quinta-feira, 25 de maio de 2017

25/5 - Altamiro Borges DE 24/5 (CONTÉM VÍDEOS)

Altamiro Borges


Posted: 24 May 2017 06:58 AM PDT
Do site da Federação Única dos Petroleiros (FUP):

Em documento enviado a Pedro Parente nesta quarta-feira, 24, a FUP exige a renúncia do presidente da Petrobrás, bem como de todos os integrantes do Conselho de Administração e da Diretoria Executiva da empresa. A medida foi aprovada por unanimidade pelo Conselho Deliberativo da entidade, reunido em Brasília terça-feira, 23. O Conselho é formado por representantes de todos os 13 sindicatos filiados, além da diretoria executiva da Federação.

Na carta enviada ao presidente da Petrobrás, a FUP reitera a ilegitimidade da atual gestão, que vem agindo no sentido contrário ao que foi determinado pelo povo na eleição de 2014, além de ter sido indicada por um governo que é fruto de um golpe e envolvido em fatos policialescos.

“Não bastasse o sentido ilegítimo dessa administração, com o superficial pretexto de conter o endividamento da Petrobrás, esse coletivo vem agindo com a clara intenção de destruir a empresa”, afirma a FUP no documento, ressaltando que, “da incapacitação técnica à alienação patrimonial por preços irrisórios, o conjunto da obra realizado foi todo ele desenvolvido para o apequenamento da Petrobrás”.

Outro aspecto destacado na carta são os interesses escusos que envolvem a gestão de Pedro Parente. “As recentes revelações, à luz da crise atravessada pelos que tomaram o Executivo de assalto, demonstram que toda a gestão, desde o Golpe de 2016, foi empreendida no favorecimento dos grupos econômicos”, denuncia a FUP, destacando que essas corporações “com desfaçatez no relacionamento histórico com os ocupantes da atual gestão, determinam a política da administração da Petrobrás”.

Mobilizações contra a privatização da Petrobrás

Além da renúncia de Pedro Parente e de todos os integrantes do Conselho de Administração e da Diretoria Executiva da Petrobrás, o Conselho Deliberativo da FUP aprovou um calendário de ações de vanguarda para barrar a privatização em curso na empresa. As mobilizações serão implementadas nas próximas semanas e divulgadas pelas direções sindicais à medida que forem realizadas.

“O entendimento dos petroleiros é de que a luta contra a privatização da Petrobrás está diretamente ligada à derrubada de Temer e à renúncia do presidente da empresa, Pedro Parente. Essas são, portanto, as duas bandeiras que estarão mobilizando a nossa categoria, tanto nas ruas, como nas nossas lutas diárias, buscando o apoio da sociedade para que aconteça nos próximos dias”, afirma o coordenador da FUP, José Maria Rangel.

Baixe aqui a íntegra da carta encaminhada pela FUP à presidência da Petrobrás.
Posted: 24 May 2017 11:47 AM PDT
Posted: 24 May 2017 06:04 AM PDT
Por Joan Edesson de Oliveira, no site Vermelho:

Eis que, após o vendaval que atingiu o Planalto e varreu Aécio de cena, dando-se por consumada a morte do governo ilegítimo, surgem vozes pretensamente democráticas a bradar ao país: “Cumpram a Constituição! Cumpram a Constituição!”.

O afã pretensamente legalista, vociferado por “jornalistas” da Globo, mal refeitos da delação que atingiu o coração dos seus até recentemente queridinhos Temer e Aécio, nada tem de democrático. A pressa com que exigem o cumprimento da Constituição Federal e a realização imediata de uma eleição indireta nem busca ocultar as suas verdadeiras razões.

O que querem, eles e próceres conservadores que já buscam os holofotes arrotando respeito à Constituição, é exatamente acabar de rasgar a Carta de 1988. O que buscam, com uma eleição indireta em um congresso majoritariamente conservador, com meia banda atolada até a raiz dos cabelos em escândalos os mais diversos, é exatamente dar seguimento às reformas, cortando mais e mais na carne do povo, enquanto preservam e ampliam os privilégios das castas de sempre, as que sempre se beneficiaram do estado brasileiro.

Os que bradam agora por respeito à Constituição não têm por ela nenhum apreço, e se o fazem é por puro oportunismo, pois sabem que neste momento uma eleição indireta favorece exatamente o consórcio golpista, o mesmo consórcio do qual fizeram e fazem parte Temer, Aécio, a Globo, setores do judiciário e demais apaniguados.

Temem e tremem, esses senhores, que se dê a decisão ao povo, que se realize uma eleição direta. Temem e tremem, pois não há em seu campo um candidato que os una e que tenha chances de vencer as eleições no atual cenário. Por trás dos gritos histéricos de “respeito à Constituição” esconde-se o medo do povo, esconde-se o medo de mais uma derrota nas urnas.

Do lado do campo democrático e popular, do lado das forças que estávamos, até agora, na mais absoluta defensiva, há que se passar, de imediato, à ofensiva, há que se reorganizar as tropas e avançar.

A palavra de ordem de “Diretas Já!” é unificadora. Ela granjeia a simpatia de amplos espectros da população. É em torno dela que devemos nos agrupar. É em torno dessa palavra de ordem que devemos ocupar as ruas e mobilizar o povo.

E devemos também tomar para nós a bandeira de defesa da Constituição, da nossa Carta Magna. Defender eleições diretas neste momento é que é o verdadeiro significado de respeito à Constituição. Defender as “Diretas Já!” é fazer cumprir a Constituição, naquilo que ela tem de mais importante e significativo, expresso no parágrafo único do seu primeiro artigo: a afirmação de que todo poder emana do povo.

Tomemos pois, as ruas. Unifiquemos as nossas forças em torno dessa bandeira. Busquemos a maior amplitude possível.

Em defesa da Constituição, em defesa dos trabalhadores e do povo brasileiro, tomemos as ruas.
Todo poder ao povo: Diretas Já!
Posted: 24 May 2017 05:55 AM PDT
Por Armando Boito, no jornal Brasil de Fato:

O governo Michel Temer balançou, embora ainda não tenha caído. É um governo instável. Para entender o que está ocorrendo, é preciso desvencilhar-se de ideias correntes que são verdadeiros obstáculos no caminho da compreensão do momento atual:

a) a ideia de que a “direita”, essa noção genérica, vaga e imprecisa, seria um campo unificado;

b) a ideia de que a burguesia seria uma classe homogênea e com poder de controlar todo o processo político;

c) a ideia de que o Estado seria um instrumento passivo nas suas mãos e, ainda;

d) a ideia segundo a qual os conflitos de classe oporiam apenas dois polos – o “capital” e o “trabalho”.

