terça-feira, 23 de maio de 2017

23/5 - Pragmatismo Político DE 22/5

Pragmatismo Político


Posted: 22 May 2017 07:37 PM PDT
futuro nova direita brasil bolsonaro meirelles
Glauco Faria e Luciano Velleda, Rede Brasil Atual
Eles começaram a aparecer com mais força nos protestos em prol do impeachment de Dilma Rousseff, mas mesmo antes disso já eram figuras relevantes nas redes sociais. Alguns de seus expoentes, a essa altura, tinham se tornado figuras carimbadas em veículos da mídia tradicional, enquanto outros amealhavam legiões de fãs com suas análises e comentários. Em 2016, conseguiram eleger representantes diretos e viram triunfos de candidatos que contaram com seu apoio. Agora, em um cenário político que favorece a possível emergência de outsiders, os integrantes da chamada nova direita pretendem almejar voos maiores nas eleições do ano que vem.
Esse novo agrupamento ideológico, heterogêneo, mas cada vez mais visível, tem sido estudado por parte do meio acadêmico que acompanha sua consolidação nos últimos anos. Não à toa, já que possíveis postulantes desse segmento aparecem com relativo protagonismo em sondagens eleitorais recentes, como é o caso do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) e do prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB). Mas como definir e delimitar o que seria essa nova direita?
Para sabermos se há uma ‘nova direita’, seria preciso diferenciá-la da ‘velha direita’”, resume Adriano Codato, professor de Ciência Política e coordenador geral do Núcleo de Pesquisa em Sociologia Política Brasileira da Universidade Federal do Paraná (UFPR), explicando em seguida a diferença entre um e outro grupo, proposta pelo cientista político Bruno Bolognesi no âmbito de um projeto de estudo sobre as direitas na América Latina.
Conforme essa divisão descrita por Codato, a velha direita está concentrada em partidos que possuem ligação com as ditaduras militares – por exemplo, DEM, ex-PFL, que teve parte de seus integrantes vindos do PDS, ex-Arena –, sendo caracterizada por pontos como a defesa moderada da não intervenção do Estado na economia, a crítica aos programas de compensação social como Bolsa Família, Fies etc., e pela defesa da moral cívica e da família tradicional (direita laica).
Já a nova direita, segundo o cientista político, surge “tanto como resposta política e eleitoral à velha direita como resposta à ascensão da esquerda”. Ela se faz presente principalmente nas novas e pequenas legendas sem ligação com o sistema de partidos tradicional, como PSC, PRB e PEN, defendendo a intervenção limitada do Estado na economia para garantir a igualdade de oportunidades – programas sociais –, a aceitação da democracia eleitoral, e a defesa radical dos valores cristãos e da família tradicional (direita religiosa).
Se no início do período da redemocratização mesmo políticos com evidente inclinação à direita não se assumiam como tal, hoje o cenário é diferente. “É uma nova geração, são pessoas que têm entre 18 e 40 anos, nasceram nos anos 1980 para cá e não se relacionam com o regime militar. Em geral, rejeitam a ditadura de forma absoluta em termos econômicos”, explica Camila Rocha, doutoranda em Ciência Política pela Universidade de São Paulo, que ressalta a diversidade de pensamentos e um ponto em comum entre esses segmentos. “Tem desde monarquistas até libertários, mas todos convergem na defesa da liberdade de mercado, divergem no papel do Estado regulando os costumes.”
Conciliar o liberalismo econômico com o conservadorismo em termos morais tem sido um dos desafios dos que pretendem encarnar o espírito da direita rejuvenescida. Um exemplo disso foi a candidatura do Pastor Everaldo, pelo PSC, à presidência da República em 2014. Um dos principais motes do seu discurso durante a campanha, além da “defesa da família”, era a pregação em prol do Estado mínimo, repetindo bordões como “Mais Brasil e menos Brasília na vida do cidadão brasileiro”. Foi o único presidenciável a defender de forma aberta a privatização da Petrobras. Ao fim, não conseguiu mobilizar nem o segmento evangélico nem os liberais econômicos em torno de sua candidatura, amargando parcos 0,75% dos votos no primeiro turno.
O programa e o discurso do Pastor Everaldo eram ensaiados por seus financiadores e não uma conversão da direita religiosa ao liberalismo econômico. É muito difícil no Brasil ser ‘liberal’, no sentido econômico, e ser ao mesmo tempo ‘liberal’, no sentido dos direitos individuais”, avalia Adriano Codato. “Os candidatos conservadores-religiosos podem se fantasiar com o liberalismo econômico, mas não podem admitir o liberalismo dos ‘direitos do indivíduo’, pois isso implicaria em admitir o controle sobre o próprio corpo, por exemplo. Além disso, o liberalismo estrito, aquele de manual de Economia, não serve num país de renda tão baixa, necessidades sociais tão altas e que está acostumado a ser provido pelo Estado. O empresariado inclusive. Ou principalmente.”
A legenda do religioso é uma das que têm buscado reforçar uma maior identidade com movimentos da direita emergente, tentando se renovar perante o eleitorado. “Parte da nova direita se organiza principalmente em torno de três partidos: o PSL, que tem uma tendência, o Livres, que quer se tornar hegemônica; o PSC, do Pastor Everaldo, de tendência liberal-conservadora; e o Partido Novo, mais alinhado com o Proposta Republicana (PRO) de Mauricio Macri (presidente argentino), não entrando na pauta de costumes, com um perfil de administração profissional e contando com empresários”, pontua Camila Rocha.
No caso do PSC, a cientista política aponta o advogado Bernardo Santoro, diretor do Instituto Liberal, como um dos responsáveis pela elaboração da plataforma de campanha do presidenciável do partido. “Ele (Everaldo) não tinha qualquer noção de liberalismo econômico antes disso”, afirma. Santoro também colaborou com a campanha de Flávio Bolsonaro à prefeitura do Rio de Janeiro, em 2016, e está trabalhando a candidatura de Jair Bolsonaro à presidência em 2018. “Uma das tensões da nova direita é entre liberalismo e conservadorismo. Muitos libertários, por exemplo, são contra Bolsonaro e tem sido feito um trabalho de convencimento para que ele seja encarado como alguém confiável”, pontua.
Uma amostra da dificuldade para equilibrar as tensões entre valores distintos da direita são as declarações de Bolsonaro. No início de fevereiro, ele disse que o Estado brasileiro é “cristão” e que as “minorias têm que se curvar”. Na ocasião, Santoro, em seu perfil no Facebook, saiu em sua defesa, dizendo que as críticas ao discurso do parlamentar eram um “caso claro de má-vontade com o deputado”. “Não há nenhum problema em se defender um Estado confessional democrático, que tem em si mesmo um poder de defesa institucional ao marxismo cultural que o estado laico não possui”, escreveu. “O que ele pretende, de fato, é combater, isso com vigor e tenacidade, todas as minorias politicamente organizadas que pretendem e têm tentado implementar agendas de reengenharia social para destruição dos valores cristãos que, sim, fazem parte da construção e sedimentação da nossa sociedade.”
Na mesma postagem, Santoro vê paralelos entre o deputado e o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. “Racionalizando as atitudes dele, o que eu vejo é que, com esse discurso superficial e de chavões, ele atinge a classe popular, cujo pensamento político não é rebuscado e não compreende o tipo de nuance que eu apresentei aqui. Talvez ele tenha percebido algo que eu não percebi, uma forma de comunicação genuína com o povo, tal como Trump fez nos EUA e nenhum analista político lá percebeu (salvo o esquerdista Michal Moore, o único que viu que Trump estava comendo a base democrata no cinturão do aço com seu discurso antiglobalização, onde a eleição se resolveu a seu favor, especialmente em Pensilvânia, Michigan e Wisconsin).”

