terça-feira, 23 de maio de 2017

23/5 - Altamiro Borges DE HOJE

Altamiro Borges


Posted: 23 May 2017 11:41 AM PDT
Por Altamiro Borges

A vida é cruel e irônica. Na cavalgada golpista pelo impeachment de Dilma Rousseff, parlamentares mais sujos do que pau de galinheiro fizeram discursos hipócritas em defesa da ética, da moral e dos bons costumes. Na sequência, vários deles caíram em desgraça e foram desmoralizados. Eduardo Cunha, o chefe da "a assembleia de bandidos" que deflagrou o processo na Câmara Federal em abril do ano passado, agora está preso. O cambaleante Aécio Neves, o tucano mimado que não aceitou a derrota nas urnas e jogou o país no desfiladeiro, também está prestes a ir para a cadeia. Já nesta terça-feira (23), outro falso moralista, o deputado Rogério Rosso, que presidiu a comissão do impeachment de Dilma e sempre posou de paladino da ética, também foi pego com a boca na botija. Ele é acusado de receber dinheiro desviado das obras do estádio Mané Garrincha, em Brasília.

Segundo relato do portal G1, "as investigações da Polícia Federal na Operação Panatenaico – que prendeu na manha desta terça-feira os ex-governadores José Roberto Arruda (PR) e Agnelo Queiroz (PT) - apontam que o deputado federal Rogério Rosso (PSD-DF) também recebeu dinheiro desviado das obras da reconstrução do estádio Mané Garrincha. Em 2010, o parlamentar do PSD comandou o governo do Distrito Federal por oito meses em um mandato tampão após a renúncia de Arruda por conta dos desdobramentos da Operação Caixa de Pandora". De acordo com os delatores da empresa Andrade Gutierrez, Rogério Rosso teria participado do esquema criminoso de corrupção para desviar recursos das obras do Mané Garrincha, que foi uma das sedes da Copa do Mundo de 2014.

A Polícia Federal avalia que a reforma do estádio foi superfaturada em cerca de R$ 900 milhões. A obra, que estava orçada inicialmente em R$ 600 milhões, acabou custando cerca de R$ 1,575 bilhão. Ao contrário das outras arenas da Copa – que foram financiadas com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) – o estádio Mané Garrincha foi reerguido com dinheiro da Terracap, a empresa pública responsável pela gestão do patrimônio imobiliário do Distrito Federal. Diante da grave denúncia, Rogério Rosso reagiu. "Não tenho nenhuma informação sobre isso. Minha vida pública é muito correta e sempre muito diligente em relação à legislação e à conduta ética. Deve ser algum equívoco". Haja cinismo! E muitos "midiotas" acreditaram neste gente.

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Posted: 23 May 2017 07:54 AM PDT
Por Altamiro Borges

O "prefake" João Doria, que adora chamar os grevistas de "vagabundos" e os adversários políticos de "bandidos", pode ser mais uma vítima das bombásticas delações dos chefões da JBS. Ele até tentou ficar distante do explosivo assunto. Disse apenas que estava decepcionado com as palavras de "baixo calão" do seu amigo Aécio Neves e tentou esconder as suas relações carnais do Joesley Batista. Para despistar, ele também se travestiu de capanga e esbanjou truculência na Cracolândia, no centro de São Paulo. Todas estas manobras diversionistas, porém, talvez não sejam suficientes para salvar a sua imagem - tão trabalhada pelos marqueteiros e pela mídia chapa-branca. Nesta segunda-feira (22), o site da insuspeita revista Veja postou uma notinha que mostra as estranhas ligações de João Doria com o deputado Rodrigo Rocha Loures, o homem da mala do Judas Michel Temer.

A matéria, assinada pelo repórter João Pedroso Campos, estampa uma foto bem risonha do "prefake" com o parlamentar corrupto e comenta em tom de ironia: "O prefeito de São Paulo, João Doria Jr. (PSDB), e o deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) mantinham uma relação que ia além da foto acima, em que os dois aparecem abraçados fraternalmente em um evento do Lide, clube de empresários fundado por Doria, e da viagem de Rocha Loures a Nova York na semana passada, onde participou de seminários com o prefeito paulistano. Antes de entrar na vida política, João Doria se importava com o sucesso eleitoral do parlamentar". Os detalhes desta relação são sinistros:

"Prova da deferência do hoje tucano ao peemedebista é a doação de 50.000 reais feita por Doria à campanha de deputado federal de Rodrigo Rocha Loures em 2014. Declarada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a doação foi feita via transferência eletrônica no dia 29 de agosto de 2014... Encarregado pelo presidente Michel Temer de tratar dos interesses da JBS no governo e flagrado pela Polícia Federal carregando uma mala com 500.000 reais entregue por um executivo da empresa, Rocha Loures foi eleito naquele ano suplente de deputado federal. O titular da cadeira na Câmara é o ministro da Justiça, Osmar Serraglio (PMDB-PR)".

A "Veja" até ouviu o outro lado - o que não é do seu costume quando se trata de inimigos políticos da famiglia Civita. "A assessoria de imprensa do prefeito João Doria afirma que 'não há deferência nenhuma. O candidato estava em campanha e o prefeito fez uma doação legal, do seu próprio bolso. Naquele momento, o deputado Rocha Loures era um deputado, inclusive, com relações no meio empresarial. Ele não fazia parte da comitiva do prefeito que viajou a Nova York, até porque o prefeito não viaja em comitiva. O prefeito foi convidado a alguns eventos aos quais Rocha Loures também foi. João Doria doou 50.000 reais a um candidato de suas relações e sobre o qual, naquele momento, nada pesava". Será que os paulistanos vão acreditar também nesta conversa mole!

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Posted: 23 May 2017 07:10 AM PDT
Por Joaquim de Carvalho, no blog Diário do Centro do Mundo:

O escândalo que fez de Michel Temer e de Aécio Neves mortos vivos da política brasileira não teria a mesma repercussão se a Rede Globo não estivesse com seus canhões mirados nos dois.

Mas é preciso separar o joio do trigo – no caso, um tipo de trigo é o trabalho dos procuradores da República e dos policiais federais em Brasília que, ao contrário de seus colegas no Paraná, trabalharam e trabalham em silêncio.

Eles apuram fatos, reúnem provas e estas falam por si.

Já a Globo, como fez no Fantástico deste domingo, começa a fazer uma campanha pela moralidade pública.

Nada contra.

Mas a Globo, liderando uma campanha desse tipo, é como ver a raposa tomando conta do galinheiro.