O governo Michel Temer foi concebido pela oposição ao governo Dilma Rousseff visando restaurar a hegemonia do capital internacional e da burguesia a associada. Como é sabido, ele tem tomado muitas medidas e elaborados planos nessa direção: desnacionalização do pré-sal, desnacionalização da cadeia produtiva do óleo e gás, desnacionalização das terras, dos aeroportos, do Aquífero Guarani e outras. Porém, o governo Michel Temer não está conseguindo, a despeito de tudo, atender aos interesses internacionais e também aos interesses manifestos do conjunto da classe burguesa, como são os casos da reforma trabalhista e previdenciária. Esse governo não está conseguindo, dizíamos, estabelecer hegemonia alguma, já que a hegemonia pressupõe um governo minimamente estável, coisa que esse governo, evidentemente, não é.

Qual força social está desestabilizando o governo Michel Temer?

É certo que o fato de ele não ter sido eleito e também o fato de ser contestado pelo movimento sindical e popular minam sua base de sustentação. A greve geral de 28 de abril, embora não tenha atingido o nível de uma “greve argentina”, foi um protesto amplo e importante. Deve-se acrescentar a isso um fator de importância menor mas que também conta: segmentos da burguesia interna têm, ainda que moderadamente, se oposto a algumas medidas de política econômica do governo – as empresas da cadeia de petróleo e gás acionaram a Justiça contra o desmonte da política de conteúdo local, e grandes empresas nacionais já estão protestando contra o impacto do ajuste fiscal na política de financiamento do BNDES.

Contudo, a falta de legitimidade, o protesto sindical e popular e as insatisfações localizadas da grande burguesia interna tornam o governo vulnerável, mas não são o elemento ativo da instabilidade governamental. O elemento ativo é outro: a ação do sistema de justiça (composto pela Polícia Federal, Ministério Público Federal e Judiciário) contra os integrantes do Executivo Federal e de sua base aliada no Congresso Nacional. É verdade que esse sistema usou e usa politicamente o combate à corrupção para combater o PT, que é o seu inimigo principal. Mas esse sistema quer, também e de fato, combater a corrupção, mesmo aquela praticada pelo PMDB e pelo PSDB. Definem o inimigo principal, escalonam prioridades, concentram-se sobre um ou outro alvo de acordo com o momento, enfim, fazem cálculos táticos, como toda e qualquer força que intervém no processo político.

Esse sistema de justiça teve muitos dos seus integrantes treinados pelo Departamento de Justiça dos EUA, recebeu informações privilegiadas dessa mesma instituição e foi estimulado a dar um combate sem tréguas à grande burguesia interna e ao PT. Mas, não fez isso como instrumento passivo nas mãos do imperialismo. Ele tem uma base social própria na alta classe média, base que se reconhece nele, sai às ruas quando é por ele interpelada, e, de sua parte, esse sistema tem consciência clara de que tal base social é o seu maior trunfo político.

Dito de outro modo, o que está desestabilizando o governo Michel Temer é que a força dirigente do golpe do impeachment perdeu o controle da sua base de massa. O capital internacional e a burguesia associada, que, após atrair grande parte da burguesia interna e estimular a mobilização da alta classe média, chegaram ao poder com Michel Temer, perderam o controle da base de apoio do golpe. A frente golpista rachou e o estabelecimento de uma nova hegemonia ficou comprometido.

A maior parte dos setores ativos do sistema de Justiça, cuja ação provoca a instabilidade do governo Michel Temer, age, então, como representante político da alta classe média. Agiu junto ao imperialismo no movimento golpista mas, hoje, toma um rumo próprio. A Lava Jato não parou, contrariando o que muitos petistas imaginaram que aconteceria após a deposição de Dilma Rousseff, e tomou um rumo que representa um verdadeiro estorvo para a ala burguesa do golpe. O conjunto da burguesia quer as reformas trabalhista e previdenciária, a burguesia associada e o imperialismo querem a desnacionalização da economia, Henrique Meireles está, como dizem os boleiros, “fazendo o seu melhor” e tem à sua disposição uma equipe econômica dos sonhos para esses setores. Porém, a Lava Jato e outros setores do sistema de justiça estão pondo tudo isso em risco. Fazem-no como representantes políticos da alta classe média e, também, por motivos corporativos. A PF e o MPF estão insatisfeitos com o governo Michel Temer devido à sua reforma da Previdência e à sua relutância em nomear para a PGR o mais votado da lista corporativa do MPF.

Vivemos uma situação de crise de hegemonia e, portanto, uma situação de instabilidade política. É certo que a briga entre o sistema de justiça, de um lado, e o executivo federal e as forças majoritárias do Congresso Nacional, de outro, é uma “briga de brancos”. Nenhum dos dois lados defende propostas progressistas. Contudo, esse conflito pode favorecer o movimento popular já que desgasta ambas as partes e abre brechas para o movimento operário e popular fazer passar, com mobilização nas ruas, a bandeiras do “Fora, Temer” e das “Diretas Já”. Enquanto dois brigam, o terceiro pode sair ganhando.
Posted: 24 May 2017 05:42 AM PDT
Por Renato Rovai, em seu blog:

A situação de Michel Temer se deteriora tão rapidamente que ele terá dificuldades de terminar a semana à frente da presidência da República.

O trunfo que ele tinha para permanecer no cargo eram, pela ordem: a) o apoio da Globo e de toda a mídia; b) uma base fisiológica no Congresso que era mantida na base dos mais espúrios esquemas; c) as reformas neoliberais que prometia fazer aos grandes empresários e banqueiros.

Temer não tem mais nada disso. Foi-se a Globo e com ela o resto foi escorrendo pelos dedos.

Tanto que no jantar que ofereceu ontem na sua casa conseguiu reunir aproximadamente 30 parlamentares, entre deputados e senadores. Ou seja, quase ninguém.

Ao mesmo tempo seus ministros mais próximos estão todos sendo investigados. E seus assessores diretos estão sendo presos aos poucos.