A defesa do liberalismo dá votos?

Que existe uma consolidação do espaço da direita em termos político-eleitorais, não se pode negar. Porém, a questão é saber até onde esse segmento pode ir, já que os postulados neoliberais não encontram grande apoio em meio à população, mesmo entre aqueles que se definem de direita. Nas eleições presidenciais de 2006, aliás, o candidato tucano, Geraldo Alckmin, passou pelo constrangimento de ter que se vestir com um macacão ornado com logotipos de empresas públicas para afirmar que não iria proceder a novas privatizações, uma das marcas dos dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso, único tucano a chegar ao Planalto.
Um estudo feito pelos pesquisadores Esther Solano (Unifesp), Pablo Ortellado e Marcio Moretto (USP) mostra a dificuldade que candidatos atrelados à defesa de princípios do liberalismo econômico podem encontrar em eleições majoritárias. Entre os dias 15 e 22 de outubro de 2016, eles realizaram uma pesquisa sobre assuntos frequentes nas redes sociais quando se aborda política, ouvindo 1.058 paulistanos. Entre os temas estava, por exemplo, a seguinte afirmação: “As empresas estatais como os Correios e o Banco do Brasil deveriam ser privatizadas”. Entre os entrevistados, 53,1% discordaram, diante de 30,2% que concordaram.
Outras afirmações avaliadas foram “O bolsa-família é necessário para reduzir a desigualdade”, com concordância de 54,1% das pessoas. Em relação à frase “Quem começou a trabalhar cedo, deve poder se aposentar cedo, sem limite de idade”, 83,8% disseram estar de acordo, sendo que 83,1% concordam que “Todo mundo deveria trabalhar com carteira assinada”.
Existe uma diferença grande entre os grupos que tomaram frente da questão do impeachment e as pessoas que estiveram presentes nessas manifestações”, avalia Esther Solano, em evento realizado pelo Instituto Goethe, em São Paulo. “Esses atores (como MBL, Vem Pra Rua e Revoltados On Line) se colocam como pró-mercado, privatistas e defensores do Estado Mínimo. Mas as pessoas que se definem como conservadoras e que foram para as manifestações pró-impeachment não aderem ao consenso neoliberal”, afirma, ressaltando que tal consenso só se aproxima da realidade nas camadas com renda mais alta.
Pesquisa da Fundação Perseu Abramo divulgada em março, que analisava os valores políticos das regiões periféricas de São Paulo, também reforça essa percepção, ainda que, à época, setores da mídia tradicional tenham celebrado os resultados. “No momento antes da crise, quando houve a ampliação do mercado de trabalho e do mercado de consumo, as pessoas passaram a ser incluídas e a experimentar um pouco o que era ter cidadania, ainda que por meio do consumo, de uma maneira intensa e, para alguns desses setores, inédita. No momento em que temos a reversão do ciclo econômico, essas pessoas passam a sentir o impacto desse recuo. Isso vai criando um ambiente marcado por valores ambíguos e paradoxais. No fundo, esse grupo social, como experimentou a cidadania e o consumo, passou a ter a autoestima elevada, auto respeito, passou a desejar o direito de construir a própria biografia de maneira autônoma”, explica, em entrevista à RBA publicada em abril, o professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (Fespsp), cientista político e economista William Nozaki.
Isso cria uma noção de individualidade diferente da que existia até aquele momento, porque as pessoas passam a se entender como cidadãos. E como cidadãos passam a se ver como indivíduos que querem ter a chance, a oportunidade, de construir a própria vida. Isso cria uma abertura para a inoculação de valores marcados pela presença do empreendedorismo, da competição, mas não no sentido neoliberal, e sim no sentido de ter o direito de construir a própria trajetória de vida. Passa mais por aí do que por uma lógica de competição exacerbada, ou de vitória da livre concorrência de mercado. É mais a construção de uma noção moderna de indivíduo”, afirma.

