quinta-feira, 25 de maio de 2017

25/5 - As Novas Rotas da Seda e o divã do psicanalista

FONTE:Castor Filho <castorfilho@yahoo.com>


As Novas Rotas da Seda e o divã do psicanalista

Alfredo Pereira dos Santos
 
É um fato sabido que os conflitos interiores de uma pessoa a consomem tanto que lhe faltam energias para enfrentar  o mundo exterior e hostil. Que conquistas poderia ter uma mulher que, apesar do luxo e do conforto que o jovem e bem apessoado marido lhe dá, não resiste à tentação de ser uma “Belle de Jour”?
 
Ludwig Wittgenstein, que foi apaixonado por uma pessoa do mesmo sexo, num momento de desabafo, exclamou: “como posso ser filósofo se não consigo ser um homem?” Não se pode dizer que ele tenha sido um fracasso, mas era um homem inquieto, sempre em busca de alguma coisa, querendo provar alguma coisa. Na Primeira Guerra Mundial os oficiais superiores não queriam mandá-lo para o “front”, porque sabiam-no um homem culto e muito bem preparado. Todavia, ele fez questão de ir para a frente de combate, dizendo: “ou eu morro ou me transformo”.
 
Falar de Wittgenstein me afastaria do meu assunto. De certa forma, Wittgenstein “deu a volta por cima”, mas não é o que ocorre com boa parte das pessoas que vivem conflitos semelhantes.
 
Os conflitos se manifestam de diversas formas e arrastam as pessoas para o buraco. O psiquiatra austríaco, Wilhelm  Stekel (1868-1940), via uma relação entre dependência alcoólica e homossexualismo. O uso de certas drogas pode estar ligado a algum tipo de fixação na fase oral.
 
Esclareço que nada entendo destes assuntos. Apenas cito fontes encontradas aqui e ali. Uma dessas fontes diz que “Não existem drogados felizes”.
 
Estas foram apenas notas introdutórias ao que pretendo dizer.
 
Começo citando o professor (UFRJ) Darc Antonio Costa, que em seminário realizado em 1999, sob o tema “O Rio Pensa o Brasil”, falou do “Centro e da Periferia”. Dizia ele que “toda periferia aspira a ser centro”. O centro é a CIVILIZAÇÃO e a periferia a BARBÁRIE.
 
Segundo o Darc, A Pérsia já foi o centro enquanto que a Grécia era bárbara.
 
Depois a Grécia foi o centro e Roma era bárbara.
 
Mas não basta querer ser centro. É preciso que existam dois pré-requisitos: OBJETIVOS ESTRATÉGICOS E VONTADE NACIONAL.
 
O Darc cita o exemplo do Império Bizantino, que tinha objetivos estratégicos limitados, razão pela qual foi logo suplantado.
 
A fala do Darc ocupou várias páginas de um livro e como não é meu objetivo aqui transcrevê-la, in totum, pulo para dizer que o exemplo mais notável de OBJETIVO ESTRATÉGICO dos nossos tempos são os Estados Unidos. Diz o darc que os Estados Unidos não tem uma VONTADE NACIONAL, mas se esforçam para tê-la.
 
O Darc disse essas coisas em 1999, com o Carlos Lessa discordando de algumas delas, embora não do que classificou como “um discurso apaixonado e correto da importância da vontade de construir uma história”. O Lessa, como sempre, foi brilhante e eu aproveito a deixa, no que se refere à “construir uma história”, para falar da China.
 
Modestamente, eu penso que a China, e não é de hoje, é um exemplo mais flagrante de OBJETIVOS ESTRATÉGICOS e de VONTADE NACIONAL do que os Estados Unidos.
 
O presidente chinês, Xi Jinping, invoca heróis da dinastia Ming, estratégias geopolíticas de desenvolvimento e analogias com os gansos selvagens asiáticos para retratar a iniciativa chinesa Novas Rotas da Seda como nave madrinha de uma nova ordem mundial focada no comércio.
 
No Fórum Internacional Nova Rota da Seda, de dois dias, em Pequim, para fixar a China como a nave madrinha de nova ordem mundial benigna. Esse é, disse Xi, um "novo modelo de ganha-ganha e cooperação" que prevalecerá sobre a diplomacia dos canhões.

Obviamente que um dos membros chaves desse bando de gansos selvagens é a Rússia.
 
O tema é apaixonante mas como o meu assunto é Brasil eu dou outro pulo para lançar uma indagação:
 
Porque nós, brasileiros, não temos OBJETIVOS ESTRATÉGICOS nem VONTADE NACIONAL?
 
Estarão os nossos conflitos exaurindo as nossas energias e nos levando para o buraco? Precisamos de um divã de psicanalista?
 
A China não apenas alfabetizou as novas gerações, a partir de 1949, como as  ensinou a falar inglês. A China, sabiamente, percebeu que o inglês hoje é como foi o latim após as conquistas do Império Romano. E não é só isso, está assimilando toda a cultura ocidental. Música erudita, xadrez, etc.
 
Aqui não conseguimos alfabetizar o nosso povo. Dizem os estudiosos dessas questões que apenas 30 por cento do povo brasileiro é plenamente alfabetizado.

 
O fato é que precisamos, urgentemente, de um psiquiatra. Um país que não consegue alfabetizar o seu povo, que oferece a esse povo uma grotesca e escrota programação televisiva, pervertendo-o, corrompendo-o, infantilizando-o, certamente é portador de graves patologias.
 
Com tantas misérias humanas, morais, políticas, éticas, como poderemos reunir forças para criar objetivos estratégicos e vontade nacional?
 
Estamos dispersos, cada um olhando para o próprio umbigo, cada um por si e Deus contra todos.
 
Eu não tenho as respostas  e pergunto: O QUE FAZER?
 
O que eu sei é que com essa turma neoliberal, entreguista, adepta da "sociologia bissexual tucana" do FHC (royalties para o sociólogo Gilberto Vasconcellos), vamos ficar eternamente DOMINADOS.

 
Encerro com uma frase do Steckel: “A característica do homem imaturo é aspirar morrer nobremente por uma causa, enquanto que a do homem maduro é querer viver humildemente por uma causa”.
 
 

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