Cinco motivos para não confiar na emissora da família Marinho - dos mais recentes aos mais antigos:

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- Paula Marinho, neta de Roberto Marinho, filha de João Roberto, um dos três proprietários da Rede Globo, era uma das clientes do escritório da Mossak Fonseca no Brasil. Segundo papelada apreendida pela Polícia Federal – e até agora não investigada –, ela pagava pela manutenção de uma offshore incluída no escândalo internacional de lavagem de dinheiro conhecido como Panamá Papers. A offshore, Vaincre, é a real proprietária da Paraty House.
- Eu estive nas Ilhas Virgens Britânicas e mostrei que a emissora abriu uma empresa de fachada, que, segundo a Receita Federal, serviu de veículo para sonegar impostos no Brasil devidos pela compra dos direitos de transmissão da Copa do Mundo em 2002. A fraude foi comprovada, mas o processo que incrimina os donos da Globo foram furtados do escritório da Receita no Rio de Janeiro na véspera de ser encaminhado para o Ministério Público Federal.
- A Globo manteve na Europa a jornalista Miriam Dutra, que dizia ter um filho com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Miriam recebeu salário durante muito tempo sem trabalhar e, segundo ela, a Globo foi beneficiada por mantê-la numa espécie de exílio. Entre os favores, segundo ela, estavam financiamentos do BNDES.
- A Globo apoiou a eleição de Tancredo Neves pelo Colégio Eleitoral com a condição de nomear o então ministro das Comunicações, que, mais tarde, ajudou a sufocar o dono de uma empresa que a Globo acabou comprando a preço vil. O caso está bem descrito no livro A História Secreta da Rede Globo, de Daniel Herz, e também no documentário Muito Além do Cidadão Kane.
- A Globo foi criada na década de 60 com dinheiro do grupo Time Life, americano, no auge da guerra fria. Essa injeção de dinheiro estrangeiro era proibida na época, e uma CPI no Congresso Nacional concluiu que a Globo não poderia ser concessionária de radiodifusão, em razão de fraudes – o dinheiro do grupo estrangeiro seguiu caminho subterrâneo, para disfarçar a sociedade com Roberto Marinho. Na época, desapareceu de um cartório no Rio de Janeiro a página do livro que descrevia um arrendamento de fachada. Na véspera do AI 5, a Globo ganhou a concessão em caráter definitivo.

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Poderia citar muito mais aqui, como o empréstimo a juro subsidiado no governo Collor para construir o Projac, o lobby da Globo que transformou o horário eleitoral gratuito em crédito tributário ou a pressão sobre o governo estadual do Rio de Janeiro para alterar legislação de proteção ambiental e permitir a construção de edifícios no Jardim Botânico – especificamente o Parque Lage.

Por causa disso, o ex-governador Carlos Lacerda, que denunciou a pressão da Globo, chamou Roberto Marinho de Al Capone brasileiro.

A história dirá o que a Globo ganha com a queda de Michel Temer – de graça, pelo histórico da emissora, não é. Mas, neste tempo, sem os canhões dela, Michel se fortalece.

A Globo ergueu seu império graças aos “favores especiais” que prestou aos governos.

O livro Dossiê Geisel, baseado em documentos do general Ernesto Geisel em seus dias na presidência, cita essa expressão, como tendo sido criada por Roberto Marinho

O fundador da Globo a usou para cobrar novas concessões de rádio e TV, como retribuição pelo que fazia em defesa da ditadura. Uma troca de favores especiais.

O ministro das Comunicações, Quandt de Oliveira, era contra, porque via nas novas concessões o risco da família Marinho atingir o monopólio do setor.

Como se vê hoje, Quandt perdeu na disputa.

E a Globo, na troca de favores com os militares, alcançou índices de audiência só comparáveis a estatais de TV em governos autoritários, como a Coreia do Norte, onde não existe concorrência.

O ex-governador Leonel Brizola, o único do primeiro escalão da política brasileira que não teve medo de enfrentar a família Marinho, dizia que é fácil saber o que é melhor para o Brasil.

Basta ir na direção contrária ao que defende a Globo.

A situação no País hoje é mais complexa e seguir na direção contrária à da Rede Globo significa, neste momento, apoiar Michel Temer.

Simplesmente, não dá.

A história do joio e do trigo é uma metáfora cristã, que diz que é preciso esperar que o joio e o trigo cresçam para que se identifique o que é joio e o que é trigo. E aí, sim, arrancar o que não presta, sem o risco de, ao retirar o joio, acabar também com a plantação de trigo.

A Globo é joio e cabe atenção para que, com a queda dos seus antigos aliados golpistas, ela não apresente a fatura.

Pode não parecer, mas é a Globo que é uma concessão do Brasil. E não o contrário.
Posted: 23 May 2017 06:56 AM PDT
Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:

Aécio Neves não é - com toda certeza - o primeiro homem público brasileiro a trocar os princípios democráticos pelas conveniências políticas e projetos pessoais.

Mas poucos agiram como ele. Após a derrota na eleição presidenciais de 2014, Aécio tornou-se o primeiro líder de uma conspiração para sabotar a vontade das urnas, que culminou na deposição de Dilma Rousseff em maio-agosto de 2016. Apanhado na rede das delações de Joesley Batista, dois anos e cinco meses depois, este comportamento dificulta seus esforços para convencer a Justiça e os brasileiros - de que é inocente até que se prove o contrário.

Sem entrar no mérito das acusações, quero deixar claro que discordo do "afastamento" do mandato de Aécio Neves por uma decisão liminar de Edson Fachin, ministro do STF. Não vejo discussão real a este respeito. O "afastamento" me parece um eufemismo político - sem amparo na Constituição - para suspender os direitos políticos de um senador eleito em 2010 com 7,5 milhões de votos. Conforme o artigo 55 da carta de 1988, deputados e senadores só podem ser cassados pelas suas próprias casas, "por maioria absoluta, mediante provocação da respectiva Mesa ou de partido político representado no Congresso Nacional, assegurada ampla defesa."

Também não vejo uma justificativa plausível para a prisão preventiva da irmã Andrea Neves. A exibição da imagem de Andrea na prisão, com jaleco laranja de presidiária, é um espetáculo desnecessário e degradante, incompatível com garantias individuais que asseguram a toda pessoa - mesmo acusada da maior barbaridade do Código Penal - o direito a um julgamento justo, com a presunção da inocência até que se prove o contrário. Desde 1984 nossa legislação protege toda pessoa presa contra "qualquer forma de sensacionalismo."

Não é fácil, contudo, defender os direitos e garantias individuais de Aécio. Em sua atuação política recente, ele construiu uma personalidade política que nada tem a ver com o avô Tancredo Neves, respeitável liderança das lutas democráticas do país. A referência é Carlos Lacerda, adversário de Tancredo em 1954 e 1964, principal arquiteto civil do golpe que derrubou Goulart. Como Lacerda, Aécio negou para os outros, aqueles direitos - universais - que mais tarde iria defender para si.

Depois de empregar suas antigas ligações nos quartéis e a máquina do governo da então Guanabara para sustentar o golpe militar contra o governo constitucional de João Goulart, Lacerda acabou cassado por dez anos. Numa tentativa de resistência, tentou reunir adversários que havia combatido de modo feroz e injusto, como Jango e Juscelino, através de um projeto de vida curta chamado de Frente Ampla. A denúncia contra a ditadura podia ser - e era - correta. Mas a incoerência antidemocrática de Lacerda, o caráter tardio e obviamente personalíssimo de sua reação, lhe tiravam credibilidade.

Estava identificado demais com a ditadura para ser levado a sério. Deixou de agradar os generais, que passaram a temer sua liderança civil num regime que se consolidava como regime de exceção e não queria lideres sem farda. Já não tinha forças para mobilizar o eleitorado original, em nome de uma democracia que havia abandonado. Mesmo JK, que apoiou o golpe militar em sua fase inicial, não era parte da conspiração. Sofreu o golpe e adaptou-se a ele.

Em dezembro de 2015, ocorreu um episódio exemplar do comportamento de Aécio. Foi quando a Segunda Turma do STF atendeu a um pedido de Rodrigo Janot que, sem demonstrar muita convicção, solicitava a prisão preventiva de seu colega Delcídio do Amaral. Os indícios reunidos contra Delcídio, até ali, eram muito menos graves do que o pedido de 2 milhões de reais de Aécio para Joesley Batista - que incluíram a logística para a entrega do dinheiro - e maquinações milionárias em torno da presidência da Vale. O fato é que a postura de Aécio em relação ao colega, titular do mesmo mandato seletivo, deixou a desejar. Mesmo dizendo lamentar a prisão, no plano "pessoal", justificou a medida - porta de entrada para uma delação premiada contra Lula e o PT - como "necessária," no plano "institucional."