A antipolítica e as próximas eleições

O estudo conduzido pelos pesquisadores da USP e Unifesp mostra ainda que boa parte do sentimento do antipetismo poderia ter migrado para a antipolítica. Já em abril de 2015, somente 11% dos manifestantes entrevistados nos atos pelo impeachment diziam confiar muito no PSDB, em que pese a maioria deles ter se assumido como votante da legenda. Em relação ao PMDB, partido ao qual pertencia o vice-presidente que assumiria a cadeira de Dilma, esse índice chegava a 1,4%.
Vivemos um cenário de cultura política rarefeita, uma polarização muito forte e ao mesmo tempo vazia, e isso possibilita a eleição de líderes tecnocráticos num ambiente de democracia fraca. Nesse cenário, o surgimento de lideranças apolíticas pode ser um grande perigo, ao mesmo tempo que as coisas mudam rápido e não é possível fazer muitas previsões com segurança”, observa Rodrigo Estramanho de Almeida, professor da FESPSP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo).
Com um panorama no qual reina o descrédito tradicional, abre-se um caminho para legendas como o Novo ou um repaginado PSL, além de figuras fora da política tradicional e que, pretensamente, rejeitam a política. Isso já se refletiu nas eleições de João Doria, em São Paulo, e de Alexandre Kalil (PHS), em Belo Horizonte, por exemplo. Um perfil de candidato relacionado ao sucesso pessoal, com discurso de “gestão empresarial” na administração pública.
Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso reconheceu essa condição, que afetou a imagem de três possíveis postulantes de seu partido à presidência em 2018, os senadores Aécio Neves e José serra, e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. “A questão é que o sistema político brasileiro não favorece a formação de líderes nacionais. Fora de campanhas, quem aparecia nacionalmente? O ex-presidente, o presidente e um ou outro candidato a presidente. Quando alguém chamava atenção? Só os mais bizarros conseguiam. Isso agora mudou, está mudando. O Doria está fora (desse esquema anterior), o Luciano Huck está fora. Eles são o novo porque não estão sendo propelidos pelas forças de sempre. Temos de ver como isso se desenrola.”
Se nomes da nova direita estão também nos partidos grandes, as legendas menores têm um espaço grande para crescer. O Novo, por exemplo, filiou o técnico de vôlei Bernardinho, emigrado do PSDB, em abril. Uma palestra do ex-treinador (com entrada paga) programada para junho, em Porto Alegre, aparece na agenda de eventos da legenda, indicando que ele poderá agregar outras personalidades públicas ao partido. No PSL, o economista Gustavo Franco, ainda no PSDB, é um dos padrinhos da tendência Livres, representada por libertários que buscam ocupar um espaço maior na agremiação.
Entre os partidos grandes, o prefeito de São Paulo tem investido na fórmula que fez sucesso nas manifestações de 2015, vestindo o figurino do antipetismo e polarizando, sempre que possível, com Lula. Aécio também adotou estratégia semelhante em 2014 e conseguiu superar Marina Silva e chegar ao segundo turno. Mas a radicalidade à direita assustou parte do eleitorado “centrista” e o tucano foi derrotado por Dilma. Em uma disputa pelo eleitorado de Bolsonaro, o antipetismo pode servir a Doria, mas é o suficiente para vencer?

Os tipos ideais de cada direita

Adriano Codato observa que a ascensão de uma nova direita no Brasil é um fenômeno “bastante complexo e difícil de apreender se olharmos apenas para a dinâmica partidária”. “Entre outras coisas porque há muitos partidos e as formas de classificação deles são complexas e nunca unívocas; existem partidos sem ideologia (‘fisiológicos’), os que são velhos na idade (PSC), mas que renovam/aprofundam seu discurso em direção à nova direita, e o surgimento de forças na nova direita não alinhadas à direita religiosa, como o Novo e o PSL”.
Ele desenvolveu uma tipologia que diferencia a direita brasileira em pelo menos cinco correntes, traçando os “tipos ideais” de políticos que poderiam corresponder a cada uma delas:
– o político tradicional de direita: Ronaldo Caiado (DEM)
– o político da nova direita popular: Pastor Feliciano (PSC)
– o político da direita populista: Jair Bolsonaro (ex-PP; PSC)
– o político da direita neoliberal: Henrique Meirelles (PMDB)
– o político da direita libertária: Fábio Ostermann (PSL)
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Posted: 22 May 2017 07:21 PM PDT
independentista porto rico libertado prisão eua 36 anos
Oscar López Rivera (reprodução)
O independentista porto-riquenho Oscar López Rivera, que passou 36 anos na prisão nos Estados Unidos, assinou sua libertação definitiva nesta quarta-feira (17/05) em um tribunal federal norte-americano em San Juan, capital de Porto Rico.
Rivera, de 74 anos de idade, foi um dos 209 presos a terem sua pena comutada pelo então presidente Barack Obama em janeiro. Assim como Chelsea Manning, o independentista foi libertado definitivamente hoje, embora já estivesse em prisão domiciliar na casa de sua filha, em San Juan, desde fevereiro.
Momentos antes de entrar no tribunal, Rivera instou a população porto-riquenha a “não se resignar, a lutar, a não se conformar”, em relação à dominação norte-americana sobre a ilha caribenha, oficialmente um Estado Livre Associado aos EUA.
Podemos superar tudo o que está acontecendo, nunca vamos nos render e se amamos esta pátria temos a obrigação de defendê-la”, disse o ativista, que passou 12 de seus 36 anos de prisão em uma cela solitária e sem contato com seus familiares.
Nascido em San Sebastián, no Porto Rico, em 1943, Oscar López Rivera foi veterano de guerra do Vietnã, pela qual foi condecorado com a Estrela de Bronze. Em Chicago, onde vivia, participou de movimentos pela defesa dos direitos dos porto-riquenhos, e em 1976 passou a ser membro das FALN (Forças Armadas de Libertação Nacional), movimento a favor da independência do Porto Rico, colônia dos EUA desde 1898.
A Justiça norte-americana condenou Rivera em 1981 a 55 anos de prisão por “conspiração sediciosa” contra os EUA, aos quais foram adicionados outros 15 anos em 1988 após uma suposta tentativa de fuga.
Posso afirmar que meu espírito, minha dignidade e minha honra estão incólumes”, disse Rivera a jornalistas após sua libertação.
Ele criticou as privatizações de entidades estatais que têm ocorrido em Porto Rico e acusou o governo “colonialista” da ilha de colocar em prática políticas impostas por Washington.
A política de privatizações que tem sido promovida em Porto Rico por quase três décadas provocou a maior fuga de cérebros da história” e está “destruindo a economia” da ilha, afirmou.
Ele também condenou a decisão da Secretaria de Educação de Porto Rico de fechar 179 escolas públicas com o objetivo de poupar 7,7 milhões de dólares, a serem aplicados no pagamento da dívida pública da ilha, que chega a 70 bilhões de dólares.
Rivera classificou a Junta de Supervisão Fiscal, entidade imposta pelos EUA para reestruturar a dívida de Porto Rico, como “criminosa” e “ameaça à pátria”.
Gostaria que os EUA desistissem desse mau hábito de usar suas estruturas para chegar à população e criar um ambiente de hostilidade e violência”, disse em referência ao intervencionismo norte-americano na região, especialmente em relação à crise política na Venezuela.
Ele prometeu retomar seu ativismo pela independência de Porto Rico e visitar os 78 municípios da ilha para dialogar com a população.
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Posted: 22 May 2017 07:11 PM PDT
Richard Rasmussen acusado matar boto animal rede globo fantástico governo meio ambiente
Richard Rasmussen, biólogo, economista e apresentador brasileiro (reprodução)
Luciano Guaraldo, Notícias na TV
Apresentador de natureza mais conhecido do Brasil, o biólogo Richard Rasmussen está sendo acusado de pagar pescadores para matar um boto rosa e, dessa forma, obter imagens fortes e chocantes que ilustraram uma reportagem do Fantástico e influenciaram o governo brasileiro a fazer uma moratória ambiental, afetando o ganha-pão de centenas de pessoas.
A acusação é do documentário norte-americano A River Below (Um Rio Abaixo, em tradução livre), do diretor Mark Grieco, exibido no fim de abril no conceituado Festival de Cinema de Tribeca, em Nova York.
Inicialmente um projeto que mostraria o trabalho do biólogo marinho Fernando Trujillo na Colômbia, Grieco trouxe sua narrativa para o Brasil ao ver as imagens do Fantástico. Queria ter cenas fortes em seu filme, como as dos golfinhos mortos no Japão mostradas no documentário The Cove (2009), de Louie Psihoyos.
As cenas fortes supostamente forjadas por Rasmussen foram exibidas pelo Fantástico em julho de 2014, em uma reportagem de Sônia Bridi que mostrou como pescadores caçavam o boto rosa e usavam sua carne de isca para pescar piratinga, um peixe carniceiro valioso na região.
Nas imagens que o biólogo de 47 anos fez para o dominical, uma fêmea grávida de boto é caçada e, ao ser cortada em pedaços, é possível ver um feto formado, que também é usado como isca.
Rasmussen não foi identificado como autor dos vídeos. O Fantástico informou que eles tinham sido cedidos pela Ampa (Associação Amigos do Peixe-Boi, da qual o apresentador é associado). O jornalístico também não revelou que os pescadores teriam sido pagos para caçar o boto, matá-lo e usá-lo como isca.
Pressionado pelas imagens fortes mostradas pela Globo, o governo federal decretou uma moratória que proíbe a pesca de piracatinga durante cinco anos, a fim de proteger o boto rosa, mamífero em extinção usado como isca.
Em entrevista ao Notícias da TV, Rasmussen confirma ter participado da gravação, mas nega que pagou aos pescadores para que matassem o boto. “Eu nunca pagaria ou mesmo participaria do sacrifício de qualquer animal. A matança dos botos é monitorada há anos por ambientalistas e já estava sendo investigada pelo Ministério Público. Minha intenção foi alertar o grande público que a matança de botos é uma realidade dura e cruel“, conta ele.
Rasmussen também nega que as imagens chocantes tenham sido forjadas: “Quem tiver acesso às imagens perceberá a prática dos pescadores na captura e limpeza do boto. Não foi algo montado e também não era a primeira vez que aquilo estava ocorrendo“.