Na sua ante-sala do Planalto eram quatro que agiam e falavam em seu nome. José Yunes, amigo da vida inteira, que fez uma pré-delação e envolveu Eliseu Padilha. Tadeu Filipelli, que foi preso hoje. O deputado da mala, Rodrigo Rocha Loures, que quando não tinha assumido na Câmara despachava para Temer no Planalto. E o ex-deputado Sandro Mabel, que inclusive dizia trabalhar sem salário para o ex-presidente.

Todos estão na mira. E um deles vai acabar delatando o presidente. Ou seja, o cerco se fecha de forma absurda. E o vaidoso presidente não tem mais onde se segurar.

Seu fim deve ser ainda mais contundente do que o de Eduardo Cunha, que acabou ficando completamente isolado no Congresso e assistiu impassível seu mandato ser cassado por aqueles que o saudavam como grande líder.

O fato objetivo é que o destino é cruel. E Temer está sentindo o gosto amargo do que armou contra Dilma. Com uma diferença, a ex-presidenta saiu pela porta da frente do Palácio do Planalto. E com gente a lhe recepcionar.

Já Temer, segundo se diz hoje em Brasília, talvez saia de lá na calada da noite. Direto para o exílio num país vizinho. Depois de assinar sua carta de renúncia e fechar um acordo com a PGR.
Posted: 24 May 2017 05:32 AM PDT
Por Tereza Cruvinel, em seu blog:

Temer e sua turma vivem a ilusão de que nas últimas horas as coisas melhoraram e que ele pode até sobreviver, mesmo ferido e sangrando. Alguns aliados tentam empurrar a reforma trabalhista no Senado, Rodrigo Maia tenta destravar a pauta da Câmara, apesar da obstrução da oposição, DEM e PSDB adiaram o desembarque, houve a desqualificação da gravação do homem-bomba da JBS...Tudo ilusão. A queda de Temer é um fato marcado para acontecer, faltando apenas alguns acertos dentro do “establishment”, especialmente sobre quem será o “indireto” sem rabo-preso a ser eleito para tocar a agenda liberal com mais eficiência. O rito a ser seguido deve ser mesmo o da cassação da chapa Dilma-Temer pelo TSE, a partir de 6 de junho. Até lá, seremos entretidos com fogos de artifício.

Quem tiver dúvida sobre a inexorável queda de Temer que se faça uma pergunta: alguma vez as Organizações Globo entraram numa disputa política para perder? Nunca. Por que então estariam, em todas as suas mídias, mantendo o fogo alto e forte sobre Temer, se houvesse alguma chance de perderem a parada? A segurança com que a Globo mantém a ofensiva sugere, a muitos do mundo político, que a delação da JBS é apenas uma pontinha da munição que a Globo tem contra Temer.

Tentando enxergar individualmente as árvores desta floresta densa, separemos os atores e as etapas.

1. O “acordão pelo alto”. Enquanto Temer esperneia e ganha tempo, seguem as articulações silenciosas por uma “solução constitucional”, o que significa seu afastamento de forma legal, com a eleição indireta do sucessor, tal com previsto na Carta. Quais são os atores envolvidos? FHC certamente é um deles, juntamente com os tucanos que realmente hoje contam, como Tasso Jereissati. O presidente interino do PSDB diz que seu partido não seria “irresponsável” de deixar o governo pendurado no ar até que o TSE realize o julgamento da chapa Dilma-Temer. Esta foi uma forte indicação de que a degola de Temer virá mesmo pelo tribunal. Devem participar das negociações, além dos tucanos, alguns empresários da “nata” do capitalismo nacional mais responsável e uns poucos peemedebistas, como o dissidente Renan Calheiros, que disse numa rede social: "Precisamos construir uma saída na Constituição, que garanta eleições gerais em 2018 e Assembleia Nacional Constituinte. Fora disso é o imponderável. Tenho convicção de que o presidente compreenderá seu papel e ajudará na construção de uma saída."

Temer só pode ajudar de um jeito: renunciando. Por isso estariam sendo discutidas também as garantias que lhe poderiam ser oferecidas, como a de que não será preso caso renuncie. Estas conversas correm numa faixa, mas em outra, Temer e sua turma tentam ganhar tempo, contando com o medo geral do imponderável, que pode atender pelo nome de diretas-já e de Lula. O “pacto pelo alto”, como o batizou o historiador José Honório Rodrigues, está com toda pinta de que vai novamente vingar. As manifestações pelas diretas não explodiram de largada, no domingo, prometendo um grande movimento de massas. Vamos ver amanhã mas o outro lado está mais avançado. O povo está cansado e desiludido.

2. O nome. Inicialmente, o mais cotado para ser o “indireto” foi Henrique Meirelles mas este nome também já perdeu força, assim como o de Nelson Jobim e o de Carmem Lucia. Meirelles serviu à JBS por quatro anos, o que soa mal, e melhor servirá à elite como ministro da Fazenda. Falou-se até mesmo em Rodrigo Maia mas este terá outra utilidade para a transição. Será ele o presidente interino enquanto correrem os preparativos para a eleição no Colégio Eleitoral que vai ser ressuscitado.

A coalizão do golpe está apenas descartando Temer mas continua sendo a mesma, com o mesmo programa. As “reformas” não são coisas do Temer, mas uma exigência da elite, do capital que precisa ampliar sua mais-valia. O nome do “indireto” pode surpreender, pode estar sendo preparado em silêncio. Com certeza, será alguém que pode não ter carisma mas não terá os defeitos gritantes de Temer: vulgaridade moral e intelectual, rabo preso, deselegância litúrgica.

3. O rito do TSE. Inicialmente PSDB e o DEM condicionaram a permanência ou o desembarque à decisão do Supremo sobre o pedido de Temer para que o inquérito pedido por Janot seja suspenso. Ontem, a ficha caiu para Temer e sua defesa. Como provavelmente o STF manteria as investigações, o que seria uma antecipação da disposição para afastá-lo logo que se tornar réu, Temer desistiu do pedido. PSDB e DEM adiaram então a decisão para depois do julgamento do TSE. Este foi um sinal claro de que a degola virá, por ironia, do tribunal presidido por Gilmar Mendes, dileto amigo de Temer. A não ser, é claro, que evoluam negociações sobre uma renúncia com garantias de que não será preso. Será no TSE porque. dentre as “soluções constitucionais” existentes, este é o único rito que pode ser sumariamente consumado. O impeachment, tanto quanto o afastamento pelo STF, após uma denúncia de Janot, são processos por demais alongados diante da situação.