Em busca da opção mais conveniente para prejudicar seus adversários, Aécio ainda partiu para cima de Dilma, estranhando que não fosse chamada a explicar-se. "É incrível que a presidente da República não se manifeste, como se não tivesse absolutamente nada ver com isso, como se os delatores presos, réus confessos e já condenados, não tivessem sido indicados pelo seu governo”, disse.

Em abril de 2016, quando Sérgio Moro divulgou uma conversa telefônica entre Dilma e Lula, Aécio fulminou a presidente e o candidato a ministro da Casa Civil. Referindo-se a um diálogo que não poderia ter sido gravado e muito menos divulgado, disse que a conversa dos dois representava a "falência definitiva de um governo que ultrapassou todos os limites éticos e morais para defender os aliados."

Integrantes do núcleo de Aécio no PSDB já agiam no mesmo tom nas primeiras semanas depois da derrota de 2014. O voto de Gilmar Mendes no TSE, aprovando as contas da campanha de Dilma "com ressalvas", que abriram uma janela para investigações sem fim, é incompreensível sem um ambiente de hostilidade que vinha da campanha tucana. Em abril de 2015, integrantes da bancada que, sob a liderança de Eduardo Cunha, emparedava a presidente Dilma Rousseff na Câmara de Deputados, soltaram ratos no plenário de uma CPI do Congresso, num esforço para tumultuar o depoimento do tesoureiro João Vaccari. Na mesma sessão, após muitas proclamações e gestos teatrais, o deputado Carlos Sampaio, um dos responsáveis pela área jurídica da campanha de Aécio, dirigiu-se a Vaccari em tom de ameaça: "O senhor tem tudo para ser preso e o PT para ser extinto." (Na semana seguinte ao depoimento, Vaccari seria conduzido a Curitiba, onde se encontra preso até hoje).

Ninguém deve ter direitos sonegados em função dos erros que comete. Se fosse assim, a Justiça não precisaria ser aplicada a delinquentes nem a criminosos - apenas a anjos. Trata-se, aqui, de uma tragédia política.

Ao recusar as regras de um jogo que terminou num resultado desfavorável nas urnas, Aécio foi um dos principais responsáveis pela criação do atual ambiente de intolerância política, cuja origem foi considerar uma derrota eleitoral - contingencia de toda disputa democrática - como um evento inaceitável. Ajudou a criar um vale tudo que dispensa regras e acordos que devem valer para todos, a começar pela noção que fundamenta toda democracia - a compreensão necessária de que a soberania popular, expressa pela vontade das urnas, é o fundamento da vida em sociedade. Aécio reintroduziu no país a noção perniciosa da democracia de conveniência, aquela que só interessa quando permite a vitória dos amigos e aliados.
Posted: 23 May 2017 06:34 AM PDT
Por Laryssa Sampaio, no site do Mídia Ninja:

Não bastassem o apoio ao golpe militar de 1964 e ao golpe político de 2016, a Rede Globo, em aliança com setores do judiciário e da burguesia, se lança novamente como suporte de um golpe, agora o `golpe dentro do golpe`. Como quem joga um jogo de tabuleiro, manipula fatos, criando e “descriando” presidentes de acordo com os interesses seus e da classe que representa.

A maior representação do monopólio das comunicações do nosso país, quiça do mundo, aproveita-se de todo esse poder para entrar em nossas casas, sem pedir licença, e dizer o que é falso e verdadeiro, o que é certo e errado, legítimo e ilegítimo. Isso não acontece só hoje. Como de praxe, a Globo no período da ditadura militar, momento em que mais construiu e fortaleceu seu império ($$$$), escondeu as lutas pela redemocratização, negando o direito a informação e mostrando que seu compromisso não é com seus telespectadores, mas sim com a classe dominante e com o sistema político em curso.

Em 1984, escondeu do povo brasileiro o histórico comício, em São Paulo, pelas Diretas Já.

As mobilizações populares vem ganhando força. Desde o carnaval o povo está mais presente nas ruas. No dia 28 de abril fizemos uma greve geral histórica. O governo Temer a cada dia perde mais a legitimidade para aprovar no Congresso as reformas que atendem aos interesses da classe dominante.
Nova fase do jogo golpista

Vendo este cenário, os setores que apoiam a Lava Jato traçaram uma nova investida: a delação do empresário da JBS, Joesley Batista, começam uma nova fase do jogo e envolve diretamente o presidente golpista.

A Rede Globo não poderia ficar de fora e iniciou novamente sua ofensiva para mudar os rumos políticos do Brasil oferecendo ao povo – oferece é um jeito carinhoso de dizer: empurra goela abaixo – em todos os seus veículos de comunicação a saída mágica para esse aprofundamento da crise política: eleições indiretas.

Sua programação de tevê, parafraseando o Lula em seu depoimento ao Moro, poderia mudar de nome para Bom Dia Indiretas, Boa tarde Indiretas, Boa noite Indiretas, Fantástico com Indiretas, Jornal das Indiretas e assim sucessivamente.

No dia 19 de abril o jornal O Globo deu o ultimato: lançou um editorial defendendo a renuncia do Temer e eleições indiretas. Assim como fez com Dilma e na época da ditadura, assume agora publicamente sua posição política e tira a falsa máscara de imparcialidade.

A Rede Globo e setores do judiciário e da burguesia precisam de alguém que consiga dar curso as reformas e para isso necessitam de uma alternativa que exclua a participação popular.

Quem seria? Rodrigo Maia? Meireles ou Gilmar Mendes, Nelson Jobim ou Carmem Lucia, Ayres Britto? Você confia neles?! Eu não!

Negando o direito à informação, a Globo, mais uma vez, ocultou de sua programação (assim como negou até o último momento a greve do dia 28 de abril) os atos que ocorreram no dia 21 de maio, em 19 estados do país, pedindo o Fora Temer e Diretas já.

Mais uma vez ela mascara que há possibilidade do povo tomar em suas mãos as rédeas da política brasileira. Mais uma vez ela utiliza da sua máquina para impor sua agenda e ser um dos principais empecilhos para a retomada da democracia.
A resposta das ruas

Apesar de todo esse poder, a família Marinho – que soma uma patrimônio de mais de R$ 51 bilhões – não conseguirá de forma tranquila travar mais um golpe na história brasileira. A luta popular só aumenta e vamos iniciar um momento de ofensiva, nas ruas e nas redes, que acumulará para retomada da democracia.

No campo institucional, em paralelo à mobilização popular, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, CCJ, realizará amanhã, 23, a votação da admissibilidade da PEC (Proposta de Emenda à Constituição), 227/2016, do deputado Miro Teixeira (REDE – RJ) que prevê eleições diretas em caso de vacância do cargo de presidente em até 6 meses do fim do mandato.

Não iremos nos silenciar diante de mais uma agenda do golpe. Daremos continuidade a Jornada de Lutas por Diretas Já, iniciada no dia 17 de maio.

Iremos todas e todos, no dia 24 de maio, à Brasília e às capitais onde tiver atos, para defender a democracia, nossos direitos e as Diretas Já. Além disso, vamos propor também uma alternativa à crise econômica e política. No dia 29 de maio, em São Paulo, será lançado o Plano Popular de Emergência puxado pela Frente Brasil Popular. Só unindo às lutas pela reivindicação por Diretas, esse Plano, é que conseguiremos vencer a batalha contra o golpe.
#DiretasJá! #ForaGlobo #ForaTemer
Posted: 23 May 2017 06:09 AM PDT
Por Jeferson Miola

O único poder que Michel Temer ainda possui é o poder de não renunciar. Ele não consegue quórum nem em jantares no Palácio; está esvaziado e acuado, sem credibilidade e legitimidade. Temer, enfim, desmanchou; foi engolido pelas acusações graves e indesmentíveis de crimes.