Herói e vilão

O documentarista Mark Grieco teve a ideia de fazer um documentário sobre a matança dos botos após ver as imagens feitas por Rasmussen no Fantástico. Ao chegar à Amazônia, foi informado pela população local de que as pessoas no vídeo não eram da comunidade e que teriam sido levadas até lá pelo próprio biólogo _seus rostos foram desfocados nas imagens para que não fossem reconhecidas.
Depois de cerca de seis meses de busca pelos pescadores filmados, Grieco pôde ouvir o outro lado da história: os envolvidos acusam Rasmussen de pagar R$ 100 a cada um para que reproduzissem em frente às suas câmeras as práticas de caça ao boto. Em entrevistas gravadas, dizem ainda que o apresentador afirmou a eles que as imagens não seriam exibidas na TV, que apenas as encaminharia ao governo.
Com essas informações, Grieco procurou o biólogo e preparou uma pegadinha para ele: ainda apresentando a ideia de fazer um documentário sobre os botos, fez com que Rasmussen falasse sobre seu trabalho na defesa dos animais.
Assim, na primeira metade do filme, o apresentador é pintado como um herói, alguém que toma as atitudes necessárias para salvar uma espécie ameaçada. Rasmussen chega a desdenhar das pessoas que apenas repetem “Não matem os botos” como um mantra.
Não é o bastante. Precisamos fazer mais, precisamos de ações. Parem de falar e façam alguma coisa! Eles estão matando nossos botos, estão matando toda a nossa fauna. Matam rinocerontes, gorilas, tubarões. Eles… Nós matamos tudo, estamos destruindo o planeta. E ficamos de conversinha mole? Foda-se!“, desabafa o biólogo, com passagens por Record, SBT e NatGeo.
Na segunda metade do documentário, Grieco confronta Rasmussen sobre o suposto pagamento aos pescadores e sobre as imagens que teriam sido forjadas. Afirma o cineasta que, com a proibição da pesca, famílias inteiras perderam sua única fonte de renda e, por isso, o apresentador estaria jurado de morte. Nesse momento, o herói vira vilão: ele fica irritado e xinga a equipe do documentário.
Quando Richard descobriu que nós sabíamos o outro lado da história, nossa relação se tornou agressiva. Ele se sentiu traído, mas de alguma forma estava preso no filme, precisava continuar conosco e limpar seu nome. Então, por mais que estivesse chateado conosco, quis voltar para a vilarejo e se desculpar“, contou Grieco a Diego Munhoz, do blog Central HQs, em entrevista realizada durante o Festival de Tribeca.
O documentário mostra a visita de Rasmussen aos pescadores, após o apresentador ser informado de que as famílias da região não tinham mais como ganhar dinheiro para se sustentar. Segundo o biólogo, sua visita é motivada pela transparência.
Eu nunca pretendi prejudicar a comunidade e, por isso, precisava entender por que estavam ‘me jurando de morte’, utilizando as palavras do diretor do documentário. Eu sempre tive a confiança das comunidades por onde passei“, justifica ele à reportagem.
Ainda assim, o diretor defende a pegadinha armada para Rasmussen. “Para contar a história direito, nós precisamos esconder algumas informações. E também precisamos mostrá-lo no filme de uma forma em que não parecia que estávamos o atacando. Não queríamos isso, queríamos que ele contasse a história dele“.
O diretor torce para que seu filme seja exibido no Brasil. “Acho que vai ser interessante mostrar o longa para os fãs dele [Rasmussen]. Algumas pessoas vão defender o que ele fez, outras vão perder a fé nele. Porque essa era minha ideia com o filme: não ofereço respostas sobre quem está certo ou errado, não é minha função. Eu apresento os fatos e levanto questionamentos. Se o que ele fez ajudou a moratória a ser aprovada, será que o fim não justifica o meio?“.
Procurado pela reportagem, o documentarista Mark Grieco não se pronunciou até a conclusão deste texto. Já a Globo informou que gostaria de ter acesso ao documentário A River Below completo para se inteirar das acusações de imagens manipuladas, mas se posicionou a respeito da controvérsia por meio de nota, transcrita na íntegra a seguir:
A TV Globo não foi procurada pelos autores do documentário e não teve acesso a ele. Como em toda a reportagem que coloca no ar, a Globo sabia quem era o responsável pelas imagens e tomou providências para checar a veracidade das informações. O material foi cedido pela Ampa e, na gravação bruta, com o áudio ambiente, não havia nada que sugerisse qualquer irregularidade ou método ilícito na captação de imagens. Toda a estrutura em volta da captação e o comportamento dos pescadores mostravam que essa, para eles, era uma prática frequente, que desempenhavam com desenvoltura.”
Tanto a Ampa quanto o Instituto de Pesquisas da Amazônia viram as imagens e as validaram como legítimas. Tivemos o cuidado ainda de submetê-las ao Ministério Público Federal no Amazonas e fundamentar a reportagem em pesquisas do Instituto de Pesquisas da Amazônia, da UFRJ e da UERJ, que comprovaram, em amostras compradas nos mercados, que havia carne de boto rosa nas vísceras de piracatinga, peixe nocivo à saúde humana por conter altos níveis de metais pesados.”
Autoridades da preservação já indicavam, na época, que a população de botos estava diminuindo em 10% ao ano por causa da pesca da piracatinga. Para a TV Globo, a correção na apuração jornalística jamais é colocada em risco seja qual for a causa em jogo.”
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Posted: 22 May 2017 06:56 PM PDT
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Antonio Martins , Outras Palavras

