefone e via WhatsApp, mensagens que também estão com os procuradores.

O pedido de ajuda foi aceito e o empresário quis saber, então, quem seria o responsável por pegar as malas. A gravação mostra que Joesley sugere que se Aécio fosse retirar pessoalmente dinheiro a entrega seria feira por ele mesmo, mas que se Aécio fosse mandar alguém de sua confiança, Joesley faria o mesmo.

Surpreendentemente a resposta de Aécio: "Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação. Vai ser o Fred com um cara seu. Vamos combinar o Fred com um cara seu porque ele sai de lá e vai no cara. E você vai me dar uma ajuda do caralho", respondeu Aécio segundo o jornal.

Ainda segundo O Globo, o presidente do PSDB indicou um primo, Frederico Pacheco de Medeiros, para receber o dinheiro. Fred, como é conhecido, foi diretor da Cemig, nomeado por Aécio, e um dos coordenadores de sua campanha a presidente em 2014.

Quem levou o dinheiro a Fred foi, prossegue o jornal, o diretor de Relações Institucionais da JBS, Ricardo Saud, um dos sete delatores. Foram quatro entregas de 500 mil reais cada uma. A PF teria filmado uma delas.

Curiosamente, as investigações apontam, afirma O Globo, que o dinheiro não foi repassado a advogado algum. As filmagens da PF mostram, diz o jornal, que após receber o dinheiro, Fred repassou, ainda em São Paulo, as malas para Mendherson Souza Lima, secretário parlamentar do senador Zeze Perrella (PMDB-MG).

Mendherson teria levado de carro o dinheiro para Belo Horizonte, em três viagens, seguidas pela PF. O assessor negociou para que os recursos fossem parar na Tapera Participações Empreendimentos Agropecuários, de Gustavo Perrella, filho de Zeze Perrella.
Posted: 19 May 2017 06:17 AM PDT
Por Altamiro Borges

Roberto Freire, o coronel do PPS, decidiu deixar o covil golpista de Michel Temer - é o primeiro rato a abandonar o barco à deriva. Segundo o site do Estadão, ele "entregou o cargo nesta quinta-feira (18) após as denúncias de que o presidente Michel Temer deu aval para comprar o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A informação é do líder do PPS na Câmara, deputado Arnaldo Jordy (PA)... Pela manhã, o jornal já havia adiantado que os ministros do PPS deveriam entregar os cargos. A avaliação no partido é de que a situação do governo Temer é insustentável. A bancada do partido na Câmara, composta por nove deputados, defende a renúncia do presidente da República".

O site do Estadão cometeu uma gafe na nota. Afirmou que o outro ministro da sigla, Raul Jungmann, da Defesa, também havia abandonado o covil golpista. A informação não confere. Na prática, o PPS está dividido. A sigla de aluguel - que reúne vários oportunistas - não se entende. A bancada federal, temendo o desgaste dos seus deputados nas próximas eleições, prega a saída imediata e até aprovou a proposta da convocação de eleições diretas para a Presidência da República. Já outro setor avalia que a saída do governo poderá ser mortal para o partido e pretende seguir nos vários cargos leiloados por Michel Temer. Com a decisão de Roberto Freire, o pulha oportunista, o estrago já está feito. A tendência é da debandada no partido, que pode até ser extinto em breve.

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Posted: 18 May 2017 06:31 PM PDT
Av. Paulista/São Paulo, 18/5/17
Foto: Eduardo Figueiredo/Mídia Ninja
Por Altamiro Borges

Em pronunciamento no final da tarde desta quinta-feira (18), o usurpador Michel Temer garantiu que não vai renunciar. O falsário jurou que é inocente e exigiu "investigações rápidas" sobre as delações "clandestinas" do executivo da JBS - que comprovam suas relações carnais com o presidiário Eduardo Cunha. A aparente valentia do Judas, porém, indica que o seu fim está próximo. O golpista não tem mais nenhuma condição de seguir no posto tomado de assalto por um golpe dos corruptos. Os ratos, inclusive, já começam a abandonar o barco à deriva. O sinistro da Cultura, Roberto Freire - o pulha oportunista do PPS - confirmou a sua saída do covil golpista. No Congresso Nacional, vários partidos da base aliada sinalizam que vão tentar salvar sua pele.

A grave crise institucional, que tende a se prolongar com a decisão de Michel Temer de não deixar o cargo usurpado, pode ter duas saídas. As forças que orquestraram o impeachment criminoso e ilegal de Dilma Rousseff, tendo a frente a golpista Rede Globo, já preparam uma saída por cima - um golpe dentro do golpe. Merval Pereira, Ricardo Noblat e outros mercenários globais afirmam que a única forma de superar a crise é a eleição indireta, pelo Congresso Nacional, de um presidente-tampão. Vários nomes já circulam na praça. A inexpressiva Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), é uma das mais citadas. Os abutres financeiros insistem no nome do rentista Henrique Meirelles - que, vale lembrar, foi executivo da corrupta JBS. A ideia é rifar o moribundo Michel Temer e limpar o terreno para seguir aplicando as políticas ultraliberais dos golpistas.