Ele só não renuncia porque é mantido pelo PSDB. Quando os tucanos debandarem – e esta é uma hipótese que poderá se materializar em breve – Temer chega ao fim.

Com a não-renúncia, Temer no máximo consegue adiar a solução final, porém fica isolado, sem poder de mando administrativo e capacidade política.

Enquanto isso, com a irresponsável teimosia dele e dos seus generais Padilha e Moreira Franco, que desesperadamente se agarram ao foro privilegiado, o Brasil toma o rumo da depressão.

Temer só não recebeu o veredicto final porque as frações do bloco golpista ainda não conseguiram consenso sobre o caminho a seguir para a continuidade do golpe.

Para eles, Temer é descartável. Não é o governo Temer que está em jogo, mas sim o futuro do golpe e a continuidade da agenda antipopular e antinacional que propicia a recomposição da taxas de rentabilidade do capital em padrões predadores.

Uma vez superado o desalinhamento tático e momentâneo entre a Globo e a fração paulista – PSDB, Fiesp, Estadão e FSP –, o destino do Temer estará selado.

São três as alternativas para afastá-lo, caso teime em não renunciar: [1] o julgamento por crimes comuns no STF, que deve ser autorizado por 2/3 dos deputados e cujo prazo para julgamento poderá ser superior a seis meses; [2] o processo de impeachment no Congresso, que poderá terminar em 2018; e [3] a cassação no TSE, que pode ser mais rápida que as duas opções anteriores.

O que unifica o bloco golpista para suceder Temer não é uma saída democrática, mas a escolha indireta do sucessor pelo Congresso ilegítimo, corrupto e comprado pela JBS, Odebrecht, bancos, empreiteiras e grande capital.

O golpe não foi perpetrado para devolver o governo ao campo progressista na primeira eleição que ocorrer; foi concebido para durar pelo menos pelos próximos 10/20 anos.

A revelação dos escândalos não estava no cronograma; foi um acidente de percurso que precipitou a crise de legitimidade do regime.

O fim do governo Temer, do ponto de vista dos trabalhadores, pode significar a abreviatura do golpe com a interrupção da agenda antipopular e antinacional das reformas que tramitam no Congresso.

A convocação de eleições gerais antecipadas para o Congresso e para a Presidência é a única saída democrática capaz de estabilizar o país. Somente com o voto popular o próximo presidente terá a legitimidade necessária para iniciar a agenda de reconstrução econômica e social do país e de restauração democrática.

A classe dominante diverge pontualmente sobre o que fazer com Temer, mas tem unidade estratégica inabalável em torno da continuidade do golpe, e por isso combate a tese das eleições diretas.

A democracia não faz parte do vocabulário da oligarquia. É essencial ampliar, por disso, a unidade entre os setores democráticos da sociedade brasileira e intensificar, aprofundar e radicalizar, nas ruas, a luta democrática e popular por diretas já e pelo fim do golpe.
Posted: 23 May 2017 05:59 AM PDT
Por André Barrocal, na revista CartaCapital:

Michel Temer foi muito pressionado a renunciar após a notícia de que teria endossado um cala-boca em Eduardo Cunha, mas garantiu: “Não renunciarei”. Sair do cargo por conta própria seria apressar o desfecho da crise. Retardar as coisas é o trunfo para negociar sua salvação futura com as forças políticas e econômicas que apoiaram o impeachment.

Com disposição para esticar a corda, o presidente chamou os chefes das Forças Armadas ao Palácio do Planalto nesta sexta-feira, 19. Parece preparar-se para enfrentar as ruas, de onde pode vir pressão por um imediato “Fora Temer”. Na véspera, houve protestos em várias capitais e um deles, no Rio, teve confrontos entre black blocs e policiais. No domingo 21, haverá mais manifestações.

A própria retórica presidencial e palaciana tornou-se algo belicosa. No pronunciamento do “Não renunciarei”, viu-se um Temer inusual, como um discurso duro, expressão guerreira. Seus assessores no Planalto têm dito a jornalistas que a ordem do presidente é ir para o “enfrentamento” e mostrar que o governo segue firme. Por quanto tempo seguirá firme?

As alternativas para tirar Temer contra a vontade dele levam tempo. O pedido de impeachment de Dilma Rousseff foi aceito em dezembro de 2015, e a petista só deixou o cargo em maio de 2016. A deposição final levaria mais três meses. Como Temer tem apoio parlamentar maior, e este ainda não evaporou, apesar de certas defecções nas últimas horas, talvez conseguisse arrastar o caso até mais.

A cassação da chapa Dilma-Temer pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem julgamento marcado para 6 de junho, mas não há garantia de que a sentença sairá nesse mesmo dia. O presidente acaba de nomear dois ministros para a Corte, Admar Gonzaga e Tarcisio Vieira, e a dupla tem o direito regimental de pedir vistas do processo, o que adiaria a decisão, sabe-se lá para quando.

E mesmo que o TSE condene a chapa, Temer poderá recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) e protelar um desfecho. Antes do impeachment, os advogados de Dilma diziam que iriam ao STF se perdessem no TSE, para questionar se um tribunal de sete pessoas teria legitimidade para anular o resultado de uma eleição de 100 milhões de votos.

Um dos ministros do STF comentou certa vez, de forma reservada, ter a impressão de que a maioria de seus colegas não endossaria uma cassação da chapa pelo TSE.

Sem uma solução rápida e com um Temer moribundo, o País tende a ver paralisia no Congresso e na economia. As impopulares reformas trabalhista e da Previdência, sonho do poder econômico que apoiou a queda de Dilma, por ora estão em banho-maria, já avisaram seus respectivos relatores, senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES) e deputado Arthur Maia (PPS-BA).

No “mercado”, reduto de fãs da agenda radical do governo, uma tradicional consultoria, a LCA, mandou a clientes na quinta-feira, 18, uma análise a prognosticar maus presságios para as reformas enquanto Temer ficar. “Podem ser retomadas mais adiante? É bastante incerto. Pode acontecer, mas somente após a saída de Temer, a depender de quando e como a sucessão transcorrer”, diz o texto.

A agonia com a paralisia do País foi expressa por um peso-pesado da economia, Walter Schalka, presidente da Suzano, em entrevista ao Estadão no mesmo dia. Para ele, renúncia, cassação no TSE e impeachment são as melhores saídas neste momento. “A quarta e pior alternativa é a permanência do Michel Temer sem legitimidade e credibilidade”, afirmou.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso seguiu a mesma toada no Facebook. “Se as alegações de defesa não forem convincentes, e não basta argumentar, são necessárias evidências, os implicados terão o dever moral de facilitar a solução, ainda que com gestos de renúncia. O País tem pressa. Não para salvar alguém ou estancar investigações.”

Se o País tem pressa, Temer não tem. Ao contrário. Quanto mais rápido deixar o cargo, mais perto estará de um acerto de contas na Justiça.

O presidente foi citado em duas delações da Odebrecht. Uma diz que em 2014 ele achacou 10 milhões de reais em grana suja em um jantar com Marcelo Odebrecht no Palácio do Jaburu, sua residência oficial desde 2011. Outra, que abençoou em 2010 em seu escritório político em São Paulo uma tramoia de 40 milhões de dólares a envolver fraude em um contrato da Petrobras.