I.

O Brasil foi sacudido, desde a última quinta-feira (18/5) por uma nova série de abalos políticos. O governo Temer, que se empenhava em aprovar as contra-reformas da Previdência e Trabalhista por meio de compra de votos de parlamentares, foi ferido, talvez de morte. Eclodiram, no mesmo dia, manifestações de rua, que cresceram na 6ª feira) e terão um grande teste neste domingo. Elas são a esperança de uma saída democrática. Mas trata-se de algo que ainda precisa ser construído, e exigirá grande esforço.
O protagonismo, no momento, não é das forças que resistem há um ano ao golpe, mas de alguns dos setores que mais se empenharam em consumá-lo e mais têm interesse em aprofundar a agenda de retrocessos a que o país está submetido. Desde quarta-feira à noite, a Rede Globo e a Procuradoria Geral da República afastaram-se do governo Temer e tentam claramente obrigá-lo à renúncia.

II.

Este movimento significa uma cisão grave e perigosa – ainda que calculada – na frente que sustenta o golpe. O governo Temer resiste a abandonar o posto – inclusive porque se o fizer, nas condições atuais, poderá escorregar de Brasília ao cárcere. A defesa do Palácio do Planalto é composta por linhas distintas, cujo grau de compromisso varia segundo seus respectivos interesses. À frente estão os ministros responsáveis pela articulação política: Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-geral da Presidência). Dependem, tanto quanto Temer, de foro privilegiado para conservar a liberdade.
Num ponto um pouco mais recuado postam-se o DEM (neste momento, a agremiação mais fiel ao Planalto), o PMDB (cujas divisões reemergem), o PSDB (que já recolocou-se à beira do muro) e as demais legendas da base governista. A fidelidade destes partidos é duvidosa. Já no sábado, o PSB anunciou sua defecção. Além disso, o próprio presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM), por exemplo, cedeu sua casa oficial para as articulações pró-Temer; mas já estuda as providências regimentais para uma evental eleição indireta. Numa terceira linha está a mídia extra-Globo. O Estado de S.Paulo (que viu, em editorial na 6ª feira, uma conspiração contra o presidente). A Folha (cujo proprietário, Otávio Frias Filho, escreveu no domingo, que o governo “ainda não acabou). Colunistas cuja opinião pesa no campo conservador, como Reinaldo Azevedo.
Desde 6ª feira à tarde, quando vieram à tona os vídeos da delação premiada dos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da JBS, o Palácio do Planalto recolheu-se, certamente mergulhado em múltiplas articulações. A única aparição de Temer foi pífia: uma entrevista coletiva às 15h do sábado, em que atacou a Procuradoria Geral da República (sem ter a coragem de nomeá-la) e pediu perícia nos áudios comprometedores – sem, no entanto, criar nenhum fato novo capaz de reforçar sua posição. Mas seu poder de fogo não pode ser desprezado. Se resistir à renúncia, Temer pode transformar o esforço por seu afastamento numa operação longa e desgastante. Além disso, ele dispõe de armas ofensivas. Na 5ª feira, horas após a eclosão da crise, mandou suspender a verba de R$ 200 milhões que abasteceria uma campanha publicitária “comemorativa” de seu primeiro ano de “mandato”. A principal beneficiária era, previsivelmente, a Globo.

III.

O consórcio Globo-Procuradoria Geral da República (PGR) conta, porém, com alguns trunfos inigualados. Como a PGR maneja a Lava Jato, e como a opinião pública encontra-se obcecada por fatos ligados à corrupção, há um enorme arsenal de “novidades” a produzir. Elas podem chegar a todo o país instantaneamente, graças ao poder quase-monopólico da Globo e a sua capacidade comunicativa. Desde a época do impeachment, sucedem-se, com êxito repetido, as edições (às vezes quilométricas) em que o Jornal Nacional pinça, da montanha de denúncias produzidas pela Lava Jato, aquelas que deseja repercutir. Destaca, em letras ampliadas por zoom, as frases que constroem sua interpretação dos fatos. Eletriza audiências, convoca mobilizações e neutraliza versões contrárias.
A aliança Globo-PGR é responsável direta pela deflagração da crise que ameaça Temer. Os acordos de delação premiada dos irmãos-JBS foram fechados em março. Mas as gravações de seus depoimentos foram feitas apenas no início de maio. A emissora colocou-as no ar no exato momento em que Temer parecia crescer junto aos setores empresariais. O jornalista Lauro Jardim teve acesso privilegiado ao material. Seu primeiro texto, publicado na quarta-feira, fantasiava o áudio da conversa entre Joesley Batista e Michel Temer. Na quinta-feira, Michel Temer aceitou o desafio (“Não renunciarei! Repito: não renunciarei!”). Mas o estrago estava feito: as bolsas haviam despencado, o dólar disparara, a confiança no governo estava no chão. E no dia seguinte, a constatação de que Jardim mentira foi rapidamente sepultada pelos vídeos da delação premiada da JBS, que têm potencial para devastar todo o sistema político.

IV.