4. Papel da Globo e da mídia. Como eu disse no início, quem achar que Temer pode sobreviver deve fazer-se uma pergunta: alguma vez as Organizações Globo entraram numa disputa política para perder? Não. Elas ajudaram a derrubar Jango em 64, demoraram mas embarcaram no impeachment de Collor, que haviam ajudado a eleger, foram decisivas na derrubada de Dilma e agora apostam alto contra Temer. O império dos Marinho, por tudo o que significa como poder real no Brasil, não embarcaria nesta cruzada se não tivesse o aval de outras forças do sistema, como empresários, banqueiros, militares etc. Aqui houve um desencontro entre os que apoiaram o golpe. Os dois jornalões paulistas, por razões não de todo claras, seguem jogando na ambiguidade. Foi a Folha que forneceu a Temer sua principal arma de defesa, o questionamento da integridade da gravação de Joesley. O Estadão, aqui e ali, aponta os crimes mas defende a importância da estabilidade e da continuidade das reformas, numa espécie de “ruim com ele, pior sem ele”.

A Globo, suspeitam alguns políticos, deve dispor de informações muito mais graves contra Temer, ainda não utilizadas. Há muitas coisas ainda mal explicadas, como por exemplo, o trajeto da mala em que Rodrigo Loures recebeu propina de R$ 500 mil da JBS, depois de ter sido indicado por Temer como mediador da relação entre eles. Loures entregou-a hoje à Polícia Federal. Mas por onde a mala andou, que não foi encontrada em sua casa durante a busca e apreensão da PF? Coisas que existem entre o céu e a terra, não alcançadas pelo jornalismo nem pela filosofia. Mas há quem tenha as respostas.

Portanto, as águas seguem seu curso inexorável. Salvo a revogação de leis fundamentais da política, o que Temer e seus aliados estão recebendo agora é a “visita da saúde”, aquela melhora que sempre precede o fim quando alguém está para morrer. É da vida, é da política.
Posted: 24 May 2017 05:16 AM PDT
Por Rodrigo Vianna, no blog Escrevinhador:

“Estamos às portas de uma crise que já não é de governo, mas de regime”. A frase é de Marco Aurélio Garcia, ex-assessor internacional de Lula e Dilma, que além de ter atuado nos bastidores dos dois governos é historiador e observador da cena política.

Ao contrário do que se imaginava, a Lava-Jato e o movimento comandado por procuradores, juízes e delegados federais não tinham como objetivo apenas derrubar o governo Dilma, nem destruir o “lulo-petismo” – como davam a entender colunistas e políticos ligados ao tucanato.

Este blogueiro, desde 2015, lembra que a Lava-Jato tinha, sim, um claro viés antipetista; mas sempre foi muito mais que isso.

Enganava-se quem via na atuação de Moro, Janot e outros togados um projeto “tucano”. O MPF e o juiz das camisas negras fizeram uma aliança puramente “tática” com o PSDB e setores de centro-direita para atacar Lula e derrubar Dilma. Mas a Lava-Jato jamais esteve “a serviço” do PSDB – como os próprios jornalistas tucanos chegaram a acreditar.

Um analista entrevistado pela BBC usou uma definição interessante para a ação dos procuradores e juízes: seria uma espécie de “tenentismo togado” (clique aqui para ler mais). O paralelo que se traça é com o movimento militar de jovens e impetuosos oficiais, que se levantou contra a República Velha, num longo enfrentamento que teve como desfecho a Revolução de 1930 comandada por Getúlio Vargas:

Não parece haver um recorte específico no sentido de poupar os demais partidos. No fundo, o que os “tenentes togados” fazem é o processo da vida política brasileira como um todo: “querem, em nome da ética jurídica, dos “valores republicanos”, erradicar a “politicagem” da cena brasileira. Mas é inegável que existe também um viés antipetista, às vezes por questão de classe, às vezes por perceberem a mistura de socialismo com corrupção como satânica ou herética” (Christian Edward Cyrill Lynch, doutor em Ciência Política pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ).

O tenentismo teve o papel de ajudar a demolir a velha ordem. Alguns tenentes foram levados ao governo de Vargas pós-1930, na qualidade de interventores estaduais. Outros caminharam para o prestismo que depois comandaria o PCB (Partido Comunista do Brasil) durante cinco décadas. Mas o tenentismo, ótimo para demolir a velha ordem, não tinha um projeto para colocar no lugar da Velha República. Na última hora, um político advindo da velha ordem (Getúlio Vargas, que fora ministro de Washington Luiz, último presidente da República Velha) assumiu o poder e lentamente construiu uma nova ordem.

O paralelo termina aqui. Está claro que, ao contrário dos tenentes (que eram ingênuos e sem projeto, mas lutavam pela modernização do país), os procuradores/delegados/juízes do século XXI não têm um sentido de construção nacional. Mas de demolição pura e simples.

Estamos diante de uma crise de regime, sim. Que, se chegar ao ápice, pode levar à destruição não só do “lulo-petismo”, mas de toda a ordem democrática implantada desde a Constituição de 88. E mais que isso: em certo sentido, pode levar à destruição do longo projeto de Estado Nacional iniciado em 1930.

O sentido de tudo que aconteceu de 1930 para cá foi: o Brasil pode ser um Estado autônomo, pode incluir as massas no desenvolvimento (com mais ou menos direitos, mais ou menos liberdade), e o governo cumpre papel central no desenvolvimento, dada a incapacidade da burguesia de liderar qualquer projeto nacional.

Os militares de 64 não ousaram confrontar a herança varguista de Estado. Collor tentou, e caiu. FHC anunciou que enterraria a Era Vargas, mas não conseguiu – seja porque dentro do PSDB ainda havia setores que seguraram a onda ultraliberal, seja porque na oposição o bloco PT/CUT/movimentossociais/partidos de esquerda foi capaz de resistir ao desmonte.

O tenentismo togado, agora, propõe (talvez sem a devida clareza, mas por ações práticas) uma demolição do Estado e das forças produtivas que o Brasil foi capaz de construir ao longo de mais de 80 anos. Estão na mira: Petrobras, BNDES, construção pesada, agro-indústria. É uma crise sem precedentes. Uma crise de regime. Uma espécie de anti-Revolução de 1930.