Temer só não é investigado nesses episódios por serem fatos praticados antes de assumir a Presidência. Na visão da Procuradoria-Geral da República, a Constituição proíbe investigar o presidente por atos anteriores ao mandato, embora haja quem tenha interpretação distinta, a entender que a proibição seria para apenas para denunciar à Justiça, não para apurar. No dia em que deixar o poder, no entanto, estará desprotegido e poderá ser investigado.

O caso que agora deixa o peemedebista à beira da forca, a delação e as gravações da JBS, é diferente. Trata de atos presidenciais de Temer. Por essa razão, a Procuradoria pediu a abertura de um inquérito contra ele, e o juiz Edson Fachin, do Supremo, autorizou.

Quer dizer, Temer está enrolado até o pescoço. Se perder os poderes de presidente, estará mais fragilizado perante a Justiça. Para se salvar e negociar seu futuro, o presidente mostra os dentes (“Não renunciarei. Repito: não renunciarei”) ao mesmo tempo em que insinua merecer gratidão da turma do poder econômico que apoiou o impeachment. Uma insinuação em tom de chantagem.

"Os indicadores de queda da inflação, os números de retorno ao crescimento da economia e os dados de geração de empregos criaram esperança de dias melhores. O otimismo retornava e as reformas avançavam no Congresso”, disse Temer no pronunciamento da quinta-feira 18. "Ontem, contudo, a revelação de conversa gravada clandestinamente trouxe de volta o fantasma de crise política de proporção ainda não dimensionada. Portanto, todo um imenso esforço de retirar o País de sua maior recessão pode se tornar inútil."

O sutil argumento de Temer de que a saída de alguém do poder trará o caos econômico funcionou com o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) no fim de 2016, quando o Supremo primeiro assistiu ao senador ignorar uma liminar e continuar na Presidência do Senado e, depois, revogou a liminar, em flagrante contradição com o que tinha feito com Eduardo Cunha. Funcionará agora?
Posted: 23 May 2017 05:50 AM PDT
Por André de Oliveira, no site Sul-21:

Transcorrido menos de um ano do afastamento definitivo de Dilma Rousseff da presidência da República, o assunto brasileiro é novamente o impeachment ou renúncia de um presidente. Depois da conversa gravada pelo dono da JBS, Joesley Batista – em que ele fala com Michel Temer sobre planos para barrar a Operação Lava Jato – o assunto ganhou as tribunas do Congresso, as ruas e os telejornais. As únicas questões discutidas no Brasil passaram a ser: Temer vai renunciar? Quando vai renunciar? E, se renunciar, o que pode acontecer depois? O cenário é tão ou mais incerto do que o que precedeu o impeachment de Rousseff. 

O ex-governador do Rio Grande do Sul e ex-ministro da Educação, Tarso Genro (PT), conversou com o El País sobre o volátil cenário político brasileiro. Os destaques da conversa estão abaixo.

Temer disse que não vai renunciar. Um presidente na situação em que ele está é sustentável?

Não, mesmo porque a Globo, que foi o “partido político” que deu sustentação para o impeachment de Dilma Rousseff, acabou de publicar um editorial retirando seu apoio. Portanto, o apoio principal do Temer, que é o oligopólio da mídia, está se retirando. Com isso, ele perde mais da metade da base dele, que é uma base política que não tem sustentação ideológica ou programática. É aquele resíduo oportunista e fisiológico que sempre tem um papel de desempatar questões políticas que estão no Congresso. Por isso, acho que não se sustenta. Acredito que ele vai revisar sua posição e vai renunciar.

Em sua opinião, a base aliada abandona o Governo a partir de hoje, então?

Sim. Eu tenho convicção disso. Porque a manutenção do Temer no Governo tinha uma profunda vinculação com as reformas – principalmente a da Previdência e a Trabalhista – e já se viu no primeiro baque que grande parte da bancada começou a se retrair. Agora, aprová-las representaria um duplo sacrifício: a impopularidade de passar reformas antipopulares e o ônus de manter Temer com todo o cerco político e jurídico em que ele se encontra.

Você disse que Temer perdeu o apoio que tinha na mídia, o que mudou para que isso acontecesse?

A estabilidade do governo dele, e o apoio da mídia que ele tinha, estava vinculado a passagem e aprovação das reformas. Como elas estão bloqueadas pela crise, ele não serve mais. Há, em boa parte da sociedade brasileira, uma crítica muito forte ao apoio que Temer ganhava da mídia – a despeito de ter oito ministros investigados – e ao cerco ao qual o PT era submetido. Agora, como as delações da JBS saíram junto com as gravações, ou seja, combinadas com provas, a mídia caiu em uma armadilha em que é obrigada a tomar uma posição pública como se fosse um desague natural de posições anteriores. É uma espécie de mea-culpa­, já que as acusações contra Temer e PSDB são infinitamente mais sustentáveis do que as que pesam contra Lula, que vinha sendo o alvo do noticiário.

Por outro lado, há setores de esquerda que dizem que tudo o que está acontecendo é “espuma” para que o Moro condene Lula…

Isso não é verdade. Esse processo contra a corrupção tem texto e subtexto. O texto fundamental é que é uma reação do Estado e da sociedade brasileira contra a corrupção endêmica e histórica no Brasil, que vem desde as capitanias hereditárias. O subtexto é que há hoje uma instrumentalização política através da Lava Jato para fazer um cerco a esquerda, um cerco ao PT e ao Lula. Não à toa, a movimentação por dentro da Lava Jato demonstrou, inclusive, que foram bloqueadas informações que levariam ao Temer e ao Aécio [referindo-se ao fato que o juiz Sergio Moro indeferiu 21 perguntas feitas pela defesa de Eduardo Cunha a Temer]. Por isso, eu não acredito que as informações da JBS sejam uma conspiração com Curitiba para prender o Lula. Agora, o futuro de todo mundo que está envolvido nas investigações é indeterminado. Isso porque é um processo político sem um objetivo pré-definido e trabalhando simultaneamente com a legalidade e a exceção e, nesse roldão, pode ir muita gente justamente e injustamente.

Mas você acredita que a investigação judicial persegue uns e outros não?

Eu tenho mantido uma posição de análise em relação a essas questões. É impossível dizer o que é justo e o que é manipulação nessas investigações, na medida em que você tem processos que vem de exceção. Para ter uma análise fria e não partidarizada, é preciso olhar apenas do ponto de vista político. Assim sendo, eu acredito que há uma desestruturação da elite política tradicional e existe um processo de instrumentalização da Justiça para a luta política. Quem vai ser o vencedor? Não se sabe. Na Itália, foi o Berlusconi que manteve 12 anos dos governos mais corruptos da história do país. Agora, na sociedade brasileira, esse resultado ainda não está escrito porque as questões de fundo ainda não foram resolvidas.

PMDB, PSDB e PT sofrem abalos políticos diretos. Você citou o Silvio Berlusconi, acha que o caminho está aberto para aventureiros no Brasil?

Sim. Acredito que dentro desse processo de instrumentalização política da Justiça, a grande mídia transformou a disputa política em algo a ser demonizado. O interesse por trás disso é a promoção da tecnocracia, autoritarismo e, no seu limite, o fascismo. É isso que estamos vivendo no país. Esse processo ainda não foi interrompido, mas pode ser.

Se o Temer renunciar, o que acontece no dia depois do impeachment?