Diante deste risco, a única saída que ajudaria o Brasil a enfrentar a grave crise institucional - que terá reflexos no maior agravamento da crise econômica - é a convocação imediata de eleições diretas. Se depender da elite - ou melhor, cloaca - burguesa, orientada pelo partido da Rede Globo, este caminho mais democrático será abortado. A única forma de viabilizar esta saída é a forte e ousada mobilização da sociedade, que deve tomar as ruas e praças de todo o país. As centrais sindicais, em nota conjunta, as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo e outros movimentos sociais e organizações da sociedade civil já estão agendando inúmeros protestos para os próximos dias. Somente as ruas podem impor a queda do Judas Michel Temer, a prisão dos falsos moralistas - como Aécio Neves - e a convocação das eleições diretas. Do contrário, o Brasil vai afundar de vez no caos!

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Posted: 18 May 2017 06:26 PM PDT
Foto: Nunah Alle/Mídia NINJA
Por Saul Leblon, no site Carta Maior:

O Brasil adormeceu nesta quarta-feira, 17 de maio de 2017, sem saber as respostas para muitas das perguntas essenciais cobradas pelo passo seguinte de sua história.

Mas a principal delas para ir direto ao ponto - dispensando-se o retrospecto da implosão da frente golpista, com as gravações de pedidos de propinas feitas aos donos do JBS por Aécio Neves e Michel Temer - é saber se a mobilização popular será capaz de preencher o vazio vertiginoso que se abriu agora não apenas na cúpula política, mas na estrutura do poder na sociedade.

As instituições que dão coesão a uma sociedade fundada em conflitos de interesses agudos, como é o caso da brasileira, cujos abismos de desigualdade são sabidos, estão no chão.

Não há legitimidade no parlamento.

O judiciário tornou-se a armadura desfrutável do assalto das elites contra as urnas, na farsa de um impeachment – confirma-se agora-- arquitetado com uma escória a soldo.

A mídia foi a voz da exortação e da institucionalização desse esbulho.

Como será o amanhã de uma nação na qual o amálgama político foi destruído em nome do combate à corrupção. E sob esse biombo faiscante operou-se a virulenta destituição de direitos arduamente conquistados em um século de lutas democráticas?

O conservadorismo está na defensiva.

A plutocracia perdeu seu manto moral.

Desnudou-se como uma reles devoradora de libras de carne humana barata.

Moro e seus promotores terão que se explicar: por que nunca –nunca- abriram o foco para a tempestade que ora desabou, sobre as suas cabeças inclusive?

O contato mais próximo do califado de Curitiba com o assunto ‘Aécio Neves’ está documentado na série de fotogramas de sorridente cumplicidade entre o presidente nacional do PSDB e o juiz Sergio Moro.

Da mídia é suficiente dizer que sem ela o golpe teria sido impossível, assim como inviável a preservação da capatazia que ora sucumbe às gravações.

Reordenar a sociedade a partir de agora, portanto, é uma tarefa que só a rua poderá exercer integralmente, devolvendo-lhe a prerrogativa das urnas.

As sirenes da história anunciam confrontos intensos no front.

Não existe uma fórmula macroeconômica autossuficiente - seja a do golpismo, ou uma de ‘esquerda’ - para tirar o Brasil do plano inclinado em que se encontra.

O que existe é uma derrocada vergonhosa do conservadorismo que amplia o espaço para o debate das reformas verdadeiramente indispensáveis à destinação social do desenvolvimento. A saber:

- uma reforma política para capacitar a democracia a se impor ao mercado;

- uma reforma tributária para buscar a fatia da riqueza sonegada à expansão da infraestrutura e dos serviços;

- uma reforma do sistema de comunicação para permitir o debate plural dos desafios brasileiros –que, insista-se não se resolvem sem ampla e permanente renegociação.

O Brasil será aquilo que a rua conseguir que ele seja. E o momento nunca foi tão propício para escrever isso no asfalto e nas praças de todo o país.

A legitimidade das ruas precisa ser exercida.

Urgentemente.

Só as lideranças populares tem condições hoje de falar à população em um palanque.

O conservadorismo usará o palanque privado da Globo para barrar o escrutínio da sua crise nas urnas.

A ocupação das ruas definirá quem é a liderança popular hoje no Brasil capaz de devolver credibilidade à política e seriedade à repactuação do desenvolvimento, arrebatando assim o apoio indispensável de setores da classe média democrática para levar a nação às urnas e retomar o fio de uma construção interrompida --mais uma vez-- pela violência política conservadora.

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