Assim como os tenentes não tinham projeto, mas apenas a energia renovadora, os togados não parecem ter outra função que não seja demolir tudo. Mas o poder, como sabemos, não admite vácuo. Alguém ocupará espaços. Se o tenentismo togado cumpre a tarefa de implodir o sistema político e de minar a própria ideia de um Estado forte, com vistas ao desenvolvimento, sobra o que?

Provavelmente, uma nova ordem baseada em “iniciativa privada, visão gerencial privatista, abertura do país”.

Muita gente se pergunta: por que a Globo foi com tanta sede ao pote na direção de destituir Temer?Ora, porque a Globo pretende se safar do naufrágio, pretende estar do outro lado do balcão se, e quando, a crise de regime levar de roldão PT/PSDB/PMDB e as agências federais de desenvolvimento – como BNDES, Petrobras e toda a longa e bem sucedida construção varguista do Estado.

A Globo é a organizadora do projeto privatista, do novo regime que já nos espreita na esquina da história.

Mas nem a Globo pode se salvar, se as delações de Ricardo Teixeira arrastarem para a fogueira da destruição os direitos de transmissão esportivas e os esquemas de lavagem de dinheiro já denunciados aqui – https://vimeo.com/album/2146619.

Até 2 ou 3 meses atrás, setores mais responsáveis do centro democrático emitiam sinais de que era preciso “salvar a política” do avanço destrutivo representado pelo tenentismo togado. Lula era visto como o nome que, de dentro do sistema político, poderia comandar a necessária resistência. Nelson Jobim e Renan, além do próprio FHC, chegaram a vocalizar essa estratégia.

Mas o tempo pode ter passado. A crise de regime pode arrastar a todos, sem exceção.

Em 1930, brotou na última hora uma solução autoritária (Vargas) que deu sentido para a demolição da República Velha. Um sentido nacional, de desenvolvimento.

Minha impressão (e espero estar errado) é que vai surgir nos próximos meses uma liderança autoritária, que ofereça um sentido para a destruição promovida pelo tenentismo togado. Mas agora um sentido regressivo, de recolonização do Brasil.

A anti-revolução de 1930 avança, e me parece que nem Lula teria força agora para deter a onda que se avoluma no horizonte.
Posted: 24 May 2017 05:05 AM PDT
Por Bajonas Teixeira, no blog Cafezinho:

É preciso entender os efeitos das denúncias da JBS. Sabemos que foi um golpe nos golpistas - Michel Temer e Aécio Neves foram encurralados. Será muito difícil escaparem do cerco. Temer, com mais apoios entre o grande capital (Fiesp, CNI, bancos e latifúndio) está tentando romper o cerco. Mas, massacrado pela parte mais poderosa da mídia (a Globo), encurralado pela Justiça e fustigado pela OAB, com a base política derretendo, ele deve cair. Pode demorar um pouco, mas é inexorável. Junto com Temer, são os políticos, sempre tidos como os homens mais espertos do país, que levaram uma rasteira histórica. Quem os ludibriou?

Quem deu o golpe?

Joesley Batista, o dono da JBS, pode ter gravado conversas com Temer e com Aécio, mas quem deu legitimidade às gravações, as manteve em segredo, e revelou num momento em que Temer menos esperava? Foi o judiciário em parceria com o ministério público, sempre com o auxílio luxuoso da mídia. O que significa isso? Significa que um dos braços do golpe, o da justiça, atacou e neutralizou a força do outro, o da política. Os políticos, os homens sempre reputados os mais espertos do Brasil, as raposas, foram ludibriados. Nunca mais o poder dos políticos será o mesmo.

Isso significa também que a mídia se afastou dos políticos que ela mesma, através do primeiro golpe, o do impeachment de Dilma, pôs no poder. Ou melhor, uma parte da mídia, essa dirigida pela Globo. A Folha de São Paulo vai, claramente, se posicionando em favor de Temer.

Contra quem o golpe da JBS foi dado?

Ele foi dado contra aqueles que encabeçaram o golpe desde do seu início, Aécio, presidente nacional do PSDB, e Temer, presidente nacional do PMDB. O primeiro, insatisfeito com a derrota, articulou a cassação e o impeachment, desde o início. O segundo, encabeçou a traição a Dilma e assinou todas as propostas políticas antidemocráticas para dar espaço à sua camarilha e pilhar o estado. Um verdadeiro ataque de piratas recoberto pelas reformas. O problema é que, assim, o PSDB e o PMDB, se sentem golpeados, e tentarão resistir até onde puderem.

A harmonia do primeiro golpe, juntou no mesmo coro as vozes desses políticos, da mídia, do judiciário, do ministério público, da Fiesp, da CNI, etc. Mas o projeto de pilhagem do estado, a completa desmoralização da política, os riscos estruturais, acirraram o embate entre o avanço da Lava Jato e a cúpula da política. O conflito ganhou a forma de manobras para aprovar leis limitadoras contra a Lava Jato, como revelou inicialmente as gravações de figuras da cúpula do poder feitas por Sérgio Machado.

A evolução dessas tentativas, colocou para o Judiciário e a PGR o dilema simples: derrubar essa camarilha política ou serem asfixiados por ela.

O que está acontecendo agora?

A Fiesp, a federação das indústrias de SP, a Febraban, que é a federação nacional dos bancos, junto com a CNA (Agricultura), e CNI (Indústria), formaram uma coligação e incentivaram Temer a resistir. A Folha de São Paulo se alinha claramente com essas forças.

De outro, junto às corporações do estado (Judiciário e MPF), se postou a Rede Globo. A OAB, ontem, decidiu protocolar um pedido de impeachment de Temer. Há motivos para crer que só uma grande mobilização das ruas, pode apressar a queda de Temer. Isso criaria uma estranha aliança, com a Globo, a CNBB, a OAB, os movimentos populares, posicionados do mesmo lado. É insólito, mas está acontecendo. Claro que, embora a Globo esteja posicionada nitidamente contra a permanência de Temer, não se sabe até que ponto manterá posição contra as maiores forças do capitalismo brasileiro. Ao invés de aguardar para ver, o mais aconselhável é ir para as ruas para decidir.

Sem resistência, não teremos o fim do golpe, mas um pesadelo ainda mais assustador.
Posted: 24 May 2017 04:54 AM PDT
Por Conceição Lemes, no blog Viomundo:



A campanha Apoie Maria está na reta final.