Não existe solução previsível. Quem diz o que é a Constituição é o Supremo. A Constituição é aquilo que o Supremo lê da Constituição. Eu chamo a atenção para o fato de que recentemente teve uma decisão sobre o governo do Amazonas e o governador foi deposto por compra de votos. E o que o Supremo determinou? Nova eleição e não eleição pela Assembleia. Então, pode ser que aconteça um processo interpretativo aí, né? A leitura normal da Constituição apontaria para a eleição pelo Congresso. Isso vai ser determinado pelo processo político e pela leitura que o Supremo vai fazer da norma constitucional.

E em sua opinião, o que seria capaz de dar um rumo de tranquilidade para o Brasil?

A grande saída é a eleição geral e direta para presidente e Congresso. É preciso ter um poder central revigorado e, seja quem for eleito, terá legitimidade para governar. O que eu tenho medo da eleição indireta pelo Congresso é uma solução “técnica”, que acha que vai conseguir governar tecnicamente, sem política ou políticos e, assim, o clima no Brasil se deterioraria mais ainda.

O diplomata Paulo Sérgio Pinheiro propõe na Folha de S. Paulo um entendimento acima de divergências políticas. Ainda há espaço para isso nesse momento?

Acho que sim. O próprio jogo político vai determinando os sujeitos que vão ser excluídos e os que vão sentar para negociar. O pior que pode acontecer nesse momento é o que os clássicos chamam de putrefação do Estado. Ou seja, que haja um embate de forças, as instituições deixem de funcionar e a dialética que passe a funcionar seja a de amigo e inimigo.

Mas não é isso mesmo que está acontecendo?

É um pouco, mas isso é superável. E não é necessário fazer concessão para ninguém. Os processos judiciais devem e podem continuar, mas é necessário coloca-los nos eixos, tirando os resíduos de exceção que eles têm. Assim, as pessoas precisam conversar até para uma emenda constitucional que vise alterar o calendário eleitoral. As soluções tem que ser dadas no plano político e jurídico e dentro da Constituição. Se não for por aí, nós vamos ter uma crise radical do Estado e da própria funcionalidade política do Estado que pode levar para qualquer lado, qualquer solução.

* Entrevista publicada originalmente no jornal espanhol El País.
Posted: 23 May 2017 05:38 AM PDT
Por Paulo Kliass, no site Carta Maior:

As forças políticas e os interesses econômicos que se articularam e conspiraram abertamente para o êxito do movimento que provocou o golpeachment estão em estado de alerta. Afinal, sonhavam com um futuro bem mais róseo e um pouco menos problemático do que a realidade que vivemos atualmente em nosso País.

As recomendações que sussurravam nos ouvidos dos liberais e dos conservadores ainda hesitantes em apoiar a solução ilegal e carente de base constitucional poderiam ser resumidas em um mantra sedutor: ‘Não se preocupe não. É fácil. Primeiro a gente tira a Dilma. Depois, tudo o mais se acerta”.

Na tentativa de conferir mais solidez e um pouco de aparência de seriedade ao movimento que jogou a institucionalidade democrática na lata do lixo, a agremiação partidária que deu a liga ao impedimento da presidenta eleita divulgou até um programa alternativo de governo. “Uma ponte para o futuro” converteu-se no documento para justificar as ações que visavam construir a manobra para que Temer se apoderasse do Palácio do Planalto.

O texto elaborado sob a responsabilidade do Presidente da Fundação Ulysses Guimarães, Wellington Moreira Franco, representa a antítese de tudo aquilo que havia sido discutido durante a campanha eleitoral de outubro de 2014. Em resumo, o material elenca um conjunto de proposições de redução de direitos sociais e de liberalização da economia que viabilizariam a entrada no paraíso. E o vice-presidente em exercício parece ter aprendido direitinho o seu dever de casa. Passou a implementar tudo como sugerido ali ao longo das 19 páginas. Desde a reorientação da política externa até a destruição da previdência social, passando pela reforma trabalhista e por concessão de maiores benesses para o capital privado.

Temer: um ano de desastre social e econômico
O problema é que passado mais de ano desde a usurpação do poder federal, a sociedade brasileira tem percebido que o mergulho na tragédia derivada da adoção do austericídio como programa básico de governo não proporcionou nenhuma melhoria. O futuro chegou e a ponte mais se parece com uma pinguela cujo eixo está voltado para o passado. A recessão econômica continuou firme e solta desde então, com as consequências trágicas das falências e do desemprego a níveis nunca antes atingidos.

Assim, concretizou-se a frustração de todos os que acreditavam na fábula da fadinha das expectativas. Com sua popularidade nos níveis mais rasos nas pesquisas de opinião, o governo começa a sentir também dificuldades em avançar a agenda do retrocesso no interior do Congresso Nacional. E assim tem início uma grande campanha de propaganda, operação articulada com os grandes meios de comunicação, para tentar reverter o quadro no sentimento da população. Isso vale tanto para vender a ideia de que o pior já passou ou de que o fundo do poço já foi atingido, quanto para responsabilizar os governos anteriores ao golpe por tal desastre.

A cada dia, a cada semana, os formadores de opinião vinculados ao financismo garimpam arduamente alguma notícia alvissareira para tentar comprovar que a bonança está logo ali na esquina. É claro que os novos ocupantes de cargos estratégicos na administração federal também oferecem sua generosa contribuição. Esse movimento ocorre de forma descarada na defesa da necessidade da reforma da previdência, com a manipulação de informações oficiais na justificativa do desmonte do Regime Geral da Previdência Social.

À espera do crescimento

Mas como os números que atestem o fim da recessão teimam em não comparecer, a última cartada foi a utilização de manobras estatísticas de baixo nível para obter alguma informação que corroborasse a versão da narrativa que o governo busca desesperadamente comprovar. E assim foi o que o IBGE mudou a metodologia na pesquisa de atividade do setor comércio e serviços para oferecer uma boia de salvação ao setor de comunicação do Planalto. Como esse indicador é usado na projeção do Banco Central para uma espécie de prévia do PIB, a intenção casuística é evidente. Mas o movimento foi amplamente denunciado e deve perder seu impacto como desejado no início.

O fato concreto é que a retomada de um ciclo de crescimento sustentado da economia depende basicamente de novos investimentos. E os grandes grupos empresariais não estão tomando decisões dessa natureza. A recessão está tão profunda que o nível de capacidade ociosa das empresas lhes permite assistir o quadro político e econômico sem precisar ampliar o parque produtivo. Por outro lado, a elevada rentabilidade proporcionada historicamente em nossas terras por retornos financeiros estratosféricos lhes assegura maiores ganhos operando nas finanças do que produzindo no setor real. Melhor aguardar do que se precipitar.