Que quer a aliança Globo-PGR? Sua aposta é alta. Está em xeque um governo que era visto, até há muito pouco, como o sonho de consumo dos conservadores brasileiros: por não ter aspirações políticas futuras, podia dar-se a todas as impopularidades. Em algum momento, este governo precisaria ser descartado: sua popularidade, já antes dos episódios mais recentes, reduzia-se a 4%; em 2018, nenhum candidato poderá apresentar-se como seu herdeiro. Mas por que livrar-se dele agora?
Por enquanto, há apenas pistas. Elas conduzem, em primeiro lugar, a uma disputa entre o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot e Gilmar Mendes, o ministro mais influente do STF. Janot é condutor principal da Lava Jato. Gilmar tem feito críticas seguidas à operação. Tornou-se, provavelmente, o pivô de um acordo para salvar a classe política – agora que todos os partidos graúdos estão implicados. Foi decisivo na votação em que o STF libertou José Dirceu e parece participar do movimento, até agora frustrado, para livrar também Antonio Palocci.
Ao lado de Janot, parece colocar-se outro ministro-chave do STF: Edson Fachin, o relator da Lava Jato. Na libertação de Dirceu, decidida pela 2ª Turma do Supremo, Fachin foi derrotado por Gilmar. Mas deu o troco em seguida: como relator, jogou o caso de Palocci para a reunião plena do tribunal, onde votam todos os ministros e a influência de Gilmar é um pouco mais matizada. E na última quinta-feira, atendeu prontamente a um pedido do Procurador Geral, quebrou o sigilo sobre as delações da JBS e voltou a escancarar um sistema político no bolso do grande poder econômico.
Mas sem a Globo, o poder da PGR, mesmo em aliança com Fachin, é pequeno. Por que o império dos Marinho assumiu o risco de desafiar o governo que encanta as elites? Possivelmente, aposta em construir o “governo livre de políticos” – uma tendência global, em tempos de neoliberalismo extremo. E quer colher o prêmio por ser o promotor deste “passo adiante”.

V.

Cindida em dois blocos, a frente golpista torna-se vulnerável. A divisão não pode prolongar-se por muito tempo – do contrário, a agenda de retrocessos, que interessa a todo o arco de forças no poder, desandará. O derretimento da Bovespa e a disparada do dólar, na quinta-feira, foram um primeiro sinal de alarme. As mobilizações sociais são algo ainda mais grave, do ponto de vista das elites. E se as maiorias, há um ano caladas, despertarem? Como superar as divergências entre os de cima sem correr risco de por tudo a perder?
Duas opções sintetizam a resposta. Primeiro: eleições indiretas. Só por meio delas será possível superar Temer e aprofundar a agenda de contra-reformas. Os conservadores não resistiriam, por exemplo, a um debate nacional sobre o desmonte das aposentadorias e da CLT – rejeitadas pela grande maioria dos brasileiros. A transição precisa ser a seco, sem democracia, rápida.
Mas isso não basta. Por que a sociedade, que aceitou Temer há um ano, mas rapidamente compreendeu o que ele significava, acolherá outro político conservador? Seria trocar seis por meia dúzia. Por isso, a opção preferencial das elites, em eventuais eleições indiretas, é alguém com aparência “técnica”. São possíveis candidatos, por isso, a presidente do STF, Carmem Lúcia; o ex-ministro (de Fernando Henrique e Lula) Nelson Jobim; e, acima destes, o ex-banqueiro Henrique Meirelles, atual ministro da Fazenda.
Os conservadores pensam em pintar Meirelles como uma versão brasileira do novo presidente francês Emmanuel Macron,uma resposta capitalista ao desencanto das sociedades com a política. Exatamente como Macron, Meirelles não aparece, para o público, como “velha raposa”. Nunca disputou eleições nacionais; é provável que não figure nas listas de agraciados por propina dos grandes grupos econômicos.
Ao mesmo tempo, à diferença de um Donald Trump, não é nem um novato, nem um outsider. Tem amplo trânsito num vasto espectro da política institucional. Eleito deputado federal pelo PSDB (em 2002), renunciou para ser presidente do Banco Central com Lula, por oito anos (2003-11). Manteve, neste período, amplo diálogo com a oposição de direita. Sob Temer, tornou-se ainda mais poderoso, como ministro da Fazenda.
Sua fidelidade ao programa neoliberal é extrema. Nos mandatos de Lula, à frente do BC, agiu permanentemente para que o governo mantivesse política monetária ortodoxa e destinasse parte gorda do Orçamento para alimentar, via pagamento de juros, a aristocracia financeira. Sob Temer, é o ministro que pressiona de modo mais brutal pelas contra-reformas da Previdência e Trabalhista. Chega a ponto de sabotar as tentativas do Planalto para amenizar pontos das PEC-287, e torná-la menos indigesta ao Congresso.

VI.