Quem quiser ajudar, é só clicar aqui.

Faltam apenas três dias para encerrar.

A nossa Maria, como sabem agora, é a queridíssima e brilhante NaMaria, do blog NaMariaNews.

Há anos ela vive uma tragédia.

Perdeu o companheiro de 40 anos de vida.

Viu ameaçado tudo o que os dois construíram do nada, às custas de muito trabalho e suor.

E, agora, a Justiça exige que ela pague uma enormidade – R$ 65 mil – caso “queira ter onde cair morta” ou simplesmente “ir para debaixo de alguma ponte”.

Não bastasse tudo isso, NaMaria está doente, sem condições de trabalhar.

Até o momento foram arrecadados R$ 37.905.

Ou seja, faltam R$ 27.095. (24/maio – 6h45)

O nosso desafio é consegui-los em três dias.

NaMaria é uma só. Mas suas pesquisas parecem ser de uma legião.

É provavelmente a pessoa que mais conhece e mais denunciou os caminhos tortuosos dos negócios e desmandos dos tucanos na área educacional e suas ligações bilionárias com a grande mídia.

O Apoie Maria é uma campanha honesta, cristalina, verdadeira, assim como era e é o blog NaMariaNews.

“Eu o criei porque era impossível ficar calada diante de tanta corrupção, seja pela compra da mídia, seja pelos gastos absurdos com besteiras em nome da Educação, seja pela ciranda de pessoas que vagam pelo país germinando os piores males”, conta-nos.

Pessoas denunciadas em seu blog estão hoje na Lava a Jato sendo delatadas, como, por exemplo, Gilberto Kassab, Aécio Neves, José Serra, Geraldo Alckmin, a Odebrecht, entre outros.

NaMaria entregou a Fence da arapongagem de José Serra no governo paulista um ano antes de sair na grande imprensa, mostrando que era possível invadir eletronicamente o que ele bem entendesse, em todos os níveis governamentais e pessoais.

Revelou as compras de mais de R$250 milhões da mídia golpista, da Globo, Abril etc..

“A corrupção está na carne e na alma de toda essa gente má que não governa, apenas arrecada fundos ilícitos ao seu bel prazer. Governo para eles são apenas negócios entre amigos”, denuncia. “Enquanto isso a Educação vai fossa adentro.”

Pense bem: Qual o preço de milhares de horas de pesquisas que resultaram em descobertas com provas concretas de, no mínimo, tantas imoralidades?

NaMaria entregou tudo isso ao mundo sem cobrar nada, nenhuma propaganda, sem que ganhasse nada, ao contrário.

Ao ajudar o aparecimento da verdade, NaMaria ajudou a todos nós.

Agora, é ela quem está precisando muito da gente.

Se 1.354 pessoas doarem R$ 20 cada, nós conseguiremos alforriar NaMaria e finalmente dar-lhe a paz que tanto merece.

Ou ainda, fazendo os cálculos com os outros valores, temos: R$ 35 = 774 pessoas; R$ 50 = 541 pessoas; R$ 100 = 271 pessoas.

Só podemos atingir essa meta assim: Juntos!

Faça parte desta conquista pela vida.

Pessoal, vamos ajudar a NaMaria. Clique aqui agora.
Posted: 24 May 2017 04:44 AM PDT
Por Marcio Pochmann, na Rede Brasil Atual:

Durante o período da ditadura civil-militar (1964-1985), os principais inimigos da democracia podiam ser simplificados pelos grandes capitalistas e pelo estamento dirigente estatal, ambos tementes das reformas civilizatórias prometidas no ciclo político do segundo pós-guerra (1945-1964). Por conta disso, as reformas de base apresentadas pelo governo Jango para conter o tipo de capitalismo selvagem estabelecido no Brasil foram brutalmente rompidas pelo golpe de Estado em 1964.

Ainda durante a transição para a retomada democrática, na primeira metade da década de 1980, o lançamento do programa Esperança e Mudança do PMDB resgatou o espírito reformista enquanto componente necessário para a transformação da relação transparente do Estado com o mercado e da atuação ética do estamento dirigente estatal. Mais de três décadas depois, a experiência democrática brasileira, a mais longeva de todas, se manteve distante da perspectiva de civilizar o capitalismo selvagem aqui instalado, e tampouco de estancar o patrimonialismo inserido no interior do Estado.

Sem reformas, o regime democrático se tornou funcional aos capitalistas, capazes de converter o sistema eleitoral numa espécie de negócio rentável. Enquanto os grandes capitalistas financiam privadamente o processo eleitoral, recebem em contrapartida um conjunto de benesses operado arbitrariamente pelo estamento dirigente estatal.

Dessa forma, o mercantilismo capitalista invadiu o certame eleitoral da escolha democrática da representação popular, acompanhado, em geral, de lucros extraordinários obtidos a partir do financiamento do sistema político. Do conjunto das delações recentemente tornadas públicas, percebe-se o quanto o poder do dinheiro não parece ter limites para os verdadeiros donos do Brasil.

Tudo parece estar à venda. Da compra de leis no Legislativo a pareceres e decisões no Judiciário, as aferições de fiscais e outras funções de interesse do Executivo. Mesmo as informações econômicas confidenciais são privilegiadas a poucos, o que faz o capitalismo de Estado funcionar ao reverso. Não seria mais o Estado a comandar o conjunto dos capitalistas, mas simplesmente o contrário.

Nessa mesma perspectiva, o velho estamento dirigente nas mais distintas esferas do aparelho de Estado terminaria o utilizando para o seu fim próprio. Parcela do estamento segue recebendo remunerações acima do limite constitucional, o que torna atual a velha máxima: "para os amigos tudo, os inimigos a lei".

Para resolver o descrédito que se generaliza, é necessária a realização da reforma política que democratize o voto, coíba o poder do dinheiro e facilite a formação de convergência para maioria partidária. Na sequência, o desencadeamento das eleições gerais.

Conforme experiências passadas, o Brasil cresce justamente no interior das dificuldades. São elas que forçam a adoção de soluções até então inimagináveis.