A manipulação fica evidente quando se verificam os resultados da pesquisa semanal realizada pelo Banco Central junto aos responsáveis pelas decisões do sistema financeiro - a Focus. Ali são levantadas as tais das “expectativas” do mercado. Trata-se de uma verdadeira lengalenga que ausculta apenas os integrantes do petit comité da nata do financismo. Operando na base do “de nós para nós mesmos”, a pesquisa pretende servir como bússola orientadora das ações da autoridade monetária. Um dos quesitos refere-se às perspectivas dos entrevistados quanto ao desempenho futuro da atividade econômica. Vejam abaixo a tendência de evolução das respostas a respeito do crescimento do PIB de 2017 segundo a data da pesquisa:

19/02/16 - 0,50%
18/03/16 - 0,44%
15/04/16 - 0,20%
24/06/16 - 1,00%
16/09/16 - 1,36%
09/12/16 - 0,70%
12/01/17 - 0,50%
12/05/17 - 0,50%

Desde o início do ano passado, o esmagamento midiático de Dilma e a campanha pró impeachment se combinavam com um quadro de desastre anunciado. Em abril, às vésperas da consumação do afastamento, o crescimento do PIB em 2017 não iria ser superior 0,2%. Com a chegada de Temer e a entrega do comando da economia nas mãos dos banqueiros Meirelles e Goldfajn, tudo mudou. Como que magicamente, os mesmos entrevistados pela pesquisa Focus mudaram de opinião e a economia passaria a bombar da noite para o dia. Em junho eles apostavam em um PIB crescendo a 1 % e em setembro chegaram a apostar em 1,36%. Porém, como não há mágica de desejo político que seja superior a qualquer base real da economia, os resultados da gestão Temer fizeram-nos cair na real. As projeções de crescimento em 2017 baixaram para 0,7% e agora estão em 0,5%. Ou seja, no mesmo patamar que apontavam lá atrás em fevereiro de 2016, ainda no início do segundo mandato de Dilma.

Investimentos em compasso de espera

Um personagem que talvez exemplifique bem o sentimento que acomete os principais tomadores de decisão do mundo do capital é Armínio Fraga. Esse banqueiro, que já teve passagem no governo federal à época de FHC, reflete de forma sincera e articulada essa aparente contradição. Afinal, por que a economia não deslancha se a grande maioria dos principais responsáveis por parcela importante de nosso PIB apoiou a deposição do governo eleito? Em entrevista concedida essa semana, ele reconhece que

"Depois de uma recessão profunda seria de se esperar uma recuperação mais forte, mas isso não acontece quando se tem tanta incerteza".

E como que a reconhecer sua própria culpa na aposta equivocada e precipitada, passa a culpar o fantasma da volta de Lula para justificar a incapacidade de Temer em cumprir sua falsa promessa:

“O problema é que o hoje está sendo influenciado por um amanhã nebuloso. Deveria estar havendo boa recuperação, com apoio da política monetária, que está dando sua contribuição. Mas dificilmente vai ser uma grande festa da recuperação, até as incertezas começarem a desaparecer de forma boa”.

(...)

“Esse Lula hoje está reagindo como uma fera acuada. E aí vem o medo de ele voltar.“

A partir desse depoimento pode-se compreender algumas das razões que atuam para desestimular a retomada dos investimentos. Para além da obsessão visceral de Meirelles em impedir qualquer tipo de protagonismo na iniciativa do setor público nessa direção, Fraga assume que as incertezas permanecem no ar. Ou seja, não bastava tirar Dilma para que a fadinha das expectativas lançasse os superpoderes com sua varinha mágica. Agora, o próximo passo deve ser impedir Lula de sair candidato.
Posted: 23 May 2017 05:27 AM PDT
Posted: 23 May 2017 05:23 AM PDT
Por Renato Rovai, em seu blog:

O prefeito de São Paulo, o tucano João Dória, que já apoiou entusiasticamente o senador Aécio Neves e que agora faz de conta que não o conhece, doou 50 mil reais para a campanha do deputado federal Rodrigo Rocha Loures na sua última eleição, em 2014.

Declarada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a doação foi feita via transferência eletrônica no dia 29 de agosto de 2014.



Como se sabe Rocha Loures não era apenas um intermediário de Temer para assuntos heterodoxos. o que ficou claro na conversa entre o presidente e o empresário Joesley Batista da JBS. Também foi o homem da mala de Temer, que, aliás, acaba de ser entregue nesta manhã pelo próprio deputado na sede da Polícia Federal em São Paulo.

Por coincidência, quando as denúncias contra Rocha Loures e Temer vieram à tona o deputado estava com João Doria num evento do Lide, em Nova Iorque, onde foi produzida a foto que ilustra esta nota.

Em 2014, além de ter doado os 50 mil reais a Rocha Loures, Doria também doou 200 mil reais ao então candidato do PMDB ao governo de São Paulo, Paulo Skaf, adversário do seu padrinho político, Geraldo Alckmin. Skaf também está envolvido em denúncias de doações irregulares.

Um amigo que conhece o submundo das campanhas eleitorais informa ao blogueiro que dinheiros de malas costumam ser regularizados no caixa 1, quando necessário, por doações de quem têm renda.

Essas pessoas recebem parte da mala e colocam na conta do amigo aquilo que ele precisa para quitar alguma conta específica e que só pode ser paga pelo caixa 1.

Evidente que o blogueiro não está dizendo que foi isso que ocorreu neste caso. Mas seria interessante que a PF e os promotores dessem uma olhada com mais rigor nas contas de gente como Rocha Loures, que agora foi pego com a mão na mala. Afinal, seus doadores não podem ser criminalizados, mas podem explicar muito de suas atividades.

E a despeito de qualquer outra suspeita, a pergunta que não quer calar é: por que Doria doou 50 mil reais a Rocha Loures? Qual o interesse que tinha com isso? Afinal, como se sabe, ele é um bom gestor. E não deve ficar jogando seu dinheiro fora por aí.
Posted: 23 May 2017 05:02 AM PDT
Por Altamiro Borges

Esta semana será infernal para o usurpador Michel Temer. Vários partidos da base governista reúnem suas bancadas e já ameaçam debandar do covil golpista. O PSB foi o primeiro a deixar o navio à deriva. Outros estão na fila, fazendo cálculos entre as benesses dos cargos e o inevitável desgaste eleitoral. Na quarta-feira (24), as centrais sindicais prometem “ocupar Brasília” para exigir a retirada das contrarreformas trabalhista e previdenciária e a convocação imediata das eleições diretas. Caravanas de todos os Estados já estão a caminho e há quem garanta que o protesto reunirá mais de 80 mil manifestantes e que será dos mais radicalizados e criativos. Há ainda os conchavos de bastidor, com forças golpistas que já decidiram descartar o Judas rapidamente para garantir o processo indireto de escolha do novo presidente e a continuidade das maldades ultraliberais.

Até a Folha tucana, que ainda insiste na manutenção de Michel Temer por prever que a sua queda inviabilizará as contrarreformas e abrirá espaço para as forças de esquerda, já dá sinais de que não confia muito na sua sobrevivência. Em editorial publicado nesta segunda-feira (22), intitulado “Por um fio”, o jornal da famiglia Frias indicou que também pode deixar o covil golpista. “Passado o impacto inicial – e arrasador – da delação da JBS, o presidente Michel Temer (PMDB) dedica-se a convencer uma audiência restrita de que tem condições de permanecer no cargo”. Mas, admite, “a sua tarefa [é] dificílima”, em especial para “evitar a debandada de sua coalizão parlamentar”. Apesar de ainda considerar as provas “inconclusivas”, a Folha reconhece que a coisa está feia:

“Sob o prisma político, as gravíssimas suspeitas levantadas contra Temer são plausíveis o bastante para comprometer a capacidade de governar – ainda que o inquérito em curso não revele de pronto novas complicações... Na arena parlamentar, Temer depende de manter uma coalizão que não apenas contenha investidas por seu impedimento, mas que respalde a agenda de estabilização econômica – esteio básico, talvez único, de sua gestão... A própria hipótese de que Temer venha a ser deposto basta para provocar a retração de consumidores e empresas. À Folha, o presidente descarta a renúncia: ‘Se quiserem, me derrubem’. Vislumbra-se, assim, um círculo vicioso em que fragilidades do mandatário, de sua base e da economia acentuam umas às outras. É ameaça que o governo, por um fio, terá de debelar em questão de dias”.