Dezenas de cidades brasileiras terão, neste domingo, manifestações pela saída de Temer e eleições diretas. São convocadas pela Frente Povo Sem Medo e Frente Brasil Popular. Expressam uma alternativa ao atual governo e também ao arranjo cosmético que levaria à escolha, pelo Congresso, de um presidente encarregado de manter ou aprofundar a agenda de retrocessos. A importância e o peso do movimento podem crescer nos próximos dias e semanas – em especial, se o campo conservador continuar dividido e incapaz de resolver a crise aberta em 18/5.
Por isso mesmo, talvez valha a pena refletir sobre uma debilidade essencial da resistência ao golpe de 2016 e, de maneira mais ampla, da própria ação da esquerda brasileira, nos últimos anos. Ela parece incapaz de considerar, ou mesmo de enxergar o sentimento global de desconforto com a velha política, e de busca de alternativas.
É uma enorme defasagem, porque esta procura espalha-se pelo mundo, e assume diversas formas. Em países como a Espanha, partidos-movimentos como o Podemos surgem do nada e crescem rapidamente. Nos Estados Unidos e Inglaterra, eclodem, no próprio seio dos velhos partidos, movimentos rebeldes, como os que empurraram a candidatura de Bernie Sanders e a chegada de Jeremy Corbyn à liderança trabalhista. Há dias, a França Insubmissa, de Jean-Luc Melenchon, alcançou 19,58% dos votos na eleição presidencial. Soube combinar a defesa de um programa claramente anticapitalista com a crítica aguda à democracia de fachada. Até no vizinho Chile, de tradição conservadora, surge e cresce a Frente Ampla, com características muito semelhantes.
No Brasil, ainda não – provavelmente por dois motivos. Antes do golpe, a esquerda institucional estava no governo. Suas conquistas são inegáveis; mas seus limites, também. Ao longo de treze anos, adaptou-se, como é notório, às práticas centenárias de fisiologismo da vida brasileira. Julgou desnecessário transformar o sistema político – um déficit que é parte de sua conhecida tendência à conciliação e inapetência por reformas estruturais. Após 2016, a possibilidade da candidatura Lula, e sua força eleitoral, exercem, simultaneamente, papel de alívio e de freio –de paralisia. Seria melhor ter um presidente com sensibilidade social. Mas o debate de projetos é quase invisível. Conta-se com a volta ao Planalto – e se espera que o resto possa ser resolvido depois.
A existência da Lava Jato agudiza o problema. A operação é, desde o início, partidarizada. Foi decisiva para alimentar o impeachment e levar a direita ao poder. Até há muito pouco, voltava-se exclusivamente contra os partidos de esquerda. Por isso, é vista apenas como uma conspiração das elites. Olhá-la assim impede de reconhecer seu outro viés. Foi a partir dela que, pela primeira vez, os corruptores foram punidos; e que se tornou evidente o sequestro da democracia pelo poder econômico, em conluio com uma casta política cujo caráter ficou claro na noite tenebrosa da votação do impeachment.
A visão parcial sobre a Lava Jato leva a desperdiçar oportunidades em série. As delações premiadas da Odebrecht e, mais recentemente, da JBS, desvendam a podridão a que se reduziu o Congresso Nacional. Mas a esquerda resiste a explorar os fatos, porque também parte de seus líderes está envolvida nas denúncias. Isso reduz a própria capacidade de resposta diante de crises como a atual. A bandeira das diretas já é justa e necessária – por ser o antídoto contra a transição antidemocrática. Mas é insuficiente, porque os fatos que emergiram revelam a necessidade de uma transformação muito mais profunda. É óbvio que um presidente eleito sob as regras atuais seria prisioneiro de um sistema corrupto, que sequestra a democracia e sempre favorecerá o grande poder econômico. É evidente, também, que enquanto não houver resposta efetiva à esquerda, o sentimento de revolta diante da falsidade da política será capitalizado pelos que desejam destruir a democracia: os Moro, os Bolsonaro ou… os Marinho.
Como a esquerda, que é vista (com motivos…) pela população como parte de um sistema desprezível, poderá enfrentar este sistema? A equação é de fato difícil – porém, incontornável. Uma saída possível é lembrar que a origem das práticas que a sociedade abomina não está em homens malévolos – mas num sistema que obriga a todos, independentemente de suas convicções, a se corromper. Hoje, é rigorosamente impossível governar o Brasil sem receber dinheiro dos grandes grupos empresariais e prestar favores a eles. Que desejamos: mudar o sistema ou extirpar alguns bodes expiatórios para, ao final, mantê-lo intocado?
* * *
A janela de oportunidades surgida em 18/5 permanecerá aberta por algum tempo – ainda mais se a disputa entre os dois blocos em choque se prolongar, como hoje parece mais provável. O decisivo, agora, é ir às ruas: são elas a principal escola política. Oxalá uma nova onda de mobilizações desarranje a agenda de retrocessos e bloqueie a saída elitista da crise. Oxalá ele estimule, também, a emergência, cada vez mais indispensável, de uma nova esquerda.
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Posted: 22 May 2017 06:46 PM PDT
Cidades mais violentas mundo brasil natal
Cidades mais violentas do mundo (Imagem: Pragmatismo Político)
A crise econômica, política e humanitária que a Venezuela vem enfrentando trouxe consequências drásticas ao país. E uma delas é a violência urbana, que levou a capital, Caracas, ao posto de cidade mais violenta do planeta pelo segundo ano consecutivo.
A constatação é da organização não-governamental mexicana Seguridad, Justicia Y Paz, que todos os anos conduz uma abrangente pesquisa global que avalia as taxas de homicídios em cidades com mais de 300 mil habitantes. O levantamento produz, ainda, um ranking que mostra quais são as mais violentas.
Na edição 2017 do estudo, as nove primeiras colocações dessa lista são ocupadas por cidades latinas de países como Venezuela, México, Honduras e El Salvador. O Brasil, embora não conte com representante entre as nove do topo, está fortemente presente com nada mais, nada menos que 19 cidades, sendo Natal (Rio Grande do Norte) a mais violenta delas.
Para a entidade, os índices de violência na América Latina não são surpreendentes quando se lembra que a região é campeã em impunidade em crimes violentos. Na Venezuela, El Salvador e Honduras, por exemplo, 95% dos homicídios não rendem condenações aos seus autores. No Brasil esse índice é de 92%.

Abaixo, veja o ranking completo das cidades mais violentas do planeta:

Posição Cidade País Taxa de homicídios (cada 100 mil habitantes)
1 Caracas Venezuela 130.35
2 Acapulco México 113.24
3 San Pedro Sula Honduras 112.09
4 Distrito Central Honduras 85.09
5 Victoria México 84.67
6 Maturín Venezuela 84.21
7 San Salvador El Salvador 83.39
8 Ciudad Guayana Venezuela 82.84
9 Valencia Venezuela 72.02
10 Natal Brasil 69.56
11 Belém Brasil 67.41
12 Aracaju Brasil 62.76
13 Cidade do Cabo África do Sul 60.77
14 ST. Louis Estados Unidos 60.37
15 Feira de Santana Brasil 60.23
16 Vitória da Conquista Brasil 60.10
17 Barquisimeto Venezuela 59.38
18 Cumaná Venezuela 59.31
19 Campos dos Goytacazes Brasil 56.45
20 Salvador Brasil 54.71
21 Cali Colômbia 54.00
22 Tijuana México 53.06
23 Guatemala Guatemala 52.73
24 Culiacán México 51.81
25 Maceió Brasil 51.78
26 Baltimore Estados Unidos 51.14
27 Mazatlán México 48.75
28 Recife Brasil 47.89
29 João Pessoa Brasil 47.57
30 Gran Barcelona Venezuela 46.86
31 Palmira Colômbia 46.30
32 Kingston Jamaica 45.43
33 São Luís Brasil 45.41
34 Nova Orleans Estados Unidos 45.17
35 Fortaleza Brasil 44.98
36 Detroit Estados Unidos 44.60
37 Juárez México 43.63
38 Teresina Brasil 42.84
39 Cuiabá Brasil 42.61
40 Chihuahua México 42.02
41 Obregón México 40.95
42 Goiânia e Aparecida de Goiânia Brasil 39.48
43 Baía de Nelson Mandela África do Sul 39.19
44 Armênia Colômbia 38.54
45 Macapá Brasil 38.45
46 Manaus Brasil 38.25
47 Vitoria Brasil 37.54
48 Cúcuta Colômbia 37.00
49 Curitiba Brasil 34.92
50 Durban África do Sul 34.43
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Gabriela Ruic, Exame
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Posted: 22 May 2017 05:45 PM PDT
michel temer jantar jaburu
Sem a adesão que esperava, o presidente Michel Temer (PMDB) transformou o jantar que ofereceu no domingo à noite às lideranças que o apoiam no Congresso e aos seus ministros em um encontro informal com poucos parlamentares e até baixa participação de quem ocupa o primeiro escalão da Esplanada.
Temer só foi capaz de mobilizar 23 deputados, seis senadores e 18 ministros. Aos poucos presentes, o presidente pediu apoio no Congresso para a votação de projetos prioritários para o seu governo, especialmente as reformas trabalhista – com votação suspensa na comissão especial do Senado – e da Previdência, prevista para ser votada em plenário pelos deputados.
Com 63 deputados, o PMDB, partido de Temer, compareceu com poucos parlamentares ao encontro. Apenas quatro deputados da legenda marcaram presença: o líder da bancada, Baleia Rossi (SP), Carlos Marun (MS), Lúcio Vieira Lima (BA) e Darcísio Perondi (RS). Dos seis senadores presentes, três eram do partido: o presidente do Senado, Eunício Oliveira (CE), o presidente do PMDB, Romero Jucá (RR), e a senadora Rose de Freitas (ES).
O senador Tasso Jereissati (CE), presidente do PSDB, foi o único parlamentar tucano a participar. Outros três integrantes do partido compareceram: os ministros Antônio Imbassahy, da Secretaria de Governo, Aloysio Nunes, do Ministério das Relações Exteriores, e Bruno Araújo, das Cidades.
Logo depois da crise provocada pelas gravações de conversas de Temer com o empresário Joesley Batista, dono do grupo JBS, o ministro Bruno Araújo avisou que deixaria o cargo. No entanto, decidiu esperar um pouco mais a pedido de Tasso Jereissati, que assumiu interinamente a presidência do PSDB no lugar do senador Aécio Neves (MG).
Veja abaixo quem foram os parlamentares que compareceram ao encontro de Temer:
Deputados:
Presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ),
Pauderney Avelino (DEM-AM)
Danilo Forte (PSB-CE)
José Carlos Aleluia (DEM-BA)
Heráclito Forte (PSB-PI)
André Moura (PSC-PE)
Beto Mansur (PRB-SP)
Carlos Marum (PMDB-MS)
Rogério Rosso (PSD-DF)
Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA)
Efraim Filho (DEM-PB), líder do DEM na Casa,
Baleia Rossi (PMDB-SP), líder do partido na Câmara
Evandro Roman (PSD-PR)
Alexandre Baldy (Podemos-GO), líder do bloco PP, Pode e PTdoB na Câmara,
Aguinaldo Ribeiro (PP-PB)
Benito Gama (PTB-BA)
Pastor Franklin (PP-MG)
Artur Maia (PPS-BA)
Luis Tibé (PTdoB-MG)
José Rocha (PR-BA), líder do PR,
Rubens Bueno (PPS-PR)
Celso Russomano (PRB-SP)
Darcísio Perondi (PMDB-RS)
Senadores:
Presidente Eunício Oliveira (PMDB-CE)
Ciro Nogueira (PP-PI) presidente da executiva Nacional do PP
Romero Jucá (PMDB-RR)
Agripino Maia (DEM-RN) líder do DEM
Tasso Jereissati (PSDB-CE)
Rose de Freitas (PMDB-ES)
Congresso em Foco
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Posted: 22 May 2017 12:54 PM PDT
aécio neves primo preso fred
Lauro Pacheco de Medeiros Filho, pai de Frederico Pacheco de Medeiros, o Fred, primo de Aécio Neves (PSDB-MG), publicou um desabafo afirmando que ‘falta qualidade moral e intelectual’ ao senador afastado.
Fred foi preso na Operação Patmos na quinta-feira, 18, após ser filmado buscando uma mala com R$ 500 mil em propina da JBS, a pedido de Aécio. Também foi presa a irmã do senador, Andrea Neves.
Confira a íntegra do desabafo:
“Aécio: Meu filho Frederico Pacheco de Medeiros está preso por causa de sua lealdade a você, seu primo.
Ele tem um ótimo caráter, ao contrário de você, que acaba de demonstrar não ter, usando uma expressão de seu avô Tancredo Neves, o “mínimo de cerimônia com os escrúpulos”.
Vejo agora, Aécio, que você não faz jus à memória de seu saudoso pai, o deputado Aécio Cunha. Falta-lhe, Aécio, qualidade moral e intelectual para o exercício do cargo que disputou de presidente da República.
Para o bem do Brasil, sua carreira política está encerrada.
Ass. Lauro Pacheco de Medeiros Filho
Desembargador aposentado do Tribunal de Justiça de Minas Gerais”
A autenticidade do depoimento foi confirmada pelo próprio Lauro ao jornal Estadão e à Agência Pública.
“Meu filho fez aquilo de boa fé. Fiquei com um sentimento de revolta muito grande com o Aécio. Sempre fui um admirador dele, mas a decepção é grande, com aquela imagem de bom moço…”, desabafou.
“Aécio não honra a memória do avô e do pai, Aécio Cunha, que era um político honestíssimo”, afirma Lauro Pacheco, que tem 78 anos e vive em Belo Horizonte.

Propina, grampos e prisão

Frederico Medeiros, filho de Lauro, foi pelo menos duas vezes à sede da JBS, em São Paulo, para buscar parte da propina acertada entre o primo, Aécio Neves, e o dono da JBS, Joesley Batista.
O diálogo sobre o acerto com o agora senador afastado foi gravado por Joesley.
“Se for você a pegar em mãos, vou eu mesmo entregar. Mas, se você mandar alguém de sua confiança, mando alguém da minha confiança”, disse o empresário, sobre a entrega de R$ 2 milhões para o senador.
Aécio respondeu: “Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação. Vai ser o Fred com um cara seu. Vamos combinar o Fred com um cara seu, porque ele sai de lá e vai no cara. E você vai me dar uma ajuda do caralho”.
Ao buscar parte da propina, Frederico revelou preocupação, segundo as interceptações realizadas com a autorização da Justiça:
“Outro dia estava pensando. Acordei à meia-noite e meia, o que estou fazendo? O que tenho com isso? Eu não trabalho para o Aécio, eu não sou funcionário público, sou empresário. Trabalho para sobreviver”, disse o primo para Ricardo Saud, diretor de relações institucionais da J&F.
O primo de Aécio deixa claro que estava cometendo uma ilegalidade.
“Eu tenho com o Aécio um compromisso de lealdade que o que precisar eu tenho de fazer. Eu falei, olha onde eu tô me metendo”, disse, para o diretor da J&F.
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