Talvez por isso os escândalos que na atualidade proliferam possam revelar não apenas a natureza viciada da relação do Estado com o mercado como também os laços do patrimonialismo ainda presente no estamento estatal dirigente. Em plena crise, a mais amarga de sua história republicana, a recuperação do elo perdido das verdadeiras reformas prometidas no ciclo democrático do segundo pós-guerra (1945 – 1964) permite conectar o momento atual com uma perspectiva de futuro diferente da democracia mercantil e do patrimonialismo do estamento estatal.
Posted: 24 May 2017 04:39 AM PDT
Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

É unânime a convicção de que o governo Michel Temer acabou.

Acabou mesmo, mas é contraditório que, justamente por isso, tenha se tornado extremamente perigoso nestes estertores finais.

Temer passou a mendigar qualquer apoio e o apoio que há disponível é aquele que vem dos empresários, dispostos a comprar barato a liquidação dos direitos do povo brasileiro.

Ontem, um anúncio de página inteira da Confederação Nacional da Industria, a CNI, faz um “comunicado” (comunicado, como aos empregados) à Nação, dizendo que “não pode haver retrocessos nos avanços duramente conquistados nos últimos meses”.

Não se preocupa em dizer quais foram os avanços “duramente conquistados nos últimos meses”, quem sabe o desemprego de 14 milhões de brasileiros, o aumento do déficit público ou a perda total da capacidade de investimento, público e privado, ou ainda o fim da proteção à indústria brasileira embutida na política de conteúdo nacional da Petrobras?

Aliás, que Petrobras, se esta só faz vender, fechar, paralisar?

Maria Cristina Frias, em sua coluna de hoje, na Folha, diz que as entidades empresariais ” se mobilizam para pressionar parlamentares a aprovarem as reformas trabalhista e da Previdência depois da crise política que afetou o governo federal”

Tradução possível para essa “mobilização” é a de que, no varejo, vão tentar a adesão que o governo Temer já não é capaz de dar-lhe no atacado. Com as fontes tradicionais de financiamento da política entupidas pelo processo de delações e escândalos, não é demais imaginar que se venha a comprar “picadinho” o que antes vinha a granel.

Na sua estupidez estratégica e esperteza tática, o empresariado – salvo cada vez mais raras exceções – eles anunciam que “não importa quem esteja no Executivo”, vão cuidar da formação de “suas” bancadas parlamentares.

Catando, em meio ao cenário de devastação política, os deputados que ainda estejam em condições de serem consumidos, ao menos até a eleição de 2018, quando irão para o lixo.

Diz a CNI que o fará “em estreita observância da Constituição Federal” naquilo que, para ela, é intocável: a eleição indireta de presidente neste ano e meio final. Período em que, claro, nada deverá ser observado, muito menos estritamente, no que há de “mexível” na Carta: os direitos da população e a preservação do patrimônio nacional.

Na carniça da presidência de Temer, as moscas excitam-se e parece demais querer que se entenda que nada pode solucionar a crise senão a reconstrução do principal pilar de qualquer governo: a legitimidade.

A elite empresarial brasileira, corroída pela financeirização de suas atividades, enriqueceu de dinheiro e empobreceu-se de projetos.

O país é uma feira, na hora da xepa, para comprar barato leis que, já meio podres, não duram para além de 2018.
Posted: 24 May 2017 03:47 AM PDT
Por Laura Capriglione, no site dos Jornalistas Livres:

O jornalista Reinaldo Azevedo é um colunista preconceituoso, violento e, certamente, um dos artífices da mentalidade fascista e intolerante que vem tomando conta do Brasil. Foi ele que cunhou a expressão “petralha”, para impingi-la como um xingamento aos milhões de militantes que lutam por um mundo menos cruel, injusto e desigual.

Pois eis que o colunista de Veja, apanhado em grampo com Andréa Neves, a irmã que é Aécio, viu sua conversa vazar pela imprensa, sem que crime algum tenha sido rastreado no diálogo ameno, até desinteressante, posto que mera fofoca. A divulgação do grampo foi feita pela Procuradoria Geral da República, que precisa explicar por que o fez.

Trata-se de óbvio atentado ao princípio constitucional do “Sigilo da Fonte”, base do melhor jornalismo. Mas tem mais. Constitui-se em tentativa de intimidação do jornalista que, nos últimos tempos, tem-se mostrado crítico aos rumos seguidos pela Lava-Jato. Por fim, é causa de constrangimento ilegal, já que Reinaldo é flagrado em críticas à direção de Veja.

O fato é que o colunista pediu para sair da revista, no que foi prontamente atendido pela direção editorial do panfleto golpista que, mais uma vez, mostra não ter nenhum apreço pelos princípios basilares da imprensa livre.

Jornalistas Livres sabem que o arbítrio não se pauta pela defesa da livre manifestação e expressão. Ao contrário: tem dela verdadeira aversão. Hoje é Reinaldo, como ontem foi o blogueiro Eduardo Guimarães, arrastado de casa numa madrugada para o bunker da PF em São Paulo.

A mídia independente não pode silenciar tanto em um caso quanto no outro. Em nome da democracia, da liberdade de expressão e das garantias constitucionais ao exercício da profissão de jornalista, o coletivo Jornalistas Livres expressa sua solidariedade a Reinaldo Azevedo e a todos os cidadãos a quem o poder econômico, político, jurídico e midiático queira calar.

PS: Reinaldo Azevedo deve se arrepender do post que publicou em 20/11/2011, que você poderá ver aqui, antes que tirem do ar… Mas, se tirarem do ar, aqui tem um print da página:

Posted: 23 May 2017 06:25 PM PDT
Posted: 23 May 2017 06:10 PM PDT
Por Glenn Greenwald e Erick Dau, no site The Intercept-Brasil:

Na tarde hoje, o Buzzfeed Brasil publicou um artigo descrevendo uma ligação privada entre o colunista da Veja Reinaldo Azevedo e a irmã do Senador afastado Aécio Neves, que foi presa na semana passada pela Operação Lava Jato. A conversa, que foi tornada pública pela Procuradoria Geral da República, contem alguns trechos jornalisticamente interessantes – incluindo o tom extremamente amigável de Reinaldo Azevedo e suas críticas a uma reportagem da revista Veja, o que agora levou a seu pedido de demissão.

Mas não há qualquer relevância para a prova de qualquer crime. De fato, o próprio Buzzfeed escreveu:

A PF não considerou indícios de crimes na conversa realizada entre o jornalista e sua fonte, Andrea Neves. Mesmo assim, as gravações foram anexadas pela Procuradoria-Geral da República ao conjunto de áudios anexados ao inquérito que provocou o afastamento de Aécio e a prisão da irmã.