Diante deste cenário devastador, o Judas viverá momentos cruciais nesta semana. Como afirma um colunista do mesmo jornal, “as próximas 72 horas demonstrarão a real consistência da liga que ainda mantém de pé a cada vez mais cambaleante pinguela comandada por Michel Temer. Se até quarta o peemedebista não conseguir imprimir um mínimo de normalidade e controle sobre o Congresso, a vaca pode ir para o brejo. Temer não tem militância que o defenda e sua popularidade é similar à de corda em casa de enforcado. É o conjunto de deputados e senadores que liderou o impeachment de Dilma Rousseff que o sustenta no cargo... A oposição vinha conseguindo travar votações apesar de ter pouco mais de 100 dos 513 deputados. Revigorada pelo clima de ebulição política e reforçada pelas primeiras siglas que debandaram – PTN, PPS e PSB –, promete parar o Legislativo”.

A mídia chapa-branca que ainda aposta na sobrevida do golpista – o que não é o caso da poderosa Rede Globo, que já tirou o time e se apressa em emplacar um nome de sua confiança nas eleições indiretas para manter o mesmo receituário neoliberal – também não esconde o medo das mobilizações marcadas para quarta-feira. A “ocupação de Brasília” por milhares de manifestantes é vista como decisiva para definir os rumos políticos nos próximos dias. Para complicar ainda mais o calvário, os ministros do STF devem decidir nesta semana se acatam o pedido de abertura de inquérito contra o chefão da quadrilha que assaltou o poder. Em síntese, somando todas estas variáveis, é possível que Michel Temer seja defecado do Palácio do Planalto ainda nesta semana.

Em tempo: Vale conferir o calendário elaborado pela Folha sobre as pedras no caminho do usurpador nesta semana decisiva e mortal:

*****

Segunda-feira (22)

- Desembarque de aliados

Os partidos da base governista começam a discutir seu apoio a Temer. PSDB, DEM e PPS vão retomar discussões sobre a permanência na coalizão.

Terça-feira (23)

- Reforma trabalhista

O governo vai testar sua força para avançar sua agenda de reformas com a tentativa de votação da reforma trabalhista na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. O relator, Ricardo Ferraço (PSDB-ES), disse que suspenderia a discussão.

Terça e quarta-feira (23 e 24)

- Votações na Câmara

Temer medirá seu apoio na Câmara em votações de medidas provisórias e do projeto de convalidação de incentivos fiscais.

Impeachment da OAB

A Ordem dos Advogados do Brasil anunciou que deve protocolar na terça ou na quarta um pedido de impeachment de Temer por crime de responsabilidade. O presidente vai procurar outras entidades, como CNA, CNI e AMB, para tentar neutralizar essa ação.

Quarta-feira (24)

- Julgamento no STF

O plenário do Supremo Tribunal Federal vai decidir se atende ao pedido de Temer para suspender o inquérito aberto contra ele por corrupção passiva, obstrução de Justiça e organização criminosa.

Centrais sindicais

Sindicalistas convocaram uma marcha que pretende levar 80 mil pessoas a Brasília para protestar contra as reformas trabalhista e previdenciária, e contra o governo Temer.


*****

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Posted: 22 May 2017 05:16 PM PDT
Do site do Sinpro-MG:

A diretoria do Sinpro-Minas se reuniu no dia 20 de maio, em Belo Horizonte, para fazer uma avaliação sobre a crise política no Brasil e tomar decisões para que a classe trabalhadora tenha garantidos os seus direitos conquistados com muita luta. O jornalista Altamiro Borges e a advogada trabalhista Ellen Hazan foram os convidados do debate de abertura da reunião, que discutiu também as campanhas reivindicatórias da categoria e a pesquisa sobre o perfil dos professores encomendada pelo Sinpro-Minas.

“Avaliamos que só um governo eleito pelo voto direto tem legitimidade. Tomamos a decisão de estar nas ruas para lutar contra as reformas trabalhista e previdenciária, pela saída do Temer e por eleições diretas, para enterramos de vez essas reformas, que representam o desmonte do Estado brasileiro”, avalia a presidenta do Sinpro Minas, Valéria Morato. “O Sinpro está à frente das lutas gerais porque elas atingem diretamente os professores e toda a classe trabalhadora. O Sindicato estará nas ruas, principalmente no dia 24/5, na grande manifestação em Brasília, na certeza de que só a unidade da classe trabalhadora fará com que haja retrocessos nas votações dessas reformas”, reforça.

Para o jornalista e blogueiro Altamiro Borges, estamos vivendo um período de grande imprevisibilidade, problema que atinge toda a América Latina, onde a marca de incertezas são as mudanças no mundo do trabalho, que passa por grandes transformações. “As forças contra- hegemônicas não conseguem se consolidar como alternativa. Nesse cenário, cresce a crise de representação no Brasil e no mundo”, avalia.

Segundo ele, temas como corrupção aparecem no centro dos debates para escamotear os verdadeiros motivos do golpe ocorrido no Brasil em 2016, com o impeachment da presidenta Dilma Rousseff. “A corrupção não foi inventada pelo PT, nem é um fenômeno de hoje, muitos menos que atinge só o setor público. As pessoas não discutem a causa da corrupção. É um carimbo que se coloca no inimigo. Mas, o que estamos vendo é que a verdadeira organização criminosa estava fora do poder e assaltou o Estado. Como não dava para ganhar a eleição prometendo tirar direitos com a reforma trabalhista, com o congelamento de recursos da saúde e da educação por 20 anos ou propor que as pessoas só se aposentem na cova, eles deram um ‘tapetão’”, afirma.

Mídia: o partido do golpe

Nesse cenário de golpe, ele destaca o papel dos EUA, que não aprovam a integração latino-americana, assim como as forças da burguesia, que se une ao capital especulativo, e por fim, a atuação da mídia, que age como um partido político. “A mídia foi o grande partido do golpe”, sentencia. “Nessa imprevisibilidade, um fator em que a gente pode atuar é a pressão nas ruas”, recomenda o jornalista.

A advogada trabalhista Ellen Hazan também acredita que a força do povo nas ruas é a melhor saída nesse momento. “O Temer já está morto, só falta renunciar ou ser retirado da presidência. Mas há aqueles que querem que ele renuncie para prosseguir com as reformas que beneficiam o capital. O que a gente precisa ter em mente é que somente tirando o Temer não vai adiantar. Precisamos retirar esse desmonte da pauta do Congresso, fazendo uma discussão de reformas de fato e não de contrarreformas como está colocado agora”, avalia.

Luta de classes

Segundo Ellen, não existe uma proposta de reforma trabalhista e sim de um desmonte de toda a legislação trabalhista. “Os professores, por exemplo não terão mais 13º, férias integrais, porque a lei prevê trabalho a tempo parcial, remoto ou intermitente. Tudo isso, mostra que não só os professores, mas toda a classe trabalhadora deixa de ter direitos, para que a classe empresarial tenha benefícios. Existe uma guerra entre o sistema capitalista e a classe trabalhadora. Nós estamos perdendo essa guerra porque não estamos unidos, dividimos em categorias. Temos que retomar o sentimento de solidariedade de classe”, destaca.

Ela também faz críticas ao judiciário. “A classe trabalhadora não tem ao seu lado nem o legislativo, nem o executivo e muito menos o judiciário. Não esperemos nada do judiciário, que está a serviço do poder econômico.Você viu o Supremo ouvindo o povo nas ruas no dia greve geral em 28/04?”, questiona.

Assista a gravação das palestras disponíveis no Facebook do Sinpro Minas

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