Este fato levanta uma questão óbvia e extremamente séria: se a transcrição desta conversa entre o jornalista e sua fonte/amiga não tem relação com qualquer crime, que justificativa pode haver para que ela tenha sido tornada pública? O monitoramento e a gravação de conversas privadas constituem um poder enorme que requer cuidados redobrados para que não invadam a privacidade das pessoas.

A revelação destas ligações deve ser feita apenas quando substancial e concretamente justificada. Que justificativa há para que os procuradores tenham violado a privacidade de Azevedo desta maneira? É difícil encontrar alguma.

Mas há uma ameaça ainda maior que a invasão de privacidade: a ameaça à liberdade de imprensa. Reinaldo Azevedo é um colunista extremamente controverso. Com enorme frequência, para não dizer sempre, achamos seus pontos de vista repudiáveis. Ele inclusive já atacou nossos jornalistas. É difícil superestimar o extremismo de suas posições conservadoras.

Não é preciso dizer que nada disso interessa neste momento. O desacordo com as opiniões políticas de um escritor não justifica a publicação de seus telefonemas privados por investigadores do governo. O que deve ser defendido aqui são os direitos de uma pessoa, independentemente dos pontos de vista que se possa ter sobre ela.

Festejar ou mesmo ignorar este ataque à privacidade e liberdade de imprensa de Reinaldo Azevedo devido ao desacordo com sua visão de mundo, é tornar impossível a oposição a ataques similares feitos a jornalistas com os quais se concorda.

O que torna este caso particularmente perturbador é que Reinaldo Azevedo se tornou uma das vozes mais críticas à Operação Lava Jato – ao menos desde que a investigação se estendeu para além dos políticos do PT e seus aliados, que têm o profundo desprezo de Azevedo, e começou a ameaçar líderes do PSDB (como Aécio Neves) e outras figuras de direita admiradas pelo jornalista. Ele escreveu diversos textos críticos ao que chamava de excessos e abusos de Moro, Janot e outros investigadores da Lava Jato.

Ao tentar compreender porque suas conversas poderiam ser reveladas ao público, é difícil evitar a questão de que o motivo real é uma represália por conta de suas críticas à Lava Jato. É preciso investigar o caso mais profundamente, mas o episódio levanta a dúvida sobre se os investigadores da Lava Jato queriam punir Azevedo por criticar sua conduta, ou fazer dele um exemplo para alertar outros jornalistas de que eles também podem ser prejudicados se os questionarem ou desafiarem.

É difícil imaginar uma ameaça maior à liberdade de imprensa do que autoridades do Estado interceptando e publicando as ligações telefônicas de um jornalista para puni-lo por seus pontos de vista. Se isso é realmente o que aconteceu, os responsáveis precisam ser punidos – dura e rapidamente. Hoje, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo disse que “considera que a apuração de um crime não pode servir de pretexto para a violação da lei, nem para o atropelo de direitos fundamentais como a proteção ao sigilo da fonte, garantido pela Constituição Federal.”

Neste sentido, este caso remonta à controversa divulgação, em 2016, de várias gravações de ligações telefônicas de Lula pelo juiz Sérgio Moro. Ainda que se possa considerar que a ligação entre Dilma e Lula sobre a incorporação deste ao governo fosse relevante para um possível crime – o que nós não consideramos – isso não justificaria a divulgação de inúmeras outras ligações claramente não relacionadas a qualquer conduta criminosa, mas que clara e previsivelmente causaram danos à reputação de Lula (incluindo várias ligações em que ele falava depreciativamente de mulheres).

No momento em que isto aconteceu, afirmamos que parecia ser um grave abuso de autoridade do Juiz Sérgio Moro, porque a revelação das ligações de Lula não poderia ser justificada por qualquer investigação criminal. De fato, foi esta decisão abusiva de Moro, e a patética reencenação melodramática do conteúdo das ligações pelo jornal Nacional, que nos levou a concluir que pela primeira vez a operação e a cobertura da mídia eram suspeitas, e precisavam ser criticadas e responsabilizadas.

É muito difícil ter qualquer empatia por Reinaldo Azevedo, especialmente sabendo que ele se aproveitou das revelações de Moro, mesmo reconhecendo sua falta de justificativa legal, para capitalizar politicamente seu discurso contra a então presidente.

[O trecho em que Dilma fala do termo de posse] “É irregular, não poderá ser usado em juízo, mas o juiz fez uma aposta polêmica, que é o seguinte: é de interesse público, está aqui, vou divulgar. Eu acho polêmico. Acho que há coisas graves o bastante no período legal de escuta, ele não precisava ter operado com esse tempo de fora, mas ele decidiu liberar tudo. […] Que fique claro desde já: em juízo, essas não poderão ser usadas. Agora, politicamente, acabou [risos]. A Dilma pode ficar insistindo ‘ah é ilegal, é ilegal, é ilegal’, mas que resposta ela tem pra isso? Nenhuma. É claro que isso está fomentando a rua, a Paulista está ocupada, Brasília está ocupada. Aliás, meus queridos, occupy Brasília.”

Vale a pena enfatizar aqui o alarmante fato de que, em muitos aspectos, as liberdades de imprensa são extremamente fracas se comparadas a outras democracias. O país é o 103 no raking anual de liberdade de imprensa divulgado pela organização Repórteres Sem Fronteiras. Nós denunciamos ordens judiciais que solicitavam a organizações de mídia – inclusive as grandes – a revelação de suas fontes.

Além disso, em março, o próprio Moro criou uma enorme controvérsia quando ordenou a apreensão e condução coercitiva do jornalista Eduardo Guimarães, autor e editor do Blog da Cidadania, uma decisão criticada inclusive por muitos defensores da Lava Jato. (Infelizmente, muitos jornalistas da grande mídia justificaram o ataque à liberdade de imprensa de Guimarães argumentando que ele seria um ativista, e não um “jornalista” – algo que muitos poderiam dizer sobre Azevedo.).

A revelação das gravações de Azevedo levanta esta mesma questão. O poder de monitorar e gravar pessoas é muito intenso. Só é – ou só deveria ser – permitido se sujeito a pesadas regras e limites sobre como deve ser usado. Estes limites parecem ter sido ignorados neste caso. Uma vez mais, temos outra situação onde é a conduta dos investigadores da Lava Jato que necessitam de uma séria investigação.

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